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Biografia de Charles Darwin

“Você não pensa em nada mais senão cães, dar tiros e apanhar ratos. Será uma vergonha
para si mesmo e para a família”. Assim disse um pai zangado e furioso ao filho, Charles
Darwin, om menino que se tornaria um dos mais famosos naturalistas de todos os tempos e
autor do monumental livro ”The Origin of Species by Means of Natural Selection”. Esse livro
esse livro apresenta uma explicação, outrora controvertida mas hoje geralmente aceita, do
método pelo qual surgem as novas formas de seres vivos, animais ou plantas.
Charles Darwin nasceu em 1809 em Shrewsbury, Inglaterra, no mesmo dia em que
Abraham Lincoln, porém em tipo muito diverso de ambiente. Seu pai Robert, medico de êxito
e rico, dava aos filhos tudo o que tinha o dinheiro podia comprar. Nada de material lhes
faltava, porém ficaram órfãos de mãe quando Darwin estava com oito anos.
Seu avô, o Doutor Erasmus Darwin, era muito conhecido como médico, naturalista e
autor.
Nessa bem educada família, Charles era considerado um tanto bronco. Certa vez o
mestre-escola chamou o mesmo de tolo. Mas Charles não era obtuso. A dificuldade estava em
sua imaginação muito viva não se enquadrar no padrão escolar. Mostrava-se muito
interessado por todos os animais, inclusive insetos. Apesar da opinião contraria do pai, ele
estava preparando-se para assumir o trabalho que o absorveria durante toda a vida, afiando e
desenvolvendo o instrumento fundamental da ciência, a arte de observar. Mais tarde diria, não
porém para se gabar: “Acho que sou superior ao comum dos homens em notar coisas que
facilmente escapam à atenção e observá-las cuidadosamente”.
Seus poderes de observação eram realmente apreciados pelo pai. O Dr. Robert Darwin
era um homenzarrão- uns cento e cinqüenta quilogramas- que frequentemente tinha
dificuldade em visitar os pacientes menos abastados, pois as escadas e os pisos destes eram
demasiadamente fracos para seu peso. Nos primeiros tempos de juventude Charles
acompanhava o medico em suas visitas, visitava ele mesmo os pacientes e relatava ao pai o
que observava, servindo essa observações de base à receita do pai nesses casos. Naqueles
tempos as leis sobre exercício da medicina eram muito frouxas.
Charles foi para a universidade de Edimburgo, com o irmão Erasmus, para estudar
medicina. Em Edimburgo, como era de esperar, ele se mostrou mau aluno, porém manifestava
grande interesse pelas sessões estudantis de debate, especialmente as que diziam respeito à
origem da vida, assunto favorito da época. Após dois anos sem êxito como estudante,
descobriram que Charles não dava para medicina.
Como ultima oportunidade, a fim de que o rebento de tão culta família entrasse para uma
das profissões doutas, Charles concordou em estudar para o ministério religioso. E foi para
Cambridge, onde dedicou menos tempo à teologia do que à “caça de percevejos”. Era
apreciável sua coleção de insetos.
Aos vinte e dois anos Darwin tinha o seu grau teológico, porém nenhuma vontade de
exercer a função de ministro. Uma carta de John Henslow, jovem lente de Botânica que ele
conhecera em Cambridge, deu-lhe a oportunidade de fugir aquele senhor. Henslow apresentou
Darwin ao capitão Fitzroy, comandante do H.M.S. Beagle, navio de 235 toneladas.
O Beagle estava incumbido de fazer o levantamento da costa sul-americana. Gostaria
Charles de seguir como naturalista naquele barco? Teria de pagar suas despesas e a viagem
estava programada para durar dois anos. Queria-se Charles embarcar naquela aventura!
Pediu apoio financeiro ao pai, e este respondeu logo: “Não, seria um contra-senso”.
Seguiram-se novos pedidos, reforçados pela família e afinal veio o consentimento. Quando o
navio deslizava para fora do cais de Devonport no inverno de 1831, Charles Darwin estava
espiando na amurada. Não sabia, mas ficaria fora 5 anos, e realizaria a maior aventura de um
naturalista em todos os tempos.
Darwin era observador atilado, relator preciso e colecionador incansável. Paciente e
persistentemente colecionou plantas, rochas, animais de todo tipo e fósseis às carradas.
Encheu o espaço disponível no tombadilho e em todos os portos despachava para sua pátria as
coleções que ia juntando.
A viagem foi repleta de aventura e risco. Na terra existiam “selvagens” (como eram
denominados Por eles) e bandidos, que era preciso evitar. Havia febres e o perigo de perder o
rumo, para não falar das tempestades e do frio. Em contraposição, havia algumas recepções
elegantes nas maiores cidades da América do Sul, onde Darwin encontrou belas damas,
“bonitas sereias redondas”, como as descrevia, e homens muito civilizados. Estes
contrastavam flagrantemente com os selvagens que ele encontrou em algumas das ilhas
costeiras.
Nessa viagem o capitão Fitzroy teve de mandar de volta três selvagens a sua ilha deserta.
Eram nativos da terra do fogo, que ele tomara como reféns em sua viagem anterior. Darwin
notou que aqueles selvagens, que a natureza adaptara ao seu duro clima, já haviam mudado
em contato com a civilização.
Depois de fazer o levantamento de muitas costas não-registradas ainda no mapa. E de
observar muitas estranhas formas de plantas e animais, o Beagle ancorou nas ilhas Galápagos,
a cerca de 800 quilômetros a oeste da America do Sul. Ali armara a natureza o laboratório que
colocou Darwin a caminho da “Origin of Species”. A qualidade rara e primitiva das várias
criaturas deu-lhe a pista da teoria segundo a qual os seres vivos sofrem tranformações.
“poder-se-ia imaginar que, a partir de uma inicial escassez de aves neste arquipélago, se
houvesse escolhido uma espécie, que se modificasse para fins diferentes”, escreveu ele. Os
répteis, as aves e os outro animais, em geral, diferiam de uma ilha para outra, e todavia
existiam semelhanças. Se toda criação tivesse se dado no mesmo instante, por que existiriam
tantos organismos com pequenas diferenças? Examinado fósseis parecidos com seres ainda
vivos, achou que a melhor explicação consistia em admitir que certas espécies eram
substituídas por outras intimamente relacionadas.
O vice-governador de uma das ilhas afirmou a Darwin que ele era capaz de dizer de que
ilha, dentre as muitas do arquipélago, provinha cada um dos cágados. Achou Darwin que era
possível compreender as semelhanças e diferenças se os habitantes das várias ilhas
descendessem de antepassados comuns, mas tivessem sofrido uma serie de pequenas
alterações no curso do seu desenvolvimento. Estava plantado, pois, na mente de Darwin o
germe de sua teoria da evolução. Havia alterações nas espécies, isso era evidente, mas qual o
mecanismo dessa alteração? Como ocorria ela?
Só em 1838, lendo o “Essay on Population” de Thomas Malthus, Darwin encontrou a
resposta ao problema de como e por que os seres vivos mudaram no curso das gerações.
Malthus sustentava que a população humana tendia a crescer mais depressa do que o
suprimento de alimentos. Assim se estabelecia uma luta pelo alimento e, em termos mais
gerais, uma luta pela existência.
Sabia Darwin que os animais domésticos eram objeto de acasalamentos especiais, para
apurar-lhes as qualidades. Nos animais domésticos o homem controlava as desejadas,
evitando reprodução dos animais desprovidos daquelas qualidades e estimulando a
reprodução dos possuidores das qualidades selecionadas. Observara também a existência de
variações em animais selvagens, mas como aconteceria isso sem a ajuda humana?
Malthus deu a pista: o homem tinha de lutar por seu suprimento alimentar e tinha de
alimentar o seu meio ambiente. Os animais selvagens tinham o mesmo problema. Se não
houvesse bastante alimento, só os animais mais bem dotados pela natureza para obter o
alimento conseguiriam sobreviver. A “sobrevivência dos mais aptos” era a chave das
constantes mudanças das espécies.
Na luta pela existência, disse Darwin, “as variações favoráveis tenderiam a preserva-se e
as desfavoráveis a destruir-se. O resultado disso seria a formação de uma nova espécie”.
Durante vinte anos Darwin reuniu provas para apoiar suas teorias, enquanto continuava
os estudos que começara durante a viagem a bordo do Beagle. Em 1855 Afred Wallace,
biólogo, escreveu um artigo “On The Law Which Has Regulted The Introduction of New
Species“(Sobre a Lei que Regulou a Introdução de Novas Espécies).
Esse artigo continha muitas idéias semelhantes às dos ainda inéditos estudos de Darwin.
Este fora aconselhadoa apresentar um resumo de sua tória, porém sempre adiara. Em 1858
Wallace enviou a Darwin o manuscrito de um artigo ”On the Tendency of Varieties to Depart
Indefinitely from the Original type” (Sobre a Tendência das Variedades para afastar-se
Indefinidamente do Tipo Origianal). Darwin achou que aquilo bem poderia seria um resumo
de sua teoria, se ele a houvesse redigido, e por isso decidiu anunciar ao mundo os seus
achados. A 1º de julho de 1858 o ensaio de Wallace e o resumo de Darwin sobre sua própria
teoria foram conjuntamente apresentados a Sociedade Lineana de Londres.
“The Origin of Species” (A origem das espécies) foi publicado no ano seguinte. Nesse
Darwin apresentava toda sua teoria, tratando da geologia e da distribuição geográfica das
plantas e dos animais. O volume é, todo ele, “um longo argumento a favor da evolução”,
segundo Darwin. Sobre essa teoria desencadeou muita controvérsia, desde que publicada.
Em 1860 dois artigos que atacavam Darwin foram apresentados em reunião da
Associação Inglesa para o progresso da ciência. O bispo de Oxford subiu ao estrado e
cruelmente ridicularizou Darwin e seu adepto Thomas H. Huxley. O bispo fez a famosa
pergunta: “Era por parte do avô ou da avó que Huxley descendia do macaco?” Quando
Huxley respondeu que preferia ter por antepassado um macaco ao bispo, a reunião se
dissolveu em tumulto.
Em 1925 John T. Scopes, professor de ginásio, foi processado por ensinar a teoria da
evolução, no estado de Tennessee. Foi defendido pelo famoso advogado Clarence Darrow. A
acusação foi feita pelo igualmente brilhante William Jennings Bryan. Scopes foi condenado,
mas a decisão foi depois desfeita. Assim, quarenta anos depois de publicada, a teoria de
Darwin ainda era objeto de controvérsia.
Darwin, cujo livro, cuidadosamente preparado, desencadeara tamanha controvérsia, era um
homem brando e humilde. Quando voltou da viagem no Beagle estava doente, sofrendo de
constantes dores de cabeça e náusea. Viveu até mais de 70 anos, porém nunca mias viajou.
Casou-se em 29 de janeiro de 1839 e viveu feliz com a família numa pequena aldeia de
Kent.
“Uma esposa, esse espécime por demais interessante”
...Depois de aproximadamente um ano em Londres e com 29 anos de idade, Darwin
começou a pensar seriamente sobre casamento.Como muitos cientistas ambiciosos, ele estava
preso entre a determinação de ser alguém na sua profissão e o desejo de ter uma família.
Entretanto, logo propôs casamento àquela que conhecera desde a infância, a sua prima Emma
Wedgwood. As duas partes – e as duas famílias – concordaram que formariam o casal
perfeito. A previsão tornou-se realidade. Vínculos de real afeto uniram Emma e Charles por
toda a vida e formaram uma família cheia de vigor e afeto. Mas, durante os primeiros anos
surgiram dois problemas. O ceticismo crescente de Darwin quanto à religião causou uma
grande dor a Emma e esta, por sua vez, levou o marido a uma profunda tristeza. Ele passou,
então, a sofrer de ataques cada vez mais sérios e misteriosos de uma doença que o perseguiria
por toda a sua vida. Tiveram dez filhos três deles morreram ainda durante a infância... Tinha
fortuna suficiente, e por isso não precisava preocupar-se em ganhar a vida. Passou o seu
tempo examinando o enorme acervo de provas que o levou à teoria da evolução. Inválido
amável e de bom temperamento, passeava pelo jardim, cuidando das flores. Realizou
experiências botânicas para comprovar sua teoria. Darwin escreveu outros livros além da
Origem das Espécies. Seu livro “Formation of Vegetable Mould Through The Action of
Worms”(Formação do Humo Vegetal por Ação das Minhocas) mostrou que as minhocas são
de grande importância na história do mundo. Nenhum dos outros livros, entretanto, criou a
sensação do primeiro.
Como Aristóteles, Darwin mostrava-se muito impressionado pela eficiência e
atividade da natureza ao desenhar suas criaturas para as funções especiais que desempenham.
Escreveu: “Quanto mais estudo a natureza, mais me impressiona que os dispositivos e belas
adaptações, lentamente adquiridas através da ocasional variação de cada parte, em ligeiro
grau... excedem de maneira incomparável os engenhos e adaptações que pode inventar a mais
fértil mente humana.”
Charles Darwin morreu em 1882.
• Reconhecimento:
Darwin viveu o suficiente para ver sua teoria da evolução ganhar aceitação geral. É de
Huxley a queixa irônica de que "será um mundo monótono. As idéias que os homens
desprezavam há 25 anos logo serão ensinadas nos livros escolares". No dia 19 de abril de
1882 Darwin faleceu em Down, e foi sepultado próximo à tumba de Isaac Newton, na Abadia
de Westminster. Huxley, Hooker e Wallace carregaram seu caixão. Sua maior realização foi
ter lançado as bases da biologia moderna.
Se tivesse de fazer sua viagem hoje, a Ilha de Galápagos não mais lhe seria útil ao
estudo da seleção natural. Os gigantescos cágados e os lêmures se foram; as plantas raras e as
aves curiosas estão desaparecendo. As ilhas são agora usadas como bases aéreas e o roncar
dos aviões a jato abafa os ruídos animais que Darwin outrora ouviu.
Era ele o “espírito preparado” que se encontrava em trabalho no momento exato da
história, para nos dar a teoria da evolução. Deve ter sabido que mesmo as teorias cientificas
sofrem transformações evolucionárias. Disse: ”Acho absolutamente certo que muito do que
está no Origin se tornará desvalioso; mas espero e desejo que o arcabouço permaneça.”

Conceitos da sociologia Moderna

• Grupo social

CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS GRUPOS SOCIAIS


Na sociologia, o termo “grupos sociais” designa um tipo especial de coletivo humano.
Um grupo social se distingue dos outros tipos de coletividades humanas
por quatro características:
1. Um grupo social é uma associação durável. Isso o distingue de coletivos efêmeros
e transitórios como as multidões.
2. Ele é organizado ou estruturado. O que o distingue dos agregados não-
estruturados, tais como o público e a massa à qual se dirige a publicidade.
3. Um grupo social envolve interação e relações entre os seus membros. Isso o
distingue dos grupos estáticos, que classificam os indivíduos de acordo com
características comuns, tais como idade, sexo, raça, instrução, renda e linguagem.
4. Um grupo social constitui um quadro selecionado e limitado de pessoas que
partilham por direito comum das vantagens que sua associação proporciona. Essa
característica o distingue das unidades sociais, tais como fábricas, bancos,
departamentos, escritórios e outros corpos associados. Que apesar de serem
duráveis, estruturados e interativos, falta-lhes a qualidade específica da filiação;
aqueles que participam de grandes companhias ou unidades de trabalho são
empregados e constituem o pessoal da organização.

Em contraste com um grupo social, uma sociedade se constitui, não por filiação
voluntária, mas por uma população que ocupa um território delimitado que é o lócus
da produção, da distribuição e das agências de serviço para os seus habitantes. Uma
sociedade também proporciona a administração dos interesses coletivos de uma
população por meio de instituições e estabelecimentos adequados, como, por exemplo,
os serviços judiciários e de comunicação. Acima de tudo, uma sociedade é a portadora
da ordem áxio-normativa, que define a maneira de vida, e todos os que vivem dentro
de seus confins e corporifica os valores e regulamento (leis, normas morais, etc.),
obrigatórios para todos. Os grupos sociais e todas as relações sociais, encontram-se
entre os componentes principais de uma sociedade, porque eles sustentam a rede de
acordos mútuos que torna possível a vida social ordenada.
A continuação de uma díade é inteiramente dependente de cada pessoa da
dupla. Em contraste, uma tríade é uma unidade superindividual; se uma pessoa sair,
ela pode ser substituída, e o novo indivíduo se soma a ela sem necessidade de alterar o
padrão da associação. A tríade, dessa maneira, constitui a menor unidade que
estabelece a impessoalidade de uma relação, ou seja, aquela que independe de pessoas
específicas. Este é um aspecto básico dos grupos sociais.
Podemos encarar a filiação e o sentimento de subjetivo de pertencer ao grupo
como as qualidades básicas do grupo social.
O que a filiação significa não precisa ser especificado, uma vez que se trata de
um dado primário de experiência para toda pessoas socializada. O significado de
filiação refere-se a nossas próprias experiências de associação com outros – na família,
na roda social, e nos muitos outros grupos aos quais a maioria das pessoas pertence.
Sabemos que a filiação significa dividir e partilhar, mas que também acarreta certas
obrigações com referência ao interesse comum de manter o grupo funcionando.
Três elementos do grupo, detêm posições-chave: não apenas são essenciais,
mas também explicam a natureza do grupo e esclarecem o que mantém reunido.
O primeiro elemento é o produto, seja ele um objeto ou uma situação, que
surge em virtude da atividade cooperativa de diversas pessoas. Tal produto do grupo,
pode ser as maneiras e meios para as reuniões de uma fraternidade, o lar,
proporcionado por uma família, o apoio de um partido político ou o santuário de uma
igreja.
O produto do grupo serve a interesses individuais, os quais, no entanto, são realizáveis
somente através de uma ação conjunta e combinada, portanto representa um acréscimo
ou crescimento social. A medida que não é propriedade de ninguém em particular,
constitui um valor partilhado por aqueles que possuem direito de acesso a ele e que
contribuem para a sua manutenção.
O acréscimo social ou valor partilhado representa uma vantagem tangível. Sua
produção, manutenção e utilização expressam o propósito do grupo e constituem as
razões para que continue existindo.
O segundo elemento é a imagem do grupo, um componente essencial de sentimento
que já foi mencionado: a sensação de pertencer. Essa sensação se baseia, não nas
relações de uma pessoa com pessoas específicas, mas sim, na consciência do grupo
como uma unidade da qual se considera uma parte. Isso não é sempre claramente
percebido. Por exemplo, Floyd Allport, alega que a família, como tal, não se acha
presente a sensação da criança, algo que ela possa apossar-se e modificar, ou a que
possa reagir e adaptar-se. Os únicos objetos com quem pode comportar-se dessa
maneira são seus pais, irmãos ou irmãs, ou seja, outros indivíduos específicos. Isso
realmente é verdade, particularmente se a criança é muito pequena, mas não constitui
toda a verdade.
A realidade da família, tal como implícita por esse enunciado, é a realidade de uma
imagem ou ideia, não naturalmente, de um dado sensorial. Uma pessoa não pode ter
uma sensação de pertencer, de ser um membro, sem possuir uma imagem do grupo.
A imagem do grupo se forma da mesma maneira pela qual qualquer outra
representação mental se desenvolve. Falando de modo geral, a imaginação organiza os
estímulos em objetos mentais: conceitos, imagens, símbolos, ideias, etc.
O terceiro elemento essencial da estrutura do grupo é o efeito obrigatório das regras,
que torna possível o funcionamento apropriado do grupo. Uma regra ou norma social
possui caráter imperativo, independentemente de ser obedecida ou de quais as
opiniões individuais que são sustentadas sobre ela.
Uma modalidade de ação, uma crença ou uma atitude são assim impressas com uma
obrigação sentida e alcançam uma quase-objetividade.
• Classe social

As classes têm, na realidade, uma longa história, que começa muito antes de ter Karl
Marx escrito O Manifesto Comunista. Aristóteles, por exemplo, observou que em todos os
estados há três elementos: uma classe é muito rica, outra muito pobre, e uma terceira, média.
E a seguir, determinou a relevância dessas divisões para o governo e para a política.
Nas primeiras décadas do século XX, estudiosos norte-americanos, tinham passado a
ignorar tais opiniões dos antepassados fundadores; o ponto de vista mais difundido sustentava
que a sociedade norte-americana era “sem classes” ou constituída pela “classe média”. A
simples mensão de classe, em parte por sua associação com a doutrina marxista, identificava-
se com o que algumas pessoas chamariam hoje de “subversivo” ou anti-norte-americano,
embora na se ignorassem de todo certos problemas de estratificação. Apenas da década de
1940, voltou a tornar-se respeitável para os cientistas sociais norte-americanos, o
reconhecimento explícito da existência de diferenças de classes nos Estados Unidos e a
pesquisa sistemática nesse terreno. Por conseguinte, a história do conceito de classe, em si
mesma, é um problema fascinante da sociologia das idéias e do conhecimento.
No desenvolvimento do conceito de classe, a teoria de Marx foi de muita importância, a
despeito de suas limitações demonstráveis. Marx definiu as classes em função de suas
relações com a propriedade.
Em virtude da sua posição na ordem econômica, os membros de cada classe, de acordo
com Marx, partilham de experiências comuns, de um modo de vida mais ou menos distintivo
e de certos interesses políticos e econômicos. A burguesia e o proletariado entram
inevitavelmente em conflito à mercê de seus interesses contraditórios. Outras classes, cuja
existência Marx reconheceu, mereceram dele pouca atenção porque, no seu entender,
desempenhavam apenas papel secundário no cenário histórico contemporâneo. A consciência
de classe e a ação política e econômica coletiva, afirmou Marx, desenvolvem-se no curso do
conflito político e econômico. A classe proletária tende particularmente a emergir porque
todos os seus membros enfrentam sérias dificuldades e se vêm numa íntima associação diária
através do trabalho.
Essa interpretação foi diversas vezes questionada, tanto por marxistas como por anti-
marxistas num óbvio determinismo econômico, que reduz todos os problemas a questões de
interesse econômico e não dá margem a alternativas e a escolha humana. Marx, em suas
análises, demonstrou, que as ideias, a estratégia e a tática da ação política e econômica, e o
esforço humano representam necessariamente papel importante na determinação da maneira
pela qual atua cada classe, embora também acreditasse que a história estava do seu lado.
A história moderna expõe assim os erros, como as deficiências da análise de Marx.
Muitas de suas predições específicas não se cumpriram: a classe média não desapareceu,
conquanto seu caráter tenha se modificado. A classe trabalhadora não se empobreceu
progressivamente; em vez disso, seu padrão de vida elevou-se com os progressos da
industrialização. A propriedade não se concentrou em um número cada vez menor de mãos na
sociedade capitalista, mas difundiu-se amplamente por intermédio da compra de ações.
As revoluções dirigidas por comunistas não se verificaram nas nações industriais mais
adiantadas, onde Marx as esperava, senão nas áreas menos desenvolvidas, onde o comunismo
se converteu antes na base da industrialização que no seu produto.
Concentrando-se nas classes com base econômica, a teoria marxista passou por alto,
outras formas de estratificação, subestimou as conseqüências de outras divisões da sociedade
e descurou seriamente do problema obíqüo do poder político. O pertencer a determinada
classe é apenas um dos atributos de uma pessoa; outras características sociais entram
inevitavelmente no seu comportamento. A posição da classe, em certas ocasiões, pode exercer
influência predominante nas ações dos homens, mas seus efeitos são diminuídos ou
modificados pelas demais características que os homens possuem: religião, filiação étnica,
lealdade nacional, etc.
Na maioria das sociedades, há divisões de classes com base econômica, componentes
significativos da estrutura social. Em condições apropriadas, uma classe pode fundir-se num
grupo, que desempenha parte destacada na vida organizada da sociedade. Ainda que uma
classe permaneça apenas como categoria social, sem consciência de grupo ou sem estrutura
organizada, o fato de seus membros poderem agir, em linhas gerais, da mesma maneira, tem
conseqüências importantes para a sociedade como um todo.
Podemos definir classe, portanto, como certo número de pessoas que partilham de
uma posição comum na ordem econômica. Para Marx, essa posição se baseava nas relações
do homem com os meios de produção. Não somente a posse de bens é, via de regra, fonte de
renda e, portanto, das coisas que o dinheiro pode comprar, mas também traz consigo o poder
ou controle sobre os recursos econômicos e, portanto, em extensão considerável, sobre outras
pessoas.
A grosseira separação entre proprietários e não proprietários, entretanto, simplifica
demasiada e evidentemente as complexas divisões econômicas encontradas na sociedade
industrial moderna. Distinções entre ofícios, entre proprietários qualificados, semi-
qualificados e não qualificados, balconistas, vendedores, empresários independentes,
funcionários, administradores e profissionais liberais, hoje parecem constituir-se em critérios
mais significativos de classe do que a simples posse da propriedade ou ausência dela, isso em
sociedades industriais de todos os lugares. As oportunidades da vida, isto é, a oportunidade de
lograr as coisas apreçadas por uma sociedade – renda, bens, poder, prestígio – são
significativamente afetados pelas maneiras com que os homens ganham a vida, embora na
sociedade capitalista, a riqueza e a ocupação ainda estejam intimamente relacionadas entre si.

• Mudança Social:

É toda alteração observável com o tempo que afeta de maneira não provisória o
funcionamento e a estrutura da organização social de uma sociedade.
Segundo “São alterações dos padrões de comportamentos, relações, instituições e estrutura
social através do tempo.” (Farley, 1990:626).
O ritmo da mudança social vem se acelerando no último século. A mudança pode ser
cumulativa, mas a história das sociedades humanas revela repentinas inversões. Esse foi,
particularmente, o caso na era agrária.
A mudança não tem um agente único responsável, existe sempre múltiplas causas,
pode ser originar de causas culturais como inovações tecnológicas, novas crenças ou
expectativas. Tais mudanças culturais estão ligadas às mudanças nas estruturas sociais, que
revelam diversas fontes importantes de mudança, incluindo: a desigualdade e o conflito sobre
os recursos; grupos que buscam superar desvantagens; e instituições que revelam processos
que geram suas próprias transformações.
Os Processos demográficos são também um impulso para a mudança, especialmente
transformações no tamanho de uma população, nos padrões de movimento populacional e em
sua estrutura etária.
Exemplos de Mudanças sociais: Queda do feudalismo e implantação do capitalismo.

• Desigualdade Social
É a distribuição diferenciada, numa escala de mais para menos, das riquezas materiais
e simbólicas produzidas por determinada sociedade entre seus integrantes. Afeta
principalmente países menos desenvolvidos como o Brasil, que é marcado por altos níveis de
desigualdade, com respeito a bem-estar material e prestígio. A mobilidade social é freqüente,
mas a maioria das pessoas não consegue grande mobilidade durante a vida. A grande
desigualdade gera o descontentamento dos cidadãos, relativamente à ordem social sendo
causa de movimentos sociais, protestos e revoluções, desejando a mudança social.
Bibliografia

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.SZTOMPKA, Piotr. A sociologia da mudança social. 2°. Edição- Editora: Civilização
Brasileira.
Universidade Federal de Pernambuco

Socioantropologia

Conceitos e Biografias

Alunos: Juliana Dias, Mariana de Oliveira


Natalia Freire, Robélia Cristinny,
Tercio Andrade

Recife, Setembro de 2009