Você está na página 1de 57

CAPÍTULO 10

SUMÁRIO

10 – ESPERANÇAS E CONSOLAÇÕES

10.1 PENAS E GOZOS TERRENOS
10.1.1 Felicidade e infelicidade relativas
10.1.2 Perdas de entes queridos
10.1.3 Decepções, ingratidão, afeições des-
truídas
10.1.4 Uniões antipáticas
10.1.5 Temor da morte
10.1.6 Desgosto da vida – Suicídio

10.2 PENAS E GOZOS FUTUROS
10.2.1 O nada – A vida futura
10.2.2 Intuição das penas e gozos futuros
10.2.3 Intervenção de Deus nas penas e re-
compensas
10.2.4 Natureza das penas e gozos futuros
10.2.5 Penas temporárias
10.2.6 Expiação e arrependimento
10.2.7 Duração das penas futuras
10.2.8 Paraíso, inferno e purgatório


Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 237 -
10 – ESPERANÇAS E CONSO-
LAÇÕES
(7)



(7)
Todo este capítulo foi elaborado com base em “O Livro dos Espíritos”, 4.ª Parte, Caps. I e II.
O homem terreno pode gozar apenas de uma felicidade incompleta, pois a vida
foi-lhe concedida para realizar uma evolução intelecto-afectiva, que o faz passar por
provas ou expiações.
Contudo, depende dele abrandar os seus males e ser tão feliz quanto é possível
na Terra.


10.1 PENAS E GOZOS TERRENOS

10.1.1 FELICIDADE E INFELICIDADE RELATIVAS

Na maioria das vezes o ho-
mem é o artífice da sua própria infe-
licidade.
Se praticasse a lei de Deus,
livrar-se-ia de muitos males e go-
zaria da felicidade possível à sua
existência num plano grosseiro.
O homem ciente do seu des-
tino futuro vê na existência corpórea
apenas uma rápida passagem; ele
consola-se facilmente depois de al-
guns aborrecimentos passageiros.
Recebemos, nesta vida, os
efeitos das infracções que comete-
mos às leis da existência corpórea,
pelos próprios males decorrentes
dessas infracções e pelos nossos pró-
prios excessos. Se remontarmos,
pouco a pouco, à origem do que
chamamos infelicidade terrena, ve-
remos esta como consequência de
um primeiro desvio do caminho cer-
to. Em virtude desse desvio inicial,
entramos num mau caminho e, de
consequência em consequência, ca-
ímos no infortúnio.
A felicidade terrena é relativa à posição de cada pessoa. Entretanto, podemos
dizer que há uma medida comum de felicidade para todos os homens, expressa da se-
guinte forma: “Para a vida material, é a posse do necessário; para a vida moral, a
consciência pura e a fé no futuro”.
94 - A felicidade e a infelicidade são relativas
Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 238 -
Todavia, a medida do necessário e do supérfluo varia segundo as pessoas. Há
algumas que têm muito e acham que não têm aquilo de que necessitam, enquanto outras
se contentam com pouco. “O homem criterioso, a fim de ser feliz, olha sempre para
baixo e não para cima, a não ser para elevar sua alma ao infinito.”
Os males que dependem da maneira de agir, e que ferem o homem mais justo,
devem ser encarados com resignação e sem queixas para se poder progredir. O homem
tira sempre uma consolação da sua própria consciência, que lhe dá a esperança de um
futuro melhor.
Aos olhos de quem apenas vê o presente, certas pessoas parecem favorecidas pe-
la fortuna, sem a merecerem. Porém, “… a fortuna é uma prova, geralmente mais peri-
gosa do que a miséria.”
De ordinário, os males da vida terrena estão directamente relacionados com as
necessidades artificiais que criamos. Aquele que soubesse restringir os seus desejos e
olhasse sem inveja os que estivessem acima dele, livrar-se-ia de muitos desenganos nes-
ta vida. O mais rico seria o que menos necessidades tivesse.
Deus permite que o mau prospere algumas vezes, mas a sua felicidade não é de
causar inveja porque a pagará com lágrimas amargas. “Quando um justo é infeliz, isso
representa uma prova que lhe será levada em conta, se a suportar com coragem.”
O homem só é verdadeiramente infeliz quando sofre da falta do necessário à vi-
da e à saúde do corpo. Todavia, pode acontecer que essa privação seja culpa sua. Então,
só tem que se queixar de si mesmo. Se for ocasionada por outrem, a responsabilidade
recairá sobre aquele que a causou.
Muitos dos males
originam-se por não se-
guirmos a vocação que
determina as nossas apti-
dões naturais. “Muitas
vezes são os pais que, por
orgulho ou avareza, des-
viam seus filhos da senda
que a natureza lhes tra-
çou, comprometendo-lhes
a felicidade, por efeito
desse desvio. Responde-
rão por eles.”
Uma das mais
frequentes causas de de-
cepção reside, indubita-
velmente, no facto de os
homens se afastarem da
sua esfera intelectual. A
inaptidão para a carreira
abraçada constitui fonte
inesgotável de reveses.
Depois, o amor-próprio, sobrevindo a tudo isso, impede que o que fracassou recorra a
uma profissão mais humilde. Se uma educação moral o houvesse colocado acima dos
tolos preconceitos do orgulho, jamais se teria deixado apanhar desprevenido.
Há pessoas à volta das quais reina a fartura e, apesar disso, encontram-se baldas
de todos os recursos, tendo diante de si apenas a perspectiva da morte. Todavia, nin-
guém deve reter a ideia de se deixar morrer à fome. Achariam sempre meio de se ali-
95 - Na vida, temos muitos momentos de felicidade
Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 239 -
mentar, se o orgulho não se colocasse entre a necessidade e o trabalho. Não há ofício
desprezível; não é o estado do homem que o desonra.
Com uma organização social criteriosa e previdente, só por culpa sua é que pode
faltar ao homem o necessário. Porém, as suas próprias faltas são frequentemente resul-
tado do meio em que se acha colocado. Quando praticar a lei de Deus, terá uma ordem
social fundada na justiça e na solidariedade e ele próprio também será melhor.
Na sociedade, geralmente as classes sofredoras são mais numerosas do que as
chamadas felizes. Mas, na verdade, nenhuma é perfeitamente feliz, pois, muitas vezes,
há pungentes aflições ocultas. As classes a que chamamos sofredoras são mais numero-
sas por ser a Terra lugar de expiação. Quando o homem a transformar em morada do
bem e de espíritos bons, deixará de ser aí infeliz e será para ele o paraíso terrestre.
Diz-se que no mundo, muito amiúde, a influência dos maus se sobrepõe à dos
bons. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são reservados e passivos. Quando
estes o quiserem, preponderarão.
Algumas vezes os sofrimentos materiais independem da vontade do homem, que
é o próprio causador deles. Porém, mais do que estes, os sofrimentos morais são gera-
dos pelo orgulho ferido, pela ambição frustrada, pela ansiedade da avareza, pela inveja,
pelo ciúme e todas as paixões que são torturas da alma.
Normalmente, o homem só é infeliz pela importância que liga às coisas deste
mundo. Se se colocar fora do círculo acanhado da vida material, se elevar os seus pen-
samentos para o infinito, que é o seu destino, as vicissitudes da humanidade parecer-lhe-
ão mesquinhas e pueris, como o são as tristezas da criança que se aflige pela perda de
um brinquedo que resumia a sua felicidade suprema.
Como civilizado, o homem raciocina sobre a sua infelicidade e analisa-a. É por
isso que esta o fere. Mas, também, é-lhe facultado raciocinar sobre os meios de obter
consolação e de os analisar. Essa consolação, encontra-a no sentimento cristão, que lhe
dá a esperança de melhor futuro – o Espiritismo dá-lhe a certeza desse futuro.


A RETER

1 – O homem terreno pode gozar apenas de uma felicidade incompleta, pois a vida pro-
porciona-lhe, sobretudo, provas ou expiações. Porém, depende dele ser tão feliz
quanto é possível na Terra.
2 – Quase sempre, o homem é o artífice da sua própria infelicidade, pois se praticasse a
lei de Deus livrar-se-ia de muitos males.
3 – A medida comum da felicidade para os homens está na seguinte fórmula: “Para a
vida material é a posse do necessário; para a vida moral, a consciência pura e a fé
no futuro”.
4 – Os males que ferem o homem justo devem ser encarados com resignação, pois isso
representa uma prova que lhe será levada em conta, se a suportar com coragem e
sem queixas.
5 – Aos olhos dos que enxergam apenas o presente, certas pessoas parecem favorecidas
pela fortuna sem a merecerem. Porém, “… a fortuna é uma prova mais perigosa do
que a miséria”.
6 – Quando falta ao homem o necessário à vida e à saúde do corpo, não por culpa sua,
mas ocasionada por outrem, a responsabilidade recairá sobre aquele que a causou.
7 – Em afastarem-se os homens da sua esfera intelectual e profissional propícia às suas
inclinações e aptidões reside a causa de muitas decepções e desajustes.
8 – Com uma organização social mais justa e previdente, só por culpa sua poderia faltar
ao homem o necessário.
Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 240 -
10.1.2 PERDA DE ENTES QUERIDOS

A perda dos entes que nos são caros constitui para nós uma legítima causa de
dor. Essa dor atinge o rico como o pobre e representa uma prova ou expiação.
Temos, porém, a consolação de nos comunicarmos com eles através dos mé-
diuns, enquanto não dispusermos de outros meios mais directos e mais acessíveis aos
nossos sentidos.
Os entes queridos, quando já se encontram em condições espirituais para isso,
colocam-se ao nosso lado e respondem-nos, através das leis naturais da comunicação.
Auxiliam-nos com os seus conselhos, testemunham-nos o afecto que nos guardam e a
alegria que experimentam por nos lembrarmos deles.
O espírito é sensível à lembrança e às saudades dos que lhe eram caros na Terra.
Porém, as dores inconsoláveis e desarrazoadas tocam-no penosamente, pois nessa dor
excessiva vê falta de fé no futuro e de confiança em Deus e, por isso, um obstáculo ao
adiantamento dos que o choram e talvez à sua reunião com eles. O Espiritismo dá-nos
suprema consolação ao explicar-nos o porquê da vida
Estando o espírito mais feliz no plano espiritual do que na Terra, lamentar que
ele tenha deixado a vida corpórea é deplorar que seja feliz.
Pelas provas patentes que ministra da vida futura, da presença em torno de nós
daqueles a quem amamos, da continuidade da afeição e da solicitude que nos dispensa-
vam; pelas relações que nos faculta manter com eles, a Doutrina Espírita oferece a su-
prema consolação por ocasião de uma das mais legítimas dores. Com o Espiritismo, não
há solidão, nem abandono: o homem, por muito isolado que esteja, tem sempre perto de
si amigos com quem pode comunicar-se.


A RETER

1 – A perda dos entes queridos é uma legítima causa de dor e representa uma prova ou
expiação. Todavia, temos, por vezes, a consolação de podermos comunicar com eles
através de médiuns, enquanto não dispusermos de meios mais directos e acessíveis
aos nossos sentidos.
2 – Os espíritos são sensíveis à lembrança e à saudade dos que lhes foram caros na Ter-
ra. As dores inconsoláveis pela sua ausência atingem-nos penosamente, pois deno-
tam falta de fé no futuro e de confiança em Deus.
3 – Normalmente, o espírito é mais feliz no plano espiritual do que na Terra e lamentar
que ele tenha deixado a vida corpórea é deplorar que seja feliz.


10.1.3 DECEPÇÕES, INGRATIDÃO, AFEIÇÕES DESTRU-
ÍDAS

"Para o homem de coração, as decepções oriundas da ingratidão e da fragili-
dade dos laços de amizade são também uma fonte de amargura." Porém, devemos las-
timar os ingratos e os infiéis; serão muito mais infelizes. A ingratidão é filha do egoísmo
e o egoísta encontrará corações insensíveis como o seu.
O bem deve ser praticado sem exigências; a ingratidão é uma prova à nossa per-
severança no exercício do bem. O homem não deve endurecer o seu coração e tornar-se
insensível perante a ingratidão. Ao contrário, deve sentir-se feliz pelo bem que faz.
Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 241 -
É verdade que a ingratidão lhe pode ulcerar o coração. Porém, não deve preferir
a felicidade do egoísta e tornar-se indiferente pela ingratidão que recebe. Deve saber
que os amigos ingratos não são dignos da sua amizade e que se enganou a respeito de-
les. Assim sendo, não lamenta tê-los perdido. Mais tarde achará outros que saberão
compreendê-lo melhor. Os ingratos merecem ser lastimados, pois bem triste se lhes
apresentará o reverso da medalha.
A natureza deu ao homem a necessidade de amar e de ser amado. Um dos maio-
res gozos que lhe é concedido na Terra é o de encontrar corações que simpatizem com o
seu. Dá-lhe, assim, as primícias da felicidade que o aguarda no mundo dos espíritos per-
feitos, onde tudo é amor e benignidade. Desse gozo está excluído o egoísta.


A RETER

1 – Para o homem de coração, as decepções originadas pela ingratidão e pela fragilidade
dos laços de amizade são também uma fonte de amargura. Devemos, porém, lasti-
mar os ingratos porque são infelizes.
2 – O bem deve ser praticado sem exigências; a ingratidão é uma prova à nossa perseve-
rança no exercício do bem. O ingrato será punido na proporção exacta do seu ego-
ísmo.
3 – A natureza deu ao homem a necessidade de amar e ser amado. Encontrar na Terra
corações afins é a primícia da felicidade que o aguarda no mundo dos espíritos.


10.1.4 UNIÕES ANTIPÁTICAS

Como observámos atrás, os es-
píritos simpáticos buscam-se recipro-
camente e procuram unir-se. Todavia,
é muito frequente que entre os encar-
nados na Terra a afeição exista só de
um lado e o mais sincero amor se veja
colhido com indiferença e até com re-
pulsa. E, além disso, encontramos si-
tuações em que a mais viva afeição de
dois seres se transforma em antipatia e
mesmo em ódio.
Estas ocorrências, sob o ponto
de vista da lei moral, constituem uma
punição passageira. Além disso, “…
quantos não são os que acreditam
amar perdidamente porque apenas
julgam pelas aparências e que, obri-
gados a viver com a pessoa amada,
não tardam a reconhecer que só expe-
rimentaram um encantamento materi-
al!”
Não basta que uma pessoa es-
teja enamorada de outra que lhe agrada e em quem supõe belas qualidades. Vivendo re-
almente com ela é que poderá apreciá-la. Assim, muitas uniões, que a princípio parecem
96 - O desentendimento de um casal é causa de
infelicidade
Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 242 -
destinadas a nunca ser simpáticas, acabam por votar-se, reciprocamente, a duradouro e
terno amor, assente no conhecimento recíproco e na estima. Cumpre não esquecer que é
o espírito quem ama e não o corpo, de sorte que, dissipada a ilusão material, o espírito
vê a realidade.
Há duas espécies de afeição: a do corpo e a da alma, acontecendo, com frequên-
cia, tomar-se uma pela outra. Quando pura e simpática, a afeição da alma é duradoura;
efémera é a do corpo. Por isso, muitas vezes, os que julgavam amar-se com eterno amor
passam a odiar-se, desde que a ilusão se desfaz.
A falta de simpatia entre seres destinados a viver juntos constitui igualmente
fonte de amargos dissabores que envenenam toda a existência. Todavia, essa é uma das
infelicidades de que os seres humanos, na maioria das vezes, são a causa principal. Pri-
meiramente, pelo erro das leis. Deus não constrange ninguém a permanecer junto dos
que o desagradam. “Depois, nessas uniões, ordinariamente buscais a satisfação do or-
gulho e da ambição, mais do que a ventura de uma afeição mútua. Sofreis então as con-
sequências dos vossos prejuízos.”
Nesse caso, há quase sempre uma vítima inocente, que sofre uma dura expiação.
Mas, a responsabilidade da sua desgraça recairá sobre os que a tiverem causado. Se a
luz da verdade já lhe penetrou a alma, haurirá consolação na sua fé no futuro. Todavia, à
medida que os preconceitos se enfraquecerem, as causas dessas desgraças íntimas tam-
bém desaparecerão.


A RETER

1 – Os espíritos simpáticos buscam-se reciprocamente e procuram unir-se. Todavia, é
muito frequente entre os encarnados na Terra existir a afeição só de um lado.
2 – Estas ocorrências, à luz das leis morais, constituem uma punição passageira. Além
disso, muitos acreditam amar e depois reconhecem que experimentaram apenas um
encantamento.
3 – Há duas espécies de afeição: a do corpo e a da alma. Com frequência as pessoas en-
ganam-se e tomam uma pela outra.
4 – A afeição da alma, quando pura e sincera, é duradoura; a do corpo é efémera. Daí
que, muitas vezes, os que julgam amar-se passem a odiar-se, passada a ilusão.
5 – A falta de simpatia entre seres destinados a viverem juntos constitui fonte de amar-
gos dissabores, que envenenam toda a existência. Essa é uma das infelicidades de
que os seres humanos, quase sempre, são a causa principal. Deus não constrange
ninguém a permanecer junto dos que o desagradam.


10.1.5 TEMOR DA MORTE

“Para muitas pessoas, o temor da morte é uma causa de perplexidade." Porém,
falta-lhes fundamento para semelhante temor. Isto provém da infância, quando procu-
ram persuadi-las de que há um inferno e um paraíso e que mais certo é irem para o in-
ferno, visto que também lhes disseram que o que está na natureza constitui pecado mor-
tal para a alma! Sucede então que, tornadas adultas, essas pessoas, se têm algum juízo,
não podem admitir tal coisa e fazem-se ateias ou materialistas. São, assim, levadas a
crer que, além da vida presente, nada mais há.
Quem tem fé tem a certeza do futuro. Quem tem esperança conta com uma vida
melhor. Quem tem caridade sabe que não tem de temer o mundo para onde vai.
Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 243 -
O homem carnal, mais preso à vida corpórea do que à vida espiritual, tem na
Terra penas e gozos materiais. A sua alma, constantemente preocupada e angustiada pe-
las vicissitudes da vida, conserva-se numa ansiedade e numa tortura aparentemente per-
pétuas. A morte assusta-o, porque duvida do futuro e porque tem de deixar no mundo
todas as suas afeições e esperanças.
O homem moral, que se colocou acima das necessidades fictícias criadas pelas
paixões, experimenta já neste mundo gozos que o homem material desconhece. A mo-
deração dos seus desejos dá-lhe calma e serenidade. Ditoso pelo bem que faz, não há
para ele decepções; as contrariedades deslizam-lhe no íntimo, sem deixarem nenhuma
impressão dolorosa.


A RETER

1 – “Para muitas pessoas, o temor da morte é uma causa de perplexidade”. Isto provém
da herança cultural ancestral, baseada em falsos conceitos.
2 – Ao justo, nenhum temor inspira a morte, porque, com fé, ele tem a certeza do futuro.
Ao homem material a morte assusta-o, porque tem dúvidas sobre o futuro.
3 – O homem moral coloca-se acima das necessidades artificiais da matéria e experi-
menta gozos que o homem material desconhece.


10.1.6 DESGOSTO DA VIDA – Suicídio

O desgosto da vida que, sem motivos plausíveis, se apodera de certos indiví-
duos, nasce da ociosidade, da falta de fé e, também, da saciedade.
Para aquele que usa as suas faculdades com fim útil e de acordo com as suas ap-
tidões naturais, o trabalho nada tem de árduo e a vida escoa-se mais rapidamente. Ele
suporta as vicissitudes com tanta mais paciência e resignação, quanto obra com o fito da
felicidade mais sólida e mais durável que o espera.
O homem não tem o direito de dispor da sua vida; só a Deus assiste esse direito.
O suicídio voluntário é uma transgressão à lei.
O suicídio nem sempre é voluntário. “O louco que se mata não sabe o que faz.”
O suicídio que decorre do desgosto da vida é uma insensatez. O trabalho torna a
existência menos pesada.
Há quem se suicide para fugir às misérias e às decepções deste mundo. São po-
bres espíritos que não têm a coragem de suportar as misérias da existência! Deus ajuda
os que sofrem. “As tribulações da vida são provas ou expiações. Felizes os que as su-
portam sem se queixar, porque serão recompensados! Ai, porém, daqueles que esperam
a salvação do que, na sua impiedade, chamam acaso ou fortuna! O acaso ou a fortuna,
para me servir da linguagem deles, podem, com efeito, favorecê-los por um momento,
mas para lhes fazer sentir mais tarde, cruelmente, a vacuidade dessas palavras.”
Os que conduziram o infeliz do desesperado até ao suicídio sofrerão as conse-
quências de tal proceder. “Ai deles! Responderão por um assassínio.”
Pode ser considerado suicida aquele que, a braços com a maior penúria, se deixa
morrer de fome. Mas, os causadores, ou que teriam podido impedi-lo, são mais culpados
do que ele, a quem a indulgência espera. Mas, se lhe faltaram a firmeza e perseverança e
se não usou de toda a sua inteligência para sair do atoleiro, ai dele, sobretudo se o seu
desespero nasce do orgulho. Há pessoas que preferem morrer de fome a sacrificar o que
chamam de posição social e se envergonhariam de dever a existência ao trabalho das
suas mãos. “Haverá mil vezes mais grandeza e dignidade em lutar contra a adversida-
Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 244 -
de, em afrontar a crítica de um mundo fútil e egoísta que só tem boa vontade para com
aqueles a quem nada falta.”
O suicida que procura escapar à vergonha de uma acção má é tão culpado como
aquele que tem por causa o desespero. Isto porque o suicídio não apaga a falta. Ao con-
trário, em vez de uma, haverá duas. Quando se teve a coragem de praticar o mal, é pre-
ciso tê-la também para sofrer as consequências.
Comete outra lou-
cura aquele que se mata,
na esperança de chegar
mais depressa a uma vida
melhor, pois, agindo as-
sim, retarda a sua entrada
num mundo melhor e terá
que pedir para voltar, para
concluir a vida a que pôs
termo sob a influência de
uma ideia falsa. Uma falta,
seja qual for, jamais abre a
alguém o santuário dos
eleitos.
O sacrifício da vi-
da, quando aquele que o
faz visa salvar a de ou-
trem, ou ser útil aos seus
semelhantes, constitui uma
atitude sublime, conforme
a intenção, e, em tal caso,
o sacrifício da vida não constitui suicídio. Mas, Deus opõe-se a todo o sacrifício inútil e
não o pode ver de bom grado se tem o orgulho a manchá-lo. Só o desinteresse torna me-
ritório o sacrifício e, não raro, quem o faz guarda um pensamento oculto que lhe dimi-
nui o valor aos olhos de Deus.
O homem que perece vítima de paixões que sabia que lhe apressariam o fim,
mas que já não podia resistir, por se terem tornado verdadeiras necessidades físicas,
comete um suicídio moral. Nesse caso é duplamente culpado. Há nele falta de coragem
e bestialidade, acrescidas do esquecimento de Deus.
É sempre culpado aquele que não aguarda o termo que Deus lhe atribuiu à exis-
tência. É erro, portanto, alguém que vê diante de si um fim inevitável e horrível, querer
abreviar de alguns instantes os seus sofrimentos e apressar voluntariamente a sua morte.
E quem poderá estar certo de que, mau grado as aparências, esse termo tenha chegado;
de que um socorro inesperado não venha no último momento?
Mesmo no caso em que a morte é inevitável e em que a vida só é encurtada al-
guns instantes, é sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Criador.
A consequência de tal acto será uma expiação proporcional, como sempre, à gravidade
da falta, de acordo com as circunstâncias.
Para aqueles que não podem conformar-se com a perda de pessoas que lhes eram
caras e se matam na esperança de juntar-se-lhes, será muito diferente o resultado que
colhem. Em vez de se reunirem ao que era objecto da sua afeição, afastam-se dele por
longo tempo, pois não é possível que Deus recompense um acto de covardia e ainda o
insulto que Lhe fazem por duvidarem da Sua providência. Sofrerão, com isso, aflições
maiores do que as que pensavam abreviar e não terão a satisfação que esperavam.
97 - O suicida sofrerá as consequências desse acto
Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 245 -
Com relação ao estado do espírito, as consequências do suicídio são muito diver-
sas. “Não há penas determinadas e, em todos os casos, correspondem sempre às causas
que o produziram. Há, porém, uma consequência a que o suicida não pode escapar: é o
desapontamento. Mas a sorte não é a mesma para todos; depende das circunstâncias.
Alguns expiam a falta imediatamente, outros em nova existência, que será pior do que
aquela cujo curso interromperam.”
A observação, realmente, mostra que os efeitos do suicídio não são idênticos. Há
alguns, porém, comuns a todos os casos de morte violenta e que são a consequência da
interrupção brusca da vida. Há, primeiro, a persistência mais prolongada e tenaz do laço
que une o espírito ao corpo, por este estar quase sempre na plenitude da sua força no
momento em que é partido, ao passo que, no caso de morte natural, ele enfraquece-se
gradualmente e muitas vezes desfaz-se antes que a vida se extinga completamente. As
consequências deste estado de coisas são o prolongamento da perturbação espiritual, se-
guindo-se a ilusão que, durante mais ou menos tempo, o espírito tem de, ainda, perten-
cer ao número dos vivos.
A afinidade que permanece entre o espírito e o corpo produz, nalguns suicidas,
uma espécie de repercussão do estado do corpo no espírito, que, assim, a seu mau grado,
sente os efeitos da decomposição, com uma sensação cheia de angústias e de horror, es-
tado esse que também pode durar o tempo que devia durar a vida que sofre interrupção.
Não é geral esse efeito; mas, em caso algum, o suicida fica isento das consequências da
sua falta de coragem e, cedo ou tarde, expia, de um modo ou de outro, a culpa em que
incorreu.
A Religião, a Moral, todas as filosofias condenam o suicídio como contrário à
Lei da Dvina. Ao Espiritismo estava reservado demonstrar, pelos exemplos dos que su-
cumbiam, que o suicídio não é uma falta, somente por constituir infracção a uma lei mo-
ral, mas também um acto estúpido, pois nada ganha quem o pratica, pelo contrário, pre-
judica-se.


A RETER

01 – O desgosto da vida que, sem motivos plausíveis, se apodera de certos indivíduos,
nasce da ociosidade, da falta de fé e, também, da saciedade.
02 – O homem não tem o direito de dispor da sua vida; só a Deus assiste esse direito. O
suicídio nem sempre é voluntário. “O louco que se mata não sabe o que faz”.
03 – Os que possam ter conduzido um infeliz ao desesperado acto do suicídio sofrerão
as consequências de tal proceder; responderão como por um assassínio.
04 – É considerado suicida aquele que, a braços com a maior penúria, se deixa morrer de
fome. Porém, os causadores, ou que teriam podido impedi-lo, são mais culpados
do que ele.
05 – O suicida que procura esse meio para escapar à vergonha de uma acção má é tão
culpado como aquele que tem por causa o desespero. Isto porque o suicídio não
apaga a falta; em vez de uma, haverá duas.
06 – Comete outra loucura quem se mata para chegar mais depressa a uma vida melhor,
pois retarda essa chegada e terá que pedir para voltar, para concluir a vida a que
pôs termo sob domínio de uma ideia falsa.
07 – É também culpado perante a Lei Divina aquele que não aguarda o termo da sua
existência. Mesmo no caso de morte inevitável e em que a vida só é encurtada por
alguns instantes. Deus a tudo confere um fim útil.
08 – Aqueles que não se conformam com a perda de pessoas queridas e que se matam na
esperança de juntar-se a elas, o resultado é muito diverso.
Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 246 -
09 – Quanto ao estado do espírito, as consequências do suicídio são muito diversas.
Conforme as circunstâncias, alguns suicidas expiam a falta imediatamente, outros
em nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam.
10 – Os efeitos do suicídio não são idênticos. Há alguns, porém, que são comuns a todos
os casos de morte violenta, consequentes da interrupção brusca da vida. Há, pri-
meiro, a persistência prolongada e tenaz do laço que une o espírito ao corpo, que
prolonga a perturbação espiritual, julgando-se vivo.


10.2 PENAS E GOZOS FUTUROS

10.2.1 O NADA – A vida futura

O homem tem instintiva-
mente horror ao nada, porque o
nada não existe.
O homem possui o senti-
mento instintivo da vida futura.
Antes de encarnar, o espírito co-
nhecia essa realidade e a alma con-
serva vaga lembrança do que sabe e
do que viu no estado espiritual.
Desde sempre o homem se
preocupou com o seu futuro para lá
do túmulo. Qualquer que seja a importância que o ligue à vida presente, não pode deixar
de pensar na sua fugacidade e precariedade. Que será dele após o instante fatal? Questão
grave esta, porque não se trata de alguns anos apenas, mas da eternidade.
A ideia do nada tem qualquer coisa que repugna à razão. O homem, por mais
despreocupado que seja durante a vida, chegado o momento supremo pergunta a si
mesmo o que vai ser dele e, sem querer, guarda esperança.
Crer em Deus, sem admitir a vida futura, seria um contra-senso. O sentimento de
uma existência melhor reside no foro íntimo de todos os homens e não é possível que
Deus o tenha colocado aí em vão.
A vida futura implica a conservação da nossa individualidade após a morte. Com
efeito, que nos importaria sobreviver ao corpo, se a nossa essência moral se perdesse no
oceano do infinito? As consequências, para nós, seriam as mesmas que desaparecer no
nada.


A RETER

1 – O homem tem instintivamente horror ao nada porque o nada não existe.
2 – Possui, igualmente, o sentimento instintivo da vida futura, pois antes de encarnar o
espírito conhecia essa realidade e a alma conserva vaga lembrança disso.
3 – A ideia do nada repugna à razão. O homem, mesmo despreocupado durante a vida,
chegado o momento supremo, pergunta-se o que será dele e tem esperança.
4 – Crer em Deus, sem admitir a vida futura, seria um contra-senso. Com a vida futura
conservamos a nossa individualidade após a morte.
98 - O homem tem horror ao nada, porque não existe
Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 247 -
10.2.2 INTUIÇÃO DAS PENAS E GOZOS FUTUROS

A crença que encontramos em todos os povos na existência de penas e recom-
pensas tem origem na sua realidade espiritual por ser um espírito reencarnado.
Os sentimentos que dominam os homens no momento da morte são: a dúvida,
nos cépticos empedernidos; o terror, nos culpados; a esperança, nos homens de bem.
Uma vez que a alma encarnada tem a intuição da vida espiritual, os cépticos são
em número menor do que se julga. Muitos fazem-se espíritos fortes, durante a vida, so-
mente por orgulho. No momento da morte, porém, deixam de ser tão fanfarrões.
A responsabilidade dos nossos actos é a consequência da realidade da vida futu-
ra. A razão e a justiça dizem-nos que na partilha da felicidade a que todos aspiram não
podem estar confundidos os bons e os maus. Não é possível que Deus queira que uns
gozem, sem trabalho, de bens que outros só alcançam com esforço e perseverança.
A ideia que, mediante a sabedoria das Suas leis, Deus nos transmite da Sua justi-
ça e da Sua bondade não nos permite acreditar que o justo e o mau sejam iguais a Seus
olhos, nem duvidar de que recebam, algum dia, uma recompensa ou um castigo, pelo
bem ou pelo mal que tenham feito. É por isso que o sentimento inato que temos da justi-
ça nos dá a intuição das penas e recompensas futuras.


A RETER

1 – Todos os povos acreditam na existência de penas e recompensas, porque somos es-
píritos imortais.
2 – Os sentimentos que dominam os homens no momento da morte são: a dúvida, nos
cépticos e empedernidos; o temor, nos culpados; a esperança, nos homens de bem.
3 – A responsabilidade dos nossos actos é a consequência da realidade da vida futura. A
razão e a justiça dizem-nos que não é possível que Deus queira que uns gozem,
sem trabalho, de bens que outros só alcançam com esforço e perseverança. O sen-
timento inato que temos da justiça dá-nos a intuição das penas e recompensas.


10.2.3 INTERVENÇÃO DE DEUS NAS PENAS E RECOM-
PENSAS

Será que Deus se ocupa pessoal-
mente com cada homem? Não será Ele
muito grande e nós muito pequeninos para
que cada indivíduo em particular tenha, a
Seus olhos, alguma importância?
Sim, Deus ocupa-se com todos os
seres que criou, por mais pequeninos que
sejam. Para a Sua bondade, nada é destitu-
ído de valor.
Mas será necessário que Deus atente em cada um dos nossos actos, para nos re-
compensar ou punir? Esses actos não serão, na sua maioria, insignificantes para Ele?
Deus tem as suas leis a regerem todas as nossas acções. Indubitavelmente, quan-
do um homem comete um excesso qualquer, Deus não profere contra ele um julgamen-
to, dizendo-lhe, por exemplo: Foste guloso, vou punir-te. Ele traçou um limite; as en-
99 - Deus rege as nossas acções através de leis
Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 248 -
fermidades e, muitas vezes, a morte são a consequência dos excessos. Eis aí a punição; é
o resultado da infracção da lei. E assim é em tudo.
Todas as nossas acções estão submetidas às leis de Deus. Nenhuma há, por mais
insignificante que nos pareça, que não possa ser uma violação daquelas leis. Se sofre-
mos as consequências dessa violação, só nos devemos queixar de nós mesmos que, des-
se modo, nos fazemos os causadores da nossa felicidade, ou da nossa infelicidade futu-
ra.
Deus é previdente e adverte-nos, a cada instante, de que estamos a fazer bem ou
mal. Envia-nos os espíritos para nos inspirarem, porém não os escutamos. E, além disso,
faculta sempre ao homem recursos para, concedendo-lhe novas existências, reparar os
seus erros passados.


A RETER

1 – Deus ocupa-se com todos os seres que criou, por mais pequeninos que sejam. Nada,
para a Sua bondade, é destituído de valor.
2 – Deus tem as Suas leis a regerem todas as nossas acções. Se as violamos, sofremos as
consequências.
3 – Deus traçou um limite; as enfermidades e, muitas vezes, a morte são a consequência
dos excessos. Eis aí a punição: é o resultado da infracção da lei.
4 – Deus ainda nos previne e nos adverte sempre, através da inspiração dos bons espíri-
tos, e ainda faculta ao homem recursos para reparar os seus erros, concedendo-lhe
novas existências.


10.2.4 NATUREZA DAS PENAS E GOZOS FUTUROS

As penas e gozos da alma após a morte não podem ser materiais, pois a alma não
é matéria. As penas e gozos nada têm de carnal; entretanto, são mil vezes mais vivos do
que os que experimentamos na Terra, porque o espírito, uma vez liberto, é mais impres-
sionável, uma vez que a matéria já não lhe reduz as sensações.
O homem faz uma ideia grosseira e absurda das penas e gozos da vida futura.
Falta-lhe desenvolvimento suficiente da inteligência. A criança não compreende as coi-
sas como o adulto. Isso depende também do que se lhe ensinou, nem sempre da melhor
forma.
A felicidade dos bons espíritos consiste em conhecerem as coisas; em não senti-
rem ódio, nem ciúme, nem inveja, nem ambição, nem qualquer das paixões que ocasio-
nam a desgraça dos homens. O amor que os une é para eles fonte de suprema felicidade.
Não experimentam as necessidades, nem os sofrimentos, nem as angústias da vida mate-
rial. São felizes pelo bem que fazem. Contudo, a felicidade dos espíritos é proporcional
à elevação de cada um. Somente os puros espíritos gozam, é certo, da felicidade supre-
ma, mas nem todos os outros são infelizes. Entre os imperfeitos e os perfeitos há uma in-
finidade de graus em que os gozos são relativos ao estado moral.
Os sofrimentos dos espíritos inferiores são tão variados como as causas que os
determinam e proporcionais ao grau de inferioridade, como os gozos são ao de superio-
ridade. Podem resumir-se assim:
1. Invejarem o que lhes falta para serem felizes e não o obterem;
Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 249 -
2. Verem a felicidade e não a poderem al-
cançar;
3.Pesar, ciúme, raiva, desespero, motivados
pelo que os impede de serem ditosos;
4. Remorsos, ansiedade moral indefinível.
Desejam todos os gozos e não os
podem satisfazer; eis o que os tortura.
A influência que os espíritos exer-
cem uns sobre os outros depende das suas
qualidades. Os bons exercem-na boa; os
imperfeitos procuram desviar da senda do
bem os que lhe são influenciáveis. Assim, a
morte não nos livra da tentação.
As paixões não existem material-
mente, mas existem no pensamento dos es-
píritos atrasados. Os ignorantes dão pasto a
esses pensamentos, conduzindo as suas ví-
timas aos lugares onde se lhes ofereça o es-
pectáculo daquelas paixões e de tudo o que
as possa excitar.
É nisso, precisamente, que consiste
o suplício, pois essas paixões já não têm
objecto real. Assim, “… o avarento vê o
ouro que lhe não é dado possuir; o devas-
so, orgias em que não pode tomar parte; o
orgulhoso, honras que lhe causam inveja e que não pode gozar.”
Quanto aos maiores sofrimentos a que os espíritos imperfeitos se vêem sujeitos,
não há descrição possível da dor moral que constitui a punição de certos crimes. Mesmo
o que a sofre tem dificuldade em dar dela uma ideia. Indubitavelmente, porém, a mais
horrível consiste em pensarem que estão condenados sem remissão.
Os espíritos inferiores compreendem a felicidade do justo, e isso é para eles um
suplício porque compreendem que estão privados dela por sua culpa. É por isso que o
espírito, liberto da matéria, aspira a nova vida corporal, pois cada existência, se for bem
empregue, abrevia um tanto a duração desse suplício. É então que procede à recolha das
provas por meio das quais possa expiar as suas faltas. Porque o espírito sofre por todo o
mal que praticou, ou de que foi causa voluntária, por todo o bem que tinha podido fazer
e não fez e por todo o mal que decorra de não ter feito o bem.
“Os espíritos entre os quais há recíproca simpatia para o bem encontram na
sua união um dos maiores gozos, uma fonte de felicidade, visto que não receiam vê-la
turvada pelo egoísmo. Formam, no mundo inteiramente espiritual, famílias pela identi-
dade de sentimentos. Na afeição pura e sincera a que se votam reciprocamente, têm um
manancial de felicidade, porquanto lá não há falsos amigos, nem hipócritas.”
A crença no Espiritismo ajuda o homem a melhorar-se, firmando-lhe as ideias
sobre certos pontos do futuro. Apressa o adiantamento dos indivíduos e das massas,
porque faculta informação sobre o que seremos um dia. É um ponto de apoio, uma luz
que nos guia. O Espiritismo ensina o homem a suportar as provas com paciência e re-
signação, afasta-o dos actos que possam retardar-lhe a felicidade, mas ninguém diz que
sem ele não possa ser conseguida.
Só o bem assegura a sorte futura. O bem é sempre o bem, qualquer que seja o
caminho que a ele conduza.

100 - As penas e os gozos futuros não são
materiais
Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 250 -
A RETER

1 – As penas e gozos da alma após a morte não são materiais, pois a alma não é matéria.
São mil vezes mais vivos do que os que experimentamos na Terra. O espírito tem
percepções muito maiores, pois a matéria já não lhe reduz as sensações.
2 – A ideia grosseira e absurda que o homem faz das penas e gozos da vida futura pro-
vém da falta de suficiente desenvolvimento da inteligência e do que lhe foi ensina-
do.
3 – A felicidade dos bons espíritos consiste em conhecerem todas as coisas; em não te-
rem sentimentos negativos. Não experimentam as necessidades, nem os sofrimentos
da vida material.
4 – A felicidade dos espíritos é proporcional à elevação de cada um. Entre os imperfei-
tos e os perfeitos há uma infinidade de graus.
5 – Os sofrimentos dos espíritos inferiores são tão variados como as causas que os de-
terminaram e proporcionais ao grau de inferioridade. Podem resumir-se assim: inve-
jarem o que lhes falta para serem felizes e não o obterem; verem a felicidade e não a
poderem alcançar; pesar, ciúme, raiva, desespero, motivados pelo que os impede de
ser ditosos; remorsos, ansiedade moral indefinível.


10.2.5 PENAS TEMPORAIS

“Não experimenta sofrimentos materi-
ais o espírito que expia as suas faltas
em nova existência? Será então exacto
dizer-se que, depois da morte, só há
para a alma sofrimentos morais?
– É bem verdade que quando a
alma está reencarnada, as tribulações
da vida são um sofrimento, mas só o
corpo sofre materialmente.”
Falando de alguém que morreu,
costumamos dizer que deixou de so-
frer. Nem sempre isto exprime a reali-
dade. Como espírito, está isento de
dores físicas; porém, dependendo das
faltas que tenha cometido, pode estar
sujeito a dores morais mais agudas. O
mau rico terá que pedir esmola e ver-
se-á a braços com todas as privações
oriundas da miséria; o orgulhoso, com
todas as humilhações; o que abusa de
sua autoridade e trata com desprezo e dureza os seus subordinados ver-se-á forçado a
obedecer a um superior mais ríspido do que ele foi. Todas as penas e tribulações da vida
são expiação das faltas de outra existência, quando não são a consequência das da vida
actual.
A reencarnação da alma num mundo menos grosseiro é a consequência da sua
depuração, porque, à medida que se vão depurando, os espíritos passam a encarnar em
mundos cada vez mais perfeitos, até que se tenham despojado totalmente da matéria e
lavado de todas as impurezas.
101 - Todos os nossos sofrimentos são sempre
temporais
Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 251 -
Nos mundos onde a existência é menos material do que neste, as necessidades
são menos grosseiras e menos agudos os sofrimentos físicos. Lá, os homens desconhe-
cem as paixões más, que, nos mundos inferiores, os fazem inimigos uns dos outros.
Desconhecem os aborrecimentos que nascem da inveja, do orgulho e do egoísmo, cau-
sas do tormento da nossa existência terrestre.


A RETER
1 – A alma, quando reencarnada, sofre com as tribulações da vida; porém, só o corpo so-
fre materialmente.
2 – Quando alguém morre não significa que deixou de sofrer. Como espírito, as dores
morais são mais agudas.
3 – Todas as penas e tribulações da vida são expiação das faltas de outra existência, ou
da vida actual.
4 – À medida que se vão depurando, os espíritos encarnam em mundos cada vez mais
perfeitos, até que se tenham despojado totalmente da matéria. Nos mundos onde a
existência é menos material do que neste, as necessidades são menos grosseiras e
menos agudos os sofrimentos físicos.


10.2.6 EXPIAÇÃO E ARREPENDIMENTO

O arrependimento dá-se no estado espiritual, mas também pode ocorrer no esta-
do corporal, quando a pessoa compreende bem a diferença entre o bem e o mal.
Como consequência do arrependimento no estado espiritual, o arrependido dese-
ja uma nova encarnação para se purificar. O espírito compreende as imperfeições que o
privam de ser feliz e, por isso, aspira a uma nova existência em que possa expiar as suas
faltas.
O arrependimento no estado corporal faz com que, já na vida actual, o espírito
progrida, se reparar as suas faltas. Quando a consciência o exprobra e lhe mostra uma
imperfeição, o homem pode sempre melhorar-se.
Há homens que só têm o instinto do mal e são inacessíveis ao arrependimento.
Porém, todo o espírito tem que progredir incessantemente. Aquele que, nesta vida, só
tem o instinto do mal, terá noutra o do bem e é para isso que renasce muitas vezes, pois
é preciso que todos progridam e atinjam a meta. A diferença é que uns gastam mais
tempo do que outros, porque assim o querem. Aquele que só tem o instinto do bem já se
purificou, visto que talvez tenha tido o do mal em anterior existência.
O homem perverso que não reconheceu as suas faltas durante a vida, reconhece-
as sempre depois da morte e, então, mais sofre, porque sente em si todo o mal que prati-
cou, ou de que foi voluntariamente a causa. Contudo, nem sempre o arrependimento é
imediato. Há espíritos que se obstinam em permanecer no mau caminho, não obstante
os sofrimentos por que passam. Porém, cedo ou tarde, reconhecerão errada a senda que
tomaram e o arrependimento virá. Os bons espíritos trabalham para esclarecê-los. Tam-
bém os encarnados poderão ajudá-los através dos trabalhos de desobsessão, da prece e
do esclarecimento espiritual.
Não se deve perder de vista que o espírito não se transforma subitamente, após a
morte do corpo. Se viveu vida condenável, é porque era imperfeito. Ora, a morte não o
torna imediatamente perfeito. Pode, pois, persistir nos seus erros, nas suas falsas opini-
Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 252 -
ões, nos seus preconceitos, até que se tenha esclarecido pelo estudo, pela reflexão e pelo
sofrimento.
A expiação cumpre-se durante a existência corporal, mediante as provas a que o
espírito se acha submetido e, na vida espiritual, pelos sofrimentos morais, inerentes ao
estado de inferioridade do espírito.
O arrependimento durante a vida concorre para a melhoria do espírito, mas isto
não é suficiente para anular as suas faltas; ele tem que expiar o seu passado.
Podemos já desde esta vida ir resgatando as nossas faltas, reparando-as. Porém,
não creiamos que bastam para isso algumas privações pueris ou a simples distribuição
em esmolas do que possuímos, depois da morte, quando de nada mais precisaremos.
“Deus não dá valor a um arrependimento estéril, sempre fácil e que apenas custa o es-
forço de bater no peito. A perda de um dedo mínimo, quando se esteja prestando um
serviço, apaga mais faltas do que o suplício da carne suportado durante anos, com ob-
jectivo exclusivamente pessoal.”
Só por meio do bem se repara o mal. A reparação nenhum mérito apresenta, se
não atinge o homem nem no seu orgulho, nem nos seus interesses materiais.
De que serve, para sua justificação, que restitua, depois de morrer, os bens mal
adquiridos, quando se lhe tornaram inúteis e deles tirou todo o proveito?
De que lhe serve privar-se de alguns gozos fúteis, de algumas coisas supérfluas,
se permanece integral o dano que causou a outrem?
De que lhe serve, finalmente, humilhar-se diante de Deus, se, perante os homens,
conserva o seu orgulho?


A RETER

1 – O arrependimento dá-se no estado espiritual e no estado corporal.
2 – Se ocorre no estado espiritual, o arrependido deseja uma nova encarnação.
3 – O arrependimento no estado corporal faz com que o espírito progrida.
4 – Todos os homens progridem e atingem a meta. Uns gastam mais tempo do que ou-
tros, porque assim o querem.
5 – O homem que não reconheceu as suas faltas durante a vida, reconhece-as sempre
depois da morte e sofre, porque sente em si todo o mal que praticou.
6 – O espírito não se transforma subitamente, após a morte do corpo. É um processo len-
to com base na reflexão e no sofrimento.
7 – A expiação cumpre-se na existência corporal, mediante as provas a que o espírito se
acha submetido e, na vida espiritual, pelos sofrimentos morais.


10.2.7 DURAÇÃO DAS PENAS FUTURAS

A duração dos sofrimentos do culpado, na vida futura, não é arbitrária, pois
Deus nunca obra caprichosamente e tudo no Universo se rege por leis, em que a Sua sa-
bedoria e a Sua bondade se revelam.
Assim, a duração dos sofrimentos do culpado baseia-se no tempo necessário pa-
ra que se melhore. Sendo o estado de sofrimento ou de felicidade proporcional ao grau
de purificação do espírito, a duração e a natureza dos seus sofrimentos dependem do
tempo que ele gaste em melhorar-se. À medida que progride, e os sentimentos se depu-
ram, os seus sofrimentos diminuem e mudam de natureza.
Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 253 -
Para o espírito sofredor, o tempo afigura-se mais longo do que quando estava
encarnado. Só para os espíritos que já chegaram a certo grau de purificação, o tempo,
por assim dizer, se apaga diante do infinito.
Os sofrimentos do espírito
não poderão ser eternos, pois ele
não poderá ser eternamente igno-
rante e jamais se arrepender. Deus
não criou seres tendo por destino
permanecerem votados perpetua-
mente ao mal. Apenas os criou a
todos simples e ignorantes, tendo
todos, no entanto, que progredir
em tempo mais ou menos longo,
conforme decorrer da vontade de
cada um.
A vontade pode ser mais
ou menos tardia, porém, cedo ou
tarde, ela aparece, por efeito da ir-
resistível necessidade que o espí-
rito sente de sair da inferioridade
e de se tornar feliz. Eminentemen-
te sábia e magnânima é, pois, a lei
que rege a duração das penas,
porque subordina essa duração
aos esforços do espírito. J amais o
priva do seu livre-arbítrio: se faz
mau uso dele, sofre as consequên-
cias.
Desse modo, as penas ja-
mais poderão ser eternas, coisa
que o bom senso e a razão repe-
lem, pois uma condenação perpé-
tua, motivada por alguns momen-
tos de erro, seria a negação da
bondade de Deus.
Os antigos, na ignorância
em que se achavam, consideravam o Senhor do Universo um deus terrível, cioso e vin-
gativo; atribuíam-Lhe as paixões dos homens. Todavia, esse não é o Deus dos cristãos
que considera o amor, a caridade, a misericórdia e o perdão como virtudes principais.
Poderia, pois, Deus carecer dessas qualidades, cuja posse prescreve, como dever, às su-
as criaturas? Não haverá contradição em lhe atribuir a bondade infinita e a vingança
também infinita? Dizemos que, acima de tudo, Ele é justo e que o homem não Lhe
compreende a justiça. Porém, a justiça não exclui a bondade e não seria bom se conde-
nasse a eternas e horríveis penas a maioria das Suas criaturas. Aliás, em fazer com que a
duração das penas dependa dos esforços do culpado, está toda a sublimidade da justiça
unida à bondade. É aí que se encontra a verdade desta sentença: “A cada um segundo as
suas obras.”
A ideia da eternidade das penas deve, pois, ser combatida, por ser blasfémia à
justiça e à bondade de Deus, germe fecundo da incredulidade, do materialismo e da in-
diferença que invadiu as massas, desde que as inteligências começaram a desenvolver-
se.
102 - A duração dos sofrimentos depende do tempo
necessário para que se melhore
Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 254 -
A RETER

1 – A duração dos sofrimentos na vida futura, não é arbitrária, pois tudo no Universo se
rege por leis, em que a sabedoria e a bondade de Deus se revelam.
2 – Baseia-se no tempo necessário para que melhore. À medida que progride e os senti-
mentos se depuram, os seus sofrimentos diminuem e mudam de natureza.
3 – Para o espírito sofredor, o tempo afigura-se mais longo do que quando estava encar-
nado. Para os espíritos superiores, o tempo, por assim dizer, se apaga diante do in-
finito.
4 – Os sofrimentos do espírito não são eternos. Todos devem progredir em tempo mais
ou menos longo, conforme a vontade de cada um.
5 – A lei sábia e magnânima subordina a duração das penas aos esforços do espírito.
J amais o priva do seu livre-arbítrio: se deste faz mau uso, sofre as consequências.
6 – A ideia da eternidade das penas é blasfémia à justiça à bondade da Deus, germe fe-
cundo da incredulidade, do materialismo e da indiferença que invadiu as criaturas
humanas e, por isso, deve ser combatida.


10.2.8 PARAÍSO, INFERNO E PURGATÓRIO

As penas e os gozos são inerentes ao grau de perfeição dos espíritos. Cada um ti-
ra de si mesmo o princípio da sua felicidade ou da sua desgraça. E como estão por toda
a parte, nenhum lugar circunscrito ou fechado existe especialmente destinado a uma ou
outra coisa. Quanto aos encarnados, esses são mais ou menos felizes ou desgraçados
conforme é mais ou menos adiantado o mundo onde habitam.
O inferno e o paraíso, assim, nada mais são do que simples alegorias. Por toda a
parte há espíritos ditosos e desditosos. Entretanto, os espíritos de uma mesma ordem re-
únem-se por simpatia; mas podem reunir-se onde queiram, quando são perfeitos.
A localização absoluta das regiões das penas e das recompensas só existe na
imaginação do homem. Provém da sua tendência a materializar e circunscrever as coi-
sas, cuja essência infinita não lhe é possível compreender.
Por purgatório deve entender-se as dores físicas e morais: o tempo de expiação.
O que o homem chama purgatório é igualmente uma alegoria, devendo-se entender co-
mo tal, não um lugar determinado, porém, o estado dos espíritos imperfeitos, que se
acham em expiação até alcançarem a purificação completa, que os levará à categoria
dos espíritos bem-aventurados. Operando-se essa purificação por meio das diversas en-
carnações, o purgatório consiste nas provas da vida corporal.
A palavra céu deve ser entendida no sentido de espaço universal; são os plane-
tas, as estrelas e todos os mundos superiores, onde os espíritos usam plenamente as suas
faculdades, sem as tribulações da vida material, nem as angústias peculiares à inferiori-
dade.
De acordo com a ideia restrita que se fazia outrora dos lugares das penas e das
recompensas e, sobretudo, de acordo com a opinião de que a Terra era o centro do Uni-
verso, de que o firmamento formava uma abóbada e que havia uma região das estrelas,
o céu era situado no alto e o inferno em baixo. Daí as expressões: subir ao céu, estar no
mais alto dos céus, ser precipitado no inferno. Hoje, que a Ciência demonstrou ser a
Terra, apenas, entre tantos milhões de outros, um dos menores mundos, sem importân-
cia especial; que provou ser infinito o espaço, não haver alto nem baixo no Universo,
teve que se renunciar a situar o céu acima das nuvens e o inferno nos lugares inferiores.
Quanto ao purgatório, nenhum lugar lhe fora designado. Estava reservado ao Espiritis-
Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 255 -
mo dar de tudo isso a explicação mais racional, mais grandiosa e, ao mesmo tempo,
mais consoladora para a humanidade. Pode-se, assim, dizer que trazemos em nós mes-
mos o nosso inferno e o nosso paraíso. O purgatório, achamo-lo na encarnação, nas vi-
das corporais ou físicas.
A última questão de “O Livro dos Espíritos”, de cuja resposta extraímos apenas
as partes que nos interessam de momento, é a seguinte: "Poderá, um dia, implantar-se
na Terra o reinado do bem?
O bem reinará na Terra quando, entre os espíritos que a vêm habitar, os bons
predominarem, porque, então, farão com que aí reinem o amor e a justiça, fonte do bem
e da felicidade. Por meio do progresso moral e praticando as leis de Deus é que o ho-
mem atrairá para a Terra os bons espíritos e dela afastará os maus. Estes, porém, não
a deixarão, senão quando daí estejam banidos o orgulho e o egoísmo.”
Foi predita a transformação da humanidade e está próximo o momento em que
se dará, momento cuja chegada é apressada por todos os homens que auxiliam o pro-
gresso. Essa transformação verificar-se-á por meio da encarnação de espíritos melhores,
que constituirão na Terra uma geração nova. Então, os espíritos inferiores, que a morte
vai ceifando dia a dia e todos os que tentem deter a marcha das coisas serão daí excluí-
dos, pois estariam deslocados entre os homens de bem, cuja felicidade perturbariam.
Irão para mundos novos, menos adiantados, desempenhar missões penosas, trabalhando
pelo seu próprio adiantamento, ajudando, ao mesmo tempo, os seus irmãos ainda mais
atrasados. Com isto, poderemos perceber as alegorias do paraíso perdido, quando o
homem veio para a Terra em condições análogas, e do pecado original, ao trazer em si o
germe das suas paixões e os vestígios da sua inferioridade. Essa figura do pecado origi-
nal prende-se, assim, à natureza ainda imperfeita do homem, que é responsável por si
mesmo, pelas suas próprias faltas, e não pelas dos seus pais.


103 - O inferno é uma alegoria
Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 256 -
A RETER

1 – As penas e gozos dependem do grau de perfeição dos espíritos.
2 – O inferno e o paraíso são simples alegorias.
3 – Os espíritos de uma mesma ordem podem reunir-se por simpatia, mas podem fazê-lo
onde queiram, quando são perfeitos.
4 – Entende-se por purgatório as dores físicas e morais; o tempo de expiação. É também
uma alegoria; significa o estado dos espíritos imperfeitos que se acham em expiação
até atingirem alguma purificação, através das diversas reencarnações.
5 – A palavra céu tem o sentido de espaço universal; são os planetas, as estrelas e todos
os mundos superiores, onde os espíritos usam plenamente as suas faculdades, sem
as tribulações da vida material, nem as angústias próprias da inferioridade.
6 – Segundo os espíritos superiores, o bem reinará na Terra quando os espíritos bons ne-
la encarnados predominarem.
.



























BIBLIOGRAFIA

Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, 4.ª Parte, Caps. I e II, 33.ª Edição, 1974, Federação Espí-
rita Brasileira.
Curso Básico de Espiritismo Esperanças e Consolações
- 257 -
MINIGRUPOS (apoio bibliográfico)

Leia com atenção o apoio bibliográfico e faça um resumo para cada tema:


MINIGRUPO 1: PENAS E GOZOS TERRENOS

1 – Felicidade e infelicidade relativas
Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, 4.ª Parte, Cap. I, Questões 920 a 933.

2 – Perda dos entes queridos
Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, 4.ª Parte, Cap. I, Questões 934 a 936.

Um elemento do grupo funcionará como secretário para posteriormente apresentar as conclusões.

MINIGRUPO 2: PENAS E GOZOS TERRENOS

1 – Temor da morte
Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, 4.ª Parte, Cap. I, Questões 941 e 942.

2 – Desgosta da vida. Suicídio
Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, 4.ª Parte, Cap. I, Questões 943 a 957 e nota
complementar.

Um elemento do grupo funcionará como secretário para posteriormente apresentar as conclusões.

MINIGRUPO 3: PENAS E GOZOS FUTUROS

1 – O nada. Vida futura. Intervenção de Deus nas penas e recompensas
Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, 4.ª Parte, Cap. II, Questões 958 e 964.

2 – Natureza das penas e gozos futuros
Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, 4.ª Parte, Cap. II, Questões 965 e 982.

Um elemento do grupo funcionará como secretário para posteriormente apresentar as conclusões

MINIGRUPO 4: PENAS E GOZOS FUTUROS

1 – Expiação e arrependimento
Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, 4.ª Parte, Cap. II, Questões 990 e 1009 – Santo
Agostinho.

2 – Paraíso, inferno e purgatório
Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, 4.ª Parte, Cap. II, Questões 1011 e 1018.

Um elemento do grupo funcionará como secretário para posteriormente apresentar as conclusões
Curso Básico de Espiritismo Minigrupos

- 258 -
MINIGRUPOS

Depois de ter estudado este capítulo, responda, por escrito, às seguintes
questões:










MINIGRUPO 1: PENAS E GOZOS TERRENOS

1 – A felicidade completa é possível na Terra? Porquê?
2 – Qual a causa da infelicidade terrena?
3 – Qual é a medida do supérfluo e do necessário?
4 – A perda de entes queridos pode ser considerada também uma prova ou expiação?
5 – Quais as consequências do suicídio?






MINIGRUPO 2: PENAS E GOZOS TERRENOS

1 – Comente: “Na maioria das vezes o homem é o artífice da sua própria infelicidade.”
2 – Explique as consequências das nossas dores, sobre os familiares desencarnados.
3 – Que tipo de prova é a ingratidão?
4 – Que tipos de afeição existem?
5 – Qual a causa do temor da morte?






MINIGRUPO 3: PENAS E GOZOS FUTUROS

1 – O nada existe? J ustifique.
2 – Será que Deus se ocupa pessoalmente com cada homem?
3 – De que espécie são as penas e os gozos da alma?
4 – Depois da morte o homem deixa de sofrer?
5 – O que são o inferno e o paraíso para o Espiritismo?
Curso Básico de Espiritismo Minigrupos

- 259 -

MINIGRUPO 4: PENAS E GOZOS FUTUROS

1 – Como explica que o homem tenha intuição das penas e dos gozos futuros?
2 – Como intervém Deus nas penas e recompensas?
3 – Em que consiste a felicidade dos bons espíritos?
4 – Quais os sofrimentos a que os espíritos inferiores se vêm sujeitos?
5 – A morte acaba com os nossos problemas: obsessões, paixões, etc.?






MINIGRUPO 5: PENAS E GOZOS FUTUROS

1 – Quando se dá o arrependimento?
2 – Como se cumpre a expiação do espírito?
3 – Como se repara o mal praticado?
4 – De que depende a duração do sofrimento?
5 – Poderá, um dia, implantar-se na Terra o reinado do bem?

Curso Básico de Espiritismo Teste

- 260 -
TESTE

NOME: _________________________________ DATA: ___ /___ /___



1 – MARQUE A ALTERNATIVA CORRECTA COM UM “X”.

1.1 – O homem na Terra pode gozar de uma felicidade:
( ) a – Material, se possuir muito dinheiro;
( ) b – Completa, se se resignar às provas e expiações;
( ) c – Incompleta, pois é um planeta de provas e expiações;
( ) d – Moral, se a pedir a Deus com fé.

1.2 – A medida comum de felicidade relativa para o homem terreno compreende a:
( ) a – Realização afectiva, saúde perfeita e muita inteligência;
( ) b – Posse da riqueza, saúde perfeita e beleza física;
( ) c – Saúde, amor e dinheiro;
( ) d – Posse do necessário à vida material, a consciência pura e a fé no futuro.

1.3 – Na Terra há mais sofredores do que pessoas felizes porque:
( ) a – Os sofredores exteriorizam mais o sofrimento;
( ) b – A Terra é um planeta de expiação;
( ) c – A Medicina está pouco evoluída;
( ) d – A Terra é um planeta evoluído.

1.4 – O homem repudia instintivamente a ideia do nada porque:
( ) a – Sabe que o nada não existe e tem o sentimento instintivo da vida futura;
( ) b – Não sabe defini-lo correctamente;
( ) c – Há poucas filosofias que sustentam a ideia do nada;
( ) d – A ideia do nada não repugna a razão.

1.5 – A duração das penas futuras não é arbitrária porque:
( ) a – Deus criou os seres simples e ignorantes, tendo que progredir de acordo com a
Sua vontade;
( ) b – Deus criou os seres simples e ignorantes, tendo, porém, que progredir em mais
ou menos tempo, de acordo com a vontade de cada um;
( ) c – Deus cria os espíritos incessantemente;
( ) d – Há seres muito maus que jamais se arrependerão.

1.6 – O homem terá uma ordem social fundada na justiça e na solidariedade, quando:
( ) a – Unificar todas as religiões;
( ) b – Praticar todas as leis humanas;
( ) c – Praticar a lei de Deus;
( ) d – Organizar todos os sistemas existentes.

2 – ASSINALE COM “V”, SE VERDADEIRO, OU “F”, SE FALSO.
Curso Básico de Espiritismo Teste

- 261 -
( ) a – A perda dos entes queridos constitui para os encarnados uma prova ou expiação;
lamentá-la denota falta de fé no futuro e em Deus.
( ) b – A ingratidão é uma prova à nossa perseverança no exercício do bem.
( ) c – Os espíritos antipáticos procuram unir-se entre si, pois como se sabe “os opostos
atraem-se”.
( ) d – Ao justo, a morte não inspira temor.
( ) e – O desgosto da vida nasce da ociosidade, falta de fé, saciedade.
( ) f – O homem tem o direito de dispor da sua vida; só ao próprio lhe assiste esse direi-
to.
( ) g – Quando um homem comete um excesso, Deus profere contra ele um julgamento.
( ) h – As penas e os gozos do espírito, após a morte, são menos sentidos do que os ex-
perimentados quando encarnados.
( ) i – Todas as penas a suportar são expiação das faltas de outras existências e/ou da
vida actual.
( ) j – O arrependimento surge sempre no estado espiritual; a expiação só se cumpre no
estado corporal.

3 – NUMERE A 2.ª COLUNA, DE ACORDO COM A 1.ª.

( ) da inveja do que lhes falta para serem
felizes.
(1) A felicidade dos bons espíritos deriva: ( ) do desejo de todos os gozos sem pode-
rem satisfazê-los.
( ) de serem felizes pelo bem que fazem.
( ) de não experimentarem necessidades
materiais.
(2) O sofrimento dos maus espíritos deriva: ( ) de serem felizes pelo amor que os une.
( ) do seu pesar, ciúme, raiva, desespero.


Curso Básico de Espiritismo Bibliografia Geral
- 262 -
BIBLIOGRAFIA GERAL

Allan Kardec:
“O Livro dos Espíritos”, 44.ª Edição, Federação Espírita Brasileira;
“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, 77.ª Edição, Federação Espírita Brasileira;
”O Céu e o Inferno”, 23.ª Edição (Popular), Federação Espírita Brasileira;
“A Génese”, 19.ª Edição (Popular), Federação Espírita Brasileira;
“O Livro dos Médiuns”, 30.ª Edição, 1972, Federação Espírita Brasileira;
“O Que é o Espiritismo”, 14.ª Edição, Federação Espírita Brasileira;
“Obras Póstumas”, 13.ª Edição, 1973, Federação Espírita Brasileira;
“Revista Espírita 1868”.

André Luiz, “Evolução em Dois Mundos”, psicografia de Francisco Cândido Xavier,
3.ª Edição, Federação Espírita Brasileira.

André Moreil, “Vida e Obra de Allan Kardec”, 1.ª Edição, tradução de Miguel Maillet,
Edicel – S. P.

Arthur Conan Doyle, “História do Espiritismo”, Editora Pensamento, São Paulo, tradu-
ção de J úlio Abreu Filho, 1978.

Camille Flammarion:
“Deus e a Natureza”, Introdução, Federação Espírita Brasileira;
“A Pluralidade dos Mundos Habitados”, Edição B. L. Garnier, 1878.

Carlos Imbassahy, “A Missão de Allan Kardec”, Edição da Federação Espírita do Para-
ná, 1957.

Deolindo Amorim:
“O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas”, 3.ª Edição, Livraria Ghignone Editora;
“Africanismo e Espiritismo”, 1.ª Edição, 1947, Gráfica Mundo Espírita.

Emmanuel: psicografia de Francisco Cândido Xavier
“A Caminho da Luz”, 4.ª Edição, Federação Espírita Brasileira;
“Emmanuel”, 7.ª Edição, Federação Espírita Brasileira;
“O Consolador”, 4.ª Edição, Federação Espírita Brasileira.

“Enciclopédia do Estudante”, Volume 2, Editora Abril Cultural.

Gabriel Delanne:
“A Reencarnação”, Federação Espírita Brasileira;
“A Evolução Anímica”, 4.ª Edição, Federação Espírita Brasileira.

Isaac Asimov, “O Universo”, 3.ª edição, Edições Bloch.
J oachin Herman, “Astronomia; O Universo é Limitado”, Editora Círculo do Livro S/A.

Curso Básico de Espiritismo Bibliografia Geral
- 263 -
J oão Ferreira Almeida, “A Bíblia Sagrada”, (tradução), Génesis de Moisés, 31.ª Im-
pressão, Imprensa Bíblica Brasileira, 1975.

J osé Soares Cardozo, “Onde Está Deus?”, 1976, São Paulo, Editora Tempos Novos
Ltda.

Léon Denis:
“Depois da Morte”, 8.ª Edição, Federação Espírita Brasileira;
“O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, 11.ª Edição, Federação Espírita Brasileira;
“O Além e a Sobrevivência do Ser”, 3.ª Edição, Federação Espírita Brasileira.

Leslie D. Weatherhead, “The Case For Reencarnation”, Londres, 1958.

Louis Pauwels e J acques Bergier, “O Homem Eterno”, Edição Difusão, Europeia do
Livro, São Paulo.

Mário Cavalcanti Melo e Carlos Imbassahy, “Reencarnação e suas Provas”, 1.ª Edi-
ção, Federação Espírita do Paraná.

Mínimus, “Noções de Filosofia Espírita”, 2.ª Edição, Federação Espírita Brasileira.

Pedro Franco Barbosa, “Espiritismo Básico”, 1.ª Edição, 1976, Centro Brasileiro de
Homeopatia, Espiritismo e Obras Sociais – CBHEOS.

Zêus Wantuil, “As Mesas Girantes e o Espiritismo”, 1.ª Edição, Federação Espírita
Brasileira.

Zêus Wantuil e Francisco Thiesen, “Allan Kardec”, Vol. II, 1980, Federação Espírita
Brasileira.

Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 264 -
GLOSSÁRIO

Abalo, (de abalar). Acção ou efeito de abalar. Tremor de terra. Alvoroço, surpresa.
Abnegar, (do latim abnegare). Renunciar aos próprios interesses. Abster-se, recusar,
sacrificar-se.
Abóboda Celeste, (do latim volvita).o céu, dada a forma com que se apresenta sobre as
nossas cabeças.
Abstracção, (do latim abstractione).Espécie de operação mental em que o espírito con-
sidera que por natureza são inseparáveis. Estado da pessoa que se encontra em profunda
meditação, alheamento.
Acaso, (do latim a casu). Caso fortuito. Imprevisível ou incerto. Casualidade. À sorte,
sem premeditação.
Accionado, (do latim actionare). Pôr em movimento, pôr em acção. Movimentar o cor-
po.
Acendrar, (do latim cinerare). Purificar; acrisolar; apurar.
Acervo, (do latim acervu). Acumulação, pilha, conjunto. Dir. Conjunto dos bens que
constituem a massa hereditária.
Acompanhamento; cortejo; comitiva; procissão. Amizade, simpatia, popularidade.
Adâmico, (do latim adam, adão). Respeitante a Adão, próprio de Adão; primitivo.
Adepto, (do latim adeptus). Aquele que adere a uma seita, doutrina, opinião, movimen-
to, grupo, etc.; admirador.
Adoração, (do latim adoratione). Acto de adorar; culto a Deus; respeito; submissão.
Uma das dez leis morais.
Advertência, (de advertir). Aviso, conselho, reflexão, ponderação.
Advertir, (do latim advertere). Repreender levemente, fixar atenção, observar, reparar,
informar acerca de alguma coisa, aconselhar, prevenir.
Aferir, (do latim afferere, por afferre). Avaliar ou julgar comparando.
Aferrolhar, (de ferrolho). Encarcerar, acorrentar. Guardar ciosamente.
Aforismo, ( do grego aphorismós). Proposição que, de forma concisa, enuncia um prin-
cípio ou regra prática de comportamento; máxima.
Agiota, (de ágio). Aquele que empresta dinheiro a juros excessivos.
Agnosticismo, (do grego a,+gnostikós, relativo ao conhecimento). Doutrina que decla-
ra impossível, inacessível ao entendimento humano toda a noção de absoluto, reduzindo
a ciência ao conhecimento do fenomenal e relativo.
Albor, (do latim albore). Alvor. Início; começo.
Alegoria, (do grego allegoría). Figura de estilística, envolvendo uma comparação entre
objectos ou acções; metáfora; imagem; ficção de um objecto apresentado ao espírito de
maneira que dê a ideia de outro.
Além, (do latim vulg. Alid+ende, en<inde; ou do lat. Illinc, aí). Lugar distante; hori-
zonte; confins; o outro mundo.
Alma, (do latim anima). Parte espiritual do ser humano. Princípio da vida e do pensa-
mento. O mesmo que espírito, mas na condição de encarnado.
Alquebrar, (do cast. Aliquebrar). Curvar pela espinha dorsal, por causas variadas (can-
saço, velhice, doença). Fazer perder o vigor; debilitar. Enfraquecer, abater; tornar-se
fraco (em sentido físico e moral).
Ambição, (do latim ambitione). Desejo de glória ou riqueza; ânsia; grande desejo; cobi-
ça; aspiração; desejo de poder; cupidez; apetite.
Amenizar, (de ameno). Tornar ameno, suave, aprazível. Abrandar, encantar.
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 265 -
Amor, (do latim amore). Conjunto de fenómenos afectivos que nos impelem para o
alvo dos nossos desejos; sentimento que nos impele para o objecto dos nossos desejos;
paixão; afecto. Afeição; amizade. Caridade; benevolência.
Amorfo, (do grego ámorphos). Que não tem forma determinada.
Análogo, (do latim analogu). Que mostra semelhança entre coisas ou factos diferentes.
Anarquia, (do grego na+arché). Falta de chefe ou governo. Desordem, caos resultante
dessa falta.
Ancianidade, (de ancião). Antiguidade.
Anímico, (do latim anima). Que se refere à alma ou a ela pertence; psíquico; psicológi-
co.
Anjo, (do latim angelu<grego ággelos). Criatura de natureza puramente espiritual que
se supõe habitar o céu e que tem funções de mensageiro entre Deus e o homem. ~-da-
guarda, espírito protector encarregue de velar individualmente por cada um dos encar-
nados.
Antigo Testamento, Livros sagrados anteriores a Cristo.
Antropologia, ( do grego ánthropos+lógos). Antrop. Estudo do homem considerado
zoologicamente, isto é, como animal. Filos. Tratado da economia moral do homem.
Antropomorfismo, (do grego ánthropos, homem+moryhé, forma). Doutrina que atribui
a Deus a forma humana. Modo de conceber a Divindade ou divindades como homens,
na acção, na forma e sentimentos, e somente com poderes superiores. Tendência para
considerar nas coisas da natureza qualidades humanas.
Anuir, (do latim annuere). Dar o consentimento a; aprovar; concordar.
Apoplexia, (do grego apoplexía). Estado patológico tipificado pela perda inesperada
dos sentidos e do movimento.
Aportar, (de porto). Chegar ao porto; tomar porto.
Apóstolo, (do grego apóstolos). Nome dado a cada um dos doze discípulos de Cristo.;
propagador abnegado e convicto de uma ideia; missionário; evangelizador.
Aprazar, (de prazo). Marcar ou determinar prazo para se fazer alguma coisa. Concor-
dar, ajustar antes para se fazer depois. Combinar lugar como ponto de encontro.
Aprimorar, (de primor). Aperfeiçoar, embelezar; alindar; esforçar-se para atingir a
perfeição.
Aptidão, (do latim aptitudine). Habilidade, capacidade, disposição natural para alguma
coisa. Talento; vocação.
Arcanjo, (do latim archangelu). Teol. Anjo de ordem superior.
Ardoroso, (de ardor). Cheio de ardor; entusiasta; fervoroso; fogoso.
Artífice, (do latim artifice). Aquele que exerce uma arte mecânica. Operário. Inventor;
criador. Especialista.
Arvorar, (do italiano arborare). Erguer; pôr ao alto. Elevar a um cargo. Içar. Levantar
a prumo.
Ascensão, (do latim ascencione). Subida; elevação; ascendimento.
Astrofísica, (de astro + física). A parte da Astronomia que estuda a constituição física e
química dos astros, baseando-se na técnica fotográfica, fotometria, espectroscopia, elec-
trónica, uso do telescópio, electrónico e, recentemente, utilizando a astronomia dos fo-
guetões e satélites artificiais.
Astronómico, (de astronomia). Relativo à Astronomia ou a ela pertencente. Diz-se dos
números ou quantidades muito grandes, representados por muitos algarismos.
Ateísmo, (do grego a, não+theós, deus). Doutrina dos que negam a existência de Deus;
descrença.
Atentar, (do latim attentare). Observar com atento. Reparar, dar fé, notar. Ponderar.
Cometer atentado.
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 266 -
Ateu, (do grego átheos>do latim atheu ou atheo). Indivíduo que nega a existência de
Deus ou que não segue religião alguma.
Atolar, (do latim tullu). Afundar no lodo.
Atoleiro, (de atolar). Terreno lamacento, pântano, lamaçal. Situação crítica.
Atracção, (do latim attractione). Força solicitadora dos corpos uns para os outros.
Atraso, (de atrasar). Acto ou efeito de atrasar ou atrasar-se; Demora; falta de adianta-
mento; retardamento; decadência; falta de cultura; de civilização.
Atributo, (do latim attributu). O que é próprio ou particular a um ser. Qualidade. Con-
dição.
Audacioso, ( de audácia). Que tem audácia. Ousado; decidido; atrevido; insolente.
Auréola, (do latim aureola). Círculo luminoso, geralmente dourado, que na iconografia
cristã rodeia a cabeça dos santos; glória; prestígio.
Aurora boreal, (do latim aurora). Fenómeno luminoso, de luz mais clara que a do
maior luar, que frequentemente se produz nas regiões polares.
Avarento, (de avaro). Que ou aquele que tem avareza. Forreta; somítico; sovina; pão-
duro; mão-de-finado.
Avareza, (de avaro). Apego excessivo ao dinheiro, ás riquezas. Ambição ; avidez;
mesquinhez; sovinice.
Aviltar, (do latim vilitare, de vile). Tornar vil, abjecto desprezível. Desonrar, humilhar,
rebaixar.
Axioma, (do latim axioma). Premissa evidente por si mesma, que não necessita de de-
monstração.
Azáfama, (do árabe Az-zahma). Pressa; balbúrdia.
Banir, (do latim bannire). Expulsar, excluir, afastar, abolir, degredar.
Barbaria, (de bárbaro). Falta de civilização; crueldade; selvajaria; vandalismo; grosse-
ria;
Barbárie, (do latim barbarie). Estado ou condição de bárbaro; crueldade; rusticidade;
selvajaria.
Bem, (do latim bene). De modo agradável e conveniente. Tudo o que se conforma com
as regras e princípios morais; o que é bom. ~aventurado, Feliz; ditoso.
Benevolência, (do latim benevolentia). Boa vontade para com alguém; estima e afecto.
Benevolência, (do latim benevolentia). Qualidade do que é benevolente. Boa vontade
para com alguém; estima e afecto.
Benignidade, (do latim benignitate), Pocedimento benévolo; clemência; bondade.
Bestial, (do latim bestiale). Próprio de besta; brutal; estúpido; grosseiro; repugnante.
Bestialidade, (de bestial). Qualidade do que é bestial.
Bíblia, (do latim biblia, do grego tà bibliá). Conjunto dos livros sagrados composto
pelo Antigo e Novo Testamento; Obra digna de respeito e adoração; O livro que forma a
base de uma religião ou teoria.
Blasfémia, (do latim blasphemia). Termo ou expressão ofensiva da divindade ou da
religião. Praga, dito insultuoso contra coisa ou pessoa respeitável.
Bom, (do latim bonu). Adequado à sua natureza ou função; de boa qualidade; bondoso;
agradável; útil; perfeito; completo; sadio; nobre; próprio.
Bondade, (do latim bonitate). Qualidade do que ou de quem é bom; que tem boa índole;
brandura; benevolência.
Bramanismo, (do brâmane). Corrente filosófica que considera que o Universo também
obedece a uma lei moral, e defende a transmigração e o amor por tudo o que vive.
Budismo, (de Buda). Doutrina filosófica e religiosa criada por Buda, que se baseia fun-
damentalmente num esforço ingente para se subtrair (o crente) à vontade de viver, fonte
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 267 -
de todos os males, e, consequentemente, escapar ao ciclo das mortes e reencarnações
sucessivas.
Budista, (de Buda). Que respeita ou pertencente ao budismo.
Cabedal, (do latim capitale). Caudal ou caudaloso. Fig. Recurso; riqueza. Coiro pró-
prio para manufacturar calçado, sola. Dinheiro. Capital.
Caducidade, (de caduco). Qualidade ou estado de caduco; velhice prematura; decadên-
cia.
Caduco, (do latim caducu). Que cai ou que está prestes a cair de velho ou fraco; senil.
Carácter, (do latim caracter). Psic. Aquilo que é próprio de cada indivíduo e o distin-
gue dos outros; génio; feitio; índole. P. Ext. Força de alma; firmeza moral; coerência.
Cárcere, (do latim carcere). Lugar reservado a prisão; cadeia.
Caridade, (do latim caritate). Uma das três virtudes teologais, que consiste em amar a
Deus por Si e ao próximo por amor de Deus. Acto de beneficência em que o benfeitor
não tem qualquer retribuição e em que o beneficiário se encontra desprovido de todo o
direito; bondade.
Casta, (de casto). Grupo de indivíduos que, possuindo alguns caracteres comuns parti-
culares, por eles se distingue de outros da mesma espécie. Classe de cidadãos que usu-
frui de privilégios especiais. Qualidade; natureza; género. Grupo social que, por dife-
renças de riqueza, posição social, preconceitos religiosos, se separa distintamente de
outros.
Castigo, (de castigar). Acção ou efeito de castigar; sofrimento corporal ou espiritual
infligido a um culpado; pena; punição.
Categorias, (do latim categoria<grego kategoria). Classe; grupo; série; ordem. Posição
social importante. Hierarquia. Filos. Cada uma das classes em que se dividem as ideias
ou termos.
Categórico, (do grego kategorikós> latim categoricu). Referente a categoria. Claro;
explícito; positivo; formal.
Causa, (do latim causa). Aquilo ou aquele que determina a existência de uma coisa, um
acontecimento. Motivo; razão. Origem.
Censurável, (de censurar). Repreensível; condenável.
Cepticismo, (de céptico). Doutrina que interdita (em grau diverso), a possibilidade de o
homem atingir a certeza e preconiza a suspensão do juízo, afirmativo ou negativo, em
todos ou em determinados domínios. Propensão à dúvida. Estado de quem duvida de
tudo. Descrença.
Cercania, (do cast. Cercania). Arredores; vizinhança; proximidade.
Cercear, (do latim circinare).Restringir; tornar menor; diminuir.
Céu, (do latim coelu). Lugar de morada de Deus e dos justos e bem-aventurados. Paraí-
so.
Ciência, (do latim scientia). Conhecimento certo e racional sobre a natureza das coisas
ou sobre as suas condições de existência. Investigação metódica das leis dos fenómenos.
Ciúme, (de cio). Inquietação mental causada por suspeita de rivalidade no amor ou nou-
tra aspiração; emulação; inveja.
Classe, (do latim classe). Ordem segundo a qual se dividem, distribuem ou arrumam
seres ou coisas. Conjunto de qualidades naturais que contribuem para o valor dos resul-
tados alcançados por alguém.
Classificação, (do francês classification). Acto, acção ou efeito de classificar, ou de
distribuir em classes
Clemência, (do latim clementia). Virtude que modera o rigor da justiça; bondade; dis-
posição para perdoar; compaixão; mesiricórdia.
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 268 -
Cobiça, (do latim copiditia). Desejo veemente de conseguir alguma coisa. Ambição;
ganância; avidez; cupidez.
Codificação Espírita, Conjunto formado pelos cinco livros que formam a base da Dou-
trina Espírita: O Livro dos Espíritos, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Livro dos
Médiuns, O Céu e o Inferno e A Génese.
Codificador, (de codificar). Aquele que codifica. Autor de um código.
Código, (do latim codex). Compilação de leis. Colecção ordenada de preceitos, normas,
e regras sobre qualquer matéria.
Coercivo, (do latim coercere). Capaz de exercer coerção; que reprime; que impõe pena.
Coibir, (do latim cohibere). Impedir a continuação de, fazer parar; reprimir; conter;
privar-se.
Complacência, (do latim complacentia). Benevolência; condescendência; benignidade.
Comprazer, (do latim complacere). Tornar-se agradável; fazer a vontade a; condescen-
der; transigir; sentir prazer; deleitar-se; regozijar-se.
Compreender, (do latim comprehendere). Perceber; entender. Conhecer as intenções
de. Conter em si; abranger; incluir.
Comunicação, (do latim communicatione). Acção ou efeito de comunicar. Participação;
aviso; informação. Convivência; trato.
Concepção, (do latim conceptione), Percepção; compreensão; conceito; faculdade de
entender.
Condenar, (do latim condemnare). Declarar culpado; castigar; rejeitar; censurar; forçar;
obrigar; reprovar.
Condensar, (do latim condensare). Efeito de tornar mais denso, espesso ou grosseiro.
Condescendência, (de condescender). Acto de condescender; qualidade de quem é
condescendente; complacência; transigência.
Condescendente, (do latim condescendente). Que condescende ou transige.
Condescender, (do latim condescendere). Ceder espontaneamente; anuir ao desejo ou
pedido de alguém; transigir.
Conduta, (do latim conducta). Acto ou efeito de conduzir-se. Procedimento moral
(bom ou mau).
Conformidade, (do latim conformitate). Qualidade do que é conforme, ou de quem se
conforma.
Consequência, (do latim consequentia). O que é produzido por; o que é efeito de; o que
é sequência de.
Conservação, (do latim conservatione). Acção ou efeito de conservar, fazer durar.
Consolador, (do latim consolatore). Que, ou o que consola, alivia, suaviza.
Contemporâneo, (do latim contemporaneu). Que é da mesma época; que é d tempo
actual.
Contextura, (de contexto). Disposição das partes de um todo.
Convalescença, (do latim convalescentia). Retorno progressivo ao estado de saúde;
período de transição entre o estado de doença, que deixou de existir, e o regresso à per-
feita recuperação das forças e da saúde.
Coroar, (do latim coronare). Elevar à dignidade real; premiar; recompensar, dando
coroa ou outro prémio.
Cósmico, (do grego kosmikós). Pertencente ou relativo ao Cosmo ou ao Universo.
Cosmogonia, (do grego kósmo+gonia). Teoria que visa explicar a formação do Univer-
so.
Cosmogónico, (de cosmogonia). Relativo ou pertencente à cosmogonia.
Cosmonáutica, (de cosmos+náutica). A ciência que estuda a navegação e exploração
do cosmo.
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 269 -
Cosmos, (do grego kósmos). O Universo.
Crença, (do latim medieval credentia). Acto ou efeito de crer.
Criação, (do latim criatione). Acto ou efeito de criar. Conjunto de seres criados. Ori-
gem.
Criatura, (do latim creatura). Todo o ser criado. Homem, por imposição de Deus.
Crisol, (do castelhano crisuelo). Aquilo que serve para por à prova os sentimentos de
alguém.
Cristianismo, (do latim christianismu). Corrente monoteísta que tem como princípio
Cristo.
Crueldade, (do latim crudelitate). Qualidade do que é cruel. Acto cruel. Barbaridade.
Desumanidade.
Culpado, (do latim culpatu). Que praticou a falta ou o crime; aquele que tem culpa;
delinquente; criminoso; responsável.
Culto, (do latim cultu). Homenagem prestada à divindade; liturgia.
Cunho, (do latim cuneu). Marca; impressão; característica.
Cupidez, (do latim cupidu). Cobiça; ambição; avidez.
de uma coisa ou acontecimento. Agente. Motivo, razão. Origem.
Debilitar, (do latim debilitare). Tornar fraco; tornar débil. Tirar as forças a. Abater.
Decomposição, (de decompor). Acção ou efeito de decompor; dissociação. Redução a
elementos simples. Análise. Modificação profunda; alteração. Putrefacção; corrupção.
Decrepidez, (de decrépito). Estado de quem ou daquilo que é decrépito; caducidade;
decrepitude; decadência; velhice.
Decrépito, (do latim decrepitu).Muito velho; muito gasto; fraco; arruinado.
Decrepitude, (de decrépito). Decrepidez.
Dedução, (do latim deductione). Conclusão, ilação. Acção de deduzir. Consequência
lógica extraída de um princípio. Da causa chegar ao efeito.
Deformidade, (do latim deformitate). Configuração desagradável; irregularidade de
forma. Vício; depravação.
Degenerar, (do latim degenerare). Perder, em grau maior ou menor, as qualidades ori-
ginais (raças, indivíduos, plantas, etc.). Adulterar-se; depravar-se; corromper-se.
Degredo, (de degredar). Pena de exílio ou desterro imposta aos autores de certo tipo de
crimes. Local onde se cumpre essa pena. Desterro ; exílio; afastamento; banimento.
Demónio, (do latim daemoniu < grego daimónion). Anjo caído em desgraça que procu-
ra perder a humanidade, na crença de certas religiões; Satanás; Diabo; Belzebu; espírito
maligno.
Deplorar, (do latim deplorare). Lamentar. Lastimar. Sentir pena de
Depuração, (de depurar). Acto ou efeito de depurar; limpeza; clarificação.
Derrocar, (de de + roca). Deitar a baixo; demolir; arrasar; Fig. Humilar; abater.
Desarrazoado, (de des + arrazoado). Que não tem razão ou fundamento. Desproposi-
tado. Descabido.
Desconformidade, (de des + conformidade) Falta de conformidade; discordância; de-
sarmonia; oposição; divergência; desproporção; desigualdade.
Descrédito, (de des + crédito). Perda de crédito; má fama; desonra; desautorização.
Desdenhar, (do latim disdignare). Mostar ou ter desdém por; não se dignar; descuidar;
desprezar.
Desditoso, (de des+ditoso). Desventurado; que tem desdita; infeliz.
Desdobramento, (de desdobrar). Acto de desdobrar. Faculdade anímica que permite a
pessoa, estando o corpo físico num determinado local, deslocar-se ou ser levada a outro
local, espiritualmente podendo ser ou não vista pelos encarnados presentes nesse mes-
mo local.
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 270 -
Desencarnado, (de des + do latim incarnatu) Que desencarnou. Que deixou a carne.
Espírito sem corpo físico. Morrer.
Deserdar, (de des+herdar). Excluir da herança. Privar do direito à sucessão. Fig. Des-
favorecer; desamparar. Afastar; pôr ao largo.
Desígnio, (do latim designiu). Plano; projecto. Propósito; vontade. Destino.
Desmandar, (de des+mandar). Contra-ordenar. Tirar o mando ou autoridade a.
Desmaterializado, (de desmaterializar). Desprovido de forma material. Imaterial.
Desobediência, (de des+obediência).falta de obediência; infracção; transgressão.
Despojar-se, (do latim despoliare). Largar de si. Despir-se. Renunciar aos bens.
Desproporção, (de des+proporção). Falta de proporção; desconformidade; desigualda-
de.
Destino, (de destinar). Fim para que tende uma acção ou um estado. Sorte. Futuro. Fa-
talidade.
Destituir, (do latim destituere). Privar de emprego, autoridade ou dignidade. Demitir.
Depor.
Destruição, (do latim destructione). Acto ou efeito de destruir. Exterminação. Ruína.
Aniquilação.
Desvairado, (de desvairar). Que perdeu o juízo. Alucinado. Desnorteado.
Detrimento, (do latim detrimentu). Dano; prejuízo; quebra.
Deus, (do latim deus). Inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. Divin-
dade.
Diabo, (do grego diábolos). Espírito ou génio do mal. Demónio. Satanás.
Diabrete, (de diabro, por diabo). Diabo pequeno.
Dignidade, (da latim dignitate). Qualidade moral que infunde respeito. Respeitabilida-
de. Elevação de sentimentos. Seriedade. Nobreza.
Dimensional, (do latim dimensione). Que pertence a uma dimensão ou medida.
Discípulo, (do latim discipulu). Aquele que recebe ensino de alguém; o que segue as
ideias ou doutrinas de outrem; apóstolo.
Disseminar, (do latim disseminare). Semear; espalhar; difundir; vulgarizar.
Dissipar, (do latim dissipare). Espalhar; dispersar; desvanecer; desfazer.
Distinto, (do latim distinctu). Que difere ou é diverso de algo ou de alguém; inconfun-
dível. Perceptível. Notável. Que obteve distinção. Que é educado e de fino trato.
Ditoso, (doe dita). Que tem sorte; venturoso; fértil; próspero.
Diuturno, (do latim diuturnu). Que dura ou vive muito tempo. Vivaz. Que é de duração
indefinida.
Divindade, (do latim divinatate). Qualidade do que é divino. Natureza divina. Deus ou
deusa.
Divino, (do latim divinu). Relativo a Deus, a uma divindade.
Divisa, (do latim divisa). Fronteira; limite; palavra ou frase que significa o lema de um
país partido, associação, etc. Pensamento ou sentença breve, expressa numa figura sim-
bólica que serve de distinto, se usa nos brasões, no traje, nas armas, nas bandeiras e in-
dividualiza a casa ou a família que o usa.
Dogma, (do latim dogma<do grego dógma). Princípio aceite como verdadeiro ou justo
sem discussão ou exame crítico. Proposição apresentada como incontestável ou indiscu-
tível, sem qualquer tipo de comprovação.
Dogmatismo, (do latim dogmatismu). Doutrina ou sistema dos que aceitam o dogma.
Atitude dos que apresentam as suas doutrinas como verdades insofismáveis.
Domesticar, (do latim domesticu). Tornar doméstico; dominar; amansar.
Doutrina, (do latim doctrina). Conjunto dos princípios ou dogmas em que assenta e se
articula um sistema religioso, político ou filosófico. Disciplina.
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 271 -
Druida, (do latim druida). Antigo sacerdote da Gália e da Bretanha. Sábio de modos
solenes.
Duende, (do castelhano duende). Entidade ou espírito sobrenatural que se imaginava
fazer travessuras, de noite, dentro das casas.
Eclodir, (do francês éclore). Gal. Aparecer; surgir; rebentar. Desabrochar; nascer;
emergir.
Efeito, (do latim effectu). Resultado de uma causa ou de um acto provocado por um
agente qualquer. Consequência. Realização. Aplicação. Dano; prejuízo.
Efémero, (do grego ephémeros). Que só dura um dia. De curta duração; passageiro;
transitório.
Egocentrismo, (do grego egó+kéntron). Estado de espírito do egocêntrico. Tendência
para referir tudo a si mesmo, fazendo do eu o centro do Universo.
Egoísmo, (do grego egó). Qualidade de egoísta. Sentimento ou maneira de ser das pes-
soas que só se preocupam com o interesse próprio, com o que lhes diz respeito; amor
exclusivo a si próprio.
Eléctrico, (do grego élektron). Relativo à electricidade. Designativo dos fenómenos em
que intervêm as partículas elementares que compõem a matéria, em especial os elec-
trões.
Elemento, (do latim elementu). O que é simples. Cada objecto, cada coisa que concorre
com outras para a formação de um todo. Matéria-prima. Princípios fundamentais.
Elevação, (do latim elevatione). Acto ou efeito de elevar ou de levantar. Acção de ele-
var-se ou erguer-se. Grandeza.
Emanar, (do latim emanare). Exalar dos corpos. Desagregar-se ou disseminar-se por
desagregação. Provir. Sair de. Brotar.
Emancipação, (do latim emancipatione). Acto ou efeito de se emancipar. Libertação do
espírito em relação ao corpo, quando ainda encarnado.
Embusteiro, (de embuste). Que usa de embuste. Que ou aquele que lisonjeia, que adula
para enganar. Intrujão, impostor.
Empedernir, (por empedernir, de pedra). Tornar ou ficar duro como pedra. Endurecer.
Empirismo, (do grego empeiria). Doutrina filosófica, segundo a qual todo o conheci-
mento humano deriva, directa ou indirectamente, da experiência.
Encarnação, (do latim incarnatione). Existência material do espírito. Espaço de tempo
que o espírito passa mergulhado num corpo material. Acto ou efeito de encarnar. Fig.
Manifestação exterior e visível.
Encarnado, (do latim encarnatu). Que encarnou. Espírito mergulhado na carne. Espíri-
to com corpo físico.
Endosmose, (do grego éndon + osmós). Fís. Corrente de difusão que se estabelece de
fora para dentro, entre dois líquidos ou gases de densidades diferentes, separados por
uma membrana ou placa porosa.
Enfermidade, (do latim enfirmitate).doença; moléstia; vício; mania.
Enfermo, (do latim infirmu). Que ou aquele que está atacado de enfermidade; doente;
indisposto; débil.
Engendrar, (do latim ingenerare). Imaginar; planear; inventar; produzir.
Ensejo, (do latim exagium). Ocasião azada, oportuna. Lance.
Entrever, (de entre+ver). Ver indistintamente; ver mal; prever confusamente.
Entrosar, (de entrosa). Encadear; endentar. Fig. Ordenar; dispor bem coisas complica-
das.
Envoltório, (de envolto). O mesmo que invólucro. Capa; faixa; embrulho.
Equidade, (do latim aequitat > francês équité). J ustiça natural. Rectidão; igualdade;
imparcialidade.
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 272 -
Erigir, (do latim erigere). Erguer a prumo; alçar; levantar. Fig. Fundar; criar; instituir.
Erróneo, (do latim erroneu). Que contém erro. Errado; falso.
Escala, (do latim scala). Registo que indica a ordem de evolução para cada indivíduo.
Escravidão, (de escravo). Estado ou condição de escravo; servidão; cativeiro; Fig. Sa-
crifício da liberdade pessoal; sujeição.
Escravo, (do latim mediev. Sclavu). Que, ou o que está sob poder absoluto de um se-
nhor; que, ou o que está na total dependência de outro; servo; criado.
Espaço, (do latim spatiu). Extensão em que se move o Universo; extensão tridimensio-
nal ilimitada ou infinitamente grande, que contém todos os seres e coisas de todos os
eventos.
Espírita, (do francês spirite). Relativo ao Espiritismo. Pessoa que cultiva o Espiritismo.
Espiritismo, (do francês spiritisme ou inglês spiritism). Sistema doutrinal que pretende
pôr em comunicação os homens com os Espíritos do outro mundo. Ciência que estude a
origem, natureza e destino dos Espíritos, bem como das suas relações com o mundo
material. Doutrina fundada sobre a crença na existência dos Espíritos e das suas mani-
festações.
Espiritista, O mesmo que Espírita. Não foi consagrada pelo uso. Prevaleceu a palavra
Espírita.
Espírito, (do latim spiritu). Princípio inteligente do Universo. Alma. Princípio do pen-
samento e da actividade reflectida do homem. Razão; juízo; inteligência.
Espiritual, (do latim spirituale). Relativo ao Espírito ou ao mundo espiritual.
Espiritualismo, Doutrina que defende a essência espiritual e a imortalidade da alma,
bem como a existência de Deus.
Espiritualista, (de espiritual). Referente ao espiritualismo. Pessoa que segue o espiritu-
alismo. Quem quer que creia não existir em nós apenas matéria é espiritualista, o que
absolutamente não implica a crença nas manifestações dos Espíritos. Todo o espírita é
necessariamente espiritualista, mas pode-se ser espiritualista sem se ser espírita.
Espirituoso, (do latim spiritu). Que tem espírito.
Espoliar, (do spoliare). Tirar a alguém, por violência ou fraude, a propriedade de algu-
ma coisa. Desapossar.
Estágio, (do latim mediev. Stagiu). Aprendizagem. Situação transitória, de preparação.
Estandarte, ( do proven. estendart). Divisa; norma; partido.
Estelar, (do latim stellare). Das estrelas ou a elas referente; conjunto de estrelas disper-
sas num volume enorme, e que fazem parte da Via Láctea.
Estéril, (do latim sterile). Que não produz. Infecundo. Improdutivo.
Esterilizar, (de estéril). Tornar estéril. Destruir os germes deletérios de. Castrar.
Estímulo, (do latim stimulu). Aquilo que estimula. Incentivo. Brio; dignidade.
Estiolamento, (de estiolar). Definhamento; enfraquecimento.
Estiolar, (do francês étioler). Produzir o estiolamento de. Fig. Atrofiar.
Estudo, (do latim studiu). Aplicação do espírito para aprender uma ciência, uma arte
para entrar na apreciação ou análise de uma matéria ou assunto especial.
Estúrdio, (etim. obscura). Estroina; leviano; estouvado.
Etéreo, (do latim aetheriu). Fig. Puro; sublime; celeste; delicado; elevado.
Eterno,(do latim aeternu). Que não tem princípio nem fim, que dura sempre; Filosofia
e Teologia. Que se situa fora do tempo da alteração ou mudança.
Ética, (do latim ethica; grego ethiké). Filos. Parte da Filosofia que estuda os valores
morais e os princípios que devem nortear o comportamento humano; ciência dos princí-
pios da moral; a moral.
Evangelho, (do latim evangeliu<grego euggélion). Doutrina de J esus Cristo. Cada um
dos quatro primeiros livros que constituem o Novo Testamento. Trecho de um desses
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 273 -
livros que se lê na missa. P.ext. Coisa digna de crédito ou que se tem por absolutamente
certa. Fig. Conjunto de regras por que se regula uma seita.
Evangélico, (do latim evangelicu). Respeitante ou pertencente ao Evangelho. Conforme
os preceitos do Evangelho. Diz-se do culto da Igreja Protestante.
Evidenciar, (de evidência). Tornar evidente; demonstrar; comprovar.
Evocação, (do latim evocatione). Acção ou efeito de evocar; acção de fazer surgir os
demónios, espíritos, sombras, almas; esconjuro; exorcismo.
Evolução, (do latim evolutione > do francês évolution). Acção ou efeito de evoluir.
Série de modificações. Desenvolvimento gradual e progressivo. Biol. Teoria que defen-
de que, através de transformações lentas ou rápidas, as espécies se desenvolveram a
partir de um estádio rudimentar e adquiriram os caracteres que as distinguem.
Excomungar, (do latim excommunicare). Separar da comunhão; expulsar da Igreja Ca-
tólica. Anatematizar. Amaldiçoar. Condenar.
Exiguidade, (do latim exiguitate). Escassez; insignificância; mediocridade; pequenez.
Exílio, (do latim exiliu). Acção ou efeito de exilar. Expatriação; desterro; degredo. Fig.
Isolamento; retiro; solidão.
Eximir, (do latim eximere). Isentar; desobrigar; dispensar; livrar.
Existência, (do latim existentia). Estado do que existe. O facto de existir. Vida. Ser.
Expiação, (do latim expiatione). Acção ou efeito de expiar. Castigo ou sofrimento de
pena, imposto a alguém, como compensação para uma má acção praticada. Penitência.
Correcção.
Expiar, (do latim expiare). Remir (culpas, crimes ou faltas) mediante penitências ou
cumprindo pena; sofrer as consequências de; purificar (lugar santo, templo, etc.)
Exprobrar, (do latim exprobrare). Censurar; repreender. Lançar em rosto.
Êxtase, (do latim extasis). Estado de emancipação da alma, no qual esta se torna quase
independente da matéria.
Extinguir, (do latim exstinguere). Suprimir; abolir; fazer desaparecer; destruir; acabar;
desaparecer; morrer.
Extinto, (do latim exstinctu). Que está apagado. Acabado; abolido; exterminado; supri-
mido. Morto; finado. Pessoa que morreu.
Facto, (do latim factu). Acção; coisa feita. Aquilo que é real; evidente.
Fanático, (do latim fanaticu). Que ou aquele que se julga inspirado por uma divindade
qualquer. Que ou aquele que está cegamente apaixonado por uma ideia, partido, opini-
ão, pessoa.
Fatal, (do latim fatale). Inevitável. Desastroso. Funesto; mortal; letal.
Fatalidade, (do latim fatalitate). Desgraça; sucesso desastroso. Acontecimento inevitá-
vel, marcado pelo destino.
Fé, (do latim fide). Crença; convicção; crédito na existência de determinado facto. Sen-
timento íntimo que leva o ser a crer. Confiança.
Felonia, (do francês félonie). Deslealdade; traição. Crueldade.
Fenómeno, (do latim phaenomenon). Tudo o que impressiona os nossos sentidos ou
consciência.
Ferrenho, (do castelhano ferreno<latim ferrignu). Fig. Inflexível; intransigente; cruel.
Filiação, (do latim filiatione). Acto ou efeito de filiar. Designação dos pais de alguém.
Descendência de pais para filhos. Admissão de novo membro em comunidade (religiosa
ou civil) ou em partido. Ascendência de superior para inferior. Origem; procedência.
Filosofia, (do latim philo + sophia). Estudo geral e racional sobre a natureza de todas as
coisas interligadas entre si, e da inserção do homem no meio natural, tendo como ob-
jectivo encontrar os princípios básicos da existência e da conduta e destino do homem..
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 274 -
~positiva, Sistema em que se rejeitam as afirmações a priori e se aceitam, tão-somente,
os princípios constatados pela observação e pela experiência.
Firmar, (do latim firmare). Tornar firme; fixar; estabilizar. Apoiar; fincar. Sancionar;
assinar; confirmar. Parar; assentar seguramente.
Fluido Cósmico Universal (ou primitivo ou elementar), Elemento material. Princípio
de tudo o que é matéria. Intermediário entre Espírito e matéria.
Fluido, (do latim fluidu). Matéria num estado físico, em que são de baixa intensidade as
forças de ligação intermoleculares, o que lhe permite modificar a forma consoante o
contentor.
Força, (do latim fortia). Faculdade de operar. Energia. Poder. Toda a causa capaz de
produzir deformações ou de modificar o estado de repouso ou de movimento de um
corpo.
Fratricida, (do latim fratricida). Relativo a guerras civis. Quem assassina irmão ou
irmã.
Frívolo, (do latim frivolu). Sem importância, insignificante, fútil, leviano.
Fútil, (do latim futile). Que tem pouco ou nenhum valor; insignificante; frívolo; vão.
Gaulês, ( de francês gaulois<gaule, top.). Respeitante à Gália. Natural ou habitante da
Gália. Idioma dos antigos Gauleses.
Génese, (do grego génesis>latim genese). Geração; criação. Fig.
Geocentrismo, (de geo-+centrismo). Sistema geocêntrico, elaborado por Ptolomeu, que
apresentava a Terra como o centro do Universo e de todos os astros rodando em torno
dela.
Germe, (do latim germen). Estado primitivo e rudimentar de um novo ser; embrião.
Fig. Causa; origem; princípio.
Glória, (do latim gloria). Celebridade adquirida à custa de façanha heróica ou de gran-
de mérito em qualquer campo. Fama; reputação. Brilho; esplendor. Alegria; regozijo.
Bem-aventurança; o Céu.
Gnomo, (do grego gnómon). Espírito que segundo a crença dos cabalistas, preside à
Terra e a tudo o que ela contém.
Gozo, (do latim gaudiu). Acto de gozar. Satisfação. Prazer. Proveito. Utilidade.
Gravidade (Força da...), (do latim gravitate). Força atractiva que solicita para o centro
da Terra todos os corpos.
Gravitação, (do latim gravitatione). Acto de gravitar. Força atractiva que se exerce
sobre os astros.
Grémio, (do latim gremiu). Grupo de entidades patronais que exploram ramos de co-
mércio ou indústria mais ou menos afins. Corporação. Associação. Assembleia.
Grosseiro, (de grosso). Grosso. De má qualidade. Ordinário. Mal educado; incivil; imo-
ral.
Habitabilidade, (do francês habitabilité<latim habitabile). Qualidade do que é habitá-
vel, próprio para habitação.
Harmonia, (do latim harmonia<grego harmonía). Disposição regular, justa e equili-
brada entre as partes de um todo. Concordância de sentimentos entre as pessoas; paz;
amizade. Ordem; proporção; coerência; conformidade; simetria.
Haurir, (do latim haurire). Tirar para fora de lugar profundo. Esvaziar; esgotar. Aspi-
rar; sorver. Estancar.
Hebreus, (do latim hebroeu; grego hebraicos). Indivíduos de raça hebraica. Etnog.
Nome primitivo do povo judaico.
Heliocêntrico, (de hélio-+centro). Que tem o sol como centro (do sistema de coordena-
das dos planetas).
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 275 -
Herege, (do latim haereticu). Que ou pessoa que defende doutrina contrária à que foi
estabelecida como verdadeira pela Igreja; ateu; incrédulo.
Hierarquia, (do francês hiérarchie). Ordem e subordinação em qualquer corporação.
Hindu, (do persa hindu<sânsc.sindhu). Relativo à Índia; indiano. Referente ao induís-
mo.
Hipertrofia, (do grego hypér+trophé). Desenvolvimento excessivo de um órgão ou
parte dele, devido ao aumento de volume de suas células.
Hipocrisia, (do grego hypokrisía). Fingimento de boas qualidades para ocultar os defei-
tos; falsidade; dissimulação.
Hipótese, ( do grego hypóthesis). Suposição de coisas ou factos, possíveis ou impossí-
veis, da qual se tira uma conclusão. Teoria não demonstrada, mas provável.
Holocausto, (do grego holókauston). Sacrifício entre os J udeus e outros povos, em que
as vítimas eram totalmente queimadas. Fig. Sacrifício; abstracção da vontade própria,
para satisfazer a de outrem.
Humanidade, (do latim humanitate). Sociol. A natureza humana. O conjunto de todos
os homens. Fig. sentimento de clemência, de benevolência.
Humilhação, (do latim humiliatione). Acto ou efeito de humilhar. Submissão; rebaixa-
mento; vergonha; vexame; afronta.
Idealismo, (de ideal). Doutrina que reduz o ser ao pensamento, as coisas ao Espírito (o
mundo dito exterior a não tem outra realidade além das ideias ou representações que
dele formamos).
Identidade, (do latim identitate). Conjunto de elementos que permitem saber quem é
uma pessoa.
Ignorância, (do latim ignorantia). Estado de quem ignora. Falta de saber. Desconheci-
mento.
Igualdade, (do latim aequalitate). Qualidade do que é igual. Completa semelhança.
Paridade.
Ilimitado, (do latim illimitatu). Que não tem limites. Indeterminado. Infinito. Imenso.
Imaterial, (do latim immateriale). Que não é material; incorpóreo; impalpável; espiri-
tual.
Imenso. Infinito.
Imensurável, (do latim immensurabile). Que se não pode medir.
Imobilidade, (do latim immobilitate). Qualidade ou estado do que é imóvel. Estabilida-
de. Impassibilidade.
Imparcial, (do latim in+partiale). Que não é parcial. J usto; recto. Equitativo; neutral.
Imperfeição, (do latim imperfectione). Qualidade do que é imperfeito. Falta de perfei-
ção. Pequeno defeito. Vício.
Imponderável, (do latim in + ponderabile). Que não se pode pesar. Que não tem peso.
Muito subtil. Circunstâncias materiais ou morais imprevisíveis. Fís. Fluidos cuja mate-
rialidade não pode ser revelada pelos instrumentos conhecidos.
Imprevidência, (do latim in+praevidentia). Falta de previdência. Descuido; desleixo;
imprecaução.
Imutável, (do latim immutabile). Que não pode ser mudado, não muda, varia ou trans-
forma.
Incoerência, ( de in+coerência). Falta de coerência. Qualidade de incoerente. Discor-
dância; inconsequência.
Inconciliável, (de in+conciliável). Que não se pode conciliar. Incompatível; inconcor-
dável; inadaptável.
Incorpóreo, (do latim incorporeu). Desprovido de corpo; imaterial; impalpável.
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 276 -
Individualidade, (do francês indivicdualité). Conjunto de qualidades que definem um
indivíduo. Pessoa; indivíduo.
Individualizar, (de individual). Tornar individual. Considerar individualmente; particu-
larizar; especializar.
Indução, (do latim inductione). Acção de induzir. Dos efeitos remontar-se às causas.
Indulgência, (do latim indulgentia). Clemência. Condescendência; tolerância.
Inerente, (do latim inhaerente). Ligado intimamente; inseparável.
Inexorável, (do latim inexorabile). Que não cede. Implacável; inflexível. Austero; rigo-
roso.
Infalível, (do latim infallibile). Que não é falível. Que não pode falhar. Certo; exacto;
seguro; inevitável.
Inferior, (do latim inferiore). Que está abaixo de outro. Subalterno. Que vale menos.
Ordinário; baixo; reles. Indivíduo que está abaixo de outro em categoria ou dignidade.
Inferioridade, (de inferior). Estado ou qualidade de inferior.
Inferno, (do latim infernu). Tormento; martírio atroz. Segundo a religião católica, esta-
do ou lugar daqueles que , morrendo em pecado mortal, padecem penas eternas.
Ínfimo, (do latim infimu). O mais baixo. Que se situa no último lugar. Inferior.
Infinito, (do latim infinitu). Que não tem fim ou limites. Sem fim; eterno. O espaço e o
tempo considerados de forma absoluta. O absoluto; o eterno; Deus.
Infortúnio, (do latim infortuniu). Infelicidade. Desgraça; calamidade. Desventura.
Infracção, (do latim infractione). Acção de infringir. Transgressão; quebra; violação de
uma lei ou ordem.
Ingratidão, (do latim ingratitudine). Qualidade de ingrato, de não agradecido. Falta de
gratidão.
Ininteligível, (de in+inteligível). Que não é inteligível; que não se consegue compreen-
der. Obscuro; misterioso.
Inquiridor, (de inquirir). Que ou aquele que inquire, indaga, pergunta, investiga, pes-
quisa.
Inquisição, (do latim inquisitione). Antigo tribunal eclesiástico, também denominado
Tribunal do Santo Ofício, que se destinava a averiguar e punir crimes contra a fé católi-
ca. Cárcere destinado aos réus convictos de falta de fé.
Insensatez, (de in-+sensatez). Qualidade de insensato. Loucura; insânia.
Insipiente, (do latim insipiente). Não sapiente. Ignorante. Insensato. Imprudente.
Insondável, (de in+sondável). Que não é sondável. Que se não pode sondar ou cujo
limite se não pode encontrar. Incompreensível; inexplicável.
Inspiração, (do latim inspiratione). Acto ou efeito de inspirar ou de ser inspirado. Ideia
repentina e espontânea. Sugestão.
Instinto, (do latim instinctu). Impulso inato, inconsciente, irracional, que leva um
ente vivo a proceder de tal ou tal forma. Intuição. Inspiração.
Integral, (do latim integru). Inteiro; completo; total. Que integra.
Intelectualizar, (de intelectual). Elevar à categoria de intelectual. Dar forma inteli-
gente.
Inteligência, (do latim intelligentia). Faculdade de entender, raciocinar, pensar e inter-
pretar. Entendimento. Conhecimento profundo. Intelecto. J uízo; raciocínio; abstracção.
Inteligente, (do latim intelligente). Que tem a faculdade de compreender. Esperto; há-
bil; sagaz.
Inútil, (do latim inutile). Que não tem utilidade. Frustrado; estéril. Desnecessário. Sem
préstimo.
Inveja, (do latim invidia). Desgosto, ódio ou pesar por prosperidade ou alegria de ou-
trem. Emulação. Cobiça.
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 277 -
Invólucro, (do latim involucru). Coisa que envolve, cobre ou reveste. Envoltório. Capa
ou cobertura. Revestimento.
Irreflexão, (de in + reflexão). Falta de reflexão. Imprudência. Inconsideração. Impulsi-
vidade. Precipitação.
Irrefutável, (do latim irrefutabile). Não refutável; que se não pode refutar. Irrecusável.
Incontestável. Evidente.
Irremissível, (do latim irremissibile). Que não merece remissão ou não é perdoável;
imperdoável; indesculpável; infalível.
Irrevogável, (do latim irrevocabile). Não revogável. Que se não pode revogar ou anu-
lar. Que não pode voltar atrás. Definitivo.
Islamismo, (do árabe islam). A religião muçulmana; maometismo. Os muçulmanos.
Jónico, (do latim ionicu<grego ionikós). Relativo à antiga J ónia. Designativo da tercei-
ra das cinco ordens de arquitectura. Dialecto dos J ónios.
Judeu, (do latim judaeu). Relativo à J udeia, aos J udeus ou aos ritos judaicos. Hebreu;
hebraico; israelita; judaico. O natural da J udeia. O praticante do judaísmo.
Justiça, (do latim justitia). Jur. Conformidade com o Direito. Acto de dar ou conferir a
cada um o que por direito lhe é próprio. Direito; razão fundada nas leis. Alçada; jurisdi-
ção. A magistratura; o conjunto dos indivíduos a quem é confiado o poder judicial.
Justo, (do latim justu). Que é conforme ao Direito, à moral e à razão. Imparcial; ínte-
gro; legítimo. Aquilo que está certo e adequado à justiça e à moral.
Legislação, (do latim legislatione). O conjunto ou corpo das leis de um país. Direito de
legislar. Estudo das leis.
Lei, (do latim lege). Preceito emanado de uma autoridade soberana. Proposição geral
que enuncia uma relação regular de fenómenos. Relação invariável entre variáveis.
Leigo, (do grego laikós). Que ou aquele que não tem ordens sacras. Laical. Secular.
Fig. Ignorante; desconhecedor.
Leviandade, (de leviano ou do castelhano liviand). Qualidade de leviano. Irreflexão.
Imprudência acto de leviano.
Leviano, (de leve). Que tem pouco juízo; que julga de leve; precipitado; irreflectido;
imprudente; inconstante.
Liberdade, (do latim libertate). Faculdade de uma pessoa poder dispor de si, fazendo
ou deixando de fazer por seu livre arbítrio qualquer coisa. Condição do homem livre.
Liturgia, (do grego leitourgía). Complexo das cerimónias eclesiásticas de um culto;
rito.
Livre-arbítrio, (do latim liberu+arbitriu). Filos. Faculdade do homem de determinar-
se a si mesmo; poder de praticar ou não um certo acto, sem outra razão além do próprio
querer.
Lógica, (do grego logiké). Encadeamento regular ou coerente das ideias e das coisas.
Luminar, (do latim luminare). Que dá luz. Astro. Pessoa de grande ilustração.
Luxúria, (do latim luxuria). Sensualidade; lascívia. Libertinagem.
Mácula, (do latim macula). Mancha; nódoa. Fig. Desonra; infâmia.
Magia, (do latim magia). Ciência e arte que pretende actuar sobre a natureza, empre-
gando conscientemente poderes invisíveis, para obter resultados visíveis, contrários às
suas leis.
Magnético, (do grego magnetikos).Física: relativo ao magnetismo. Propriedade que
alguns corpos apresentam de atrair e reter outros.
Mal, (do latim male). De modo mau, imperfeito, insuficiente. Com defeito. De forma
ofensiva, caluniosa. Contra o que deve ser; contra a moral; contra o direito e a justiça.
Cruelmente; violentamente. (do latim malu). Tudo o que fere, incomoda ou prejudica.
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 278 -
Tudo o que é oposto ao bem. Tudo o que se desvia da honestidade e da moral. Calami-
dade; desgraça; infortúnio; prejuízo. Aflição; angústia; padecimento moral.
Maldade, (do latim malitate). Qualidade de mau. Acção má ou ruim. Iniquidade; per-
versidade; crueldade.
Malícia, (do latim malitia). Propensão para o mal. Dissimulação. Astúcia; manha; ro-
nha. Satírico.
Manancial, (de manante). Que mana ou corre sem cessar e com abundância. Nascente
de água. Fonte.
Manifestação, (do latim manifestatione). Acto ou efeito de manifestar. Demonstração
expressa, pública e colectivamente, de sentimentos, ideias, opiniões. Acto ou efeito pro-
vocado pelos Espíritos.
Maravilhoso, (de maravilha). Fora do comum; prodígio; milagre; admirável; sobrena-
tural.
Matéria, Laço que prende o Espírito. Agente, intermediário com o auxílio do qual e
sobre o qual actua o Espírito.
Material, (do latim materiale). Respeitante ou pertencente à matéria. Constituído por
matéria. Que se opõem ao espiritual, que se refere apenas ao corpo. Pesado, maciço,
grosseiro.
Materialismo, (de material). Sistema filosófico que sustenta que a realidade é de carác-
ter material ou corporal. Falta de elevação espiritual.
Matiz, (do castelhano matiz). Combinação de cores diversas. Gradação de cor. Fig.
Colorido no estilo. Cor política.
Matriz, (do latim matrice). Que dá origem. Molde.
Médium, (do latim – médium, meio, intermediário).Pessoa que pode servir de interme-
diário entre os Espíritos e os homens ou entre a dimensão material e a espiritual.
Mediunidade, (de médium). Qualidade de médium, de estabelecer relações entre os
encarnados e os desencarnados; entre o mundo material e o mundo espiritual.
Mediunismo, (de médium). Uso indevido da mediunidade, fora das regras de segurança
aconselhadas pelo espiritismo.
Mérito, (do latim meritu). Merecimento. Valor moral ou intelectual. Aptidão; capacida-
de; superioridade.
Metempsicose, (do latim metempsychose<grego metempsýchosis<metá+empesychóo).
Teoria da transmigração, da passagem da alma de um corpo para o outro.
Metodista, (do inglês methodist). Membro de uma seita protestante, caracterizada por
grande austeridade.
Método experimental, Método pelo qual se experimenta algo, se põe à prova, através
da observação, repetição e comparação dos factos, chegando assim a conclusões.
Método indutivo, Método segundo o qual se chega a um raciocínio que estabelece leis
gerais mediante a observação de casos particulares, procedendo por indução. Método
que pela observação dos efeitos se remonta às suas causas.
Método, (do latim methodu). Ordem. Processo racional. Sistema bem fundado e educa-
tivo ou conjunto de processos didácticos. Procedimento apto a garantir no plano teórico
ou prático, o rendimento e constância do trabalho e do estudo. Estudo metódico de tema
científico.
Milagre, (do latim miraculu). Facto que não tem explicação à luz das leis da natureza e
que, portanto, deve ser atribuído a causas sobrenaturais. O que é sobrenatural.
Missão, (do latim missione). Acção de mandar, de enviar. Incumbência. Compromisso;
obrigação; encargo.
Missionário, (do francês missionaire). Propagandista de uma ideia. Aquele que missio-
na, que prega a fé, evangeliza.
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 279 -
Mistério, (do grego mystérion). Nas religiões cristãs, dogma, verdade de fé inacessível
à razão. Tudo o que é incompreensível, inexplicável, um enigma. Segredo.
Mistério. Esconderijo. Lugar separado, numa prisão. Processo apenas conhecido de um
ou poucos indivíduos. Fig. O íntimo.
Mística, (de místico). Atitude colectiva assente numa fé irracional, numa doutrina, num
homem, etc.
Misticismo, (de mística). Filos. Via espiritual tendente à união com Deus através de
uma religiosidade profunda, com vista à libertação das coisas naturais até ao anulamen-
to da própria personalidade; crença religiosa ou filosófica que admite comunicação
oculta entre o homem e a divindade.
Místico, (do grego mystikós). Misterioso; alegórico.
Mistificação, (de mistificar). Acção ou efeito de mistificar. Coisa enganadora ou vã.
Logro; burla; engano.
Mitos, (do grego mythos). Narrativas fabulosas de origem popular. Utopia. Coisa ina-
creditável.exposiçaõ simbólica de um facto natural, histórico ou filosófico.
Mnemónico, (do grego mnemonikós). Que se refere à mnemónica ou à memória. Que
ajuda a memória. Que facilmente se grava na memória.
Móbil, (do latim mobile). Caracterizado por extrema fluidez, como o mercúrio. Causa;
razão; agente. O que conduz à acção por efeito de forças mais ou menos irracionais, ou
mesmo inconscientes.
Monoteísmo, (do grego mónos+theós). Sistema religioso que admite a existência de
um Deus único; adoração de um só Deus.
Moral, (do latim morale). Referente à moralidade, aos bons costumes. Ético. Conjunto
de costumes e opiniões éticas de um indivíduo ou de um grupo social. Arte de bem pro-
ceder.
Mordaz, (do latim mordace). Fig. Satírico; maledicente.
Morte, (do latim morte). Fim da existência; termo da vida.
Nada, (do latim nata). A não existência; o que não existe. Coisa nenhuma. O que se
opõe ao ser.
Nativo, (do latim nativu). Que nasce; que é natural. Próprio de lugar onde nasce. Con-
génito. Peculiar. Nacional. Não afectado; simples. Diz-se da planta que vegeta esponta-
neamente nos campos.
Natural, (do latim naturale). Que pertence ou se refere à natureza. Produzido pela natu-
reza, ou de acordo com as suas leis. Que segue a ordem regular das coisas. Não provo-
cado. Inato. Verdadeiro.
Natureza, (do latim natura). Conjunto das leis que presidem à existência das coisas e à
sucessão dos seres. Força activa que estabeleceu e conserva a ordem natural de quanto
existe. Essência; qualidade; espécie.
Negligência, (do latim negligentia). Incúria. Desleixo; falta de cuidado. Preguiça. Desa-
tenção; menosprezo.
Neoplatónico, (de neo-+platónico). Referente ao neoplatonismo. Filósofo pertencente à
escola neoplatónica.
Nirvana, (do sânsc. nirvana). Doutrina de Buda que defende a quietude e a absorção da
personalidade no seio da divindade; beatitude. Fig. Inércia; apatia.
Nomenclatura, (do latim nomenclatura). Conjunto de termos de uso consagrado numa
ciência ou arte; lista de nomes; catálogo.
Novo Testamento, Livros sagrados posteriores a Cristo.
Objecto, (do latim objectu). Assunto; matéria. Fim que se tem em vista.
Obreiro, (do latim operariu). Aquele que trabalha. Operário. Trabalhador. Cultivador.
Aquele que coopera no desenvolvimento de uma empresa ou de uma ideia.
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 280 -
Obscuridade, (do latim obscuritate). Estado de obscuro. Ausência, falta de luz, de cla-
ridade; escuridão; trevas. Falta de clareza nas ideias, nas expressões, no estilo. Condição
ou origem humilde. Vida retirada. Falta de lucidez; enfraquecimento do espírito.
Observância, (do latim observantia). Acção ou efeito de observar. Execução; observa-
ção; prática; uso. Cumprimento rigoroso da regra religiosa ou monástica.
Obstinação, (do latim obstinatione). Firmeza; pertinácia; tenacidade. Teimosia; reni-
tência.
Ociosidade, (do latim otiositate). Descanso. Mandriice; preguiça; indolência. Lazer;
ócio.
Ocioso, (do latim otiosu). Que não tem que fazer; que não tem ocupação. Que não tra-
balha; que não faz nada.
Ódio, (do latim odiu). Rancor profundo e duradouro que se sente por alguém. Aversão;
raiva. Antipatia; horror.
Omnipotente, (do latim omnipotente). Que tudo pode. Detentor de poder absoluto. Que
encerra toda a potência.
Opressão, (do latim oppressione). Dificuldade de respirar. Estado de quem ou daquilo
que se acha oprimido.
Opressor, (do latim oppressore). Que oprime; opressivo. Tirano; déspota.
Oprimir, (do latim opprimere). Causar opressão. Carregar; sobrecarregar. Apertar.
Orbe, (do latim orbe). Esfera; globo. Redondeza. Mundo. Qualquer corpo celeste.
Ordem, (do latim ordine). Posição, classe, categoria a que pertencem as pessoas ou as
coisas num conjunto racionalmente organizado ou hierarquizado. Disposição regular e
metódica.
Órfico, (do grego orphikós>latim orphicu). Feito em honra de Baco. Relativo a Orfeu.
Orgânica, (de orgânico). Disposição geral dos órgãos, e as leis que regem o seu fun-
cionamento. Lei; norma.
Orgânico, (do latim organicu). Relativo aos órgãos ou aos seres organizados.
Organogénese, (do grego órganon + génesis). Capítulo das ciências biológicas que
estuda a maneira como se formam e desenvolvem os órgãos, a partir do embrião.
Órgão, (do grego órganon). Parte de um corpo organizado com uma função parti-
cular. Meio. Agente. Cada uma das partes componentes de um aparelho que tem a
seu cargo a execução de um acto.
Orgia, (do grego órgia). Festim licencioso; bacanal. Fig. Desordem; anarquia.
Orgulho, (do castelhano orgull). Conceito exagerado que alguém faz de si próprio;
altivez. Presunção.
Origem, (do latim origine). Primeira causa determinante. Princípio; procedência; nas-
cença.
Origem; formação. Primeiro livro da Bíblia, onde se encontra descrita a origem do Uni-
verso e do Homem.
Original, (do latim originale). Relativo a origem. Primitivo. Inato. Que tem carácter
próprio. Nativo. Que foi feito na origem. Singular. Excêntrico. Obra do próprio punho
do autor. Escrito primitivo do qual se tiram cópias. Modelo. Pessoa de que se faz o re-
trato.
Ostensivo, (do latim ostensivu). Que se pode mostrar; evidente. Fig. Falso, fingido.
Outorgar, (do latim auctoricare). Dar; conceder; aprovar. Declarar em escritura públi-
ca. Anuir; concordar. Intervir como interessado em escritura pública.
Paixão, (do latim passione). Sentimento forte, exacerbado, como o amor, o ódio, etc. ,
que pelo seu carácter dominante inibe o raciocínio claro, lógica imparcial e, mesmo, a
formulação de juízos de valor. Desejo intenso; atracção.
Palmilhar, (de palmilha). Percorrer a pé; calcar com os pés, andando; V.i. andar a pé.
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 281 -
Palpável, (de palpar). Que se pode apalpar. Evidente; notório; patente; que não
desperta dúvida.
Paracleto, (do latim Paracletu < grego parákletos). Espírito Santo. Mentor, defensor,
intercessor. Aquele que indica ou sugere a outrem o que deve fazer.
Parcial, (do latim partiale). Favorável a uma das partes numa questão, litígio, acto
ou empreendimento; partidário; sectário. Algo que é partidário de alguma coisa ou
alguém.
Parcialidade, (de parcial). Facção; partido. Fig. Amizade; afeição.
Partidário, (de partido). Respeitante a partido. Que segue algum partido ou facção;
adepto; fanático.
Pecado, (do latim peccatu). Transgressão da lei divina. Culpa; falta; vício; defeito; mal-
dade. Transgressão de qualquer preceito ou regra.
Pecar, (do latim peccare). Cometer pecados; transgredir regra, lei ou preceito religioso.
Pedagogia, (do grego paidagogia). Arte, técnica ou ciência prática da educação.
Pena, (do latim poena). Castigo, punição, dor, padecimento, sofrimento, aflição, des-
gosto, expiação, purgação.
Pendor, (de pender). Vertente; obliquidade; carga ; peso; Fig. Tendência; índole.
Penoso, (do latim poena). Que causa ou mete pena; que aflige. Que custa a fazer ou a
suportar; incómodo; árduo; fatigante.
Pensamento, (de pensar). Acto ou faculdade de pensar. Qualquer acto de espírito ou
operação da inteligência. Entendimento; razão; inteligência; espírito. Forma de comuni-
cação dos espíritos.
Pentateuco, (do grego pentáteukhos). Designação dada pelos gregos ao conjunto dos
cinco primeiros livros da Bíblia. Espiritismo: conjunto formado pelos cinco livros que
formam a Codificação Espírita.
Penúria, (do latim penuria). Privação ou falta do necessário; escassez. Miséria; pobre-
za; indigência.
Percepção, (do latim perceptione). Psicol. Acto, efeito ou faculdade de perceber. To-
mada de conhecimento sensorial de objectos ou de acontecimentos exteriores. Acção de
conhecer independentemente dos sentidos.
Perecer, (do latim perescere). Ter fim; deixar de ser ou de existir; acabar; Morrer pre-
matura ou violentamente; finar; ser abolido; ser destruído; ser assolado; ser devastado.
Perecível, (de perecer). Sujeito a morrer; susceptível de perecer. Que se pode estragar;
frágil.
Peregrinação, (do latim peregrinatione). Acto de peregrinar; viagem em romaria a lu-
gares santos, por devoção ou promessa; viagem a lugares longínquos; romaria.
Perfeição, (do latim perfectione). Execução e acabamento completo e perfeito. Quali-
dade daquilo que é perfeito. Bondade, beleza ou excelência no grau mais elevado. Pri-
mor; mestria; requinte.
Perfeito, (do latim perfectu). Que só tem boas qualidades. Que não tem defeito físico
ou moral. Que tem tudo o que lhe pertence ter. Exemplar; modelo. Cabal; comple-
to; total.
Pérfido, (do latim perfidu). Que falta à sua fé ou à sua palavra. Traidor; desleal; infiel.
Perisperma, (do grego perí + spérma). Bot. Fina membrana envolvente produzida pelo
resto não absorvido da nucela (pequena noz), que fica em redor do embrião e do endos-
perma de uma semente.
Perispírito, Corpo de origem material, constituinte do complexo humano, responsável
pelo intercâmbio entre o corpo físico e o espírito. Primeiro elemento a sair do Fluido
Cósmico Universal, o mais rarefeito que existe. Envoltório que reveste o espírito. É nele
que reside a identidade do espírito. Chave de todos os fenómenos mediúnicos.
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 282 -
Permeio, (do latim permediu). No meio; através; interpor-se; intervir.
Pernicioso, (do latim perniciosu). Que é prejudicial, danoso; perigoso.
Perpetrar, do latim perpetrare). Praticar qualquer acto condenável. Realizar. Perfazer.
Perpetuar, (do latim perpetuare). Tornar perpétuo; eternizar. Imortalizar. Propagar por
sucessão.
Perseverança, (do latim perseverantia). Constância; firmeza; pertinácia.
Perseverar, (do latim perseverare). Persistir no mesmo estado de espírito. Conservar-se
firme e constante num sentimento ou numa resolução. Continuar; teimar.
Persistência, (de persistente). Constância; firmeza; perseverança.
Personalidade, (do latim personalitate). Qualidade, feição, modo de ser que caracteriza
uma pessoa. Carácter. Aquilo que distingue uma pessoa de outra. Personagem. Psicol.
Individualidade consciente; consciência da unidade e da identidade do eu.
Personificar, (do latim persona+facere). Considerar como pessoa. Atribuir a uma
coisa inanimada, a uma abstracção, a imagem, os sentimentos ou a linguagem de
uma pessoa real. Realizar ou representar na figura de uma pessoa; exprimir por
um tipo.
Persuadir, (do latim persuadere). Levar à persuasão ou à convicção de. Levar a crer;
induzir; aconselhar. Determinar a vontade de.
Perverso, (do latim perversu). Que tem má índole; corrupto; vicioso; malvado; traiçoei-
ro; que apresenta um comportamento anti –social; irredutível desde a infância; aquele
que é perverso.
Planeta, (do grego planétes). Astro sem luz própria, que gravita em torno de uma estre-
la (planeta primário) ou em volta de outro planeta (satélite ou secundário).
Planetário, (do latim planetariu). Relativo ou pertencente a planetas.
Plenitude, (do latim plenitudine). Estado ou qualidade de pleno, cheio, completo. Tota-
lidade. Abundância excessiva.
Pluralidade, (do latim pluralitate). Multidão; grande número; o geral; multiplicidade; o
maior número; qualidade atribuída a mais de uma pessoa ou coisa; caracter de um termo
que está no plural.
Polar, (do latim polare). Relativo aos pólos. Situado na vizinhança dos pólos terrestres.
Politeísmo, (do grego polytheos). Sistema religioso que admite a pluralidade dos deu-
ses.
Ponderabilidade, (de ponderável). Qualidade de ponderável.
Ponderável, (do latim ponderabile). Que se pode pesar.
Positivismo, (de positivo). Sistema criado por Augusto Comte, de carácter empirista e
antimetafísico, que recusa qualquer juízo de valor não consubstanciado numa certeza
científica e idêntica essência e fenómeno.
Potentado, (do latim potentatu). Soberano de um estado poderoso. Indivíduo de grande
riqueza ou influência.
Povo, (do latim populu). Conjunto dos habitantes de um lugar, cidade, região ou país.
Aldeia; lugarejo; pequena vila. O público. A menor das classes sociais.
Povoar, (de povo). Formar povoação em; tornado habitado. Colonizar. Embelezar. For-
necer.
Pragmática, (do latim pragmatica<grego pragmatiké). Conjunto de normas ou fórmu-
las que regulamentam as cerimónias oficiais ou religiosas. Etiqueta; protocolo.
Preconcebido, (de preconceber). Concebido antecipadamente. Planeado sem funda-
mento sério.
Preconceito, (do latim prae + conceptu). Conceito formado antecipadamente e sem
fundamento sério. Preocupação. Prejuízo. Crendice; superstição.
Predisposição, (do latim prae+dispositione). Tendência; vocação; aptidão.
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 283 -
Preexistência, (do latim praeexistentia). Qualidade do que é preexistente; existência
anterior; existência de Cristo no Céu; antes da encarnação; existência das almas antes do
nascimento.
Preponderância,(do latim praeponderantia). Qualidade do que é preponderante; su-
premacia; predomínio; superioridade; hegemonia.
Presidir, (do latim praesidere). Dirigir como presidente; exercer as funções de presi-
dente; ocupar a presidência; superintender; dirigir.
Pressagiar, (do latim praesagiare). Anunciar por presságios; vaticinar; prever; agourar;
pressentir.
Presságio, (do latim praesagiu). Facto ou sinal por que se adivinha o futuro; previsão;
prognóstico; pressentimento; agouro; indício de um acontecimento futuro.
Presunção, (do latim praesumptione). Acto ou efeito de presumir. Suposição; suspeita;
desconfiança. Vaidade; jactância.
Primícias, (do latim primitias). As primeiras produções, frutos, sentimentos ou gozos.
Os começos; os prelúdios.
Princípio espiritual, Princípio a partir do qual se dá a individualização do espírito. Um
dos elementos gerais do Universo em parceria com o Fluido Cósmico Universal.
Princípio Vital (ou fluido magnético, ou fluido eléctrico animalizado). Agente que dá
actividade e movimento aos seres vivos e faz com que se distingam da matéria iner-
te. Intermediário entre Espírito e matéria.
Princípio, (do latim principiu). Momento em que uma coisa tem início, começo ou
origem. Causa primária; base; razão. Regra; lei; preceito moral. Teoria.
Privilegiado, (de privilegiar). Que tem ou goza de privilégio. Distinto; elevado; excep-
cional.
Proclamar, (do latim proclamare). Aclamar ou anunciar em público e com solenidade;
decretar pública e oficialmente; apregoar; publicar.
Prodigalidade, (do latim prodigalitate). Qualidade ou carácter de pessoa pródiga. Es-
banjamento; desperdício. Superabundância.
Professar, (do latim professare). Reconhecer ou confessar publicamente. Ensinar na
qualidade de professor. Ter a convicção de. Por em prática. Seguir, orientar-se nos di-
tames de. Fazer profissão de; dedicar-se a uma arte. Abraçar (uma doutrina, uma religi-
ão, etc.). proferir votos solenes; tomar o hábito de uma ordem religiosa. Ensinar.
Profeta, (do grego prophétes; latim propheta). Aquele que prediz por inspiração divina;
vidente; adivinho; título dado pelos Maometanos a Mafoma; aquele que faz conjecturas
sobre o futuro.
Progresso, (do latim progressu). Movimento para diante. Desenvolvimento gradual de
um ser ou de uma actividade. Adiantamento; melhoramento; aperfeiçoamento.
Proletário, (do latim proletariu). Membro de uma classe pobre que, na antiga Roma, só
era útil à República. Pessoa que vive no produto do seu trabalho mal remunerado.
Promulgar, (do latim promulgare). Publicar oficialmente; vulgarizar; decretar.
Propriedade, (do latim proprietate). Qualidade de próprio; qualidade inerente
Proscrito, (do latim proscriptu). Que sofreu proscrição; proibido; aquele que foi dester-
rado; exilado; degredado.
Proselitismo, (de prosélito). Actividade ou zelo em fazer prosélitos.
Prosélito, (do grego prosélytos). Aquele que abraça uma nova religião, seita, doutrina
ou partido. Partidário, adepto.
Protestantismo, (do francês protestantisme). Nome dado à doutrina religiosa que pre-
tende conservar a pureza do dogma e do culto dos primeiros tempos do cristianismo, e
que, nessa base, originou uma nova igreja cristã, em que há várias seitas.
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 284 -
Protoplasma, (do grego prôtos + plasma, atos). Biol. Substância viva das células cons-
tituída pela associação de citoplasma e cromatina, podendo estar contida no núcleo.
Prova, (do latim proba). Aquilo que serve para estabelecer uma verdade por verificação
ou demonstração. Exame. Uma das formas do espírito experimentar-se.
Providência, (do latim providentia). Sabedoria suprema, com que Deus tudo dirige.
O próprio Deus.
Providencial, (de providência). Que vem da providência, de sabedoria suprema com
que Deus tudo dirige, de pessoa que guarda, ajuda ou protege.
Pseudo -, (do grego pseudés). Exprime a ideia de falso. ~ sábio, (do latim sapidu). Diz-
se do que julga ou diz saber mais do que aquilo que realmente sabe.
Psicografia directa, Escrita de um Espírito directamente pela mão de um médium.
Psicografia indirecta, (do grego psykhé + graphé). Escrita de um Espírito através de
um utensílio ou ferramenta que não directamente um órgão de um médium.
Psíquico, (do grego psykhikós). Relativo à alma, ou às faculdades intelectuais e morais
de um indivíduo.
Psiquismo, (do grego psykhé). Conjunto das características psicológicas de um indiví-
duo. Conjunto de fenómenos psíquicos que são objecto da psicologia.
Pueril, (do latim puerile). Que pertence às crianças; infantil.
Pungente, (do latim pungente). Agudo; picante. Doloroso; lancinante.
Purgatório, (do latim purgatoriu). Lugar onde, segundo a religião cristã, se purificam
as almas dos justos, antes de entrarem no céu. Tormento constante; expiação.
Puro, (do latim puru). Que não tem mistura. Que não sofreu alteração. Transparente;
límpido. Imaculado. Inocente. Virginal. Tranquilo; sereno. Verdadeiro. Natural. Incon-
testável.
Qualidade, (do latim qualitate). Característica de uma coisa. Maneira de ser, boa ou
má, de uma coisa. Carácter; índole; propriedade; excelência.
Que, (do latim quam). Qual coisa ou quais coisas?
Quem, (do latim quem). A pessoa ou as pessoas que. Que pessoa ou pessoas?
Querubim, (do hebreu Kerubim>latim cherubim). Anjo da primeira hierarquia; cabeça
de criança com asas, representando anjo; criança formosa.
Quinhão, (do latim quinione).Parte que cabe a cada um na divisão de um todo; Porção
que se adquire quando é distribuída ou repartida alguma coisa; quota-parte; parcela;
partilha; herança; Fig. Destino; sorte.
Raciocínio, (do latim ratiociniu). Acto, faculdade ou maneira de raciocinar, de pensar.
Encadeamento de argumentos ou juízos para chegar a uma demonstração.
Racional, (do latim rationale). Que é dotado e faz uso da razão. Que raciocina. Con-
forme à razão.
Rancor, (do latim rancore). Ressentimento profundo decorrente de mágoa que se so-
freu sem protesto. Ódio oculto, não manifestado.
Razão, (do latim ratione). Faculdade com que o homem discorre, julga e se distin-
gue dos animais. Faculdade de conhecer, de compreender, de distinguir a relação
das coisas, o verdadeiro do falso, o bem do mal. Raciocínio.
re). Passar de um corpo para outro; mudar-se de um sítio para o outro.
Recíproca, (de recíproco). O inverso; reciprocidade; ideia oposta.
Recobrar, (do latim recuperare). Adquirir novamente. Recuperar o que se tinha perdi-
do. Retomar; voltar à posse de.
Recrear, (do latim recreare). Proporcionar recreio a. Divertir; causar prazer a. Descan-
sar do trabalho.
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 285 -
Redenção, (do latim redemptione). Acto ou efeito de redimir ou remir; resgate; O res-
gate da humanidade, por J esus Cristo; esmolas que se davam para remir os cativos; re-
médio; salvação.
Redimir, (do latim redimere). O m. q. remir.
Reencarnação, (de re-+encarnação).Acto ou efeito de tornar a encarnar. Volta do Es-
pírito à vida corpórea, pluralidade das existências, palingenesia. Consiste em admitir
para o espírito várias existências corpóreas, na mesma espécie ou numa mais evoluida.
Regeneração,(do latim redimere). Adquirir de novo; tirar do poder ou domínio alheio;
redimir; resgatar; livrar; salvar; tornar esquecido; reabilitar-se; livrar-se de um encargo.
Reger, (do latim regere). Dirigir; governar; guiar; encaminhar; leccionar;
Regozijar, (do cast. Regocijar). Causar regozijo; alegrar; contentar muito; ~se, v. r.
Alegrar-se; congratular-se.
Religião, (do latim religione). Culto prestado à divindade; conjunto de preceitos e prá-
ticas pelas quais se comunica com um ser ou seres superiores; doutrina ou crença religi-
osa. Laço essencialmente moral que religa os homens comunidade e comunhão de sen-
timentos, de princípios e de crenças. Culto prestado às divindades e os deveres dos cren-
tes para com eles. A elas estão associados hierarquias, cultos, rituais, dogmas, paramen-
tos, etc.
Remanescer, (do latim remanescere). Sobrar; sobejar; restar.
Reminiscência, (do latim reminiscentia). Capacidade de fixação e reprodução pela
memória; aquilo que fica de memória; recordação vaga; lembrança apagada.
Remir, (do latim redimere). Adquirir de novo. Tirar do poder ou domínio alheio. Li-
vrar; salvar. Tornar esquecido. Indemnizar.
Remissão, (do latim remissione). Indulgência; misericórdia; perdão.
Remontar, (do fr, remonter). Fazer remonta; elevar muito; voltar muito atrás no passa-
do; refugiar-se em locais muito elevados.
Remonte, (de remontar). Acto ou efeito de remontar; locar elevado ou remoto;
Render, (do latim rendere, por reddere). Obrigar a ceder ou capitular; sujeitar; subme-
ter; prestar. Atrair; comover.
Renúncia, (de renunciar). Resignação de lugar ou cargo. Desistência; sacrifício.
Repressão, (do latim repressione). Acção ou efeito de reprimir. Coibição; proibição.
Reprodução, (de re-+produção). Acção ou efeito de reproduzir. Imitação perfeita; có-
pia. Multiplicação; propagação.
Repugnar, (do latim repugnare). Reagir contra; contrariar. Recusar; rejeitar; não acei-
tar.
Repulsão, (do latim repulsione). Força em virtude da qual alguns corpos se repelem
mutuamente. Acção ou efeito de repelir.
Resgatar,(do latim recaptare). Obter o resgate de; livrar do cativeiro; remir; expiar;
executar.
Resgate, (de resgatar). Preço por que se resgata. Redenção. Libertação. Quitação.
Resignação, (de resignar). Acção ou efeito de resignar. Desistência ou cedência volun-
tária de uma coisa ou de um cargo a favor de outrem. abdicação; renúncia. Conformida-
de. Coragem na adversidade.
Ressarcir, (do latim resarcire). Reparar o mal ou dano causado a outrem. Indemnizar;
compensar; dar uma satisfação a. refazer.
Ressurreição, (do latim ressurrectione). Acção de ressurgir ou aparecer vivo depois de
ter morrido; Fig. Revivescência; P. ext. Cura imprevista.
Retardatário, (de retardar).Que ou aquele que está atrasado.
Retrogradar, (do latim retrogradare). Andar para trás; recuar; retroceder; agir em opo-
sição ao progresso.
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 286 -
Retrogrado, (do latim retrogradu). Que retrograda; que é adverário do progresso; indi-
víduo retrógrado.
Revelação, (do latim revellatione). Conjunto de verdades manifestadas por alguém ou
algo ao homem mediante inspiração ou pelo ensino oral, comunicação aos profetas,
apóstolos e demais homens.
Revelador, (do latim revellatore). Que ou aquele que revela, que denuncia, declara,
descobre, patenteia.
Revelar, (do latim revellar). Tirar o véu a. Declarar, denunciar, descobrir, patente-
ar. Fazer conhecer o que era secreto ou ignorado.
Revelia, (de revel). Rebeldia. Ao acaso.
Reverso, (do latim reversu). Que está situado na parte posterior ou oposta. Revirado.
Que voltou para o ponto de partida.
Reverter, (do latim revertere). Regressar; voltar ao ponto de partida. Retroceder. Voltar
para a posse de alguém.
Revés, (do latim reverse). Contrariedade; vicissitude. Infortúnio; fatalidade.
Ritual, (do latim rituale). Relativo a ritos. Regra e cerimónia praticada num culto ou
religião. Qualquer cerimonial; praxe. Livro de ritos de qualquer culto. Protocolo.
Sabedoria, (de saber). Conhecimento extenso e profundo das coisas. Ciência. Qualida-
de de quem é sabedor, de quem tem muita instrução. Grande circunspecção e prudência;
juízo; bom senso; razão; rectidão. Teol. Conhecimento inspirado das coisas divinas.
Sábio, (do latim sapidu). Diz-se do que sabe muito; erudito. Que tem a faculdade de
bem julgar. Prudente; avisado; perito. Indivíduo de muita sabedoria ou ciência.
Saciedade, (do latim satietate). Estado de quem está saciado. Repleção; satisfação ple-
na. Fartura. Fastio.
Saduceu, (do latim sadducaeu). Elemento de seita judaica, oposta ao farisaísmo, que se
caracteriza pelo seu espírito helenista, rejeitando as tradições antigas e a predestinação e
reconhecendo apenas como regra a lei escrita.
Sanção, (do latim sanctione) Acto pelo qual umas lei ou uma decisão se torna executó-
ria ou definitiva; consequências morais ou sociais dos actos; confirmação; aprovação;
assentimento.
Sátira, (do latim satira). Composição mordaz, que ridiculariza os vícios ou defeitos de
alguém, de forma irónica ou jocosa.
Segredo, (do latim secretu). Aquilo que se quer cuidadosamente ocultar ou se não deve
dizer. Aquilo que não está divulgado.
Seita, (do latim secta). Doutrina ou sistema que se afasta da crença geral. Facção. Reu-
nião de pessoas que professam uma religião diversa da geralmente seguida. Partido.
Bando.
Senda, (do latim semita). Atalho; caminho; vereda. Fig. Hábito; rotina.
Senil, (do latim senile). Relativo à velhice. Próprio de velho. Resultante da velhice.
Sensação, (do latim sensatione). Acção ou função sensorial. Tomada de consciência da
alteração interna ou externa de um ou vários sentidos em simultâneo, conduzida pelos
nervos ao cérebro. Sensibilidade. Comoção moral; emoção.
Sensualidade, (do latim sensualitate). Qualidade de sensual. Luxúria; volúpia.
Sensualismo, (de sensual). Filos. Doutrina que considera ser a satisfação carnal o pra-
zer último de homem.
Sentimento, (de sentir). Acto ou efeito de sentir. Conjunto de qualidades morais ou de
carácter que formam a mentalidade do indivíduo e lhe norteiam a conduta; atitude mo-
ral; índole.
Séquito, (do latim sequitu). Conjunto de pessoas que acompanham ou seguem algo ou
alguém, por dever ou cortesia.
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 287 -
Ser, (do latim sedere). Aquele ou aquilo que existe. O que é sensorialmente cognos-
cível e se opõe ao nada. ~inorgânicos, que carecem de vida. Sem organização capaz
de nele viver alguma coisa. ~orgânicos, seres possuidores de mecanismos e corpo
organizados capazes de neles existir a faculdade de viver.
Serafim, (do latim seraphim ou seraphin). Anjo da primeira hierarquia, pertencente ao
primeiro dos nove coros celestiais. Figuração artística de um anjo.
Serenidade, (do latim serenitate). Estado ou qualidade de sereno. Prudência; reflexão.
Tranquilidade de espírito; suavidade de ânimo. Calma; sangue frio. Paz; quietude.
Sideral, (do latim siderale). Relativo aos astros, ao céu.
Sincretismo, (do grego synkretismós). Filos. Mistura mais ou menos confusa de doutri-
nas diferentes recebidas sem espírito crítico e, por conseguinte, que não constitui um
sistema coerente.
Sínodo, (do grego synodos). Assembleia de eclesiásticos convocados pelo seu prelado
ou por outro superior; antigo nome dos concílios.
Sintético, (do grego synthetikós). Feito em síntese, resumido.
Sintonia, (do grego syntonia). Simultaneidade. Acordo mútuo (de sentimentos, ideias,
etc.); reciprocidade; simpatia.
Soberano, (do latim superanu). Que tem soberania; supremo; absoluto. Excelente. O
que exerce poder supremo. Potentado. Dominador.
Sobrenatural, (de sobre + natural). Superior às forças da natureza; fora das leis natu-
rais. Extraordinário; miraculoso.
Sobrepujar, (do latim superpodiare) . Exceder. Superar. Ultrapassar. Sobressair.
Sociedade, (do latim societate). Reunião de pessoas unidas pela origem e pelas mesmas
leis. Relação entre pessoas. Convivência.
Sofrimento, (de sofrer). Acto ou efeito de sofrer; padecimento. Fig. Desgraça; amargu-
ra.
Solidariedade, (de solidário). Qualidade de solidário. Carácter do que, de facto ou de
direito, é solidário. Responsabilidade recíproca.
Sonambulismo, Fenómeno anímico em que o Espírito encarnado utiliza, num estado de
torpeza, o seu próprio corpo para se comunicar. O espírito tem então percepções de que
não dispõe no sonho, que é um estado de sonambulismo imperfeito. O espírito preocu-
pado com alguma coisa aplica-se a uma acção qualquer, para cuja prática necessita utili-
zar-se do seu próprio corpo. Serve-se então deste, como se serve de uma mesa ou de
qualquer outro objecto material.
Sorte, (do latim sorte). Destino; dita; ventura; acaso; risco; acontecimento fortuito, bom
ou mau; infelicidade constante; fadário;
Subalterno, (do latim subalternu). Subordinado; dependente de outrem; que é sujeito a
outro; que está sob as ordens de outrem.
Sublime, (do latim sublime). Elevado; excelso; muito nobre; grandioso. Magnífico;
esplêndido. Elevado nas suas palavras ou nos seus actos. Poderoso; majestoso. O que há
de mais belo e elevado nos pensamentos e nas acções.
Sublimidade, (do latim sublimitate). Elevação; perfeição; excelência. Grandiosidade;
nobreza; poder; majestade; esplendor.
Sucessivo, (do latim sucessivu). Relativo a sucessão; que sucede sem interrupção; con-
tínuo; consecutivo; repetido; sequente; Ant. Hereditário.
Sucumbir, (do latim succumbere). Cair sob o peso de; cair debaixo; abater-se; vergar-
se. Ceder; deixar-se vencer ou abater; não aguentar mais.
Sujeição, (do latim subjectione). Estado do que está sujeito. Dependência; obediência;
jugo; vassalagem.
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 288 -
Superioridade, (de superior). Qualidade do que é superior. Autoridade. Excelência.
Ascendente, no sentido de predomínio, influência.
Superstição, (do latim superstitione). Sentimento religioso excessivo ou erróneo, que
consiste em atribuir a certas práticas uma eficácia sem razão, arrastando as pessoas à
prática de actos indevidos e absurdos. Falsa ideia a respeito do sobrenatural; crendice.
Temor absurdo de coisas imaginárias; excessiva credulidade.
Suplício, (do latim suppliciu). Grave castigo corporal ordenado por sentença; tortura;
pena de morte; execução capital; pessoa ou coisa que aflige muito; sofrimento cruel;
grande tormento.
Supremo, (do latim supremu). Que está acima de tudo. O primeiro, o principal, o mais
alto, ou o mais elevado.
Tácito, (do latim tacitu). Calado; silencioso. Não expresso, mas que se subentende.
Tangível, (do latim tangibile). Que se pode tanger, tocar ou apalpar. Sensível; palpável.
Telegrafia, (do grego têle+graphé). Sistema que transmite sinais gráficos à distância.
Tenaz, (do latim tenace). Aferrado; pertinaz; teimoso; obstinado. Constante; firme; per-
severante; persistente.
Tenebroso, (do latim tenebrosu). Muito escuro; envolto em trevas; sombrio; malévolo;
infernal; misterioso; difícil de entender; pungente; aflito; magoado; dolorido.
Teogonia, (do grego theogonía). Genealogia dos deuses pagãos. Sistema religioso no
paganismo.
Teologia, (do grego theós + lógos). Doutrina acerca do que é divino; tratado de Deus.
Curso de estudos teológicos.
Tetrarca, (do grego tetrárkhes). Antigo governador de uma tetrarquia.
Tetrarquia, (de tetrarca). Cada uma das quatro partes em que se dividiam alguns esta-
dos, ao tempo do Império Romano.
Tirano, (do grego tyrannos >latim tyrannu). Opressor. Aquele que usurpa o poder de
um estado. Soberano injusto e cruel que governa sem limitação legal. Pessoa cruel, de-
sumana.
Torpeza, (de torpe). Procedimento ignóbil ou indigno. Desvergonha; desonestidade.
Trabalho, (do latim tripaliu). Acto ou efeito de trabalhar. Qualquer ocupação manual
ou intelectual. Serviço; lida.
Tradição, do latim traditione). Acto de transmitir ou integrar. Transmissão oral factos,
lendas, dogmas. Coisa transmitida. Uso; hábito.
Tradicional, do latim traditionale). Relativo à tradição. Conservado na tradição.
Transfiguração, (do latim transfiguratione). Acto ou efeito de transfigurar; mudança
de uma figura noutra; estado glorioso em que, segundo o Evangelho, J esus Cristo apa-
receu no monte Tabor.
Transgredir, (do latim transgredere). Ir ou passar além de. Infringir; quebrantar; vio-
lar.
Transigir, (do latim transigere). Chegar acordo. Ceder; condescender. Conciliar.
Transmigração, (do latim transmigratione). Acto ou efeito de transmigrar; metempsi-
cose (das almas).
Transmigrar, (do latim transmigra). Migrar de um astro para outro astro.
Trasgo, (etim. incerta). Aparição fantástica; duende. Fig. Pessoa muito travessa ou de
má índole.
Tribulação, ((do latim tribulatione). Acção ou efeito de tribular; aflição; adversidade;
amargura; infortúnio.
Tridimensional, (do latim tri-+dimensione). Que tem três dimensões (comprimento,
largura e altura).
Curso Básico de Espiritismo Glossário
- 289 -
Trindade universal, Princípio de tudo o que existe, constituído por Deus, Espírito e
Matéria. Nada para além disto existe no Universo.
Trivialidade, (de trivial). Qualidade do que é trivial; vulgaridade. Banalidade.
Turbilhão, (do fr. Tourbillon). Vento tempestuoso que sopra; redemoinhando; agitação;
Fig. Tudo o que impele o homem à prática do mal ouà satisfação das suas paixões.
Ulcerar, (do latim ulcerare). Causar ulcera em. Fig. Corromper; magoar profundamen-
te, ganhar sofrimento moral, magoar-se.
Único, (do latim unicu). Que é um só. Não tem par na sua espécie ou género. Sem
igual; exclusivo. Que não tem competidor; o melhor.
Universalidade, (do latim universalitate). Qualidade de universal. Generalidade; totali-
dade.
Universo, (do latim universu). Conjunto ilimitado de todo o espaço existente e o seu
conteúdo.
Utopia, (do grego ou+tópos). O que foi, é e será irrealizável. Fantasia, quimera.
Utópico, (de utopia). Relativo à utopia. Fantasioso; quimérico.
Vacuidade, (do latim vacuitate). Estado de vazio. Inanidade.
Vácuo, (do latim vacuu). Que não contém nada; vazio. Espaço onde não existem
moléculas nem átomos.
Ventura, (do latim ventura). Fortuna próspera. Boa sorte. Perigo; risco. Destino. Acaso.
Via-láctea. Nebulosa que se apresenta à nossa vista como uma faixa esbranquiçada no
firmamento, a que pertence o Sol.
Vício, (do latim vitiu). Imperfeição grave pela qual uma pessoa ou uma coisa se afasta
do tipo normal. Hábito profundamente enraizado de acções gravemente imorais. Des-
moralização; libertinagem; defeito; mau hábito.
Vicissitude, (do latim vicissitudine). Alteração; instabilidade das coisas.
Vida, (do latim vita). O resultado da actividade comum às plantas e aos animais e que
concorrem para o seu desenvolvimento e conservação. Existência. Tempo que decorre
entre o nascimento e a morte. Conjunto de coisas necessárias à subsistência. Actividade;
movimento; calor; animação. Origem. Modo de viver.
Vidente, (do latim vidente).Pessoa dotada de mediunidade de vidência que, lhe permite
ver os espíritos e o mundo espiritual.
Vigorar, (do latim vigorare). Dar vigor a. Tornar mais energético; imprimir vigor ou
força a. Encorajar.
Vinculado, (de vincular). Ligado ou instituído por vínculo, ou da natureza deste.
Vislumbrar, (do cast. Vislumbrar). Entrever; lobrigar; enxergar; ver indistintamente;
alumiar frouxamente; conhecer imperfeitamente;
Vital, (do latim vitale). Relativo à vida; que pertence à vida. Próprio para conservar a
vida. Que dá força; fortificante.
Princípio, Realidade energética, que deriva do Fluido Cósmico Universal, que é o res-
ponsável pelo fenómeno de vida nos seres orgânicos.
Vivificar, (do latim vivificare). Dar vida a. Animar; reanimar; dar vigor a.
Volver (do latim volvere). Acto ou efeito de voltar. Regressar.
Vontade, (do latim voluntate). Faculdade que o homem tem de, conscientemente, de-
terminar se pratica ou não um certo acto. Firmeza moral. Desejo; intenção; gosto; em-
penho; interesse; necessidade física ou moral; apetite; disposição favorável ou não.
Vulgo, (do latim vulgu). O comum das gentes; o povo; a plebe; a classe popular.
Xenofobia, (do grego xénos+phóbos). Aversão a tudo o que é estrangeiro; nacionalis-
mo extremado.
Zombeteiro, (de zombar). Que ou aquele que zombeteia, escarnece, graceja, goza.


s descobertas da Ciência, longe de rebaixá-lo, glorificam a
Deus. Elas somente destroem o que os homens construíram
sobre as ideias falsas que hão feito de Deus.
O Espiritismo, avançando com o progresso, jamais será ultrapas-
sado, porque, se novas descobertas lhe demonstrarem que está em
erro acerca de um ponto, ele se modificará nesse ponto; se uma
verdade nova se revelar, ele a aceitará.”
(Allan Kardec, A Génese, Capítulo 1 – Carácter da Revelação Espírita)







Espiritismo é uma questão de fundo; prender-se à forma seria
puerilidade indigna da grandeza do assunto.”
(Allan Kardec, Obras Póstumas, Constituição do Espiritismo)









as, fiel ao princípio de liberdade de consciência, que a Doutri-
na proclama como direito natural, ela respeitará todas as con-
vicções sinceras e não anatematizará os que sustentem ideias diferentes
das suas, nem deixará de aproveitar as luzes que possam brilhar fora do
seu seio.”
(Allan Kardec, Obras Póstumas, Constituição do Espiritismo)
“A
“O
“M


Interesses relacionados