ACÇÃO DE FORMAÇÃO: “PRÁTICAS E MODELOS NA AUTO-AVALIAÇÃO DAS BIBLIOTECAS ESCOLARES”

REFLEXÃO CRÍTICA "Está demonstrado que, quando professores e bibliotecários trabalham em conjunto, os estudantes atingem maiores níveis de literacia, de leitura, de capacidade de resolução de problemas, bem como que adquirem competências de informação e comunicação." In, Manifesto das Bibliotecas Escolares da IFLA/UNESCO (2000)

Vários estudos internacionais mostram que as Bibliotecas Escolares podem contribuir positivamente para o ensino e a aprendizagem, podendo estabelecer-se uma relação entre a qualidade do trabalho da e com a Biblioteca Escolar (BE) e os resultados escolares dos alunos. Neste contexto, é importante avaliar o trabalho desenvolvido pelas bibliotecas escolares, qual o seu contributo para a aquisição de competências, para o sucesso educativo e para a promoção da aprendizagem ao longo da vida. Este processo de Auto-Avaliação das BE não pode ser entendido como uma ameaça, mas sim como um instrumento de regulação e de melhoria, que se apresenta como uma oportunidade, na medida em que conduz à reflexão e origina mudanças na prática. Aplicar com metodologia o Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares (MAABE) nos domínios definidos, ao longo de um período de quatro anos passa nomeadamente por: implementar a recolha sistemática de evidências; identificar perfis de desempenho através dos resultados obtidos (pontos fortes e pontos fracos) e definir as acções necessárias à melhoria do desempenho da BE. Sabendo que este processo de Auto-Avaliação da BE implica o envolvimento de toda a comunidade escolar há que ter em conta as diferentes estruturas com as quais é necessário interagir. Assim, é necessário estabelecer um plano de acção que defina as áreas de intervenção, os objectivos e as acções a desenvolver, tendo em vista a inclusão do modelo de Auto-Avaliação da BE no contexto da Escola/ Agrupamento. Outro aspecto incontornável para o sucesso da aplicação do MAABE é o envolvimento da comunidade escolar em todo o processo, a existência de parcerias, de trabalho colaborativo e de articulação curricular são factores indispensáveis. Neste contexto, revela-se ainda como
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essencial o envolvimento da Direcção Executiva uma vez que, confere credibilidade a todo o processo, sendo, sem dúvida, uma mais-valia para a concretização do modelo. Também o papel do Professor-Bibliotecário enquanto parceiro-líder de todo o processo, não pode ser negligenciado, pois, a capacidade de interagir e de comunicar com os agentes e as estruturas será fundamental para o reconhecimento, para a valorização da BE e para a materialização do processo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares. Após a aplicação do modelo no terreno é necessário avaliar os resultados obtidos. Feita a análise dos dados é fundamental proceder à elaboração de um relatório final da aplicação MAABE. Por sua vez, os resultados da aplicação desse modelo devem ser comunicados à comunidade educativa, através da sua divulgação no Conselho Pedagógico e no Conselho Geral. Finalmente, é imprescindível que se enquadre o processo de auto-avaliação das Bibliotecas Escolares do Agrupamento, no processo de Auto-Avaliação do Agrupamento de Escolas, pois, somente através desta inserção, estaremos a levar à prática, uma política de gestão, verdadeiramente promotora do sucesso educativo e de uma melhoria efectiva das aprendizagens. Após esta reflexão sobre o MAABE e da sua inequívoca importância, considero ser útil tecer algumas considerações quanto à sua aplicação. Na prática, temo que este processo de avaliação se transforme numa máquina altamente burocrática que ocupe demasiado do tempo do professor bibliotecário e o afaste do exercício de outras competências, ou que o obrigue a exercê-las de um modo parcial. Quanto à formação em si, gostaria de salientar que apesar do curto “timing”, do grau de exigência e do pouco acompanhamento por parte das formadoras, considero que, a realização da mesma foi essencial. A documentação disponibilizada, as leituras efectuadas, as reflexões feitas sobre a temática e o trabalho produzido, serão, sem dúvida, fundamentais para o exercício da função de professor-bibliotecário. No entanto, realço que, esta formação, pelo seu valor e pela sua pertinência, necessitava de um maior número de sessões presenciais e de um apoio mais efectivo por parte das formadoras, pois a aprendizagem deste tipo de conteúdos e metodologias e a sua aplicação prática, exige um domínio, um amadurecimento de conceitos, que o número de formandos e de horas estabelecido não tornou possível. Vale de Milhaços, 13 de Dezembro de 2009

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