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ETESC - SANTA CRUZ

PROF. ANA VITAL
Conceito e história do termo Estética

Estética é a tradução da palavra grega aisthetiké, que
significa "conhecimento sensorial", "experiência
sensível", "sensibilidade". Foi empregada pelo
primeira vez para referir-se às artes pelo alemão
Baumgarten, por volta de 1750, portanto em plena
modernidade.

Em seu estudo inicial, a estética se referia ao estudo
das obras de arte enquanto criações da sensibilidade
(isto é, das experiências dos cinco sentidos e dos
sentimentos causados por elas), tendo como
finalidade o belo. Pouco a pouco, substituiu a noção
de arte poética e passou a designar toda investigação
filosófica que tinha por objeto as artes ou uma arte. Do
lado do artista e da obra, a estética busca
compreender como se dá a realização da beleza; do
lado do espectador e receptor, busca interpretar a
reação à obra de arte sob a forma do juízo do gosto
ou do bom gosto.

Como seu nome indica, a estética se ocupa
preferencialmente com a expressão da sensibilidade e
da fantasia do artista e com o sentimento produzido
pela obra sobre o espectador ou receptor.

Quem é?
Alexandre Gottlieb Baumgarten, filosofo alemão,
nasceu em 1714. Deu o primeiro curso de estética em
1742, que constituiu a base do livroAsthetica e ficaria
inacabado até sua morte, em 1762. Graças a ele, a
filosofia foi enriquecida com essa nova área do
conhecimento.

Para Baumgarten, a estética tem exigências próprias
em termo de verdade, pois alia a sensação e o
sentimento à racionalidade. A estética, para ele,
completa a lógica e de dirigir a faculdade do conhecer
pela sensibilidade. Define a beleza estética como "a
perfeição - à medida que é observável como
fenômeno do que é chamado, em sentido amplo, o
gosto - é a beleza".


A atitude e recepção estética
Apreciar as qualidades estéticas de uma obra de arte
é bem diferente de notar suas propriedades físicas:
tamanho, peso,

A fonte, 1917, Marcel Duchamp
material de que é feito. Seu valor econômico, de troca,
também não entra em consideração na apreciação
estética.

Costuma-se dizer que a experiência estética, ou a
experiência do belo, é gratuita, é desinteressada, ou
seja, não visa a um interesse prático imediato. Só
nesse sentido, podemos entender a gratuidade dessa
experiência; jamais como inutilidade, uma vez ela
responde a uma necessidade humana e social.
Ressalte-se que a experiência estética:

 não visa ao conhecimento lógico, medido em
termos de verdade;
 não tem como alvo a ação imediata;
 e não pode ser julgada em termos de utilidade
para determinado fim.
Algumas vezes essa atitude desinteressada é
chamada de contemplativa. Não nos enganemos,
entretanto, com o significado dessa palavra. A
contemplação não se opõe à ação: ao contrário, ela é
também uma ação, pois é percepção ativa, que
envolve antecipação e a reconstrução. É o que se
verifica na experiência musical; nas artes visuais
(sobretudo em seus aspectos formais, como a relação
da figura com o fundo, formas, cores e tonalidades,
diferentes planos etc.); na literatura (na estrutura
narrativa). (...)

A experiência estética é a experiência da
presença tanto do objeto estético como do sujeito que
o percebe. Nenhum argumento racional ou conjunto
de regras poderá nos convencer de que um objeto é
belo se não pudermos percebê-lo por nós mesmos, se
não estivermos frente a frente com ele.

A obra de arte, como já dissemos, pede uma recepção
justa, que se abra para ela e ao mesmo tempo não lhe
imponha normas externas. Essa recepção tem por
finalidade o desvelamento do objeto, por meio de um
sentimento que o acolhe e que lhe é solidário.

A obra de arte espera que aquele que a aprecia "jogue
o seu jogo", isto é, entre no seu mundo, de acordo
com as regras ditadas pela própria obra para que seus
múltiplos sentidos possam aparecer.

O espectador, ao acolhê-la, atualiza as possibilidades
de significado da arte e testemunha o surgimento de
algumas significações contidas na obra. Outros a
verão, e outros significados surgirão. Todos
igualmente verdadeiros.
O belo, o feio e a questão do gosto


A beleza

De Platão ao classicismo, os filósofos tentaram
fundamentar a objetividade da arte e da beleza. Para
Platão, a beleza é a única ideia que resplandece no
mundo. Se, por um lado, ele reconhece o caráter
sensível do belo, por outro, continua a afirmar sua
essência ideal, objetiva. Segundo o pensamento
platônico, somos obrigado a admitir a existência do
"belo em si" independentemente das obras individuais
que, na medida do possível, devem se aproximar
desse ideal universal.

O classicismo vai mais longe, pois deduz regras para
o fazer artístico a partir do belo ideal, fundando a
estética normativa. É o objeto que passa a ter
qualidades que o tornam mais ou menos agradável,
independentemente do sujeito que as percebe.

Nos séculos XVII e XVIII, do outro lado da polêmica,
os filósofos empiristas Locke e Hume relativizam a
beleza, uma vez que ela não é uma qualidade das
coisas, mas só o sentimento na mente de quem as
contempla. Por isso, o julgamento de beleza depende
tão somente da presença ou ausência de prazer em
nossas mentes. Todos os julgamentos de beleza,
portanto, são verdadeiros, e todos os gostos são
igualmente válidos. Aquilo que depende do gosto e da
opinião pessoal não pode ser discutido racionalmente,
donde o ditado: "Gosto não se discute". O belo,
portanto, não está mais no objeto, mas nas condições
de recepção do sujeito.

No século seguinte, Kant, na tentativa de superar a
dualidade objetividade-subjetividade, debruça-se
sobre os julgamentos estéticos, ou de beleza, e não
sobre a experiência estética. Afirma que o belo é
"aquilo que agrada universalmente, ainda que não se
possa justificá-lo intelectualmente". Para ele, o objeto
belo é uma ocasião de prazer, cuja causa reside no
sujeito. O princípio do juízo estético, portanto, é o
sentimento do sujeito, e não o conceito do objeto.
Entretanto, esse sentimento é despertado pela
presença do objeto. Embora seja um sentimento,
portanto, subjetivo, individual, há a possibilidade de
universalização desse juízo, pois as condições
subjetivas da faculdade de jugar são as mesmas em
cada ser humano.

Belo, portanto, é uma qualidade que atribuímos aos
objetos para exprimir um certo estado da nossa
subjetividade. Sendo assim, não há uma ideia de belo
nem pode haver regras para produzi-lo. Há objetos
belos, modelos exemplares inimitáveis.

Hegel, em seguida, introduz o conceito de história ao
estudo do belo, e, a partir do século XIX, a beleza
muda de face e de aspecto através dos tempos. Essa
mudança (devir), que se reflete na arte, depende mais
da cultura e da visão de mundo vigentes do que de
uma exigência interna do belo.

Hoje em dia, de uma perspectiva fenomenológica,
consideramos o belo como uma qualidade de certos
objetos singulares que nos dão à percepção. Beleza é,
também, a imanência total de um sentido ao sensível.
O objeto é belo porque realiza sua finalidade,
é autêntico, verdadeiramente segundo seu modo de
ser, isto é, por ser um objeto singular,
sensível, carrega um significado que só pode ser
percebido na experiência estética. Não existe mais a
ideia de um único valor estético baseado no qual
julgamos todas as obras. Cada objeto singular
estabelece seu próprio tipo de beleza.


Toalhas - frutas podres, 1996-7, Rochelle Costi.

O feio


A questão do feio está implícita na problemática do
belo. Por princípio, o feio não pode ser objeto da arte.

No entanto, podemos distinguir, de imediato, dois
modos de representação do feio:

 a representação do assunto "feio", como na
obra de Rochelle Costi:
 e a forma de representação feia.
No primeiro caso, embora o assunto "feio" tenha sido
banido do território artístico durante séculos, no século
XIX ele vem a ser reabilitado.

No momento em que a arte rompe com a ideia de
ser cópia do real para ser considerada criação
autônoma que tem a função de revelar as
possibilidades do real, ela passa a ser avaliada de
acordo com a autenticidade da sua proposta e sua
capacidade de falar ao sentimento...

No segundo caso, trata-se de percebermos que o
problema do belo e do foi deslocado do assunto para
o modo de representação. Só haverá obras feias na
medida em que forem malfeitas, isto é, que não
correspondam plenamente a sua proposta. Em outras
palavras, se houver uma obra feia - neste último
sentido -, não haverá obra de arte.

O gosto e subjetividade


O conceito de gosto não deve ser encarado como uma
preferência arbitrárias e imperiosa da nossa
subjetividade.

Quando o gosto é entendido dessa forma, ele refere-
se mais a si mesmo do que ao mundo dentro do qual
ele se forma, e esse tipo de julgamento estético
decide o que prefiro em virtude do que sou. Passo a
ser a medida absoluta de tudo (aquilo de que eu gosto
é bom e aquilo de que eu não gosto é ruim), e essa
atitude só pode levar ao dogmatismo e ao preconceito.

A subjetividade em relação ao objeto estético precisa
estar mais interessada em conhecer, entregando-se
às particularidades de cada objeto, do que em preferir.
Nesse sentido, ter gosto é ter capacidade de
julgamento sem preconceitos. É a própria presença da
obra de arte que forma o gosto: torna-nos disponíveis,
supera as particularidades da subjetividade, converte
o particular em universal. A obra de arte:

 convida a subjetividade a se constituir como
olhar pura, livre abertura para o objeto, e o
conteúdo particular a se pôr a serviço da
compreensão em lugar de ofuscá-la fazendo
prevalecer as suas inclinações. À medida que
o sujeito exerce a aptidão de se abrir,
desenvolve a aptidão de compreender, de
penetrar no mundo aberto pela obra. Gosto é,
finalmente, comunicação com a obra para
além de todo saber e de toda técnica. O poder
de fazer justiça ao objeto estético é a via da
universalidade do julgamento do gosto.
(DUFRENNE, Mikel. Phénomenologie de
l'expérience esthétique, p. 100.)

Fonte: ARANHA, Maria Lucia de Arruda, e MARTINS,
Maria Helena Pires. Filosofando: Introdução à
filosofia, p. 402-404.


Teoria Platônica da beleza

"Quando então alguém, subindo a partir do que aqui é
belo, através do correcto amor aos jovens, começa a
contemplar aquele belo, quase que estaria a atingir o
ponto final. Eis, com efeito, em que consiste o
proceder correctamente nos caminhos do amor ou por
outro que se deixe conduzir: em começar do que aqui
é belo e, em vista daquele belo, subir sempre, como
que servindo-se de degraus, de um só para dois e de
dois para todos os belos corpos, e dos belos corpos
para os belos ofícios, e dos ofícios para as belas
ciências até que das ciências acabe naquela ciência,
que de nada mais é senão daquele próprio belo, e
conheça enfim o que em si é belo."

Teoria aristotélica da beleza

Aristóteles abandona completamente o idealismo
platônico no que se refere a beleza, pois para ele a
beleza de um objeto não depende de uma
participação maior ou menor numa beleza suprema.
Decorre apenas de certa harmonia, entre as partes do
objeto e sua relação com o todo. O belo exigiria ainda,
uma característica importante que seria a grandeza ou
imponência, e ao mesmo tempo proporção e medida
nesse todo. Os gregos identificavam a beleza com o
belo clássico, mas Aristóteles parece ter pressentido
que ela apreendia outras categorias além do belo.

Teoria kantiana da beleza

Kant pretendia deslocar o centro de existência da
Beleza do objeto para o sujeito.
Tentava demonstrar que os problemas estéticos eram
insolúveis. As impossibilidades de resolver esses,
adviria da diferença radical existente entre os juízos
estéticos, (ou juízos de gosto), e os juízos de
conhecimento.
De acordo com ele, os juízos de conhecimento emitem
conceitos que possuem validez geral, por se
basearem e propriedades do objeto.
Já os juízos estéticos não emitem conceitos: decorrem
de uma simples reação pessoal do contemplador
diante do objeto, e não de propriedades deste.


ATIVIDADE

Resolva a atividade no seu caderno e apresente na
próxima aula de filosofia.

 QUAIS OS SIGNIFICADOS DA PALAVRA
ESTÉTICA?

 O QUE A ESTÁTICA ESTUDA?
 O QUE SIGNIFICA ESTÉTICA PARA
BAUMGARTEN?
 ESCUTE OU LEIA A MÚSICA DO ZECA
BALEIRO E DIGA QUAL É A CONCEPÇÃO
DE BELEZA PARA ELE.
 QUAL É A SUA CONCEPÇÃO DE BELEZA
APÓS ESTUDAR A ESTÉTICA?