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Exemplos e complementos

Exemplos e complementos M ´ ODULO 1 – AULA 14 Aula 14 – Exemplos e complementos

M

´

ODULO 1 – AULA 14

Aula 14 – Exemplos e complementos

Objetivos

Conhecer a vers˜ao do Teorema do Valor M´edio para as derivadas dire- cionais.

Usar o gradiente para calcular o plano tangente a uma superf´ıcie num dado ponto.

Apresenta¸c˜ao

Esta aula consiste de uma cole¸c˜ao de se¸c˜oes independentes que com- pletam alguns temas que foram abordados nas aulas anteriores. Portanto, prepare-se para s´ubitas mudan¸cas de assunto.

Algumas dessas se¸c˜oes consistem de exemplos que ilustram a Teoria das Fun¸c˜oes Diferenci´aveis. Um desses exemplos j´a foi prometido anteriormente.

Vocˆe conhecer´a, tamb´em, uma vers˜ao do Teorema do Valor M´edio, adaptado `as fun¸oes de duas vari´aveis, usando derivadas direcionais. Veja, a seguir, a vers˜ao que vocˆe j´a conhece.

Teorema do Valor M´edio

Seja f : [ a, b ] lR −→ lR uma fun¸c˜ao cont´ınua. Se f ´e diferenci´avel no intervalo aberto (a, b), ent˜ao existe um n´umero ξ (a, b), tal que

f

(ξ) = f(b)

f(a) b a

.

O ultimo´ tema da aula refor¸car´a um t´opico apresentado anteriormente:

a ortogonalidade do vetor gradiente de uma fun¸c˜ao em rela¸c˜ao ao seu conjunto de n´ıvel.

Comecemos com os exemplos!

a b Figura 14.1
a
b
Figura 14.1

Nesta ilustra¸c˜ao, h´a dois poss´ıveis valores para ξ.

Exemplo de fun¸c˜ao diferenci´avel que n˜ao ´e de classe C 1

Os exemplos desempenham papel fundamental na Matem´atica. H´a um ditado que soa, em certos contextos, um pouco antip´atico, mas carrega muita verdade: quem sabe sabe dar exemplos!

que soa, em certos contextos, um pouco antip´ atico, mas carrega muita verdade: quem sabe sabe
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Exemplos e complementos Podemos dizer que h´a, basicamente, dois tipos de exemplos. Existem aqueles que

Exemplos e complementos

Exemplos e complementos Podemos dizer que h´a, basicamente, dois tipos de exemplos. Existem aqueles que caem,

Podemos dizer que h´a, basicamente, dois tipos de exemplos. Existem

aqueles que caem, com folga, na regularidade das teorias, que s˜ao a maioria dos exemplos com os quais lidamos. O que vocˆe conhecer´a nesta se¸c˜ao per- tence mais `a outra categoria de exemplos, que s˜ao aqueles que nos ajudam

a determinar as fronteiras das teorias. Em geral, eles respondem negativa-

mente a perguntas como: toda fun¸ao diferenci´avel ´e de classe C 1 ?

´

isso que, `as vezes, tais exemplos s˜ao chamados contra-exemplos.

E por

Lembre-se: uma fun¸c˜ao f : D lR 2 −→ lR , definida num aberto D de R 2 , ´e dita de classe C 1 se admitir derivadas parciais cont´ınuas em D. Isto ´e, ser de classe C 1 ´e uma condi¸c˜ao suficiente para que uma fun¸c˜ao seja

diferenci´avel. O exemplo desta se¸c˜ao mostra que essa condi¸c˜ao suficiente n˜ao

´e necess´aria.

Seja f : lR 2 −→ lR a fun¸c˜ao definida por

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f (x, y)

=

 

 

0,

(x 2 + y 2 ) sen

1

x 2 + y 2 ,

se

se

(x, y) = (0, 0);

(x, y)

= (0, 0).

Vocˆe pode notar: f

(x, y)

= (0, 0),

´e de classe C 1 em lR 2

{ (0, 0) }. Realmente, se

∂f

∂x

(x, y)=2x sen

1

x 2 + y 2 + (x 2 + y 2 ) cos

x 2 + y 2 · (x 2 + y 2 ) 2 =

1

2x

=

2x sen

1

x 2 + y 2

2x

x 2 +

y 2

cos

1

x 2 + y 2 .

Analogamente, se (x, y)

= (0, 0),

∂f

∂y

(x, y)=2y sen

= (0, 0),

1

x 2 + y 2

2y

x 2 + y 2

e

cos

∂f

∂y

1

x 2 + y 2 .

as fun¸c˜oes f ∂x

s˜ao cont´ınuas, por

serem somas e/ou composi¸c˜oes de fun¸c˜oes cont´ınuas. Logo, fica estabelecida

a diferenciabilidade de f no conjunto lR 2 − { (0, 0) }.

Assim, para (x, y)

Logo, fica estabelecida a diferenciabilidade de f no conjunto lR 2 − { (0 , 0)

Exemplos e complementos

Exemplos e complementos M ´ ODULO 1 – AULA 14 Vamos, agora, analisar a diferenciabilidade de

M

´

ODULO 1 – AULA 14

Vamos, agora, analisar a diferenciabilidade de f na origem. Come¸camos com o c´alculo das derivadas parciais de f na origem.

∂f

∂x

(0, 0)

=

=

pois x0 lim x =0e

Analogamente,

lim

x0

lim

x0

f (x, 0) f (0, 0) x 0

x sen

1

2 =

x

=

0,

lim

x0

x 2 sen

1

2

x

x

g(x) = sen

1

2 ´e uma fun¸c˜ao limitada.

x

f ∂y (0, 0)

=

0.

=

Veremos, agora, que f ´e diferenci´avel na origem. Temos de mostrar que o limite de

E(h, k) h 2 + k 2

=

f (0 + h, 0 + k) f (0, 0) f x (0, 0) h f y (0, 0) k

h 2 + k 2

com (h, k) (0, 0), ´e nulo.

,

Se (h, k)

=

(0, 0),

1

f (h, k)=(h 2 + k 2 ) sen h 2 + k 2

f x (0, 0) = f y (0, 0) = 0. Ent˜ao,

e

f (0, 0)

=

lim

(h,k)(0,0)

E(h, k)

h 2 + k 2

pois

fun¸c˜ao limitada.

lim

(h,k)(0,0)

h 2 + k 2

=

=

lim

(h,k)(0,0)

lim

(h,k)(0,0)

(h 2 + k 2 ) sen

1

h 2 + k 2

h 2 + k 2

h 2 + k 2

sen

1

h 2 + k 2

=

=

0,

´e igual a zero e

1

g(h, k) = sen h 2 + k 2 ´e uma

Ufa! Veja em que p´e estamos: f ´e uma fun¸c˜ao diferenci´avel em lR

{ (0, 0) }, pois ´e de classe C 1 em lR − { (0, 0) }, e acabamos de mostrar, pela defini¸c˜ao, que f ´e diferenci´avel na origem. Para cumprir o prometido, temos de mostrar que f n˜ao ´e de classe C 1 (em lR 2 ). J´a sabemos que o problema reside na origem. Veja, por exemplo, a fun¸c˜ao

∂f

∂x

(x, y)

=

0,

2x sen

1

x 2 + y 2

2x

x 2 +

y 2

1

cos x 2 + y 2 ,

se

se

(x, y) = (0, 0);

(x,

y)

= (0, 0)

n˜ao ´e cont´ınua na origem.

x 2 + y 2 , se se ( x, y ) = (0 , 0);
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Exemplos e complementos Realmente, ( x,y ) → (0 , 0) 2 x s e

Exemplos e complementos

Exemplos e complementos Realmente, ( x,y ) → (0 , 0) 2 x s e n

Realmente,

(x,y)(0,0) 2x sen

lim

1

x 2 + y 2

=

0,

mas

a

parcela

2x

x 2 +

y 2

1

cos x 2 + y 2

n˜ao ´e limitada em torno da origem.

Por exemplo,

l(x) = 1

x

cos

se fizermos x = y, resulta a fun¸c˜ao

torno da origem, est´a esbo¸cado na figura a seguir.

1

2x 2 ,

cujo gr´afico, em

na figura a seguir. 1 2 x 2 , cujo gr´ afico, em Figura 14.2 Atividade

Figura 14.2

Atividade 14.1 Vocˆe sabe que toda fun¸ao diferenci´avel ´e, necessariamente, cont´ınua. Isto quer dizer que a fun¸c˜ao dada no exemplo anterior ´e cont´ınua. Em particu- lar, ´e cont´ınua na origem. Vocˆe pode mostrar isso diretamente, calculando

(x,y)(0,0) f (x, y).

lim

Derivadas direcionais – um exemplo interessante

Vocˆe aprendeu que, se f ´e uma fun¸c˜ao diferenci´avel em (a, b) D,

ent˜ao

∂f ∂ u

(a, b)

= f (a, b) · u.

(Veja o teorema na aula anterior.) Logo, se f ´e diferenci´avel, ela admite todas as derivadas direcionais. Resta a pergunta: a existˆencia das derivadas direcionais garante a diferenciabilidade da fun¸c˜ao?

Nesta se¸c˜ao vocˆe conhecer´a um exemplo de uma fun¸c˜ao cont´ınua que admite derivadas direcionais em todas as dire¸c˜oes em torno de um ponto dado, sem mesmo ser diferenci´avel nesse ponto.

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direcionais em todas as dire¸ c˜oes em torno de um ponto dado, sem mesmo ser diferenci´

Exemplos e complementos

Exemplos e complementos Seja f : lR 2 −→ lR a fun¸c˜ao definida por f (

Seja f : lR 2 −→ lR a fun¸c˜ao definida por

f (x, y)

=

0,

x 3 y x 4 + y 2 ,

se

se

(x, y) = (0, 0),

(x, y)

= (0, 0).

Para mostrar que f ´e cont´ınua, basta mostrar que

lim

(x,y)(0,0)

x 3 y

x 4 + y 2

=

0.

Na verdade, basta mostrar que a fun¸c˜ao g(x, y) =

x 4 x + 2 y y 2 , nossa velha

conhecida, ´e limitada. Para isso, observe que

 

0

(x 2 − |y|) 2

=

x 4 2x 2 |y| + y 2 .

Assim,

2x 2 |y|

x 4 + y 2

e,

se

(x, y)

= (0, 0),

x 2 |y| x 4 + y 2

1

2 .

Agora, as derivadas direcionais. Vamos come¸car calculando as deriva- das parciais de f na origem.

∂f

∂x

∂f

∂y

(0, 0)

(0, 0)

=

=

Seja u Ent˜ao,

= (u 1 , u 2 )

lim

x0

lim

y0

f

(x, 0) f (0, 0)

f

0

x (0, y) f (0, 0)

y

0

=

=

lim

x0

lim

y0

0

x

0

5

y

3

um vetor unit´ario

(u 2 + u 2 2 = 1),

1

∂f ∂ u

(0, 0)

=

=

lim

t0

lim

t0

f (0 + t u 1 , 0 + t u 2 ) f (0, 0)

t

4 u 3

1

u

2

t 5 u 4 + t 3 u 2

1

2

t

=

lim

t0

tu 3

1

u

2

t 2 u 4 + u 2

1

2

=

=

lim

t0

0.

=

=

0;

0.

tal que u 1 u 2 = 0.

t 3 u 3 tu 2 t 4 u 4 + t 2 u 2

1

1

2

=

t

Observe que, para obter a ultima´

igualdade, usamos u 2 = 0.

M

´

ODULO 1 – AULA 14

Este argumento matem´atico foi apresentado a um dos autores, na hora do caf´e,

pelo professor Jos´e Ot´avio, do Instituto de Matem´atica

da UFF.

p´erola. Mostra como a sim-

E uma verdadeira

´

plicidade, tamb´em em Ma- tem´atica, ´e valiosa.

Assim, f admite derivadas direcionais em (0, 0) para todo vetor unit´ario u, e essa derivada ´e nula.

f admite derivadas direcionais em (0 , 0) para todo vetor unit´ ario u , e
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Exemplos e complementos Vamos considerar, agora, a diferenciabilidade de f na origem. Temos de estudar

Exemplos e complementos

Exemplos e complementos Vamos considerar, agora, a diferenciabilidade de f na origem. Temos de estudar o

Vamos considerar, agora, a diferenciabilidade de f na origem. Temos

de estudar o limite de

E(h,k) h 2 +k

2 , com (h, k) (0, 0).

E(h, k) k 2 h 2 +

=

=

f (0 + h, 0 + k) f (0, 0) f x (0, 0) h f y (0, 0) k h 2 + k 2

f (h, k)

h 3 k k 2 (h 4 + k 2 ) .

h 2 + k 2 = h 2

+

=

No entanto,

esse quociente n˜ao admite limite quando (h, k) (0, 0).

Basta fazer k = h 2 . Ent˜ao

E(h, h 2 )

h 2 + h 4 =

h 2 |h| 1

5

+ h 2 h 4 =

h

1

2 |h|

1 + h 2 .

Os limites laterais h 0 + e h 0 desse quociente s˜ao diferentes. Portanto, f n˜ao ´e diferenci´avel na origem. Resumindo, f ´e uma fun¸c˜ao definida em todo o plano lR 2 , ´e cont´ınua em lR 2 , de classe C 1 em lR 2 − { (0, 0) } e, assim, diferenci´avel em lR 2 − { (0, 0) }. Como f admite derivadas direcionais na origem, em todas as dire¸c˜oes (todas nulas), conclu´ımos que f

admite derivadas direcionais f u (x, y), (x, y) lR 2 e u, tais que || u|| = 1. No entanto, f n˜ao ´e diferenci´avel na origem.

Teorema do Valor M´edio e derivadas direcionais

Vocˆe viu que a existˆencia das derivadas direcionais n˜ao garante a di- ferenciabilidade da fun¸c˜ao. Ainda assim, esse conceito pode dar muitas informa¸c˜oes a respeito da fun¸c˜ao, como veremos a seguir.

Teorema do Valor M´edio

Seja f

: D

lR 2

−→ lR

uma fun¸c˜ao definida no aberto D lR 2

e

sejam (a, b) e (c, d) pontos distintos de D. Considere m = ||(c, d) (a, b)||

a distˆancia entre esses pontos, e seja u

paralelo ao segmento que une (a, b) a (c, d), dado por

(c, d) (a, b)

m

=

o vetor unit´ario

L

=

{ (a, b) + t

u ;

0 t m }.

Suponha que L D e que f admite derivada direcional f u (x, y), para

Ent˜ao, a taxa de varia¸c˜ao m´edia de f , de (a, b) at´e (c, d),

´e igual a` derivada direcional de f , em algum ponto do segmento L. Isto ´e, existe um ponto (λ, ξ) L, tal que

cada (x, y) L.

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algum ponto do segmento L . Isto ´e, existe um ponto ( λ, ξ ) ∈

Exemplos e complementos

Exemplos e complementos ∂f (λ, ξ) = f (c, d) − f (a, b) ∂ u
∂f (λ, ξ) = f (c, d) − f (a, b) ∂ u ||(a, b)
∂f (λ, ξ) = f (c, d) − f (a, b)
∂ u
||(a, b) − (c, d)|| .
Veja a ilustra¸c˜ao na figura a seguir.
d
D
u
L
b
a
c

Figura 14.3

M

´

ODULO 1 – AULA 14

Demonstra¸c˜ao

Basta considerar a fun¸c˜ao g, definida no intervalo [0, m] pela equa¸c˜ao g(t) = f (a, b) + t u .

Essa fun¸c˜ao ´e a composi¸c˜ao do caminho α(t)=(a, b)+ t u, que percorre

o segmento L de (a, b) at´e (c, d), na medida em que t varia de 0 at´e m, com

a fun¸c˜ao f :

g(t)

=

f α(t).

Ent˜ao, g(0) = f (a, b) m u = (c, d) (a, b).

e

g(m)

=

f (a, b) + m u

Observe que

g (t)

=

=

lim

h0

lim

h0

g(t + h) g(t) h

f (a, b) + t u + h u f (a, b) + t u

=

h

=

∂f

u

=

f (c, d), pois

(a, b) + t u .

Assim, g ´e uma fun¸c˜ao cont´ınua em [0, m] e diferenci´avel no intervalo aberto (0, m). Portanto, a fun¸c˜ao g satisfaz as hip´oteses do Teorema do Valor M´edio, enunciado na apresenta¸c˜ao desta aula. Logo, existe um certo t 0 (0, m), tal que g (t 0 ) = g(m) g(0)

m

.

Fazendo (λ, ξ)=(a, b) + t 0 u, obtemos g (t 0 ) = f u (λ, ξ) e, portanto,

∂f ∂ u (λ, ξ)

=

f (c, d) f (a, b) ||(c, d) (a, b)|| .

portanto, ∂f ∂ u ( λ , ξ ) = f ( c, d ) −
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Exemplos e complementos Veja uma aplica¸ c˜ ao do teorema. Corol´ ario uma fun¸c˜ao definida

Exemplos e complementos

Exemplos e complementos Veja uma aplica¸ c˜ ao do teorema. Corol´ ario uma fun¸c˜ao definida no

Veja uma aplica¸ao do teorema.

Corol´ario

uma fun¸c˜ao definida no aberto e convexo

D lR 2 . Suponha que f (x, y)=0, para todo (x, y) D e todos os vetores

Seja f

:

D

lR 2

−→ lR

u

unit´arios u. Ent˜ao f ´e uma fun¸c˜ao constante.

Precisamos lembrar que um subconjunto D lR 2 ´e dito convexo se o segmento que une quaisquer dois de seus pontos est´a contido em D. Aqui est˜ao alguns exemplos de conjuntos convexos.

CEDERJ

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164
est˜ ao alguns exemplos de conjuntos convexos. CEDERJ 164 Figura 14.4 Figura 14.5 Figura 14.6 Demonstra¸c˜ao

Figura 14.4

exemplos de conjuntos convexos. CEDERJ 164 Figura 14.4 Figura 14.5 Figura 14.6 Demonstra¸c˜ao do corol´ ario

Figura 14.5

de conjuntos convexos. CEDERJ 164 Figura 14.4 Figura 14.5 Figura 14.6 Demonstra¸c˜ao do corol´ ario Escolha

Figura 14.6

Demonstra¸c˜ao do corol´ario

Escolha algum ponto (a, b) D e seja f (a, b) = k. Vamos mostrar que

f (x, y) = k,

Dado (x, y) D, um ponto diferente de (a, b), o segmento L que os une est´a contido em D, pois esse conjunto ´e um convexo. Aplicando o Teorema do Valor M´edio, obtemos (λ, ξ), um ponto pertencente a L, tal que

(x, y) D.

∂f (λ, ξ)

u

=

f (x, y) f (a, b)

||(x, y) (a, b)|| .

Como f u

´e nula em todos os pontos de D, obtemos f (x, y)f (a, b)=0

e, portanto,

f (x, y) = k.

Atividade 14.2

u (x, y),

(x, y) lR 2 , para todos os vetores

Seja C uma curva de n´ıvel de f tal que o interior de C ´e um conjunto convexo. Suponha que os pontos (a, b)e(c, d) C sejam distintos e fa¸ca

u =

||(c,d)(a,b)|| . Mostre que existe um ponto (λ, ξ) no interior de C tal que

Seja f : lR 2 −→ lR uma fun¸c˜ao que admite derivadas direcionais f

unit´arios u.

(c,d)(a,b)

∂f

u (λ, ξ) = 0.

ao que admite derivadas direcionais ∂ f unit´ arios u . ( c,d ) − (

Exemplos e complementos

Exemplos e complementos Ortogonalidade do gradiente em rela¸c˜ao ao conjunto de n´ıvel O espa¸co euclidiano lR

Ortogonalidade do gradiente em rela¸c˜ao ao conjunto de n´ıvel

O espa¸co euclidiano lR 3 tem caracter´ısticas que o distingue, de maneira not´avel, dos outros espa¸cos euclidianos. Ele ´e munido de certos produtos que lhe s˜ao pr´oprios.

w = (w 1 , w 2 , w 3 ),

Dados os vetores u = (u 1 , u 2 , u 3 ), v = (v 1 , v 2 , v 3 ) podemos efetuar trˆes tipos de produtos com eles.

e

Produto Nota¸c˜ao Interno u · v Vetorial u × v Misto u · ( v
Produto
Nota¸c˜ao
Interno
u · v
Vetorial
u × v
Misto
u · ( v × w )

O produto interno ´e comum a todos os espa¸cos euclidianos, mas os outros dois produtos s˜ao exclusivos do espa¸co lR 3 . Esses trˆes produtos re- fletem propriedades geom´etricas de lR 3 e s˜ao muito uteis.´ Veja as seguintes observa¸c˜oes:

O produto interno reflete a ortogonalidade dos vetores: u · v = 0

significa que os vetores u

u
u

e v s˜ao ortogonais.

v

(a)

(b) O vetor u × v

Figura 14.7

´e determinado pela f´ormula

u × v =

i

u

v

1

1

j

u

2

v

2

k

u

v

3

3

,

14.7 ´e determinado pela f´ ormula u × v = i u v 1 1 j

M

´

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Exemplos e complementos que deve ser tomada como um determinante em que a primeira linha

Exemplos e complementos

Exemplos e complementos que deve ser tomada como um determinante em que a primeira linha ´e

que deve ser tomada como um determinante em que a primeira linha ´e for-

k = (0, 0, 1).

mada pelos vetores da base canˆonica i = (1, 0, 0), j = (0, 1, 0) e

O vetor u × v ´e ortogonal aos vetores u e v.

u × v u v Figura 14.8
u × v
u
v
Figura 14.8

(c) O produto misto u · ( v × v) ´e dado pela f´ormula

u · ( v × w ) =

u

v

1

1

w 1

u

v

2

2

w 2

u

v

3

3

w 3

.

Sua interpreta¸c˜ao geom´etrica ´e a seguinte: o valor absoluto de u·( v×w )

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´e o volume do paralelep´ıpedo gerado pelos vetores u, v

e w .

w v u
w
v
u

Figura 14.9

Essas informa¸c˜oes s˜ao uteis.´

Por exemplo, seja

α x + β y + γ z

a equa¸c˜ao de um certo plano. esse plano.

Ent˜ao,

o

=

ε

vetor

(α, β, γ)

´e

ortogonal a

x + β y + γ z a equa¸c˜ ao de um certo plano. esse plano.

Exemplos e complementos

Exemplos e complementos ( α, β, γ ) Figura 14.10 Isso porque α x + β
Exemplos e complementos ( α, β, γ ) Figura 14.10 Isso porque α x + β

(α, β, γ)

Figura 14.10

Isso porque α x+β y+γ z =0=(α, β, γ)·(x, y, z) ´e a equa¸c˜ao do lugar

geom´etrico dos vetores (x, y, z), que s˜ao ortogonais ao vetor dado (α, β, γ). Ora, esse conjunto ´e, precisamente, o plano normal ao vetor (α, β, γ) e que

cont´em a origem.

paralelo a esse, tamb´em ´e ortogonal ao vetor (α, β, γ).

ε ´e a equa¸c˜ao de um plano

Como α x + β y + γ z

=

Com essas informa¸c˜oes b´asicas sobre vetores em mente, considere o seguinte teorema.

Teorema

Seja f : D lR 3 −→ lR uma fun¸c˜ao diferenci´avel definida no aberto

D

diferenci´avel, tal que γ(t 0 )=(a, b, c) e f γ(t) = k, t I. Ent˜ao,

lR 3 , uma curva

lR 3

tal que f (a, b, c)

=

0 e seja γ

:

I

−→ D

f (a, b, c) · γ (t 0 )=0.

M

´

ODULO 1 – AULA 14

Isto ´e, se γ ´e uma curva contida em alguma superf´ıcie de n´ıvel de f , ent˜ao o vetor tangente a` curva ´e normal ao gradiente de f .

Atividade 14.3 Demonstre o teorema.

Chamaremos plano tangente `a superf´ıcie de n´ıvel f ( x, y, z ) = k , no

= 0 e que cont´em o ponto (a, b, c).

ponto (a, b, c), o plano normal a f (a, b, c)

A equa¸c˜ao desse plano ´e muito simples:

f (a, b, c) · (x, y, z)

=

f (a, b, c) · (a, b, c).

Exemplo 14.1

Vamos determinar a equa¸c˜ao do plano tangente a` superf´ıcie definida por

2

z = 3 x 2 y 2 no ponto (1, 1, 3/2).

tangente a ` superf´ıcie definida por 2 z = 3 − x 2 − y 2
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CEDERJ 168 Exemplos e complementos Vamos considerar a fun¸ c˜ao f ( x, y, z

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Exemplos e complementos

CEDERJ 168 Exemplos e complementos Vamos considerar a fun¸ c˜ao f ( x, y, z )

Vamos considerar a fun¸c˜ao f (x, y, z) = z + x 2 de n´ıvel 0 ´e, precisamente, a superf´ıcie mencionada.

Portanto, como f (x, y, z)=(x, 2y, 1), no ponto (1, 1, 3/2) temos f (1, 1, 3/2) = (1, 2, 1). Assim, a equa¸c˜ao que procuramos ´e

+ y 2 3, cuja superf´ıcie

2

x + 2y + z = 9/2. ∇f (1, 1, 3/2) Figura 14.11
x + 2y + z =
9/2.
∇f (1, 1, 3/2)
Figura 14.11

Exerc´ıcios

Exerc´ıcio 1

Seja g(x, y)) =

0,

(xy) cos

1

x 2 + y 2 ,

se

se

(x, y) = (0, 0);

(x, y)

= (0, 0).

∂g

Determine a fun¸c˜ao

: lR 2 −→ lR

e mostre que ela n˜ao ´e limitada

x na origem. Ser´a g uma fun¸c˜ao diferenci´avel?

Exerc´ıcio 2

Considere f (x, y) =

0,

xy 2

x 2 + y 4 ,

se

se

(x, y) = (0, 0);

(x, y)

= (0, 0).

∂f ∂ u

Seja u

=

2

2

.

u

u 1

(0, 0) =

(u 1 , u 2 ) um vetor unit´ario,

No

Mostre que

entanto, conclua que f n˜ao ´e diferenci´avel, mostrando

tal que

u 1

=

0.

que f n˜ao ´e cont´ınua na origem.

entanto, conclua que f n˜ao ´e diferenci´ avel, mostrando tal que u 1 = 0. que

Exemplos e complementos

Exemplos e complementos M ´ ODULO 1 – AULA 14 Exerc´ıcio 3 Seja D ⊂ lR

M

´

ODULO 1 – AULA 14

Exerc´ıcio 3

Seja D lR 2 um conjunto com a seguinte propriedade: quaisquer dois de seus pontos podem ser unidos por uma linha poligonal. Isto ´e, h´a uma sucess˜ao de segmentos de retas que conecta um ao outro ponto. Se substituirmos a propriedade convexo por essa condi¸c˜ao, no corol´ario anterior, o resultado continuar´a valendo?

Exerc´ıcio 4

Sejam f e g duas fun¸c˜oes definidas em todo o lR 2 tais que, para todo vetor unit´ario u e todo par (x, y), vale

∂f ∂ u

(x, y) = g u (x, y).

Mostre que essas duas fun¸c˜oes diferem por uma constante.

Exerc´ıcio 5

Determine uma fun¸c˜ao f : D lR 2 −→ lR tal que, para todo vetor unit´ario u e todo par (x, y) D,

com f n˜ao constante.

Exerc´ıcio 6

∂f ∂ u

(x, y)=0,

Calcule a equa¸c˜ao do plano tangente a` superf´ıcie definida por

no ponto (1, 1, 2).

Exerc´ıcio 7

xy + 2xz + yz

=

x

Calcule a equa¸c˜ao do plano tangente a` superf´ıcie definida por

no ponto (1, 1, 1).

x 2 + y 2 + 2z 2 + 2y + 2xz

=

4

a ` superf´ıcie definida por no ponto (1 , − 1 , 1). x 2 +
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