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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO RIO GRANDE DO SUL- UERGS
GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE BIOPROCESSOS E BIOTECNOLOGIA
DISCIPLINA DE BIOLOGIA GERAL



MARIANE COSTA SANTOS DE TAVARES
RAQUEL SEVERO CELIA



AQUICULTURA








PORTO ALEGRE
2014
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MARIANE COSTA SANTOS DE TAVARES
RAQUEL SEVERO CELIA






AQUICULTURA










Porto Alegre
2014
Trabalho apresentado à disciplina
de Biologia Geral do Curso de
Graduação da Universidade
Estadual do Rio Grande do Sul
como requisito parcial para
aprovação na disciplina.
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RESUMO

A Aquicultura constitui a produção de animais e plantas aquáticas para uso do
homem. Embora seja uma atividade já desenvolvida há mais de 2000 anos tem se
ampliado substancialmente em novas técnicas e formas de manejo nas últimas
décadas. No Brasil, embora a Piscicultura seja a atividade relacionada à Aquicultura
que possua maior destaque não é a única. Atualmente alguns estados brasileiros,
com destaque para Santa Catarina, vêm desenvolvendo novas técnicas para criação
de Mexilhões e Ostras (Malacocultura). Com a riqueza natural existente no país há
que se pensar em maiores investimentos na área agrícola e hídrica, como formas de
desenvolvimento econômico e sustentável. Há ainda grandes entraves no que se
refere à falta de legislação específica, investimentos públicos escassos e poucas
pesquisas na área, contudo, trata-se de uma área com grande capacidade de
destaque na economia nacional, bem como no cenário mundial.












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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 5
2. CONCEITOS ........................................................................................................... 6
3. DADOS ESTATISTICOS ......................................................................................... 8
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................... 9
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 10














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1. INTRODUÇÃO

Aquicultura se dedica à produção de plantas e animais aquáticos com
emprego de técnicas científicas e recursos tecnológicos. As técnicas de aquicultura,
embora não fossem dessa forma denominadas são utilizadas há mais de 2000 anos
(LAWSON, 2002). É também classificada como uma atividade agrícola que envolve
a criação de espécies aquáticas. Tal atividade vem apresentando crescimento
acelerado nos últimos anos, com maior incentivo à produção de novas espécies, e
busca constante por melhoramento destas visando suprir o mercado interno e
externo. O Brasil, apenas no ano de 2010 produziu 479.400 toneladas de pescado,
em sua maior parte provindo de água doce. Embora pareça uma produção razoável
ainda está bem abaixo do potencial brasileiro de produção (BRASIL, 2010).
Didaticamente costuma-se dividir a aquicultura em 6 diferentes áreas a
depender do tipo de cultivo praticado. Embora a Aquicultura não seja limitada
apenas à produção de peixes, no Brasil esta é a prática mais recorrente, sendo por
este motivo a piscicultura a área da aquicultura mais amplamente divulgada pelos
meios científicos nacionais. Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), o
Brasil é dono de 12% das fontes de água doce do planeta e mais de oito mil
quilômetros de litoral, o que permitiria amplo desenvolvimento da aquicultura.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, apud BRASIL,
2014) é recomendado um consumo anual de 12kg de pescado por habitante/ano, os
brasileiros consomem aproximadamente 9,03 Kg/pessoa/ano. Com a existência de
mercado interno e uma precisão de que a demanda internacional irá aumentar até
2030 em aproximadamente 100mi de toneladas/ano, o Brasil poderá obter uma
poderosa fonte de renda com produção de plantas e animais aquáticos. O presente
trabalho tem como objetivo fazer uma breve abordagem sobre os principais aspectos
da aquicultura, para posteriormente realizar maior detalhamento dos dados
inicialmente discutidos.


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2. CONCEITOS

A aquicultura é a prática do cultivo de espécies aquáticas para
utilização do homem. Em âmbito mundial é uma atividade em grande expansão, que
no caso brasileiro pode ser uma grande fonte de renda para comunidades locais,
promovendo desenvolvimento sustentável e social (VALENTI, 2000). No Brasil,
82,3% da produção é representada por peixes de água doce (Gráfico 1), 14,5%
corresponde à produção de camarão marinho, e o restante em sua maioria refere-se
à produção de Ostras e Mexilhões (BRASIL,2010).

Gráfico 1: Distribuição da produção aquícola brasileira em 2010
Fonte: Brasil, 2010.
Segundo Moreira (2001) há no Brasil dois grandes problemas para a
produção aquática, o primeiro refere-se à falta de uma legislação específica, que
possibilite também investimentos direcionados. A segunda refere-se às alterações
climáticas, que impede um mesmo tipo de produção em todo território. De acordo
com o autor, os diferentes climas acabam condicionando especificidades regionais,
que podem gerar um enfraquecimento da produção em larga escala, mas enriquece
o número de espécies ofertadas.
Segundo Brasil (2014) a Aquicultura abrange as seguintes
especialidades:
 Piscicultura: Criação de peixes em ambiente marinho ou em água doce;
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 Malacocultura: Criação de Moluscos como mexilhões, ostras, caramujos e
vieiras
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;
 Carcinicultura: Trata-se da criação de camarões em viveiros;
 Algicultura: Cultivo de algas;
 Ranicultura: Criação de rãs;
 Criação de Jacarés.
A prática da Aquicultura no ambiente marítimo é denominada Maricultura,
segundo o Projeto Ostra apud Cordine Rosa (1997) a costa brasileira possui
diversas espécies de grande interesse econômico, por serem alimentos com grande
poder nutritivo, e baixo custo para produção. As principais espécies aqui cultivadas
são além do camarão: o Mexilhão “Perna perna” e Ostra “Crossostrea gigas”,
também conhecida como Ostra Japonesa. Por ser um país de dimensões
continentais, diversos estados possuem especificidades e potencialidades de
investimentos na Aquicultura, sobre Santa Catarina Costa et. al. (1998, p.42)
afirmam:
Santa Catarina possui uma área territorial de 95.442Km², sendo que
a costa litorânea e composta por 561Km, apresentando inúmeras
áreas protegidas, formada por baias, enseadas e estuários o que
associado a alta produtividade do mar, favorece o cultivo de
moluscos ( mexilhões e ostras ), representando alternativa de renda
para os pescadores artesanais e populações tradicionais das
comunidades pesqueiras (COSTA et. al., 1998, p.42).

A criação de Moluscos surgiu como alternativa econômica após a
quedada pesca artesanal, embora tenha sido introduzida no Brasil por volta de 1980,
pouco se desenvolveu para produção em larga escala, segundo Arana (1999) com o
investimento e a correta estruturação toda a costa brasileira poderia ter muito a
oferecer no que se refere à aquicultura, contudo, ainda há muito o que se fazer
antes do desenvolvimento realmente ocorrer de forma significativa.

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A criação de Ostras é denominada Ostreicultura, enquanto a de mexilhão recebe o nome de
Mitilicultura (BRASIL, 2014).
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3. DADOS ESTATISTICOS

Segundo o levantamento preliminar de 2013, o Brasil gera em torno de 5
bilhões de reais em PIB pesqueiro, o que equivale à uma produção de
aproximadamente “2 milhões de toneladas de pescado”, tal produção a depender da
espécie analisada já atingiu crescimento superior à 105% nos últimos 5 anos,
conforme afirma Brasil (2014). Pelas diferenças de clima e vegetação, cada região
brasileira possui especificidades quanto às espécies desenvolvidas. Na região norte
do país há o predomínio da produção de pirarucu e tilápia, enquanto no sul
predominam as ostras, mexilhões, carpas e tilápias (BRASIL, 2014).
Mesmo com investimentos reduzidos e uma legislação inespecífica a
aquicultura brasileira está em plena expansão. O estado do Rio Grande do Sul
(Gráfico 1) é considerado o “maior produtor aquícola do Brasil”, sendo responsável
por aproximadamente 15% da produção nacional. No estado, a produção se
concentra especialmente nos municípios de Ijuí e Ajuricaba (KUBITZA, 2013).

Gráfico 2:Evolução da produção da aquicultura continental do Rio Grande do Sul de acordo
com as estatísticas oficiais
Fonte: Kubitza, 2013.





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4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Segundo perspectivas do Ministério da Pesca e Agricultura até o ano de
2030 o Brasil pode atingir a produção de 20 milhões de toneladas/ano, o que
significaria aumentar a produção atual em 10x, tal perspectiva, embora bastante
otimista é compatível com a disponibilidade de recursos naturais brasileiros, mas
seria necessários investimentos intensos no desenvolvimento e na gestão da
Aquicultura nacional para atingir tal marca. Com a riqueza natural existente no país
há que se pensar em maiores investimentos na área agrícola e hídrica, como formas
de desenvolvimento econômico e sustentável. Há ainda grandes entraves no que se
refere à falta de legislação específica, investimentos públicos escassos e poucas
pesquisas na área, contudo, trata-se de uma área com grande capacidade de
destaque na economia nacional, bem como no cenário mundial.













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REFERÊNCIAS

ARANA, L.A.V. Aqüicultura e desenvolvimento sustentável: subsídios para
formulação de políticas de desenvolvimentos da aqüicultura brasileira. Florianópolis:
UFSC, 1999. p 310.
BRASIL. Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). Boletim Estatístico da Pesca e
aquicultura. Brasília, 2010.
_________. Potencial Brasileiro. Brasília, jun. 2014.
_________. Espécies Cultivadas. Brasília, jun. 2014.
CORDINE ROSA, Rita de Cássia. Impacto do cultivo de mexilhões nas
comunidades pesqueiras de Santa Catarina. Dissertação de mestrado, UFSC.
Florianópolis, 1997.
COSTA , S.W.et al. A evolução da aqüicultura no estado de Santa Catrina. In:
Aqüicultura Brasil 2000: Simpósio Brasileiro de Aqüicultura- Anais . Florianópolis
:Abraq, 2000 . Publicado.
KUBITZA, Fernando. Panorama da Piscicultura no Brasil PARTE I Estatísticas,
espécies, pólos de produção e fatores limitantes à expansão da atividade.
2013. Disponível em: http://www.panoramadaaquicultura.com.br/novosite/?p=1982.
Acesso em 20 de setembro de 2014.
LAWSON, Thomas B. Fundamentals of aquacultural engineering. 2. ed. Norwell:
Kluwer Academic Publishers Group, 2002.
MOREIRA, Heden L. M. et. al. Fundamentos da Moderna Aquicultura. Canoas:
Ed. ULBRA, 2001.
VALENTI, Wagner Cotroni. Aqüicultura no Brasil: bases para um desenvolvimento
sustentável. Brasília: CNPq, 2000. 399 p.