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A Revolução da Tecnologia da Informação

Que revolução?

No final do século XX estamos vivendo um intervalo cuja característica é a


transformação de nossa "cultura material" pelos mecanismos de um novo paradigma
tecnológico que se organiza em torno da tecnologia da informação.

O processo atual de transformação tecnológica expande-se exponencialmente em razão


de sua capacidade de criar uma interface entre campos tecnológicos mediante uma
linguagem digital comum na qual a informação é gerada, armazenada, recuperada,
processada e transmitida. Vivemos em um mundo que se tornou digital.

Esse é um evento histórico da mesma importância da revolução industrial do século


XVIII induzindo um padrão de descontinuidade nas bases materiais da economia,
sociedade e cultura. Diferentemente de qualquer outra revolução, o cerne da
transformação que estamos vivendo na revolução atual refere-se às tecnologias da
informação, processamento e comunicação.

O que caracteriza a atual revolução tecnológica não é a centralidade de conhecimentos e


informação, mas a aplicação desses conhecimentos e dessa informação para geração de
conhecimentos e de dispositivos e de processamento/comunicação da informação, em
um ciclo de realimentação cumulativo entre a inovação e seu uso. Os usos das novas
tecnologias de telecomunicações nas duas ultimas décadas passaram por três estágios
distintos: a automação de tarefas, as experiências de usos e a reconfiguração das
aplicações. Nos dois primeiros estágios, o progresso da inovação tecnológica baseou-se
em aprender usando. No terceiro estágio, os usuários aprenderam a tecnologia fazendo,
o que acabou resultando na reconfiguração das redes e na descoberta de novas
aplicações. O ciclo de realimentação entre a introdução de uma nova tecnologia, seus
usos e seus desenvolvimentos em novos domínios torna-se muito mais rápido ao novo
paradigma tecnológico. Consequentemente, a difusão da tecnologia amplifica seu poder
de forma infinita, "a medida que os usuários apropriam-se dela e a redefinem. Dessa
forma, os usuários podem assumir o controle da tecnologia como no caso da Internet.
Pela primeira vez na história, a mente humana é uma forca direta de produção, não
apenas um elemento decisivo no sistema produtivo.

As novas tecnologias da informação difundiram-se pelo globo com a velocidade da luz


em menos de duas décadas, entre meados dos anos 70 e 90, por meio de uma lógica que
é a característica dessa revolução tecnológica: a aplicação imediata no próprio
desenvolvimento da tecnologia gerada, conectando o mundo através da tecnologia da
informação. Na verdade, há grandes áreas do mundo e consideráveis segmentos da
população que estão desconectados do novo sistema tecnológico. As áreas
desconectadas são cultural e espacialmente descontínuas.
A seqüência histórica da Revolução da Tecnologia da Informação

A breve, porem intensa, historia da revolução da tecnologia da informação foi contada


tantas vezes nos últimos anos que é desnecessário relata-la completamente. Todavia, é
útil para analise nos lembrarmos dos principais eixos da transformação tecnológica em
geração/processamento/transmissão da informação, colocando-os na seqüência que se
deslocou rumo à formação de um novo paradigma sociotécnico.

• Macromudancas da microengenharia: eletrônica e informação

Foi durante a Segunda Guerra Mundial e no período seguinte que se deram as principais
descobertas tecnológicas em eletrônica, o primeiro computador programável e o
transistor, fonte da microeletronica, o verdadeiro cerne da revolução da tecnologia da
informação no século XX. Porem, defendo que só na década de 70 as novas tecnologias
da informação difundiram-se amplamente, acelerando seu desenvolvimento sinérgico e
convergindo em um novo paradigma.

• O divisor tecnológico dos anos 70

Esse sistema esse sistema tecnológico, em que estamos totalmente imersos nos anos 90,
surgiu nos anos 70. As descobertas básicas nas tecnologias da informação têm algo de
essencial em comum: embora baseadas principalmente nos conhecimentos já existentes
e desenvolvidas como uma extensão das tecnologias mais importantes, essas tecnologias
representaram um salto qualitativo na difusão maciça da tecnologia em aplicações
comerciais e civis, devido a sua acessibilidade e custo cada vez menor, com qualidade
cada vez maior. Podemos dizer q a Revolução da Tecnologia da Informação
propriamente dita nasceu na década de 70, principalmente se nela incluirmos o
surgimento e a difusão paralela da engenharia genética mais ou menos nas mesmas
datas e locais.

• Tecnologias da vida

No inicio da década de 70, a combinação genética e a recombinacao do DNA, base


tecnológica da engenharia genética, possibilitaram a aplicação de conhecimentos
cumulativos.

Daí para frente, houve uma corrida para a abertura de empresas comerciais.
Dificuldades cientificas, problemas técnicos e obstáculos legais, oriundos de justificadas
preocupações éticas e de segurança, retardaram a louvada revolução biotecnológica
durante a década de 80. Um considerável valor em investimentos de capital de risco foi
perdido e algumas das empresas mais inovadoras foram absorvidas por gigantes
farmacêuticos.
Porém, no final da década de 80 e durante os anos 90, um grande impulso científico e
uma nova geração de cientistas ousados e empreendedores revitalizaram a biotecnologia
com um enfoque decisivo em engenharia genética, a tecnologia da vida verdadeiramente
revolucionaria nesse campo.

Devido a sua especificidade científica e social, a difusão da engenharia genética


progrediu de forma mais lenta que a eletrônica entre as décadas de 70 e 90. Mas, nos
anos 90, mercados mais abertos e maiores recursos educacionais e de pesquisas em todo
o mundo estão acelerando a revolução biotecnológica. Todas as indicações apontam
para uma explosão de aplicações na virada do milênio, que desencadeará um debate
fundamental na fronteira, atualmente obscura, entre a natureza e a sociedade.

• O contexto social e a dinâmica da transformação tecnológica

Os caminhos seguidos pela indústria, economia e tecnologia são, apesar de


relacionados, lentos e de interação descompassada. A emergência de um novo sistema
tecnológico na década de 70 deve ser atribuída à dinâmica autônoma da descoberta e
difusão tecnológica, inclusive aos efeitos sinergicos entre todas as várias principais
tecnologias.

O forte impulso tecnológico dos anos 60 promovido pelo setor militar preparou a
tecnologia norte-americana para o grande avanço. A primeira Revolução em Tecnologia
da Informação concentrou-se nos Estados Unidos, e até certo ponto, na Califórnia nos
anos 70, baseando-se nos progressos alcançados nas duas décadas anteriores e sob a
influencia de vários fatores institucionais, econômicos e culturais. Mas não se originou
de qualquer necessidade preestabelecida Foi mais o resultado de indução tecnológica
que de determinação pessoal.

Ate certo ponto, a disponibilidade de novas tecnologias constituídas como um sistema


na década de 70 foi uma base fundamental para o processo de reestruturação
socioeconomica dos anos 80. E a utilização dessas tecnologias na década de 80
condicionou, em grande parte, seus usos e trajetórias na década de 90. O surgimento da
sociedade em rede não pode ser entendido sem a interação entre essas duas tendências
relativamente autônomas: o desenvolvimento de novas tecnologias da informação e a
tentativa da antiga sociedade de reaparelhar-se com o uso do poder da tecnologia para
servir a tecnologia do poder. Sem necessidade de render-se ao relativismo histórico,
pode-se dizer que a Revolução da Tecnologia da Informação dependeu cultural,
histórica e espacialmente de um conjunto de circunstâncias muito especificas cujas
características determinaram sua futura evolução.

Modelos, atores e locais da Revolução da Tecnologia da Informação

Se a primeira Revolução Industrial foi britânica, a primeira Revolução da Tecnologia da


Informação foi norte-americana, com tendência californiana. Nos dois casos, cientistas e
industriais de outros países tiveram um papel muito importante tanto na descoberta
como na difusão das novas tecnologias.
A França e a Alemanha foram fontes importantes de talentos e aplicações da Revolução
Industrial. As descobertas cientificas originadas na Inglaterra, França, Alemanha e Itália
constituíram a base das novas tecnologias de eletrônica e biologia, A capacidade das
empresas japonesas foi decisiva para a melhoria do processo de fabricação com base em
eletrônica e para a penetração das tecnologias da informação na vida cotidiana mundial.
O setor como um todo evoluiu rumo a interpenetração, alianças estratégicas e formação
de redes entre empresas de diferentes países. As empresas, instituições e inovadores
norte-americanos não só participaram do inicio da revolução da década de 70 como
também continuaram a representar um papel de liderança na sua expansão, posição que
provavelmente se sustentara ao entrarmos no século XXI. Mas, sem duvida,
testemunharemos uma presença cada vez maior de empresas japonesas, chinesas,
indianas e coreanas, assim como contribuições significativas da Europa em
biotecnologia e telecomunicações.

O desenvolvimento da Revolução da Tecnologia da Informação contribuiu para a


formação dos meios de inovação onde as descobertas e as aplicações interagiam e eram
testadas em um repetido processo de tentativa e erro: aprendia-se fazendo. Esses
ambientes exigiam (e na década de 90 ainda exigem, apesar da atuação on-line)
concentração espacial de centros de pesquisa, instituições de educação superior,
empresas de tecnologia avançada, uma rede auxiliar de fornecedores, provendo bens e
serviços e redes de empresas com capital de risco para financiar novos
empreendimentos. Uma vez que um meio esteja consolidado, como o Vale do Silício na
década de 70, ele tende a gerar sua própria dinâmica e atrair conhecimentos,
investimentos e talentos de todas as partes do mundo.

Será que esse padrão social, cultural e espacial de inovação pode ser estendido para o
mundo inteiro? Nossas conclusões confirmam o papel decisivo desempenhado pelos
meios de inovação no desenvolvimento da Revolução da Tecnologia da Informação:
concentração de conhecimentos científicos/tecnológicos, instituições, empresas e mão
de obra qualificada são as forjas da inovação da Era da Informação. Porém, esses meios
não precisam reproduzir o padrão cultural, espacial, institucional e espacial do Vale do
Silício ou de outros centros norte-americanos de inovação tecnológica, como o sul da
Califórnia, Boston, Seattle ou Austin.

Foi o Estado, e não o empreendedor de inovações em garagens, que iniciou a Revolução


da Tecnologia da Informação tanto nos EUA como em todo o mundo. Porém, sem esses
empresários inovadores, coo os que deram inicio ao Vale do Silício ou aos clones de
PCs em Taiwan, a Revolução da Tecnologia da Informação teria adquirido
características muito diferentes e é improvável que tivesse evoluído para a forma de
dispositivos tecnológicos flexíveis e descentralizados que estão se difundindo por todas
as esferas da atividade humana. Na realidade, é mediante essa interface entre os
programas de macropesquisa e grandes mercados desenvolvidos pelos governos, por
um lado, e a inovação descentralizada estimulada por uma cultura de criatividade
tecnológica e por modelos de sucesso pessoais rápidos, por outro, que as novas
tecnologias da informação prosperam. No processo, essas tecnologias agruparam-se em
torno de redes de empresas, organizações e instituições para formar um novo paradigma
sociotécnico.

O paradigma da tecnologia da informação


A primeira característica do novo paradigma é que a informação é sua mateira prima:
são tecnologias para agir sobre a informação, não apenas informação para agir sobre a
tecnologia, como foi o caso das revoluções tecnológicas anteriores.

O segundo aspecto refere-se à penetrabilidade dos efeitos das novas tecnologias. Como
a informação é uma parte integral de toda atividade humana, todos os processos de
nossa existência individual e coletiva são diretamente moldados (embora, com certeza,
não determinados) pelo novo meio tecnológico.

A terceira característica refere-se à lógica de redes em qualquer sistema ou conjunto de


relações, usando essas novas tecnologias da informação.

Em quarto lugar, referente aos sistemas de redes, mas sendo um aspecto claramente
distinto, o paradigma da tecnologia da informação é baseado na flexibilidade. Não
apenas os processos são reversíveis, mas organizações e instituições podem ser
modificadas, e ate mesmo fundamentalmente alterada, pela reorganização de seus
componentes.

Uma quinta característica dessa revolução tecnológica é a crescente convergência de


tecnologias especificas para um sistema altamente integrado, no qual trajetórias
tecnológicas antigas ficam literalmente impossíveis de se distinguir em separado.

A dimensão social da Revolução da Tecnologia da Informação parece destinada a


cumprir a lei sobre a relação entre a tecnologia e a sociedade proposta de algum tempo
atras por Melvin Kranzberg: "A primeira lei de Kranzberg diz: A tecnologia não é nem
boa, nem ruim, e também não é neutra." É uma força que provavelmente está, mais do
que nunca, sob o atual paradigma tecnológico que penetra no âmago da vida e da mente.
Mas seu verdadeiro uso na esfera da adição social consciente e complexa matriz de
interação entre as forcas tecnológicas liberadas por nossa espécie e a espécie em si não
questões mais de investigação que de destino.

A economia e o processo de globalização

Introdução

Uma nova economia, informacional e global, surgiu nas duas últimas décadas. É
informacional, porque a produtividade e a competitividade de unidades ou agentes
nessa economia dependem basicamente da sua capacidade de gerar, processar e aplicar
de forma eficiente a informação baseada em conhecimentos. É global porque as
principais atividades produtivas estão organizadas em escala global, diretamente ou
mediante uma rede de conexões entre agentes econômicos. É informacional e global
porque a produtividade é gerada e a concorrência é feita em uma rede global de
interação.

Produtividade, competitividade e a economia informal


O enigma da produtividade

Foi por meio do aumento da produção por unidade de insumo no tempo que a raça
humana conseguiu comandar as forças da Natureza. Os caminhos específicos do
aumento da produtividade definem a estrutura e a dinâmica de um determinado sistema
econômico. Se houver uma nova economia informacional, deveremos identificar as
fontes de produtividade que distinguem essa economia.

O aumento da produção por hora de trabalho não era resultado de adição de mão-de-
obra e apenas ligeiramente de adição de capital, mas vinha de outra fonte, expressa
como um residual estatístico em sua equação da função de produção. Economistas,
sociólogos e historiadores econômicos não hesitaram em interpretar o "residual" como
sendo correspondente a transformações tecnológicas. Nas elaborações mais precisas,
"ciência e tecnologia" eram compreendidas em sentido amplo: a tecnologia voltada para
o gerenciamento foi considerada tão importante quanto o gerenciamento da tecnologia.
Afirmar que a produtividade gera crescimento econômico e que ela é uma função da
transformação tecnológica equivale a dizer que as características da sociedade são os
fatores cruciais subjacentes ao crescimento econômico, por seu impacto na inovação
tecnológica.

A produtividade baseada em conhecimentos é específica da economia informacional?

Demonstrou-se o papel fundamental desempenhado pela tecnologia no crescimento da


economia, via aumento da produtividade, durante toda a história e especialmente na era
industrial. A hipótese do papel decisivo da tecnologia como fonte da produtividade nas
economias avançadas também parece conseguir abranger a maior parte da experiência
passada de crescimento econômico, permeando diferentes tradições intelectuais em
teoria econômica.

Houve uma proporção significativa da desaceleração da produtividade, que é resultado


da crescente inadequação de estatísticas econômicas ao captarem os movimentos da
nova economia informacional, exatamente devido ao amplo escopo de suas
transformações sob o impacto da tecnologia da informação e das mudanças
organizacionais conexas.

Pode ser que a produtividade não esteja desaparecendo, e sim aumentando por vias
parcialmente obscuras em círculos em expansão. A tecnologia e o gerenciamento da
tecnologia poderiam estar se difundindo a partir da produção da tecnologia da
informação, telecomunicações e serviços financeiros, alcançando em grande parte a
atividade industrial e depois os serviços empresariais. Mas o quadro ainda é confuso,
pois no momento os dados são insuficientes para estabelecer uma tendência. Estes
podem servir de base para a compreensão da economia informacional, mas não
conseguem informar a história real.

Informacionalismo e capitalismo, produtividade e lucratividade

A longo prazo, a produtividade é a fonte da riqueza das nações. E a tecnologia é o


principal fator que induz a produtividade. Mas esta não é um objeto em si. E o
investimento em tecnologia também não é feito por causa da inovação tecnológica.
Empresas e nações são os verdadeiros agentes do crescimento econômico. Comportam-
se em um determinado contexto histórico, conforme as regras de um sistema
econômico. Assim, as empresas estão motivadas não pela produtividade, e sim pela
lucratividade. E as instituições políticas estarão voltadas para a maximização da
competitividade de suas economias, A lucratividade e a competitividade são os
verdadeiros determinantes da inovação tecnológica e do crescimento da produtividade.

O processo de globalização realimenta o crescimento da produtividade, visto que as


empresas melhoram seu desempenho quando encaram maior concorrência mundial. A
via que conecta a tecnologia da informação, as mudanças organizacionais e o
crescimento da produtividade passa pela concorrência global.

Foi desse modo que a busca da lucratividade pelas empresas e a mobilização das nações
a favor da competitividade induziram arranjos variáveis na nova equação histórica entre
a tecnologia e a produtividade. No processo, foi criada e moldada uma nova economia
global que pode ser considerada o traço mais típico e importante do capitalismo
informacional.

A repolitização do capitalismo informacional

Os interesses políticos específicos do Estado ficam diretamente ligados ao destino da


concorrência econômica das empresas. A nova forma de intervenção estatal na
economia une a competitividade, a produtividade e a tecnologia. A política e a
produtividade ficam interligadas, tornando-se instrumentos fundamentais para a
competitividade.

Por causa da interdependência e abertura da economia internacional, os Estados


devem empenhar-se em promover o desenvolvimento de estratégias em nome de seu
empresariado.

A economia informacional global é uma economia muito politizada, e a grande


concorrência de mercado em escala global ocorre sob condições de comércio
administrado. A nova economia, baseada em reestruturação sócio-econômica e
revolução tecnológica será moldada, até certo ponto, de acordo com os processos
políticos desenvolvidos no e pelo Estado.

A economia global: gênese, estrutura e dinâmica

Uma economia global é uma economia com capacidade de funcionar como uma
unidade em tempo real, em escala planetária. No final do século XX a economia
mundial conseguiu tornar-se verdadeiramente global com base na nova infra-estrutura,
propiciada pelas tecnologias da informação e comunicação. Essa globalidade envolve os
principais processos e elementos do sistema econômico.

As novas tecnologias permitem que o capital seja transportado de um lado para o outro
entre economias em curtíssimo prazo, de forma que o capital está interconectado em
todo o mundo. Os fluxos de capital tornam-se globais, e ao mesmo tempo, cada vez
mais autônomos vis-à-vis o desempenho real das economias.
A mais importante transformação subjacente ao surgimento da economia global diz
respeito ao gerenciamento da produção e distribuição e ao próprio processo produtivo.
O que é fundamental nessa estrutura industrial é que ela está disseminada pelos
territórios em todo o globo e sua geometria muda constantemente no todo e em cada
unidade individual. O mais importante elemento para uma estratégia administrativa bem
sucedida é posicionar a empresa na rede, de modo a ganhar vantagem competitiva para
sua posição relativa.

A mais nova divisão internacional do trabalho

A economia global resultante da produção e concorrência com base informacional


caracteriza-se por sua interdependência, assimetria, regionalização, crescente
diversificação dentro de cada região, inclusão seletiva, segmentação excludente e, em
conseqüência de todos esses fatores, por uma geometria extraordinariamente variável
que tende a desintegrar a geografia econômica e histórica.

A arquitetura e a geometria da economia informacional/global

A estrutura dessa economia caracteriza-se pela combinação de uma estrutura


permanente e uma geometria variável. A arquitetura da economia global apresenta um
mundo assimétrico interdependente, organizado em trono de três regiões econômicas
principais (Europa, América do Norte e região do Pacífico asiático) e cada vez mais
polarizado ao longo de um eixo de oposição , entre as áreas prósperas produtivas e ricas
em informação e as áreas empobrecidas, sem valor econômico, e atingidas pela exclusão
social. A interligação dos processos econômicos entre as três regiões torna seu destino
praticamente inseparável.

A mais nova divisão internacional do trabalho está disposta em quatro posições


diferentes na economia informacional/global: produtores de alto valor com base no
trabalho informacional; produtores de grande volume baseado no trabalho de mais baixo
custo; produtores de matérias-primas que se baseiam em recursos naturais; e os
produtores redundantes, reduzidos ao trabalho desvalorizado. A questão crucial é que
essas posições diferentes não coincidem com países. São organizadas em redes e fluxos,
utilizando a infra-estrutura tecnológica da economia informacional.

A posição da divisão internacional do trabalho depende das características de sua mão-


de-obra e de sua inserção na economia global. A mais nova divisão internacional do
trabalho está organizada com base em trabalho e tecnologia, mas é implementada e
modificada por governos e empreendedores.

A empresa em rede:

A cultura, As instituições, E as organizações de economia informal


A economia informal é caracterizada por cultura instituições especificas, onde tal
cultura necessária para o desenvolvimento e constituição de um sistema econômico é
realizada nas lógicas organizacionais, de acordo com o conceito de Nicole Biggart:

"...por lógicas organizacionais, refiro-me a um principio legitimador elaborado


em uma série de praticas sociais derivativas. Em outras palavras, lógicas
organizacionais são as bases ideacionais para as relações das autoridades
institucionalizadas."

Minha tese então parte do principio que a economia informacional surge do


desenvolvimento de uma lógica organizacional e da atual transformação tecnológica. A
respeito disso podemos citar a trajetória do industrialismo para o informacionalismo na
reestruturação econômica dos anos 80, causada pela crise de lucratividade do processo
de acumulação de capital da década de 70.

Como principais pontos dessa reestruturação:

o divisão na organização da produção


e dos mercados na economia global;
o as transformações organizacionais
interagiram com a difusão da tecnologia de
informação, mesmo sendo independentes
uma da outra;
o Essas transformações
organizacionais visavam lidar com a
incerteza causada pelas velozes mudanças
no ambiente econômico, institucional,
tecnológico da empresa;
o Introdução do modelo de "produção
enxuta", visando economizar mão-de-obra,
eliminar tarefas e suprimir camadas
administrativas, mediante automação.

Muitas foram as transformações organizacionais, cada uma seguindo uma certa


tendência que ao todo deram impulso para a reestruturação do capitalismo vigente nos
anos 70.

Uma das principais tendências da evolução organizacional foi a passagem da produção


em massa; norteada pela integração vertical, seguido da divisão social e técnica de
trabalho; para a produção flexível a qual se adequava melhor a imprevisível demanda do
mercado, qualitativa ou quantitativa, ou ainda as transformações tecnológicas e as
diversificações dos mercados. Portanto essa flexibilidade na produção traz consigo a
idéia de adequação ao mercado (flexibilidade do produto) e transformação tecnológica
(flexibilidade do processo).
Como Segunda tendência a ser estudada, temos vigente aumento do poder econômico
das pequenas e médias empresas, bem compatíveis com o processo de produção
flexível. Mesmo estando ainda sob o controle tecnológico e financeiro das grandes
empresas estão dando essas ultimas o dinamismo necessário na nova conjuntura
econômica global.

A terceira tendência diz respeito aos novos métodos de gerenciamento empresarial, o


"toyotismo" , adaptado à economia global e à produção flexível.

Suas bases são:

o sistema de fornecimento "Kan-Kan"


(just in time), no qual os estoques são
eliminados ou reduzidos substancialmente
no exato momento da solicitação e com
características especificas do comprador;

o controle de qualidade total ao longo


do processo produtivo;
o envolvimento dos trabalhadores no
processo produtivo;
o mão-de-obra multifuncional, sem
especialização em uma única função;
o prêmios por trabalho e poucos
símbolos de status na vida da empresa.

Dessa forma caracterizamos o "toyotismo" como um sistema de gerenciamento que


mais reduz as incertezas do que estimula a adaptalidadde, um "pós-fordismo" baseado
nos "5 zeros" (zero defeitos de peças, zero danos nas maquinas, estoque zero, danos
zero e burocracia zero).

Citaremos também a formação de redes entre pequenas empresas com gerenciamento


das grandes empresas e as alianças entre empresas de grande porte em relação a parte do
mercado. Sendo essas duas tendências resultado da interação entre as mudanças
organizacionais e a tecnologia da informação (digitalização das telecomunicações,
transmissão em banda larga e melhoria nos computadores em rede), uma mistura que
gerou a "empresa em rede", que processa e gera informações para melhor adaptação
para o mercado mundial.

Sabendo que a organização econômica baseia-se na cultura, história e nas instituições; a


economia fundada na "empresa em rede" encaixa-se como "uma luva" nos moldes
asiáticos ao ponto de distinguirmos três tipos de rede no leste asiático:
o a rede japonesa: grandes empresas
que são donas umas das outras, onde as
empresas principais são dirigidas por
administradores;
o a rede coreana baseada nas
"zaibatsus" japonesas, onde as empresas
são controladas por uma holding
financiada por bancos e companhias
trading governamentais, pertencentes a
uma pessoa ou família;
o a rede chinesa: empresas familiares,
rede de empresas de diversos setores onde
o lema é "família cresce empresa cresce"

A diferença básica entre esses modelos de empresas em rede esta fundamentalmente no


papel do Estado na economia. Por exemplo: no Japão o Estado foi responsável pelo
inicio da industrialização (zaibatsus de origem feudal) e hoje da um suporte a essa
industria através da facilitação de emprestimos bancarios, política de apoio fiscal e
acordos internacionais, sendo o Japão o grande influenciador de Coréia e Taiwan; já na
China o Estado sempre teve um papel inconstante, onde ora requisitava a indústria ora
impelia á elas rigorosos impostos, dando pouco incentivos às indústrias e fazendo essas
últimas voltarem-se para as famílias, apesar de muitos progressos atuais serem devidos
a planos econômicos governamentais.

Mas até que ponto as empresas em rede modificaram a economia global, e as


multinacionais? A resposta é simples, hoje as multinacionais fugiram do seu antigo
modelo vertical, e apresentam-se ou como a principal dentre outras empresas em rede,
ou formam alianças de cooperação entre elas, o que mesmo assim não mais lhe dão o
titulo de centro da economia global, pois o mercado voltou a ser imprevisível movido
por estratégias e descobertas redirecionadas por redes globais de informação.

Portanto podemos definir que o atual estágio do capitalismo é definido por alterações
causadas pelo informacionalismo, surgido a partir das mesmas necessidades que
norteiam até hoje a vida do capitalismo: espirito empresarial de acumulação, e o
constante apelo ao consumismo, e tudo isso acompanhado pela evolução tecnológica,
seja nas telecomunicações ou nos softwares; concorrência global de mercado, grau de
intervenção estatal; características das 3 ultimas que regem o coração da atual economia
mundial, ""empresa em rede"

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A transformação do trabalho e do mercado de trabalho:

trabalhadores ativos na rede, desempregados e trabalhadores com


jornada flexível.

A Evolucao Historica Da Estrutura Ocupacional E Do Emprego Nos


Paises Capitalistas Avancados O G7 De 1920 A 2005

Para o autor em qualquer processo de transicao historica, uma das expressoes de


mudanca e a transformacao da estrutura ocupacional ou seja a transformacao das
categorias ocupacionais e do emprego. O proprio pos-industrialismo detecta o
aparecimento de uma nova estrutura social a partir da mudanca de produtos para
servicos, pelo surgimento de profissoes administrativas e especializadas, pelo fim do
emprego rural e industrial e pelo aumento do conteudo de informacao no trabalho das
economias mais avancadas. Porem para o autor o problema e que essas formulacoes
trazem uma especie de lei natural das economias e sociedades que devem seguir um
unico caminho na trajetoria da modernidade lideradas pela sociedade norte-americana.
O autor traz uma abordagem diferente ja que ele enxerga uma variacao historica de
modelos de mercado de trabalho segundo as instiruicoes, a cultura e os ambientes
politicos especificos de cada pais. Para isto ele examinou a evolução do mercado de
trabalho dos paises do G-7 entre 1920 e 1990. Todos eles estão num estagio avancado
de transicao a sociedade informacional logo podem ser vistos com o surgimento de
novos modelos de mercado de trabalho; ao mesmo tempo possuem cultura e sistemas
intitucionias muito diferentes o que nos permite, segundo o autor, verificar a dita
variacao historica. A partir desta analise o autor conduz a sua pesquisa no sentido de
mostrar que outras sociedades em outros niveis de desenvolvimento não
necessariamente teriam que seguir a trajetória dos países do G-7.

O pos-industrialismo, a economia de serviços e a sociedade informacional

O autor analisa e faz resalvas a tres afirmacoes da teoria classica do pos-industrialismo:

(a) A fonte de produtividade reside na geracao de conhecimento mediante o


processamteno de informacao

(b) A atividade economica mudaria de produção de bens pra prestacao de


servicos. Quanto mais avancada a economia, mais seu mercado de trabalho e sua
produção seriam concentrados em serviços.

(c) A nova economia autentaria sobremaneira a importancia de profissoes com


grande conteudo de informacao: Administrativas, especializadas e tecnicas.

Para o autor a distincao entre as economias dentro do processo historico deve ser visto
não como a distinção entre uma economia industrial e uma pos-industrial, mas entre
duas formas de producao industrial, rural e de servicos baseadas em conhecimentos. Em
outras palavras o conhecimento sempre foi e será imprescindivel na evolucao das
economias o que acontece e que o seu uso em diferentes epocas gera diferentes
processos economicos.

Ja a segunda afirmacao (b), o autor rebate com com o fato de que muitos servicos
dependem de conexao direta com a industria e tambem com a importancia da atividade
industrial no PNB dos países ricos.

Alem disso pra ele o conceito de servicos e ambiguo se nao erroneo ja que este conceito
abarca tudo o que nao é agricultura, mineracao, construcao, empresas de servicos
publico ou industria. Alem do que muitos processos cruciais da era da informacao não
permite a distincao entre "bens" e "servicos agregados" como por exemplo softwares,
agropecuária com base em biotecnologia dentre outros.

O terceiro prognostico © pos-industrialista requer segundo o livro alguma restricao na


medida em que simultaneo a esta tendencia ha tambem o crescimento das profissoes em
servicos mais simples e menos qualificados, profissoes que teriam um crescimeto mais
lento mas continuo.

Para Manuel Castells e preciso se fazer um exame mais aprofundado no conteudo real
destas classificacoes antes de caracterizar o nosso futuro como uma republica da elite
instruida.

No entanto o argumento mais importante contra esta versao simplista do pos-


industrialismo e a critica a suposicao de que as tres caracteristicas examinadas se unem
na evolucao historica e que essa evolucao leva a um modelo unico da sociedade
informacional. E preciso separar o que pertence à estrutura da sociedade informacional
daquilo que é especifico a trajetória historica de determinado pais. Trabalhando nesta
direcao o autor compila diversos dados do setor de servicos dos paises ricos na tentativa
de diferencia-los.

A transformação na estrutura do emprego - 1920-70 e 1970-90

De 1920-70 e 1970-90 podemos ter uma distincao analitica entre os dois periodos
durante o primeiro período as sociedades em exame tornaram-se pos-rurais, enquanto
no segundo período elas tornaram-se pós-industriais. Ou seja houve queda do emprego
rural no primeiro caso e queda do emprego industrial no segundo.

Em seguida o autor faz uma analise na evolução historica do setor de servicos nesses
paises do G-7, essencial pra entendermos todo este processo.

Servicos relacionados à producão: São considerados estrategicos dentro da nova


economia fornecem informacao e suporte para o aumento da producao, portanto, sua
expansão devera seguir de maos dadas com o aumento da sofisticação e produtividade
da economia. E de fato nos dois periodos (1920-70 e 1970-90), observamos uma
expansao significativa do emprego nestas atividades em todos os paises considerados.
Servicos sociais: Além de caracterizar as sociedades pos-industriais representa entre 1/5
e ¼ do total de empregos dos paises do G-7. Mas a sua expansao esta mais relacionada
ao impacto dos movimentos sociais do que ao advento do pos-industrialismo,
principalmente nos anos 60. No geral, podemos dizer que, embora o alto nivel de
expansao do emprego em serviços sociais seja uma característica de todas as sociedades
avançadas, o ritmo dessa expansão parece depender mais diretamente da relação entre o
Estado e a sociedade do que do estágio de desenvolvimento da economia.

Servicos de distribuicao: combinam transportes e comunicacoes - atividades


relacionadas de todas as economias avancadas - com o comercio no atacado e a varejo,
atividades supostamente tipicas do setor de servicos das sociedades menos
industrializadas. Igualmente ao serviços sociais, os serviços de distribuicao representam
entre 1/5 e ¼ do total de empregos.

Servicos pessoais: Ao enfocar os empregos ligados a "bares, restaurantes e similares",


encontramos uma expansao significativa desses postos de trabalho nos ultimos vinte
anos.A principal observacao a ser feita sobre o mercado de trabalho do setor de servicos
pessoais e que esses empregos nao estao desaparecendo nas economias avancadas.
Portanto,e possivel afirmar que as mudancas da estrutura social/economica dizem
respeito mais ao tipo de servicos e ao tipo de emprego do que as atividades em si.

Em resumo, para Manuel Castells, o que acontece com o pos-industrialismo e uma


diversidade cada vez maior de atividades que torna obsoletas as categorias de
emprego.Mas nao parece que grande produtividade, estabilidade social e competividade
internacional estejam diretamente associadas ao mais alto nivel de emprego em servicos
ou processamento de informacao. Desse modo, quando as sociedades decretam o fim do
emprego industrial ao inves da modernizacao das industrias, nao e porque
necessariamente sao mais avancadas, mas porque seguem políticas e estrategias
específicas baseadas em seu pano de fundo cultural, social e político.

A nova estrutura ocupacional

O autor ressalta alguns pontos importantes da nova estrutura ocupacional dentre eles a
diversidade do emprego, dentro deste fator uma ressalva importante e a variação da
proporcao da mao-de-obra semiqualificada no setor de servicos principalmente nos
EUA, Canada e na Alemanha, bem menor no Japao, Franca e Italia, países que de certa
forma preservam mais as atividades tradicionais como a rural e comerciais. Isso se deve
ao fato do modelo norte-americano caminhar para o informacionalismo mediante a
substituicao das antigas profissoes pelas novas. O modelo japones tambem caminha
para o informacionalismo, mas segue um rota diferente: aumenta o número de novas
profissoes mas as antigas são redefinidas; ja os países europeus seguem um misto das
duas tendencias.

Por falar em tendencia uma certa aponta para o aumento do peso relativo das profissoes
mais claramente informacionais (administradores,profissionais especializados e
tecnicos), bem como das profissoes ligadas ligadas a servicos de escritorio em geral
(inclusive funcionários administrativos e de vendas).
Tendo primeiro falado da diversidade, Manuel Castells também aponta uma outra
tendência que é a maior presença de conteúdo informacional na estrutura ocupacional
das sociedades avancadas, apesar de seus sistemas culturais/sociais. Dessa forma o
perfil profissional das sociedades informacionais, de acordo com sua emergencia
historica, sera muito mais diverso que o imaginado pela visão seminaturalista das
teorias pós-industrialistas, direcionadas por um etnocentrismo norte-americano que nao
representa toda a experiencia dos Estados Unidos.

O amadurecimento da sociedade informacional: projecoes de emprego para o seculo


XXI

O autor analisou os EUA e o Japao em termos de suas projecoes de emprego e para os


EUA a estrutura futura do mercado de trabalho combina intimamente com o projeto
original da sociedade informacional:

.o emprego rural está sendo elimindado pouco a pouco

.o emprego industial continuara a declinar, embora em ritmo mais lento, sendo reduzido
aos elementos principais da categoria de artíficies e trabalhadores do setor de
engenharia. A maior parte do impacto da producao industrial sobre o emprego sera
tranferida aos serviços voltados para a industria;

.Os serviços relacionados à producao, bem como à saude e educacao lideram o


crescimento do emprego em termos percentuais, tambem se tornando cada vez mais
importantes em termos de numeros absolutos;

.os empregos dos setores varejista e de servicos continuam a angrossar as fileiras de


atividades de baixa qualificacao na nova economia.

Ja no caso do Japao, projeta-se um aumento impressionante no setor de servicos,


revelando o crescente papel das atividade que fazem uso intensivo de informacao na
economia japonesa. Os dados tambem parecem indicar o aumento crescente da
profissionalizacao dos trabalhadores de nível medio e a especializacao das tarefas
relativas ao processamento da informacao e a geracao de conhecimentos. Pelas
projecoes as categorias de operadores e artíficies declinarão mas ainda representarão
mais de ¼ da forca de trabalho em 2005. Dessa forma as projecoes do mercado de
trabalho nos EUA e no Japão parecem continuar as tendências observadas para o
período de 1970-90. São nitidamente duas diferentes estruturas ocupacionais e do
emprego correspondestes a duas sociedades que podem ser igualmente rotuladas de
informacionais, mas com crescimentos bem distintos no crescimento da produtividade ,
na competitividade econômica e na coesão social.

Em termos gerais, a hipotese generica de trajetos diversos para o paradigma


informacional dentro de um padrão comum de mercado de trabalho parece ser
confirmado pelo teste restrito das projecoes apresentadas.

Ha uma forca de trabalho global?

Para o autor embora o capital flua com liberdade, o mesmo não acontece com a força de
trabalho mesmo havendo um mercado globalizado isto de deve muitas vezes a fatores
como xenofobia, cultura, política, dentre outros aspectos. Afirma ainda que no ano de
1993 por exemplo apenas 1,5% da força de trabalho global atuou fora de seu país que
deste total, metade estava na Africa subsaariana e no Oriente Medio.

Segundo o livro, há de fato, um mercado global para uma fracao minuscula da forca de
trabalho composta por profissionais com a mais alta especializacao. No texto o autor
apresenta diversos dados em diferentes paises e épocas mostrando que embora haja
problemas de imigração em diveros paises ricos, não significa que exista uma
globalizacao da forca de trabalho. Contudo, afirma o autor, há uma tendência histórica
para a crescente interdependencia da forca de trabalho em escala global por

intermedio de tres mecanismos:

.emprego global nas empresas multinacionais;

.impactos da concorrência tanto no Norte quanto no Sul;

.e os efeitos efeitos dessa concorrência global e do novo metodo de


gerenciamento flexivel sobre a força de trabalho de cada pais.

Em cada caso o papel exercido pela tecnologia da informacao e o meio indispensavel


para as conexoes entre os diferentes segmentos da forca de trabalho nas fronteiras
nacionais.

Em cada um dos casos acima o autor traca as consequencias sobre a mao-de-obra global
dos investimentos de multinacinais e de capital em outros países. Assim, embora nao
haja um mercado de trabalho global unificado, ha na verdade, interdependencia global
da forca de trabalho na economia informacional.

O processo de trabalho no paradigma informacional

Na decada de 90, vários fatores aceleraram a tranformacao do processo de trabalho: a


tecnologia da computacao e suas aplicacoes, progredindo a passos gigantescos,
tornaram-se cada vez mais dispendiosas e melhores, com isso possibilitando sua
aquisicao e utilizacao em larga escala;

a concorrencia global promoveu uma corrida tecnologica e administrativa entre as


empresas em todo o mundo; as organizacoes evoluiram e adotaram novas formas quase
sempre baseadas em flexibilidade e atuação em redes; os administradores e seus
consultores finalmente entenderam o potencial da nova tecnologia e como usa-la,
embora, com muita frequencia, restrinjam esse potencial dentro dos limites do antigo
conjunto de objetivos organizacionais (como aumento a curto prazo de lucros
calculados em base trimestral)

Assim, o livro afirma que no novo paradigma informacional de trabalho e mao-de-obra


não é um modelo simples, mas uma colcha confusa, tecida pela iteracao historica entre
tranformacao tecnologica, política das relacoes industriais e ação social conflituosa.
Os efeitos da tecnologia da informacao sobre o mercado de trabalho:

rumo a uma sociedade sem empregos?

A autor comeca questionando a possibilidade de a difusao da tecnologia da informacao


em fabricas, escritorios e servicos estar substituindo trabalhadores por maquinas.
Durante o capítulo ele mostra diversas pesquisas relatando esta situacao, no caso
específico do setor automobilistico no Brasil, não foram encontrados efeitos da
tecnologia da informação sob o nível de emprego.

Já nos EUA, Japao e Sudeste Asiatico as pesquisas mostraram a destruicao de empregos


e a crição de milhares de outros tendo um saldo positivo; enquanto que na Uniao
Europeia a tendendia não seja tao positiva assim, os efeitos varia de país pra país. No
Reino Unido por exemplo o efeito é desprezível.

Em resumo como tendência geral, não há relação estrutural sistematica entre a difusão
das tecnologias da informação e a evolução dos níveis de emprego na economia como
um todo. Empregos estão sendo extintos e novos empregos estão sendo criados, mas a
relação quantitativa entre as perdas e os ganhos varia entre empresas, indústrias, setores,
regiões e países em função da competitividade, estratégias empresariais, políticas
governamentais, ambientes institucionais e posição relativa na economia global.

Manuel Castells conclui que o resultado específico da interação entre a tecnologia da


informação e o emprego depende amplamente de fatores macroeconômicos, estratégias
econômicas e contextos sociopolíticos.

O trabalho e a divisão informacional: trabalhadores de jornada flexível

As novas tecnologias da informação possibilitaram, ao mesmo tempo, a


descentralização das tarefas e sua coordenação em uma rede interativa de comunicação
em tempo real, seja entre continentes, seja entre os andares de um mesmo edifício. O
surgimento dos métodos de produção enxuta segue de mãos dadas com as práticas
empresariais reinantes de subcontratação, terceirização, estabelecimento de negócio no
exterior, consultoria, redução do quadro funcional e produção sob encomenda.

É neste contexto que o autor vê a atual divisão intenacional do trabalho, contexto em


que as intituições e organizações sociais de trabalho parecem desempenhar um papel
mais importante, (apesar de não parecer), que a tecnologia na causação da criação ou
destruição do emprego.
O autor mostra dados de países do G-7 onde aponta pra uma maior flexibilidade no
atual cenário informacional, flexibilidade em termos de jornada de trabalho,
crescimento do trabalho autônomo, mobilidade geográfica, situação profissional,
segurança contratual e desempenho de tarefas.

E chega a uma conclusão importante que de modo geral há uma transformação do


trabalho, dos trabalhadores e das organizações de nossas sociedades e que certamente a
forma tradicional de trabalho com base em emprego de horário integral, projetos
profissionais bem delineados e um padrão de carreira ao longo da vida estão extintos de
forma lenta, mas indiscutível.

A tecnologia da informação e a reestruturação das relações

capital-trabalho:dualismo social ou sociedades fragmentadas ?

O autor faz uma introdução dizendo que o crescimento dos investimentos globais não
parece ser o causador destruidor de empregos no Norte, ao mesmo tempo em que
contribui para a criação de milhoões de empregos nos países recém
industrializados.Todavia, o processo de transição histórica para uma sociedade
informacional e uma economia global é caracterizado pela deterioração generalizada das
condições de trabalho e de vida para os trabalhadores. Essa deterioraçào assume formas
diferentes nos diferentes contextos: aumento do desemprego estrutural na Europa;
queda dos salários reais; aumento da desigualdade, a instabilidade no emprego nos
Estados Unidos; subemprego e maior concentração de força de trabalho no Japão;
"informalização" e desvalorização da mão-de-obra urbana recém-incorporada nos países
em desenvolvimento; e crescente marginalização da força de trabalho rural nas
economias subdesenvolvidas e estagnadas. Para Castells essas tendências são resultado
da reestruturação atual das relações capital-trabalho, com a ajuda das poderosas
ferramentas oferecidas pelas novas tecnologias da informação e facilitadas por uma
nova forma organizacional: a empresa em rede.

E estas mesmas tendências apontam para uma maior desigualdade social onde ricos
ficam mais ricos e os pobres mais pobres assim estamos vivendo numa sociedade
dualizada com uma grande camada superior e também uma grande camada inferior,
crescendo em ambas as extremidades da estrutura ocupacional, portanto encolhendo no
meio, em ritmo e proporção que dependem da posição de cada país na divisão do
trabalho e de seu clima político. Mas, sem dúvida nenhuma - conclui o autor -, o
trabalho informacional desencadeou um processo mais fundamental: a desagregação do
trabalho, introduzindo a sociedade em rede.

A cultura da virtualidade real: a integracao da comunicacao eletronica,

o fim da audiencia de massa e o surgimento de redes interativas


O autor compara a importancia do surgimento do alfabeto com o surgimento de um
Supertexto e uma Metalinguagem onde pela primeira vez na historia, integra no mesmo
sistema as modalidades escrita, oral e audiovisual de comunicacao humana. A chamada
Infovia.

O autor se propoe a analisar as consequencias em nossas culturas que essa realidade


virtual pode trazer.

Da galaxia de Gutenberg a galaxia de McLuhan: o surgimento da cultura


da midia de massa

O autor comeca se perguntanto de o porque de a televisao ter tido uma aceitacao tao
grande a ponto de tudo girar em torno dela...e ai utiliza teorias de varios estudiosos
como McLuhan segundo o qual a televisao criou uma nova Galaxia de comunicacao.
Para o autor a lei do minimo esforco parece ser plausivel pra explicar o motivo de tanta
aceitacao por parte da televisao ou seja as pessoas diante da tv nao precisam pensarem
pra assimilar o que ela transmite.

O impacto social da televisao funciona no modo binario:estar ou nao estar. Desde que
uma mensagem esteja na televisao, ela podera ser modificada, transformada ou mesmo
subvertida. Mas em uma sociedade organizada em torno da grande midia, a existencia
de mensagens fora da midia fica restrita a redes interpessoais,. portanto desaparecendo
do inconsciente coletivo.

Ainda para o autor, a midia e um sistema de feedbacks: a midia e a expressao de nossa


cultura, e nossa cultura funciona principalmente por intemedio dos materiais
propiciados pela midia.

A nova midia e a diversificacao da audiencia de massa

O autor traca a evolucao da midia principalmente a televisao no decorrer dos anos 80 e


90 e diz que em resumo a nova midia determina uma audiencia segmentada,
diferenciada que, embora macica em termos de numeros, ja nao e uma audiencia de
massa em termos de simultaneidade e uniformidade da mensagem recebida. Devido a
multiplicidade de mensagens e fontes, a propria audiencia torna-se seletiva. A
concorrencia fez com que a televisao se tornasse mais comercializada do que nunca e
cada vez mais oligopolista no ambito global.

Comunicacao mediada por computadores, controle institucional, redes


sociais e comunidades virtuais

O autor compara o surgimento da internet com a minitel. A internet:

iniciativa norte-americana de ambito mundial contando no seus primordios com o apoio


militar americano, com empresas de informatica financiadas pelo governo americano, a
internet liga uma infinidade de topologias de redes diferentes, ja na Minitel que consiste
num sistema frances liga centros de servidores atraves de simples terminais, e que ate
agora nunca ultrapassou os limites do territorio frances. Trata-se de um sistema
organizado que possui uma estrutura homogenea tanto do ponto de vista tarifario e
lucros como do ponto de vista da redes de computadores.

A analise comparativa do desenvolvimento desses dois sistemas em relacao a seus


ambientes sociais e intitucionais ajuda a elucidar as caracteristicas do sistema de
comunicacao interativo emergente.

A historia do Minitel

Castells diz o porque do Minitel ter feito tanto sucesso. Atras do sucesso do Minitel
havia duas razoes fundamentais: a primeira era o comprometimento do governo frances
com o experimento. A segunda era a simplicidade de uso e a objetividade do sistema de
faturamento bem-organizado que o tornaram acessivel e confiavel ao cidadao comum.

Os servicos oferecidos pelo Minitel eram os mesmos que estavam disponiveis na


comunicacao telefonica tradicional: lista telefonica, previsoes do tempo, informacoes e
reservas de transportes, compra antecipada de entradas para eventos culturais e de
entretenimento etc.A partir dai comecaram a surgir milhares de anuncios publicitarios
no Minitel. Depois feio as linhas eroticas usados no minitel o que vez o mercado crescer
bastante.

Depois de toda essa evolucao o sistema comeca a cair devido as limitacoes naturais
como meio de comunicacao. Sob o aspecto tecnologico o Minitel contava com uma
tecnologia de tranmissao e video muito antiga, cuja revisao poria um fim a seu apelo
basico como um dispositivo eletronico gratuito. Alem disso nao se baseava em
computadores pessoais mas em terminais burros, dessa forma limitando
substancialmente a capacidade autonoma de processamento de informacao. Sob o
aspecto institucional, sua arquitetura, organizada em torno de uma hieraquia de redes de
servidores, com pouca capacidade de comunicacao horizontal, era muito inflexivel para
uma sociedade culturalmente sofisticada como a francesa, visto que havia novas esferas
de comuinicacoes alem da Minitel. A solucao obvia adotada pelo sistema frances foi
oferecer a opcao paga de ligar-se a internet em ambito mundial. Com isso, o Minitel
ficou dividido internamente entre um servico de burocratico de informacao, um sistema
de servicos empresariais em rede e uma entrada subsidiaria para o vasto sistema de
comunicacao da constelacao da internet.

A constelacao da Internet

Manuel Castells comeca o topico falando do crescimento acelerado da internet desde a


sua cocepcao ate os dias de hoje podendo chegar algum dia a marca de 600 milhoes de
usuarios conectados em todo o mundo.

Fala da criacao e desenvolvimento da internet que no comeco tinha funcoes


exclusivamente militares e com o tempo foi tendo utilizacoes das mais diversas
chegando ao ponto tal qual a conhecemos hoje em dia. Cita ainda diversas etapas da
grande teia mundial, passando pela MILNET,ARPANET e finalmente a INTERNET
Com a criacao do UNIX e a conseguente adaptacao do protocolo TCP/IP a este sistema,
os computadores puderam nao apenas comunicar mas tambem codificar e decodificar
pacotes de dados que viajavam em alta velocidade pela rede da internet.

O autor enumera ainda os produtos tecnologicos oriundos nessa nova cultura que ele
chama de contracultura como o surgirmento do modem, correio eletronico e por ai vai!

Vale a pena ressaltar a contribuicao dada por muitos e muitos pesquisadores e


estudantes universitarios de universidades americanas e europeias.

A sociedade interativa

O autor tenta tracar o perfil do internauta com base em pesquisas feitas nos Estados
Unidos e Europa e segundo estas pesquisas o usuarios sao pessoas bem instruidas e de
maior poder aquisitivo dos paises mais instruidos e mais ricos e, frequentemente nas
areas metropolitanas e maiores e mais sofisticadas.

Embora a internet pareca ser menos penetrante do que a grande midia, tudo tem leva a
crer que a sua expansao se dara rapidamente e nao so na elite como em todas as classes
sociais.

E importante ressalar o uso da internet tanto em atividades relaciosnadas ao trabalho


como a questoes pessoais como consultas a banco, televendas, dentro outros fins.

Castells analisa ainda o impacto que essas mudancas trazem para a nossa cultura como o
fato da pessoa se sentir mais a vontade mandando um email anonimo do que conversar
pessoalmente com uma pessoa.

A grande fusao: a multimidia como ambiente simbolico

Multimidia, estende o ambito da comunicacao eletronica para todo o dominio da vida:


de casa a trabalho, de escolas a hospitais, de entretenimento a viagens.

Ressalta a corrida que os paises ricos tiveram em medados da decada de 90 no sentido


de modernizarem-se no aspecto de novas tecnologias relacionadas a conteudos
multimidia, mas a grande resposta mesmo veio da iniciativa privada que impulsionou o
desenvolvimento de novas tecnologias e permitiu que o seu acesso fosse se
multiplicando.

Para o autor nao se trata de dizer se um sistema multimidia vai ser analisado ou
nao(sera) mas quando, como e sob quais condicoes nos diferentes paises, porque o
significado cultural do sistema sera profundamente modificado pelas caracateristicas do
momento e pela forma da trajetoria tecnologica.

Finalmente, talvez a caracteristica mais importante da multimidia seja que ela capta em
seu dominio a maioria das expressoes culturais em toda a sua diversidade. Seu advento
e equivalente ao fim da separacao e ate da distincao entre midia audiovisual e midia
impressa, cultura popular e cultura erudita, entretenimento e informaca, educacao e
persuasao. Todas as expressoes culturais, da pior a melhor, da mais elitista a mais
popular, vem juntas nesse universo digital que liga, em um supertexto historico
gigantesco, as manifestacoes, passadas e futuras da metne comunicativa. Com isso, elas
constroem um novo ambiente simbolico. Fazem da virtualidade nossa realidade.

A cultura da virtualidade real

O autor usa ate da definicao do dicionario das palavras real e virtual pra mostrar que na
verdade nao existe muita diferenca entre real e virtual e a influencia de um sobre o outro
e um verdadeiro binomio tal que a televisao e a nossa realidade.

O que caracteriza o novo sistema de comunicacao, baseado na integracao em rede


digitalizada de multiplos modos de comunicacao, e sua capacidade de inclusao e
abrangencia de todas as expressoes culturais.

O novo sistema de comunicacao transforma radicalmente o espaco e o tempo, as


dimensoes fundamentais da vida humana. Localidades ficam despojadas de seu sentido
cultural, historico e geografico e reitegram-se em redes funcionais ou em colagens de
imagens, ocasionando um espaco de fluxos que substitui o espaco de lugares. O tempo e
apagado no novo sistema de comunicacao ja que passado, presente e futuro podem ser
programados para interagir entre si na mesma mensagem. O espaco de fluxos e o tempo
intemporal sao as bases principais de uma nova cultura, que transcende e inclui a
diversidade dos sistemas de representacao historicamente transmitidos: a cultura da
virtualidade real, onde o faz-de-conta vai se tornando realidade.

O espaco de fluxos

Introducao

Espaco e tempo sao as principais dimensoes materiais da vida humana. vamos analisar o
espaco e o tempo nao sob o aspecto fisico mas o significado social do espaco e do
tempo.

Servicos avancados, fluxos da informacao e a cidade global

Servicos avancados sao financas, seguros, bens imobiliarios, consultorias, relacoes


publicas, marketing, seguranca, coleta de informacoes, gerenciamento de sistemas de
informacao, P&D, inovacao cientifica dentre outros.

Os estudos mostram uma concentracao e ao mesmo tempo uma dispersao de servicos


avancados pelo globo. Esses servicos tem contribuido substancialmente para o aumento
do PNB da maioria dos paises, e estao localizados em toda a geografia do planeta e
dentre dos paises localizados em areas nodais.

A cidade global e um processo que conecta servicos avancados, centros produtores e


mercados em uma rede global com intensidade diferente e em diferente escala,
dependendo da relativa importancia das atividades localizadas em cada area vis-a-vis a
rede global. Em cada pais a arquitetura de formacao de redes reproduz-se em centros
locais e regionais, de forma que o sistema todo fique interconectado em ambito global.

O autor analisa o fluxo de capital e de servicos avancados por diversas regioes e paises,
mostrando como tem ocorrido essa descentralizacao, concluindo entao que a dita cidade
global nao se trata de um lugar mas um processo. Um processo por meio do qual os
centros produtivos e de consumo de servicos avancados e suas sociedades auxiliares
locais estao conectados em uma rede global embora, ao mesmo tempo, diminuam a
importancia das conexcoes com suas hinterlandias, com base em fluxos de informacao.

O novo espaco industrial

O autor relata a organizacao do novo espaco industrial com o advento da industria de


alta tecnologia. Esse espaco caracteriza-se pela capacidade organizacional e tecnologica
de separar o processo produtivo em diferentes localizacoes, ao mesmo tempo em que
reitegra sua unidade por meio de conexoes de telecomunicacoes e da flexiblilidadee
precisao resultante da microeletronica na fabricacao de componentes, desta forma
podemos apontar o seguinte aspecto:

.P&D, inovacao e fabricacao de prototipos foram concentrados em centros industriais


altamente inovadores

.Fabricacao qualificada em filiais geralmente do mesmo pais.

.Montagem semiqualificada em larga escala e testes em areas de paises


subdesenvolvidos e que de preferencia oferecam baixo custo de mao de obra e
vantagens como pouca cobranca relacionada ao meio ambiente por exemplo.

.Adequacao de centros pos-vendas em diversas partes do globo. No geral as empresas


americanas foram as pioneiras neste tipo de organizacao espacial, logo depois seguinda
pela Europa e Japao apesar das ressalvas e diferencas entre estes ultimos e os EUA.

O cotidiano do domicilio eletronico: o fim das cidades?

Manuel Catells faz uma analise do impacto do desenvolvimento da comunicacao


eletronica e dos sistemas de informacao no trabalho cotidiano das pessoas e de acordo
com diversas pesquisas recentes fica constatado que sera nitido o aumento de
teletrabalho mas sob uma forma mais especifica que seria o trabalho do escritorio
concencional sendo complementado pelo trabalho em casa.

Mas como esta nova ordem afentarao as cidades? Dados dispersos parecem indicar que
os problemas de transporte, em vez de melhorar, piorarao porque o aumento das
atividades e a compressao temporal possibilitados pela nova organizacao em rede
transforma-se em maior concentracao de mercados em certas areas e em maior
mobilidade fisica de uma forca de trabalho, antes confinada a seus locais de trabalho
durante o expediente.
Desta forma a comunicacao mediada por computadores esta se difundindo pelo mundo
todo, embora apresente uma geografia extremamente irregular, assim, alguns segmentos
das sociedades de todo o globo, invariavelmente concentrados nos estratos superiores
das sociedades, interagem entre si, reforcando a dimensao global do espaco de fluxos.

Cada vez mais as pessoas trabalham e administram servicos de suas casas; a


"centralidade da casa" e uma tendencia importante da nova sociedade. Porem nao
significa que o fim da cidade, pois locais de trabalho, escolas, hospitais, escolas,
complexos medicos, postos de atendimento ao consumidor, areas recreativas, ruas
comerciais, shopping centers, estadios de esportes continuarao a existir. E as pessoas
deslocar-se-ao entre todos estes lugares na medida em que possuem mais tempo
disponivel e cada vez mais com mobilidade crescente.

Contudo nao ha duvida de que o layout da forma urbana passa por grande tranformacao.
Mas esta transformacao nao segue um padrao unico, universal: apresenta variacao
consideravel que depende das caracteristicas dos contextos historicos, territoriais e
institucionais.

A transformacao da forma urbana: a cidade informacional

Assim como a cidade industrial nao foi uma copia de Manchester, a cidade
informacional nao sera uma copia do Vale do Silicio, apesar disso algumas
caracteristicas transculturais predominam entre as cidades, o autor defende que a cidade
informacional nao e uma forma mas um processo, um processo caracaterizado pelo
predominio estrutural do espaco de fluxos.

A ultima fronteira suburbana dos Estados Unidos

O autor faz um relato de como tem surgido cidades bastantes peculiares nos Estados
Unidos devido a era da informacao sao cidades com: muito espaco pra aluguel de
escritorios, tenha mais empregos do que dormitorios, seja percebido pela populacao
como um lugar, nao parecesse com uma cidade trita anos atras. E o que Joel Garreau
captou em areas ao redor de Boston, Nova York, Detroit, Atlanta, Phoenix,Texas sul da
California e chamou de Edge City.

O charme evanescente das cidades europeias

Traca as diferencas entre o espaco das cidades europeias das americanas de maneira
geral a primeira se mostra mais conservadora em relacao a mundancas apresentando um
centro urbano que conserva a sua historia, por outro lado tem surgido novas areas de
uma populacao mais jovem que nao consegue dinheiro pra entrar mo espaco mais
urbano e acabam vivendo em periferias bem diferenters das americanas e verdade. O
suburbio europeu por incrivel que pareca ainda representa o local tanto da producao
industrial tracional como das novas industrias de alta tecnologia.
O fator decisivo dos novos processos urbanos, na Europa e em outros lugares, e o fato
de o espaco urbano ser cada vez mais diferenciado em termos sociais, embora esteja
funcionalmente interrelacionando alem da proximidade fisica.

Urbanizacao do terceiro milenio: megacidades

Megacidades sao aglomeracoes populacionais de mais de 10milhoes de habitantes sendo


em numero de 13(classificacao da ONU em 1993) sendo que 4 tem projecoes de
ultrapassar 20milhoes em 2010. Mas alem de tamanho elas possuem algumas
caracteristicas de qualidades definidoras como: sao os nos da economia global, e
concentram funcoes superiores direcionais, produtivas, e adminstrativas de todo o
planeta; o controle da midia, a verdadeira politica do poder; e a capacidade simbolica de
criar e difundir mensagens.

As megacidades concentram o que ha de melhor e de pior tanto temos pessoas


importantes para o sistema como pessoas que querem justamente aproveitar a
notoriedade dessas megacidades pra mostrar a condicao de abandono em que se
encontram. No entanto, o que e mais significativo sobre as megacidades e que elas estao
conectadas externamente a redes globais e a segmentos de seus paises embora
internamente desconectadas das populacoes locais. E esta caracateristica distinta de
estarem fisica e socialmente conectadas com o globo e desconectadas do local que torna
as megacidades uma nova forma urbana.

As megacidades sao os pontos nodais de conexao as redes globais. Portanto, o futuro da


humanidade e do pais de cada megacidade depende fundamentalmente da evolucao e
gerenciamento dessas areas. As megacidades sao os pontos nodais e os centros de poder
da nova forma/processo espacial da era da informacao: o espaco de fluxos.

A teoria social de espaco e a teoria do espaco de fluxos

Espaco e a expressao da sociedade. Uma vez que nossas sociedades estao passando por
transformacoes estruturais, e razoavel sugerir que atualmente estao surgindo novas
formas e processos espaciais.

Do ponto de vista da teoria social, espaco e o suporte material de praticas socias de


tempo compartilhado. O autor define ainda espaco de fluxos como sendo a organizacao
material das praticas sociais de tempo compartilhado que funcionam por meio de fluxo.

Este e um capitulo bastante teorico senao confuso e de nao facil assimilcao, para o autor
o espaco de fluxos pode ser descrito pela combinacao de tres camadas que juntas
constituem o espaco de fluxos sao elas:

.A primeira camada e constituida por um circuito de impulsos eletronicos.

.A segunda e constituida por seus nos(centros de importantes funcoes estrategicas) e


centros de comunicacao.
.A terceira e ultima refere-se a organizacao espacial das elites gerenciais dominantes(e
nao das classes) que exercem as funcoes direcionais segundo as quais este espaco e
articulado.

A arquitetura do fim da historia

Se o espaco de fluxo realmente for a forma espacial predominante da sociedade em


rede, nos proximos anos a arquitetura ;e o design provavelmente serao rede finidos em
sua forma, funcao, processo e valor.

O autor analisa a arquitetura sob o ponto de vista do espaco de fluxos e chega e mostra
alguns casos particulares onde esta relacao esta muito inimamente ligada como a
restauracao de uma estacao de metro na Espanha ou a construcao de um aeroporto
tambem neste pais onde passageiros tem a impressao de estarem sozinhos dada o design
do local sozinhos quer dizer: nas maos unicamente da compahia aerea.

O limiar do eterno: Tempo intemporal

O tempo passou no contexto historico, desde um simples marcador de datas


comemorativas ou simbolizador de tipos no horóscopo babilônico, para o principal
motivador da alta produtividade, já que cada segundo perdido pode custar milhões no
mercado global.

É comum observarmos hoje que programas cada vez mais sofisticados comandam as
tomadas de decisões econômicas, sendo alinhadas com fusos horários diferentes para
possibilitarem em tempo real, seja qual for a parte do mundo, o ganho da empresa.
Nesse contexto é que a "empresa em rede" vivência o tempo não como uma maneira
cronológica de produção em massa, mas sim como algo a ser processado e utilizado
como termômetro de suas inovações. Exemplos: o ajuste das empresas às novas
necessidades do mercado em um curto intervalo de tempo; a contratação de
profissionais cada vez mais flexíveis, ou seja, capazes de direcionar bem suas horas de
trabalho, e ainda a diminuição no tempo de serviço dos funcionários, bem como a
contratação de mais mão-de-obra para distribuição das horas de produção diária.

O aspecto do ritmo biológico ou ciclo biológico foi quebrado pela ""sociedade em


rede"" que desde já muda a fisionomia do meio em que vive; seja fazendo mudar o
tempo de serviço, criando uma nova camada da terceira idade contendo velhos não só
cronologicamente, mas pessoas ditas impossibilitadas de se flexibilizarem em relação ao
mercado; transformando a reprodução como algo possível em qualquer idade, mediante
as modernas técnicas de fertilização; ou ainda pelo grande avanço da medicina, tentando
colocar a morte como algo controlável e distante, uma luta baseada na prevenção e na
esperança.

No ponto de vista das guerras, conforme os aparatos bélicos foram evoluindo com
armas nucleares e demais meios de destruição em massa, mais difícil se tornou o
confronto armado entre as nações desenvolvidas que passaram a ver as guerras do
seguinte ponto de vista: menor numero possível de mortos, utilização somente de um
exército profissional, um conflito rápido, longe dos olhos da mídia e com o menor gasto
possível. Para a sociedade informacional que visa o lucro, as guerras a muito deixaram
de ser lucrativas, a não ser quando as potências exploro conflitos menores, dentro de
nações menos desenvolvidas, funcionando agora como fornecedores, sem perdas
humanas e com muitos ganhos financeiros.

Portanto desde as transações de capitais realizadas em segundos, indeterminado ciclo de


vida, busca da eternidade pela negação à morte até guerras instantâneas, são todos fatos
que acabam por caracterizar a "sociedade em rede" como a responsável pela mistura do
tempo, através da simultaneidade de fatos e a intemporalidade da informação.

Conclusão: A sociedade em rede

Como tendência histórica, as funções e os processos dominantes na era da informação


estão cada vez mais organizadas em torno de redes. Redes constituem a nova
morfologia social de nossa sociedade e a difusão da lógica de redes modifica de forma
substancial a operação e os resultados dos processos produtivos e de experiência, poder
e cultura. Tudo isso porque elas são estruturas abertas capazes de expandir de forma
ilimitada, integrando novos nós desde consigam comunicar-se dentro da rede, ou seja,
desde compartilhem os mesmos códigos de comunicação ( por exemplo, valores ou
objetos de desempenho). Nesse contexto é que a rede é um instrumento apropriado para
a economia capitalista voltada para a inovação, globalização e concentração
descentralizada; para o trabalho, trabalhadores e empresas voltadas para a flexibilidade
e adaptalidade; para uma cultura de descontrução e reconstrução contínuas; para uma
política destinada ao processamento instantâneo de novos valores e humores públicos; e
para uma organização social que vise a suplantação do espaço e invalidação do tempo.