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CHAMELEON

R EDENÇÃO

João Abrantes

CHAMELEON

João Abrantes

Sumário

 

Prefácio

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Introdução

8

O

retorno a Sampa

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Outro dia, outro deboche

19

A

alforria

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30 horas, 3 FC

26

Uma fantasia bizarra

32

Aniversário e bolo

37

A

mais criativa farsa

42

Estrondando em Brasília

47

Um show de vizinha

58

O

último ato sombrio

64

Um one-night stand impecável

69

Quem semeia ventos

79

Mihael e Marizinha

84

Um VIP e tanto

93

A super-conferência

104

A terceira festa-a-fantasia

107

Eis que surge ela

113

Pat

117

3

CHAMELEON

Crise

125

Improvisar

129

Adaptar

136

Superar

141

Conselhos finais

143

Agradecimentos

155

Glossário de termos de pickup

158

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João Abrantes

Prefácio

Parece que foi ontem. Tinha acabado de me conectar ao Facebook quando me deparei com o Chameleon e a sua dúvida cruel: seria melhor disponibilizar o e-book do primeiro volume de seu livro de graça, ou ele devia apenas vender a versão física, sem distribuir a obra gratuitamente em formato digital?

Sem hesitar, eu o estimulei a liberar o PDF. Argumentei que, ao compartilhar o livro na rede, todos se beneficiariam daquela obra magnífica e ele seria reconhecido nacionalmente. Fui além e afirmei que ele se tornaria uma fonte de inspiração para as multidões, uma prova viva de que sonhos se realizam. Pintei um quadro onde ele passaria a ser tratado como um popstar, tendo que rodar o Brasil e, por que não, o mundo, ministrando workshops para aqueles que quisessem atingir o mesmo nível de maestria social que ele atingiu. Pois bem, da mesma forma que ocorre com os melhores profetas, todas as minhas profecias se concretizaram. O Chameleon, a partir do lançamento do seu primeiro livro, tornou-se uma lenda!

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Ele fez história e, pelo que conheço, vai continuar fazendo por muito tempo. Nos dois primeiros volumes acompanhamos aventuras inesquecíveis e agora, no terceiro, pode esperar grandes emoções! Você testemunhará o auge de um estilo de vida épico, forjado à luz de muita improvisação, adaptação e superação. A narrativa está eletrizante e, se algum dia você ousou duvidar de que pode ser melhor do que é atualmente, as suas dúvidas se dissiparão a cada página. Adianto que essa obra servirá como um farol, um raio de luz que ilumina o caminho seguro para atravessar o mar da mediocridade em direção ao porto seguro da grandeza. Ao final da leitura, você terá a certeza de que se o Chameleon pode, você também pode!

Ainda assim, alguns irão subestimá-lo. Talvez por ignorância, talvez por mera concorrência. Não importa. O que importa é que, se não subestimar o Chameleon e passar a aplicar tudo que aprender com ele, você também passará a fazer história, pois o que irá testemunhar lhe dará um ânimo inabalável para buscar o êxito na sua própria jornada pessoal e, consequentemente, evoluir cada vez mais em todos os níveis do relacionamento humano.

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João Abrantes

Está pronto para embarcar nessa aventura?

Basta virar a página!

Joaquim Lorenzoni (JC#1)

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Introdução

Quando publiquei o arquivo digital do primeiro volume desta história, em 5 de agosto de 2011 no fórum PUABASE, jamais imaginei que o mesmo teria uma repercussão tão grande na comunidade da sedução brasileira. Em cerca de algumas horas, o tópico concernente ao livro começou a ser transbordado por feeds positivos.

“Uma das mais motivacionais histórias que já li!”

“Chameleon é o Style brasileiro!”

“Cara, é impossível parar de ler!”

“Um exemplo de mudança!”

“Depois que li esse livro, fui acometido por uma irresistível vontade de sair para sargear!”

E por aí ia. De uma hora para a outra, comecei a receber uma série de pedidos de amizade no Facebook, e muitos dos que procuravam o bootcamp da PUATraining o faziam porque tinham lido meu livro e queriam me conhecer. Até hoje, recebo emails e mensagens privadas (em fóruns e redes sociais) elogiando a obra, e muitas

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dessas pessoas que me contactaram disseram que a mesma mudou suas vidas.

No mesmo dia em que postei na comunidade essa versão digital, disponibilizei uma edição impressa no Clube de Autores, um site que imprime, encaderna e vende publicações independentes sob demanda. Curiosamente, já havia escrito um livro antes, do gênero fantasia (inspirado em Senhor dos Anéis e Harry Potter). Apesar do mesmo ter sido um fracasso (quase ninguém comprou), foi graças a ele que aprendi a fazer uma publicação independente - e quando repeti o processo com Chameleon, isso chamou a atenção de uma série de PUAs de renome e que desconheciam esse sistema. Pouco tempo após a publicação de meu primeiro volume, o site começou a ser invadido por uma série de livros nacionais de pickup, escritos por PUAs como Zera, Magaiver e Lougan.

Chameleon não apenas foi uma das primeiras (senão a primeira) obras autobiográficas de um PUA nacional, mas também o precursor de uma nova era de publicações nacionais independentes, que muito enriqueceram a comunidade.

Desde seu primeiro lançamento, o primeiro volume

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de Chameleon sofreu duas revisões (com significativas ampliações).

Em 2 de junho de 2013, foi lançado o segundo volume, Uma jornada pelas sombras. Até então, minha reputação perante a comunidade era a de um “herói”, e mesmo ciente de que essa nova obra poderia comprometer minha imagem perante aqueles que já tinham lido o primeiro volume, segui firme em meu propósito e o publiquei. A mensagem que eu queria transmitir com esse segundo livro era bastante clara: às vezes, é necessário conhecer a escuridão para entender a importância da luz. O que achei que seria alvo de críticas foi, na realidade, um novo sucesso e inclusive fui elogiado pela coragem que tive em expor um uma faceta completamente antagônica àquela que o publico conheceu.

O final da segunda obra deixou os leitores curiosos e na expectativa de uma continuação. Teria o Chameleon voltado a ser aquele herói do primeiro livro? Ou será que ele continuou sendo esse anti-herói do segundo?

mensagens

perguntando se haveria um novo volume. Minha resposta era sempre a mesma:

Comecei

a

receber

uma

série

de

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João Abrantes

“Calma, eu ainda preciso viver essa continuação para poder contá-la”.

E agora, mais de um ano depois, aqui estou eu para relatar não a continuação, mas a conclusão desta saga. Não, eu não estou me aposentando do pickup (até porque acabei de fundar minha escola, a Universidade Social), só estou comunicando que minha série de livros autobiográficos chegou ao fim. Acredito que com este terceiro e último volume, fui capaz de deixar o legado que eu gostaria de ter deixado para a comunidade. Por mais que a vida seja uma jornada de mudanças infindáveis e que eu esteja certo de que ainda vou encarar muitos altos e baixos, gostaria de ser lembrado pelo homem que aparece no capítulo final desta obra.

Fiquem tranquilos, pois eu não vou sumir do mapa. Que a sua vida seja iluminada e sua jornada, marcada pelo sucesso. Só não esqueça de documentá-la, pois irei fazer questão de a ler.

Improvisar, adaptar, superar.

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Recapitulando

Era uma vez um rapaz chamado João, que em virtude de sérios problemas de timidez e autoestima só tinha ficado, até os 29 anos, com um total três meninas.

A terceira menina com quem ficou (e que chegou a

ser sua esposa) ficou um total de oito anos consigo

entanto, a relação foi conturbada e terminou da pior

forma possível.

De volta à vida de solteiro e novamente frente-a- frente com o fantasma de sua timidez e seu consequente pavor em abordar o sexo feminino, João passou quase seis meses quebrando a cara até decidir dar um “basta” e procurar ajuda.

Descobriu, através da Internet, a comunidade da sedução e se deu conta de que não estava sozinho. Havia milhares de homens na mesma situação que ele - todos eles buscando estudar a dinâmica por trás do processo de sedução e, com isso, buscar certa equiparação com os sedutores naturais.

Ainda que um tanto cético, João deu uma lida por alto em um dos muitos métodos existentes e o aplicou

No

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em um grupo de duas meninas que estavam à mesa de um bar. Ao dar conta de que não apenas abordou duas meninas (quando não conseguia nem mesmo abordar uma) e que as duas haviam focado suas atenções nele, João retornou à sua casa, adotou o apelido de Chameleon (camaleão em inglês) e estudou, ostensivamente, a arte do sedução (conhecida internacionalmente como pickup ou PU) e passou a sair todos os finais de semana para aplicar em campo o que estudava na teoria.

A cada saída, postava nessa comunidade um relato

de campo para obter opiniões sobre seu desempenho e, com o tempo, começou a chamar atenção na comunidade. Não apenas angariou uma legião de amigos que muito o ajudaram, mas também virou um exemplo de persistência e superação para aqueles que se julgavam casos perdidos.

Ao final de quatro meses de comunidade, fez um bootcamp (treinamento vivencial de pickup) pela empresa PUATraining e, ao término do mesmo, foi chamado para ser um dos instrutores.

A partir daí, ficou conhecido como um Artista da

Sedução (conhecido internacionalmente como PUA ou Pick-Up Artist) e o lema, “improvisar, adaptar, superar”,

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virou sua marca registrada. Após mais algumas peripécias

e muitos novos relatos de campo, resolveu compilar tudo

que já havia feito em um livro, chamado Chameleon - não para afirmar ao mundo quantas mulheres seduziu, mas sim para dar esperança àqueles que por ventura poderiam estar passando pela mesma situação que ele antes da descoberta da comunidade.

Na mesma época em que lançou esse primeiro livro, João começou a namorar uma menina que conheceu durante o bootcamp em que foi aluno. Esse relacionamento durou pouco mais de um ano e quando o mesmo terminou, o PUA voltou à ativa disposto a recuperar o tempo perdido e repleto de sangue nos olhos. Para sua imensa surpresa, suas habilidades revelaram estar ainda mais fortes que antes – e isso deu início a um bem-vindo período de prosperidade afetiva.

Contudo, quanto mais mulheres ele seduzia, mais mulheres ele queria seduzir. Lentamente, seus escrúpulos foram sumindo e dando lugar a uma faceta sombria, fria

e sem ética alguma.

No começo, João pensou estar vivendo a melhor fase de sua vida: uma invejável abundância de mulheres, uma vida sexual extremamente ativa e 0% de apego

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emocional. Além das mulheres já seduzia no dia-a-dia, ele começou também a seduzir mulheres pela internet. Levar mulheres comprometidas para a cama, ato que antes ele tanto condenava, passou a ser uma realidade. Seu valor na comunidade da sedução nunca esteve tão alto.

Dentro de pouco tempo, sua imagem passou a ser a de um babaca e sua consciência começou a alertá-lo para a quantidade de pessoas que ele estava magoando e/ou irritando.

Reconhecendo que sua postura estava exagerada, o PUA decidiu que estava na hora de rever seus comportamentos, resgatar sua ética e melhorar como ser humano. Essa mudança, entretanto, não seria tão fácil na prática quanto parecia ser na teoria.

E é aqui que a história continua

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O retorno a Sampa

Sair das sombras estava sendo mais difícil do que imaginava. Ainda que tivesse me conscientizado dos péssimos hábitos que havia adquirido (e procurasse me disciplinar para não mais cultivá-los), volta e meia me via cometendo os mesmos erros.

O ano de 2013 chegava ao fim de sua primeira metade. O grupo de Facebook do qual fazia parte, o Acidez Feminina, foi fechado devido a um incidente envolvendo uma mulher que mencionou ter a curiosidade de dormir com um garoto de programa e um usuário que repassou essa informação ao marido dela. Com isso, as mais de seis mil pessoas que ficaram “órfãs” do grupo dividiram-se em uma série de grupos menores. E isso deu muito o que falar, conforme veremos adiante.

As religiosas saídas de sexta e sábado permaneciam e passaram a ser alternadas com viagens para São Paulo, pois um desses grupos menores oriundos do Acidez Feminina tinha, em sua maioria, membros paulistanos e a minha identificação com essas pessoas me compeliu a visitar esse estado mais vezes.

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Pouco tempo após os eventos relatados em “Arrebentando em São Paulo” (livro anterior), Diana e eu continuamos nos conversando e, como nosso entrosamento era razoável, combinamos de nos ver novamente. Fui para São Paulo (aproveitando as milhas de meu cartão) numa manhã de sábado e como Diana só estaria liberada ao fim do dia, tive de pensar em algo para fazer. Foi aí que combinei de almoçar com um rapaz chamado Marchelo, que também fazia parte desse grupo de Facebook.

A primeira vez que ouvi falar dele foi através de Circe, no dia em que a conheci. Segundo o que ela me disse, parecia que era ele quem “promovia” os encontros do grupo e como ele foi muito elogiado, pensei “ora, além de fazer um novo amigo, esta é a chance para me entrosar na panelinha”. Enviei uma solicitação de amizade a Marchelo, que prontamente a aceitou, e em pouco tempo de conversa, mostrou ser um cara muito bacana e que, para minha enorme surpresa, conhecia o pickup. Ficou imensamente surpreso quando descobriu que eu era o Chameleon, de quem ele tanto ouviu falar – e não demorou muito a me pedir ajuda. A história de Marchelo era igual a de muitos caras que treinei, ou seja, passado solitário, vítima de bullying e marionete de

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mulheres mal intencionadas. Quando eu o encontrei ao vivo, notei que ele de fato tinha uma linguagem corporal que denotava fragilidade e um tom de voz baixo e inseguro, tanto que eu frequentemente tinha de pedir para que ele repetisse o que disse, pois não conseguia distinguir suas palavras.

Passamos uma animada tarde conversando a respeito da arte e passei a ele uma série de dicas práticas. Além disso, me mantive à disposição para ajudar via Facebook e WhatsApp sempre que fosse necessário.

Despedimo-nos e logo em seguida Diana apareceu para me levar ao MASP (estava tendo uma exposição de Portinari). Ao sairmos da exposição, lanchamos e passamos a noite juntos. Na manhã do dia seguinte, ela me levou ao aeroporto. Era um doce de garota, porém muito fechada e, arrisco dizer, desconfiada (provavelmente fruto de algumas feridas da vida). Certamente, aquela não seria a última vez em que nós nos veríamos, mas estava um pouco evidente que aquilo não iria muito além de algo marcado por encontros casuais, pois havia entre os dois uma série de barreiras que inviabilizariam algo mais sério (distância, crenças, momento de vida etc).

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Outro dia, outro deboche

Dentre os vários grupos de Facebook que surgiram com o fim do Acidez Feminina, um deles chamou minha atenção. Seu nome era “Outro dia, outro deboche”. Esse grupo reunia praticamente todas as pessoas com quem eu mais interagia dentro do AF e tinha a vantagem de não sofrer a censura que a moderação do antigo grupo praticava. O lema do ODOD (vamos abreviar para facilitar) era “a zoeira não tem limites” e seu conteúdo era 90% das vezes fotos e/ou fotomontagens com os membros em situações cômicas ou jogos/brincadeiras internas. Graças à camaradagem de Marchelo, eu estava começando a me entrosar com sua “panelinha” - exceto por uma pessoa, chamada Célia. Embora não explicitasse seu desafeto pela minha pessoa, era notável que ela tinha algo contra mim por conta das alfinetadas que me dava em determinadas postagens. Tanto que fui obrigado a perguntar a Marchelo, em particular, qual era o problema dela.

Segundo ele, Célia incomodava-se um pouco com meu jeito “arrogante” de ser (até então, normal) e como eu estava um pouco incomodado com as alfinetadas que

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vinha recebendo, fui conversar em privado com ela. Não me recordo exatamente de como foi a conversa, mas sei que ela foi compreensiva e inclusive me enviou uma solicitação de amizade – e a partir daí, começamos a conversar diariamente. No começo, conversas bem superficiais (dignas de um início de amizade virtual) e, com o passar do tempo, animados bate-papos com direito a muitas risadas e muito compartilhamento de experiências pessoais.

Pouco tempo após esse início de amizade, Célia me enviou um convite para sua festa de aniversário (em São Paulo). No começo, por uma questão de zona de conforto (gastos com passagem aérea, hotel, alimentação etc.), cogitei não ir. Contudo, pensei novamente e cheguei à conclusão de que até poucas semanas atrás, aquela pessoa que não ia com a minha cara e agora, já estava me convidando para ir ao seu aniversário (e olha que sua lista de convidados foi bastante seleta). Estava diante da chance de consolidar essa amizade e também de conhecer o restante da panelinha de São Paulo.

Confirmei minha ida ao evento e no mesmo dia comprei as passagens aéreas. Ao descobrir que eu iria para São

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Paulo, Marchelo me fez um dos mais inusitados pedidos que já recebi.

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A alforria

CHAMELEON: Seduzir a Célia?

MARCHELO: É, cara. Eu já fiquei duas vezes com ela. Já tentei algumas vezes dar a entender que não queria mais – daí, ela começa a me amogar com as mulheres que eu abordo. Preciso dessa alforria!

Ela é bonitinha, sem dúvida. E

muito divertida. Eu não me importaria nada de ficar com ela.

CHAMELEON: Bom

MARCHELO: Então, me ajuda, mestre. Dorme aqui em casa quando vier para cá. Podemos concluir o meu treinamento e ir juntos para a festa.

Eu não sabia se Célia iria ficar comigo, e eu já estava de papo com uma outra mulher do grupo, chamada Paola, e estava tudo certo para nos encontrarmos em São Paulo. Se eu ficasse na casa de Marchelo, poderia poupar o dinheiro do hotel, mas não estaria em condições de consumar o ato com essa garota.

Assim sendo, defini uma logística onde chegaria em São Paulo numa sexta, passaria a primeira noite no

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hotel e sábado iria para a casa de Marchelo, onde ficaria até segunda-feira.

Nisso, comecei a investir mais em Célia - e comecei a curtir sua companhia. Inclusive, não foram poucas as vezes que perguntei a Marchelo porque ele não queria mais ficar com ela, já que era uma pessoa tão bacana.

Um belo dia, Célia encontrava-se triste por conta de uma série de problemas que estavam acontecendo em sua vida e eu, para animá-la, resolvi fazer uma das coisas mais ridículas de todos os tempos: um vídeo com uma refilmagem caseira de uma das cenas de Homem de Ferro 3, onde ele vai vestindo a armadura peça por peça ao som de Jingle Bells.

Após a segunda festa-a-fantasia (relatada no livro anterior), decidi investir em uma fantasia completa do super-herói para arrebentar na próxima festa (isto será explicado em detalhes mais adiante).

de tiradas de ângulos

diferentes, um mínimo de edição de vídeo e a inserção de alguns efeitos sonoros, em questão de uma hora fiz um

Célia às gargalhadas (e,

vídeo que levou

Graças

a

uma

série

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consequentemente, a uma melhoria absurda em nossas interações).

Apesar de um sutil clima de flerte, não estava certo se iria rolar algo em sua festa – e mantive o encontro com Paola de pé.

Curiosamente, a poucos dias de minha ida para São Paulo, acabei saindo e ficando com outra mulher que também fazia parte do ODOD, esta do Rio de Janeiro mesmo, chamada Saheli. Coisa rápida – marcamos um chopp em um barzinho, demos uns beijos e nos despedimos.

Considerando que quatro das frequentadoras do AF que já closei (Débora, Ana, Circe e Diana) foram adicionadas a esse grupo, não demorou muito até que isso viesse à tona e eu ficasse conhecido como o “pegador” de lá. Eu, por minha vez, não estava nem aí para isso. Pelo contrário - estava com sede de mais. De repente, os “closes ácidos” (pensei em mudar para “ododianos” em homenagem ao novo grupo, mas ficou tão ruim que preferi manter a nomenclatura do livro anterior) começaram a virar troféus – quanto mais, melhor. E nisso, Marchelo e eu começamos a fazer uma

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espécie de “competição saudável”, para ver quem conseguia mais closes ácidos.

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30 horas, 3 FC

Finalmente havia chegado o dia de ir para São Paulo. Os ânimos estavam altos – sobretudo os de Marchelo, que estava ansioso para me receber em sua casa e ser treinado para virar um PUA.

À tarde, encontrei Diana – um terceiro encontro,

que começou no lobby do hotel e terminou no quarto, em sexo. Foi a última vez que nos encontramos. Ainda que com o tempo tenhamos posto fim ao afeto homem-

mulher, sobrou a amizade e um mútuo desejo do melhor da vida de um para o outro.

O encontro com Paola superou expectativas. Além

de ser um doce de mulher, ela era inteligente e – o melhor de tudo – entendia de quadrinhos! Jamais imaginei que um dia fosse conversar com uma mulher que conhecesse todos os desenhistas que eu ia citando. E me parece que essa surpresa foi mútua, pois Paola achava, até então, que eu era um carioca playboyzinho e sem conteúdo (em suma, o tipo de homem que não dá para conversar, mas que ao menos rende uma noite de diversão).

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Fomos a um desses bares do Itaim Bibi e emendamos o bar com o hotel, onde dormimos juntos. No dia seguinte, como eu tinha de ir até Osasco (onde Marchelo morava) e Paola coincidentemente tinha de encontrar um amigo por lá, pegamos o trem juntos (o que foi bom, visto que eu não sabia andar por aquelas bandas).

Despedimo-nos, fui até o consultório de Marchelo (ele era dentista) e inclusive recebi, por sua conta, uma limpeza nos dentes e uma colocação de resina para alinhar um dente ligeiramente serrilhado que tenho. Ele estava sendo um irmão para mim, sem dúvida.

Já em sua casa, ensinei a ele o básico-essencial sobre PUA (afinal, não é algo que se ensina em um dia) e depois disso ficamos conversando sobre os mais variados assuntos. À chegada da noite, chegou outro membro do grupo chamado Hook, um cara que eu estava bem empolgado para conhecer ao vivo. Engraçado, bem- humorado e extremamente zombeteiro, Hook adorava ser o centro das atenções. Como eu também costumo ser assim, não via isso como algo ruim. Além disso, era ótimo no violão (seu companheiro inseparável).

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Quando me viu, Hook correu, pulou e me agarrou em um apertado abraço. Não sei porque, mas eu gostava dele de graça – mesmo tendo ouvido algumas coisas duvidosas a seu respeito.

enquanto

comíamos, Hook e eu improvisávamos músicas enquanto Marchelo ia filmando e postando no grupo.

Eventualmente, compusemos uma música que rendeu uma bela de uma treta com o antigo moderador do Acidez Feminina, o Jiraya.

Aliás, permitam que eu faça uma pausa para explicar o porquê disso. Dentre os grupos oriundos do Acidez Feminina, Jiraya criou um chamado “Puxa-sacos do Acidez Feminina”, que provavelmente foi o que reuniu a maior quantidade de órfãos do AF. Contudo, seu jeito extremamente metódico e intolerante gerou uma série de desafetos – tanto que, ao descobrir o ODOD, ele acusou a criadora deste, Fábia, de ser uma “traíra” e começou a banir de seu grupo todos aqueles que faziam parte do ODOD.

Quando este descobriu que Hook e eu fizemos uma música contando este incidente de uma forma bem

uma

Encomendamos

pizza

e,

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engraçada (e tendenciosa), tivemos o mesmo destino dos demais.

Nisso, começou uma onda de fotomontagens com o rosto de Jiraya no ODOD – uma mais engraçada que a outra. Eu mesmo contribuí com várias e era aplaudido por cada uma delas.

A brincadeira parou o dia em que o grupo recebeu um boletim de ocorrência da polícia – Jiraya, que ficou sabendo dessas brincadeiras, tomou a iniciativa de formalizar uma denúncia.

Voltemos à história. Após cerca de duas horas de confraternização, finalmente apareceu a então ficante de Hook para nos levar à festa de Célia. O nome da balada era Rey Castro, uma casa de música latina localizada no coração de São Paulo.

Tão logo entrei, encontrei Célia, que me recebeu com um enorme sorriso e um apertado abraço. Em seguida, me pegou pela mão e me levou até sua mesa, onde estavam mais duas mulheres que faziam parte do ODOD. O começo da interação não foi assim tão amistoso, pois ao passo que Célia havia mudado sua

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CHAMELEON

opinião ao meu respeito, as outras duas não. Recebi uma série de shit-tests, que felizmente rebati com sucesso.

Notei que Marchelo estava com vontade de ficar com uma dessas garotas, mas que ao mesmo estava inseguro de fazê-lo por conta de Célia. Perguntei a ele o porquê de sua relutância e ele respondeu, sorrindo, “porque ainda não fui alforriado”.

Até então eu havia tentado verificar a receptividade de Célia em diversos momentos, mas o excesso de Tequila nas ideias comprometeu bastante meu desempenho, pois exagerei no kino (tanto que ela chegou a me dizer, algum tempo depois, que se sentiu incomodada com o excesso de toque). Por outro lado, mesmo entorpecido pelo álcool (e ainda assim ciente de minha conduta inoportuna), honrei a minha veia obstinada e, recomposto e com bastante atitude, chamei Célia no canto, elogiei a festa, elogiei sua pessoa, kinei (desta vez corretamente) e consegui o KC – e assim que retornamos à pista (de mãos dadas), fui até Marchelo e disse, em seu ouvido, que ele estava livre. A reação de Marchelo foi literalmente a de um salto de alegria concomitante a um grito de comemoração. Ele realmente queria ter a certeza de que estava livre de Célia, e em

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questão de pouquíssimo tempo após a comunicação de sua “alforria”, closou seu alvo.

A festa chegava ao fim quando a segunda amiga (a que estava em companhia da HB de Marchelo) veio até a mim e disse que aquela noite Célia iria dormir em sua casa e que eu seria bem-vindo a dormir lá também. Mensagem captada.

Saí da balada com Célia e sua amiga e fomos para

o seu apartamento, na zona leste da capital paulista.

Passamos os dois a noite juntos e, no dia seguinte e após

o café da manhã, fomos os três a Osasco buscar

Marchelo para almoçar (e conversar sobre a noite anterior). Em seguida, Marchelo e eu voltamos para sua casa e passamos o resto do dia conversando e combinando uma ida sua para o Rio de Janeiro no final de semana de meu aniversário (que ocorreria dentro de pouco tempo) – não só para que ele me prestigiasse esse dia, mas também para aprimorar seu treinamento.

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Uma fantasia bizarra

CHAMELEON: Você me deve uma mulher.

Era mais uma de minhas várias idas ao Bar Bukowski ao lado de KING, e desta vez ele havia levado uma colega de trabalho que muito me interessou. Comecei a conversar com ela e cheguei a isolá-la para a parte externa, onde comecei o jogo de kino. De repente, o próprio KING, extremamente animado (talvez pelo excesso de álcool) interfere para perguntar a essa amiga se ela poderia ajuda-lo a abordar um 4-set que lá estava. Depois disso, não consegui recuperar a interação que estava tendo. Nossa, como fiquei aborrecido. Nada me aborrecia mais do que ser amogado, ainda mais por alguém que certamente sabia o que estava se passando ali. A única coisa que fui capaz de dizer ao KING-RJ foi que ele me devia uma mulher em virtude de sua amogagem. E no final de semana seguinte, ele se redimiu.

Era, inclusive, aniversário do Joey-Z, que então estava acompanhado de sua RMLP. A amiga de KING (sim, a mesma que tentei abordar semana passada) estava de volta ao local – desta vez, acompanhada de um cara com quem ela estava saindo. Contudo, ela estava em

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João Abrantes

companhia de uma amiga. Os três estavam sentados a uma das muitas mesas altas do recinto. Após ter perguntado se eu estava interessado nessa amiga, KING tomou a iniciativa e nos apresentou (aparentemente eles haviam estudado juntos no passado).

De repente, ele se afastou e lá estava eu, e em companhia de duas mulheres e um homem. Joey-Z, que estava na mesa vizinha à minha, observava e narrava o que via para a sua RMLP, que conhecia o pickup e estava curiosa para ver um PUA em ação.

sentada

Segundo testemunho do próprio Joey:

Estava perto quando o Chameleon abordou o set da HB

com

o

casal,

no

segundo

piso.

KING chegou para wingá-lo com rapidez, e Chameleon pôde então closar essa mulher.

O engraçado é que eu estava com uns amigos e com minha HB (estava quase virando um namoro, hahaha), que tem curiosidade sobre o mundo da sedução e me pediu para narrar o que o Chameleon estava fazendo. Quando ele teve IDIs suficientes para closar, eu virei para a minha HB e disse: “o Johny pode closar, mas ele não vai conseguir por causa do casal de amigos que

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CHAMELEON

toda hora o interrompe. Vou lá wingá-lo, mas com essa aparição

do

KING,

ele

foi

capaz

de

isolar

o

alvo.

A minha HB ficou abismada e disse: "vocês são como uma matilha de lobos caçando!"

Pois é. De fato, consegui closar essa mulher. O que eu não imaginava era que ela seria tão devassa. Estávamos nos beijando no corredor externo do primeiro andar, em frente ao letreiro luminoso escrito “FODA-SE!” e ela, do nada, simplesmente enfiou a mão por dentro de minhas calças para me masturbar. Em um dos locais mais movimentados e iluminados do bar! Ela não era normal, não era possível.

Já que ela estava com tanto fogo, sugeri que fôssemos para a minha casa. Pagamos nossas comandas, saímos do Bukowski e, ao adentrarmos minha casa, ela ficou impressionada com a minha coleção de bonecos. Aliás, ficou impressionada com a minha modesta casa como um todo. Aparentemente, ela fazia o gênero “culta, nerd, devassa e mente-aberta”.

De repente, eis que ela finta a fantasia de Homem- de-Ferro que eu estava aperfeiçoando para a próxima festa-a-fantasia.

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João Abrantes

HB: Me agarre com essa roupa.

CHAMELEON: O quê?

HB: Eu sou louca pelo Tony Stark. Veste essa roupa, pelo amor de Deus. Finge que sou mais uma dessas vagabundas que você arrastou para sua mansão.

Seria isso um shit-test?

CHAMELEON: Eu não me sinto muito confortável vestindo essa roupa para fazer uma brincadeira íntima.

HB: Você quer ou não quer acesso a isto?

E nisso, ela levantou a barra do vestido e tirou a calcinha. Em seguida, sentou, abriu as pernas e revelou, com a mais maliciosa expressão facial do mundo, aquilo que eu precisava para me motivar a ceder à sua bizarra fantasia.

Ok. Foi estranho. Admito. Mais estranho que isso foi o quão molhada ela ficou ao me ver dentro daquela fantasia mais elaborada (que, repito, será mencionada mais adiante).

No entanto, essa constrangedora situação valeu a pena, pois o FC foi extremamente intenso e digno de um

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CHAMELEON

filme

pornô

(inclusive,

a

maneira

como

as

transas

acabavam).

 
 

Depois

que

ela

foi

embora,

nunca

mais

nos

falamos e tampouco nos vimos.

Demorei um tempo para absorver o que havia acabado de acontecer. Foi bom. Mas foi muito, muito estranho!

Será que o Tony Stark já passou por isso?

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João Abrantes

Aniversário e bolo

E eis que aproximava-se o fim-de-semana de meu aniversário de 32 anos. Pouco antes desse final de semana, recebi em minha casa a visita de Saheli e consumamos o que ficou pendente em nosso último encontro. Foi um dos FCs mais intensos que já tive – tanto que foram registradas duas reclamações no livro do condomínio, por conta dos berros que Saheli dava na cama.

Na noite de minha comemoração e a poucas horas da festa (que seria – surpresa! – no Bukowski), chegou Marchelo, que só teve tempo de tomar um banho, passar a camisa e partir comigo para o local.

Foi uma noite e tanto – não falo isso por causa de closes, pois consegui apenas um KC, de uma HB que KING tratou de me wingar (“presente de aniversário”, segundo ele) – mas pela presença em massa de uma série de amigos. Até mesmo Fenix, Joey-Z e Leo (estes dois, agora também parte da PUATraining) encerraram mais cedo o night game do bootcamp que estava rolando naquele final de semana para irem me prestigiar. Vieram uma

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série de amigos de infância, ex-alunos do PU e até mesmo um povo do antigo Acidez Feminina (que não fazia parte do ODOD, mas que ainda assim mantinha a proximidade).

Ok, admito – esse dia, eu bebi pesadamente. Tanto que Face (que lá estava) me relatou que eu estava sendo sincero até demais. Por exemplo, abordamos um 2-set e começamos a conversar cada um com uma das garotas. Quando descobri que aquela com quem eu interagia era socialista, tive a lata de dizer que os socialistas eram cheios de merda, o que gerou certo desconforto. Não sei como foi que voltei para casa – provavelmente foi Marchelo que me carregou. No entanto, não senti vergonha de ter ficado embriagado, pois era meu aniversário e me senti no direito de não me preocupar com o mundo à minha volta.

No dia seguinte, que seria a última noite de Marchelo no Rio de Janeiro, retornamos ao Bukowski e desta vez concentrei meus esforços em treiná-lo. Nesse dia, não closei ninguém. No entanto, para a minha felicidade, Marchelo sim.

Enquanto Marchelo closava sua HB, eu conversava com o irmão de KING (que lá estava). Nisso,

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meu celular vibrou e, para minha surpresa, era uma mensagem de Ana (a HB de Volta Redonda, do livro anterior). Ela estava no Rio de Janeiro e perguntou se eu estava livre no dia seguinte, pois se o estivesse, ela iria à minha casa fazer uma visita e conhecer Marchelo. Como eu ainda tinha uma queda por ela, na mesma hora aceitei

a sua proposta.

Marchelo e eu compramos um lanche, arrumamos

a casa (que estava bastante bagunçada) e pusemo-nos a

esperar. Para nossa surpresa, houve um repeteco da mesma situação que ocorreu em Volta Redonda – ficamos à sua espera, as horas passavam e nada dela. A partir de um determinado momento, ela parou de responder as mensagens do WhatsApp (embora constasse que estas tinham sido abertas e lidas). Deu 15h, 16h, 17h, 18h, 19h e, às 20h e agora sim, me sentindo um otário, mandei uma mensagem pedindo que ela me deixasse em paz e a bloqueei no Facebook. Mais um bolo! Fala sério!

Como ela havia ficado bem próxima a Cayan (após

a minha partida de Volta Redonda, eles continuaram se

falando), ocorreram algumas tentativas de contato por intermédio deste (as quais ignorei ou respondi de forma grosseira).

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Nessa mesma época descobri que ela havia ficado amiga de Débora, e conforme disse em meu livro anterior, meu encontro com essa garota não transcorreu às mil maravilhas. Isso se deu, em partes, à minha abstinência de Ritalina (que provocou sérias alterações em meu comportamento). Decepcionada comigo, Débora procurou (ainda nessa mesma época em que ficou comigo) outro rapaz aqui no Rio de Janeiro (que também era membro do antigo Acidez Feminina e fazia, inclusive, parte de minha rede de amigos no Facebook). Segundo o que me foi relatado, quando esse rapaz descobriu que ela havia ficado comigo antes dele, um sentimento de raiva tomou conta de sua pessoa e ele não só desfez a amizade, como também ficou, ainda de acordo com as mesmas fontes, me maldizendo em conjunto com ela.

Comecei a nutrir um grande desafeto pelos dois, o que me levou a cortar relações com Débora de uma vez por todas. Ela, no entanto, persistiu me maldizendo sempre que podia - e acredito que ela o faz até hoje! Naquela época, não duvidava nada que, após esse corte de relações, Ana e ela tenham falado poucas e boas a meu respeito. No entanto, mais para a frente (bem mais), vi que estava errado. Ana sempre manteve uma opinião

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positiva a meu respeito, muito

permanecido imerso no orgulho e mantendo-a

bloqueada.

Estava mais do que evidente que tinha virado uma pessoa consideravelmente rancorosa, e levei um tempo para tornar a ser aquela pessoa disposta a ouvir a versão da outra parte.

embora eu tenha

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A mais criativa farsa

O encontro com Paola, em minha última ida a São Paulo, foi de longe o que mais me marcou. Apesar da ótima química que tive com Célia (e do legítimo desejo de um reencontro), devo admitir que Paola me surpreendeu com os gostos em comum e a mente extremamente aberta. O conforto era tanto que eu tinha liberdade para falar à vontade das pessoas com quem ia ficando aqui no Rio de Janeiro e sem me sentir culpado, pois ela não só me ouvia como também me aconselhava – e o mais surpreendente era que isso nem por um segundo matava a atração que ela sentia por mim. Essa relação era uma via de mão-dupla, pois eu a dava essa mesma liberdade e, assim como ela, nem por um minuto deixei de cogitar um segundo encontro. Tanto que, no dia em que eu o propus, ela prontamente o aceitou. Desta vez, eu ficaria quatro dias em sua casa, em São Paulo.

Ou

Contudo, melhor, dois.

havia

um

pequeno

problema.

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O primeira era a última pessoa com quem Paola havia ficado antes de nosso segundo encontro, que ficou intensamente apaixonada por ela. Essa pessoa não só me conhecia, como também fazia parte do ODOD.

O segundo problema era Célia. Embora tivéssemos deixado claro que ninguém era exclusivo de ninguém, não achei que seria legal explanar que estava com alguém do mesmo círculo social e ainda por cima no mesmo estado, isso depois de ter dito que gostaria de um dia revê-la.

Em outras palavras, tivemos de manter esse encontro em segredo e abusar de nossa criatividade para abafar toda e qualquer pista. Se uma só pessoa do grupo soubesse da verdade, as chances dessa informação chegar a Célia ou à outra pessoa com quem Paola havia ficado seriam enormes – e uma treta sem precedentes seria instaurada.

Aproveitei que meu primo estava na casa de meu tio, em Araras-RJ, e pedi que ele tirasse algumas fotos da casa e me mandasse. Em seguida, fiquei frente a uma parede branca e tirei uma série de autorretratos, que posteriormente foram levados ao editor de imagem, recortados e inseridos nessas fotos que recebi.

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Aprendi como hackear o sistema de marcação de lugares do Facebook e do Foursquare, e mesmo estando em São Paulo, eu marcava que estava em diversos locais em Araras e adjacências (como, por exemplo, a Feirinha de Itaipava). À medida que fazia essas marcações, disparava uma das fotomontagens que havia feito (que por sinal ficaram muito profissionais).

Para dar ainda mais veracidade, meu primo ia curtindo as fotos e as comentava como se estivesse comigo e tivesse sido ele a batê-las.

O disfarce ficou tão bom que até minha mãe me

ligou, para perguntar porque fui à casa de Araras sem ter

falado nada para ela.

A melhor parte foi quando Marchelo, que estava

ciente desse meu “esquema”, me mandou uma mensagem para lá de cômica no WhatsApp:

Senhoras e senhores, aqui estou eu, Marchelo, com mais uma enquete. Hoje, o tema é: o João é ou não é um filho da puta? João, que está em São Paulo pegando a Paola, está dizendo no Facebook que está em Araras, Petrópolis. Vamos agora ver, com o povo, se ele é ou não é um filho da puta.

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Em seguida, com uma voz esganiçada, imitando uma mulher:

- É filho da puta sim!

Agora, com uma voz mais grave, se passando por outro homem:

- Não é não!

Uma terceira voz:

- É sim! Com certeza!

Bom, como podem ver, salvo algumas exceções, o veredito é que ele é sim um filho da puta, e essa foi a minha enquete”.

Nossa, como eu ri ao ouvir essa mensagem. Devo tê-la escutado umas dez vezes seguidas. Paola, que estava por perto, também caiu em gargalhadas.

Outra situação engraçada foi quando o irmão de Paola foi visita-la. Foi uma visita-surpresa e ele tinha ido acompanhado da namorada. Nesse dia, eu havia feito o almoço (uma bela de uma massa) e, como sobrou bastante, ela esquentou um pouco da comida para o casal jantar. Quando a namorada descobriu que fui eu quem fez aquela massa, soltou um “você nunca cozinha para

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mim” para o irmão de Paola – o que, de certa forma, mexeu um pouco com o ego dele. Em seguida, ela começou a perguntar muitas coisas a meu respeito (onde eu morava no Rio, com o que eu trabalhava, o que eu fazia para me divertir) e eu respondia a tudo numa boa, sem intenção alguma de amogar o irmão de Paola. No entanto, ele estava visivelmente desconfortável com o interesse que sua namorada estava tendo em mim, tanto que apressou o término da refeição para que os dois pudessem ir embora.

Paola, que esteve atenta a toda a história, limitou- se a gargalhar e a me elogiar, dizendo que eu realmente sabia como roubar a atenção de uma mulher.

Foram, em suma, quatro dias estilo “casal de namorados”, pois mal saíamos de casa (e quando o fazíamos, era para ir a algum shopping comer algo) e na maioria das vezes ficamos bebendo, conversando, transando, vendo filmes e rindo muito. E foi bacana, sabem?

Nunca mais a vi depois dessa temporada que passei em sua casa. Mantivemos o contato via Facebook, mas aos poucos fomos parando de nos falar por causa da tendência natural de cada um seguir seu caminho.

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Estrondando em Brasília

Eu quase nunca saía do Rio de Janeiro para dar um bootcamp pela PUATraining – e sempre reclamei disso com o Fenix, que finalmente resolveu me ouvir e me designou para ser o líder do segundo bootcamp de Brasília.

Ao meu lado, foi ninguém mais ninguém menos que o Leo, colega de trabalho e grande amigo para todas as horas. Vocês devem se lembrar dele do meu primeiro livro, pois foi ele quem mais me ajudou a superar o fim de meu relacionamento com Mel (ao me wingar Bianca na festa a fantasia do Bukowski).

Meu voo de ida saiu extremamente atrasado – tanto que fui diretamente para a sala de conferências onde estava sendo realizada a aula teórica (de mala e tudo).

Após essa aula teórica (e um bom e refrescante banho), saímos eu, Leo e Amir (ex-aluno do primeiro bootcamp de Brasília, agora instrutor auxiliar) para jantar. Uma coisa que notei nessa cidade foi que a gastronomia era excelente, mas o serviço em geral deixava a desejar. Fui a um total de quatro ou cinco restaurantes e todos

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eles sofriam desse mal de qualidade de comida inversamente proporcional à qualidade do serviço. Amir era um cara muito bacana. Novinho, porém inteligente, viajado e provavelmente membro de uma família de posses (dada a qualidade de suas roupas e carro que dirigia). Contudo, era muito humilde. Não ostentou um segundo sequer e mostrou ter um caráter digno de um macho-alpha.

Do restaurante, fomos direto para uma balada chamada Asiático, onde conduzimos o primeiro night game.

Lá pela 1:30 da manhã, decidi começar a jogar também. E foi aí que eu dei de cara com uma realidade um tanto inesperada: as mulheres de Brasília eram jogo duro!

No começo, achei que fosse impressão minha. No entanto, Amir confirmou a minha suspeita. Segundo ele, é uma cidade onde as pessoas são muito ligadas a status – tanto que é comum perguntarem de quem você é parente (sim, me perguntaram isso – e eu sempre respondia que era do Marquês de Abrantes).

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Acho que fazia tempo que eu não levava tanto toco. Teve uma que teve a cara de pau de dizer que tinha um namorado que morava longe, mas que depois flagrei aos beijos com um outro rapaz. Por um momento eu senti que havia regredido aos primórdios, quando eu era um iniciante na arte.

Mas, eu não desistia. E teve uma hora que eu liguei o “foda-se” e começou a ficar engraçado. Estava na frente dos alunos, apontava para uma e gritava.

CHAMELEON: VOCÊ!

A mulher olhava.

CHAMELEON: Venha cá.

A mulher, um tanto confusa, ia até mim.

CHAMELEON: Case comigo. Te dou casa, comida, roupa lava e sexo a hora que quiser.

De repente, em mais uma das muitas voltas que dei pela pista cheia, consegui realizar uma abordagem fria que rendeu uns 5 minutos de conversa um KC. O teor dessa conversa foi, basicamente, as diferenças culturais entre o povo do Rio de Janeiro e o povo de Brasília.

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Descobri, com a experiência, que essa é uma ótima linha de conversação para quem é de fora.

Embora eu não tivesse saído no 0 a 0, fiquei cismado com meu desempenho em campo. Será que eu não era PUA suficiente para o Distrito Federal? Não. Isso, eu recusei aceitar. Não era uma cultura diferente que iria me segurar. No night game seguinte, tão logo liberasse a turma, daria mais de mim.

Na noite de sábado, Leo tinha ido para a casa de uma amiga fazer um “pré-night” e combinou que iria me encontrar dentro da balada. Aproveitei minha solidão para fazer o mesmo ritual de concentração que fiz para aquela épica noite que tive alguns meses antes, na Semana Santa de Baependi (basicamente, muita meditação e revisão de material top de linha em jogo natural).

Fomos a uma balada chamada Mokai. Para nossa surpresa, aquela noite o estabelecimento liberou a entrada de menores de idade. Algumas das garotas de lá tinham idade para serem minhas filhas (bom, se eu tivesse virado pai aos 16/17, certamente). E como estavam muito bem produzidas, nem sempre dava para dizer se eram ou não menores de idade.

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Abordei vários sets. Teve uma dupla de meninas que foi engraçado, pois os alunos iam alternando a vez de falar com elas como se fosse uma rendição de turno. Acho que o único que conseguiu alguma coisa foi o Amir, e ainda assim foi um KC (tão rápido que suspeitamos que a menina estava de “rabo preso” e não queria ser vista com outro cara).

Em meio às minhas muitas idas e vindas pelo salão, eis que me deparo com um dos alunos abordando uma segunda dupla de meninas. Como ele estava sozinho, fui ajuda-lo e não foi que o papo com a amiga de seu alvo começou a render?

Conversamos, basicamente, sobre as baladas de Brasília e sobre essa liberação de acesso aos menores de

idade. Eu estava curtindo falar com a garota

descobrir que ela só tinha 17 anos. Estive para abrir mão

quando de repente pensei:

“Cara, não há mal algum em dar pelo menos um

KC.”

Até

Ok. Comecei minha habitual rotina de kino (cotovelo, ombro, costa e nuca). Estava já enganchado

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com ela e pronto para dar o bote shit-test.

HB: Quantos anos você tem?

CHAMELEON: Er

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Quando recebo O

HB: Nossa, sou nova demais para você.

CHAMELEON: O que está em jogo aqui não é a sua idade, e sim se você tem maturidade para lidar comigo. E você mostrou ter, não concorda?

HB: Bom, sim

KC!

Fico feliz que você pense assim!

Não demorei muito nesse KC, até porque não foi grande coisa (pudera, 17 anos!) e como a amiga dela não ficou com meu aluno, essa garota foi logo “puxada” para que as duas continuassem circulando.

Fiquei mais uma meia hora curtindo com quatro dos rapazes (um deles teve a iniciativa de abrir um Jagermeister, meu ponto fraco) e logo estávamos os cinco cantando e dançando em uníssono as músicas que o DJ tocava. Foi muito engraçado!

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De repente, olho para trás e vejo, para minha surpresa, uma mulher que parecia ter no máximo uns 45 anos. Era loura, tinha olhos azuis, era super-enxuta, e usava um vestido colado que realçava seu corpo de academia. Estava sozinha, com um olhar bem vago e bebendo o que me parecia ser uma caipirinha.

Não pensei duas vezes e fui abordá-la.

CHAMELEON: Porque essa cara? Não é todo dia que uma balada libera acesso para menores de idade, aproveita sua oportunidade!

HB riu.

HB: Quantos aninhos você tem?

CHAMELEON: Mais do que você imagina, menos do que você gostaria que eu tivesse. Mas, eu te dou uma dica: quando eu era pequeno, passava Xuxa na televisão.

HB: Aleluia, um homem de verdade. O que você faz num lugar que nem este?

CHAMELEON: Nossa, parece bruxaria. Eu ia te fazer a mesma pergunta.

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HB: Eu vim trazer minha filha e a amiga dela. Elas estão por aí, curtindo. Eu estou velha demais para seguir o ritmo delas.

CHAMELEON: Poxa, mas isso é sensacional! Que mãe vai para a balada com a filha hoje em dia? Ganhou muitos pontos comigo. Merece troféu de mãe do ano.

HB (com um sorriso legítimo): Obrigada! Você é do Rio?

CHAMELEON: Não dá para negar o sotaque, né?

HB: Eu adoro.

CHAMELEON: O sotaque ou a minha pessoa?

HB (rindo): Os dois. Acho.

CHAMELEON: E o que falta para ter certeza?

Um minuto de silêncio. Peguei a HB pela mão esquerda e senti um anel em seu dedo anelar. Intrigado, desci o olhar e vi que se tratava de uma aliança.

CHAMELEON: Oh, oh. Acho que eu fui um pouco desrespeitoso, né? Você é casada.

HB: Isso é um problema para você?

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CHAMELEON: Bom

filha de flagrar ficando com outro cara?

Não que seja. Mas, e se a sua

HB: Não seria a primeira vez. Ela está acostumada.

“ Que filha da puta!”, pensei. “O marido dessa

mulher deve ser um alce de tanto chifre que já levou.

Mas, foda-se. Não conheço o cara, mesmo”.

KC.

Essa

sim,

sabia

beijar.

Que

contraste,

em

comparação à ninfetinha de 17 anos!

Devo ter ficado uns 15 minutos com ela. Já era, inclusive, fim de night. A pista estava semivazia, o volume da música havia baixado, os alunos já tinham ido embora e Leo, que ainda lá estava, passou a noite desenrolando com a segurança do estabelecimento (que, diga-se de passagem, era linda).

Nisso, o celular dessa HB vibra e ela interrompe o beijo para ver.

HB: Minha filha, que está me procurando para ir embora. Melhor eu ir nessa. Foi um prazer te conhecer!

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Despedimo-nos e fui procurar Leo, que estava todo contente por ter conseguido o telefone dessa segurança. Pagamos e, na saída, passamos um bom tempo à espera de um taxi. Não sabia que era tão difícil pegar um taxi à noite em Brasília!

E enquanto esperávamos, olhei para o lado e vi, para minha grande surpresa, a coroa que havia acabado de closar junto com a ninfetinha que closei antes dela. Sim, elas eram mãe e filha!

Não resisti. Fui até as duas, botei o braço em volta de cada uma.

CHAMELEON: Eu estou prestes a ir embora, amanhã volto para o Rio, e só queria dizer que adorei conhecer vocês. Acho que não vamos mais nos ver, mas sinto que de alguma forma estamos conectados.

e cabeças para mim, com um sorriso amarelado.

Voltei para o hotel com um sorriso no rosto, e nem a ressaca pesada de Jagermeister que tive, no dia seguinte, me tirou a satisfação pessoal que a noite anterior me trouxe. Não foi intencional, mas foi uma proeza e tanto – coisa que só se vê em filme!

as

Elas

entreolharam-se

confusas

voltaram

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comigo”,

pensava.

Como eu estava enganado! Cerca de duas semanas depois, aconteceu algo que só se vê acontecer em filme pornô.

“Acho

que

aconteceu

de

tudo

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Um show de vizinha

Eu quase sempre andava arrumado dentro de casa. Cheguei a ser motivo de piada por causa disso por parte de Leo, pois sempre que ele aparecia por aqui, surpresa ou não, eu estava perfumado e com o cabelo arrumado.

Naquele dia, não foi diferente. Estava com a barba aparada, cabelo arrumado, perfumado e apenas de bermuda cargo. Era uma noite de terça-feira e eu estava desfazendo minhas malas de Brasília (sim, morro de

Empurro com a barriga até

preguiça de desafazer malas não poder mais).

Nisso, a campainha tocou.

“Ué. Não estou esperando ninguém! Será que é alguma visita-surpresa do Leo?”

Abri a porta e dei de cara com a minha vizinha de andar, que morava com uma amiga. Após me olhar de cima a baixo, eis que ela anunciou o motivo de sua visita.

VIZINHA: Oi, desculpa incomodar, mas é que perdi o carregador do meu iPhone e eu notei que você também usa esse celular, você podia me emprestar o

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seu? Amanhã compro outro, só queria era algo para agora.

CHAMELEON: Ok, sem problemas! Só não deixa de devolver, porque até eu preciso carregar o meu depois.

Entreguei a ela o cabo e cerca de uma hora depois, ela bateu para o devolver.

Embora tivesse notado o olhar malicioso dela, fui indiferente à situação. No dia seguinte, contudo, achei um cartão de visita dela em meu escaninho de correio.

Teria ela deixado esse cartão em todos os escaninhos ou teria sido algo intencional, exclusivo para mim? Só iria saber arriscando.

Descobri que o número de celular que constava no cartão estava também registrado no WhatsApp.

Mandei uma mensagem.

CHAMELEON: Olá vizinha! Peguei seu cartão em meu escaninho e decidi te adicionar aqui. Se precisar de um cabo emprestado de novo, não precisa se deslocar quilômetros para pedir, pode usar meu exclusivo serviço de disk-cabo.

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VIZINHA: Rsrsrs. Oi vizinho!

CHAMELEON: Numa escala de 0 a 10, o quão estranho é nós morarmos porta-a-porta e estarmos conversando pelo WhatsApp?

VIZINHA: Eu diria 9, mas ao mesmo tempo, eu teria feito a mesma coisa. Então, deixa pra lá! Tudo bem?

Nisso, começou um fluffy talk básico. Descobri que era o último mês dela no meu prédio, pois a amiga ia morar com o namorado e ela não ia ter condições de arcar com o aluguel sozinha. Normalmente, eu jamais cantaria uma vizinha, mas como ela estava em vias de ir embora, fiz a minha investida.

CHAMELEON: Ok, já que você vai embora no mês que vem, precisamos então aproveitar e tomar uma cerveja juntos aqui em casa. Afinal, já moramos porta- a-porta há um ano e só foi “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite”. E logo agora que começamos a falar você vai embora? Nada disso. Vamos beber.

VIZINHA: Eu topo! Mas tem que ser Heineken, tá?

CHAMELEON: Heineken será.

Marquei a vinda dela para o dia seguinte, às 21h. Antes dela sair de casa, me mandou uma mensagem perguntou

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se tinha de vir arrumada. Respondi que não, e cerca de 5 minutos depois ela bate em minha porta – apenas de vestido preto e sandálias havaianas. Abrimos as cervejas e começamos a jogar conversa fora no sofá.

Papo vai, papo vem.

CHAMELEON: Você sabe que o motivo de meu convite não é de apenas bater papo, né?

VIZINHA (se fazendo de confusa): Como assim?

Me levantei, fui até a porta de minha casa e chamei sua atenção.

CHAMELEON: Está vendo a porta? Olha só.

Destranquei.

CHAMELEON: Está destrancada. Basta você levantar e girar a maçaneta para sair. Estou te dando toda liberdade para sair a hora que você quiser.

VIZINHA: Para quê isso, menino?

CHAMELEON: Para você ter absoluta certeza de que o que vai acontecer a partir de agora é consensual.

Sentei ao seu lado e KC. Não houve resistência alguma.

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Houve, sim, alguma resistência quando comecei a fazer um kino mais sexual.

VIZINHA: Acho melhor eu voltar para casa.

CHAMELEON: Por quê? Está ruim?

VIZINHA: Pelo contrário, está ótimo!

CHAMELEON: Então, deixa rolar. Você vai embora dentro de 10 dias. Será que você não aguenta 10 dias me encontrando no corredor e fingindo que nada aconteceu?

VIZINHA (sorrindo): Apaga a luz, então.

Fui até o interruptor apagar a luz e, no que virei, ela já havia tirado a roupa toda!

Foi um FC normal, nada de mais. Chegamos a transar mais umas duas vezes depois desse dia e antes dela ir embora, mas dava para ver que era, para os dois, um sexo-passatempo (ou seja, sem química, sem sentimentos, mas por ser de fácil acesso e muito cômodo, a melhor opção para matar a vontade a curto prazo).

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Depois que ela foi embora, nunca mais a vi (até porque ela não era do Rio e voltou para seu estado- natal).

Jamais imaginei que, um dia, eu iria transar com uma vizinha de porta. Para mim, era o tipo de situação que só acontecia em filmes pornográficos, mas não na vida real. O tipo de situação que eu, adolescente, vivia idealizando quando me masturbava no banheiro. Minha vizinha, indo até minha casa pedir ajuda com algo e depois me pagando com sexo.

Foi, seguramente, uma experiência e tanto. No entanto, eu jamais tomaria essa iniciativa se ela tivesse planos de ficar por aqui. Seria prejudicial à minha paz em todos os sentidos, pois além da possibilidade dela ter controle sobre os momentos em que estaria em casa (e ser impossível mentir a respeito disso), poderia ficar um clima horrível caso a gente parasse de ficar.

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O último ato sombrio

Conforme disse, sair das sombras estava sendo mais complicado do que imaginava. Frequentemente me peguei recaindo em comportamentos indesejados, e desta vez consegui me superar.

Confesso que relutei em compartilhar esta história, pois até hoje sinto vergonha da própria atitude que tive (que foi, no mínimo, desonrada). No entanto, eu estaria sendo desonesto comigo mesmo se não o fizesse. Errei sim, e errei feio. Nenhuma das atitudes reprováveis que tive no livro anterior supera esta que estou prestes a contar. Pode-se dizer que esta foi a última atitude sombria que tive (e, infelizmente, a mais grave). Espero que você, que está lendo, jamais faça o que eu fiz, pois é um fardo que até hoje carrego.

Tudo começou em maio de 2013, ainda em meio aos eventos de Jornada pelas sombras. Nessa época, em mais um dos inúmeros bootcamps que dei pela PUATraining, conheci um rapaz que imediatamente veio a “colar em mim”. Seu nome, Gustavo.

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Gustavo era um bom rapaz e, ao término do treinamento, perguntou se poderia continuar saindo comigo para manter o processo de aprendizado PUA em andamento. Não me opus, até porque sempre gostei de ter companhia para sair.

Contudo, Gustavo tinha um problema muito chato: ele era um fura-olho para lá de inconveniente. Toda vez que eu abordava uma mulher, ele se intrometia na interação e roubava a atenção da mulher para ele.

A primeira vez que ele fez isso foi no próprio bootcamp. Apesar de não ter me agradado, relevei – afinal de contas, ele estava começando, e como estava em treinamento, um resultado seria bem-vindo. O problema foi que esse mal persistiu. Saímos mais três vezes juntos, e todas as três ele furou meu olho.

Será que ele fazia isso de propósito ou era pura falta de bom-senso? Não sei. Só sei que estava extremamente irritado com isso.

Era mais uma noite de Bukowski e ele já havia furado meu olho em uma dupla que abordei (e closou meu alvo). Estava no balcão do bar esperando ser atendido quando vi passar uma menina novinha, morena

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e muito charmosa. Pensei, “assim que sair daqui vou falar com ela”. Quando finalmente consegui ser atendido e fui à procura da garota, quem estava de papo com ela? Gustavo.

“Isso vai ter volta”, falei para mim mesmo

Ironicamente, Gustavo começou a namorar essa menina. Como ele mal havia começado a praticar o pickup e ainda não estava pronto para um namoro firme, começou a regredir ao estado de beta. De repente, aquele rapaz sociável, de postura confiante e que até mesmo uma extração já havia feito (às custas de furar meu olho) virou cara grudento, meloso, chorão e extremamente dramático. E como sei disso? Porque um belo dia, eis que o destino jogou essa sua nova namorada no grupo de WhatsApp de Viks (lembram, daquele grupo que mencionei no livro anterior?). No começo, conversávamos apenas no bate-papo público do grupo, mas não demorou muito até que passássemos essa conversa para uma janela reservada. Alternávamos nossos papos entre assuntos mundanos e relacionamentos. Embora houvesse um clima de flerte no ar, não havia nada explícito.

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Certo dia, ela comunicou ao grupo que havia pedido um tempo no relacionamento a Gustavo, mas que ele não gostou nada da ideia e estava determinado a encontra-la para conversar e salvar a relação. Como ela

ainda gostava bastante dele, era evidente que eles iriam voltar tão logo encontrassem novamente. A janela de oportunidade era pequena e eu tinha de aproveitar a

oportunidade. Chamei ela para sair e

Estava tão evidente que iria rolar alguma coisa que não levamos nem 10 minutos para começarmos a nos beijar na cafeteria em que nos encontramos.

Passamos umas duas horas juntos e foi a única vez que ficamos, pois conforme dito (e previsto), poucos dias depois ela aceitou encontrar Gustavo e eles voltaram.

Arrisco dizer, quase que com 100% de certeza, que ela contou a ele o que houve, pois alguns meses depois desse encontro, Gustavo havia me excluído das redes sociais e ela, por sua vez, havia me bloqueado.

No dia que closei essa garota, me senti vingado. Pensava, enquanto a beijava, “chupa, Gustavo! Furou meu olho quatro vezes seguidas e agora pego a mulher que você ama”. Fiquei tão cego pela minha sede de

Ela aceitou!

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vingança que nem percebi o quão ridículo eu tinha

E isso me custou a amizade de uma pessoa que,

sinceramente, nem sei se havia feito aquilo por mal.

Depois de ter visto as consequências de meus atos, decidi que iria, de uma vez por todas, parar com essas atitudes de moleque.

ficado

Embora tivesse decidido parar, eu sabia que ainda iria colher, por uns tempos, as consequências de muitos dos atos sombrios que cometi ao longo do último ano.

O que eu não imaginava era que um deles, em particular, iria me custar o respeito (e amizade) de quase 100 pessoas, conforme irei relatar mais adiante.

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João Abrantes

Um one-night stand impecável

Certa vez, ouvi em um filme que uma vez que você conhece as sombras, você fica marcado e jamais volta a ser o mesmo. Depois que eu testei os limites da corrupção da ética, não mais consegui enxergar o mundo da maneira que antes enxergava – comecei a ficar com uma certa cisma das pessoas e a achar que todo mundo estava, de alguma maneira, armando alguma coisa para cima de mim. É mais ou menos igual ao princípio do ciúme exagerado em um relacionamento (quando uma das partes é exageradamente ciumenta, provavelmente o é por ser infiel e, justamente por saber como a traição funciona na prática, fica paranoica e morrendo de medo que façam o mesmo com ela - daí, desenvolve um ciúme que vai além do que é considerado normal). No meu caso, comecei a ficar com medo que fizessem comigo alguma das besteiras que fiz com os outros ao longo daquele último ano. Se não fosse o Faceman com seus conselhos (e sua paciência de Jó), não sei como teria conseguido controlar essa súbita cisma que desenvolvi.

Um dos conselhos que Faceman me deu foi o de praticar ativamente a minha decisão de ser um homem

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CHAMELEON

melhor (ao invés de me restringir à consciência dessa necessidade). Segundo ele, isso iria modificar meu processo de interpretação da realidade, mas não iria eliminar a minha cisma por completo (o que, por um lado, seria bom - pois isso me manteria esperto para uma eventual tentativa de me passarem a perna).

Uma noite de sábado, tive a chance de ser um melhor homem diante de uma desconhecida. Essa noite rendeu, inclusive, um relato de campo público (postado no PUABASE) e, se não me engano, foi o último relato que postei no fórum (os demais, mantive em registros escritos particulares mesmo).

JAK SIE MASZ, PUAS!

FINAL DE JULHO DE 2013

Relutei um pouco antes de escrever este RC… Afinal de contas, seria mais um RC de FC, certo? Errado! Sim, é um RC de FC… Mas, foi um FC digno de um homem, não de um FDP (como eu andava sendo uns tempos atrás).

Tudo começou quando fui, em alone sarge, ao meu território-mor: o Bar Bukowski. Não tinha a intenção de sargear, e sim de fazer uma média com o staff do local, ao qual com o tempo me apeguei (a ponto de sair

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com eles etc). Meus planos eram claros: ir, ter um pingo de prosa com cada um, tomar umas brejas e ir para casa dormir. Quiçá, ver um filme.

Cheguei ao Bukowski 21h, como de praxe (gosto de pegar o bar abrindo para socializar melhor com as pessoas, já que elas estão menos ocupadas). Lá pelas 22:30, estava próximo ao balcão externo do bar e chegou um ex-aluno meu de bootcamp acompanhado de sua namorada (que por sinal conhecia o pickup) e isso possibilitou que tivéssemos uma conversa bem animada a respeito dessa arte. Nisso, o bar começou a encher e notei que chegou um casal acompanhado de uma amiga. Não sei se o casal estava em começo de namoro, mas notei que os dois se agarravam constantemente, o que deixava a amiga para escanteio.

Virei para o casal.

CHAMELEON: Reparem, ela está sem graça por conta dos amigos dela… E está olhando pra cá.

O casal concordou que sim, mas eu (não sei porque) hesitei abordar. Sutil AA? Hum…

Nisso, reparei que tinha um cara do lado dela. Ele estava notavelmente tomando coragem para abordá- la. Olhava para o lado, virava a cabeça e tornava a

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olhar. Nisso, abordou-a. Virei para meu ex-aluno e a namorada dele.

CHAMELEON: Olha lá. O cara abordou ela.

EX-ALUNO: Ele vai se ferrar, ela quer é você. Repara que ela continua olhando pra cá.

CHAMELEON: Sei não… Olha, o papo tá fluindo. Dou 60% chance.

EX-ALUNO: Você é muito benevolente cara.

Em menos de cinco minutos, a HB ejetou o cara, que ficou ao lado "chupando dedo"…. E tanto ela quanto o casal de amigos foram para a pista de dentro do bar. Uns dez minutos depois, pedi licença ao meu amigo e sua namorada para tentar a sorte com ela.

Lá dentro, vi aquele casal de amigos dela encostado à parede próxima à pista de dança - e ela, por sorte, sozinha.

CHAMELEON: Boa noite! Eu sei que é do nada, mas estava conversando com meus amigos e me parece que hoje em dia homem não sabe abordar mulher na balada. Digo, vimos um cara te abordar e ele não foi muito feliz. Pode me dizer o que foi que quebrou com o encanto?

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João Abrantes

HB (riu): Ah, sei lá… Ele não fazia meu tipo. Era uruguaio, falava meio estranho…

CHAMELEON:

Mineira?

HB: Sim!

Esse

sotaque…

Você

não

é

daqui.

CHAMELEON: Olha, eu amo mineiras. Eu sempre disse que minha próxima namorada tinha que ser de MG. Como eu amo o jeito que vocês falam!

Nisso, descobri que ela estava no RJ a passeio por uns 3 dias… E que o casal que estava com ela é uma amiga de infância (que hoje mora em SP) e que está trazendo o namorado pra conhecer o RJ pela primeira vez. Com um pouco mais de conversa, fui apurando a idade dela, o que ela fazia (bom, acho que não vem ao caso entrar em detalhes)… E, claro, vice-versa. E o legal é que o papo fluía. Não, não era aquele fluffy talk visando criar ancoragem. Eu realmente tinha o que falar a respeito das coisas que ela me dizia.

Teve uma hora que eu emendei.

disse

algo

que

a

fez

rir

e

CHAMELEON: Você devia rir mais. Esse sorriso é tão bonito que quase dá vontade de te dar um beijo!

HB: Quase?

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CHAMELEON

CHAMELEON: Ah, dane-se.

KC.

Após ficarmos um tempo lá embaixo, subimos para que ela pudesse ir ao banheiro. Quando ela voltou, eu fiz questão de dizer.

CHAMELEON: Sabe, sei que é completamente aleatório… Mas tava observando o movimento de meninas aqui e estou cada vez mais convencido de que estou com a mais gata da balada.

Ela se derreteu toda e assumiu que estava de olho em mim lá embaixo, SIM, e que estava se perguntando que horas eu a iria abordar. Leram bem, né PUAs? Se você acha que ela está te olhando, melhor ir lá confirmar do que depois ficar numa amarga dúvida.

Lá pelas tantas, o assunto recaiu sobre nossa idade (ambos na casa dos 30) e como é a readaptação à vida de solteiro, bem como o sexo casual. Nisso, ela disse que nunca tinha feito sexo casual, mas que tinha uma curiosidade que era inibida pelo medo de parecer puta, fácil. Entendi o lado dela, e pelo seu papo, parecia estar sendo sincera (sempre namorou e tal). Fiz uma menção de irmos lá para casa (de forma bem sutil), mas ela negou de forma enfática (tanto que fiquei até me sentindo mal, hahaha). Contudo, ainda assim permaneci atencioso e carinhoso com ela,

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ouvindo-a falar de sua vida. Descemos para descobrir que o casal de amigos dela foi embora sem ela (que consideração, hein) e me coube a missão de levá-la ao ponto de taxi para que ela pudesse retornar ao albergue onde estava hospedada.

Como o ponto de taxi era caminho para minha casa, tentei minha última cartada.

CHAMELEON: Gosta de café expresso?

HB: Gosto, uai!

CHAMELEON: O café expresso lá de casa eu compro no Starbucks e mando moer. Um café comigo, é só o que peço. Não vai rolar nada que você não queira. Prometo respeitar!

(E tinha essa intenção, mesmo)

Ela aceitou. Beleza. Chegando aqui em casa, eu dei a chave na mão dela, mostrei que a porta estava destrancada e disse que ela poderia sair a hora que quisesse. Isso a deixou confortável. Ela ficou maravilhada pela minha coleção de bonecos. Botei o café para fazer e, enquanto fazia, demos alguns amassos no sofá.

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Nisso, resolvi fazer nela uma massagem-expressa, o que a agradou muito. Ok, confesso. Essa massagem ativa um pouco o desejo feminino. Fomos para o sofá. Ela fez menção que estava na hora de ir embora, mas eu perguntei.

CHAMELEON: Você tem que ir embora ou você quer ir embora?

HB: Tenho que.

CHAMELEON: Não tem.

Continuamos.

Claro que, daí, começaram preliminares que culminaram em um carinhoso FC. A todo instante assegurei-a que estava tudo bem e fui muito atencioso com ela. Afinal, era sua primeira vez casual. Ato consumado, fomos nos lavar e depois abracei-a dizendo que ela foi sensacional. Na hora em que ela disse que tinha de ir embora, em outros tempos eu concordaria, pois não gostava que a HB permanecesse em minha casa após o FC. Para mim, era coisa de consumar o ato e "beijo, beijo". No entanto, desta vez pensei: "Não… Hora de deixar de ser moleque e ser homem".

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CHAMELEON: Fica aqui em casa.

HB: Como assim?

CHAMELEON: Dorme aqui. Você está em albergue. É chato dividir quarto com pessoas. Dorme aqui esta noite. Amanhã, você volta.

Ela concordou. Peguei um travesseiro com fronha limpa, acomodei-a ao meu lado e dormimos abraçados. De manhã, acordamos e novamente fizemos. Dei a ela uma toalha, sabonete, ela tomou um banho. Ficamos boa parte da manhã conversando. Foi engraçado, pois lá pelas tantas o papo recaiu em videogame e nos pegamos cantando as musiquinhas do Super Mario Bros, hehehe.

Tomamos café da manhã vendo Chaves (eu chorando de rir e ela rindo da minha gargalhada) e em seguida levei-a ao hotel.

CHAMELEON:

casual?

Que

tal

sua

primeira

experiência

HB: Acho que eu não tornaria a fazer isso… Mas pelo menos matei a curiosidade, rompi uma barreira. Ainda bem que foi com você.

CHAMELEON: Não há nada de errado em fazer sexo casual, só tenha cuidado com quem escolher para isso.

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Eu só quis te mostrar que, mesmo sendo sem compromisso, você pode ser muito bem tratada, entendeu? Não há porque temer. E em momento algum eu te vi como fácil, e sim como uma adulta que queria a mesma coisa que eu.

HB (sorriu, me deu um beijo e se despediu): Se um dia for a MG, me procure. A gente sairá.

CHAMELEON: Pode deixar.

E com isso, teve fim um "perfect game"… Uma abordagem simples, sincera, que rendeu um FC sem sentimento de culpa alguma, não só por ter sido 100% honesto com a mulher, como também por ter tratado ela como uma dama do começo ao fim.

Contanto que vocês sejam honestos, galera, e deixem bem claro suas intenções, não há muito porquê de se preocuparem da HB se apaixonar se a tratarem bem. Aliás, é um diferencial serem bons homens com elas, independente delas serem ou não namoradas.

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Quem semeia ventos

É simplesmente incrível como, de uma hora para a outra, podemos perder tudo aquilo que tanto tempo levamos para conquistar.

Marchelo era uma boa pessoa, mas tinha um sério problema, que era o de esquecer o Facebook aberto no celular ou até mesmo no computador das outras pessoas.

Volta e meia, aparecia um “sou gay” postado por ele na própria linha de tempo (indício de que alguém havia se apoderado de seu Facebook).

Eu achava isso engraçado (inclusive, cheguei a ser

um dos que fizeram gracinha com seu celular)

em que ele esqueceu o Facebook aberto, não no celular,

mas no computador de ninguém menos que Célia.

Putz, para quê? Homem, quando faz gracinha no celular de outro homem, normalmente só faz pseudo- confissões de homossexualidade. Mulher, por outro lado, brinca de uma forma bem mais branda.

Até o dia

Nesse dia, Célia apoderou-se do Facebook de Marchelo e, passando-se por ele, começou a postar que

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eles haviam ficado e que estavam pensando em namorar. E como ela ia respondendo, de seu próprio Facebook, o que ela mesma ia postando na pele de Marchelo, achei que a história era séria e abri uma janela de bate-papo reservada para averiguar o que houve.

CHAMELEON: Que isso, cara? Depois de tanto tempo me pedindo para te ajudar com a alforria, decidiu ficar com ela? Hahaha!

De repente, recebo um SMS de Marchelo dizendo para eu ficar esperto, pois Célia estava utilizando seu Facebook.

Tarde demais.

MARCHELO (CÉLIA): Alforria?

Tentei

ignorar,

mas

de

repente

recebi

uma

mensagem vinda do Facebook da própria Célia.

CÉLIA: Alforria?

Não lembro exatamente o que foi que respondi, mas lembro que tentei desconversar dizendo que se tratava de uma brincadeira interna entre Marchelo e eu.

e

entre

resolveu

No

entanto,

ler

Célia

o

não

se

convenceu

de

disso

TODO

histórico

conversa

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Marchelo e eu. Foi aí que tudo começou a desandar, pois ela não só descobriu que minha intenção inicial ao seduzi-la era a de “alforriar” Marchelo, mas também toda a farsa que criei para ficar com Paola em São Paulo. Como se isso não fosse suficiente, ela também descobriu que enviei para Marchelo fotos de algumas das meninas que dei FC em minha casa (que eu secretamente fotografava para guardar de lembrança). Embora eu já tivesse parado com esse hábito na data dessa descoberta (e inclusive apagado essas imagens), esse passado era ainda um tanto recente, e não tive como fugir do crivo de seu julgamento.

Célia era uma pessoa muito querida, para não dizer muito influente no ODOD. Quando a verdade veio à tona, a raiva que tomou conta de si foi tão grande que, além de me excluir do Facebook, fez questão de contar ao pessoal do grupo o que ela havia visto.

A partir daquele dia, as coisas nunca mais foram as mesmas e estava evidente que não pertencia mais àquele meio, pois quase ninguém de lá confiava mais em mim e a maioria passou a me tratar com ironia, sarcasmo, falta de respeito e desprezo.

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Às vezes, só nos tocamos do mal que fazemos aos outros quando esse mesmo mal é feito conosco. Depois desse incidente, virei mais um dos alvos do bullying praticado pelo grupo e comecei a sentir na pele todo mal que um dia fiz aos outros. Já dizia a escritora Lillian Glass para tomarmos cuidado com pessoas que falam mal e/ou fazem chacota das outras pelas costas, pois é bem provável que elas façam o mesmo com você.

Eventualmente, acabei abandonando o ODOD – mas nem por isso deixei de ser o assunto em pauta. Quando o grupo promovia um churrasco, por exemplo, meu nome era frequentemente mencionado (sempre seguido por alguma crítica ou piadinha). PUA, para eles, passou a ser um termo pejorativo.

Com o passar do tempo, fiquei sabendo da ocorrência de uma série de episódios de falsidade, adultério e extrema futilidade dentro do grupo. O mais impressionante foi que os nomes envolvidos eram de pessoas que não mediram palavras na hora de julgar e condenar minhas ações. A impressão que tive foi de que não é apenas a zoeira que não tem limites – a hipocrisia, também.

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Arrisco dizer que o rancor de Célia persiste até hoje, mesmo tendo passado mais de um ano. Até pouco tempo atrás, eu volta e meia era adicionado em algum grupo de Facebook ou WhatsApp onde ela estava presente e, mesmo não dirigindo a palavra a ela, via que ela mandava diretas e indiretas à minha pessoa. Isso, quando ela mesma não criava um grupo e me adicionava só para ter o prazer de me banir em seguida.

Às vezes, o corte é profundo demais para sarar.

Perdi a conta de quantas vezes eu a pedi perdão, e embora ela me perdoasse no momento em que fazia esse pedido, no dia seguinte já estava novamente me alfinetando (e não raro com uma intensidade maior que

as demais vezes).

Ainda que muito triste, aceitei resignado as consequências de meus atos passados – afinal de contas, eu fiz por merecer. O que me mantinha firme e forte era

a certeza de que agora, que eu já tinha encontrado o

caminho certo para ser melhor, algum momento eu iria parar de colher tempestades.

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Mihael e Marizinha

Rio de Janeiro, 1997.

Lá estava eu, com 16 anos de idade e um altíssimo grau de timidez. Não tinha perdido sequer a minha virgindade bucal, quanto mais a sexual! Minha mãe havia acabado de se separar de um padrasto abusivo que tive e fomos os dois morar sozinhos em um apartamento em Copacabana. Ao contrário do prédio onde antes morávamos, este novo não tinha pátio e tampouco a quantidade de meninos que tinha no outro. Adeus, futebolzinho na quadra à tarde. Adeus, sessão de Mega- Drive em grupo. Agora, estava mais sozinho do que nunca e a única distração que tinha era um velho computador, que foi comprado em estado seminovo.

Naquela época, a internet era algo caro – mas minha mãe, mesmo tendo poucas condições, fez um sacrifício e assinou. O acesso era discado, e eu tinha de esperar passar da meia-noite para ter direito a navegar à vontade e utilizando apenas um pulso telefônico.

Minha distração-mor era um programa de bate- papo chamado mIRC (se bobear, o mesmo ainda existe). Era, basicamente, o único lugar em que eu conseguia me socializar e até mesmo falar com mulheres. A escola não

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contava, visto que fui, até meu último dia de ensino médio, o alvo-mor de bullying.

Devo ter acessado o mesmo canal de mIRC por cerca de uns três ou quatro anos. Fiz boas amizades à distância (e cheguei a ir em dois ou três “IRContros”), mas o tempo tratou de me separar de boa parte dessas pessoas que eu conhecia.

Rio de Janeiro, 2013.

Era uma tarde de segunda-feira, meados de setembro. Estava eu estudando para a minha pós- graduação quando, de repente, recebo em meu Facebook um pedido de amizade de uma das pessoas que frequentava o mesmo canal de mIRC que eu 16 anos atrás. Para minha grande surpresa, ela havia conseguido reunir uma enorme parte da turma em um grupo específico da rede social, e foi um sem dúvida um reencontro muito agradável.

Uns, envelheceram bastante. Outros, ganharam um tanto de peso. Alguns, ficaram melhores do que eram naquela época. Muitos, viraram maridos, esposas, papais e/ou mamães.

Obviamente, fui uma sensação nesse grupo, pois ninguém esperava que o tímido e revoltado João, que entrava com o apelido de Mihael, viraria um coach em sedução. Dentre as muitas pessoas desse passado que fui

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adicionando à minha lista, estava Marizinha, uma mulher que entrava na mesma época que eu. Embora ela puxasse bastante assunto comigo, eu não a correspondia tanto assim. Lembro que ela vivia preocupada com meu bem- estar e toda vez que ela me via exaltar no bate-papo público, abria uma janela reservada para conversar comigo e tentar me acalmar.

Assim que eu a adicionei no Facebook, ela enviou uma mensagem reservada.

MARIZINHA: E aí, continua revoltado ou está mais calmo? Rsrsrs.

Nisso, começamos a conversar e após as devidas explicações quanto à minha entrada no universo da sedução, descobri que ela estava em Ribeirão Preto fazendo um doutorado (ela era originalmente de Uberlândia e para lá voltaria ao término do mesmo). Um clima agradável surgiu entre a gente e tomei, poucos dias depois (e com o consentimento dela) a decisão de ir a Ribeirão Preto visita-la.

Quando comuniquei isso ao Face, ele ficou um tanto transtornado.

FACEMAN: Você não acha isso um tanto exagerado não?

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Você foi o primeiro a dizer

que estou intolerante demais e que devia dar um

crédito à próxima que mostrasse ser legal

FACEMAN: Sim, mas se o negócio emplacar?

CHAMELEON: Bom, ela se prontificou a vir ao Rio caso o primeiro encontro dê certo. Pensa comigo, cara. Eu conheço essa garota desde os 16 anos. Não seria engraçado se agora, 16 anos depois, a gente ficasse junto?

Ribeirão Preto? Como vai ser,

CHAMELEON: Ah, Face

FACEMAN: Eu acho que você está sendo um pouco fantasioso, mas como sua decisão já foi tomada, vou te apoiar.

CHAMELEON: E tem mais uma coisa, cara. Ela é mineira! Lembra que eu te disse que tinha um pressentimento de que minha próxima namorada seria mineira?

FACEMAN: Você e sua cisma por mineira

Faltavam duas semanas para a ida a Ribeirão. A fim de resgatar o dinheiro que investi para ir lá, perguntei no PUABASE se alguém por lá queria fazer um treinamento particular comigo e, para minha grande sorte, consegui um aluno.

Infelizmente, o encanto começou a esvair antes mesmo do primeiro contato físico que tive com Marizinha.

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Para começar, ela começou a mostrar um comportamento que eu pessoalmente odeio em todo e qualquer ser humano: o de fazer perguntas (muitas delas inúteis) em excesso.

Exemplo nº1:

MARIZINHA: Vai dar bootcamp hoje?

CHAMELEON: Sim.

MARIZINHA: Onde vai ser?

CHAMELEON: Bukowski.

MARIZINHA: Onde fica?

CHAMELEON: Faz diferença se você souber?

MARIZINHA: Não, só estava curiosa, mesmo.

Exemplo nº2:

MARIZINHA: Já almoçou?

CHAMELEON: Já.

MARIZINHA: Comeu o quê?

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CHAMELEON: Macarrão.

MARIZINHA: Estava bom?

CHAMELEON: Sim.

MARIZINHA: Huuuuuuuum.

MARIZINHA: Tendi.

Exemplo nº3:

MARIZINHA: Oi

CHAMELEON: Oi

MARIZINHA: Tá zangado?

CHAMELEON: Não.

MARIZINHA: Tem certeza?

CHAMELEON: Tenho, é que eu estou trabalhando.

MARIZINHA: Huuuuuuuum. MARIZINHA: Tendi.

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CHAMELEON

Exemplo nº4 (no mesmo dia que o exemplo nº3):

MARIZINHA: Trabalhando muito?

CHAMELEON: Bastante.

MARIZINHA: Tem certeza que não está zangado?

MARIZINHA: Está tudo bem mesmo?

CHAMELEON: Sim, pô! Já disse, só estou ocupado!

MARIZINHA: Viu, está zangado. Porque fica omitindo isso de mim?

E eu, por dentro, fazendo um esforço sobrenatural

para ser paciente.

“Releva, João”, pensava. “Você pediu uma provação para ser um homem melhor e mais tolerante com as pessoas. Esta é a sua oportunidade”.

No entanto, estava ficando cada vez mais complicado. Além desse jeito interrogador, ela começou a revelar uma personalidade exageradamente metódica (o que para alguém da área criativa, como eu, é algo enlouquecedor) e quase nenhum de seus gostos batiam com os meus.

A ida a Ribeirão Preto até que transcorreu de uma

maneira tranquila. Fiquei maravilhado com a cidade, pois

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apesar de ser considerado interior, era bastante urbanizada (infraestrutura excelente), tinha uma arquitetura (bem como um povo) sofisticado e o melhor:

um custo de vida infinitamente mais acessível que o do Rio de Janeiro. Outra coisa que me chamou atenção foi a proporção mulheres para cada homem. Quando fui à balada com meu aluno, a fila de mulheres tinha mais de 30 garotas (enquanto que a dos homens, tinha apenas uns seis).

Como eu bem havia suspeitado, Marizinha e eu não tivemos química alguma (destarte nossas tentativas). Apesar do carinho e do respeito que tínhamos um pelo outro, não havia o mais remoto sinal de algo que pudesse sequer ser assemelhado a um sentimento de “paixão”.

Houve, por exemplo, um momento em que estávamos assistindo televisão no sofá e a todo instante ela pedia que eu fizesse algo nela.

“Me faz cafuné?”

“Me abraça?”

“Chega mais perto?”

De repente, ela me olha nos olhos e, com a voz mais manhosa, esganiçada (e irritante) deste planeta, diz:

“Me beija!”

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CHAMELEON

Ok, isso foi o que ela disse. Contudo, a forma

como

beeeeeeija!”.

Nunca gostei de gente que pede carinho. Sempre fui partidário da opinião de que carinho não se pede, carinho se conquista. E naquele momento, eu estava contando até 10 para não falar alguma grosseria.

Apesar dessa notável falta de química, eu insistia em fazer vista grossa, achando que era a minha temida intolerância falando mais alto e que eu deveria exercitar mais a paciência. Aliás, minha (ou teria sido “nossa”) paciência foi tão grande que, duas semanas depois desse final de semana eu retornei a Ribeirão. Já estávamos ambos desanimados, mas foi bom porque pudemos pôr um ponto final face-a-face.

Na volta para o Rio, ainda no aeroporto de

Ribeirão Preto, caiu a ficha que eu estava novamente na

pista

Um tal de

Tinder.

paquera e do qual já havia ouvido falar muito

E decidi baixar um aplicativo móvel destinado à

menos assim: “Miiiii

ela

falou

foi

mais

ou

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Um VIP e tanto

Assim que voltei de Ribeirão Preto, recebi no Facebook uma mensagem de um rapaz chamado Flávio, querendo agendar uma consultoria VIP comigo. Eu tinha hábito de fazer essas consultorias particulares “por fora” para complementar minha renda (que, por sinal, não andava nada bem).

Encontramo-nos no Rio Sul (onde eu havia ido comprar café) e fomos para minha casa, onde repassamos o conteúdo teórico antes de partirmos para o Bukowski.

O que era para ser uma noite de trabalho virou uma das sarges onde mais closei em toda minha vida. Seria Flávio um amuleto da sorte?

Naquela época, estava rolando o festival Rock in Rio e as pessoas inevitavelmente perguntavam se havíamos ido a algum dia do evento. Combinamos que, a cada vez que alguém nos perguntasse “você foi no Rock in Rio?”, iríamos pagar uma cerveja para o outro.

Dito e feito. Abordamos grupos e mais grupos, e em 100% deles essa pergunta nos foi feita. Devemos ter bebido, cada um, pelo menos umas seis cervejas com essa brincadeira.

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CHAMELEON

Lá pelas 23h (e devidamente aquecidos), Flávio e eu começamos a jogar para valer.

Meu primeiro close da noite foi uma mulher que, segundo Flávio, deve ter me dado uns 30 foras antes de finalmente ficar comigo. Para ele, essa persistência foi tão marcante que até hoje o episódio é mencionado pela sua pessoa.

Hoje em dia, eu sei identificar quando uma mulher está afim (ainda que ela, no começo, se faça de difícil). A linguagem não-verbal não mente. Apesar dos “nãos” que ela me dava, a receptividade dela ao meu toque estava muito grande. De repente, o “não” deu lugar a um “agora não”, que logo virou um “aqui não”. Em pouco tempo, ela parou de falar “não” e começou a dizer “mais tarde”.

Além da certeza de que ela estava afim, eu sempre mudava a minha estratégia a cada investida que fazia. Quando uma pessoa nega um pedido, ela o irá negar novamente se a nova tentativa for idêntica à anterior. Às vezes, investia sério. Outras, investia com humor. Em alguns casos, mudava ela de lugar (pois o corpo parado tende a influenciar a teimosia de uma pessoa, e mudando ela de lugar você pode recondicionar seu processo decisório). Ela era jogo duro, mas eu sabia que era uma questão de tempo – e adorava desafios!

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HB: Já sei. Vamos trocar de WhatsApp. Daí a gente conversa e marca de sair, só nós dois. E vamos ver no que vai dar.

CHAMELEON: Eu preciso de um incentivo para sair com você.

HB: Já disse que hoje não rola.

Olhei para o meu relógio e eram 23:58.

CHAMELEON: Ok! Hoje não rola, certo?

HB: Uhum.

CHAMELEON: Isso quer dizer que, tirando hoje, qualquer outro dia vai estar valendo?

HB (meio receosa): É, né?

CHAMELEON: Ok, pode me beijar. É meia-noite. Já estamos em outro dia.

HB (me batendo): Ah, não vale!

CHAMELEON: Para com isso, minha filha! Para bater em mim tem que ter intimidade e zero-roupas no corpo. A intimidade pode ser conquistada agora com o beijo. A parte do zero-roupas pode ser ou não negociada para outro dia.

HB (ri): Bobo!

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CHAMELEON

Tentei mais uma (de muitas) investidas para conseguir o KC. Mais uma vez, ela recusou, desta vez com um sorriso safado.

HB: Peraí.

Nisso, ela jogou fora sua cerveja e guardou o celular (que o tempo todo esteve em sua mão) na bolsa.

HB: Vem cá!

Nossa, quase fui engolido nesse KC!

CHAMELEON: Selvagem, você hein!

HB: O que foi? Não quis tanto me beijar? Agora você vai me beijar!

Como eu estava a trabalho e não podia ficar muito tempo com ela, fiquei uns 10 minutos e ejetei - com os lábios todos mordidos e o pescoço ligeiramente arranhado. Apesar dela ter me procurado após esse dia, não fiquei animado para sair uma segunda vez – e desconversei.

Saí à procura de Flávio e, quando o vi, ele estava dando um KC em uma loira alta que, mais tarde, revelou ser uma delegada de polícia em Goiânia.

“Ufa, ele está legal”, pensei.

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João Abrantes

De repente, ouvi um “fala, gato!” atrás de mim. Era uma HB “habitué” do Bukowski, com quem já tinha ficado algumas vezes. Nem tive tempo de responder, pois ela logo me puxou para o KC. Ela sempre fazia isso quando bebia além da conta.

CHAMELEON

você?

HB: Bem também. Até mais!

(rindo):

Eu

vou

bem,

obrigado.

E

Essa garota era muito peculiar. A primeira vez que a closei, não levei nem 2 minutos. Apenas captei o IDI e parti para cima. As vezes seguintes, foi praticamente ela quem me closou. Teve um dia, inclusive, que saí com mais 5 ex-alunos de bootcamp – e todos eles a closaram. Chegou a ser cômico, pois formamos uma fila (obviamente, não na frente dela) e quando eu dizia: “sua vez, fulano!”, o aluno ia até ela e m poucos minutos já a estava beijando.

Em seguida, fui ao banheiro e, na saída, vi uma mulher que com certeza era gringa.

CHAMELEON daqui, né?

(falando

em

inglês):

Você

não

é

HB

(respondendo

em

inglês):

Não,

sou

da

Inglaterra!

CHAMELEON: Inglaterra, morei lá!

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CHAMELEON

as

diferenças culturais entre países)

CHAMELEON: Sabe, eu tenho um curso de inglês, e nativos sempre têm preferencia. Você tem interesse em dar aulas?

HB: Obrigada, mas eu volto para a Inglaterra semana que vem. Mas em outros tempos eu teria aceitado, porque eu estava dando aulas por aqui.

(Alguns

minutos

de

conversa

fiada

sobre

CHAMELEON: Volta semana que vem? Eu tenho outra proposta para você. Mas aqui está barulhento. Vem comigo.

Arrastei-a para a parte externa do estabelecimento.

CHAMELEON: Sabe, eu nunca em toda minha vida beijei uma britânica.

HB (sem graça): Ah, sai fora. Você deve dizer isso para todas as estrangeiras que você paquera.

CHAMELEON (já de corpo-a-corpo e kinando):

Juro por tudo que é mais sagrado.

HB: Não acredito em você.

CHAMELEON: Você tem esse direito. Mas, na dúvida, porque não realizar esse meu desejo e voltar para a Inglaterra sabendo que fez um brasileiro ganhar a noite?

KC.

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João Abrantes

Assim que me despedi da inglesa, encontrei Flávio sozinho.

CHAMELEON: Cara, esta está sendo uma das melhores sarges da minha vida!

FLÁVIO: Cara, vou te dizer uma coisa. Quando eu vi você levando aquela quantidade de toco, cheguei a duvidar de quem você era. Mas quando eu vi vocês se agarrando, na mesma hora pensei “esse é o Chameleon, o João ficou em casa”.

CHAMELEON: E a noite ainda não acabou. Vamos nessa!

de mulheres e, enquanto

Flávio distraía duas delas, comecei a interagir com a

terceira, que revelou ter um sotaque hispânico.

Abordamos um

trio

CHAMELEON: Ustedes não es daqui, certito?

HB (rindo muito): Pode falar português, eu entendo!

CHAMELEON: Ótimo, você me preservou de uma humilhação sem precedentes.

Aparentemente, ela veio da Bolívia exclusivamente para o Rock in Rio. Ficamos uns dez minutos de conversa fiada. Quando olho para o lado, Flávio havia sumido com as outras duas amigas, o que me deixou ainda mais seguro para fazer a investida.

99

CHAMELEON

O pior é que eu falei quase a mesma coisa que falei para a inglesa.

CHAMELEON: Sabe, eu nunca em toda minha vida beijei uma boliviana.

fez

charme e não mostrou resistência alguma.

Ao

contrário

da

inglesa,

a

boliviana

não

KC.

“Cara, estou com sangue nos olhos hoje”, pensei.

Quando reencontrei Flávio, eis que o vi em seu segundo KC. O cara era bom. Aliás, nem sei porque precisou de aulas particulares!

Eram 3 da manhã e a quantidade de pessoas na casa já havia reduzido pela metade.

Já havia liberado Flávio e estava prestes a ir embora, quando vejo, sozinha, uma mulher que closei no passado, mas que parou de falar comigo depois que descobriu que eu era PUA (digamos que ela faça parte dos 2% de mulheres que fogem da minha raça).

CHAMELEON: Ora, ora! Tudo bem?

HB: Sim, e você?

CHAMELEON: Eu estou bem. Para ficar ótimo, só falta eu sair daqui de pazes feitas com você.

100

João Abrantes

HB: João, a gente não brigou. Eu que prefiro ficar com um cara que não me veja como estatística.

CHAMELEON: Você não acha que está sendo um pouco injusta com essa sua colocação?

HB: Não é o que vocês fazem? Eu pesquisei.

CHAMELEON: Foi isso que eu te transmiti quando ficamos?

HB: Não, mas

CHAMELEON: Como foi que eu te tratei?

HB: Muito bem. Mas poderia ser manobra sua.

CHAMELEON: Manobra minha? Alô? Tem alguém aí? Até onde eu lembro, foi você quem me disse que estava numa fase de curtir a vida. Ou você tinha intenção de algo mais sério comigo?

HB: Não, não mesmo. Eu queria que fosse algo sem compromisso, sim. Eu só me senti feita de idiota.

CHAMELEON: Me responde uma coisa. Você alguma vez já ficou com um cara que te desrespeitou?

HB: Sim, porquê?

CHAMELEON: Já te explico. Já ficou com algum cara que te iludiu com várias promessas fantasiosas, só para tirar proveito de você?

101

CHAMELEON

HB:

aconteceu.

CHAMELEON: Eu fiz algo do gênero com você?

Não

foi

tão

dramático

assim,

mas

sim

HB: Ah, não vem com esses seus truques mentais

CHAMELEON: Não, não. Não estou fazendo truque mental algum. Eu só estou te ajudando a constatar o óbvio. Você já conheceu caras que te maltrataram e nem PUAs eles eram, enquanto que aquele, que assume ser PUA e que te tratou com todo carinho e respeito é visto com preconceito.

HB (cabisbaixa): Desculpa. Você tem razão.

CHAMELEON: Sem problemas. Só queria resolver essa situação contigo. Fiquei chateado. Estava ansioso para ter um segundo encontro contigo e reviver aquele seu beijo.

HB (sorrindo): Ah, é?

Alguns segundos de silêncio e

HB: Cretino. Safado.

KC.

CHAMELEON: Já fui chamado de pior.

HB: Não, é porque eu estou quase namorando e aqui estou eu, beijando você.

CHAMELEON: Opa

Desculpa, não sabia.

102

João Abrantes

HB: Está tudo bem entre a gente, mas eu estou realmente decidida a aceitar o pedido de namoro do cara com quem estou saindo, e se isso acontecer eu te peço, por favor, que não venha falar comigo se me encontrar aqui.

CHAMELEON: E no final, quem é que foi feito de idiota, né?

HB: Para, não dificulta as coisas.

CHAMELEON: Não, não. Eu te entendo. E te desejo felicidades. Sério.

Despedimo-nos, paguei a comanda e fui embora. Nem precisei honrar a promessa, pois nunca mais a encontrei por lá.

Apesar de não ter havido extração, posso dizer que foi um lindo night game. Parecia até um ritual de despedida de solteiro, pois eu estava cada vez mais perto de encontrar uma pessoa que iria me fazer rever vários conceitos.

103

CHAMELEON

A super-conferência

Era uma manhã de sábado e eu estava de passagens compradas para retornar a São Paulo - desta vez, a trabalho. A PUATraining estava realizando uma super-conferência e eu era um dos palestrantes. Assim que cheguei à cidade, fui direto do aeroporto para o local de realização do evento, um dos muitos prédios da Avenida Paulista.

Minha palestra foi curta, mas foi um sucesso. O tema foi “Sete dicas para quem está começando no pickup”.

Alguns dos clientes pagantes fecharam um pacote extra que envolvia um night game comigo, Fenix e Phill em alguma balada paulista. Fui para o hotel e aproveitei para tirar um cochilo, pois ainda faltava muitas horas para encontrar o pessoal todo.

A balada escolhida foi uma tal de Provocateur. Já havia ouvido falar, e sabia que era uma das mais caras e sofisticadas baladas da cidade (senão a mais). Sinceramente, nunca curti esse tipo de ambiente, pois costuma ser frequentado por filhinhos de papai e mulheres de inteligência inversamente proporcional ao grau de cuidado que têm com a aparência.

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João Abrantes

Já estava desanimado com o lugar onde seria o night game, e essa noite eu comprovei algo que sempre tive suspeita: eu não pertencia ao círculo social da PUATraining.

Sempre que estive a sós com Fenix ou Phill, conseguia conversar com eles numa boa. No entanto, quando os dois estavam juntos (e/ou com quem mais fizesse parte da patota, como por exemplo os instrutores de São Paulo), eu me sentia deslocado e até mesmo excluído das conversas. Apesar de fazer um esforço para me integrar nos papos que rolavam entre eles, eu não conseguia me sentir integrado.

Eles não faziam isso por mal, tenho certeza disso. Éramos apenas de mundos diferentes. Eu sou um homem simples, que se contenta em ficar no meio ao povo com uma cerveja barata e um ambiente com um bom Rock n’ Roll. Eles, por sua vez, preferiam celebrar a vida no camarote de um ambiente refinado, com uma boa garrafa de Gray Goose ou Chandon no balde de gelo.

Entrei como VIP, ganhei acesso ao camarote e a consumação estava por conta da PUATraining. Nunca, em toda minha vida, vi uma concentração tão alta de mulheres lindas por metro quadrado. Tinha motivos suficientes para sorrir a toa e me sentir igual a um pinto no lixo, mas estava completamente desanimado.

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CHAMELEON

Em nome dos clientes que pagaram para estar lá, fiz um esforço para sargear com eles. A cada abordagem que fazia, minhas suspeitas eram consolidadas - o que aquelas mulheres tinham de lindas, tinham de imbecis. Estava começando a ficar com raiva do ambiente.

Presenciei duas brigas entre filhinhos de papai. Uma delas foi ridícula, pois um deles estava completamente bêbado e teve a lata de falar para o segurança para que o soltasse, pois tinha 23 anos e merecia ser tratado como um adulto.

“Cresce, seu prego”, pensei para mim mesmo

Fiquei menos de duas horas nessa balada e não aguentei - inventei uma dor de barriga e fui embora. À saída, vi uma série de carros finos (Ferrari, Porsche, Lamborghini) - coisa que nunca havia visto em território brasileiro.

“Definitivamente, isto não é para mim”.

E a partir daquele dia, comecei a repensar se eu gostaria de continuar fazendo parte desse meio.

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João Abrantes

A terceira festa-a-fantasia

Finalmente, eis que chegou a hora de falar, em detalhes, da fantasia de Homem-de-Ferro (a mesma que me aproximou de Célia e que me garantiu um dos FCs mais esquisitos de toda minha jornada PUA).

Era o último final-de-semana de outubro e fazia oito meses que eu esperava por este dia – a minha terceira festa-a-fantasia (para variar, no Bukowski).

As duas primeiras vezes fui fantasiado de Tony Stark, o alter-ego do Homem-de-Ferro, e desta vez decidi que iria com a fantasia completa do herói (ou seja, com a armadura).

Comprei, imediatamente após a última festa-a- fantasia que fui (no Carnaval desse mesmo ano e relatada em Jornada pelas sombras), uma fantasia de carnaval licenciada do Homem-de-Ferro no eBay. Obviamente, não era uma armadura de ferro, e sim um macacão estampado e repleto de enchimentos, que davam volume a certos detalhes da roupa.

Na foto, o caimento parecia bom. Na vida real, que decepção. A máscara era à base daquele plástico vagabundo, igual o daquelas máscaras de quinta-categoria que se compra nas bancas de jornal.

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CHAMELEON

O macacão era fechado pelas costas e havia apenas

três pequenos círculos de velcro para prender as extremidades. Qualquer movimento em falso e os velcros logo separavam-se.

Não havia uma abertura frontal à altura da virilha. Se eu parasse para ir ao banheiro (o que fatalmente ocorreria), eu teria de tirar TODO o macacão para liberar o “dito cujo”.

isto?”,

“Nossa,

por

onde

começo

a

consertar

pensei.

Primeiro, levei o macacão ao alfaiate. Mandei trocar os velcros por um zíper e criar uma abertura frontal (também fechada por um zíper).

Em seguida, encomendei uma máscara de paintball customizada para ficar igual ao capacete do homem-de- ferro – e como a parte traseira da cabeça ficaria exposta, resolvi o problema comprando uma touca de motoqueiro vermelha.

A roupa não tinha botas. Minha idéia inicial era a

de conseguir um par de botas de motoqueiro, pois elas

são cheias de detalhes que quase as assemelham a uma armadura. Contudo, essas botas eram caríssimas. Resolvi

o problema com duas caneleiras de boxe-tailandês

vermelhas, que também davam a impressão de uma peça

de armadura (sobretudo se vistas à noite).

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João Abrantes

Isso tudo que relatei não representa nem metade das mudanças que realizei na roupa. Foram literalmente meses de dedicação ao figurino (e muita improvisação). Queria impressionar e, ao mesmo tempo, abocanhar o tão disputado prêmio de melhor fantasia.

No dia da festa, levei a fantasia dentro de uma mochila e só a vesti após ter entrado no estabelecimento.

Virei sensação entre os funcionários do local. Só com a equipe do Bukowski, tirei várias fotos.

estabelecimento. Virei sensação entre os funcionários do local. Só com a equipe do Bukowski, tirei várias

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CHAMELEON

Conforme sempre fiz nesse tipo de evento, encarnei o personagem e mexi com todo mundo. Apesar de ser o centro das atenções, acho que criei expectativas altas demais e me decepcionei com o resultado final, pois dei apenas 3 KC – e a pior parte é que só lembro da primeira mulher (que estava fantasiada de policial). Não houve extração alguma, pois estava tão imerso no personagem do Homem-de-Ferro que comecei a pedir uísque (pois era uma bebida compatível com Tony Stark) e, a partir daí, meu julgamento (e memória) começaram a ficar um tanto comprometidos.

O jogo com a policial foi muito fácil, pois ela estava com uma amiga e essa amiga estava na fila para ser maquiada no estande de maquiagens cinematográficas. Abri o set, conversei com as duas e, quando chegou a vez dessa amiga, chamei a policial para me acompanhar num drink e, segundos após chegarmos ao balcão do bar, consegui o primeiro KC da noite.

Ainda que torto (e honrando o papelão que o super-herói fez em Homem-de-Ferro 2), esperei até o final – pois estava certo de que iria ganhar um prêmio. Eram três prêmios. Algum deles eu iria levar. Todos me diziam que eu era um favorito.

Para minha enorme decepção, os premiados foram um cara que foi fantasiado de Hellraiser (não o meu amigo PUA, mas o personagem do filme), uma outra

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João Abrantes

fantasia que nem lembro mais qual foi e um casal que foi fantasiado de garfo e faca (apenas o capacete improvisado simulando o talher).

Como assim? Quando foi que houve a decisão? Quem decidiu? Isso foi aberto ao público? E quem era esse cara fantasiado de Hellraiser? Depois, fiquei sabendo que ele entrou no estabelecimento apenas meia hora antes do resultado! Que marmelada! Até os funcionários ficaram surpresos com o resultado (nem eles entenderam o critério da premiação utilizado pela direção).

No dia seguinte, ironizei a página do evento da festa no Facebook com a foto de uma marmelada e a legenda “nada como uma boa marmelada neste café da manhã após a festa-a-fantasia, não acham?”.

Alguns dias depois (e com os ânimos mais calmos), parei para pensar. Na primeira festa a fantasia que fui (relatada em Improvisando, adaptando e superando), fiz uma fantasia extremamente simples, chamativa, arrasei na qualidade de meu jogo e não estava nem aí para o prêmio. Na segunda festa, a fantasia estava melhor, mas eu já estava almejando alguma premiação e um saldo maior de closes (devido ao sucesso da primeira festa). Apesar de ter havido uma extração no final, senti que a qualidade do jogo como um todo havia caído (e embora tivesse ficado um pouco chateado, não liguei por não ter

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CHAMELEON

levado a premiação). Na terceira festa, fui na intenção de ganhar o prêmio e também de fazer um estrago em termos de closes – gastei rios de dinheiro e foi, sem dúvida, a pior das três festas-a-fantasia que compareci (pois saí de lá bêbado, furioso e insatisfeito).

Que vergonha. Mesmo com toda minha experiência, cometi um dos mais batidos erros do jogo: o de escolher o caminho da complexidade e apego ao resultado. Normalmente, quem opta por esse caminho vira uma vítima do estresse, da tensão, do cansaço e, se por algum acaso não ganhar, do rancor e da frustração.

O caminho da simplicidade e do desapego aos resultados, por sua vez, marcado diversão, crescimento e muita alegria. O próprio caminho é o prêmio em si, e o que vier de bom é um bem-vindo bônus.

Lição aprendida. Ou melhor, relembrada.

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João Abrantes

Eis que surge ela

FACEMAN: O quão ruim?

CHAMELEON: Muito ruim.

Estávamos no começo de novembro. O ano chegava ao fim e desde o começo de sua segunda metade, minha vida financeira começou a entrar em decadência. Gastei dinheiro demais com noitadas e viagens para fora do Rio de Janeiro. O que antes era um pequeno negativo virou uma bola de neve. Face, que agora trabalhava em uma firma de renome, passou a ser uma figura habitual em minha casa nas noites de sexta – e não raro arcava com a comida.

CHAMELEON: Vou ter que parar de sair à noite.

FACEMAN: Não precisa parar. A gente sargeia em fields abertos. Tipo a Lapa.

CHAMELEON: Putz, Lapa cara? Lá é a segunda divisão do pickup. É como se fosse o grupo de acesso.

FACEMAN: Se não fosse essa segunda divisão, você não teria chegado onde você chegou.

CHAMELEON: Você tem razão. Estou cuspindo no prato que comi. Ah, deixa eu te mostrar uma coisa. Um aplicativo novo que descobri, chamado Tinder. Já tenho usado ele durante um tempo. Muito bom para

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CHAMELEON

sargear sem ter que sair de casa. Basicamente, você é apresentado a um leque de mulheres cadastradas e vai dizendo se gostou ou não delas. Se por acaso aquela que você gostou também curtiu você, aparece uma janela de bate-papo para se vocês conhecerem melhor.

FACEMAN: E tem dado certo?

CHAMELEON: Saí com uma no domingo passado. A gente ficou, mas depois que nos despedimos ela simplesmente sumiu e não retornou minhas mensagens.

FACEMAN: Devia estar fazendo besteira.

CHAMELEON: Ou era maluca

Para te ser sincero, tem que ser muito paciente com este aplicativo. Não é porque ela te curtiu que a conversa vai ser maravilhosa. Na verdade, de cada dez combinações, três irão render um papo que vá além do “oi”, “onde você mora?” e “o que você gosta de fazer?”. Quer ver? Vamos marcar algumas.

Ou os dois. Vai saber.

Nisso, abri o aplicativo e comecei a passar as fotos das meninas que me eram sugeridas.

CHAMELEON: Gostei.

FACEMAN: Calma, vê as outras fotos antes.

CHAMELEON: Putz, era só ângulo.

FACEMAN: Falei?

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João Abrantes

Veredito: não. Próxima!

FACEMAN: Essa sim! Nem precisa ver as outras fotos. Melhor, veja.

CHAMELEON: Putz

Será que é puta?

FACEMAN: Contanto que te dê de graça, que mal tem?

Veredito: sim. Próxima!

CHAMELEON: Olha só que merda, um homem no meio dessa mulherada toda.

Veredito: não. Próxima!

FACEMAN

E

CHAMELEON

(juntos):

NEM

FUDENDO!

Veredito: não. Próxima!

CHAMELEON: Dá para o gasto.

FACEMAN: Tem cara de ser dessas mulheres mais recatadas.

CHAMELEON: Ah, não. Outra Marizinha, tô fora.

FACEMAN: Que merda de foto é essa?

CHAMELEON: Parece algum protesto, deixa eu ver Putz. Marcha pela legalização da maconha.

Veredito: não. Próxima!

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CHAMELEON

CHAMELEON (rindo): Essa aqui parece você de peruca, Face!

FACEMAN: Vá à merda.

Veredito: não. Próxima!

CHAMELEON: Ah, essa é uma gracinha.

FACEMAN: Vamos ver as ouras fotos.

CHAMELEON: Hum

Eu gostei.

Veredito: sim. Próxima!

CHAMELEON: Olha só a ostentação, batendo foto em iate. Deve ser dessas mulheres que só anda com esses riquinhos que a gente vê em camarote. Aliás, o nome dela já diz tudo. Patrícia. Patricinha.

FACEMAN: Mas é bonita, hein.

CHAMELEON: Deixa eu ver as outras fotos.

Foi aí que eu vi uma foto dessa garota sorrindo – e que sorriso lindo!

CHAMELEON: Cara! Adorei esse sorriso! Se fosse

pela foto do iate, nem ia curtir muito desta

Mas depois

E foi aí que uma simples escolha mudou o curso de tudo. Veredito : sim.

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João Abrantes

Pat

Era uma noite de quinta-feira e sábado eu iria para Baependi – desta vez, a trabalho. Ofereci, a um preço bem razoável, um one-on-one para um dos rapazes que assistiu à super-conferência e que morava perto da cidade.

Estava arrumando a cama para deitar quando meu celular vibrou, acusando uma nova combinação no Tinder. Era Patrícia, a garota do iate!

Como eu já ia dormir, mandei uma mensagem (diga-se de passagem, bem tosca) que dizia mais ou menos o seguinte:

Olá! Gostei de você e estou ansioso para conversar contigo, mas estou indo deitar agora. Amanhã, te dou toda a atenção que merece. Beijos!

Sua resposta, foi a mais desanimadora possível:

Show. Bjs

“Putz, mais uma daquelas meninas monossilábicas e que não sabem conversar”, pensei.

Já no dia seguinte, sexta-feira, fui para a casa de meus pais (como viajaríamos juntos para Baependi de

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CHAMELEON

manhã cedo, decidi passar a noite lá) e minha mãe pediu que eu a ajudasse a carregar as compras. Estava um dia lindo, e a caminho do supermercado, puxei meu celular do bolso e mandei mais uma mensagem a ela, apenas para ver se ela era aquilo que pareceu ser à primeira vista.

CHAMELEON: Olá! Lindo dia hoje!

PAT: Lindo mesmo! Tudo bem?

CHAMELEON: Tudo ótimo. Como está aproveitando esse lindo dia? O meu, está sendo muito bem- aproveitado, indo ao mercado com a minha mãe.

PAT: Rs. Eu também estou no mercado.

CHAMELEON: Mentira. Qual deles?

PAT: Pão de Açúcar.

CHAMELEON: Eu estou no Zona Sul. Nossa, já imaginou se estivéssemos no mesmo supermercado e nosso primeiro encontro fosse exatamente dentro dele? Você deixaria cair umas maçãs da cesta, uma delas iria rolando e bateria no meu pé. Eu a apanharia, te entregaria e começaria aí uma linda história.

PAT: Rs! Muito romântico, estilo filme de Hollywood.

CHAMELEON: Não é? Daí, o dia que eu fosse te pedir em casamento, faria a pergunta no meio do mercado e todos bateriam palmas.

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João Abrantes

PAT: E porque não fazer a cerimônia de casamento no mercado também? Não seria algo especial?

CHAMELEON:

raciocínio.

PAT: E a boa do final de semana, qual vai ser?

Gostei

de

você

e

de

sua

linha

de

CHAMELEON: Vou para Minas Gerais com a família, mas vou passar o fim-de-semana saindo com um amigo meu que já está a caminho de lá.

PAT: MG? Que cidade? É que eu sou de lá.

Mineira, que maravilha! Seria ela a mineira do meu pressentimento? Fiquei animado, mas decidi manter os pés no chão para evitar idealizações desnecessárias.

Rapidamente, fomos do Tinder para o WhatsApp. Passamos a tarde inteira conversando. As horas passavam, mas o papo não acabava. Só fomos nos despedir à noite, na hora em que ela saiu com as amigas para a festa de uma delas – e ainda assim, tão logo chegou em casa, me enviou uma mensagem. Eram seis da manhã, mas eu já estava acordado porque sairíamos do Rio de Janeiro às sete.

PAT: Que festa chata! Bem disse que não queria ter ido, né?

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CHAMELEON

CHAMELEON: Hahaha. Teria sido melhor ir ver o filme do Pelé. 1

PAT: Fatooooo!

Conversamos uma meia hora e despedimo-nos, pois ela iria dormir e eu iria viajar.

numa

velocidade maior que a esperada.

Ainda que eu estivesse em Baependi a trabalho e treinando o meu amigo, aproveitava alguns períodos do dia para conversar com ela. Adicionamos um ao outro no Facebook e ela logo descobriu o que eu fazia além das aulas de inglês. Mulher já é curiosa. Mulher mineira, então, deveria ser referência para toda e qualquer escola de detetives.

Eu já tinha meu discurso-padrão para as mulheres

que descobriam o PUA:

Sim, eu trabalho com sedução. Sim, eu tive que estudar para aprender. Infelizmente, não nasci fazendo parte da parcela que sabe fazer isso naturalmente. Eu tive de passar por isso, porque a falta de habilidade com o sexo feminino refletia negativamente numa série de outros aspectos da minha vida. Já fui o maior perdedor deste planeta e já fui o cara mais cafajeste que uma mulher poderia conhecer. Conheci os dois polos para aprender o que é ser um

A

partir

daí,

as

coisas

progrediram

1 Referência a uma piada do programa de humor mexicano “Chaves”.

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João Abrantes

homem de verdade e atingir o meio-termo. Se eu não tivesse passado por isso, eu não teria atingido a independência financeira, feito tantos amigos e tampouco estaria aqui, agora, conversando com você.

Nisso, enviei a ela um PDF de meu primeiro livro, o qual ela, curiosa, leu em uma noite. Assim que terminou a leitura, ela me enviou uma mensagem.

PAT: Terminei de ler!

CHAMELEON: Devo desistir de meus planos de te chamar para sair ?

PAT: Rs. Não. Mas teve uma coisa que não gostei nem um pouco de ler.

CHAMELEON: O quê?

PAT: De você falando de uma tal de “maldição dos olhos castanhos”, reclamando que nunca pegava mulher de olho claro. Perdeu inúmeros pontos comigo! Rs

CHAMELEON: Ah, deixa disso, vai! Hahaha! Vem cá, eu volto domingo, na hora do almoço. Que tal um chopp no final da tarde?

PAT: Pode ser!

E eis que foi marcado nosso primeiro encontro, que aconteceu no Bar Belmonte da Praia do Flamengo. Quando a vi ao vivo pela primeira vez, fiquei

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CHAMELEON

impressionado – ela era ainda mais bonita ao vivo! Conversamos por horas a fio sobre tudo – signos, filmes, PUA (claro), trabalho, videogame e seriados. Fiquei chocado quando descobri que ela conhecia e acompanhava seriados que apenas eu julgava gostar, pois ninguém mais conhecia. Potencial parceira para uma boa maratona televisiva num domingo preguiçoso.

Conforme era de se esperar, a primeira investida que fiz para o KC foi negada com uma falsa RUM.

PAT (sorrindo e virando a cabeça): Não, não! Não vai ser tão fácil assim, senhor sedutor.

Depois desse pequeno momento de descontração, acabamos nos beijando e o restante do encontro transcorreu da maneira mais agradável possível – tanto que nos despedimos já marcando um Day 2. Que foi seguido por um Day 3, um Day 4, um Day 5

Só sei dizer que, em questão de umas duas semanas, oficializamos o namoro. Ficou evidente ( e não só para nós dois, mas também para todas as pessoas que nos cercavam) que nossa química era excelente. Tínhamos o mesmo senso de humor, uma boa sincronia de gostos em geral e uma impecável reciprocidade de paixão, carinho, atenção e amizade.

Foi aí que me dei conta, mais do que nunca, da importância do ciclo de valor em um relacionamento.

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João Abrantes

Imagine que valor seja algo tangível e líquido, que você carregue em algum compartimento imaginário de seu corpo. Quando você dá valor a alguém, suas reservas do mesmo começam a diminuir. Se a outra parte não retribuir esse valor para repor as reservas perdidas, você vira uma pessoa sem valor algum.

Neste exato momento em que estou redigindo este parágrafo, Pat e eu ainda estamos juntos e prestes a completar um ano de relacionamento. O ciclo de valor sempre esteve equilibrado entre a gente.

O conselho que deixo para qualquer um que esteja buscando um relacionamento sério é que não basta ela ser bonita, inteligente e dona de uma personalidade que seja o seu número – ela tem de ser uma pessoa que retribui, na mesma medida, o valor que você dá a ela. Se a sua parceira não retribui à altura seus gestos de carinho (independente do mesmo ser um email, uma mensagem de texto, um presente, um elogio, um cafuné, uma ligação, um abraço etc.), não fique buscando explicações para justificar esse desequilíbrio de valor e tampouco aceite desculpas esfarrapadas. Se a sua parceira o deixa frequentemente inseguro ou se ela o obriga a ficar a todo instante jogando com ela (por exemplo, dando um “gelo” para obriga-la a correr atrás de você), está evidente que ela não te merece e toda e qualquer insistência (ou melhor, teimosia) levará a uma relação conturbada, desgastante e nem um pouco saudável.

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CHAMELEON

Existe grande sabedoria no ditado “antes só que mal acompanhado” - e se não foi desta vez, alguma hora será. Só não deixe de acreditar e tampouco de dar uma chance a quem merece para ver no que vai dar.

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João Abrantes

Crise

oficialmente

atingido o estágio do caos financeiro.

Como se já não bastasse o rombo que eu mesmo provoquei por causa de meus gastos desenfreados, o custo de vida no Rio de Janeiro beirou o insustentável em virtude da Copa do Mundo que seria sediada no Brasil. Metade de meus clientes cancelaram as aulas de inglês por motivo de corte de custos. Uma gama de cursos de inglês de quinta categoria (e também de professores particulares amadores) surgiram para tirar proveito da proximidade da Copa e oferecerem aulas a valores absurdamente baixos (às vezes, metade do valor praticado pela minha empresa, que já era abaixo da média). Estava praticamente impossível captar novos alunos.

A soma de tudo fez com que meu estresse atingisse um nível em que eu não mais conseguia dormir direito (tinha episódios recorrentes de insônia). Perdi o ânimo para me exercitar, me alimentava mal e vivia ranzinza. Ganhei cerca de 8 kg – minhas roupas ficaram apertadas e como eu não tinha dinheiro para comprar novas, fiquei um bom tempo fazendo um papelão em termos de aparência.

Era

Janeiro

de

2014

e

eu

havia

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CHAMELEON

Foi nessa época, inclusive, que eu descobri quem eram, afinal de contas, meus amigos de verdade. Minha família, bem como Faceman, Joey-Z, Fenix e muitos outros contribuíram bastante com ajuda material e/ou financeira.

Patrícia, por sua vez, não saiu do meu lado e fez um dos melhores usos já feitos de meu lema “improvisar, adaptar, superar” - já que iríamos deixar de sair para comer, ela reuniu as receitas das comidas que mais gostávamos e propôs que as fizéssemos em casa, juntos. Fazíamos tudo que era tipo de comida (mexicana, japonesa, americana etc.) e nossas refeições eram sempre acompanhadas por cerveja de marca barata e um bom filme baixado (ou então, uma sessão de videogame).

Estava legitimamente emocionado com o apoio que eu estava recebendo e foi aí que me toquei de algo extremamente importante, mas que ao mesmo tempo não estava sendo levado em consideração.

Eu já havia passado por uma crise parecida, em 2009 (quando houve aquela crise financeira mundial). Minha empresa quase faliu e tive de trabalhar “de graça” durante um ano para pagar as dívidas que foram contraídas com demissões, rescisões prematuras de contratos de serviços, pintura/reforma de sala comercial (para entregar ao proprietário) etc. Essa época foi tensa, pois minha ex-mulher e eu fomos viver de favor na casa

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João Abrantes

de minha ex-sogra e era vergonhoso passar o dia inteiro

trabalhando e nunca trazer nada para casa – e como se isso não fosse o bastante, tive de raspar minha poupança

e vender uma série de bens pessoais meus para

complementar o pagamento dessas dívidas. Meu Macintosh, minha filmadora, meu Playstation, meu ar- condicionado, meu projetor etc. Lembro que cheguei a passar fome, e como eu ficava o dia inteiro no Centro do Rio, eu aproveitava os intervalos entre uma aula e outra para fuçar os corredores dos edifícios comerciais onde trabalhava para achar cartuchos de impressora vazios e posteriormente vende-los para comprar um prato feito de comida. Foi durante essa crise, inclusive, que meu casamento acabou.

Naquela época, eu não tinha a atitude e a sociabilidade que hoje tenho. Nas poucas oportunidades que tive para captar um novo cliente ou até mesmo arrumar um emprego (sim, cheguei a cogitar desistir de ser empresário), fui sumariamente rejeitado. Não tinha perspectiva alguma de melhoria e minha ex-mulher, ao invés de me apoiar, ficava me xingando de inútil.

Como eu não tinha experiência, networking e tampouco o apoio de pessoas mais próximas (tirando a família, é claro), me deixei levar pelo desespero. Passava noites e mais noites chorando por que não aguentava mais a pressão que era exercida sobre mim e, ao mesmo tempo, não sabia o que fazer para sair dessa.

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CHAMELEON

Na primeira vez em que isso aconteceu, foi o próprio pickup que me salvou, pois a desenvoltura social que adquiri como PUA me levou a fechar, naquela época, uma série de novos clientes – o suficiente para sair do buraco e ficar financeiramente independente.

Agora, cinco anos depois e diante de uma nova crise, de uma coisa eu tinha certeza: eu não mais era o João de 2009. Desta vez eu estava mais vivido, mais conectado, repleto de amigos e com uma namorada extremamente companheira. Eu não mais estava sozinho.

certeza – só não sabia

como. A resposta, no entanto, veio mais cedo do que

Eu iria sair dessa, com

imaginei.

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João Abrantes

Improvisar

Mesmo estando cansado, mal-humorado e fora de forma, eu ainda fazia parte do quadro de instrutores da PUATraining e fui escalado para ministrar o bootcamp de janeiro. Como eu precisava (e muito) do dinheiro, passei uma semana trabalhando meu estado interno para que no dia estivesse em plenas condições de conduzir o treinamento. Para me ajudar, escalei Joey-Z e Faceman.

À medida que o treinamento transcorria, comecei a comentar com Patrícia algo que eu já vinha notando faz algum tempo nesses bootcamps de 3 dias (independente da empresa e/ou PUA que o conduzisse): metade dos homens que fazia esse tipo de treinamento o terminava ainda despreparado para enfrentar o mundo lá fora.

Isso era evidente devido ao alto índice de alunos que pagavam para repetir o treinamento (conheci pessoas que chegaram a fazer o bootcamp quatro vezes seguidas) e também ao considerável índice de alunos que regrediam ao estágio de beta uma vez que começavam um relacionamento sério (como aconteceu com Gustavo, por exemplo).

Nem sempre um final de semana muda anos e mais anos de crenças limitantes profundamente fincadas, e quando o homem não se resolve por dentro, a

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CHAMELEON

tendência é que ele desenvolva um personagem, um alter-ego que mascare o seu verdadeiro eu. Esse teatro funciona muito bem para seduzir uma mulher no primeiro encontro, mas a mentira não se sustenta no médio-longo prazo. Quando ele começa a namorar, fatalmente a máscara cai e revela sua verdadeira faceta (para o desencanto da parceira, que imediatamente começa a mudar a opinião que tem desse homem).

O resultado disso é uma parcela de homens profundamente perturbados, reféns do intenso conflito interno entre quem eles são por dentro e quem eles parecem ser por fora. Homens esses que não raro fogem de um relacionamento sério pelo medo da exposição de seu verdadeiro eu e que justificam esse temor com a desculpa de que amam ser solteiros.

Essas constatações todas não são mero fruto da observação, mas também da experiência própria, pois já me comportei assim.

PAT: Existe alguma maneira de treinar esse povo sem que fique para trás essas sequelas todas?

CHAMELEON: Dar, dá. Mas não seria coisa de 3 dias, pois eu precisaria desenvolver o cara de dentro para fora, para que ele ficasse 100% congruente.

PAT: E por que você não cria sua própria empresa PUA?

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João Abrantes

A sugestão de Patrícia não era exatamente nova. Já fui, por diversas vezes, instigado por outras pessoas a abrir a minha própria escola de pickup. Por que será que nunca levei isso adiante? Não sei. Talvez porque eu me sentisse antiético em fazê-lo, ainda mais depois de ter visto dois ex-instrutores fazendo isso com a PUATraining. Não queria ser mais um e muito menos queimar meu filme com Fenix, quem eu sempre considerei um irmão.

Ao mesmo tempo, eu sentia mais prazer trabalhando como instrutor de pickup que como professor de inglês. Não seria nada mal fazer disso um empreendimento e ter uma fonte de renda complementar fazendo algo que adoro!

“Não é porque eu vou ter a minha própria empresa que vou precisar competir com o Fenix. Podemos ter uma cisão amigável e inclusive virarmos parceiros em oportunidades futuras”, pensei.

Naquela mesma noite, lembrei de algo que postei no grupo Sedutores, no Facebook, em abril de 2013:

Se eu criasse uma UPU (Universidade do Pick UP)? Acho que

Reparem que os três primeiros semestres são tão

somente construção de inner game e estilo de vida:

faria assim

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Primeiro Semestre

CHAMELEON

PNL I

Sexologia I

Antropologia aplicada à sedução

Estilo I – Cuidados Pessoais

Etiqueta e Boas Maneiras I Segundo Semestre

PNL II

Estilo II – Vestuário

Técnica Vocal

Oficina de Interpretação I

Sexologia II

Terceiro Semestre

PNL III

Liderança I

Oficina de Interpretação II

João Abrantes

Conversa & Argumentação I

Estilo III – Cuidados com a casa Quarto Semestre

Liderança II

Conversa & Argumentação II

Oficina de Criatividade & Humor I

Night game I

Day game I

Atividade Prática I Quinto Semestre

Oficina de Criatividade & Humor II

Night game II

Day game II

Atividade Prática I Sexto Semestre

Night game III

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CHAMELEON

Day game III

Atividade Prática III

Monitoria I (orientar praticantes de Atividade Prática I e

II)

Sétimo Semestre

TCC (desenvolver tese voltada para o assunto)

Monitoria II (orientar praticantes de Atividade Prática

III)

Atenção, alunos: Relatos de Campo contam como horas de atividade complementar.

O post, que foi feito no intuito de brincar e que tantas curtidas recebeu, acabou virando uma referencia para aquilo que eu estava prestes a criar.

Essa empreitada, no entanto, não seria um jogo solitário. Precisava de um sócio que fosse alguém completamente oposto a mim. Alguém lógico, orientado ao operacional. Que contrabalançasse este meu lado extremamente criativo e desconexo. Eureka! Liguei para Joey-Z e disse que tinha uma proposta para ele.

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João Abrantes

Não lembro que dia da semana foi, mas uma bela noite, Joey-Z apareceu lá em casa (com um engradado de cerveja, é claro) e depois de ter repassado com ele toda a problematização que anteriormente citei, fiz a minha proposta.

CHAMELEON: Lembra, Joey, que toda sexta-feira e antes da sarge a gente fazia uma concentração aqui em casa para repassar algo novo que tínhamos estudado ao longo da semana?

JOEY-Z: Lembro, pô. Inclusive, foi graças a isso que meu jogo evoluiu!

CHAMELEON: E se a gente abrisse uma empresa e criasse um treinamento baseado nesse período de um ano em que ficamos estudando essas coisas? E se a gente associasse esse conteúdo ao que aprendemos pela experiência e criássemos algo em que a mudança fosse infinitamente mais consistente que em qualquer outro treinamento?

JOEY-Z: Eu acho a ideia foda.

CHAMELEON: Então, me deixe te mostrar o rascunho de algo que batizei de Universidade Social.

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CHAMELEON

Adaptar

Era óbvio que não iríamos criar uma universidade

de verdade (até porque o Ministério da Educação jamais

aprovaria um instituto que gradua os homens em sedução e comportamento alpha).

A ideia era a de criar um bootcamp de um mês de duração (chamado de Alpha Lifestyle Camp, ou ALC) e que mesclasse aulas online com aulas presenciais. Sua estrutura seria inspirada na de um curso universitário e além de matérias imprescindíveis para o desenvolvimento do comportamento alpha (PNL, etiqueta, estilo, liderança, falar em público, culinária etc.), teríamos atividades práticas em campo (day game, night game e até mesmo bar game), avaliações (tanto do desempenho online quanto presencial) e até mesmo a possibilidade de reprovação.

Nossa meta era a de oferecer um treinamento que homem algum sentisse a necessidade de repetir – tanto que criamos a regra de que uma vez cursado, ninguém poderia refazer o ALC.

A fase de produção levou 4 meses (fevereiro a maio),

sobretudo porque Joey e eu éramos inexperientes e cometemos muitos erros.

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João Abrantes

Como não tínhamos verba para alugar um estúdio, as filmagens todas ocorreram dentro da minha própria casa (um minúsculo quitinete) e optamos por usar a tela verde (chroma key) para variar o cenário e não levar a público aquele ambiente de “vídeo feito em casa” (por mais que o fosse).

A primeira câmera que adquirimos, por exemplo, era horrorosa para filmagens internas (mesmo havendo excelente iluminação) e como não tínhamos como ver uma prévia da imagem na televisão (apenas aquele minúsculo display do dispositivo), acabávamos gravando

para depois assistir no computador e concordar que a qualidade estava horrorosa. Depois de três dias filmando

a exata mesma palestra, convencemo-nos de que

precisávamos comprar uma câmera decente (e assim

fizemos).

Tive de aprender a utilizar o Final Cut para editar nossos vídeos, e como não tinha como pagar um treinamento nesse software, eu o fiz do bom e velho modo autodidata. No começo, o trabalho estava um

tanto amador. Contudo, à medida que o tempo passava,

fui capaz de fazer belas produções.

Acionamos todo nosso círculo social para que pudéssemos ter ilustres presenças que agregassem valor às nossas aulas. Além de Johny Vice, um PUA da era de

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CHAMELEON

ouro que falou sobre jogo social, tivemos a presença de um consultor financeiro, um chef, um barman etc.

Foram noites e mais noites em claro de trabalho – e em paralelo à produção o Alpha Lifestyle Camp, tinha de dar as minhas (poucas) aulas de inglês e também cuidar da minha aparência (aliás, quem faz o ALC nota meu emagrecimento ao longo das aulas online, pois estou notavelmente mais bochechudo na primeira semana do curso).

Loki, que apareceu no livro anterior, chegou a trabalhar cerca de um mês conosco e iria assumir o cargo de reitor da unidade de São Paulo. Inclusive, ele veio ao Rio de Janeiro e até mesmo gravou alguns quadros conosco para as aulas online. Contudo, problemas familiares (leia-se saúde) o obrigaram a sair e tivemos de regravar tudo aquilo que foi gravado com ele (o que postergou nosso prazo para conclusão).

Descobri um lado workaholic que eu não imaginava ter. Trabalhava muito, mas ao mesmo tempo trabalhava com vontade, com prazer. Eu simplesmente QUERIA trabalhar. Sabia que estava criando algo diferente, algo revolucionário. Às vezes, meu perfeccionismo me tornava alguém difícil de lidar (nesse aspecto, Joey foi extremamente paciente comigo).

Como se não bastasse ter de praticamente virar um profissional em edição de vídeo, tive de me recriar

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João Abrantes

como web-designer e aprender a fazer algo que sempre julguei muito além da minha capacidade: criar uma plataforma de e-learning. Para minha sorte, a tecnologia havia evoluído o suficiente para facilitar a implantação, e embora tenha sido trabalhoso, não o foi tanto quanto seria se isso tivesse sido pensado dois anos antes.

Para ajudar com o marketing, contratamos os serviços de Bruno Tassitani, um mPUA que se dedicou às artes das vendas com louvor.

A cisão com a PUATraining aconteceu de uma maneira amigável, tanto que Fenix se manteve à disposição para nos ajudar no que precisássemos, e sempre mantivemos uma porta aberta para futuras parcerias (o que acredito ser o certo a se fazer).

Decidimos que, antes de toda e qualquer campanha de vendas, iriamos fazer uma turma experimental, batizada de “turma 0”. Dentre os alunos que fizeram parte dessa turma-piloto, estavam Viks, Faceman e Flávio.

A turma 0 foi um sucesso, apesar de um índice de ausência de 30%. Infelizmente, quando se oferece um produto gratuito (ou até mesmo muito barato), a tendência é que o consumidor não o atribua o devido valor. No entanto, toda e qualquer lacuna apurada na turma 0 foi anotada para ser revista e consertada para a realização da turma seguinte.

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CHAMELEON

A turma 1, por sua vez, foi fenomenal – foram 10 alunos (nosso quórum máximo) e 100% de aproveitamento. Isso mesmo, todos evoluíram e se deram bem.

Com o tempo, Flávio, Faceman, Bruce Kraken e Dani Hell (um ex-aluno meu de outros bootcamps) integraram a equipe de instrutores e KING e Digão também, como instrutores sazonais convidados.

Quem fazia o ALC, saía satisfeito e absolutamente certo de que tinha feito o treinamento mais completo e revolucionário do pickup. Pela primeira vez em solo brasileiro, um curso de pickup que não se preocupava apenas com a arte da sedução, mas também com o desenvolvimento pessoal, social e profissional do homem. Foi, sem dúvida, a minha redenção, a minha chance para desenvolver homens bons, que não cometessem os mesmos erros que cometi no passado.

para palestrar em

congressos, podcasts e até mesmo programas de rádio, ao

vivo para o Brasil inteiro.

Passei

a

ser

chamado

Eu estava realizado.

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João Abrantes

Superar

Em agosto do mesmo ano, saí do negativo (graças à associação dos louros da US à uma conduta de gastos pessoais prudentes e moderados) e voltei a dormir sossegado. O melhor foi que eu consegui suportar a crise sem ter de recorrer a remédio psicotrópico algum (ainda que minha médica a todo instante o recomendasse).

Patrícia e eu mantivemos o hábito de cozinhar em casa (porque era extremamente divertido) e ela acabou se apaixonando pela gastronomia – tanto que já é capaz de cozinhar uma série de pratos complexos de culinária autoral. Acredito que ela está a um passo de fazer disso uma segunda profissão.

Quando não estou dando um bootcamp, estamos em casa fazendo maratona de filmes, seriados, desenhos animados e videogame (tudo isso regado a muita cerveja barata, outra coisa que não abdicamos).

Ainda que tenha passado a ser dono de minha própria empresa de pickup e a fazer da mesma uma renda de sustento complementar, nunca deixei de dar ajuda gratuita às pessoas mais necessitadas. Como fui ficando cada vez mais ocupado e sem disponibilidade de tempo para falar com todo mundo, fui criando materiais gratuitos que fizessem essa ajuda perdurar.

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Decidi que iria aplicar o conhecimento de e-learning que adquiri construindo o Alpha Lifestyle Camp para expandir meu curso de inglês para uma plataforma de ensino digital e, quiçá, passar a atender o Brasil (ou quem sabe o mundo?).

Sabia que teria uma série de desafios pela frente e estava pronto para enfrenta-los com um sorriso no rosto.

Uma nova era estava começando, repleta de realizações pessoais, profissionais, sociais e afetivas. Tudo indicava que essa nova era seria, como dizem na língua inglesa, “fucking awesome”.

FIM

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João Abrantes

Conselhos finais

E eis que chegou a hora de me despedir. Espero que esses três anos de trajetória documentada tenham sido de alguma valia para o seu aprendizado (e entretenimento, claro). Escrever estes três volumes foi trabalhoso, mas ao mesmo tempo muito divertido.

Para encerrar com chave de ouro, gostaria de deixar alguns conselhos, coisas que eu gostaria muito de ter ouvido em 2011, quando comecei.

1. Não existe sucesso sem comprometimento.

Independente da área em que você almeja o sucesso, esteja preparado para trabalhar duro e para relevar resultados iniciais desanimadores. Ninguém ganha a faixa preta na primeira aula. Muitas vezes, você terá de sacrificar tempo, dinheiro e até mesmo pessoas (sobretudo aquelas que só te puxam para baixo).

Quando eu estava começando, fiz do hábito de sargear uma disciplina sem precedentes – tanto que eu saía independente de estar cansado, sem dinheiro ou até mesmo doente (sim, eu sargeava sob efeito de analgésicos para aliviar a febre). Se você não treinar com frequência, jamais evoluirá para o próximo estágio. Não só no pickup, mas em qualquer área da vida.

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CHAMELEON

Tive de aguentar uma série de gracinhas, ironias e até mesmo ameaças de abandono por parte de amigos e familiares que discordavam da minha associação ao pickup, mas resisti ao ímpeto de ceder porque só eu sabia o quão doloroso era ser aquele João que eles gostariam que eu continuasse sendo. Enquanto que algumas dessas pessoas acabaram entendendo e aprenderam a admirar meu novo eu, outras se afastaram – e quer saber? Não fazem a menor falta.

Mesmo sem dinheiro, contraí um empréstimo para fazer meu primeiro bootcamp. Cheguei a ser chamado de maluco e até mesmo imprudente pelas pessoas de meu círculo social, mas quando elas viram a desenvoltura social que ganhei (e que levou à minha ascensão profissional/financeira), logo calaram a boca.

Schoppenhauer já dizia que quanto mais árdua a batalha, mais duradoura é a glória – e hoje entendo o porquê. Não fique à mercê do acaso, esperando que a sorte sorria. Arme-se e vá à luta!

2. Tropeçar é normal, imperdoável é permanecer caído.

Eu tenho uma boa e uma má notícia para você. A má notícia é que você não pode brincar de Superman. A boa, é que você pode brincar de Wolverine. O que diabos quero dizer com isso, você pergunta?

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Superman é invencível. Sua pele é impenetrável e ele nem mesmo chega a se ferir.

Wolverine, por sua vez, não é um herói exatamente “invencível”. Sua pele não é impenetrável, e ele está propenso a se ferir. No entanto, todo e qualquer ferimento seu cicatriza em tempo-recorde.

Você jamais estará isento de se machucar, mas você pode controlar a velocidade com a qual seus ferimentos cicatrizarão para poder continuar seguindo em frente.

Nem sempre uma trajetória de sucesso é marcada por uma constante de vitórias – às vezes, ocorrem fracassos significativos, autênticas “porradas morais” que, em um primeiro instante certamente o derrubarão – e tudo bem se você cair! No entanto, uma vez caído, não lamente o ferimento – ative o seu “fator de cura”, levante-se e siga em frente.

Quando meu casamento acabou, eu não tinha a força que só fui adquirir mais tarde, e passei alguns meses em uma fossa que em nada me ajudou. Dois anos depois, quando meu namoro de um ano e quatro meses com Mel terminou, eu decidi voltar à ativa NO MESMO DIA em que terminamos.

Radical? Talvez. A questão é que a vida é curta demais para perdermos tempo lamentando nossos erros

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ou vivendo um luto por alguém que com certeza já seguiu em frente. Cada dia que você passa em inatividade é um dia que deixou de aproveitar para fazer algo extraordinário.

3. O mundo não tem botão de “pausa”.

Já dizia Cazuza que o tempo não para. Sucesso é

uma questão de timing, de aproveitar as janelas de oportunidade que a vida ocasionalmente abre – e muitas vezes, é melhor arriscar (mesmo sem saber se está preparado) do que deixar passar e amargar o arrependimento.

Aquela gata não ficará para sempre sozinha na pista (independente do sentido da afirmação ser literal ou figurativo). Se não tomar uma atitude agora, outro cara a tomará na sua frente - e você voltará para casa se sentindo o maior idiota deste planeta (era isso que acontecia comigo no começo, quando eu deixava de abordar as garotas que me interessavam).

É melhor pecar por ser apressado do que pecar

por ser lerdo. Na próxima vez que ver aquela gata de bobeira, aquela vaga de emprego aberta ou aquele produto que você sempre quis comprar em promoção, aproveite a oportunidade que a vida o está dando.

O mundo não tem botão de “pausa”. Se você ficar

raciocinando demais ou esperando o momento certo

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João Abrantes

para aproveitar a oportunidade, pode ser que passe o resto da vida fazendo isso (enquanto todos à sua volta evoluem). Não seja um cara lerdo. Entre em ação. Hoje. Agora. Como já diria o boxeador Apollo Creed em Rocky III, “NÃO HÄ AMANHÃ! NÃO HÁ AMANHÃ!”.

4. Valorize apenas quem te valoriza de volta.

disto neste mesmo livro e

tornarei a dizer, tamanha é a importância do assunto.

Entre de coração aberto em toda e qualquer nova amizade e/ou relacionamento afetivo que a vida o apresentar – contudo, se notar que essas pessoas não retribuem o valor que você as dá na mesma moeda, caia fora.

Quando você cede valor a uma pessoa que não o “repõe”, você vira uma pessoa sem valor e será consequentemente visto como carente, inoportuno e sem amor-próprio.

Caso a outra parte não retribua o valor que você a dá e não existe uma justificativa plausível para isso, não fique idealizando motivos ou tampouco acatando desculpas esfarrapadas. Seja um homem com amor- próprio e afaste-se dessa pessoa, pois certamente existem outras que estão dispostas a valorizá-lo.

falei a respeito

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CHAMELEON

5. Mulheres sempre serão mulheres.

Já dizia David Deidta em O caminho do homem superior que o comportamento da mulher sempre será percebido pelo homem como algo caótico. Aprenda a rir do drama emocional sem fim que o sexo feminino aparenta curtir cultivar, não perca seu tempo tentando mudar o que é inerente à natureza dela (e tampouco espere que um dia ela irá mudar).

Se o comportamento de sua parceira estiver

intolerável, então é melhor que você a deixe. No entanto, tenha em mente que episódios de birra, orgulho e teimosia são comuns, e nessas horas a melhor coisa a

fazer é desarmá-la com um carinhoso abraço e um sincero “eu te amo”.

O amor pode realinhar seu comportamento,

enquanto que toda e qualquer tentativa de “consertá-la”

só trará frustração.

As pessoas não mudam – o que muda é a forma como as enxergamos e/ou lidamos com elas.

Lembre-se de que a mulher não é sua inimiga - ela é apenas diferente. Não cometa o erro de achar que ela processa a realidade igual a um homem.

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João Abrantes

Se você procura uma mulher que processe a realidade igual a um homem, recomendo que namore uma transexual operada.

Outra coisa: a mulher SEMPRE fará shit-tests com

o homem, independente destes terem acabado de se

conhecer ou de estarem há sessenta anos casados. O que muda é o formato dos mesmos. No começo, são ironias,

grosserias ou pequenas demandas, tais como a compra

de uma bebida ou uma carona para algum determinado lugar. Com o decorrer da relação, os shit-tests viram pedidos de mudança em seu comportamento, modo de

se vestir, pessoas com quem anda etc.

Saiba diferenciar concessão de sacrifício, pois este último sempre envolve abrir mão de quem você é e/ou das metas que traçou para sua vida. Concessões são aceitáveis, sacrifícios não.

6. Não repita o que deu errado

Existe um batido e muito sábio dizer: loucura é fazer sempre a mesma coisa e esperar que disso saia um resultado diferente.

Quando você insiste em usar abordagens e/ou estratégias que já provaram ser ineficazes, perde-se tempo, energia e valiosas oportunidades para crescer.

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Não existe segredo: caso sua estratégia anterior tenha dado errado, mude até acertar.

Reler um livro não muda o final da história, apenas apura mais (e muitas vezes indesejados) detalhes da mesma. Se você quiser um novo final, feche esse livro que você não para de reler e abra um novo.

7. Prepare-se para enfrentar a inveja

Vivemos em um mundo composto por rebanhos e mais rebanhos de pessoas acomodadas, infelizes e pessimistas. Quando alguém sai do rebanho e encontra seu lugar ao sol, isso é percebido pelas demais pessoas como um violento ataque ao seu ego. É como se o subconsciente as comunicasse o seguinte:

Ele conseguiu ser feliz fazendo aquilo que eu escolhi não fazer por medo ou por achar que não ia dar certo. Sou um merda e me odeio por não ter tido a mesma ousadia dessa pessoa. Este sentimento de raiva está acabando comigo e preciso encontrar alguma maneira para me livrar dele. Já sei! Se essa pessoa voltar a ser infeliz, eu vou parar de sentir raiva de mim mesmo. Nada que umas fofocas, um desmerecimento das conquistas ou uma ataque à sua pessoa sob falso pretexto de que ele não é tudo isso não resolva!

Uma

vez

consolidado

pessoas começam a:

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esse pensamento, essas

João Abrantes

a) Caluniar – “Chameleon é uma farsa, nunca vi um vídeo infield dele”;

b) Desmerecer – “Ridículo ficar ensinando sedução, isso é coisa de charlatão que fica se aproveitando do desespero de certos homens”;

c) Julgar – “Você não mudou, você criou uma máscara para se defender de um mundo que sempre te atacou e agora está interpretando um personagem”;

d) Ironizar – “Ih, chegou o sedutor. Escondam suas irmãs, escondam suas mães, escondam suas tias e protejam seus rabos, senão vai ter gente rodando hoje”.

E por aí vai.

Certamente, sua reação inicial será de confusão ou até mesmo incredulidade.

“Nunca fiz mal algum a essa pessoa, porque ela está fazendo isso?”, é o que passará em sua mente.

É bem possível que você fique tentado a se defender ou se explicar para essa pessoa que o atacou, em uma vã tentativa de apaziguar os ânimos. No entanto, não perca seu tempo com isso.

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CHAMELEON

Nenhum invejoso acha que é invejoso – ele é como um vampiro, que não consegue enxergar o próprio reflexo no espelho. Não adianta revidar expondo essa inveja. A melhor coisa a fazer é ignorar, pois todo e qualquer argumento que utilizar em sua própria defesa pode ser voltado contra você (em formato de chacota, ironia ou até mesmo uma interpretação propositalmente maliciosa do que acabou de dizer).

Limite-se a sentir pena daquele que poderia estar utilizando o seu exemplo de sucesso para também sair da zona de conforto e atingir a grandeza, mas que preferiu concentrar seus esforços para te regredir ao mesmo nível de mediocridade dele. Sei que nem sempre será fácil relevar, mas alguma hora você conseguirá e isso o trará uma gigantesca superioridade moral.

Os perdedores têm sonhos, os vencedores têm

metas.

8. A autovalorização não é um pecado

muitos

erroneamente pensam, não significa silenciar seus talentos. Isto, na realidade, se chama “idiotice”.

Você sinceramente vê alguma lógica em ocultar seus talentos das outras pessoas para não parecer arrogante, ainda mais numa época em que o marketing pessoal tem sido um diferencial competitivo?

Ser

humilde,

ao

contrário

do

que

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João Abrantes

Imagine uma entrevista de emprego, onde você está disputando uma vaga junto a uma série de outros candidatos. Você vai deixar de reconhecer aquilo no qual tem certeza que é bom, por medo de parecer convencido e correr o risco de perder a vaga para aquele que o fizer?

Ao longo da vida, você encontrará pessoas que ficarão intimidadas pelo seu amor-próprio, o julgarão como arrogante e iniciarão um sermão sobre a importância da humildade - e nem sempre elas estarão certas.

Arrogância é quando você se acha melhor que todos os demais e fecha a própria mente para todo e qualquer novo aprendizado.

Reconhecer que é bom em algo sem entretanto achar que é melhor que os outros não é arrogância, é autovalorização – e isso não é pecado.

Humildade, por sua vez, é reconhecer suas próprias limitações e estar eternamente aberto à revisão de conceitos antigos e até mesmo absorção de novos.

É perfeitamente possível conciliar autovalorização com humildade.

Agora, pense comigo: quando alguém julga a sua autovalorização como arrogância e diz que você deveria ser mais humilde, isso teoricamente significa que essa

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CHAMELEON

pessoa se acha melhor do que você como ser humano (senão, ela nem se daria ao trabalho de o dar uma “lição de moral”). Isso não seria um ato de arrogância?

Como já diz o dito popular

“Toma essa!”.

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João Abrantes

Agradecimentos

E não é que eu escrevi uma trilogia? Está aí algo que nunca, jamais imaginei que um dia iria fazer!

alguns

agradecimentos especiais.

Primeiro, gostaria de agradecer ao PUA Badboy, que vim a conhecer em abril de 2014. Foi ele quem me deu os melhores conselhos para enfrentar a onda de inveja e maledicência que comecei a sofrer com a ascensão da Universidade Social.

Para

variar,

gostaria

de

deixar

de inveja e maledicência que comecei a sofrer com a ascensão da Universidade Social. Para variar,

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CHAMELEON

Em seguida, gostaria de deixar um gigantesco “obrigado” ao Fenix e a todo o pessoal da PUATraining por toda ajuda e aprendizado que recebi. Posso não fazer mais parte do quadro, mas tenho imenso respeito, admiração e amizade por todos.

Outro que surgiu já no final, mas que ajudou muito foi o Johnny Vice. Empreendedor assim como eu, foi um dos que mais apoiou a iniciativa da Universidade Social. Valeu, Johnny! Sucesso a você e à Titan Wings!

Desnecessário mencionar o quão grato sou aos GRANDES amigos Faceman, Flávio, Bruce Kraken, Dani Hell, KING, Digão, William Oliveira, Rhayssam Arraes, Renno Assis, Joaquim Lorenzoni, Brunno Tassitani, Marcelo Trigo, Marchelo Coser, Jéssica Motoko, Adrian Villar, Kenzo Fujisse e mais uma série de pessoas que, se fossem todas enumeradas aqui, renderia umas 50 páginas extras de livro.

Aproveito para estender essa gratidão a Viks, Gereco, Ninha, Luara, Renato Meirelles, Tauan, Ananda, Sherman, Lazo, Lila, Amanda(s), Nalu, Marcelo, Samanta, Laura, Dayane, Thais, Thayane, Silas, Júnior e Ícaro – minhas companhias de WhatsApp.

O que dizer do Joey-Z? Ex-aluno, ex-colega de trabalho e atual sócio, sempre foi o primeiro a chegar com um engradado de Heineken em minha casa (independente do motivo ser uma comemoração ou uma

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João Abrantes

fossa), e como co-criador da Universidade Social, dos poucos que aturou (e ainda atura) meu jeito perfeccionista, agressivo e exigente nos negócios. Muito obrigado cara!

Agradecimentos especiais para o Bar Bukowski e para a cidade de Baependi-MG. Dentre os muitos palcos de minha história, estes dois foram os mais frequentes e, consequentemente, onde tive meu maior crescimento.

que

muito me ajudou (sobretudo, na época da crise).

Por falar em crise, são poucas as mulheres que em meio a tamanha tormenta dizem ao namorado “eu não estou nem aí se você está sem dinheiro. Se a gente não pode sair para comer, faremos nossa própria comida. Se

a gente não pode ir ao cinema, baixaremos os filmes que queremos ver. Para tudo, daremos um jeito”. Muito

obrigado, Pat, por ter estado ao meu lado a todo instante

e me apoiando incondicionalmente. De verdade. :)

Por último, queria agradecer a você, leitor, por ter lido, elogiado e me motivado a continuar. Esta trilogia é também um