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Processo Civil

Resumo:
(Carlyle)
Ação:

Qualquer um pode exercer o direito de ação.
O simples fato de se dirigir ao poder judiciário para pleitear a atividade jurisdicional, já
caracterizaria o direito de ação.
Trata-se da garantia de um processo, no qual todos os requisitos de existência e
desenvolvimento devem ser devidamente observados, para que tanto autor como réu tenham
oportunidade de se manifestar no curso do processo, com o objetivo de apresentar todas as
alegações e provas que possam auxiliar o juiz na formação do seu convencimento.
Qualquer pessoa, possuindo o direito ou não, pode se dirigir ao judiciário e requerer a
prestação da atividade jurisdicional, porém a tutela só será prestada se presentes os requisitos
necessários ao exame do mérito da causa ( pressupostos processuais e condições da ação).
Sempre que a palavra ação for utilizada no sentido de exercício concreto do direito de ação,
estamos falando de demanda. A ação é abstrata, a demanda é concreta.
Pretensão – Possibilidade de se exigir o cumprimento da obrigação.
Prescrição – É a perda do direito de exigir a pretensão. O que prescreve é a pretensão.
Uma nova fase da obrigação, caracterizada pela possibilidade de o próprio credor, pelas
próprias forças obter a satisfação do crédito, surge apenas quando fica evidenciado que o
cumprimento voluntário não irá ocorrer. Neste momento, é possível falar em ação de direito
material.
Atenção: O Estado proíbe a auto-tutela. O titular do direito violado pode se dirigir a ele através
do exercício do direito de ação e pleitear a prestação jurisdicional.
Não se pode afirmar que a ação de direito material desapareceu, uma vez que, certas
situações permitem a atuação do próprio titular do direito na defesa de seus interesses, mas
ela teria ficado esvaziada pela possibilidade de ajuizamento da ação processual.
O processo se inicia após o exercício da ação processual.
A pretensão processual é o conteúdo da ação processual. Em regra, ela equivale à pretensão
de direito material.
O fato é que o autor não tem direito de receber mais do que a pretensão de direito material lhe
possibilita pedir em juízo (A pretensão de direito processual é limitada pela de direito material).
Condições para o regular exercício do direito de ação:
Legitimidade ad causam – É a legitimidade para aquela causa específica que será examinada
pelo juiz. É na relação jurídica de direito material que será possível constatar o vínculo do autor
e do réu com o alegado direito, a fim de se definir pela procedência ou improcedência do
pedido.
Legitimidade ad processum – É a legitimidade para figurar em qq processo, ou seja, para estar
em juízo. Em regra, todas as pessoas físicas, jurídicas e formais possuem capacidade para
estar em juízo, desde que não precisem de assistência ou representação.
Outra classificação importante:
Legitimidade ordinária – Quando alguém, em nome próprio, defende interesse próprio.
Legitimidade extraordinária – Quando alguém em nome próprio defende interesse alheio. Não
é representação, uma vez que ele defende em nome próprio e não em nome de outrem aquele
direito. Ex: MP propõe ação de investigação de paternidade. Ele não é o titular do direito e nem
pode ser considerado representante do menor, mas a lei atribui a ele a legitimação
extraordinária.
Possibilidade jurídica do pedido – É possível a existência de pedido que não encontra previsão
legal; a impossibilidade significa que o pedido é proibido pela lei.
Interesse de agir:
Interesse-necessidade – Necessidade do provimento jurisdicional, ou seja, quando não há
outro meio para obter a proteção do suposto direito senão através da atividade jurisdicional.
Interesse-adequação – Necessidade de pleitear a atividade jurisdicional utilizando a forma
adequada.
Interesse-utilidade – A utilidade da medida será aferida pela possibilidade de se conceder ao
interessado um resultado mais vantajoso do que aquele que o mesmo já possui.
Presentes as condições da ação, o juiz determina o prosseguimento da causa com o início da
fase instrutória.
O juiz pode examinar a presença ou não das condições da ação a qq momento e em qq grau
de jurisdição.
Posição tradicional – Independentemente do momento em que for verificada a ausência de
alguma das condições da ação, o juiz deverá extinguir o processo sem a resolução do mérito.
Posição dominante – Não há necessidade de provar as condições da ação quando do
ajuizamento da inicial. Caso estas fossem necessárias, estaríamos tratando de mérito, pois a
produção dessas provas ocorreria na fase de instrução probatória.
Elementos da ação ou da demanda:
Partes
Pedido
Causa de pedir

Partes – Em sentido formal são as que figuram no pólo ativo e no pólo passivo da demanda,
pouco importa se são partes legítimas ou não. Em sentido material, é o titular da relação
jurídica de direito material deduzida em juízo.
A questão da parte ser legítima ou não é condição da ação, cuja verificação ocorrerá
posteriormente.
Partes na demanda – Aqueles que, desde o momento da propositura da demanda, constam na
inicial, autor (s) e réu (s).4
Partes no processo – O autor é parte no processo desde o início, mas o réu só se torna parte
no processo quando é citado, por que antes o réu é parte só na demanda. Esse conceito
abrange o assistente, o opoente, o denunciado, o chamado, etc.
Pedido – Pode ser:
Imediato – É o que a demanda vai propiciar ao autor, a sentença de procedência.
Mediato – É o bem da vida (o bem econ.) que se deseja obter indiretamente através do
provimento jurisdicional favorável.
Causa de pedir:
Teoria da substanciação (dominante na doutrina) – Afirma que o conteúdo da causa de pedir é
formado pelos fatos e fundamentos jurídicos apresentados pelo autor.
Com base nesses fatos, o juiz poderá qualificá-los juridicamente e eventualmente atribuir-lhes
as conseqüências jurídicas pleiteadas pelo autor.
A causa de pedir pode ser:
Remota – São os fatos constitutivos do direito do autor (fatos relatados pelo autor na inicial)
Próxima – São os fundamentos jurídicos (violação da norma legal pelo réu e que ocasiona o
direito à prestação jurisdicional)
A causa de pedir pode ser ainda:
Simples – Composta apenas por uma causa de pedir que dará ensejo a um pedido.
Composta – 2 ou + causas de pedir fundamentam um pedido.
Complexa – Há 2 ou + causas de pedir dando ensejo a 2 ou + pedidos.
Atenção: A alteração de qualquer dos elementos da demanda (partes, pedido ou causa de
pedir) enseja o surgimento de uma nova demanda, distinta daquela que foi proposta.
Obs: O litisconsórcio é uma das espécies de cumulação subjetiva.
Quando em um único processo existem 2 ou + litígios a serem resolvidos, diz-se que a
hipótese é de processo cumulativo. A cumulação pode ser subdividida em:
Cumulação inicial ou originária – Quando o autor formula mais de um pedido através da
mesma demanda.
Cumulação sucessiva ou ulterior – A cumulação ocorre no bojo de um processo já pendente,
através da inserção de novas pretensões pelas partes ou terceiros.
A doutrina faz a seguinte divisão:
Cumulação objetiva – Casos em que são formulados vários pedidos ou efeitos jurídicos;
Cumulação causal – Apesar da identidade de partes e de pedido, este último encontra-se
amparado por + de uma causa de pedir;
Cumulação subjetiva – Presença de + de 2 sujeitos no litígio. Ex: litisconsórcio, que pode ser
ativo, passivo ou misto, de acordo com o pólo em que se encontra a pluralidade das partes.
A reunião de causas conexas são classificadas como hipóteses de cumulação sucessiva.
A reunião de causas conexas poderá ser realizada por iniciativa das partes (voluntária) ou até
mesmo por determinação ex officio do juízo.
Cumulação em sentido estrito – Possibilidade de que as pretensões sejam conhecidas e
julgadas independentemente uma da outra.
Cumulação de pedidos em sentido estrito – Possibilidade de o autor formular 2 ou + pedidos,
bem como 1 pedido com 2 ou + objetos mediatos, sendo que, ao final, caso saia vitorioso,
receba apenas um dentre eles.
Cumulação simples – O acolhimento de um pedido não depende do acolhimento ou da rejeição
de outro.
Cumulação sucessiva – O acolhimento de um pedido depende do acolhimento de outro. Ex:
Ações de investigação de paternidade e de alimentos.
Cumulação eventual/subsidiária – O autor pode formular um pedido para ser conhecido
somente na eventualidade da rejeição de outro (que é o principal).
Cumulação alternativa – Quando a pluralidade não é de pedidos propriamente ditos, mas sim
de objetos do pedido.
Obs: Requisitos de admissibilidade da cumulação – Parágrafos 1º e 2º do art. 292 do CPC.
Atenção: Quando para cada pedido corresponder tipo diverso de procedimento, admitir-se-á a
cumulação, se o autor empregar o procedimento ordinário.
A incompatibilidade de pedidos é causa de inépcia da inicial.
Ações constitutivas necessárias – Em casos específicos, certas relações jurídicas só podem
ser criadas, modificadas ou extintas através do ajuizamento de uma demanda. Nesses casos a
sentença passa a produzir efeitos imediatamente, embora possua natureza constitutiva e ainda
não tenha transitado em julgado. Em sua grande maioria retratam hipóteses de jurisdição
voluntária, mas também podem abranger casos típicos de jurisdição contenciosa, como a ação
rescisória de sentença, a separação litigiosa, etc.
Nessas hipóteses seria dispensável o exame do interesse na propositura da demanda.

Procedimento:

Será composto de 5 elementos estruturais: Demanda, citação, resposta, instrução e sentença.
Procedimento comum – se divide em: Ordinário e sumário
Procedimento especial – se divide em: Jurisdição contenciosa e jurisdição voluntária
As partes não podem convencionar sobre normas procedimentais, por que são de natureza
cogente, ou seja, de ordem pública. É a lei que define o procedimento cabível.
Exceção apontada por Alexandre Câmara: Quando defende a possibilidade de a parte escolher
o procedimento cabível no caso de procedimento monitório.
Art. 277, parágrafo 4º do CPC – O juiz, na audiência, decidirá de plano a impugnação ao valor
da causa ou a controvérsia sobre a natureza da ação, determinando, se for o caso, a
conversão do procedimento sumário para o ordinário.
Parágrafo 5º - A conversão também ocorrerá quando houver necessidade de prova técnica de
maior complexidade.
Procedimento comum ordinário – Se subdivide em 4 fases: Postulatória, ordinatória, instrutória
e decisória.
Postulatória – Abrange 3 elementos estruturais: A demanda, a citação e a resposta.
Presentes os requisitos da Petição Inicial, o juiz irá determinar a citação do réu.
Terminado o prazo de resposta, ajuizada a resposta ou não, inicia-se a 2ª fase do
procedimento, a fase ordinatória, ou de saneamento.
Ordinatória – Realização de atos inquisitórios pelo juiz. A realização é ex officio, e a finalidade
é a de evitar o surgimento ou a propagação de nulidades do processo, permitindo assim, que
ele possa ter o mérito julgado.
Esses atos são chamados de providências preliminares, e são 3:
1) Caso o réu, na resposta, alegue fato novo de natureza impeditiva, modificativa ou
extintiva do direito do autor, ou suscite alguma das preliminares do art. 301 do CPC, o
juiz abrirá vista ao autor para réplica no prazo de 10 dias. Então, a réplica é uma
providência preliminar que não é cabível em qualquer caso de contestação, mas sim
quando possuir como objeto alguma das matérias mencionadas no art. 326 e 327 do
CPC.
2) A 2ª providência preliminar é aquela através da qual o juiz irá determinar as partes que
especifiquem as provas que pretendem produzir. Somente após a juntada da
Contestação e do seu exame pelo juiz é que se pode indicar quais alegações
dependem de provas, bem como quais delas são aptas a demonstrar a respectiva
veracidade.
3) A última providência preliminar é aquela através da qual o juiz irá suprir as omissões
eventualmente existentes e sanar eventuais nulidades que possa corrigir de ofício.

Realizadas tais providências preliminares, o processo poderá estar em condição de
imediato julgamento (julgamento conforme o estado do processo).
No caso de matéria de direito e de fato não há necessidade de produção de provas em
audiência, o caso será de julgamento antecipado da lide (espécie de julgamento conforme
o estado do processo).
Não sendo hipótese de julgamento conforme o estado do processo, o juiz deverá
prosseguir na causa, determinando, se for o caso, a realização da audiência preliminar (art.
331 do CPC). Realizada ou não esta audiência, o juiz deverá fixar os pontos controvertidos,
decidir as questões processuais que estejam pendentes, determinar as provas que devam
ser produzidas e, caso seja necessário, designar data para realização da AIJ.
Instrutória – É o momento em que as provas deverão ser produzidas, a fim de servirem de
base para a formação do convencimento judicial. Nesta fase, também são admitidos, de
acordo com o juiz, a apresentação de alegações finais das partes, também chamadas de
memoriais.
Funções da Petição Inicial:
1) Provocar o início do processo, com a apresentação da pretensão do autor ao Estado-
juiz.
2) Identificar a demanda, uma vez que, a Petição Inicial expõe os elementos que a
compõe: Partes, pedido e causa de pedir. Isso ocorre para impedir que outra de
idêntico teor seja processada, podendo ocorrer litispendência (caso ambas estivessem
em trâmite) ou coisa julgada (caso uma delas já tenha sido decidida com a formação
da coisa julgada)

Requisitos da demanda – Art. 282, 283 e 39, I, do CPC.
Atenção: Os documentos indispensáveis não estão dentro da demanda e sim anexos à ela.
Requisitos formais da Petição Inicial = Aos requisitos formais exigidos para a prolação da
sentença:
a) A demanda deve ser escrita, mesmo apresentada na forma oral, deverá ser reduzida a
escrito
b) A demanda deverá ser redigida em vernáculo (língua portuguesa)
c) A demanda deve ser assinada


Efeitos da demanda:
1) Delimitar o objeto litigioso do processo, restringindo a atuação do órgão jurisdicional.
2) Caracterizar a ocorrência de litispendência ou coisa julgada: Somente pelo exame da 1ª
demanda e em sequência após o exame da demanda que com ela se confronta, é possível
verificar se é caso de coisa julgada ou litispendência.
Obs: As demandas são conexas, comuns, quanto ao pedido ou causa de pedir.
3) Auxiliar na definição de competência. Ex: se será encaminhado para o juizado ou para
a Justiça Federal.
4) É o de identificar eventual carência da ação. É analisando a demanda que será
possível verificar se a parte é legítima ou não, se tem interesse ou não, se o pedido é
juridicamente possível ou não.

Citação:
 Dar conhecimento ao réu da existência de uma demanda contra ele proposta, bem
como do seu respectivo teor.
 Tornar o réu parte no processo. Até então, o réu era somente parte na demanda.

Atenção: O processo existe e é válido, mesmo que não tenha sido realizada a citação, como
nos casos de indeferimento da PI e nos casos em que a parte comparece espontaneamente,
suprindo a eventual ausência de citação.
Efeitos da citação:
Processuais:
1) Torna litigiosa a coisa
2) Induz litispendência
3) Torna prevento o juízo.

Materiais:
1) Constitui em mora o devedor
2) Interrompe a prescrição
3) Obsta a decadência

Atenção: O despacho do juiz que ordenar a citação acarreta a interrupção da prescrição.
Revelia – Ausência de Contestação por parte do réu. Se o réu reconvém, mas não contesta,
ele será considerado revel, não obstante esteja atuando no pólo passivo da reconvenção.
Revelia formal – Ocorre quando o réu não comparece, não contesta, ou quando, apesar de
contestar, o faz intempestivamente.
Revelia material – É aquela em que apesar de o réu contestar, não realiza a impugnação
específica dos fatos afirmados pelo autor, o que implica a presunção relativa de que são
verdadeiros.
Efeitos processuais da revelia:
1) Induz o julgamento antecipado da lide
2) O réu não é mais intimado dos atos processuais

Atenção: É pacífico o entendimento de que se o réu revel ingressa espontaneamente no
processo, ele volta a ser intimado.
Art. 320, I, II e III do CPC – Nesses casos, o réu é considerado revel, mas os efeitos da revelia
não se produzem. Se o réu revel ingressa nos autos, volta a ser intimado normalmente.
Revelia ulterior:
1ª hipótese – Art. 13 , II do CPC – Nesse caso, o réu já está participando do processo no pólo
passivo, ou seja, ele já contestou, mas existe um vício no que diz respeito à sua capacidade
processual ou em sua representação. Diante disso o juiz determinará ex officio que ele
providencie a regularização de tais vícios (processo fica suspenso durante o prazo concedido
pelo juiz até a regularização do vício). Decorrido o prazo sem o respectivo cumprimento da
determinação, ele será considerado revel de acordo com a lei.
2ª hipótese – Art. 265, parágrafo 2º do CPC – Caso de falecimento do Procurador de qq das
partes. Nesse caso, o réu a princípio não era revel, mas se ele não providenciar a
regularização de sua representação processual no prazo de 20 dias, ele passará a ser
considerado revel, e o processo prosseguirá. Se o autor não nomear novo mandatário dentro
do prazo, o juiz extinguirá o processo sem o julgamento do mérito.
3ª hipótese – Art. 265 parágrafo 1º do CPC – Caso de morte da própria parte. Nesses casos
deverá ser realizada a habilitação dos sucessores junto ao juízo ou o ingresso do espólio no
pólo passivo da demanda, sob pena da parte ré passar a ser considerada revel.

Resposta do Réu:

Art. 297 do CPC – São 3 as espécies de resposta:
Contestação, exceção e reconvenção.
2 regras importantes sobre prazo:
1ª – O prazo de resposta se inicia após esgotado todo o procedimento citatório – Art. 241 do
CPC.
2ª – No caso de litisconsórcio passivo, havendo vários réus, o prazo de resposta tem início
sempre ao mesmo tempo. O prazo pode não terminar no mesmo momento, mas se inicia no
mesmo momento.
O prazo de resposta é de 15 dias, em regra. Quando for prazo para a Fazenda Pública e MP, o
prazo de resposta é contado em quádruplo (art. 188 do CPC). No caso de litisconsortes com
diferentes procuradores, o prazo é contado em dobro. Quanto a Defensoria Pública, o prazo
para responder é contado em dobro.
Contestação – O réu irá apresentar todas as alegações defensivas que possui, exceto aquelas
que venham a ser objeto de resposta específica. Se houver necessidade de reconvir, deve-se
fazer no mesmo momento em que apresentar a Contestação (em peças autônomas).
A questão da simultaneidade só alcança a Contestação e a Reconvenção, as demais
combinações não são abrangidas por essa simultaneidade.
Obs: Nos pedidos contrapostos, o réu exerce o seu direito de ação, formulando pedidos em
face do autor na própria Contestação.
Conteúdo da Contestação:
Defesas Processuais – A finalidade é impedir o julgamento de mérito da causa. Arts. 301 e 267
do CPC.
Defesas de mérito – A finalidade é discutir o mérito da causa, ou seja, a própria relação jurídica
de direito material. Subdivide-se em:
Defesa de mérito direta – O réu nega a ocorrência dos fatos constitutivos do direito do autor.
Defesa de mérito indireta – O réu não nega os fatos constitutivos do direito do autor, mas
apresenta outros contrários, que são impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor.
Fatos impeditivos – ex: Quando é alegada a incapacidade de alguma das partes para a
realização do ato.
Fatos modificativos – ex: Quando é alegado o pagamento parcial, compensação, etc.
Fatos extintivos – ex: Quando é alegada a prescrição, o pagamento total,...
Princípio da eventualidade – A Contestação é o momento em que o réu deve alegar todas as
matérias de defesa. Mesmo que aparentemente contraditórias, devem possuir algum respaldo,
sob pena de incidir em litigância de má-fé.
Exceção ao Princípio da eventualidade – Art. 303 do CPC:
I – Relativas a direito superveniente – É aquele que surge após a Contestação ou aquele que
já existia, mas que era desconhecido por parte do réu
II – Matéria de ordem pública pode ser alegada em qq momento e grau de jurisdição, pq ela
pode ser conhecida de ofício pelo juízo. Diante disso, a questão de ordem pública não precisa
necessariamente ser alegada na Contestação.
III – Alegações que por expressa autorização legal puderem ser formuladas em qq tempo e
juízo.
O réu apresenta em juízo a Contestação, mas não realiza a impugnação específica dos fatos –
Esses são presumidos como verdadeiros.
Exceção – Art. 302 do CPC:
I – Trata dos direitos indisponíveis (que não admitem confissão). A confissão realizada por um
dos litisconsortes somente produz efeitos se todos os outros concordarem.
II – Falta do instrumento público. Faltando essa prova, os fatos não serão presumidos como
sendo verdadeiros.
III – Havendo contradições de tais alegações com o conjunto da defesa, apesar de o réu não
ter realizado a impugnação específica dos fatos, a sua defesa, no conjunto, permite ao juiz
verificar uma certa resistência ao que foi afirmado pelo autor.
Atenção: O advogado dativo, a Defensoria Pública, o curador especial e também o MP estão
excepcionados dessa regra, uma vez que, não precisam realizar a impugnação específica dos
fatos.
Exceção - É um incidente processual através do qual o réu argui determinadas alegações
defensivas, tais como a incompetência relativa, o impedimento e a suspeição.
Exceção # objeção:
Objeção – É uma defesa que pode ser alegada pela parte, mas que também pode ser
conhecida de ofício pelo juiz.
Exceção estricto sensu – É matéria de defesa que somente pode ser alegada pelas partes.
O impedimento e a suspeição dizem respeito a pessoa do juiz, já a incompetência relativa é do
foro.
A incompetência relativa e a suspeição devem obrigatoriamente chegar aos autos através da
exceção, mas o impedimento pode vir na preliminar da Contestação.
Se o réu alegar impedimento, suspeição e incompetência relativa, em que ordem devem ser
examinadas essas 3 matérias:
1º - Impedimento – O mais grave dos vícios. Se o juiz for impedido nem examina a questão da
incompetência.
2º - Suspeição – Não adianta examinar a incompetência se o juiz for suspeito.
3º - Incompetência relativa – Será a última a ser examinada.
Pode o autor ingressar com a exceção de impedimento, bem como com a suspeição. Já com a
exceção de incompetência relativa, o autor não poderá ingressar, pois foi ele quem ajuizou a
demanda perante aquele juízo.
O momento para se ingressar com a exceção é no prazo de resposta. É possível ingressar
depois com a exceção de impedimento e de suspeição. Nesse caso, o momento adequado
será no prazo de 15 dias, a contar da data em que se toma conhecimento do fato que origina o
impedimento ou a suspeição do juiz.
Atenção: O prazo em quádruplo quando a parte for a Fazenda Pública ou o MP é para
responder, e em dobro para recorrer e não para contra-razoar.
Reconvenção – É a demanda proposta pelo réu, no prazo de resposta, em face do autor,
utilizando-se do mesmo processo no qual é demandado, desde que conexa com a ação
principal ou com o fundamento da defesa.
A Reconvenção acarretará a ampliação do objeto do processo. Antes só havia o pedido do
autor em face do réu, agora existe um contra-ataque, ou seja, um pedido do réu em face do
autor, feito por meio de uma nova demanda.
Requisitos para a Reconvenção:
1º - O juízo deve ser competente para o exame da ação principal e da Reconvenção. Se o juiz
for incompetente para o exame da reconvenção, deve indeferir a inicial da reconvenção. Não
vai extinguir o processo com ou sem resolução do mérito, apenas não vai permitir que a
reconvenção prossiga aqui, mas o processo prossegue com a causa principal. É uma decisão
interlocutória sujeita a agravo, embora o conteúdo seja de sentença.
2º - Que haja compatibilidade entre os procedimentos da ação principal e da reconvenção.
Deve ser possível processá-las em conjunto.
3º - A ação principal deve estar pendente.
4º - A reconvenção deve ser conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa.
A reconvenção é uma nova ação do réu em face do autor. Se é uma nova ação, o autor poderá
responder, ele pode contestar a reconvenção e pode excepcionar (impedimento e suspeição),
só não pode propor exceção de incompetência relativa, pq já foi prorrogada a competência
através da demanda principal.
O autor poderá reconvir da reconvenção, desde que alegue como pedido algo que não poderia
ter pleiteado na ação principal. Isso pq se pudesse ter pleiteado na ação principal, teria
ocorrido a preclusão consumativa. Poderá reconvir desde que o pedido que faça seja conexo
com a ação principal ou com o fundamento da defesa, e também desde que não pudesse ter
feito esse pedido na principal.
O requerimento de incompetência absoluta pode ser realizado na reconvenção. Já o
requerimento de incompetência relativa não pode ser feito na reconvenção, uma vez, que
houve prorrogação da competência na demanda principal.
A reconvenção não é cabível nos Embargos à Execução, nos Juizados especiais e no
procedimento sumário, já que nestes dois últimos há previsão de que o réu possa formular
pedidos contrapostos, e nos embargos, a finalidade específica daquela demanda não permite o
ajuizamento da reconvenção por parte do embargado.
Admite-se reconvenção na rescisória, desde que o pedido na reconvenção seja a rescisão por
outro motivo que não aquele que consta na demanda principal.
Súmula 292 do STJ – É cabível reconvenção na ação monitória, após a conversão do
procedimento em ordinário.
Em determinados procedimentos especiais poderá ocorrer a conversão de procedimento
especial em procedimento ordinário. Nessas hipóteses seria cabível a reconvenção, nos
termos do decidido pelo STJ quanto à ação monitória.
Posição majoritária – Se ingressar com reconvenção e não contestar será caso de revelia.
Não é possível ingressar com a contestação depois da reconvenção, sob pena de preclusão
consumativa. Deve-se ingressar com as 2 juntas.
A decisão que indefere liminarmente a reconvenção, continua a ser considerada decisão
interlocutória, sendo cabível para impugná-la o recurso de agravo de instrumento.









Suspensão do Processo:

Os motivos da suspensão devem estar previstos na lei.
Durante a suspensão nenhum ato pode ser praticado, salvo os urgentes (art. 266 do CPC).
A suspensão pode ser:
 Própria – O processo é suspenso integralmente, paralisado como um todo; são as
hipóteses do art. 265 do CPC (com exceção do inciso III e IV, b).
 Imprópria – Há ilusão de paralisação do processo. É o caso do art. 265, III do CPC
(quando for oposta exceção de incompetência do juízo, da Câmara ou do Tribunal,
bem como de suspeição ou impedimento do juiz). Existe o processo principal, a
exceção de incompetência, a exceção de impedimento e a exceção de suspeição
autuadas em apartado. A exceção que faz parte do processo como um todo, segue
normalmente, mas só o processo principal é suspenso.
 Parcial – Abrange a suspensão imprópria. Abrange o caso em que a sentença de
mérito não pode ser proferida senão depois de verificado determinado fato ou de
produzida certa prova requisitada a outro juízo. (art. 265, IV, b, CPC).

Posição dominante – Morte da parte. O advogado atua nessa hipótese como curador
especial. Nesse caso a parte morre e o juiz continua a AIJ com o advogado, pq com a
morte da parte extingue-se o mandato. No entanto, o procurador já constituído continua
como curador especial.
Doutrina majoritária – É possível pedido de suspensão por convenção das partes no
processo cautelar, mesmo que haja o fumus boni iuris e o periculum in mora, sob o
fundamento de que ninguém melhor do que as partes para decidir sobre a urgência do
provimento jurisdicional.
O juiz pode examinar a legalidade dessa convenção. Sendo ela legal, o juiz é obrigado a
aceitá-la.
Mesmo que já tenha se iniciado a AIJ, com a morte do advogado do autor, este deverá
nomear novo mandatário no prazo de 20 dias, sob pena de extinção do processo. Se
morrer o advogado do réu, o mesmo deverá nomear novo mandatário no prazo de 20 dias,
sob pena de revelia (revelia ulterior) e o processo continuará.
Atenção: Mesmo que o direito seja indisponível as partes podem decidir pela suspensão do
processo.
Atenção: A suspensão convencionada não pode ocorrer no curso do prazo peremptório,
deve-se aguardar o decurso deste.
Atenção: Quando se tratar de direitos personalíssimos, intransmissíveis, não haverá
suspensão do processo, mas sua extinção.
A suspensão do processo por convenção das partes não poderá ultrapassar 6 meses (art.
265, parágrafo 3º do CPC).
Art. 265, IV, a, do CPC – Hipótese de suspensão prejudicial. Ocorre a suspensão do
processo por força de outra demanda.
Obs: A questão prejudicial de um processo deve ser o objeto principal de outro processo.
Ex: Uma ação de alimentos e outra de investigação de paternidade. A questão da
paternidade é uma questão de direito material autônoma, mas que deve ser solucionada
antes do pedido de alimentos, razão pela qual recebe a qualificação de prejudicial. Logo,
essa paternidade já é objeto principal de outra demanda, correndo em outra vara. O juiz
verifica se as causas estão em uma fase processual semelhante. Com isso, ele poderá
suspender o andamento do processo que trata de alimentos, com o intuito de aguardar o
julgamento da investigação da paternidade, objeto principal da outra demanda.
Nesses casos, a suspensão poderá perdurar por 1 ano (art.265, parágrafo 5º do CPC). Não
significa que vai perdurar por 1 ano, as partes podem requerer a continuidade do processo
se entenderem estar ocorrendo uma demora excessiva.
Considera-se o processo suspenso a partir da decisão judicial que suspende o mesmo.
Para que ocorra a suspensão do processo com base no art. 265, IV, b, CPC, a prova
requerida a outro juízo deve ser pleiteada até o saneamento do processo e deve ser
imprescindível para o julgamento da causa.
Atenção: Se a referida carta precatória ou rogatória for REQUERIDA até o saneamento do
processo e a prova nela pleiteada for imprescindível ao julgamento do mérito da causa,
suspende-se o processo, AINDA QUE A CARTA SEJA EXPEDIDA DEPOIS. A expedição
da carta precatória para outro juízo não paralisa o processo, o que ocorre é a suspensão
da prolação da sentença enquanto não for devolvida a carta cumprida. Haverá a fase de
instrução enquanto a carta estiver sendo processada em outro juízo.
A suspensão do processo para aguardar a devolução da carta precatória expedida deve
durar no máximo 1 ano, caso não seja devolvida no prazo, o juiz pode dar seguimento e
prolatar a sentença de mérito (art. 265, parágrafo 5º do CPC).
Art. 265, IV, CPC:
a - Suspende-se o processo quando a sentença de mérito depender do julgamento de
outra causa ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que
constitua objeto principal de outro processo pendente.
c – Suspende-se o processo quando a sentença de mérito tiver por pressuposto o
julgamento de questão de estado, requerido como declaração incidente.

A diferença entre a alínea “a” e a alínea “c”, é que na “a” a questão prejudicial é objeto
principal da outra demanda, enquanto que na alínea “c” a questão prejudicial é também
questão prejudicial em outro processo.
O juiz que suspendeu o processo para tentar evitar que houvesse contradição, pode entender
que a decisão da questão prejudicial do outro processo está equivocada. A decisão da questão
prejudicial não faz coisa julgada, por isso não vincula o juiz. Com intuito de evitar posterior
contradição, a parte pode ajuizar ação declaratória incidental, com o objetivo de que a questão
prejudicial seja julgada como ação, fazendo coisa julgada. Havendo julgamento do mérito
nesse processo, far-se-á coisa julgada, vinculando o juiz àquela decisão.
Não há fundamento legal para a suspensão do processo devido a ocorrência de Inquérito
Policial. O IP não está no rol do art. 265 do CPC. Porém, se houver um processo penal, o juiz
Poe suspender o processo pelas alíneas a e c. Há como suspender o cível para aguardar o
criminal e vice-versa.
A questão de força maior de que trata o inciso V do art. 265 do CPC, só abrange os fatos
insuperáveis, aqueles em que a parte não tem como superar (enchentes, avalanches...); se era
previsível ou não, pouco importa.




Extinção do Processo:

O art. 267 do CPC trata da extinção do processo sem exame do mérito. São as chamadas
sentenças terminativas.
O art. 269 do CPC trata das hipóteses de sentença definitiva, em que há o julgamento do
mérito, ou seja, o julgamento da relação jurídica de direito material levada à juízo. (ex: incisos I
e IV)
Atenção: Nos incisos II, III e IV do art. 269 do CPC não haverá julgamento de mérito
propriamente dito, haverá uma homologação. Por isso são chamadas de sentenças de mérito
impróprias ou impuras.
A extinção do processo sem julgamento do mérito ocorre quando o processo possui algum
vício. Nos casos de extinção do processo sem resolução do mérito, há a possibilidade de a
mesma relação jurídica de direito material ser objeto de nova demanda, a fim de que venha a
ser decidida pelo juiz, e desde que corrigido o vício que existia no 1º processo.
O único caso em que essa correção não será necessária se encontra no art. 267, V do CPC,
pois nos casos de litispendência e coisa julgada, a relação jurídica de direito material já é
objeto de outra demanda que está em curso ou que já foi julgada. No caso da perempção, o
abandono do autor em 3 oportunidades lhe impede de ajuizar novamente aquela mesma
demanda.
Regra – Indeferimento da petição inicial extingue o processo sem resolução do mérito.
Exceção – Indeferimento da petição inicial em virtude da decadência. Nesse caso há o exame
do mérito.
Pode ocorrer ainda que uma decisão com base no art. 267, I, do CPC não seja uma sentença
propriamente dita, mas sim uma decisão interlocutória. Ex: Indeferimento da petição inicial em
relação à autores que excederam um número razoável de litisconsortes ativos. O processo não
é extinto, ele prosseguirá em relação aos demais autores que não foram excluídos. Diante
disso, não será uma sentença, mas sim uma decisão interlocutória.
Art. 267, II, do CPC – O decurso do prazo de 1 ano por negligência das partes não acarreta
automaticamente a extinção do processo. Antes de extinguí-lo, o juiz deverá intimar
pessoalmente as partes para que no prazo de 48 horas realizem o ato processual. Somente no
caso de descumprimento, a extinção ocorrerá.
Art. 267, III, do CPC – Abandono unilateral do processo por parte do autor.
Súmula 240 do STJ – A extinção do processo por abandono de causa pelo autor dependerá de
requerimento do réu.
Atenção: Se o abandono da causa se der antes da resposta do réu, o juiz pode de ofício
extinguir o processo. Somente depois de apresentada a resposta do réu, será necessário o
requerimento de extinção de sua parte, visto que ele pode ter interesse em obter uma sentença
de mérito que declare a improcedência do pedido do autor.
Atenção: De acordo com a corrente majoritária, o assistente simples pode pleitear a extinção
do processo pq ele tem os mesmos poderes do assistido.
Art. 267, IV, do CPC – Trata dos pressupostos processuais. Se a irregularidade na capacidade
processual for com relação ao autor, e este não suprir o vício, o processo deverá ser extinto.
Se a irregularidade na capacidade processual for com relação ao réu, o processo não será
extinto sem resolução do mérito, deverá prosseguir com o réu revel.
Atenção: Não são todos os pressupostos processuais que irão acarretar a extinção do
processo. Alguns como a incompetência absoluta, implicam a remessa dos autos ao juízo
competente. A suspeição e o impedimento do juiz acarretam a remessa dos autos ao juiz
substituto de acordo com a lei ou o regimento interno.
Art. 267, V, do CPC – Perempção – É a proibição de ajuizar novamente a mesma demanda
quando ela já tiver sido extinta por abandono unilateral (do autor) em 3 processos anteriores.
Atenção: Essas extinções não devem ser seguidas, mas tão-somente com base no abandono
unilateral.
A perempção faz com que a matéria possa ser alegada em defesa, ou seja, quando o autor
não puder mais ajuizar outra demanda para pleitear o direito material, poderá alegá-la em
defesa, como exceção (art. 268, parágrafo único do CPC).
Litispendência – Demandas idênticas (mesmas partes, mesmo pedido e mesma causa de
pedir) tramitando.
Coisa julgada – O pedido formulado em uma demanda já foi julgado. A decisão do juiz sobre
aquela relação jurídica de direito material se tornou imutável, impedindo sua propositura em
outra demanda.
No caso de perempção existe um processo que repete as mesmas partes, pedido e causa de
pedir de outros já ajuizados anteriormente, mas estes foram extintos com base no art. 267, III,
do CPC, o que impede o prosseguimento daquela demanda em virtude da perempção. Então,
esse processo será extinto sem a resolução do mérito.
Na Litispendência existe um processo que possui as mesmas partes, pedido e causa de pedir
de outro que está em curso e é mais antigo. Como já existe processo idêntico em trâmite, o
mais novo deverá ser extinto sem resolução do mérito.
Na coisa julgada foi ajuizada uma demanda que possui as mesmas partes, pedido e causa de
pedir de outra que já teve seu trânsito em julgado, ou seja, já existe decisão sobre aquela
relação jurídica de direito material. É necessário extinguir o processo sem resolução do mérito,
em virtude da existência de coisa julgada. A coisa julgada a que se refere o inciso V do art. 267
é a coisa julgada material, pois somente esta espécie de coisa julgada impede a propositura de
uma nova demanda acerca da mesma relação jurídica.
Art. 267, VII, do CPC – Extingue-se o processo sem resolução do mérito pela convenção de
arbitragem. A convenção de arbitragem não pode ser examinada de ofício pelo juiz, sendo
imprescindível sua alegação pela parte interessada. Trata-se de uma exceção ao fato de que
as preliminares processuais do art. 301 do CPC podem ser examinadas de ofício.
Art. 267, VIII, do CPC – Desistência da ação. É ato unilateral do autor até o decurso do prazo
para resposta. Decorrido esse prazo, passa a ser uma ato bilateral, pq o réu deverá concordar.
Atenção: A doutrina e a jurisprudência tem entendido que o limite para essa desistência
unilateral não é o decurso do prazo para a resposta, mas sim o oferecimento da resposta. Isto
pq se o réu for revel ou não responder, o autor poderá desistir unilateralmente da demanda.
Art. 267, X, do CPC – Confusão entre autor e réu geram extinção do processo sem exame do
mérito. Ocorre quando no curso do processo ficam atribuídas a mesma pessoa as qualidades
de credor e devedor.
Art. 269, II, do CPC – Quando o réu reconhecer a procedência do pedido do autor, extingue-se
o processo com resolução do mérito.
Atenção: O reconhecimento do pedido do autor é uma ato unilateral particular do réu e não
pode vincular o Estado-juiz. O juiz deve verificar as demais provas e alegações das partes para
saber se o autor tem razão ou não ao pedido formulado. Se o juiz considerar que o autor tem
razão, homologará o reconhecimento da procedência do pedido pelo art. 269, II, do CPC.
Art. 269, III, do CPC –Quando as partes transigirem. A transação é um negócio jurídico através
do qual, em virtude de concessões mútuas, o litígio eventualmente existente entre as partes é
solucionado.
A transação é espécie do gênero conciliação. O reconhecimento da procedência do pedido e a
renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação, também são espécies de conciliação nas
quais não há qq transação.
Art. 269, IV, do CPC – A decadência ou caducidade é a perda do direito potestativo em razão
do seu não exercício no prazo legal ou contratualmente estabelecido. A decadência, mesmo a
convencional (não conhecível ex officio pelo juiz) é ato que pode ser alegado e examinado a qq
tempo e grau de jurisdição. O reconhecimento da decadência implica decisão de mérito.
Obs: Decisão que acolhe prescrição é decisão de mérito – Perda de eficácia da pretensão.
Art. 269, V, do CPC – Nesse caso, o autor está renunciando à própria pretensão de direito
material. É renúncia ao próprio direito e não à ação.

Competência:

Competência em sentido abstrato – É o conjunto de atividades jurisdicionais atribuído a um
órgão ou a um conjunto de órgãos pela Constituição e pelas leis.
Competência em sentido concreto – É a relação de adequação legítima entre o órgão
jurisdicional (juiz) e a atividade por ele realizada.
Natureza jurídica – A competência é considerada uma preliminar dilatória, ou seja, ela não
acarreta a extinção do processo sem julgamento do mérito, mas sim a sua remessa ao juízo
competente por decisão de declínio de competência.
Art. 88 do CPC – Hipóteses de competência internacional concorrente.
A execução de sentença estrangeira no território nacional irá depender de sua homologação
pelo STJ.
Art. 89 do CPC – Matérias de competência exclusiva da justiça interna, razão pela qual não
importa se há ou não sentença sobre a causa proferida no exterior, pq ela não vai ser
homologada perante a justiça nacional.
O termo foro deve ser entendido no sentido de comarca (justiça estadual) ou subseção
judiciária (justiça federal), ou seja, o local onde a demanda deve ser proposta.
Em regra é o CPC que vai guiar a busca pelo foro competente. Se a comarca for de juízo
único, sabendo-se qual é a comarca, a busca termina neste momento, pq competente será
este juízo.
A descoberta do juízo é delineada, em regra, pelas normas de organização judiciária.
Critérios de fixação da competência:
1) Critério objetivo: Abrange a competência em razão da matéria, em razão do valor da
causa e em razão da pessoa (doutrina). Como a definição dessas 3 espécies diz
respeito ao juízo no qual a demanda deverá tramitar, a competência será absoluta, não
podendo as partes alterar a competência daquela vara para o julgamento da causa.

2) Critério funcional: É o critério de fixação de competência em que se tomam por base as
funções exercidas pelo juiz no processo. O processo é um só, mas há atuação de
vários juízes. Nesse caso há divisão em 2 hipóteses:

Competência funcional horizontal – Na qual os vários juízes que vão atuar na causa
estão na mesma situação, ou seja, são do mesmo grau.
Ex: Carta precatória expedida por juiz federal no RJ para que um juiz federal em SP
cumpra determinado ato.

Competência funcional vertical – Vários juízes que vão atuar na causa estão em graus
diferentes.
Em regra, o juiz competente para executar sentença transitada em julgado é o mesmo
juiz que a proferiu, pq nesse caso há uma mesma vontade de aplicação da lei.
Outro exemplo é o da cautelar preparatória, em que o juiz competente para examiná-la,
em tese, é o competente para examinar a principal. Então, nesses casos existe mais
de um processo (processo cautelar e de conhecimento; de conhecimento e de
execução), mas há uma mesma vontade de aplicação da lei.

Existe ainda uma outra classificação segundo a qual a competência funcional pode ser
identificada:

 Quanto as fases do procedimento – Nesta hipótese, a prática de um ato
processual acarreta a competência absoluta deste mesmo juízo para a prática
de outro ato processual anteriormente previsto. Nesta classificação Tb está
abrangida a hipótese em que 2 ou + processos estão vinculados por uma
mesma vontade da lei. Implica a atribuição de competência para o julgamento
deste novo processo ao juiz que foi o competente para o julgamento do 1º.

 Quanto ao grau de jurisdição – Essa classificação distingue a competência
funcional em originária (ocorre quando é expressamente previsto em lei a
supressão do 1º grau de jurisdição, devendo a demanda se ajuizada
originariamente no tribunal) e recursal ou derivada (é aquela em que a lei
atribui a órgãos de diferentes graus de jurisdição a competência para o
julgamento dos recursos interpostos).

 Quanto ao objeto do juízo – Ocorre quando em uma mesma decisão participam
2 ou + órgãos jurisdicionais. É o caso do incidente de uniformização de
jurisprudência e da declaração incidental de constitucionalidade. Nesse caso, a
Turma ou Câmara julga o recurso propriamente dito, mas o exame da
constitucionalidade ou interpretação da lei é da competência do tribunal pleno.


3) Critério territorial: Diz a regra que a competência territorial é definida pelo domicílio do
réu, mas esta não é uma regra absoluta. Nos critérios objetivo e funcional o interesse
público é o objetivo principal. Já no critério territorial o interesse público é minimizado,
pq também se leva em conta o interesse particular.

Com base no interesse público e nas situações que podem surgir, poderemos distinguir casos
de competência absoluta e casos de competência relativa.
Características da competência absoluta:
1) O legislador entende que aquela questão é de tal importância que seu exame não pode
ser realizado em outro local que não aquele estabelecido pela lei.
2) Violação de competência absoluta deve ser declarada de ofício.
3) Existe a possibilidade de alegação pelas partes em qq tempo e grau de jurisdição,
sendo que a lei estabelece a preliminar de contestação como o momento cabível para
a alegação. Na fase dos atos executórios, a parte pode alegá-la através de exceção de
pré-executividade ou também de simples petição.
4) As partes não podem dispor sobre essa competência, o que significa que é incabível a
eleição de foro. Apenas cabe nos casos de competência relativa.
5) A última característica da competência absoluta é que os atos decisórios são nulos e a
sentença pode ser objeto de ação rescisória.

Características da Competência relativa:
1) Ela é disponível. O autor pode preferir adotar o domicílio do réu como o
competente (regra geral), sendo possível, ainda, que as partes possam
convencionar em sentido contrário, escolhendo foro diverso daquele indicado pela
lei.
2) Regra: Violação de competência relativa não pode ser declarada de ofício.
Exceção: Art. 112, parágrafo único, do CPC – Nos casos de eleição de foro em
contrato de adesão, o juiz pode declarar de ofício a nulidade da cláusula e remeter
os autos ao juízo do domicílio do réu – Súmula 33 do STJ.
3) A parte interessada pode alegar a incompetência relativa na primeira oportunidade
em que falar nos autos, sob pena de preclusão. Essa oportunidade normalmente
ocorre no prazo de resposta e o meio adequado para alegá-la é através de
exceção de incompetência. A exceção de incompetência deve ser alegada no
prazo de resposta do réu. Somente o réu pode ajuizar exceção de incompetência.
4) Art. 87 do CPC – Perpetuação da competência – Aplicada nos casos de
competência relativa. Essa regra é muito usada nos casos de execuções fiscais.
Ex: Um devedor que morava no RJ se muda para SP. A competência foi fixada no
momento em que demanda foi proposta. A alteração da situação de fato (alterar o
domicílio) não faz com que todas as execuções contra ele sejam enviadas para SP.
Se não houver pedido expresso, as ações permanecerão no RJ, pq o juiz somente
pode declinar de ofício nos caos de incompetência absoluta.

Art. 95, in fine, do CPC :
Competência Territorial – Regra – Relativa. Há a possibilidade, em regra, de modificar
o foro da situação da coisa para o foro do domicílio do réu ou foro de eleição, exceto
nas hipóteses elencadas no final do art. 95, cuja competência é absoluta, ou seja,
indisponível.
Competência em razão do valor da causa – É o autor quem escolhe o foro competente
para o julgamento de uma demanda cujo valor não ultrapasse 40 salários mínimos.
O JEC tem limite de 40 sm e a Vara Cível pode julgar causas de valor acima de 40 sm.
Então, se ela pode examinar qq pedido acima de 40, também pode examinar qq pedido
abaixo de 40. Mas se ocorrer o contrário, ajuizamento de demanda com pedido de 80
sm, por exemplo, a parte não pode ajuizá-la perante o juizado especial cível, isto pq a
lei estabelece um teto.
Resumindo: Aquele que pode o mais, pode o menos, mas o contrário não ocorre.
Aquele que pode o menos não pode o mais. A competência é relativa do mais para o
menos e absoluta do menos para o mais.
2 ou + demandas são conexas quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir.
Art. 105 do CPC – Será determinada a reunião das demandas conexas para serem
processadas e julgadas em conjunto. Para isso, é necessário verificar se elas estão em
fase processual equivalente, se elas possuem o mesmo procedimento e se os juízes
são competentes para o julgamento de ambas as demandas.
Para a maioria da doutrina a reunião de ações conexas é facultativa.
Para definir o juízo prevento são aplicados os arts. 106 e 219 do CPC.
O art. 106 fala “a mesma competência territorial”. Ex: Se a 1ª Vara Cível da capital do
RJ despachou em 1º lugar, ela será a Vara preventa, pq ela se encontra no mesmo
foro (competência territorial) da 3ª Vara da Capital do RJ. Não é qq despacho que
implica a prevenção. Trata-se de despacho liminar de conteúdo positivo, ou seja, é o
cite-se.
Se existem demandas conexas sendo processadas perante juízos de competência
territoriais diferentes, o que vai definir a prevenção é a citação válida – Art. 219 do
CPC.
A citação considera-se válida com a juntada do mandado de citação cumprido aos
autos.
Consequência da conexão – Reunião dos processos para julgamento simultâneo pelo
juiz prevento.
Finalidade principal da reunião – evitar a existência de julgamentos contraditórios.
A conexão não determina a reunião dos processos se porventura uma dessas
demandas já tiver sido julgada.
Continência – Art. 104 do CPC:
Na conexão há um vínculo entre o objeto e a causa de pedir. Na continência esse
vínculo é ainda maior, pq há entre as demandas identidades de partes e a mesma
causa de pedir, mas em uma delas o pedido é y e na outra o pedido é y + z + w. As
partes são as mesmas, a causa de pedir é a mesma, mas o pedido de uma delas é
mais amplo e abrange o pedido contido na outra.
Se a demanda que tem o pedido menor (abrangido) for preventa em relação à
demanda que tem o pedido mais amplo, ocorrerá a reunião das demandas, que serão
processadas e julgadas simultaneamente.
Se a demanda com o pedido menor tiver sido ajuizada posteriormente e o juízo
prevento for o que tem o pedido mais amplo, deduz-se que o pedido da 2ª demanda já
está sendo apresentado na demanda mais ampla, acarretando a extinção daquela por
litispendência.
Inércia – Com o ajuizamento de uma demanda perante juízo relativamente
incompetente, cabe a parte interessada ingressar com exceção de incompetência para
tentar modificar o foro e, consequentemente o juízo por onde a demanda se encontra
em tramitação. Se a parte não ingressa com tal exceção, ou seja, se permanece inerte,
ocorre prorrogação da competência, ou seja, o juízo que era relativamente
incompetente passa a ser absolutamente competente para o exame da causa.
As partes podem convencionar que as demandas oriundas de uma determinada
relação jurídica devem ser ajuizadas em determinado foro, estabelecido de comum
acordo.
Art. 109, parágrafo 3º da CF – Determinadas matérias expressamente previstas pelo
legislador podem ser objeto de julgamento pela justiça estadual, desde que a comarca
não seja sede de Vara da justiça federal. Existindo Vara da justiça federal naquela
comarca, tais espécies de ações obrigatoriamente devem ser ajuizadas na justiça
federal. Essa regra abrange os casos de benefícios previdenciários, bem como os
casos de execuções fiscais.
Atenção: Nos casos de acidente de trabalho em que o réu é o INSS, a competência é
da justiça estadual – Art. 109, I, CF.
Ação civil pública – Ressalvada a competência da justiça federal, é competente para a
causa a justiça local, ou seja, em qq dos casos do art. 109, I, CF é preciso dar
prevalência à competência da justiça federal. Esse tipo de competência em que o juiz
estadual é investido de jurisdição federal é chamada de competência delegada, mas
são hipóteses específicas.
Conflito de competência entre juiz estadual investido de jurisdição federal e um juiz
federal – Quem irá dirimir esse conflito é o TRF.
Em caso de conflito de competência entre um juiz federal e um juiz estadual, o STJ tem
competência para dirimi-lo.
Intervenção anômala – Art. 5º, parágrafo único da lei 9469. Esse dispositivo permite
que a União intervenha numa causa alegando apenas interesse econômico. Ex:
demanda entre empresa A e sociedade de economia mista B tramita na justiça
estadual. A União ingressa na justiça estadual com petição alegando interesse
econômico a favor de B. A demanda continua tramitando na justiça estadual, pq o
interesse econômico não caracteriza sua atuação como assistente.
Caso houvesse sido alegado interesse jurídico por parte da União ou de pessoa
jurídica de direito público federal, apto a ocasionar o deslocamento da competência, o
caso seria de assistência, o que caracterizaria a necessidade de remessa dos autos à
justiça federal.
Pessoa jurídica de direito público alegando interesse econômico não acarreta
deslocamento de competência. Somente no caso de interpor recurso contra alguma
decisão proferida no processo é que ela passará a ser considerada parte, inclusive
para fins de deslocamento de competência.
Os poderes da pessoa jurídica de direito público ficam restritos a determinadas
condutas – O interveniente somente poderá esclarecer questões de fato e de direito,
podendo juntar documentos e memoriais reputados úteis ao exame da matéria. Ela não
pode inquirir testemunhas, não pode pleitear perícias.
Conselho de fiscalização profissional – São considerados autarquias, sendo a justiça
federal competente para o julgamento das causas a elas atinentes.
A OAB é considerada uma autarquia sui generis.
Foro regional – O foro central do estado do RJ começou a ficar assoberbado pelo
grande número de demandas propostas. Surgiram, então, varas em bairros de maior
densidade populacional, tais como a Barra da Tijuca, Méier...
Esta denominação está equivocada. A hipótese não é de competência de foro, pq o
foro, ou seja, a comarca é a mesma, que é a da capital do estado do RJ, o foro central.
Ocorre, entretanto, que esse foro central foi descentralizado administrativamente, mas
continua sendo o foro central. Quando as normas de organização judiciária realizam
essa descentralização, a competência é do juízo e não do foro.
A competência dos foros regionais é absoluta em razão da função e da matéria.
Art. 100, I, do CPC – Privilégio de foro do cônjuge-mulher nas ações de divórcio e
anulação de casamento.
Doutrina – Esse dispositivo é aplicável aos casos de dissolução de União estável.
STJ – O dispositivo não é aplicado a este caso, devendo ser adotada a regra geral
prevista no art. 94 do CPC (foro geral).
Art. 100, II, do CPC – Privilégio de foro do alimentando. Ex: Um alimentando obtém
sentença com trânsito em julgado na 1ª vara de família da capital do RJ.
Posteriormente, ele passa a ter domicílio em SP. Mesmo neste caso, a execução dos
alimentos obedece ao art. 100, II, do CPC. Configura-se verdadeira exceção à
competência absoluta do art. 575, II, do CPC (a execução fundada em título executivo
judicial processar-se-á perante o juízo que decidiu a causa no 1º grau de jurisdição).
Foro do estado-membro – No caso de um estado-membro fazer parte de demanda,
mesmo que esteja no pólo passivo, não há foro privilegiado. Apenas a União tem foro
privilegiado. O estado-membro não tem foro privilegiado, mas sim juízo privativo (Vara
de Fazenda Pública). Devem ser observadas as regras gerais de determinação de
competência. Mas, definida a competência de um foro, caso exista nele Vara de
Fazenda Pública, é neste juízo que a demanda deverá ser proposta. Mas, se não existir
Vara de Fazenda Pública nessas comarcas, a demanda deverá ser proposta na Vara
Cível competente.
Atenção: É tradicional a afirmação de que a parte final do art. 95 do CPC é hipótese de
competência funcional. Isto por que o dispositivo é claro ao afirmar que nos casos de
propriedade, vizinhança, servidão, posse, divisão e demarcação de terras e nunciação
de obra nova, não há possibilidade das partes elegerem foro distinto ou da demanda
ser proposta no foro do domicílio do réu. Como a competência é de natureza absoluta,
a hipótese seria de competência funcional.
Art. 2º da Lei 7347/85 – As ações previstas nesta lei serão propostas no foro do local
onde ocorrer o dano, cujo juízo terá competência funcional para processar e julgar a
causa. O que o legislador quis dizer foi que a competência era absoluta, não podendo
ser modificada por vontade das partes.
STF – Passou a entender que a participação de ente federal acarretava a competência
absoluta da justiça federal, mesmo que ela não existisse naquela comarca, o que
obrigava o ajuizamento da demanda coletiva em outra comarca.
Art. 80 da Lei 10.741/03 – As ações previstas neste capítulo serão propostas no foro do
domicílio do idoso, cujo juízo terá competência absoluta para processar e julgar a
causa, ressalvadas as competências da Justiça Federal e a competência originária dos
Tribunais superiores.
Competência da justiça federal – Apesar de absoluta, as causas da justiça federal são
internamente distribuídas aos diferentes juízes, em razão da pessoa, da matéria e da
função. É por tal razão que se permite a reunião de causas conexas no âmbito da
justiça federal, ou são aplicadas as regras de prevenção para 2 ou mais causas, ou é
cabível a exceção de incompetência relativa no âmbito da justiça federal.
A natureza absoluta da competência a caracteriza como sendo, obrigatoriamente, caso
de julgamento pela justiça federal. Uma vez estando no âmbito da justiça federal, os
critérios de definição de competência deverão ser utilizados para definir o foro e o juízo
competentes.
Competência da justiça federal em razão da pessoa – Art. 109, I, do CPC – Identifica
as causas em que a União, entidade autárquica e empresa pública federal forem
interessadas na qualidade de autoras, réus, assistentes ou opoentes, salvo as de
falência, as de acidente de trabalho e as sujeitas à justiça eleitoral e à justiça do
trabalho. Além da União, autarquias e empresas públicas federais, também fazem parte
desse rol as fundações federais, as agências reguladoras e os conselhos de
fiscalização profissional, uma vez que elas também possuem natureza autárquica.
Essa expressão não abrange as sociedades de economia mista.
Se o interesse alegado for jurídico, a pessoa jurídica de direito público segue a regra
geral, seu ingresso no processo será na qualidade de assistente (simples ou
litisconsorcial, dependendo da natureza do interesse), e ele irá acarretar o
deslocamento da competência para a justiça federal, a fim de que o juiz federal
examine a presença do interesse e, se for o caso, determine seu prosseguimento com
vistas ao julgamento do mérito.
Mas, se o interesse alegado for econômico, o requerimento será feito com base no art.
5º, parágrafo único, da Lei 9469/67 e NÃO ocorrerá o deslocamento da competência
para o processamento e julgamento da causa pela justiça federal. O processo
permanecerá tramitando na justiça estadual e somente se o recurso for interposto
ocorrerá o deslocamento da competência, pois somente a partir do recurso é que a
pessoa jurídica de direito público passará a ser tratada como parte (é chamada pela
doutrina de intervenção anômala da União).
Suposta competência da justiça federal por força exclusiva da participação no
processo, do MPF – 2 correntes:
1ª – Defende que a participação do MPF não altera a competência para o
processamento e julgamento da causa, devendo ela permanecer no juízo por onde
tramitava até então. Como demonstração cabal desse entendimento, alegam que o art.
5º, parágrafo 5º da Lei 7347/85 permite o litisconsórcio entre Ministérios Públicos de
diferentes justiças para fim de propositura de ação civil pública. Nesta hipótese, caso
se adotasse o entendimento da outra corrente, a demanda deveria tramitar sempre em
vara da justiça federal, visto que a participação do MPF acarretaria o deslocamento da
competência.
2ª – Para os adeptos dessa corrente, a participação do MPF efetivamente desloca a
competência para o processamento e julgamento da demanda para a justiça federal. A
razão seria a ausência de personalidade jurídica do MP, o que o caracterizaria como
um órgão da União. Existem alguns acórdãos nesse sentido.
A exigência da presença de qq desses entes ocorre inclusive no âmbito da jurisdição
voluntária, além do que, caso o ingresso de algumas delas se dê a título de
chamamento ao processo ou denunciação da lide, também ocorrerá o deslocamento da
competência para a justiça federal, visto que o ente passará a ser parte propriamente
dita. O mesmo se diz em relação à nomeação à autoria.
União e casos de usucapião – Nos casos de usucapião especial estamos diante de
hipótese em que a competência para o processamento e julgamento da causa é da
justiça estadual exercendo competência da justiça federal.
Súmula nº 11 do STJ – A presença da União ou de qq dos seus entes, na ação de
usucapião especial, não afasta a competência do foro da situação do imóvel.
Nos casos de usucapião ordinário e extraordinário, a solução é diferente. No caso de
participação da União no pólo passivo da demanda, a competência para
processamento e julgamento da causa será da justiça federal, ainda que o local do
imóvel não seja sede de vara da justiça federal.
Art. 109, II, da CF – O dispositivo exige apenas que em um dos pólos da demanda
esteja presente um Município ou pessoa residente ou domiciliada no Brasil (física ou
jurídica) e, no outro um estado estrangeiro ou organismo internacional. Isto pq se em
um dos pólos estiver a União, estados, DF ou territórios, a competência para o
processamento e julgamento da causa não será mais da justiça federal, passando a ser
diretamente do STF.
Da sentença proferida pelo juiz federal de 1º grau de jurisdição, o recurso cabível será
o recurso ordinário constitucional para o STJ
Das decisões interlocutórias proferidas por este mesmo juiz federal de 1º grau, serão
cabíveis agravos de instrumentos Tb de competência do STJ.
Art. 109, VIII, CF – Segundo este dispositivo, é da competência da justiça federal de 1º
grau o processamento e julgamento do mandado de segurança e habeas data
ajuizados contra ato de autoridade federal, excetuando os casos de competência dos
Tribunais Federais. Inicialmente deve ser verificada a competência dos Tribunais
Federais para definir se o mandado de segurança e o habeas data devem ser
ajuizados no 2º grau. Efetuado esse exame, o remanescente é da competência da
justiça federal.
Quando se fala em autoridade, deve-se atribuir ao termo um sentido amplo, para
abranger não somente a autoridade pública propriamente dita, como também o agente
da pessoa jurídica de direito privado que se encontra no exercício de atribuições do
poder público.
Compete à justiça federal decidir da admissibilidade do mandado de segurança
impetrado contra atos de dirigente de pessoa jurídica privada, ao argumento de
estarem agindo por delegação do Poder público Federal
Competência da justiça federal em razão da matéria – Art. 109, III, CF – É de
competência da justiça federal o processamento e julgamento das causas fundadas em
tratado ou contrato da União com estado estrangeiro ou organismo internacional.
Atenção: Não existe a necessidade de estar presente em um dos pólos da demanda qq
ente federal.
A participação da União aqui irá se restringir à sua atuação no momento em que o
contrato ou acordo foi celebrado. É esse contrato que serve de causa de pedir da
presente demanda.
Art. 109, V – A, da CF – Através desse dispositivo criou-se um incidente que permite o
deslocamento da competência para o processamento destas causas que dizem
respeito à grave violação de direitos humanos para a justiça federal, mas que não
implica violação ao princípio do juiz natural, na medida em que são previamente
definidos os critérios que deverão ser utilizados para autorizar ou não o deslocamento
da competência.
Quanto ao aspecto recursal é possível aferir que a competência para o julgamento do
incidente de deslocamento da competência suscitado pelo PGR será do STJ. Mas,
dessa decisão do STJ será cabível recurso extraordinário para o STF.
O pedido de deslocamento da competência não implica na nulidade dos atos decisórios
praticados até então, uma vez que, o juízo era competente até o STJ decidir pelo
deslocamento de sua competência. Na verdade a decisão do STJ produz efeitos ex
nunc.
A jurisprudência do STJ acrescentou + um pressuposto para permitir o deslocamento
da competência para a justiça federal. Para o aludido tribunal superior, além da grave
violação a direitos humanos e a necessidade de assegurar o cumprimento de
obrigações decorrentes de tratados internacionais, seria necessário que se
demonstrasse a incapacidade (oriunda da inércia, falta de vontade política, de
condições pessoais, materiais...) de o estado-membro, por suas instituições e
autoridades, levar a cabo a persecução penal.
Art. 109, XI, CF – Trata-se de competência da justiça federal para processamento e
julgamento de processos atinentes à disputa sobre direitos indígenas. Sendo discutido
direito indígena em sentido coletivo, a competência será da justiça federal. Sendo
discutido o direito de índios individualmente considerados, então a competência será
da justiça estadual.
Art. 109, parágrafos 1º e 2º da CF – Nos casos em que a União for autora, o foro
competente será o do domicílio do réu. Nas hipóteses em que a União for ré, a
Constituição prevê a possibilidade de foro concorrente (da sessão judiciária em que for
domiciliado o autor, onde ocorreu o fato ou o ato que deu origem a demanda, onde
esteja situada a coisa, ou, ainda, no DF), ou seja, qq um deles é competente para o
processamento e julgamento da causa.
Atenção: A demanda deverá ser ajuizada em qq um desses foros supracitados, mas
obrigatoriamente perante uma Vara da justiça federal.
Se a demanda proposta contra a União for de natureza real imobiliária, a competência
do foro da situação do imóvel é absoluta, mas isso não afasta a competência da justiça
federal. Então, diante do caso concreto, a demanda deve ser proposta na comarca da
situação do imóvel. Ex: Uma ação de usucapião extraordinário em que o imóvel está
localizado em sapucaia confronta com terreno da União, mas o autor é domiciliado na
capital do estado de SP. No caso em apreço, a União deverá figurar no pólo passivo, o
que caracteriza a competência da justiça federal. O autor poderá, em tese, escolher qq
um daqueles foros relacionados no art. 109, parágrafo 2º, da CF, mas em se tratando
de ação real imobiliária, a competência do foro da situação da coisa é absoluta, o que
implica a competência da comarca de Sapucaia para o processamento e julgamento da
causa. Mas, como a demanda deve ser proposta em Vara federal, a competência será
de uma das Varas federais de Petrópolis, cuja competência abrange a cidade de
Sapucaia, já que esta não possui Vara federal.
Art. 109, parágrafos 3º e 4º da CF – Permite que um juízo estadual possa processar e
julgar uma causa que originariamente seja de competência da justiça federal. O autor
poderá optar entre propor sua demanda perante a Vara da justiça federal ou perante o
juízo estadual da comarca de seu domicílio. Essa possibilidade deve estar prevista em
sede constitucional ou em norma infraconstitucional:
Parágrafo 3º - Serão processadas e julgadas na justiça estadual, no foro do domicílio
dos segurados ou beneficiários, as causas em que forem parte a instituição de
previdência social e segurado, sempre que a comarca não seja sede de Vara do juízo
federal, e se verificada essa condição, a lei poderá permitir que outras causas sejam
também processadas e julgadas pela justiça estadual.
Possibilidades estabelecidas pela lei infraconstitucional:
A) Art. 15 da Lei 5010/66 (execuções fiscais) – Caso não haja Vara da justiça federal,
a execução fiscal deverá ser proposta na Vara da justiça estadual do domicílio do
executado.
B) Art. 15, II, da Lei 5010/66 (vistorias e justificações destinadas a produzir prova
perante a adm. federal). Caso a vistoria ou justificação não tenha esse escopo, ou
seja, não será utilizada para fins de prova perante órgão ou justiça federal,
também, por conseqüência, não haverá que se falar em delegação da
competência, e a competência será exclusiva da justiça estadual.
C) Art. 4º da Lei 6969/81 (usucapião especial) – Na hipótese de a demanda ter sido
ajuizada em Vara da justiça estadual nos casos de delegação de competência, a
posterior criação de Vara federal naquele local acarretará o automático
deslocamento de competência para esta nova Vara. Não é caso de perpetuactio
jurisdicionis, uma vez que tal princípio somente incide nos casos de competência
relativa, e não nos casos de competência absoluta como seria nesta hipótese.

Atenção: Apesar desta demanda poder tramitar perante a justiça estadual, os recursos
porventura cabíveis deverão ser ajuizados perante o TRF, uma vez que, a hipótese
será de juiz estadual exercendo as funções de juiz federal por delegação.
Competência dos Tribunais Regionais Federais:
Competência originária se subdivide em 3:
a) Ações rescisórias dos julgados seus ou dos juízes federais da região; b) Os
Mandados de Segurança e os Habeas data contra ato do próprio tribunal ou de juiz
federal; c) Conflitos de competência entre juízes federais vinculados ao tribunal.

Mandado de Segurança impetrado pela União perante o TRF, mas contra ato judicial
praticado por outro tribunal, não é da competência do TRF, mas sim do tribunal que
praticou o ato, por força do princípio constitucional implícito segundo o qual o ato coator
praticado pelo tribunal acarreta a competência do próprio tribunal para o exame do MS
contra ele impetrado.
A ação rescisória ajuizada pela União perante o TRF, mas contra ato judicial praticado
por outro tribunal, também não é da competência do TRF.
Atenção: Posicionamento do STJ – MS impetrado contra ato praticado por juiz estadual
investido de jurisdição federal é da competência do TRF. O entendimento é o mesmo
quando se trata de ação rescisória.
É da competência dos TRF’s o processamento e julgamento dos recursos interpostos
contra decisões dos juízes federais, bem como dos juízes estaduais investidos de
jurisdição federal.
Os TRF’s possuem competência para o processamento e julgamento dos Embargos
Infringentes e Embargos de Declaração opostos em face do julgamento daqueles
recursos.
Súmula 518 do STF – A intervenção da União em feito já julgado
pela 2ª instância e pendente de embargos, não desloca o processo para o Tribunal
Federal de Recursos.


Teoria Geral dos Recursos:

Recurso – É uma extensão do direito de ação.
Objetivos:
a) Reforma da decisão impugnada

 Efeito substitutivo – Julgamento do Tribunal substituirá a sentença/decisão
recorrida no que tiver sido objeto do recuso.
 Efeito modificativo – Modificação do julgado com a nova decisão do tribunal
– favorável ao recorrente.

b) Invalidação ou anulação da decisão de 1º grau de jurisdição - Determinada pelo
Tribunal ad quem. Devolve ao 1º grau para que este profira nova decisão (caso de
erro in procedendo)
c) Esclarecimento ou integração da decisão judicial – Exclusivo do ED.

Legitimidade para recorrer:
a) Parte vencida – Autor, réu, assistente, opoente, chamado, denunciado, nomeado,
que tenham sofrido prejuízo no que diz respeito à relação jurídica da qual são
titulares.
b) Terceiros prejudicados – Devem demonstrar interesse jurídico.
c) MP – Como parte (deve demonstrar interesse em recorrer com base em prejuízos
sofridos) ou como custos legis/ fiscal da lei (na defesa de disposição legal não
observada na prolação da decisão judicial).

Recurso adesivo – No prazo das contra-razões, aquele que poderia ter recorrido, mas
não o fez, poderá interpor apelação, embargos infringentes, recurso especial e recurso
extraordinário na forma adesiva. Seu conhecimento fica subordinado ao conhecimento
do recurso principal. Recurso adesivo só existe se a parte contrária houver interposto
um recurso principal independente.
Exemplos de recursos com fundamentação livre – Apelação, agravo...
Exemplos de recursos com fundamentação vinculada – Recurso especial (só podem
ser alegadas algumas das hipóteses do art. 105, III, da CF), recurso extraordinário (art.
102, III, da CF) e embargos de declaração (art. 535 do CPC).
Recursos suspensivos – Impedem a produção imediata dos efeitos da decisão
impugnada – Ex: Apelação, salvo as hipóteses do art. 520 do CPC.
Recursos não suspensivos – Agravo, recurso especial e extraordinário.
Efeito devolutivo – Inerente a qq tipo de recurso, inclusive ao ED, embora o reexame
da matéria impugnada seja realizado pelo próprio órgão jurisdicional que proferiu a
decisão (efeito regressivo).
Efeito devolutivo imediato – Agravo de instrumento vai diretamente para o relator no
tribunal.
Regra – Efeito devolutivo gradual – A devolução ocorre gradualmente. Juízo de
admissibilidade em diferentes momentos e graus de jurisdição. Ex: Apelação. Juiz de
1º grau faz um primeiro exame dos requisitos de admissibilidade, abre vista para
contra-razões. Pode realizar um 2º exame de admissibilidade. Se for o caso, remete os
autos para o tribunal – irá para o relator (este pode negar seguimento, dar provimento e
Tb permitir que vá diretamente para o órgão colegiado).
Juiz de 1º grau, relator e órgão colegiado – Todos irão examinar os requisitos de
admissibilidade.
Efeito devolutivo diferido – O conhecimento e o julgamento de determinado recurso fica
sujeito ao conhecimento de outro. Ex: Agravo retido, recurso especial retido e recurso
extraordinário retido.
Atenção: O tribunal fica vinculado ao pedido formulado pelo recorrente, mas não em
relação aos fundamentos. Mesmo que o juiz de 1º grau não as tenha examinado
quando da prolação da sentença, as questões de fato e de direito que tiverem sido
suscitadas e discutidas podem ser utilizadas pelo tribunal para respaldar sua decisão.
Além delas, as questões de ordem pública que o juiz poderia ter conhecido de ofício,
mas não o fez, também são devolvidas ao tribunal, mesmo que não tenham sido
alegadas por qq das partes.
Regra – Recurso interposto por um dos litisconsortes é independente dos demais.
Porém, no caso de litisconsórcio unitário, e nos casos de litisconsórcio simples em que
a matéria alegada no recurso for de natureza comum, a decisão deste recurso
beneficiará os demais, salvo se distintos ou opostos os seus interesses.
Limitação do efeito devolutivo – Embargos Infringentes – Restritos ao âmbito da
divergência entre os votos dos desembargadores
Agravo de instrumento – Não tem efeito suspensivo. O processo continua tramitando
no 1º grau. Se o tribunal der provimento ao agravo, a decisão original pode ser
reformada ou anulada, e os atos processuais praticados no decorrer do processo serão
nulos, não produzirão efeitos.
Questões de ordem pública – Não é o efeito devolutivo que as transfere para o tribunal,
mas sim o efeito translativo.
Outro caso de efeito translativo é a remessa necessária (ou duplo grau de jurisdição) –
Causa remetida ao tribunal por exigência legal. Determinadas sentenças sobem ao
tribunal independentemente de recurso.
Atenção: Recurso com base em erro in judicando – Tanto faz se o tribunal vai dar
provimento ao recurso ou não, nas 2 hipóteses haverá o efeito substitutivo, o acórdão
do Tribunal irá substituir a sentença de 1º grau.
Recurso com base em erro in procedendo – Se o tribunal negar seguimento ao recurso,
o acórdão do tribunal irá manter a sentença do 1º grau, mas mesmo assim ocorre o
efeito substitutivo – O acórdão passa a substituir a sentença de 1º grau. Contudo, se o
tribunal der procedência ao recurso (apelação) com base em erro in procedendo, ele
anula a sentença de 1º grau, mas não julga, remete os autos ao juiz de 1º grau para
que este profira nova decisão, nova sentença. Logo, não ocorre aqui efeito substitutivo.
Regra – Juízo de admissibilidade no mínimo dúplice: 1º exame de admissibilidade do
recurso é realizado no juízo de 1º grau e posteriormente um segundo exame é
realizado no 2º grau.
Exceções – Agravo de Instrumento e Embargos de Declaração – Nesses casos o juízo
de admissibilidade não é dúplice. O próprio órgão que irá fazer o exame do mérito fará
o exame do juízo de admissibilidade do recurso.
Agravo de instrumento – Irá diretamente para o relator
Embargos de Declaração – Irá diretamente para o órgão que proferiu a decisão
impugnada.
Requisitos intrínsecos de admissibilidade:
a) Cabimento do recurso (previsto na lei)
b) Legitimidade para recorrer
c) Interesse para recorrer
d) Inexistência de fatos extintivos ou impeditivos do direito de recorrer

Requisitos extrínsecos:
a) Tempestividade
b) Regularidade formal do recurso
c) Preparo

Fatos extintivos do direito de recorrer:
 Renúncia ao recurso – Ocorre antes da interposição do recurso
 Aquiescência à decisão judicial
Fatos impeditivos do direito de recorrer:
 Desistência do recurso ou da ação (ocorre depois da interposição de recurso)
 Renúncia ao direito em que se finda a ação
 Reconhecimento da procedência do pedido

Regularidade formal do recurso:
 Nome e qualificação das partes
 Fundamentos de fato e de direito
 Pedido de nova decisão

O preparo tem que ser apresentado junto com o recurso (ao mesmo tempo), sob pena
de o recurso ser considerado deserto.
Jurisprudência – Preparo pago antes da interposição do recurso pode ser apresentado
depois. A parte tem que justificar o motivo pelo qual não apresentou o preparo junto
com o recurso.
Princípio da taxatividade – Recurso é meio de impugnação judicial que esteja previsto
em lei federal. Ex: juizados especiais (recurso inominado).
Princípio da singularidade/unirrecorribilidade – Para cada decisão judicial só há um
recurso cabível.
Princípio da fungibilidade – Dúvida objetiva acerca do recurso cabível – Possível
interpor recurso e pleitear que ele seja conhecido e julgado como se fosse outro.
Exigência – O recurso interposto deve tê-lo sido no prazo inferior (boa-fé do recorrente)
Princípio da voluntariedade – Os recorrentes estabelecem o teor do recurso, sua
amplitude, seu pedido...
Exceção – Reexame necessário – Não há vontade das partes. É uma condição de
eficácia da sentença.
Princípio da Non reformatio in pejus – Tribunal não pode reformar a decisão piorando a
situação do recorrente. Esse princípio é aplicado nos casos de sucumbência recíproca,
mas que só uma das partes tenha recorrido.
Logo, se autor e réu recorrerem (sucumbência recíproca), o tribunal pode piorar a
situação de qq um deles.
Questões de ordem pública – Tribunal pode proferir decisão prejudicial ao único
recorrente, quando do exame de tais matérias, uma vez que, deverá examiná-las
independentemente de alegação de qq das partes.
Reexame necessário – Não é recurso, é condição de eficácia da sentença. Sobe tudo
para o tribunal, o pedido todo e as causas de pedir todas.
No reexame necessário é proibido ao tribunal agravar a condenação imposta a
Fazenda Pública.
Se o particular também recorre, aí pode o tribunal agravar a situação da Fazenda
Pública, uma vez que, existe recurso da parte que sucumbiu parcialmente.
Regra – Apelação é recurso cabível de qq sentença.
Exceções:
a) Sentença de valor entre 300 e 400 – Cabe Embargos infringentes de alçada.
Devolvem ao próprio juiz de 1º grau o reexame de sua sentença.
b) Sentenças proferidas nos juizados especiais – Cabe recurso inominado
c) Causas envolvendo estado estrangeiro ou organismo internacional de um lado, e
de outro, Município ou pessoa (física ou jurídica) residente ou domiciliada no país)
– Sentença será proferida por um juiz federal de 1º grau e o recurso cabível será o
ordinário constitucional ao STJ.

Prazo para apelar = 15 dias
Prazo em dobro para recorrer – Fazenda Pública, MP e litisconsortes com diferentes
procuradores.
Atenção: O prazo para contra-razoar NÃO é em dobro.
Atenção: Quando só um dos litisconsortes sucumbir NÃO se conta o prazo em dobro.
Legitimidade para apelar – Parte vencida, 3º prejudicado (deve demonstrar interesse
jurídico) e MP (como parte ou como fiscal da lei).
Erro in procedendo – Devolve o processo ao 1º grau para que o juiz profira nova
decisão. O tribunal determina a anulação ou invalidação da sentença, mas não julga.
Atos processuais praticados serão nulos.
Erro in judicando – O tribunal reforma a decisão de 1º grau, decidindo a causa de
maneira distinta. Ocorre a substituição da sentença de 1º grau pelo acórdão do tribunal.
Efeitos da apelação – Regra – Duplo efeito
É devolvido para o exame do tribunal tudo o que foi objeto da apelação, nada mais e
nada menos.
O tribunal pode se basear em qq fundamento (questões de fato e de direito que tenham
sido suscitadas e discutidas no 1º grau de jurisdição), independentemente de terem
sido mencionadas nas razões ou contra-razões de apelação.
Existem casos em que a apelação é recebida só no efeito devolutivo (art. 520 do CPC)
– O apelado poderá promover desde logo a execução provisória da sentença.
Atenção: Questões incidentais formuladas no 1º grau de jurisdição, mas que não foram
decididas naquele juízo, ficam submetidas ao tribunal.
Fato novo pode ser alegado em grau de apelação, desde que a parte prove que deixou
de fazê-lo por motivo de força maior (o fato tem que ser relativo àquela mesma causa
de pedir que já foi apresentada no 1º grau).
Atenção: Questões de direito podem ser alegadas a qq momento – Passíveis de exame
ex officio pelo juiz.
Aplicação da teoria da causa madura – 2 condições:
 A causa deve versar questão exclusivamente de direito
 A causa deve estar em condição de imediato julgamento
Atenção: Questões de fato documentalmente provadas, as não controvertidas e as que
envolvem fatos notórios – Não há necessidade de dilação probatória.
Não há necessidade de pedido por parte do apelante para que o tribunal aplique a
teoria da causa madura. Se o apelante não quer a aplicação da teoria da causa
madura, ele deve pedir expressamente que o tribunal não realize o julgamento do
mérito, devolvendo o processo para o 1º grau para prosseguimento da fase instrutória.

Procedimento:
Apelação – Juízo de 1º grau (a quo) realiza um primeiro juízo de admissibilidade da
apelação – Ou recebe ou não recebe a apelação. Se não receber, cabe AI.
Admitida a apelação (conhecida), o juiz de 1º grau abre vista ao recorrido para contra-
razões da apelação. Após o decurso desse prazo, os autos retornam ao juízo de 1º
grau, e este realiza um 2º juízo de admissibilidade, e então irá dar seguimento ou negar
seguimento a apelação.
Se der seguimento, a apelação será distribuída a um relator no tribunal. O que o relator
pode fazer:
a) Negar seguimento ao recurso nos casos que ele for manifestamente:

 Inadmissível
 Improcedente
 Prejudicado
 Estiver em confronto com Súmula ou jurisprudência dominante do STF ou
Tribunal superior, ou do próprio tribunal.

b) Pode dar provimento ao recurso se a decisão recorrida estiver em confronto com
Súmula ou jurisprudência do STF ou de tribunal superior.
c) Pode realizar o juízo de admissibilidade e remeter ao órgão colegiado caso não se
sinta apto a adotar nenhuma das medidas alternativas anteriores.

Recurso improcedente – Quando o relator examina o mérito do recurso e nega
provimento ao mesmo.
Recurso prejudicado – No momento que a parte interpõe o recurso todos os requisitos
de admissibilidade encontram-se presentes, mas um fato superveniente acarreta a
perda de seu objeto.
Da decisão monocrática do relator que nega seguimento ou dá provimento a apelação,
cabe Agravo Interno – Para levar a decisão impugnada ao exame e decisão do órgão
colegiado.
Sentença que indefere Petição inicial – Cabe apelação – Efeito regressivo (o juízo
prolator da decisão terá a possibilidade de se retratar daquela decisão no prazo de 48
horas)
Apelação inadmissível pelo juiz de 1º grau – Falta de algum dos requisitos de
admissibilidade – Cabe Agravo de Instrumento.
Se no tribunal o recurso foi admitido, o tribunal irá reformar a decisão agravada e
remeterá os autos ao juiz de 1º grau para que este processe a apelação e remeta ao
tribunal. O tribunal fica vinculado à decisão proferida no AI. Não pode julgar
inadmissível a apelação pelo mesmo fundamento.
Agravo – É cabível em face de decisão interlocutória proferida em qq processo.
Agravo de instrumento específico – Para desbloquear recurso especial ou
extraordinário não admitidos na presidência ou vice-presidência do tribunal de origem.
Despachos teratológicos – Pretensão de dar andamento ao processo, mas acabam
acarretando algum gravame para as partes – Cabe Agravo.
Agravo retido – Cabível de decisões interlocutórias de 1º grau cujo conhecimento e
julgamento, por imposição da lei ou por opção do agravante fica diferido para um
momento posterior, quando do conhecimento e julgamento de eventual apelação
interposta em face da sentença prolatada.
Atenção: Nas razões ou contra-razões de apelação a parte interessada deve reiterar o
pedido de exame desse agravo, sob pena de o mesmo restar prejudicado.
Possui efeito regressivo – Possibilidade de o juiz de 1º grau se retratar da decisão
impugnada.
Aqui o efeito devolutivo é diferido (impróprio) – O seu conhecimento fica sobrestado a
um momento posterior, quando do julgamento da apelação.
Prazo de interposição do agravo retido – 10 dias
Órgão competente para o seu julgamento – Tribunal. Logo, não está sujeito ao juízo de
admissibilidade no 1º grau (maioria da doutrina).
O juiz pode indeferir liminarmente somente a possibilidade de se retratar e não a
retenção do agravo.
Retratação do juiz – Agravo retido prejudicado.
Agravo retido conhecido e deferido – Decisão interlocutória anulada, bem como os atos
processuais decorrentes desta.
Obs: 3º não pode interpor recurso na forma retida (corrente majoritária)
Hipótese obrigatória de Agravo retido – Decisão interlocutória proferida em AIJ.
Agravo de Instrumento – Dirigido diretamente ao tribunal competente.
Falta dos documentos obrigatórios – Irregularidade formal do recurso – Falta do
requisito genérico de admissibilidade extrínseco – Impossibilita a sua admissão.
Atenção: STJ – Se nos demais documentos apresentados pelo agravante for possível
suprir a ausência de um documento obrigatório, o agravo deve ser conhecido.
O Agravo de Instrumento está sujeito a preparo.
Agravo de instrumento interposto por fax – A parte terá 5 dias para juntar o recurso
original (contados do término do prazo definido pela lei).
Agravo de Instrumento – Vai direto para o relator. Este poderá negar seguimento ou
dar provimento. Caberá agravo interno ou regimental. Possibilidade de retratação por
parte do relator. Caso se retrate, caberá agravo interno ou regimental da parte
contrária.
STF – O relator apesar de decidir o mérito do recurso sozinho, ele presenta o órgão
colegiado.
Decisão monocrática no âmbito dos tribunais – Proferida por um dos desembargadores
ou juízes no 2º grau de jurisdição.
Agravo de Instrumento manifestamente protelatório ou inadmissível – Tribunal deve
impor multa entre 1% e 10% do valor da causa ao agravante. Essa decisão deve ser
expressa e a multa revertida em favor da parte contrária.
Órgão competente para impor essa multa – órgão colegiado.
STJ – Autenticação das peças que acompanham o agravo de instrumento é
desnecessária. Cabe a parte contrária a impugnação fundamentada, indicando qual (ou
quais) cópia apresentada pelo agravante não está de acordo com o respectivo original.
Comunicação ao juízo da interposição de agravo de instrumento – Art. 526 do CPC – O
agravante, no prazo de 3 dias, requererá a juntada aos autos, no 1º grau, da cópia da
petição do agravo de instrumento bem como dos documentos que instruíram o recurso.
A finalidade é permitir ao juízo do 1º grau o exercício do juízo de retratação.
Não cumprimento deste artigo, desde que argüido e provado pelo agravado, gera
inadmissibilidade do agravo.
Se houver retratação do juízo de 1º grau, o agravo fica prejudicado.
Atenção: 2 possibilidades de modificação da decisão impugnada – Uma pelo tribunal
no julgamento do recurso e a outra pelo juiz de 1º grau ao exercer o juízo de
retratação. A decisão que irá prevalecer será a que foi proferida antes.
Efeito suspensivo e antecipação da tutela recursal precisam ser pedido pela parte, não
são concedidos de ofício.
Atenção: Das decisões liminares de indeferimento ou atribuição de efeito suspensivo
ou antecipação da tutela recursal do agravo de instrumento não cabe mais agravo
interno ou regimental. De tais decisões será cabível pedido de reconsideração e
excepcionalmente MS, se caracterizada a decisão como ato violador de direito líquido e
certo.
Se enquanto o agravo de instrumento aguarda o seu julgamento no tribunal, é proferida
sentença no 1º grau, o agravo de instrumento perde o seu objeto e é extinto sem
resolução do mérito.
Situação – Agravo de instrumento aguardando julgamento no tribunal e sentença
proferida em 1º grau. O que acontece se a apelação da sentença for proposta pelo
agravante?
Isso significa que ele perdeu, que o pedido foi julgado improcedente. Tanto o agravo de
instrumento quanto a apelação devem ser examinados, só que o agravo será
examinado antes da apelação. Se examinados na mesma sessão, terá precedência o
agravo.
O que acontece se a apelação for interposta pelo agravado?
Isso significa que o agravante teve seu pedido julgado procedente. Agravo de
instrumento deve ser julgado em conjunto com a apelação do agravado de modo a não
acarretar cerceamento do direito de defesa do agravante/apelado.
Relator pode converter agravo de instrumento em retido – Requisito: Quando não
estiverem presentes os requisitos legais para o exame daquele recurso.
Exceção – Não se pode fazer essa conversão quando se tratar de decisão suscetível
de causar a parte lesão grave e de difícil reparação, nos casos de inadmissibilidade da
apelação e nos casos relativos aos efeitos em que ela é recebida.
Decisões que determinam a conversão do agravo de instrumento em retido – Não cabe
agravo interno, cabe pedido de reconsideração.
A parte não pode desistir do agravo retido para interpor o agravo de instrumento, sob
pena de preclusão consumativa.
Embargos de declaração – Hipóteses de cabimento:
a) Obscuridade – Falta de clareza da decisão judicial
b) Contradição – Incompatibilidade entre as proposições constantes da decisão
judicial.
c) Omissão – Órgão prolator da decisão deixa de apreciar questões relevantes para o
julgamento da causa.

Objetivos do ED nos casos a e b é esclarecer a decisão judicial. No caso c, o objetivo é
integrar a decisão judicial.
Jurisprudência – Cabe ED com base na obscuridade e contradição de sentenças,
acórdãos e decisões interlocutórias.
Decisão monocrática do relator em 2º grau de jurisdição – Cabe ED.
Exceção – Decisão do Ministro relator do STF – Será passível de agravo interno. O
STF admite aqui o princípio da fungibilidade – ED recebido como se fosse agravo
interno.
Efeito devolutivo do ED – Devolução para o mesmo órgão prolator da decisão
impugnada.
Efeito interruptivo – Interposição de ED por qq das partes interrompe o curso do prazo
recursal para ambas.
Atenção: Essa interrupção só ocorre se os Embargos de Declaração forem admitidos,
ao contrário do que ocorre com os Embargos Infringentes, em que basta a mera
interposição.
Efeito suspensivo – Nos Embargos de Declaração interpostos no âmbito dos juizados
especiais.
Embargos de Declaração com efeitos infringentes – Quando podem vir a alterar o
conteúdo da decisão judicial. Abre-se vistas a parte contrária (contraditório). 6 casos:
a) Contradição – Se uma das proposições prevalece sobre a outra, pode ser que
aquela que tenha sido usada como base para a decisão judicial deixe de existir.
b) Omissão – O aspecto não analisado pode modificar a convicção do juiz sobre o
assunto.
c) Questões de ordem pública não examinadas de ofício pelo juiz.
d) Fato novo, superveniente a sentença ou acórdão. A parte só teve conhecimento
após a prolação da sentença.
e) Erro crasso, evidente – ex: tribunal julga mérito de recurso em que não foi aberto
prazo para contra-razões.
f) Na sentença extra petita (sem relação com o que foi objeto de pedido) e ultra petita
(excesso de sentença).

Atenção: Sentença de procedência parcial do pedido não enseja interposição de ED
com efeitos infringentes.
ED com finalidade de prequestionamento – Existência no processo de exame prévio da
questão federal ou constitucional que será objeto dos recursos extraordinários.
Regra – prequestionamento explícito – São mencionados os dispositivos legais
violados pelo teor da decisão judicial.
Prequestionamento implícito – Não há referência dos artigos violados, mas há alegação
da tese jurídica que está sendo tratada, que por conseqüência acarreta violação ao
dispositivo legal ou constitucional.
Súmula 356 do STF – O ponto omisso da decisão sobre o qual não foram opostos
Embargos de Declaração não pode ser objeto de recurso extraordinário – Falta
prequestionamento.
Súmula 211 do STJ – ED não apreciado pelo tribunal a quo – Será inadmissível
recurso especial quanto à questão suscitada no ED.
Se a parte tentou prequestionar a matéria e o tribunal rejeitou, pode-se ingressar
diretamente com recurso extraordinário.
Súmula 98 do STJ – ED com propósito de prequestionamento não tem caráter
protelatório.
Natureza jurídica da decisão do ED – A mesma do ato impugnado. Ex: ED em face de
decisão interlocutória. A decisão do ED vai possuir natureza de decisão interlocutória.
Juízo de admissibilidade do ED – Verifica-se os pressupostos recursais intrínsecos e
extrínsecos, e se o recorrente alegou contradição, obscuridade ou omissão da decisão.
Presente os pressupostos, o juiz conhece do recurso de ED, ausente algum dos
pressupostos o juiz não conhece.
Juízo de mérito – O juiz ou tribunal irá verificar se realmente existe ou não obscuridade,
contradição ou omissão. Se a decisão padeceu de algum desses vícios, o órgão
julgador irá dar provimento ao ED; não presente o vício, irá negar provimento ao
recurso.
Atenção: No juízo de admissibilidade não se pode decidir sobre a ocorrência de
contradição, obscuridade ou omissão – Matéria reservada ao exame de mérito.
Ocorrendo alguma daquelas situações, não há necessidade de remeter o processo
para o juiz que proferiu a decisão embargada. O outro juiz que esteja atuando naquele
juízo poderá decidir o ED.
Prazo do ED = 5 dias.
Regra – Não estão sujeitos ao contraditório.
Exceção: ED com efeitos infringentes – Existe a necessidade do contraditório.
Os ED precisam de preparo.
ED com caráter protelatório – Imposição de multa. Pode ser aplicada de ofício pelo juiz.
É revertida para o embargado.
Doutrina – ED protelatórios não implicam em alteração dos efeitos em que os mesmos
foram recebidos. O que pode alterar os efeitos em que foram recebidos os ED é o fato
de eles não serem conhecidos, caso em que não haverá interrupção do prazo recursal.
Recurso especial – É recurso de competência exclusiva do STJ contra decisão
proferida em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou Tribunais
de Justiça dos estados, DF e Territórios, quando incidem em algumas das hipóteses
previstas nas alíneas a, b e c do inciso III do art. 105 da CF.
Não é qq decisão que dará ensejo a recurso especial, somente acórdãos proferidos
pelos TRF’s e TJ’s podem viabilizar a interposição deste recurso.
Os acórdãos podem ter natureza de sentença ou de decisão interlocutória, dependendo
se resolvem ou não o mérito da causa.
Ex: Indeferida alegação de prescrição pelo juiz de 1º grau através de decisão
interlocutória, quando o tribunal examina o agravo de instrumento interposto, acolhe a
alegação de prescrição e extingue o processo com resolução do mérito. Esse acórdão
do julgamento do agravo de instrumento possui natureza de sentença, pois resolverá o
mérito da causa.
Em outra hipótese, supondo que seja proferida sentença, extinguindo o processo sem
resolução do mérito por ilegitimidade passiva. A parte vencida apela, e nessa apelação
é alegada a legitimidade passiva do réu. O tribunal a acolhe, anula a sentença e
devolve os autos ao 1º grau, para prosseguimento, uma vez que o caso não
possibilitava o julgamento imediato do mérito. Neste segundo caso, o acórdão terá
natureza de decisão interlocutória, porque não extingue o processo com ou sem
julgamento do mérito, mas o devolve ao juízo de 1º grau para que ele prossiga com a
causa, uma vez que a sentença foi indevidamente proferida.
Conclusão: A natureza do acórdão não possui relação com a natureza da decisão
impugnada. O fato de a decisão impugnada ser uma decisão interlocutória ou uma
sentença não implica que o acórdão, proferido no TRF ou TJ, possuirá a mesma
natureza. Isso dependerá da resolução ou não do mérito da causa no âmbito recursal.
Quando o acórdão tiver natureza de sentença, o recurso especial será interposto na
forma tradicional, não na forma retida. No entanto, quando o acórdão tiver natureza de
decisão interlocutória, a regra é que a interposição do recurso especial será realizada
na forma retida.
Quando se fala em única instância, a Constituição está fazendo referência aos casos
de ações de competência originária daqueles tribunais.
A referência à última instância significa que a hipótese não abrange os casos de ações
de competência originária dos tribunais, mas sim nos casos em que a demanda
tramitou em juízo inferior, sendo utilizados todos os recursos ordinários cabíveis até o
momento em que restou a interposição de recurso especial para o STJ.
De acordo com a Súmula 207 do STJ existe a obrigatoriedade de o recorrente esgotar
todos os recursos ordinários cabíveis, para só então poder interpor o recurso especial.
Se o relator utilizar-se da prerrogativa do art. 557 do CPC e negar seguimento ou der
provimento ao recurso interposto, não caberá recurso especial, pois resta a
interposição do agravo interno, e deverão ser esgotados todos os recursos ordinários
cabíveis para que o recurso especial seja interposto.
Se o acórdão a ser impugnado possuir parte unânime e parte não unânime, o recurso
especial dependerá da interposição de embargos infringentes. Por exemplo, se eram
cabíveis embargos infringentes de todo o acórdão e este não foi interposto, então o
acórdão transitou em julgado, e não será cabível recurso especial. Se cabíveis
embargos infringentes de parte do acórdão e ele não foi interposto, a parte não-
unânime, que deveria ser atacada por embargos infringentes, transita em julgado. Já
da parte unânime caberá recurso especial.
Não cabe recurso especial da decisão do TER ou TRT. Para decisões proferidas pela
justiça especializada, o recurso cabível deverá ser dirigido ao TST/TSE, ou seja, aos
órgãos próprios para o exame dessas decisões.
Não cabe recurso especial das decisões das Turmas Recursais, pois estas não
compõe nem os Tribunais Regionais Federais, nem os Tribunais de Justiça dos
Estados, do DF e dos Territórios.
O recurso especial é um recurso de fundamentação vinculada, pois só existe a
possibilidade de interposição do recurso com base em alguma das alíneas constantes
do art. 105, inciso III da CF. Não é recurso de fundamentação livre, como é o caso da
apelação ou do agravo de instrumento.
Partindo da premissa de que só é possível fundamentar o recurso especial com base
nas alíneas a, b e c do inciso II, do art. 105 da CF, o juízo de admissibilidade do RESP
examina inicialmente se o recorrente enquadrou a decisão impugnada dentro de
alguma das hipóteses previstas nas referidas alíneas.
O Presidente ou Vice-Presidente do tribunal a quo, a quem compete o exame de
admissibilidade do RESP, deverá verificar se os argumentos apresentados se
enquadram em alguma daquelas hipóteses. Em caso positivo, o recurso deverá ser
admitido.
Atenção: Não há possibilidade de que este órgão (Presidente ou Vice-Presidente do
tribunal a quo) possa adentrar no exame do mérito do recurso especial.
Hipóteses do art. 105:
a) Contrariar tratado ou lei Federal, ou negar-lhes vigência.
O termo contrariar aqui utilizado é bastante amplo, podendo ser compreendido como:
Deixar de aplicar tratado ou lei Federal, quando é cabível; Aplicar incorretamente o
tratado ou lei Federal quando é cabível; Interpretar equivocadamente o tratado ou lei
Federal em desconformidade com o entendimento do STJ.
Negar vigência é deixar de aplicar a lei Federal quando cabível, afirmando as razões
pelas quais a considera incabível no caso concreto. Já o termo contrariar significa
deixar de aplicar a norma quando ela era cabível, sem mencionar expressamente a
razão de não a estar aplicando.
Cabe RESP de:
Leis federais propriamente ditas;
Decretos federais;
Regulamentos federais;
Medidas Provisórias;
Lei estrangeira que será aplicada no território nacional (é lei de cunho material).
Atenção: Posicionamento do STJ – Só caberá RESP quando a ofensa for direta, frontal
à lei Federal.
Existe a necessidade de se prequestionar a base infraconstitucional do acórdão, de
modo a verificar a possibilidade ou não do cabimento do recurso especial. No caso de
a parte prequestionar a matéria infraconstitucional, será possível interpor os 2 recursos,
ou seja, o RESP e o REXT, uma vez que, o mesmo acórdão acarretou violação de
dispositivo daquelas duas esferas normativas. O 1º recurso a ser julgado será o
especial no STJ. Somente depois, caso ainda exista interesse, é que o processo
seguirá para o julgamento do recurso extraordinário no STF.
O STJ é o órgão competente para interpretar corretamente a lei federal. Diante disso,
se o tribunal deu uma razoável interpretação à lei, ainda que não seja a melhor, cabe
recurso especial para o STJ.
Nas alíneas b e c a decisão não necessariamente tem de estar errada, pode até estar
correta, e mesmo assim dará ensejo ao recurso especial. Mas, na alínea a, a decisão
do tribunal que propicia o recurso especial precisa estar errada.
Conforme o art. 541 do CPC, o recurso especial deverá ser interposto perante o
Presidente ou Vice-Presidente do tribunal recorrido, ou seja, tais recursos são
interpostos no tribunal a quo.
Além de examinar a admissibilidade com base nas alegações do recorrente verificando
se elas incidem nas hipóteses das alíneas a, b e c do inciso III do art. 105 da CF, o
Presidente ou Vice-Presidente irá examinar a presença dos demais requisitos de
admissibilidade intrínsecos ou extrínsecos do recurso especial (Legitimidade, interesse,
cabimento, inexistência de fato impeditivo ou extintivo, tempestividade, regularidade
formal e preparo).
Atenção: Só quem pode julgar o mérito do recurso especial é o STJ.
Se o relator examina o recurso e nega admissibilidade alegando que não ocorreu nem
contrariedade nem negativa de vigência, não cabe agravo regimental, pois não é
julgamento de turma, caberá, sim, agravo de instrumento específico que leva o exame
da admissibilidade do recurso especial para o STJ, que era o destinatário original do
recurso.
O recurso especial pode ter a sua admissibilidade negada pelo Presidente ou Vice-
Presidente do tribunal a quo, mas o agravo de instrumento específico deve ser
obrigatoriamente remetido para o STJ, sob pena de ajuizamento de ação de
reclamação constitucional.
Súmula nº 7 do STJ – Questão de fato não pode ser objeto de recurso especial, logo
não é possível a interposição de recurso especial para reexame de prova. É possível
identificar a situação do recurso especial que pretende o reexame da prova, ou seja,
uma nova apreciação da prova, o que é inadmissível, daquela outra situação segundo
a qual o recurso pretende discutir a má aplicação do direito probatório, o que
caracteriza uma questão de direito e, portanto, permite a utilização do recurso especial.
Súmula nº 5 do STJ – Não pode ser objeto de recurso especial a análise de cláusula
contratual. A simples interpretação da cláusula contratual não enseja recurso especial.
Entretanto, é importante distinguir esta situação daquela outra que pretende o exame
da qualificação jurídica da cláusula contratual. Trata-s neste caso de questão de direito,
o que permite a utilização do recurso especial.
Atenção: A regra é o prequestionamento explícito para deixar claro qual o dispositivo
violado, o que deve ser feito através dos embargos de declaração prequestionadores.
Alínea b – O fato de a decisão recorrida considerar válido um ato de governo local
contestado em face de lei federal estaria contrariando lei federal.
Alínea c – Quando a decisão recorrida der a lei federal interpretação divergente da que
lhe haja atribuído outro tribunal.
Atenção: Somente a divergência entre tribunais diferentes propicia a interposição de
recurso especial.
Para o STJ, além dos tribunais, os estados precisam ser diferentes.
Matéria constitucional divergente entre os tribunais não propicia recurso especial. Só
cabe recurso especial se a interpretação da lei federal for divergente.
Atenção para a seguinte situação: Apesar da divergência, o acórdão que será objeto de
recurso adotou o entendimento do STJ, mas ainda assim é divergente de acórdão de
outro tribunal que não adotou a posição do STJ.
Solução: Quando o acórdão recorrido está de acordo com o entendimento do STJ, não
cabe recurso especial. O recurso especial não será admitido (conhecido) – Súmula 83
do STJ.

Recurso extraordinário – É recurso interposto contra decisões de única ou última
instância proferidas por quaisquer órgãos do poder judiciário que tenham violado ou
que possam violar dispositivos constitucionais.
Trata-se de recurso de competência exclusiva do STF.
Objeto do recurso – QQ decisão, de única ou última instância, proferidas por quaisquer
órgãos do poder judiciário (juiz ou tribunal), desde que esgotados todos os recursos
ordinários cabíveis e que tenham ou possam ter ocasionado violação a dispositivo
constitucional.
Diferenças entre recurso especial e recurso extraordinário:
É cabível recurso extraordinário do julgamento proferido pelas turmas recursais.
Atenção: Súmula 733 do STF – Não cabe recurso extraordinário contra decisão
proferida no processamento de precatório. O processamento de precatório possui
natureza administrativa e não jurisdicional, e, portanto, a decisão também é de cunho
administrativo.
Súmula 735 do STF – Não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere
medida liminar.
O indeferimento da liminar pode ensejar recurso extraordinário. Já o deferimento, o
STF entende que tem natureza de decisão interlocutória,e para combatê-la temos uma
série de recursos cabíveis, a começar pelo agravo.
O não esgotamento dos recursos ordinários cabíveis ocasiona a hipótese de
inadmissibilidade do recurso extraordinário.
QQ acórdão de qq tribunal pode ser objeto de recurso extraordinário, desde que se
esgotem todos os recursos ordinários cabíveis e as hipóteses se restrinjam a uma
daquelas previstas no art. 102, inciso III, alíneas a, b, c e d da CF.
Questões relevantes – Decisão de turma recursal pode ser objeto de recurso
extraordinário, pois qq decisão proferida por qq juiz ou tribunal pode ser objeto de
recurso extraordinário. Porém, não cabe recurso especial. A princípio não pode uma
decisão de juiz de 1º grau ser objeto de recurso extraordinário, pois primeiro devem-se
esgotar todos os recursos ordinários cabíveis, a fim de que o recurso extraordinário
seja admitido. De uma sentença de 1º grau, por exemplo, o recurso cabível é a
apelação.
Na hipótese de sentença de 1º grau proferida no âmbito da execução fiscal, as
chamadas causas de alçada, o recurso cabível não será apelação, e sim embargos
infringentes, que não guardam semelhança com os embargos infringentes do art. 530
do CPC, os quais são interpostos contra acórdão decidido por maioria de votos no
tribunal no julgamento de apelação ou ação rescisória.
Esses embargos infringentes da Lei 6.830/80 são dirigidos ao próprio juiz prolator da
sentença, que julga e reexamina a sua própria sentença. Mantido o teor da sentença,
será cabível recurso extraordinário.
É o que diz a Súmula 640 do STF – É cabível recurso extraordinário contra decisão
proferida por juiz de 1º grau nas causas de alçada (art. 34 da lei 6.830/80), ou por
turma recursal de juizado especial cível ou criminal.

Hipóteses de recurso extraordinário:
Art. 102, Inciso III, alínea a da CF – Quando a decisão recorrida contrariar dispositivo
da CF.
Abrangência do verbo contrariar:
Não se aplicar à Constituição, quando cabível; Aplica-se a Constituição incorretamente,
apesar de cabível; Interpretar-se dispositivo constitucional de forma diversa da
interpretação dada pelo STF; Quando há negativa de vigência de dispositivo
constitucional, diferente do art. 105, III, a, da CF, que separa a contrariedade da
negativa de vigência.
É preciso haver ofensa direta a dispositivo constitucional. Há necessidade de expressa
referência ao dispositivo constitucional que está sendo violado, para que seja
admissível o recurso extraordinário. É o caso de prequestionamento explícito exigido
pelo STF.
Súmula 636 do STF – Não cabe recurso extraordinário por contrariedade ao princípio
constitucional da legalidade quando a sua verificação pressuponha rever a
interpretação dada a normas infraconstitucionais pela decisão recorrida.
Isto é, se houver necessidade de se fazer um reexame da matéria infraconstitucional
(legal) como pressuposto do exame acerca da violação ou não de dispositivo
constitucional, não caberá recurso extraordinário. Para o STF é preciso que haja
violação à norma expressa, para se interpor recurso extraordinário.
É cabível recurso extraordinário com base em ofensa a princípio constitucional?
Para a corrente utilizada na jurisprudência do STF, não se admite a interposição de
recurso extraordinário nos casos de alegação de violação a princípio constitucional, sob
o argumento que a má interpretação do dispositivo infraconstitucional acarretaria, no
máximo, ofensa indireta (reflexa) à CF, o que impediria o cabimento do recurso
extraordinário.
Art. 102, inciso III, alínea b, da CF – Quando a decisão recorrida declarar a
inconstitucionalidade de tratado ou lei federal.
O órgão encarregado de verificar a constitucionalidade ou não de um tratado ou lei
federal é o STF. A alínea b trata do controle difuso de constitucionalidade, que é
realizado através de recurso extraordinário.
A admissibilidade do recurso extraordinário implica a verificação da ocorrência da
declaração da inconstitucionalidade de lei federal ou do tratado pelo juízo a quo, além
da presença dos demais pressupostos de admissibilidade intrínsecos e extrínsecos do
recurso. A questão acerca do acerto ou do erro da declaração de inconstitucionalidade
é matéria de mérito do recurso extraordinário, e não pressuposto de sua
admissibilidade.
Art. 102, inciso III, alínea c, da CF – Quando a decisão recorrida julgar válida lei ou ato
de governo local contestado em face dessa Constituição.
Neste caso, a regra é que o prequestionamento deve ser explícito, porque se há uma
lei ou um ato de governo local acarretando violação a dispositivo constitucional, há
necessidade de apontar-se expressamente quais os dispositivos da CF que estão
sendo violados e quais os dispositivos da lei que os estão infringido.
Ato de governo local – São atos administrativos do Governador, do Prefeito, do
Presidente da Assembléia Legislativa ou da Câmara de Vereadores que possam
ensejar à violação da CF.
Art. 102, inciso III, alínea d, da CF – Quando a decisão recorrida julgar válida lei local
contestada em face de lei federal.
Ao existir um confronto entre uma lei local e uma lei federal acerca de determinada
matéria, estamos diante de conflito de normas constitucionais, na medida em que
estará ocorrendo uma invasão de competência legislativa que se encontra prevista na
própria CF. Alguma das entidades extrapolou os limites estabelecidos pela Constituição
para legislar sobre determinado tema. Mas, se for um ato de governo local que
contraria lei federal, não há qq violação ao sistema de repartição de competências,
razão pela qual a discussão permanece no âmbito do STJ, em sede de recurso
especial.
É indispensável o prequestionamento de questões cujo exame se pretenda em sede de
recurso especial e recurso extraordinário.
Se algum desses recursos (especial ou extraordinário) é interposto com base em
alguma das causas de pedir anteriormente suscitadas e discutidas no processo e é
admitido, quando do exame do seu mérito, ocorrerá a ampla devolução de todas as
questões que tenham sido suscitadas e discutidas anteriormente, independentemente
do recorrente tê-las ou não alegado naquele recurso.
Ao conhecer e passar ao julgamento do mérito do recurso, o Colendo STF ou o Egrégio
STJ podem conhecer de ofício ou por provocação de todas as matérias de ordem
pública, bem como daquelas discutidas e suscitadas anteriormente, mesmo que o
tribunal não as tenha julgado por inteiro.
O tribunal superior (STJ ou STF) pode conhecer e julgar ex officio as questões de
ordem pública, tais como aquelas previstas no art. 267 do CPC, a decadência e até a
prescrição.
A Lei 11.418/2006 regulamentou a chamada repercussão geral no âmbito dos recursos
extraordinários.
O STF, em decisão irrecorrível, não conhecerá (requisito de admissibilidade recursal)
do recurso extraordinário, se a questão constitucional nele versada não oferecer
repercussão geral. Trata-se de requisito de admissibilidade específico dessa espécie
recursal.
Trata-se de uma exceção à regra de que os requisitos de admissibilidade recursal
sofrem ao menos 2 exames de admissibilidade. A existência ou não da repercussão
geral é matéria de competência exclusiva do STF.
Antes de qq exame do processo, o STF deverá analisar se existe ou não a repercussão
geral exigida por lei, razão pela qual ela deverá ser apresentada como preliminar.
Repercussão geral = Para efeito de repercussão geral, será considerada a existência,
ou não, de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico,
que ultrapassem os interesses subjetivos da causa.
O Supremo deverá restringir seu julgamento àquelas causas que tenham o condão de
produzir efeitos em uma série de outros processos cuja relação jurídica seja a mesma.
Isso significa que a decisão poderá produzir efeitos em relação a quem não participa da
relação processual.
Existirá essa repercussão sempre que o recurso impugnar decisão judicial que seja
contrária à Súmula ou jurisprudência dominante do STF.
O art. 102, parágrafo 3º, da CF já afirmava que eram necessários os votos de 2/3 dos
membros do STF para que fosse reconhecida a ausência de repercussão geral, com a
respectiva decisão de não-conhecimento de recurso extraordinário.
O art. 543 – A, parágrafo 4º, do CPC - Se a turma decidir pela existência da
repercussão geral por, no mínimo, 4 votos, ficará dispensada a remessa do recurso ao
plenário.
Art. 543 – A, parágrafo 5º, do CPC – Negada a existência da repercussão geral, a
decisão valerá para todos os recursos sobre matéria idêntica, que serão indeferidos
liminarmente, salvo revisão da tese, tudo nos termos do regimento interno do STF.
Art. 543 – B, do CPC – Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em
idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do
regimento interno do STF. A despeito de tal fato, o parágrafo 1º do art. 543 –B
estabelece que o tribunal de origem deverá selecionar um ou mais recursos que
representem a controvérsia e encaminhá-los ao STF, sobrestando os demais até o
pronunciamento definitivo da corte.
Na hipótese de o STF negar a repercussão geral àqueles recursos que lhe foram
remetidos, os demais recursos que estão no tribunal de origem e que possuem a
mesma controvérsia serão automaticamente não admitidos.
Os recursos que permaneceram sobrestados no tribunal de origem não são remetidos
ao STF, mas deverão ser considerados não-admitidos pelo próprio tribunal a quo. A
competência para essa decisão de inadmissibilidade será do Presidente ou Vice-
Presidente do tribunal recorrido. Desta decisão é perfeitamente possível a interposição
do chamado agravo de instrumento específico (art. 544 do CPC), justamente para
tentar desbloquear o recurso extraordinário que foi inadmitido.
No próprio art. 543 – B, em seu parágrafo 3º, há expressa menção de que no caso de o
STF julgar o mérito do recurso extraordinário, aqueles recursos que estão sobrestados
no tribunal de origem serão apreciados quanto ao mérito, pelos tribunais, turmas de
uniformização ou turmas recursais. A partir daí, existe a possibilidade de que eles
venham a se tornar prejudicados, no caso de o STF ter decidido a causa da mesma
maneira que o tribunal recorrido, ou que eles venham a se retratar, na hipótese inversa.
No caso de o tribunal a quo ter proferido decisão contrária àquela que o STF proferiu e
mesmo assim ele não se retratar como permite o parágrafo 3º, o tribunal deverá admitir
o recurso e enviá-lo ao STF para julgamento.
O art. 543 – A, parágrafo 6º, estabelece, uma hipótese de intervenção do chamado
amicus curiae, na medida em que possibilita a participação de terceiros na análise da
existência ou não da repercussão geral. Essa participação já é admitida na prática nas
ações de controle concentrado de constitucionalidade.
A Lei 11.418/06, que regulamentou a repercussão geral teve vigência 60 dias depois da
sua publicação, e somente é aplicável aos recursos interpostos a partir do 1º dia de sua
vigência. Isto impede a sua aplicação retroativa a recursos que já estejam no STF.

















Execução:

Processo de execução – Conjunto de atos estatais para concretizar a vontade da lei
manifestada através de decisão judicial anterior que dá ensejo ao surgimento de um
título executivo judicial.
Ex: Sentença penal condenatória transitada em julgado, sentenças estrangeiras
homologadas pelo STJ e sentenças arbitrais.
Execução forçada – Constrição do patrimônio do devedor.
Início da execução forçada – Com a realização do 1º ato constritivo do patrimônio do
executado.
Início do processo de execução – Quando da apresentação da petição inicial.
Doutrina – 2 meios de execução:
1º - meios de coação ou coerção – O estado-juiz coage o executado a cumprir a
determinação proferida pela sentença transitada em julgado através da imposição de
multa, pena de prisão...
2º - meios de sub-rogação – O Estado se sub-roga na condição de devedor,
substituindo a sua vontade. Se ele não quiser cumprir a obrigação, invade o seu
patrimônio para retirar bens suficientes para quitar a obrigação.
A execução incide sobre o patrimônio do devedor e não sobre a sua pessoa.
A execução sempre deve ser útil. Feita a penhora, se os bens não forem suficientes
nem para pagar as custas da execução, ela não pode prosseguir.
Princípio da menor onerosidade/gravosidade/sacrifício do executado – Havendo vários
meios de se quitar a obrigação, o juiz deve zelar para que seja adotado o menos
oneroso para o devedor executado.
A execução deve ser específica – Entrega do bem especificamente pleiteado pelo
exeqüente. Ex: casos de obrigação de entregar coisa, fazer e não fazer.
Execução imediata – Ocorre imediatamente após sentença proferida em processo de
conhecimento.
Atenção: Tanto na sentença condenatória de obrigação (de entregar coisa, fazer ou
não fazer) transitada em julgado quanto na antecipação de tutela específica, a decisão
proferida em processo de conhecimento deve ser materializada sem a necessidade de
um processo de execução.
Atenção: Toda vez que o juiz de ofício ou a requerimento das partes, intima o devedor
para o cumprimento de uma obrigação decorrente de sentença judicial oriunda de
processo de conhecimento anterior, ele está iniciando a execução imediata, uma nova
fase do processo de conhecimento sem a necessidade de um processo de execução
autônomo.
Regra hoje – Execução específica. Conversão em perdas e danos só se o bem se
deteriorar ou se o credor assim quiser.
Inércia do devedor no não cumprimento da decisão judicial – É ele quem deverá arcar
com o pagamento das custas da execução.
A execução com base em título executivo extrajudicial pressupõe a inexistência de um
processo de conhecimento anterior, logo a execução não pode ser imediata, visto que
nesta há a continuação do processo de conhecimento.
Execução – Livre disponibilidade do credor. Este não precisa da aquiescência do
devedor para desistir da execução.
Havendo embargos, com a desistência do processo de execução pelo credor, ainda
assim, ocorrerá a extinção do processo de execução. Como ficam os embargos já
ajuizados?
Se eles versarem sobre questão de mérito, será necessária a aquiescência do
embargante para a extinção dos embargos, tendo em vista o objetivo do embargante,
qual seja, o de prosseguir com a demanda com o intuito de obter um pronunciamento
de mérito, o que impede que o credor volte a discutir aquela relação jurídica de direito
material em qq outro processo de execução.
Embargos versando sobre questões de fato serão extintos sem a necessidade de
aquiescência do embargante.
Embargante deseja prosseguir com os embargos do devedor, e o credor desiste do
processo de execução. Como fica?
O processo de execução será extinto, e os embargos prosseguem, passando a seguir
o rito de uma ação de conhecimento ordinária.
Requisitos de toda obrigação:
Formal – Existência de um título executivo
Material – O inadimplemento de uma obrigação
Execução fundada em título executivo judicial – Será processada perante o juízo que
decidiu a causa no 1º grau de jurisdição.
Execução fundada em título executivo extrajudicial – regras gerais de competência do
CPC.
Fraude contra credores – Diminuição do patrimônio do devedor antes do ajuizamento
de qq demanda. Devem estar presentes 2 elementos:
Elemento objetivo – Dano (alienação ou oneração de bens ocasiona a insolvência do
devedor).
Elemento subjetivo - Fraude (o alienante e o adquirente deveriam ter a possibilidade de
saber que aquele ato ocasionaria a insolvência do devedor).
Ato gratuito – Não precisa provar se o adquirente sabia ou não da fraude.
Ato oneroso – É preciso demonstrar a existência do dano e da fraude.
Ação pauliana – Deve demonstrar fraude + dano. O objetivo é a decretação da
nulidade do negócio jurídico. Natureza jurídica dessa sentença = Constitutiva
negativa/desconstitutiva.
Corrente processualista – Na ação pauliana o negócio jurídico permanece válido, mas
não produzirá qq efeito em relação ao autor da ação.
Ex: Autor da ação pauliana vence a ação e então pode se dirigir ao patrimônio de 3º
que adquiriu o bem e penhorá-lo, independentemente de qq alegação do 3°. Credor,
alienante e adquirente foram partes na demanda (ação pauliana), logo estão sujeitos à
coisa julgada.
A alienação é válida e eficaz para todos os demais credores que não ajuizaram a ação
pauliana.
Para a corrente majoritária a natureza jurídica da sentença proferida em ação pauliana
é constitutiva, uma vez que, cria nova relação jurídica entre credor e o 3º. O credor tem
o direito agora de ingressar no patrimônio do 3º para penhorar o bem adquirido do
devedor.
A ação pauliana (casos do art. 158 e 159 do CC) pode ser intentada contra o devedor
insolvente, contra pessoa com quem celebrou ato fraudulento ou contra terceiros
adquirentes que procederam de má-fé.
Atenção: Trata-se de litisconsórcio passivo necessário. Sendo ação constitutiva
negativa, todos os interessados devem figurar no pólo passivo da demanda. Também é
unitário, ou seja, o resultado é o mesmo para todos.
Regra: Somente os credores quirografários podem ingressar com a ação pauliana.
Exceção: Credores com garantia real. Requisito: Essa garantia não seja suficiente para
garantir todo o valor da dívida.
Para a posição dominante há necessidade de uma ação pauliana para decretar a
ineficácia do ato em relação ao autor.
Obs: Fraude contra credores não pode ser reconhecida em embargos de terceiro. STJ
– Em embargos de terceiro não se anula ato jurídico por fraude contra credores.
Fraude à execução:
Dispensa-se o elemento subjetivo. Os envolvidos no ato fraudulento não precisam ter a
possibilidade de saber que aquele ato acarretaria a insolvência do devedor. Basta a
existência do elemento objetivo – Dano (insolvência).
Atenção: A fraude não precisa ser demonstrada ou alegada em ação própria.
Nessa fraude a alienação ou oneração fraudulenta de bens ocorre quando já existe
uma demanda em curso, que por sua vez, pode vir a dar ensejo a uma execução
(demanda de natureza condenatória).
Hipóteses de fraude à execução:
Art. 539, I, do CPC – Quando ocorre alienação ou oneração de bens sobre os quais
esteja pendente ação fundada em direito real (à partir da citação do réu).

Exceção a regra de que a alienação tem que acarretar a insolvência (dano) – Não
importa se o devedor possui outros bens para quitar com a sua obrigação, considera-se
fraude à execução a alienação de bens quando sobre eles pender ação fundada em
direito real. Aqui, o simples fato de o devedor alienar o bem litigioso já é fraude à
execução.
Art. 539, II, do CPC – Quando ao tempo da alienação ou oneração ocorria contra o
devedor demanda capaz de reduzi-lo a insolvência (pode ser ação de conhecimento,
não precisa ser processo de execução). A alienação é válida, mas ineficaz em relação
ao autor da demanda que está em curso.

Atenção: Alienação de bem penhorado ou arrestado – Não é preciso a redução do
devedor a um estado de insolvência para que se caracterize a fraude à execução. Este
ato é válido, porém se o credor pleitear em juízo a ineficácia do ato e esta for deferida,
o bem alienado que está na posse de 3º poderá ser objeto de hasta pública para
quitação da obrigação junto ao credor. O 3º deverá ajuizar ação de perdas e danos em
face do alienante do bem.
Atenção: Penhora averbada – Presunção absoluta de que o devedor tinha
conhecimento da sua existência. Caso não haja tal averbação, o credor interessado
deverá demonstrar que o devedor tinha conhecimento daquela constrição por outros
meios.
Execução de obrigação de entrega de coisa certa judicial:
Pressupõe a existência de sentença condenatória proferida em processo de
conhecimento anterior (título executivo judicial). É um prolongamento do processo de
conhecimento e não um processo de execução autônomo.
Essa sentença condenatória vai definir: O que vai ser entregue, quando vai ser
entregue e de que forma. Irá estabelecer multa para o descumprimento da obrigação
de entregar coisa certa (pode ser de ofício pelo juiz).
Não cumprimento da obrigação dentro do prazo:
1º lugar - Multa
2º - lugar – Mandado de busca e apreensão, quando se tratar de bem móvel ou
mandado de imissão na posse, quando se tratar de bem imóvel (a multa continua
incidindo). Essa sentença será efetivada logo após o seu trânsito em julgado, como
uma nova fase do processo de conhecimento que estava em curso. É a chamada
execução imediata. Cabe apelação, recebida no duplo efeito. A apelação interposta
impede a efetivação da tutela específica que não será realizada de imediatamente.
Execução da obrigação de entrega de coisa certa extrajudicial:
Como não há sentença anterior, há que se iniciar um processo de execução autônomo
para entrega de coisa certa com base em título executivo extrajudicial. Este processo
de execução encontra-se subdividido em 3 fases: Postulatória, instrutória e satisfativa.
Atenção: Através da petição inicial é pleiteada a citação do executado para entregar a
coisa ou depositá-la em juízo no prazo de 10 dias. Tais condutas não tem mais como
finalidade garantir o juízo para fins de apresentação de embargos. Tal exigência foi
abolida com a nova redação do art. 738 do CPC.
Realizada a citação do executado, com a juntada do mandado de citação cumprido aos
autos surgem 2 prazos para o executado:
10 dias para que entregue a coisa certa (a execução será extinta) ou para que deposite
a coisa (presume-se que o executado irá embargar a execução).
15 dias para interpor embargos à execução.
Esses prazos são contados da juntada aos autos do mandado de citação cumprido.
O próprio devedor pode pleitear para ser nomeado depositário do bem.
Se o devedor não entrega e nem deposita a coisa, expede-se mandado de busca e
apreensão ou de imissão na posse.
Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão pode acontecer:
Do bem está na posse de 3º. Se for caracterizada a fraude, o mandado será cumprido
em face de 3º, e este só poderá se manifestar no processo após depositar a coisa em
juízo.
Bem deteriorado ou desaparecido. A execução para entrega de coisa certa extrajudicial
é convertida em perdas e danos. Abrange o valor do bem e as perdas e danos
decorrentes da deterioração ou desaparecimento. Será realizada uma liquidação dentro
do processo de execução através de uma decisão interlocutória. Obtido o valor, a
execução para a entrega de coisa certa extrajudicial será convertida em execução por
quantia certa, seguindo o procedimento dessa espécie.

Fase satisfativa. 2 hipóteses:
Entrega da coisa pelo devedor. Lavra-se termo de entrega. Juiz extingue a obrigação e
dá por finda a execução.
Devedor deposita a coisa em juízo e opõe embargos, que por sua vez, são recebidos
só no efeito devolutivo. Prossegue a execução e ocorre a satisfação do exeqüente com
a entrega da coisa. Caso os embargos sejam julgados favoráveis, retorna-se ao status
quo ante, ocorrendo a devolução da coisa ao executado.

Execução para a entrega de coisa incerta:
Se sabe o gênero e a quantidade, o que é incerto é a qualidade.
Quanto a escolha:
Credor a individualizará na petição inicial, se lhe couber a escolha.
Cabendo ao devedor a escolha, a entregará individualizada no prazo fixado pelo juiz.
QQ das partes poderá no prazo de 48 horas impugnar a escolha feita pela outra parte.
O juiz decidirá de plano ou ouvirá perito.
Atenção: Coisa incerta não pode ser fungível (aquela que pode ser substituída por
outra de mesmo gênero, qualidade e quantidade). Se for hipótese de bem fungível é
caso de execução para entrega de coisa certa, que pode ser substituída por outra de
mesmo gênero, qualidade e quantidade. Também não abrange os casos de bem
infungível, pois para este tipo de execução o bem deve ser indeterminado, mas
determinável, uma vez que, será preciso descobrir somente a qualidade
É possível esclarecer quem possui o direito de escolha do bem a ser entregue:
Se não constar do título o direito de escolha, caberá ao executado.
Se a escolha couber ao credor, este individualizará a coisa na petição inicial do
processo de conhecimento.
Se a escolha couber ao devedor, este individualizará a coisa no prazo fixado pelo juiz
na sentença que o condenou a entregar a coisa.

Esses casos acima são da entrega de coisa incerta judicial!
Entrega de coisa incerta extrajudicial:
Quando a escolha couber ao devedor, este será citado para entregar a coisa
individualizada.
Quando a escolha couber ao credor, este deverá indicar qual é a coisa na petição
inicial do processo de execução. Tendo em vista que se trata de execução com base
em título executivo extrajudicial, não existe processo de conhecimento anterior.

Atenção: A impugnação a escolha da outra parte no prazo de 48 horas do art. 630 do
CPC só é aplicável em execução com base em título executivo extrajudicial. S a
impugnação a escolha ocorrer em execução com base em título executivo judicial, o
momento será outro:
Se a escolha couber ao credor, o momento da impugnação é na contestação do
devedor.
Se a escolha for devedor, a regra é de que não pode haver impugnação. O devedor
deve entregar uma coisa de qualidade média.
Exceção: O credor só poderá impugnar se receber coisa de pior qualidade. Esta
impugnação será no prazo de 48 horas.
Execução de obrigação de fazer:
Judicial (art. 461 do CPC) – Oriunda de um processo de conhecimento anterior, onde
foi proferida sentença judicial (título executivo judicial). Trata-se de execução imediata.
Não há necessidade de um processo de execução. Na sentença do processo de
conhecimento, o juiz:
Condena o réu;
Determina o prazo de cumprimento da obrigação;
Estabelece multa no caso de descumprimento da decisão judicial.
Se o juiz utilizar todas as medidas de apoio (art. 461, parágrafo 5º, do CPC) para
efetivar o cumprimento da decisão judicial e ainda assim o devedor não cumprir a
obrigação, converte-se a obrigação em perdas e danos (deve ser requerida pelo autor),
através de incidente para liquidar a obrigação. Prossegue-se a execução por quantia
certa.
Extrajudicial – A obrigação continua sendo específica, mas não é hipótese de execução
imediata. Não existe processo de conhecimento anterior. É baseada em título executivo
extrajudicial. Se inicia através de um processo de execução autônomo. 2 observações:
Se constar prazo do título executivo, será obedecido esse prazo para o cumprimento
da obrigação;
Se não constar prazo ou título, o juiz determinará o prazo.

Descumprimento da obrigação fungível. 2 situações:
Se for possível obter resultado prático equivalente ao da obrigação, ela poderá ser
realizada por 3º às custas do executado. Caberá ao exeqüente indicar o 3º e as
condições de sua contratação. Se preferir o exeqüente pode ele mesmo realizar o ato.
Requisito: em igualdade de condições com a proposta do 3º. Esse direito de
preferência deve ser exercido no prazo de 5 dias contados da apresentação da
proposta pelo 3º.
Se não for interesse do credo o resultado prático equivalente, poderá pedir a conversão
em perdas e danos através do incidente de liquidação.

Descumprimento da obrigação infungível (personalíssima) – A única opção é a
conversão em perdas e danos. A conversão é feita através de liquidação incidental,
cujo recurso cabível é o agravo, pois é uma decisão interlocutória, e depois prossegue
a execução pelo procedimento da execução por quantia certa contra devedor solvente.
Atenção: Neste caso é possível aplicar as medidas de apoio (art. 461, parágrafo 5º, do
CPC) para efetivação da tutela específica. Ex: multa por atraso, busca e apreensão,
desfazimento de obras...
Execução de obrigação de não fazer:
Judicial (art. 461 do CPC) – É proferida sentença que condena o réu a não fazer
alguma coisa e impõe multa para coagi-lo a não fazer. É uma tutela de prevenção de
ilícito.
Extrajudicial (art. 642/643 do CPC) – Não há sentença proferida e sim um título
executivo extrajudicial que serve de base para o credor pleitear ao juiz, através de uma
demanda, o início do processo de execução. Aqui o ato que não era para ser praticado
já o foi, e o credor deseja através do processo de execução desfazê-lo. Existem 2
espécies:
Obrigação de não fazer permanente – Pode ser desfeita. É aquela que continua a
produzir efeitos, pois o ato permanece latente, sendo possível desfazer o ato. Ex: O
sujeito está proibido de derrubar o muro, mas se o derrubou, pode-se desfazer o ato
compelindo-o a construir outro.
Obrigação de não fazer instantânea – É aquela que não pode ser desfeita. Uma vez
realizado o ato, os efeitos não podem ser desfeitos. Não se tem como retornar ao
status quo ante. Ex: Ator famoso que é proibido de dar entrevista em outro canal de
televisão. Realizada a entrevista não há como desfazer esse ato. Nesse caso haverá
conversão em perdas e danos.

Atenção: Se tão-somente a violação já acarretar perdas e danos ao credor, elas podem
ser cumuladas com as perdas e danos dos prejuízos ocasionados. Diferente da
obrigação de fazer, em que OU o 3º pratica o ato as custas do devedor OU se converte
a obrigação em perdas e danos.

Execução contra a Fazenda Pública:
É uma espécie de execução por quantia certa.
Regra – Os bens da Fazenda Pública são inalienáveis e impenhoráveis.
Exceção – Casos excepcionais, quando eles são desafetados do serviço público,
mediante lei.
Regra – Não há qq ato de apreensão de bens de propriedade da Fazenda Pública.
Para a corrente majoritária, a natureza da execução contra a Fazenda Pública é
executiva.
Legitimados passivos – Hoje o termo Fazenda Pública compreende as pessoas
jurídicas de direito público:
União, estados, DF, Municípios, respectivas autarquias, fundações de direito público,
ECT (empresa de correios e telégrafos) e autarquias que exercem atividade econômica
em regime de exclusividade.
Sociedade de economia mista e empresa pública não fazem parte desse rol.
Exceção: Segundo o STF apesar de a empresa de correios e telégrafos ser pública, a
execução contra ela deve obedecer ao rito igual ao da execução contra a Fazenda
Pública (art.730 e 731 do CPC).
Atenção: Empresa pública possui foro por prerrogativa de função, mas não se
equiparam a Fazenda Pública, seguem o rito normal, exceto a ECT.
Art. 730 e 731 do CPC – Só se aplicam quando a execução contra a Fazenda Pública
for por quantia certa.
Art. 730 – Na execução por quantia certa contra a Fazenda Pública, citar-se-á a
devedora para no prazo de 10 dias opor embargos; se esta não os opuser no prazo
legal, observar-se-ão as seguintes regras:
I – O juiz requisitará o pagamento por intermédio do Presidente do tribunal competente;
II – Far-se-á o pagamento na ordem de apresentação do precatório e à conta do
respectivo crédito.
Art. 731 – Se o credor for preterido no seu direito de preferência, o Presidente do
tribunal, que expediu a ordem, poderá, depois de ouvido o chefe do MP, ordenar o
seqüestro da quantia necessária para satisfazer o débito.
Art. 100, CF – Pagamentos devidos pela Fazenda Pública (Estadual, Federal ou
Municipal), em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem
cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos.
Exceção – Crédito de natureza alimentícia.
Atenção – Para a maioria da doutrina a execução contra a Fazenda Pública pode ter
por base um título judicial ou extrajudicial.
Atenção – A citação é para que a Fazenda embargue a execução no prazo de 30 dias.
Esses embargos tem natureza de ação de conhecimento incidental. Tem por fim
suspender o processo de execução enquanto não decididos os embargos.
Embargos não apresentados ou julgados improcedentes – Juiz de 1º grau expede
precatório e o Presidente do tribunal dá cumprimento ao precatório, cobrando que
aquela entidade de direito público separe quantia necessária ao pagamento do débito e
coloque à disposição da justiça esse valor para quitar a dívida.
Atenção – Os atos do Presidente do tribunal no processamento de precatórios tem
natureza adm. – Não cabe recurso extraordinário e nem agravo regimental. A medida
cabível aqui seria no máximo o MS.

A regra da expedição do precatório não é aplicada as causas de pequeno valor dos
juizados especiais. Só é utilizada para causas acima de 60 sm.
STJ – Crédito de natureza alimentícia – Gozam de preferência. São desvinculados da
ordem cronológica dos créditos de natureza diversa.
São créditos de natureza alimentícia:
Salários, vencimentos, proventos, pensões, benefícios previdenciários e indenização
por morte ou invalidez fundada na responsabilidade civil.
De acordo com o art. 730, I, do CPC, o juiz requisitará o pagamento por intermédio do
Presidente do tribunal competente. O STJ decidiu que competente é o Presidente do
Tribunal onde deverá ser cumprido o precatório.
Credor preterido no seu direito de preferência – Presidente do tribunal que expediu a
ordem de pagamento, poderá, depois de ouvido o MP, ordenar o sequestro da quantia
necessária para a satisfação do débito.
Atenção – O ato que provoca o Presidente do tribunal a atuar (ordenar o seqüestro)
não precisa ser necessariamente do credor preterido, pode ser de qq credor.
Para a maioria da doutrina esse seqüestro tem natureza executiva.
Entendimento que prevalece – Esse seqüestro é realizado em relação as verbas da
pessoa jurídica de direito público e não em relação a quantia que o credor recebeu
indevidamente.














Litisconsórcio:

Conceito – Pluralidade de partes no pólo ativo, no pólo passivo ou em ambos os pólos
da relação processual.
Facultativo – O autor pode se reunir com quem quiser para propor sua demanda (com
base nas situações do art. 46 do CPC). Se desejar, pode ajuizar sua demanda sozinho.
Necessário – Obrigatoriedade da presença de todos os litisconsortes na demanda sob
pena de ineficácia da sentença.
Quanto ao momento:
Inicial ou originário – Desde a propositura da demanda, na própria petição inicial, já há
o litisconsórcio formado.
Ulterior ou superveniente – Existe ou não litisconsórcio facultativo ulterior?
Para a maioria da doutrina, o litisconsórcio facultativo deve ser sempre originário, isto
pq ao admitir o ingresso de litisconsorte em momento posterior ao ajuizamento da
demanda, estaria configurado um caso de burla ao princípio do juiz natural, com aquele
litisconsorte escolhendo o juízo por onde pretenda ver aquela demanda tramitar. É o
que se chama de intervenção litisconsorcial voluntária, rejeitada em nosso
ordenamento.
Para quem admite a intervenção litisconsorcial voluntária, o momento limite para a sua
realização seria a citação, salvo as substituições permitidas por lei (sucessão
processual, chamamento ao processo, litisconsórcio superveniente em razão de
demandas conexas e o litisconsórcio necessário, que é identificado pelo próprio juiz).
O chamamento ao processo é espécie de intervenção de 3º, e que provoca a entrada
de litisconsortes passivos num processo já em andamento.
Ex de sucessão processual – Ação reivindicatória movida por A em face de B, em que
este, no curso do processo aliena a coisa litigiosa a 2 pessoas. Concordando A com a
alteração do pólo passivo, este deixará de ser ocupado por B, que será sucedido pelos
adquirentes, em litisconsórcio. Trata-se de litisconsórcio formado no curso do processo,
e, portanto, superveniente.
Pela intervenção litisconsorcial voluntária, um 3º, estranho a relação processual
originária, ingressa no feito como litisconsorte de uma das partes, fazendo valer seu
direito em face do adversário. Esse fenômeno é muito freqüente em MS, principalmente
quando no processo é concedida uma medida liminar, motivo que leva outras pessoas
a pretender seu ingresso no feito, como litisconsortes supervenientes, a fim de receber
os efeitos benefícios daquela decisão proferida.
Art. 48 do CPC – Princípio da independência dos litisconsortes. Salvo disposição em
contrário, os litisconsortes serão considerados, em suas relações com a parte adversa,
como litigantes distintos. Os atos e as omissões de um não prejudicarão e nem
beneficiarão os outros. Trata-se de princípio aplicável tão-somente ao litisconsórcio
comum, sendo incompatível com o litisconsórcio unitário.
Haverá casos em que a atuação de um dos litisconsortes produzirá efeitos em relação
aos demais. Como nos casos do art. 320, I, do CPC (em que a contestação oferecida
por um dos litisconsortes aproveita aos demais) e do art. 739, parágrafo 3º, do CPC (os
embargos opostos à execução por um dos executados, suspenderão a mesma em
relação aos seus litisconsortes, toda vez que o fundamento dos embargos for comum à
todos).
No litisconsórcio unitário, atos praticados por apenas um dos litisconsortes,
aproveitarão a todos, da mesma forma, alguns atos só serão eficazes se praticados por
todos os litisconsortes. No 1º caso estão os recursos interpostos por apenas um dos
litisconsortes unitários, que aproveitam a todos (art. 509 do CPC). Na 2º situação
encontram-se todas as condutas que levam a um resultado desfavorável, como por
exemplo, a renúncia à pretensão, ou o reconhecimento da procedência do pedido.

2 hipóteses de litisconsórcio necessário:
Por determinação legal – A lei determina que todos os litisconsortes devem estar
presentes, independente da natureza da relação jurídica de direito material. Ex: art. 942
do CPC (todos os confinantes, demais interessados e outros devem ser citados)
Pela natureza indivisível da relação jurídica – Obriga a colocar na relação processual
todas aquelas pessoas que participaram da relação jurídica de direito material. A
relação jurídica por ser uma só, será decidida uma única vez. Pressupostos
processuais negativos da litispendência e da coisa julgada – evitar que a mesma
relação jurídica venha a ser novamente objeto de decisão judicial. Ex: ações
constitutivas em que a modificação ocasionada na relação jurídica entre as partes
originárias (autor e réu) pode atingir outras pessoas.

Litisconsórcio unitário – Como a relação jurídica de direito material aqui é indivisível,
sendo ela decidida através de uma única sentença, atingirá os titulares daquele direito
de maneira idêntica. Quando se afirma ser unitário o litisconsórcio, o que se diz é que a
decisão de mérito será, obrigatoriamente, uniforme para todos os litisconsortes, não se
admitindo que os mesmos recebam na decisão tratamento diferenciado.
Litisconsórcio necessário é sempre unitário?
Nem sempre. Se o litisconsórcio necessário decorrer de lei, não será unitário, mas sim
comum (simples). Ex: Usucapião – art. 942. Em que o litisconsórcio entre aquele em
cujo nome o imóvel está registrado e os confinantes do prédio é necessário por força
de lei, não sendo unitário, isto é, o resultado, a decisão, não é a mesma para todos.
No litisconsórcio comum não há uma obrigatoriedade de decisões diferentes, mas tão-
somente uma possibilidade de que isto ocorra.
Litisconsórcio unitário é sempre necessário?
Nem sempre, há casos em que apesar da relação jurídica de direito material ser
indivisível, enseja um litisconsórcio facultativo (quase sempre no pólo ativo). Se dá toda
vez que o litisconsórcio unitário se forma no pólo ativo da relação processual. Ex:
Pedido de anulação de assembléia por um dos acionistas; condômino reivindicando
coisa comum de 3º; caso de solidariedade passiva, em que o credor pode demandar a
condenação de apenas um dos devedores a pagar a dívida inteira, mas em propondo a
ação em face de 2 ou + dos co-devedores solidários verá a formação de um
litisconsórcio facultativo unitário.
Atenção – O juiz não pode, de ofício, determinar a inclusão nem de litisconsórcio
necessário. Irá ordenar que o autor promova a citação do litisconsorte necessário. Se
o autor não quiser realizar a citação do litisconsorte necessário, extingue-se o processo
sem resolução do mérito (art. 267, IV, do CPC), por faltar pressuposto processual de
validade.
Art. 10, parágrafo 1º do CPC – O cônjuge somente necessitará do consentimento do
outro para propor ações que versem sobre direitos reais imobiliários. Ambos os
cônjuges serão necessariamente citados para as ações – Trata-se de litisconsórcio
necessário passivo.
E quanto ao litisconsórcio necessário ativo? A ação versando sobre direitos reais
imobiliários deve ser proposta em conjunto pelos cônjuges?
A corrente predominante diz que não há litisconsórcio necessário ativo nesses casos,
já que há o suprimento judicial da vontade do cônjuge no art. 11 do CPC.
Para o STJ, o CPC não definiu qual a natureza da ação possessória, se pessoal ou
real. O CPC não elencou as ações possessórias no rol das ações de natureza real,
então para o STJ é ação pessoal, e, portanto não é caso de litisconsórcio ativo. Apenas
o consentimento é suficiente, ensejando ação de suprimento judicial se o cônjuge não
quiser consentir.
Hipótese – 3 empresas, A, B e C realizam um contrato com a empresa X, entretanto, só
conseguem criar um produto se obtiverem a matéria prima de X. Elas possuem uma
única relação jurídica com a empresa. As 3 em conjunto realizaram o contrato com X.
Em um determinado momento, a empresa A se sente prejudicada, suspeitando haver
nulidade do contrato. Com isso, ingressa com demanda pedindo anulação do mesmo.
Se B e C não quiserem ingressar com a demanda, o acesso de A à justiça fica
prejudicado. Por isso, não convém que A tenha seu direito de ação prejudicado pq B e
C não querem ingressar com a demanda. A solução é que A proponha a demanda,
colocando B e C no pólo passivo. Isto pq a lei exige a presença de todos os
litisconsortes na relação processual, mas não diz em qual dos pólos. Segundo este
entendimento B e C podem passar para o pólo ativo da demanda no prazo de resposta.
Nos casos em que a natureza da relação jurídica impõe a presença de todos os seus
sujeitos no processo, esta presença pode se dar em qq dos lados da relação
processual. Assim sendo, aqueles que não quiserem propor a ação deverão ser
incluídos no pólo passivo da demanda. Ex: Locação em que haja 2 locadores, e
pretendendo um deles propor ação revisional de aluguel com o fim de obter o aumento
do preço da locação, com o que não concorda o seu co-locador, deverá aquele propor
ação em face do locatário e do co-locador que não pretendia ajuizar a demanda.
Toda vez que o litisconsórcio for possível, mas não imposto pela natureza da relação
jurídica, ou por disposição de lei, ter-se-á litisconsórcio facultativo.
Litisconsórcio facultativo – É uma espécie de litisconsórcio em que não existe a
obrigatoriedade da presença de todos os supostos titulares do direito na relação
jurídica processual, podendo cada um dos titulares exercer individualmente o seu
direito de ação. Caso optem por ajuizar a demanda em conjunto precisam possuir
algum dos vínculos do art. 46 (por comunhão, conexão da causa
ou afinidade).
Pela comunhão de direitos e obrigações (art. 46, I, do CPC) – Trata-se de litisconsórcio
facultativo, mas pode ser caso de litisconsórcio necessário, dependendo da natureza
da relação jurídica de direito material. Caso ela seja indivisível, existe a possibilidade
de que o litisconsórcio seja necessário.
Os incisos II e III tratam, de uma só hipótese, o litisconsórcio por conexão de causas
(quando em uma mesma oportunidade se quiser ajuizar demandas conexas pelo
pedido ou pela causa de pedir). Ex: Pode haver litisconsórcio quando diversas vítimas
de um acidente aéreo pretendem haver da empresa transportadora indenização pelos
danos sofridos. As diversas ações, das várias vítimas do acidente, são conexas pela
causa de pedir, se fundamentam no mesmo suporte fático.
Atenção - Litisconsórcio por conexão de causas e por afinidade serão sempre
facultativos.
Litisconsórcio por afinidade de questões (art. 46, IV, do CPC) – O que é comum é
simplesmente uma questão de fato ou de direito. Se refere à chamada conexão
imprópria. A conexão ocorre pela identidade de pedido ou de causa de pedir.
Litisconsórcio multitudinário – Art. 46, parágrafo único do CPC – Ocorre quando o
litisconsórcio facultativo é formado por um número muito grande de pessoas. Abre-se
para o juiz a possibilidade de limitar esse litisconsórcio.
Atenção – O juiz não poderá limitar o litisconsórcio multitudinário necessário, todos tem
que estar presentes.
Há 2 hipóteses de limitação do litisconsórcio facultativo multitudinário:
Quando ele compromete a rápida solução do litígio, ou
Quando ele dificultar a defesa.
A limitação poderá ser feita de ofício ou a requerimento da parte. Havendo
requerimento, este poderá ser formulado pelo demandado no prazo de resposta.
Trata-se de decisão interlocutória, pq embora o conteúdo dessa decisão seja de
sentença, em razão do indeferimento da petição inicial, ela não põe termo ao processo.
Este prossegue em relação aos litisconsortes que permanecerão na causa. Dessa
decisão cabe agravo de instrumento diretamente para o tribunal, e o processo segue
no 1º grau.
O pedido de limitação interrompe o prazo para resposta, que recomeça da intimação da
decisão.
O litisconsórcio facultativo necessário é uma exceção ao art. 472 do CPC (este afirma
que a coisa julgada não atingirá terceiros, mas tão-somente as partes). É um caso de
exceção pq ficarão todos sujeitos à autoridade da coisa julgada, embora não tenham
feito parte da demanda.
Art. 350 do CPC – Confissão – Não prejudica os litisconsortes. No litisconsórcio
comum, a regra é o princípio da independência dos litisconsortes, logo a confissão feita
por apenas um deles não prejudicaria os demais. Ocorre porém, que por ocasião da
sentença, ao valorar as provas constantes dos autos, o juiz deverá atribuir àquela
confissão o valor que entender adequado, como meio de prova que é. Considerando-se
que não se poderia admitir, por contrariar a lógica, que o juiz tivesse por provado o fato
em relação ao litisconsorte que confessou, e não comprovado em relação aos demais,
é certo que na sentença poderá se verificar que aquela confissão produziu efeitos em
relação aos demais litisconsortes.
Considerando-se, também aqui, que o juiz é livre para valorar as provas dos autos,
tendo sido superada a época em que a confissão era prova plena, não se pode afirmar
que seja este meio de prova uma conduta determinante, já que suas conseqüências
serão verificadas em conjunto com todo o material probatório, do qual é parte
integrante. Trata-se, pois, de conduta alternativa e, em sendo assim, eficaz, ainda que
não tenha sido praticada por todos os litisconsortes.
Em relação a transação – A princípio a transação é prejudicial. Se os outros
concordarem não há problemas, mas se não concordarem, o processo segue em
relação a todos, mesmo que somente um deles não concorde, a transação não
produzirá efeitos em relação a nenhum deles.
Em tendo os litisconsortes advogados diferentes, serão duplicados todos os seus
prazos para se manifestar no processo (art. 191 do CPC).
Se os litisconsortes estiverem representados por 2 advogados do mesmo escritório,
aplica-se ou não o art. 191?
Posição dominante é de que se aplica, pq os advogados são diferentes.
E se os advogados usassem a mesma petição?
Nesse caso Tb se aplica o art. 191, pq são dois advogados diferentes.
E se houver 2 litisconsortes citados, sendo que um deles é revel, o prazo de resposta
dele é em dobro ou de 15 dias?
Parte majoritária da jurisprudência aplica o art. 191 no prazo da resposta (passa a ser
de 30 dias), mas a partir do momento em que for decretada a revelia, o prazo passa a
ser normal, não será contado em dobro, pq um deles é revel. Havendo litisconsórcio
passivo com diferentes advogados, o prazo para contestação é contado em dobro, de
sorte que não se apresenta possível proclamar a revelia antes que expirados 30 dias
da efetiva citação do último réu (este é o entendimento do STJ).
Súmula 641 do STF – É importante lembrar que o prazo para apelar não é contado em
dobro se somente um dos litisconsortes sucumbir na sentença.
É terceiro quem não é parte. O terceiro torna-se parte no momento em que intervém.
Há 2 conceitos distintos de parte:
Os de parte da demanda e de parte do processo.
O terceiro, que não é parte da demanda, torna-se com a intervenção, parte do
processo.
Não se pode considerar intervenção de terceiro o ingresso no processo de um
litisconsorte necessário que se encontrava ausente. Isto pq o litisconsorte necessário é
parte originária, que deveria figurar no processo desde o início, não se podendo
considerá-lo terceiro.
4 figuras de intervenção de terceiro – Oposição, nomeação à autoria, denunciação da
lide e chamamento ao processo.
O próprio CPC em seu art. 280, reconhece que a assistência e o recurso de terceiro
são espécies de intervenção de terceiros, ao dispor que no procedimento sumário não
são admissíveis a ação declaratória incidental e a intervenção de terceiros, salvo a
assistência, o recurso de terceiro prejudicado e a intervenção fundada em contrato de
seguro.
As modalidades de intervenção de terceiro pode ser divididas em 2:
As intervenções voluntárias ou espontâneas e intervenções forçadas ou coactas. Nas
primeiras, a intervenção do terceiro ocorre por ato de vontade, ingressando este no
processo pq pretende tomar parte da relação processual. É o que se tem na
assistência, oposição e recurso de terceiro. Já as intervenções forçadas são aquelas
em que o ingresso do terceiro é provocado, sendo requerido por alguma das partes
originárias. Fazem parte dessa modalidade a nomeação à autoria, denunciação da lide
e chamamento ao processo.
As intervenções forçadas são necessariamente provocadas por alguma das partes, não
podendo jamais ser determinadas de ofício pelo juiz.
Pode o autor provocar a denunciação da lide, enquanto que o réu pode suscitar qq das
3 modalidades de intervenção forçada.
Assistência – Art. 50 do CPC – Pendendo uma causa entre 2 ou + pessoas, o 3º que
tiver interesse jurídico em que a sentença seja favorável a uma delas, poderá intervir
no processo para assisti-la.
A assistência é cabível a qq tempo e em qq grau de jurisdição, podendo o assistente,
ingressar no processo em qq das suas fases, e o recebendo no estado em que se
encontra, seja na execução ou no cumprimento de sentença.
Art. 10 da Lei 9099/95 – Impossibilidade de qq forma de intervenção de terceiro nos
juizados especiais cíveis.
São 2 as espécies de assistência:
Assistência qualificada (litisconsorcial) – Art. 54 do CPC – Aqui o 3º interveniente Tb é
titular da relação jurídica deduzida no processo, embora não tenha sido parte na
demanda. Sendo porém uma relação jurídica plúrima, não se poderia impedir que seus
demais titulares ingressassem no processo com o fim de auxiliar aquele cuja vitória
lhes interessa.
O assistente qualificado não é litisconsorte, mas mero assistente.
O assistente qualificado não adquire a posição de autor, nem tampouco a de réu,
mantendo-se como pessoa estranha à demanda. Torna-se parte apenas no processo,
podendo exercer as mesmas faculdades que são outorgadas pelo sistema aos
litisconsortes. Assim, por exemplo, assistente e assistido disporão de prazos em dobro
para se manifestar no processo, desde que tenham advogados distintos.
Assistência simples (adesiva) – Aqui o 3º é sujeito de relação jurídica diversa da
deduzida em juízo, mas a ela subordinada. Ex: Sublocatário interveniente numa ação
de despejo em que são partes originárias apenas o locador e o locatário.
Na assistência simples a intervenção não impede o assistido de praticar atos
dispositivos, como renúncia, desistência e outros equiparados (art. 53 do CPC).
Tanto o assistente simples como o qualificado atuam como auxiliares da parte principal.
Sujeitando-se aos mesmos ônus que o assistido, e, podendo exercer os mesmos
poderes (art. 52 do CPC).
É aplicável apenas à assistência simples a regra do parágrafo único do art. 52 do CPC,
segundo o qual, revel o assistido, o assistente será considerado seu legitimado
extraordinário (defesa do direito alheio em nome próprio). Ver art. 6º do CPC.
Requerendo o 3º sua intervenção como assistente (simples ou qualificada), deverá o
juiz ouvir as partes já integrantes da relação processual no prazo de 5 dias. Não
havendo impugnação, o requerimento será deferido. Havendo, porém, impugnação de
qq das partes, deverá o juiz determinar a autuação em apartado do incidente,
autorizando a produção de provas e, após a produção destas, decidirá o incidente. Este
incidente não constitui processo autônomo, sendo portanto, decidido através de
decisão interlocutória, sujeita a recurso de agravo, e o mesmo não é causa de
suspensão do processo.
Art. 55 do CPC – Transitada em julgado a sentença no processo em que interveio o
assistente, este não poderá, em processo posterior, discutir a justiça da decisão, salvo
se alegar e provar que o assistido não atuou corretamente no processo em que se deu
a intervenção, tendo o assistente recebido o processo em situação na qual já não lhe
era mais possível produzir provas capazes de influir na sentença, ou que desconhecia
a existência de alegações ou provas de que o assistido, dolosa ou culposamente, não
se valeu.

Oposição – Na oposição, o opoente, terceiro em relação a demanda originária, vai a
juízo manifestar a pretensão de ver reconhecido como seu direito ou coisa sobre que
controvertem autor e réu.
Não se trata de verdadeira intervenção de terceiro, mas de demanda autônoma, em
que o opoente é o autor, e serão réus, em litisconsórcio necessário, as partes da
demanda original. Toda vez que alguém vai a juízo manifestar pretensão em face de
outrem estará propondo uma ação.
Trata-se, via de regra, de demanda meramente declaratória em face do autor da
demanda original, e condenatória em face do réu da mesma.
A oposição pode ser oferecida a qq tempo, antes da prolação da sentença. Após este
momento, nada impede que o 3º que se considere titular do direito controvertido,
demande o seu reconhecimento, mas o fará por demanda independente, que não
receberá o nome de oposição.
O opoente deverá apresentar sua demanda em juízo através de petição inicial. Será tal
demanda distribuída pó dependência ao processo já em curso. Após a distribuição,
serão os opostos citados na pessoa de seus advogados, salvo se o demandado da
ação principal for revel, pois neste caso o mesmo não tem advogado constituído, o que
faz com que a lei determine a sua citação pessoal.
Os opostos terão o prazo comum de 15 dias para contestar a demanda oferecida pelo
opoente.
Atenção: Não é aplicável aqui o disposto no art. 191 do CPC, que determina prazo em
dobro para litisconsortes com advogados diferentes.
Podem os opostos além de contestar, oferecer todas as demais modalidades de
resposta, além de ser possível o oferecimento, no mesmo prazo, de impugnação ao
valor da causa. Podem ainda, reconhecer a procedência do pedido do opoente.
Art. 59 do CPC – A oposição oferecida antes da audiência será apensada aos autos
principais e correrá simultaneamente com a ação, sendo ambas julgadas pela mesma
sentença.
Art. 60 do CPC – Oferecida depois de iniciada a audiência, seguirá a oposição o
procedimento ordinário, sendo julgada sem prejuízo da causa principal. Poderá o juiz,
todavia, sobrestar no andamento do processo, por prazo nunca superior a 90 dias, a
fim de julgá-la conjuntamente com a oposição.
Art. 61 do CPC – Cabendo ao juiz decidir simultaneamente a ação e a oposição, desta
conhecerá em 1º lugar.

Nomeação à autoria – Trata-se de modalidade de intervenção forçada, sendo o 3º
convocado a ingressar na relação processual.
Ex: Réu demandado como se tivesse a posse da coisa, quando na verdade é mero
detentor. Aqui existem 2 situações distintas:
Em primeiro lugar há de se considerar a possibilidade de o demandante, em sua
petição inicial, afirmar expressamente que o demandado é mero detentor da coisa
pretendida. Neste caso, o demandante é carecedor da ação, por falta de legitimidade
passiva ad causam, devendo o processo ser extinto sem resolução do mérito. A
segunda hipótese é aquela em que o demandante na petição inicial afirma ser o
demandado possuidor da coisa pretendida, enquanto este na verdade é mero detentor.
Em um caso assim por ter o demandante apontado o demandado como possuidor, este
é parte legítima ad causam para figurar no pólo passivo. Ocorre, que do material
probatório que se trará aos autos, verificar-se-á que o demandado não tem posse, mas
mera detenção, o que impedirá o acolhimento da pretensão do demandante.
A nomeação à autoria, portanto, é mecanismo destinado não a corrigir um vício de
legitimidade passiva, mas a tornar possível que este processo leve a um resultado
favorável ao demandante, o que certamente não seria possível sem a modificação do
ocupante do pólo passivo.
Admite-se a nomeação à autoria apenas nos casos previstos nos arts. 62 e 63 do CPC.
O 62 traz o clássico exemplo apresentado acima. Já o 63 prevê a possibilidade de
haver nomeação à autoria em processo iniciado por demanda em que se pretende
receber indenização por dano causado à coisa, toda vez que o responsável pelo
prejuízo alegar que praticou o ato lesivo a mando, ou por instruções de outrem.
Nos dois casos acima descritos, o réu fará a nomeação à autoria no prazo de que
dispõe para apresentar sua resposta. Deferindo o juiz o requerimento de nomeação à
autoria, será suspenso o curso normal do processo, devendo ouvir o autor sobre o
mesmo no prazo de 5 dias, valendo o silêncio como concordância com a nomeação.
Na hipótese de o autor não concordar com a nomeação, prosseguirá o processo em
relação ao demandado original, correndo o demandante o risco de não obter, neste
processo, qq resultado útil. Aceita a nomeação pelo demandante, este deverá
promover a citação do nomeado para que venha ao processo.
A nomeação à autoria só provocará a alteração do pólo passivo da relação processual,
com a saída do réu original e sua substituição pelo nomeado, se tanto o autor como o
nomeado concordarem com a alteração. Em não havendo a dupla concordância,
permanecerá o réu original no pólo passivo da relação processual. Tal concordância
pode ser expressa ou tácita, dando-se esta quando o nomeado, regularmente citado,
não comparecer, ou comparecendo, nada alegar contra a indicação de seu nome.
Responde por perdas e danos o réu que nas hipóteses em que se mostrar cabível a
nomeação, não a fizer, ou indicar pessoa diversa daquela que deveria ter sido a
nomeada.
Não ocorrendo a alteração do pólo passivo, por não ter obtido a dupla concordância,
deverá o juiz conceder ao demandado novo prazo para oferecer sua contestação. Este
novo prazo deve corresponder a integralidade do prazo de que o réu dispunha,
originariamente, para contestar, sendo lícito falar-se, pois, que a nomeação à autoria
interrompe o prazo para o oferecimento da resposta.
Não há possibilidade de nomeações sucessivas – Não é possível ao nomeado, que
tenha aceito a nomeação, realizar nomeação à autoria indicando nome de outra pessoa
para figurar no pólo passivo da demanda.
Havendo dupla concordância e consequentemente operando-se a alteração do pólo
passivo, o nomeado à autoria torna-se réu, o que faz dele não só parte no processo,
mas também parte da demanda.

Denunciação da lide – É a modalidade de intervenção forçada de 3º provocada por
uma das partes da demanda original, quando esta pretende exercer contra aquele,
direito de regresso que decorrerá de eventual sucumbência na causa principal.
A denunciação da lide contém demanda nova, mas não dará origem a um novo
processo, uma vez que se desenvolverá na mesma base procedimental em que se
desenvolve a causa principal. Um mesmo e único processo, embora 2 sejam as
demandas.
Embora a denunciação da lide seja de originário, dirigida a um 3º, estranho à relação
processual, admite-se que se denuncie à lide a quem já seja parte no processo, o que
se dará, por exemplo, quando entre os réus haja relação de garantia. Neste caso,
admite-se que um dos litisconsortes denuncie a lide ao outro
Art. 70, I, do CPC – Trata o dispositivo em análise da denunciação da lide oferecida por
aquele que, num processo vê questionado o seu direito de propriedade sobre um bem
que lhe foi transferido por 3º. Cabe neste caso, a denunciação da lide ao alienante,
para que a sentença, em reconhecendo que a parte (litisdenunciante) não é o titular do
domínio, regule Tb a relação entre este e aquele que lhe transferiu a coisa, definindo a
existência ou não dos direitos decorrentes da evicção. Esta ocorre quando o adquirente
de um bem vem a perdê-lo em virtude de sentença judicial ou adm. que reconhece a
outrem direito anterior sobre ela. O evicto tem segundo a doutrina civilista, direito de
reaver o preço pago pela coisa, indenização pelos frutos que tenha sido obrigado a
restituir, indenização pelas despesas do contrato, ressarcimento pelos prejuízos que
resultam diretamente da perda da coisa, além do reembolso das despesas processuais
e honorários advocatícios despendidos.
Art. 70, II, do CPC – Cabe ao possuidor indireto assegurar o exercício pacífico da
posse pelo possuidor direto. Assim é que, em sendo parte o possuidor direto, este
deverá fazer a denunciação da lide ao possuidor indireto, a fim de que restando
vencido aquele, a sentença defina Tb eventual responsabilidade do possuidor indireto
perante o litisdenunciante. No caso em análise, porém, não há ilegitimidade do
possuidor, não sendo caso de nomeação à autoria, mas sim de denunciação da lide.
Ex: caso do usufrutuário, do locatário, do credor pignoratício...
Art. 70, III, do CPC – Trata-se da responsabilidade de ressarcir o dano,
responsabilidade esta que decorre de quaisquer outros títulos (como a culpa equiliana,
o inadimplemento contratual, a convenção). Para alguns autores, apenas os casos de
garantia própria, em que o direito de regresso da parte perante 3º decorre da
transmissão de um direito, permitiriam a denunciação da lide, enquanto outros autores
preferem uma visão mais extensiva, entendendo que Tb nos casos de garantia
imprópria a denunciação da lide é possível.
Tema que não pode deixar de ser abordado quando se examina a extensão da
incidência do inciso III do art. 70 do CPC, é o da possibilidade de o Estado, em
demanda em que se busca a sua responsabilização civil, com base no disposto no art.
37, parágrafo 6º, da CF, denunciar a lide ao seu agente, causador do dano cuja
reparação é pretendida.
O fato de o Estado, civilmente responsável, ter direito de regresso em face de seu
agente que tenha causado o dano, não exclui a responsabilidade deste perante o
lesado, a qual decorre do art. 927 do CC/02.
Há que se reconhecer a solidariedade entre a pessoa jurídica de direito público e seu
agente, o que torna inadequada a denunciação da lide, revelando-se cabível, no caso,
o chamamento ao processo.
Em linha de princípio, a omissão da parte em denunciar a lide não deve acarretar
conseqüências de índole substancial. Ocorre, que no inciso I do art. 70, é o disposto no
art. 456 do CC/02 que determina a perda do direito de regresso em caso de não ser
realizada a denunciação da lide. Nos demais casos previstos no art. 70 do CPC,
portanto, não haverá perecimento do direito de regresso, o qual poderá ser exercido
mediante demanda autônoma.
Art. 456 do CC/02 – Para poder exercitar o direito que da evicção lhe resulta, o
adquirente notificará do litígio o alienante imediato, ou qq dos anteriores, quando e
como lhe determinarem as leis do processo.
Pretendendo o autor denunciar a lide, deverá fazê-lo na petição inicial. Já o
demandado, em pretendendo denunciar a lide, deverá fazê-lo no prazo de que dispõe
para oferecer sua contestação. Não exige a lei que a denunciação da lide seja
requerida no corpo da contestação, sendo lícito ao réu, apresentar duas petições
distintas, uma para contestar e outra para denunciar a lide. Nada impede que o
demandado pratique os 2 atos através de uma única petição.
Atenção: Para o STJ mesmo que depois de apresentada a contestação é possível a
denunciação da lide, desde que, dentro do prazo de resposta.
O ato do juiz que determinar a citação do litisdenunciado, nos termos do art. 72 do
CPC, suspenderá o processo. Enquanto esta citação não ocorrer, ficará o andamento
normal do procedimento impedido.
Residindo o litisdenunciado na mesma comarca onde se desenvolve o processo,
deverá a citação ocorrer no prazo de 10 dias, e se em comarca diversa, ou se o mesmo
estiver em lugar incerto, a citação deverá ocorrer dentro do prazo de 30 dias. Em não
sendo realizada a citação no prazo legal, deverá se considerar a denunciação da lide
como inexistente.
Decorrido o prazo para a citação do litisdenunciado sem que a mesma tenha sido
efetuada, e sendo o atraso imputável ao litisdenunciante, o processo seguirá apenas
com este último.
Art. 73 do CPC – Para os fins do disposto no art. 70, o denunciado, por sua vez,
intimará do litígio o alienante, o proprietário, o possuidor indireto ou o responsável pela
indenização, e assim sucessivamente...O artigo transcrito tem por fim autorizar
denunciações da lide sucessivas, permitindo assim que o litisdenunciado traga para o
processo aquele que guarda com ele uma relação de garantia.
A lei civil afirma a possibilidade de se fazer a denunciação da lide ao alienante
imediato, ou a qq dos anteriores, como e quando lhe determinarem as leis do processo.
Esta cláusula final remete ao sistema do CPC, segundo o qual a denunciação da lide é
feita pelo adquirente ao seu alienante imediato, e este, por sua vez, denunciará a lide a
quem lhe transferiu o bem, e assim por diante. Determinando a lei civil que a
denunciação se faça quando e como determinarem as leis do processo.
Art. 74 do CPC – Feita a denunciação pelo autor, o denunciado, comparecendo,
assumirá a posição de litisconsorte do denunciante e poderá aditar a petição inicial,
procedendo-se em seguida à citação do réu.
Art. 75 do CPC – Feita a denunciação pelo réu:
I – Se o denunciado aceitar e contestar o pedido, o processo prosseguirá entre o autor,
de um lado, e de outro, como litisconsortes, o denunciante e o denunciado.
II – Se o denunciado for revel, ou apenas comparecer para negar a qualidade que lhe
for atribuída, cumprirá ao denunciante prosseguir na defesa até o final.
III – Se o denunciado confessar os fatos alegados pelo autor, poderá o denunciante
prosseguir na defesa.
Art. 76 do CPC – Vencido o litisdenunciante, a sentença declarará, conforme o caso, o
direito do evicto, ou a responsabilidade por perdas e danos, valendo como título
executivo.
A demanda principal e a denunciação da lide serão julgadas numa mesma e única
sentença. É óbvio que há entre as 2 demandas uma relação de prejudicialidade,
devendo a demanda principal ser julgada em primeiro lugar, para que só após, e se
tiver restado vencido o litisdenunciante seja julgada a demanda de garantia. Na
hipótese de o litisdenunciante vencer a demanda principal, deverá ser considerada
prejudicada a denunciação da lide.
Atenção: Conforme o art. 76 do CPC, a sentença “declarará” o direito do evicto. Trata-
se de sentença condenatória, e não meramente declaratória. Isto pq, o próprio art. 76
afirma que a referida sentença valerá como título executivo, e o nosso sistema
reconhece eficácia de título executivo apenas às sentenças condenatórias.
Sendo a denunciação da lide uma demanda incidental de garantia, cujo julgamento é
condicionado à sucumbência do litisdenunciante na demanda principal, não se pode
admitir a condenação do litisdenunciado diretamente em favor do adversário do
litisdenunciante. Tal sentença seria nula por estar sendo proferida fora dos limites do
objeto do processo, uma vez que o pedido formulado na demanda principal não foi de
condenação do litisdenunciado, tendo tal pretensão sido manifestada apenas na
denunciação da lide.

Chamamento ao processo – Situação em que mais de uma pessoa se apresentam
responsáveis pelo cumprimento de uma prestação perante 3º, podendo este exigir de
qq delas o pagamento integral.
Nesses casos, aquele que for chamado a cumprir a integralidade da obrigação, pode
se voltar contra aquele, que na verdade, era o devedor de toda (ou de parte) daquela
obrigação.
Verifica-se que o chamamento ao processo se revelará cabível nos casos de fiança
(em que o fiador é pessoalmente responsável perante o credor, mas pode se voltar
contra o devedor principal para receber a integralidade do que pagou), e Tb nos casos
de solidariedade passiva (em que todos os devedores são individualmente
responsáveis pela integralidade da dívida, mas aquele que a pagar por inteiro poderá
exigir de seus co-devedores as suas cotas-parte da obrigação).
O chamamento ao processo implica ampliação da relação processual originariamente
formada, com a inclusão no pólo passivo, como litisconsortes ulteriores, dos chamados.
Com o chamamento ao processo o legislador cria um instituto nitidamente destinado a
proteger o devedor que, demandado sozinho pelo cumprimento de uma obrigação, traz
para o processo, a fim de que figurem a seu lado como litisconsortes passivos, os
demais devedores.
Trata-se de intervenção provocada pelo réu, que tem a faculdade (e não o dever) de
trazer ao processo os co-obrigados, dando causa à instauração do litisconsórcio
passivo.
Uma vez requerido pelo réu o chamamento ao processo, o que deve ser feito no prazo
de resposta (mas não necessariamente na própria contestação, podendo fazê-lo em
petição autônoma), deverá o juiz suspender o processo para a citação dos chamados,
aplicando-se subsidiariamente as regras, acerca do ponto, previstas para a
denunciação da lide.
A sentença que julgar procedente a ação, condenando os devedores, valerá como
título executivo, em favor do que satisfizer a dívida, para exigi-la, por inteiro, do
devedor principal ou de cada um dos co-devedores a sua cota-parte, na proporção que
lhes tocar. Art. 80 do CPC.
Fiador não é , em regra, devedor solidário, havendo tal solidariedade apenas quando o
garantidor tiver renunciado ao benefício de ordem. Nos casos em que tal renúncia não
tiver ocorrido, e o devedor disponha de bens capazes de suportar o cumprimento da
obrigação, tem o fiador a faculdade de exigir que a execução do crédito recaia,
primeiramente sobre o patrimônio do devedor principal.
Em não havendo título executivo em que figure o devedor principal, não poderá o fiador
alegar o benefício de ordem. Se torna essencial para que o benefício de ordem possa
ser alegado, que o fiador, demandado, faça incluir no processo o devedor principal. Em
não sendo feito o chamamento ao processo, nesta hipótese, será impossível ao fiador,
alegar, na execução, o benefício de ordem.
É admissível o chamamento ao processo de todos os devedores solidários, quando o
credor exigir de um ou de alguns deles, parcial ou totalmente, a dívida comum. Art. 77,
III, do CPC.

Recurso de terceiro – O 3º pode interpor qq dos recursos que às partes é lícito
oferecer, e dispõe o 3º do mesmo prazo de que dispõe as partes para tal.
Pode-se definir o 3º legitimado a recorrer como aquele que poderia ter intervindo no
processo mas não o fez antes da decisão, pretendendo fazê-lo agora com o fim de
atacar o provimento judicial que lhe acarreta prejuízo.
O 3º que pretende recorrer precisa demonstrar interesse jurídico na causa, além disso
deverá ficar demonstrado o prejuízo que a decisão acarretou à sua esfera de
interesses. Ex: Numa ação de despejo poderia o sublocatário ter intervindo no
processo como assistente simples do locatário. Não tendo ocorrido tal intervenção,
nada impede que o sublocatário apele contra a sentença que decretou o despejo, por
ser ele 3º juridicamente interessado que sofreu prejuízo com a decisão.











Resumo:

Lei 9099/95

Os juizados especiais cíveis e criminais serão criados pela União, no DF e nos Territórios, e
pelos Estados, para conciliação, processo, julgamento e execução, nas causas de sua
competência.
O processo irá se orientar pelos critérios da informalidade, simplicidade, oralidade, economia
processual e celeridade, buscando sempre que possível a conciliação ou a transação.
O juizado especial cível tem competência para conciliar, processar e julgar as causas cíveis de
menor complexidade, assim consideradas:
a) Causa cujo valor não excede 40 vezes o salário mínimo;
b) A ação de despejo para uso próprio;
c) As ações possessórias sobre bens imóveis de valor não excedente a 40 vezes o
salário mínimo.
Ficam excluídas da competência do juizado especial as causas de natureza alimentar, fiscal,
falimentar, de interesse da Fazenda Pública e ainda as relativas à acidente de trabalho,
resíduos, estado e capacidade de pessoas, ainda que de cunho patrimonial.
A opção pelo procedimento previsto nesta lei importará na renúncia do crédito excedente ao
limite acima mencionado, excetuada a hipótese de conciliação.

É competente para as causas previstas nesta lei o juizado do foro:
a) Do domicílio do réu, ou à critério do autor; do local onde aquele exerce atividade
profissional ou econômica ou mantenha estabelecimento, filial, agência, surcusal ou
escritório;
b) Do lugar onde a obrigação deva ser satisfeita;
c) Do domicílio do autor ou do local do ato ou fato, nas ações de reparação de dano de qq
natureza.

Obs: Em qq das hipóteses a ação poderá ser proposta no foro previsto na letra a.
O juiz do juizado pode determinar as provas a serem produzidas para apreciá-las,
adotando em cada caso a decisão que lhe reputar mais justa e equânime, atendendo aos
fins sociais da lei e as exigências do bem comum.
Nos juizados, os juízes leigos precisam ter mais de 5 anos de experiência, e ficarão
impedidos de exercer a advocacia enquanto no desempenho de suas funções.
Não poderão ser parte no processo instituído por essa lei, os incapazes, o preso, pessoas
jurídica de direito público, empresas da União, massa falida e o insolvente civil. Também
não podem os cessionários de crédito de pessoas jurídicas.
O maior de 18 anos poderá ser autor, independentemente de assistência, inclusive para
fins de conciliação.
Nas causas de valor até 20 salários mínimos, as partes comparecerão pessoalmente,
podendo ser assistidas por advogado, nas de valor superior, a assistência é obrigatória.
Sendo facultativa a assistência, se uma das partes comparecer assistida de advogado ou o
réu for pessoa jurídica ou firma individual, terá a outra parte, se quiser, assistência
judiciária prestada por órgão instituído junto ao juizado especial, na forma da lei.
O mandato do advogado pode ser verbal, salvo quanto aos poderes especiais.
O réu sendo pessoa jurídica ou titular de firma individual poderá ser representado por
preposto credenciado.
Não se admitirá no processo qq forma de intervenção de 3º e assistência, admitir-se-á o
litisconsórcio.
Os atos processuais são públicos e poderão ser realizados em horário noturno conforme
dispuserem as normas de organização judiciária.
Não se pronunciará qq nulidade sem que tenha havido prejuízo.
O processo instaurar-se-á com a apresentação do pedido, de forma oral ou escrita, a
secretaria do juizado.
Do pedido constarão, de forma simples, em linguagem acessível:
a) O nome, a qualificação e o endereço das partes;
b) Os fatos e fundamentos de forma sucinta;
c) O objeto e seu valor.

É lícito formular pedido genérico, quando não for possível determinar, desde logo, a
extensão da obrigação.
Os pedidos podem ser alternativos ou cumulativos, estes últimos desde que conexos e que
não ultrapassem o valor de 40 salários mínimos.
Registrado o pedido, independentemente de distribuição e autuação, a secretaria do
juizado designará a sessão de conciliação a realizar-se no prazo de 15 dias.
Comparecendo inicialmente ambas as partes, instaura-se desde logo a sessão de
conciliação, dispensados o registro prévio do pedido e a citação.
Havendo pedidos contrapostos, poderá ser dispensada a contestação formal e ambos
serão apreciados na mesma sentença.
A citação far-se-á:
a) Por correspondência, com aviso de recebimento – em mão própria.
b) Tratando-se de pessoa jurídica ou firma individual, mediante entrega ao encarregado
da recepção, que será obrigatoriamente identificado.
c) Sendo necessário, por oficial de justiça, independentemente de mandado ou carta
precatória.

A citação conterá: Cópia do pedido inicial, dia e hora para comparecimento do citando e
advertência de que se este não comparecer considerar-se-ão verdadeiras as alegações
feitas na inicial, e será proferido julgamento de plano.
Atenção: Não se fará citação por edital!
O comparecimento espontâneo suprirá a falta ou nulidade da citação.
As intimações serão feitas na forma prevista para a citação, ou qq outro meio idôneo de
comunicação.
As partes deverão comunicar ao juízo sobre a mudança de endereço, caso não o fizerem,
serão eficazes as intimações realizadas no local anteriormente indicado.
Não comparecendo o demandado a sessão de conciliação ou a Audiência de instrução e
julgamento, reputar-se-ão verdadeiros os fatos narrados na inicial, salvo se o contrário
resultar de convicção do juiz.
A conciliação será conduzida por juiz togado, ou leigo ou por conciliador.
Obtida a conciliação, esta será reduzida a termo e homologada pelo juiz togado, mediante
sentença com eficácia de título executivo.
Não obtida a conciliação, as partes poderão optar, de comum acordo, pelo juízo arbitral, na
forma prevista nesta lei.
O juízo arbitral considerar-se-á instaurado, independentemente de termo de compromisso,
com a escolha do árbitro pelas partes. Se este não estiver presente, o juiz convocá-lo-á e
designará, de imediato, a data para a audiência de instrução.
O árbitro será escolhido dentre os juízes leigos.
O árbitro conduzirá o processo com os mesmos critérios do juiz, podendo decidir por
equidade.
Ao término da instrução ou nos 5 dias subseqüentes, o árbitro apresentará o laudo ao juiz
togado para homologação por sentença irrecorrível.
Não instituído o juízo arbitral, proceder-se-á imediatamente a audiência de instrução e
julgamento desde que não resulte prejuízo a defesa.
Não sendo possível a sua realização imediata, será a audiência designada para um dos 15
dias subseqüentes, cientes, desde logo, as partes e testemunhas eventualmente
presentes.
Na AIJ serão ouvidas as partes, colhida a prova, e em seguida proferida a sentença.
Serão decididos de plano todos os incidentes que possam interferir no regular andamento
da audiência. As demais questões serão decididas na sentença.
Sobre os documentos apresentados por uma das partes, manifestar-se-á imediatamente a
parte contrária, sem interrupção da audiência.
A contestação, que será oral ou escrita, conterá toda matéria de defesa, exceto argüição
de suspeição ou impedimento do juiz, que irá se processar na forma da legislação em
vigor.
Não se admitirá a reconvenção. É lícito ao réu na contestação, formular pedido em seu
favor, desde que fundado nos mesmos fatos que constituem objeto da controvérsia.
O autor poderá responder ao pedido do réu na própria audiência, ou requerer que seja
designada nova data, fixada desde logo, ciente todos os presentes.
Todos os meios de prova moralmente legítimos, mesmo não especificados em lei são
hábeis para provar a verdade dos fatos alegados pelas partes.
Todas as provas serão produzidas na AIJ, ainda que não requeridas previamente, podendo
o juiz limitar ou excluir as que considerar excessiva, impertinentes ou protelatórias.
Limite de 3 testemunhas para cada parte. Comparecerão a AIJ levadas pela parte que as
arrolou, independentemente de intimação, ou mediante esta, se houver requerimento.
O requerimento para intimação das testemunhas será apresentado a secretaria no mínimo
5 dias antes da AIJ.
Se a testemunha intimada não comparecer, o juiz determinará a sua imediata condução,
valendo-se, caso necessário de força pública.
Quando a prova do fato exigir, poderá o juiz inquirir técnicos de sua confiança permitindo
as partes a apresentação de parecer técnico.
Poderá o juiz, no curso da audiência, de ofício ou a requerimento das partes realizar
inspeção em pessoas ou coisas, ou determinar que o faça pessoa de sua confiança, que
lhe retratará informalmente o verificado.
A prova oral não será reduzida a escrito, devendo a sentença referir, no essencial, os
informes trazidos pelos depoimentos.
A instrução poderá ser dirigida por juiz leigo sob supervisão do juiz togado.
A sentença conterá os elementos de convicção do juiz, com breve resumo dos fatos
relevantes ocorridos na audiência, DISPENSADO O RELATÓRIO.
Não se admitirá sentença condenatória por quantia ilíquida, ainda que genérico o pedido.
É ineficaz a sentença condenatória na parte que exceder a alçada estabelecida nesta lei.
Se o juiz leigo dirigir a instrução, deverá proferir sua decisão e imediatamente submetê-la
ao juiz togado, que poderá homologá-la, proferir outra em substituição ou antes de se
manifestar determinar a realização de atos probatórios indispensáveis.
Da sentença, com exceção da homologatória de conciliação ou laudo arbitral, caberá
recurso para o próprio juizado.
O recurso será julgado por turma formada por 3 juízes togados, em exercício no 1º grau de
jurisdição, reunidos na sede do juizado.
Nos recursos as partes serão obrigatoriamente representadas por advogado.
O recurso será interposto no prazo de 10 dias, contados da ciência da sentença, por
petição escrita, contendo as razões e o pedido do recorrente.
O preparo será feito independentemente de intimação, nas 48 horas seguintes da
interposição, sob pena de deserção.
Após o preparo a secretaria intimará o recorrido para oferecer sua resposta escrita no
prazo de 10 dias.
O recurso terá somente efeito devolutivo, podendo o juiz dar-lhe efeito suspensivo para
evitar dano irreparável para a parte.
As partes serão intimadas da data da sessão do julgamento.
O julgamento em 2ª instância constará apenas da ata, com a indicação suficiente do
processo, fundamentação sucinta e parte dispositiva. Se a sentença for confirmada pelos
próprios fundamentos, a Súmula do julgamento servirá de acórdão.
Caberão Embargos de declaração quando da sentença ou acórdão houver obscuridade,
contradição, omissão ou dúvida.
Os erros materiais podem ser corrigidos de ofício.
Os ED são interpostos por escrito ou oralmente, no prazo de 5 dias, contados da ciência da
decisão.
Quando interpostos contra sentença, os ED suspenderão o prazo para recursos.
Extingue-se o processo além dos casos previstos em lei:
a) Quando o autor deixar de comparecer a qq das audiências do processo;
b) Quando inadmissível o procedimento instituído por esta lei ou seu prosseguimento,
após a conciliação;
c) Quando for reconhecida a incompetência territorial;
d) Quando sobrevier qq dos impedimentos previstos no art. 8º;
e) Quando falecido o autor, a habilitação depender de sentença ou não se der no prazo
de 30 dias;
f) Quando falecido o réu, o autor não promover a citação dos sucessores no prazo de 30
dias da ciência do fato.

A extinção do processo independerá, em qq hipótese, de intimação pessoal das partes.
Quando o autor comprovar que a ausência em audiência decorreu de força maior, o juiz
poderá izentá-lo do pagamento de custas.
A execução da sentença processar-se-á no próprio juizado, aplicando-se, no que couber, o
disposto no CPC.
As sentenças serão necessariamente líquidas, contendo a conversão em bônus do
Tesouro Nacional – BNT ou índice equivalente.
Os cálculos de conversão de índices, honorários, juros e de outras parcelas serão
efetuados por servidor judicial.
A intimação da sentença será feita, sempre que possível, na própria audiência em que for
proferida. Nessa intimação o vencido será instado a cumprir a sentença tão logo ocorra seu
trânsito em julgado, e advertido dos efeitos do seu descumprimento.
Não cumprida voluntariamente a sentença transitada em julgado, e tendo havido solicitação
do interessado, que poderá ser verbal, proceder-se-á desde logo a execução, dispensada
nova citação.
Nos casos da obrigação de entregar, de fazer ou de não fazer, o juiz na sentença ou na
fase de execução cominará multa diária a ser arbitrada de acordo com as condições
econômicas do devedor, para hipótese de inadimplemento. Não cumprida a obrigação, o
credor poderá requerer a elevação da multa ou a transformação da condenação em perdas
e danos.
Na obrigação de fazer o juiz pode determinar o cumprimento por outrem, fixado o valor a
ser depositado pelo devedor para as despesas, sob pena de multa diária.
Na alienação forçada dos bens, o juiz poderá autorizar o devedor, o credor, ou a 3ª pessoa
idônea a tratar do bem penhorado, o qual se aperfeiçoará em juízo até a data fixada para a
praça ou leilão. Sendo o preço inferior ao da avaliação, as partes serão ouvidas. Se o
pagamento não for a vista, será oferecido caução idônea, nos casos de alienação de bem
móvel, ou hipotecado o imóvel.
É dispensada a publicação de editais em jornais quando se tratar de alienação de bens de
pequeno valor.
O devedor poderá oferecer embargos nos autos da execução versando sobre:
a) Falta ou nulidade da citação no processo, se ele correu à revelia;
b) Manifesto excesso de execução;
c) Erro de cálculo
d) Causa impeditiva, modificativa ou extintiva da obrigação, superveniente a sentença.

Efetuada a penhora, o devedor será intimado a comparecer a audiência de conciliação,
quando poderá oferecer embargos por escrito ou verbalmente.
Na audiência será buscado o meio mais rápido e eficaz para a solução do litígio, se
possível com a dispensa da alienação judicial, devendo o conciliador propor, entre outras
medidas cabíveis, o pagamento do débito a prazo ou a prestação, a dação em pagamento
ou a imediata adjudicação do bem penhorado.
Não apresentados os embargos em audiência, ou julgados improcedentes, qq uma das
partes poderá requerer ao juiz a adoção de uma das alternativas acima mencionadas.
Não encontrado o devedor ou inexistindo bens penhoráveis, o processo será
imediatamente extinto, devolvendo-se os documentos ao autor.
O acesso ao juizado especial, em primeiro grau de jurisdição, independerá de custas, taxas
ou despesas.
O preparo do recurso compreenderá todas as despesas processuais, inclusive aquelas
dispensadas em primeiro grau de jurisdição, salvo em hipótese de assistência judiciária
gratuita.
A sentença de 1º grau não condenará o vencido a custas e honorários de advogado,
ressalvado os casos de litigância de má-fé. Em 2º grau, o recorrente, vencido, pagará as
custas e honorários de advogado que serão fixados entre 10 e 20% do valor da
condenação, ou não havendo condenação, do valor corrigido da causa.
Na execução não serão contadas custas, salvo quando:
a) Reconhecida a litigância de má-fé;
b) Improcedentes os embargos do devedor;
c) Tratar-se de execução de sentença que tenha sido objeto de recurso improvido do
devedor.
O acordo extra-judicial, de qq natureza ou valor, poderá ser homologado no juízo
competente, independentemente de termo, valendo a sentença como título executivo
judicial.
Valerá como título extrajudicial o acordo celebrado pelas partes, por instrumento escrito,
referendado pelo órgão competente do MP.
Não se admitirá ação rescisória nas causas sujeitas ao procedimento instituído por esta lei.
O juizado especial criminal provido por juízes togados ou togados e leigos tem
competência para conciliação, julgamento e execução das infrações penais de menor
potencial ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência.
Na reunião dos processos perante o juízo comum ou o tribunal do júri, decorrentes da
aplicação das regras de conexão e continência, observar-se-ão os institutos da transação
penal e da composição civil dos danos.
Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para efeitos desta lei, as
contravenções penais e crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 anos,
cumulada ou não com multa.
O processo perante o juizado especial orientar-se-á pelos critérios da oralidade,
informalidade, economia processual e celeridade, objetivando a reparação do dano sofrido
pela vítima e a aplicação da pena não privativa de liberdade.
A competência do juizado será determinada pelo local em que foi praticada a infração
penal.
A citação será pessoal e far-se-á no próprio juizado sempre que possível ou por mandado.
Não encontrado o acusado para ser citado, o juiz poderá encaminhar as peças existentes
ao juízo comum para adoção do procedimento previsto em lei.
A intimação se dará de forma igual a do cível.
Do ato de intimação do autor do fato e do mandado de citação do acusado, constará a
necessidade de seu comparecimento acompanhado de advogado, e na falta deste, lhe
será designado defensor público
A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado
e o encaminhará imediatamente ao juizado com o autor do fato e a vítima, providenciando-
se as requisições dos exames periciais necessários.
Ao autor do fato que, imediatamente após a lavratura do termo for encaminhado ao juizado
ou assumir compromisso de a ele comparecer não se imporá prisão em flagrante, nem
exigirá fiança. Nos casos de violência doméstica, o juiz poderá determinar, como medida
cautelar o afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com vítima.
Na falta do comparecimento de qq dos envolvidos a secretaria providenciará sua intimação.
Na audiência preliminar, presente o representante do MP, o autor do fato, a vítima, e, se
possível o responsável civil, acompanhados de seus advogados, o juiz esclarecerá sobre a
possibilidade de composição dos danos e da aceitação da proposta de aplicação imediata
da pena não privativa de liberdade.
A conciliação será conduzida por juiz, ou conciliador, sob sua orientação.
Os conciliadores são auxiliares da justiça recrutados, preferencialmente dentre bacharéis
em direito, excluídos os que exerçam função na adm. da justiça criminal.
A composição de danos civis será reduzida a escrito e homologada pelo juiz mediante
sentença irrecorrível, e terá eficácia de título a ser executado no juízo civil competente.
Tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de ação pública condicionada à
representação, o acordo homologado acarreta a renúncia ao direito de queixa ou de
representação.
Não obtida a composição civil dos danos, será dada imediatamente ao ofendido a
possibilidade de exercer o direito de representação verbal, que será reduzido a termo.
O não oferecimento da representação em audiência preliminar não implica a decadência do
direito, que poderá ser exercido no prazo previsto em lei.
Havendo representação ou se tratando de ação penal pública incondicionada, não sendo
caso de arquivamento, o MP poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de
direitos ou multas a ser especificada na proposta.
Nas hipóteses de ser a pena de multa a única aplicável, o juiz poderá reduzi-la até a
metade.
Não se admitirá a proposta se ficar comprovado:
a) Ter sido o autor do fato, condenado por crime, à pena privativa de liberdade, por
sentença definitiva;
b) Ter sido o agente beneficiado, anteriormente, pelo prazo de 5 anos, pela aplicação de
pena restritiva ou multa;
c) Não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem
como os motivos e circunstâncias, a ser necessária e suficiente a adoção da medida.

Acolhendo a proposta do MP aceita pelo autor da infração, o juiz aplicará a pena restritiva
de direitos ou multa, que não importará em reincidência, mas ficará registrado para que o
mesmo benefício não seja concedido no prazo de 5 anos.
Da sentença acima descrita caberá apelação.
A imposição da sanção acima mencionada não terá efeitos civis, cabendo aos interessados
propor ação cabível no juízo cível.
Do procedimento sumaríssimo:
Na ação penal de iniciativa pública em que não houver aplicação da pena pela ausência do
autor, ou não ocorrendo a hipótese prevista no art. 76 desta lei, o MP oferecerá de imediato
ao juiz denúncia oral, se não houver necessidade de diligências imprescindíveis.
O oferecimento da denúncia dispensa o Inquérito Policial e prescindir-se-á de exame de
corpo de delito quando a materialidade do crime tiver aferida por boletim médico ou prova
equivalente.
Se a complexidade ou circunstâncias do caso não permitirem a formulação da denúncia, o
MP poderá requerer ao juiz o encaminhamento das peças existentes.
Na ação penal de iniciativa do ofendido poderá ser oferecida queixa oral, cabendo ao juiz
verificar se a complexidade ou circunstância do caso determinam a adoção das
providências acima descritas.
Oferecida a denúncia ou queixa, será esta reduzida a termo e entregue uma cópia ao
acusado que com ela ficará citado, e imediatamente ciente da designação de data e hora
da AIJ. Tb tomarão ciência, o MP, o ofendido, o responsável civil e seus advogados.
Se o acusado não estiver presente será citado na forma do art. 66 e 68 desta lei e
cientificado da data da AIJ, devendo trazer suas testemunhas ou apresentar requerimento
para intimação no mínimo 5 dias antes da sua realização.
Não estando presentes o ofendido e o responsável civil, serão intimados nos termos do art.
67. Da mesma forma serão intimadas as testemunhas arroladas.
Nenhum ato será adiado, determinando o juiz, quando imprescindível, a condução
coercitiva de quem deva comparecer.
Aberta a audiência, será dada a palavra ao defensor para responder a acusação, após o
juiz ter recebido ou não a denúncia ou queixa, havendo recebimento serão ouvidas a vítima
e as testemunhas de acusação e de defesa, interrogando-se a seguir o acusado,
passando-se imediatamente aos debates orais e a prolação da sentença.
Todas as provas serão produzidas na AIJ, podendo o juiz limitar ou excluir as que
considerar excessivas, impertinentes ou protelatórias.
De todo o ocorrido em audiência será lavrado termo, assinado pelo juiz e pelas partes, que
conterá resumo dos fatos relevantes ocorridos em audiência e a sentença.
A sentença, dispensada o relatório, mencionará os elementos de convicção do juiz.
Da decisão que rejeita denúncia ou queixa e da sentença, caberá apelação a ser julgada
por turma composta por 3 juízes no exercício do 1º grau de jurisdição, reunidos na sede do
juizado.
A apelação será interposta no prazo de 10 dias da ciência da sentença pelo MP, réu e seu
defensor, por petição escrita, devendo conter as razões e o pedido do recorrente.
O recorrido será intimado para oferecer resposta escrita no prazo de 10 dias.
Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula de julgamento servirá
de acórdão.
Caberão ED quando em sentença ou acórdão houver obscuridade, contradição, omissão
ou dúvida.
Os ED serão opostos por escrito ou oralmente no prazo de 5 dias da ciência da decisão.
Quando opostos contra sentença, os ED suspenderão os prazos para recursos.
Erros materiais podem ser corrigidos de ofício.
Aplicada exclusivamente a pena de multa, o seu pagamento far-se-á na secretaria do
juizado.
Efetuado o pagamento, o juiz declarará a extinção da punibilidade e determinará que a
condenação não conste nos registros criminais, exceto para fins de requisição judicial.
Não efetuado o pagamento será feita a conversão em pena privativa de liberdade ou
restritiva de direitos nos termos previstos em lei.
Nos casos de homologação de acordo civil e aplicação de pena restritiva de direitos ou
multa, as despesas processuais serão reduzidas, conforme dispuser lei estadual.
Além das hipóteses do código penal e legislação especial, dependerão de representação
as ações penais relativas ao crime de lesão corporal leve e lesão culposa.
Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a 1 ano, abrangidos ou
não por esta lei, o MP ao oferecer denúncia pode propor a suspensão do processo de 2 a 4
anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado
por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizam a suspensão condicional da
pena (art. 77 do CP).
Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do juiz, este ao receber a
denúncia, pode suspender o processo, submetendo o acusado a período de prova, sobre
as seguintes condições:
a) Reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo;
b) Proibição de freqüentar determinados lugares;
c) Proibição de ausentar-se da comarca onde reside sem autorização do juiz;
d) Comparecimento obrigatório e pessoal, mensalmente ao juiz para informar e justificar
suas atividades.

O juiz pode especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão, desde que
adequadas ao fato e a situação pessoal do acusado.
A suspensão será revogada se no curso do prazo, o beneficiado vier a ser processado por
outro crime ou não efetuar, sem motivo justificado, a reparação do dano.
A suspensão poderá ser revogada se no curso do prazo o beneficiado for processado por
contravenção ou descumprir qq das condições impostas.
Expirado o prazo sem revogação, o juiz declarará extinta a punibilidade.
Não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão do processo.
Se o acusado não aceitar a proposta, o processo prosseguirá em seus ulteriores termos.
As disposições desta lei não se aplicam aos processos penais cuja instrução já estiver
iniciada.
As disposições desta lei não se aplicam no âmbito da justiça militar.
Nos casos em que esta lei passa a exigir a representação para a propositura da ação penal
pública, o ofendido ou seu representante legal será intimado no prazo de 30 dias para
oferecê-la, sob pena de decadência.
Aplicam-se subsidiariamente as disposições do CP e do CPP, no que não forem
incompatíveis com esta lei.

A lei estadual disporá sobre o sistema do juizado especial cível e criminal, sua
organização, composição e competência.
Os serviços de cartório poderão ser prestados, e as audiências realizadas fora da sede da
comarca, em bairros ou cidades a ela pertencentes, ocupando instalações de prédios pub.,
de acordo com audiências previamente anunciadas.
Os estados, DF e territórios criarão e instalarão os juizados especiais no prazo de 6 meses
a contar da vigência desta lei.

















Ação rescisória:

Tb pode ser chamada de ação declaratória de nulidade ou ação declaratória de
inexistência de relação jurídica. É uma ação autônoma de impugnação, através da qual é
apresentada determinada invalidade no processo, que por ser tão grave pode ser
apresentada através de ação autônoma de impugnação. Dá origem a uma nova relação
processual. São cabíveis quando já houver ocorrido a coisa julgada, ficando os recursos
para trás, uma vez que estes são cabíveis somente antes de fazer a coisa julgada.
Ex: Ausência de citação – Vício gravíssimo. QQ pessoa poderá alegar em qq grau de
jurisdição. O réu não foi citado e mesmo assim a ação foi desfavorável, esgotando-se todos
os recursos cabíveis. Nesse caso, cabe ação rescisória, e esta poderá ser proposta no
período de 2 anos após a coisa julgada (prazo decadencial).
Para o CPC a falta de citação é caso de nulidade. Tecnicamente, é invalidade, após a
decretação do vício é que ocorre a nulidade.
A partir da coisa julgada todos os vícios são sanáveis. No entanto, alguns vícios são tão
graves que a lei prevê que aquele vício será hipótese de rescindibilidade (art. 485 do CPC).
A natureza da ação rescisória é de ação autônoma de impugnação.
Tratando-se de um juízo de admissibilidade para se verificar a possibilidade ou não de
exame do mérito da causa, esta (ação rescisória) possuirá sempre natureza declaratória.
1ª fase (pressupostos da ação rescisória) – Nessa fase será feito um juízo de
admissibilidade da ação rescisória.
2ª fase (mérito) – 2 momentos:
1º - O Tribunal decide se a coisa julgada que se pretende desconstituir deve ou não ser
desconstituída (juízo rescindente).
2º - Decidindo favoravelmente o Tribunal pela desconstituição da coisa julgada anterior,
agora o Tribunal, se for o caso, passa ao rejulgamento do pedido feito originalmente (juízo
rescisório).
Resumindo:
1ª fase – Juízo de admissibilidade – A natureza jurídica da decisão pode ser:
O Tribunal admite a ação rescisória – Declaratória positiva
O Tribunal não admite a ação rescisória – Declaratória negativa
2ª fase – Mérito:
1º momento – Desconstituição da coisa julgada. A natureza jurídica da decisão pode ser:
O Tribunal julga procedente a rescisão - constitutiva negativa (desconstitutiva)
O Tribunal julga improcedente a rescisão – declaratória negativa (não tem direito à
rescisão).
2º momento – novo julgamento do pedido originário – A natureza da decisão pode ser:
Se o Tribunal julgar procedente pode ser: declaratória, constitutiva, condenatória,
mandamental, executiva lato sensu. Dependerá da natureza do pedido formulado na ação
principal.
Se o Tribunal julgar improcedente – declaratória negativa
A 2ª fase é caracterizada pelo novo julgamento da matéria discutida no processo
rescindido, pelo mesmo órgão que a rescindiu, à pedido da própria parte e após a
procedência do pedido de rescisão.
O objeto da ação rescisória é a sentença de mérito transitada em julgado. Apenas a
sentença de mérito dá ensejo a coisa julgada material (esta sentença julga o pedido
formulado pelo autor).
Qualquer decisão (sentença, acórdão, decisão monocrática de relator de recurso, decisão
interlocutória), DESDE QUE TENHA DECIDIDO MATÉRIA DE MÉRITO, pode ser objeto
de uma ação rescisória.
Se não houver julgamento do pedido, não há decisão de mérito, consequentemente não há
coisa julgada, razão pela qual não cabe a rescisória. Nesse caso, a mesma demanda pode
ser novamente proposta, desde que corrigido o vício originariamente existente.
Se a ação rescisória for ajuizada antes do trânsito em julgado da ação principal, ela será
extinta sem a análise do mérito.
Atenção: Ocorrendo a coisa julgada no processo principal durante o processamento da
ação rescisória, a eventual invalidade estaria sanada, e o Tribunal pode prosseguir no
julgamento da ação rescisória.
Súmula 514 do STF – Admite-se ação rescisória contra sentença transitada em julgado,
ainda que contra ela não se tenham esgotado todos os recursos.
Casos em que não é cabível ação rescisória:
Art. 59 da lei 9099/95
Art. 26 da lei 9868/99 – A decisão que declara a constitucionalidade ou a
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em ação direta ou ação declaratória não pode
ser objeto de ação rescisória.
Art. 12 da lei 9882/99 – A decisão que julgar procedente ou improcedente o pedido em
ADPF não pode ser objeto de ação rescisória.
Se a ação rescisória for ajuizada nesses casos, o processo deverá ser extinto sem
resolução do mérito por impossibilidade jurídica do pedido, uma vez que, existe proibição
legal ao cabimento da rescisória.
Outros casos em que não será cabível a rescisória:
Processo cautelar – art. 810 do CPC – Casos em que na sentença do processo cautelar é
reconhecida a prescrição ou decadência do direito do autor.
Jurisdição voluntária – Os eventuais vícios deverão ser alegados por ação anulatória – art.
486 do CPC.
Atenção: Se a sentença no mandado de segurança for terminativa, não cabe rescisória.
Sendo a ação rescisória uma ação autônoma de impugnação, ela deverá possuir as
condições da ação e os pressupostos processuais de existência e validade. Quanto a estes
últimos é indispensável para a sua existência a propositura de uma demanda (petição
inicial) por um autor, em face de um réu, perante um órgão investido de jurisdição. Para a
validade desta relação processual, as partes envolvidas deverão ser capazes, a demanda
deve estar regularmente proposta, além do juízo ser competente.
De outro lado, o pedido da ação rescisória deverá ser juridicamente possível, além de ficar
configurada a legitimidade das partes e o interesse de agir (condições da ação).
Competência para o processamento e julgamento da ação rescisória. 2 regras básicas:
1ª – A competência para o processamento e julgamento de uma ação rescisória é sempre
de um Tribunal. Ex: se a sentença é de juiz estadual, a competência para a ação rescisória
será do Tribunal de justiça a que ele está vinculado. Se a sentença é de juiz federal de 1º
grau, a competência da rescisória é do respectivo Tribunal Regional Federal.
2ª – Cada Tribunal é competente para o processamento e julgamento da ação rescisória de
seus próprios julgados.
Atenção: Nas hipóteses de juízo estadual processar e julgar uma causa estando investido
de jurisdição federal (como nos casos do art. 109, parágrafo 3º, da CF), a competência
para o processamento e julgamento de eventual rescisória será do TRF daquela região.
Se a apelação não for admitida pelo Tribunal – O acórdão deste não substitui a sentença
de 1º grau, e o Tribunal continua competente para julgar a ação rescisória da sentença e
não do acórdão que não admitiu a apelação.
Se a apelação é recebida, mas o Tribunal nega seu provimento, como nesse caso houve
exame do mérito da apelação, o acórdão do Tribunal irá substituir a sentença de 1º grau,
mesmo que não lhe haja alterado o teor. Com o trânsito em julgado, é esse acórdão que
será objeto de ação rescisória.
Tribunal recebe a apelação e dá provimento, reformando a sentença de 1º grau. O acórdão
do Tribunal irá substituir a sentença de 1º grau, e com o seu respectivo trânsito em julgado,
será objeto de ação rescisória.
Apelação recebida, o Tribunal dá provimento para anular a sentença de 1º grau. Não há
efeito substitutivo. O processo é rebaixado ao juízo de 1º grau para prosseguimento a partir
de onde foi decretada a nulidade. Não ocorre o trânsito em julgado, uma vez que, o
processo vai prosseguir para a prolação de nova sentença. Não cabe ação rescisória do
acórdão do Tribunal que determinou a nulidade da sentença e de eventuais atos anteriores.
Hipótese de interposição de recurso especial (STJ) e recurso extraordinário (STF) – Tendo
estes Tribunais superiores examinado o mérito dos recursos, cada um deles será
competente para a ação rescisória de seu respectivo julgado.
Na hipótese do STJ/STF examinar o mérito do recurso, mesmo que o acórdão afirmasse
não conhecer do recurso, a competência para a ação rescisória de tal julgado seria do
STJ/STF (pq julgou o mérito da causa). Ver Súmula 249 do STF.
Não tendo estes realizado o exame do mérito, a competência para a rescisória será do
Tribunal a quo, que anteriormente julgou o mérito da causa.
Ação rescisória nas causas internacionais – São aquelas demandas em que de um lado
está Estado estrangeiro ou organismo internacional e de outro Município ou pessoa
residente ou domiciliada no Brasil. A competência para essa causa será do juiz federal de
1º grau. Será cabível recurso ordinário para o STJ. Este, conhecendo do recurso (dando
provimento ou negando provimento), ou seja, examinando o mérito, será competente para
julgar a ação rescisória.
Caso o STJ não conheça (admita) do recurso, quem será competente para a ação
rescisória?
Para Frede Didier a competência para a rescisória continua sendo do STJ. Explicação: O
fato de o juiz federal estar a ele subordinado nessa demanda específica, automaticamente
lhe acarreta a competência para o julgamento da rescisória.
Legitimidade para a rescisória:
Quem foi parte no processo ou o seu sucessor, a título universal ou singular;
Exceção: Cabe ao confitente a propositura da ação nos casos do art. 352 (confissão
emanada de erro, dolo ou coação), mas uma vez que ela tenha sido iniciada, ela passa aos
seus herdeiros.
3º juridicamente interessado;
MP.
O 3º que pode propor a ação rescisória não é qq 3º, mas sim alguém que poderia ter feito
parte da demanda como assistente (simples ou litisconsorcial) ou litisconsorte, mas não o
foi.
Se o 3º é co-titular da mesma relação jurídica de direito material, ele poderia ter sido
litisconsorte ou assistente litisconsorcial de alguma das partes originárias.
Se o 3º era titular de alguma relação jurídica de direito material conexa com a de alguma
das partes do processo originário, ele somente poderia ser assistente litisconsorcial.
Art. 42 do CPC – O adquirente ou o cessionário possuem legitimidade para propor ação
rescisória, uma vez que, poderiam ter sido réus (caso a sucessão processual intervivos
fosse aceita pelo autor) ou assistentes litisconsorciais (caso a sucessão processual
intervivos não fosse aceita pelo autor).
É cabível a rescisória de 3º que foi prejudicado por processo simulado. Nos termos dos
arts. 167 e 168 do CC/02.
Obs: As hipóteses do art. 487, III, do CPC são exemplificativas.
O MP possui legitimidade para propor a ação rescisória como parte (quando caracterizada
alguma das hipóteses do art. 485 do CPC) ou como custos legis (sempre que caracterizada
alguma das situações do ar. 487 do CPC).
Réu revel pode propor ação rescisória?
Sim. Embora revel ele é parte do processo, uma vez que já foi citado.
Legitimidade passiva para a ação rescisória:
Normalmente abrange a pessoa ou pessoas que figuravam no pólo passivo da demanda
originária.
Tratando-se de ação rescisória que pretende desconstituir coisa julgada formada no
processo original, todos aqueles que foram parte naquele processo sofrerão modificação
em suas respectivas esferas jurídicas.
No caso de litisconsórcio na demanda originária, todos que figuraram como parte deverão
ser arrolados no pólo passivo da ação rescisória como litisconsortes necessários.
Conclusão – O pólo passivo da ação rescisória pode dar ensejo ao surgimento de
litisconsórcio. Neste caso ele será sempre necessário.
Mas, deverá ele ser unitário?
Depende. No primeiro momento do exame do mérito (pedido do autor da rescisória é a
desconstituição da coisa julgada na demanda original), a decisão do Tribunal dará ensejo à
caracterização do litisconsórcio como sendo unitário, isto pq, ou a coisa julgada será
desconstituída para todos os participantes da demanda originária ou não será
desconstituída para ninguém.
No segundo momento do exame do mérito (rejulgamento do pedido originário), o
litisconsórcio dependerá do pedido feito na demanda originária, o que poderá afastar o
efeito unitário do litisconsórcio.
Atenção: Não cabe ação rescisória com base em fundamento que não existia na época do
trânsito em julgado da demanda originária.
Prazo da ação rescisória – 2 anos a contar do trânsito em julgado da sentença (prazo
decadencial).
A decisão que reconhece a ocorrência de decadência é de mérito.

Cumulação de demandas apresentadas em um único processo:
Pode acontecer dessa cumulação possuir diversos pedidos, e esses podem ser julgados
em momentos distintos, já que não precisam ser conexos (art. 292 do CPC). Neste caso,
pode acontecer de tais pedidos virem a transitar em julgado em momentos diferentes.
Neste caso, qual será o termo inicial do prazo decadencial de 2 anos da ação rescisória?
STJ – O prazo decadencial de 2 anos deve ser contado do trânsito em julgado do
julgamento do último pedido apreciado
A petição pode até ser uma, mas o nº de ações rescisórias propostas depende do nº de
fundamentos apresentados.
Não há problema em alterar a qualificação jurídica dos fatos apresentados, caso esteja
incorreta. Mas, os fatos não podem ser alterados de maneira alguma.
Art. 485, I, do CPC enumera os crimes cometidos pelo juiz que podem dar ensejo a ação
rescisória (prevaricação, concussão ou corrupção).
Não é necessária a sentença penal condenatória transitada em julgado condenando o juiz
pela prática de um desses crimes. Poderá ser provada dentro da própria rescisória se o juiz
da causa originária praticou algum desses crimes quando do respectivo julgamento.
Esse dispositivo pode ser aplicado a membro do órgão colegiado, mas atenção:
Se a decisão for monocrática, não há problema algum, pode ser ajuizada a rescisória. Se a
decisão for colegiada deve ser verificado se o voto do membro (suposto autor de um dos
crimes do art. 485, I, do CPC) foi determinante no resultado. Se for um dos votos
vencedores, cabe a rescisória; se o voto foi vencido, não caberá a rescisória. A hipótese
será de extinção do processo sem resolução do mérito por falta de interesse de agir.
Art. 485, II, do CPC – O fato de juiz impedido ter proferido sentença no 1º grau de
jurisdição dá ensejo ao ajuizamento da ação rescisória.
O fato de ter sido apresentada oportunamente exceção de impedimento e ter sido esta
alegação indeferida naquela ocasião, não impede que na ação rescisória essa matéria seja
novamente alegada.
Só será cabível ação rescisória por impedimento de membro do Tribunal, se a sua
participação for decisiva no julgamento, ou seja, se ele foi um dos votos vencedores.
O impedimento diz respeito à pessoa do juiz. A incompetência absoluta diz respeito ao
juízo (Vara).
Somente nos casos de incompetência absoluta cabe ação rescisória. Isto pq nos casos de
incompetência relativa, não tendo ela sido alegada na 1ª oportunidade para falar nos autos,
a competência do juízo é prorrogada, passando ele a ser absolutamente competente.
Se o Tribunal competente para julgar a ação rescisória tiver competência para o
rejulgamento, será cabível o judicium rescissorium (rejulgamento da causa).
Ex: Se o objeto da ação rescisória é uma sentença proferida por um juízo de Vara Cível,
com fundamento de que deveria ser proferida por um juízo de Vara de Família, nada
impede que o Tribunal, rescindindo a sentença, rejulgue a causa, pois as causas de família
Tb são da sua competência. Caso porém, a causa tenha sido julgada por um juiz Federal
enquanto deveria ter sido julgada por um juízo Estadual ou Trabalhista, a rescisória será
intentada perante o TRF ao qual esteja vinculado o juiz prolator da sentença. Nesse caso,
a rescisória apenas terá o condão de desconstituir a coisa julgada, não cabendo o
rejulgamento da causa, pois caso contrário estaríamos igualmente diante de um vício de
incompetência.
Art. 485, III, do CPC – Dolo da parte vencedora em detrimento da parte vencida. Esse dolo
não precisa ser realizado necessariamente pela parte, abrange Tb as condutas realizadas
pelo advogado da parte e/ou representante legal da parte.
Colusão das partes com o intuito de fraudar a lei. A parte até possui legitimidade para
propor a ação rescisória, uma vez que, esta é estabelecida em lei (quem foi parte no
processo e seu sucessor à título universal ou singular, 3º juridicamente interessado e MP),
mas não tem interesse de agir, uma vez que, terá que alegar a própria torpeza para
rescindir aquela coisa julgada.
Art. 485, IV, do CPC – Ofender a coisa julgada. Trata-se de hipótese em que a coisa
julgada que se pretende rescindir está violando uma coisa julgada preexistente.
Através da ação rescisória a 2ª coisa julgada será rescindida a fim de que a 1ª volte a
produzir efeitos.
Se não for ajuizada ação rescisória e permanecerem ambas no ordenamento jurídico,
prevalecerão os efeitos da 2ª coisa julgada em detrimento da 1ª (posição dominante).
Art. 485, V, do CPC – Violação de literal disposição de lei. O termo lei deve ser entendido
no sentido amplo (tem o sentido de lei material, constitucional, infraconstitucional, nacional,
estrangeira e processual).
Atenção: Posicionamento dominante – Cabe ação rescisória no caso de violação ao
regimento interno de algum tribunal.
Atenção: O termo lei não abrange súmula nem súmula vinculante, logo não caberia
rescisória nessas hipóteses.
Para a corrente majoritária, a lei precisa ser clara, não precisando estar escrita.
Atenção: Não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei, quando a decisão
rescindida tiver por base texto legal de interpretação controvertida nos tribunais.
As diversas decisões dos tribunais devem estar em conformidade com o entendimento do
STF.
Nos casos em que tiver transitado em julgado as decisões dos tribunais contrárias ao
entendimento do STF sobre o assunto, será cabível ação rescisória.
Art. 485, VI, do CPC – Decisão judicial baseada em prova falsa poderá ser objeto de ação
rescisória.
Não há necessidade de comprovação anterior de que a prova na qual a decisão judicial se
baseou era falsa. A falsidade da prova pode ser provada em processo criminal ou na
própria ação rescisória.
Doutrina – Posição majoritária – Além da sentença criminal e da ação rescisória, a
falsidade da prova poderá ser demonstrada em uma ação declaratória cível.
Atenção: Não cabe ação rescisória se a prova for verdadeira, mas tiver sido obtida
ilicitamente.
Se a CF e a legislação infraconstitucional proíbem a prova ilícita, estamos diante de
violação à literal dispositivo de lei. Sendo assim, caberia rescisória, nesse caso, com base
no art. 485, V, do CPC e não com base no art. 485, VI, do CPC (prova falsa).
Art. 485, VII, do CPC – Ação rescisória com fundamento de utilização de documento novo
(fotos, filmes, gravações telefônicas...)
Documento novo é aquele que já existia ao tempo do julgamento da causa, mas somente
depois do momento oportuno para a sua apresentação, a parte teve conhecimento de sua
existência ou teve acesso ao documento.
Depois de esgotadas as oportunidades de apresentação do documento novo no curso do
processo, ele somente poderá ser apresentado na ação rescisória.
Se o 3º estiver na posse do documento, a parte interessada deverá ajuizar uma ação de
exibição, de modo a inteirar-se do seu teor, com objetivo de propor ação rescisória.
É incabível o ajuizamento da rescisória para que no curso do processo o interessado prove
a existência do documento. Este deve ser apresentado desde logo.
O documento deve ser suficiente para provocar uma modificação no teor da decisão de
modo à propiciar um julgamento favorável àquele que o alega.
Se estiver em curso uma ação de exibição e o prazo para a rescisória, que é de 2 anos a
contar do trânsito em julgado da decisão estiver acabando, deverá a parte interessada
ingressar com esta e pedir a suspensão com base no art. 265, IV, do CPC.
Requisito para ajuizamento da rescisória com base em documento novo – Que o
documento novo diga respeito a fatos controvertidos no processo originário.
Partindo-se da premissa de que o revel não participou do processo originário, as alegações
do autor foram presumidas verdadeiras. Se ele foi revel, não pode rejeitar as alegações
apresentadas pelo autor, restando as mesmas incontroversas. Diante disso, o revel não
pode ajuizar rescisória com base em documento novo.
Na prática, em razão da revelia não ocasionar necessariamente a ocorrência dos
respectivos efeitos da revelia, o réu apesar de revel poderá ajuizar ação rescisória com
base no art. 485, VII, do CPC.
STJ – Admite o exame de DNA como documento novo para fins de ação rescisória. Não
está condicionada à possibilidade de se obter o exame ainda no curso do processo
principal.
Art. 485, VIII, do CPC – A sentença de mérito poderá ser rescindida quando houver
fundamento para invalidar confissão, desistência ou transação em que se baseou a
sentença.
Nos casos de reconhecimento da procedência do pedido, renúncia ao direito em que se
funda a ação e transação, a sentença resolve o mérito da causa (art. 269, II, III e V do
CPC). Não obstante são sentenças homologatórias, que conforme o art. 486 estabelece o
cabimento de ação anulatória para “rescindir” as sentenças homologatórias.
Nas hipóteses do art. 485, VIII, do CPC é cabível ação rescisória ou ação anulatória para
rescindir a decisão judicial?
Posição majoritária – Se a sentença homologatória de transação já tiver transitado em
julgado, dando ensejo a formação da coisa julgada, a hipótese será de ajuizamento de
ação rescisória, caso contrário (não transitou em julgado) deverá ser interposta ação
anulatória (art. 486 do CPC).
Art. 485, IX, do CPC – Cabe rescisória quando a decisão tiver sido proferida com base em
erro de fato.
Erro de fato diz respeito àquele suscetível de verificação pelo simples exame dos autos do
processo e dos documentos que nele se encontram.
O mesmo art. 485, parágrafo 1º, do CPC define erro como sendo a hipótese em que a
sentença admite um fato inexistente, bem como quando considera inexistente um fato
efetivamente ocorrido.
Ainda há outro pressuposto para que o erro possa ser apto a produzir a rescindibilidade do
julgado – Exige-se que sobre o fato não tenha ocorrido controvérsia nem pronunciamento
judicial (isso significa que o juiz não se manifestou expressamente sobre aquele fato, mas
simplesmente presumiu, imaginou que ele existia, quando na realidade ele não existia, ou
ao contrário, imaginou que ele não existia quando na verdade ele havia ocorrido.
O erro de fato deve propiciar por si só uma decisão favorável para quem o alega.
O erro de fato deve ser demonstrado somente com as provas constantes do processo
original, não pode ser demonstrado com base em prova nova.
Procedimento da rescisória:
Ela deve ser apresentada através de petição inicial.
Deve apresentar 2 pedidos sucessivos:
O 1º é o pedido de rescisão da sentença, e sempre deve ser formulado. O 2º é o pedido
eventual de novo julgamento da causa, quando possível.
Além disso, deve ser apresentado o comprovante do depósito de 5% sobre o valor da
causa, à título de multa, caso a rescisória seja por unanimidade de votos declarada
inadmissível ou improcedente.
A falta de um desses 2 requisitos gera o indeferimento da petição inicial da ação rescisória.
O julgador deverá permitir à parte a emenda da inicial no prazo de 10 dias, caso a exordial
possua vícios que possam ser corrigidos.
O depósito inicial da ação rescisória não pode ser exigido da União, Estados, Municípios e
MP. Quanto à União, esta dispensa abrange suas autarquias e fundações, e a Caixa
Econômica Federal, nos casos que envolvam FGTS.
STJ – O beneficiário da Justiça Gratuita Tb está dispensado do depósito.
Doutrina majoritária – O valor da causa da rescisória é o mesmo valor da causa da ação
original.
Se o pedido de rejulgamento da causa implicar na obtenção de bem econômico de valor
superior àquele que constou da inicial da ação original, então deverá constar da ação
rescisória o valor efetivamente desejado pelo seu autor, e não aquele ultrapassado, que
constou da ação original.
O relator mandará citar o réu, assinando-lhe prazo nunca inferior a 15 dias e nem superior
a 30 dias para responder a ação.
STF/STJ – Entendem ser cabível a aplicação do art. 188 do CPC, sob o argumento de
prevalência do interesse público que está em jogo. Logo, Fazenda Pública e MP na ação
rescisória terão o prazo em quádruplo para responder.
A falta de contestação do réu na ação rescisória (revelia) não faz presumir que todos os
fatos afirmados pelo autor da rescisória são verdadeiros.
A coisa julgada já obtida no processo original não pode ser desconstituída por força da
revelia na ação rescisória. É necessário o prosseguimento da causa com a produção de
provas que demonstrem a veracidade das alegações do autor da rescisória.
Doutrina – Admite possibilidade de reconvenção na ação rescisória. 3 requisitos:
1º - A reconvenção deverá ser obrigatoriamente uma outra ação rescisória;
2º - Tem como objeto o mesmo julgado que se pretende desconstituir na ação rescisória
original;
3º - Deve ser ajuizada no prazo decadencial de 2 anos estabelecido para a rescisória, sob
pena de não ser admitida.
É cabível a concessão de provimento de natureza antecipatória ou cautelar no curso da
ação rescisória. É perfeitamente cabível para evitar a produção de efeitos materiais da
execução.
A antecipação de tutela é objeto de pedido no bojo da ação rescisória, enquanto que a
cautelar, em tese, é objeto de pedido em ação autônoma.

Recursos na ação rescisória:
Se a rescisória for julgada procedente:
Por maioria – Cabe Embargos Infringentes;
Por unanimidade – Cabe recurso especial; recurso extraordinário
Se a rescisória for julgada improcedente:
Cabe recurso especial, recurso extraordinário e se for o caso, Embargos de Divergência.
É cabível ação rescisória do julgamento de ação rescisória, porém é indispensável que
tenha sido julgado o mérito na 1ª. Além disso, o pedido de rescisão da 2ª ação rescisória
deve dizer respeito a coisa julgada formada na 1ª ação rescisória e não na demanda
original.
Atenção: Não esquecer que o julgamento que rejeita ação rescisória por não observância
do prazo decadencial de 2 anos é de mérito.