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O PAPEL DO SOM NA APRENDIZAGEM

A atuação do professor frente ao ensino é fundamental para a
aprendizagem. Por isso, a boa formação é regra básica. Estudos foram
realizados sobre um aspecto específico do ensino-aprendizagem: a
dificuldade ue muitos alunos t!m para ler. "onstatou-se ser essa uma
realidade mais fre#ente do ue se imagina, retratando fal$as no modo
de ensinar.
%uem l! mal, acaba escre&endo mal e os estudos mostram ue a
maioria dos problemas de leitura é e&itá&el. ' centro dos problemas,
dizem os pesuisadores, é o treinamento fraco dos professores, ue
não sabem abordar o tipo certo de instrução.
A esse respeito, passo a &oc!, professor das primeiras letras, uma
pesuisa, assaz rele&ante, realizada nos Estados (nidos, relatada em
)**+, sobre o papel do som na aprendizagem da leitura das crianças.
"ientistas do "entro de Aprendizado e Atenção da (ni&ersidade
,ale, com a a&ançada tecnologia do dispositi&o de -magens de
.esson/ncia 0agnética 10.-2 3 c$amado imã 3 obser&ando o cérebro,
notaram ue ele l! desdobrando pala&ras em sons. 4escobriram ue as
pessoas capazes de identificar o som das pala&ras podem processar
rapidamente o ue &!em, o ue não acontece com o cérebro de
pessoas incapazes de a&aliar o som das pala&ras. %uando não
consegue identificar o som, o cérebro fica embotado.
A pesuisa em ,ale fortalece o argumento de ue leitores
principiantes precisam aprender a distinguir os sons isolados dentro de
cada pala&ra. 5árias outras pesuisas realizadas nessas 6ltimas
décadas pelos -nstitutos 7acionais de 8a6de 17-92, em :et$esda,
0ar;land, documentaram conclus<es semel$antes: crianças precisam
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entender os sons da língua e as relaç<es entre letras e sons 3 a
fonética 3 para aprender a ler. -sso ocorre naturalmente com certas
crianças, outras precisam ser ensinadas. "oncluíram também ue pelo
menos *=> das crianças mais pobres, culturalmente empobrecidas,
podem aprender a ler no curso primário se receberem, a tempo, a
instrução adeuada sobre as relaç<es entre letras e sons.
4urante anos, as pesuisas científicas foram ignoradas pelos
educadores da área infantil. 4esde os anos +?, as escolas trocaram a
fonética por programas de @linguagem globalA ue uerem ensinar as
crianças a lerem, apoiando-se nos teBtos literários.
As filosofias educacionais ainda discutem sobre os métodos,
di&ergem sobre o mel$or processo de ensino da leitura para crianças.
0as, a tend!ncia ao ensino fonético gan$a fClego. Essa instrução, ue
se baseia nos sons isolados, começa uando o beb! dá os primeiros
passos. A criança aprende os sons básicos da língua, depois, a
identificar os sons e a decifrar pala&ras. Drases, $istErias e li&ros estão
ligados a essa $abilidade específica de identificação.
's defensores do ensino dos sons isolados dizem ue, uando as
crianças aprendem as regras, podem identificar as pala&ras ue nunca
&iram. ' significado &em com o tempo. "ontrastando com isso, os
defensores do método da linguagem global afirmam ue, lendo, as
crianças aprendem a ler, tornam-se leitoras. 8alas ue ensinam pelo
método global usam li&ros repletos de amplo &ocabulário e $istErias
mais compleBas ue os simples teBtos distribuídos aos ue se iniciam
na leitura dos sons isolados.
(ma boa porcentagem das crianças acaba aprendendo a ler no
primário, identificando o som das pala&ras ou ol$ando uma figura
correspondente. 0as, para as ue não t!m $abilidade natural para
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desdobrar os sons componentes das pala&ras, o aprendizado da leitura
pela fonética torna-se penoso. Essa é uma razão por ue algumas
crianças l!em com facilidade e outras não. A causa está na dificuldade
de ou&ir e repetir sons sutis, identificar letras e escre&er seus nomes.
%ue métodos funcionam mel$or no ensino de crianças com
problemas de leituraF (tilizar-se da instrução dos sons isolados das
letras e pala&ras, adotar programas de linguagem global ou uma
combinação de ambosF A resposta está na disposição de cada criança.
Gestes clínicos feitos com cerca de H.??? crianças nos 7-9
concluíram ue as crianças aprendem a ler mel$or uando preparadas
no início para identificar os fonemas da língua e, depois, entender as
relaç<es entre letras e sons, segundo a fonética tradicional. Enuanto
isso, os professores &ão pondo as crianças em contato com a literatura,
lendo para elas e dando-l$es li&ros interessantes para ler, como no
método de linguagem global.
Para muitas crianças até o primeiro passo, é muito difícil ou&ir os
sons distintos do idioma. "ientistas acreditam cada &ez mais ue a
causa da disleBia é a incapacidade de o cérebro processar o ue ou&e
e não o ue &!. Porue os disléBicos geralmente confundem o b com o
d, imaginou-se a princípio ue eles ti&essem problemas de &isão.
Agora, os cientistas cr!em ue os portadores de disleBia confundem as
duas letras por causa de sua semel$ança fonética. 9á diferenças
cerebrais em pessoas ue não l!em bem por serem disléBicas, dizem
os cientistas.
' professor de&e ter o cuidado de obser&ar a criança, suas
características pessoais, e decidir-se pelo método ue mel$or se aIuste
a ela. Aprender a ler ou não depende de como se ensina.
A neuroling#ista 8usan Jrant descre&e o sofrimento das crianças ue
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l!em mal. @Primeiro, elas ficam frustradas e embaraçadas e depois
começam a dizer ue detestam ler. 0ais tarde, começam a se sentir
isoladas, não conseguem escre&er uma sentença simples, não
conseguem soletrar e passam a negar o problema, dizendo ue não se
importamA.
A pesuisadora 0aril;n Kager Adams, de 9ar&ard, diz ue a maioria
dos estudantes ue não aprendeu a ler de forma adeuada até os *
anos, tende a passar o resto da &ida como mau leitor e o problema está
nas escolas ue fal$aram em ensinar bem essas crianças.
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