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CAPÍTULOI

Deve­se passar da noção de ente ànoçãodeessência(§§3­4).Emseguida,anoçãode

essênciaéprecisada(§§5­9).

ENTE:podeserconsideradoemduasacepções:

1. OENTEREAL:oentequecorrespondeaalgonarealidade.Nestecaso,negaçõese privaçõescomoacegueiranãosãoentes.

2. OENTEDERAZÃO:quesignificaaverdadedasproposições,istoé,tudoaquilosobre o que é possível formularumaproposiçãoafirmativaounegativa,ouseja,aquiloque podesersujeitodeatribuição.

DADESIGNAÇÃODEENTEÀDEESSÊNCIA:Aessênciaestápresenteapenasementes efetivamente existentes, isto é, entesreaisenãoentesderazãocomoacegueira.Designa semprealgocomum(queefetivamentereúne)aentespertencentesadeterminadogêneroe espécie. Tudoaquiloquetemseréumente,masaessênciadizdeumdeterminadomodo específicodeser.

ASFORMASPELASQUAISPODESERDITAAESSÊNCIA:

1. DEFINIÇÃO: é uma noção universal, predicada essencialmente do ente por si, ao indicaraespécieúltimadeumgêneropróximo.

2. QUIDIDADE:significaapenasoprincípioessencialdacoisa,aquiloquefazcomquea coisasejaoqueelaé,semseidentificarcomaprópriacoisaemsuatotalidade.É“a essênciatomadaamododeparte”.Como“humanidade”nãosignificaotodoqueestá noindivíduo–ofatodeeleserhomemesuasnotasparticulares–,então“humanidade” não pode ser predicada dos indivíduos, como não se pode dizer: “Sócrates é humanidade”.Porisso,“humanidade”nãosignificaotodoqueéohomem,masapenas suaparteessencial.

3. FORMA: é essência, enquanto por ela se obtém a certeza da coisa, é sua noção separável;porém,aformanãorespondesozinhapeloserdacoisa,pelomenosparaos entesdesubstânciacomposta.

4. NATUREZA:adquireosignificadodeprincípiodeconhecimentodacoisa,e,assim, identifica­se com a essência. Conhecemos cada coisa, sobretudo, a partir de suas operaçõespróprias,umavezqueessessãoosefeitosmaisperfeitosmanifestadosde umacoisa.Comoaoperaçãoéummovimentointrínsecodasubstância,enquantohá nelaumprincípiopotencial,entãosedizqueelaéumasubstâncianatural.Anaturezaé justamente a conformidade da coisa com suas operações próprias,ouseja,dos movimentosintrínsecosdecorrentesdesuamaneiradeser.Porexemplo,acapacidade derirnohomem,quedecorredealgumaapreensãodaalmahumana.Nestesentido,o termo natureza também é entendido como essênciaporelaseraquiloquepodeser apreendidopelainteligência.Asvezesutilizadocomosinônimodeessência.

DEFINIÇÃOESSÊNCIAQUESEREFEREAOSERMESMODACOISA:Aessêncianãoé concebida apenas como umadesignaçãonominaldoente,algoexpressoporsuadefinição, nemapenasseuprincípiodeconhecimentooucerteza.Elaéantesacausaintrínsecadesero

queoenteé.Eladeterminaoqueoenteé,porqueéamedidaeorecipientedeserdoente.Ser

enteéteroser,eissosedáconformeaessência.Nessesentido,aessênciadesempenha

umaduplafunção:

1. elaéoquepermiteaoenteteroureceberoser,porém

2. elamesmaéolimiteouadeterminaçãoderecebimentodoserparaoente.

Porisso,dizeroqueoenteé,darasuadefinição(delimitação),édizerasuaessência,porque

elaéseuprincípiodeseretudooqueéematoédeterminado.

CAPÍTULOIIeCAPÍTULOIII

Inicia­se,então,naprimeirapartedoCapítuloII(§§10­16),apesquisadecomoésignificadaa

essêncianassubstânciascompostas.AsegundapartedoCapítuloII(§§17­29)explicacomo

as intenções lógicas de gênero, espécie e diferença significam, cada uma a seu modo, a essênciadassubstânciascompostas.Oquesepretendepreservaréaaptidãodasintenções lógicasdeserempredicadosessenciaisdassubstânciascompostas,expressandootodoque estánocompostodematériaeforma.Emoutraspalavras,deve­sepreservaraaptidãodas intenções lógicas em definir as substâncias compostas. Não haveria ciência acerca das substâncias compostas se não houvesse definições válidas dessas substâncias. Tomás terminasuaexposiçãoexplicandodequemaneiraaessêncianassubstânciascompostaspode ser designada como todo ou como parte, ouseja,comoelasepredicacomotodoqueéo compostoindividualoucomoeladesignaapenasaparteformaldocompostoindividualenão podeserpredicadadotodo,vistoqueabstraidasnotasindividuantespresentesnocomposto substancial.Pode­seconsiderarasegundapartedoCapítuloIIumbrevetratadodasrelações entrealógicaeametafísica.

Nosparágrafos23­25,Tomásdesenvolvemelhoroparalelismoentreaspartesessenciaisda

substância e as partes da definição (intenções lógicas), apenas indicado por Aristóteles a respeito do gênero e da matéria.Tomásmostracomosedátalparalelismo,comparandoa espécieaocomposto,ogêneroàmatériaeadiferençaàforma.Ointuitoésemprepreservara integridadesubstancial,preocupaçãorecorrentenaexposiçãodolivroZ. Por fim, Tomás faz algumas precisões sequer mencionadas por Aristóteles a respeito da

intelecçãoprimeiraesegundaemcadaintençãológica(§26)ecomoaessênciasignifica,ora

partedocompostosubstancial,oraotodoqueestánocompostosubstancial(§§27­29).Com

isso,pode­seenfrentarumasoluçãoparaaquestãodosuniversais,ouseja,decomoadvém

àsintençõeslógicasoserpredicadasdemuitos(§§30­43).

ESSÊNCIA DAS SUBSTÂNCIASCOMPOSTASDEMATÉRIAEFORMA:Nocompostode matériaeforma(sýnolon)éaformaqueconfereoseràmatéria,oquesignificaquenãopode havermatériasemforma.Adiferençaentreaessênciadassubstânciassimpleseaessência dassubstânciascompostasestánanoçãodequeasprimeirastêmcomoessênciaapenasa forma,aopassoqueassegundas,acomposiçãodeformaematéria. Oquenãoéessêncianassubstânciascompostas:Asduasprimeirasalternativasexcluíam uma das partes; as duas seguintes as admitiam, porém sem apreender adequadamente a noçãodecomposto.Ocompostoéumterceiroqueabarcaemsiamatériaeaforma,demodo a constituir não uma junção de duas coisas, mas uma unidade. Temos assim quatro

possibilidades descartadas pelo aquinada, no que concerne a essência das substâncias compostas:

1. a essência é designada apenas pela parte material: Jamais se depara com a matéria prima a ser em estado puro. Sendo esta, em si mesma, incognocível e indeterminada.

2. somentepelaparteformal:aformadassubstânciascompostasnãosubsisteporsi mesma, precisando ser na matéria que as recebe. Por isso, Tomás, apesar de mencionar a possibilidade de a essência ser dita forma(no capítulo I), deixa essa alternativa de lado, a fim de evitar maiores problemas justamente a propósito das substânciascompostas.

3. porambas,porémamatériaentranadefiniçãodemodoacrescentado:matériae forma não são coisas que somadas formam a coisa, pois, se assim fossem, elas seriam acrescentadas, e não parte da essência, afinal, tudo o que vem a ser acrescentadoéacidente,nãofazpartedaessênciadascoisas.

4. por ambas,porémaessênciaéumarelaçãodematériaedeforma:Arelaçãoé

umadasfigurasdascategorias.Elaésemprealgoacidentalàcoisa,aindaquepossa se referir a ela a partir de um princípio intrínseco seu. Porexemplo,o‘serfilho’éo predicadoqueuneumhomemaoutrohomem,comoPedroaJonas;porsiPedroéfilho deJonas,porémelenãoéfilhonaquiloqueéhomem;oserfilhonãoentranadefinição dePedro,masapenasaquiloquefazcomqueelesejahomem.Porisso,aessência nãopodeserumamerarelaçãoentreaspartesessenciaisdocomposto,oqueseria umacontradiçãodetermos.Arelaçãonãocumpreoqueconvémàessência:ser princípio de conhecimento da coisa. Conhecer arelaçãonãoéconheceracoisa, mascompará­lacomoutroeconhecê­la,nãoemsimesma,masapartirdealgoque lheéextrínseco. A COMPOSIÇÃO DA ESSÊNCIA NAS SUBSTÂNCIAS COMPOSTAS: Após a geraçãoda substânciacomposta,amatériaeaformaconstituemumasóemesmaunidadeconcreta,que éocompostodematériaeforma,quecontinuamdistintasesendoacorrupção(oopostoda geração)aseparaçãodeambas.Issonãoquerdizerqueoscomponentesessenciaisdacoisa componhamoserdacoisacomigualdadedecondição.Aformatemprimaziasobreamatéria,

porque“aseumodo,somenteaformaécausadoser”(§16).Aformarespondepeloatodeser

da coisa, por sua determinação essencial, enquanto a matéria é seu princípio passivo, responsávelpelaplurificaçãodaforma.Aformaédetalmodocausadoserdamatériaquenão depende da matéria quanto ao seu ser formal. No entanto, algumas formas dependem da condiçãomaterialparasubsistir.Aimperfeiçãodasformasmateriaisimpedequeelassejam totalmente imunesdematéria,porissoprecisamdamatéria,aindaquesejamcausadoser substancial.

AMATÉRIADELIMITADA(ASSINALADA)COMOPRINCÍPIODEINDIVIDUAÇÃO:amatériaé

partedaessência(§§14­16)eamatériaéprincípiodeindividuação(§17),entãoaessênciaé

sempre individual. A principal circunstância a ser analisada équeadefiniçãoésempredo universal,enquantoomododeserdasubstânciaésempreindividual.Tomásrespondeaessa questão,pode­seadiantar,comadistinçãoentrematériaassinalada(princípiodeindividuação)

e matéria não assinalada (significado de matéria contida na definição). Trata­se em certo sentidodeuniversalizaramatéria. Forma e matéria: Ainda que a união da forma com a matéria resulte em uma substância

individual, ou seja, coincidam no mesmo, a forma e a matéria são princípios naturalmente distintos.Contudo,ambosnãopodemserinteligidossemooutro,pordoismotivos:

1. o processo de intelecção humana assim o exige, uma vez queanoçãodaformaé obtidapelaabstraçãodasnotasindividuaismateriais,apreendidasimediatamentepelos sentidos–portanto,apreende­seaformapelaabstraçãodamatériaindividual;e

2. a forma não apresenta ser separado, por isso, elaéinteligidadeacordocomasua

condiçãodeser,quedependedacondiçãomaterial.Algosemelhanteacontececoma

matéria:elanãoé,demodoalgum,inteligidasemaforma,quelheconfereseuatode

sereéseuprincípiodedeterminação.

Matérianãoassinalada:matériadenominadaporTomás“nãoassinalada”(nonsignata)éa

mesmaqueAristóteleschamade“inteligível”(νοητή).Noçãouniversaldematéria,éconhecida

pelointelectopelaabstraçãodasnotasindividuantesoriundasdamatériaassinalada.

Matéria assinalada: que está diretamente ligada à constituição particular ou individual da substância composta, porquanto ela é seu princípio de individuaçãoeincomunicabilidade,é incomunicávelaointelecto. MatérianãoassinaladaversusMatériaassinalada:

● Nãoéamatériaindividualouassinaladaqueentranadefiniçãoounanoçãodeespécie, mas a matéria não assinalada ou comum. Caso toda matéria fosse princípio de individuação, todas as essências de substâncias compostas, na medida em que contivessem matéria, seriam individuais. Com isso, não poderia haver um universal comohomem.

● Adistinçãoentrematériaassinalada(delimitada)ematériacomumnãoconsistenuma diferença entre todo e parte, ou seja, não se deve tomar a matéria assinalada (delimitada) como algo em cuja composição encontre­se matéria comum. A relação entre matéria assinalada(delimitada) e matéria comum é, assim, ao invés de uma relação entre todo e parte, uma relação de determinação, isto é, a matéria assinalada(delimitada)diferedamatériacomumpelofatodeumasermaisdeterminada doqueaoutra.

INTENÇÕESLÓGICAS:intençõeslógicasdequetrataTomássãoaquelasquesepredicam

dosujeito,segundoacategoriadasubstância,porquenelaaessênciaéencontrada“própriae

verdadeiramente” (§7). Com efeito, de uma substância, por exemplo, um homem, pode­se predicá­losegundoogênero(“animal”),segundoaespécie(“homem”),segundoadiferença

(“racional”), segundo o próprio (“bípede”) e segundo o acidente (“branco”). A predicação segundo o acidente não expressa a essência, ainda que a predicação acidental sempre pressuponha a essência como conhecida. A predicação segundo o próprio expressaoque

acompanhaessencialmenteosujeito,porémnãoseidentificacomaessência,porqueopróprio

nãoexprimearazãodacoisaseroqueelaé,nãoestánaordemdacausadacoisa,comoestá

a essência, ainda que o próprio ou a propriedade de uma coisa a acompanhe sempre e invariavelmente. As predicaçõessegundoogênero,aespécieeadiferença,porém,sempre

expressam a essência, estão na ordem da causa da coisa ser oqueelaé,serátratadaa questãodecomoogênero,aespécieeadiferençapodemsignificarotododealgo.Essestrês predicáveissignificam,pois,aessência,porémcadaumaseuaseumodo. ● Intenções lógicas primeiras e inteções lógicas segundas: Os predicáveis são tambémchamadosde“intençõeslógicassegundas”,porquefazempartedasegunda operação do intelecto, isto é, da formação das proposições afirmativas e negativas, tambémchamadadeoperaçãodecomporedividir,porqueumpredicadoécomposto (afirmado) de um sujeito ou dividido (negado) do mesmo. As “intenções lógicas segundas”sediferenciamdas“intençõeslógicasprimeiras”,porqueestassãoformadas pela primeira operação do espírito que é a simples apreensão da noção da coisa, empregada pela segunda operação do intelecto na formulação das proposições. A diferençaestá,pois,nofatodequeasintençõeslógicassegundasestãoemquestão, quantoointelectoexerceaaçãopredicativa.Nãosetrata,pois,apenasdeseatentar paranoçõesisoladas,masdeassignificarnaproposição.

GÊNERO:

1. Gêneroeespécie:tudooqueestánaespécieestánogênero,porémsegundouma determinação e uma indeterminação. O que há de assinalado naespécieéaforma substancial;elatambémestápresentenogênero,porémdemodonãoassinalado.O gênerosignificaaformadaespécieindeterminadamente.Ogênerosignificaamatéria nãoassinaladaeaformanãoassinaladarelativamenteàespécie.

2. Gêneroematérianãoassinalada:nogêneroseencontraamatérianãoassinalada,de acordocomumageneralizaçãomaiordoqueaquelaencontradanaespécie.

3. Todomaterial:indicadeterminadamenteotodomaterialquehánacoisa.Istonãoquer

dizer que deve­se excluir o que possa estar implicitamente(indeterminadamente) a acompanharessapredicação,inclusive,quandodigoohomeméanimal,estáimplícitaa noçãodeforma,emboraindeterminadamente,juntoànoçãoexplícitadematéria. 4. Éacaracterísticacomumaváriasespécies.

DIFERENÇA:

1. a diferença determina oquehaviadeindeterminadonogênero.Comoprodutodessa determinaçãomútuaobtemosumaespéciequeémaisdeterminadaquesuarespectiva diferençaeseurespectivogênero.

2. Todoformal:indicadeterminadamenteotodoqueéformal.Aaquiotodoformaléque encontra­se designado de maneira determinada, não excluindo, é claro, outras designaçõesquepossamestarinclusasindeterminadamente,implicitamente,comopor exemplo:omaterialdacoisa,existenteaquidemaneiraindeterminada;quandodigoque ohomeméracionalnãoexcluodeleofatodeseranimal.

3. Racional, enquanto diferença específica, significa determinadamente uma determinação, a capacidade de raciocinar, que pode estar num animal ou numa substânciaimaterial.Queaquiloqueadiferençaracionalsignificasejaalgoquetenhaa capacidadederaciocinarestádeterminadoemseusignificado;quecoisaéessaque temacapacidadederaciocinar,estáindeterminadoemseusignificado.Dessemodo,o

significadodogêneroanimal,aoreceberadeterminaçãoprovenientedosignificadoda diferençaracional,resultanaquiloqueésignificadopelaespéciehomem.

4. Matérianãoassinalada:nadiferença,elanãoésignificada,senãonamedidaemque sepressupõehaverumsubstratomaterial,noqualaformaérecebida,sem,contudo, que esse substrato material seja, de algum modo, indicado determinadamente,

conformeéexplicadonoparágrafo23.

5. É a característica comumaosindivíduosdeumamesmaespéciee,aporçãode matériadeterminadaemcadaindivíduoéoqueosdiferenciadeseussemelhantes

ESPÉCIE:

1. Essênciaesubstânciaindividual:essênciaéencontradaprópriaeverdadeiramente na substância e a substância é o mesmo que o indivíduo.Essaessênciaindividual, porém,nãopodeserconhecida,nemsignificada,comotal,senãoapenasemsentido comumouuniversal.Aessênciadoindivíduo–ouotodosubstancialdoindivíduo–é, pois,significadaapenasuniversalmente,conformecadaumadastrêsintençõeslógicas degênero,espécieediferença,sendoqueanoçãomaispróximadoquesupostamente vemaseraessênciadoindivíduoéaessênciadaespécie.

2. Nãoassinalação:Anãoassinalaçãoparaefeitodepredicaçãoéumanoçãoobtidapor umtipodegeneralizaçãoquedeterminaoqueécomumeindeterminaoqueédistintivo.

3. Essênca da espécie, a forma eamatéria:Anoçãodaessênciadaespécienãoé constituída apenas pelaformaespecífica,apreendidapelointelecto,mastambémpor umanoçãodematéria(matérianãoassinalada),quecompletaosentidodeessênciado compostosubstancialcomaforma.Senosignificadodanoçãodaessênciadaespécie estivesseapenasoqueédeterminadamentecomumàespécieefosseexcluídopurae simplesmente o que é distintivo entre os indivíduos, então a noção da essência da espécienãopoderiaserpredicadadosindivíduos.

4. Todo formal e todo material: A noção de espécie abarca juntamente a noção de gênero e diferença; determinadamente o todo material que o gênero designa e ao mesmotempootodoformaldesignadopeladiferença,ouseja,aespécieexplicitaotodo compostoquehánacoisa.

DEFINIÇÃO:éjustamenteamaneiradesepredicardaespécieogêneroconjuntamentecoma

diferença.

1. Definiçãoeespécie:Quandosepredicadaespécieogêneroconjuntamentecoma diferença se obtém a definição, como ocorre quando se diz “o homem é animal racional”.Adefiniçãocoincidesemanticamente,pois,comaespécie(‘homem’),porém distinguindoemsuasignificaçãoogênero(‘animal’)eadiferença(‘racional’).

2. Definição é obtida quando a indeterminação presente no gêneroarespeitodaforma específicaétiradapeladeterminaçãodaformacontidanadiferença;eainda,oquehá determinadamentenadiferençaéoqueseencontraindeterminadamentenogênero,ou seja,aformaapartirdoqueésignificadopeladiferençaeamatériaapartirdoqueé significadopelogênero.

eadefinição.Tomásnãochamaaatençãoparaisso,maspode­sepercebercomoisso se dá a partir da análise contida no De ente. Na espécie, a noção de matéria é significadadeterminadamentecomoumanoçãodamatériacomumàespécie,aopasso que na definição ela é significada apenas como uma noção de matéria comum ao gênero,umavezqueadeterminaçãodamatériaobtidanadefiniçãoéadeterminação contidanogênero,porquantonadiferençaanoçãodematériaéapenasindeterminada

TEORIADAPREDICAÇÃO:

1. Nãosepodepredicaralgocomoumaparteemrelaçãoaumtodo.Predicaralgo comoumaparteemrelaçãoaumtodoseriaeliminaraprincípioapossibilidadede verdadedeumapredicação,umavezquepredicarédizeroqueumacoisa,essencial ou acidentalmente, é. Uma predicação em que se diz, porexemplo,queSócratesé almaéfalsaporquenelanecessariamenteestoutomandoaalmacomosendootodo queSócratesé,enquantoqueelenaverdadeéumcompostodecorpoealma.

2. Predicar dos Indivíduos: Para que se predique algo de indivíduos, portanto, é necessário que esse algo possa ser significado como o todo em que cadaumdos indivíduosdoqualeleépredicadoconsiste.Chamaremosessaexigênciadeprincípio dapredicação.

3. Possibilidadedauniversalidade:queummesmoalgopossaserpredicadodeuma multiplicidade de indivíduos realmente distintos, isto é, uma multiplicidade de substâncias distintas. Como resultado, obteremos a tese de que universais são universais exatamente na medida que nelesseexpressamessênciasabsolutamente consideradas, istoé,conteúdosqüididativosconsideradosindependentementedeseu mododeser.

4. Exemplo:aespéciesepredicadadiferença,enquantoessasepredicadogênero,ou seja, entre os corpos,existemalgunsquesãoanimados,ospertencentesaogênero animal,queporsuavezabarcadiferentesespécies,inclusivearacional,porém,jamais aocontrário,ouseja,racionalnãopertenceatodososanimais,assimcomoanimais nãopertenceatodososcorpos.

CORPO:adesignabilidadedetrêsdimensõesdeumcorpoadvémdaforma.Amatériaporsi

só não tem qualquer dimensão. Porém,aparticularidadedessamesmatridimensionalidade, deve­seaofatodequenocompostosubstancialaformaérecebidanamatéria.Amatéria,pois, nãoapresentaautonomiarelativamenteàforma.Tomásmostracomoosdoissignificadosdo termocorpopodem,orasignificarogêneroanimal,orapartedoanimal.

1. Corpocomogênerodoanimal:namedidaemqueoconceitodecorposejatomado como expressando ou significando algo de cuja essência as trêsdimensõespodem decorrer,oconceitodecorposeráumgêneroquesignificademaneiraindeterminada todasasessênciasdistintasquesãosignificadasemespéciesqueestejamsobele,tais comocorpoinanimadoecorpoanimado.Nestesentido,pode­sedizerqueumhomemé umcorpo.Nestesentido,ocorpoéoprimeirogênerosubalternoaogênerosupremo,e determinaotodoqueématerialnacoisa.Nestesignificadodecorpoestáimplicitamente contida a forma e matéria de todasassubstânciascompostas.Portanto,estecorpo

possuiperfeiçãotal,queaelepodemseradicionadasnovasperfeições,oudiferenças, taiscomovivo,sensível,etc.

2. Corpocomopartedoanimal:conceitodecorposejatomadocomosignificandoalgo dequeapenaspodemdecorrertrêsdimensões,enadamais,corponãoserágênerode animal,postoqueexcluirátotalmentequalqueroutroaspectoessencialouacidentalque possa derivar­se da essência da qual as três dimensões decorrem. Neste sentido, pode­seapenasdizerqueumhomeméumcompostodecorpoealma.

ALMA:

1. Éaparteformaldocompostoeresponsávelpeladeterminaçãoespecíficadohomem,

incluindoasprópriasdeterminaçõesdocorpoesuasfunçõescorporais.

2. Aformacomumaogêneroésemelhanteaumanoçãodealma,responsávelporconferir

as perfeições próprias da vida animal a um corpo, dito animal (cf. §§20­23). Se tal animaléumhomem,umcachorroouumcavalonãoseespecifica.Diz­seapenasque seuprincípioformalétalqueconfereaocorpoterumprincípiointernodemovimento, sensaçãoououtraperfeiçãocomumaosanimais. 3. Éoprincípiovitaldocorpo.Algunsadmitiamaalmacomoformadocorpo,porémsua essênciaconsistianasuafaculdadedeinteligir;outrossustentavamquehaveriauma formacorporal,responsávelapenaspelasfunçõesdocorpo,àqualsesomariaaalma humana,comoquepresidindoarelaçãoformalassimconstituída.Tomásdefendeuaté ofimsuaposiçãodequeaalmaéoprincípiovitalsuficienteeúnico.Éessencialàalma humanasuaoperaçãodeenformarumcorpo.Afaculdadedeinteligirdaalmanãose identifica com suaessência;aocontrário,háumadistinçãorealentreaalmaesuas faculdades.

CORPO, ALMA E GÊNERO, DIFERENÇA: O gênero está para o corpo, porque significa determinadamenteoqueématerialnacoisa,eadiferençaestáparaaalma,porquesignifica determinadamenteoqueéformalnacoisa.AcomparaçãoéválidaatalpontoqueTomásse vale dos termos corpo e alma para designar respectivamente o gênero e a diferença (cf.

§§20­23).Porémessacomparaçãopodetambémseprestaraequívocos,osquaismerecem

asdevidasexplicações(cf.§§24­26).

 

Forma

Matéria

Indivíduo

assinalada

assinalada

Espécie

assinalada

nãoassinalada

Gênero

nãoassinalada

nãoassinalada

Diferença

assinalada

nãoassinalada

MATÉRIA NÃO ASSINALADA NAS TRÊS INTENÇÕES LÓGICAS: não é significada do

mesmo modo. Na espécie, ela é significada como constituição material comum à espécie,

conformeéexplicadonoparágrafo17;nogênero,elaéindicadacomosubstratomaterialda

formacomumaogênero(formanãoassinalada),conformeéexplicadonosparágrafos20­22;

nadiferença,elanãoésignificada,senãonamedidaemquesepressupõehaverumsubstrato material,noqualaformaérecebida,sem,contudo,queessesubstratomaterialseja,dealgum

modo,indicadodeterminadamente,conformeéexplicadonoparágrafo23.

FORMA ASSINALADA NAS TRÊS INTENÇÕES LÓGICAS: Tomás não diz se há alguma diferençanomodocomoaformaassinaladaésignificadanasintençõeslógicasdeespéciee diferença. Presumivelmente, poder­se­iadizerquenãohádiferenciação,quantoaomodode significaraformaassinaladaparaefeitodedefinição,jáqueaformaespecíficanadefiniçãoé indicadajustamentepeladiferençaespecífica.

CAPÍTULOIII No Capítulo III, Tomás completa o ensinamento a respeito da essência das substâncias

compostas,mostrandocomoouniversalécorretamentepredicadodosparticulares(§§30­43).

Não bastou a razão criar as intenções lógicas aptas a serem predicadas dos entes de substânciacomposta;auniversalidadedoconceitodependedaaçãodointelectoquecompõee divide,ouseja,dafaculdadedointelectodeestabelecerasproposiçõesjudicativas.

ESSÊNCIA CONSIDERADA NAS SEGUNDAS INTENÇÕES: Quando considerada nas segundas intenções, a essência da substância composta pode ser compreendida de duas formasdistintas,asaber:

1. A essência considerada de forma absoluta: nada de verdadeiro pode ser acrescentado àquilo que compreende a sua definição.Portanto,sepodedizerqueo homeméanimaleracional,alémdeoutrosatributosqueodefineessencialmente,mas asqualidadesdeserbranco,ounegro,porexemplo,nãocompõemaessênciadaquilo queédenominadohomem; 2. Aessênciacomodefiniçãodoserqueexisteemumindivíduodeterminado:neste caso, os acidentes que são próprios do indivíduo convém à suaessência,masnão necessariamenteàessênciadesuaespécie.Assim,sedizqueestehomemébranco porque Sócrates é branco, e ainda que um homem seja homem, mesmo não sendobranco.

Aessênciadogênero(animal),daessência(homem)edadiferença(racional)nãoencontraser emnenhumenteparticular,como,porexemplo,aessênciahumananãoserealizadeforma absoluta em nenhum indivíduo. Por outro lado, apenas nos indivíduospodemosencontrara essência que pode ser abstraída ou concebida de modo universal, ao passo em que sua abstração e universalização conceituais se dão apenas no ser da inteligência. Logo, uma essência universalexprimedeumasóvezotodoqueéoindivíduoparticularetodoqueéo conjunto deindivíduosdeumamesmaespécieougênero.Emoutraspalavras,osuniversais sãoessênciasdesubstânciassegundas,quandoconsideradasemsegundasintenções

COMOAESSÊNCIASEDÁNOGÊNERO,NAESPÉCIEENADIFERENÇA? SIGNIFICARESSÊNCIACOMOUMTODO:Asnoçõesdegênero,espécieediferençanão cabem à essência enquanto significada a modo de parte pois predicam­se do singular

assinalado,istoé,contendoimplícitaeindistintamenteotodoqueencontra­senoindividuo.Não

enquantoalgoexistenteforadossingulares,ouseja,indivíduos,cujasformastranscendentese

separadassãosuaessência.Ex:Oconceitodehomemsignificaessaessênciasemexclusão

damatériaassinalada.Considerandoaessênciatomadananoçãodegêneroouespécie,isto

é,significadaamododetodo,podemoselencarosseguinteselementos:

Asubstâncialindividualeouniversal:Foiditoqueasubstânciaéoqueéoindivíduo ealgodeterminado.Umentesegundosuaentidadeésempreindividual.Porém,quando seenunciasuaessência,oquefazcomqueoentesejaoqueé,elaéexpressacomo algo comum; em outras palavras, ela se expressacomoalgouniversal.Nesteponto entra em questão uma limitação do próprio conhecimento humano, ou, antes, uma limitaçãodaprópriamaneiradeserdascoisas.Essaquestãoserámaisbemtratadaa

partirdoparágrafo17doDeenteatéotérminodoCapítuloIII,quandoTomásdefinea

naturezadauniversalidadeconsideradapelarazão.

Universalidade: Essências individuais distinguem­se de essências universais na medidaemqueasúltimascontêmapenasumamatériacomum,istoé,umamatéria menosdeterminadaqueamatériaindividualpresentenasessênciasindividuais.Dado queauniversalidadequecaracterizaconceitosimpede­osquesignifiquemdemaneira determinada a individualidade de essências individuais, a passagem do grau de determinaçãodoconteúdoexpressoporumconceitoaograudedeterminaçãodeuma essência individual só pode serfeitaporalgodenaturezanão­conceitual.Anatureza absolutamente considerada, abstrai de qualquer ser, sem que se os exclua, predicando­sedetodosindivíduos.Auniversalidadenãosedácomoser“especifico”, oumelhor,“individuado”queestesertemnointelecto,masnamedidaemqueserefere àscoisascomosemelhançadascoisas.Oserindividuadoéacidental,constituídoem suaindividualidadeapartirdocompostodeformaematériaassinaladaqueéprincipio de individuação, assinalada pela forma. Os universais são entidades que se dão somente no intelecto, ou seja, somente no intelecto é que a natureza pode adquirir universalidade mediante a comparação, onde o intelecto associaseresemgrausde inferioridadeediferençaconstituindoumapredicação.Nestesentido,ouniversaléuma intenção damente,nãoencontrando­senascoisas,masnaalmadequemconhece, tendoseuconceito,contudo,fundadonarealidadedascoisas.Jáqueéumconceito,o universal é um acidente da alma, uma forma deabstraçãodasubstânciaprimeirae individualrealizadapelointelectohumano.Portanto,auniversalidadeéumaabstração realizada pelo intelecto, medianteasuaintervenção,nãopartindo,nesseínterim,das coisasmesmas,asquaisapresentam­seexclusivamentecomoindividuais.

Intelecto: a noção de unidade e comunidade do universal não é assim tomada da natureza,masobtidanointelectoemconformidadecomascoisas.Anaturezahumana temdeacordocomoserquetemnointelectoumserabstraídodetudooqueindividua, essa noção uniforme dos indivíduos levaaoconhecimentodetodososindivíduosna medidaemqueointelectoosdescobreemtalunidadeecomunidadeenessarelaçãoo

intelecto descobre a noção de espécie e lhe atribui enquanto tal.AssimSto.Tomás concorda comAvicenaeAverróis(“OComentador”)que“ointelectoéqueproduza universalidadenascoisas”.

Essência segundo a consideração absoluta(ou seja,emumaconsideraçãoque

fazabstraçãodotempoedolugar,serdaessência):Noparágrafo34doDeente,

Tomás explica que não pertence à noção de essência segundo a consideração absoluta,nemaindividualidade,nemauniversalidade.Talconsideraçãoabsolutaéum

mododeointelectotomaranoçãodaessência,abstraindo­adascondiçõesnasquais

elapodeserencontrada,quaissejam,(1)aquelanaqualelaseencontraraantesdesua

apreensãointelectualou(2)aquelanaqualelaéreconhecidanoatodepredicaçãoapós

a sua apreensão intelectual. Abstraída dessas condições, a natureza mesma da

essêncianãoapresentarelaçãocomoqueéindividualouuniversal.Nãoestánasua razão de ser a individualidadeeauniversalidade.Écertoqueoindivíduoantecedea

apreensão intelectual da essência, porque ela é em ato no que é individual; é certo também que o sentido de universalidadeatribuídoàessênciasucedesuaapreensão intelectual, porque é peloatodointelectoquecompõeedivide,açãopredicativa,que advém à essência o sentido de universalidade, enquanto o intelecto reconhece a

essênciaapreendidacomoaptaaserpredicadademuitos(cf.§§39.42­43).Comefeito,

pode­sedizer,queointelectoquechegaaumanoçãoabsolutadaessênciaofazpor

causa do processo cognitivo que é sempre um processo de abstração, abstraindo, inclusive,aindividualidade.Porém,aosevalerdanoçãoapreendidaparareconhecero

queéessencialnacoisa,ointelectoofazemsentidouniversal,semdesconsiderarque

a essência predicada o é de um indivíduo, o qual vem acompanhado de acidentes

particulares(cf.§42).Apesardadeficiênciadointelectoemapreenderaessênciaem

sentidoindividual,elenãodesconsideranoatodepredicaçãoaindividualidadedosujeito

predicado. A universalidade atribuída às intenções lógicas de gênero, espécie e diferença deriva, pois, desse ato mesmodepredicação,queencontranosindivíduos uma semelhança comum. A universalidade não está na noção da essência emsua consideração absoluta, abstraída do que é individual ou universal, mas enquanto o intelecto discerne no sujeito a essência enquanto algo comumamuitos.DizTomás citandoAverróis:“ointelectoéqueproduzauniversalidadenascoisas[intellectusest

quiagitinrebusuniuersalitatem]”(§39).

SIGNIFICAR ESSÊNCIA COMO PARTE: designa apenas a parte formal do composto individualenãopodeserpredicadadotodo,vistoqueabstraidasnotasindividuantespresentes

no composto substancial. Não faria sentido dizer que a predicação Sócrates é alma é verdadeiraporquenelaaalmaétomadacomopartedeSócrates.Paraqueseprediquealgode indivíduos, portanto, é necessário queessealgopossasersignificadocomootodoemque cadaumdosindivíduosdoqualeleépredicadoconsiste.Porex:Oconceitodehumanidade cujasignificaçãoexcluiamatériaassinalada.

Humanidade:éumconceito,quebuscasignificarumprincípiocomumdeinteligibilidade para aespéciehumana.Eleéobtidoapartirdanoçãode“homem”,excluindodessa

noção toda indeterminação a respeito dos indivíduos, que são predicados por ela .

Excluídaessaindeterminação,obtém­seapenasoqueécomumaoshomens,ouseja,

sua humanidade. Deste modo, humanidade não pode ser predicado dos indivíduos, porque significa apenas umaessênciacomumaeles,porémsignificadaamodode parte integrante, isto é, aquilo quefazcomqueohomemsejahomem,excluídasua individualidade.Aformadotodo,portanto,significaarazãodeserdapertençadeum indivíduo à determinada espécie; ela não responde pelo todo que está no indivíduo, apenas pelo princípio de ser de sua natureza, excluindo justamente o que o torna indivíduo,distintodeoutrosdamesmaespécie.Comefeito,amatériaassinaladaestá excluídadadefiniçãodaformadotodo,masnãoestáexcluídatodanoçãodematéria. Assimcomoécomumaoshomensseremcorporais,assimédanoçãodehumanidade acorporeidade,oquenãoadvémaocomposto,senãoporsuamaterialidade.Porisso, dizer quea“formadotodo”estáotodoquehánocomposto,asaber,amatériaea forma;contudo,comexclusãodamatériaassinalada,aqualrespondepelaindividuação docomposto.Sealgoéexcluídodocomposto,aquiloqueésignificadoporessealgo nãopodeserpredicadodocomposto.Pois,“nenhumaparteintegralsepredicadoseu

todo”(§19).

Platão: Aquino se distancia de Platão quandoafirmaqueaessêncianãopodeestar separada das coisas singulares, pois, assim sendo, o gênero e a espécie não se predicariam de um indivíduo particular. Desta maneira, a essência da substância composta, quando se refere às intenções lógicas, deve significar o todo que é o indivíduoeseaplicaratodososindivíduosdesuaespécie.Assim,sepodedizerque “Sócrateséhomem”,masaproposição“Sócrateséhumanidade”nãofariasentido.

OMODODESERNOINTELECTOPRÓPRIODANOÇÃODEESPÉCIE Dizemosqueohomeméumanimalracionalenãoresultantedoanimaledoracional,dizemos queeleresultadaalmaedocorpo.Destemodo,umacoisaconstituídaapartirdeoutrasnão recebe predicação das coisas a partir das quais é constituída. A natureza da espécie é indeterminadaarespeitodoindivíduo,assimcomoanaturezadogêneroarespeitodaespécie. Humanidade significa aquilo donde procede que o homem seja homem, logo, este nome homemeestenomehumanidadesignificaaessênciadohomem,masdiversamente,poiseste nomehomempredicasedosindivíduos.Anaturezadohomemabstraidequalquerser,detal modo,porém,quenãohajaexclusãodenenhumdeles.Eéestanatureza,assimconsiderada, que se predica de todos os indivíduos. Não podemos dizer que a noção de gênero ou de espécie advenha à natureza humana de acordo com o ser que tem nos indivíduos, pois a natureza humana não se encontra nos indivíduos consoante a unidade. O intelecto é que produzauniversalidadedascoisas. Conclui­se,então,comTomás,queaessênciaounaturezaestáparaanoçãodeespécie,pois a determinação de espécie não é daquilo que lhe cabe de acordo com sua consideração absoluta,nemdosacidentesqueaacompanhamemconformidadecomoserquetemforada alma, como a brancura e a negrura, mas é dos acidentes que a acompanham em conformidade com o ser que tem no intelecto, e deste modo,cabelhetambémanoçãode gênerooudiferença.