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CAPÍTULO 4

SUMÁRIO


4 – DEUS, ESPÍRITO E MATÉRIA

4.1 DEUS
4.1.1 Provas da sua existência
4.1.2 Atributos da Divindade

4.2 ESPÍRITO E MATÉRIA
4.2.1 Princípio das coisas
4.2.2 Formação dos seres vivos
4.2.2.1 Princípio vital







Curso Básico de Espiritismo Deus, Espírito e Matéria

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4 – DEUS, ESPÍRITO E MATÉRIA

4.1 DEUS

4.1.1 PROVAS DA SUA EXISTÊNCIA

Sendo Deus a
causa primária de todas
as coisas, a origem de
tudo o que existe, a base
em que repousa o edifí-
cio da criação, é também
o ponto que importa
considerarmos antes de
tudo.
A prova da exis-
tência de Deus está neste
axioma: Não há efeito
sem causa. Vemos cons-
tantemente uma imensi-
dão de efeitos, cuja cau-
sa não está na humani-
dade, visto ser impotente para produzi-los, ou, mesmo, para explicá-los. A causa está
acima da humanidade. É a essa causa que se chama Deus, J eová, Alá, Fo-Hi, Grande
Espírito, etc.
Outro princípio igualmente elementar e que, de tão verdadeiro, passou a axioma
é o de que todo o efeito inteligente tem de decorrer de uma causa inteligente.
Os efeitos acima referidos, não se produzem ao acaso, fortuitamente e em desor-
dem. Desde a organização do mais pequenino insecto e da mais insignificante semente,
até à lei que rege os mundos que circulam no espaço, tudo atesta uma ideia directora,
uma combinação, uma providência, uma solicitude que ultrapassam todas as combina-
ções humanas. A causa é, pois, soberanamente inteligente.
A um pobre beduíno, ignorante, que orava muito a Deus, alguém perguntou co-
mo poderia acreditar Nele.
- Pelas suas obras, disse. E explicou:
- Não conhece a origem de uma jóia pelo sinete do joalheiro? Não sabe de quem é
uma carta, pela letra do envelope? Não afirma que um camelo e não um cão passou
pela estrada, olhando simplesmente o rasto deixado pelo animal? Assim, também,
eu sei que Deus existe pelas suas obras.
- Como? Explique melhor.
- É muito fácil. As estrelas do céu, não são obra dos homens, que não poderiam tê-las
colocado lá. Logo, só podem ser obra de Deus e, portanto, Ele existe.
Com respeito ao conceito de Deus, segundo o Espiritismo, sabendo-se que limi-
tar Deus a uma definição é impossível, a Doutrina Espírita procura partir de dados raci-
onais, para não cair no terreno das ideias imaginárias e místicas, que tornam ininteligí-
24 - Um efeito inteligente tem uma causa inteligente
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veis os princípios e as causas.
Daí, a importância de estudar-
mos os atributos da Divindade,
como adiante veremos, a fim de
compreendermos racionalmente
o assunto.
Allan Kardec, em “O
Livro dos Espíritos”, na primei-
ra pergunta, propõe uma ques-
tão aos espíritos sobre Deus, de
uma forma lógica; não usa a
forma QUEM É DEUS? que
daria um sentido de personifi-
cação, uma ideia antropomórfi-
ca. Mas, ele busca a natureza
íntima, a essência das coisas,
formulando a proposição desta
forma: “QUE É DEUS?”. Ao
que os espíritos sabiamente
respondem:
“DEUS É A INTELIGÊNCIA
SUPREMA, CAUSA PRIMÁ-
RIA DE TODAS AS COISAS”.
Achando-nos numa re-
gião habitada exclusivamente
por selvagens, se descobrirmos
uma estátua digna de Fídias,
não hesitaremos em dizer que,
sendo incapazes de tê-la feito os
selvagens, ela é obra de uma
inteligência superior à destes.
Pois bem, lançando o olhar em torno de si, sobre as obras da natureza, reconhece o ob-
servador não haver nenhuma que não ultrapasse os limites da mais portentosa inteligên-
cia humana. Ora, se o homem não as pode produzir, elas são produto de uma inteligên-
cia superior à humanidade, a menos que se sustente que há efeitos sem causa.
A isto opõem alguns o seguinte raciocínio: as obras ditas da natureza são produ-
zidas por forças materiais que actuam mecanicamente, em virtude das leis de atracção e
repulsão; as moléculas dos corpos inertes agregam-se e desagregam-se sob o império
dessas leis. As plantas nascem, brotam, crescem e multiplicam-se sempre da mesma
maneira, cada uma na sua espécie, por efeito daquelas mesmas leis; cada indivíduo as-
semelha-se ao que lhe deu origem; o crescimento, a floração, a frutificação, a coloração
acham-se subordinados a causas materiais, tais como a electricidade, o calor, a luz, a
humidade, etc. O mesmo se dá com os animais. Os astros formam-se pela atracção mo-
lecular e movem-se perpetuamente nas suas órbitas, por efeito da gravitação. Essa regu-
laridade mecânica no emprego das forças naturais não acusa a acção de qualquer inteli-
gência livre. O homem movimenta o braço quando quer e como quer; aquele, porém,
que o movimentasse no mesmo sentido, desde o nascimento até à morte, seria um autó-
mato. Ora, as forças orgânicas da natureza são puramente automáticas.
Tudo isso é verdade; mas, essas forças são efeitos que hão-de ter uma causa e
ninguém pretende que elas constituam a Divindade. Elas são materiais e mecânicas; não
25 – Orar: uma forma de ligação a Deus
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são, em si mesmas, inteli-
gentes, também isso é ver-
dade; mas, são postas em
acção, distribuídas, apro-
priadas às necessidades de
cada coisa por uma inteli-
gência que não é a dos
homens. A aplicação útil
dessas forças é um efeito
inteligente, que denota
uma causa inteligente.
A existência do re-
lógio atesta a existência do
relojoeiro; o engenho do
mecanismo atesta-lhe a
inteligência e o saber.
Quando um relógio nos dá
o momento preciso, a indi-
cação de que necessitamos,
já nos ocorreu dizer: aí está
um relógio bem inteli-
gente?
Outro tanto ocorre com o mecanismo do Universo. Deus não se mostra, mas re-
vela-se pelas suas obras.
A existência de Deus é, pois, uma realidade comprovada, não só pela revelação,
como também pela evidência dos factos. Os povos selvagens nenhuma revelação tive-
ram; entretanto, crêem instintivamente na existência de um poder sobre-humano.
O sentimento instintivo que todos os homens têm da existência de Deus é, tam-
bém, uma prova de que Ele existe e uma consequência do princípio: não há efeito sem
causa. Esse sentimento não é fruto de uma educação, resultado de ideias adquiridas,
pois ele é universal; encontra-se mesmo entre os selvagens, a quem nenhum ensino foi
ministrado a esse respeito.
Questionam alguns se a causa primária da formação das coisas não estaria nas
propriedades íntimas da matéria. Porém, é sempre indispensável uma causa primária.
Atribuí-la a essas propriedades, seria tomar o efeito pela causa, já que tais propriedades
são também um efeito.
Alguns atribuem a formação primária a uma combinação fortuita da matéria, isto
é, ao acaso. Isto constitui um absurdo, uma insensatez, pois o acaso é cego e não pode
produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente já não seria um
acaso. E, demais, o que é o acaso? Nada. O nada não existe.
Há um provérbio que diz: pela obra se conhece o autor! Vede a obra e procurai o
autor. O homem orgulhoso nada admite acima de si. Procurando a obra primária do
Universo, reconhece-se no seu autor uma inteligência suprema, uma inteligência superi-
or à humanidade. Seja qual for o nome que lhe dêem, essa inteligência superior é a cau-
sa primária de todas as coisas. Para crer–se em Deus, basta lançar o olhar para as obras
da criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é
negar que todo o efeito tem uma causa e adiantar que o nada pode fazer alguma coisa.
Se Deus está em toda a parte, porque não o vemos? Vê-lo-emos quando deixar-
mos a Terra? Tais as perguntas que se formulam todos os dias.
26 - Deus revela-se pelas suas obras
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À primeira é fácil responder. Por serem limitadas as percepções dos nossos ór-
gãos visuais, que os tornam inaptos à visão de certas coisas, mesmo materiais.
Os nossos órgãos materiais não podem perceber as coisas de essência espiritual.
Unicamente com a visão espiritual é que podemos ver os espíritos e as coisas do mundo
imaterial. Somente a nossa alma, portanto, pode ter a percepção de Deus. Dar-se-á que
ela o veja logo após a morte?
As comunicações com os espíritos dizem-nos que a visão de Deus constitui pri-
vilégio das mais purificadas almas.
Uma pessoa que se ache no fundo de um vale, envolvida por densa bruma, não
vê o Sol. Entretanto, pela luz difusa, percebe que está sol. Se começa a subir a monta-
nha, à medida que for ascendendo, o nevoeiro irá tornar-se mais claro, a luz cada vez
mais viva. Contudo, ainda não verá o Sol. Só depois de se achar elevada acima da ca-
mada brumosa, e chegado a um ponto onde o ar esteja perfeitamente límpido, ela con-
templa-o em todo o seu esplendor.
O mesmo se dá com a alma. O envoltório perispirítico, embora nos seja, em
condições normais, invisível e impalpável é, em relação a ela, verdadeira matéria, ainda
demasiado grosseira para certas percepções. Ele, porém, espiritualiza-se, à medida que a
alma se eleva em moralidade. As imperfeições da alma são como camadas nevoentas
que lhe obscurecem a
visão.
Nenhum ho-
mem, por conseguinte,
pode ver Deus com os
olhos da carne. Tal
privilégio, aliás, per-
tenceria exclusivamen-
te a almas de eleição,
encarnadas em missão,
e não em expiação.
Mas, como os espíritos
da mais elevada cate-
goria têm brilho ofus-
cante, pode acontecer
que espíritos menos
elevados, encarnados
ou desencarnados, ma-
ravilhados com o es-
plendor que os cerca,
suponham estar a ver o
próprio Deus.
Do livro “Onde
Está Deus?”, do poeta
espírita J osé Soares
Cardoso, extraímos o
seguinte poema, que
reflecte a percepção do
poeta no sentir a Di-
vindade.
27 - Crer em Deus é olhar as Suas obras
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ONDE ESTÁ DEUS?

- Onde está Deus? Pergunta o cientista.
Ninguém O viu jamais. Quem Ele é?
Responde, às pressas, o materialista:
- Deus é somente uma invenção da fé!

O pensador dirá, sensatamente:
- Não vejo Deus, mas sinto que Ele existe!
A Natureza mostra claramente
Em que o poder do Criador consiste.

Mas o poeta dirá, com segurança
De quem afirma porque tem certeza:
- Eu vejo Deus no riso da criança,
No céu, no mar, na luz da natureza!

Contemplo Deus brilhando nas estrelas,
No olhar das mães fitando os filhos seus,
Nas noites de luar claras e belas,
Que em tudo pulsa o coração de Deus!

Eu vejo Deus nas flores e nos prados,
Nos astros a rolar pelo Infinito,
Escuto Deus na voz dos namorados,
E sinto Deus na lágrima do aflito!

Percebo Deus na frase que perdoa,
Contemplo Deus na mão que acaricia,
Escuto Deus na criatura boa
E sinto Deus na paz e na alegria!

Eu vejo Deus no médico salvando,
Pressinto Deus na dor que nos irmana.
Descubro Deus no sábio procurando
Compreender a natureza humana!

Eu vejo Deus no gesto da bondade,
Escuto Deus nos cânticos do crente.
Percebo Deus no sol, na liberdade
E vejo Deus na planta e na semente!

Eu vejo Deus, enfim, por toda parte.
Que tudo fala dos poderes Seus,
Descubro Deus nas expressões da Arte,
No amor dos homens também sinto Deus!

Mas onde eu sinto Deus com mais beleza,
Na sua mais sublime vibração,
Não é no coração da Natureza,
É dentro do meu próprio coração.

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A RETER

1 – A prova da existência de Deus encontra-se nesta máxima: Não há efeito sem causa.
2 – Há umaimensidade de efeitos, cuja causa está acima da humanidade.
3 – O Universo não pode ser causa do acaso. Um acaso inteligente já não seria acaso.
4 – O homem não poderá perceber Deus com os órgãos materiais; só pela alma.


4.1.2 ATRIBUTOS DA DIVINDADE

Não é dado ao
homem sondar a nature-
za íntima de Deus. Para
compreendê-Lo, ainda
nos falta o sentido pró-
prio, que só se adquire
por meio da completa
depuração do espírito.
Mas, se não pode
penetrar na essência de
Deus, o homem, desde
que aceite como premis-
sa a sua existência, pode,
pelo raciocínio, chegar a
conhecer-Lhe os atribu-
tos necessários, porque,
vendo o que Ele não
pode ser, sem deixar de ser Deus, deduz, daí, o que deve ser.
Sem o conhecimento dos atributos de Deus, seria impossível compreender-se a
obra da criação. É esse o ponto de partida de todas as crenças religiosas e é por não se
terem reportado a isso, como o farol capaz de as orientar, que a maioria das religiões
errou nos seus dogmas. As que não Lhe atribuíram omnipotência, imaginaram muitos
deuses; as que não Lhe atribuíram soberana bondade, fizeram dele um deus cioso, colé-
rico, parcial e vingativo.
A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natu-
reza íntima de Deus. Na infância da humanidade, o homem confunde-O, muitas vezes
com a criatura, cujas imperfeições Lhe atribui; mas, à medida que se desenvolve nele o
senso moral, o seu pensamento penetra melhor no âmago das coisas; então, faz ideia
mais justa da Divindade e, ainda que sempre incompleta, mais conforme à sã razão.
Se não pode compreender a natureza íntima de Deus, o homem pode formar
ideia de algumas das suas perfeições e compreendê-las melhor à proporção que se eleva
acima da matéria, entrevendo-as pelo pensamento.
Podemos, assim, dizer que Deus é a suprema e soberana inteligência, imutável,
imaterial, único, omnipotente, soberanamente justo e bom. Tudo isto, por certo, não
expressa exactamente todas as capacidades da Divindade, pois há coisas acima do ho-
mem mais inteligente, as quais a linguagem humana, restrita às ideias e sensações, não
tem meios de exprimir. Todavia, a razão diz que Deus deve possuir em grau supremo
essas perfeições, porque, se uma lhe faltasse, ou não fosse infinita, já Ele não seria supe-
rior a tudo; não seria, por conseguinte, Deus. Para estar acima de todas as coisas, Deus
28 - Deus é eterno
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tem que se achar isento de qualquer vicissitude e de qualquer das imperfeições que a
imaginação possa conceber.
Vejamos agora cada um desses atributos de Deus, conforme o conceito espírita.

Deus é a suprema e soberana inteligência

A inteligência do homem é limitada, pois não pode fazer, nem compreender, tu-
do o que existe. A de Deus, abrangendo o infinito, tem que ser infinita. Se a supusésse-
mos limitada num ponto qualquer, poderíamos conceber outro ser mais inteligente, ca-
paz de compreender e fazer o que o primeiro não faria, e assim por diante, até ao infini-
to.

Deus é eterno

Isto é, não teve começo e não terá fim. Se tivesse tido princípio, teria saído do
nada. Ora, sendo o nada nenhuma coisa, coisa nenhuma pode produzir. Ou, então, teria
sido criado por outro ser anterior e, nesse caso, este ser é que seria Deus. Se lhe supusé-
ssemos um começo ou fim, poderíamos conceber uma entidade existente antes dele e
capaz de lhe sobreviver, e assim por diante, ao infinito.

Deus é infinitamente perfeito

É impossível conceber Deus sem o infinito das perfeições, sem o qual não seria
Deus, pois sempre se poderia conceber um ser que possuísse o que lhe faltasse. Para que
nenhum ser possa ultrapassá-lo, faz-se mister que ele seja infinito em tudo.

Deus é imutável

Se estivesse sujeito
a mudanças, nenhuma esta-
bilidade teriam as leis que
regem o Universo.

Deus é imaterial

Isto é, a Sua natureza
difere de tudo o que cha-
mamos matéria. De outro
modo, não seria imutável,
pois estaria sujeito às trans-
formações da matéria. Deus
carece de forma apreciável
pelos nossos sentidos, sem a
qual seria matéria.


29 - Deus é imutável
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Deus é único

A unicidade de Deus é consequência do facto de serem infinitas as Suas perfei-
ções. Não poderia existir outro Deus, salvo sob a condição de ser igualmente infinito em
todas as coisas, visto que, se houvesse entre eles a mais ligeira diferença, um seria infe-
rior ao outro, subordinado ao poder desse outro e, então, não seria Deus.

Deus é omnipotente

É omnipotente porque é único. Se não dispusesse do soberano poder, algo have-
ria mais poderoso ou tão poderoso como Ele, que então não teria feito todas as coisas.
As que não tivesse feito, seriam obra de outro deus.

Deus é soberanamente justo e bom

A providencial sabedoria das leis divinas revela-se nas mais pequeninas coisas,
como nas maiores, não permitindo essa sabedoria que se duvide da sua justiça, nem da
sua bondade.
O facto de uma qualidade ser infinita, exclui a possibilidade de uma qualidade contrária,
porque esta a apoucaria ou anularia. Um ser infinitamente bom não poderia conter a
mais insignificante parcela de maldade, nem o ser infinitamente mau conter a mais in-
significante parcela de bondade, do mesmo modo que um objecto não pode ser um ne-
gro absoluto, com a mais ligeira nuance de branco, nem de um branco absoluto com a
mais pequena mancha preta.
Deus, pois, não poderia ser simultaneamente mau e bom, porque, então, não pos-
suindo qualquer dessas duas qualidades no grau supremo, não seria Deus. Ele não pode-
ria, por conseguinte, deixar de ser infinitamente bom ou infinitamente mau. Ora, como
as Suas obras dão testemunho da Sua sabedoria, da Sua bondade e da Sua solicitude,
concluir-se-á que, não podendo ser ao mesmo tempo bom e mau sem deixar de ser
Deus, tem de ser necessariamente infinitamente bom.
A soberana bondade implica a soberana justiça, porque se Ele procedesse injus-
tamente ou com parcialidade
numa só circunstância que fosse,
ou em relação a uma só das Suas
criaturas, já não seria soberana-
mente justo e, em consequência,
já não seria soberanamente bom.
Deus é, pois, a inteligên-
cia suprema e soberana, é úni-
co, eterno, imutável, imaterial,
omnipotente, soberanamente
justo e bom, infinito em todas as
perfeições, e não pode ser diver-
so disso.
Tal o eixo sobre o qual
repousa o edifício universal. É
esse o farol cujos raios se esten-
dem sobre o Universo inteiro,
única luz capaz de guiar o ho-
mem na pesquisa da verdade.
30 - Deus é soberanamente justo e bom
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Tal, também, o critério infalível de todas as doutrinas filosóficas e religiosas. Pa-
ra apreciá-las, o homem dispõe da medida rigorosamente exacta nos atributos de Deus e
pode afirmar a si mesmo que toda a teoria, todo o princípio, todo o dogma, toda a
crença, toda a prática que estiver em contradição com um só que seja desses atribu-
tos, que tenda, não só a anulá-lo, mas simplesmente a diminuí-lo, não pode estar com
a verdade.
Em filosofia, em psicologia, em moral, em religião, só é verdadeiro o que não se
afaste, nem um til, das qualidades essenciais da Divindade. A religião perfeita será
aquela em que nenhum dos artigos de fé esteja em oposição àquelas qualidades; aquelas
cujos dogmas suportem todos a prova dessa verificação sem nada sofrerem.


A RETER

1 – O homem não percebe a natureza íntima de Deus por falta de sentido próprio, mas
pode conhecer-Lhe alguns atributos.
2 – Conforme a Doutrina Espírita, os atributos de Deus são os seguintes:
Deus é a suprema e soberana inteligência; é eterno; infinitamente perfeito; é
imutável; é imaterial. Deus é único, omnipotente, soberanamente justo e bom.
3 – Em filosofia, em moral, em religião, só é verdadeiro o que não se afaste, nem um til,
das qualidades essenciais da Divindade.


4.2 ESPÍRITO E MATÉRIA

No desdobramento da questão n.º
22 de “O Livro dos Espíritos”, a definição
de matéria está exposta assim:
“A matéria é o laço que prende o
espírito; é o instrumento de que este se
serve e sobre o qual, ao mesmo tempo,
exerce sua acção.”
A esta definição, Allan Kardec faz o
seguinte comentário:
“Deste ponto de vista, pode dizer-se
que a matéria é o agente, o intermediário
com o auxílio do qual e sobre o qual actua
o espírito.”
À pergunta: “Que é o Espírito?”,
Allan Kardec obteve dos espíritos a seguin-
te resposta: “O princípio inteligente do
Universo.”
E, quanto à natureza íntima do espí-
rito, esclareceram: “Não é fácil analisar o
espírito com a vossa linguagem. Para vós
ele nada é, por não ser palpável. Para nós,
entretanto, é alguma coisa.”
A inteligência é um atributo essen-
31 - O espírito actua sobre a matéria
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cial do espírito e uma e outro confundem-se num princípio comum, de tal sorte que po-
dem ser considerados pelos encarnados a mesma coisa.
O espírito independe da matéria e são distintos um do outro, mas, a união do es-
pírito e da matéria é necessária para intelectualizá-la.
O homem não possui uma organização apta a perceber o espírito sem a matéria,
porque os seus sentidos não são apropriados para isso. (Entende-se aqui por espírito o
princípio da inteligência e não as individualidades desencarnadas que por esse nome se
designam).
Há, pois, dois elementos gerais do Universo: a Matéria e o Espírito, e acima de
tudo Deus, o Criador, o Pai de todas as coisas. Deus, Espírito e Matéria constituem o
princípio de tudo o que existe, a trindade universal.
Mas, ao elemento material, tem que se juntar o fluido universal, que desempe-
nha o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita, demasiado
grosseira para que o espírito possa exercer a sua acção sobre ela. Embora, de certo pon-
to de vista, seja lícito classificá-lo como o elemento material, ele distingue-se deste por
propriedades especiais. Está colocado entre o espírito e a matéria; é fluído, como a ma-
téria é matéria, e susceptível, pelas suas inúmeras combinações com esta e, sob a acção
do espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conhecemos uma
parte mínima. Esse fluído universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente que o
espírito utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão
e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.
A matéria, como a entendemos, é ponderável, porém, considerada como fluido
universal é tão etérea e subtil que é imponderável, apesar de ser o princípio da matéria
pesada. Daí, que a gravidade seja uma propriedade relativa. Fora das esferas de atracção
dos mundos não há peso, do mesmo modo que não há alto nem baixo.
Todos os corpos são formados de um só elemento primitivo, que se modifica pa-
ra dar origem aos corpos chamados simples.
É este elemento primitivo que determina as diversas propriedades que a matéria
apresenta, devido às modificações que as suas moléculas elementares sofrem, por efeito
da sua união, em certas circunstâncias. Esta matéria elementar é susceptível de experi-
mentar todas as modificações e adquirir todas as propriedades, daí poder dizer-se que
“tudo está em tudo”. Dessa forma, o oxigénio, o hidrogénio, o azoto, o carbono e todos
os corpos que consideramos simples são meras modificações de uma substância primiti-
va. A impossibilidade que ainda temos de remontar, a não ser pelo pensamento, a esta
matéria primária, esses corpos são para nós verdadeiros elementos e podemos, sem mai-
ores consequências, tê-los como tais, até nova ordem.
O Espaço Universal é ilimitado e infinito. Todavia, o homem não poderá com-
preendê-lo nesta pequenina esfera terrena. Por mais distante que a imaginação coloque o
limite do espaço, a razão diz que além deste limite há alguma coisa e, assim, gradativa-
mente até ao infinito, porque, embora essa alguma coisa fosse o vazio absoluto, ainda
seria espaço. E os espíritos afirmam que no Universo não há o vácuo absoluto; o que
nos parece vazio está ocupado por matéria que escapa aos sentidos e aos instrumentos
humanos.
Quer a matéria exista desde toda a eternidade, como Deus, quer tenha sido criada
numa época qualquer, é evidente, segundo o que se passa quotidianamente às nossas
vistas, que são temporárias as transformações da matéria e que dessas transformações
resultam diferentes corpos, que incessantemente nascem e se destroem.
Como produto que são da aglomeração e da transformação da matéria, os diver-
sos mundos hão-de ter tido, como todos os corpos materiais, começo e terão fim, de
acordo com leis que desconhecemos. A Ciência pode, até certo ponto, formular as leis
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que lhes presidiram à formação e remontar ao seu estado primitivo. Toda a teoria filosó-
fica, em contradição com os factos que a Ciência comprova, é necessariamente falsa, a
menos que prove estar errada a Ciência.
O Universo abrange a infinidade dos mundos que vemos e que não vemos, todos
os seres animados e inanimados, todos os astros que se movem no espaço, assim como
os fluidos que o enchem.
A razão leva-nos a concluir que o Universo não pode ter-se formado por si
mesmo nem por obra do acaso, mas que há-de ser obra de Deus. Deus criou o Universo
pela Sua vontade omnipotente, caracterizada nas belas palavras de “A Génese Bíblica”,
Deus disse: “Faça-se a luz e a luz foi feita.”
Quanto ao modo de formação dos mundos, o que poderemos compreender é que
eles se formam pela condensação da matéria disseminada no espaço. Deus renova os
mundos, como renova os seres vivos; assim, um mundo completamente formado, pode-
rá desaparecer e a matéria que o compõe disseminar-se de novo no espaço.


A RETER

1 – A matéria é o laço que prende o espírito; o espírito é o princípio inteligente do Uni-
verso.
2 – Deus, Espírito e Matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade
universal.
3 – O fluido universal desempenha o papel de intermediário entre o espírito e a matéria.
Sem esse elemento primitivo, etéreo, subtil e imponderável, a matéria estaria em
perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.


4.2.1 PRINCÍPIO DAS COISAS

Segundo nos informam os espíritos na
codificação, não é possível que seja tudo reve-
lado ao homem neste mundo. Assim, não lhe é
dado conhecer o princípio das coisas. Somente
à medida que ele se depura é que o véu das
coisas ocultas se levanta aos seus olhos; mas,
para compreender certas coisas, são-lhe neces-
sárias faculdades que ainda não possui.
Pela Ciência, que lhe foi dada para seu
adiantamento em todas as coisas, o homem
pode, usando a investigação, penetrar nalguns
segredos da natureza. Porém, não pode ultra-
passar os limites que Deus estabeleceu.
Segundo Allan Kardec, quanto mais o
homem consegue penetrar nesses mistérios,
maior admiração lhe devem causar o poder e a sabedoria do Criador. Entretanto, seja
por orgulho, seja por fraqueza, a sua própria inteligência fá-lo joguete da ilusão. Ele
amontoa sistemas sobre sistemas e cada dia que passa mostra-lhe quantos erros tomou
por verdades e quantas verdades rejeitou como erros. São outras tantas decepções para o
seu orgulho.
32 - A Ciência só penetra alguns segre-
dos da natureza
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Do mesmo modo, se julgar conveniente, Deus pode revelar ao homem o que à
Ciência não é dado apreender. Desse modo, o homem pode receber comunicações de
ordem mais elevada acerca do que lhe escapa ao testemunho dos sentidos. É por essas
comunicações que o homem adquire, dentro de certos limites, o conhecimento do seu
passado e do seu futuro.
Em “Obras Póstumas”, de Allan Kardec, 1.ª parte, § 3.º, encontramos:
“O princípio das coisas reside nos arcanos de Deus.”
Tudo diz que Deus é o autor de todas as coisas, mas como e quando as criou? A
matéria existe, como Ele, de toda a eternidade? Ignoramo-lo. Acerca de tudo que Ele
não julgou conveniente revelar-nos, apenas podem erguer-se sistemas mais ou menos
prováveis. Dos efeitos que observamos, podemos remontar a algumas causas. Há, po-
rém, um limite que nos é impossível transpor. Querer ir além é, simultaneamente, perder
tempo e cair em erro.


A RETER

1 – Deus não permite que neste mundo seja revelado ao homem o princípio das coisas.
Para compreendê-las são necessárias faculdades que ainda não possui.
2 – Com respeito a tudo que Ele não julgou conveniente revelar-nos, apenas se podem
criar sistemas mais ou menos prováveis.


4.2.2 FORMAÇÃO DOS SERES VIVOS

Houve tempo em que não existiam seres vivos na Terra; logo, eles tiveram co-
meço. Cada espécie foi aparecendo à medida que o globo adquiria as condições necessá-
rias à sua existência.
A Terra continha os germes dos seres vivos, que aguardavam o momento favo-
rável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos congregaram-se, desde que cessou
a actuação da força que os mantinha afastados, e formaram os germes de todos os seres
vivos. Estes germes permaneceram em estado latente de inércia, como a crisálida e as
sementes das plantas até ao momento propício ao surto de cada espécie. Os seres de
cada uma destas espécies reuniram-se, então, e multiplicaram-se.
Os elementos orgânicos, antes da formação da Terra, achavam-se em estado de
fluido no espaço, no plano espiritual, ou noutros planetas, à espera da criação da Terra
para começarem nova existência num novo globo.
A espécie humana encontrava-se entre os elementos orgânicos contidos no globo
terrestre e veio a seu tempo. Foi o que deu lugar a que se dissesse que o homem se for-
mou do limo da terra.
Quanto à época do aparecimento do homem e dos seres vivos na Terra, todos os
cálculos humanos são quiméricos.
O princípio das coisas está nos segredos de Deus. Entretanto, pode dizer-se que
os homens, uma vez espalhados na Terra, absorveram em si mesmos os elementos ne-
cessários à sua própria formação, para os transmitir segundo as leis da reprodução. O
mesmo se deu com as diferentes espécies de seres vivos.
O homem surgiu em muitos pontos do globo e em várias épocas, o que também
constitui uma das causas da diversidade das raças, além dos factores do clima, da vida e
Curso Básico de Espiritismo Deus, Espírito e Matéria

- 91 -
dos costumes. Mais tarde, os homens, dispersando-se por climas diferentes e aliando-se
os de umas aos de outras raças, formaram novos tipos.
Emmanuel, no seu livro “A Caminho da Luz”, revela que as formas de todos os
reinos da natureza terrestre foram estudadas e previstas sob a orientação sábia de J esus,
que coordenava o trabalho de numerosas assembleias de operários espirituais. Ele diz
que os fluidos da vida foram manipulados de modo a se adaptarem às condições físicas
do planeta, encenando-se as construções celulares segundo as possibilidades do ambien-
te terrestre, obedecendo tudo a um plano preestabelecido. Uma camada de matéria gela-
tinosa envolvera o orbe terreno nos seus mais íntimos contornos. Essa matéria, amorfa e
viscosa, era o celeiro sagrado das sementes da vida. O protoplasma foi o embrião de
todas as organizações do globo terrestre, e, se essa matéria, sem forma definida, cobria a
crosta solidificada do planeta, em breve a condensação da massa dava origem ao surgi-
mento do núcleo, iniciando-se as primeiras manifestações dos seres vivos. Os primeiros
habitantes da Terra, no plano material, são as células albuminóides, as amebas e todas
as organizações unicelulares, isoladas e livres, que se multiplicam prodigiosamente na
temperatura tépida dos oceanos.


A RETER

1 – Houve tempo em que não existiam seres vivos na Terra. Cada espécie foi aparecen-
do à medida que o globo adquiria as condições necessárias à sua existência.
2 – A espécie humana encontrava-se entre os elementos orgânicos contidos no globo
terrestre e veio a seu tempo. Quanto à época do seu aparecimento e dos outros seres
vivos, todos os cálculos humanos são quiméricos.
3 – O homem surgiu em muitos pontos do globo e em várias épocas, motivo da diversi-
dade das raças, além do clima, da vida e dos costumes.


4.2.2.1 PRINCÍPIO VITAL

Os seres orgânicos são os que têm em si uma fonte de actividade íntima que lhes
dá a vida. Nessa classe estão os homens, os animais e as plantas.
Seres inorgânicos são todos os que carecem de vitalidade, de movimentos
próprios e que se formam apenas pela agregação da matéria. Tais são os minerais, a
água, o ar, etc.
33 - Espécie Humana encontrava-se nos elementos orgânicos da Terra. Veio a seu tempo
Curso Básico de Espiritismo Deus, Espírito e Matéria

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A força que une os elementos da maté-
ria nos corpos orgânicos e inorgânicos é a
mesma. A matéria que compõe esses corpos
também é a mesma, porém, nos corpos orgâni-
cos está animada pela sua união com o princí-
pio vital.
A vida é um efeito devido à acção de
um agente sobre a matéria que é o princípio
vital. Esse agente, sem a matéria não é a vida,
do mesmo modo que a matéria não pode viver
sem esse agente. Ele dá a vida a todos os seres
que o absorvem e assimilam.
Combinando-se sem o princípio vital, o
oxigénio, o hidrogénio, o azoto e o carbono
unicamente teriam formado um mineral ou
corpo inorgânico; o princípio vital, modifican-
do a constituição molecular desse corpo, dá-lhe
propriedades especiais. Em lugar de uma molé-
cula mineral, tem-se uma molécula de matéria
orgânica.
O princípio vital tem por fonte o fluido
universal. É o que chamamos de fluído magné-
tico ou fluído eléctrico animalizado. É o inter-
mediário, o elo existente entre o espírito e a
matéria. Ele é um só para todos os seres vivos,
mas modificado segundo as espécies. É ele que
lhes dá movimento e actividade e os distingue
da matéria inerte, porque o movimento da matéria não é vida. Esse movimento ela rece-
be-o, não o dá.
A actividade do princípio vital é alimentada durante a vida pela acção do funcio-
namento dos órgãos, do mesmo modo que o calor, pelo movimento de rotação de uma
roda. Cessada aquela acção, pela morte, o princípio vital extingue-se, como o calor,
quando a roda deixa de girar. Mas, o efeito produzido por esse princípio sobre o estado
molecular do corpo subsiste, mesmo depois dele extinto, como a carbonização da maté-
ria subsiste à extinção do calor.
A causa da morte dos seres orgânicos é o esgotamento dos órgãos. Morto o ser
orgânico, os elementos que o compõem sofrem novas combinações, de que resultam
novos seres, os quais aurem na fonte universal o princípio da vida e da actividade; ab-
sorvem-no e assimilam-no, para, novamente, o restituírem a essa fonte, quando deixa-
rem de existir.
Os órgãos impregnam-se, por assim dizer, desse fluido vital e esse fluido dá a
todas as partes do organismo uma actividade que os põe em comunicação entre si, nos
casos de certas lesões, e normaliza as funções momentaneamente perturbadas. Mas,
quando os elementos essenciais ao funcionamento dos órgãos estão destruídos, ou muito
profundamente alterados, o fluido vital torna-se impotente para lhes transmitir o movi-
mento da vida e o ser morre.
A quantidade de fluido vital não é igual em todos os seres orgânicos. Varia se-
gundo as espécies e não é constante, quer em cada indivíduo, quer nos indivíduos de
uma espécie. Alguns acham-se, por assim dizer, saturados desse fluido, enquanto outros
34 - Princípio vital
Curso Básico de Espiritismo Deus, Espírito e Matéria

- 93 -
o possuem em quantidade apenas suficiente. Daí, para alguns, vida mais activa, mais
tenaz e, de certa forma, superabundante.
A quantidade de fluido vital esgota-se. Pode tornar-se insuficiente para a conser-
vação da vida, se não for renovada pela absorção e assimilação das substâncias que o
contêm.
O fluido vital transmite-se de um indivíduo para outro. Aquele que o tiver em
maior porção pode dá-lo a um que o tenha de menos e, em certos casos, prolongar a
vida prestes a extinguir-se.


A RETER

1 – Seres orgânicos são os que tem em si uma fonte de actividade íntima que lhes dá a
vida. Nesta classe estão os homens, os animais e as plantas.
2 – Seres inorgânicos são todos os que carecem de vitalidade, de movimentos próprios e
que se formam apenas pela agregação da matéria, como os minerais, a água, o ar,
etc.
3 – A força que os une e a matéria que os compõe é a mesma; porém, nos corpos orgâni-
cos está animalizada pela sua união com o princípio vital, que tem por fonte o flui-
do universal.
4 – A actividade do princípio vital é alimentada durante a vida pela acção e funciona-
mento dos órgãos, que, esgotando-se, o ser morre.
5 – A quantidade de fluido vital não é igual em todos os seres orgânicos. Varia segundo
as espécies e não é constante, quer em cada indivíduo, quer nos indivíduos de uma
espécie. Pode esgotar-se e tornar-se insuficiente para a conservação da vida.
6 – O fluido vital pode ser transmitido entre indivíduos e, em certos casos, prolongar a
vida prestes a extinguir-se.




BIBLIOGRAFIA

Allan Kardec:
“A Génese”, Caps. II e X, 18.ª Edição (Popular), 1976, Federação Espírita Brasileira;
“Obras Póstumas”, 1.ª Parte, §1.º, §3.º, 13.ª Edição, Federação Espírita Brasileira;
“O Livro dos Espíritos”, 1.ª Parte, Caps. I/IV, 33.ª Edição, Federação Espírita Brasilei-
ra.

Emmanuel, “A Caminho da Luz”, psicografia de Francisco Cândido Xavier, Cap. II, 5.ª
Edição, Federação Espírita Brasileira.

Pedro Franco Barbosa, “Espiritismo Básico”, 2.ª Parte, 1.ª Edição, 1976, Centro Brasi-
leiro de Homeopatia, Espiritismo e Obras Sociais – CBHEOS

J osé Soares Cardozo, “Onde Está Deus?”, 1976, São Paulo, Editora Tempos Novos
Ltda.

Mínimus, “Noções de Filosofia Espírita”, 2.ª Edição, Federação Espírita Brasileira.
Curso Básico de Espiritismo Minigrupos

- 94 -
MINIGRUPOS (apoio bibliográfico)

Leia com atenção o apoio bibliográfico e faça um resumo para cada tema:


MINIGRUPO 1: DEUS – Provas da Sua existência e atributos

1 – Provas da existência de Deus
Allan Kardec:
“O Livro dos Espíritos”, Questões 1 a 9;
“A Génese”, Cap. II, N.os 1 a 7.

2 – Atributos da divindade
Allan Kardec:
“O Livro dos Espíritos”, Cap. I, Questões 10 a 13;
“A Génese”, Cap. II, N.os 8 a 19.

Um elemento do grupo funcionará como secretário para posteriormente apresentar as conclusões.


MINIGRUPO 2: ESPÍRITO E MATÉRIA – O princípio das coisas

1 – Espírito e matéria
Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, Cap. II, Questões 21 a 28; 29 a 34; 35 e 36.

2 – O conhecimento do princípio das coisas
Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, Cap. II, Questões 17 a 20.

Um elemento do grupo funcionará como secretário para posteriormente apresentar as conclusões.


MINIGRUPO 3: FORMAÇÃO DOS SERES VIVOS

1 – Formação primária dos seres vivos
Allan Kardec:
“O Livro dos Espíritos”, Cap. III, Questões 43 a 49;
“A Génese”, Cap. X, N.os 1 a 15.

2 – Formação dos mundos
Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, Cap. III, Questões 37 a 42.

3 – O homem corpóreo
Allan Kardec:
“O Livro dos Espíritos”, Cap. III, Questões 50 a 54;
“A Génese”, Cap. X, N.os 26 a 30.

Um elemento do grupo funcionará como secretário para posteriormente apresentar as conclusões.
Curso Básico de Espiritismo Minigrupos

- 95 -
MINIGRUPO 4: PRINCÍPIO VITAL

1 – Do princípio vital
Allan Kardec:
“O Livro dos Espíritos”, Cap. IV, Questões 60 a 67;
“A Génese”, Cap. X, N.os 16 a 18.

2 – A vida e a morte
Allan Kardec:
“O Livro dos Espíritos”, Cap. IV, Questões 68 a 70 e complemento;
“A Génese”, Cap. X, N.os 18 e 19.


Um elemento do grupo funcionará como secretário para posteriormente apresentar as conclusões.
Curso Básico de Espiritismo Minigrupos

- 96 -
MINIGRUPOS

Depois de ter estudado este capítulo, responda, por escrito, às seguintes
questões:







MINIGRUPO 1: DEUS – Provas da sua existência e atributos

1 – O que é Deus?
2 – Que provas temos da existência de Deus?
3 – Pode o homem, pelo raciocínio, chegar a conhecer os atributos de Deus?
4 – Enumere os atributos de Deus.
5 – “Deus é infinitamente perfeito”. Explique porquê.





MINIGRUPO 2: DEUS – Provas da sua existência e atributos

1 – Qual é a 1.ª pergunta d’ O Livro dos Espíritos?
2 – Concorda que todas as obras da natureza são apenas produzidas por forças materiais,
que actuam mecanicamente, em virtude das leis de atracção e repulsão e/ou que a
formação da matéria é obra do acaso? Porquê?
3 – Se Deus está em toda a parte, porque não o vemos?
4 – Como se explica que algumas pessoas dizem ver Deus?
5 – Explique os oito atributos de Deus.





MINIGRUPO 3: ESPÍRITO E MATÉRIA – O princípio das coisas

1 – Como está definido em “O Livro dos Espíritos”, perguntas n.º 22 e 23, o que é o
espírito e a matéria?
2 – Quais são os três elementos do Universo?
3 – O que é o fluido cósmico universal (FCU) e para que serve ao espírito?
4 – No Universo existe o vácuo absoluto? Explique.
5 – Porque não conhece o homem o princípio das coisas?


Curso Básico de Espiritismo Minigrupos

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MINIGRUPO 4: FORMAÇÃO DOS SERES VIVOS – Princípio vital

1 – Como se formaram os seres vivos?
2 – Como explica o Espiritismo a expressão: “O homem formou-se do limo da terra”?
3 – Quais as causas da diversidade da raça humana?
4 – Segundo Emmanuel, quem coordenou a formação da Terra e de todas as formas da
natureza?
5 – Como explica Emmanuel, no livro “A Caminho da Luz”, a formação dos seres vivos
na Terra?





MINIGRUPO 5: FORMAÇÃO DOS SERES VIVOS – Princípio vital

1 – Qual a diferença entre seres orgânicos e inorgânicos? O que os distingue?
2 – A que se deve a vida nos corpos orgânicos?
3 – O que é o princípio vital? De onde vem esse fluido magnético, ou também chamado
fluido eléctrico animalizado?
4 – Como é mantido o princípio vital ao longo da vida?
5 – A quantidade de fluido vital não é a mesma em todos os indivíduos. Será que pode
transmitir-se de uns para outros?
Curso Básico de Espiritismo teste

- 98 -
TESTE

NOME: _____________________________________ DATA: ___ /___ /___

1 – MARQUE A ALTERNATIVA CORRECTA COM UM “X”.

1.1 – Um dos princípios que prova a existência de Deus é:
( ) a – O Universo origina-se das propriedades íntimas da matéria; a criação é produto
do acaso;
( ) b – Há certos efeitos sem causa; Deus não se mostra;
( ) c – Não há efeito sem causa; Deus revela-se pelas suas obras;
( ) d – Existem inúmeras religiões; todas acreditam em Deus.

1.2 – O homem terreno não pode ver Deus, porque:
( ) a – Os órgãos materiais não percebem a essência espiritual e somos almas demasia-
do depuradas para ter tal visão;
( ) b – Não assemelha a Sua imagem à da criatura;
( ) c – A Sua luz nos causaria total cegueira;
( ) d – Os órgãos materiais não percebem a essência espiritual e as imperfeições da al-
ma obscurecem a visão.

1.3 – A matéria é:
( ) a – A causa da nossa existência;
( ) b – O instrumento do espírito;
( ) c – O laço que prende o espírito;
( ) d – O princípio inteligente do Universo.

1.4 – O espírito é:
( ) a – Um atributo essencial da inteligência;
( ) b – Um atributo essencial da moral;
( ) c – O princípio inteligente do Universo;
( ) d – O princípio ético/moral do Universo.

1.5 – O conhecimento do princípio das coisas não é dado ao homem, porque:
( ) a – Há mistérios que são dogmas religiosos;
( ) b – Deus não permite que tudo lhe seja revelado, por falta de faculdades que lhe
permitam perceber determinadas coisas;
( ) c – Ainda não chegou o tempo determinado para isso;
( ) d – Há mistérios que nunca poderão ser revelados.

1.6 - O princípio vital:
( ) a – Tem por fonte o FCU e dá vida aos seres que o absorvem e assimilam;
( ) b – Tem por fonte o FCU e dá vida aos seres orgânicos e inorgânicos;
( ) c – É a matéria que compõe os corpos orgânicos e inorgânicos;
( ) d – É a matéria que compõe só os seres inorgânicos.

2 – ASSINALE COM “V”, SE VERDADEIRO, OU “F”, SE FALSO.
Curso Básico de Espiritismo teste

- 99 -

( ) a – Quanto mais o homem desenvolve o senso moral, menos compreende Deus.
( ) b – O conhecimento possível ao homem é adquirido, essencialmente, através da des-
coberta e da revelação.
( ) c – Deus, Espírito e Matéria constituem o princípio de tudo o que existe.
( ) d – O fluido cósmico universal desempenha o papel de intermediário entre o espírito
e a matéria.
( ) e – Quanto à quantidade, o Princípio Vital é igual em todas as espécies, constante e
sempre suficiente nos indivíduos, não podendo ser transmitido.

3 – JOGO DA PALAVRA CHAVE – INTELIGÊNCIA.

01. I
02. N
03. T
04. E
05. L
06. I
07. G
08. E
09. N
10. C
11. I
12. A


01 – A unicidade de Deus decorre das Suas infinitas perfeições. Por isso Ele é
02 – Deus não teve começo e nem terá fim, pois Ele é
03 – A falta deste atributo daria instabilidade às leis do Universo.
04 – O criador de todas as coisas.
05 – Os atributos de Deus constituem para as filosofias e religiões o critério
06 – Deus é infinitamente
07 – Deus é a suprema e soberana
08 – Deus difere de tudo o que chamamos matéria, pois Ele é
09 – Em todas as perfeições, Deus é
10 – Deus é a causa primária de todas as
11 – Porque é único, Deus é soberano poder; logo Ele é
12 – Por ser Deus soberanamente bom, não podemos duvidar da Sua