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CAPÍTULO 2

SUMÁRIO

2 – DOUTRINA ESPÍRITA

2.1 INTRODUÇÃO
2.1.1 Empirismo, Dogmatismo, Cepticismo e
Agnosticismo

2.2 FILOSOFIA COM BASES CIENTÍFICAS E
CONSEQUÊNCIAS MORAIS
2.2.1 Ciência – Método científico
2.2.2 Filosofia – Novos campos para o conhe-
cimento
2.2.3 Moral – Aperfeiçoamento moral








Curso Básico de Espiritismo Doutrina Espírita
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2 – DOUTRINA ESPÍRITA

2.1 INTRODUÇÃO

2.1.1 EMPIRISMO, DOGMATISMO, CEPTICISMO E
AGNOSTICISMO

Há vários conceitos que
importa aclarar, a fim de que a
prática espírita não se transtorne
com eles e, diante da dificuldade
de estudar mais profundamente
estes fenómenos, não possam
tornar-se companhias indesejá-
veis, susceptíveis de subverter,
das maneiras mais confusas, os
objectivos de serviço e fraterni-
dade à luz do Espiritismo.
Comecemos pelo Empi-
rismo. Segundo o dicionário é o
conjunto de conhecimentos co-
lhidos apenas na prática, e dou-
trina filosófica segundo a qual
todo o conhecimento humano
deriva, directa ou indirectamente,
da experiência. Vejamos um
exemplo comum de uma consta-
tação empírica: Enquanto escrevo olho pela janela. Vejo o céu azul e o Sol. Ainda há
pouco ele estava mais alto. Porém, agora, passadas umas duas horas, ele está mais
baixo. A leitura empírica deste fenómeno aparente de deslocação do Sol é esta: O Sol
move-se no céu, e os meus olhos bem viram isso. A leitura científica deste mesmo fe-
nómeno seria feita mais ou menos assim: Porque a Terra rola no espaço e eu me encon-
tro à vista desarmada, sem referencial fixo para determinar o movimento da Terra em
relação ao Sol, os meus sentidos enganam-me e fazem-me pensar erradamente que é o
Sol que se move, embora seja de facto a rotação da Terra que me causa esse lapso.
Exemplos de empirismo, e mais grave do que isso, na prática espírita: Não cruze
as pernas numa reunião espiritual, porque isso basta para quebrar a corrente fluídica;
se eu não for ao passe magnético não me sinto bem, etc.
Dogmatismo: Atitude de quem afirma com intransigência, sem prova, nem críti-
ca prévia. Admite a possibilidade do conhecimento absoluto. É próprio das religiões e é
a moldura perfeita para qualquer exercício de fé cega. Responsável por graves crimes
contra a humanidade, por exemplo a Inquisição.
Quanto ao Cepticismo, o dicionário define-o assim: Doutrina filosófica que de-
fende que o homem não é capaz de alcançar a certeza e descrença.
9 - Vários conceitos de análise
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O Agnosticismo é um sistema filosófico segundo o qual o espírito humano ainda
se encontra impossibilitado de alcançar, sobre certos fenómenos, um conhecimento ab-
soluto. O agnóstico, sem provas, não acredita nem descrê – aguarda pela oportunidade
de recolher dados que lhe permitam retirar conclusões racionais.


A RETER

1 – Há conceitos que devem ser clarificados para melhor distinguir o Espiritismo, entre
eles: empirismo, dogmatismo, cepticismo e agnosticismo.


2.2 FILOSOFIA COM BASES CIENTÍFICAS E
CONSEQUÊNCIAS MORAIS

Tendo aparecido numa época de emancipação e madureza intelectual, em que o
homem queria saber o porquê e o como de cada coisa, o Espiritismo surgiu, não somen-
te como as revelações anteriores, através de um ensino directo, mas também como fruto
do trabalho da pesquisa e do livre exame, deixando ao homem o direito de submeter
tudo ao cadinho da razão.
Pelo método aplicado na observação dos factos, pelas respostas que oferece às
profundas indagações do espírito humano, com reflexos inevitáveis no modo de proce-
der das criaturas, salienta-se que o Espiritismo é uma doutrina de tríplice aspecto: cientí-
fico, filosófico e moral.
No livro “O Que é o Espiritismo”, Allan Kardec diz-nos: “O Espiritismo é, ao
mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prá-
tica, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; como filoso-
fia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas rela-
ções.”


A RETER

1 – “O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filo-
sófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre
nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que
dimanam dessas mesmas relações”.


2.2.1 CIÊNCIA – Método científico

Os fenómenos mediúnicos, tão antigos quanto o ser humano na face da Terra,
sempre chamaram a atenção para a realidade da vida espiritual. Todavia, foram sempre
revestidos pelo carácter do maravilhoso e do sobrenatural, tão ao gosto das religiões
primitivas e das tradicionais. De outras vezes, as manifestações dos espíritos eram ex-
plicadas como obra demoníaca, por princípios religiosos que persistem até hoje, desen-
corajando, e mesmo proibindo, através do poder religioso constituído, toda a pesquisa
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ou estudo que visasse esclarecer a causa dos
referidos fenómenos. Foi necessário que o
tempo passasse, que o homem amadurecesse e,
como consequência, houvesse a libertação do
conhecimento, para que a explicação racional
desses factos pudesse ser encontrada.
Allan Kardec, em “Obras Póstumas”,
explica que nos seus estudos de Espiritismo
aplicou à nova ciência o método experimental
(indutivo)
(2)
, bem como o método dedutivo
(3)
e
jamais elaborou teorias preconcebidas; obser-
vava cuidadosamente, comparava, deduzia
consequências; dos efeitos procurava remontar
à causa, por indução e pelo encadeamento ló-
gico dos factos, não admitindo por válida uma explicação senão quando resolvia todas
as dificuldades da questão.
Não criou nenhuma teoria preconcebida, nem apresentou a priori como hipótese
a existência e a intervenção dos espíritos, concluindo pela existência destes, quando ela
foi evidenciada pela observação dos factos. Em “A Génese” diz: “Não foram os factos
que vieram a posteriori confirmar a teoria; a teoria é que veio subsequentemente expli-
car e reunir os factos.”
Como vimos no capítulo anterior, foi a partir dos fenómenos das mesas girantes
que Allan Kardec iniciou a sua pesquisa, em busca da explicação para esse facto tão
singular e de tantos outros compreendidos na fenomenologia mediúnica.
Nascia, assim, uma nova ciência que viria romper os vínculos de quaisquer resí-
duos mágicos e superstição, demonstrando a existência do princípio espiritual, as pro-
priedades dos fluidos espirituais e a acção deles sobre a matéria. Demonstrou a existên-
cia do perispírito – ou corpo espiritual – assinalado por diversos pensadores em várias
épocas, reconhecendo nele o corpo fluídico da alma, mesmo depois da destruição do
corpo físico.
Esse invólucro é inseparável da alma, um dos elementos constitutivos do ser
humano e o veículo de transmissão do pensamento. Serve de laço entre o espírito e a
matéria.
A parte experimental do Espiritismo está contida em “O Livro dos Médiuns”,
editado em 1861, que, segundo Allan Kardec na apresentação da referida obra, “… con-
tém o ensino especial dos espíritos sobre a teoria de todos os géneros de manifestações,
os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade,
as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo”.
Nessa obra, Kardec dá ênfase ao perispírito, elemento indispensável para a ex-
plicação da mediunidade e faz, também, um relato da evolução dos processos de comu-
nicação com os espíritos, desde as mesas girantes até à psicografia, ou seja, a escrita
através da mão do médium.
O Espiritismo, enquanto ciência, tem o seu objecto e o seu método.
O seu objecto centra-se nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos.
É uma ciência de observação.

(2)
Raciocínio que parte dos efeitos para as causas, dos factos para as leis gerais.
Forma de raciocínio em que se procura, a partir da verificação de alguns casos particulares, formular
uma lei que explique todos os casos da mesma espécie.
(3)
Raciocínio que parte das causas para os efeitos, do princípio para as consequências, do geral para o
particular.
10 - Método experimental
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O método científico, como é ensinado nas escolas, decompõe-se em várias fases:
1. Observação;
2. Formulação de hipóteses explicativas do fenómeno;
3. Teste experimental da hipótese tida como reveladora do mecanismo do fe-
nómeno;
4. Enunciação da lei.
Quem estuda a história da codificação do Espiritismo vai encontrar este caminho
a ser percorrido por Kardec. Evidentemente que este tipo de fenómenos não é tão sim-
ples de pesquisar como uma experiência química processada em laboratório. Há que
fazer adaptações. Os espíritos são pessoas sem corpo físico que têm a sua vontade pró-
pria (podem não estar dispostos a tentar as experiências que os experimentadores pre-
tendem fazer). A isto acresce a necessidade de se verificar todo um conjunto complexo
de circunstâncias físicas, psicológicas e outras, para que o fenómeno possa ocorrer.


A RETER

1 – A parte experimental do Espiritismo está contida em “O Livro dos Médiuns”.
2 – O Espiritismo, enquanto ciência, tem o seu objecto e o seu método.
3 – O seu objecto centra-se nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos.
4 – O método científico, como é ensinado nas escolas, decompõe-se em várias fases:
Observação;
Formulação de hipóteses explicativas do fenómeno;
Teste experimental da hipótese tida como reveladora do mecanismo do fenómeno;
Enunciação da lei.


2.2.2 FILOSOFIA – Novos campos para o conhecimento

A partir do sé-
culo VI a.C., surgia na
Grécia uma nova ma-
neira de propor e solu-
cionar problemas, com
a libertação das formas
tradicionais de explica-
ção da realidade, base-
adas em crenças religi-
osas e apresentadas
através de mitos. Essa
nova maneira consistia
no uso da razão para se
descobrir a causa dos
fenómenos.
Começavam a surgir teorias que davam origem a todos os tipos de indagações,
desde a origem do Universo, à natureza do homem, até às mais diversas actividades
humanas, conduta moral, etc.
Essa forma de pensar foi chamada de filosofia, que significa amor à sabedoria.
11 - Na Idade Média a fé prevalecia sobre a razão
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Entre os vários filósofos gregos, destacam-se as figuras de Sócrates e do seu
discípulo Platão, considerados por Allan Kardec precursores da ideia cristã e do Espiri-
tismo.
Na Introdução de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Kardec faz um resumo
da doutrina desses filósofos, que admitiam a existência e a imortalidade do espírito, a
reencarnação, a necessidade da prática do bem, etc.
Não obstante o grande avanço da filosofia grega e das lições imorredouras de
J esus, as grandes questões da alma permaneceram por muito tempo encobertas pelo véu
do mistério e do dogma. Na Idade Média, quando a religião predominava, os valores da
fé prevaleciam sobre a razão. Não que a humanidade deixasse de receber a contribuição
de pensadores lúcidos. Mas, quando não eram envolvidos pela sociedade vigente, estes,
muitas vezes, eram obrigados a silenciar. Alguns foram sacrificados em holocausto à
verdade, seja no campo da Religião, da Filosofia ou até da Ciência.
Como consequência da libertação do pensamento nos tempos modernos, o ho-
mem passou a questionar os princípios filosóficos impostos de forma dogmática, consi-
derados incontestáveis e indiscutíveis. De um lado, o ateísmo científico; do outro, a ilu-
são religiosa. O avanço alcançado pelas ciências, especialmente a Química, a Física e a
Astronomia, o surgimento dos grandes pensadores nos séculos XVIII e XIX, concorre-
ram para mostrar a fragilidade dos princípios defendidos pela Teologia. Da crença cega
saltava-se para a negação absoluta.
No campo materialista merece destaque o Positivismo, criado por Augusto Com-
te, que chegou ao exagero de afirmar que a Ciência aposentara o Pai da natureza e aca-
bava de reconduzir Deus às suas fronteiras, agradecendo os seus serviços provisórios.
Foi nesse clima que surgiu a Doutrina Espírita, trazendo ao mundo a explicação
lógica para os grandes enigmas da vida, da morte, da sobrevivência, da dor, etc.
As bases da Doutrina Espírita foram estabelecidas por Allan Kardec através da
análise e selecção das comunicações dos espíritos, usando o critério da universalidade e
concordância do ensino dos espíritos, à luz da razão.
Como não poderia deixar de ser, o Espiritismo é uma doutrina de livre exame,
propugnando pela fé raciocinada. No capítulo XIX de “O Evangelho Segundo o Espiri-
tismo”, Kardec diz-nos: “Fé inabalável só o é a que pode encarar de frente a razão, em
todas as épocas da humanidade”. Nascia uma nova filosofia, estribada na ciência, cujas
consequências morais, do mais alto alcance, preparam a humanidade para uma nova era,
em que os valores espirituais preponderarão sobre os valores materiais.
A filosofia espírita está consubstanciada em “O Livro dos Espíritos”, obra apre-
sentada por Allan Kardec como filosofia espiritualista.
Este livro divide-se em quatro partes:
1. Das causas primárias;
2. Do mundo espírita ou mundo dos espíritos;
3. Das leis morais;
4. Das esperanças e consolações.
Essa obra enquadra-se numa das formas mais livres da tradição filosófica: o diá-
logo. Por conseguinte, todo o ensinamento é apresentado através de perguntas e respos-
tas, seguindo-se, às vezes, alguns comentários de Allan Kardec.
Como todas as partes do livro serão estudadas em outros capítulos deste curso,
deter-nos-emos aqui apenas a ressaltar alguns princípios da filosofia espírita, para dar-
mos dela uma visão de conjunto.
O Espiritismo mostra Deus, não de forma antropomórfica – feita à imagem e
semelhança do homem - que faziam dele as religiões. “Deus é a inteligência suprema,
causa primária de todas as coisas”.
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O Universo define-se pela tríade: Deus, Espírito e Matéria. A matéria, porém,
não é somente o elemento palpável, havendo o fluido universal, intermediário entre o
plano espiritual e o plano material.
“Tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até ao arcanjo, que
também começou por ser átomo”, como vemos na resposta à questão n.º 540. Para che-
gar à perfeição, terá que passar pelas provas da existência material, através do meca-
nismo das reencarnações, ao qual se associa a lei de causa e efeito, que permite ao espí-
rito compensar a sua própria consciência dos erros passados, à medida que o seu pro-
gresso lhe permite estabelecer a diferença entre o bem e o mal.
As condições de vida após a morte do corpo físico são estudadas com detalhes,
ressaltando desse estudo o processo natural de aprendizado do espírito, através da expe-
riência. A morte, simplesmente, não o liberta das paixões, dos vícios, da ignorância,
como também não define o seu futuro, como ensinava até então a Teologia. Cai por
terra a falsa concepção de inferno, céu e purgatório.
Podemos dizer que a Doutrina Espírita assenta nos seguintes pilares:
1. Deus;
2. Imortalidade da alma;
3. Comunicabilidade dos espíritos;
4. Reencarnação;
5. Pluralidade dos mundos habitados;
6. Leis morais.


A RETER

1 – As bases da Doutrina Espírita foram estabelecidas por Allan Kardec através da aná-
lise e selecção das comunicações dos espíritos, usando o critério da universalidade
e concordância do ensino dos espíritos à luz da razão.
2 – O Espiritismo propugna pela fé raciocinada.
3 – A filosofia espírita está consubstanciada em “O Livro dos Espíritos”, editado em
1857.
4 – Os pontos fundamentais do Espiritismo são: Deus; imortalidade da alma; comunica-
bilidade dos espíritos; reencarnação; pluralidade dos mundos habitados; leis morais.


2.2.3 MORAL – Aperfeiçoamento interior

O homem primitivo, não conseguindo a explicação para os vários fenómenos
naturais, entre os quais a chuva, o relâmpago, o trovão, a germinação da semente, o nas-
cimento e a morte, atribuía-os a uma potência superior. Além disso, os fenómenos me-
diúnicos, caracterizados pelas comunicações de espíritos entre os povos primitivos,
concorreram para que essa potência ou essas potências superiores fossem de alguma
forma reverenciadas, quer pelo temor que inspiravam, quer pelo carácter maravilhoso
ou sobrenatural de que eram revestidos pelas concepções daquelas mentes primitivas.
Nasciam, assim, as primeiras formas de adoração através dos mais diferentes cultos, que
deram origem a muitas religiões do passado. Nesses cultos, sobressaíam determinados
indivíduos, alguns, quem sabe, portadores de certas faculdades medianímicas, e que
ganhavam notoriedade. Eram os sacerdotes, que recebiam os mais variados nomes nos
diferentes povos em que se enquadravam.
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O estudo de algumas religiões faz-nos con-
cluir que muitas delas são instituições bem caracteri-
zadas pelo culto exterior, onde preponderam os sa-
cerdotes como executores desse culto e, entre eles,
uma estrutura hierárquica. É uma característica re-
manescente das religiões primitivas, que atingiu o
próprio Cristianismo, desfigurando-o do seu aspecto
simples e informal, pela intromissão do politeísmo
romano e de outras influências dos povos que consti-
tuíam o Império Romano.
O Espiritismo, não tendo formas exteriores
de adoração, nem sacerdotes, nem liturgia, não é
entendido como religião, mas sim, de acordo com
Kardec, como moral ou ética (ciência do bem). Tra-
ta-se de uma opção pela clareza de linguagem, fun-
damental para que não se criem confusões, que seri-
am lamentáveis e poderiam comprometer o futuro.
A Doutrina Espírita, como ciência e como filosofia, esclarece os grandes enig-
mas da vida, dentro de princípios lógicos. Através dela ficamos a saber o que somos, de
onde viemos, que fazemos aqui, para onde iremos após a morte do corpo físico e como
respondemos pelo comportamento mau ou bom que aqui tivermos, desde já ou no futu-
ro.
Por reconhecer essa gama de consequências morais que afectariam, por certo, os
seguidores do Espiritismo, e por inspiração de espíritos superiores, Allan Kardec publi-
cou, em 1864, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, admitindo que a moral espírita é
a moral do “Evangelho”, entendido no seu sentido lógico e não desfigurado, quer pela
letra quer pelo dogma, aceitando-o nos pontos não controversos e que pudessem atender
à melhoria do comportamento humano.
Todas as religiões têm por base a existência de Deus e por fim o futuro do ho-
mem depois da morte. Esse futuro, que é de capital interesse para a criatura, acha-se
necessariamente ligado à existência do mundo invisível, pelo que o conhecimento desse
mundo constituiu, desde todos os tempos, objecto das suas pesquisas e preocupações. A
atenção do homem foi naturalmente atraída pelos fenómenos que tendem a provar a
existência daquele mundo e nenhum houve jamais tão concludente como o das manifes-
tações dos espíritos por meio das quais os próprios habitantes de tal mundo revelaram as
suas existências. Foi por isso que esses fenómenos se tornaram básicos para a maior
parte dos dogmas de todas as religiões.




A RETER

1 – O homem primitivo, não podendo explicar os fenómenos naturais, atribuía-os a uma
potência superior, que ele passou a reverenciar, surgindo as formas primitivas de
culto.
2 – O Espiritismo não tem formas exteriores de adoração, nem sacerdotes, nem liturgia.
3 – A parte moral do Espiritismo está contida em “O Evangelho Segundo o Espiritis-
mo”.
12 - Chico Xavier
Curso Básico de Espiritismo Doutrina Espírita
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BIBLIOGRAFIA

Allan Kardec:
“A Génese”, Cap. I, N.º 12 a 14 e 39, 13.ª Edição, Federação Espírita Brasileira;
“O Que é o Espiritismo”, Preâmbulo, 11.ª Edição, 1955, Federação Espírita Brasileira;
“O Livro dos Médiuns”, Cap. II, N.º 5, 30.ª Edição, Federação Espírita Brasileira;
“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Introdução, 5.ª Edição, Federação Espírita
Brasileira;
“Obras Póstumas”, 1.ª Parte, Manifestação dos espíritos, 11.ª Edição, Federação Espíri-
ta Brasileira;
“O Livro dos Espíritos”, Parte Primeira, Cap. I, 33.ª Edição, Federação Espírita Brasi-
leira.

Camille Flammarion, “Deus na Natureza”, Introdução, Federação Espírita Brasileira.

“Enciclopédia do Estudante”, Volume 2, Editora Abril Cultural.

Curso Básico de Espiritismo Minigrupos
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MINIGRUPOS (apoio bibliográfico)

Leia com atenção apoio bibliográfico e faça um resumo para cada tema:




MINIGRUPO 1: CIÊNCIA – Método científico

1 – O Espiritismo abre novos horizontes à Ciência
Allan Kardec, “A Génese”, Cap. I, N.os 40, 49, 54.


Um elemento do grupo funcionará como secretário para posteriormente apresentar as conclusões.




MINIGRUPO 2: FILOSOFIA – Novos campos para o conhecimento

1 - Princípios básicos da Doutrina Espírita
Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, Introdução, VI.


Um elemento do grupo funcionará como secretário para posteriormente apresentar as conclusões.




MINIGRUPO 3: FILOSOFIA – Novos campos para o conhecimento

1 - Universalidade dos ensinos dos espíritos
Allan Kardec, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Introdução, II – Autoridade
da Doutrina Espírita, até ao 7.º parágrafo.


Um elemento do grupo funcionará como secretário para posteriormente apresentar as conclusões.



MINIGRUPO 4: MORAL – Aperfeiçoamento interior

1 – Consequências religiosas das manifestações dos espíritos
Allan Kardec, “Obras Póstumas”, 1.ª Parte, Manifestações dos espíritos, N.os 1 a 8.


Um elemento do grupo funcionará como secretário para posteriormente apresentar as conclusões.
Curso Básico de Espiritismo Minigrupos
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MINIGRUPOS

Depois de ter estudado este capítulo, responda, por escrito, às seguintes
questões:







MINIGRUPO 1: INTRODUÇÃO – Doutrina Espírita

1 – Que conceitos devemos conhecer, a fim de que o Espiritismo não se confunda?
2 – Defina-os.
3 – Porque se diz que o Espiritismo é simultaneamente ciência, filosofia e moral?
4 – De quantos aspectos é composto o Espiritismo?
5 – Como se pode definir o Espiritismo?





MINIGRUPO 2: CIÊNCIA – Método científico

1 – Que métodos aplica o Espiritismo como ciência?
2 – O que demonstrou o Espiritismo, enquanto ciência?
3 – Em que obra da codificação está contida a parte científica ou experimental do Espi-
ritismo?
4 – Explique as diferentes fases do método científico.
5 – É fácil pesquisar os fenómenos espíritas em laboratório? Porquê?






MINIGRUPO 3: FILOSOFIA – Novos campos para o conhecimento

1 – Complete: “A partir do séc. VI a. C. surgia na Grécia _______ nova maneira (…)
consistia _________________________________”
2 – Que filósofos gregos da Antiguidade foram considerados por Kardec como precur-
sores da ideia cristã e do Espiritismo?
3 – Em que livro da codificação aparece o resumo da doutrina desses filósofos?
4 – Quais são os pontos comuns com o Espiritismo?
5 – Quando é que os valores da fé começaram a prevalecer sobre a razão?

Curso Básico de Espiritismo Minigrupos
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MINIGRUPO 4: FILOSOFIA – Novos campos para o conhecimento

1 – Que critérios usou Kardec para estabelecer as bases da Doutrina Espírita?
2 – Que tipo de fé propugna (isto é, defende) o Espiritismo?
3 – De acordo com o Cap. XIX de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, o que é a fé
inabalável?
4 – Em que obra da codificação está consubstanciada a filosofia espírita?
5 – Aponte alguns princípios básicos da filosofia espírita.





MINIGRUPO 5: MORAL – Aperfeiçoamento interior

1 – O Espiritismo é uma religião na acepção clássica da palavra, isto é com culto exteri-
or, sacerdotes e uma estrutura hierárquica?
2 – Que outros termos apresenta Kardec para que não se propiciem confusões?
3 – Que esclarecimentos nos traz a Doutrina Espírita?
4 – Em que obra da codificação se encontram as consequências morais do Espiritismo?
5 – Que bases comuns tem o Espiritismo com todas as religiões?

Curso Básico de Espiritismo Teste
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TESTE

NOME: _____________________________________ DATA: ___ /___ /___


1 – MARQUE A ALTERNATIVA CORRECTA COM UM “X”.

1.1 – O Espiritismo é uma doutrina de tríplice aspecto, logo:
( ) a – Os três aspectos são fundamentais e indissociáveis;
( ) b – Os três aspectos são importantes, mas independentes uns dos outros;
( ) c – É mais importante como ética ou moral;
( ) d – É mais importante como ciência.

1.2 – O Espiritismo tem como métodos científicos:
( ) a – O experimental e o lógico;
( ) b – O ideológico e o dedutivo;
( ) c – O tradicional e o moderno;
( ) d – O experimental (indutivo) e o dedutivo.

1.3 – Considerados como precursores da ideia cristã e do Espiritismo, destacam-se:
( ) a – Sócrates e Platão;
( ) b – Sócrates, Platão e Charles B. Rosma;
( ) c – Sócrates, Platão e Alexandre Magno;
( ) d – Sócrates, Platão e Aristóteles.

1.4 – Enquanto moral, o Espiritismo pretende:
( ) a – O culto exterior;
( ) b – O culto interior;
( ) c – O aperfeiçoamento interior;
( ) d – O aperfeiçoamento exterior.

2 – ASSINALE COM “V”, SE VERDADEIRO, OU “F”, SE FALSO.

( ) a – O Espiritismo foi a primeira doutrina que demonstrou a existência do princípio
espiritual.
( ) b – Para que um ensinamento seja verdadeiro deve ser dado por um espírito, através
de um só médium.
( ) c – Para que se reverencie o Criador deve ser dada alguma forma de culto externo.
( ) d – Através da Doutrina Espírita ficamos a saber o que somos, de onde vimos e para
onde vamos após a morte do corpo físico.







Curso Básico de Espiritismo Teste
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3 - NUMERE A 1.ª COLUNA, DE ACORDO COM A 2.ª.








( ) A fé verdadeira e inabalável (1) é a moral do “Evangelho”.
( ) A reencarnação (2) está contida em “O Livro dos Médiuns”
( ) A parte moral do Espiritismo (3) é um dos pilares do Espiritismo.
( ) A parte científica do Espiritismo (4) está contida em “O Evangelho Segundo
o Espiritismo”.
( ) A parte filosófica do Espiritismo (5) a moral personifica o amor.
( ) A ciência e a filosofia irmanam-se na
sabedoria;
(6) enfrenta a razão face a face.
( ) A moral espírita (7) está contida em “O Livro do Espíritos”
( ) O Espiritismo é (8) uma filosofia espiritualista.