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ED311 – Política Educacional Brasileira – Profª Drª Mara Regina M.

Jacomeli
Apontamentos dos capítulos e do li!ro" Política Educacional. Eneida Oto Shiroma, Maria
Célia M. de Moraes, Olinda Evangelista
Aluna" Tacita Ansanello Ramos RA" 0!"!#
#apítulo – $s arautos da reforma e a consolida%&o do consenso" anos de 1''(
Os governantes dos anos de $$0 estruturaram uma verdadeira contra%revolu&'o nas es(eras social,
)olítica e ideol*gica ao )rocurarem su)erar a crise econ+mica dos anos de $,0.
Com a )osse de -ernando Collor de Mello, em $$0 e até os anos de $$. com o seu impeachment,
os motivos )o)ulistas /ue haviam caracteri0ado sua cam)anha (oram trocados )or um estilo
moderni0ado e intervencionista /ue trou1e amargas conse/23ncias )ara os 4rasileiros, tendo como
(oco central o a5uste da economia 4rasileira 6s e1ig3ncias de reestrutura&'o glo4al da economia,
com a4erturas )rematuras do mercado aos )rodutos internacionais.
7ogo se viu um 8rasil im)ossi4ilitado de com)etir com o mercado internacional e a necessidade de
(orma&'o de cidad'os /ue dominassem os c*digos da modernidade. Atri4ui%se 6 educa&'o dos anos
de $$0 a res)onsa4ilidade )ela (orma&'o desse cidad'o e a conse/2ente sustenta&'o do mercado
com)etitivo.
A Conferência Mundial de Educação para Todos
Em $$0, em 9omtien, reali0a%se a Con(er3ncia Mundial de Educa&'o )ara Todos, (inanciado )ela
:;ESCO, :;<CE-, P;:= e 8anco Mundial, na /ual os >> governos )resentes com)rometem%se
a assegurar a educa&'o 4?sica de /ualidade 6s crian&as, 5ovens e adultos e no /ual o 8rasil, um dos
)aíses com maior nível de anal(a4etismo, se com)romete em criar a&@es )ara a melhoria dessa
condi&'o.
Segundo Rosa M. Torres, as estratégias acordadas nessa Con(er3ncia (oramA satis(a0er as
necessidades 4?sicas de a)rendi0agem de todosB eliminar toda a discrimina&'o na educa&'o,
)rinci)almente a de g3neroB dar aten&'o aos desam)arados e )ortadores de necessidades es)eciaisB
concentrar a aten&'o mais na a)rendi0agem /ue em as)ectos (ormaisB valori0ar o am4iente )ara a
a)rendi0agemB (ortalecer o consenso entre os v?rios interesses, reconhecendo a o4riga&'o do Estado
e das autoridades educacionais em )ro)orcionar educa&'o 4?sica 6 )o)ula&'o e a necessidade de
envolver a sociedadeB am)liar o alcance e os meios da educa&'o 4?sica /ue come&a no nascimento e
se )rolonga )or toda vida.
Aos noves )aíses com alto índice de anal(a4etismo, sugere%se )rocedimentos a serem tomados )ara
melhorar a situa&'o, sendo elesA )romover um conte1to de )olíticas de a)oio no Cm4ito econ+mico,
social e culturalB mo4ili0ar recursos (inanceiros, )D4licos, )rivados e voluntariadoB (ortalecer a
solidariedade nacional )romovendo rela&@es econ+micas 5ustas e e/2itativas entre as na&@es.
Em $$", a)*s o impeachment do )residente Collor, é (eita a )u4lica&'o do Plano =ecenal de
Educa&'o )ara Todos o /ual tra&ava metas locais a )artir dos acordos (irmados em 9omtien, )ara a
melhoria da educa&'o nacional.
Cidadania, competitividade e equidade: Lemas da CEPAL nos anos de 1!
=ocumentos da CEPA7 EComiss'o Econ+mica )ara a América 7atina e Cari4eF, dos anos de $$0,
recomendavam )ara os )aíses da regi'o o investimento em re(ormas do sistema educativo visando o
sistema )rodutivo, através do desenvolvimento nos alunos de com)et3ncias e ha4ilidades
es)ecí(icas como a versatilidade, ca)acidade de inova&'o, comunica&'o, (le1i4ilidade.
Em síntese a CEPA7 entendia /ue a re(orma do sistema )rodutivo e a di(us'o de conhecimento
eram instrumentos cruciais )ara en(rentar o desa(io da constru&'o de uma cidadania moderna e da
com)etitividade.
Para a constru&'o de uma cidadania moderna via%se como necess?ria o acesso universal 6 escola,
um acesso com iguais condi&@es de o)ortunidade e de /ualidade )ara todos, a (im de /ue a
)o)ula&'o a)rendesse os c*digos da modernidade e /ue resultassem em iguais condi&@es sociais,
como a con/uista de um em)rego.
A "#E$C% delineia a educação para o s&culo ''(
O relat*rio =elors, )rodu0ido entre $$" e $$# )ela Comiss'o <nternacional so4re Educa&'o )ara
o século GG<, constituiu%se em um documento im)ortante )ara se com)reender a revis'o da )olítica
educacional de v?rios )aíses.
O documento mostra /ue a glo4ali0a&'o e o )rogresso )ara grande )arte da )o)ula&'o (oi uma
desilus'o, )or aumentar a e1clus'o social e o desem)rego e indica as )rinci)ais tens@es a serem
resolvidas e os desa(ios )ara o século GG<A resolver a tens'o entre a vertigem )rovocada )ela
mundiali0a&'o e a necessidade de re(er3ncias e raí0esB ingresso de todos os )aíses no cam)o da
ci3ncia e tecnologiaB ada)ta&'o das v?rias culturas e moderni0a&'o das mentalidades 6 sociedade da
in(orma&'oB viver democraticamente, ou se5a, viver em comunidade.
Pro)@e%se )ara o )ro5eto educativo um novo conceito de educa&'oA educa&'o ao longo da vida, /ue
)ossi4ilitasse a constitui&'o de uma sociedade educativa e a)rendente. Esse ti)o de educa&'o
)ossi4ilitaria o desenvolvimento harmonioso, o recuo da )o4re0a, da e1clus'o social e a viv3ncia de
uma democracia, o45etivos /ue seriam alcan&ados através de /uatro ti)os de a)rendi0agemA
a)render a conhecer, a)render a (a0er, a)render a ser e a)render a viver 5unto.
O Relat*rio =elors )reconi0a a educa&'o 4?sica dos " aos . anos, com conteDdo universalB a
educa&'o em nível médio, com conce)&'o clara elitista, viando a (orma&'o de tra4alhadores )ara os
em)regos e1istentes e o a)rimoramento de talentosB e o ensino su)erior visto como motor do
desenvolvimento econ+mico e, )ara conter sua grande demanda, recomenda%se a articula&'o com o
secund?rio )ara res)onder 6s e1ig3ncias de )ro(issionali0a&'o.
O )ro(essor é visto no relat*rio como um dos res)ons?veis )elas mudan&as /ue devem acontecer na
sociedade do século GG<, sendo de sua res)onsa4ilidade a educa&'o de 5ovens e crian&as /ue
sai4am so4reviver no mundo moderno, através de uma educa&'o voltada )ara a tolerCncia, o
)luralismo, a democracia e )ara a inclus'o de alunos na sociedade da in(orma&'o.
O Relat*rio =elors )renuncia algo /ue ho5e ocorreA mecanismos de recom)ensas aos )ro(essores
/ue o4tiverem melhores resultados entre seus alunos.
) *eunião do Comitê *e+ional (nter+overnamental do Pro,eto Principal de Educação para a
Am&rica Latina e Cari-e .P*%ME/LAC0
O H PROME=7AC, assim como os documentos anteriores, con(eriram 6 educa&'o )a)el central
nas novas estratégias de desenvolvimento econ+mico, /uanto )ara a 5usti&a e igualdade social. Tr3s
o45etivos )rinci)ais (oram elegidos nesse conte1toA su)era&'o e )reven&'o do anal(a4etismoB
universali0a&'o da educa&'o 4?sica e melhoria da /ualidade da educa&'o.
Segundo o documento, um dos )ontos (r?geis /ue )oderiam im)edir /ue se alcan&assem os
o45etivos estava no mau gerenciamento da :ni'o 6s escolas, )ro)ondo%se a descentrali0a&'o e
autonomia dos *rg'os estatais e a munici)ali0a&'o do ensino, assim como a )artici)a&'o da
comunidade na escola, a avalia&'o utili0ando%se de )adr@es internacionais e a )ro(issionali0a&'o da
a&'o educativa.
"m -anco define as prioridades e estrat&+ias para a educação
O 8anco Mundial, nascido no )*s%guerra, é um organismo multilateral de (inanciamento /ue conta
com !# )aíses, inclusive o 8rasil e tem se constituído em au1iliar da )olítica e1terna americana.
Através de (inanciamentos de )ro5etos, ele tornou%se o maior ca)tador de recursos do mundo.
O (inanciamento do 8M )ara a educa&'o come&a nos anos $0 com sua )olítica de conten&'o da
)o4re0a. Para isso, )ro)@e como )olítica educacional a re(orma do (inanciamento e da
administra&'o da educa&'o, rede(ini&'o da (un&'o do governo, atendimento 6s minorias,
estreitamento do setor )rivado na educa&'o )ro(issional, maior articula&'o com o setor )rivado,
autonomia das institui&@es e maior e(ici3ncia no gasto social.
Tendo )or (oco a educa&'o 4?sica, )rim?ria e secund?ria, segundo o 8M, a educa&'o tem )a)el
im)ortante no crescimento econ+mico e na (orma&'o de tra4alhadores ada)t?veis, (le1íveis, /ue
sai4am a)render sem di(iculdades.
A interlocução nacional
Em $$., re)resentantes de v?rias instCncias, sindicatos, em)res?rios, governo, universidade,
a)rovam uma Carta Educa&'o, /ue a)onta o entrave 6 constru&'o da na&'o devido a car3ncia do
ensino (undamental e a (alta de condi&@es do 8rasil em com)etir internacionalmente devido a
inade/ua&'o de seu sistema )rodutivo. A su)era&'o dessas condi&@es de)enderia de uma mudan&a
na )olítica educacional.
Ao longo dos anos de $$0, muitas discuss@es so4re )olítica educacional ocorreram, )rinci)almente
as envolvendo governo, em)res?rios e tra4alhadores, através de )arcerias entre setor )rivado e
governo, universidade e industrias, /ue caracteri0am o tom da 7=8E; de $$#.
O /ue se 4usca com as novas )olíticas educacionais da é)oca é a ade/ua&'o dos o45etivos da
educa&'o 6s novas e1ig3ncias do mercado internacional e interno e na (orma&'o do cidad'o
)rodutivo.
O documento IJuest@es Críticas da Educa&'o 8rasileiraK, )u4licado em $$>, )ro)@e )ara a
educa&'o 4?sicaA reestrutura&'o de currículos e melhoria dos livros did?ticosB revis'o dos conteDdos
curriculares de L e .L grausB im)lanta&'o de sistema nacional de avalia&'oB e1)ans'o do
atendimento ao )ré%escolar )ara o(erecer a todos as mesmas o)ortunidades de sucesso e )rogress'o
escolarB maior autonomia da unidade escolarB maior articula&'o entre as redes de escolas do ensino
médio e o setor )rodutivo.
;o /ue tange ao ensino su)erior o documento indica como necess?rioA maior articula&'oMintegra&'o
entre universidade e em)resasB articula&'o entre universidade e secretarias estaduais e munici)ais
)ara rede(ini&'o dos cursos de )ro(essoresB /ue a )*s%gradua&'o deve tornar%se mais (le1ível )ara
atender clientelas com interesses distintosB /ue a autonomia universit?ria deve vir acom)anhada de
)r?ticas de gest'o )ro(issionais com vistas 6s maior ca)ta&'o de recursos )r*)rios.
Com rela&'o a (orma&'o de )ro(essores o documento recomendouA revis'o e im)lanta&'o do
currículo do curso de (orma&'o de )ro(essores )ara as /uatro séries do L grauB revalori0a&'o da
)r?tica de ensinoB re(ormula&'o dos cursos de )edagogia e desenvolvimento de )es/uisasB
reestrutura&'o dos cursos de (orma&'o de )ro(essores Elicenciaturas e cursos de )edagogiaFB
descentrali0a&'o dos cursos de licenciaturaB e1tin&'o dos cursos de magistérioB cria&'o de )oucas e
4oas escolas normais su)erioresB estrutura&'o de )lanos de carreira com mecanismos de )rogress'o
(uncional vinculados 6 /uali(ica&'o e ao desem)enho.
=urante essa mesma é)oca é interessante o4servar a di(eren&a de en(o/ue e )rioridade )ara a
educa&'o dada )elos tra4alhadores, /ue centravam suas )reocu)a&@es na cria&'o de centros
)D4licos )ro(issionais, e dos em)res?rios em intervir na educa&'o geral e na 7=8E;.
Arautos da reforma entre os educadores
Alguns educadores (oram muito in(luentes nesse )eríodo de re(ormasA
% Nuiomar ;amo de Mello O criticava a alta concentra&'o de )oder nos *rg'os centrais, a (alta de
autonomia das escolas e ressentia%se da aus3ncia de mecanismos de )artici)a&'o, controle e
(iscali0a&'o do ensino )or )arte da )o)ula&'oB de co4ran&a e res)onsa4ili0a&'o )elas a&@es do
Estado e de avalia&'o dos resultados escolares. Nuiomar )ro)unha n'o s* a revis'o dos cursos de
(orma&'o de )ro(essores, mas /ue o Estado instituísse um e1ame )ara a o4ten&'o de registro de
)ro(essor.
% Eunice =urham O a(irmava e1istir um círculo vicioso no /ual o decréscimo na remunera&'o
docente, a deteriora&'o na carreira do magistério, a m? /ualidade na (orma&'o inicial do mestre e a
degrada&'o da /ualidade do ensino seriam com)onentes de re(or&o mDtuo.
Talve0 )or estarem envolvidos com a ela4ora&'o da 7=8E;, ou )ela )ro1imidade da elei&'o
)residencial, os educadores n'o tenham dado aten&'o devida 6s )ro)osi&@es de re(orma educacional
/ue 5? estavam em andamento.
:ma conclus'o é certaA nenhuma re(orma da educa&'o teve ou ter? 31ito contra ou sem os
)ro(essoresP
#apítulo – A reforma como política educacional dos anos 1''(
A )rioridade do Estado nos anos de $$0 (oi de assegurar o acesso e )erman3ncia dos alunos na
escola, através de )rogramas como o IAcorda 8rasilP T? na hora da escolaPK, Acelera&'o da
a)rendi0agem, Nuia do 7ivro =id?tico O Q a RQ séries, 8olsa%escola.
;o )lano do (inanciamento o MEC im)lementou o I=inheiro =ireto na EscolaK, Programa renda
mínima, -:;=ESCO7A, -:;=E-, TH Escola, Programa nacional de in(orm?tica na educa&'o...
O governo tam4ém dedicou )rioridade e interven&@es de nature0a avaliativa como o SAE8, E;EM,
Prov'o, além de )rogramas (ocali0ados em gru)os es)ecí(icos como a Educa&'o de 9ovens e
Adultos e Educa&'o <ndígena.
Para a concreti0a&'o dessas linhas de a&'o, o Estado )romoveu )arceria com os demais níveis de
governo, em)resas e entidades da sociedade civil, além da coo)era&'o 4ilateral, regional e
internacional.
A reforma da educação -1sica
As )olíticas )D4licas )ara o ensino (undamental (oram de(inidas a )artir da constata&'o da
e1ist3ncia de crian&as em idade escolar (ora da escola e da grande distor&'o idade%série.
:m grande con5unto de regulamenta&@es a(etou esse nível de ensino, com a 7=8E;, PC;, SAE8,
-:;=E-.
Juanto ao ensino médio, )ara lidar com a )olítica de (lu1o aumentada )elo maior nDmero de alunos
no ensino (undamental, além da co4ertura desse nível de ensino, uma )olítica )ro)osta (oi a
se)ara&'o entre ensino médio e técnico, rea)arecendo a velha dualidade, encaminhando alunos de
classes sociais distintas )ara tra5et*ria educacionais, sociais e econ+micas di(erenciadas,
aumentando o nDmero de conv3nios entre em)resas e Estado )ara o o(erecimento do nível técnico.
Ensino superior
A demanda )or vagas no ensino su)erior e a necessidade de sua moderni0a&'o (oram, na década de
$$0, (atores im)rescindíveis )ara mudan&as nesse sistema de ensino.
Segundo Paulo Renato, seriam tr3s os o45etivos da re(orma universit?riaA a avalia&'o, a autonomia e
a melhoria do ensino, estando os tr3s associados 6 e(ic?cia e 6 )rodutividade.
A 7=8E; e a legisla&'o com)lementar (oram a (avor das e1)ectativas re(ormistas do ensino com a
altera&'o do )rocesso de ingresso nos cursos su)eriores, n'o a)enas mais )or vesti4ularB mudan&as
na )artici)a&'o democr?tica na gest'o das <ES )D4licasB (le1i4ili0a&'o da estrutura e (uncionamento
do sistema de ensino su)eriorB am)la elasticidade na sua organi0a&'o internaB (i1a&'o de currículos
e )lanos de investimento (acultando as universidades, inclusive )D4licas, de im)lementar cursos
)agos.
Continua ca4endo ao Estado o credenciamento de cursos e avalia&'o dos cursos de gradua&'o e )*s%
gradua&'o, através do Prov'o e da CAPES.
:m outro as)ecto a salientar é o )ro4lema gerado )elo crescente nDmero de matrículas e1igindo o
aumento do nDmero de vagas nos cursos su)eriores, es)ecialmente com cursos noturnos, s* /ue sem
a contrata&'o de mais docentes, com a)osentadorias )recoces dos mesmos e conse/uente am)lia&'o
da carga did?tica dos )ro(essores )ara dar conta desse cen?rio.
*eforma na universidade, sem reforma universit1ria: o caso da formação de professores
Ao )ro(essor (oi atri4uído )a)el central na re(orma educacional, visto como res)ons?vel )ela
)rodu&'o das com)et3ncias demandadas )elo mercado na (orma&'o de cidad'os )rodutivos.
Passa%se a e1igir do )ro(essorado sua re%)ro(issionali0a&'o, retirando do mestre sua identidade
)rodu0ida ao longo do tem)o e no lugar construindo uma mentalidade com)etitiva e individualista.
Considera%se nessa é)oca e em (ator das características demandadas aos )ro(essores, inade/uados
os cursos médio e su)erior de (orma&'o docentes, )assando%se a e1igir, a )artir de .00#, a (orma&'o
docente somente em cursos su)eriores.
As discuss@es em torno da (orma&'o do )ro(essor )assam a ocorrer, )rinci)almente, na década de
$0, tendo )or )ro)osta a re(orma da educa&'o como um todo, na tentativa de /ue a re%
)ro(issionali0a&'o do docente resultasse tam4ém na /ueda da ta1a de anal(a4etismo, (orma&'o dos
5ovens )ara a realidade econ+mica, aumento da /ualidade de (orma&'o dos alunos nas séries
iniciais, aumento do nDmero e )ro(essores com (orma&'o ade/uada )ara o e1ercício da )ro(iss'o.
% avesso do consenso
Muito em4ora o governo tenha (eito es(or&os )ara construir consensos, n'o h? como esconder o
descontentamento da maioria dos educadores em torno dessa )olítica educacional dos anos de $$0.
:ma )olítica /ue se inicia so4re um diagn*stico da crise, com /uadros de estatísticas de (racasso
escolar e de anal(a4etismo com)arados com dados internacionais )ara concluir /ue o )ro4lema do
/uadro educacional 4rasileiro devia%se a ine(ici3ncia de sua gest'o e n'o 6 (alta de recursos.
9usti(icam uma mudan&a da centralidade da educa&'o e do conhecimento )ara a chamada sociedade
da in(orma&'o e inser&'o do indivíduo no mercado de tra4alho, através de um )ro5eto com
interesses ca)italistas e ideais de outras é)ocas.
No entanto, como pretendem Governo e Estado melhorarem a qualidade da educação cortando
verbas de programas por eles próprios criados, negligenciando a falta de infra-estrutura e os
salários baixos dos professores
:ma das hi)*teses )ara entender os )ro4lemas do )ro5eto educacional 4rasileiro im)lementado nos
anos de $$0 )ode ser sua articula&'o com interesses internacionais muito distantes e sem e(etivas
rela&@es com a nossa realidade.
Os discursos das ag3ncias internacionais )arecem n'o se a5ustar 6 realidade 4rasileira. O discurso
re(ormista alega )reocu)a&'o em am)liar as o)ortunidades escolares, mas recomenda e(ici3ncia
sem aumento de gastosB alega )reocu)a&'o com a /ualidade, mas aumentam o nDmero de alunos
)or classesB )aga aos )ro(essores sal?rios 4ai1os e reclamam da (alta de /uali(ica&'oB admite ser os
sal?rios dos )ro(essores 4ai1os, mas sugerem a)enas grati(ica&'o )or desem)enho.
!ue pol"tica educacional # essa que se espelha numa realidade que não # a de nossas escolas e
professores $as se olharmos realmente para os nossos professores e a realidade de nossos
alunos, as mudanças e poss"veis propostas que serão necessárias continuarão a articular a pol"tica
educacional com as necessidades do capitalismo econ%mico, isto #, continuarão formando alunos
necessários para o mercado competitivo sem gasto algum para o Governo ou serão propostas que
caminharão tão distantes das necessidades do capitalismo competitivo que não se torna válido
pensar nas mesmas
(mposs2vel concluir
O /ue se o4serva no 8rasil é a )rogressiva redu&'o dos gastos )D4licos )ara essa ?rea e a am)lia&'o
da iniciativa )rivada na educa&'o /ue im)@e a l*gica do mercado ao setor educativo. <sso )arece
tra0er como hori0onte n'o muito distante a (al3ncia do sistema )D4lico de ensino e a e(etiva
mercantili0a&'o da educa&'o.
;os anos de $$0 h? um deslocamento de res)onsa4ilidade )ela educa&'o do governo )ara a
sociedade civil, )revista na 7ei $."$RM$#, /ue muda o conceito de educa&'o )ara o de (orma&'o e o
início do a)elo 6 comunidade como res)ons?vel )ela escola.
Além disso, instaura%se a l*gica ca)italista e com)etitiva dentro das )r*)rias escolas, com
mecanismos de avalia&'o atrelados a (inanciamentos e recursos. Ao mesmo tem)o em /ue o Estado
adota uma )ostura e gest'o com as)ectos (le1íveis, )or outro centrali0a seus mecanismos de
avalia&'o, currículo, livro did?tico, entre outros.
A escola, es)ecialmente a )artir da década de $0, torna%se um grande neg*cio.
&tili'ando-me da indagação das autoras tamb#m pergunto( cientes dos d#ficits educacionais,
porque o Estado destina mais recursos p)blicos *s empresas do que *s escolas +gora uma
indagação poss"vel de ser uma conclusão e resposta para a questão anterior( ,alve' porque não
valha a pena, dentro da lógica capitalista e da atual forma como a educação vem sendo tratada
como mercadoria, destinar recursos *s escolas, uma ve' que tem quem faça, como as iniciativas
privadas, ou porque muitos -á aprenderam a .se virar/ e ainda sim conseguem formar um aluno
mão-de-obra necessária para a economia atual 0 de se pensar111