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CAPÍTULO 6

SUMÁRIO

6 – PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS

6.1 INTRODUÇÃO – Revisão histórica
6.1.1 Reencarnação e metempsicose
6.1.2 Reencarnação e ressurreição
6.1.3 Reencarnação na Bíblia e nos Evange-
lhos
6.1.4 Reencarnação e evolução anímica
6.1.5 Reencarnação e a evolução do homem
6.1.6 Evidências da reencarnação

6.2 OBJ ECTIVO DA ENCARNAÇÃO
6.2.1 J ustiça da reencarnação

6.3 DA VOLTA DO ESPÍRITO, EXTINTA A
VIDA CORPORAL, À VIDA MATERIAL


Curso Básico de Espiritismo Pluralidade das Existências
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6 – PLURALIDADE DAS EXIS-
TÊNCIAS

6.1 INTRODUÇÃO – Revisão histórica

A doutrina das vidas su-
cessivas, ou reencarnação, tam-
bém chamada palingenesia, de
duas palavras gregas – palin, de
novo, génesis, nascimento. O que
há de mais notável é que, desde os
alvores da civilização, ela foi
formulada, na Índia, com uma
precisão que o estado intelectual
dessa época longínqua não fazia
pressagiar.
Com efeito, desde a mais
remota antiguidade, os povos da
Ásia e da Grécia acreditaram na imortalidade da alma e, mais ainda, muitos procuravam
saber se essa alma fora criada no momento do nascimento ou se existia antes.
A Índia é, muito provavelmente, o berço intelectual da humanidade. É interes-
sante que se encontrem no livro dos vedas, “Bhagavad Gita”, passagens como as que se
seguem, de acordo com o livro de Gabriel Delanne, “A Reencarnação”:
“Assim como se deixam as vestes gastas para usar vestes novas, também a alma
deixa o corpo usado para revestir novos corpos. (…) Os mundos voltarão a Brama, ó
Arjuna, mas aquele que me atingiu não deve mais renascer.”
Encontra-se no Mazdeísmo, religião da Pérsia, uma concepção muito elevada, a
da redenção final concedida a todas as criaturas, depois de haverem, entretanto, experi-
mentado as provas expiatórias que devem conduzir a alma humana à sua felicidade fi-
nal.
Na Grécia vai encontrar-se a doutrina das vidas sucessivas nos poemas órficos;
era a crença de Pitágoras, de Sócrates, de Platão, de Apolónio e de Empédocles. Com o
nome de metempsicose, falam dela muitas vezes nas suas obras em termos velados,
porque, em grande parte, estavam ligados pelo juramento iniciático; contudo, ela é afir-
mada com clareza no último livro de “A República”, em “Fedra”, em “Timeu” e em
“Fédon”, de Platão.
Platão adopta a ideia pitagórica da palingenesia. Ele fundou-a em duas razões
principais, expostas em “Fédon”. A primeira é que, na natureza, a morte sucede à vida,
e, sendo assim, é lógico admitir que a vida sucede à morte, porque nada pode nascer do
nada e se os seres que vemos morrer não devessem voltar à Terra tudo acabaria por se
absorver na morte. Em segundo lugar, o grande filósofo baseia-se na reminiscência,
porque, segundo ele, aprender é recordar.
A escola neoplatónica de Alexandria ensina a reencarnação, precisando, ainda,
as condições, para a alma, dessa evolução progressiva.
42 - Templo de Diana, Atenas, Grécia
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Para Plotino, a alma comete faltas, é condenada a expiá-las, recebendo punições
em infernos tenebrosos; depois, é obrigada a passar a outro corpo, para recomeçar as
suas provas.
Porfírio não crê na metempsicose, mesmo como punição das almas perversas e,
segundo ele, a reencarnação só se opera no género humano.
Segundo Jâmblico, a justiça de Deus não é a justiça dos homens. O homem de-
fine a justiça sob o ponto de vista da sua vida actual e do seu estado presente. Deus de-
fine-a relativamente às nossas existências sucessivas e à universalidade das nossas vi-
das.
Entre os romanos, que receberam a maior parte dos seus conhecimentos da
Grécia, Virgílio exprime claramente a ideia da palingenesia. Diz também Ovídeo que a
sua alma, quando for pura, irá habitar os astros que povoam o firmamento, o que esten-
de a palingenesia até aos outros mundos semeados no espaço.
Os gauleses praticavam a religião dos druidas, acreditavam na unidade de Deus
e nas vidas sucessivas.
Durante todo o período da Idade Média, a doutrina palingenésica ficou velada,
porque era severamente proscrita pela Igreja, então toda-poderosa. Foi preciso chegar
aos tempos modernos, e à liberdade de pensar e discutir publicamente, para que a ver-
dade das vidas sucessivas pudesse renascer à grande luz da publicidade.
Descartes, Leibniz e Kant tiveram uma certa intuição destes factos (caracteres
dissemelhantes dos gémeos e terem os meninos-prodígio talentos que os pais não possu-
íam); Descartes, sobretudo, na sua teoria das ideias inatas refere-se a ela.
Basearam-se na crença das vidas sucessivas: o Bramanismo, o Budismo, o
Druidismo, o Islamismo. O Cristianismo não abriu excepção à regra. Traços desta
doutrina encontram-se em “O Evangelho”. Orígenes, Clemente de Alexandria e a
maior parte dos cristãos dos primeiros séculos admitiam-na.
Ainda que em tempos remotos grandes pensadores cristãos tenham aceite a dou-
trina das vidas sucessivas, como Orígenes, Agostinho, Francisco de Assis, Jerónimo,
entre inúmeros outros pensadores religiosos e leigos, antigos e modernos, muitos man-
têm-se na obstinada negativa de quem concluiu sem estudar, como o que não viu e não
gostou.
Segundo Leslie D. Weatherhead, da Igreja Anglicana de Londres (The Case for
Reencarnation, de Leslie D. Weatherhead, Londres, 1958), o conceito das vidas sucessi-
vas foi rejeitado pela Igreja Católica no Concílio de Constantinopla, em 553, por vota-
ção, na qual a reencarnação perdeu por três a dois. O que realmente aconteceu foi que
um sínodo local condenou os ensinamentos de Orígenes acerca da preexistência da al-
ma, em 553, na cidade de Constantinopla, crê-se que por imposição política do impera-
dor J ustiniano, a cuja esposa desagradava a ideia de poder reencarnar como escrava, se
maltratasse os escravos, como então se ensinava.


A RETER

1 – A reencarnação é também chamada palingenesia, de duas palavras gregas – palin, de
novo, e genesis, nascimento.
2 – Foi formulada nos alvores da civilização, na Índia. Os povos da Ásia e da Grécia
acreditavam na reencarnação.
3 – Encontram-se citações sobre reencarnação em vários livros sagrados: no “Bhagavad
Gita”, livro sagrado dos vedas; no Mazdeísmo, religião da Pérsia, na Gália, a religi-
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ão dos druidas; o Bramanismo, o Budismo, o Islamismo, o Cristianismo, todos se
baseiam na crença das vidas sucessivas.
4 – Vários homens célebres a apresentaram e estudaram, entre eles: Platão, Plotino, Por-
fírio, J âmblico, Virgílio, Ovídeo, Descartes, Leibniz, Kant, Orígenes, Clemente de
Alexandria, etc.


6.1.1 REENCARNAÇÃO E METEMPSICOSE

"Poderia encarnar num
animal o espírito que animou o
corpo de um homem?". Allan
Kardec submete aos espíritos a
questão, inscrevendo-a sob o n.º
612 em “O Livro dos Espíritos”,
para averiguar a veracidade ou
não de certas afirmações popula-
res que informavam poderem as
almas retornar à Terra num cor-
po de animal para pagamento de
infracções cometidas contra a
Lei Dinina.
Esclarecem os espíritos:
"Isso seria retrogradar e o espírito não retrograda. O rio não remonta à sua
nascente".
E o Codificador comenta:
"Seria verdadeira a metempsicose, se indicasse a progressão da alma, passando
de um estado inferior a outro superior, onde adquirisse desenvolvimentos que lhe trans-
formassem a natureza. É, porém, falsa no sentido de transmigração directa da alma do
animal para o homem e reciprocamente, o que implicaria a ideia de um retrocesso."
A reencarnação, como os espíritos a ensinam, baseia-se, ao contrário, na marcha
ascendente da natureza e na progressão do homem, dentro da sua própria espécie, o que
em nada lhe diminui a dignidade. O que o rebaixa é o mau uso que faz das faculdades
que Deus lhe outorgou para que progrida.
Emmanuel explica como nasceu entre os egípcios a doutrina da metempsicose:
O grande povo dos faraós guardava a reminiscência do seu doloroso degredo na
face obscura do mundo terreno. E tanto lhe doía semelhante humilhação que, na lem-
brança do pretérito, criou a teoria da metempsicose, acreditando que a alma de um ho-
mem podia regressar ao corpo de um irracional, por determinação punitiva dos deuses.
A metempsicose era o fruto da sua amarga impressão, a respeito do exílio penoso que
lhe fora infligido no ambiente terrestre.
Pitágoras foi o primeiro que introduziu na Grécia a doutrina dos renascimentos
da alma, doutrina que havia conhecido nas suas viagens ao Egipto e à Pérsia. Ele tinha
duas doutrinas: uma reservada aos iniciados, que frequentavam os mistérios, e outra
destinada ao povo; esta última deu origem ao erro da metempsicose. Para os iniciados, a
ascensão era gradual e progressiva, sem regressão às formas inferiores, enquanto ao
povo, pouco evoluído, se ensinava que as almas ruins deviam renascer em corpos de
animais.
O vulgo não quer ver hoje na metempsicose mais do que a passagem da alma
humana para o corpo de seres inferiores. Na Índia, no Egipto e na Grécia ela era consi-
43 - Um homem não pode encarnar num animal
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derada, de um modo mais geral, como transmigração das almas para outros corpos hu-
manos. Tendemos a crer que a descida da alma à animalidade num corpo inferior não
era, como a ideia do inferno, no Catolicismo, mais do que um espantalho, destinado, no
pensamento dos antigos, a apavorar os maus. Qualquer retrocesso desta espécie seria
contrário à justiça, à verdade; além de que o desenvolvimento do organismo, ou perispí-
rito, vedando ao ser humano a possibilidade de continuar a adaptar-se às condições da
vida animal, torná-la-ia, aliás, impossível.


A RETER

1 – O espírito não pode encarnar no corpo de um animal, como entende a metempsico-
se, no sentido da transmigração directa da alma do animal para o homem e recipro-
camente.
2 – A reencarnação funda-se na marcha ascendente da natureza e na progressão do ho-
mem, dentro da sua própria espécie
3 – Emmanuel explica que a doutrina da metempsicose surgiu com os egípcios, como
reminiscência do seu doloroso degredo na face obscura do mundo terreno.
4 – Pitágoras foi quem primeiro a introduziu na Grécia. Ele tinha duas doutrinas: a re-
servada aos iniciados, que frequentavam os mistérios, e outra destinada ao povo,
que deu nascimento ao erro da metempsicose


6.1.2 REENCARNAÇÃO E RESSURREIÇÃO

A reencarnação fazia parte
dos dogmas dos judeus, sob o nome
de ressurreição. Só os saduceus,
cuja crença era a de que tudo acaba
com a morte, não acreditavam nis-
so. As ideias dos judeus sobre esse
ponto, como sobre muitos outros,
não eram claramente definidas, por-
que tinham apenas vagas e incom-
pletas noções acerca da alma e da
sua ligação com o corpo. Eles acre-
ditavam que um homem que vivera
poderia reviver, sem saberem exac-
tamente de que maneira o facto po-
deria dar-se. Designavam pelo ter-
mo ressurreição o que o Espiritis-
mo, mais judiciosamente, chama reencarnação. Com efeito, a ressurreição dá ideia de
voltar à vida o corpo que já está morto, o que a Ciência demonstra ser materialmente
impossível, sobretudo quando os elementos desse corpo já se acham desde há muito
tempo dispersos e absorvidos. A reencarnação é a volta da alma ou espírito à vida cor-
pórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum
com o antigo. A palavra ressurreição podia, assim, aplicar-se a Lázaro, mas não a Elias,
nem aos outros profetas. Se, portanto, segundo a crença deles, J oão Baptista era Elias, o
44 - A reencarnação é a volta da alma á vida corpórea
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corpo de J oão não podia ser o de Elias, pois J oão fora visto criança e seus pais eram
conhecidos. J oão, pois, podia ser Elias reencarnado, porém, não ressuscitado.

A RETER

1 – A reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição.
2 – A ressurreição dá a ideia de voltar à vida o corpo que já está morto, o que a Ciência
demonstra ser materialmente impossível.
3 – A reencarnação é a volta da alma, ou espírito, à vida corpórea, mas noutro corpo,
especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo.


6.1.3 A REENCARNAÇÃO NA BÍBLIA E NOS EVANGE-
LHOS

Entre os hebreus, a ideia das vidas ante-
riores era geralmente admitida. A crença nos
renascimentos da alma encontra-se indicada em
inúmeras passagens da “Bíblia”, de forma mais
ou menos velada no “Antigo Testamento”, po-
rém, claramente no Novo Testamento.
Em Isaías, capítulo XXVI, v. 19, encontramos:
“Aqueles do vosso povo a quem a morte
foi dada viverão de novo; aqueles que estavam
mortos em meio a mim ressuscitarão. Despertai
do vosso sono e entoai louvores a Deus, vós que
habitais o pó.”
É também muito explícita esta passagem
de Isaías:
“Aqueles do vosso povo a quem a morte
foi dada viverão de novo”.
Se o profeta houvera querido falar da vi-
da espiritual, se houvera pretendido dizer que
aqueles que tinham sido executados não estavam
mortos em espírito, teria dito “ainda vivem”, e não “viverão de novo”. No sentido espi-
ritual, seria um contra-senso, pois implicaria uma interrupção na vida da alma. No sen-
tido da regeneração moral, seria a negação das penas eternas, pois estabelece, em prin-
cípio, que todos os que estão mortos viverão.
E J ob, no capítulo XIV, vv. 10 a 14, na versão da Igreja Grega, assim escreve:
“Quando o homem está morto, vive sempre; acabando os dias da minha existên-
cia terrestre, esperarei, porquanto a ela voltarei de novo.”
A versão da Igreja Grega é mais explícita, se é que isso é possível. “… Acaban-
do os dias da minha existência terrena, esperarei, porquanto a ela voltarei…”, ou vol-
tarei à existência terrestre. Isto é tão claro como se alguém dissesse: “Saio de minha
casa, mas a ela tornarei.”
Em várias passagens dos evangelhos aparece claramente a ideia da reencarnação,
referida pelos evangelistas, demonstrando que era ponto de uma das crenças fundamen-
tais dos judeus.
45 - A Bíblia Sagrada
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1. "Jesus, tendo vindo às cercanias de Cesareia de Filipe, interrogou assim seus
discípulos: – Que dizem os homens em relação ao Filho do Homem? Quem dizem que
eu sou? Eles lhe respondem: – Dizem uns que és João Baptista; outros, que Elias; ou-
tros, que Jeremias, ou algum dos profetas. Perguntou-lhes Jesus: – E vós, quem dizeis
que eu sou? Simão Pedro, tomando a palavra, respondeu: – Tu és o Cristo, o Filho do
Deus vivo.” (S. Mateus, Cap. XVI, vv. 13 a 17; S. Marcos, Cap. VIII, vv. 27 a 30).
2. “Nesse interim, Herodes, o Tetrarca, ouvira falar de tudo o que fazia Jesus e
seu espírito se achava em suspenso - porque uns diziam que João Baptista ressuscitara
dentre os mortos; outros que aparecera Elias; e outros que um dos antigos profetas
ressuscitara. Disse então Herodes: – Mandei cortar a cabeça a João Baptista; quem é
então esse de quem ouço dizer tão grandes coisas? E ardia por vê-lo.” (S. Marcos, Cap.
VI, vv. 14 a 16; S. Lucas, Cap. IX, vv. 7 a 9).
3. “Após a transfiguração, os seus discípulos então o interrogaram desta forma:
– Porque dizem os escribas ser preciso que antes volte Elias? Jesus lhes respon-
deu: – É verdade que Elias há-de vir e restabelecer todas as coisas, mas eu vos declaro
que Elias já veio e eles não o conheceram e o trataram como lhes aprouve. É assim que
farão sofrer o Filho do Homem. Então seus discípulos compreenderam que fora de Jo-
ão Baptista que ele falara”. (S. Mateus, Cap. XVII, vv. 10 a 13; S. Marcos, Cap. IX,
vv. 11 a 13).
A ideia de que J oão Baptista era Elias e de que os profetas podiam reviver na
Terra está em muitas passagens dos evangelhos, notadamente nas acima reproduzidas
(n.º 1, 2 e 3). Se fosse errónea essa crença, J esus não houvera deixado de a combater,
como combateu tantas outras.
“O Evangelho de S. João” apresenta afirmação ainda mais categórica de J esus
com referência à doutrina das vidas sucessivas:
“Ora, entre os fariseus, havia um homem chamado Nicodemos, senador dos ju-
deus, que veio à noite ter com Jesus e lhe disse:
– Mestre, sabemos que vieste da parte de Deus para nos instruir como um dou-
tor, porquanto ninguém poderia fazer os milagres que fazes se Deus não estivesse com
ele. Jesus lhe respondeu: – Em verdade, em verdade, digo-te: Ninguém pode ver o reino
de Deus se não nascer de novo. Disse-lhe Nicodemos: – Como pode nascer um homem
já velho? Pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, para nascer segunda vez? Retor-
quiu-lhe Jesus: – Em verdade, em verdade, digo-te: Se um homem não renasce da água
e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne e o
que é nascido do Espírito é Espírito. Não te admires de que eu te haja dito ser preciso
que nasças de novo. Respondeu-lhe Nicodemos: – Como pode isso fazer-se? - Jesus lhe
observou: – Pois quê! És mestre em Israel e ignoras estas coisas?". (S. J oão, Cap. III,
vv. 1 a 12).
Esta última observação de J esus mostra bem que se surpreendeu que um mestre
em Israel não conhecesse a reencarnação, porque era ensinada como doutrina secreta
aos intelectuais da época.
Uma das provas que se pode apresentar é a de que existiam ensinos ocultos ao
comum dos homens, que foram compilados nas diferentes obras que constituem a Caba-
la.
No ensino secreto, reservado aos iniciados, proclamava-se a imortalidade da al-
ma, as vidas sucessivas e a pluralidade dos mundos habitados.
Não há dúvida de que, sob o nome de ressurreição, o princípio da reencarnação
era ponto de uma das crenças fundamentais dos judeus, ponto que J esus e os profetas
confirmaram de modo formal; donde se conclui que negar a reencarnação é negar as
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palavras de J esus. Um dia, porém, as suas palavras, quando forem meditadas sem ideias
preconcebidas, reconhecer-se-ão autorizadas quanto a esse ponto, como em relação a
muitos outros.
A essa autoridade, do ponto de vista religioso, se adita, do ponto de vista filosó-
fico, a das provas que resultam da observação dos factos. Quando se trata de remontar
dos efeitos às causas, a reencarnação surge como necessidade absoluta, como condição
inerente à humanidade; numa palavra: como lei da natureza.
Sem o princípio da preexistência da alma e da pluralidade das existências são
ininteligíveis, na sua maioria, as máximas do “Evangelho”, razão por que têm dado
lugar a tão contraditórias interpretações. Somente esse princípio lhes restituirá o sentido
verdadeiro.


A RETER

1 – A ideia das vidas anteriores era geralmente admitida entre os hebreus.
2 – A “Bíblia” , no Antigo e Novo Testamento apresenta inúmeras citações que indi-
cam a doutrina das vidas sucessivas.
3 – A observação de J esus a Nicodemos demonstra que a reencarnação era ensinada aos
intelectuais da época.
4 – Existiam ensinos secretos, reservados aos iniciados, que foram compilados nas dife-
rentes obras dos hebreus que constituem a Cabala.
5 – Sem a reencarnação são ininteligíveis, na sua maioria, as máximas do “Evangelho”.
Só admitindo-a essas máximas farão sentido.


6.1.4 REENCARNAÇÃO E A EVOLUÇÃO ANÍMICA

Tomando-se a humanidade no grau mais ín-
fimo da escala espiritual, perguntar-se-á se é aí o
ponto inicial da alma humana.
Na opinião de alguns filósofos espiritualis-
tas, o princípio inteligente, distinto do princípio ma-
terial, individualiza-se e elabora-se, passando pelos
diversos graus da animalidade. É aí que a alma se
ensaia para a vida e desenvolve, pelo exercício, as
suas primeiras faculdades. Esse seria para ela, por
assim dizer, o período de incubação. Chegada ao
grau de desenvolvimento que esse estado comporta,
ela recebe as faculdades especiais que constituem a
alma humana. Haveria, assim, filiação espiritual do
animal para o homem, como há filiação corporal.
Este sistema, fundado na grande lei de uni-
dade que preside à criação, corresponde, forçoso é
convir, à justiça e à bondade do Criador; dá uma
saída, uma finalidade, um destino aos animais, que
deixam então de formar uma categoria de seres deserdados, para terem, no futuro que
lhes está reservado, uma compensação para os seus sofrimentos. O que constitui o ho-
mem espiritual não é a sua origem; são os atributos especiais com que ele se apresenta
46 - O princípio inteligente indivi
dualiza-se passando pelos
diversos graus da animalidade
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dotado ao entrar na humanidade, atributos que o transformam, tornando-o um ser distin-
to, como o fruto saboroso é distinto da raiz amarga que lhe deu origem. Por haver pas-
sado pela fieira da animalidade, o homem não deixaria de ser homem; já não seria ani-
mal, como o fruto não é a raiz, como o sábio não é o feto informe que o pôs no mundo.
O sentimento da justiça absoluta diz-nos também que o animal, tanto quanto o
homem, não deve viver e sofrer para o nada. Uma cadeia ascendente e contínua liga
todas as criações; o mineral ao vegetal, o vegetal ao animal, e este ao ente humano.
A alma elabora-se no seio dos organismos rudimentares. No animal está apenas
em estado embrionário; no homem adquire o conhecimento e não pode retrogradar. Po-
rém, em todos os graus ela prepara e dá forma ao seu invólucro. As formas sucessivas
que reveste são a expressão do seu valor próprio. A situação que ocupa na escala dos
seres está em relação directa com o seu estado de adiantamento.
A finalidade da alma é o desenvolvimento de todas as faculdades a ela inerentes.
Para consegui-lo, é obrigada a encarnar grande número de vezes na Terra, a fim de ci-
mentar as suas faculdades morais e intelectuais, enquanto aprende a senhorear e gover-
nar a matéria. É mediante uma evolução ininterrupta, a partir das formas de vida mais
rudimentares, até à condição humana, que o princípio pensante conquista, lentamente, a
sua individualidade. Chegado a esse estágio, cumpre-lhe fazer eclodir a sua espirituali-
dade, dominando os instintos remanescentes da sua passagem pelas formas inferiores, a
fim de elevar-se, na série das transformações, para destinos sempre mais altos.
No dia em que a alma, libertando-se das formas animais, chegar ao estado hu-
mano, conquistar a sua autonomia, a sua responsabilidade moral, e compreender o de-
ver, nem por isso atingirá o seu fim ou terminará a sua evolução. Longe de acabar, co-
meçará a sua obra real; novas tarefas a chamarão. As lutas do passado nada são ao lado
das que o futuro lhe reserva. Os seus renascimentos em corpos carnais suceder-se-ão.


A RETER

1 – O princípio inteligente, distinto do princípio material, individualiza-se e elabora-se,
passando pelos diversos graus da animalidade, onde se ensaia para a vida e desen-
volve as suas primeiras faculdades. Chegada ao grau de desenvolvimento que esse
estado comporta, recebe as faculdades que constituem a alma humana.
2 – O que constitui o homem espiritual não é a sua origem; são os atributos especiais
que conquistou ao entrar na humanidade.
3 – Uma cadeia ascendente e contínua liga todas as criações; o mineral ao vegetal, o
vegetal ao animal, e este ao homem.
4 – A alma elabora-se no seio dos organismos rudimentares. No animal está apenas em
estado embrionário; no homem adquire conhecimento.
5 – A finalidade da alma é o desenvolvimento de todas as suas faculdades. Até conse-
gui-lo, encarna grande número de vezes.


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- 131 -
6.1.5 REENCARNAÇÃO E A EVOLUÇÃO DO HOMEM

Quando o espírito tem de encarnar
num corpo humano em vias de formação,
um laço fluídico, que não é mais do que
uma expansão do seu perispírito, liga-o ao
germe que o atrai com uma força irresis-
tível desde o momento da concepção. À
medida que o germe se desenvolve, o laço
encurta-se. Sob a influência do princípio
vito-material do germe, o perispírito, que
possui certas propriedades da matéria,
une-se, molécula a molécula, ao corpo em
formação, daí poder dizer-se que o espíri-
to, por intermédio do seu perispírito, se
enraíza, de certa maneira, nesse germe,
como uma planta na terra. Quando o ger-
me chega ao seu pleno desenvolvimento,
é a união completa; nasce, então, o ser
para a vida exterior.
À medida que o espírito se purifi-
ca, o corpo que o reveste aproxima-se
igualmente da natureza espiritual. Torna-
se-lhe menos densa a matéria, deixa de
rastejar penosamente pela superfície do solo, tem menos necessidades físicas, deixando
de ser necessário que os seres vivos se destruam mutuamente para se nutrirem. O espíri-
to acha-se mais livre e tem, das coisas longínquas, percepções que desconhecemos. Vê
com os olhos do corpo o que só pelo pensamento entrevemos.
Da purificação do espírito decorre o aperfeiçoamento moral dos seres encarna-
dos. As paixões animais enfraquecem-se e o egoísmo cede lugar ao sentimento de fra-
ternidade. Assim, nos mundos superiores ao nosso, desconhecem-se as guerras, care-
cendo de objecto os ódios e as discórdias, porque ninguém pensa em causar dano ao seu
semelhante. A intuição que os seus habitantes têm do futuro, a segurança que uma cons-
ciência isenta de remorsos lhes dá, faz com que a morte nenhuma apreensão lhes cause.
Encaram-na de frente, sem temor, como simples transformação.
A duração da vida, nos diferentes mundos, parece guardar proporção com o grau
de superioridade física e moral de cada um, o que é perfeitamente racional. O corpo,
quanto menos material, menos sujeito às vicissitudes que o desorganizam. Quanto mais
puro o espírito, menos paixões a miná-lo. É essa, ainda, uma graça da Providência, que
desse modo abrevia os sofrimentos.


A RETER

1 – À medida que o espírito se purifica, o corpo que o reveste aproxima-se igualmente
da natureza espiritual, sentindo a matéria menos densa.
2 – Da purificação do espírito decorre o aperfeiçoamento moral dos seres encarnados.
3 – Quanto menos material o corpo, menos sujeito às vicissitudes que o desorganizam.
4 – Quanto mais puro o espírito, menos paixões a miná-lo.
47 - Um laço fluídico liga-se ao corpo em
formação
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6.1.6 EVIDÊNCIAS DA REENCARNAÇÃO

Podemos enumerar quatro tipos de evidências da reencarnação:
1 – Os meninos-prodígio;
2 – As crianças que se lembram de vidas anteriores;
3 – As comunicações mediúnicas;
4 – As terapias médicas e psicológicas que usam regressão de memória.
Destas quatro evidências, as últimas três são evidências científicas.
Quanto aos
meninos-prodígio,
poderemos interrogar-
nos: – De onde vêm
tantos conhecimen-
tos? Como compreen-
der, por exemplo, que
uma criança de sete
anos de idade esteja
licenciada em Física,
uma outra de onze
anos licenciada em
Matemática, outras de dois ou três anos de idade que falem seis línguas diferentes, sem
nunca terem aprendido? Não havendo explicação nesta existência física, de duas uma:
ou Deus privilegia uns seres em detrimento de outros; ou, então, todos tiveram as mes-
mas oportunidades, começando simples e ignorantes, e foram palmilhando o seu roteiro
evolutivo, uns esforçando-se mais que outros, e daí a dissemelhança evolutiva presente
no nosso planeta. Assim sendo, os meninos-prodígio seriam pessoas com muitos conhe-
cimentos trazidos de vidas anteriores e que nesta existência carnal têm a capacidade de
ter acesso a essa informação que trazem do passado.
As crianças que se lembram de vidas anteriores têm proporcionado investigações
espantosas aos cientistas de todo o mundo. Refira-se, por exemplo, os estudos rigoro-
samente científicos levados a cabo pelo Prof. Dr. Ian Stevenson, nos EUA, que estudou
mais de dois mil casos de crianças que se lembravam de vidas anteriores usados no seu
livro “Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação”. O Dr. Hemendras Nath Banerjee, na
Índia, durante vinte e cinco anos compilou mais de mil e cem casos em todo o mundo,
tratados no seu livro “Vida Pretérita e Futura” (Edições Nórdica, Rio de J aneiro, Bra-
sil, 2.ª Edição, 1987). O Eng.º Hernâni Guimarães Andrade, no Brasil, compilou vários
casos de reencarnação no seu livro “Reencarnação no Brasil”, (Edições O Clarim, Bra-
sil, 1986). De realçar que a grande maioria destes investigadores não é espírita. Investi-
garam casos onde a hipótese da reencarnação de pessoas recentemente falecidas é a úni-
ca plausível e com base científica, de entre as restantes hipóteses de explicação.
Através das comunicações mediúnicas, houve espíritos que informaram que iri-
am reencarnar num determinado local, numa determinada família e, às vezes, dando
sinais ou características que a posteriori eram reconhecidos. Houve casos desses catalo-
gados aquando das experiências de Allan Kardec (ver colecção da “Revista Espírita”,
de Allan Kardec) e com o médium Francisco Cândido Xavier, em que pelo menos um
dos casos está estudado pelo Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas, do Brasil,
pelo Eng.º Hernâni Guimarães Andrade e sua equipa.
48 - Qual a origem dos conhecimentos dos meninos-prodígio?
Curso Básico de Espiritismo Pluralidade das Existências
- 133 -
As terapias médicas que usam re-
gressão de memória, com fins terapêuticos,
têm sido a mais recente evidência científica
da reencarnação. Veja-se as pesquisas da
Dr.ª Edith Fiore, nos EUA, no seu livro “Já
Vivemos Antes” (Edições Europa-América,
Portugal, 1978); do Dr. Brian Weiss, nos
EUA, no seu livro “Muitas Vidas, Muitos
Mestres”; da Dr.ª Maria J úlia Prieto Peres,
psiquiatra, no Brasil; do Dr. Morris Nether-
ton, nos EUA; da Dr.ª Helen Wambach no
seu livro “Recordando Vidas Passadas”
(Edições Pensamento, São Paulo, Brasil,
1995), onde pessoas em estado de hipnose
profunda, ou então em estados alterados de
consciência, regridem a situações, a espa-
ços temporais que identificam como sendo
de outras existências carnais, bem como
nos planos entre vidas (no mundo espiritu-
al), dando, muitas vezes, pormenores exac-
tos que, depois de pesquisados, são con-
firmados pelos cientistas, como, por exemplo, locais, nomes, datas, entre outros, tudo
isto relativamente a épocas muito remotas (veja-se as experiências da Dr.ª Edith Fiore
no seu livro acima referido).
Quando a reencarnação (que é defendida por cerca de dois terços da população
mundial, de acordo com estatísticas) for bem assimilada, a xenofobia deixará de existir,
já que saberemos que poderemos reencarnar naquele país ou povo que agora rejeitamos
ou odiamos. O racismo deixará de ter suporte, pois entenderemos que os espíritos não
têm cor e que poderemos reencarnar na raça que agora repudiamos. A superioridade
sexual deixará de existir, pois saberemos que tanto poderemos reencarnar como homem
ou mulher, de acordo com as nossas necessidades evolutivas. A própria ecologia será
privilegiada, pois o homem sabe que amanhã, quando voltar a este planeta, encontrá-lo-
á como o deixou, recebendo, assim, o fruto dos desmandos de agora ou, então, da sua
preservação.
A compreensão da reencarnação será a pedra-de-toque para que a sociedade se
torne mais justa, mais fraterna e mais feliz.


A RETER

1 – Há quatro tipos de evidências da reencarnação: meninos-prodígio, crianças que se
lembram de vidas anteriores, comunicações mediúnicas, terapias médicas e psico-
lógicas que usam regressão de memória. As últimas três são evidências científicas.
2 – São muitos os autores e investigadores destes tipos de evidências. Muitos têm obras
publicadas sobre o assunto.
3 – A reencarnação é defendida por cerca de dois terços da população mundial. Quando
for assimilada por todos, a sociedade tornar-se-á mais justa, mais fraterna e mais
feliz.
49 - Muitas Vidas Muitos Mestres –
Brian L. Weiss
Curso Básico de Espiritismo Pluralidade das Existências
- 134 -
6.2 OBJECTIVO DA ENCARNAÇÃO

Deus impõe aos espíri-
tos a encarnação com o objec-
tivo de fazê-los chegar à per-
feição, passando pelas vicissi-
tudes da existência corporal.
A encarnação visa ain-
da outro fim: o de pôr o espíri-
to em condições de suportar a
parte que lhe toca na obra da
criação. Para executá-la é que,
em cada mundo, o espírito
toma um instrumento, de har-
monia com a matéria essencial
desse mundo, a fim de aí
cumprir, daquele ponto de
vista, as ordens de Deus. É
assim que, concorrendo para a
obra geral, ele próprio se adianta.
Todos são criados simples e ignorantes e instruem-se nas lutas e tribulações da
vida corporal. Deus, que é justo, não podia fazer alguns felizes, sem fadigas e trabalhos,
por conseguinte, sem mérito.
Daí concluir-se que os seres considerados eleitos - anjos, arcanjos, querubins e
serafins - são a representação das almas que já atingiram, pelo seu esforço, graus de
elevação espiritual, passando, como não poderia deixar de ser, pelos mesmos estágios
inferiores da escala evolutiva.
O atrasado possui inclinação para o mal, inteligência limitada; regozija-se com a
violência, compraz-se na vida viciosa. Quando deixa o corpo, os sentimentos acompa-
nham-no. Com a evolução, ele vai-se modificando. As lutas do mundo, os sofrimentos,
através das vidas, é que lhe vão aprimorando a alma.
A Terra é como uma escola e um hospital. Vê-se o aluno ir progredindo à medi-
da que muda de classe; a sua cultura é em função do tempo e do estudo; quando o corpo
se debilita, vai a um centro de saúde, onde o médico lhe retempera e restitui as forças.
Assim é a Terra para o incipiente. Ele aporta aqui como selvagem ou bárbaro. E
continua a sua peregrinação, curando-se no hospital planetário, com a terapêutica do
sofrimento, ilustrando-se com as lições que recebe de vida em vida, até que, inteiramen-
te puro, fica livre das vidas materiais e entra para o nirvana dos budistas ou para as re-
giões de paz; a felicidade consiste nessa tranquilidade dos justos; não a podemos perce-
ber nem vislumbrar, porque nunca a possuímos, envoltos nos turbilhões, na azáfama, no
nevoeiro, nas paixões violentas desse mundículo onde nos encontramos atolados.
Os espíritos que seguem o caminho do bem chegam mais depressa aos níveis
mais elevados de aperfeiçoamento intelectual e moral; sendo as aflições da vida fruto da
imperfeição do espírito, quanto menos imperfeições, menos tormentos. Aquele que não
for invejoso, nem ciumento, nem avarento, nem ambicioso, não sofrerá as torturas que
se originam dessas imperfeições.
Os espíritos que desde o princípio seguem o caminho do bem nem por isso são
espíritos perfeitos. Não têm, é certo, maus pendores, mas precisam adquirir a experiên-
cia e os conhecimentos indispensáveis para alcançar a perfeição. Podemos compará-los
50 - Todos os espíritos são criados simples e ignorantes
Curso Básico de Espiritismo Pluralidade das Existências
- 135 -
a crianças que, seja qual
for a bondade dos seus
instintos naturais, necessi-
tam desenvolver-se e es-
clarecer-se e não passam,
sem transição, da infância
à madureza.
Depende dos espí-
ritos progredirem mais ou
menos rapidamente em
busca da perfeição, con-
forme o desejo que têm de
alcançá-la e a submissão
que testemunham à von-
tade de Deus. Os espíritos
não podem conservar-se eternamente nas ordens inferiores; mudam de ordem mais rápi-
da ou demoradamente, porém não podem degenerar. À medida que avançam, compre-
endem o que os distancia da perfeição. O espírito, ao concluir uma prova, fica com a
ciência que daí lhe veio e não a esquece. Pode permanecer estacionário durante algum
tempo, porém não retrograda.
A encarnação é necessária ao duplo progresso moral e intelectual do espírito: ao
progresso intelectual, pela actividade obrigatória do trabalho; ao progresso moral, pela
necessidade recíproca dos homens entre si. A vida social é a pedra de toque das boas ou
más qualidades.
A bondade, a maldade, a doçura, a violência, a benevolência, a caridade, o ego-
ísmo, a avareza, o orgulho, a humildade, a sinceridade, a franqueza, a lealdade, a má fé,
a hipocrisia, numa palavra, tudo o que constitui o homem de bem, ou perverso, tem por
alvo e por estímulo as relações do homem com os seus semelhantes.
Uma só existência corporal é manifestamente insuficiente para o espírito adqui-
rir todo o bem que lhe falta e eliminar o mal que lhe sobra.
Deus, que é soberanamente justo e bom, concede ao espírito tantas encarnações
quantas as necessárias para atingir o seu objectivo: a perfeição.
Para cada nova existência, o espírito traz tudo que adquiriu nas anteriores, em
aptidões, conhecimentos intuitivos, inteligência e moralidade. Cada existência é, assim,
um passo avante no caminho do progresso.
A encarnação é inerente à inferioridade dos espíritos, deixando de ser necessária
desde que estes, transpondo-lhe os limites, ficam aptos para progredir no estado espiri-
tual, ou nas existências corporais de mundos superiores, que nada têm da materialidade
terrestre. Da parte destes a encarnação é voluntária, tendo por fim exercer sobre os en-
carnados uma acção mais directa e tendente ao cumprimento da missão que lhes compe-
te junto dos mesmos. Desse modo, aceitam abnegadamente as vicissitudes e sofrimentos
da encarnação.
A pluralidade das existências, cujo princípio J esus estabeleceu no “Evangelho”,
é uma das mais importantes leis reveladas pelo Espiritismo, pois demonstra-lhe a reali-
dade e a necessidade do progresso. Com esta lei, o homem explica todas as aparentes
anomalias da vida humana; as diferenças de posição social; as mortes prematuras que,
sem a reencarnação, tornariam inúteis à alma as existências breves; a desigualdade de
aptidões intelectuais e morais, pela ancianidade do espírito que mais ou menos aprendeu
e progrediu e traz, nascendo, o que adquiriu nas suas existências anteriores.
51 - A vida social é a pedra de toque das boas ou más qualidades
Curso Básico de Espiritismo Pluralidade das Existências
- 136 -
Com a reencarnação desaparecem os preconceitos de raça e de casta, pois o
mesmo espírito pode tornar a nascer rico ou pobre, capitalista ou proletário, chefe ou
subordinado, livre ou escravo, homem ou mulher. De todos os argumentos invocados
contra a injustiça da servidão e da escravidão, contra a sujeição da mulher à lei do mais
forte, nenhum há que prime, em lógica, ao facto material da reencarnação. Se, pois, a
reencarnação funde numa lei da natureza o princípio da fraternidade universal, também
funde na mesma lei o da igualdade dos direitos sociais e, por conseguinte, o da liberda-
de.
Sem a preexistência da alma, a doutrina do pecado original não seria somente ir-
reconciliável com a justiça de Deus, que tornaria todos os homens responsáveis pela
falta de um só; seria também um contra-senso, e tanto menos justificável quanto, segun-
do essa doutrina, a alma não existia na época a que se pretende fazer que a sua respon-
sabilidade remonte. Com a preexistência, o homem traz, ao renascer, o germe das suas
imperfeições, dos defeitos que não corrigiu, que se traduzem pelos instintos naturais e
pelos pendores para tal ou tal vício. É esse o seu verdadeiro pecado original, cujas con-
sequências naturalmente sofre, mas com a diferença capital de que sofre a pena das suas
próprias faltas, não das de outrem; e com outra diferença, ao mesmo tempo consoladora,
animadora e soberanamente equitativa, de que cada existência lhe oferece os meios de
se redimir pela reparação e de progredir, quer despojando-se de alguma imperfeição,
quer adquirindo novos conhecimentos e, assim, até que, suficientemente purificado, não
necessite mais da vida corporal e possa viver exclusivamente a vida espiritual, eterna e
bem aventurada.
A reencarnação é um processo de aperfeiçoamento espiritual. A volta do espírito
à vida corporal tem um objectivo; não é acção do acaso, nem capricho dos céus. Não
há experiência reencarnatória sem motivo, ensina o Espiritismo.
O aspecto moral da reencarnação deve merecer sempre uma consideração muito
lúcida, justamente porque esse aspecto se reflecte na vida familiar, nas relações profis-
sionais, enfim, na vida social. A noção de
uma única existência não nos daria uma vi-
são real de justiça no tempo e no espaço. A
reencarnação não é, portanto, simples ques-
tão de crença, mas um princípio lógico, as-
sim o entendemos, pois abre à inteligência
inquiridora uma perspectiva de justiça muito
mais ampla, através de existências diversas.
Em relação ao Espiritismo, o pensa-
mento reencarnacionista está assim expresso:
Nascer, morrer, renascer ainda, progredir
sempre, tal é a lei.
Allan Kardec formulou aos espíritos
a questão n.º 196, inscrita em “O Livro dos
Espíritos”, cuja resposta apresenta a súmula
dos objectivos da encarnação:
“Não podendo os espíritos aperfei-
çoar-se, a não ser por meio das tribulações
da existência corpórea, segue-se que a vida
material seja uma espécie de crisol ou de
depurador, por onde têm que passar todos os
seres do mundo espiritual para alcançarem
a perfeição?
52 - A reencarnação é um dos pilares do
Espiritismo
Curso Básico de Espiritismo Pluralidade das Existências
- 137 -
– Sim, é exactamente isso. Eles melhoram-se nessas provas, evitando o mal e
praticando o bem; porém, somente ao cabo de mais ou menos longo tempo, conforme
os esforços que empreguem; somente após muitas encarnações sucessivas, ou depura-
ções, atingem a finalidade para que tendem.”
A obrigação que o espírito encarnado tem de prover ao alimento do corpo, à sua
segurança, ao seu bem estar, força-o a empregar as suas faculdades em investigações, a
exercitá-las e desenvolvê-las. Útil, portanto, ao seu adiantamento é a sua união com a
matéria.
Daí, a encarnação constituir uma necessidade. Além disso, pelo trabalho inteli-
gente que ele executa em seu proveito, sobre a matéria, auxilia a transformação e o pro-
gresso material do globo que lhe serve de habitação.


A RETER

1 – O objectivo da encarnação é chegar à perfeição e colaborar na obra da criação.
2 – Todos os espíritos são criados simples e ignorantes e instruem-se nas lutas e tribula-
ções da vida corporal.
3 – Os anjos, arcanjos, querubins, serafins são as almas que, pelo seu esforço, já atingi-
ram mais elevação espiritual.
4 – Os espíritos não podem conservar-se eternamente nas ordens inferiores. Podem
permanecer estacionários durante algum tempo, porém não retrogradam.
5 – A encarnação é necessária para o duplo progresso – moral e intelectual – do espírito.
6 – Uma só existência corporal é insuficiente para o espírito adquirir a perfeição.
7 – Com a pluralidade das existências, o homem explica todas as aparentes anomalias
da vida humana. Desaparecem os preconceitos de raça, sexo e casta
8 – O pensamento reencarnacionista está inscrito na frase: Nascer, morrer, renascer
ainda, progredir sempre, tal é a lei.


6.2.1 JUSTIÇA DA REENCARNAÇÃO

A reencarnação,
afirmada pelas vozes de
além túmulo, é a única
forma racional que pode
admitir a reparação das
faltas cometidas e a evo-
lução gradual dos seres.
Sem ela, não se vê san-
ção moral satisfatória e
completa; não há possibi-
lidade de conceber a
existência de um ser que
governe o Universo com
justiça.
Se admitirmos
que o homem vive actualmente pela primeira vez neste mundo, que uma única existên-
cia terrestre é o quinhão de cada um de nós, a incoerência e a parcialidade, forçoso seria
53 - Sem a reencarnação, onde a justiça de Deus?
Curso Básico de Espiritismo Pluralidade das Existências
- 138 -
reconhecê-lo, presidem à repartição dos bens e dos males, das aptidões e das faculdades,
das qualidades nativas e dos vícios originais.
Todos os espíritos tendem para a perfeição e Deus faculta-lhes os meios de al-
cançá-la, proporcionando-lhes as provações da vida corporal. A Sua justiça, porém,
concede-lhes realizar, em novas existências, o que não puderam fazer, ou concluir, nu-
ma primeira prova.
Deus não obraria com equidade, nem de acordo com a sua bondade, se conde-
nasse para sempre os que talvez hajam encontrado, oriundos do próprio meio em que
foram colocados e alheios à vontade que os animava, obstáculos ao seu melhoramento.
Se a sorte do homem se fixasse irrevogavelmente depois da morte, não seria uma única
a balança em que Deus pesa as acções de todas as criaturas e não haveria imparcialidade
no tratamento que a todas dispensa.
A doutrina da reencarnação, isto é, a que consiste em admitir para o mesmo espí-
rito muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à ideia que formamos da
justiça de Deus para com os homens que se acham em condição moral inferior; a única
que pode explicar o futuro e firmar as nossas esperanças, pois oferece os meios de res-
gatarmos os nossos erros, em novas provações. A razão no-la indica e os espíritos ensi-
nam-na.
O homem, que tem consciência da sua inferioridade, aure consoladora esperança
na doutrina da reencarnação. Se crê na justiça de Deus, não pode contar que venha a
achar-se, para sempre, em pé de igualdade com os que mais fizeram do que ele. Sustém-
no, porém, e reanima-lhe a coragem, a ideia de que aquela inferioridade não o deserda
eternamente do supremo bem e que, mediante novos esforços, dado lhe será conquistá-
lo. Quem é que, ao cabo da sua carreira, não deplora haver ganho tão tarde uma experi-
ência de que já não pode tirar proveito? Entretanto, essa experiência tardia não fica per-
dida; o espírito utilizá-la-á em nova existência.


A RETER

1 – A reencarnação é a única forma racional que admite a reparação das faltas cometi-
das e a evolução gradual dos seres.
2 – Se a sorte do homem se fixasse irrevogavelmente depois da morte, não seria uma
única a balança de Deus e não haveria imparcialidade no Seu tratamento.
3 – Só a reencarnação corresponde à ideia que formamos da justiça de Deus para com
os homens que se acham em condição moral inferior, oferecendo meios de resgatar
os erros, por novas provações.


6.3 DA VOLTA DO ESPÍRITO, EXTINTA A VIDA COR-
PORAL, À VIDA ESPIRITUAL

No intervalo das existências corporais, o espírito permanece no mundo espiritu-
al, onde é feliz ou desgraçado segundo o bem ou o mal que fez.
Uma vez que o estado espiritual é o estado definitivo do espírito e o corpo espi-
ritual não morre, deve ser esse também o seu estado normal. O estado corporal é transi-
tório e passageiro. É no estado espiritual, sobretudo, que o espírito colhe os frutos do
progresso realizado pelo trabalho da encarnação; é também nesse estado que se prepara
Curso Básico de Espiritismo Pluralidade das Existências
- 139 -
para novas lutas e toma as resoluções que há-de pôr em prática na sua volta à reencar-
nação.
O estudo das comunicações dos espíritos provou-nos, de maneira irrefutável,
que a situação do espírito, depois da morte, é regida por uma lei de justiça infalível,
segundo a qual o ser se encontra em condições de existência que são rigorosamente de-
terminadas pelo seu grau evolutivo e pelos esforços que faz para se melhorar.
As nossas relações com os espíritos ensinaram-nos, ainda, que não existe infer-
no, nem paraíso, mas que a lei moral impõe sanções inelutáveis àqueles que a violaram,
enquanto reserva a felicidade aos que se esforçaram por praticar o bem sob todas as
formas.
Por um efeito contrário, a união do perispírito ao corpo físico, que se efectuara
sob a influência do princípio vital, cessa desde que esse princípio deixa de actuar, em
consequência da desorganização do corpo. Como era mantida por uma força actuante,
tal união desfaz-se logo que essa força deixa de actuar. Então, o perispírito desprende-
se, molécula a molécula, conforme se unira, e ao espírito é restituída a liberdade. Assim,
não é a partida do espírito que causa a morte do corpo; esta é que determina a partida do
espírito.
O Espiritismo, através da observação dos factos, dá a conhecer os fenómenos
que acompanham essa separação, que, às vezes, é rápida, fácil, suave e insensível, ao
passo que doutras é lenta, laboriosa, horrivelmente penosa, conforme o estado moral do
espírito.
O espírito desprende-se gradualmente, não se escapa como um pássaro cativo a
quem se restitua subitamente a liberdade. Aqueles dois estados tocam-se e confundem-
se, de sorte que o espírito se solta pouco a pouco dos laços que o prendiam. Estes laços
desatam-se, não se quebram.
Durante a vida, o espírito acha-se preso ao corpo pelo seu envoltório semimate-
rial, ou perispírito. A morte é somente a destruição do corpo; não a do perispírito, que
do corpo se separa quando cessa neste a vida orgânica. A observação demonstra que, no
instante da morte, o desprendimento do perispírito não se completa subitamente; que, ao
contrário, se opera gradualmente e com uma lentidão muito variável conforme os indi-
víduos. Em alguns é bastante rápida, podendo dizer-se que o momento da morte é mais
ou menos o da libertação. Noutros, naqueles, sobretudo, cuja vida foi toda material e
sensual, o desprendimento é muito menos rápido, durando, algumas vezes, dias, sema-
nas e até meses, o que não implica existir, no corpo, a menor vitalidade, nem a possibi-
lidade de volver à vida, mas uma simples afinidade com o espírito, afinidade que guarda
sempre proporção com a preponderância que, durante a vida, o espírito deu à matéria. É,
com efeito, racional conceber-se que quanto mais o espírito se tenha identificado com a
matéria, mais penoso lhe seja separar-se dela; ao passo que a actividade intelectual e
moral, a elevação dos pensamentos operam um começo de desprendimento, mesmo
durante a vida do corpo, de modo que, chegando a morte, é quase instantâneo. Tal o
resultado dos estudos feitos em todos os indivíduos que se têm podido observar por oca-
sião da morte. Essas observações provam, ainda, que a afinidade persistente entre a al-
ma e o corpo, em certos indivíduos, é às vezes muito penosa, porquanto o espírito pode
experimentar o horror da decomposição. Este caso, porém, é excepcional e peculiar a
certos géneros de vida e a certos géneros de morte. Verifica-se com alguns suicidas.
Na agonia, o espírito, algumas vezes, já tem deixado o corpo; nada mais há que
a vida orgânica. O homem já não tem consciência de si próprio; entretanto, ainda lhe
resta um sopro de vida orgânica. O corpo é a máquina que o coração põe em movimen-
to. Existe enquanto faz circular nas veias o sangue, para o qual não necessita da alma.
Curso Básico de Espiritismo Pluralidade das Existências
- 140 -
Por ocasião da morte,
tudo, a princípio, é confuso. O
espírito precisa de algum tempo
para entrar no conhecimento de
si próprio. Ela acha-se como que
aturdida, no estado de uma pes-
soa que despertou de profundo
sono e procura orientar-se sobre
a sua situação. A lucidez das
ideias e a memória do passado
voltam-lhe à medida que se apa-
ga a influência da matéria que
ela acaba de abandonar e à me-
dida que se dissipa a espécie de
névoa que lhe obscurece os pen-
samentos.
É muito variável o tem-
po que dura a perturbação que se
segue à morte. Pode ser de al-
gumas horas, como também de
muitos meses e até de muitos
anos. Naqueles que, desde
quando ainda viviam na Terra,
se identificavam com o estado
futuro que os aguardava, é me-
nos longa, porque esses compreendem imediatamente a posição em que se encontram.
Aquela perturbação apresenta circunstâncias especiais, de acordo com os carac-
teres dos indivíduos e, principalmente, com o género de morte. Nos casos de morte vio-
lenta, por suicídio, suplício, acidente, apoplexia, ferimentos, etc., o espírito fica surpre-
endido, espantado e não acredita estar morto. Obstinadamente, sustenta que não o está.
No entanto, vê o seu próprio corpo, reconhece que esse corpo é seu, mas não compreen-
de que se ache separado dele. Acerca-se das pessoas a quem estima, fala-lhes e não per-
cebe porque não o ouvem. Semelhante ilusão prolonga-se até ao completo desprendi-
mento do perispírito. Só então o espírito se reconhece como tal e compreende que não
pertence mais ao número dos vivos. Este fenómeno explica-se facilmente. Surpreendido
de improviso pela morte, o espírito fica atordoado com a brusca mudança que nele se
operou; considera ainda a morte como sinónimo de destruição, de aniquilamento. Ora,
porque pensa, vê, ouve, tem a sensação de não estar morto. Mais lhe aumenta a ilusão o
facto de se ver com um corpo semelhante, na forma, ao precedente, mas cuja natureza
etérea ainda não teve tempo de estudar. J ulga-o sólido e igual ao primeiro. Certos espíri-
tos revelam essa particularidade, se bem que a morte não lhes tenha sobrevindo inopi-
nadamente. Todavia, apresenta-se sempre mais generalizada entre os que, embora doen-
tes, não pensavam morrer. Observa-se, então, o singular espectáculo de um espírito as-
sistir ao seu próprio enterro como se fora o de um estranho, falando desse acto como de
coisa que lhe não diz respeito, até ao momento em que compreende a verdade.
A perturbação que se segue à morte nada tem de penosa para o homem de bem,
que se conserva calmo, semelhante, em tudo, a quem acompanha as fases de um tran-
quilo despertar. Para aquele cuja consciência ainda não está pura, a perturbação é cheia
de ansiedade e de angústias, que aumentam à medida que se compenetra da situação.
54 - O Espírito pode experimentar o horror da
decomposição
Curso Básico de Espiritismo Pluralidade das Existências
- 141 -
Nos casos de morte colectiva tem sido observado que todos os que perecem ao
mesmo tempo nem sempre tornam a ver-se logo. Presas da perturbação que se segue à
morte, cada um vai para seu lado, ou só se preocupa com os que lhe interessam.
O espírito procura, naturalmente, as actividades que lhe eram predilectas nos
círculos da vida material, obedecendo aos laços afins, tal qual se verifica nas sociedades
da Terra.
À semelhança das cidades da Terra, que se encontram repletas de associações,
de grémios, de classes inteiras que se reúnem e se sindicalizam para determinados fins,
conjugando idênticos interesses de vários indivíduos; que se abraçam os agiotas, os po-
líticos, os comerciantes, os sacerdotes, objectivando cada grupo a defesa dos seus inte-
resses próprios, o mesmo acontece nas cidades espirituais.
O homem desencarnado procura ansiosamente, no espaço, as aglomerações
afins com o seu pensamento, de modo a continuar o mesmo género de vida abandonado
na Terra, mas, tratando-se de criaturas apaixonadas e viciosas, a sua mente reencontrará
as obsessões da materialidade, como as do dinheiro, álcool, etc., obsessões que se tor-
nam o seu martírio moral a cada hora, nas esferas mais próximas da Terra.
Daí a necessidade de encararmos todas as nossas actividades no mundo como
tarefa de preparação para a vida espiritual, sendo indispensável à nossa felicidade, além
do sepulcro, que tenhamos um coração sempre puro.
Na questão n.º 165 de “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec faz a seguinte in-
dagação: “O conhecimento do Espiritismo exerce alguma influência sobre a duração,
mais ou menos longa, da perturbação?” Os espíritos responderam, taxativamente: “In-
fluência muito grande, pois o espírito já antecipadamente compreendia a sua situação.
Mas, a prática do bem e a consciência pura são o que maior influência exercem”.
55 - É variável o tempo de perturbação após a morte
Curso Básico de Espiritismo Pluralidade das Existências
- 142 -
A RETER

1 – No intervalo das existências corporais, o espírito permanece no mundo espiritual,
onde é feliz ou desgraçado, conforme o bem ou o mal que fez.
2 – O estado corporal é transitório e passageiro. O espiritual é o definitivo do espírito.
3 – A situação do espírito, depois da morte, é regida por uma lei de justiça infalível.
4 – A morte do corpo físico é que determina a partida do espírito, nunca o contrário.
5 – A separação pode ser rápida, fácil, suave e insensível ou poderá ser lenta, laborio-
sa, horrivelmente penosa, conforme o estado moral do espírito.
6 – Durante a vida, o espírito está preso ao corpo pelo seu perispírito. A morte só des-
trói o corpo.
7 – A actividade intelectual e moral operam um começo de desprendimento, mesmo
durante a vida do corpo.
8 – Na agonia, o espírito, algumas vezes, já tem deixado o corpo; nada mais há que a
vida orgânica.
9 – Por ocasião da morte, tudo, a princípio, é confuso. A lucidez das ideias e a memó-
ria do passado voltam à medida que se apaga a influência da matéria.
10 – É muito variável o tempo que dura a perturbação que se segue à morte.
11 – A perturbação que se segue à morte nada tem de penosa para o homem de bem.
Para quem tem a consciência pesada, a perturbação é cheia de ansiedade e angús-
tias.
12 – O espírito procura, naturalmente, as actividades que lhe eram predilectas quando
estava na Terra.
13 – O conhecimento do Espiritismo tem grande influência na duração mais ou menos
longa da perturbação espiritual após a morte. Mas a prática do bem é o que maior
influência exerce.


Curso Básico de Espiritismo Pluralidade das Existências
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BIBLIOGRAFIA

Allan Kardec:
“O Livro dos Espíritos”, Parte Segunda, Cap. II e Cap. XI, 44.ª Edição, Federação Espí-
rita Brasileira;
“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. IV, 77.ª Edição, Federação Espírita Brasi-
leira;
“O Céu e o Inferno”, 1.ª Parte, Cap. III, 23.ª Edição (Popular), Federação Espírita Bra-
sileira;
“A Génese”, Caps. I e XI, 19.ª Edição (Popular), Federação Espírita Brasileira.

Deolindo Amorim, “O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas”, Cap. VI, 3.ª Edi-
ção, Livraria Ghignone Editora.

Emmanuel:
“A Caminho da Luz”, psicografia de Francisco Cândido Xavier, Cap. III, 4.ª Edição,
Federação Espírita Brasileira;
“O Consolador”, psicografia de Francisco Cândido Xavier, Questão N.º 148, 4.ª Edi-
ção, Federação Espírita Brasileira.

Gabriel Delanne:
“A Reencarnação”, Caps. I e XIV, Federação Espírita Brasileira;
“A Evolução Anímica”, Introdução, 4.ª Edição, Federação Espírita Brasileira.

Léon Denis:
“Depois da Morte”, Parte Segunda, XI, 8.ª Edição, Federação Espírita Brasileira;
“O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, Segunda Parte, Caps. XIII e XVII, 11.ª
Edição, Federação Espírita Brasileira;
“O Além e a Sobrevivência do Ser”, Estudos sobre a reencarnação ou as vidas sucessi-
vas, 3.ª Edição, Federação Espírita Brasileira.

Leslie D. Weatherhead, “The Case For Reencarnation”, Londres, 1958.

Mário Cavalcanti Melo e Carlos Imbassahy, “Reencarnação e suas Provas”, Primeira
Parte, Pág. 34, 1.ª Edição da Livraria da Federação Espírita do Paraná.

Curso Básico de Espiritismo Minigrupos

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MINIGRUPOS (apoio bibliográfico)

Leia com atenção o apoio bibliográfico e faça um resumo para cada tema:





MINIGRUPO 1: A REENCARNAÇÃO

1 – A reencarnação e o duplo progresso do espírito
Allan Kardec, “O Céu e o Inferno”, 1.ª Parte, Cap. III, Itens 7, 8 e 9.

2 – Revista histórica sobre a teoria das vidas sucessivas
Gabriel Delanne, “A Reencarnação”, Cap. I.


Um elemento do grupo funcionará como secretário para posteriormente apresentar as conclusões.



MINIGRUPO 2: NECESSIDADE DA ENCARNAÇÃO

1 – Necessidade da encarnação
Allan Kardec, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. IV – Instruções dos
espíritos.

2 – Os animais e o homem - Metempsicose
Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, Questões 606 a 613.



Um elemento do grupo funcionará como secretário para posteriormente apresentar as conclusões.




MINIGRUPO 3: NINGUÉM PODERÁ VER O REINO DE DEUS SE
NÃO NASCER DE NOVO

1 – Ressurreição e reencarnação
Allan Kardec, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. IV, N.º 4.

2 – Formação dos mundos
Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, Cap. III, Questões 37 a 42.
Curso Básico de Espiritismo Minigrupos

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3 – A pluralidade das existências
Léon Denis, “Depois da Morte”, Parte 2.ª, XI.



Um elemento do grupo funcionará como secretário para posteriormente apresentar as conclusões




MINIGRUPO 4: REENCARNAÇÃO – Processo de aperfeiçoamento
espiritual

Deolindo Amorim, “O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas”, 3.ª Edição, Cap.
VI, Págs. 159 a 163.



Um elemento do grupo funcionará como secretário para posteriormente apresentar as conclusões
Curso Básico de Espiritismo Minigrupos

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MINIGRUPOS

Depois de ter estudado este capítulo, responda, por escrito, às seguintes
questões:





MINIGRUPO 1: INTRODUÇÃO – Revisão histórica

1 – Qual é o significado da palavra palingenesia?
2 – Refira os povos que acreditam na reencarnação.
3 – Que filósofos estudaram a reencarnação?
4 – Os filósofos gregos que nome lhe atribuíram? Porquê?
5 – Desenvolva a frase: “A alma elabora-se no seio dos organismos rudimentares.”






MINIGRUPO 2: REENCARNAÇÃO

1 – Qual a diferença entre: reencarnação – ressurreição – metempsicose?
2 – De acordo com a resposta à questão N.º 612 de “O Livro dos Espíritos”, poderia um
espírito encarnar no corpo de um animal?
3 – Indique duas passagens do “Evangelho” que sugiram a reencarnação e explique-as.
4 – Como se processa a ligação de um espírito a um corpo, para reencarnar?
5 – Do que depende a duração da vida nos diferentes mundos?






MINIGRUPO 3: EVIDÊNCIAS DA REENCARNAÇÃO

1 – Quais são os quatro tipos de evidências científicas que existem sobre a reencarna-
ção?
2 – Como explica o Espiritismo os meninos-prodígio?
3 – Indique três livros científicos, e seus respectivos autores, que apresentem a reencar-
nação como única explicação possível para a lembrança de vidas anteriores.
4 – Indique três médicos que, na publicação dos seus livros, apontam a reencarnação
como evidência científica e explique como chegaram a essa conclusão.
5 – A regressão de memória é uma prática espírita? Em que consiste?
Curso Básico de Espiritismo Minigrupos

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MINIGRUPO 4: OBJECTIVO DA ENCARNAÇÃO

1 – Deus cria espíritos eleitos? Explique.
2 – Há espíritos eternamente maus? Porquê?
3 – Explique a relação entre: encarnação – inferioridade dos espíritos – trabalho – tribu-
lações – evolução.
4 – Em que expressão Kardec defende a reencarnação como um dos postulados da Dou-
trina Espírita?
5 – De acordo com a resposta à questão N.º 196 de “O Livro dos Espíritos”, qual o mo-
tivo porque reencarnam os seres na Terra?







MINIGRUPO 5: DA VOLTA DO ESPÍRITO, EXTINTA A VIDA
CORPORAL, À VIDA ESPIRITUAL

1 – De que depende a situação da alma depois da morte?
2 – O que é o céu e o inferno na óptica espírita?
3 – Como se desprende o espírito dos laços materiais?
4 – A fase de perturbação que se segue à morte é igualmente penosa para todos os espí-
ritos? Explique.
5 – De acordo com a resposta à questão N.º 165 de “O Livro dos Espíritos”, o conhe-
cimento do Espiritismo exerce alguma influência sobre a duração, mais ou menos
longa, da perturbação?






Curso Básico de Espiritismo Teste

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TESTE

NOME: _____________________________________ DATA: ___ /___ /___


1 – MARQUE A ALTERNATIVA CORRECTA COM UM “X”.

1.1 – O Espiritismo ensina que:
( ) a – O princípio inteligente, passando pelos diversos graus da animalidade, vai-se
elaborando e individualizando;
( ) b – O animal é inteligente e raciocina; porém, devido aos órgãos rudimentares do
seu corpo, não consegue transmitir os seus pensamentos;
( ) c – O espírito, ao desobedecer às leis da natureza, pode voltar ao reino animal;
( ) d – A alma de um animal, em casos muito especiais, pode transmigrar directamente
para o homem.

1.2 – Deus impõe aos espíritos a encarnação com o objectivo de:
( ) a – Crescerem e multiplicarem-se;
( ) b – Fazê-los chegar à perfeição e suportarem a sua parte na obra da criação;
( ) c – Povoarem a Terra de forma harmoniosa;
( ) d – Demonstrar o Seu poder e a Sua vontade.

1.3 – Os espíritos são criados simples e ignorantes. Instruem-se:
( ) a – Na devoção às sagradas escrituras;
( ) b – Nas lutas e tribulações da vida corporal;
( ) c – No errar constantemente e serem corrigidos pelos superiores;
( ) d – Nos conselhos dos espíritos.

1.4 – Sem reencarnação:
( ) a – Poderia haver moralidade completa, mas não se conceberia a existência de um
Deus;
( ) b – Haveria moralidade, mas não entenderíamos Deus;
( ) c – Haveria evolução, mas não entenderíamos Deus;
( ) d – Não haveria evolução, nem se conceberia a existência de um Deus justo.

1.5 – O processo de evolução dos espíritos esclarece-nos que:
( ) a – Os espíritos que desde o princípio seguem o caminho do bem podem não preci-
sar de reencarnar;
( ) b – Os espíritos chamados anjos, arcanjos, querubins e serafins são seres eleitos de
Deus;
( ) c – Depende dos espíritos o progredir mais ou menos rapidamente em busca da per-
feição;
( ) d – Os espíritos podem conservar-se eternamente nas ordens inferiores, pois têm o
livre-arbítrio.


1.6 – No Espiritismo, o pensamento reencarnacionista está assim definido:
Curso Básico de Espiritismo Teste

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( ) a – Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sempre, tal é a lei;
( ) b – Nascer, viver, morrer, renascer ainda, progredir sempre, tal é a lei;
( ) c – Nascer, viver, morrer, renascer, progredir e regredir, tal é a lei;
( ) d – Nascer, viver, recordar, morrer, renascer ainda, progredir sempre, tal é a lei;

2 – ASSINALE COM “V”, SE VERDADEIRO, OU “F”, SE FALSO.

( ) a – Quanto menos ligarmos aos problemas da vida, menos possibilidades temos de
perturbar a nossa mente.
( ) b – Os primeiros cristãos acreditavam que as almas voltavam à Terra noutro corpo
físico. Chamavam a isso ressurreição.
( ) c – Na ideia dos primeiros cristãos, J oão Baptista era Elias ressuscitado.
( ) d – Não se deve deixar o pão na mesa voltado ao contrário, pois dá azar.
( ) e – Quanto mais puro for o espírito, menos paixões tem a miná-lo.
( ) f – Não se devem cruzar as facas quando estamos à mesa, pois dá azar.

3 – MARQUE COM UM “X” AS PALAVRAS CRIADAS PELO ESPIRITISMO.

( ) Palingénese ( ) Reencarnação ( ) Espírita
( ) Médium ( ) Espírito ( ) Espiritismo
( ) Perispírito ( ) Mediunidade ( ) Carma