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O Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas

escolares: metodologias de
operacionalização(Conclusão)
Análise das referências às Bibliotecas Escolares nos Relatórios da Inspecção
Geral de Educação relativos à Avaliação Externa das escolas.

A minha base de trabalho é constituída pela análise dos relatórios feitos ao


Agrupamento de Escolas Dr.ª Maria Alice Gouveia, de Coimbra; Escola
Secundária /3ºciclo Alberto Sampaio, de Braga e o Agrupamento de Escolas
de Sacavém.

O Agrupamento de Escolas Dr.ª Maria Alice Gouveia obteve Muito Bom nos
dois primeiros domínios, Bom, nos domínios relativos à Organização e
Gestão Escolar e Liderança e Suficiente no que diz respeito ao último
domínio – Capacidade de Auto-Regulação e melhoria da escola.

A Escola Secundária /3º ciclo Alberto Sampaio obteve Muito Bom em todos
os domínios.

A Escola Secundário /3º ciclo de Sacavém Suficiente nos dois primeiros


domínios, Bom no que diz respeito à Organização e Gestão Escolar e
Liderança e Insuficiente no último domínio.

Apenas no relatório relativo à Escola Secundária/3º ciclo Alberto Sampaio é


feita referência à BE na Caracterização da Escola (por três vezes
distintas), não só como espaço integrante da escola, mas também como
dispositivo de que a escola dispõe para o desenvolvimento de
oportunidades de aprendizagem e valorização das actividades de
enriquecimento curricular.

A Biblioteca Escolar apenas é referida, no domínio respeitante aos


Resultados, no relatório referente à Escola Secundária/3º ciclo Alberto
Sampaio, nos pontos “Participação e desenvolvimento cívico”, como
promotora de laços entre os elementos da Comunidade Educativa e a
instituição e como promotora de abertura da instituição à comunidade.

No segundo domínio – Prestação do Serviço Educativo – surgem


referências à BE nos relatórios da Escola Secundário/3ºciclo Alberto
Sampaio e Escola Secundária /3º ciclo de Sacavém. No primeiro, a
dinamização da biblioteca surge como dispositivo que a escola aproveita
para desenvolver oportunidades de aprendizagem e enriquecimento
curricular. No segundo, a referência surge pela falta dessa vertente,
substituída por actividades, desenvolvidas pela BE, que vão ao encontro das
necessidades dos alunos. Tanto num, quanto noutro relatório, apenas é
tocado o ponto relativo à “Abrangência do Currículo e valorização dos
saberes e da aprendizagem”.

A Biblioteca Escolar é referenciada nos três relatórios no domínio


respeitante à Organização e Gestão Escolar, nomeadamente na Gestão
dos Recursos Materiais e Financeiros, sendo tida como um espaço a gerir.

No que ao quarto domínio diz respeito, a BE é referida no ponto respeitante


às Parcerias, protocolos e projectos, nos relatórios das duas escolas
secundários com 3º ciclo. Na escola de Braga, é salientado o laço da BE com

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a Biblioteca Pública e a Biblioteca Municipal e na escola de Sacavém, é
referida a adesão da BE ao PNL.

No quinto domínio – Capacidade de auto-regulação e Melhoria da Escola – o


relatório relativo ao Agrupamento de Escolas Dr.ª Maria Alice Gouveia
reconhece que a integração da BE na Rede de Bibliotecas Escolares é uma
oportunidade que a escola tem para alcançar os seus objectivos, no plano
da sua sustentabilidade e progresso.

Comentário Crítico à presença de referências às BE nos relatórios da IGE a


respeito da Avaliação Externa das Escolas

1. Depois do cruzamento da informação resultante da auto-avaliação da


BE nos seus diferentes domínios com os Tópicos para apresentação
das escolas e os Domínios de Referência da IGE, pressupunha que as
referências à Biblioteca Escolar fossem mais constantes.
2. Tendo como base de trabalho a bibliografia a que tivemos acesso nas
primeiras sessões da formação, seria expectável que a BE surgisse no
domínio relativo aos Resultados, tanto no que diz respeito ao sucesso
académico, quanto à participação e desenvolvimento cívico, quanto à
valorização e impacto das aprendizagens.
3. No domínio relativo à Prestação do Serviço Educativo, a organização
da BE e a sua articulação com as várias estruturas da escola deveria
ser motivo para que fosse referenciada nos pontos relativos à
articulação e sequencialidade, diferenciação e apoios, para além do
que já acontece com a abrangência do currículo e valorização dos
saberes e da aprendizagem.
4. No que diz respeito ao domínio 3, a BE surge apenas como um
recurso material e financeiro, quando, na verdade, também deveria
surgir nos pontos relativos à concepção, planeamento e
desenvolvimento da actividade, participação dos pais e outros
elementos da comunidade educativa.
5. No domínio 5 – Capacidade de Auto-regulação e melhoria da escola –
chega-se à conclusão que a auto-avaliação da BE não é ainda uma
prática frequente, uma vez que não aparece sequer referenciada.

Conclusão: Os relatórios da Avaliação Externa das Escolas levados a cabo


pela Inspecção Geral do Trabalho não espelham as práticas da Biblioteca
Escolar, nem o alcance que esta pode ter numa instituição escolar.

Esta lacuna dever-se-á, provavelmente, ao facto de ainda não se concretizar


uma prática constante de auto-avaliação das Bibliotecas Escolares nas
escolas.

A prática da auto-avaliação nas Bibliotecas Escolares pode ser uma forma


de integrar a BE nos mecanismos da escola, de forma efectiva e
sistemática.

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escolares: metodologias de
operacionalização(Conclusão)
A auto-avaliação das Bibliotecas Escolares deve servir de guia orientador à
equipa da Biblioteca para esta cumprir um dos seus principais objectivos:
influenciar positivamente as práticas de ensino e as práticas de
aprendizagem, em contexto escolar.

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