Você está na página 1de 4

Foto: Thiago Oliveira

extra Jornal-laboratório do Curso de


Comunicação Social da Unisul

Tubarão | Ano 15 | Número 5 | Novembro de 2009

Morro da Caixa
D’água em foco
extra DIREITO PÚBLICO
DIREITO 2
Novembro de 2009

Comunidade prioriza educação


Alissa Steilen necessidade das crianças. Mês ruas, estão participando da oficina. me incentiva a ir", conta. Oliveira, coordenadora da Capela
editado por Laís Mari Rabelo passado, o Projeto Reciclagem foi As crianças demonstram Wasley Sebastião Manoel, de 10 Nossa Senhora Aparecida, e
desenvolvido para trabalhar com os entusiasmo em fazer parte do projeto anos, aluno da 3º série do ensino moradora da comunidade,
A necessidade de levar melhoria alunos a separação dos lixos, uma "Contos para transformar histórias". fundamental, também fala professores do próprio bairro
na qualidade de vida dos preocupação grande dentro da Eles deixam clara a importância de entusiasmado do projeto. "Gosto de Oficinas dão aulas de alfabetização
moradores da comunidade do comunidade. Já este mês o assunto irem às oficinas que os ensinam a tudo lá. De ler, dançar rap e de desde o ano passado. "Existem vários
Morro da Caixa D'água, no bairro é animais. "A cada mês criamos ler. Toda segunda-feira à tarde Alan apresentar teatro, como a do projetos dentro da nossa
Oficinas, de Tubarão, mobiliza diferentes projetos. Um está Tomé, de 15 anos, que frequenta hoje Chapeuzinho Vermelho", afirma. comunidade. Uns são feitos pelos
todos os dias cidadãos da região, relacionado com o outro. Nosso a 5º série do ensino fundamental, "Participar das oficinas vai fazer eu próprios moradores, outros contam
que transformam projetos sociais em objetivo é trabalhar com as crianças participa com ânimo do projeto. ter um futuro bem melhor", completa com o apoio de alunos da Unisul e
realidade. Na comunidade já existe desde pequenas, para que no futuro "Depois que entrei no 'Contos para o garoto com um sorriso no rosto. funcionários da prefeitura. Todos eles
diversos projetos que têm melhorado elas possam ter uma base", conta a transformar histórias' passei a ler bem Já os adultos da comunidade são muito importantes para nós
a vida de seus moradores. Entre eles diretora da creche, Jaqueline melhor na escola e minhas notas contam com projetos direcionados moradores. É através deles que
estão o de dança, teatro, pintura Sandrine Cardoso. A escola também melhoraram. Minha mãe acha muito à alfabetização. De acordo com a conseguimos melhorar cada vez
em tecido, desenho, capoeira e organiza oficinas com pais e bom eu estar participando e sempre aposentada Virginia da Silva mais nossa vida", enfatiza.
flauta. professores, como a oficina de Foto: Alissa Steilen
Na Escola Municipal de desenvolvimento de um aquecedor
Educação Básica Faustina da Luz solar.
Patrício, localizada no Morro da E os trabalhos não param por
Caixa D'água, muitos desses projetos aí. A comunidade também conta com
são desenvolvidos com seus alunos. o projeto "Contos para transformar
O de teatro, por exemplo, já conta histórias", realizados por acadêmicos
com 64 crianças. A professora de do curso de pedagogia da
alfabetização da escola, Marlise de Universidade do Sul de Santa
Souza Serafim, conta que os projetos Catarina, Unisul. Ele trabalha com
sociais têm ajudado no desempenho crianças de sete a 10 anos de idade,
de seus alunos dentro da sala de e hoje conta com 17 participantes.
aula. "É notável a melhoria no Através de leituras de textos,
desempenho das crianças que realizações de teatros, apresentações
participam de projetos, tanto os feitos de danças, entre outras oficinas, o
dentro da escola quanto os de fora. projeto tem como meta fazer com
Eles vão para as aulas mais que seus alunos criem o hábito da
comunicativos, criativos e interes- leitura, algo precário na educação
sados em aprender. A cada dia, do Brasil, e o desenvolvimento da
também é possível perceber o quanto interpretação de texto.
cresce a facilidade deles em Porém, seu objetivo vai além de
aprender", afirma a educadora. incentivar seus alunos a lerem. Com
A creche da comunidade, Walt o apoio do projeto, as crianças têm
Disney, também elabora projetos uma opção a mais de atividades fora
com seus alunos, que são realizados da escola. Um alívio também para
dentro da própria escola. Cada um os pais dos alunos, que sabem que
deles é criado com base na seus filhos, ao invés de estarem nas P rojetos sociais são desenvolvidos pelos alunos da Escola Municipal FFaustina
austina da LLuz
uz PPatrício
atrício

Drogas geram violência, dizem moradores


pediu para não ser identificado. diz que isso não o impediu de
Thiago Machado de Oliveira
editado por Laís Mari Rabelo Ele explicou que várias casas são continuar com os crimes. "Me
furtadas por usuários de drogas, pegaram duas vezes, apanhei
O Morro da Caixa D'água, no normalmente jovens, que agem assim muito, mas não demorou muito
bairro Oficinas, é uma das para manter o vício. "São meninos para me soltarem, e, na rua, é o
comunidades que apresenta mais de 17, 18 anos, mas eu já vi até de único jeito que eu tenho de viver",
problemas em Tubarão. Além de 12 anos, que conhecem a rotina dos conta G.M.
sofrer com a falta de verba da moradores da região e aproveitam Como a comunidade não é
prefeitura para melhorar a para invadir as casas quando não muito grande, a maioria dos
infraestrutura da localidade, os tem ninguém. Eles levam qualquer moradores se conhece, e, quando
moradores reclamam de outro coisa que possa ser trocada por alguém rouba uma casa, já sabem
problema: a falta de segurança. A drogas", completou R.T. quem foi, mas por medo, não fazem
localidade é conhecida como uma G.M., de 20 anos, é um desses nada. O comércio no morro se
das mais perigosas do município, e jovens. Usuário de crack há dois resume a um mercadinho e alguns
muito disso acontece por causa dos anos, ele afirma ter arrombado várias bares, e, por isso, rondas policiais
furtos, cometidos, na maioria das casas, não só no Morro da Caixa são raras. A aposentada Gessi
vezes, por usuários químicos que D'água, mas em todo o bairro Menegaz, de 67 anos, reclama que
trocam as mercadorias por drogas, Oficinas, e em outros bairros de desocuparam o posto policial que
e do próprio tráfico em si. Tubarão. "É lógico que se eu pudesse havia na localidade, e, desde então,
O desempregado R.T. foi uma eu não roubava, mas é o único jeito ficou muito mais perigoso andar
das vítimas da violência no morro. que eu tenho para conseguir pelo morro, principalmente durante
Morador da região há seis anos, ele comprar drogas. Eu sei que eu posso a noite.
já teve a sua casa arrombada duas morrer a qualquer momento, mas a "É só escurecer que já se pode
vezes. "Na primeira vez, levaram o vontade de conseguir a pedra é tão ver meninos fumando no meio da
rádio e a televisão, e, na segunda, grande que eu nem penso muito rua, e nem adianta chamar a
furtaram o videogame do meu filho", nisso", afirma o jovem. polícia, pois ela não vem", reclama
Rondas policiais acontecem com pouca frequência no morro disse o ex-carpinteiro, que por medo, Ele já foi preso duas vezes, mas Gessi.
extra DIREITO PÚBLICO
DIREITO 3
Novembro de 2009

Estrutura do Morro da Caixa é precária


Foto: Luiza Droese
Ioton Neto municipais", conta J.H.C. “Nosso todos os moradores. São fatores
editado por Samira Pereira morro é discriminado, as pessoas indispensáveis para obter uma boa
dizem que não gostam de subir qualidade de vida.
Problemas no sistema viário, aqui porque é perigoso, violento, Esses problemas foram
falta de transporte coletivo, mas aqui existem muitas pessoas apontados pelos moradores da
saneamento básico precário, boas", completa. comunidade. Outro fator
ausência de áreas de lazer, pessoas Os moradores explicam que agravante é o medo que eles têm
vivendo em zona de risco, tráfico diversos projetos já foram feitos de falar dessas questões, temem
de drogas, conflitos ambientais e para melhorar a estrutura do as represálias, sejam elas dos
sociais. bairro, mas nada saiu do papel. próprios moradores ou até
Assim é a realidade de quem Recentemente, um grupo de mesmo de autoridades do
vive no Morro da Caixa D’água, estudantes do curso de arquitetura município.
em Tubarão. No início a ideia era da Unisul fez um levantamento Por falta de instrução, muitos
perceber apenas os problemas na dos principais pontos que devem não sabem que na verdade as As duas
rede de esgoto, mas, caminhando ser mudados no bairro. reclamações e reivindicações são instituições de
pela comunidade, percebe-se que, Os problemas vão desde a direitos que todo brasileiro tem, ou ensino da comunidade
na verdade, o "Morro da Caixa" pavimentação nas ruas, que não pelo menos, deveria ter. colaboram com a reciclagem
possui diversos problemas. A há, passando pela falta de Os estudantes que desenvol- de lixo
localidade como um todo está com saneamento básico, até conflitos veram a avaliação e elaboração
a estrutura precária, além disso, na com meio ambiente e economia", do projeto na comunidade afirmam
comunidade, outros fatores explica o futuro arquiteto Rodrigo que existe um descaso por parte do Aguardando a coleta seletiva
negativos são visíveis. da Silveira. poder público municipal.
"Nós vivemos em outro mundo, A ideia dos estudantes é levar "É uma situação muito diferente Luiza Droese cinco anos. Aposentado, ganhan-
aqui existe uma cidade que poucos o projeto desenvolvido para as da que nós vivemos. A gente editado por Alexandre Frazão do apenas a pensão do INSS, ele
tubaronenses conhecem", relata autoridades municipais e presenciou situações chocantes, sentiu a necessidade de ter uma
M.A., que não quis ser identifi- conseguir recursos financeiros ouviu depoimentos que realmente Nos dias atuais é necessário outra fonte de renda. "Eu sou
cada. Cada dia que passa, um para execução. Os estudantes fizeram com que nós parássemos que haja uma preocupação com divorciado e moro sozinho há uns
novo desafio é lançado para os observaram que grande parte das e refletíssemos. São problemas que o destino do lixo que produzimos. sete anos. O dinheiro da minha
moradores do morro. A comu- ruas no morro não tem grande parte da população não Com a questão do aquecimento aposentadoria é só pra mim, mas
nidade está com problemas sérios pavimentação, algumas casas sabe que existe em Tubarão", relata global e a discussão do futuro do tem todas as despesas de casa,
na estruturação para uma boa não possuem sistema de esgoto. Rodrigo. planeta, não há mais como não então é pouco. Na comunidade
qualidade de vida, outros De acordo com a Constituição "Existe uma omissão do ter o mínimo de responsabilidade todo mundo me conhece e separa
problemas fazem parte do dia-a- brasileira, é direito de todo governo municipal frente à essa ecológica. o lixo em casa pra me dar". Ele
dia da população, as ruas sem cidadão ter água encanada e realidade. Com isso podemos ver Pelo que se pode perceber, a vende o material para uma
calçamento, violência, assaltos e saneamento básico. Mas, isso não quais são as prioridades dos maioria dos moradores do Morro empresa da cidade de São
tráfico de drogas. está presente em algumas governos. Enquanto problemas de da Caixa D'água possui essa Martinho que, de 15 em 15 dias,
Ao questionar um dos residências na comunidade. pouca importância são resolvidos noção. Não existe o processo de passa na casa de Zeca para
moradores sobre as dificuldades Faltam locais para lazer, no centro, questões básicas de coleta seletiva naquela comuni- recolher. Essa fonte extra garante
encontradas no morro, ele iluminação pública, sistema viário saúde, saneamento básico e dade. A população do local tem a de 100 a 150 reais por mês.
respondeu, sem receios, todas. "Aqui que seja bom para ciclistas, educação, que garantem às vontade de tomar atitudes para Quem colabora com a coleta
nós temos problemas em diversos pedestres e motoristas. Em alguns pessoas uma moradia digna, são ajudar a melhorar a situação do seletiva no Morro da Caixa D'água
sentidos, falta tudo, não somos locais do bairro não há coleta deixados em segundo plano", dizem lixo, mas as autoridades respon- são as duas instituições de ensino
lembrados pelas autori-dades seletiva de lixo suficiente para os membros da equipe. sáveis não fazem nada para que da comunidade. A Escola Munici-
isso aconteça. pal de Educação Básica Faustina
Foto: Thiago Oliveira
Léia Querino, 37 anos, da Luz Patrício separa o lixo. Há
trabalha numa padaria da quatro anos as crianças e os
comunidade, um dos poucos funcionários são conscientizados
estabelecimentos comerciais de lá. dessa importância. De duas a três
Ela comenta que colaboraria com vezes ao mês a escola vende para
a coleta seletiva, caso existisse no uma empresa e o dinheiro é
morro. "Eu acho super importante revertido para as despesas da
separar o lixo. Não sou daqui do instituição. "Os pais das crianças
Morro da Caixa, moro na juntam garrafinhas e latinhas em
comunidade vizinha. O centro casa e mandam para a escola. É
comunitário de lá fez uma bom para todo mundo: para os
campanha e hoje todo mundo pais, para as crianças, para a
separa o lixo. Toda segunda-feira escola e, claro, para a natureza",
à tarde a prefeitura passa para comenta satisfeita Marlise de Souza
recolher". Lopes, professora.
Segundo Virgínia da Silva, A Creche Walt Disney tem vários
coordenadora da Capela Nossa projetos para conscientizar as
Senhora Aparecida, o único tipo crianças quanto à importância da
de coleta além da que a prefeitura coleta seletiva. Um deles é o Projeto
realiza é o de catadores de mate- Aquecedor Solar. Ele funciona
riais que moram na comunidade. como uma oficina entre as crianças
"O seu Zeca e o seu Joãozinho são e os pais em que são confeccio-
muito conhecidos aqui no morro. nados aquecedores solar com
Todo mundo acaba juntando garrafas pet. “Já estamos colhendo
garrafas pet, latinhas e papelão esses resultados", diz Jaqueline
para dar pra eles". Cardoso, diretora da creche.
Seu José Gonçalves da Cruz, O líder comunitário do Morro
o seu Zeca, tem 71 anos e cata da Caixa foi contatado, mas não
lixo reciclável há aproximadamente concedeu entrevista.
Saneamento básico e conservação das ruas estão entre os problemas apontados pelos moradores
extra SAÚDE E COMÉRCIO 4
Novembro de 2009

Clínica do Becker é grande aliada da


comunidade no combate às doenças
Foto: Daniel Ghedin
Daniel Ghedin problemas", admite.
e d i t a d o p o r Vi v i a n S i p r i a n o Oliveira frisa que obtém uma
saúde sadia praticando esporte, se
O Posto de Saúde Clínica Dr. alimentando bem, dormindo o
Arnaldo Bittencourt, popularmente suficiente e até trabalhando.
conhecido como clínica do Becker, "Trabalho com carreta, então carrego
situada no bairro Oficinas, é o local e descarrego materiais, de qualquer
para onde recorrem os moradores forma é um exercício físico", conta,
da comunicade do Morro da Caixa sorridente. Quanto ao esporte, ele
D’água quando necessitam de acrescenta: "gosto de jogar futebol
atendimentos médicos- de vez em quando". Para ele, o
odontológicos. O método adotado atendimento do Posto de Saúde é
na realização de atendimentos faz bom. "Sempre sou bem atendido, já
parte do Programa da Saúde da conheço o pessoal daqui", diz.
Família (PSF), que conta com 15 A médica Taisa Fantini Schaefer
profissionais da área da saúde. São presta serviço para o PSF no posto e
ao todo, um médico, um enfermeiro, revela que são atendidos mais
um dentista, um auxiliar pacientes com casos de hipertensão,
odontológico, dois técnicos de curiosamente, em número maior
enfermagem e nove agentes entre jovens do que em adultos. "O
comunitários. número de jovens com esse distúrbio
A moradora Maria Madalena S. tem aumentado pelo estilo de vida
Correa, 62, diz que procurou auxílio adotado por eles", conta. "Trato,
médico no posto cinco vezes até bastante, também, de pessoas que
hoje. "É uma benção", fala, satisfeita. têm doenças relacionadas ao
Ela conta que não teve muitas trabalho (DORT), diabéticos e que Proximidade do posto de saúde com a localidade do Morro da Caixa D’água facilita atendimento
doenças ao longo da vida. "A única sofrem de distúrbios psíquicos como
doença que tenho é a hipertensão. depressão, bipolaridade e até casos O atendimento odontológico do que atende alunos de escolas de O câncer é raro porque é causado,
Tomo anti-hiperten-sivos", esclarece. de psicopatia", completa. PSF é realizado pelo dentista José ensino fundamental. "Atendemos principalmente, pelo cigarro e
O paciente Rogério de Oliveira, Taisa diz que os casos menos Antônio M. Sobrinho. Ele revela que pacientes da faixa etária desde o naquelas pessoas que tem
47, quando perguntado sobre a tratados são os de pessoas com trata de várias patologias no seu nascimento até os 14 anos. predisposição genética e não são
saúde, comenta: "costumo fazer doenças urológicas masculinas, consultório. "Frequentemente eu trato Realizamos palestras quando todas que fumam ou têm
exames de rotina. Isso ajuda muito. como o câncer de próstata. pacientes com gengivite, periodontite, possível para reforçar a prevenção e hereditariedade para o câncer".
Não tenho nenhuma doença que "Procuramos fazer o porém, os maiores casos são de cárie também fazemos fluoretação Os profissionais do PSF atendem
trato atualmente". Ele procura encaminhamento ao especialista dentária", conta. "Faço limpeza bucal (aplicação de flúor) com os alunos no Posto de Saúde todos os dias da
atendimento médico só quando os quando aparecem esses casos", e também reforço a profilaxia, que da 1ª a 4ª série", explica. semana, exceto sábados e
sintomas aparecem. "Não procuro conta. "Atendemos, geralmente, por são os métodos preventivos. Atendo Sobrinho, quando indagado domingos. Na parte da manhã os
de imediato não. Às vezes sinto algo, dia, de 25 a 30 pessoas. No mês o em média 12 pacientes ao dia", sobre raridade de alguma doença trabalhos começam às 7 horas e vão
mas não vou ao médico. Vou ao número chega a 500 ou até 800 comenta. que encontra no trabalho, afirma até ao meio-dia e à tarde, das 13 às
posto quando vejo que estou tendo pacientes", comenta. Sobre a profilaxia, Sobrinho fala categoricamente: "câncer de boca. 16 horas.

Panifício Sotero: presente no


Morro da Caixa D’água há 25 anos
Janaína Mengue bem tranquilo e todos se respeitam. É o caso de Gislaine Pereira, funcionários possam fazer as "Acho que não precisa ter loja,
editado por Vivian Sipriano "Nunca fomos assaltados", de 23 anos, solteira, que trabalha refeições. "Eu levo comida de casa vídeo-locadora, nem nada, pois
acrescenta. como vendedora no centro de e almoço lá, daí volto só às 6 tudo que a gente precisa é só
Dona Léia Querino, de 37 Dona Virgínia da Silva Oliveira Tubarão. O dia de Gislaine horas". descer o morro e já estamos no
anos, é uma das poucas pessoas é aposentada e percebe as começa cedo. Ela acorda por Mas a jornada de Gislaine não centro de Oficinas, que tem tudo
que trabalha dentro de um dificuldades que os moradores volta das 7 horas e caminha até para quando ela chega em casa. que se quer".
comércio na comunidade Morro encontram na hora de conseguir o centro para trabalhar. "Quando Ela confecciona bijuterias e vende, Mas há quem discorde. A
da Caixa d'Água. Uma das um emprego. "Muitas mães não chove eu vou de ônibus ou pego para incrementar o orçamento. prima de Gislaine, Ana Carolina
poucas porque o panifício e podem trabalhar porque não carona com meu vizinho, mas "Essa daqui foi eu que fiz, não é Caeres, de 16 anos, sente falta de
mercearia da família é um dos conseguem vaga na creche para gosto mesmo é de ir a pé. É longe, linda?", mostra na orelha o brinco atividades na comunidade do
dois estabelecimentos comerciais deixar seus filhos, a juventude dá uns 40 minutos de caminhada. grande e colorido, que ela própria Morro da Caixa D'água. "Gostaria
dentro da comunidade. "Aqui também tem que ir procurar É bom porque dá pique para o fez. Todo esforço e luta dela tem que tivesse mais cursos, porque
trabalhamos em família, e é bem emprego fora daqui, onde tem dia todo", relata, animada. um objetivo maior: a faculdade, tudo é muito longe, para tudo tem
difícil chamar alguém pra mais oportunidade", lamenta. No intervalo do almoço ela que pretende começar no ano que que ir para o centro, e como forma
trabalhar com a gente, só quando As atividades que as pessoas não volta para a casa, onde mora vem. "Antes eu tenho que me de renda as meninas fazem unha.
é muito necessário". da comunidade realizam para com os pais desde que nasceu. decidir, mas vai ser na área É o que eu vou querer fazer se
Apesar de reconhecer que a gerar renda são diversificadas. A O tempo é curto para fazer o administrativa". não puder cursar faculdade.
comunidade tem graves proble- maioria desloca-se para outros longo trajeto. A loja onde trabalha Gislaine diz que não sente falta Quero ser dona de salão",
mas sociais, ela diz que o local é bairros em busca de trabalho. tem cozinha para que os de comércio em sua comunidade. enfatiza.