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Conceito e características JURISDIÇÃO CARREIRA JURÍDICA Processo Civil Maurício Cunha • Como ensina Ovídio

Conceito e características

JURISDIÇÃO

CARREIRA JURÍDICA Processo Civil Maurício Cunha

Como ensina Ovídio Baptista, a ideia de direito, no Estado Moderno, suscita, desde logo, a ideia de jurisdição. O jurista contemporâneo tende a equiparar o direito à norma jurídica editada pelo Estado, cuja inobservância dá lugar a uma sanção.

Jurisdição é

(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

(f) e com aptidão para tornar-se indiscutível (ânimo de definitividade) O conceito em questão está de acordo com as transformações porque passou o Estado nos últimos tempos (criação de agências reguladoras e executivas; valorização e reconhecimento da força normativa da CF a exigir do PJ postura mais ativa e criativa para a solução dos problemas; desenvolvimento da teoria dos direitos fundamentais e aplicação direta das normas; alteração da

função atribuída a terceiro imparcial (substitutividade)

atribuída a terceiro imparcial ( substitutividade ) de realizar o Direito de modo imperativo ( imperatividade

de realizar o Direito de modo imperativo (imperatividade)

reconhecendo/efetivando/protegendo situações jurídicas

concretamente deduzidas

em decisão insuscetível de controle externo

técnica legislativa com a utilização da técnica das cláusulas gerais, deixando o sistema normativo mais aberto; evolução do controle de constitucionalidade difuso que produziu a possibilidade de enunciado vinculante da súmula do STF).

(a)

desinteressado – filho é terceiro em um conflito do pai contra outra pessoa, mas não é desinteressado) substitui (ideia de Chiovenda) a vontade das partes pela vontade da lei e determina a solução do problema apresentado. Para Carnelutti, porém, jurisdição consiste na justa composição da lide (conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida), mediante sentença de natureza declarativa, por meio da qual o juiz dicit ius, daí porque, para ele, não haveria jurisdição no processo executivo. Fredie Didier Jr somente não adota a ideia de Chiovenda de que a jurisdição é atividade meramente declaratória, mas, sim, criativa. Juiz não deve ter interesse no litígio, mas tratar as partes com igualdade (equidistante, na posição de

técnica de solução de conflitos por heterocomposição, ou seja, um terceiro imparcial (e

Ada Pellegrini Grinover), garantindo o contraditório em paridade de armas (isso é imparcialidade, daí porque se mostra importante também estudar as garantias e vedações constitucionais dos magistrados previstas no 95). ATENÇÃO!

(b)

manifestação de um poder que se impõe de forma imperativa (imperatividade), mas o Estado

pode autorizar o exercício da função jurisdicional por agentes privados (arbitragem). Há estudo específico sobre a arbitragem nos tópicos seguintes. ATENÇÃO!

(c)

efetivação (execução) ou pela sua proteção (tutela de segurança, cautelar ou inibitória).

(d)

a atuação jurisdicional se dá sempre sobre uma situação concreta (não se pode restringir a

a tutela dos direitos dá-se ou pelo seu reconhecimento judicial (conhecimento), ou pela sua

jurisdição a um tipo de situação concreta, como a lide, pois a situação pode ser de ameaça de lesão a direitos, por exemplo), um determinado problema que é levado ao seu conhecimento. A atuação é sempre tópica.

(e) aplica-se o direito a uma situação concreta, sem que se possa submeter essa decisão ao controle

de nenhum outro poder. A jurisdição somente é controlada pela própria jurisdição.

(f) somente uma decisão judicial pode tornar-se indiscutível e imutável pela coisa julgada material

(consequência de um princípio maior que é o da segurança jurídica, evitando-se a eternização dos litígios). Só os atos jurisdicionais podem adquirir essa definitividade, que recebe o nome de coisa julgada (XXXVI, 5°, CF). ATENÇÃO!

Em suma, jurisdição é função estatal para prevenir e compor conflitos, aplicando o direito ao caso concreto, em última instância, resguardando a ordem jurídica e a paz social, sendo exercida em todo o território nacional (1°, CPC).

a ordem jurídica e a paz social, sendo exercida em todo o território nacional (1°, CPC)

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CARREIRA JURÍDICA Processo Civil Maurício Cunha • Para o exercício da função jurisdicional é que

CARREIRA JURÍDICA Processo Civil Maurício Cunha

Para o exercício da função jurisdicional é que o Estado Democrático de Direito se utiliza do processo, verdadeiro método que deve garantir o atingimento de seus devidos fins pelos devidos meios. Jurisdição, portanto, somente pode ser compreendida a partir do instrumento de sua manifestação, que é o processo.

AÇÃO > JURISDIÇÃO > PROCESSO (não esquecer da RESPOSTA).

Não esquecer, também, que há doutrina (Cândido Rangel Dinamarco) que prefere analisar a jurisdição sob 3 aspectos distintos: poder, função e atividade. O poder jurisdicional é o que permite o

meio da atividade

exercício da função jurisdicional que se materializa jurisdicional.

Como poder, a jurisdição representa o poder estatal de interferir na esfera jurídica dos jurisdicionados, aplicando o direito objetivo ao caso concreto. Não mais se compreende que o poder jurisdicional não

se

Como função, a jurisdição é o encargo atribuído pela CF, em regra ao Poder Judiciário (função típica),

no caso concreto por

Poder Judiciário (função típica) , no caso concreto por limita a “dizer” o direito, mas também

limita a “dizer” o direito, mas também de “impor” o direito.

excepcionalmente, a outros Poderes (função atípica) de exercer concretamente o poder jurisdicional.

A

impeachment do Presidente da República, realizados pelo Poder Legislativo (49, IX e 52, I, CF), ou nas sindicâncias e processos administrativos conduzidos pelo Poder Executivo (41, § 1º, II, CF), ainda que nestes casos não haja definitividade. Também o Poder Judiciário exerce de forma atípica função administrativa (p.e., organização de concursos públicos) e legislativa (elaboração de Regimentos Internos dos tribunais). Como atividade, a jurisdição é o complexo de atos praticados, no processo, pelo agente estatal investido de jurisdição.

função jurisdicional não é privativa do Poder Judiciário, como se constata nos processos de

e

Equivalentes jurisdicionais

São formas não-jurisdicionais de solução de conflitos, daí porque chamadas de equivalentes (formas alternativas de solução dos conflitos). Não são definitivas, pois podem ser submetidas ao controle jurisdicional.

Autotutela – forma mais antiga de solução dos conflitos, constituindo-se, fundamentalmente, pelo sacrifício integral do interesse de uma das partes envolvida no conflito em razão do exercício da força pela parte vencedora. São exemplos: legítima defesa (188, I, CC), desforço imediato (1210, § 1º, CC), direito de greve, direito de retenção, estado de necessidade, guerra etc. Trata-se de solução vedada, como regra, nos ordenamentos jurídicos civilizados, podendo ser amplamente revista pelo Poder Judiciário.

Autocomposição – consentimento espontâneo de um dos contendores em sacrificar o interesse próprio, no todo ou em parte, em favor do interesse alheio. É gênero do qual são espécies a transação (concessões mútuas) e a submissão (renúncia ou reconhecimento da procedência do pedido). Aqui há uma certa hibridez: substancialmente, o conflito foi resolvido por autocomposição, mas, formalmente, em razão da sentença judicial homologatória, há o exercício de jurisdição.

Mediação – um terceiro (profissional devidamente preparado) se coloca entre os contendores e tenta conduzi-los (não propõe soluções do conflito) à descoberta das causas de forma a possibilitar sua remoção e assim chegarem à solução do conflito.

Julgamento de conflitos por tribunais administrativos – Tribunal Marítimo, Tribunal de Contas, Agências Reguladoras, CADE.

por tribunais administrativos – Tribunal Marítimo, Tribunal de Contas, Agências Reguladoras, CADE. www.cers.com.br 2

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CARREIRA JURÍDICA Processo Civil Maurício Cunha Arbitragem • Técnica de solução de conflitos mediante a

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Arbitragem

Técnica de solução de conflitos mediante a qual os conflitantes buscam em uma terceira pessoa, de sua confiança, a solução amigável e imparcial do litígio. É heterocomposição, não é compulsória e constitui-se em opção conferida a pessoas capazes para solucionar problemas relacionados a direitos disponíveis.

Para a maioria doutrinária, é equivalente jurisdicional (Humberto Theodoro Jr, Vicente Greco Filho, Luiz Guilherme Marinoni, Cassio Scarpinella Bueno). Há, porém, quem entenda que não se trata de equivalente jurisdicional, sendo jurisdição propriamente dita, exercida por particulares, com autorização do Estado (Fredie Didier Jr). Há confusão nesse tocante, mas com pouca importância prática, já tendo, o STJ, tratado a arbitragem ora como equivalente jurisdicional e ora como espécie de jurisdição privada (MS 11.308/DF, rel. Min. Luiz Fux, j. 9.4.2008).

(MS 11.308/DF, rel. Min. Luiz Fux, j. 9.4.2008) . • • • Regulamentação pela Lei Federal

Regulamentação pela Lei Federal 9.307/96, não afrontando o princípio da inafastabilidade da jurisdição (5º, XXXV, CF).

A

arbitral.

A

futuras por meio da arbitragem. Já o compromisso arbitral (9º) é o ato, formal e escrito, que, efetivamente, dá início ao processo de arbitragem (regras deverão constar expressamente neste sentido). A convenção de arbitragem não é pressuposto processual de por ser matéria de direito dispositivo que,

convenção de arbitragem (3º) compreende tanto a cláusula compromissória como o compromisso

cláusula compromissória (4º) é aquela que designa a intenção das partes de resolver disputas

para ser examinada, não dispensa a iniciativa do réu. Caso o réu não a alegue, o processo prossegue

e

competente para julgar a lide e, por inexistir qualquer invalidade, o processo não será extinto.

é julgado perante a jurisdição estatal. A ausência de alegação do réu torna a justiça estatal

Características: escolha da norma de direito material a ser aplicada; árbitro; desnecessidade de homologação judicial da sentença arbitral; sentença arbitral é título executivo judicial (475-N, IV, CPC); possibilidade de reconhecimento e execução de sentenças arbitrais produzidas no exterior. ATENÇÃO!

A decisão arbitral faz coisa julgada material, podendo ser invalidada (vícios formais) pela via judicial no prazo de 90 dias após o recebimento da intimação da sentença arbitral (§ 1º, 33). ATENÇÃO!

O

trabalhos da comissão de juristas que visa elaborar o anteprojeto da nova Lei de Arbitragem e Mediação. IMPORTANTE!

ministro do STJ e corregedor-geral da Justiça Federal, João Otávio de Noronha vai presidir os

A 2ª Seção do STJ entendeu que é de competência do tribunal de arbitragem, e não do Judiciário, analisar pedidos de indicação de bens para garantir execuções de dívidas, antes mesmo da instauração de procedimento arbitral. Foi a primeira vez que a Corte analisou a questão, mas o placar apertado do julgamento - cinco votos a quatro - indica, segundo advogados, que a discussão ainda está longe de terminar. O Ministério Público Federal (MPF) já informou que questionará a decisão no Supremo Tribunal Federal (STF).

Antes de adotar esse entendimento, os ministros tiveram que enfrentar uma questão preliminar. Eles discutiram se a Corte poderia analisar conflitos de competência entre os tribunais arbitrais e o Judiciário. Em setembro de 2010, a mesma 2ª Seção havia se negado a resolver um conflito entre duas câmaras de arbitragem. "Admitir o conflito permitirá um fogo de encontro do que as partes previamente acordaram. Quando se elege o foro, as partes assumem o risco", afirmou, na época, o ministro Sidnei Beneti. Desta vez, os ministros decidiram de forma diferente e basearam a decisão no 105, CF. Segundo o dispositivo, o STJ deve julgar os conflitos de competência entre os tribunais, "bem como entre tribunais e juízes a ele vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos". Para a relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, quando o contrato entre as partes prevê a arbitragem para a resolução de conflitos, o tribunal arbitral será responsável por analisar medidas cautelares. "O árbitro possui jurisdição, pois é juiz de fato e de direito", disse a ministra. "Receio a dissipação e esvaziamento da Lei de Arbitragem", completou a ministra, temendo que o resultado fosse diferente. Os ministros João Otávio de Noronha, Ricardo Villas Bôas Cueva, Maria Isabel Gallotti e Marco Aurélio Buzzi discordaram da relatora.

Ricardo Villas Bôas Cueva, Maria Isabel Gallotti e Marco Aurélio Buzzi discordaram da relatora. • www.cers.com.br

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CARREIRA JURÍDICA Processo Civil Maurício Cunha • A 3ª Turma do STJ, REsp 1277725/AM, 3ª

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A 3ª Turma do STJ, REsp 1277725/AM, 3ª Turma, j. 12.3.2013, estabeleceu que ainda que conste de contrato inadimplido a previsão de resolução de conflitos por meio da arbitragem, é possível ao credor ajuizar pedido de falência do devedor ou mesmo execução sem a prévia realização de juízo arbitral.

No caso examinado pela corte, o contrato que deu origem à demanda continha cláusula pela qual os contratantes concordaram em submeter suas controvérsias a um juízo arbitral. Todavia, o STJ decidiu que essa cláusula não impede que a questão seja analisada diretamente pelo Poder Judiciário nos casos em que pretensão de uma das partes está amparada em título de natureza executiva.

A relatora, Min. Nancy Andrighi, afirmou que “considerando que o juízo arbitral não detém competência para a execução, o direito que assiste ao credor somente pode ser exercitado mediante provocação da jurisdição estatal”.

mediante provocação da jurisdição estatal” . • A decisão do STJ confirmou entendimento do tribunal de

A decisão do STJ confirmou entendimento do tribunal de 2ª instância (TJAM), para o qual mesmo que as partes tenham escolhido o juízo arbitral para a solução de seus conflitos contratuais, a falência não pode ser decretada extrajudicialmente, razão pela qual a demanda atrai a competência do Poder Judiciário.

No voto condutor do acórdão proferido pelo STJ foi destacado que embora a pactuação de cláusula compromissória possua força vinculante, obrigando as partes da relação contratual a utilizar a arbitragem para a resolução de eventuais conflitos, “a existência de um título executivo inadimplido – líquido, certo e exigível – dá ensejo à execução forçada ou ao pedido de falência, que ostenta natureza de execução coletiva”.

Em conclusão, asseverou o acórdão do STJ que a celebração da convenção de arbitragem não é causa impeditiva da deflagração do processo de falência perante o Judiciário, eis que “a executividade de um título de crédito não é afetada pela convenção de arbitragem”.

Princípios ATENÇÃO!

Investidura: exercício somente por aquele que tenha sido regularmente investido na autoridade de juiz mediante concurso público (I, 93, CF) e indicação pelo Poder Executivo, por meio do quinto constitucional (94, CF). É considerado pressuposto processual de existência.

Territorialidade (aderência ao território): todo juiz terá jurisdição em todo o território nacional. Entretanto, por uma questão de funcionalidade, considerando-se o elevado número de juízes e a extensão do território nacional, normas jurídicas limitam o exercício legítimo da jurisdição a um determinado território. As regras de competência territorial definirão um determinado território, e pelo princípio da aderência ao território, a atuação jurisdicional somente será legítima dentro desses limites territoriais. É com base neste princípio que surge a necessidade de as autoridades judiciárias cooperarem entre si, cada uma ajudando a outra no exercício da atividade jurisdicional em seu território (surgem as cartas precatória e rogatória). Mitigação em 2 oportunidades: 107, CPC (imóvel localizado em mais de uma comarca) e 230, CPC (atos de simples comunicação processual – citação e intimação – em comarcas contíguas ou da mesma região metropolitana, independentemente de carta precatória). Importante: o lugar onde a decisão tem de ser proferida não se confunde com o lugar em que ela deve produzir efeitos (decisão brasileira produzir efeitos no Japão, divórcio feito numa determinada comarca e mudança do ex-casal para outras comarcas etc.).

Indelegabilidade: o exercício da função jurisdicional não pode ser delegado e somente podem atuar jurisdicionalmente aqueles que a CF cria e autoriza. Importante: a vedação se aplica integralmente no caso de poder decisório, mas não em relação a outros poderes judiciais, como o instrutório, o diretivo do processo e de execução das decisões. A carta de ordem, expedida pelos tribunais no sentido de delegar, ao juízo de primeiro grau, a produção de provas orais e periciais, é um exemplo, justificando-se por faltar estrutura aos tribunais para a prática de tais atos.

é um exemplo, justificando-se por faltar estrutura aos tribunais para a prática de tais atos. www.cers.com.br

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CARREIRA JURÍDICA Processo Civil Maurício Cunha Nas cartas precatórias não há delegação, pois não há

CARREIRA JURÍDICA Processo Civil Maurício Cunha

Nas cartas precatórias não há delegação, pois não há delegação de competência, apenas um pedido de cooperação. O juiz deprecante não pode praticar o ato deprecado, daí porque não poderia delegá-lo (Fredie Didier Jr e Daniel Assumpção).

A CF, no XI, 93, autoriza a delegação da competência do Tribunal Pleno (todos os membros do

tribunal) para o órgão especial deste mesmo tribunal (mínimo de 11 e máximo de 25).

A CF, no XIV, 93, ainda, autoriza a delegação, a serventuário da justiça, do poder de praticar atos

de administração (não autoriza a delegação de poder de polícia, como a presidência de uma audiência de instrução) e de mero expediente sem caráter decisório. O CPC, no p. 4º, 162, autoriza

a prática, de ofício, dos chamados atos meramente ordinatórios (juntada e vista obrigatória) que

podem ser revistos pelo juiz quando necessários.

que podem ser revistos pelo juiz quando necessários. devido processo legal). • Inevitabilidade: as partes

devido processo legal).

Inevitabilidade: as partes hão de submeter ao quanto decidido pelo órgão jurisdicional. Situação das partes é de sujeição perante o Estado-juiz, independentemente de sua vontade, o que também reforça a ideia de imperatividade. “Vinculação obrigatória” e “estado de sujeição” dos sujeitos processuais. Há uma única exceção: 67, CPC (nomeação à autoria).

Inafastabilidade: previsão legal no XXXV, 5°, CF, constituindo-se na consagração, em sede constitucional, do direito fundamental de ação, de acesso ao Poder Judiciário. Conquista que surgiu a partir do momento em que, proibida a autotutela privada, assumiu o Estado o monopólio da jurisdição. Ação (criou-se o direito, abstrato) e jurisdição (dever do Estado) são institutos que nasceram um para o outro, segundo Fredie Didier Jr. Não há, portanto, matéria que possa ser excluída da apreciação pelo Poder Judiciário, ressalvadas raríssimas exceções, como a do processamento e julgamento de certas autoridades em certas hipóteses (I e II, 52, CF).

A

urgência e a tutela contra o perigo.

A

desportivas (p. 1°, 217, CF). Conforme entendimento pacificado no STJ, o habeas data só é cabível se houver recusa de informações por parte da autoridade administrativa (Súmula 2, STJ). Aqui, a exigência de recusa é

única imposição constitucional de esgotamento das vias extrajudiciais é em relação às questões

ameaça a que faz referência o dispositivo constitucional consagra a tutela preventiva, a tutela de

indispensável para o surgimento da lide, sem o que na há interesse de agir, não representando espécie de abrandamento do princípio.

A

nossa jurisdição é una (não há jurisdição administrativa, como ocorre em países como Itália,

Portugal, Espanha, França e Argentina), imposição que advém da CF de 1891. Importante: leis que limitam ou proíbem a concessão de medidas de urgência, notadamente, em

face do Poder Público (4.348/64, 5.021/66, 8.437/92 e 9.494/97) foram consideradas pelo STF, neste aspecto restritivo, constitucionais (ADIN 223-DF). Nada impede, porém, que o Juiz, se o caso, aprecie a constitucionalidade/razoabilidade da restrição.

É

preciso garantir a efetiva concretização do direito de ação e do juiz natural através de uma tutela

jurisdicional rápida, efetiva e adequada. Significa dizer, então, que a adequação compreende a garantia do procedimento, a espécie de cognição, a natureza do provimento e os meios executórios adequados às peculiaridades da situação de direito material (é daí que se extrai a garantia do

Juiz natural: garantia decorrente da cláusula do devido processo legal, sem previsão expressa,

mas que resulta da conjugação de dois dispositivos constitucionais, quais sejam, o que proíbe juízo ou tribunal de exceção (XXXVII, 5º) e o que determina que ninguém será processado senão pela autoridade competente (LIII, 5°). Juiz natural é o juiz competente de acordo com as regras gerais e abstratas previamente estabelecidas (aspecto formal), bem como aquele que seja imparcial e independente (aspecto substancial). As regras de distribuição dos feitos servem exatamente para fazer valer a garantia do juiz natural (impossibilidade de escolha pelo juiz), sendo que o desrespeito às regras de distribuição por dependência implica incompetência absoluta.

O legislador tenta evitar a escolha do juiz pelo autor com a previsão do 253, II, CPC, ao criar uma

regra de competência absoluta do juízo que extingue o processo sem resolução do mérito (267, CPC) quando essa demanda é novamente proposta.

extingue o processo sem resolução do mérito (267, CPC) quando essa demanda é novamente proposta. www.cers.com.br

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• Promotor natural: indicado por CARREIRA JURÍDICA Processo Civil Maurício Cunha parcela da doutrina consistindo

Promotor

natural:

indicado por

CARREIRA JURÍDICA Processo Civil Maurício Cunha

parcela da doutrina consistindo no impedimento de que o

Procurador-Geral de Justiça faça designações discricionárias de promotores ad hoc, o que elimina a figura do acusador público de encomenda, que poderia, em tese, tanto ser indicado para perseguir o acusado como para assegurar a impunidade de alguém. Há decisões dos tribunais superiores que delimitam de forma interessante a abrangência do referido princípio. A indicação de “promotor assistente”, para atuar em conjunto com o promotor da causa, não ofende o princípio em questão (Informativo 390, STJ, 6ª Turma, HC 40.394/MG, rel. Min. Og Fernandes, j. 14.4.2009), o mesmo ocorrendo com as “equipes especializadas de promotores de justiça” ou “formação de forças-tarefas” para determinada área de atividade (STF, 2ª Turma, HC 96700/PE, rel. Min. Eros Grau, j. 17.3.2009).

2ª Turma, HC 96700/PE, rel. Min. Eros Grau, j. 17.3.2009) . Espécies de jurisdição • A

Espécies de jurisdição

A jurisdição é una e indivisível, razão pela qual a única forma de conceber a “divisão” da jurisdição em diferentes espécies é adotando-se determinados critérios com a finalidade meramente acadêmica.

Jurisdição penal ou civil: critério que leva em conta a natureza do objeto da demanda judicial. Sendo matéria penal, naturalmente haverá jurisdição penal, e, de forma subsidiária, não sendo o direito material discutido na demanda de natureza penal, a jurisdição será civil. A jurisdição civil é bastante ampla, pois abrange, ao menos em tese, todas as matérias que não sejam penais. Crítica da doutrina pelo fato de não se falar, também, em jurisdição trabalhista, eleitoral, penal militar.

Jurisdição superior ou inferior: a inferior é exercida pelo órgão jurisdicional que enfrenta o processo desde o início, ou seja, aquele que tem competência originária para a demanda, enquanto a jurisdição superior é exercida em hipótese de atuação recursal dos tribunais. Os tribunais podem tanto exercer jurisdição superior como inferior.

Jurisdição comum e especial: esta última é exercida pelas chamadas “justiças especiais”, que tem fixação constitucional de sua competência em virtude da matéria que será objeto da demanda judicial. A CF reconhece a Justiça do Trabalho (111/116), a Justiça Eleitoral (118/121) e a Justiça Militar (122/125). Já a jurisdição comum é residual, ou seja, tudo que não for de competência dessas justiças especiais, englobando a Justiça Estadual e a Justiça Federal.

Jurisdição Voluntária (1.103/1.210, CPC)

Tema doutrinariamente polêmico, já tendo sido dito, inclusive, que não se trataria nem de jurisdição, tampouco de voluntariedade. Não tem relação com a chamada jurisdição administrativa de países como Itália, Portugal, Espanha, França e Argentina.

As características gerais, porém, são aceitas, pela doutrina, em sua maioria: ATENÇÃO! a) atividade estatal de integração (da vontade do interessado) e fiscalização, pois os efeitos jurídicos almejados somente poderão ser obtidos após a atuação do Estado-juiz, que o faz quando, de plano, fiscaliza os requisitos legais (é por isso que se diz que não haveria voluntariedade alguma, mas, sim, obrigatoriedade). A obrigatoriedade é decorrência exclusiva da previsão legal, significando uma opção do legislador de condicionar o efeito jurídico de determinadas relações jurídicas, em razão de seu objeto e/ou de seus sujeitos, à intervenção do juiz, provavelmente em razão do status de imparcialidade retidão de conduta e compromisso coma justiça que supostamente todos os juízes deveriam ter; b) aplicam-se as garantias fundamentais do processo e as garantias da magistratura (quanto aos poderes processuais, a doutrina aponta a característica da inquisitoriedade – o juiz pode tomar decisões contra a vontade dos interessados e ter a iniciativa do procedimento, como no 1.129, 1.142, 1.160 e 1.171, CPC – e a característica da possibilidade de decisão fundada em equidade – não observar a legalidade estrita e usar de discricionariedade, decidindo de acordo com os critérios de conveniência e oportunidade, como afirma o 1.109, CPC, ainda que contrariamente à lei, situação que, para a época, era bem interessante, mas que, hoje, somente diz o que já se sabe) ;

situação que, para a época, era bem interessante, mas que, hoje, somente diz o que já

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CARREIRA JURÍDICA Processo Civil Maurício Cunha c) procedimentalmente falando, há regras comuns (1.103/1.112, CPC) e

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c) procedimentalmente falando, há regras comuns (1.103/1.112, CPC) e especiais (1.113 e

seguintes, CPC);

d) em todos os procedimentos de jurisdição voluntária, por força do 1.105, CPC, o MP deve ser

intimado pessoalmente (p. 2º, 236, CPC). Verificar que o legislador usa a expressão citação de forma errônea. O STJ tem entendido que a intervenção do MP não deve se dar nos procedimentos de

alienação, locação e administração da coisa comum e alienação de quinhão em coisa comum, mas, tão-somente, nas questões que envolvam os direitos indisponíveis, comprovando, concretamente, uma das causas do 82, CPC.

Classificação dos procedimentos de jurisdição voluntária (Leonardo Greco):

a) Receptícios (registrar, documentar ou comunicar manifestação de vontade), como as notificações, interpelações e protestos;

b) Probatórios (produção de prova é o limite), como a justificação. A produção antecipada de prova é discutível se voluntária ou contenciosa;

c) Declaratórios (limita-se a declarar a existência ou inexistência de uma situação jurídica), como na extinção de usufruto, da posse em nome do nascituro e na confirmação do testamento particular;

d) Constitutivos (a criação, a modificação ou extinção de uma situação jurídica dependem da concorrência da vontade do juiz, por meio de autorizações, homologações, aprovações etc.), como

interdição, a emancipação, o arrendamento ou oneração de bens de incapazes, a locação de

e) Executórios (Estado-juiz exerce atividade prática que modifica o mundo exterior), como a alienação de coisas, a administração de coisa comum, a arrecadação de herança jacente etc.;

f) Tutelares (envolve a proteção de determinadas pessoas que se encontram em situação de desamparo), como a nomeação ou remoção de tutores/curadores, a exibição de testamento.

remoção de tutores/curadores, a exibição de testamento. a coisa comum, o alvará para a venda de

a

coisa comum, o alvará para a venda de bens de incapazes;

A jurisdição voluntária como administração pública de interesses privados é a primeira corrente e ideia que prevalece na doutrina brasileira, conforme concepção de José Frederico Marques. A crítica de Fredie Didier Jr é no sentido de que tal construção doutrinária seria tautológica, pois partem das seguintes premissas: ATENÇÃO!

a)

b)

c)

d)

e)

a

convergentes;

jurisdição voluntária não é jurisdição, porque não há lide a ser resolvida, as vontades são

não há substitutividade, pois o magistrado se insere entre os participantes do negócio jurídico, não os substituindo, integrando o acordo de vontade entre as partes para que possa gerar seus regulares efeitos jurídicos;

se não há lide, não há partes, somente interessados;

porque não há jurisdição, não seria correto falar de ação nem de processo, somente haveria requerimento e procedimento;

não há coisa julgada material, porque não há jurisdição, mas mera preclusão (1.111, CPC).

não se pode dizer que não há lide, bastando, para tanto, os exemplos da interdição e da retificação

de registro. A lide não precisa vir afirmada em petição inicial. Os casos de jurisdição voluntária são potencialmente conflituosos e é por isso que são submetidos à apreciação do Poder Judiciário e que se impõe a citação dos possíveis interessados;

a única definição possível de jurisdição se baseia em seu aspecto subjetivo : jurisdição é atividade

exercida por juízes. A jurisdição voluntária é, assim, inevitável;

processo é categoria que pertence à teoria geral do direito e é por isso que se fala em processo legislativos, administrativo, negocial e jurisdicional. Não se pode negar, portanto, a existência de

um processo na jurisdição voluntária (que se exerce por meio das formas processuais conhecidas, como a petição inicial, sentença, apelação etc.), ainda que um processo administrativo. É, também, procedimento em contraditório;

o juiz atua para atender interesse privado, como terceiro imparcial. A administração, por sua vez, age no seu próprio interesse, no interesse do Estado, da coletividade como um todo;

A jurisdição voluntária como atividade jurisdicional é a segunda corrente, minoritária por acaso, mas que vem ganhando adeptos, como Calmon de Passos, Ovídio Baptista e Leonardo Greco. São suas premissas:

a)

b)

c)

d)

como Calmon de Passos , Ovídio Baptista e Leonardo Greco . São suas premissas: a) b)

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CARREIRA JURÍDICA Processo Civil Maurício Cunha e) f) g) h) se há processo e jurisdição,

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e)

f)

g)

h)

se há processo e jurisdição, então há ação;

há partes, com todos os direitos e deveres dela decorrentes. Dizer que porque não há litígio não há partes é desconhecer comezinha distinção dogmática. Parte em sentido substancial é a parte do litígio, enquanto que parte no sentido processual é o sujeito da relação jurídica processual;

a redação do 1.111, CPC, ratifica a existência de coisa julgada quando afirma que tais decisões

somente poderão ser modificadas por fato superveniente. Exemplo é o pedido de alteração de nome que pode, inicialmente, ser negado, mas, posteriormente, ser apresentado com base em fatos supervenientes. Assim, se há indiscutibilidade, para dentro e para fora do processo, há coisa julgada;

outro argumento de que a decisão proferida em jurisdição voluntária se submete à coisa julgada material advém, por exemplo, da possibilidade de homologação de divórcio ou arrolamento consensuais em sede extrajudicial, desde que não haja interesse de incapazes (11.441/2007), pois

o

CNJ entendeu que a via extrajudicial é opcional (Resolução 35/2007). Assim, a homologação

é opcional (Resolução 35/2007 ). Assim, a homologação judicial confere às partes a indiscutibilidade da decisão,

judicial confere às partes a indiscutibilidade da decisão, a coisa julgada, algo além do que oferece o extrajudicial.

às partes a indiscutibilidade da decisão, a coisa julgada, algo além do que oferece o extrajudicial.

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