Você está na página 1de 6

Campus Académico de Vila Nova de Gaia

Escola Superior de Educação Jean Piaget/Arcozelo

(Decreto-Lei nº 468/88, de 16 de Dezembro)

Disciplina: Teorias e Modelos de Comunicação

Docente: Pedro Pinto Machado

“Perspectiva Histórica da

Comunicação/Educação”

Trabalho realizado por: Tânia Moreira

nº: 31285

Curso: Pós-Graduação em TIC

Canelas, 14 de Dezembro de 2009


O termo comunicação é um termo de origem relativamente recente, ou
seja, nos antepassados já existia comunicação mas cientificamente, não era
assim que se designava. Só em meados do séc. XX é que esta palavra -
comunicação, passou a afirmar-se e a alargar o seu sentido. Por tudo isto,
se diz que a “Comunicação no Homem”, constitui uma actividade evolutiva,
esta evolui ao longo da nossa existência, vai-se recompondo ao longo dos
tempos. Também se refere que é cumulativa pois, uma nova linguagem,
novo médium acumula-se aos outros, já existentes, acrescenta-se sem os
excluir, destruir… tornando a capacidade comunicativa cada vez mais forte.

Relativamente à História da Comunicação e segundo Jean Cloutier, podemos


referir que esta passou por 4 etapas essenciais/4 configurações
comunicativas, ao longo do processo civilizatório, que são as seguintes:
Comunicação Interpessoal; Comunicação de Elite; Comunicação de
Massa e a Comunicação Individual.

É importante reforçar e citando Bento Silva (2007: 30), cada uma destas
etapas “(…) reordenou de um modo particular as relações do homem com o
mundo, estimulando e provocando transformações noutros níveis do
sistema sociocultural (educativo, económico, político, social, religioso,
cultural, etc.) Por isso, Mattelard chegou à conclusão de que “cada época
histórica e cada tipo de sociedade possuem uma determinada configuração
que lhes é devida. Esta configuração com os seus diversos níveis
(económico, social, técnico ou mental) e as suas diferentes escalas (local,
nacional, regional ou internacional) produz um conceito de comunicação
hegemónica” (FREIXO, 2006: 24)

Posso também salientar que estas 4 configurações comunicativas


reflectiram os diferentes contextos educativos e estes - Família; Escola;
Escola Paralela e Auto-educação, também se foram transformando,
evoluindo ao longo dos tempos.

Debruçando-me agora sobre a 1ª etapa da Evolução da


Comunicação/Educação - Comunicação Interpessoal, esta iniciou-se
quando o Homem começou a utilizar os meios apresentativos para se
expressar. Assim, caracterizou-se esta etapa como linguagem de
exteriorização, ou seja, o Homem aprendeu a exteriorizar as suas ideias,
desejos, necessidades e interesses, através do seu corpo, gestos e voz.

Não se sabe quando é que surgiu esta primeira intenção de comunicação,


no entanto, refere-se que teve início com o Homo Sapiens.

Salienta-se que neste contexto, o Homem é o único médium de


comunicação e por isso, é necessária a presença de todos os interlocutores,
num mesmo espaço e num mesmo momento. A mensagem limita-se ao
instante e ao meio imediato, ou seja - comunicação interpessoal.

De forma a combater esta limitação (a capacidade visual e auditiva), o


Homem teve a necessidade de se deslocar para poder comunicar à
distância. Assim, surgiram os mensageiros que reproduziam as mensagens
dos emissores para os receptores. Estes passam a ser os “(...) verdadeiros
médium de comunicação”, porém em termos temporais a comunicação era
limitada isto porque, limitava-se ao momento que era emitida a mensagem
podendo-se dizer que a comunicação tinha um limite temporal (de vida).

Para contornar esta limitação, surgiram os contadores que


“desempenhavam a função das modernas enciclopédias” (FREIXO, 2006:
28). Deste modo, “(...) assumiam-se a função de «memórias do tempo»: os
bardos das tribos Celtas, os trovadores da Idade Média (…)”. (idem)
Assumindo-se deste modo, como verdadeiros médiuns.

A esta etapa de comunicação, podemos fazer corresponder a estrutura


educativa Familiar.

Na segunda etapa, nasce uma nova era no campo da comunicação, a era da


Comunicação de Elite. Nesta fase, com o aparecimento do desenho,
esquema e sobretudo a escrita fonética, as linguagens de exteriorização
foram substituídas pelas “linguagens de transposição”, como Freixo (idem)
acrescenta, “O homem vai transpor o seu pensamento e os objectos do
mundo que o rodeia para esquemas, desenhos, ritmos, música.”

É nesta etapa que surgem os pictogramas (desenhos e gravuras feitos nos


murros, cavernas…). A partir daqui, emergiram as grandes “revoluções do
Homem Primitivo” e neste momento de evolução, vence-se a limitação
espácio-temporal. Isto tudo deveu-se ao facto de as mensagens emitidas
terem sido registadas nas paredes das cavernas, transformando-as nas
primeiras bibliotecas e posteriormente, com o aparecimento do papiro,
pergaminho e mais tarde, o papel.

O advento da escrita e a sua evolução, permitiu não só armazenar


conhecimentos como aproximar culturalmente e socialmente os diferentes
povos.

Neste episódio e devido ao surgimento da escrita e progresso da sociedade,


surge a escola como estrutura educativa. Nesta etapa a família deixa de ser
o único espaço de aprendizagem passando a existir um local específico para
o processo de aprendizagem, a Escola.

Em seguida, apareceu o livro, fruto do desenvolvimento da escrita e com o


objectivo de acumulação de conhecimentos. O aparecimento dos livros, veio
permitir o congelamento da cultura, isto porque, a principal intenção do
copista não era a transmissão mais rápida de informação/conhecimento
mas sim, a construção de um trabalho artístico.

Com a chegada da indústria e a invenção da imprensa (Johannes


Gutenberg), o livro transformou-se num objecto de consumo, acessível a
todos. Esta nova fase (3ª) da História da Comunicação, designa-se segundo
Jean Cloutier de Comunicação de Massa.

Podemos referir que este tipo de comunicação, representa a amplificação


das mensagens que permite a sua expansão, passando assim de uma
comunicação circunscrita, reduzida a um número de receptores, para uma
comunicação alargada, em termos de receptores. Os media colectivos
iniciaram esta nova era (comunicação de massa) e foram responsáveis pelo
aparecimento de uma nova sociedade, a sociedade de massas.

A esta etapa da comunicação correspondemos outra estrutura educativa.


Isto deveu-se ao facto de, a transsissão do saber deixar se ser
exclusivamente feita pela a escola e também pela família pois através dos
media (livros, jornais, rádio, cinema e telivisão) originou-se um novo agente
de transmissão de conhecimentos – a Escola Paralela.
A 4ª e última etapa da história da comunicação é a da Comunicação
Individual. Nesta nova etapa, surgem novas linguagens e novos media, os
media individuais ou self-media, transformando assim, o acto de
comunicação numa “comunicação individual”. Segundo Cloutier “Este
episódio, da vida do homem enquanto Emissor e Receptor.” (FREIXO, 2006:
44)

Nesta fase, o Homem é o ponto de partida e de chegada da comunicação,


como afirma Jean Cloutier, o Homem é o “Emissor e Receptor”, visto que ele
informa e informa-se. Desta forma, o aluno passa a ser o agente activo na
construção/transmissão do saber fazendo com que o professor deixe de ser
o único transmissor da informação e sim um orientador do processo de
aprendizagem do aluno. Assim, o aluno passa a ser um auto-educando que
através de uma aprendizagem autónoma é capaz de construir o seu próprio
conhecimento. Por tudo isto, a este último episódio da história da
comunicação associa-se a Auto-educação como estrutura educativa.
Referências Bibliográficas

 Diapositivos cedidos pelo Prof. Pedro Machado.

 FREIXO, Manuel J. Vaz - Teorias e Modelos de Comunicação, Lisboa:


Instituto Piaget, 2006.

 SILVA, Bento Duarte – Avaliação e Tecnologia Educativa: Uma


Reflexão em torno das Ecologias da Comunicação e da Educação,
Universidade do Minho, 2007.