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Universidade Federal de São Carlos

CCET – Centro de Ciências Exatas e Tecnologia
Curso de Engenharia Mecânica

Fenômenos dos Transportes 4


Laboratório de Fenômenos dos Transportes

Tubo de Pitot: Perfis de Velocidade
e
Fator de Atrito : Dutos de Seção Circular
















São Carlos, 25 de janeiro de 2013

1. Tubo de Pitot

2. Objetivo

Utilizando o tubo de Pitot, obter o perfil de velocidade do fluido ao
longo da posição radial através de dados experimentais de pressão dinâmica.

3. Introdução

O experimento consistiu em tirar a medida da velocidade de um fluido,
neste experimento a água, que percorre um tubo de secção tubular, com um
diâmetro igual a 22mm. Um tubo de Pitot foi usado para essa medição,
possuindo uma precisão experimental razoável.
O tubo de Pitot pode ter a sua a posição variada dentro do tubo de
secção circular, nos permitindo que se faça a medição da pressão em
diferentes pontos internos do tubo. Junto com a variação da sua posição
também foi variada a vazão de água passando pelo tubo.
Usando os dados experimentais foram traçados os perfis universal de
velocidade (utilizando y+ e u+), e os perfis adimensionais de velocidade para
cada vazão mássica. Posteriormente eles foram comparados com os dados
teóricos.

4. Materiais e Métodos

4.1. Materiais Utilizados

- Água;
- Duto cilíndrico com Pitot acoplado;
- Tanque;
- Bomba d’água;
- Galão de água;
- Balança;
- Termômetro;
- Manômetro de mercúrio;
- Cronômetro;


4.2. Procedimento Experimental

Inicialmente ajustou-se o sistema para que a vazão de água que
passasse pelo tubo fosse a máxima possível, então aferiu-se a pressão da
água que passava pelo tubo . Abriu-se a válvula a fim de que o manômetro
de mercúrio aferisse a pressão dada pelo Pitot.
Então variou-se a entrada do tubo Pitot em y, e para cada valor foi
anotado o valor de Δ H relativo à pressão no manômetro de mercúrio.
A vazão mássica foi medida coletando a água que passava pelo tubo
(através da abertura de uma válvula) durante certo período de tempo, esta
massa foi aferida e após descontada a massa do galão pôde-se fazer a razão
entre a massa de água e tempo de descarga desta. Repetiu-se este
procedimento 3 vezes, afim de obter uma vazão mássica média.



Diminuindo a vazão de água que entrava pelo tubo, repetiu-se o
mesmo procedimento para mais duas velocidades inferiores.


5. Resultados e discussão

Vazão 1 (Completa) r (m)
Δh
(m.c.f.) Δp (Pa) Vz (m/s)
DT (m) 0,022 0 0,104 13772,78 5,26595
M água (kg) 6,195 0,002 0,103 13640,35 5,240572
t (s) 3 0,004 0,102 13507,91 5,21507
T1 (ºC) 37 0,006 0,099 13110,62 5,137806
T2 (ºC) 38 0,008 0,089 11786,32 4,871415
ρ (kg/m³) H20 993,3401
ρ (kg/m³) Hg 13504,16 13163,6 5,146163
μ (Pa.s) 0,000655

Re 171644,1

n 7

f 0,022

n' 0,561262

g (m/s²) 9,80665


Vazão 2
(Intermediária) r (m)
Δh
(m.c.f.) Δp (Pa) Vz (m/s)
DT (m) 0,022 0 0,034 4501,823 3,009559
M água (kg) 3,695 0,002 0,033 4369,416 2,964971
t (s) 3 0,004 0,032 4237,01 2,919701
T1 (ºC) 38 0,006 0,031 4104,603 2,873719
T2 (ºC) 39 0,008 0,028 3707,384 2,731131
ρ (kg/m³) H20 994,06
ρ (kg/m³) Hg 13501,71 4184,047 2,899816
μ (Pa.s) 0,000635

Re 99900,44

n 7

f 0,021

n' 2,852253

g (m/s²) 9,80665

Vazão 3 (Mínima) r (m)
Δh
(m.c.f.) Δp (Pa) Vz (m/s)
DT (m) 0,022 0 0,029 3841,876 2,780745
M água (kg) 2,945 0,002 0,027 3576,919 2,683145
t (s) 3 0,004 0,026 3444,441 2,632988
T1 (ºC) 35 0,006 0,024 3179,484 2,529693
T2 (ºC) 37 0,008 0,022 2914,527 2,421997
ρ (kg/m³) H20 993,69
ρ (kg/m³) Hg 13509,05 3391,449 2,609714
μ (Pa.s) 0,000696

Re 81970,24

n 7

f 0,02

n' 3,636364

g (m/s²) 9,80665


5.1 Perfis de velocidade para todas as vazões avaliadas:




5.2 Estimativa do regime no qual o escoamento se encontra (Re)

Sabe-se que os perfis turbulentos são muito mais “achatados” que os
laminares.
Portanto, observando o gráfico acima, mostra-se que os perfis são todos
turbulentos.
0
0.1
0.2
0.3
0.4
0.5
0.6
0.7
0.8
0 0.5 1 1.5
r
/
R

U/Umáx
Perfis de Velocidade
Perfil de Velocidade 1
Perfil de Velocidade 2
Perfil de Velocidade 3
Outro método que pode ser usado é o que mostra que o número de Reynolds
é maior que 4000, tornando o regime turbulento.

5.3


Os valores teóricos são obtidos a partir do número de Reynolds e pode ser
observado a partir da tabela 7.1 da página 245 do Potter.
Como pode ser observado, os dados estão razoavelmente longe do
esperado. Isso acontece porque a tabela usada no livro é uma tabela para
tubos lisos. Já no experimento, os tubos usados não eram lisos.

5.4 Gráfico do perfil de velocidade experimental x teórico


O parâmetro n encontrado no experimento é n=7.
Portanto, ao colocarmos os dados teóricos do perfil de velocidade n=6 perto
no gráfico juntamente com os obtidos pode-se perceber que está próximo ao
esperado.
y = 1,7817x - 0,051
Vazão 1
y = 0,2755x - 0,129
Vazão 3
y = 0,3506x - 0,1433
Vazão 2
-0.6
-0.4
-0.2
0
0.2
0.4
0.6
0.8
-0.08 -0.06 -0.04 -0.02 0
L
o
g
(
y
/
r
)

log(u/Umáx)
1/n
Vazão 1 - 1/n
Vazão 3 - 1/n
Vazão 2 - 1/n
Linear (Vazão 1 -
1/n )
Linear (Vazão 3 -
1/n)
0
0.2
0.4
0.6
0.8
1
1.2
0 0.5 1 1.5
r
/
R

U/Umáx
Perfis de Velocidade
Perfil de Velocidade 1
Perfil de Velocidade 2
Perfil de Velocidade 3
Perfil de Velocidade n=6



5.5 Questões:

1. A distribuição experimental foi coerente com o regime turbulento de
escoamento, apresentando uma diminuição de velocidade conforme se
aproxima das paredes do tubo. Esses dados podem ser visualizados nas
tabelas nos tres casos estudados.

2. Sim, eles apresentaram uma boa aproximação ao apresentado pela
literatura, considerando os erros de medição e que na literatura considera
tubos de parede lisa, sendo que o tubo real apresenta uma rugosidade nas
paredes.

3. Sim, pois a partir dos parâmetros analisados no experimento e os dados
fornecidos, pudemos chegar as conclusões necessárias e calcular todas as
informações pedidas, como variação de pressa, numero de Reynolds e etc.
Assim pudemos fazer uma caracterização completa do sistema analisado.



6. Conclusão

Os perfis de velocidade experimentais não tiveram exatamente a forma
esperada, mas, como já foi explicado, o perfil teórico analisava um sistema
de tubo liso e o tubo no experimento não se encaixava neste perfil.
Apesar de alguns problemas na aparelhagem e no manuseio do
mesmo,o experimento atingiu seu objetivo sendo que foi possível calcular a
velocidade do fluido no duto e compará-lo com valores encontrados na teoria.
Os valores dos números de Reynolds foram superiores a 4000,
mostrando que o fluido está em escoamento turbulento dentro do duto. Isso
também pode ser observado pelo perfil de velocidade no gráfico.


7. Referências

http://pt.wikipedia.org/wiki/Densidade
http://www.etesc.org/material/quimica/Aula_5_Graficos-apostila.pdf
http://www.engineeringtoolbox.com/mercury-d_1002.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tubo_de_Pitot
http://www.engineeringtoolbox.com/water-dynamic-kinematic-viscosity-
d_596.html
http://www.feng.pucrs.br/lsfm/MaqFluxo/Maq-Fluxo/MECFLU%20Cap8-
Escoa-Interno-Viscoso.pdf