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REDE CAPITAL SERVIÇOS DE ATENDIMENTO À MULHER.
REDE CAPITAL SERVIÇOS DE ATENDIMENTO À MULHER.
REDE CAPITAL
SERVIÇOS DE ATENDIMENTO À MULHER.
REDE CAPITAL SERVIÇOS DE ATENDIMENTO À MULHER.
Protocolo de Atuação da Rede de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência do Município

Protocolo de Atuação da Rede de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência do Município do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

2013

Subsecretaria Estadual de Políticas para as Mulheres /SEASDH

Superintendência Estadual de Enfrentamento à Violência contra a Mulher / SEASH

Sérgio Cabral

Governador do Estado do Rio de Janeiro

Zaqueu da Silva Teixeira Secretário de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos– SEASDH

Adriana Mota Subsecretária Estadual de Políticas para as Mulheres— SPMulheres-RJ/SEASDH

Marcelle Lyra Superintendente Estadual de Enfrentamento à Violência contra a Mulher —SPMulheres-RJ/SEASDH

Ranúsia dos Santos Coordenadora da Rede de Serviços de Atendimento à Mulher– SPMulheres-RJ/SEADH

Colaboração

Casa Abrigo Lar da Mulher—SPMulheres– RJ/SEASDH Casa Abrigo Viva Mulher Cora Coralina—SPM-Rio Casa da Mulher de Manguinhos– SPMulheres-RJ/SEASDH Centro Especializado de Atendimento à Mulher Chiquinha Gonzaga— CEAM Chiquinha Gonzaga—SPM-Rio Centro Integrado de Atendimento à Mulher Márcia Lyra – CIAM Márcia Lyra— SPMulheres-RJ/SEASDH Centro de Referência de Mulheres da Maré Carminha Rosa—UFRJ Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro Disque Mulher SOS/ALERJ— Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro– Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher– CDDM/ALERJ Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro

Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres do Município do Rio de Janeiro—SPM-Rio

Secretaria de Estado de Segurança Pública Secretaria de Estado de Saúde Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro

Alexandre Campos

Projeto gráfico

Sérgio Lourenço - Design Gráfico do Núcleo de Estudo de Políticas Públicas em Direitos Humanos/CFCH/UFR Arte logomarca da Rede Capital

em Direitos Humanos/CFCH/UFR Arte logomarca da Rede Capital 2013. Subsecretaria de Políticas para as

2013. Subsecretaria de Políticas para as Mulheres/Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos.

SUMÁRIO

Apresentação

7

1. Introdução

8

2. Marco Conceitual

10

2.1– Rede

10

2.2—Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres

10

2.3— Rede de Atendimento à Mulher em Situação de Violência

11

3. A Rede Capital

12

3.1– Objetivo

12

3.2Características de Ação

12

3.3Composição

13

4. Finalidade do Protocolo

16

Competências das Instituições no Âmbito do Atendimento Especializado à Mulher em Situação de Violência no Município do Rio de Janeiro

5.

17

5.1– Instituições de Defesa, Apoio e Orientação às Mulheres em Situação de Violência

17

5.1.1– Disques

17

5.1.2Centros Especializados de Atendimento à Mulher

17

5.2—Instituições da Saúde

22

5.2.1— Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro

22

5.2.2—Secretaria de Estado de Saúde

33

5.3— Serviços de Segurança Pública de Atenção às Mulheres em Situação de Violência

55

5.3.1— Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher— DEAMs

55

5.4 — Sistema de Justiça

60

5.4.1– Juizados da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher

60

5.4.2— Central Judiciária de Abrigamento Provisório da Mulher Vítima de Violência Doméstica e

Familiar — CEJUVIDA

65

5.4.3— Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro

67

5.4.4—Ministério Público Estadual

69

 

5.5—Instituições de Abrigamento Temporário

70

 

5.5.1—Casas abrigo

70

 

6.

Fluxo da Rede Especializada de Atendimento à Mulher da Capital do Estado do Rio de Janeiro

73

Anexos

 

Anexo 1 - Protocolo de Atendimento à Violência Sexual—SMS

77

Anexo 2 -

Ficha de Notificação—SMS

79

Anexo 3 - Protocolo de Atuação entre DEAM-Centro, I Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Ministério Público e Defensoria Pública para a Proteção das Vítimas de Violência Doméstica, Familiar e de Gênero -

PROJETO VIOLETA

83

Anexo 4 - Endereços e Telefones dos Serviços de Atendimeto à Mulher da Rede Capital

107

Anexo 5 - Glossário de Siglas

111

APRESENTAÇÃO

A Subsecretaria de Políticas para as Mulheres, por meio da Superintendência de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e da Coordenação da Rede de Serviços Especializados de Atendimento à Mulher, tem a honra de apresentar o Protocolo de Atuação da Rede de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência do município do Rio de Janeiro – Rede Capital.

Desde o ano de 2007, a Rede de Serviços de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência na Capital é coordenada pelo organismo estadual de políticas para as mulheres, atualmente a Subsecretaria de Políticas para as Mulheres do Estado do Rio de Janeiro. Essa coordenação na capital se justifica por alguns fatores muito característicos da organi- zação da Rede de Serviços em nosso estado:

- o município do Rio de Janeiro é o que concentra geograficamente o maior número de serviços especializados no atendimento à mulheres em situação de violência: 04 Centros Especializados de Atendimento à Mulher; 03 Dele- gacias Especializadas de Atendimento à Mulher; 04 Juizados Especializados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; 01 Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública; 01 Coordenação do Centro de Apoio Ope- racional das Promotorias de Justiça de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; 02 Disques Denúncia de Vio- lência contra a Mulher; 01 Abrigo para Mulheres em Situação de Violência Doméstica em Risco de Morte; e, 01 Central Judiciária de Abrigamento Provisório (CEJUVIDA);

- o município do Rio de Janeiro é o único do estado que concentra serviços vinculados às três esferas da administração pública: municipal, estadual e federal. Estas características explicam a grande quantidade de mulheres em atendimento nos diferentes serviços da Capital, seja porque são moradoras da cidade, seja porque em suas cidades de origem não há serviços especializados e a capital acaba sendo o local mais viável para o atendimento, seja porque em suas cidades de origem existem serviços especializados, mas a necessidade de maior segurança torna preferencial o atendimento em outro município.

Importante destacar que a Rede de Serviços do Rio de Janeiro, ou simplesmente Rede Capital, se reúne regularmente todos os meses, na sede da Subsecretaria de Políticas para as Mulheres, com a intenção de afinar procedimentos, traçar estratégias comuns, discutir a política de enfrentamento à violência contra a mulher e criar as melhores condições para um atendimento acolhedor, humanizado e eficiente.

Este Protocolo que agora apresentamos é um dos frutos do intenso trabalho da Rede Capital e esperamos, com esta publicação, dar mais uma contribuição para que as mulheres tenham direito a viver uma vida livre de violência.

Adriana Valle Mota Subsecretária de Políticas para as Mulheres Rio de Janeiro, novembro de 2013.

1.

INTRODUÇÃO

O enfrentamento à Violência contra as Mulheres tomou maior proporção, a partir da década de 90, com as articula-

ções e interferências dos Movimentos de Mulheres/Feministas, a consolidação de Conselhos de Direitos da Mulher, das manifestações populares, audiências públicas e conferências internacionais. Estas manifestações reforçaram a necessidade do governo brasileiro em reconhecer nacional e internacionalmente a urgência em promover e articu- lar políticas públicas de prevenção, assistência e reparação dos direitos das mulheres.

A elaboração dos I e II Planos Nacional de Políticas Públicas para Mulheres de 2004 e 2007, respectivamente, e do Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres (2007), levou à implementação no estado do Rio de Janeiro de mais serviços de atendimento a mulheres vítimas de violência em diferentes instâncias.

A Superintendência Estadual de Políticas para as Mulheres, hoje Subsecretaria de Políticas para as Mulheres -

SPMulheres-RJ, adotou o conceito de município-pólo, em 2007, dentro da perspectiva de descentralização e regio- nalização de seus programas e serviços.

Por definição, o Pólo regional abriga um conjunto articulado em redes de instituições e serviços voltados para o enfrentamento à violência contra as mulheres numa região ou território do estado. Operacionalmente, criou-se a figura de município-pólo que sedia e dinamiza o Pólo regional, formada pelas redes de serviços. O município-lo deve, portanto, ter capacidade de oferecer serviços referentes ao enfrentamento da violência contra as mulheres, dinamizando e fortalecendo a rede regional de serviços.

Sabemos que o sistema em redes é muito dinâmico e passível de inventar e reinventar cruzamentos entre si. Por- tanto, no caso do enfrentamento à violência contra as mulheres, quanto mais o sistema for dinâmico e os serviços estiverem sintonizados para resolverem, com presteza, os problemas imediatos, novos municípios-pólo poderão existir, formando novos pólos em microrregiões ou territórios, segundo as características ou injunções locais. Isto reforça a idéia de os municípios-pólo serem os mais preparados para articular e integrar um conjunto de serviços de uma região, microrregião ou território, num dado momento ou para enfrentar uma determinada situação locali- zada.

A idéia de Pólos ou conjunto de serviços descentralizados pressupõe a ampliação da cobertura de atendimento

qualificado às mulheres em situação de violência. Ao mesmo tempo, exige o fortalecimento dos vínculos institucio-

nais e a articulação entre os serviços públicos pertencentes às três esferas de Governo, em parceria com a socieda- de civil, situados numa região ou território. Esta articulação em redes de serviços tem por objetivo produzir impac- tos consideráveis no que se refere à prevenção, o combate e o atendimento das mulheres em situação de violência

e risco de morte.

Em 2007 os municípios escolhidos como Pólos regionais para o enfrentamento à violência contra a mulher no esta- do do Rio de Janeiro eram: Capital (Município do Rio de Janeiro); Nova Iguaçu (Região Metropolitana I- Baixada Flu- minense); Niterói (Metropolitana II); Itaperuna (Região Noroeste Fluminense); Campos (Região Norte Fluminense); Nova Friburgo (Região Serrana); Cabo Frio (Região Baixada Litorânea); Volta Redonda (Região Médio Paraíba); Vas- souras (Região Centro-Sul Fluminense); Angra dos Reis (Região Costa Verde).

Sendo assim, desde 2007 a Rede de Serviços do município do Rio de Janeiro passou a se chamar Rede Capital, que surgiu a partir de encontros sistemáticos destas instituições. Hoje, após anos de articulação da referida Rede, faz -se necessário a sua institucionalização.

2. MARCO CONCEITUAL

2.1. REDE

Quando falamos de rede” estamos abordando um tecido de relações e interações que se estabelecem com uma finalidade e se interconectam por meio de linhas de ação ou trabalhos conjuntos. Os pontos de rede podem ser

pessoas, instituições ou grupos. Sendo assim, o termo “rede” sugere a idéia de articulação, conexão, vínculos,

ações complementares, relações horizontais entre parceiros, interdependência de serviços para garantir a integrali- dade da atenção aos segmentos sociais vulnerabilizados ou em situação de risco social e pessoal.

2.2. REDE DE ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

O conceito de rede de enfrentamento à violência contra as mulheres diz respeito à atuação articulada entre as ins- tituições/ serviços governamentais, não governamentais e comunidade, visando ao desenvolvimento de estratégias efetivas de prevenção e de políticas que garantam o empoderamento e construção da autonomia das mulheres, os seus direitos humanos, a responsabilização dos agressores e a assistência qualificada às mulheres em situação de violência. Portanto, a rede de enfrentamento tem por objetivos efetivar os quatro eixos da Política Nacional de En- frentamento à Violência contra as Mulheres- combate, prevenção, assistência e garantia de direitos – e dar conta da complexidade do fenômeno da violência contra as mulheres (SPM, Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Brasília, 2011, p.13).

Eixos Estruturantes da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres

Prevenção - Ações educativas e culturais que interfiram nos padrões sexistas

Assistência - Fortalecimento da Rede de Atendimento e capacitação de agentes públicos

Enfrentamento e combate - Ações punitivas e cumprimento da Lei Maria da Penha

Acesso e garantia de direitos - Cumprimento da legislação nacional/internacional e iniciativas para o

empoderamento das mulheres

(SPM, Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Brasília, 2011. Fonte: http://www.sepm.gov.br/publicacoes-

teste/publicacoes/2011/politica-nacional

2.3. REDE DE ATENDIMENTO À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA

A rede de atendimento faz referência ao conjunto de ações e serviços de diferentes setores (em especial, da assis-

tência social, da justiça, da segurança pública e da saúde), que visam à ampliação e melhoria da qualidade do aten-

dimento, à identificação e ao encaminhamento adequado das mulheres em situação de violência e a integralidade

e à humanização do atendimento. Assim, é possível afirmar que a rede de atendimento às mulheres em situação de

violência é parte da rede de enfrentamento á violência contra as mulheres, contemplando o eixo da “assistência”

que segundo o previsto na Política Nacional de Enfrentamento contra as Mulheres, objetiva:

garantir o atendimento humanizado e qualificado àquelas em situação de violência por meio da formação continu-

ada de agentes públicos e comunitários; da criação de serviços especializados (Casas-Abrigo, Centros de Referência, Serviços de Responsabilização e Educação do Agressor, Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Defensorias da Mulher); e da constituição/fortalecimento da Rede de Atendimento (articulação dos governos Federal, Estadual/Distrital, Municipal e da sociedade civil para o estabelecimento de uma rede de parcerias para o enfrenta- mento da violência contra as mulheres, no sentido de garantir a integralidade do atendimento). (SPM, Rede de Enfren- tamento à Violência contra as Mulheres, Brasília, 2011, p.14).

( )

A rede de atendimento é composta por duas categorias de serviços:

- serviços não especializados de atendimento à mulher: hospitais gerais, serviços de atenção básica, delegacias co- muns, polícia militar, polícia federal, Centros de Referência da Assistência Social/ CRAS, Centros Especializados de Assistência Social/CREAS, Ministério Público, Defensorias Públicas;

- serviços especializados de atendimento à mulher: Centros de Referência de Atendimento à Mulher, Núcleos de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, Centros Integrados de Atendimento à Mulher, Casas -abrigo, Casas de Passagem, Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher ou Núcleos da Polícia de Atendimento à Mulher, Núcleos da Mulher nas Defensorias Públicas, Promotorias Especializadas, Juizados da Violência Doméstica e Famili- ar, Disques Mulher, serviços de saúde voltados para o atendimento aos casos de violência contra a mulher gênero.

A Rede Capital, nesse sentido, é uma rede de atendimento à mulher em situação de violência composta por servi-

ços especializados.

3.

A REDE CAPITAL

3.1- OBJETIVO

Ter uma atuação articulada e intersetorializada, potencializando ao máximo essas características, para tornar a REDE mais dinâmica, eficaz, onde a rota das mulheres em busca de seus direitos seja curta e rápida, especialmente do acesso, com qualidade, à segurança, à justiça, aos serviços de saúde, à assistência social e aos demais instrumentos e meios necessários à proteção de seus direitos humanos.

3.2 - CARACTERÍSTICAS DE AÇÃO

- Horizontalidade - Mesmo cada participante pertencendo a uma estrutura vertical a ação conjunta se dá de for-

ma transversal. Nenhuma instituição desta Rede exerce o papel de liderança sobre as demais e o que deve prevale- cer é a vontade coletiva de realizar as metas e objetivos comuns;

- Multiliderança - Cada participante constitui uma liderança a partir da instituição que representa. As decisões,

mesmo assim, visam à ação integrada, as metas e os objetivos comuns.

- Co-Responsabilidade- Além da responsabilidade relativa à instituição que representa, cada um assume a respon- sabilidade conjunta pelo bom funcionamento da Rede.

- Compartilhamento - de recursos humanos, aprendizados e informações entre as instituições, superando qualquer forma de setorialização.

- Autonomia - É o direito e a capacidade de estabelecer as regras para suas ações a favor do interesse coletivo, mantendo cada um a responsabilidade de sua atuação.

- Diversidade - Tem a ver com a natureza das instituições, sua pluralidade e multiplicidade, diferentes ângulos de visão ou de abordagem, heterogeneidade e variedade. Muitas vezes, também, podem ser encontrados na comu- nhão de contrários, na interseção de diferentes, e ainda no respeito mútuo, promovendo, desta forma, a convivên- cia e o aproveitamento de idéias diferentes que convergem para resultados de interesse comum.

- Sustentabilidade - Capacidade de garantir representatividade e a participação institucional visando a interação dos diversos atores envolvidos para efetiva continuidade da Rede

- Flexibilidade - Disposição para explorar idéias novas e/ou diferentes, distanciando-se da austeridade comporta-

mental que impede a conciliação de interesses e a adequação às novas idéias. É saber escutar, compreender o que se escuta, ponderar sobre que escutou e manter-se aberto ao diálogo, não impondo idéias, mas discutindo-as no campo intelectual sem levar o assunto discutido para o campo pessoal.

3.3- COMPOSIÇÃO

Vale ressaltar que a Rede Capital pode ser ampliada com a inclusão de novos serviços de atendimento, consonante com o caráter dinâmico de uma rede. Hoje a Rede Capital é composta pelos seguintes serviços especializados de atendimento à mulher:

GOVERNO FEDERAL

Centro de Referência de Mulheres da Maré Carminha Rosa (UFRJ)

GOVERNO ESTADUAL

Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos Subsecretaria de Políticas para as Mulheres – SPMulheres-RJ

CIAM Márcia Lyra

Casa da Mulher de Manguinhos

Disque Mulher (SPMulheres-RJ/SEASH)

Casa Abrigo Lar da Mulher (SPMulheres-RJ/SEASH)

Secretaria de Estado de Saúde

Coordenação da Saúde da Mulher do Estado do Rio de Janeiro

Área Técnica de Ações contra a Violência

Grupo Técnico de Atenção, Cuidado e Prevenção à Violência

Composição GT Violência: Área Técnica da Prevenção à Violência, Área Técnica de Saúde da Mulher, Área Técnica de Saúde da Cri- ança, Área Técnica de Saúde do Adolescente, Área Técnica de Saúde do Idoso, Área técnica das Populações em situações de vulne- rabilidade, Assessoria de Gestão Participativa, Área Técnica de Saúde Mental, Gerência de DST/AIDS, Superintendência de Unida- des Próprias, Assessoria de Humanização, Superintendência de Assistência Farmacêutica.

Secretaria de Segurança Pública

Chefia de Polícia Civil

Divisão de Polícia de Atendimento à Mulher— DEAM Centro; DEAM Jacarepaguá; DEAM Oeste

Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro

Comissão Judiciária de Articulação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CEJEM)

Central Judiciária de Abrigamento Provisório (CEJUVIDA)

Juizados da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher

I Juizado – Centro;

II Juizado- Campo Grande

III

Juizado – Jacarepaguá

VI

Juizado – Leopoldina

Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro

Coordenação de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública do estado do Rio de Janeiro

Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro – NUDEM

Equipe Multidisciplinar

Defensoria Pública do estado do Rio de Janeiro nos: I, II, III e VI Juizados da Violência Doméstica e Familiar con- tra a Mulher

Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro

Coordenação do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher

Promotorias Especializadas de Violência Doméstica: duas Promotorias no I Juizado e uma no II, III e VI Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher

de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher

Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro

Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher

Disque Mulher SOS ALERJ

GOVERNO MUNICIPAL

Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres do município do Rio de Janeiro

Centro Especializado de Atendimento à Mulher Chiquinha Gonzaga

Casa Abrigo Viva Mulher Cora Coralina

Secretaria Municipal de Saúde

Subsecretaria de Atenção Primária e Vigilância

Subsecretaria de Atenção Hospitalar de Urgência e Emergência

4.

FINALIDADE DO PROTOCOLO

O presente protocolo, ao institucionalizar as relações desta Rede, visa promover a eficácia e a eficiência no atendi- mento às mulheres em situação de violência no município do Rio de Janeiro.

5.

COMPETÊNCIAS DAS INSTITUIÇÕES NO ÂMBITO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO

5.1. INSTITUIÇÕES DE DEFESA, ORIENTAÇÃO E APOIO AS MULHERES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA

5.1.1- Disques Mulher

São serviços telefônicos gratuitos e importantes como porta de entrada para a rede de atendimento à mulher. Es- tes serviços prestam escuta, acolhida por atendentes qualificadas em questões de gênero e fornecem informações sobre onde as mulheres poderão recorrer caso sofram alguma forma de violência.

5.1.2- Centros Especializados de Atendimento à Mulher

Na Rede Capital os serviços especializados de atendimento à mulher têm diversas nomenclaturas: Centro Integrado de Atendimento à Mulher, Centro de Referência de Atendimento à Mulher, Casa da Mulher e Centro Especializado de Atendimento à Mulher e fazem parte das ações da Política e do Pacto Nacional de Enfrentamento da Violência contra as Mulheres.

“A Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres foi estruturada a partir do Plano Nacional de Políti- cas para as Mulheres (PNPM), elaborado com base I Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, realizada em

2004 pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e pelo Conselho Nacional de Direitos da Mulher. O PNPM pos-

sui como um de seus eixos o enfrentamento à violência contra a mulher, que por sua vez, define como objetivo a criação de uma Política Nacional. Vale notar que a questão do enfrentamento a todas as formas de violência contra a mulher foi mantida como um eixo temático na II Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, realizada em agosto de 2007.” (Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres - Secretaria Nacional de Enfrentamento à Vio-

lência contra as Mulheres/Secretaria de Políticas para as Mulheres – Presidência da República, Brasília, 2011)

“O Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres parte do entendimento de que a violência constitui um fenômeno de caráter multidimensional, que requer a implementação de políticas públicas amplas e articuladas nas

mais diferentes esferas da vida social, tais como: na educação, no trabalho, na saúde, na segurança pública, na assistên-

cia social, na justiça, na assistência social, entre outras. Esta conjunção de esforços já resultou em ações que, simultanea- mente, vieram a desconstruir as desigualdades e combater as discriminações de gênero, interferir nos padrões sexistas/

machistas ainda presentes na sociedade brasileira e promover o empoderamento das mulheres

Enfrentamento contra as Mulheres- Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres/Secretaria de Políticas para as Mulheres – Presidência da República, Brasília, 2011)

Nacional de

”(Pacto

De acordo com a Norma Técnica de Uniformização dos Centros de Referência de Atendimento à Mulher em Situa- ção de Violência ¹ (SPM/Brasília, 2006) estes serviços são espaços de acolhimento/atendimento psicológico, social, orientação jurídica e encaminhamentos das mulheres em situação de violência que proporcione o atendimento e acolhimento necessários à superação da situação de violência ocorrida, contribuindo para o fortalemcimento da mulher e o resgate da sua cidadania

Nesta perspectiva, os centros especializados de acolhimento/atendimento devem exercer papel articulador das instituições e serviços que integram a rede de atendimento, sendo o acesso natural a esses serviços para as mulhe- res em situação de vulnerabilidade, em função de qualquer tipo de violência ocorrida por sua condição de mulher.

Os Centros Especializados de Atendimento à Mulher (CEAMs) devem prestar acolhimento permanente às mulheres que necessitem de atendimento, monitorando e acompanhando as ações desenvolvidas pelas instituições que compõem a Rede, instituindo procedimentos de referência.

Alguns dos OBJETIVOS E PRINCÍPIOS NORTEADORES dos CEAMs de acordo com a Norma Técnica de Uniformização dos Centros de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (SPM/Brasília, 2006):

Atender as necessidades da mulher em situação de violência

Defender os Direitos da Mulher

Reconhecer a diversidade das mulheres

Articular com os demais profissionais da Rede

As DIRETRIZES específicas dos CEAMs, de acordo com a Norma Técnica de Uniformização dos Centros de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (SPM/Brasília, 2006), são:

Da especialização e da natureza do serviço

Os Centros Especializados de Atendimento à Mulher são equipamentos da política de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher que funcionam como porta de entrada especializada para atender a mulher em situação de risco na rede de atendimento. Vale ressaltar que é importante resguardar a especificidade de cada serviço.

1-Há uma orientação da Secretaria de Políticas para as Mulheres/PR (SPM) que a nomenclatura Centro de Referência de Atendimento à Mulher passe para Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM). Assim, como a Norma Técnica de 2006 está em fase de revisão o presente documento irá considerar a orientação da SPM.

Das beneficiárias diretas do serviço

Em consonância com a Convenção de Belém do Pará, da Organização dos Estados Americanos – OEA, da qual o Bra- sil é signatário, as mulheres são as beneficiárias diretas dos Centros Especializados de Atendimento à Mulher (CEAMs).

Da gratuidade do serviço

Os serviços de atendimento psicossocial e jurídico oferecidos pelos Centros Especializados devem ser gratuitos, de-

vendo o Estado assegurar os recursos financeiros necessários para sua operacionalização.

Do trabalho em equipe

O trabalho em equipe multiprofissional deve ser promovido e fortalecido, sendo estabelecidos pela coordenação mecanismos participativos de tomada de decisão, uma vez que esse tipo de estrutura garante que a interação e as relações entre os(as) profissionais sejam baseadas na solidariedade, igualdade, responsabilidade e no compromisso pessoal, afastando o risco do exercício do poder centralizado e autoritário.

Da função social dos centros especializados

Os CEAMS devem contribuir para a eliminação dos preconceitos, atitudes e padrões comportamentais na sociedade que perpetuam a violência contra as mulheres.

METODOLOGIA DE FUNCIONAMENTO E DE ATENDIMENTO de acordo com a Norma Técnica de Uniformização dos Centros de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (SPM/Brasília, 2006).

Os CEAMs atendem mulheres em situação de violência seja por demanda espontânea ou por encaminhamento de algum serviço ou instituição; oferecem orientações gerais sobre os direitos da mulher e sobre a Rede de Atendi- mento a sua disposição, bem como serviços psicológico, social e jurídico, que poderão ser individuais ou em grupo, porém cada serviço adapta a metodologia sugerida na Norma Técnica de forma a oferecer um atendimento de qua- lidade e funcional de acordo com algumas das especificidades que os caracterizam, tais como: localização, área de abrangência, espaço físico, demandas das mulheres, etc.

O atendimento será efetuado em quatro fases distintas:

1ª FASE - Acolhimento e Informações Gerais

Nesse primeiro momento, a mulher em situação de violência que espontaneamente buscar ou for encaminhada ao Centro Especializado deverá receber informações gerais sobre o este serviço e sobre a Rede de Atendimento. No caso de relato de violência sexual recente (ocorrida no período de 72 horas anteriores), o Centro Especializado de- verá encaminhar, imediata e emergencialmente, a mulher para a equipe de atendimento inicial, que a orientará e a encaminhará emergencialmente para os serviços de saúde.

2ª FASE - Orientação à mulher em situação de violência Diagnóstico inicial e encaminhamento

A mulher em situação de violência que manifeste o desejo de ser atendida pelo Centro Especializado será encami-

nhada ao atendimento inicial que será realizado pelos profissionais que compõem a equipe multidisciplinar. Esse atendimento tem como objetivos estabelecer uma relação de confiança e credibilidade com a mulher, além de ouvi -la de forma qualificada, respeitosa e não julgadora.

3ª FASE - Diagnóstico Aprofundado e Atendimento

Esta fase tem como objetivo dar continuidade ao atendimento inicial, identificando as demandas e questões a se- rem tratadas nos diversos outros tipos de atendimento, tais como: Assistência Social, Saúde, Educação, entre ou- tros.

4ª FASE - Monitoramento do Atendimento e Encerramento do Atendimento

A equipe técnica do Centro Especializado deverá manter a interlocução permanente com os demais equipamentos

da rede ampliada de atendimento à mulher, com fins de acompanhar ao atendimento integral da mulher em situa-

ção de violência.

Mulheres em situação de violência podem ser atendidas nos seguintes Centros Especializados de Atendimento à Mulher, localizados na Capital:

Casa da Mulher de Manguinhos - Av. Dom Helder Câmara, 1184, PAC Social de Manguinhos. Tel: 2334-8913

CEAM Chiquinha Gonzaga – R. Benedito Hipólito, 125 – Praça 11- Centro. Tel: 2503-4625

Centro Referência de Mulheres da Maré Carminha Rosa- Rua 17, s/nº, Vila do João- Maré. Tel: 3104-9896

CIAM Márcia Lyra – Rua Regente Feijó, 15- Centro. Tel: 2332-7199

FLUXO DO ATENDIMENTO DOS CEAMS Demanda espontânea
FLUXO DO ATENDIMENTO DOS CEAMS
Demanda
espontânea
Encaminhamento da Rede
Encaminhamento
da Rede

Centros Especializados de

Atendimento à Mulher

Recepção/Acolhimento

Não deseja atendimento - apenas informações

Deseja atendimento

deseja atendimento - apenas informações Deseja atendimento Atendimento Inicial Atendimento Psicológico

Atendimento

Inicial

Atendimento

Psicológico

Atendimento

Social

Diagnóstico
Diagnóstico
Rede de Enfrentamento Delegacias/DEAMs; Defensoria Pública/NUDEM; Juizados de VD; Unidades de Saúde/Hospitais;
Rede de
Enfrentamento
Delegacias/DEAMs;
Defensoria Pública/NUDEM;
Juizados de VD;
Unidades de Saúde/Hospitais;
Casas-abrigo de VD;
Central de Triagem;
Organismos de Políticas para Mulhres;
Secretarias de A. Social, Educação e Trabalho;
Conselho Tutelar; Universidades;
ONGs
e Trabalho; Conselho Tutelar; Universidades; ONGs Acompanhamento do caso Atendimento Jurídico

Acompanhamento do

caso

Atendimento Jurídico

Atendimento Psicoló- gico/Social

5.2. INSTITUIÇÕES DA SAÚDE

5.2.1. Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro

A violência contra a mulher é uma questão de saúde pública, pela sua magnitude e impactos na saúde das mu-

lheres e de suas famílias, o que requer a organização dos serviços de saúde sob as seguintes dimensões: pre- venção, promoção e assistência.

A atenção em saúde nestes serviços está pautada na Legislação vigente e nos protocolos do Ministério da Saú-

de e da Secretaria Municipal de Saúde/RJ referentes a esta área:

Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, constituído pela Lei nº 8.069/1990;

Lei nº 10.778/2003, que instituiu a notificação compulsória de violência contra a mulher;

Lei nº 10.741/2003, que instituiu o Estatuto do Idoso;

Portaria n. 936/GM/MS de 18 de maio de 2004 (Dispõe sobre a estruturação da Rede Nacional de Pre-

venção da Violência e Promoção da Saúde e a implantação e implementação de Núcleos de Prevenção à Violên-

cia em Estado e Municípios);

Portaria MS/GM nº 1.356, de 23 de junho de 2006, que implanta o Sistema de Vigilância de Violências e

Acidentes em Serviços Sentinela – Viva;

Política Nacional de Promoção da Saúde/2010;

Norma Técnica de Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual Contra Mulhe-

res e Adolescentes;

Lei Nº 12.845, de 1º/08/2013; Política de Atenção Integral à Saúde da Mulher, Linha de Cuidado para a

Atenção à Saúde de Crianças, Adolescentes e suas Famílias em Situação de Violências, dentre outros.

A Secretaria Municipal de Saúde/RJ tem um histórico de atenção e cuidado às mulheres em situação de violên-

cia, com a oferta de serviços em todos os níveis da atenção, que garantem a integralidade. Nos casos de violên-

cia sexual, além do acolhimento destas mulheres, disponibiliza a profilaxia para DST/AIDS e contracepção de emergência, dentre outros cuidados. Oferece também desde o primeiro atendimento à mulher até a alternati- va para a interrupção da gestação decorrente de violência sexual. (Protocolo em anexo)

Neste contexto, as unidades de saúde da rede municipal têm a responsabilidade de acolher, atender e acompa- nhar as mulheres em situação de violência, seguindo as dimensões da linha de cuidado abaixo:

Acolhimento

O acolhimento é elemento importante para a qualidade e humanização da atenção. Acolher envolve o conjunto de medidas, posturas e atitudes dos profissionais de saúde que garantam credibilidade e consideração à situação de violência.

A humanização dos serviços demanda um ambiente acolhedor e de respeito às diversidades, livre de qualquer

julgamento moral. Isso pressupõe receber e escutar as mulheres (adolescentes, adultas e idosas) com respeito e solidariedade, buscando formas de compreender suas demandas e expectativas.

Profissionais de saúde capacitados podem e devem acolher as mulheres em situação de violência, sejam eles

Profissionais de saúde capacitados podem e devem acolher as mulheres em situação de violência, sejam eles mé- dicos, enfermeiras, psicólogas, assistentes sociais, fisioterapeutas, agentes, médicos, enfermeiras, psicólogas,

assistentes sociais, fisioterapeutas, agentes comunitários de saúde dentre outros.

Para a realização de um acolhimento adequado destas mulheres, é fundamental que osprofissionais de saúde, sigam as seguintes diretrizes:

Receber de forma empática e respeitosa, sem preconceitos ou julgamentos;

Adotar atitudes positivas e de proteção às pacientes;

Escutar procurando conhecer o contexto da violência, os riscos envolvidos, as necessidades e inici-

ativas já desenvolvidas por esta mulher, sempre estimulando o seu protagonismo;

Assegurar o sigilo profissional;

Acompanhar o caso desde sua entrada no setor saúde até o seguimento para a rede de cuidados e

de proteção;

Atuar de forma conjunta com toda a equipe;

Orientar sobre recursos da rede de atendimento de cuidado e de proteção. Nos casos de violência

sexual é importante que a paciente participe de todo processo e que esteja ciente da profilaxia DST/HIV e do di-

reito ao aborto legal desde o primeiro atendimento;

Ouvir e encaminhar para a rede de serviços especializados de atendimento à mulher em situação

de violência, quando for necessário e de interesse da mesma.

Atendimento

O atendimento a mulher na rede de serviços de saúde deve ocorrer na perspectiva da integralidade e da interdis-

ciplinaridade, possibilitando a identificação daquelas que vivem em situação de violência doméstica e/ou sexu-

al.

O

conhecimento pelo profissional da situação de violência vivida pela mulher pode ocorrer no primeiro contato

entre ambos ou no decorrer de atendimentos subseqüentes ou mesmo em situações agudas ou de emergência.

Este atendimento requer dos serviços de saúde profissionais capacitados para:

Identificar as mulheres em situação de violência doméstica e sexual durante os contatos realizados no ser- viço e nas visitas domiciliares,

Prestar a adequada assistência, como preconizada nos protocolos;

Ter uma escuta qualificada e ativa da história da mulher e da violência sofrida, assim como, de suas expec- tativas em relação à assistência;

“O profissional procura deixar bem claro que a violência é uma situação de alta ocorrência, tem caráter social e está associada às desigualdades nas relações de gênero.”

Mapear o conjunto da rede de suporte social que ela já tem ou pode acionar – como, trabalho, amigos, família, recursos materiais –, associado à discussão dos potenciais riscos que ela pode correr, tais como a presença de armas e ameaças, dentre outras. É fundamental que, desde o primeiro atendimento, essa ava- liação seja realizada, a fim de encaminhar aos órgãos competentes, caso seja necessário, e de interesse da mulher a aplicação de medidas protetivas.

Disponibilizar nos casos de violência sexual os medicamentos que são utilizados na profilaxia do HIV/DSTs e a contracepção de emergência, assim como o seu acompanhamento e monitoramento. Quando não dis- põe de todos os medicamentos, as equipes devem providenciar o acesso o mais rápido possível e, quando necessário, encaminhar para unidades de referência;

Encaminhar a mulher para serviços especializados, quando necessário e for de seu interesse: DEAMs, Cen- tros Especializados de Atendimento à mulher em situação de Violência, Abrigos, Defensoria Pública e entre outros;

Notificar os casos de suspeita ou confirmação da violência para o serviço de epidemiologia da unidade, atra- vés da ficha SINAN, o qual encaminhará para a Divisão de Vigilância em Saúde da Coordenação de Saúde e esta para a CVE/GVDANT, nível Central. Nos casos de adolescentes uma cópia da ficha é encaminhada para o Conselho Tutelar.

Unidades de Saúde onde as mulheres podem ser atendidas

Atenção Primária: Centros Municipais de Saúde, Clínicas de Saúde da Família e Policlínicas.

As unidades da atenção básica com equipes de Saúde da Família, ou não, acolhem, atendem, acompanham e notifi- cam as mulheres vítimas de violência doméstica e/ou sexual.

Horário de funcionamento: Estas unidades de maneira geral prestam atendimento de segunda a sexta de 7 ás 20 horas e sábado de 7 ás 12 horas, contudo estes horários podem variar conforme as características do território.

Quando a mulher em situação de violência necessita de um acompanhamento mais saúde mental, especializado em saúde mental, é encaminhada para os ambulatórios e os Centros de Atenção Psicossocial – nos casos de maior gravidade.

Obs: Quando a unidade de saúde, por qualquer motivo, não dispõe de algum tipo de recurso para atender às neces- sidades da mulher em situação de violência, a equipe de saúde a acolhe e busca inseri-la na rede de serviços especí- fica para cada situação, cabendo à atenção primária a coordenação do cuidado.

Unidades de Pronto Atendimento - UPAs, Coordenação de Emergência Regional - CERs e Hospitais de Emergência e Maternidades Municipais

São unidades que prestam atendimento 24h, em caráter de pronto atendimento, urgência e emergência, imple- mentando as seguintes ações:

- Acolhem as mulheres e oferecem o primeiro atendimento nos casos de violência doméstica e sexual agudos, fora do horário de funcionamento das unidades básicas de saúde ou quando a mulher procurá-los espontaneamente. Neste atendimento são oferecidos os cuidados necessários, nos casos de lesões e traumas, e outras necessidades pertinentes, envolvendo o Serviço Social e a Saúde Mental;

- Após o primeiro atendimento, essas unidades encaminham a paciente para acompanhamento na unidade de

atenção primária de referência do seu território ou de sua escolha, dada a sua função de coordenadora do cuida-

do;

- Notificam os casos de suspeita ou confirmação da violência para o serviço de epidemiologia da unidade, através da ficha SINAN, o qual encaminhará para a Divisão de Vigilância em Saúde da Coordenação de Saúde e esta para a CVE/GVDANT, nível Central. Nos casos de adolescentes uma cópia da ficha é encaminhada para o Conselho Tute-

lar;

- Encaminham a mulher para a rede de serviços especializados, quando necessário: DEAMs, Centros Especializa- dos de Atendimento à Mulher, Defensoria Pública e outros.

Hospital Maternidade Fernando Magalhães

Horário de funcionamento: 24h.

Esta maternidade oferece a mesma atenção que as outras maternidades, com a especificidade de ser a única ma- ternidade que realiza o aborto legal no município do Rio de Janeiro.

Para a realização do aborto legal, a mulher deve ser encaminhada por qualquer órgão ou serviço à maternidade,

o mais breve possível, para que seja viável a interrupção da gravidez.

A mulher será atendida por uma equipe técnica que avaliará as condições para a realização do procedimento e

decidirá por este, caso seja de seu interesse.

Conforme orientação da norma técnica. “Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual Contra Mulheres e Adolescentes” do Ministério da Saúde/2012 não é necessário apresentar o Boletim de Ocor- rência Policial para a realização do procedimento, todavia é fundamental orientá-la para o registro, caso possa fazê-lo.

Vigilância em Saúde

Processo de trabalho da vigilância dos casos de violência doméstica, sexual e outras violências.

A necessidade de maiores informações sobre as pessoas envolvidas em situação de violência se justifica pela pos-

sibilidade de dimensionamento do atendimento de violência nas unidades de saúde, tipificação das várias formas,

conhecimento da violência doméstica (silenciada dentro dos lares), caracterização do perfil das vítimas, do(s) pro- vável(is) agressor(es) e na elaboração de políticas públicas a partir das informações produzidas.

Com a implantação do Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes – Viva, por meio da Portaria MS/GM nº 1.356, de 23 de junho de 2006, o MS ampliou o leque de variáveis contempladas no monitoramento desses even- tos que atingem crianças, adolescentes, mulheres, homens e pessoas idosas, sobre as quais ainda impera a lei do silêncio, do medo, do tabu e do preconceito.

Ressalta-se que a notificação das violências foi estabelecida como obrigatória por vários atos normativos e legais.

Entre eles, destacam-se o Estatuto da Criança e do Adolescente ECA, constituído pela Lei nº 8.069/1990; a Lei nº

10.778/2003, que instituiu a notificação compulsória de violência contra a mulher, regulamentada pelo Decreto nº 5.099, de 3 de junho de 2004; a Lei nº 10.741/2003, que instituiu o Estatuto do Idoso, e a Lei nº 12.461, de 26 de julho de 2011, que altera a Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, que estabelece a notificação compulsória dos atos de violência praticados contra a pessoa idosa atendida em serviço de saúde.

Essa obrigatoriedade foi reforçada pela Lei nº 12.461, de 26 de julho de 2011. No horizonte da universalização foi publicada a Portaria GM/MS nº 104, de 25 de janeiro de 2011, que incluiu na relação de doenças e agravos de notificação compulsória a violência doméstica, sexual e/ou outras violências.

A notificação de casos suspeitos ou confirmados é realizada pelos profissionais de saúde por meio do preenchi- mento da Ficha de notificação/investigação individual de violência doméstica, sexual e/ou outras violências (versão 10.07.2008, em anexo) do Sistema de Informação de Agravos de Notificação SINAN Net.

Atualmente há um fluxo com as Coordenadorias Gerais de Atenção Primária para que recebam e distribuam as fichas do SINAN, além de apoiarem as unidades nas demais dimensões da linha de cuidado. As notificações são protocoladas e enviadas para a Gerência de Informação Epidemiológica (GIE) atualmente na Coordenação de Vigi- lância Epidemiológica, responsável pela conferência das fichas e processamento no SINAN Net.

O processo de trabalho da GIE inclui a disponibilização de relatórios para as áreas técnicas das Linhas de Cuidado,

como o Programa da Mulher, Criança, Adolescente, e Idoso.

Dependendo da gravidade da violência, os casos são comunicados à área técnica do programa da mulher do ní-

vel central para estabelecimento de canal direto com área programática de saúde de residência da pessoa envol-

vida, a fim de monitorar o seguimento do cuidado oferecido as pessoas vítimas de violência.

Notificação

O profissional de saúde envolvido nos atendimentos diários das unidades de saúde pode estar diante de casos suspeitos ou confirmados de violência. Esses momentos despertam diversos sentimentos como indignação, atitu- des violentas, impotência, perplexidade e outros, que muitas vezes resulta no medo de notificar esses casos.

Dada à magnitude do evento reitera-se que a notificação de casos de violência deve ser entendida como um ins- trumento de proteção e cuidado, uma vez que possibilita mobilização da rede de serviços.

Vale lembrar que Notificação é dimensão importante da linha de cuidado, que prevê também acolhimento, aten-

dimento, cuidados profiláticos/ tratamento e seguimento na rede de cuidado e proteção social, além das ações de prevenção das violências e promoção da cultura de paz.

Cada caso é único e o melhor momento para notificação deve ser cuidadosamente planejado pela equipe de saú- de multiprofissional que atende, avalia de maneira conjunta e define os encaminhamentos pertinentes a cada situação.

A partir da implantação da vigilância ampliada das violências identifica-se a vulnerabilidade do gênero feminino,

tendo em vista que cerca de 70% das notificações já notificadas ocorreram neste grupo. Em 2012, preliminar- mente, dos 3368 casos de violência doméstica, sexual e outras violências notificadas, 69,0% (n 2323) eram contra pessoas do sexo feminino. Chama atenção a proporção do sexo feminino em todos os ciclos de vida (crianças:

53,1%; adolescentes 61,4%; adultos: 90,1% e idosos, 67,9%). Sendo assim, todos os casos suspeitos ou confirma- dos de violência contra a mulher devem ser notificados por unidades de saúde públicas ou privadas (independentemente do nível de complexidade, seja na atenção básica, na média ou alta complexidade).

Aspectos a serem considerados na notificação:

• Notificar a simples suspeita da doença ou evento. Não se deve aguardar a confirmação do caso para se efetuar a notificação, pois isso pode significar perda da oportunidade de intervir de maneira eficaz.

• A notificação tem de ser sigilosa, só podendo ser divulgada fora do âmbito médico-sanitário em caso de risco para a comunidade, respeitando-se o direito de anonimato dos cidadãos.

(Guia de vigilância epidemiológica / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epi- demiológica. – 7. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2009)

Referências:

1. Portaria 104 de 25 de janeiro de 2011 (Define as terminologias adotadas em legislação nacional, conforme o disposto no Reg ula- mento Sanitário Internacional 2005 (RSI 2005), a relação de doenças, agravos e eventos em saúde pública de notificação compul sória em

todo o território nacional e estabelece fluxo, critérios, responsabilidades e atribuições aos profissionais e serviços de saú de). http://

bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt0104_25_01_2011.html

Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica.Guia de vigilân cia

epidemiológica / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. – 7. ed. – Brasília :

Ministério da Saúde, 2009. http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/guia_vigilancia_epidemio_2010_web.pdf

3. . Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação de Saúde. Viva : instruti-

vo de notificação de violência doméstica, sexual e outras violências / Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúd e. Departamento de Análise de Situação de Saúde. – Brasília : Ministério da Saúde, 2011. http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/ viva_instrutivo_not_viol_domestica_sexual_e_out.pdf

2. BRASIL.

4. . Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Linha de cui-

dado para a atenção integral à saúde de crianças, adolescentes e suas famílias em situação de violências: orientação para ges tores e profissi-

onais de saúde / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília : Minis- tério da Saúde, 2010. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/linha_cuidado_criancas_familias_violencias.pdf

Núcleo de Promoção da Solidariedade e Prevenção das Violências no Município do Rio de Janeiro

Criado pela Resolução ‘P”SMSDC Nº 1507 de outubro de 2009, como um núcleo coordenador e promotor de ações colegiadas e intersetoriais, no âmbito de ações da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. É composto por representantes da Secretaria Municipal de Saúde e por parceiros estratégicos da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e da Sociedade Civil e coordenado pelo primeiro.

No âmbito da Secretaria de Saúde, tem representantes no nível central: Coordenação de Políticas e Ações Interse- toriais, Coordenação de Educação e saúde, das Gerências das Linhas de Cuidado (criança, adolescente, mulher e idoso), Subsecretaria de Atenção Hospitalar, Urgência e Emergência, Vigilância em Saúde No nível regional é for- mado por profissionais de diversos setores da CAP (Coordenação Geral de Atenção Primária): Vigilância em Saúde, Serviço Social, DAPS ( Divisão de Apoio aos Programas de Saúde) os quais compõem os Grupos Articuladores Regi- onais – GAR. Dependendo da pauta são convidados a participar das reuniões outros parceiros, como o IPP, SMAS, SME, Comitê Internacional da Cruz Vermelha, IFF/Fiocruz, ATAV/SES, entre outros.

O Núcleo tem como principais competências:

- Promover e participar de redes sociais e ações intersetoriais que contribuam para a prevenção da violência e a promoção da solidariedade e da saúde;

- Qualificar e articular a rede de atenção à saúde das pessoas vivendo situações de violência;

- Incentivar a implantação e implementação da notificação de maus-tratos e outras violências, estimulando a inte- gração destas informações com àquelas produzidas por outros sistemas de informações, disponibilizando-as para

a rede de assistência e proteção

- Disseminar conhecimentos e práticas bem sucedidas e inovadoras, bem como promover o intercâmbio de expe- riências;

- Desenvolver estratégias que contribuam para a capacitação dos profissionais de saúde para o trabalho de pre- venção e promoção da solidariedade em parceria com as instituições de ensino;

- Desenvolver ações de prevenção da violência e promoção de saúde para segmentos populacionais vulneráveis, com ênfase na violência intrafamiliar;

- Promover a integração com o Núcleo Estadual de Prevenção de violência e Promoção da Saúde, com o Ministé-

rio da Saúde e as instituições acadêmicas que apóiam o trabalho da Rede Nacional de Prevenção das Violências e Promoção da Saúde.

Como componente do Núcleo compete aos Grupos Articuladores Regionais:

- Criar espaços de discussão: grupos de trabalho, fórum, oficinas que favoreçam a organização da atenção à mu- lher em situação de violência;

- Contribuir com a educação permanente dos profissionais;

- Mapear a rede local de serviços de atenção às mulheres em situação de violência;

- Divulgar e possibilitar o acesso dos profissionais à Norma Técnica “Prevenção e Tratamento dos Agravos Resul-

tantes da Violência Sexual Contra Mulheres e Adolescentes” do Ministério da Saúde/2012 e outros documentos

relacionados à temática.

- Divulgar o protocolo e o fluxo de atendimento à mulher vítima de violência sexual;

- Apoiar as unidades de saúde na articulação com outras áreas e políticas voltadas para a atenção à mulher em situ- ação de violência, na perspectiva da integralidade;

- Contribuir com os profissionais da área na identificação e articulação com as lideranças locais: religiosas, instituci- onais e outras que possam contribuir para a construção de uma rede de atenção à mulher em situação de violência;

- Consolidar e analisar as fichas de notificação – SINAN, com objetivo de monitorar os casos de violência contra a mulher na sua área de abrangência e articular os serviços necessários;

- Discutir com o movimento de mulheres da área/sociedade civil e outros órgãos de enfrentamento à violência con-

tra a mulher estratégias de prevenção, proteção e combate à violência contra a mulher;

- Participar das reuniões e atividades promovidas pelo Núcleo;

-Estimular a produção de pesquisas e sistematização dos dados nas unidades de saúde da área.

Cabe destacar, que os GARs têm organizado fórum permanente com os serviços de atenção à mulher em situação de violência e outros órgãos públicos e da sociedade civil: Promotoria, Conselho Tutelar, CREAS, CRE, DEAM, dentre outros. Estes fóruns têm contribuído para a articulação e dinamização dos serviços, assim como para qualificação da atenção, visto que as questões mais complexas são discutidas e enfrentadas coletivamente.

Fluxo de atenção às mulheres em situação de violência da SMS/RJ

DEAMs Sistema Educação Assistência Centros Especi- ONGs Social alizados de Delegacias Judiciário Atendimento
DEAMs
Sistema
Educação
Assistência
Centros Especi-
ONGs
Social
alizados de
Delegacias
Judiciário
Atendimento à
Mulher
ATENÇÃO PRIMÁRIA
Centros Municipais de Saúde de Família
UPAs (Unidades de Pronto Atendi-
mento), CER (Coordenação de Emer-
gência Regional), Hospitais Gerais e
Maternidades Municipais
PROMOVE O ACOLHIMENTO E OFERECE O PRIMEIRO
ATENDIMENTO E ACOMPANHAMENTO
PROMOVE O ACOLHIMENTO E OFERECE O PRI-
MEIRO ATENDIMENTO
Diagnóstico e tratamento de lesões e traumas le-
ves;
Diagnóstico e tratamento de lesões e traumas
mais graves;
Profilaxia de DST/AIDs e contracepção de emergên-
cia, nos casos de violência sexual;
Profilaxia de DST/AIDs e contracepção de
emergência, nos casos de violência sexual;
Notificação da violência- ficha SINAN-NET;
Notificação da violência- ficha SINAN-NET;
Encaminha e acompanha a mulher na rede de servi-
ços de enfrentamento à violência contra a mulher,
sempre que necessário e for de seu desejo.
Encaminha para atenção primária para segui-
mento;
Encaminha para a rede de serviços de enfren-
tamento à violência contra a mulher
ABORTO LEGAL-
Hospital Maternidade Fernando Magalhães*

*Qualquer órgão ou serviço pode encaminhar a mulher que pretende interromper a gravidez decorrente de estu- pro, direto para o Hospital Maternidade Fernando Magalhães.

5.2.2. Secretaria de Estado de Saúde

Responsabilidades

O processo de atendimento das pessoas em situação de violência deve ser realizado, preferencialmente, por uma equipe interdisciplinar composta por: Médico, Enfermeiro, Técnico de Enfermagem, Farmacêutico, Psicólogo e As- sistente Social, não inviabilizando o atendimento a falta de um ou mais profissionais na equipe.

Para isso, todos os profissionais devem conhecer as ações e serviços disponíveis, oferecidos não só na unidade como na rede, para este paciente.

São requisitos necessários ao atendimento: discrição, organização, discernimento, ética e corresponsabilidade.

Os seguintes sinais/sintomas a serem avaliados pela equipe interdisciplinar serão considerados:

1 – Nos casos envolvendo criança/adolescente: maus tratos, negligência, violência física, psicológica e sexual;

2 – Nos casos envolvendo mulheres: violência domestica e/ou familiar tipificada como física, psicológica, sexual, patrimonial e moral;

3 – Nos casos envolvendo pessoa idosa: maus tratos, negligência, violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral;

4 – Nos casos de outros tipos de violência envolvendo todos os sujeitos sociais: etnia, de caráter homofóbico, into- lerância religiosa, violência urbana, tentativas de suicídio, entre outras.

Após a percepção da situação de violência, seguindo o fluxograma abaixo, a equipe:

Prioriza o atendimento pela Classificação de Risco;

Providencia a administração de medicamentos, conforme prescrição médica;

Providencia o fornecimento de medicamentos para profilaxia de DST/HIV e contracepção de emergência, sempre que necessário;

Preenche Ficha de Notificação/Investigação Individual de Violência Doméstica, Sexual e/ou Outras Violências do Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN/MS, em conjunto com equipe interdisciplinar, em caso de suspeita ou confirmação de violência.

Fluxograma de atendimento à pessoa vítima de violência nos hospitais

Porte de Entrada—ACCR Avaliação Médica e de Enfermagem Criança e adolescente Mulher Idoso Pessoas acima
Porte de Entrada—ACCR
Avaliação Médica e de Enfermagem
Criança e adolescente
Mulher
Idoso
Pessoas acima de 18 e
menores de 60 anos
Zero à 18 anos
Acima de 60 anos
Suspeita
Suspeita
RN Mãe
Suspeita
Violência
Suspeita
Suspeita
Situação
Suspeita
FAF/FAB
ou Violên-
de Maus
Drogadi-
ou Violên-
Domésti-
ou Vio-
de Maus
de Rua
ou Vio-
Tentativa
cia Sexual
Tratos
ção
cia Sexual
ca
lência
Tratos
lência
de suicí-
Profilaxias
Profilaxias
Profilaxias
Profilaxias
Avaliação do Serviço Social e Psicologia
Equipe Interdisciplinar
Avaliação da equipe Interdisciplinar
Avaliação do Serviço
Social e Psicologia
Equipe Interdisciplinar
Serviço Social e Psicologia
Serviço Social e Psicologia
Notificação Con-
selho Tutelar e/
ou Vara Infância e
Juventude
Encaminhamen-
Orientações dos Direi-
tos e Encaminhamen-
tos à Serviços Especia-
lizados
Notificação Con-
selho do Idoso/
Promotoria e ou
Delegacia do
Idoso
Serviços Especiali-
Encaminhamentos
tos UBS/ESF/
CAPSad e Serviços
Especializados
zados UBS/ESF/
Serviços Especializados
CREAS

ATUAÇÃO DA EQUIPE INTERDISCIPLINAR - POR CATEGORIA PROFISSIONAL

Técnicos/as de Enfermagem

Realiza a pré-classificação na central de acolhimento;

Prioriza o atendimento de enfermagem em caso de suspeita de violência e/ou risco;

Registra nome do usuário no sistema;

Encaminha o paciente para a Classificação de Risco;

Administra os medicamentos conforme prescrição médica.

Enfermeiro/a

Realiza a avaliação para a Classificação de Risco em consultório, respeitando a privacidade do usuário e sua família/acompanhante, segundo o protocolo;

Orienta usuário e família/acompanhante sobre a dinâmica de atendimento na unidade;

Determina o local de atendimento do usuário, conforme sua classificação;

Garante o atendimento médico de acordo com a classificação;

Identifica casos de suspeita ou confirmação de vítima de maus tratos, observando a relação entre crianças/ adolescentes, idosos ou mulheres, com seus familiares e/ou acompanhantes;

Presta os cuidados pertinentes ao ocorrido;

Participa do preenchimento da Ficha de Notificação de Suspeita ou Confirmação de Maus Tratos - de Violên- cia Doméstica, Sexual e/ou Outras Violências do SINAN/MS, em caso de suspeita ou confirmação de violên- cia, em conjunto com a equipe interdisciplinar;

Participar de reuniões interdisciplinares para estudo de casos

Realiza registro em prontuário.

Médico/a

Realiza consulta clínica: anamnese, exame físico detalhado e planejamento da conduta para cada caso;

Fornece número do BAM e/ou relatório de avaliação/consulta nos casos que seja obrigatório o acionamento do Conselho Tutelar ou autoridade policial;

Se necessário, solicita exames laboratoriais e radiológicos e coleta de provas materiais;

Prescreve a utilização de medicamentos para profilaxia de DST/HIV e de contracepção de emergência, sem-

pre que necessário;

Orienta o usuário/família/acompanhante sobre a conduta adotada;

Orienta usuário e família/acompanhante sobre a dinâmica de atendimento na unidade;

Participa do preenchimento da Ficha de Notificação de Suspeita ou Confirmação de Maus Tratos - de Violên- cia Doméstica, Sexual e/ou Outras Violências do SINAN/MS, em caso de suspeita ou confirmação de violên- cia, em conjunto com a equipe interdisciplinar;

Participa de reuniões interdisciplinares para estudo de casos;

Realiza registro em prontuário.

Nos casos de abuso ou violência sexual:

Paciente Masculino: O atendimento deverá ser feito pelo pediatra ou clínico/cirurgião geral, caso necessário. O paciente será encaminhado para profilaxia DST/AIDS e a família será orientada quanto à importância do Registro de Ocorrência.

Paciente feminino: O atendimento deverá ser feito pelo pediatra ou clínico/cirurgião geral ou ginecologista.

A paciente será encaminhada para profilaxia DST/AIDS e contracepção de emergência (se necessário) e a fa-

mília será orientada quanto a importância do Registro de Ocorrência.

Farmacêutico/a

Garante o abastecimento dos medicamentos;

Garante o armazenamento adequado dos medicamentos, incluindo o monitoramento dos respectivos prazos de validade;

Individualiza os medicamentos pelo seu fracionamento em doses individuais;

Garante a distribuição oportuna dos medicamentos relacionados na prescrição;

Sensibiliza a equipe interdisciplinar sobre a importância do cumprimento do protocolo de profilaxia estabele-

cido na Norma Técnica do Ministério da Saúde;

Orienta a equipe interdisciplinar sobre a possibilidade da ocorrência de efeitos adversos, bem como sobre a

importância da correta orientação ao usuário na adesão ao esquema profilático prescrito, especialmente o

tratamento prolongado de antiretrovirais.

Assistente Social

Identifica demandas sociais, implícitas e/ou explícitas, relacionadas a usuários em situação de vulnerabilida-

de social em consequência de situações ou contextos de violência;

Identifica fatores de risco e de proteção relacionados à pessoa/família em situação de violência realizando

orientação sobre direitos sociais e encaminhamento à rede de atendimento de serviços especializados;

Realiza avaliação social em casos de suspeita ou confirmação de situações de violência;

Orienta usuário e família/acompanhante sobre a dinâmica de atendimento na unidade;

Aciona a equipe interdisciplinar visando à garantia de atendimento integral das demandas apresentadas pelo

usuário em situação de violência;

Participa de reuniões interdisciplinares para estudo de casos;

Orienta, encaminha e/ou aciona os órgãos competentes, com emissão de relatório, laudo e/ou parecer social

com base em estudo prévio de cada situação, para os casos de suspeita ou confirmação de violência e/ou

maus tratos; (Conselho Tutelar, Vara de Infância e Juventude, entre outros);

Participa do preenchimento da Ficha de Notificação de Suspeita ou Confirmação de Maus Tratos - de Violên- cia Doméstica, Sexual e/ou Outras Violências do SINAN/MS, em caso de suspeita ou confirmação de violên- cia, em conjunto com a equipe interdisciplinar;

Realiza registro em prontuário.

Psicólogo/a

Realiza entrevista com o paciente visando colher informações para compreensão do caso e a dimensão do sofrimento psíquico do paciente;

Estabelece contato com os familiares para compreender a história de vida e dinâmica da violência;

Orienta usuário e família/acompanhante sobre a dinâmica de atendimento na unidade;

Identifica fatores de risco e de proteção relacionados à pessoa em situação de violência, sua família e enca- minha à rede de atendimento;

Elabora relatório de psicologia, se necessário;

Participa de reuniões interdisciplinares para estudo de casos;

Participa do preenchimento da Ficha de Notificação de Suspeita ou Confirmação de Maus Tratos - de Violên- cia Doméstica, Sexual e/ou Outras Violências do SINAN/MS, em caso de suspeita ou confirmação de violên- cia, em conjunto com a equipe interdisciplinar.

Realiza registro em prontuário.

Chefe de Plantão

Supervisiona a equipe na identificação de sinais e sintomas que possam caracterizar situações de violência;

Dá suporte à equipe durante o atendimento, acompanha os casos de difícil resolução e garante o fluxo de

encaminhamentos e notificações.

Gestor/a da Unidade

Supervisiona, junto ao NVH, o fluxo das notificações dentro de sua unidade;

Garante o preenchimento de carimbo da unidade em todas as notificações;

Fortalece a equipe no processo de atendimento e notificação dos casos de violência;

Garante espaços de educação permanente, promovendo: discussões de casos, organização de processos de

trabalho e capacitações para os profissionais de todos os níveis;

Divulga os dados estatísticos de atendimentos de casos suspeitos ou confirmados de violência, visando

ações e intervenções de prevenção/cuidado.

EQUIPES

É de responsabilidade de toda equipe interdisciplinar, em conjunto com o NVH e a equipe gestora da unidade, rea-

lizar Educação Permanente, elaborando estudos e pesquisas a partir das estatísticas sobre os casos de violência

atendidos na unidade, de modo a subsidiar e qualificar o trabalho dos profissionais e garantir o atendimento hu-

manizado nos casos de violência.

Procedimentos Técnicos

Fluxo de atendimento

Acolhimento

Procedimentos Técnicos Fluxo de atendimento Acolhimento Atendimento Notificação Continuidade do cuidado–

Atendimento

Técnicos Fluxo de atendimento Acolhimento Atendimento Notificação Continuidade do cuidado– Seguimen- to na

Notificação

Fluxo de atendimento Acolhimento Atendimento Notificação Continuidade do cuidado– Seguimen- to na Rede de Cuida- do

Continuidade do cuidado– Seguimen- to na Rede de Cuida- do e Proteção Social

Acolhimento e Classificação de Risco

Ao chegar à unidade, o usuário deve ser imediatamente recebido por um profissional de enfermagem da central de acolhimento, de forma empática e respeitosa. Após informar o motivo pelo qual procurou a unidade (situação/queixa), este deve ser registrado no sistema e encaminhado para o consultório de classificação de risco. Todo o atendimento para clínica médica e pediatria deve ser organizado segundo critérios de risco, com exceção daqueles identificados como emergência (casos vermelhos) já no momento do acolhimento. Todos os outros de- vem ser avaliados pelo enfermeiro no consultório.

Os casos de suspeita de violência devem ser identificados como “Risco” no sistema Klínicos. Esta medida reduzirá o tempo de espera para a Classificação de Risco. Nenhum (a) usuário (a) poderá ser dispensado (a) sem ser atendido(a), ou seja, sem ser acolhido(a), avaliado(a) e classificado(a). Cabe ao enfermeiro classificador acionar o Serviço Social e a Psicologia e adotar atitudes para atu- ar de forma conjunta com toda a equipe. Desta forma, possibilita-se o acompanhamento do caso e todos os enca- minhamentos necessários, desde sua entrada até o seguimento para a rede de cuidados e proteção social.

A classificação será realizada conforme avaliação descrita a seguir:

Não Central Caso Suspeito Chegada Seguir fluxo normal de Violência? de atendimento de Acolhimento Sim
Não
Central
Caso Suspeito
Chegada
Seguir fluxo normal
de Violência?
de atendimento
de
Acolhimento
Sim

Alteração de nível de

consciência? Sinais de

choque? Isuficiência res- piratória? Dor Intensa (8- 10/10)? Grave mecanis- mo de trauma? Sinais

neurológicos focais?

Sim

Acionar SeSo e Psicologia

Não
Não

Identificar como “Risco” no sistema

Registro

Classificação de Risco

Violência sexual?História de inconsciência? História duvi- dosa?Dor moderada (4-7/10)? 7 Agressão Física? Sangramento controlável? 8

Atendimento médico imediato na sala vermelha Sim Acionar SeSo e Psicologia Não Atendimento médico com
Atendimento médico imediato na sala vermelha Sim Acionar SeSo e Psicologia Não Atendimento médico com

Atendimento médico imediato na sala vermelha

Sim

Acionar SeSo e Psicologia

Não

Atendimento médico com prioridade em consultório 30 min

Acionar SeSo e

Psicologia

Não

Redirecionar para UBS de refe- rência conforme pactuação

Dor aguda leve (1- 3/10)?Ausência de lesões? Edema local?

Acionar SeSo e Psicologia Sim

Acionar SeSo e Psicologia

Acionar SeSo e Psicologia Sim
Acionar SeSo e Psicologia Sim

Sim

Acionar SeSo e Psicologia Sim

Atendimento médico sem priori- dade em consultório

de lesões? Edema local? Acionar SeSo e Psicologia Sim Atendimento médico sem priori- dade em consultório

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Atendimento:

Realizado preferencialmente pela equipe interdisciplinar composta por Médico, Assistente Social, Psicólogo, En- fermeiro, Farmacêutico, Técnico de Enfermagem.

Rotina de Atendimento à Criança e ao Adolescente Vítima de Violência

1. Em situação de Negligência - Ausência de cuidados básicos com a criança e o adolescente de forma inten- cional. Exemplos: alimentação inadequada, intoxicação exógena, acidentes previsíveis, evasão escolar, descumprimento das exigências legais no âmbito da saúde, entre outros.

2. Violência Física: Ações/relações de poder que deixam marcas físicas podendo causar lesões, traumas,

lacerações, escoriações, hematomas, mutilações, entre outros.

3. Violência Sexual: Ações/relações de caráter sexual com ou sem violência física, havendo ou não penetra- ção vaginal/anal, atos libidinosos, sexo oral entre outros.

4. Violência Psicológica: Relação de poder desigual exercido de modo arbitrário caracterizado por agressões verbais, ameaças (inclusive de morte), humilhação, desvalorização, desqualificação, estigmatização.

Procedimentos:

Registrar no prontuário situação de violência da criança/adolescente;

Atender a família para apoio e orientações;

Providenciar para que o paciente receba o kit de profilaxia (DST/AIDS, Hepatite B e gravidez) e contracep- ção de emergência para os casos de violência sexual, com as orientações pertinentes à terapia medicamen- tosa;

Preencher a Ficha de Notificação do SINAN;

Encaminhar a Ficha de Notificação ao Conselho Tutelar do município de moradia da criança/adolescente com relatórios anexos, se necessários;

Encaminhar o paciente/família para a rede de atendimento intra e intersetorial;

Participar de reuniões interdisciplinares para estudo de casos.

Rotina de Atendimento às Mulheres Vítima de Violência

1. Violência Física: Dano não acidental por meio de força física que viole sua integridade física.

2. Violência Psicológica: Relação de poder que cause dano emocional e desvalorização da auto-estima,

caracterizado por agressões verbais, ameaças (inclusive de morte), humilhação, desvalorização, desqualificação,

estigmatização.

3. Violência Sexual: Atos ou tentativas de relação sexual sob coação/ameaça no casamento ou em outros

relacionamentos, limitando ou anulando o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos.

Procedimentos:

Registrar no prontuário situação de violência da mulher;

Atender a mulher para apoio e orientações;

Acionar a rede familiar e social da mulher, quando necessário;

Providenciar para que a paciente receba o kit de profilaxia (DST/AIDS, Hepatite B e gravidez) e contracep-

ção de emergência para os casos de violência sexual, com as orientações pertinentes à terapia medicamen- tosa;

Preencher a Ficha de Notificação do SINAN;

Orientar/encaminhar para órgãos especializados de atendimento às mulheres vítimas de violência;

Orientar/encaminhar a paciente para o Programa do Aborto Previsto em Lei;

Participar de reuniões interdisciplinares para estudo de caso.

Rotina de Atendimento à Pessoa Idosa Vítima de Violência.

1. Negligência: Recusa ou omissão de cuidados básicos devidos e necessários aos idosos, pela família ou insti- tuições.

2. Violência Física: Dano não acidental por meio de força com o objetivo de ferir, causando comprometimen- to à integridade física podendo provocar incapacidade ou morte.

3.

Violência Psicológica: Relação de poder que cause dano emocional e desvalorização da auto-estima, carac- terizado por agressões verbais, ameaças (inclusive de morte), humilhação, restringindo sua liberdade e iso- lando do convívio familiar e social.

4.

Violência Sexual: Atos ou tentativas de relação sexual sob coação/ameaça no casamento ou em outros

relacionamentos, limitando ou anulando o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos.

Procedimentos:

Registrar no prontuário situação de violência contra a Pessoa Idosa;

Atender o idoso para apoio e orientações;

Acionar a rede familiar e social do idoso, quando necessário;

Orientar/encaminhar para órgãos especializados de atendimento ao idoso;

Providenciar para que o paciente receba o kit de profilaxia (DST/AIDS, Hepatite B) para os casos de violência sexual, com as orientações pertinentes à terapia medicamentosa;

Preencher a Ficha de Notificação do SINAN;

Participar de reuniões interdisciplinares para estudo de caso.

Rotina de Atendimento em casos de Tentativa de Suicídio

Procedimentos:

Registrar em prontuário a situação de suicídio;

Atender o usuário para apoio e orientações;

Acionar a rede familiar e social do usuário;

Acionar a equipe de Saúde Mental da unidade;

Preencher a Ficha de Notificação do SINAN e Ficha de Notificação de Suicídio/tentativa de Suicídio (fluxo:

NVH da unidade e NVH central);

Participar de reuniões interdisciplinares para estudo de caso.

Profilaxia para Violência Sexual

Profilaxia das DSTs não virais

Deve-se optar preferencialmente pela via parenteral para administração dos antibióticos para profilaxia das DST não virais, os quais devem ser administrados no primeiro dia de atendimento. Esquema a ser adotado preferencial- mente: penicilina benzatina + ceftriaxona + azitromicina.

Caso seja feita a opção por medicações orais, recomenda-se realizar a profilaxia para as DST em, no máxi- mo, duas semanas após a violência sexual.

Os médicos devem informar aos pacientes sobre os benefícios e os efeitos adversos associados à profilaxia. Podem ser associados antieméticos, principalmente se for feita a contracepção de emergência.

A quimioprofilaxia antirretroviral está recomendada em todos os casos de penetração vaginal e/ou anal nas pri-

meiras 72h após a violência, inclusive se o status sorológico do agressor for desconhecido. Deve ser considera-

da uma emergência e iniciada preferencialmente nas primeiras 24h após a violência, mantendo o esquema por 4 (quatro) semanas consecutivas, sem interrupção.

Indicação

Medicação

 

Posologia

Contraceptivo Oral de Emergência (no caso de mulheres e adolescentes do sexo femini- no)

Levonorgestrel 0,75 mg

2 comprimidos dose única ou 1 comprimido 1,5mg dentro das primeiras 72 h (> eficácia nas 1 as 24h)

 

Azitromicina 500mg.

2 comprimidos VO dose única

Profilaxia DST para adultos e adolescentes com mais de 45kg (incluindo gestantes)

Penicilina Benzatina 2,4 milhões UI

1,2 milhão em cada nádega IM dose única

Ceftriaxona 250mg

250mg IM dose única

 

Estearato de Eritromicina

V.O. 6/6 h por 15 dias (Sífilis) ou 7 dias (Clamídia)

500 mg

Profilaxia Contra DST não virais (esquema alternativo – não inclui gestantes)

Ciprofloxacino 500mg

V.O. em dose única (contra indicado duran- te a gestação)

   

14

comprimidos

Zidovudina 300mg

1 comprimido de 12 em 12 horas V.O.

Profilaxia AIDS para adultos e adolescentes com mais de 45kg (este esquema pode ser utilizado na gestação)

 

14

comprimidos

Lamivudina 150mg

1 comprimido de 12 em 12 horas V.O.

 

Lopinavir/Ritonavir 200 mg/50mg

28

comprimidos

2 comprimidos em cada 12 horas V.O.

   

14

comprimidos

Zidovudina 300mg

1 comprimido de 12 em 12 horas V.O.

Penicilina Benzatina 2.400.000 UI

 

IM

Profilaxia DST/AIDS para gestantes

Em caso de alergia, administrar Eritromicina

 

500mg

1 comprimido de 6 em 6

horas por 15 dias V.O.

Profilaxia DST (não virais) para crianças, adolescentes < 45Kg e gestantes

Azitromicina 20mg/kg

V.O. em dose única (dose máxi- ma 1g)

Ceftriaxona 250mg (acompanha diluente de 2ml)

Aplicar 1ml (125mg) IM em dose única

Penicilina Benzatina 50.000 UI/kg

IM dose única

(dose máxima

2,4 milhões UI)

Profilaxia contra DST (não virais) para crianças e adolescentes (esquema alternativo)

Estearato de Eritromicina

50mg/kg/dia

V.O 6/6h por 15 dias

(Sífilis/Clamídia)

Ciprofloxacina

Contraindicada

Zidovudina: 180g/m²/dose

(Sol. Oral: 10mg/ml – Cápsula: 100mg)

VO de 12 em 12 horas (máximo

300mg/dia)

Profilaxia AIDS para crianças

(antiretrovirais)

Lamivudine: 4 mg/kg/dose

(Sol. Oral: 10mg/ml – Comp: 150mg)

VO de 12 em 12 horas (dose má-

xima150mg/dose)

Lopinavir/Ritonavir:

(Sol. Oral: 80mg/20mg/ml – Comp:

200mg/50mg)

Crianças < 2 anos: 300mg/m 2 VO 12/12h

(crianças > 2 anos)

230 mg/m² VO

(máximo de 200 mg 12/12h)

(adolescentes)

400 mg VO 12/12h

Os medicamentos ficam sob a responsabilidade do Serviço de Farmácia, sendo distribuídos para a enfermagem mediante prescrição médica.

Os medicamentos devem ser prescritos conforme avaliação médica do tipo de violência e grau de exposição a que foi submetida a vitima, conforme critérios estabelecidos na Norma sobre Prevenção e Tratamento dos Agra- vos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes, elaborado pelo Ministério da Saúde.

Os hospitais estaduais fornecerão medicamentos para no máximo 7 (sete) dias. No caso dos antiretrovirais, cujo

tratamento deve ser de 4 (quatro) semanas consecutivas, o(a) usuário(a) deve ser encaminhado(a) à unidade de atenção básica, para complementação do tratamento e acompanhamento.

Imunoprofilaxia para Hepatite B

Mulheres imunizadas contra hepatite B, com esquema vacinal completo, não necessitam de reforço ou do uso de imunoglobulina humana anti-hepatite B (IGHAHB); as não imunizadas ou que desconhecem seu status vacinal devem receber a primeira dose da vacina e completar o esquema posteriormente, considerando o intervalo de um e seis meses (ver quadro abaixo).

As mulheres em situação de violência sexual também devem receber dose única de IMUNOGLOBULINA HUMANA ANTI HEPATITE B (IGHAHB), em sítio de aplicação diferente da vacina.

B (IGHAHB), em sítio de aplicação diferente da vacina. *Norma Técnica : Prevenção e Tratamento dos

*Norma Técnica : Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual Contra Mulheres e Adolescentes – Ministério da Saúde / 2012

Essas vítimas devem ser encaminhadas para os Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais – CRIE, onde

serão submetidas aos devidos testes e, posteriormente, imunizadas:

CRIE do Hospital Municipal Rocha Maia

Endereço: Rua General Severiano, 91 – Botafogo - RJ

Telefone: 2275-6531/2295-2398/2295 – ramal 203

CRIE do IPEC/FIOCRUZ

Endereço: Av Brasil, 4365 – Manguinhos - RJ Telefone: 3865-9124/3865-9125

*FONTE: Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes –

Norma Técnica 2012 – Ministério da Saúde

Hospitais Estaduais de Urgência e Emergência que atendem os sujeitos em situação de violência

Hospital Estadual Adão Pereira Nunes

Rod. Washington Luiz, S/N - BR040 - Km 109, Jardim Primavera - Duque de Caxias – RJ - Telefone: (21) 2777-

5001/2777-5258

Hospital Estadual Albert Schweitzer

Rua Nilópolis, nº 329, Realengo - Rio de Janeiro – RJ - Telefone: (21) 2333-4775

Hospital Estadual Alberto Torres

Rua Osório Costa c/ Rua Tenente Elias Magalhães S/nº, Colubandê - São Gonçalo – RJ - Telefones: (21) 2701- 2087 / 2701-2154 / 2701-4480

Hospital Estadual Azevedo Lima

Rua Teixeira de Freitas, nº 30, Fonseca - Niterói – RJ - Telefone: (21) 3601-7283

Hospital Estadual Carlos Chagas

Rua Gal. Osvaldo Cordeiro de Faria, nº 466, Marechal Hermes - Rio de Janeiro – RJ Telefone: (21) 2332-1132

Hospital Estadual Getúlio Vargas

Rua Lobo Júnior nº 2293, Penha - Rio de Janeiro - RJ Telefones: (21) 2334-7842 / 2334-7843

Hospital Estadual Rocha Faria

Av. Cesário de Melo nº 3215, Campo Grande - Rio de Janeiro – RJ

Telefone: (21) 2333-6797

REFERÊNCIAS

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas - Prevenção e trata- mento dos agravos resultantes da violência sexual contra mulheres e adolescentes : Norma Técnica/Ministério da Saúde. Secreta ria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – 3. ed. atual. e ampl., 1. reimpr. – Brasília: Ministério da Saúde, 2012;

BRASIL. Ministério da Saúde. Datasus. Disponivel em www.datasus.gov.br em 11/09/11;

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação de Saúde. VIVA - Vigilância de

Violência e Acidentes 2006-2007. Brasília: 154 p.;

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Linha de cuidad o

para a atenção integral à saúde de crianças, adolescentes e suas famílias em situação de violências: orientação para gestores e profis-

sionais de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2010;

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento Ações Pragmáticas Estratégicas. Aspectos jurídicos d o

atendimento às vítimas de violência sexual: perguntas e respostas para profissionais de saúde / Ministério da Saúde, Secretar ia de

Atenção à Saúde, Departamento de Ações Pragmáticas Estratégicas. – 2. ed. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2011;

Brasil. Ministério da Saúde. Prevenção do Suicídio, manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental. UNICAMP, SP.

Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_editoracao.pdf. Acesso em 05 set. 2008;

Brasil. Ministério da Saúde. Política Nacional de Morbimortalidade por Acidentes e Violências. Portaria MS/GM n.º 737 de 16/5 /01

Publicada no DOU n.º 96 seção 1e, de 18/5/01 – Brasília, 2002;

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria Atenção à Saúde. Violência faz mal à Saúde Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção a

Saúde Departamento de Ações Programáticas e estratégicas. Série B. Textos Básicos de Saúde – DF, 2004;

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Notificação de maus-tratos contra Crianças e Adolescentes pelos

Profissionais de Saúde: um passo a mais na cidadania em saúde. Série A n.º 167. Brasília. 2002 b;

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Violência Intrafamiliar: orientações para prática em serviço. Ministério

da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde. Cadernos de Atenção Básica n.º 8. Brasília. 2001;

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Direitos Humanos e Violência Intrafamiliar: informações e orie ntações

para agentes comunitários de Saúde; Ministério da Justiça, Secretaria Especial de Direitos Humanos, Brasília. 2001b;

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Impacto da Violência na Saúde dos Brasileiros. Série B Textos Básicos

de Saúde. Brasília. , 2005 b;

Brasil. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988;

Sociedade Brasileira de Pediatria. Guia de Atuação frente a Maus-Tratos na Infância e na Adolescência. Sociedade Brasileira de

Pediatria; CLAVES/FIOCRUZ; Secretaria Especial de Direitos Humanos/Ministério da Justiça, Rio de Janeiro: Sociedade Brasileir a de

Pediatria, 2001;

Portaria MS/GM nº 936 de 19/05/2004: institui a Rede Nacional de Prevenção de Violências e Promoção da Saúde (PVPS) e a cria-

ção dos núcleos de PVPS;

Portaria MS/GM nº 687 de 30/06/2006: institui a Política Nacional de Promoção da Saúde;

Portaria MS/GM nº 1968/2001: trata de notificação de maus-tratos contra crianças e adolescentes;

Portaria MS/GM nº 2.406 de 05/11/2004: trata da notificação compulsória de violência contra a mulher;

Portaria MS/GM nº777 de 28/04/2004: trata da notificação compulsória de agravos à saúde do trabalhador;

Portaria MS/GM nº 1356 de 23/06/2006 : repassou recursos financeiros aos Estados,Distrito Federal e Municípios que permitiram

viabilizar a Vigilância de Violências e Acidentes em Serviços Sentinela de Urgência e Emergência;

Portaria MS/GM nº 1876 de 14/08/2006: institui as diretrizes nacionais para a prevenção do suicídio;

Portaria MS/GM n.º 2.472 de 31/08/2010: Define as terminologias adotadas em legislação nacional, a relação de doenças, agravo s

e eventos em saúde pública de notificação compulsória em todo o território nacional e estabelecer fluxo, crité-

rios,responsabilidades e atribuições aos profissionais e serviços de saúde(Violência doméstica, sexual e/ou autoprovocada);

Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-juvenil – SDH – 2007;

Política Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual e/ou Doméstica contra a Mulher – SPM – 2008;

Plano de Ação para o Enfretamento da Violência Contra a Pessoa Idosa – SDH – 2008;

no 10.778 de 24/11/2003: Notificação compulsória de violência contra a mulher em serviços de saúde públicos ou privados;

Lei

nº 10.741/2003 - Estatuto do Idoso;

Lei

nº 11.340, de 07/08/2006 - Lei Maria da Penha;

Lei

nº 12.461, de 26 de julho de 2011 - Altera a Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, para estabelecer a notificação

Lei

compulsória dos atos de violência praticados contra o idoso(a) atendido em serviço de saúde;

12.015, de 7 de agosto de 2009 - Altera o Título VI da Parte Especial do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 -

Lei

Código Penal, e o art. 1º da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, que dispõe sobre os crimes hediondos, nos termos do inciso XLIII

do

art. 5º da Constituição Federal e revoga a Lei no 2.252, de 1º de julho de 1954, que trata de corrupção de menores;

nº 8.068/1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente(ECA);

Lei

8.142/90 – SUS – Sistema Único de Saúde;

Lei

Estupro: Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que

com ele se pratique outro libidinoso;

Art. 218. Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos a satisfazer a lascívia de outrem – crimes sexuais contra vulneráveis;

DECRETO Nº 7.958, DE 13 DE MARÇO DE 2013 Estabelece diretrizes para o atendimento às vítimas de violência sexual pelos profissionais de segurança pública e da rede de atendimento do Sistema Único de Saúde;

Em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_editoracao.pdf ;

,Ministério

da Saúde. Cadernos da Política Nacional de Acesso em 05 set. 2008;

Humanização _ PNH. Disponível em: www.saude.gov;

Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher.

5.3. SERVIÇOS DE SEGURANÇA PÚBLICA DE ATENÇÃO ÀS MULHERES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA

5.3.1. Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher - DEAMs

As DEAMs integram a estrutura da Polícia Civil, a qual é um órgão integrante do Sistema de Segurança Pública de cada Estado, que tem como finalidade o atendimento especializado à mulher em situação de violência de gênero.

As atividades das DEAMs têm caráter preventivo e repressivo, devendo realizar ações de prevenção, apuração, in- vestigação e enquadramento legal, as quais devem ser pautadas no respeito aos direitos humanos e nos princípios do Estado Democrático de Direito.

É importante ressaltar que as mulheres em situação de violência de gênero devem ser consideradas como sujeito

de direitos e merecedoras de atenção. Os policiais envolvidos no atendimento a essas mulheres devem ter escuta atenta, profissional e observadora, de forma a propiciar o rompimento do silêncio, do isolamento destas mulheres

e, em especial, dos atos de violência, aos quais estão submetidas. (Norma Técnica de Padronização das DEAMS/

SPM, 2006)

As DEAMs têm competência para receber queixas e apurar os seguintes crimes: lesão corporal; ameaça; estupro e atentado violento ao pudor; maus-tratos; abandono de incapaz; constrangimento ilegal; seqüestro e cárcere priva-

do; sedução; aborto provocado por terceiro; corrupção de menores; rapto; vias de fato; corrupção de menores; importunação ofensiva ao pudor; perturbação da tranqüilidade; induzimento; instigação ou auxílio ao suicídio; le- são corporal seguida de morte; redução à condição análoga de escravo; posse sexual mediante fraude; atentado ao pudor mediante fraude; assédio sexual; ato obsceno; supressão de documento e coação o curso do processo. (lista de acordo com a resolução 082/86 que criou as DEAMs e complementada pela Resolução 476/2001). A partir de 2004 as DEAMs passaram a ter competência também para apurar queixas em relação aos crimes de injúria, calúnia

e difamação

De acordo com a Lei 11.340/2006 – Lei Maria da Penha, Art. 12: Em todos os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, feito o registro da ocorrência, deverá a autoridade policial adotar, de imediato, os seguintes pro- cedimentos, sem prejuízo daqueles previstos no Código do Processo Penal:

I – ouvir a ofendida, lavrar o boletim de ocorrência e tomar a representação a termo, se apresentada;

II – colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e de suas circunstâncias;

III- remeter, no prazo de 48 horas, expediente apartado a juiz com o pedido da ofendida, para a concessão de medi- das protetivas de urgência;

IV- determinar que se proceda ao exame do corpo de delito da ofendida e requisitar outros exames periciais neces- sários;

V- ouvir o agressor e as testemunhas;

VI- ordenar a identificação do agressor e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes criminais, indicando a existência de mandado de prisão ou registro de outras ocorrências policiais contra ele;

VII- remeter, no prazo legal, os autos do inquérito policial ao juiz e ao Ministério Público.

Medidas Protetivas de Urgência

As medidas protetivas de urgência têm por escopo proteger a mulher em situação de violência doméstica e famili- ar, em caso de risco iminente à sua integridade psicofísica. Trata-se de instituto que se reveste de natureza cautelar que deve ser veiculado em processo cautelar próprio, e, em razão da sua natureza cautelar, tem como requisitos o fumus boni iuris e o periculum in mora. Deve ser frisado que as medidas protetivas de urgência deferidas apenas

subsistem enquanto subsistir a pretensão punitiva do Estado.

Quando a suposta vítima se dirigir à sede policial para comunicar o fato e manifestar interesse e necessidade das medidas protetivas de urgência, a Autoridade Policial deverá proceder à confecção do Registro de Ocorrência, en- caminhando o pedido ao Juízo competente por meio de ofício, que deverá ser instruído com cópia do Registro de Ocorrência, do depoimento da vítima, bem como de quaisquer outros elementos que possam servir como base para a apreciação do pedido.

Ressalte-se que a Autoridade Policial deverá proceder à confecção do Registro de Ocorrência independentemente

do fato ter ocorrido fora de sua circunscrição, devendo, nesta hipótese, remetê-lo à delegacia da respectiva cir-

cunscrição, ao final de seu registro.

Registre-se que, após o primeiro registro de ocorrência, eventuais práticas de crimes cometidos pelo autor do fato contra a vítima são passíveis de novo registro de ocorrência, ocasião em que deverão ser adotados os mesmos pro- cedimentos do primeiro registro de ocorrência.

A título de ilustração, a Autoridade Policial deverá adotar, de imediato, os seguintes procedimentos:

Ouvir a ofendida

Lavrar o Registro de Ocorrência

Tomar Representação a Termo

Colher provas para o esclarecimento do fato e de suas circunstâncias

Autoridade

Policial

Determinar que se proceda ao exame de corpo de deli- to da ofendida e requisitar outros exames periciais ne- cessários

Remeter, no prazo de 48 horas, expediente apartado ao

Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mu-

lher com o pedido da ofendida de medidas protetivas de urgência.

Encaminhar à Defensoria Pública e ao Centro de Refe- rência em caso de necessidade.

A autoridade policial deverá ouvir a ofendida, reduzindo a termo as suas declarações, fazendo ainda constar, ex- pressamente, se a mesma deseja representar criminalmente contra o autor do fato.

No mesmo sentido, quando se tratar de crime de lesão corporal, a autoridade policial, ao encaminhar ofício com solicitação de medidas protetivas, a fim de demonstrar a verossimilhança do alegado pela ofendida, poderá anexar fotografias desta, demonstrando as lesões aparentes.

Reitere-se que, nas apurações de crime de lesão corporal, a autoridade policial deve encaminhar a ofendida ao Ins-

tituto Médico Legal para submeter-se ao exame de corpo de delito.

Contudo, considerando que o pedido de medidas protetivas deverá ser remetido ao Juizado de Violência Doméstica

e Familiar contra a Mulher, em 48 horas a contar da comunicação do fato, não havendo tempo hábil para a juntada

do resultado do exame de corpo de delito, qualquer documento médico que esteja com a vítima (receitas, atesta-

dos, declarações, ect

)

devem ser encaminhados, por cópia, junto com o pedido de medidas protetivas de

urgência, além disso, se possível tirar as fotografias de eventuais lesões que poderão auxiliar a juíza a apreciar e deferir, de pronto, as respectivas medidas protetivas. Quando a vítima solicitar medidas protetivas de urgência, a autoridade policial deverá especificar no Ofício de En- caminhamento das Medidas Protetivas ao Juizado quais as medidas que, efetivamente, a vítima necessita, fazendo constar as informações necessárias acerca da propriedade do imóvel, no caso de pedido de afastamento do lar, da eventual distância entre as residências dos envolvidos, no caso de pedido de proibição de aproximação e acerca da existência de filhos, bem como, neste caso, de quem detém a sua guarda de direito ou de fato.

É imprescindível que a autoridade policial esclareça à vítima que, ao solicitar as medidas protetivas de urgência em

sede policial, estas dependerão do seu deferimento pelo Juiz competente. Além disso, a fim de obter eventuais

esclarecimentos, acompanhamento e reiteração do pedido de medidas protetivas, deverá a autoridade policial en-

caminhar a ofendida à Defensoria Pública da Mulher, munida dos seguintes documentos necessários à instrução do referido pedido:

I. Cópia do CPF

II. Cópia do RG

III. Cópia do Registro de Ocorrência

IV. Cópia do Comprovante de Residência

V. Declaração de testemunhas (se houver)

VI. Certidão de Casamento (se for casada com o Requerido)

VII. Documentos Médicos. VIII. Caso a Requerente tenha filhos menores com o Requerido, além dos documentos mencionados acima, deverá apresentar cópia da Certidão de Nascimento.

Após o pedido de medida protetiva ser formulado na Delegacia de Polícia deverá ser remetido ao Juizado de Vio- lência Doméstica competente. Qualquer outro fato que ocorra referente às medidas protetivas e sua respectiva

ação penal, a vítima deverá comparecer à Defensoria Pública do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a

Mulher competente para formular eventual requerimento.

Além de a autoridade policial encaminhar a vítima à Defensoria Pública após a confecção do registro de ocorrência, deverá encaminhá-la, também, ao Centro Especializado de Atendimento à Mulher mais próximo à Delegacia ou da residência da vítima, quando verificada a necessidade de intervenção psicológica ou de assistência social.

Na hipótese da vítima demonstrar a necessidade de abrigamento provisório emergencial, no período em que os CEAMs não estiverem em funcionamento, a autoridade policial poderá encaminhá-la à CEJUVIDA, que funciona diariamente de 18 horas de um dia às 11 horas do dia seguinte, em finais de semana ou feriados.

Delegacias da Capital:

DEAM Centro– Rua Visconde do Rio Branco, 12– Centro. Tel: 2332 -9994

DEAM Jacarepaguá– Rua Henriqueta, 197—Tanque. Tel:2332 -2578

DEAM Oeste– Av. Maria Tereza, 8, 2º andar – Campo Grande. Tel: 2332-7644

Fluxo do Atendimento à Mulher Vítima de Violência Doméstica e Familiar

Encaminhar em Violência Doméstica e Relações Domésticas e Familia- res, inclusive relações homoafe- tivas
Encaminhar em
Violência
Doméstica e
Relações Domésticas e Familia-
res, inclusive relações homoafe-
tivas femininas
Familiar
Recomendação
BI 58 de
Autos Apartados
Contendo: Qualifica-
ção Ofendida e
Agressor; Nome e
idade dos dependen-
tes; Descriminação
do fato; Justificativa
do pedido; Registro
de Ocorrência; Docu-
mentação da vítima
48 horas
Poder Judiciário
contra a
NÃO
Mulher
Deferida
SIM
Medidas
Não cumprida
CEAM
Retirada
Consulta a SIP
9h às 17h -2ª a 6ª
Novo R.O - Crime de
desobediência- Art.330
DP solici-
Quando
DEAM RIO
CEJUVDA
Registro de
ta abrigo
Oitiva da vítima
houver risco
Ocorrência
de vida
A vítima deve apresen-
tar a Notificação do
Deferimento de Medida
CASA
Perícias
ABRIGO
Encaminhamen-
to para a Rede
de Atendimento
Representação pela
Prisão Preventiva
Portaria
Ação Pública
Instauração
Diligências com-
de Inquérito
plementares
Relatório
Flagrante
Análise do
SIM
Crime
Poder Judiciário
Ação Pública
Condicionada
Representa-
ou Privada
ção ou Re-
querimento
Vedada a entrega da
intimação pela mu-
lher ao agressor
NÃO
Informar à vítima o Prazo Decadencial (6 meses)

Podemos observar no fluxograma acima que a vítima de violência doméstica, ao registrar ocorrência na Delegacia de Polícia, a autoridade policial deverá remeter expediente apartado com o ofício de solicitação de medidas prote- tivas de urgência ao Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher competente, a fim de que seja for- mulado o respectivo pedido, atendendo-se ao art. 12 da Lei 11.340/06.

5.4. SISTEMA DE JUSTIÇA

5.4.1. Juizados da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher

A Lei Maria da Penha considera violência doméstica contra a mulher toda espécie de agressão baseada no gênero,

praticada no âmbito da unidade, familiar ou relação íntima de afeto ,e, que lhe cause morte, lesão sofrimento físi- co, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial. A Lei não tipifica novos crimes (descreve tipos de violência), mas sim, dispõe que qualquer delito praticado no espaço doméstico, no contexto familiar, ou de intimidade é con-

siderado violência doméstica, independente da coabitação.

Conforme a Sumula do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) Nº 253 de 09/09/2012 e o enunciado 24 do Fórum Nacional de Juízes de Violência Doméstica contra a Mulher (FONAVID) não basta que a vítima seja do sexo feminino para que o crime praticado seja de competência dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar con- tra as Mulheres (JVDFMs), é necessário que o delito cometido seja em razão do gênero, considerado uma violên- cia de gênero, pelo fato da vítima ser mulher, mesmo que o caso ocorra no âmbito dos relacionamentos homoafe- tivos femininos.

Competência Territorial

Na capital do Estado do Rio de Janeiro, existem quatro JVDFMs. A base territorial de cada juizado é determinada pelo local onde o crime foi cometido e não pelo domicílio da vítima. Por ex., se um crime contra uma mulher resi- dente no bairro de Bangu for praticado no bairro de Botafogo ele é de competência do I JVDFCM e não do II JVDFCM, localizado no bairro de Campo Grande.

O I Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, que foi criado por meio da Resolução TJ/OE n.º, por

meio do Ato Executivo Conjunto TJ/CGJ n.º 112 de 18/06/07, criado por meio da Resolução TJ/OE n.º 08/2007 de 21/05/07 e instalado em 22 de junho de 2007, é competente para processar e julgar os delitos (crimes/ contravenções penais) que configuram violência doméstica e familiar contra a mulher, consoante o disposto no artigo 5º da Lei 11.340/06, ocorridos na área abrangida por sua competência, após a sua instalação.

São da competência do I Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca da Capital, os fatos ocorridos na circunscrição das seguintes delegacias, que abrangem os seguintes bairros:

DEAM - Centro;

1ª Delegacia de Polícia - Praça Mauá (parte da Região Administrativa do Centro);

4ª Delegacia de Polícia - Praça da República (Santo Cristo, Gamboa, Saúde e parte da Região Adminis- trativa do Centro);

5ª Delegacia de Polícia – Mem de Sá (Parte da Região Administrativa do Centro);

6ª Delegacia de Polícia - Cidade Nova (Cidade Nova, parte da Região Administrativa do Centro, Está- cio, Catumbi e Rio Comprido);

7 ª Delegacia de Polícia - Santa Teresa ( Santa Teresa);

9ª Delegacia de Polícia – Flamengo (Glória, Catete, Laranjeiras, Flamengo e Cosme Velho);

10ª Delegacia Policial - Botafogo (Humaitá, Botafogo e Urca);

12ª Delegacia Policial - Leme (Parte de Copacabana e Leme);

13ª Delegacia Policial - Copacabana (Parte de Copacabana);

14ª Delegacia Policial - Leblon (Leblon e Ipanema);

15ª Delegacia Policial - Gávea (Jardim Botânico, São Conrado, Gávea, Vidigal, Rocinha e Lagoa);

17ª Delegacia Policial - São Cristóvão, (São Cristóvão, Mangueira, Caju, Parte de Benfica e Parte da Praça da Bandeira - Estação da Leopoldina);

18ª Delegacia Policial - Praça da Bandeira (Parte da Praça da Bandeira, Maracanã e Parte da Tijuca);

19ª Delegacia Policial - Tijuca (Alto da boa Vista e Parte da Tijuca);

20ª Delegacia Policial - Grajaú (Vila Isabel, Grajaú e Andaraí).

O II Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca da Capital, criado por meio da Resolu-

ção TJ/OE n.º 08/2007 de 21/05/07 e instalado em 22 de junho de 2007, é competente para processar e julgar os delitos (crimes/contravenções penais) que configuram violência doméstica e familiar contra a mulher, consoante

o disposto no artigo 5º da Lei 11.340/06, ocorridos na área abrangida por sua competência, após sua instalação.

São da competência do II Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca da Capital, os fatos ocorridos na circunscrição das seguintes delegacias, que abrangem os seguintes bairros:

33ª, 34ª, 35ª, 36ª e 43ª Delegacias - Bangu, Gericinó, Padre Miguel, Santíssimo, Senador Camará, Campo dos Afonsos, Deodoro, Magalhães Bastos, Realengo, Sulacap, Vila Militar, Paciência, Santa Cruz, Barra de Guaratiba, Guaratiba, Pedra de Guaratiba, Sepetiba, Campo Grande, Cosmos, Inhoaíba e Senador Augusto Vasconcelos.

O III Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca da Capital, criado pela Resolução TJ/

OE n.° 05/2008 de 07/04/08, foi instalado em 25 de junho de 2008. Se o fato ocorreu na área de abrangência da- quele Juízo, porém antes da sua instalação, o feito deve tramitar perante o I Juizado de Violência Doméstica e Familiar. Do contrário, se o fato ocorreu na área de abrangência do III JVDFM, e após a sua instalação, é deste

Juízo a competência para processar e julgar o feito.

São da competência do III Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca da Capital, os fa- tos ocorridos na circunscrição das seguintes delegacias, que abrangem os seguintes bairros:

16ª, 28ª, 29ª, 30ª, 32ª, 40ª e 41ª Delegacias - Bento Ribeiro, Campinho, Cascadura, Cavalcante, Enge- nheiro Leal, Honório Gurgel, Madureira, Marechal Hermes, Osvaldo Cruz, Quintino Bocauiuva, Rocha Miranda, Turiaçu, Vaz Lobo, Anil, Curicica, Freguesia, Gardênia Azul, Jacarepaguá, Pechincha, Praça

Seca, Tanque, Taquara e Valqueire, Barra da Tijuca, Camorim, Grumari, Itanhangá, Joá, Recreio dos

Bandeirantes, Vargem Grande, Vargem Pequena e Cidade de Deus.

O VI Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca da Capital, criado por meio da Resolu- ção TJ/OE n.º 05/2012 de 21/03/12 e instalado em 28 de março de 2012, é competente para processar e julgar os delitos (crimes/contravenções penais) que configuram violência doméstica e familiar contra a mulher, consoante o disposto no artigo 5º da Lei 11.340/06, ocorridos na área abrangida por sua competência, após sua instalação.

São da competência do VI Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca da Capital, os fa-

tos ocorridos na circunscrição das seguintes delegacias, que abrangem os seguintes bairros:

21ª Delegacia Policial - Bonsucesso (Parte de Ramos, Parte de Benfica, Maré, Bonsucesso, Higienópolis, Manguinhos);

22ª Delegacia Policial - Penha (Parte superior da Penha Circular, Penha, Olaria, Parte do Complexo do Alemão, Morro do Alemão e Nova Brasília, Parte de Brás de Pina);

23ª Delegacia Policial - Méier (Parte do Méier, parte de Todos os Santos, Cachambi);

24ª Delegacia Policial - Piedade (Parte do Engenho de Dentro, Pilares, Abolição, Encantado, Piedade);

25ª Delegacia Policial - Engenho Novo, (Jacarezinho Riachuelo. Jacaré, São Francisco Xavier, Rocha, Sampaio e Engenho Novo);

26ª Delegacia Policial - Todos os Santos (Parte de Todos os Santos, Parte do Méier, Parte do Engenho de Dentro, Água Santa e Lins de Vasconcelos);

27ª Delegacia Policial - Vicente de Carvalho (Vila Kosmos, Vila da Penha, Vista Alegre, Irajá, Vicente de

Carvalho e Parte de Colégio, lado par da Av. Automóvel Clube);

31ª Delegacia Policial - Ricardo de Albuquerque (Guadalupe, Anchieta, Parque Anchieta, e Ricardo de Albuquerque);

37ª Delegacia Policial - Ilha do Governador (Ribeira, Pitangueiras, Bancários, Portuguesa, Jardim Cario- ca, Cidade Universitária, Zumbi, Cacuia, Cocotá, Praia da Bandeira, Freguesia, Jardim Guanabara,

Moneró, Galeão, Tauá, Paquetá;

38ª Delegacia Policial - Brás de Pina (Jardim América, Vigário Geral, Parada de Lucas, Cordovil, Parte de Braz de Pina e parte da Penha Circular);

39ª Delegacia Policial - Pavuna (Acari, Barros Filho, Costa Barros e Pavuna);

44ª Delegacia Policial - Inhaúma (Inhaúma, Engenho da Rainha, Tomaz Coelho, Maria da Graça e Del Castilho).

Medidas Protetivas de Urgência

Com a chegada do referido expediente no Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, encaminhado pela autoridade policial, o Juiz remeterá os autos ao Ministério Público para, posteriormente, proferir a decisão de deferimento ou de indeferimento de medidas protetivas.

Nos casos necessários, antes do Juiz apreciar os pedidos de medida protetiva e dar vista ao Ministério Público, o processo será remetido à Equipe Técnica, momento em que será realizado relatório psicossocial da ofendida que deverá ser anexado ao processo de medida protetiva, sendo remetido, sucessivamente, ao Ministério Público para opinar acerca do deferimento e ao juiz para proferir a respectiva decisão.

Vale ressaltar que o Juiz poderá deferir o pedido de medida protetiva assim que recebê-lo da Autoridade Policial, independentemente de remetê-lo ao Ministério Público, à Defensoria Pública da Mulher ou à Equipe Técnica, des- de que estejam presentes os elementos que autorizam a concessão da referida medida.

Fluxo das Medidas Protetivas

NUDEM SUPOSTA JVDFMs DELEGACIA MP EQUIPE TÉCNICA
NUDEM
SUPOSTA
JVDFMs
DELEGACIA
MP
EQUIPE
TÉCNICA

INDEFERIMENTO

JVDFMs DELEGACIA MP EQUIPE TÉCNICA INDEFERIMENTO DEFERIMENTO OFICIAL DE JUSTIÇA NOTIFICAÇÃO DA

DEFERIMENTO

DELEGACIA MP EQUIPE TÉCNICA INDEFERIMENTO DEFERIMENTO OFICIAL DE JUSTIÇA NOTIFICAÇÃO DA NOTIFICAÇÃO DO
OFICIAL DE JUSTIÇA NOTIFICAÇÃO DA NOTIFICAÇÃO DO VÍTIMA AUTOR
OFICIAL DE JUSTIÇA
NOTIFICAÇÃO DA
NOTIFICAÇÃO DO
VÍTIMA
AUTOR

REDE CAPITAL

REDE DE APOIO

Equipe multidisciplinar

A equipe de atendimento multidisciplinar, conforme previsto na Lei Maria da Penha (Título V, art. 29, 30 e 31)

deve ser integrada por profissionais especializados nas áreas psicossocial, jurídica e de saúde. Nos JVDFCM as equipes técnicas são compostas por assistentes sociais e psicólogos (as) do quadro e extraquadro

que tem entre outras atribuições fornecer subsídios ao juiz por escrito, mediante estudos, laudos periciais nos processos de medidas protetivas e criminais ou verbalmente em audiências, desenvolver trabalhos de orientação

e encaminhamento, prevenção para as mulheres, aos homens e suas famílias envolvidas em situação de violên- cia.

O papel da equipe multiprofissional não se restringe às atividades de assessoramento ao juiz. Abarcar, também, a

articulação com os serviços e instituições que integram a rede de atendimento especializada e não-especializada de atendimento às mulheres em situação de violência, a realização de projetos e pesquisas, entre outras ativida- des, contribuindo para uma melhora na prestação jurisdicional, no acesso das mulheres à Justiça, no fortaleci- mento das políticas sociais de enfrentamento da violência de gênero, na garantia dos direitos de Cidadania e dos Direitos Humanos das jurisdicionadas e dos jurisdicionados.

Frentes de atuação da equipe multidisciplinar

Elaboração de parecer social e psicológico: Trata-se de estudos e análises dos diversos fatores (sociais, econômicos, culturais, relacionais, psicológicos, entre outros) que operam na produção da violência, das respostas dos sujeitos envolvidos, dos impactos nas suas relações e das alternativas possíveis de superação e reestruturação de suas vidas.

Grupo reflexivo com autores em situação de violência doméstica e familiar: Abordagem grupal, interdisci- plinar, com autores (as) de violência doméstica e familiar contra a mulher em cumprimento de medida ju-

dicial (art. 45 da Lei 11.340/2006 e do art. 152 da Lei 7.210/1984 - Lei de Execução Penal) com o objetivo

de promover a discussão sobre a violência doméstica em todas as suas expressões; a reflexão sobre a reso- lução dos conflitos sem o emprego da violência e a prevenção da violência de gênero. Metodologia: entre- vista individual; grupo de oito ou 10 encontros, com duração de duas horas, semanais ou quinzenais.

Delegacia

NUDEM Advogado/a
NUDEM
Advogado/a

Fluxo institucional dos JVDFs

MP
MP

Juizado de Violência

Doméstica e Familiar contra a Mulher

Secretarias de Governo
Secretarias de Governo

Secretarias de

Governo

Instituições da Sociedade Civil
Instituições da
Sociedade Civil

Defensoria da Vítima

Secretarias de Governo Instituições da Sociedade Civil Defensoria da Vítima Defensoria do Réu Rede Capital 64

Defensoria do Réu

Rede Capital

5.4.2. Central Judiciária de Abrigamento Provisório da Mulher Vítima de Violência Doméstica e Familiar -

CEJUVIDA

Tem como objetivo principal garantir o encaminhamento emergencial de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, e de seus filhos menores, às casas-abrigo, por solicitação do Magistrado competente e/ou da 1ª DEAM/ ERJ e/ou da própria mulher vitimizada. A CEJUVIDA está integrada ao Plantão Judiciário (situações emergenciais). Será acionada sempre que os serviços especializados dos centros de referência não estiverem em funcionamento: fora do horário forense, em finais de semana ou feriados (diariamente de 18h às 11h do dia seguinte);

Envolverá os Juízos com competência para situações que envolvam violência doméstica e familiar contra a mu- lher, que distem, no máximo, 150 quilômetros da sede do Plantão Judiciário e em nenhuma hipótese a mulher vítima de violência, e seus filhos, será encaminhada à CEJUVIDA contra a sua vontade.

Compete ao Juiz do Plantão Judiciário responsável pela CEJUVIDA:

Enviar a viatura oficial, com um servidor com formação em psicologia e/ou com formação em serviço social,

ao Juizado solicitante, ou à 1ª DEAM, logo após o contato pessoal a que se referem os incisos II dos arts. 6º

e 7º, determinando o imediato encaminhamento da mulher vítima de violência doméstica, e de seus filhos,

à casa-abrigo;

Fazer contato pessoal, ou através da equipe do Plantão Judiciário, com a direção da casa-abrigo, informan- do a ocorrência e o encaminhamento a ser realizado, e fornecendo o nome da mulher vítima de violência, e de seus filhos, bem assim o nome e matrícula do motorista e do servidor com formação em psicologia e/ou com formação em serviço social que acompanhará(ão) a ocorrência;

Comunicar, formalmente, ao Juízo solicitante, ou à 1ª DEAM, o encaminhamento realizado, e eventuais in-

tercorrências, enviando, por meio informatizado, cópia do termo de recepção da mulher vítima de violên-

cia, e de seus filhos, na casa-abrigo, e do relatório da ocorrência a ser elaborado pela equipe da CEJUVIDA;

Arquivar, em arquivo virtual, toda a documentação recebida do Juízo solicitante, e o termo de recepção, bem como o relatório da ocorrência a ser formalizado pelos servidores da equipe da CEJUVIDA, mantendo o número de distribuição do processo do Juizado solicitante na origem, e possibilitando, em qualquer hipóte- se, a pesquisa pelo nome da mulher vítima de violência;

Seguir, rigorosamente, a ordem de solicitações dos Juízos competentes para questões de violência domésti- ca, na medida em que foram feitos os contatos, referidos no inciso II do art. 5º, podendo otimizar a busca e encaminhamento das mulheres vítimas de violência, e seus filhos, à casa-abrigo, sempre que tal se afigurar possível, mantida, em qualquer hipótese, a dignidade e a segurança do encaminhamento;

Determinar quaisquer medidas judiciais de competência do Juiz solicitante, salvo exceções urgentes que serão adequadamente fundamentadas;

Encaminhar urgentemente em face de lesões severas ð prévio encaminhamento da mulher vítima de vio- lência doméstica, e de seus filhos, a hospital público;

Receber a mulher vítima de violência doméstica, e seus filhos, determinando as medidas protetivas, e outras constantes da Lei 11.340/06, e fazendo o encaminhamento à casa-abrigo, se a mulher vitimizada procurar diretamente o Plantão Judiciário, hipótese em que o expediente judiciário formalizado será distribuído ao Juízo competente, findo o plantão;

Serão mantidos pelo Plantão Judiciário os números do processo de origem gerado pelo Juízo solicitante e/ou do Registro de Ocorrência que constar do termo de encaminhamento lavrado pela 1ª DEAM.

É recomendado que a CEJUVIDA informe ao Organismo Estadual de Políticas para as Mulheres o nome da mulher que está sendo abrigada, número de filhos/as e respectivas idades, a data do abrigamento, para qual abrigo foi encaminhada, o juizado competente e o qual CEAM será a referência no caso.

Fluxo de abrigamento através do CEJUVIDA— Art.6

Mulher vitimizada Juiz/a do JVDFM Termo de Declaração Medidas Protetivas de Urgên- cia (se for
Mulher vitimizada
Juiz/a do JVDFM
Termo de
Declaração
Medidas Protetivas de Urgên-
cia (se for o caso) e formalizar
procedimento judicial
CASA ABRIGO
CEJUVIDA
Juiz/a do Plantão
Comunicar ao Centro Especializado de refe-
rência

Art. 7º

Mulher vitimizada DEAM Centro Juiz/a de Plantão Comunicar ao Centro Especializado de referência CEJUVIDA CASA
Mulher vitimizada
DEAM Centro
Juiz/a de Plantão
Comunicar ao Centro Especializado de referência
CEJUVIDA
CASA ABRIGO

5.4.3.

Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro

A

Defensoria Pública é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a orientação jurídica

e

a defesa, em todos os graus de, dos necessitados, na forma do Art. 5º, LXXIV, da Constituição da República Fe-

derativa do Brasil.

A Constituição da República Federativa do Brasil assegura a todos o pleno acesso à justiça, reservando à Defenso-

ria Pública, com exclusividade, a missão de prestar orientação jurídica integral e gratuita a todos àqueles que não

têm condições de contratar os serviços remunerados de um advogado.

De acordo com a Lei 11.340/2006:

Art.27. Em todos os atos processuais, cíveis e criminais, a mulher em situação de violência doméstica e familiar deverá estar acompanhada de advogado, ressalvando o previsto no art.19 desta Lei.

Art.28. É garantida a toda a mulher em situação de violência doméstica e familiar o acesso aos serviços de Defensoria Pública ou Assistência Jurídica Gratuita, nos termos da lei, em sede policial e judicial, mediante atendimento específico e humanizado.

Há Defensores Públicos em atuação em todos os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher em todo o Estado do Rio de Janeiro e nos Tribunais, garantindo, assim, o acompanhamento das ações judiciais defla- gradas em todas as instâncias e graus de jurisdição.

Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro- NUDEM

O NUDEM tem atribuição para atender mulheres domiciliadas em todo o território do Estado do Rio de Janeiro e

através do núcleo são ajuizadas todas as demandas necessárias para a interrupção definitiva do ciclo de violência,

em especial medidas protetivas de urgência, nos termos da Lei 11.340/2006.

De acordo com a DELIBERAÇÃO DPGE/CS/nº 81-A, de 14 de dezembro de 2011, o Núcleo Especial de Defesa dos

Direitos da Mulher e de Vítimas de Violência – NUDEM, criado pela resolução DPGE nº 84/97, visa garantir a to-

das as mulheres em situação de violência doméstica e familiar o acesso aos serviços da Defensoria Pública, em sede policial e judicial. Dentre as suas principais atribuições estão:

a prestação de orientação jurídica, o aconselhamento e o encaminhamento a outros órgãos de

atuação e instituições públicas ou privadas;

o ajuizamento de medidas protetivas de urgência, de natureza cível ou criminal;

a deflagração de todas as ações judiciais necessárias para impedir a continuidade da violência domés- tica e familiar praticada contra a mulher, bem como aquelas tendentes à reparação pecuniária, à rein- tegração, e manutenção da posse, dentre outras, conforme o caso;

a propositura de ações judiciais que versem sobre a defesa dos direitos das mulheres vítimas de vio-

lência e a propositura de ações coletivas para a defesa dos interesses e direitos transindividuais pre-

vistos na Lei de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher

Fluxo Institucional do NUDEM

Defensorias dos I, II,III e VI Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher
Defensorias dos I, II,III e VI Juizados de
Violência Doméstica e Familiar contra a
Mulher
Centros Especializados de Atendi-
mento à Mulher
Juizados de Violência Doméstica e
Familiar contra a Mulher
NUDEM
CEJUVIDA
Órgãos da Defensoria Pública (Vara de
Família e Central de Relacionamento
com o Cidadão-129)
Casas Abrigo
DEAMS

5.4.4. Ministério Público Estadual

O Ministério Público, consoante o art. 127, caput, da Constituição Federal, é instituição permanente, essencial à

função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interes-

ses sociais e individuais indisponíveis.

O Ministério Público é configurado, no Brasil, como instituição autônoma e independente, que não está subordi-

nada aos Poderes Executivo, Legislativo ou Judiciário, o que lhe garante condições de fiscalizar de forma mais efe-

tiva o cumprimento da lei.

A razão de sua existência, como diz o próprio texto constitucional, é para garantia da ordem jurídica, do regime

democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis, isto é, a função de defesa da sociedade no regime

democrático instituído pela Constituição de 1988, tendo sua atuação comprometida com a defesa da cidadania e da dignidade da pessoa humana.

Além da relevante atribuição de ajuizar a Ação Penal Pública, também compete ao Ministério Público Brasileiro, dentre outras tarefas de indiscutível benefício para a coletividade, (1) exigir dos poderes públicos e dos serviços de relevância pública o respeito aos direitos elencados na Constituição, promovendo as medidas necessárias à sua garantia, (2) proteger os interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos, dentre os quais se sobressai a defesa do meio ambiente, do consumidor e do patrimônio público, (3) proteger os direitos dos idosos, dos por- tadores de necessidades especiais e das crianças e dos adolescentes e (4) exercer o controle externo da atividade policial.

No âmbito da Lei Maria da Penha, além de zelar pela sua correta aplicação, incumbe ao Ministério Público:

1) O ajuizamento da ação penal pública;

2) Postular as medidas de proteção em favor da vítima previstas na Lei Maria da Penha, em caso de necessidade;

3) Zelar pelo efetivo exercício do controle externo da atividade policial, em especial quanto ao trâmite dos Inqué- ritos Policiais e ao atendimento dispensado às mulheres em situação de violência;

4) Fiscalizar a execução da pena, a fim de evitar a impunidade dos agressores;

5) Fiscalizar e acompanhar os serviços e os estabelecimentos de atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar, de forma a contribuir para o aprimoramento constante dos serviços prestados e para o de- senvolvimento das políticas públicas destinadas ao enfrentamento à violência contra as mulheres.

Internamente, as notícias de violência doméstica e familiar contra a mulher tramitam basicamente entre a Promo- toria de Justiça de Investigação Penal e a de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, cabendo a primeira a investigação da ocorrência ou não do delito e, à segunda, o eventual requerimento de medidas de proteção e atua- ção direta em todos os processos em trâmite nos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher .

5.5. INSTITUIÇÕES DE ABRIGAMENTO TEMPORÁRIO

5.5.1. Casas-abrigo

As casas-abrigo constituem serviços públicos (municipais, estaduais, regionais e/ou consorciados) que compõem a rede de atendimento à mulher em situação de violência com propósito de prover, de forma provisória, medidas emergenciais de proteção e locais seguros para acolher as mulheres e seus (suas) filhos(as).

O Termo de Referência para Implementação de Casas-Abrigo- SPM/2005 define que: “As Casas-Abrigo são locais seguros que oferecem moradia protegida e atendimento integral às mulheres em situação de risco de morte iminen- te, em razão de violência doméstica. É um serviço de caráter sigiloso e temporário, onde as usuárias poderão per- manecer por um período determinado, durante o qual deverão reunir condições necessárias para retomar o curso de suas vidas. O atendimento deve pautar-se no questionamento das relações de gênero enquanto construção his- tórica-cultural dos papéis femininos e masculinos, que têm legitimado as desigualdades e a violência contra as mu- lheres.”

Em 2011 a Superintendência de Políticas para as mulheres (SUDIM), hoje Subsecretaria de Políticas para as Mulhe- res, lançou a Norma Técnica de Padronização para Abrigamento e Funcionamento das Casas-abrigo do Estado do

Rio de Janeiro que propõe uma metodologia de abrigamento, a fim estabelecer um fluxo geral de atendimento en-

tre os serviços da rede o os serviços de acolhimento temporário. Este documento traz:

Objetivo Geral das Casas-Abrigo:

Garantir a integridade física e/ou psicológica de mulheres em risco de morte e de seus filhos e filhas – crianças e/ou adolescentes, favorecendo o exercício de sua condição cidadã e de seu valor como pessoa sabedora que nenhuma vida humana pode ser violentada.

Objetivos Específicos das Casas-Abrigo:

os estejam acompanhando, em especial nas áreas psicológica, social e jurídica;

Promover condições objetivas de inserção social da mulher, conjugando as ações da casa-abrigo a progra- mas de saúde, emprego e renda, moradia, creches, profissionalização, entre outros;

Prover suporte informativo e acesso a serviços, instruindo as mulheres para reconhecerem seus direitos como cidadãs e os meios para efetivá-los;

Proporcionar ambiente e atividades propícias para que as mulheres possam exercitar sua autonomia e re- cuperar sua auto-estima;

Proporcionar atividades para as crianças e adolescentes que considerem o paradigma que os entende co-

mo ser em situação peculiar de desenvolvimento estabelecido pela atual legislação – Estatuto da Criança e

do Adolescente, como também considerem as necessidades características de sua faixa etária;

Prover meios para o fortalecimento do vínculo mãe/filhos(as), favorecendo modos de convivência não -

violentos.

Público Alvo

Mulheres em situação de violência doméstica e familiar, sob risco iminente de morte, acompanhadas ou não de suas filhas e de seus filhos menores de 14 anos (a ser avaliado pela equipe técnica da casa quando houver casos onde existam filhos maiores de 14 anos).

Período de permanência

Período de até quatro meses, podendo ser prorrogado por igual período conforme avaliação da equipe técnica da casa-abrigo.

Triagem e fluxo de abrigamento

A avaliação da gravidade do caso de violência contra as mulheres para o encaminhamento das situações de abri- gamento deve ser realizada pelos centros especializados no atendimento à mulher – Centros e Núcleos vincula- dos à Política Nacional para as Mulheres, de 2ªs às 6ªs feiras, durante o horário de funcionamento ¹.

Nos finais de semana, feriados, e fora do horário de atendimento dos serviços especializados, o encaminhamen-

to se dará através da Central Judiciária de Abrigamento Provisório da Mulher Vítima Violência Doméstica – CEJU- VIDA, no âmbito do Poder Judiciário

1- No que diz respeito à Casa Abrigo Viva Mulher Cora Coralina a entrada será necessariamente realizada pelo CEAM Chiquinha Gonz aga ou pelo CEJUVIDA

Fluxo de Abrigamento

CEJUVIDA
CEJUVIDA
CEAMS Outras Casas-abrigo Casas-abrigo Rede de Apoio
CEAMS
Outras
Casas-abrigo
Casas-abrigo
Rede de
Apoio

6.

FLUXO DA REDE ESPECIALIZADA DE ATENDIMENTO À MULHER DA CAPITAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

6. FLUXO DA REDE ESPECIALIZADA DE ATENDIMENTO À MULHER DA CAPITAL DO ESTADO DO RIO DE

ANEXOS

ANEXO 1 PROTOCOLO DE ATENDIMENTO À VIOLÊNCIA SEXUAL– SMS

78
78

ANEXO 2 FICHA DE NOTIFICAÇÃO-SMS

80
81

ANEXO 3

PROTOCOLO DE ATUAÇÃO ENTRE DEAM-CENTRO, I JUIZADO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER, MINISTÉRIO PÚBLICO E DEFENSORIA PÚBLICA PARA A PROTEÇÃO DAS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, FAMILIAR E DE GÊNERO-

PROJETO VIOLETA

SUMÁRIO

Objetivos do protocolo

3

Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher

4

Equipe Multidisciplinar do I JVDFM

5

Ministério Público

6