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DIREITO PENAL

Prof. Agudo
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
DIREITO PENAL
LIVRO ADOTADO E QUE DEVE SER SEGUIDO PARA ESTUDOS:
CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal, volume 1 : parte geral – ed. rev. e atual. – São Paulo : Saraiva,
2012. (ou edição mais atualizada)
ATENÇÃO: O materia a!ui "o#tado #er$e a"e%a# de &a#e "ara #eu# e#tudo# e %'o #u&#titui o i$ro adotado.
Que#tio%ame%to# "oder'o #er feito# (om &a#e %o i$ro adotado.

Bibliografia consultada e sugerida para ampliação dos estudos :
BA!", Flávio Auusto !onteiro de. #ireito Penal, parte geral: vol$ %1 – ". ed. rev.. e atual. – São Paulo :
Saraiva, 200#.
B&'E(C!)', $ezar %o&erto. 'ratado de #ireito Penal : parte geral, volume 1 – '. (d. rev. e atual. – São
Paulo : Saraiva, 200'.
B)(!, An)&al. #ireito Penal, parte geral, tomo *+ * %io de +aneiro, Forense, 1,-#.
,E")", .amásio (. de. #ireito Penal, volume 1 e volume - – 2#. ed. rev. – São Paulo : Saraiva, 200/.
.&ABE'E, +0lio Fa&&rini. .anual de #ireito Penal, volume & – 21. ed. – São Paulo : Atlas, 200/.
.&ABE'E, +0lio Fa&&rini. C/digo Penal &nterpretado – São Paulo : Atlas, 1,,,.
(!!(0A, (. !aal2ães. #ireito Penal. – São Paulo: Saraiva, 1,#/*1,#-.
"&12A, $3sar .ario !ariano da. .anual de #ireito Penal, volume &, parte geral, arts$ 1+ a 1-%$ – '4 ed. –
%io de +aneiro: Forense, 200".
ZA33A!(&, (uenio %a0l e P&EA(4E11&, +os3 5enri6ue. #a tentativa: #outrina e ,urisprud5ncia$ 24
(dição: (ditora %evista dos 7ri&unais.
). *ON*EITO DE DIREITO PENAL
Falar de Direito Penal é falar, de alguma forma, de violência.
Das necessidades da vida em sociedade, surge o Direito, que visa garantir condições à coexistência
das pessoas dentro do grupo social. O fato que contraria a norma de Direito é um i+(ito ,ur+di(o. sse il!cito "ur!dico
pode ter conseq#ências meramente civis ou possi$ilitar a aplicaç%o de sanções penais.
&o primeiro caso, tem'se o il)8ito 8ivil, que acarretar( uma reparaç%o civil )x. acidente de tr*nsito
sem v!tima + aquele que deu causa ao acidente é o$rigado a indeni,ar a outra parte-, a nulidade do ato "ur!dico, multa
fiscal ou a demiss%o do funcion(rio p.$lico, etc.
/uando as infrações aos direitos e interesses do indiv!duo assumem determinadas proporções )ou
se"a, s%o mais graves-, e os demais meios de controle social mostram'se insuficientes ou inefica,es, surge o Direito
Penal, procurando resolver conflitos. Dessa forma, àquele que pratica um 0omic!dio simples ser( aplicada pena de 12 a
31 anos de reclus%o )artigo 434 5caput6-.
7ssim, o Direito Pe%a - um (o%,u%to de %orma# ,ur+di(a# "ea# !uai# o E#tado "ro+&e
determi%ada# (o%duta#. #o& amea/a de #a%/'o "e%a.
8egundo *-0ar Ro&erto 1ite%(ourt, o Direito Penal é o con"unto de normas "ur!dicas que tem por
o$"eto a determinaç%o de infrações de nature,a penal e suas sanções correspondentes, ou se"a, o Direito Penal
esta$elece as infrações )crimes e contravenções- e tam$ém as sanções )penas e medidas de segurança-.
Pode'se di,er que o Direito Penal é a defesa dos $ens "ur!dicos fundamentais )vida, integridade f!sica,
0onra, li$erdade, patrim9nio, costumes, etc-.
O Direito Penal tem duas funções $(sicas: proteç%o dos $ens "ur!dicos e manutenç%o da pa, social.
;ens "ur!dicos s%o os valores ou interesses do indiv!duo ou da coletividade, recon0ecidos pelo direito. Pa, social é a
ordem que deve reinar na vida comunit(ria.
O ordenamento "ur!dico $rasileiro filia'se ao sistema romano'germ*nico, con0ecido como civil 1a6,
voltado para a criaç%o de uma sociedade ideal. 8entido diverso, d('se com os pa!ses da common la6, do direito
costumeiro, voltando'se mais à realidade do que ao ideal, deixando que a realidade crie eventualmente as leis.
 #ireito Penal ou #ireito Criminal7
7s duas denominações mais freq#entes de nossa ciência s%o 5direito penal6 e 5direito criminal6.
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DIREITO PENAL – PARTE GERAL
7 express%o 5direito criminal6 é mais a$rangente porque enfati,a o crime, sem o qual evidentemente
n%o se pode falar em pena ou medida de segurança. ssa denominaç%o foi utili,ada pelo nosso primeiro <=digo de
4>?1, c0amado de 5<=digo <riminal6.
7 express%o 5direito penal6 generali,ou'se na maioria dos pa!ses, sendo adotada tam$ém no direito
$rasileiro )<=digo Penal-. 8egundo Eug2%io Ra3 4affaro%i, 5a principal forma de coerç%o penal continua sendo a
pena6 que é a .nica de suas manifestações, motivo pelo qual defende a denominaç%o direito penal.
).). Po#i/'o E%(i(o"-di(a
Deve'se situar o Direito Penal dentro da nciclopédia @ur!dica na divis%o do Direito P.$lico ou
Privado.
O Direito P.$lico é aquele que atende de maneira prevalente ao interesse geral e esta$elece as
relações entre o stado e o indiv!duo.
@( o Direito Privado é aquele que atende principalmente o interesse do particular, do indiv!duo.
Dos conceitos acima, conclui'se que o Direito Penal é ramo do Direito P.$lico. Por ser ramo do direito
p.$lico suas normas s%o indispon!veis, impondo'se a todos o$rigatoriamente.
).5. Direito Pe%a o&,eti$o e Direito Pe%a #u&,eti$o
Denomina'se Direito Penal O$"etivo a legislaç%o penal em vigor, o con"unto de normas que regulam a
aç%o estatal, definindo os crimes e cominando sanções. 8omente o stado pode esta$elecer e aplicar essas sanções.
O stado é o .nico e exclusivo titular do direito de punir )"us puniendi-, que constitui o que se
denominada Direito Penal su$"etivo. O Direito Penal su$"etivo é limitado pelo pr=prio Direito Penal o$"etivo, que
esta$elece os seus limites.
Portanto, temos:
Direito Penal O$"etivo + legislador em vigor.
Direito Penal 8u$"etivo + é o direito de punir )"us puniendi-
).6. Direito Pe%a #u&#ta%ti$o 7materia8 e Direito Pe%a ad,eti$o 7forma8
Direito Penal su$stantivo )ou direito material- é o direito penal propriamente dito, constitu!do pelas
normas que definem princ!pios, condutas criminosas e as sanções correspondentes )<=digo Penal-. A o con"unto das leis
penais em vigor.
Direito Penal ad"etivo )ou direito formal- é o Direito Processual, que tem a finalidade de determinar a
forma como deve ser aplicado o direito penal.
5. S9NTESE :IST;RI*A DO PENSA<ENTO =UR9DI*O>PENAL
5.). Tem"o# Primiti$o#
m$ora a 0ist=ria do Direito Penal ten0a surgido com o pr=prio 0omem, nos tempos primitivos, os
fen9menos maléficos eram tidos como resultantes das forças divinas. <riaram'se uma série de proi$ições )religiosas,
sociais- que, n%o o$edecidas, acarretavam castigo, a puniç%o do infrator, gerando o que modernamente c0amamos de
5crime6 e 5pena6.
O castigo infligido era o sacrif!cio da pr=pria vida do transgressor ou a oferenda por este de o$"etos
valiosos )animais, peles, frutas- à divindade.
7 pena, nos tempos primitivos, nada mais era do que a vinança, revide à agress%o sofrida.
8%o as c0amadas fases da vingança:
4- Bingança Privada: cometido um crime, ocorria a reaç%o da v!tima ou de seus familiares. 8urge a
Cei de Dali%o )Dali%o significa 5castigo na medida da culpa6- que limita a reaç%o à ofensa a um mal idêntico )sangue por
sangue, ol0o por ol0o, dente por dente-. 7dota'se o <=digo de Eamur($i );a$il9nia- e a Cei das FGG D($uas )Homa-.
Posteriormente surge a composiç%o, sistema pelo qual o ofensor se livrava do castigo com a compra
de sua li$erdade )pagamento em moeda, gado, etc-.
3- Bingança Divina: é a influência da religi%o na vida dos povos antigos. O castigo, ou oferenda, por
delegaç%o divina era aplicado por sacerdotes que infligiam penas severas.
?- Bingança P.$lica: visando dar maior credi$ilidade ao stado, as penas passaram a ser aplicadas
pelo pr!ncipe ou so$erano, entretanto, ainda eram severas e cruéis.
5.5. Direito Pe%a Roma%o. germ?%i(o e (a%@%i(o
-$-$1 #ireito Penal omano
m Homa, evoluindo'se das fases da vingança, direito e religi%o separam'se.
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DIREITO PENAL – PARTE GERAL
Os delitos s%o divididos em 8rimina 9u&li8a )mais graves- e deli8ta 9rivata )menos graves-. 7 pena
torna'se p.$lica e a pena de morte praticamente é a$olida, sendo su$stitu!da pelo ex!lio e deportaç%o.
<aracter!sticas principais do direito penal romano:
a- car(ter p.$lico e social do Direito PenalI
$- surgimento do elemento su$"etivo dolosoI
c- teoria da tentativaI
d- consideraç%o do concurso de pessoas, diferenciando autoria e participaç%o.
-$-$-$ #ireito Penal 4erm8nico
O Direito Jerm*nico primitivo n%o era composto de leis escritas, caracteri,ando'se como um Direito
consuetudin(rio.
O Direito era conce$ido como uma ordem de pa, e sua transgress%o uma ruptura da pa,, p.$lica ou
privada. 7 ruptura da pa, por crime p.$lico autori,ava matar o agressor. /uando se tratasse de crime privado, o
transgressor era entregue à v!tima e seus familiares para que exercessem o direito de vingança.
8= tardiamente o Direito Jerm*nico adotou a pena de tali%o.
-$-$*$ #ireito Can9nico
O Direito Penal <an9nico ou da Ggre"a foi a influência do cristianismo na legislaç%o penal. 7 crescente
influência da Ggre"a e o enfraquecimento do stado, fi,eram com que o Direito <an9nico se desenvolvesse.
7 grande contri$uiç%o do Direito <an9nico foi o surgimento da pris%o moderna, visando a reforma do
delinq#ente. 8urgiram as palavras penitenci(rio e penitenci(ria, originadas de 5penitência6.
7s penas ainda eram cruéis ou de morte e visava a intimidaç%o.
-$-$:$ Per;odo 0umanit<rio
K no decorrer do Gluminismo que se inicia o Per!odo Eumanit(rio do Direito Penal, movimento que
pregou a reforma das leis e da administraç%o da "ustiça penal.
m 4L2M, *e#are 1e((aria fe, pu$licar a o$ra 5Dos Delitos e das penas6, demonstrando a
necessidade de reforma das leis penais. Firmou em sua o$ra os postulados $(sicos do Direito Penal moderno:
4. Os cidad%os, por viverem em sociedade, cedem apenas uma parcela de sua li$erdade e direitos.
Por isso n%o se pode aplicar penas que atin"am direitos n%o cedidos, como a pena de morte.
3. 8= as leis podem fixar as penas.
?. 7s leis devem ser con0ecidas pelo povo e redigidas com clare,a.
M. Devem ser admitidas em "u!,o todas as provas, inclusive, a palavra do condenado.
N. &%o se deve permitir o testemun0o secreto, a tortura para o interrogat=rio e os "u!,os de Deus,
que n%o levam à desco$erta da verdade.
2. 7 pena deve ser utili,ada para recuperar o delinq#ente e n%o para intimidar.
A. EVOLUÇÃO :IST;RI*A DO DIREITO PENAL 1RASILEIRO
A.). Per+odo *oo%ia
7ntes do dom!nio português nossos silv!colas possu!am apenas regras consuetudin(rias )usos e
costumes-, transmitidas ver$almente e quase sempre dominadas pelo misticismo. Predominava o tali%o, a vingança
privada e divina.
7 partir do desco$rimento passou a vigorar em nossas terras o Direito lusitano. Dais documentos,
entretanto, n%o c0egaram a ser efica,es.
O ar$!trio dos donat(rios, na pr(tica, é que estatu!a o Direito a ser aplicado. Devido a isso, o crime
era confundido com pecado punindo'se com a morte, via de regra. 7s penas cruéis, como o açoite e mutilações,
visavam difundir do medo.
A.5. Per+odo Im"eria
7p=s a independência ela$orou'se o <=digo <riminal de 4>?1. O <=digo era de !ndole li$eral, tentava
individuali,ar a pena, tra,ia atenuantes e agravantes e esta$elecia "ulgamento especial a menores de 4M anos.
Gmplementou'se a idéia de leg!tima defesa, estado de necessidade, concurso de pessoas e tentativa.
Gmp9s a imprescriti$ilidade dos delitos.
O mais importante desse c=digo é que o artigo 4O adotou o princ!pio da legalidade )para ocorrer
aplicaç%o de pena é necess(rio lei que a determine-.
A.6. Per+odo Re"u&i(a%o
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DIREITO PENAL – PARTE GERAL
<om o advento da Hep.$lica editou'se em 4>P1 o novo <=digo Penal. <omo foi ela$orado às pressas,
foi alvo de v(rias cr!ticas, n%o faltando pro"etos no sentido de modific('lo.
7 pena de morte foi a$olida e as penas se tornaram muito mais $randas.
m 4P?L, durante o stado &ovo, apresentou'se um novo pro"eto de c=digo criminal que entrou em
vigor em 4PM3 e est( em vigor até 0o"e.
B. DIREITO PENAL NO ESTADO DE<O*RCTI*O DE DIREITO
7 <onstituiç%o Federal, em seu artigo 4O, caput, definiu o perfil pol!tico'constitucional do ;rasil como
o de um stado Democr(tico de Direito. Dele decorrem todos os princ!pios fundamentais de nosso stado.
stado Democr(tico é muito mais do que stado de Direito. ste .ltimo, assegura que todos s%o
iguais porque a lei é igual para todos e nada mais, ou se"a, todos est%o su$metidos ao império da lei.
@( o stado Democr(tico de Direito vai mais além. Proclama n%o apenas uma igualdade formal entre
todos os 0omens, mas pela imposiç%o de metas e deveres quanto à construç%o de uma sociedade mel0or.
O stado Democr(tico de Direito n%o apenas impõe a su$miss%o de todos ao império da lei, mas
esta$elece que as leis devem possuir conte.do e adequaç%o social, descrevendo infrações que realmente colocam em
perigo $ens "ur!dicos fundamentais para a sociedade.
Portanto, do stado Democr(tico de Direito partem princ!pios regradores dos mais diversos campos
da atuaç%o 0umana. Dentro desses princ!pios, 0( um de fundamental import*ncia, o Prin8)9io da .inidade 5umana
)<F, art. 4O, GGG-.
Podemos ent%o, afirmar que do stado Democr(tico de Direito parte o princ!pio da dignidade
0umana, orientando toda a formaç%o do Direito Penal. 7ssim, todo tipo penal deve seguir o princ!pio $(sico, caso
contr(rio, dever( ser extirpado do ordenamento "ur!dico.
Da dignidade 0umana, princ!pio genérico e reitor do Direito Penal, partem outros princ!pios mais
espec!ficos. Podemos cit('los: a- legalidadeI $- intervenç%o m!nimaI c- fragmentariedadeI d- 0umanidadeI e-
insignific*nciaI f- ofensividadeI g- proporcionalidadeI 0- alteridadeI i- adequaç%o socialI "- confiançaI l- imputaç%o
pessoalI m- personalidade eI n- responsa$ilidade su$"etiva )culpa$ilidade-.
Dais princ!pios têm a funç%o de esta$elecer limites à li$erdade de seleç%o t!pica do legislador.
B.). Pri%(+"io# imitadore# do "oder "u%iti$o e "ri%(+"io# do direito "e%a
I> INTRODUÇÃO
Os princ!pios gerais e constitucionais do Direito Penal s%o garantias do cidad%o perante o
poder punitivo estatal e est%o amparados pela <onstituiç%o Federal de 4P>> )art. NO-.
sses princ!pios, 0o"e insertos, impl!cita ou explicitamente, em nossa <onstituiç%o, têm,
segundo *e0ar Ro&erto 1itte%(ourt, 5a :unção de orientar o leislador ordinário 9ara a adoção de um sistema de
8ontrole 9enal voltado 9ara os direitos 2umanos, em&asado em um .ireito Penal da 8ul9a&ilidade, um .ireito Penal
m)nimo e arantista6.
Passamos a analisar os princ!pios citados, entretanto, é $om que se diga que referidos
princ!pios variam de autor para autor, muitos, inclusive, citando alguns n%o mencionados por outros. ntretanto, como
se afirmou acima, a funç%o $(sica desses princ!pios é a garantia do princ!pio constitucional da dignidade da pessoa
0umana, elencado no artigo 4O, inciso GGG da <onstituiç%o da Hep.$lica Federativa do ;rasil.
II> PRIN*9PIOS
a8 Pri%(+"io da Legaidade ou da re#er$a ega
&a repress%o aos delitos, o stado age de maneira dr(stica, intervindo nos direitos mais
elementares das pessoas. 7ssim, necess(rio um princ!pio que controle o poder punitivo estatal. sse princ!pio é o
princ!pio da legalidade ou da reserva legal.
O princ!pio da legalidade ou da reserva legal constitui uma efetiva limitaç%o do poder punitivo
do stado. Por tal princ!pio devemos entender que nen0uma pena criminal pode ser aplicada sem que antes da
ocorrência desse fato exista uma lei definindo'a como crime e cominando'l0e a sanç%o correspondente.
7 lei deve definir com precis%o e de forma cristalina a conduta proi$ida.
A o que esta$elece o artigo NO, inciso FFFGF da <.F.: 5não 2averá 8rime sem lei anterior 6ue o
de:ina, nem 9ena sem 9r3via 8ominação leal6. 7 mesma redaç%o vamos encontrar no primeiro artigo do <=digo Penal.
Quitos doutrinadores dividem a Cegalidade em dois su$princ!pios: Heserva Cegal e
7nterioridade da Cei.
&8 Pri%(+"io da I%ter$e%/'o <+%ima
O princ!pio da legalidade impõe limites ao ar$!trio "udicial, mas n%o impede que o stado +
o$servada a reserva legal + crie tipos penais in!quos e comine sanções cruéis e degradantes.
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DIREITO PENAL – PARTE GERAL
O Prin8)9io da ;ntervenção !)nima, orienta e limita o poder incriminador do stado,
preconi,ando que a criminali,aç%o de uma conduta s= se legitima se constituir meio necess(rio para a proteç%o de
determinado $em "ur!dico. 8e para o resta$elecimento da ordem forem suficientes medidas civis ou administrativas, s%o
estas que devem ser empregadas e n%o as penais. Por isso o princ!pio da intervenç%o m!nima.
Para o princ!pio da intervenç%o m!nima, o direito penal somente deve intervir no .ltimo caso,
ou se"a, quando os demais ramos do ordenamento se revelarem insuficientes para a soluç%o do conflito. O Direito Penal
é a ultima ratio para a soluç%o dos conflitos, devendo ser invocado apenas para situações de real gravidade. Dal
princ!pio assenta'se no artigo >O da Declaraç%o de Direitos do Eomem e do <idad%o, que esta$elece que a lei s= deve
prever as penas estritamente necess(rias.
(8 Pri%(+"io da fragme%tariedade
&em todas as ações que lesionam $ens "ur!dicos s%o proi$idas pelo Direito Penal, como nem
todos os $ens "ur!dicos s%o por ele protegidos. O Direito Penal limita'se a castigar as ações mais graves, decorrendo da!
sua fragmentariedade, uma ve, que se ocupa somente de uma parte dos $ens "ur!dicos protegidos pela ordem "ur!dica.
d8 Pri%(+"io da Duma%idade
8ustenta que o poder punitivo do stado n%o pode aplicar sanções que atin"am a dignidade da
pessoa 0umana ou que lesionem os condenados.
sse princ!pio é o maior entrave para a adoç%o da pena capital e da pris%o perpétua.
7 proscriç%o de penas cruéis, a proi$iç%o de tortura e maus'tratos nos interrogat=rios policiais
s%o conseq#ências do princ!pio da 0umanidade. Demos na nossa constituiç%o a proi$iç%o da pena de morte, da pris%o
perpétua, de tra$al0os forçados, de $animento e das penas cruéis )art. NO, FCBGG-.
e8 Pri%(+"io da I%#ig%ifi(?%(ia 7ou da &agatea8
sse princ!pio foi introdu,ido no sistema penal por *au# RoEi% em 4P2M e consiste no fato
de que o Direito Penal n%o deve preocupar'se com $agatelas, assim como n%o ser%o admitidos tipos incriminadores que
descrevam condutas incapa,es de lesar qualquer $em "ur!dico. 8e a finalidade do direito penal é tutelar um $em
"ur!dico, sempre que a les%o for insignificante, n%o 0aver( adequaç%o t!pica. Fau# Tiedema%% c0amou'o de "ri%(+"io
da &agatea.
sse princ!pio n%o tem previs%o legal no ordenamento "ur!dico $rasileiro, sendo considerado
princ!pio auxiliar de determinaç%o da tipicidade. &o tipo penal somente est%o descritos os comportamentos capa,es de
ofender o interesse tutelado pela norma. Por essa ra,%o, os danos de nen0uma monta devem ser considerados at!picos.
O 8uperior Dri$unal de @ustiça )8D@- tem recon0ecido a tese da exclus%o da tipicidade nos
c0amados delito de $agatela, aos quais se aplica o princ!pio da insignific*ncia, dado que à lei n%o ca$e preocupar'se
com infrações de pouca monta, insuscet!veis de causar o mais !nfimo dano à coletividade.
&%o se pode confundir delitos insignificantes ou de $agatela com crimes de menor potencial
ofensivo previstos na Cei nO P.1PPRPN, pois nestes a gravidade é percept!vel socialmente.
f8 Pri%(+"io da Ofe%#i$idade ou "ri%(+"io do fato
Para que se tipifique algum crime é indispens(vel que 0a"a, pelo menos, um perigo concreto,
real e efetivo de dano a um $em "ur!dico protegido.
Dal princ!pio n%o permite que o direito penal se ocupe das intenções e pensamentos das
pessoas, do seu modo de viver ou de pensar, das suas atitudes internas.
7 atuaç%o repressiva do direito penal pressupõe que 0a"a um efetivo e concreto ataque ao
interesse socialmente relevante. E( necessidade de um perigo real ao $em "ur!dico protegido.
g8 Pri%(+"io da "ro"or(io%aidade
O princ!pio da proporcionalidade é um princ!pio impl!cito, ou se"a, n%o expresso em nosso
ordenamento "ur!dico. 7ssim, a doutrina e "urisprudência entendem que ele decorre do princ!pio da legalidade, pois a
lei se presume proporcional, se"a de qual nature,a for, a exemplo de uma lei penal que determine uma sanç%o pelo
descumprimento de um dever, caso em que, se esse descumprimento é muito grave, a sanç%o dever( tam$ém ser
muito gravosa. Por outro lado, se 0ouver descumprimento parcial da norma, a sanç%o dever( ser atenuada, como
forma de cumprimento do princ!pio da proporcionalidade que preceitua a adequaç%o entre os fins e os meios.
, como o stado Democr(tico de Direito é fundamentado na Cei, se"a ela a Cei
<onstitucional, se"a a infraconstitucional, podemos di,er que o princ!pio da proporcionalidade é conseq#ência do
stado Democr(tico de Direito, extraindo'se dele. 8= podemos falar em adequaç%o entre meios e fins, ou se"a, de
proporcionalidade, quando 0( lei, quando o fato é fundamentado ou regulado por uma norma. 8em ela, n%o temos a
garantia de que o operador do direito, assim como o cidad%o, ser( adequado, ra,o(vel, sensato, e assim por diante. O
stado Democr(tico de Direito, fundamentado no ordenamento "ur!dico positivado é a garantia, portanto, da atuaç%o
proporcional dos indiv!duos e da sociedade em geral.
7 criaç%o de tipos incriminadores pelo Direito Penal deve ser uma atividade compensadora
para todos os mem$ros da sociedade. /uando a criaç%o do tipo n%o se revelar proveitosa para a sociedade, estar(
ferido o princ!pio da proporcionalidade, devendo a descriç%o legal ser expurgada do ordenamento "ur!dico.
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DIREITO PENAL – PARTE GERAL
7lém disso, a pena deve guardar proporç%o com o mal infligido ao corpo social )x: comparar
as penas dos artigos 434 e 3L? do <P-.
D8 Pri%(+"io da ateridade ou tra%#(e%de%taidade
Pro!$e a incriminaç%o de atitude meramente su$"etiva, que n%o ofenda nen0um $em "ur!dico.
&inguém pode ser punido por ter feito mal s= a si mesmo. 8= pode ser castigado aquele comportamento que lesione
direitos de outras pessoas e que n%o se"a simplesmente imoral. Por essa ra,%o, a autoles%o n%o é crime. O fato t!pico
pressupõe um comportamento que transcenda a esfera individual do autor e se"a capa, de atingir o interesse do outro,
ou se"a, que o fato se dê em pre"u!,o de outrem. Dam$ém foi desenvolvido por *au# RoEi%. O princ!pio da alteridade
veda incursões do direito penal na esfera !ntima do indiv!duo, coi$indo a incriminaç%o do seu pensamento, ou de
condutas moralmente censur(veis, mas incapa,es de penetrar na esfera de outro.
i8 Pri%(+"io da ade!ua/'o #o(ia
Dodo comportamento que, a despeito de ser considerado criminoso pela lei, n%o afrontar o
sentimento social de "ustiça )aquilo que a sociedade tem por "usto- n%o pode ser considerado criminoso. Para esse
princ!pio, o Direito Penal somente tipifica condutas que ten0am certa relev*ncia social.
&%o se confunde esse princ!pio com o da insignific*ncia. &a adequaç%o social a conduta deixa
de ser punida por n%o mais ser considerada in"usta pela sociedadeI na insignific*ncia, a conduta é considerada in"usta,
mas de escassa lesividade.
,8 Pri%(+"io da *o%fia%/a
8egundo este princ!pio, todos devem esperar por parte das outras pessoas que estas se"am
respons(veis e a"am de acordo com as normas. 7 conduta normal, praticada pelo agente, confiando em que o outro
tam$ém atuar( de modo "( previsto e esperado, ser( considerada at!pica caso o terceiro que$re a expectativa e atue de
modo inesperado, produ,indo um dano. Por exemplo: nas intervenções cir.rgicas, o cirurgi%o tem de confiar na
assistência correta que costuma rece$er de seus auxiliares, de maneira que, se a enfermeira l0e passar uma in"eç%o
com medicamento trocado e, em face disso, o paciente viera a falecer, n%o 0aver( conduta culposa por parte do
médico, pois n%o foi sua aç%o que violou o dever o$"etivo de cuidado. Outro exemplo é do motorista na preferencial ao
passar no cru,amento, na confiança de que o outro est( cumprindo sua o$rigaç%o de parar. &o caso de acidente, n%o
ter( agido com culpa.
8 Pri%(+"io da irretroati$idade da ei "e%a
E( uma regra dominante em termos de conflito de leis penais no tempo, a irretroatividade da
lei penal, sem a qual n%o 0averia segurança e nem li$erdade na sociedade.
7 despeito da regra acima, o princ!pio da irretroatividade vige somente em relaç%o à lei mais
severa. 7dmite'se no direito intertemporal, a aplicaç%o retroativa da lei mais favor(vel )art. NO, FC, da <.F.-. 7ssim,
pode'se resumir a quest%o no seguinte princ!pio: a retroatividade da lei penal mais $enigna. 7 lei nova que for mais
favor(vel ao réu sempre retroage.
m8 Pri%(+"io da iguadade
Dodos s%o iguais perante a lei penal )<F. art. NO 5caput6-, n%o podendo o delinq#ente ser
discriminado em ra,%o de cor, sexo, religi%o, raça, procedência, etnia, etc.
%8 Pri%(+"io da Im"uta/'o Pe##oa
O direito penal n%o pune os inimput(veis.
o8 Pri%(+"io da Per#o%aidade
&inguém pode ser responsa$ili,ado por fato cometido por outra pessoa.
"8 Pri%(+"io da Re#"o%#a&iidade #u&,eti$a 7*u"a&iidade8
&inguém pode ser punido sem agir com dolo ou culpa.
G. TEORIA DA LEI PENAL
G.). Ho%te# do Direito Pe%a
Fonte é o lugar de onde o direito provém.
Fontes do direito s%o todas as formas ou modalidades por meio das quais s%o criadas, modificadas
ou aperfeiçoadas as normas de um ordenamento "ur!dico.
spécies de fontes do Direito Penal:
a= 3onte de produção, material ou substancial: 7 Sni%o é a fonte de produç%o do Direito Penal.
O instrumento para materiali,ar sua vontade é a lei.
sta$elece o artigo 33, G da <.F. que compete à Sni%o legislar em matéria penal. ssa é a mais
autêntica fonte material de Direito Penal.
b= 3onte formal, de cognição ou de con>ecimento: refere'se ao modo pelo qual o Direito Penal
se exteriori,a. 7s fontes formais se dividem em imediatas e mediatas:
7
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
- &mediata: Fonte imediata é a lei. 7 lei é formada pelo preceito prim(rio )descriç%o da conduta- e
pelo preceito secund(rio )sanç%o-. 7 lei, no direito penal, n%o é proi$itiva, mas descritiva. x:
7rtigo 434 do <=digo Penal: 5Qatar alguém6. Be"a que a lei n%o di, que é proi$ido matar, apenas
descreve a conduta.
7 lei penal pode ser classificada em duas espécies: leis incriminadoras )artigo 434 do <P- e leis
n%o incriminadoras )artigo 3N do <P-.
1eis &ncriminadoras s%o as que descrevem crimes e cominam penas.
1eis não incriminadoras s%o as que n%o descrevem crimes nem cominam penas. 7s n%o
incriminadoras podem ser permissivas e finais )complementares ou explicativas-. Permissivas s%o
as que tornam l!citas determinadas condutas )x: estado de necessidade + art. 3M do <PI
leg!tima defesa + art. 3N do <P-. Finais, 8om9lementares ou e<9li8ativas s%o as que esclarecem o
conte.do de outras normas e delimitam o *m$ito de sua aplicaç%o. )art. MO ' tempo do crimeI LO
' extraterritorialidadeI art. 2? ' reincidência e art. ?3L + funcion(rio p.$lico, todos do <P-.
- .ediata: costumes, doutrina, "urisprudência e os princ!pios gerais de direito.
a- *o#tume#: é o complexo de regras n%o escritas, consideradas o$rigat=rias e seguidas de modo
reiterado e uniforme pela coletividade.
8%o espécies de costume, conforme nos explica A%dr- Hra%(o <o%toro em sua o$ra Gntroduç%o à
<iência do Direito:
- 5$ontra leem6: é o costume formado no sentido contr(rio à lei. O que pode ocorrer em dois casos:
no desuso da lei, quando o costume simplesmente suprime a lei, que fica letra morta e é $om que se
diga que o costume n%o revoga lei penal, ou no costume a$'rogat=rio, que cria uma nova regra. Sm
exemplo de costume contra a legem é o "ogo do $ic0o que continua a ser contravenç%o penal.
- 5Se8undum leem6: é o costume que encontra suporte legal, ou se"a, a lei a ele se reporta
expressamente e recon0ece sua o$rigatoriedade. Sm exemplo é que o <=digo <ivil )7rt. N2P, GG-
dispõe que o locat(rio é o$rigado a pagar o aluguel nos pra,os a"ustados e, na sua falta, segundo o
costume do lugar. O preceito consuetudin(rio, n%o contido na lei, é por ela recon0ecido e admitido
como efic(cia o$rigat=ria.
- 5Praeter leem6: é o costume que intervém na falta ou na omiss%o da lei. Dem car(ter supletivo. 7 lei
deixa lacunas que s%o preenc0idas pelo costume, apesar de n%o se referir a ele expressamente.
8ignifica di,er que 0( expressões no Direito Penal que o costume é que a"uda a interpret('los )0onra,
decoro, mul0er 0onesta, ato o$sceno, etc-.
Os costumes se8undum leem e 9raeter leem s%o aceitos pacificamente pela doutrina, a legislaç%o
e a "urisprudência. @( o costume 8ontra leem n%o é aceito no direito penal.
$- Pri%(+"io# Gerai# do Direito: s%o premissas éticas extra!das da legislaç%o e que suprem as
lacunas e omissões da lei penal. x: a n%o puniç%o da m%e que fura as orel0as da fil0a para colocar $rinco )0averia
lesões corporais-. Podem ser considerados como a consciência ética de um povo.
Os princ!pios gerais do direito n%o podem ser fontes de incriminaç%o de condutas. Porém, no campo
das normas n%o incriminadoras, esses princ!pios podem ampliar as causas de exclus%o da anti"uridicidade ou da
culpa$ilidade.
8%o empregados para suprir lacunas deixadas pelas normas penais n%o'incriminadoras, uma ve, que
s= a lei pode criar crimes e impor penas.
 7lguns doutrinadores citam ainda como fontes mediatas a doutrina e a "urisprudência, entretanto,
a maioria entende que n%o s%o fontes mediatas do direito.
c- Doutri%a: é o resultado da atividade intelectual dos doutrinadores. 7 doutrina, através de estudos
e pesquisas ela$oradas emite "u!,os de valor e apresenta sugestões procurando iluminar e facilitar o tra$al0o dos
aplicadores da lei.
d- =uri#"rud2%(ia: con"unto de decisões "udiciais em um mesmo sentido prolatada de maneira
uniforme e constante.
G.5. INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL
A a atividade que consiste em extrair da norma penal seu exato alcance e real significado. 7 ciência
que disciplina e orienta a interpretaç%o das leis é c0amada de 0ermenêutica "ur!dica. Doda lei, por mais clara que se"a,
deve ser interpretada.
7 interpretaç%o deve $uscar a vontade da lei e n%o a vontade do legislador.
8
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
ESPI*IES DE INTERPRETAÇÃO:
a8 ?uanto ao su@eito Aue a faB: pode ser autêntica, doutrin(ria e "udicial.
4. &nterpretação aut5ntica ou legislativa: é aquela que procede do pr=prio legislador, ou se"a, do
pr=prio su"eito que ela$orou o preceito interpretado. xemplos s%o o conceito de causa )art. 4? do <P- e o conceito de
funcion(rio p.$lico )art. ?3L do <P-.
7 interpretaç%o autêntica pode ser contextual ou posterior.
' $onte<tual é a interpretaç%o que o legislador fa, no pr=prio texto da lei. x: conceito de funcion(rio
p.$lico constante no artigo ?3L do <PI o que se deve entender por casa no art. 4N1, T MO e NO do <P.
Devemos o$servar que os antepro"etos, pro"etos, de$ates parlamentares e a exposiç%o de motivos
n%o s%o formas de interpretaç%o autêntica. 7quelas revelam a intenç%o do legislador, esta .ltima vale como
interpretaç%o doutrin(ria.
- Posterior é a reali,ada pelo su"eito da regra que se interpreta depois de editada a lei, com o fim
de elidir incerte,as ou o$scuridades )x: 7rtigo 43 da Cei nO 41.>32R1? + utili,aç%o da express%o 5arma de fogo de uso
permitido6 e a posterior ediç%o do Decreto nO N.43?R1M conceituando arma de fogo de uso permitido no artigo 41-.
Portanto, neste caso, a lei interpretativa surge depois da lei interpretada e tem efic(cia retroativa )ex tunc-, ainda que
milite contra o réu. 8= n%o a$range os casos definitivamente "ulgados.
3. &nterpretação doutrin<ria: é aquela feita pelos doutrinadores, pelos estudiosos do direito,
quando comentam as leis. 7 interpretaç%o doutrin(ria n%o tem força o$rigat=ria.
?. &nterpretação @udicial: é a que deriva dos =rg%os "udici(rios )"u!,es e tri$unais-. &%o tem força
o$rigat=ria, exceto se tiver efeito vinculante conforme art. 41?'7 da <F, nos casos de decis%o do 8DF editando s.mula
com efeito vinculante. 8%o exemplos de interpretaç%o "udicial as 8.mulas do 8DF e do 8D@.
&8 ?uanto aos meios ou mCtodos empregados: a interpretaç%o pode ser gramatical )literal ou
sint(tica- ou l=gica )teleol=gica-.
4. &nterpretação gramatical, literal ou sint<tica: ao se interpretar as leis deve'se $uscar o
sentido das palavras. ntretanto, a simples an(lise gramatical n%o é suficiente, porque pode levar à conclus%o que
a$erre o sistema, motivo pelo qual a necessidade da interpretaç%o l=gica.
3. &nterpretação l/gica ou teleol/gica: é a que consiste na indagaç%o da vontade ou intenç%o
o$"etivada na lei. ;usca'se a vontade da lei, o fim visado pela lei, atendendo'se aos seus fins sociais e à sua posiç%o no
ordenamento "ur!dico. 7 interpretaç%o teleol=gica analisa os elementos 0ist=ricos )a realidade do tempo em que 0ouve
a promulgaç%o da lei-, sistem(ticos )coerência da lei interpretada e outros dispositivos legais- e o direito comparado )a
interpretaç%o dada pelo direito estrangeiro so$re uma lei semel0ante à nacional-.
(8 ?uanto ao resultado: o intérprete, ap=s empregar os meios anteriormente estudados, c0ega à
uma conclus%o. sta conclus%o pode ser: declarativa, extensiva, restritiva ou a$'rogante )conforme classificaç%o de
HJ$io <o%teiro de 1arro#-.
4. &nterpretação declarativa: quando 0( perfeita correspondência entre a palavra da lei e a sua
vontade. x: determina o artigo 4M4, GGG do <P, que nos crimes contra a 0onra as penas s%o aumentadas de um terço
se o fato é cometido 5na presença de v(rias pessoas6. /ual é esse m!nimo: duas ou trêsU Deve'se entender que o
m!nimo é superior a duas, porque sempre que a lei se contenta com duas pessoas di'lo expressamente )art. 4N1, T 4OI
332, G, etc.-.
3. &nterpretação restritiva: quando a letra escrita da lei foi além de sua vontade )a lei disse mais
do que queria e, por isso, deve'se restringir )interpretaç%o restritiva- o seu significado. x: di, o art. 3>, G e GG do <P,
que excluem a imputa$ilidade penal a emoç%o, a paix%o ou a em$riague, volunt(ria ou culposa. O dispositivo deve ser
interpretado restritivamente, no sentido de serem considerados esses estados quando n%o patol=gicos, pois de outra
forma, 0averia contradiç%o com o artigo 32 caput. 8e o estado for patol=gico aplica'se o artigo 32 e n%o o 3>. Outro
exemplo: &o art. ??3, do conceito de funcion(rio p.$lico deve ser exclu!do 5"ui,, "urado, =rg%o do Qinistério P.$lico,
etc.6, referidos no crime de exploraç%o de prest!gio )art. ?NL do <P-.
?. &nterpretação eDtensiva: a letra escrita da lei ficou aquém de sua vontade )a lei disse menos do
que queria-. Por isso, a interpretaç%o deve ser extensiva, ampliando o seu significado. x: o artigo 3?N incrimina a
$igamia )esta a$range a poligamia-I o artigo 4?1 incrimina a exposiç%o a cont(gio de doença venérea, deve ser
ampliado a$rangendo tam$ém o pr=prio cont(gio.
G.6. ANALOGIA E< DIREITO PENAL
7 analogia consiste em aplicar'se a uma 0ip=tese n%o regulada por lei disposiç%o relativa a um caso
semel0ante. &a analogia, o fato n%o é regido por qualquer norma, e por esse motivo, aplica'se um caso an(logo.
9
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
xemplo: o artigo 43>, GG do <P, dispõe que o a$orto praticado por médico n%o é punido 5se a
gravide, resulta de estupro e o a$orto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapa,, de seu
representante legal6. se a gravide, resultar de atentado violento ao pudorU m virtude da analogia, estende'se o
$enef!cio tam$ém à essa 0ip=tese n%o prevista na lei.
7 analogia é forma de auto'integraç%o da lei para suprir lacunas porventura existentes.
E$*$1$ #istinção entre Analogia, &nterpretação EDtensiva e &nterpretação Anal/gica:
A%aogia: na analogia n%o 0( norma reguladora para a 0ip=tese e aplica'se ent%o, norma relativa a
um caso semel0ante.
I%ter"reta/'o eEte%#i$a: existe uma norma regulando a 0ip=tese, de modo que n%o se aplica
norma de caso an(logoI contudo tal norma n%o menciona expressamente essa efic(cia, devendo o intérprete ampliar o
seu significado. x: o artigo 3?N incrimina a $igamia )esta a$range a poligamia-I o artigo 4?1 incrimina a exposiç%o a
cont(gio de doença venérea, deve ser ampliado a$rangendo tam$ém o pr=prio cont(gio.
I%ter"reta/'o a%aKgi(a: ap=s uma seq#ência casu!stica )de um caso-, segue'se uma formulaç%o
genérica, que deve ser interpretada de acordo com os casos anteriormente elencados. x: o artigo 4L4 do <P, ao definir
o estelionato, fala em 5qualquer outro meio fraudulento6, que quer di,er: qualquer meio semel0ante ao 5artif!cio6 ou
5ardil6. A a pr=pria norma penal incriminadora que permite o emprego.
⇒ Qua a difere%/a e%tre a%aogia e i%ter"reta/'o a%aKgi(aL
7 analogia é forma de auto'integraç%o da lei. &%o é vontade da lei a$ranger casos semel0antes.
Cogo, aplica'se a uma 0ip=tese n%o regulada por lei, disposiç%o relativa a caso semel0ante.
&a interpretaç%o anal=gica é o pr=prio dispositivo que determina se aplique analogicamente o
preceito. 7 pr=pria lei define a f=rmula casu!stica e menciona casos que devem ser compreendidos por semel0ança.
E$*$1$ EspCcies de Analogia
7 analogia pode ser dividida em:
- legal )ou legis-: o caso é regido por um preceito legal semel0anteI
- "ur!dica )ou "uris-: o caso é regido por princ!pio extra!do do ordenamento "ur!dico.
- in $onan partem: a analogia é empregada em $enef!cio do agenteI
- in malam partem: a analogia é empregada em pre"u!,o do agente.
O$servaç%o Gmportante: &%o se admite a aplicaç%o da analogia para normas incriminadoras, uma
ve, que n%o se pode violar o princ!pio da reserva legal.
). PRIN*9PIO DA LEGALIDADE
).). I%trodu/'o
.iz o Art. 1= do $.P.: >?ão 2á 8rime sem lei anterior 6ue o de:ina. ?ão 2á 9ena sem 9r3via 8ominação leal.6
sse princ!pio foi recon0ecido pela primeira ve, em 434N, na Qagna <arta, por imposiç%o dos $arões ingleses
ao Hei @o%o 8em'Derra. Previa que nen0um 0omem livre poderia ser su$metido à pena n%o cominada em lei
local.*e#are 1e((aria, na o$ra Dos Delitos e das Penas, tam$ém preconi,a que s= as leis podem fixar as penas de
cada delito e que o direito de fa,er as leis penais é tarefa exclusiva do legislador.
O nullum 8rimen, nulla 9oena sine lee )n%o 0( crime e n%o 0( pena sem lei-, tam$ém est( previsto na
<onstituiç%o Federal de 4P>>, em seu artigo N.O, FFFGF e tem por finalidade servir como garantia pol!tica ao cidad%o
contra o ar$!trio estatal )freio à pretens%o punitiva estatal-.
7 doutrina ma"orit(ria o considera sin9nimo do princ!pio da reserva legal. Discordamos desse posicionamento,
pois entendemos que o princ!pio da legalidade compreende dois princ!pios distintos: o da reserva legal e o da
anterioridade.
1$1$1$ Princ;pio da reserva legal
&%o 0( crime sem lei que o defina, nem pena sem cominaç%o legal. 8omente a lei pode descrever crimes e
cominar penas.
Podemos estudar o princ!pio da reserva legal so$ dois aspectos:
10
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
a= 3ormal
• %eserva a&soluta da lei )Nullum crimen, nulla poena sine lege scripta=: somente a lei no sentido estrito da
palavra, emanada e aprovada pelo Poder Cegislativo, por meio de procedimento adequado, poder( criar tipos e
impor penas. 7 medida provis=ria, em$ora ten0a força de lei, n%o é lei, pois n%o nasce no Poder Cegislativo, logo,
n%o pode veicular matéria penal. 7 <onstituiç%o Federal veda a adoç%o de medida provis=ria so$re matéria relativa
a Direito Penal )artigo 23, T 4.O, inciso G, al!nea 5$6-. Cei delegada tam$ém n%o pode a$ordar matéria penal, uma
ve, que o artigo 2>, T 4.O, inciso GG, da <onstituiç%o Federal, determina que n%o ser%o o$"eto de delegaç%o as
matérias referentes a direitos individuais.
• 7a<atividade 7(ullum crimen, nulla poena sine lege certa=: refere'se à necessidade da lei descrever o crime
em todos os seus pormenores. 7 descriç%o da conduta criminosa deve ser detal0ada e espec!fica. 7 lei n%o pode
conter expressões vagas e de sentido equ!voco, uma ve, que f=rmulas excessivamente genéricas criam insegurança
no meio social, pois d%o ao "ui, larga e perigosa margem de discricionariedade. ssa proi$iç%o, entretanto, n%o
alcança os crimes culposos, pois seria imposs!vel ao legislador pormenori,ar todas as condutas 0umanas
ense"adoras da composiç%o t!pica. Por isso, os tipos culposos s%o denominados tipos a$ertos e excepcionam a regra
da descriç%o pormenori,ada )quase todos os tipos dolosos s%o fec0ados-.
• @edação ao em9reo da analoia 7Nullum crimen, nulla poena sine lege stricta=: o princ!pio da reserva legal
pro!$e o emprego da analogia em matéria de norma penal incriminadora. ssa é a analogia in malam 9artem. &%o é
vedado, entretanto, o uso da analogia in &onam 9artem, pois favorece o direito de li$erdade, se"a com a exclus%o
da criminalidade, se"a pelo tratamento mais favor(vel ao réu. xemplo de analogia in &onam 9artem: O <=digo
Penal, no artigo 43>, inciso GG, n%o pune o a$orto praticado por médico se a gravide, resulta de estupro e o a$orto
é precedido do consentimento da gestante ou de seu representante, se incapa,. O médico, por analogia, tam$ém
n%o deve ser punido se a gravide, resultar de atentado violento ao pudor. O$servaç%o: alguns doutrinadores
entendem que esse exemplo se trata de interpretaç%o extensiva.
b= .aterial
• O tipo penal exerce tam$ém uma funç%o seletiva, pois é por meio dele que o legislador seleciona, entre todas as
condutas 0umanas, as mais perniciosas à sociedade. m um tipo penal n%o podem constar condutas positivas que
n%o representam qualquer ameaça à sociedade. 8upon0amos, por exemplo, fosse criado o seguinte tipo penal:
sorrir a$ertamente, em momentos de felicidade + pena de seis meses a um ano de detenç%o. Formalmente,
estariam preenc0idas todas as garantias do princ!pio da reserva legal. sse tipo, entretanto, é inconstitucional, pois
materialmente, a conduta incriminada n%o apresenta qualquer ameaça à sociedade. &esses casos, o Poder
@udici(rio deve exercer controle de conte.do do tipo penal, expurgando do ordenamento "ur!dico leis que descrevam
como crimes fatos que n%o se"am materialmente nocivos à sociedade.
1$1$-$ Princ;pio da anterioridade 7(ullum crimen, nulla poena sine lege praevia=
&%o 0( crime sem lei 5anterior6 que o defina, nem pena sem prévia cominaç%o legal. 7 lei que descreve um
crime deve ser anterior ao fato incriminado. 7 irretroatividade da lei é uma conseq#ência l=gica da anterioridade. 7 lei
penal s= poder( alcançar fatos anteriores para $eneficiar o réu.
APLI*AÇÃO DA LEI PENAL NO TE<PO E NO ESPAÇO
7 lei n%o tem efic(cia universal e permanente. &%o vige em todo o mundo, nem é eterna.
Determinada pelo stado rege condutas dentro do espaço em que ele manifesta o seu poder. 7ssim, a lei penal
de um stado restringe a sua efic(cia até onde principia a so$erania dos outros.
7ssim, podemos estudar a efic(cia da lei penal em relaç%o:
4- ao tempoI
3- ao espaçoI
?- às funções exercidas por certas e determinadas pessoas.
DA EHI*C*IA DA LEI PENAL NO TE<PO
). Na#(ime%to e re$oga/'o da Lei Pe%a
11
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
7 lei penal, como todas, nasce, vive e morre, como di, DamJ#io E. de =e#u#.
7 iniciativa do pro"eto da lei penal é comum ou concorrente, pois é deferida a qualquer comiss%o ou mem$ro
)deputado ou senador- do Poder Cegislativo )iniciativa parlamentar- e ao c0efe do Poder xecutivo )Presidente da
Hep.$lica-.
Derminada a fase introdut=ria com a apresentaç%o do pro"eto de lei na <asa Cegislativa competente, entra'se na
fase constitutiva, quando ent%o ser( reali,ada a deli$eraç%o parlamentar )discuss%o e votaç%o em cada uma das <asas
Cegislativas- e a deli$eraç%o executiva )sanç%o ou veto-.
7 lei nos apresenta quatro momentos em expressões "ur!dicas:
' 7 sanç%o é o ato pelo qual o Presidente aprova e confirma uma leiI
' 7 promulgaç%o l0e confere existência e proclama a sua executoriedadeI
' 7 pu$licaç%o é o ato para torn('la con0ecida de todos impondo sua o$rigatoriedade. <om a pu$licaç%o 0(
presunç%o a$soluta de sua notoriedade. &inguém mais pode alegar ignor*ncia da lei.
7 lei é promulgada e pu$licada pelo Presidente da Hep.$lica no Di(rio Oficial do xecutivo da Sni%o.
&em sempre, porém, a lei entra em vigor na data de sua pu$licaç%o. 7li(s, o silêncio acerca do in!cio da
vigência significa que a lei começa a vigorar em todo o pa!s quarenta e cincos dias depois de oficialmente pu$licada.
sse per!odo é c0amado de vacatio legis$
7 lei permanece em vigor até que outra lei a revogue )"ri%(+"io da (o%ti%uidade da# ei#-.
7 revogaç%o é a perda da vigência da lei. Sma lei s= pode ser revogada por outra lei. Doda lei pode ser
revogada. A proi$ida a ediç%o de leis irrevog(veis.
' 7 revogaç%o que extingue a lei pode ser total ou parcial.
7 revogaç%o compreende: a derrogaç%o e a a$'rogaç%o.
- Derrogaç%o: quando cessa em parte a autoridade da lei )revogaç%o parcial da lei-I
- 7$'rogaç%o: quando extingue totalmente a lei )revogaç%o total-.
7 revogaç%o tam$ém pode ser:
- xpressa: quando a lei expressamente, determina a cessaç%o da vigência da norma anteriorI
- D(cita: quando o novo texto, em$ora de forma n%o expressa, é incompat!vel com o anterior.
7 lei, entretanto, pode tra,er em seu texto o término de sua vigência. A a lei de vigência tempor(ria, constante
do artigo 3O 5caput6, da Cei de Gntroduç%o ao <=digo <ivil.
Ceis tempor(rias s%o aquelas que tra,em preordenada a data da expiraç%o de sua vigência.
Ceis excepcionais s%o as que, n%o mencionando expressamente o pra,o de vigência, condicionam a sua efic(cia
à duraç%o das condições que a determinam )guerra, epidemia, etc-.
5. *o%fito# de Lei# Pe%ai# %o Tem"o: Pri%(+"io# !ue regem a mat-ria
O direito intertemporal )ou os conflitos de leis penais no tempo- é o con"unto de princ!pios e de normas que
solucionam os conflitos de leis no tempo. m regra, o conflito é solucionado pela m(xima tempus regit actum, isto é,
aplica'se a lei vigente ao tempo do crime. 8e porém, a nova lei $eneficiar o réu, impõe'se a sua retroatividade.
Desde que a lei entra em vigor, até que cesse a sua vigência, rege todos os fatos a$rangidos pela sua
destinaç%o. ntre sua entrada em vigor e a cessaç%o de sua vigência, situa'se a efic(cia.
Pode ocorrer, porém, que um crime iniciado so$ a vigência de uma lei ten0a o seu momento consumativo so$ o
de outra. O su"eito pratica uma conduta so$ a vigência de uma lei, que comina pena mais severa ou $enéfica e durante
a execuç%o sur"a uma nova lei. /ual delas deve ser aplicadaU
m decorrência do princ!pio da legalidade e da anterioridade, 0( uma regra que domina o conflito de leis penais
no tempo.
A a IRRETROATIVIDADE DA LEI PENAL. 8e n%o 0( crime sem lei anterior, claro que n%o pode retroagir para
alcançar condutas que, antes de sua vigência, eram consideradas fatos l!citos.
ntretanto, o princ;pio da irretroatividade vige somente em relação F lei mais severa$
Demos assim, dois princ!pios que regem os conflitos de direito intertemporal:
4O- o da GHHDHO7DGBGD7D D7 CG Q7G8 8BH7I
3O- o da HDHO7DGBGD7D D7 CG Q7G8 ;&GJ&7.
O artigo NO, inciso FC da <.F. esta$elece que 5a lei penal n%o retroagir(, salvo para $eneficiar o réu6.
xemplos:
a- Sm fato é praticado so$ a vigência da lei 576, contudo, no momento em que o "ui, vai proferir o "ulgamento,
ela n%o mais est( em vigor, tendo sido revogada pela lei 5;6, mas $enéfica para o agente. /ual deve ser aplicadaU Deve
ser aplicada a lei mais $enéfica, que dever( retroagir para alcançar o fato cometido antes de sua entrada em vigor e,
assim, $eneficiar o agente.
12
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
8e a lei 576 fosse mais $enéfica, a lei 5;6 n%o poderia retroagir e alcançar o fato cometido antes de sua entrada
em vigor, por ser mais gravosa.
$- 7 lei 576 é revogada pela lei 5;6. 7p=s isso, um fato é praticado. 7 lei 5;6 é muito mais severa. /ual delas
deve ser aplicada ao fatoU
&%o existe qualquer conflito intertemporal, pois somente uma lei pode ser aplicada. 7 .nica lei a ser aplicada é
a lei 5;6, pois a lei 576 "( estava revogada.
⇒ O fen9meno "ur!dico pelo qual a lei regula todas as situações ocorridas durante seu per!odo de vida, isto é, de
vigência, denomina'se atividade. 7 atividade da lei é a regra. /uando a lei regula situações fora de seu per!odo de
vigência, ocorre a c0amada extra'atividade, que é exceç%o.
/uando a lei regula situações passadas, ou se"a, ocorridas antes do in!cio de sua vigência, a extra'atividade
denomina'se retroatividade.
/uando se aplica mesmo ap=s a cessaç%o de sua vigência, a extra'atividade ser( c0amada ultra'atividade.
6. :i"Kte#e# de *o%fito# de Lei# %o Tem"o
7 lei penal que entra em conflito com a anterior pode apresentar as seguintes situações:
a- a lei nova suprime normas incriminadoras anteriormente existentes )a&olitio 8riminis-I
$- a lei nova incrimina fatos antes considerados l!citos )novatio leis in8riminadora-I
c- a lei nova modifica o regime anterior, agravando a situaç%o do su"eito )novatio leis in 9eAus)I
d- a lei nova modifica o regime anterior, $eneficiando o su"eito )novatio leis in melius).
Para resolver essas situações o <=digo Penal elenca no seu artigo 3O:
5?inu3m 9ode ser 9unido 9or :ato 6ue lei 9osterior dei<a de 8onsiderar 8rime, 8essando em virtude dela a
e<e8ução e os e:eitos 9enais da sentença 8ondenatBria.6
5A lei 9osterior, 6ue de 6ual6uer modo :avore8er o aente, a9li8a*se aos :atos anteriores, ainda 6ue de8ididos
9or sentença 8ondenatBria transitada em Aulado.6
6.). MA&oitio *rimi%i#N
Ocorre quando lei posterior deixa de considerar um fato como criminoso. Drata'se de lei posterior que revoga o
tipo penal incriminador, passando o fato a ser considerado at!pico. <omo o comportamento deixou de constituir infraç%o
penal, o stado perde a pretens%o de impor ao agente qualquer pena.
7 a&olitio 8riminis est( prevista no artigo 3O 5caput6 do <P + 5ninguém pode ser punido por fato que lei
posterior deixa de considerar crime6.
7 a&olitio 8riminis é fato extintivo da puni$ilidade do agente, conforme o artigo 41L, GGG do <P. Por ela se fa,em
desaparecer o delito e todos os seus reflexos penais, permanecendo apenas os civis )ex: o$rigaç%o de reparar o dano +
efeito civil-.
xemplos de a&olitio 8riminis:
a- 576 estava sendo processado pelo crime de 7dultério )previsto no artigo 3M1 do <P-. 7 Cei nO 44.412R1N
deixou de considerar tal aç%o como criminosa, deve ser trancadoI
$- 5;6 estava sendo processado pelo crime de 8eduç%o )previsto no artigo 34L do <P-. 7 Cei nO 44.412R1N
deixou de considerar tal aç%o como criminosa, deve ser trancado.
*o%#e!u2%(ia# da a&oitio (rimi%i#:
' O inquérito policial ou o processo s%o imediatamente trancados e extintos, com a extinç%o da puni$ilidadeI
' 8e "( 0ouve sentença condenat=ria, cessam os efeitos penais, principais )penas- e secund(rios )reincidência,
sursis, etc-I
' O condenado est( cumprindo pena: deve ser decretada a extinç%o da puni$ilidade e ser solto.
&%o se confunde com anistia. 7 anistia n%o revoga a lei, s= apaga fatos criminosos temporariamente. 7 a$olitio
criminis extingue permanentemente os fatos criminosos. Possuem alguns caracter!sticas comuns, como serem causas
extintivas de puni$ilidade.
6.5. MNo$atio egi# i%(rimi%adoraN
Ocorre quando um indiferente penal em face de lei antiga é considerado crime pela posterior. A a lei posterior
que cria um tipo incriminador, tornando t!pica conduta considerada irrelevante penal.
7 lei que incrimina novos fatos é irretroativa, uma ve, que pre"udica o su"eito.
13
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
6.6. MNo$atio egi# i% meiu#N
A a lei posterior )novatio legis- que, de qualquer modo, tra, um $enef!cio para o agente no caso concreto. 8e a
lei nova, é mais favor(vel ao su"eito, retroage. 7plica'se o princ!pio da retroatividade da lei mais $enigna.
8o$re o assunto trata o par(grafo .nico do artigo 3O do <P: 5A lei 9osterior, 6ue de 6ual6uer modo :avore8er o
aente, a9li8a*se aos :atos anteriores, ainda 6ue de8ididos 9or sentença 8ondenatBria transitada em Aulado.6
xemplos:
a- 576 pratica um crime so$ a vigência da lei 5F6, que comina pena de detenç%o. 7p=s, passa a vigorar a lei 5V6,
cominando para o mesmo fato, pena de multa. 7 lei nova é menos rigorosa, deve retroagir.
$- 576 pratica um crime so$ a vigência da lei 5F6, que comina pena de 13 a 1M anos de reclus%o. 7p=s, passa a
vigorar a lei 5V6, cominando para o mesmo fato, pena de 14 a 13 anos de reclus%o. 7 lei nova é mais $enéfica, deve
retroagir.
6.A. MNo$atio egi# i% "e,u#N
A a lei posterior )novatio legis- que, de qualquer modo, ven0a a agravar a situaç%o do agente no caso concreto.
8e a lei posterior, sem criar novas incriminações ou a$olir outras precedentes, agrava a situaç%o do su"eito, n%o
retroage.
E( duas leis em conflito: a anterior, mais $enigna, e a posterior, ma severa. 7plica'se a mais $enéfica.
xemplos:
a- 576 pratica um crime so$ a vigência da lei 5F6, que comina pena de multa. ntra em vigor a lei 5V6,
cominando pena privativa de li$erdade )reclus%o ou detenç%o-. 7 lei posterior é mais severa e n%o pode retroagir.
$- 576 confessa, espontaneamente, perante a autoridade, a autoria de um crime. m seu favor milita
circunst*ncia atenuante prevista no artigo 2N, GGG, d. 8urge, durante o processo, a lei 5F6, suprimindo a referida
circunst*ncia. &o caso, o su"eito, se condenado, deve ser favorecido pela atenuante.
⇒ Todo# o# (a#o# a(ima ee%(ado# "odem #er #ou(io%ado# "ea regra 3%i(a: A LEI S; RETROAGE
QUANDO 1ENEHI*IAR O SU=EITO.
7 competência para aplicar a lei mais $enéfica é do "ui, de primeiro grau encarregado de prolatar a sentença.
8e o processo estiver em grau de recurso, o tri$unal ser( o encarregado. 7p=s o tr*nsito em "ulgado a competência é
do "u!,o da execuç%o )8.mula 244 do 8DF e art. 22, G da Cei de xecuç%o Penal-.
6.B. *om&i%a/'o de ei#
8eria poss!vel com$inar leis para favorecer o su"eitoU
7 quest%o é controvertida na doutrina, entretanto, a posiç%o que tem prevalecido é de que n%o seria poss!vel,
uma ve, que, ao dividir a norma para aplicar somente a parte mais $enéfica, estar'se'ia criando uma terceira regra )lex
tertio-, o que violaria a separaç%o dos poderes.
Fernando <ape,, &élson Eungria, 7n!$al ;runo e Eeleno <l(udio Fragoso, entendem n%o ser poss!vel.
Dam(sio de @esus, Frederico Qarques e ;asileu Jarcia entendem ser poss!vel a com$inaç%o de leis, entendendo
que o "ui, n%o estaria criando uma nova lei, mas movimentando'se dentro do campo legal em sua miss%o de integraç%o
leg!tima. O 8upremo Dri$unal Federal entendeu ser poss!vel a com$inaç%o de leis em apenas um "ulgado.
xemplo: Sma lei previu para um crime pena de 14 a 12 anos de reclus%o e multa de N1 a 411 ve,es o sal(rio
m!nimo vigente. 7 outra lei, previu para o mesmo crime, pena de reclus%o de 1? a 4N anos e pagamento de N1 a ?21
dias'multa. 7 "urisprudência admitiu a com$inaç%o de leis: quanto à reclus%o, incide a lei antigaI quanto à multa, a
nova.
6.G. Efi(J(ia da# Lei# Pe%ai# Tem"orJria# e EE(e"(io%ai#. Utra>ati$idade.
<omo "( vimos:
Ceis tempor(rias s%o aquelas que tra,em preordenada a data da expiraç%o de sua vigência.
Ceis excepcionais s%o as que, n%o mencionando expressamente o pra,o de vigência, condicionam a sua efic(cia
à duraç%o das condições que a determinam. 8%o aquelas promulgadas em casos de calamidade p.$lica, guerras,
revoluções, cataclismos, etc.
Dais leis s%o utra>ati$a#, no sentido de continuarem a ser aplicadas aos fatos praticados durante a sua
vigência mesmo depois de sua auto'revogaç%o.
O artigo ?O do <P cuida dessa espécie de lei, determinando:
5A lei e<8e98ional ou tem9orária, em&ora de8orrido o 9er)odo de sua duração ou 8essadas as 8ir8unstCn8ias 6ue
a determinaram, a9li8a*se ao :ato 9rati8ado durante sua viDn8iaE.
ssas duas espécies s%o ultra'ativas, ainda que pre"udiquem o agente, ou se"a, aplicam'se aos fatos cometidos
durante o seu per!odo de vigência, mesmo ap=s sua auto'revogaç%o )exemplo: num surto de fe$re amarela é criado um
crime de omiss%o de notificaç%o de fe$re amarelaI caso alguém cometa o crime e logo em seguida o surto se"a
14
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
controlado, cessando a vigência da lei, o agente responder( pelo crime-. 8e n%o fosse assim, a lei perderia sua força
coercitiva, uma ve, que o agente, sa$endo qual seria o término da vigência da lei, poderia, por exemplo, retardar o
processo para que n%o fosse apenado pelo crime. Pode ocorrer, excepcionalmente, a retroatividade da lei posterior mais
$enéfica, desde que esta faça expressa menç%o à lei excepcional ou tempor(ria revogada.
6.O. Norma Pe%a em 1ra%(o
&ormas penais em $ranco s%o as de conte.do incompleto, vago, lacunoso, que necessitam ser complementadas
por outras normas "ur!dicas, geralmente, de nature,a extrapenal.
8egundo 1i%di%g, 5a norma penal em $ranco é um corpo errante em $usca de sua alma6.
xemplos: O artigo 3?L do <P é completado pelo artigo 4N34, G a BGG do <=digo <ivilI o artigo ?? da Cei nO
44.?M?R12 é complementado por Portaria do Qinistério da 8a.de que elenca as su$st*ncias entorpecentesI o artigo 3O,
BG da Cei nO 4N34RN4 é complementado pelas ta$elas oficiais de preços. Da mesma forma os artigos 32>, 32P e ??M,
todos do <=digo Penal.
Portanto, é norma cu"o preceito prim(rio est( incompleto )preceito prim(rio é a parte do tipo que descreve o
crimeI o preceito secund(rio descreve a pena-. E( duas espécies:
• norma penal em branco em sentido lato ou >omog5nea Gou impr/pria=: quando a norma é complementada
por uma lei. O tipo é complementado por uma mesma fonte formal. xemplo: o artigo 3?L do <=digo Penal é
complementado pelo artigo 4N34 do <=digo <ivilI o art. 4L> do <P que prevê crime de emiss%o irregular de Warrant
é regulado por leis comerciais, etc.
• norma penal em branco em sentido estrito ou >eterog5nea: quando o complemento é ato infra'legal
)portaria, regulamento etc.-. xemplos: o artigo ?? da Cei n. 44.?M?R12 é complementado por uma portaria do
Qinistério da 8a.de que define as su$st*ncias entorpecentesI o artigo 3.O, inciso BG, da Cei n. 4.N34RN4 é
complementado por uma ta$ela oficial.
• norma penal em branco ao avesso )Fernando <ape,-: s%o aquelas em que, em$ora o preceito prim(rio este"a
completo, e o conte.do perfeitamente delimitado, o preceito secund(rio, isto é, a cominaç%o da pena, fica a cargo
de uma norma complementar.
⇒ Qua a (o%#e!P2%(ia da modifi(a/'o "o#terior do (om"eme%to da %orma "e%a em &ra%(oL
7s posições s%o extremamente controvertidas na doutrina nacional e estrangeira.
4X- &a opini%o de Dam(sio de @esus ter!amos duas situações:
a- quando o complemento da norma penal em $ranco tam$ém for lei, a revogaç%o da lei retroagir( em
$enef!cio do agente, tornando at!pico o fato cometido. xemplo: a modificaç%o da lei, excluindo algum
impedimento do rol do artigo 4N34, repercute so$re a conduta do artigo 3?L do <P, extinguindo a
puni$ilidade do agente. &esse caso, a alteraç%o da lei complementadora )<=digo <ivil-, altera a pr=pria
estrutura da figura t!pica.
$- quando o complemento da norma penal em $ranco for ato normativo infralegal )portaria, por exemplo-, sua
supress%o somente repercutir( so$re a conduta quando a norma complementar n%o tiver sido editada em
uma situaç%o tempor(ria ou de excepcionalidade.
xemplos:
&o caso da Cei nO 4N34RN4, artigo 3O, BG )venda de gêneros acima da ta$ela- ser( irrelevante a supress%o
do ta$elamento, o crime ainda existir( )isso porque foi editada em situaç%o tempor(ria-
@( no caso do artigo ??, 5caput6 da Cei nO 44?M?R12, a exclus%o da su$st*ncia entorpecente da relaç%o da
Portaria do Qinistério da 8a.de, torna o fato at!pico )isso porque n%o foi editada em situaç%o tempor(ria ou de
excepcionalidade-.
3X- &a opini%o de Fernando <ape,, ocorrendo modificaç%o do complemento da norma penal em $ranco, para se
sa$er se 0aver( ou n%o retroaç%o, é imprescind!vel verificar se o complemento revogado tin0a ou n%o car(ter de
temporariedade.
8e tin0a car(ter de temporariedade, n%o se opera a retroatividade )artigo 3O, BG da Cei nO 4N34RN4-. 8e n%o
tin0a car(ter de temporariedade, deve ocorrer a retroatividade )artigo ?? da Cei nO 44?M?R12-.
6.Q. TE<PO DO *RI<E
Qas afinal de contas, quando o crime reputa'se praticadoU
7 determinaç%o do tempo em que se reputa praticado o delito tem relev*ncia "ur!dica n%o somente para fixar a
lei que o vai reger, mas tam$ém para fixar a imputa$ilidade do su"eito.
xistem três teorias so$re o tempo )momento- do crime:
15
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
• 'eoria da atividade: considera'se praticado o crime no momento da conduta comissiva )aç%o- ou omissiva. x:
<rime de Eomic!dio )artigo 434 <P- + 0averia o crime com a conduta do agente, ou se"a, no momento da aç%o ou
omiss%o, mesmo que a morte ocorresse posteriormente.
• 'eoria do resultado: admite'se a pr(tica do crime no momento da produç%o do resultado lesivo, sendo irrelevante
o tempo da conduta. x: <rime de Eomic!dio )artigo 434 <P- + 0averia o crime com o resultado )morte- e n%o no
momento da aç%o ou omiss%o.
• 'eoria mista ou da ubiAHidade: considera'se praticado o crime tanto no momento da conduta quanto no
momento do resultado. &o caso do 0omic!dio, o tempo do crime seria tanto o momento da aç%o ou omiss%o como
do resultado )morte-.
O *Kdigo Pe%a "Jtrio adotou a TEORIA DA ATIVIDADE:
A o que esta$elece o artigo art. MO do <P.:
5Art. '= $onsidera*se 9rati8ado o 8rime no momento da ação ou omissão, ainda 6ue outro seAa o momento do
resultado.6
7ssim, a imputa$ilidade do agente deve ser aferida no momento em que o crime é praticado, pouco importando
a data em que o resultado ven0a a ocorrer. &o caso do 0omic!dio praticado por menor com 4L anos e 44 meses de
idade, em que a v!tima vem a falecer quando este "( completou 4> anos, o tempo do crime é o da atividade, ou se"a,
da aç%o ou omiss%o, conseq#entemente, o agente responde como menor.
<omo di, Dam(sio de @esus, 5é no momento da conduta que o su"eito manifesta a sua vontade, ino$servando o
preceito proi$itivo6.
APLI*AÇÃO DA LEI PENAL NO ESPAÇO
7 lei penal, em decorrência da so$erania, vige em todo o territ=rio de um stado. <omo cada stado possui sua
pr=pria so$erania, surge o pro$lema da delimitaç%o espacial no *m$ito de efic(cia da legislaç%o penal.
ntretanto, pode ocorrer, em certo casos, para um com$ate efica, à criminalidade, a necessidade de os efeitos
da lei ultrapassar os limites territoriais para regular fatos ocorridos além de sua so$erania.
xistem cinco princ!pios a respeito dessa matéria:
a8 Pri%(+"io da territoriaidade
7 lei penal s= tem aplicaç%o no territ=rio do stado que a determinou, sem atender à nacionalidade do su"eito
do delito ou do titular do $em "ur!dico lesado.
A ei &ra#ieira adota e##a diretri0 (omo regra gera. ai%da !ue de forma ate%uada ou tem"erada +
territoriaidade tem"erada )art. /= 8a9ut do $P * >A9li8a*se a lei &rasileira, ......., ao 8rime 8ometido no territBrio
na8ional6-, uma ve, que ressalva a validade de convenções, tratados e regras internacionais. O fundamento desse
princ!pio é a so$erania pol!tica do stado.
&8 Pri%(+"io da %a(io%aidade
8egundo este princ!pio, a lei penal do stado é aplic(vel a seus cidad%os onde quer que se encontrem. 7ssim,
se um $rasileiro praticar um crime no Sruguai, cair( o fato so$ o império da lei penal em nosso pa!s. O que importa é a
nacionalidade do su"eito.
sse princ!pio pode apresentar'se de duas formas: 9ersonalidade ativa + quando se considera apenas a
nacionalidade do autor do delito )art. LO, GG, 5$6 do <P-I 9ersonalidade 9assiva + nesta importa apenas se a v!tima do
delito é nacional )art. LO, T?O do <P-.
(8 Pri%(+"io da Defe#a 7rea ou de "rote/'o8
Ceva em conta a nacionalidade do $em "ur!dico lesado pelo crime, independentemente do local de sua pr(tica ou
da nacionalidade do su"eito ativo. 7ssim, aplica'se a lei $rasileira a um fato criminoso cometido no estrangeiro, lesivo
de interesse nacional, qualquer que fosse a nacionalidade do autor.
st( previsto no artigo LO, G do <P: crimes contra a vida do presidente, contra o patrim9nio da Sni%o, contra a
7dministraç%o P.$lica, etc.
d8 Pri%(+"io da ,u#ti/a "e%a u%i$er#a 7ou (o#mo"oita8
7s leis penais devem ser aplicadas a todos os 0omens, onde quer que se encontrem. ste princ!pio é
caracter!stico da cooperaç%o penal internacional, porque permite a puniç%o, por todos os stados, de todos os crimes.
&ossa legislaç%o tam$ém o adotou como exceç%o no artigo LO, GG, a do <P )os crimes que, por tratado ou convenç%o, o
;rasil se o$rigou a reprimir-.
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DIREITO PENAL – PARTE GERAL
e8 Pri%(+"io da re"re#e%ta/'o
7 lei penal de determinado pa!s é tam$ém aplic(vel aos delitos cometidos em aeronaves e em$arcações
privadas, quando reali,ados no estrangeiro e a! n%o ven0am a ser "ulgados. st( previsto no artigo LO, GG, c
)59rati8ados em aeronaves ou em&ar8açFes &rasileiras, mer8antes ou de 9ro9riedade 9rivada, 6uando em territBrio
estraneiro e a) não seAam AuladosE-.
Princ!pios adotados no <=digo Penal:
4O ' territorialidade + art. NO 5caput6 )regra geral-I
3O ' real ou de proteç%o + art. LO, G e T?OI
?O ' "ustiça universal + art. LO, GG, aI
MO ' nacionalidade ativa ' art. LO, GG, $I
NO ' representaç%o + art. LO, GG, c.
). Territoriaidade
<omo vimos, o artigo NO, caput, do <.P. adotou o princ!pio da territorialidade. ntretanto, adotou o c0amado
9rin8)9io da territorialidade tem9erada. Aplica'se a lei penal $rasileira ao crime cometido no territ=rio nacional.
xcepcionalmente a lei estrangeira é aplic(vel a delitos cometidos total ou parcialmente em territ=rio nacional, quando
assim determinarem tratados e convenções internacionais.
Derrit=rio é o espaço em que o stado exerce a sua so$erania.
O territ=rio se compõe das seguintes partes:
a- solo ocupado pela corporaç%o pol!ticaI
$- Hios, lagos, mares interiores, golfos e $a!as e portosI
c- Qar territorial: é a faixa de mar exterior ao longo da costa, que se estende por 43 mil0as mar!timas de
larguraI
d- Yona cont!gua: compreende uma faixa que se estende das 43 às 3M mil0as mar!timas, na qual o ;rasil
poder( tomar medidas de fiscali,aç%oI
e- spaço aéreo: m relaç%o ao espaço aéreo, o ;rasil adotou a teoria da a$soluta so$erania do pa!s
su$"acente.
f- &avios e aeronaves: quando p.$licos, consideram'se extens%o do territ=rio nacionalI quando privados,
tam$ém, desde que este"am em mar territorial $rasileiro, alto'mar ou espaço aéreo correspondente a um
ou outro, conforme o caso.
Z Gnde deve ser 9ro8essado o marin2eiro 6ue, 9erten8endo a navio 90&li8o, des8e em 9orto de outro (stado e
9rati8a um 8rimeH
8e desceu a serviço do navio, fica su"eito à lei penal da $andeira que ostenta. 8e desceu por motivo particular,
fica su"eito à lei local.
Z ( se alu3m, 8ometendo um 8rime em terra, a&ria*se em navio 90&li8o em 9orto estraneiroH
8e o delito é de nature,a pol!tica, n%o est( o comandante o$rigado a devolvê'lo à terraI se é de nature,a
comum, deve entreg('lo, mediante requisiç%o do governo local.
5. EEtraterritoriaidade
7s situações de extraterritorialidade da lei penal $rasileira est%o previstas no artigo LO e constituem exceç%o ao
princ!pio geral da territorialidade.
7s 0ip=teses s%o as seguintes:
a- (<traterritorialidade in8ondi8ionada: aplica'se a lei $rasileira sem qualquer condicionante )art. LO, G-, com
fundamento nos princ!pios de defesa )art. LO, G, a, $ e c, do <P- e da universalidade )art. LO, G, d do <P-. 8%o
exemplos: crime contra a vida do Presidente da Hep.$licaI contra o patrim9nio ou a fé p.$lica da Sni%o, Distrito
Federal, stado, Derrit=rio, Qunic!pio, etcI de genoc!dio quando o agente for $rasileiro ou domiciliado no ;rasil.
7 import*ncia dos $ens "ur!dicos, "ustifica, em tese, essa incondicional aplicaç%o da lei $rasileira. &esses crimes,
o poder "urisdicional $rasileiro é exercido independentemente da concord*ncia do pa!s onde o crime ocorreu.
$- (<traterritorialidade 8ondi8ionada: aplica'se a lei $rasileira quando satisfeitos certos requisitos )art. LO, GG e
TT 3O e ?O do <P-. 7s 0ip=teses s%o:
- crimes que por tratado ou convenç%o o ;rasil o$rigou'se a reprimirI ' praticados por $rasileirosI
' praticados em aeronaves ou em em$arcações $rasileiras, mercantes ou de propriedade privada,
quando em territ=rio estrangeiro e a! n%o se"am "ulgadosI ' praticados por estrangeiros contra
$rasileiro fora do ;rasil.
17
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
7s condições para que 0a"a a aplicaç%o da lei $rasileira est%o elencadas no artigo LO, T 3O e T ?O do <=digo
Penal.
6. Lugar do *rime
7 determinaç%o do lugar em que o crime se considera praticado )lo8us 8ommissi deli8ti- é decisiva no tocante à
competência penal internacional.
Be"amos o seguinte exemplo: na fronteira ;rasil';ol!via um cidad%o $rasileiro, que se encontra em territ=rio
nacional, atira em outro, em solo $oliviano, vindo este a falecer. 7 quem ca$e o "us puniendi )o direito de punir-U
E( três teorias a respeito do lugar do crime:
• 7eoria da atividade: lugar do crime é o da aç%o ou omiss%o, é o local onde se reali,ou a conduta t!pica. &o exemplo
acima o competente para con0ecer o fato ser( o ;rasil.
• 7eoria do resultado: lugar do crime é aquele em que foi produ,ido o resultado. &o exemplo acima o local
competente seria a ;ol!via.
• 7eoria da u&i6Iidade: lugar do crime ser( tanto o lugar da conduta quanto o do resultado. &o exemplo, tanto ;rasil
como a ;ol!via.
O artigo 2O do <=digo Penal esta$elece que:
>$onsidera*se 9rati8ado o 8rime no luar em 6ue o8orreu a ação ou omissão, no todo ou em 9arte, &em 8omo
onde se 9roduziu ou deveria 9roduzir*se o resultado.E
O$serva'se pelo dispositivo que o *Kdigo Pe%a adotou a Teoria da U&i!Pidade, ou se"a, lugar do crime
tanto pode ser o da aç%o ou omiss%o como tam$ém o do resultado.
ntretanto, o Direito Penal p(trio adotou as três teorias.
&as infrações de competência dos @ui,ados speciais <riminais, a Cei n. P.1PPRPN, em seu artigo 2?, seguiu a
teoria da atividade, ou se"a, o foro competente é o da aç%o ou omiss%o.
Para os c0amados 5delitos plurilocais6 )aç%o se d( em um lugar e o resultado em outro, dentro de um mesmo
pa!s-, foi adotada a D eoria do resultado )artigo L1 do <=digo de Processo Penal-. x: 8u"eito desfere tiro na v!tima em
Hi$eir%o Preto que vem a falecer em 8%o Paulo )essa deveria ser a regra a ser adotada, entretanto, a "urisprudência
n%o a tem seguido ao arrepio da lei-.
Para os crimes de espaço m(ximo ou a dist*ncia )crimes executados em um pa!s e consumados em outro- foi
adotada a 7eoria da u&i6Iidade, ou se"a, a competência para o "ulgamento do fato ser( de am$os os pa!ses.
O$servaç%o: &o 0omic!dio, quando a morte é produ,ida em local diverso daquele em que foi reali,ada a
conduta, a "urisprudência entende que o foro competente é o da aç%o ou omiss%o, e n%o o do resultado. ssa posiç%o é
ma"orit(ria na "urisprudência e tem por fundamento a maior facilidade que as partes têm para produ,ir provas no local
em que ocorreu a conduta. la é, contudo, contr(ria à letra expressa da lei, que dispõe ser competente o foro do local
do resultado )artigo L1 do <=digo de Processo Penal-.
A. A regra MNON 1IS IN IDE<N
MNo% &i# i% idemN, de maneira ampla, significa n%o ser poss!vel punir o indiv!duo duas ve,es pelo mesmo fato.
Dispõe o art. >O do <P que 5a pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no ;rasil pelo mesmo
crime, quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas6.
Demos duas regras:
4X- a pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no ;rasil pelo mesmo crime, quando diversasI
3X- a pena cumprida no estrangeiro pelo mesmo crime é computada na imposta no ;rasil, quando idênticas.
7ssim, o fato de ter o su"eito cumprido a pena imposta pelo "ulgado estrangeiro, influi, no ;rasil, de duas
formas:
a- 8e a pena "( cumprida for diversa em qualidade da que a lei $rasileira comina para o mesmo crime )multa
no estrangeiro e privativa de li$erdade no ;rasil- + a pena concreta deve ser atenuada )atenuaç%o
o$rigat=ria a critério do "ui,-.
$- 8e a pena "( cumprida for idêntica em qualidade da que a lei $rasileira comina para o mesmo crime
)privativa de li$erdade em am$os os locais- ' a pena concreta deve ser a$atida )o a$atimento deve ser feito
pelo "ui,-.
B. Efi(J(ia da Se%te%/a Pe%a E#tra%geira
18
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
&en0uma sentença de car(ter criminal emanada de "urisdiç%o estrangeira pode ter efic(cia num stado sem o
seu consentimento, uma ve, que o Direito Penal é essencialmente territorial.
O artigo PO, ocupa'se com a efic(cia da sentença penal estrangeira, estatuindo:
5A sentença estraneira, 6uando a a9li8ação da lei &rasileira 9roduz na es938ie as mesmas 8onse6IDn8ias, 9ode
ser 2omoloada no Jrasil 9ara:
;* o&riar o 8ondenado K re9aração do dano, a restituiçFes e a outros e:eitos 8ivisL
GG' suAeitá*lo a medida de seurança6
7s sentenças a$solut=rias estrangeiras relativas a crimes ocorridos fora do ;rasil, nos casos de
extraterritorialidade condicionada, têm o efeito de impedir que o crime se"a o$"eto de novo "ulgamento no ;rasil.
&os casos de extraterritorialidade incondicionada, as sentenças penais estrangeiras, se"am a$solut=rias, se"am
condenat=rias, n%o têm efic(cia de coisa "ulgada, isto é, n%o têm o efeito de impedir que o crime se"a o$"eto de um
novo "ulgamento no ;rasil.
&o tocante às sentenças estrangeiras que têm por o$"eto crimes cometidos em territ=rio nacional, n%o podem
ser executadas no ;rasil, onde, ali(s, n%o podem produ,ir nen0um efeito. A que aos crimes cometidos no ;rasil, aplica'
se a lei $rasileira )art. NO do <P-.
7 competência para a 0omologaç%o de sentenças estrangeiras é do 8uperior Dri$unal de @ustiça )art. 41N, G, 5i6
da <F-.
8em a 0omologaç%o, a sentença estrangeira é inefica, no stado em que se pretende execut('la, motivo pelo
qual sua nature,a "ur!dica é de sentença de deli&ação de 8aráter interante.
7 0omologaç%o é o$rigat=ria n%o apenas para a execuç%o da pena imposta na sentença criminal condenat=ria
estrangeira, mas tam$ém para 5o$rigar o condenado à reparaç%o do dano, a restituições e outros efeitos civis6.
Eomologada a sentença estrangeira, ser( remetida ao Presidente do Dri$unal de @ustiça do stado em que
resida o condenado. m seguida, ser( remetida carta ao "ui, do lugar da residência do condenado, para aplicaç%o da
pena ou da medida de segurança.
EHI*C*IA DA LEI PENAL E< RELAÇÃO A PESSOAS QUE ERER*E< DETER<INADAS HUNÇSES
PT1LI*AS
O princ!pio da territorialidade fa, ressalvas aos tratados e convenções e regras de Direito internacional, dando
origem às imunidades diplom(ticas.
E( igualmente exceções, decorrentes de norma de Direito p.$lico interno, que originam as imunidades
parlamentares.
7s imunidades + diplom(ticas e parlamentares + n%o est%o vinculadas à pessoa autora de infrações penais, mas
às funções eventualmente por ela exercidas, n%o violando assim, o preceito constitucional da igualdade de todos
perante a lei.
). Imu%idade Di"omJti(a
O diplomata é dotado de inviola$ilidade pessoal, pois n%o pode ser preso, nem su$metido a qualquer
procedimento ou processo, sem autori,aç%o de seu pa!s. 7s sedes diplom(ticas n%o s%o consideras extens%o do
territ=rio do pa!s, mas s%o dotadas de inviola$ilidade, n%o podendo as autoridades e seus agentes nela penetrar sem o
consentimento do diplomata, mesmo nas 0ip=teses legais.
7 imunidade diplom(tica impõe limitaç%o ao princ!pio temperado da territorialidade. Drata'se de privilégios
outorgados aos representantes diplom(ticos estrangeiros.
7 imunidade se estende a todos os agentes diplom(ticos e funcion(rios das organi,ações internacionais )O&S,
O7, etc-, quando em serviço, incluindo seus familiares. st%o exclu!dos desse privilégio os empregados particulares
dos agentes diplom(ticos.
7 nature,a "ur!dica desse privilégio é quest%o controvertida. 7lguns entendem constituir 8ausa 9essoal de
e<8lusão de 9ena. Outros entendem tratar'se de 8ausa de e<8lusão de Aurisdição. Fl(vio Qonteiro de ;arros prefere este
.ltimo posicionamento pois, segundo ele, os diplomatas n%o est%o su"eitos a "urisdiç%o penal dos "u!,os e tri$unais
$rasileiros. 7ssim, n%o 0( exclus%o do crime nem da pena, mas da competência "urisdicional dos "u!,os e tri$unais
$rasileiros.
st%o a$rangidos pela imunidade diplom(tica:
- agentes diplom(ticos )em$aixador, secret(rios, pessoal técnico-I
- componentes da fam!lia dos agentes diplom(ticosI
- funcion(rios das organi,ações internacionais )O&S, O7, etc.-I
- c0efe de stado estrangeiro que visita o pa!s.
19
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
7 lei n%o estende a imunidade aos agentes consulares, salvo em relaç%o aos atos de of!cio. Os c9nsules e
funcion(rios consulares s= go,am de imunidade no tocante aos atos de of!cio, ra,%o pela qual a imunidade n%o se
estende aos seus familiares. Portanto, os crimes comuns praticados pelos c9nsules s%o punidos aqui no ;rasil.
@ustifica'se essa diversidade de tratamento entre c9nsules e diplomatas, porque o primeiro cuida de interesses
privados, enquanto o segundo trata de assuntos de interesse do stado. O diplomata representa o stado de origem
"unto à so$erania local, e para o trato $ilateral dos assuntos de stado, ao passo que o c9nsul representa o stado de
origem para o fim de cuidar, no territ=rio onde atue, de interesses privados + os de seus compatriotas que ali se
encontrem a qualquer t!tulo, e os de elementos locais que tencionem, por exemplo, visitar aquele pa!s, de l( importar
$ens, ou para l( exportar.
Hessalte'se ainda que o $enefici(rio da imunidade n%o poder( renunci('la. Dodavia, admite'se a ren.ncia por
parte do stado acreditante )o stado de origem-.
5. Imu%idade# Parame%tare#
Para que o Poder Cegislativo possa exercer seu munus p.$lico com li$erdade e independência, a <onstituiç%o
assegura'l0e algumas prerrogativas, dentre as quais se destacam as imunidades.
7 imunidade, por n%o ser um direito do parlamentar, mas do pr=prio Parlamento, é irre%u%(iJ$e.
7 imunidade parlamentar é um privilégio, decorrente da funç%o exercida. 7s imunidades parlamentares podem
ser de duas espécies:
a- Imu%idade materia 7a&#outa8 +artigo N? 5caput6 da <F+ Os deputados e senadores s%o inviol(veis, civil
e penalmente, em quaisquer de suas manifestações proferidas no exerc!cio ou desempen0o de suas funções. ssa
imunidade a$range qualquer forma de manifestaç%o, escrita ou falada, exigindo apenas que ocorra no exerc!cio da
funç%o, dentro ou fora da casa respectiva.
Qais do que a li$erdade de express%o do parlamentar, o$"etiva'se tutelar o livre exerc!cio da atividade
legislativa, $em como a independência e 0armonia entre os poderes.
&%o 0avendo nexo funcional ou mesmo qualquer interesse p.$lico em "ogo, n%o se pode conce$er a
inviola$ilidade. 8e um deputado est( assistindo a um "ogo de fute$ol e comete opiniões negativas contra o advers(rio
ou (r$itro, n%o est( aco$ertado pela imunidade material e responder( pelos atos que praticar.
O suplente n%o tem direito à imunidade, pois n%o est( no exerc!cio de suas funções.
7 imunidade material eE(ui a "rK"ria ti"i(idade.
7 imunidade é irrenunci(vel, mas n%o alcança o parlamentar que se licencia para ocupar outro cargo na
7dministraç%o P.$lica.
$- Imu%idade Pro(e##ua 7forma8 U denominada imunidade relativa ou processual, refere'se à pris%o, ao
processo, a prerrogativa de foro, isto é, refere'se ao processo e "ulgamento.
O artigo N?, T?O da <F, dispõe que rece$ida a den.ncia contra senador ou deputado, por crime ocorrido ap=s a
diplomaç%o, o 8DF dar( ciência à <asa respectiva, que, por iniciativa de partido pol!tico nela representado e pelo voto
da maioria de seus mem$ros, poder(, até a decis%o final, sustar o andamento da aç%o.
7ssim, o controle legislativo deixou de ser prévio, passando a ser posterior: n%o existe mais a possi$ilidade de
licença prévia. &o que toca ao Presidente da Hep.$lica e ao Jovernador, continua vigente o dispositivo da licença
prévia. /uanto aos Prefeitos, n%o 0( que se falar nem em imunidade processual, nem penal. Dem somente foro por
prerrogativa de funç%o perante os Dri$unais de @ustiça.
c- Imu%idade "ri#io%a: de acordo com o que dispõe o art. N?, T3O da <F, desde a expediç%o do diploma, os
mem$ros do <ongresso &acional n%o poder%o ser presos, salvo em flagrante de crime inafianç(vel. &este caso, os
autos ser%o enviados dentro de 3M 0oras à <asa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus mem$ros, resolva
so$re a pris%o.
m crimes afianç(veis ,amai# o parlamentar pode ser preso. &o caso de crimes inafianç(veis, somente é
admiss!vel a pris%o em flagrante delito. &en0uma outra modalidade de pris%o cautelar )tempor(ria, preventiva,
decorrente de pron.ncia- ou mesmo pris%o civil )por alimentos, ex.- tem incidência.
d- Imu%idade "ara #er$ir (omo te#temu%Da: o agente diplom(tico n%o é o$rigado a prestar depoimento
como testemun0aI s= é o$rigado a depor so$re fatos relacionados como o exerc!cio de suas funções.
Os deputados e senadores n%o s%o o$rigados a testemun0ar so$re informações rece$idas ou prestadas em
ra,%o do exerc!cio do mandato, nem so$re as pessoas que l0es confiaram ou deles rece$eram informações )<F, art. N?,
T2O-.
G&servação: Os deputados estaduais tam$ém devem go,ar da imunidade parlamentar e das prerrogativas que
l0es têm sido recon0ecidas. Os vereadores possuem apenas a imunidade a$soluta.
20
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
6. EEtradi/'o
xtraditar significa entregar a outro pa!s um indiv!duo, que se encontra refugiado, para fins de ser "ulgado ou
cumprir a pena que l0e foi imposta. m outras palavras, extradiç%o é o ato pelo qual um stado entrega um indiv!duo
acusado de fato delituoso ou "( condenado como criminoso à "ustiça de outro stado.
m relaç%o ao stado que a solicita, a extradiç%o é ativaI em relaç%o ao que concede, 9assiva.
ntre n=s, regula a extradiç%o passiva a Cei nO 2.>4NR>1, que define a situaç%o "ur!dica do estrangeiro no ;rasil.
7 extradiç%o poder( ser concedida quando o governo requerente se fundamentar em tratado ou quando
prometer ao ;rasil a reciprocidade.
O princ!pio geral de que todas as pessoas podem ser extraditas sofre exceções de ordem constitucional.
Beda'se pela <F, a extradiç%o de $rasileiro nato em qualquer 0ip=tese, enquanto o naturali,ado s= poder( ser
extraditado em decorrência de crime comum praticado antes da naturali,aç%o ou na 0ip=tese de comprovado
envolvimento em tr(fico il!cito de entorpecentes e drogas afins )art. NO, CG da <F-.
7 legislaç%o n%o impede a extradiç%o de estrangeiro casado com $rasileiro ou que ten0a fil0o $rasileiro que
este"a so$ sua guarda.
&%o ser( concedida a extradiç%o de estrangeiro por crime pol!tico ou de opini%o )art. NO, CGG, da <F-.
O fato de estar o estrangeiro cumprindo pena no ;rasil, n%o impede sua extradiç%o quando "( decretada sua
expuls%o do territ=rio nacional.
&%o 0aver( extradiç%o se o fato pelo que se pede a extradiç%o n%o for considerado crime no ;rasil.
<a$e ao 8DF "ulgar o pedido de extradiç%o )art. 413, G, g da <F-.
A. De"orta/'o e EE"u#'o
7 deportaç%o e a expuls%o s%o medidas administrativas de pol!cia com a finalidade de o$rigar o estrangeiro a
deixar o territ=rio nacional.
7 deportaç%o consiste na sa!da compuls=ria do estrangeiro para o pa!s de sua nacionalidade ou procedência.
Berifica'se a deportaç%o nos casos de entrada ou estada irregular de estrangeiro. O deportado pode reingressar
no pa!s so$ certas condições.
Ocorre a expuls%o quando o estrangeiro atentar contra a segurança nacional, a ordem p.$lica e social, a
tranq#ilidade ou moralidade p.$lica e a economia popular, ou cu"o procedimento o torne nocivo aos interesses
nacionais. 7 expuls%o n%o é pena, mas medida preventiva de pol!cia. <a$e ao Presidente da Hep.$lica decidir so$re a
conveniência e a oportunidade da expuls%o.
*o%tagem de "ra0o "e%a
5Art. 10. G dia do 8omeço in8lui*se no 8Mm9uto do 9razo. $ontam*se os dias, os meses e os anos 9elo
8alendário 8omum.6
Os pra,os podem ser de Direito Qaterial ou de Direito Processual.
• Prazos de .ireito !aterial (artio 10 do $Bdio Penal): &a sua contagem, computa'se o dia do começo como o
primeiro dia, qualquer que se"a a fraç%o. xemplo: se o réu é condenado a dois meses e inicia o cumprimento da
pena às 3?0N1min de L de outu$ro, o pra,o terminar( às 3M 0oras do dia 2 de de,em$ro. O pra,o n%o se prorroga
quando termina em domingo ou feriado )o s($ado é considerado feriado-, portanto, n%o se estende até o dia .til
su$seq#ente. 8%o pra,os considerados fatais.
• Prazos de .ireito Pro8essual (artio -,#, N 1.=, do $Bdio de Pro8esso Penal): n%o se computa o dia do começoI o
primeiro dia ser( o dia .til su$seq#ente à data do in!cio )8.mula n. ?41 do 8upremo Dri$unal Federal: 5/uando a
intimaç%o tiver lugar na sexta'feira, ou a pu$licaç%o com efeito de intimaç%o for feita nesse dia, o pra,o "udicial ter(
in!cio na segunda'feira imediata, salvo se n%o 0ouver expediente, caso em que começar( no primeiro dia .til que se
seguir6-I o pra,o prorroga'se até o dia .til seguinte quando terminar em domingo ou feriado. 8%o pra,os su"eitos à
suspens%o e interrupç%o.
Ti"o# de Pra0o
Dodo e qualquer pra,o que acarretar a extinç%o da puni$ilidade ser( pra,o de direito penal. 8%o eles:
• 9razo de8aden8ial: é o per!odo no qual o ofendido ou seu representante legal pode ingressar com a queixa
ou oferecer a representaç%o. A pra,o de Direito Penal, uma ve, que acarreta a extinç%o da puni$ilidade.
• 9razo 9res8ri8ional: tam$ém é um pra,o de Direito Penal, visto que acarreta a extinç%o da puni$ilidade.
• 9erem9ção: é uma sanç%o processual, ou se"a, é a perda do direito de demandar do querelante decorrente
da sua inércia para dar andamento ao processo )artigo 21 do <=digo de Processo Penal-. xemplo: o pra,o
de ?1 dias para dar andamento ao processo é considerado um pra,o de Direito Penal, pois o seu decurso
acarreta a extinç%o do processo e, conseq#entemente, a extinç%o da puni$ilidade.
21
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
'E!&A 4EA1 #! C&.E
). INTRODUÇÃO
O gênero infraç%o penal, segundo a gravidade da sanç%o, pode ser dividido em dois sistemas:
a- tricot9mico: a infraç%o penal se divide em crime, delito e contravenç%o )n%o adotado no ;rasil-
$- dicot9mico: a infraç%o penal se divide em crime ou delito e contravenç%o )adotado no ;rasil-
8egundo a doutrina, o termo 5infraç%o6 é utili,ado genericamente, englo$ando os 5crimes6 e as
5contravenções6. <rime é sin9nimo de delito. O <=digo Penal usa as expressões 5infraç%o6, 5crime6 e 5contravenç%o6,
sendo que aquela a$range estes. O <=digo de Processo Penal algumas ve,es utili,a o termo 5infraç%o6, em sentido
genérico, a$rangendo os crimes )ou delitos- e as contravenções )exemplos: artigos M.O, L1, L3 etc.- e outras ve,es usa
o termo 5delitos6 como sin9nimo de 5infraç%o6 )exemplos: artigos ?14 e ?13-.
).). *rime e *o%tra$e%/'o
<omo visto, crime e contravenç%o s%o espécies do gênero infraç%o )critério dicot9mico-. &%o 0(, contudo,
diferença entre crime )ou delito- e contravenç%o. O mesmo fato pode ser definido como crime ou contravenç%o, a
critério do legislador. O fato que 0o"e é definido como contravenç%o pode no futuro vir a ser definido como crime. O
critério mais eficiente para distinguir crime e contravenç%o é o de analisar a pena: se a pena for de pris%o simples ou
multa )ou am$as, alternativa ou cumulativamente- trata'se de contravenç%oI se a pena for de detenç%o ou reclus%o
trata'se de crime.
5. *ON*EITO DE *RI<E
7 palavra 5crime6 comporta v(rios sentidos. &a linguagem dos te=logos, serve para designar o pecado. 7 idéia
de delito como sin9nimo de pecado é puramente moral, refoge à =r$ita "ur!dica, devendo ser desconsiderada para
nossos estudos.
O crime pode ser conceituado so$ os seguintes aspectos:
' materialI
' formalI
' anal!tico.
Desses três, predominam para nosso estudo dois conceitos: o formal e o material.
5.). *o%(eito <ateria de *rime
5A aquele que $usca esta$elecer a essência do conceito, isto é, o porquê de determinado fato ser considerado
criminoso e outro n%o. 8o$ esse enfoque, crime pode ser definido como todo fato 0umano que propositada ou
descuidadamente, lesa ou expõe a perigo $ens "ur!dicos considerados fundamentais para a existência da coletividade e
da pa, social6
4
.
5.5. *o%(eito Horma e A%a+ti(o de *rime
5A aquele que $usca, so$ um prisma "ur!dico, esta$elecer os elementos estruturais do crime. 7 finalidade deste
enfoque é propiciar a correta e mais "usta decis%o so$re a infraç%o penal e seu autor, fa,endo com que o "ulgador ou
intérprete desenvolva o seu racioc!nio em etapas. 8o$ esse *ngulo, crime é todo fato t!pico e il!cito6
3
. A a mera
su$sunç%o da conduta ao tipo legal, pouco importando o seu conte.do.
O conceito põe em relevo os seus valores essenciais, variando as opiniões a respeito da composiç%o dos
elementos estruturais.
Para ;asileu Jarcia temos seguintes elementos: fato t!pico, ilicitude, culpa$ilidade e puni$ilidade. Para Francisco
de 7ssis Doledo: fato t!pico, ilicitude e culpa$ilidade. Para @.lio Fa$rini Qira$ette: fato t!pico e ilicitude )Deoria ;ipartida-.
7 posiç%o mais adotada atualmente no ;rasil é de que crime é um fato t!pico e anti"ur!dico )il!cito-. 7
culpa$ilidade constitui pressuposto da pena. ntretanto, 0( doutrinadores que ainda incluem a culpa$ilidade como seu
elemento.
7penas para con0ecimento nesse momento, a ti9i8idadade é a adequaç%o de uma conduta ao tipo penal.
;li8itude ou antiAuridi8idade é a contrariedade da conduta t!pica praticada e o ordenamento "ur!dico. $ul9a&ilidade é o
"u!,o de reprovaç%o que recai so$re a conduta, é o "u!,o de censura so$re a conduta.
1
CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal: Parte Geral. 2.ª ed. São Paulo: Saraiva, 2001. vol. 1.
2
CAPEZ, Fernando.Op. cit.
22
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
7penas a t!tulo de con0ecimento, temos ainda a c0amada Teoria Si%tomJti(a do *rime. ssa teoria
condiciona a existência do crime à periculosidade do agente. A patente o defeito dessa teoria pois ressalva em demasia
a periculosidade, quando é sa$ido que a existência do crime independe da periculosidade do agente. A teoria n%o
adotada.
6. ANCLISE E *ARA*TERES DO *RI<E SO1 O ASPE*TO HOR<AL E ANAL9TI*O
O crime é um fatoI um fato a que se agregam caracter!sticas. Para fins did(ticos o crime é dividido em
requisitos ou caracter!sticas. O crime costuma ser estudado em etapas: fato t!pico, anti"uridicidade )ilicitude- e
culpa$ilidade.
<omo "( foi dito, para a maioria da doutrina crime é fato t!pico e anti"ur!dico )il!cito-.
7lguns doutrinadores, entretanto, entendem que crime é fato t!pico, anti"ur!dico )il!cito- e culp(vel.
<omo podemos perce$er, existem, entre as consagradas, duas teorias que estudam a estrutura do crime so$ o
aspecto formal, de acordo com a concepç%o por elas adotada a respeito do conceito de conduta. 7 conduta é um dos
elementos do fato t!pico. Cogo, cumpre o$servar que, a depender da teoria adotada, diferentes ser%o os requisitos de
existência do crime.
6.). *ara(tere# do *rime
<onceituamos o crime como sendo o fato t!pico e anti"ur!dico )il!cito-. Para que 0a"a crime, é preciso uma
conduta 0umana positiva ou negativa )aç%o ou omiss%o-. &em todo comportamento do 0omem, porém, constitui delito.
m face do princ!pio da reserva legal, somente aqueles comportamentos previstos na lei penal é que podem configurar
o delito. Gmaginemos a seguinte situaç%o: A esfaqueia J, causando'l0e a morte. O artigo 434, 8a9ut, do <=digo Penal
assim define o crime de 0omic!dio simples: matar alu3m. 7ssim, a conduta de A corresponde ao fato que a lei penal
descreve como crime. Ocorreu nesse exemplo a su$sunç%o do fato a uma norma penal incriminadora, ou se"a, ocorreu
o fato t!pico, primeiro requisito do crime.
<omo vimos, crime é fato t!pico e anti"ur!dico )il!cito- + Deoria ;ipartida.
Para que exista crime, além de ser t!pico o fato deve ser contr(rio ao direito: deve ser anti"ur!dico )ou il!cito-.
Sm fato pode ser t!pico e l!cito, quando, por exemplo, o agente age em leg!tima defesa. 8e A mata J em leg!tima
defesa comete um fato t!pico )matar alguém-, mas l!cito, pois a leg!tima defesa é uma das causas de exclus%o da
anti"uridicidade. Cogo, exclu!da a ilicitude, n%o 0( crime.
/uando alguém pratica um fato t!pico e il!cito deve ser punido. Qas, para que o infrator se"a punido, este deve
ser culp(vel. 7ssim, para que o agente se"a punido é necess(rio que so$re ele incida um "u!,o de reprovaç%o social.
sse "u!,o de reprovaç%o social é pressuposto para aplicaç%o da pena. Destarte, um su"eito pode praticar um crime,
mas n%o ser culp(vel, como ocorre com o menor de 4> anos.
6.5. Da# Teoria# *J##i(a e Hi%ai#ta
 'eoria cl<ssica G(aturalista ou Causal=I Franz @on Oiszt e (rnest @on Jelin: O fato t!pico resulta da mera
comparaç%o entre a conduta reali,ada e a descriç%o legal do crime, sem analisar qualquer aspecto de ordem
su$"etiva.
Para esta teoria, (rime - fato t+"i(o. a%ti,ur+di(o 7i+(ito8 e (u"J$e. 8egundo seus adeptos, o doo e a
(u"a e#t'o %a (u"a&iidade, ra,%o pela qual, ausente o dolo ou a culpa, ausente est( o crime. 7ssume, portanto,
concepç%o o$rigatoriamente tripartida a respeito do conceito formal de crime.
8= interessava duas coisas: sa$er quem foi o causador do resultado e se tal resultado estava definido em lei
como crime. Pouco importa que se tivesse a intenç%o de matar , nem culpa na morte.
۩ $ara8ter)sti8a: dolo e 8ul9a na 8ul9a&ilidade.
 'eoria finalista 7ou &i"artida8 + Ean, [el,el: os adeptos desta teoria conceituam crime como fato t!pico
e anti"ur!dico )il!cito-, isto em sua acepç%o $ipartida, coerente com a reforma penal operada no ano de 4P>M, uma ve,
que, para o <=digo Penal, a ausência de culpa$ilidade acarreta a isenç%o de pena )su$sistindo o crime, em todos os
seus elementos, como t!pico e il!cito-. Para os finalistas, o dolo e a culpa est%o na conduta do agente, sendo que a
conduta integra o fato t!pico. 7 doutrina ma"orit(ria entende que o <=digo Penal adotou a teoria finalista da aç%o
)conduta-. <om efeito, crime é fato, e a culpa$ilidade recai so$re o su"eito e n%o so$re o fato, ou se"a, n%o 0( fato
culp(vel, mas sim su"eito culp(vel. A a teoria que adotamos.
&ote'se que a grande diferença entre as duas teorias reside no fato de que para a teoria cl(ssica o dolo e a
culpa est%o na culpa$ilidade, enquanto os finalistas consideram a 8onduta como sendo dolosa ou culposa.
Para o finalismo, aç%o é atividade psiquicamente dirigida. Para que a aç%o se"a algo compreens!vel é
necess(rio ver o prop=sito com que foi praticada, ou se"a, é preciso verificar desde logo se a aç%o tin0a ou n%o , como
fim, a reali,aç%o do fato t!pico. Portanto, seria necess(rio verificar a intenç%o e a finalidade do autor )aspectos
su$"etivos-.
23
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
&o ;rasil essa teoria tam$ém é c0amada de TEORIA 1IPARTIDA. Foi adotada em nosso pa!s pela primeira
ve, por Hené 7riel Dotti, mas sua idéia foi logo a$raçada por penalistas famosos como Dam(sio . de @esus, @.lio F.
Qira$ette e <elso Delmanto.
No##o *Kdigo adotou e##a (orre%te, fundindo a vontade e a finalidade na conduta, como seus componentes
essenciais. m seu artigo 4>, G e GG, expressamente recon0eceu que o crime ou é doloso ou culposo, descon0ecendo
crime n%o é doloso ou culposo. Prova da adoç%o dessa teoria no nosso <=digo Penal é que o legislador utili,ou a
express%o 5é isento de pena6 )p. ex., art. 32, caput- ou 5s= é pun!vel6 )p. ex., art. 33-, ao passo que para as causas de
exclus%o da anti"uridicidade adota a locuç%o 5n%o 0( crime6 )p. ex., art. 3?-.
۩ $ara8ter)sti8a: dolo e 8ul9a na ação e, em 8onse6IDn8ia, no ti9o.
6.6. Hato T+"i(o. A%ti,uridi(idade e *u"a&iidade
*$*$1$ 3ato t;pico
Fato t!pico é a conduta )positiva ou negativa- que provoca um resultado )em regra- que se amolda
perfeitamente aos elementos constantes do modelo previsto na lei penal.
O fato t!pico é composto dos seguintes elementos:
4- conduta dolosa ou culposaI
3- resultado )salvo nos crimes de mera conduta-I
?- nexo de causalidade entre a conduta e o resultado )salvo nos crimes de mera conduta e formais-I
M- tipicidade )enquadramento do fato material a uma norma penal-.
&o exemplo citado no item anterior, 5A esfaqueou JE, logo: A praticou a conduta esfaquear )conduta-I J morreu
)resultado-I J morreu em conseq#ência das lesões produ,idas pelas facadas )nexo causal-I todo esse acontecimento se
enquadra no artigo 434 do <=digo Penal )tipicidade-.
De o$servar que existe crime sem resultado )7rt. 3>> do <P' /uadril0a ou ;ando- e, ent%o, n%o 0( falar'se em
resultado e nexo de causalidade material. &o formal )possui resultado, mas este n%o é exigido para a consumaç%o do
crime + ex. 7rt. ?N? do <P + 7rre$atamento de Preso-, n%o se exige a produç%o do resultado.
*$*$-$ Anti@uridicidade G&licitude=
A a relaç%o de contrariedade entre o fato e o ordenamento "ur!dico.
57 conduta descrita em norma penal incriminadora ser( il!cita ou anti"ur!dica quando n%o for expressamente
declarada l!cita.
7ssim, o conceito de ilicitude de um fato t!pico é encontrado por exclus%o: é anti"ur!dico quando n%o declarado
l!cito por causas de exclus%o da anti"uridicidade )<P, art. 3?, ou normas permissivas encontradas em sua parte especial
ou em leis especiais-6
?
.
Presente a causa de exclus%o o fato é t!pico, mas n%o anti"ur!dico e, em conseq#ência, n%o 0( que se falar em
crime, pois l0e falta um requisito genérico. x: 8u"eito que mata outro em leg!tima defesa. E( uma causa de exclus%o
da ilicitude )leg!tima defesa prevista no art. 3N do <P-, logo, o fato é t!pico, mas n%o anti"ur!dico )il!cito-.
*$*$*$ Culpabilidade
A a reprovaç%o da ordem "ur!dica, em face de estar ligado o 0omem a um fato t!pico e anti"ur!dico. A reprovaç%o
que recai so$re o su"eito. Por isso, n%o é requisito do crime, mas condiç%o de imposiç%o da pena.
A. PUNI1ILIDADE
7 puni$ilidade tam$ém n%o é requisito do crime, mas sua conseq#ência "ur!dica.
&ada mais é que a possi$ilidade "ur!dica de se aplicar a sanç%o.
8e alguém praticar um fato t!pico e il!cito, praticou um crime. 8e o agente for culp(vel, dever( ser punido,
exceto se existir uma causa de extinç%o da puni$ilidade.
7s causas de extinç%o da puni$ilidade )art. 41L do <P-, exceto a anistia e a a&olitio 8riminis, n%o afetam os
requisitos do crime, mas somente excluem a possi$ilidade de aplicaç%o da sanç%o.
B. REQUISITOS. ELE<ENTARES E *IR*UNSTVN*IAS DO *RI<E
B.). Re!ui#ito#
8%o requisitos do crime:
3
JESUS, a!"#io de. Direito Penal: Parte Geral. 2$.ª ed. São Paulo: Saraiva, 2001. vol. 1.
24
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
4O- o fato t!picoI e
3O- a anti"uridicidade )ilicitude-.
Faltando um deles, n%o 0( figura delituosa.
<ada um desses requisitos se apresenta, de certa forma, em cada crime. Da! podemos falar em:
a- Hequisitos genéricos: s%o o fato t!pico e a anti"uridicidade )ilicitude-, uma ve, que est%o presentes em todos
os delitos.
$- Hequisitos espec!ficos: s%o as elementares, isto é, as v(rias formas em que aqueles requisitos genéricos se
manifestam.
7nalisando'se o 0omic!dio, por exemplo, s%o seus requisitos espec!ficos os mesmos genéricos. 57rtigo 434:
Qatar alguém6.
B.5. *ir(u%#t?%(ia#
8%o determinados dados agregados à figura t!pica fundamental. Dêm a funç%o de aumentar ou diminuir as
conseq#ências "ur!dicas do crime. m regra, aumenta ou diminui a pena.
Perunta: /ual a diferença entre elementar e circunst*nciaU
%es9osta: A preciso esta$elecer qual a conseq#ência da sua 5retirada6 do contexto do fato. 8e exclu!do do
contexto, su$sistir um comportamento l!cito, trata'se de elementar. 8e exclu!do do contexto, aumentar ou diminuir a
pena, su$sistindo o crime, trata'se de circunst*ncia.
<ircunst*ncia vem de 58ir8um stareE, que significa estar ao redor. 7 falta de uma circunst*ncia n%o fa, com que
desapareça o crime.
x: O crime de furto é descrito como o fato de alguém 5su$trair, para si ou para outrem, coisa al0eia m=vel6.
Demos os seus elementos. Faltando, por ex., o elemento 5al0eia6, sendo pr=pria a coisa m=vel, o fato é at!pico, n%o
constituindo crime. Cogo, o elemento 5al0eia6 é elementar do crime de furto.
@( no T 4O do artigo 4NN, di, o legislador que a pena é aumentada de um terço se o fato é praticado durante o
5repouso noturno6. ste é uma circunst*ncia do furto, e n%o seu elemento, pois pode ou n%o ocorrer. Qesmo n%o
ocorrendo, su$siste o crime.
A de se o$servar ainda que o mesmo elemento pode ser considerado pela lei como elementar de determinado
delito ou como circunst*ncia de outro delito.
x: O dano à coisa al0eia é elementar do crime de dano )art. 42?- e circunst*ncia no crime de furto )art. 4NN, T
MO, G-.
 7 ausência de uma elementar pode produ,ir dois efeitos:
1) atipicidade absoluta: ocorre quando, exclu!da a elementar, o su"eito n%o responde por infraç%o alguma.
x: Processado o su"eito por prevaricaç%o )7rt. ?4P <P-, prova'se que ele n%o era funcion(rio p.$lico. &%o responde
pelo crime nem qualquer outra infraç%o.
2) atipicidade relativa: ocorre quando, exclu!da a elementar, n%o su$siste o crime do qual se cuida, 0avendo
a desclassificaç%o para outro delito. x: 8u"eito processado por crime de peculato )7rt. ?43 do <P-, prova'se na
instruç%o criminal que ele n%o era funcion(rio p.$lico ao tempo da pr(tica da conduta. Desaparece o crime de peculato,
su$sistindo o de apropriaç%o indé$ita )art. 42>-.
 Perunta: &o crime de infantic!dio, o elemento temporal durante ou loo a9Bs o 9arto é elementar ou
circunst*nciaU
%es9osta: A elementar, pois a sua exclus%o gera a desclassificaç%o para o crime de 0omic!dio )gera, neste caso,
atipicidade relativa-.
G. *RI<E E IL9*ITO *IVIL
&%o 0( diferença ontol=gica entre il!cito penal e il!cito civil. 7 diferença é legal e extr!nseca, ou se"a, somente se
atendendo à nature,a da sanç%o é que podemos determinar se nos encontramos diante de um ou outro, pois o crime é
sancionado com a pena e o il!cito civil gera sanções civis. O legislador, no momento da produç%o da norma, a depender
da gravidade de um fato, esta$elece se ele ser( il!cito penal ou civil.
O. *RI<E E IL9*ITO AD<INISTRATIVO
7qui ca$e as mesmas considerações feitas no item anterior. &%o 0( diferença ontol=gica entre il!cito penal e
administrativo. 7 diferença reside na gravidade da violaç%o ao ordenamento "ur!dico. ssa diferença fica evidente
quando analisamos a espécie de sanç%o: se for pena, trata'se de crime.
25
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
Q. O *RI<E NA TEORIA GERAL DO DIREITO
O crime é um fato. Dentre os fatos, crime constitui um fato "ur!dico, pois produ, efeitos "ur!dicos, n%o sendo,
assim, indiferente ao Direito. <omo elemento "ur!dico, crime é uma ação (ou omissão) 2umana de e:eitos Aur)di8os
involuntários. &esta categoria, corresponde ao il!cito penal.
W. SU=EITO ATIVO DO *RI<E
8u"eito ativo é quem pratica a conduta descrita na norma penal incriminadora. A o autor, coautor ou part!cipe
do crime.
7 lei usa de algumas terminologias para se referir ao su"eito ativo. &o direito material, antes da pr(tica da
infraç%o penal usa'se a express%o 5age%te6.
&o inquérito policial é c0amado 5i%$e#tigado6 antes da conclus%o so$re se é ou n%o o autor do crime, e de
5i%di(iado6 ap=s a autoridade concluir ser ele o autor do crime.
&o @ui,ado special <riminal o su"eito ativo é c0amado de 5autor6.
Durante o processo é 5r-u6, 5a(u#ado6 ou 5de%u%(iado6. 8e "( sofreu sentença condenat=ria é
5#e%te%(iado6, 5"re#o6, 5(o%de%ado6, 5re(u#o6 ou 5dete%to6. 8o$ o ponto de vista $iops!quico é 5(rimi%o#o6 ou
5dei%!Pe%te6.
)X. *APA*IDADE PENAL
)X.). *o%(eito
A o con"unto das condições exigidas para que um su"eito possa figurar numa relaç%o processual, a fim de se
su$meter à aplicaç%o da lei penal.
&%o se confunde com a imputa$ilidade por se referir a momento anterior ao crime, enquanto a imputa$ilidade
constitui momento contempor*neo ao delito. 7ssim, no caso de doença mental superveniente, por exemplo, o su"eito
no momento do crime era imput(vel, mas perde a capacidade no momento em que est( sendo processado )artigo 4N3
do <=digo de Processo Penal-.
)X.5. Da *a"a(idade Pe%a da# Pe##oa# =ur+di(a#
E( algumas teorias que tentam explicar esse assunto. Duas prevalecem:
1) 'eoria da ficção: a pessoa "ur!dica n%o tem consciência e vontade pr=pria. A uma ficç%o legal. 7ssim, n%o
tem capacidade penal e n%o pode cometer crime, sendo respons(veis os seus dirigentes.
2) 'eoria da realidade (teoria orani8ista): vê na pessoa "ur!dica um ser real, um verdadeiro organismo,
tendo vontade pr=pria. 7ssim, pode ela delinq#ir.
<om a <onstituiç%o Federal de 4P>>, inovou'se no sentido de recon0ecer a responsa$ilidade penal da pessoa
"ur!dica. )artigos 4L?, T N.O e 33N, T ?.O-. Dais dispositivos determinam que a legislaç%o ordin(ria esta$eleça a puniç%o
da pessoa "ur!dica nos atos cometidos contra a economia popular, a ordem econ9mica e financeira e o meio am$iente.
7 lei am$iental )Cei n. P.21NRP>- em seus arts. ?O, 34 a 3M, prevê responsa$ilidade da pessoa "ur!dica.
Cogo, devemos recon0ecer que a legislaç%o $rasileira admite a responsa$ilidade criminal da pessoa "ur!dica.
)X.6. Da *a"a(idade E#"e(ia do Su,eito Ati$o
E( crimes que podem ser cometidos por qualquer pessoa. Outros, porém, exigem determinada posiç%o "ur!dica
ou de fato do agente para sua configuraç%o )exemplo: funcion(rio p.$lico-. stes .ltimos rece$em denominaç%o de
crimes pr=prios.
O fen9meno da capacidade especial do su"eito ativo se reveste de relevante interesse na quest%o do concurso
de agentes. 7ssim, em$ora se"am pr=prios os crimes de infantic!dio e peculato, respondem por eles n%o somente a m%e
ou o funcion(rio p.$lico, mas tam$ém o estran0o que dele porventura participe )dispõe o artigo ?1 do <=digo Penal que
n%o se comunicam as circunst*ncias e as condições de car(ter pessoal, salvo 6uando elementares do 8rime-.
&%o se confundem os 8rimes 9rB9rios com os 8rimes de mão*9rB9ria, pois os primeiros podem ser cometidos
por pessoa intermedi(ria a mando do autor, enquanto os segundos n%o podem ser cometidos por intermédio de outrem.
xemplo de 8rime de mão*9rB9ria: crime de falso testemun0o. sse é o entendimento do Professor Dam(sio de @esus.
E(, todavia, entendimento minorit(rio divergente.
)X.A. Da *a"a(idade Pe%a em Ha(e da# Norma# Permi##i$a#
m determinados casos de exclus%o da pena ou do crime, a lei penal exige capacidade especial do agente.
xemplos: s= 0( a$orto legal se praticado por médico )artigo 43> do <=digo Penal-I o 7rtigo 4M3, GGG exclui a
26
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
anti"uridicidade da difamaç%o e da in".ria quando o ato consiste em conceito desfavor(vel emitido por funcion(rio
p.$lico em apreciaç%o ou informaç%o que preste no cumprimento do dever de of!cio.
&as disposições citadas )normas permissivas-, o legislador exige uma legitimaç%o pr=pria do agente: ser
médico, funcion(rio p.$lico, etc. 7ssim, se um cidad%o n%o médico pratica a$orto sentimental, n%o pode invocar a
0ip=tese prevista no artigo 43>, GG, pois l0e falta a qualidade pessoal requerida pela norma.
)). SU=EITO PASSIVO DO *RI<E
)).). *o%(eito
8u"eito passivo é o titular do interesse, cu"a ofensa constitui a essência do crime. Por isso, é preciso indagar
qual o interesse tutelado pela lei penal incriminadora.
xemplos:
' 7rtigo 434 + Eomic!dio + o$"eto tutelado )protegido pela lei- ' a vida + 8u"eito passivo + o 0omemI
' 7rtigo 3?N + ;igamia + o$"eto tutelado + casamento monog*mico + 8u"eito passivo + o stado, o c9n"uge do
primeiro casamento e o contraente do segundo casamento de $oa féI
' 7rtigo ?4P + Prevaricaç%o + o$"eto tutelado + 7dministraç%o P.$lica + 8u"eito passivo + stado.
)).5. E#"-(ie#
1) SuAeito 9assivo eral, 8onstante ou :ormal: é o titular do mandamento proi$itivo n%o o$servado pelo su"eito
ativo + é o stado.
2) SuAeito 9assivo eventual, 9arti8ular, a8idental ou material: é aquele que sofre a les%o do $em "ur!dico, do
qual é titular + pode ser o 0omem, o stado, a pessoa "ur!dica e a coletividade. &o crime de les%o corporal
)art. 43P- o su"eito passivo é o 0omemI na incitaç%o ao crime )art. 3>2- é a coletividade ou o stado.
$rimes vaos: s%o os crimes em que os su"eitos passivos s%o coletividades destitu!das de personalidade
"ur!dica, como a fam!lia, o p.$lico ou a sociedade.
)).6. Que#t'o do I%(a"a0. da Pe##oa =ur+di(a. do <orto. do Heto. do# A%imai# e *oi#a# I%a%imada#
Dodo 0omem vivo pode ser su"eito passivo material de crime.
Dessa forma, é ineg(vel que o incapa,, titular de direitos, pode ser su"eito passivo de delito, tais como no
infantic!dio + art. 43? )recém'nascido-, 0omic!dio + art. 434 )demente-, a$andono intelectual + art. 3M2 )menor em
idade escolar- etc.
/uanto à pessoa "ur!dica, esta pode ser su"eito passivo material do delito, desde que a descriç%o t!pica n%o
pressupon0a uma pessoa f!sica. 7ssim, pode ser v!tima de furto, dano etc.
D.vida surge quanto à possi$ilidade da pessoa "ur!dica ser su"eito passivo dos crimes contra a 0onra. Dam(sio
de @esus entende que a pessoa "ur!dica n%o pode ser v!tima de cal.nia quanto aos crimes comuns, podendo ser su"eito
passivo da cal.nia quando l0e imputarem a pr(tica de um crime am$iental. 7inda, como n%o possui 0onra su$"etiva,
n%o pode ser v!tima de in".ria, podendo ser su"eito passivo da difamaç%o por possuir 0onra o$"etiva )reputaç%o, $oa
fama etc.-. ssa quest%o ser( a$ordada quando do estudo dos crimes contra a 0onra.
O morto n%o pode ser su"eito passivo de delito, pois n%o é titular de direito, podendo ser o$"eto material do
delito.
O artigo 4?>, T 3.O, do <=digo Penal dispõe ser pun!vel a cal.nia contra os mortos, pois a ofensa à mem=ria dos
mortos reflete nas pessoas de seus parentes, que s%o os su"eitos passivos.
O 0omem pode ser su"eito passivo mesmo antes de nascer, pois o feto tem direito à vida )artigos 43M, 43N e
432, do <=digo Penal-.
Os animais e coisas inanimadas n%o podem ser su"eitos passivos de delito, podendo ser o$"etos materiais
)exemplo: crimes contra a fauna, Cei n. P.21NRP>-. &este caso, os su"eitos passivos ser%o seus propriet(rios, e em
certos casos a coletividade.
 Perunta: 7 pessoa pode ser ao mesmo tempo su"eito ativo e passivo do delito, em face de sua pr=pria
condutaU
%es9osta: &%o. O 0omem n%o pode cometer crime contra si mesmo.
7 contravenç%o do artigo 23 da Cei das <ontravenções Penais )em$riague,- dispõe: 57presentar'se
pu$licamente em estado de em$riague,, de modo que cause esc*ndalo ou 9on2a em 9erio a seurança 9rB9ria ou
al0eia6. Perunta: esse dispositivo é exceç%o à regraU %es9osta: &%o, essa regra n%o tem exceç%o. &o caso da
27
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
contravenç%o de em$riague,, o su"eito passivo é o stado, pois ela se encontra no cap!tulo das infrações 5relativas à
Pol!cia de <ostumes6.
)).A. Su,eito Pa##i$o e Pre,udi(ado "eo *rime
Jeralmente, confundem'se na mesma pessoa, mas n%o necessariamente, como no crime de moeda falsa em
que o su"eito passivo é o stado e o pre"udicado é a pessoa a quem se entregou a moeda.
5Pre"udicado é, pois, qualquer pessoa a quem o crime 0a"a causado um pre"u!,o, patrimonial ou n%o, tendo por
conseq#ência direito ao ressarcimento, enquanto su"eito passivo é o titular do interesse "ur!dico violado, que tam$ém
tem esse direito )salvo exceções-.6
M

)5. O1=ETO DO *RI<E
A aquilo contra que se dirige a conduta 0umana.
Pode ser:
a= !b@eto @ur;dico: é o $em ou interesse tutelado pela norma penal. A o $em "ur!dico, que se constitui em
tudo o que é capa, de satisfa,er as necessidades do 0omem, como a vida, a integridade f!sica, a 0onra, etc.
7 Parte special do <=digo Penal, que se estende entre os arts. 434 a ?NP, divide'se em on,e t!tulos, que, por
sua ve,, se su$dividem em cap!tulos. <ada t!tulo tutela um $em "ur!dico genérico, encontrando'se nos cap!tulos o $em
"ur!dico espec!fico.
O t!tulo G, que prevê os crimes contra a pessoa )arts. 434 a 4NM-, tutela genericamente a pessoa. , nos
respectivos cap!tulos, passa à tutela de outros $ens "ur!dicos espec!ficos: vida )arts. 434 a 43>-, sa.de )art. 43P-, vida
e sa.de )arts. 4?1 a 4?L-, 0onra )arts. 4?> a 4MN-, li$erdade individual )arts. 4M2 a 4NM-.
b= !b@eto material: é a pessoa ou coisa so$re a qual recai a conduta do su"eito ativo, como o 0omem vivo no
0omic!dio, a coisa no furto, o documento na falsificaç%o, etc.
\s ve,es, o su"eito passivo coincide com o o$"eto material, como ocorre no 0omic!dio.
7 ausência ou a impropriedade a$soluta do o$"eto material fa, surgir a figura do crime imposs!vel ou quase'
crime )artigo 4L do <=digo Penal-.
Pode 0aver crime sem o$"eto material, como no caso do falso testemun0o e no ato o$sceno.
)6. T9TULO DO DELITO 7nomen @uris8
A a denominaç%o "ur!dica do crime.
Pode ser:
a) Pen3ri8o: quando a incriminaç%o se refere a um gênero de fatos, o qual rece$e t!tulo particular. xemplo:
8rime 8ontra a vida é o t!tulo genérico do fato de 5matar alguém6.
&) (s9e8):i8o: é o nomen Auris advindo do t!tulo genérico, ou se"a, 50omic!dio6 é o t!tulo espec!fico do t!tulo
genérico 5crime contra vida6.
7 import*ncia do t!tulo do delito se "ustifica, uma ve, que o artigo 6X. in fine. do *Kdigo Pe%a. !ue trata
da (omu%i(a&iidade da# eeme%tare# de %ature0a #u&,eti$a. #K #e a"i(a ao t+tuo do (rime 7figura t+"i(a
fu%dame%ta8. %'o i%(idi%do #o&re o# ti"o# "ri$iegiado# e !uaifi(ado#. x: 7, funcion(rio p.$lico, em concurso
com ;, comerciante, praticam um peculato. m face do art.?1, os dois respondem por peculato )a elementar
:un8ionário 90&li8o, de car(ter pessoal, é comunic(vel-.
HATO T9PI*O
). INTRODUÇÃO
@( estudamos o conceito formal de crime: é o fato t!pico e anti"ur!dico )il!cito-.
G :ato t)9i8o 3 o 9rimeiro re6uisito do 8rime. $onsiste no :ato 6ue se amolda no 8onAunto de elementos
des8ritivos 8ontidos na lei 9enal.
5. ELE<ENTOS DO HATO T9PI*O
O fato t!pico é composto dos seguintes elementos:
4. conduta dolosa ou culposaI
3. resultado )nos crimes materiais-I
?. nexo de causalidade entre a conduta e o resultado )nos crimes materiais-I
M. tipicidade )enquadramento do fato material a uma norma penal-.
$
JESUS, a!"#io de. Op. cit.
28
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
5.). *o%duta
<onduta é toda aç%o ou omiss%o 0umana, consciente e volunt(ria, voltada a uma finalidade.
O direito pretende regular conduta 0umana, n%o podendo ser o delito outra coisa além de uma conduta
)4affaro%i-.
G 9ensamento não e<iste 9ara o .ireito Penal, ou seAa, uma 9essoa não 9ode ser 9unida somente 9or 9ensar
em 9rati8ar um 8rime (8oitationis 9oenam nemo 9atitur). Se alu3m, 9or e<em9lo, 9ensa em matar outrem, somente
será 9unido se e<teriorizar seu 9ensamento 9rati8ando a ação ou a omissão delitiva.
A ação 3 um 8om9ortamento 9ositivo, 3 um :azer. A omissão 3 uma a&stenção de movimento, 3 um não :azer.
A 8onduta 3, 9ortanto, a e<teriorização de um 9ensamento 9or meio de uma ação ou uma omissão.
7 conduta n%o se confunde com o ato, sendo este )ato- momento daquela )conduta-. Podem existir condutas ou
fatos que se compõem de um .nico ato, 0avendo uma coincidência entre ato e fato )unissu$sistentes-. m
contrapartida, existem fatos ou condutas compostas de diversos atos )plurissu$sistentes-. 8e um indiv!duo mata outro
com diversos golpes, 0( v(rios atos, mas uma s= conduta.
8omente a pessoa f!sica pode praticar fato t!pico, visto que este pressupõe vontade e somente os seres
0umanos possuem vontade. /uanto à pessoa "ur!dica, em$ora 0a"a divergência, grande parte da doutrina sustenta que
n%o poder( praticar o fato t!pico por n%o possuir vontade. Eo"e, no entanto, em relaç%o aos crimes am$ientais )Cei n.
P.21NRP>, artigos ?.O e 34 a 3M-, a pessoa "ur!dica pode praticar fato t!pico, sendo poss!vel ser responsa$ili,ada
criminalmente )"( vimos anteriormente-. 4affaro%i entende que a pessoa "ur!dica n%o pode cometer crimes por l0e
faltar vontade em sentido psicol=gico, s= encontr(vel no ser 0umano e "amais numa mera criaç%o do direito.
&%o 0aver( conduta sem vontade, ou se"a teremos a c0amada au#2%(ia de (o%duta. 8egundo Yaffaroni a
ausência de conduta pode ser:
a- Força :)si8a irresist)vel: aqueles em que uma força provoca os movimentos sem o controle da vontade e
aqueles em que uma força impede a reali,aç%o dos movimentos de conformidade com a vontade. x: n%o 0( lesões
leves por parte de um su"eito que est( sentado à $orda de uma piscina e rece$e um empurr%o que o fa, cair dentro
d](gua, causando les%o em um $an0istaI n%o 0( 0omic!dio culposo por parte do condutor de um ve!culo a quem o
acompan0ante agarra as m%os, fa,endo'o desviar o volante e provocando a morte de um pedestre.
&%o se deve confundir a força f!sica irresist!vel com os casos de coaç%o do artigo 33 do <.P.
$- ;nvoluntariedade: aqueles em que a pessoa se encontra em estado ps!quico natural e em situaç%o que
implica uma incapacidade ps!quica para a reali,aç%o das ações. 8%o os casos de inconsciência. Podemos citar que n%o
0( conduta nos casos de movimentos praticados durante o son0o ou sonam$ulismo, so$ sugest%o ou 0ipnose e em
estado de inconsciência.
7lguns doutrinadores ainda mencionam as seguintes 0ip=teses em que n%o 0aver( conduta:
' no caso fortuito ou força maior que eliminam a vontade, inexistindo a conduta e, por conseq#ência, o fato
t!pico )caso fortuito é aquilo que se mostra imprevis!vel, é o que c0ega sem ser esperadoI força maior é um evento
externo ao agente, tornando inevit(vel o acontecimento-. xemplo de caso fortuito: quando tento plantar uma (rvore e
detono um explosivo enterrado em mano$ras militares ou, quando $e$o (gua e uma su$st*ncia estran0a nela contida
me pertur$a a consciência.
' nos atos reflexos )causados por excitaç%o de um nervo sensitivo- tam$ém n%o caracteri,am a conduta, pois
n%o 0( vontadeI
► 3ormas da Conduta:
8%o formas da conduta, a conduta comissiva )aç%o- e a conduta omissiva )omiss%o-. Passaremos a analis('las
mel0or:
-$1$-$ Conduta comissiva
7ç%o é o comportamento positivo, movimentaç%o corp=rea, :a8ere.
8egundo o Professor Dam(sio de @esus, a aç%o é a que se manifesta por intermédio de um movimento corp=reo
tendente a uma finalidade.
7 maioria dos n.cleos dos tipos se consu$stancia em modos positivos de agir, como matar, apropriar'se,
destruir etc.
-$1$*$ Conduta omissiva
7 omiss%o n%o é apenas um comportamento est(tico, de repouso corporal. Omiss%o é o n%o fa,er aquilo que o
agente tin0a o dever "ur!dico e a possi$ilidade de reali,ar.
O agente pode omitir'se simplesmente n%o fa,endo, ou se"a, permanecendo inerte, ou ent%o fa,endo algo
29
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
diferente daquilo que tin0a o dever "ur!dico de reali,ar. 7ssim, comete o delito de omiss%o de socorro tanto aquele que
permanece inerte, est(tico, diante da v!tima, como aquele que se afasta do local sem socorrê'la.
xistem duas teorias a respeito da omiss%o:
a- 'eoria natural;stica da omissão: a omiss%o é um fa,er, é percept!vel no mundo natural como algo que
muda o estado das coisas, ou se"a, quem se omite d( causa ao resultado. <aracteri,a'se como verdadeira
espécie de aç%o. <onstitui, portanto, um 5fa,er6, ou se"a, um comportamento positivo: quem se omite, fa,
alguma coisa. sse é o erro em que incorre essa teoria.
$- 'eoria normativa da omissão: quem se omite n%o fa, nada e o nada n%o causa coisa alguma, n%o tem
relev*ncia causal. xcepcionalmente, porém, em$ora n%o tendo produ,ido o resultado, o omitente
responder( por ele quando a lei l0e impuser o dever "ur!dico de agir. Por isso é c0amada teoria normativa,
pois, para que a omiss%o ten0a relev*ncia causal )por presunç%o legal-, 0( necessidade de uma norma
impondo, na 0ip=tese concreta, o dever "ur!dico de agir.
-$1$:$ EspCcies de crimes omissivos
xistem duas espécies de crimes omissivos:
- Crime omissivo pr/prio ou puro: a conduta negativa é descrita no preceito prim(rio da lei penal. 8%o aqueles em
que o autor pode ser qualquer pessoa que se encontre na situaç%o t!pica. &esse caso, o omitente responder( por
sua pr=pria conduta e n%o pelo resultado )exemplo: artigo 4?N do <=digo Penal + omiss%o de socorroI artigo 32P do
<=digo Penal + omiss%o de notificaç%o de doençaI ve"a ainda os artigos 3M2, 3NL, ?1N, etc.-. &esses crimes, a
simples omiss%o é suficiente para a consumaç%o, independente de qualquer resultado.
- Crime omissivo impr/prio, espJrio, impuro, prom;scuo ou comissivo por omissão: o agente tem o dever
"ur!dico de agir para evitar o resultado e, podendo, n%o age. 7ssim, o agente n%o fa, o que deveria ter feito. E(,
portanto, a norma di,endo o que ele deveria fa,er, passando a omiss%o a ter relev*ncia causal. <omo conseq#ência,
o omitente n%o responde s= pela omiss%o como simples conduta, mas pelo resultado produ,ido, salvo se esse
resultado n%o l0e puder ser atri$u!do por dolo ou culpa. 8%o aqueles em que o autor s= pode ser quem se encontra
dentro de um determinado c!rculo )delicta pr=pria-.
8aliente'se que os crimes omissivos impr=prios admitem a tentativa, ao passo que os omissivos pr=prios n%o.
Outra distinç%o importante: os omissivos impr=prios podem ser dolosos ou culpososI os omissivos pr=prios s%o sempre
dolosos.
&os termos do artigo 4?, T 3.O, do <=digo Penal, #'o tr2# a# Di"Kte#e# de de$er ,ur+di(o de agir:
a- .ever leal: quando a lei impõe a o$rigaç%o de cuidado, proteç%o ou vigil*ncia )exemplo: responder( por
0omic!dio o policial militar que assistir a um "ovem sendo morto e, podendo evitar o resultado, nada fa,-.
$- .ever do arantidor: 0ip=tese do agente que, por lei, n%o tem nen0uma o$rigaç%o de cuidado, proteç%o
ou vigil*ncia, no entanto assume essa o$rigaç%o por meio de um contrato )exemplo: uma $a$( contratada
para tomar conta de uma criança responder( pelo resultado caso aconteça algo com ela-. O garantidor
tam$ém pode advir da li$eralidade, ou se"a, alguém que assume livremente a o$rigaç%o,
independentemente de contrato.
c- ;nerDn8ia dentro da norma: agente que, com seu comportamento anterior, criou o risco para a produç%o
do resultado )exemplo: se alguém empurra um card!aco na piscina, por $rincadeira, deve socorrê'lo e
impedir o resultado-.
% Para 4affaro%i, os crimes comissivos )praticados por aç%o- s%o c0amados de (rime# ati$o#. Para o
doutrinador argentino, os tipos ativos s%o aqueles que descrevem a conduta proi$ida, enquanto os tipos omissivos s%o
os que descrevem a conduta devida, ficando, portanto, proi$ida toda conduta que n%o coincida com a conduta devida.
5.5. Re#utado
Para grande parte da doutrina, n%o 0( diferença entre resultado e evento, entretanto, 0( quem entenda que
evento é qualquer acontecimento )exemplo: um raio provoca um incêndio- e resultado é a conseq#ência de uma
conduta 0umana "uridicamente relevante.
E( duas espécies de resultado ou duas teorias so$re a nature,a do resultado:
4O- resultado "ur!dicoI
3O- resultado natural!stico.
30
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
-$-$1$ esultado @ur;dico
A a conseq#ência "ur!dica do crime, ou se"a, é a les%o ou perigo de les%o ao $em "ur!dico protegido.
8o$ o aspecto "ur!dico, n%o 0( crime sem resultado, pois todo crime fere ou expõe a perigo um $em "ur!dico. 7
maior parte da doutrina n%o aceita essa teoria, entretanto, é a que foi adotada pelo <=digo Penal, se analisarmos o
artigo 4>, G do <=digo Penal.
-$-$-$ esultado natural;stico
A a modificaç%o que a conduta provoca no mundo natural, no mundo concreto )exemplo: antes do furto, a
v!tima tin0a posse do seu patrim9nio-. &em todos os crimes possuem resultado natural!stico. De acordo com a
existência ou n%o do resultado natural!stico, é poss!vel classificar os crimes em três espécies:
a- Crimes materiais: s%o crimes que somente se consumam com a produç%o do resultado natural!stico, ou
se"a, o resultado natural!stico integra o pr=prio tipo penal )exemplos: 0omic!dio + art. 434I furto + art.
4NNI seq#estro, etc.-.
$- Crimes formais: s%o crimes em que a ocorrência do resultado natural!stico, apesar de admitida, n%o é
relevante, pois se consumam antes e independentemente de sua produç%o. O crime formal alo"a um ti9o
in8onruente, pois, conforme dito, admite resultado natural!stico, mas n%o o exige para sua consumaç%o
)da! a incongruência-. &esses crimes, a produç%o do resultado natural!stico é considerada mero
exaurimento, o que influenciar( a fixaç%o da pena )artigo NP-. )exemplo de 8rime :ormal: extors%o
mediante seq#estro + art. 4N>: nesse crime, o resultado natural!stico visado é a o$tenç%o da vantagem
econ9mica e conseq#ente diminuiç%o do patrim9nio da v!timaI no entanto, o crime se consuma no
momento em que a v!tima é seq#estrada, independentemente do rece$imento ou n%o do resgate-. Outros
exemplos: arts. 4NP e ?NL.
c- Crimes de mera conduta: o tipo n%o prevê a ocorrência de resultado natural!stico )exemplos: crime de
deso$ediência + art. ??1I violaç%o de domic!lio + art. 4N1-.
5.6. NeEo *au#a 7Rea/'o de *au#aidade8
A o elo que se esta$elece entre a conduta e o resultado natural!stico. O nexo causal é uma relaç%o ditada pelas
leis da f!sica, da causa e efeito. Di,er que existe nexo causal é di,er que, por meio das leis da f!sica, a conduta
provocou o resultado.
8omente 0( nexo causal nos crimes materiais e comissivos )praticados por meio de aç%o-.
-$*$1$ 'eoria da eAuival5ncia dos antecedentes
O <=digo Penal adotou a teoria da e!ui$a2%(ia do# a%te(ede%te# con0ecida como teoria da conditio sine
Aua non. Para essa teoria, tudo que ten0a contri$u!do, de qualquer modo, para o resultado considera'se sua causa
)artigo 4?, 8a9ut, do <=digo Penal-. 7 lei atri$ui relev*ncia causal a todos os antecedentes do resultado, considerando
que nen0um elemento de que depende a sua produç%o pode ser exclu!do da lin0a de desdo$ramento causal. Dudo que
retirado da cadeia de causa e efeito provocar a exclus%o do resultado considera'se sua causa.
Para se esta$elecer se a conduta foi causa do resultado, $asta aplicar o critério da eliminaç%o 0ipotética que
consiste em fingir que uma conduta n%o foi praticada. 8e a eliminaç%o da conduta fi,er com que desapareça o resultado
é porque a conduta causou o resultado. 8e 5apagando6 a conduta e o resultado permanecer, significa que aquela n%o foi
causa deste.
Perunta*se: Diante da teoria da equivalência dos antecedentes, n%o poderia 0aver uma responsa$ili,aç%o
muito ampla, na medida em que s%o alcançados todos os fatos anteriores ao crimeU
Os pais n%o responderiam pelos crimes praticados pelo fil0oU 7final, sem os pais, n%o existiria o fil0o nem o
delito por ele praticado.
&essa lin0a de racioc!nio, n%o se c0egaria a um reressus ad in:initumU
%es9osta: &%o. 7 teoria da equivalência dos antecedentes situa'se no plano exclusivamente f!sico, resultante da
aplicaç%o da lei natural de causa e efeito. 7ssim, é claro que o pai e a m%e, do ponto de vista natural!stico, deram causa
ao crime cometido pelo fil0o, pois se este n%o existisse, n%o teria reali,ado o delito. &%o podem, entretanto, ser
responsa$ili,ados por essa conduta, ante a total ausência de voluntariedade, ou se"a, se n%o agiram com dolo ou com
culpa n%o existiu aç%o ou omiss%o t!pica. <onclui'se, ent%o, que para o Direito Penal é insuficiente o nexo meramente
causal'natural, sendo imprescind!vel para a existência do fato t!pico a presença do dolo ou da culpa )necess(rios para a
tipicidade-.
<omo se vê, a teoria da 8onditio sine 6ua non n%o resolve a quest%o do nexo de causalidade, surgindo a teoria
da imputaç%o o$"etiva para solucionar o pro$lema do regresso causal.
-$*$-$ 'eoria da &mputação !b@etiva
7 Deoria da Gmputaç%o O$"etiva foi inicialmente desenvolvida por Far Lare%0 em 4P3L. &a esfera penal foi
31
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
desenvolvida por Ri(Dard <. :o%ig em 4P?1. Qodernamente, *au# RoEi%, em 4P23 retomou os estudos da aludida
teoria.
ssa teoria, conforme "( foi dito, surgiu para limitar o pro$lema de nexo de causalidade entre a conduta e o
resultado natural!stico.
ssa teoria tem o mérito de ser um novo filtro ao liame entre a conduta e o resultado. 7ssim, de acordo com
essa teoria, n%o $asta, para que se recon0eça o nexo causal, o primeiro filtro da causalidade f!sica, apurada pelo
critério da eliminaç%o 0ipotética, nem o segundo filtro consu$stanciado no dolo ou culpaI urge ainda que o agente, com
sua conduta, ten0a criado, para o $em "ur!dico, um risco acima do permitido.
Para a teoria da imputaç%o o$"etiva, um (om"ortame%to #o(iame%te ade!uado. toerado. "ermitido
"eo orde%ame%to ,ur+di(o. ,amai# "oderJ #er (au#ador de um re#utado "roi&ido. t+"i(o. 8e, por exemplo, em
uma luta de $oxe )comportamento permitido- 0ouver morte ou lesões graves, o fato ser( at!pico. &%o é necess(rio,
nesse caso, questionar se 0ouve dolo ou culpa, pois no plano o$"etivo a conduta é permitida.
Para a eEi#t2%(ia do %eEo (au#a. %a teoria da im"uta/'o o&,eti$a. - %e(e##Jrio !ue a (o%duta do
age%te (rie uma (o%di/'o de ri#(o ree$a%te e ,uridi(ame%te "roi&ido. &%o $asta a pessoa contri$uir
casualmente para o resultado, dever( 0aver um risco excepcional, anormal. &%o 0aver( imputaç%o do resultado quando
este n%o estiver dentro da lin0a de desdo$ramento normal, previs!vel da conduta, ou se"a, quando refugir ao dom!nio
causal do agente.
7 imputaç%o o$"etiva depende dos seguintes requisitos:
a- de a conduta criar para o $em "ur!dico um risco socialmente inadequado, isto é, acima do permitidoI
$- de se atri$uir a ocorrência do resultado a esse perigo criado pela condutaI
c- que o resultado este"a compreendido no *m$ito de alcance do tipo.
<itamos o exemplo dado pelo Professor DamJ#io de =e#u#: supon0a'se que um fil0o, para ficar com a 0erança
do pai, indu,a'o a visitar, num dia de forte c0uva, um monte que, por ra,ões miner(rias, sofre muitas descargas
elétricas durante as tempestades. Gmagine'se que, desavisado, o pai visita o monte e é atingido por um raio. &esse
exemplo, para a teoria da 8onditio sine 6ua non, o fil0o responderia pelo resultado, pois eliminando o indu,imento, a
v!tima n%o iria ao monte e n%o encontraria a morte. ssa soluç%o, entretanto, n%o é correta, pois o fil0o apenas criou
para o pai um risco permitido, um risco normal para a sociedade. <onvidar uma pessoa para um passeio n%o é proi$ido,
mesmo que possa gerar algum risco para o convidado )risco normal, como ir a um parque de diversões, por exemplo-.
O fil0o, como se vê, n%o praticou ato execut=rio de 0omic!dio, pois apenas fe, um convite, n%o tin0a, no caso, dom!nio
so$re o fato.
Em re#umo. a im"uta/'o o&,eti$a eE(ui a ti"i(idade da (o%duta !ua%do o age%te #e (om"orta de
a(ordo (om o #eu "a"e #o(ia. ou. me#mo %'o o fa0e%do. o re#utado %'o #e e%(o%trar de%tro da i%Da de
de#do&rame%to (au#a da (o%duta.
De acordo com a aludida teoria, exclui'se a imputaç%o nas seguintes 0ip=teses:
a- se o agente tiver diminu;do o risco para o bem @ur;dico: 576 afasta com um forte empurr%o o
rev=lver de 5;6, fa,endo com que atin"a o om$ro de 5<6, mas impedindo que alcançasse sua ca$eça para
mat('lo. m$ora o empurr%o de 576 se"a o nexo causal para a les%o do om$ro de 5<6, n%o l0e ser(
imputada a les%o, porque sua conduta diminuiu o risco de uma les%o maior que seria a morte. Outro
exemplo seria a intervenç%o cir.rgica para salvar a vida do doente.
$- se o agente não tiver aumentado o risco para o bem @ur;dico: apesar de n%o ter diminu!do o risco
para o $em "ur!dico, tam$ém n%o responder( se n%o aumentou esse risco. O aumento s= pode ser
atri$u!do ao agente que ten0a a capacidade de dom!nio do processo causal. 7ssim, o so$rin0o que
manda seu tio para uma viagem de avi%o, na esperança que este caia, n%o responde pela morte
decorrente da queda casual do avi%o, n%o o$stante o dolo de matar. O$serve'se que estava
a$solutamente fora do seu dom!nio a ocorrência do resultado. 8e porém, o agente tiver ciência de que
no avi%o estar( um terrorista que ir( explodi'lo, responder( por 0omic!dio, na condiç%o de part!cipe.
c- se o risco era permitido: entende'se por risco permitido aqueles perigos que resultam de condutas
social e "uridicamente toleradas, relacionadas às atividades exigidas pela vida social )ex: construç%o de
edif!cios, funcionamento de f($ricas, tr(fego rodovi(rio, ferrovi(rio e aéreo, etc-. 7ssim, o dono de uma
f($rica, que fornece protetor auricular aos oper(rios, n%o responde criminalmente pelas lesões auditivas
advindas dos ru!dos excessivos das m(quinas.
d- se o risco não produBir o resultado t;pico: a mel0or explicaç%o aqui é um exemplo: 576 e 5;6
com$inam um rou$o. 576 permanece fora da residência da v!tima, vigiando o local. 5;6 penetra na
32
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
residência, rou$a a v!tima e aproveita para estupr('la. 576 n%o responde pelo estupro, porque o desvio
causal esperado foi provocado por 5;6.
e- se o resultado, na forma como ocorrido, não se incluir no alcance do tipo: xclui'se do alcance
do tipo o resultado que é produ,ido: a- em ra,%o do perigo assumido voluntariamente pela v!timaI $-
em ra,%o de uma conduta reali,ada por um agente que estava o$rigado a enfrentar o perigo. xemplos:
576 convida 5;6 a participar de uma corrida noturna )pega- de autom=veis. 5;6 aca$a morrendo, em
ra,%o da colis%o de seu autom=vel com um camin0%o. Os adeptos da teoria da imputaç%o o$"etiva
sustentam que 576 n%o deve responder pelo 0omic!dio. Doutrinadores $rasileiros entendem que 576 deve
responder por 0omic!dio culposo, nessa 0ip=tese pois sua conduta deu causa à morte de 5;6.
7plicando a teoria da imputaç%o o$"etiva no direito penal $rasileiro dir!amos que ter!amos que aplicar três
filtros para concluir pela existência do nexo causal. 7ssim, ter!amos:
4O filtro: Deoria da <onditio sine qua non
&exo <ausal 3O filtro: causalidade ps!quica )dolo ou culpa-
?O filtro: Deoria da imputaç%o o$"etiva
-$*$:$ EspCcies de causas
8%o duas as espécies de causas:
a- Causas dependentes: s%o aquelas que se encontram dentro da lin0a normal de desdo$ramento causal
da conduta. A causa decorrente logicamente da conduta, um encadeamento causal previs!vel e esperado.
7s causas dependentes "amais rompem o nexo causal )exemplo: disparo de arma de fogo, ferimento,
rompimento de artérias, 0emorragia interna e morte-.
7 causa dependente, por =$vio, n%o exclui o nexo causal, ao contr(rio, integra'o como parte fundamental.
$- Causas independentes: s%o aquelas que se encontram fora da lin0a normal de desdo$ramento causal da
conduta. 8eu surgimento n%o é uma decorrência esperada, l=gica, natural do fato anterior, mas, ao
contr(rio, um fen9meno totalmente inusitado, imprevis!vel. 7 causa independente se destaca da conduta,
ou se"a, n%o se sa$ia que, ao praticar a conduta, 0averia aquela causa. xemplo: n%o é uma conseq#ência
normal de um simples susto a morte por parada card!aca.
7s causas independentes podem ser a$solutamente ou relativamente independentes.
-$*$K$ Causas absolutamente independentes
7lém de produ,ir so,in0a o resultado, a causa a$solutamente independente tem uma origem completamente
diversa da conduta, ou se"a, ocorreria ainda que a conduta nunca tivesse sido praticada )exemplo: o agente plane"a a
morte da v!timaI quando esta est( passando, antes de o agente atirar, a v!tima sofre um ataque card!aco e vem a
falecerI independentemente da conduta, o resultado aconteceria-. Podem ser:
a- PreeDistentes: atuam antes da conduta. xemplo: o genro, com intenç%o de envenenar a sogra, ministra
arsênico no "antar da v!tima. 7o terminar o "antar, a v!tima morre. <onstata'se, ent%o, que a causa da morte da
v!tima foi o envenenamento produ,ido pela nora no café da man0%. O$serve'se que a morte n%o foi causada
pela conduta do genro, pois o arsênico leva 42 0oras para fa,er efeito. &%o 0(, portanto, nexo causal. &esse
caso, o genro responder( por tentativa de 0omic!dio.
$- Concomitantes: atuam ao mesmo tempo da conduta. xemplo: durante o "antar, M assaltantes invadem a
residência de uma pessoa que est( sendo envenenada. sta pessoa reage ao assalto e é assassinada. &%o 0(
nexo causal.
c- "upervenientes: atuam ap=s a conduta. xemplo: ap=s ser envenenada, mas ainda viva, desprende'se o
lustre so$re a ca$eça da v!tima, matando'a ou, ap=s o envenenamento, um man!aco a mata a facadas. &%o 0(
nexo causal.
O$serve'se que, nos exemplos citados, as causas rompem totalmente o nexo causal, ra,%o pela qual o agente
s= responder( pelos atos até ent%o praticados. O pro$lema é resolvido pelo 5caput6 do artigo 4?I 0( exclus%o da
causalidade decorrente da conduta.
-$*$E$ Causas relativamente independentes
7 causa relativamente independente produ, por si s= o resultado, contudo origina'se da conduta, ou se"a, a
causa apareceu por conta da conduta e, inesperadamente, produ,iu o resultado. Podem ser:
a- PreeDistentes: atuam antes da conduta. xemplo: o agente corta o $raço da v!tima, que é 0emof!lica, e
33
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
esta morre em decorrência da 0emorragia. 7 0emofilia é causa preexistente ao resultado. xiste nexo
causal, mas o autor dever( responder por les%o corporal, diante da ausência de dolo de matar )se o agente
n%o sa$ia que a v!tima era 0emof!lica-.
$- Concomitantes: atuam ao mesmo tempo da conduta. xemplo: o ladr%o anuncia o assalto apontando um
estilete para a v!tima, que desmaia e morre de infarto. E( nexo causal, mas n%o 0ouve dolo nem culpa em
matar. &esse caso o agente responderia por tentativa de rou$o.
c- "upervenientes: atuam ap=s a conduta. xemplo: uma pessoa $aleada no peito est( sendo levada ao
0ospital, quando a am$ul*ncia que a transporta capota, fa,endo com que a v!tima morra em decorrência de
ter sua ca$eça esmagada. Outro exemplo: a morte da v!tima ao descer do ve!culo em movimento, em$ora
tivesse o motorista a$erto a porta antes do ponto de desem$arque.
7s causas relativamente independentes n%o têm o cond%o de romper o nexo causal. &o caso das causas
preexistentes e concomitantes, como existe nexo causal, o agente responder( pelo resultado, a menos que n%o ten0a
concorrido para o mesmo com dolo ou culpa. 7final, di,er que existe nexo causal n%o dispensa a presença do elemento
psicol=gico )dolo- ou normativo )culpa- da conduta, sem os quais o fato ser( at!pico.
&a 0ip=tese, porém, das supervenientes, em$ora exista nexo causal f!sico'natural!stico, o <=digo Penal, por
expressa disposiç%o do artigo 4?, T 4.^, excepcionando a regra geral, manda desconsider('lo, n%o respondendo o
agente pelo resultado, mas somente por tentativa.
7ssim, temos:
7$solutamente Preexistentes 7rtigo 4? 5caput6 do <.P.
Gndependentes <oncomitantes E( exclus%o do nexo de causalidade, o
8upervenientes agente s= responde pelos atos praticados
<ausas

Helativamente Preexistentes 7rtigo 4? 5caput6 do <P + o resultado é imputado ao agente.
Gndependentes <oncomitantes 7rt. 4?, T4O do <P. + O resultado n%o é imputado,
8upervenientes responde por tentativa.

-$*$L$ ComplicaçMes cirJrgicas e infecção >ospitalar
&esses casos, a causa é dependente ou relativamente independenteU
8e a causa superveniente est( na lin0a de desdo$ramento f!sico da aç%o, o resultado é atri$u!do ao agente.
Drata'se de causa dependente. xemplos: parada cardiorrespirat=ria durante cirurgia para reparaç%o de fratura
decorrente de atropelamentoI $roncopneumonia em virtude de internaç%o em decorrência de lesões sofridas pela
v!tima.
7o autor é atri$u!do o resultado final, "( que a segunda causa guarda relaç%o com a primeira.
% Que#t'o I%tere##a%te: Durante um assalto, a v!tima assustada com a arma de fogo que l0e é apontada,
morre de a ataque card!aco. O assaltante responde pela morteU
Drata'se de causa concomitante à conduta, que produ,iu por si s= o resultado, mas teve origem na aç%o
empreendida pelo assaltante. <lassifica'se como causa concomitante relativamente independente. Desse modo, n%o
exclui o nexo causal. <omo se trata de mero nexo f!sico, n%o $asta para responsa$ili,('lo penalmente. 8omente se
0ouver dolo ou culpa o assaltante responder( pelo resultadoI caso contr(rio, a despeito da existência do nexo natural,
n%o ter( responsa$ilidade pelo evento.
8endo caso de responsa$ili,aç%o pelo resultado, 0aver( concurso formal entre 0omic!dio )culposo ou doloso- e
rou$o.
5.A. Ti"i(idade
O tipo é o modelo descritivo da conduta contido na lei. /uando o fato praticado pelo agente se enquadra no
34
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
tipo, ocorre a tipicidade. Portanto, n%o se deve confundir o tipo com a tipicidade. O tipo é a f=rmula que pertence à lei,
enquanto a tipicidade é a caracter!stica que tem uma conduta de estar adequada a um tipo penal.
8egundo Dam(sio, tipicidade é a correspondência entre o fato praticado pelo agente e a descriç%o de cada
espécie de infraç%o contida na lei penal incriminadora.
% 7 tipicidade apresenta'se so$ dois aspectos: formal e material.
Ti"i(idade forma é a previs%o na norma da conduta 0umana. A o pr=prio artigo da lei. A a previs%o na lei da
conduta proi$ida para a qual se esta$elece sanç%o penal.
Ti"i(idade materia é a violaç%o a um $em "ur!dico tutelado pela norma formalmente prevista em lei.
8egundo <aura(D as funções do tipo penal s%o:
4- limitaç%o do poder punitivo do stado )tipicidade formal-I
3- Cimitar e fundamentar a sanç%o em face de um $em "ur!dico )tipicidade material-.
% Pri%(+"io# *orreato# (om a Ti"i(idade
' 7specto formal:
a- CegalidadeI
$- DaxatividadeI
c- Determinaç%o )o tipo penal formal deve definir o que deve ser considerado crime-.
' 7specto Qaterial
a- Gntervenç%o Q!nimaI
$- 8u$sidiariedade )s= se tutela um fato se os outros ramos do direito n%o forem suficientes para tutel('lo-I
c- Fragmentariedade )na tutela de $ens "ur!dicos o Direito Penal deve intervir apenas nos mais importantes-I
d- Ofensividade ou lesividadeI
e- Gnsignific*ncia.
►► Ti"i(idade e A%ti,uridi(idade
7s relações entre a tipicidade e a anti"uridicidade n%o s%o consideradas pac!ficas pela doutrina.
a- Teoria da ratio (og%o#(e%di 7teoria do ti"o i%di(iJrio8: para esta teoria a tipicidade é um ind!cio ou
presunç%o Auris tantum )que admite prova em contr(rio- da anti"uridicidade. A sustentada por <aE Er%#t <aYer. 7
tipicidade é a fumaça em relaç%o à anti"uridicidade. sta é a teoria adotada, inclusive citada por 4affaro%i como a
mel0or posicionada.
$- Teoria da ratio e##e%di: para esta teoria a tipicidade é a ratio essendi )ra,%o de ser- da anti"uridicidade.
7firmada a tipicidade resultar( afirmada a anti"uridicidade.
5.A.). E#"-(ie# de ti"o
a- Permi##i$o# ou ,u#tifi(adore#: s%o tipos penais que n%o descrevem fatos criminosos, mas 0ip=teses em
que estes podem ser praticados. 8%o tipos que permitem a pr(tica de condutas descritas como criminosas. 8%o os que
descrevem as causas de exclus%o de ilicitude )7rt. 3? do <P-, tam$ém con0ecidas como causas de "ustificaç%o.
$- I%(rimi%adora#: s%o os tipos que descrevem as condutas proi$idas.
 #iferença entre tipicidade e adeAuação t;pica
7 tipicidade é a mera correspondência formal entre o fato 0umano e o que est( descrito no tipo, enquanto a
adequaç%o t!pica implica um exame mais aprofundado do que a simples correspondência o$"etiva. 7 adequaç%o t!pica
vai além, investigando se 0ouve vontade, para s= ent%o efetuar o enquadramento.
► Ade!ua/'o t+"i(a
A o enquadramento da conduta ao tipo legal.
Formas da adequaç%o t!pica:
a- ade!ua/'o t+"i(a de #u&ordi%a/'o imediata: ocorre quando 0( uma correspondência integral, direta e
perfeita entre a conduta e o tipo legal. x: @o%o efetua um disparo de arma de fogo que mata a v!tima Pedro.
$- ade!ua/'o t+"i(a de #u&ordi%a/'o mediata. "or eEte%#'o ou am"iada: ocorre quando o fato n%o se
enquadra imediatamente na norma penal incriminadora, necessitando do concurso de outra disposiç%o. A o caso da
tentativa )art. 4M, GG- e tam$ém da coautoria )art. 3P-
► E#"-(ie# de Ti"o:
a- Ti"o %orma: s= contém elementos o$"etivos )descritivos- + x: art. 434: 5matar alguém6I
$- Ti"o a%orma: além dos o$"etivos, contém elementos su$"etivos e normativos + x: art. 34P: 5raptar
35
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
mul0er 0onesta para fim li$idinoso6I
c- Ti"o fu%dame%ta: é o que nos oferece a imagem mais simples de uma espécie de delito. A o tipo que se
locali,a no caput do artigo e contém os elementos essenciais do crime. x: art. 434 5caput6.
d- Ti"o deri$ado: s%o os que se formam a partir do tipo fundamental, mediante o destaque de circunst*ncias
que o agravam ou atenuam. x: art. 434, T 3O.
e- Ti"o fe(Dado: é o que contém a definiç%o pormenori,ada da conduta criminosa. x: artigo 434.
f- Ti"o a&erto: é o que n%o contém a definiç%o completa do crime, devendo o magistrado complementar a
tipicidade através de um "u!,o valorativo. xemplos: crimes culpososI ato o$sceno )art. 3??-I rixa )art. 4?L-, etc.
g- Ti"o #im"e#: é o que contém uma .nica espécie de conduta criminosa, isto é, um .nico n.cleo. xemplos:
5matar6 )art. 434-I 5su$trair6 )art. 4NN-, etc.
0- Ti"o mi#to: é o que possui dois ou mais n.cleos. Ocorre nos c0amados crimes de aç%o m.ltipla. xemplos:
5Gndu,ir, instigar ou auxiliar6 )art. 433-.
i- Ti"o (o%grue%te: é aquele em que 0( coincidência entre a vontade do agente e o fato descrito na norma
penal. A o que ocorre com os crimes materiais consumados.
"- Ti"o i%(o%grue%te: é aquele em que n%o 0( coincidência entre a vontade do agente e o fato descrito na
norma penal. A o que ocorre na tentativa, nos crimes culposos e crimes preterdolosos e nos crimes formais.
@( vimos tam$ém que o tipo legal é composto de elementares e circunst*ncias. Be"amos novamente para
fixarmos conceitos de suma import*ncia dentro do direito penal.
-$:$-$ Elementares
lementar é todo componente essencial, imprescind!vel para a existência do tipo penal. 7usente a elementar, o
tipo penal desaparece )atipicidade a$soluta- ou o tipo penal ser( outro )atipicidade relativa-.
Por serem essenciais, os elementos est%o sempre no 8a9ut da norma incriminadora, por isso o 8a9ut é c0amado
de tipo fundamental. xistem, no entanto, algumas figuras t!picas descritas em par(grafosI essas figuras, c0amadas de
figuras equiparadas, s%o as .nicas exceções.
-$:$*$ Circunst8ncias
<ircunst*ncias s%o dados acess=rios que ficam agregados ao tipo penal e cu"a funç%o é influenciar na fixaç%o da
pena. 7 circunst*ncia n%o é imprescind!vel para a existência do crime, podendo torn('lo mais grave ou menos grave.
Hessalte'se que o crime ser( mais ou menos grave em decorrência da circunst*ncia, entretanto ser( sempre o
mesmo crime )exemplo: furto durante o repouso noturnoI trata'se de circunst*ncia, tendo em vista que, sendo ou n%o
durante o repouso noturno, ainda assim existir( o furto-.
7 circunst*ncia n%o integra a essência do tipo penal, ou se"a, se for retirado, o tipo n%o deixa de existir. 7s
circunst*ncias est%o dispostas em par(grafos )exemplo: qualificadoras, privilégios etc.-, n%o servindo para compor a
essência do crime, mas sim para influir na pena.
-$:$:$ EspCcies de elementos Gelementares=
8%o três as espécies de elementos:
4- Elementos ob@etivos ou descritivos: s%o aqueles cu"o significado depende de mera o$servaç%o,
tornando desnecess(ria qualquer interpretaç%o. Dodos os n.cleos )ver$os- do tipo constituem elementos
o$"etivos )exemplos: matar, falsificar etc.-. 8%o aqueles que independem de "u!,o de valor, existem
concretamente no mundo )exemplos: mul0er, coisa m=vel, fil0o etc.-. 8e um tipo penal possui somente
elementos o$"etivos, ele oferece segurança m(xima ao cidad%o, visto que, qualquer que se"a o aplicador
da lei, a interpretaç%o ser( a mesma. A o c0amado tipo normal, pois é normal o tipo penal que ofereça
segurança m(xima. Se referem Z materiaidade da i%fra/'o "e%a. %o !ue (o%(er%e Z #ua forma
de eEe(u/'o. tem"o. ugar. et(. xemplos: 5matar alguém6 no artigo 434I 5noite6 e 5repouso noturno6
nos artigos 4N1, T4O e 4NN, T4O.I 5lugar ermo6 e 5lugar p.$lico6, nos artigos 4N1, T4O e 3??.
3- Elementos sub@etivos: compõem'se da finalidade especial do agente exigida por alguns tipos.
Determinados tipos n%o se satisfa,em com a mera reali,aç%o do ver$o. xistir( um elemento de ordem
su$"etiva sempre que 0ouver no tipo as expressões 5com a finalidade de6, 5para o fim de6 etc. )exemplo:
rapto com fim li$idinoso + artigo 34P <P-. O elemento su$"etivo ser( sempre a finalidade especial que a lei
exige. &%o confundir o elemento su$"etivo do tipo com o elemento su$"etivo do in"usto, que é a
consciência do car(ter inadequado do fato, a consciência da ilicitude )elemento da culpa$ilidade e n%o do
tipo penal-. Dipos que exigem finalidade especial s%o c0amados tipos anormais. x: 5com o fim de6 )art.
4?4-I 5para si ou para outrem6 )art. 4NL-I 5para fim li$idinoso6 )art. 34P-.
?- Elementos normativos: s%o aqueles que dependem de interpretaç%o para se extrair o significado, ou
se"a, é necess(rio um "u!,o de valor so$re o elemento )exemplo: mul0er 0onesta-. O que é mul0er
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DIREITO PENAL – PARTE GERAL
0onestaU O$serve'se que os elementos normativos tra,em a possi$ilidade de interpretações equ!vocas,
divergentes, oferecendo certo grau de insegurança, por isso s%o c0amados de tipos anormais. x:
5indevidamente6 )arts. 4N4, T4O, GG-I 5sem "usta causa6 )art. 4N? caput-I 5sem autori,aç%o6 )art. 3>3
caput-I 5dignidade6 e 5decoro6 )art. 4M1, caput-, etc.
xistem duas espécies de elementos normativos:
1) elemento normativo @ur;dico: é aquele que depende de interpretaç%o "ur!dica )exemplos: funcion(rio
p.$lico, documento etc.-I
2) elemento normativo eDtra@ur;dico ou moral: é aquele que depende de interpretaç%o n%o "ur!dica
)exemplo: mul0er 50onesta6-.
5.A.B. Ti"i(idade *o%go&a%te
De acordo com a essa teoria, criada pelo "urista argentino Eug2%io Rau 4affaro%i, o fato t!pico pressupõe que
a conduta este"a proi$ida pelo ordenamento "ur!dico como um todo, glo$almente considerado.
O direito é um s= e deve ser considerado como um todo, n%o importando sua esfera )a ordem é conglo$ante-.
O nome conglo$ante decorre da necessidade de que a conduta se"a contr(ria ao ordenamento "ur!dico em geral
)conglo$ado- e n%o apenas ao ordenamento penal.
7 tipicidade penal )aquela que estudamos- consiste apenas no enquadramento formal da conduta no tipo, o que
seria insuficiente para a existência do fato t!pico conglo$ante. 7 tipicidade conglo$ante exige, além do enquadramento
formal, a necessidade de que a conduta se"a contr(ria ao ordenamento "ur!dico em geral )conglo$ado- e n%o apenas ao
ordenamento penal.
Yaffaroni criou a seguinte f=rmula para explicar a Dipicidade <onglo$ante:
TP [ TH \ T* onde DP é a tipicidade penal, DF é a tipicidade formal e D< é a tipicidade conglo$ante.
7inda, dentro da tese de Yaffaroni, a D< )tipicidade conglo$ante- é composta pela a%ti%ormati$idade e pela
ti"i(idade materia
Der!amos % D< _ antinormatividade ` tipicidade material
Para a teoria da Dipicidade <onglo$ante, o fato ser( t!pico desde que preenc0a a tipicidade formal e a tipicidade
conglo$ante que englo$a os conceitos de antinormatividade e tipicidade material.
Eaver( A%ti%ormati$idade com a comprovaç%o de que a conduta legalmente t!pica est( tam$ém proi$ida pela
norma. 8empre que uma conduta n%o for fomentada )estimulada ou ordenada- pelo stado ou pelo ordenamento
"ur!dico surgir( a antinormatividade. 7ssim, por ser estimulada pelo stado, n%o poder( ser considerada antinormativa.
Desta forma, as condutas praticadas em strito <umprimento do Dever Cegal n%o s%o antinormativas. Para
Yaffaroni, o strito <umprimento do Dever Cegal n%o exclui a ilicitude mas sim exclui a tipicidade. Portanto, o strito
<umprimento do Dever Cegal é causa de exclus%o da tipicidade, o fato ser( at!pico.
7 partir do conceito de antinormatividade como elemento fundamental para que 0a"a tipicidade conglo$ante e
para que o fato se"a t!pico, as 0ip=teses de strito <umprimento do Dever Cegal deixam de ser consideradas causas de
exclus%o da ilicitude e passam a ser causa de exclus%o da tipicidade penal, o mesmo ocorrendo com certas 0ip=teses de
xerc!cio Hegular de Direito. Gsso porque em alguns casos de xerc!cio Hegular de Direito o stado fomenta as ações
das pessoas, como, por exemplo, quando esta$elece que o pai dê educaç%o ao seu fil0o e, conseq#entemente, permite
o castigo.
8egundo Yaffaroni, antinormatividade é diferente de anti"uridicidade. 7 antinormatividade se refere aquilo que é
fomentado ou n%o pelo stado, enquanto a anti"uridicidade se refere a uma autori,aç%o )permiss%o- do stado.
7ssim, no artigo 3? do <=digo Penal, que esta$elece as causas de exclus%o da ilicitude ter!amos:
' Ceg!tima defesa + autori,aç%o
' stado de necessidade + autori,aç%o
' xerc!cio Hegular de Direito + fomentaç%o em alguns casos
' strito <umprimento do Dever Cegal + fomentaç%o
Yaffaroni transfere, desta forma, o strito <umprimento do Dever Cegal e o xerc!cio Hegular do Direito para o
fato t!pico, retirando'os da ilicitude. ntretanto, é preciso di,er que ele continua adotando o modelo cl(ssico do
finalismo separando a ilicitude e a tipicidade )ratio essendi-.
Finalmente, dentro ainda da Dipicidade <onglo$ante, devemos analisar a Dipicidade Qaterial.
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DIREITO PENAL – PARTE GERAL
Ti"i(idade <ateria é a les%o ao $em "ur!dico tutelado. 7ssim, n%o podemos nos esquecer que dentro da
tipicidade material est%o os princ!pios da Cesividade e da Gnsignific*ncia.
Yaffaroni conclui que as lesões insignificantes s%o consideradas at!picas pois n%o formam a tipicidade penal. 8e
n%o 0ouver lesividade ou se a les%o for insignificante, n%o 0( tipicidade material, n%o preenc0endo a tipicidade
conglo$ante e, conseq#entemente a tipicidade penal.
Para Her%a%do *a"e0, essa teoria cria confus%o, pois desloca para o tipo causas como o exerc!cio regular do
direito e o estrito cumprimento do dever legal, que s%o 0ip=teses de condutas autori,adas pelo ordenamento.
*LASSIHI*AÇÃO DOS *RI<ES
7 doutrina fa, uma classificaç%o dos crimes e é isso que iremos estudar nesse momento.
B(rias s%o as classificações existentes. Procuraremos mencionar as mais comuns:
• Crime comum: pode ser praticado por qualquer pessoa )exemplo: 0omic!dio + art. 434, furto + art. 4NN, estelionato
+ 4L4, etc.-I
• Crime pr/prio: exige qualidade pessoal para o su"eito ativo, ou se"a, s= pode ser cometido por determinada
categoria de pessoas. xemplo: infantic!dio + art. 43? + crime que s= pode ser praticado pela m%eI Peculato, artigo ?43
do <P, s= pode ser cometido por funcion(rio p.$lico )categoria de pessoas-. 7dmite coautoria e participaç%o.
• Crime de mãoIpr/pria ou de atuação pessoal: s= pode ser cometido pelo su"eito em pessoa )exemplo: crime de
falso testemun0o + art. ?M3 e prevaricaç%o + art. ?4P-. Os estran0os, nos crimes de m%o pr=pria, podem intervir como
part!cipes, mas n%o como autores. &%o admite, portanto, coautoria nem autoria mediata.
• Crime de dano: s= se consuma com a efetiva les%o do $em "ur!dico )exemplo: 0omic!dio, furto, estelionato, etc-I
• Crime de perigo: se consuma com a mera possi$ilidade de dano )exemplo: perigo de cont(gio venéreo + art. 4?1,
rixa + art. 4?L, incêndio + art. 3N1 etc.-.
O perigo pode ser:
' presumido ou concretoI
' individual ou comum )coletivo-.
Perigo Presumido Gou abstrato=: é aquele que a lei presume, n%o precisando ser provado. Hesulta da pr=pria
aç%o ou omiss%o. x: o fato de deixar de prestar assistência, quando poss!vel fa,ê'lo sem risco pessoal, à criança
a$andonada ou extraviada, ou à pessoa inv(lida ou ferida, que se encontra ao desamparo, constitui crime de omiss%o
de socorro )art. 4?N-. O perigo aqui é presumido.
Perigo Concreto: é o que precisa ser provado. x: artigo 4?M 0( a definiç%o legal do crime de exposiç%o ou
a$andono de recém'nascido. O perigo deve ser comprovado.
Perigo &ndividual: é o que expõe ao risco de dano o interesse de uma s= pessoa ou limitado n.mero de
pessoas. x: art. 4?1 + perigo de cont(gio venéreo.
Perigo Comum: é o que expõe ao risco de dano interesses "ur!dicos de um n.mero indeterminado de pessoas.
x: art. 3N1 + incêndio.
Perigo atual é o que est( ocorrendo, como o estado de necessidade )art. 3M-, a leg!tima defesa, etc.
Perigo iminente é o que est( prestes a ocorrer )art. 4?3 do <P-.
Perigo futuro é o que, em$ora n%o existindo no presente, pode advir em ocasi%o posterior
• Crime material: o tipo menciona conduta e resultado natural!stico, cu"a ocorrência é necess(ria para sua
consumaç%o )exemplo: 0omic!dio, infantic!dio, furto etc.-I
• Crime formal: o tipo menciona conduta e resultado natural!stico, cu"a ocorrência n%o é necess(ria para sua
consumaç%o )exemplo: cal.nia, rapto etc.-I
• Crime de mera conduta: o tipo s= menciona a conduta )exemplo: violaç%o de domic!lio, deso$ediência etc.-I
• Crime instant8neo: se consuma num dado momento ou instante, sem continuidade temporal )exemplo: 0omic!dio
em que a morte ocorre em momento certoI furto, etc-I
• Crime permanente: a consumaç%o, por vontade do agente, se prolonga no tempo )se protrai no tempo-. 7 situaç%o
il!cita criada pelo agente se prolonga )exemplo: seq#estro, porte de drogas, extors%o mediante seq#estro-I
• Crime instant8neo de efeitos permanentes: as conseq#ências se prolongam no tempo, independentemente da
vontade do agente )exemplo: 0omic!dio, furto-. 7 diferença entre o crime permanente e o instant*neo de efeitos
permanentes reside em que no primeiro 0( a manutenç%o da conduta criminosa, por vontade do pr=prio agente, ao
passo que no segundo perduram, independentemente da sua vontade.
• Crime a praBo: aquele em que a consumaç%o depende de um determinado lapso de tempo )exemplo: artigo 4M>, T
4.O, inciso GGG ou artigo 43P, T 4O, G-I
• Crime comissivo: praticado mediante aç%o. O su"eito pratica uma aç%o, age. )exemplo: les%o corporal, 0omic!dio-I
38
DIREITO PENAL – PARTE GERAL
• Crime omissivo: praticado mediante omiss%o ou mediante inaç%o. )exemplo: omiss%o de socorro, artigo 4?N, 3MM,
3M2, 32P-I
• Crime omissivo pr/prio ou puro: a omiss%o é descrita no pr=prio tipo legal )exemplo: omiss%o de socorro-I essa
modalidade n%o admite a tentativa. 8e perfa, com a simples a$stenç%o da reali,aç%o de um ato, independentemente do
resultado posterior )arts. 4?N, 3MM, 3M2, 32P, etc-I
• Crime omissivo impr/prio Gou comissivo por omissão=: é aquele no qual o tipo descreve uma aç%o, mas a
inércia do agente que tem o dever "ur!dico de evitar o resultado, permite a ocorrência do resultado natural!stico
)exemplo: policial que assiste inerte o afogamento de uma criançaI m%e que deixa de alimentar o fil0o, causando'l0e a
morte-. ssa modalidade admite a tentativaI
• Crimes de conduta mista: s%o aqueles em que 0( uma fase inicial positiva e uma omiss%o final. x: apropriaç%o
indé$ita de coisa ac0ada + art. 42P, T .nico, GG-.
• Crimes de concurso necess<rio: s%o os que exigem mais de um su"eito ativo para sua pr(tica. Podem ser coletivos
)ou plurissu$"etivos- e $ilateraisI
I Crime plurissub@etivo: o tipo exige a presença de v(rios agentes )xI art. 3>> + quadril0a ou $ando, rixa +artigo
4?L, associaç%o para o tr(fico de drogas-I
> Crime bilateral: exige para a sua configuraç%o mais de uma pessoa, mesmo que uma delas n%o se"a culp(vel. x:
$igamia.
• Crime unissub@etivo Gmonossub@etivo=: praticado por uma s= pessoaI
• Crimes de dupla sub@etividade passiva: s%o crimes que tem dois su"eitos passivos. x: violaç%o de
correspondência )art. 4N4-, em que s%o su"eitos passivos o remetente e o destinat(rioI
• Crime simples: é o que se enquadra num .nico tipo legal )exemplo: 0omic!dio-I
• Crime compleDo: é a fus%o de dois ou mais crimes em um tipo penal .nico )exemplo: latroc!nio + rou$o e 0omic!dioI
extors%o mediante seq#estro + extors%o e seq#estro-.
• Crime monoofensivo: atinge apenas um $em "ur!dico )exemplo: 0omic!dio + atinge o $em "ur!dico vida-I
• Crime pluriofensivo: atinge mais de um $em "ur!dico )exemplo: latroc!nio, que lesa a vida e o patrim9nio-I
• Crime de forma livre: admite v(rios meios de execuç%o )exemplo: 0omic!dio, les%o corporal, furto etc.-I
• Crime de forma vinculada: o tipo especifica os meios pelos quais o crime pode ser praticado )exemplo:
curandeirismo, artigo 3>M e artigo 321 do <P-I
• Crime principal: tem existência aut9noma )exemplo: estupro-I
• Crime acess/rio: pressupõe a existência de outro crime )exemplo: receptaç%o + pressupõe a existência de crime de
furto anteriormenteI favorecimento pessoal + art. ?M>, que pressupõe a pr(tica de crime anterior, etc.-I
• Crime unissubsistente: a conduta exteriori,a'se com um s= ato execut=rio, consumando'se: )exemplo: crimes
cometidos ver$almente, tais como in".ria, desacato, etc-. &%o admite a tentativa.
• Crime plurissubsistente: a conduta pode exteriori,ar'se em mais de um ato execut=rio )exemplo: crimes cometidos
por escrito, como a in".ria e outros, como o 0omic!dio, les%o corporal etc.- 7dmite a tentativaI
• Crime independente: n%o est( ligado a nen0um outro crime. O su"eito pratica um furto, dias depois um 0omic!dio e,
entre eles, n%o 0( qualquer circunst*ncia em comum. 8%o independentesI
• Crime coneDo: est( interligado com outra infraç%o. E( um nexo entre as infrações. 7 conex%o pode ser:
a- teleolBi8a ou :inal)sti8a: quando praticado para assegurar a execuç%o de outro crime )x: o su"eito mata o marido
para estuprar a esposa-I
$- 8onse6Ien8ial: praticado para assegurar a ocultaç%o, impunidade ou vantagem de outro crime )x: o su"eito ap=s
furtar a residência, incendeia a casa para fa,er desaparecer vest!giosI o su"eito ap=s praticar um crime de dano, mata a
testemun0aI su"eito ap=s praticar estelionato, mata o parceiro para ficar com o din0eiro s= para si-I
c- o8asional: praticado em virtude da oportunidade surgida pela pr(tica de outro crime )ex: o su"eito entra para
estuprar a mul0er, ap=s o estupro, resolve furtar suas "=ias-.
• Crime F dist8ncia: conduta e resultado ocorrem em pa!ses diferentes )x: su"eito no ;rasil mata a v!tima que est(
no Paraguai-. 7plica'se nesta 0ip=tese a regra do artigo 2O do <P )teoria da u$iq#idade-I
• Crime plurilocal: conduta e resultado ocorrem em comarcas diferentes, mas dentro do mesmo pa!s. x: su"eito
ferido em ;arueri, morre em 8%o Paulo, ap=s socorrido. )aplica'se aqui o artigo L1 do <=digo de Processo Penal + teoria
do resultado-I
• Crime em tr8nsito: quando parte da conduta ocorre num pa!s, sem lesar ou p9r em perigo $em "ur!dico de seus
cidad%os )exemplo: carta de um argentino, na qual ofende um "aponês, passa pelo correio $rasileiro, antes de ser
enviada ao @ap%o-I
• Crimes condicionados e incondicionados: <ondicionados s%o os têm a puni$ilidade condicionada a um fato
exterior e posterior à consumaç%o )x: $rasileiro que pratica estelionato no exterior est( su"eito a nossa lei penal ap=s
as condições do art. LO, T3O, 5$6 e 5c6-I Gncondicionados s%o os que n%o têm sua puni$ilidade condicionada )art. LO,
T4O-.
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DIREITO PENAL – PARTE GERAL
• Crime de flagrante esperado: ocorre quando o indiv!duo sa$e que vai ser v!tima de um delito e avisa a pol!cia, que
apan0a o su"eito. 7qui n%o 0( qualquer provocaç%o )crime provocado-. &%o confundir flagrante esperado com flagrante
provocado, nem com flagrante for"ado e nem mesmo com flagrante prorrogado ou retardadoI
• Crime fal>o: é a denominaç%o que se d( à tentativa perfeita ou aca$ada, em que o su"eito fa, tudo quanto est( ao
seu alcance para consumar o crime, mas o resultado n%o ocorre por circunst*ncias al0eias à sua vontadeI
• Crimes vagos: s%o os que têm por su"eito passivo entidades sem personalidade "ur!dica, como a fam!lia, o p.$lico ou
a sociedade. x: ato o$sceno )art. 3??-I tr(fico de drogas )art. ?? da Cei nO 44.?M?R12-I
• Crimes de ação mJltipla ou de conteJdo variado: s%o crimes em que o tipo fa, referência a v(rias modalidades
da aç%o. x: art. 433, em que os ver$os do tipo s%o 5indu,ir6, 5instigar6 ou 5prestar aux!lio6I artigo ?? da Cei nO
44.?M?R12 )tr(fico de drogas-I
• Crime >abitual e profissional: <rime 0a$itual é a reiteraç%o da mesma conduta reprov(vel, de forma a constituir
um estilo ou 0($ito de vida. x: curandeirismo )art. 3>M-.
' <rime profissional é aquele em que o agente pratica as ações com intenç%o de lucro. x: rufianismo )art. 3?1-I
• Crime transeunte e não transeunte: <rime transeunte )delicta facti transeuntis- é o que n%o deixa vest!gios )x:
desacato, in".ria-. <rime n%o transeunte )delicta facti permanentis- é o que deixa vest!gios )x: 0omic!dio, les%o
corporal-I
• Crimes de tipo fec>ado e de tipo aberto: Delitos de tipo fec0ado s%o aqueles que apresentam a definiç%o
completa, como o 0omic!dio. <rimes de tipo a$erto s%o os que n%o apresentam a descriç%o t!pica completa,
necessitando ser pesquisado pelo "ulgador no caso concreto. )x: delitos culpososI delitos que apresenta elementos
normativos +5sem "usta causa6, 5indevidamente6, etc-I
• Crime remetido: ocorre quando a sua definiç%o se reporta a outros delitos, que passam a integr('lo, como por
exemplo, o art. ?1M do <P e o art. 3L2 do <PI
• #elito de atentado ou de empreendimento: ocorre nos tipos legais que prevêem a puniç%o da tentativa com a
mesma pena do crime consumado. x: votar ou tentar votar duas ve,es )art. ?1P do <=digo leitoral-I artigo ?N3 do <P
)evadir'se ou tentar evadir'se o preso-I
• Crime eDaurido: é aquele em que o agente, mesmo ap=s atingir o resultado consumativo, continua a agredir o $em
"ur!dico. x: art. ?4L + solicitar vantagem indevida. O rece$imento dessa vantagem é mero exaurimento do crime.
• Crime gratuito: é aquele cometido sem qualquer motivo.
• Crime de ;mpeto: é o cometido sem premeditaç%o, em ra,%o de uma explos%o emocional repentina.
• Crime de opinião ou de palavra: é o cometido pelo a$uso da exteriori,aç%o do pensamento. Pode ser escrito ou
ver$al. xemplos s%o os crimes contra a 0onra, o desacato, etc.
• Crimes falimentares: s%o os crimes previstos na lei de falências. 7queles cometidos no processo de falência. 8e
dividem em antefalimentares )antes da falência- ou p=s'falimentares )ap=s a decretaç%o da falência-.
• Crimes funcionais: s%o aqueles cometidos por funcion(rios p.$licos. xigem assim, que o autor se"a funcion(rio
p.$lico.
• Crimes de responsabilidade: s%o infrações pol!tico'administrativas cu"a pr(tica acarreta a imposiç%o de sanç%o
pol!tica. 8%o crimes de responsa$ilidade aqueles praticados pelo Presidente da Hep.$lica, Qinistros de stado,
Jovernadores e prefeitos. Os crimes de responsa$ilidade est%o na Cei nO 41LPRN1.
• Crimes >ediondos: s%o os crimes previstos no art. 4O da Cei nO >1L3RP1, considerados crimes grav!ssimos:
latroc!nio, extors%o qualificada pela morte, extors%o mediante seq#estro, estupro, atentado violento ao pudor, etc.
• &nfração penal de menor potencial ofensivo: é aquela cu"a pena a$strata n%o exceda dois anos, se"a pena
isolada, cumulada ou alternada com a multa.
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