Você está na página 1de 3

NP1 – DIREITO PENAL

PRINCÍPIOS LIMITADORES DO PODER PUNITIVO E PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL
 Legalidade ou Reserva Legal: Não há crime sem lei que o defina, nem pena sem cominação legal.
 Intervenção Mínima: O direito penal só deve intervir em último caso, quando medidas civis ou administrativas não
forem mais suficientes.
 Fragmentariedade: O Direito Penal limita-se a castigar as ações mais graves.
 Humanidade: Não pode-se aplicar sanções que atinjam a dignidade da pessoa ou lesionem os condenados.
 Insignificância (Bagatela): Se a lesão for insignificante, não haverá adequação típica.
 Ofensividade ou do Fato: Veda que o direito penal se ocupe de intenções e pensamentos das pessoas. Para que haja
crime pressupõe-se que haja um perigo real ao bem jurídico protegido.
 Proporcionalidade: Adequação entre os fins e os meios. Princípio não expresso no ordenamento jurídico. A lei se
presume proporcional a sanção - se o descumprimento de um dever for muito grave, a sanção deverá também ser
muito gravosa.
 Alteridade ou Transcendentalidade: Ninguém poderá ser punido por fazer mal a si mesmo, somente aquele
comportamento que lesione direitos de outras pessoas e que não seja simplesmente imoral.
 Princípio da Adequação Social: Todo comportamento que não tiver relevância social, não pode ser considerado
criminoso.
 Confiança: Quando o agente executa sua conduta normal, confiando que outrem também atuará de modo correto. Caso
o segundo indivíduo atue de modo inesperado e cause danos, será considerado atípico.
 Irretroatividade da Lei Penal: Somente em relação à lei mais severa. A lei retroage se for para beneficiar o réu.
 Igualdade: Todos são iguais perante a lei penal, não podendo o sujeito ser discriminado de acordo com suas naturezas.
 Imputação Pessoal: Não pude os inimputáveis.
 Personalidade: Ninguém será responsabilidade por fato cometido por outra pessoa.
 Responsabilidade Subjetiva (Culpabilidade): Ninguém pode ser punido sem agir com dolo ou culpa.

FONTES DO DIREITO PENAL
 Fonte de Produção, Material ou Substancial: A União é a fonte, sendo a lei o instrumento para materializar sua vontade.
 Fonte Formal, de Cognição ou de Conhecimento: Modo pelo qual o Direito Penal se exterioriza.
o Imediata: É a lei.
o Leis Incriminadoras: São as que descrevem crimes e cominam penas.
o Leis Não Incriminadoras: Não descrevem crimes nem cominam penas, podendo ser permissivas (que tornam lícitas
determinadas condutas) e finais, complementares ou explicativas (que esclarecem o conteúdo de outras normas e
delimitam o âmbito de sua aplicação).

INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL
 Quanto ao Sujeito que Comete
o Autêntica ou Legislativa: Procede do próprio legislador. Contextual é a interpretação que o legislador faz no próprio
texto da lei. Posterior é a realizada depois de editada a lei, com fim de elidir incertezas ou obscuridades.
o Doutrinária: Feita pelos doutrinadores, estudiosos de direito, quando comentam as leis, sem força obrigatória.
o Judicial: Deriva dos órgãos judiciários, porém sem força obrigatória, exceto se tiver efeito vinculante.
 Quanto Aos Meios ou Métodos Empregados
o Interpretação Gramatical, Literal ou Sintática: Buscar o sentido das palavras em sua interpretação.
o Interpretação Lógica ou Teleológica: Indagação da vontade ou intenção objetivada na lei. Analisa elementos históricos
(quando promulgada), sistemáticos (coerência da lei) e o direito comparado (interpretação dada por direito
estrangeiro).
 Quanto Ao Resultado
o Interpretação Declarativa: Quando há perfeita correspondência entre a palavra da lei e sua vontade.
o Interpretação Restritiva: Quando a letra escrita da lei foi além de sua vontade, devendo-se restringir.
o Interpretação Extensiva: Quando ficou aquém de sua vontade (disse menos), devendo ser ampliado seu significado.

ANALOGIA EM DIREITO PENAL

ANALOGIA = INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA

FORMA DE AUTO INTEGRAÇÃO DA LEI. A PRÓPRIA LEI DEFINE A FÓRMULA
NÃO É VONTADE DA LEI ABRANGER CASUÍSTICA E MENCIONA CASOS QUE
CASOS SEMELHANTES. DEVEM SER COMPREENDIDOS
APLICA-SE A UMA HIPÓTESE. POR SEMELHANÇA.



PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
 Formal:
o Reserva Absoluta da Lei: Somente a lei, emanada e aprovada pelo Poder Judiciário, poderá criar tipos e impor penas.
A medida provisória, embora tenha força de lei, não pode veicular matéria penal, assim como também a lei delegada.
o Taxatividade: A lei descrever o crime em todos os seus pormenores (pequenos detalhes). Crimes culposos
excepcionam a regra, pois seria impossível ao legislador pormenorizar todas as condutas humanas ensejadores da
composição típica.
o Vedação Ao Emprego da Analogia: Proíbe o emprego da analogia em matéria de norma penal incriminadora (In Malam
Partem). A analogia In Bonam Partem não é vedada, pois favorece o direito de liberdade.
 Material: O poder Judiciário deve exercer o controle de conteúdo do tipo penal, “limpando” do ordenamento jurídico leis
que descrevam como crimes fatos que não sejam materialmente nocivos à sociedade.

APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO TEMPO E NO ESPAÇO
SANÇÃO é o ato pelo qual o Presidente aprova e confirma uma lei.
PROMULGAÇÃO confere a existência e proclama sua executoriedade.
PUBLICAÇÃO é o ato para torna-la conhecida de todos impondo sua obrigatoriedade.

A lei é promulgada e publicada pelo Presidente da República no Diário Oficial, porém nem sempre entra em vigor na
mesma data. Neste caso, entrará em vigor 45 dias após sua publicação. Este período é intitulado VOCATIO LEGIS. A lei
permanecerá em vigor até que outra lei a revogue.

 Derrogação: Parcial cessação da lei.
 Ab-rogação: Extinção total da lei.
 Expressa: Lei expressamente determina a cessação da vigência da norma anterior.
 Tácita: Quando o novo texto, embora não expresse, é incompatível com o anterior.

Leis Temporárias: Trazem preordenada a data de expiração de sua vigência.
Leis Excepcionais: Condicionam sua eficácia à duração das condições que a determinam (guerra, epidemia, etc.)
São ultra-ativas, pois aplicam-se a fatos cometidos durante seu período de vigência, mesmo após sua auto-revogação.

Conflitos de Leis Penais no Tempo: Princípios Que Regem a Matéria
Pode ocorrer que um sujeito pratique uma conduta criminosa sob a vigência de uma lei, que comina pena e durante
sua execução surja uma nova lei. Qual delas deverá ser aplicada? Segundo o art. 5, inciso XL da CF “a lei penal não
retroagirá, salvo para beneficiar o réu.”

Hipóteses de Conflitos de Leis no Tempo
 Abolitio Criminis: Quando a lei posterior deixa de considerar um fato como criminoso.
Consequências: Inquérito policial ou processo são extintos, juntamente com a punibilidade, cessam os efeitos penais
mesmo que já consumada sentença condenatória, e o condenado que está cumprindo pena deverá ser solto.
 Novatio Legis Incriminadora: Quando a lei posterior cria um tipo incriminador. É irretroativa, já que prejudica o sujeito.
 Novatio Legis In Mellius: Lei posterior traz um benefício ao agente. Se a lei nova é mais favorável, retroage.
 Novatio Legis In Pejus: Quando a lei posterior vem a agravar a situação do agente. Neste caso, não retroage.

Norma Penal e Branco: De conteúdo incompleto, que necessitam ser complementadas por outras normas jurídicas.
 Em Sentido Lato ou Homogênea: Quando a norma é complementada por uma lei, uma mesma fonte formal.
 Em Sentido Estrito ou Heterogênea: Quando o complemento é ato infra-legal (portaria, regulamento, etc.)

TEMPO DO CRIME
 Teoria da Atividade: Considera-se praticado o crime no momento da conduta comissiva ou omissiva.
 Teoria do Resultado: No momento da produção do resultado lesivo, sendo irrelevante o tempo da conduta.
 Teoria Mista ou da Ubiquidade: Tanto no momento da conduta quanto no momento do resultado.

Aplicação da Lei Penal no Espaço
 Princípio da Territorialidade: A lei penal só tem aplicação no território do Estado que a determinou.
 Princípio da Nacionalidade: A lei penal do Estado é aplicável a seus cidadãos onde quer que se encontrem.
 Princípio da Defesa: Leva-se em conta a nacionalidade do bem jurídico lesado pelo crime, independente do local de sua
prática ou nacionalidade do sujeito.
 Princípio da Justiça Penal Universal: As leis penais devem ser aplicadas a todos os homens, onde quer que se
encontrem. É um princípio de cooperação penal internacional.
 Princípio da Representação: A lei penal de determinado pais é também aplicável aos delitos cometidos em aeronaves e
embarcações privadas, quando realizadas no estrangeiro e ai não venham a ser julgados.

LUGAR DO CRIME
 Teoria da Atividade: O lugar do crime é o da ação ou omissão, onde realizada a conduta típica.
 Teoria do Resultado: Onde foi produzido o resultado.
 Teoria da Ubiguidade: Será tanto o lugar da conduta quando o do resultado.


EFICÁCIA DA LEI PENAL EM RELAÇÃO A PESSOAS QUE EXERCEM DETERMINADAS FUNÇÕES PÚBLICAS
Imunidade Diplomática
O diplomata é dotado de inviolabilidade pessoal, não pode ser preso nem submetido a qualquer procedimento ou
processo sem autorização de seu país. As sedes diplomáticas também são invioláveis, autoridades e seus agentes não
podem nela adentrar sem o consentimento do diplomata, mesmo em hipóteses legais. Estende-se a todos os agentes
diplomáticos e funcionários das organizações internacionais quando em serviço, incluindo seus familiares. Não estende
aos agentes consulares, salvo em relação aos atos do ofício.

Imunidades Parlamentares
A imunidade, por ser um direito do próprio Parlamento, é irrenunciável. É um privilégio decorrente da função exercida.
 Imunidade Material (Absoluta): Os deputados e senadores são invioláveis, civil e penalmente, em quaisquer de suas
manifestações, proferidas no exercício de suas funções.
 Imunidade Processual (Formal): Refere-se à prisão, ao processo e julgamento. O controle legislativo passou a ser
posterior, não existindo mais a possibilidade de licença prévia (exceto ao Presidente da República e ao Governador).
Prefeitos têm somente foro por prerrogativa de função perante os Tribunais de Justiça.
 Imunidade Prisional: Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo
em flagrante de crime inafiançável.
 Imunidade Para Servir Como Testemunha: Não obrigação em prestar depoimento como testemunha, somente em
fatos relacionados ao exercício de suas funções. Deputados e Senadores não são obrigados a testemunhar sobre
informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre pessoas que lhes confiaram ou deles
receberam informações.
Obs: Vereadores possuem apenas imunidade absoluta.