CRIMES CONTRA A VIDA

 Homicídio (art.121)

O que caracteriza o homicídio é a morte encefálica da vítima.

Tão importante quanto a conduta é o animus do agente.

A caracterização do crime de homicídio se dá com a junção da conduta + intenção.

o Homicídio simples:
Previsto no caput do art. 121. Pena: reclusão, de 6 a 20 anos.

o Homicídio Privilegiado (causa especial de redução de pena - minorante):
Art. 121, §1º. Pena reduzida de 1/6 a 1/3.
 Relevante valor social (respeito ao próximo, à dignidade da pessoa humana,
etc.) ou moral (família, religião, trabalho, etc.);
 Sob o domínio de violenta emoção (estado de espírito momentâneo), logo
em seguida a injusta provocação da vítima.
* art. 28, I: Não excluem da imputabilidade penal a emoção ou a
paixão.

o Homicídio Qualificado (crime hediondo):
Art. 121, §2º. Pena: reclusão, de 12 a 30 anos.
 Mediante paga ou promessa de recompensa (não necessariamente
dinheiro) ou por outro motivo torpe;
Homicídio motivado por um
sentimento desprezível, que demonstra a
maldade do agente. Ex.: filho, que desejando
receber a herança do pai, mata-o.
 Por motivo fútil;
Motivo pequeno, ínfimo. Ex.: matar alguém por uma dívida de R$
2,00. Não é a mesma coisa que homicídio gratuito. Ex.: matar
alguém por matar, sem motivo algum.
 Com emprego de veneno (só funciona como qualificadora se a vítima não
souber que está sendo envenenada – entendimento jurisprudencial), fogo,
explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que
possa resultar perigo comum;
 À traição (presume que exista algum tipo de conhecimento prévio entro o
sujeito ativo do delito e a vítima), de emboscada (se ocultar para atingir a
vítima de forma mais fácil) ou mediante dissimulação (esconder o seu real
propósito) ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa
do ofendido;
 Para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de
outro crime (qualificadora por conexão. Ex.: matar o segurança do banco
para poder assaltar o local).

Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 se o crime é praticado contra
pessoa menor de 14 anos ou maior de 60 anos.

* É possível que um crime seja, ao mesmo tempo, qualificado e privilegiado. Ex.:
Crime com emprego de fogo ou veneno, mas a motivação pode ser relevante valor social ou
moral. Nesse caso, não é crime hediondo.

o Homicídio Culposo:
Art. 121, §3º. Pena: detenção, de 1 a 3 anos.
- Aumento de pena: 1/3 se o crime resulta de inobservância de regra técnica
de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima,
não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em
flagrante.
- Imperícia: adotar uma conduta sem ter o conhecimento necessário.
- Imprudência: o agente sabe o que está fazendo, mas não toma as cautelas
necessárias para realizar a conduta.
- Negligência: não fez algo que deveria fazer, dando causa ao resultado.

* O homicídio de trânsito é culposo, senão será crime de trânsito.


 Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio (art. 122)

O agente que tenta se matar não pratica crime.
Não se admite tentativa.
Crime complexo: conduta + resultado

- Induzir: fazer nascer a ideia do suicídio.
- Instigar: reforçar uma ideia previamente existente.
- Auxiliar: gerar as condições materiais, concretas, necessárias para que o suicídio seja
praticado. Ex.: emprestar a arma, comprar o veneno, etc.

Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos,
se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.

Parágrafo único - A pena é duplicada:

I - se o crime é praticado por motivo egoístico;
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência.


 Infanticídio (art. 123)

Crime bi próprio: praticado por um sujeito ativo específico (mãe) contra um sujeito passivo
específico (filho).

Não admite coautoria, admite participação.

Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após.
Pena - detenção, de dois a seis anos.

 Aborto (arts. 124 a 128)

Aborto é interrupção da vida intrauterina.
Para o Direito Penal, a gestação se inicia com a nidação (com o ovo se prendendo ao
endométrio).

o Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento (art. 124):

Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque.
Pena - detenção, de um a três anos.

- Crime próprio: apenas a gestante pode praticar.

o Aborto provocado por terceiro, sem o consentimento da gestante (art. 125):

Pena - reclusão, de três a dez anos.

o Provocar aborto com o consentimento da gestante (art. 126):

Pena - reclusão, de um a quatro anos.

Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze
anos, ou é alienada ou débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave
ameaça ou violência.

o Forma qualificada (art. 127):

As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em
consequência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão
corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a
morte.

o Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico (aborto necessário):

I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante;

Aborto no caso de gravidez resultante de estupro

II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou,
quando incapaz, de seu representante legal.

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