Você está na página 1de 83

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ (TEORIA E EXERCÍCIOS)

Aula 5

(Sintaxe da oração e do período, regência nominal e verbal)

Olá, pessoal!

É bom ver como vocês estão se dedicando aos estudos. Os vários e-mails

recebidos e as perguntas nos fóruns demonstram a vontade de passar. E é isso que faz a diferença: vontade, dedicação. Por isso, não posso deixar de me contagiar: inserirei a partir desta aula algumas outras extras com comentários de provas da banca NCE e da banca Fundação Universitária José Bonifácio – FUJB, para fazer seu estudo render ainda mais.

Quando o aluno se dedica, o resultado sai! Motive-se sempre, isso vai fazer você ser aprovado.

Bom, vamos aos assuntos desta aula.

O que é sintaxe?

A sintaxe trabalha a relação das palavras dentro de uma oração. Cabe

entender basicamente que uma oração deve ter um verbo e este verbo normalmente se flexiona de acordo com o sujeito (de quem se fala) e relaciona-se com o predicado (o que se fala), de acordo com a transitividade.

Veja as frases a seguir para que fique tudo bem claro. Pautemo-nos na estrutura SVO (sujeitoverbocomplemento).

1. O candidato

realizou

a prova.

2.

duvidou

do gabarito.

3.

enviou

recursos

à banca examinadora.

4.

tem

certeza

de sua aprovação.

5.

viajou.

6.

estava

tranquilo.

sujeito predicado
sujeito
predicado

Toda vez que fazemos uma análise sintática, devemos nos basear no verbo. A partir dele, reconhecemos os outros termos da oração.

Veja os verbos elencados nos exemplos. Todos eles estão no singular. Isso ocorreu porque eles dizem respeito a um termo, que é o sujeito “O candidato”. Se ele está no singular, é natural que o verbo também esteja. Já que o verbo se flexiona de acordo com o sujeito, a gramática dá o nome a isso de “concordância verbal”. Há um capítulo que trata só deste assunto em qualquer gramática por aí, e isso será abordado na nossa próxima aula.

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR Concordância verbal

E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR Concordância verbal 1. O candidato realizou a prova. 2. duvidou

1. O candidato

realizou

a prova.

2.

duvidou

do gabarito.

3.

enviou

recursos

à banca examinadora.

4.

tem

certeza

de sua aprovação.

5.

viajou.

6.

estava

tranquilo.

sujeito predicado
sujeito
predicado

Agora, vamos identificar os principais termos da oração. Veja a relação do verbo dentro do predicado. Nas frases de 1 a 4, os verbos “realizou”, “duvidou”, “enviou” e “tem” necessitam dos vocábulos posteriores para terem sentido na oração, por exemplo: realizou o quê?, duvidou de quê?, enviou o quê? a quem?, tem o quê? Assim, você vai notar que eles dependem dos termos subsequentes para terem sentido. Isso ocorre porque o sentido deve transitar do verbo para o complemento. Por isso falamos que o verbo é transitivo. Sozinho, não consegue transmitir todo o sentido, necessitando de um complemento. Dessa forma, os termos “a prova”, “do gabarito”, “recursos”, “à banca examinadora”

e “certeza” completam o sentido destes verbos. Para facilitar o entendimento, podemos dizer que a preposição seria um obstáculo. Havendo uma preposição, o trânsito é indireto. Retirando-se a preposição, o trânsito é livre, direto. Então observe o verbo “realizou”. Ele não exige preposição. Assim, o termo que vem em seguida é seu complemento verbal direto. Já o complemento do verbo “duvidou” é indireto, pois o trânsito está dificultado (indireto) tendo em vista a preposição “de”. Já que, na frase 1, há complemento verbal direto, o verbo “realizou” é chamado de transitivo direto (VTD). Na frase 2, como há preposição exigida pelo verbo “duvidou”, diz-se que este verbo é transitivo indireto (VTI) e seu complemento é indireto. Na frase 3, há dois complementos exigidos pelo verbo: um(direto) e outro(indireto).

A gramática dá o nome a todo complemento verbal de objeto, por isso o complemento verbal direto é o objeto direto (OD) e o complemento verbal indireto é o objeto indireto(OI).

Como entendemos que a transitividade é uma exigência do verbo, pois necessita de um complemento verbal, a gramática dá o nome a este processo de “Regência”, pois ele exige, rege o complemento. Se é um verbo que exige,

é natural que a regência seja verbal. Há um capítulo na gramática que trabalha

só isso: Regência Verbal (reconhecimento da transitividade do verbo), a qual veremos no final desta aula. Mas agora cabe apenas entender a estrutura abaixo. Veja:

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ − TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR Regência Verbal
LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ − TEORIA E EXERCÍCIOS
PROFESSOR DÉCIO TERROR
Regência Verbal
1. O candidato
realizou
a prova.
VTD
+
OD
2.
duvidou
do gabarito.
VTI
+
OI
3.
enviou
recursos
VTDI
+
OD
+
à banca examinadora.
OI
sujeito
predicado

Mas não é só o verbo que pode ser transitivo. Nome também pode ter transitividade. Nomes como “certeza”, obediência, dúvida, longe, perto, fiel, etc são chamados de transitivos porque necessitam de um complemento para terem sentido. Alguém tem certeza de algo, dúvida de algo, obediência a alguém ou a algo. Alguém mora perto de outra pessoa ou longe dela. Alguém é fiel a algo ou a alguém. Estes nomes exigem transitividade, com isso há um complemento, o qual é chamado de complemento nominal (CN). Logicamente, há contextos em que o complemento não estará explícito na frase; por exemplo, se queremos dizer que alguém reside muito distante, podemos dizer que ele mora longe. Neste caso o nome “longe” deixou de ser transitivo, não exigiu o complemento nominal, pois este ficou implícito. Por isso não devemos decorar, mas entender o contexto, a funcionalidade. Se o complemento não está explícito, não temos de identificá-lo. Vimos que a regência verbal trata basicamente do complemento do verbo. Se há um nome que exige complemento, então temos a Regência Nominal. Veja a frase 4:

Regência Nominal

4. O candidato tem certeza de sua aprovação. VTD + OD + CN sujeito predicado
4.
O candidato
tem
certeza
de sua aprovação.
VTD
+
OD
+
CN
sujeito
predicado

Note que o verbo “tem” é transitivo direto e “certeza” é o objeto direto. A expressão “de sua aprovação” não complementa o verbo, ela complementa o nome “certeza”: certeza de sua aprovação. O estudo da Regência Nominal, na realidade, é realizado para descobrirmos quais preposições iniciam o complemento nominal. Então atente quanto à diferença da oração 3 (VTDI + OD + OI) para a 4 (VTD + OD + CN). Agora, vamos à oração 5. Note que o verbo “viajou” não exige nenhum complemento verbal. Então não há transitividade. Se quisermos uma estrutura posterior, naturalmente inseriremos uma ou mais circunstâncias. A essas circunstâncias damos o nome de adjunto adverbial. Poderíamos dizer que o candidato viajou a algum lugar, em determinado momento, o modo como viajou, a causa da viagem. Tudo isso são circunstâncias, as quais possuem o

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR valor de lugar, tempo, modo e causa. Essas são as circunstâncias básicas, mas há mais e veremos isso adiante. Então veja como ficaria:

O candidato viajou para São Paulo ontem confortavelmente a trabalho.

sujeito VI Adj Adv lugar Adj Adv Adj Adv Adj Adv tempo modo causa
sujeito
VI
Adj Adv lugar
Adj Adv
Adj Adv
Adj Adv
tempo
modo
causa

O adjunto adverbial não ocorre só com verbo intransitivo, ele pode

aparecer junto a qualquer verbo. Por exemplo, nas frases 1 a 3, poderíamos inserir o adjunto adverbial de tempo “ontem”. Na frase 4, poderíamos inserir o adjunto adverbial de causa: “devido a seu estudo”. Essas 5 frases possuem verbos com transitividade (VTD, VTI, VTDI) e sem transitividade (VI). Toda vez que, na oração, ocorrem esses tipos verbais, dizemos que eles são os núcleos (palavra mais importante) do predicado, assim teremos os Predicados Verbais, com a seguinte estrutura:

Predicado verbal =

VTD + OD

VTI + OI VTDI + OD + OI

VI

Esse é o esquema básico, e nada impede de haver adjunto adverbial e complemento nominal em todos eles.

Falta apenas um tipo de verbo: o de ligação.

Veja a frase 6: O candidato estava tranquilo.

O termo “tranquilo” caracteriza o sujeito “O candidato”, por isso se

flexiona de acordo com ele. O verbo “estava” serve para ligar esta característica ao sujeito, por isso é chamado de verbo de ligação, e o termo que caracteriza o sujeito é chamado de predicativo.

O predicativo serve normalmente para caracterizar o sujeito e por isso se

flexiona de acordo com ele. Se o sujeito fosse “candidata”, naturalmente o predicativo seria “tranquila". A essa flexão de um predicativo em relação ao sujeito damos o nome de Concordância Nominal. Na gramática, há um

capítulo só para a concordância nominal, e a flexão do predicativo em relação ao sujeito é um dos pontos principais, mas isso veremos nossa próxima aula.

O predicativo sempre será núcleo do predicado, por causa disso seu

predicado é chamado de Predicado Nominal, com a seguinte estrutura:

Predicado Nominal = VL + predicativo

O predicativo não ocorre somente no predicado nominal, ele também

pode fazer parte do predicado verbo-nominal; e isso será visto adiante. Por enquanto, é importante entender a seguinte estrutura:

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR

Concordância verbal Regência verbal 1. O candidato realizou a prova.
Concordância verbal
Regência verbal
1. O candidato
realizou
a prova.
 

VTD

+

2.

duvidou

VTI

+

3.

enviou

VTDI

+

4.

tem

VTD

+

5.

viajou.

VI

6.

estava

VL

+

OD

do gabarito.

OI

recursos

OD

+

+

à banca examinadora. OI

Regência nominal

recursos OD + + à banca examinadora. OI Regência nominal certeza OD tranquilo. predicativo de sua

certeza

OD

tranquilo.

predicativo

de sua aprovação.

CN

certeza OD tranquilo. predicativo de sua aprovação. CN Concordância nominal Predicado Verbal Predicado Nominal

Concordância nominal

Predicado

Verbal

Predicado

Nominal

sujeito predicado
sujeito
predicado

É muito importante perceber que entre os termos básicos acima, não há

vírgula. Vamos praticar um pouco?!!!

Questão 1:

(IBGE / 2006 / Técnico)

O

recenseador entrevista as pessoas.

Na frase acima, o termo destacado tem a função de sujeito.

Assinale a opção em que recenseador também é sujeito.

 

(A)

Algumas pessoas têm medo do recenseador.

(B)

Aquele homem alto é recenseador.

(C)

Preencheu todos os formulários o recenseador.

(D)

O motorista levou o recenseador até a casa.

(E)

O chefe pediu ao recenseador paciência.

Comentário: Na alternativa (A), “Algumas pessoas” é o sujeito, “têm” é verbo transitivo direto, “medo” é objeto direto e “do recenseador” é o complemento nominal. Na alternativa (B), “Aquele homem alto” é o sujeito, “é” verbo de ligação e “recenseador” é predicativo do sujeito.

 

A

alternativa (C) é a correta, pois “o recenseador” é sujeito. Perceba que

a oração encontra-se em ordem inversa: “Preencheu” é verbo transitivo direto, “todos os formulários” é o objeto direto e “o recenseador” é o sujeito.

A

ordem natural seria: O recenseador preencheu todos os formulários.

Na alternativa (D), “O motorista” é sujeito, “levou” é verbo transitivo direto, “o recenseador” é objeto direto e “até a casa” é adjunto adverbial de lugar.

 

Na alternativa (E), “O chefe” é sujeito, “pediu” é verbo transitivo direto

e

indireto, “ao recenseador” é objeto indireto e “paciência” é objeto direto.

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR

Resposta: C

Questão 2: BNDES Superior 2005

O

segmento inicial de nosso Hino Nacional diz o seguinte:

 

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas De um povo heróico o brado retumbante

Se colocados na ordem direta, os termos desses dois versos estariam assim

dispostos:

 

(A)

As margens plácidas do Ipiranga ouviram

O

brado retumbante de um povo heróico;

(B)

As margens plácidas ouviram do Ipiranga

O

heróico brado retumbante de um povo;

(C)

As margens plácidas do Ipiranga ouviram

O

heróico brado retumbante de um povo;

(D)

Do Ipiranga as margens plácidas ouviram

O

brado retumbante de um povo heróico;

(E)

Ouviram as margens plácidas do Ipiranga

De um povo o heróico brado retumbante.

Comentário: O verbo “ouviram” encontra-se no plural por concordar com o seu sujeito “As margens plácidas do Ipiranga”. Esse sujeito tem sentido

conotativo: é a figura de linguagem metonímia, pois “As margens” representa quem lá se encontrava e ouviu o brado. Esse verbo é transitivo direto e exige

o

objeto direto “O brado retumbante de um povo heróico”, cujo núcleo é o

substantivo “brado”, o qual se encontra caracterizado pelos adjuntos

adnominais “O”, “retumbante” e “de um povo heróico”. Como vimos que a sequência natural de uma oração é o S-V-O, A alternativa correta é a (A).

Gabarito: A

 

Questão 3: Eletrobras Superior 2006

O

item em que a troca de posição dos elementos ALTERA o sentido original é:

(A)

“quem atende é uma máquina” / uma máquina é quem atende;

(B)

“falam com a secretária eletrônica com a maior naturalidade” / falam com a maior naturalidade com a secretária eletrônica;

(C)

“É apenas um gravador com uma função a mais” / é apenas uma função a mais com um gravador;

(D)

“qual é o problema?” / o problema qual é?;

(E)

“E de repente você está falando sozinho” / e você está falando sozinho de repente.

Comentário: A estrutura que, ao mudar a posição dos elementos, muda o sentido é a alternativa (C). Note que o núcleo “gravador” está sendo caracterizado pelo adjunto adnominal “com uma função a mais”, isto é, um gravador que possui uma função a mais. Na substituição, o substantivo “função” passa a ser o núcleo, e o termo “com um gravador” é o adjunto adnominal. Por isso, muda-se o sentido. Na alternativa (A), houve apenas a inversão dos termos sujeito (“quem

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR

atende”) e seu predicativo (“uma máquina”). Na alternativa (B), houve também somente a inversão dos termos objeto indireto (“com a secretária eletrônica”) e adjunto adverbial de modo (“com a maior naturalidade”). Na alternativa (D), houve apenas a inversão dos termos sujeito “qual” e predicativo “o problema”). Na alternativa (E), houve apenas o deslocamento do adjunto adverbial de tempo “de repente”.

Gabarito: C

 

Questão 4:

(SEAD / 2005 / Técnico)

 

Marque a opção em que o termo em destaque exerce a função de sujeito.

(A)

No meu tempo era tudo melhor”. “Também não havia tanta violência,” “Relatos históricos são arrepiantes.” “

para

que sobrevivessem cinco

 

(B)

(C)

(D)

(E)

“Somos tão despossuídos,”

Comentário: Na alternativa (A), o termo “No meu tempo” é adjunto adverbial de tempo, “era” é verbo de ligação, “tudo” é sujeito e “melhor” é predicativo do sujeito. Na alternativa (B), “Também” é palavra denotativa de inclusão, “não” é adjunto adverbial de negação, “havia” é verbo transitivo direto e “tanta violência” é objeto direto. Na alternativa (C), “Relatos históricos” é sujeito, “são” é verbo de ligação e “arrepiantes” é predicativo do sujeito. Na alternativa (D), “sobrevivessem” é verbo intransitivo e “cinco” é o sujeito. Por isso, esta é a alternativa correta. Na alternativa (E), “Somos” é verbo de ligação, “tão” é adjunto adverbial de intensidade e “despossuídos” é o predicativo do sujeito. Note que o sujeito está oculto (nós).

Resposta: D

 

Questão 5:

(SEMSA / 2005 / Superior)

“A pérola estava murcha,”

 

O termo em destaque é:

(A)

sujeito.

(B) objeto direto.

(C) objeto indireto.

(D)

adjunto adnominal.

(E) predicativo do sujeito.

Comentário: O termo “A pérola” é sujeito, “estava” é verbo de ligação e “murcha” é o predicativo do sujeito. Por isso, a alternativa correta é a (E).

Resposta: E

 

Questão 6: BNDES Superior 2005

Uma antiga revista de humor, Pif-Paf, trazia o seguinte slogan:

“Cada número é exemplar, cada exemplar é um número!”; nesta frase, as palavras “número” e “exemplar” trocaram:

(A)

função, classe e significado;

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR

(B)

somente função e significado;

 

(C)

somente função e classe;

(D)

somente classe e significado;

(E)

somente classe.

 

Comentário: A palavra “número” é um substantivo. A palavra “exemplar”, quando não está precedida de um determinante (artigo, pronome), é um adjetivo. Por isso, na estrutura “Cada número é exemplar”, o vocábulo “número”

significa “edição” e o adjetivo “exemplar” tem o sentido de modelo, isto é, tão bom que serve de exemplo.

 

na construção “cada exemplar é um número”, “exemplar” é um

substantivo, porque é precedido do pronome indefinido “cada” e tem o sentido de “peça”, cada revista. Já o substantivo “número” tem o sentido de nova situação, nova proposta. Assim, com a mudança da estrutura, muda-se o sentido e também a classe morfológica (de adjetivo para substantivo).

O verbo que liga os termos é de ligação (“é”). Assim, o termo anterior a ele será o sujeito, o qual se encontra enfatizado pelo pronome “cada”. O termo posterior a esse verbo é o predicativo. Veja:

 

Cada número é exemplar,

cada exemplar é um número.

 

sujeito

+ VL + predicativo

sujeito

+

VL + predicativo

Gabarito: A

 

Cabe agora aprofundarmos um pouco mais na relação dos termos para entendermos melhor a pontuação. Para isso, vamos ver a aplicação do verbo intransitivo.

Intransitivo: Verbo que não exige complemento verbal.

Adoeci.

Fui

à praia.

verbo intransitivo

adjunto adverbial de lugar predicado verbal

Na

realidade, há dois tipos de verbos intransitivos.

O

primeiro diz respeito àquele que não exige nenhum termo que

complemente seu sentido, como “Adoeci.”; “Juvenal morreu.”; “Um vendaval ocorreu.”. Esses verbos não necessitam de termo que os complete. Esse tipo de intransitividade mostra que o verbo por si só já transmite o sentido necessário; podendo o autor acrescentar termos acessórios para transmitir mais clareza ou ser mais pontual no sentido, por exemplo: “Adoeci por causa do mal tempo.”; “Juvenal morreu anteontem.” e “Um vendaval ocorreu

aqui.”.

Por outro lado, existe a intransitividade que necessita de um termo que produza sentido. Se alguém diz que vai, tem que dizer que vai a algum lugar. Se alguém diz que voltou, tem que continuar a fala mostrando de onde voltou. Por isso muita gente confunde esse tipo de intransitividade com a transitividade indireta; mas há uma diferença muito grande, pois o termo que

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR completa o sentido deste tipo de intransitividade transmite normalmente circunstâncias de lugar ou modo. Veja:

Vou a São Paulo. Vim de Manaus. Estou bem.

O objeto indireto apenas completa o sentido do verbo, ele não transmite valores circunstanciais de lugar ou de modo, sentidos que são demonstrados nos vocábulos “a São Paulo”, “de Manaus” e “bem”. Quando se quer saber se há circunstância de lugar ou modo, faz-se a pergunta “Onde?”, “Como?”, respectivamente. Assim, é importante notarmos os valores dos adjuntos adverbiais, que são demonstrados em sua maioria no uso das preposições, as quais serão enfatizadas a seguir. Didaticamente, podemos dividir o adjunto adverbial em dois tipos:

Adjunto adverbial solto: O problema ocorreu, naquela tarde de sábado. Adjunto adverbial preso: Eu estou bem. Eu estou em São Paulo. Eu vim de São Paulo.

Caro aluno, esta divisão dos adjuntos adverbiais é apenas didática, não é cobrada em prova dessa forma, mas entendermos isso é importante para a pontuação. Veja que não é comum vermos vírgula separando adjuntos adverbiais presos, como as três últimas frases. Já com o adjunto adverbial solto, é natural inserir a vírgula. Veja:

O problema ocorreu, naquela tarde de sábado.

Adjunto adverbial: É o termo que modifica o verbo, o adjetivo ou o advérbio, atribuindo-lhes uma circunstância qualquer. Abaixo listei para você o nome da palavra (morfologia) e a função que esta palavra desempenha na oração (sintaxe).

morfologia artigo + substantivo verbo advérbio de intensidade Os atletas correram muito. adj adn +
morfologia
artigo + substantivo
verbo
advérbio
de
intensidade
Os
atletas
correram
muito.
adj adn + núcleo
verbo intransitivo
adjunto
adverbial de
sintaxe
intensidade
sujeito
predicado verbal
período simples
morfologia pronome + substantivo verbo + advérbio de intensidade adjetivo Seu projeto é muito interessante.
morfologia
pronome + substantivo
verbo + advérbio
de intensidade
adjetivo
Seu projeto
é
muito
interessante.
adj adn + núcleo
VL + adj adverbial
de intensidade
Predicativo do sujeito
sintaxe
sujeito
predicado nominal
período simples
morfologia sintaxe
morfologia
sintaxe

artigo + substantivo

verbo

+ advérbio de intensidade

advérbio

verbo + advérbio de intensidade advérbio O adj adn time + núcleo jogou muito VI +

O

adj adn

time

+ núcleo

jogou muito

VI + adj adverbial de intensidade

mal.

adjunto

adverbial de

modo

sujeito

predicado verbal período simples

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR

Observações:

a) O adjunto adverbial pode ser representado por um advérbio, uma

locução adverbial ou um pronome relativo (que será visto no final desta aula).

Deixei o embrulho aqui. (advérbio) À noite conversaremos. (locução adverbial) A empresa onde trabalhei faliu. (pronome relativo)

b) Pode ocorrer elipse da preposição antes de adjuntos adverbiais de

tempo e modo:

Aquela noite, ela não veio. (Naquela noite) Domingo ela estará aqui. (No domingo) Ouvidos atentos, aproximei-me da porta. (De ouvidos atentos)

adjuntos

Veja

depender da preposição e das locuções prepositivas nocionais.

os

principais

valores

semânticos

dos

adverbiais,

1. assunto:

a

de: falar de futebol. sobre: conversar sobre política; falar sobre futebol. quanto a: Não nos expressamos quanto à fatalidade do acidente.

2. causa:

a: morrer à fome; acordar aos gritos das crianças; voltar a pedido dos amigos. ante: Ante os protestos, recuou da decisão. (Perceba que não há

preposição “a” após “ante”. Diz-se ante a, ante o, e não *ante à, *ante ao.)

com: assustar-se com o trovão; ficar pobre com a inflação. de: morrer de fome; tremer de medo; chorar de saudade. devido a: Encontrou seu futuro, devido a muito esforço. diante de: Diante de tais ofertas, não pude deixar de comprar. em consequência de: Em consequência de seu estudo eficaz, passou em primeiro lugar. em virtude de: Em virtude de muitas vaias, o show foi interrompido. em face de: O que o salvou, em face do perigo, foi sua habitual calma.

(em virtude de)

face a: Face a tantos perigos, resolveu voltar. graças a: Graças ao estudo, passou no concurso. por: encontrar alguém por uma coincidência; foi preso por vadiagem Esta preposição também pode ser entendida como em favor de: morrer pela pátria; lutar pela liberdade; falar pelo réu. Não deixa de possuir valor causal.

3. companhia:

com: ir ao cinema com alguém; regressar com amigos.

4. concessão (contraste, oposição)

apesar de: Foi à praia apesar do temporal. Obs.: Ocorre quando há uma oposição em relação ao verbo. Não se vai, normalmente, à praia em dia de temporal. com: Com mais de 80 anos, ainda tem planos para o futuro.

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR malgrado: Malgrado a chuva, fomos ao passeio.

5.

condição:

Sem: Sem o empréstimo, não construiremos a casa.

6. conformidade:

a: puxar ao pai; escrever ao modo clássico; sair à mãe. conforme: Agiu conforme a situação. por: tocar pela partitura; copiar pelo original.

7.

lugar:

a: (destino - em correlação com a preposição de): de Santos a Guarujá; daqui a Salvador. Obs.: Usa-se indiferentemente à/na página. Ex.: A notícia está à/na página 28 do jornal. Usa-se ainda a páginas, mas não as páginas ou às páginas. Ex.: A notícia está a páginas 28 do jornal. ante: A verdade está ante nossos olhos; até: indica o limite, o término de movimento, e, acompanhando substantivo com artigo (definido ou indefinido), pode vir ou não seguida da preposição a:

Caminharam até a entrada do estacionamento.

Caminharam até à entrada do estacionamento.

ou

de: (relação de origem): vir de Madri. desde: dormir desde lá até cá. em: (estático): ficar em casa; o jantar está na mesa. Observação:

O uso da preposição “em” com verbos ou expressões de movimento caracteriza coloquialidade (o que deve ser evitado na norma culta): chegar em casa, ir no supermercado, voltar na escola, levar as crianças na praia, dar um pulo na farmácia, etc. O correto é: chegar a casa; ir ao supermercado; voltar à escola; levar as crianças à praia; ir à farmácia. defronte: Ela mora defronte à igreja. em frente a: Em frente à escola estava ele. entre: os Pireneus estão entre a França e a Espanha; ficar entre os aprovados. para: ir para Madri; apontar o dedo para o céu. perante: (posição em frente); perante o juiz, negou o crime. (Não use

perante a: perante a Deus, perante ao juiz, etc.)

por: ir por Bauru, morar por aqui. sob: (posição inferior): ficar sob o viaduto. sobre: (posição superior): o avião caiu sobre uma lavoura de arroz; flutuar sobre as ondas; (direção): ir sobre o adversário. trás: no português atual, a preposição trás não é usada isoladamente; atua, sempre, como parte de outras expressões: nas locuções adverbiais “para trás” e “por trás” (ficar para trás, chegar por trás) e na locução prepositiva “por trás de” (ficar por trás do muro).

8. modo:

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR a: bife à milanesa; jogar à Telê Santana. com: andar com cuidado; tratar com carinho. de: olhar alguém de frente, ficar de pé. em: ir em turma, em bando, em pessoa; escrever em francês. por: proceder à chamada de alunos por ordem alfabética; saber por alto o que aconteceu. sem: indica a relação de ausência ou desacompanhamento: estar sem dinheiro; sob: sair sob pretexto não convincente.

9. tempo:

com: (simultaneidade): o povo canta, com os soldados, o Hino Nacional; com o tempo os frutos amadurecem. de: dormir de dia, estudar de tarde, perambular de noite; de pequenino é que se torce o pepino. desde: desde ontem estou assim. em: fazer a viagem em quatro horas; o fogo destruiu o edifício em minutos, no ano 2000. entre: ela virá entre dez e onze horas. para: ter água para dois dias apenas; para o ano irei a Salvador; lá para o final de dezembro viajaremos. por: estarei lá pelo Natal; viver por muitos anos; brincar só pela manhã. sob: houve muito progresso no Brasil sob D. Pedro II.

Muitas vezes, numa locução, a preposição “a” pode ser trocada por outra, sem que isso acarrete prejuízo de construção ou de significado. Eis alguns exemplos: à/com exceção de, a/ em meu ver, a/com muito custo, em frente a/de, rente a/com, à/na falta de, a/em favor de, em torno a/de, junto a/com/de.

Pontuação com adjunto adverbial “solto”

É marcante nos adjuntos adverbiais a sua mobilidade posicional, pois este termo pode movimentar-se para o início, para o meio ou para o fim da oração. Essa mobilidade é percebida nos termos soltos, os quais não são exigidos pelo verbo, mas apenas ampliam o contexto com a circunstância. Isso é notado principalmente nos advérbios de lugar, tempo e modo; nos advérbios que modificam toda a oração (e não somente um termo); e nas locuções adverbiais:

O custo de vida é bem alto em Brasília.

Em Brasília, o custo de vida é bem alto.

O

custo de vida, em Brasília, é bem alto.

O

custo de vida é bem alto, em Brasília.

Esta locução adverbial de lugar não é exigida pelo verbo, por isso se considera um termo solto, o qual pode receber vírgula. Compare com a seguinte.

Prefeitos de várias cidades foram a Brasília.

A Brasília prefeitos de várias cidades foram.

Prefeitos de várias cidades a Brasília foram.

Esta locução

lugar é exigida pelo verbo,

por

se considera

de

adverbial

isso

não

mover na oração, mas não recebe vírgula.

termo

solto,

ela

pode

se

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR

Naturalmente, você já percebeu o problema.

Sim, eu sei.

Os advérbios referem-se a toda a oração.

Quando a locução adverbial solta for de grande extensão e estiver antecipada da oração ou no meio dela, a vírgula será obrigatória. Se estiver no final, a vírgula será facultativa.

Antes da última rodada, o time já se dizia campeão.

O

time, antes da última rodada, já se dizia campeão.

O

time já se dizia, antes da última rodada, campeão.

O

time já se dizia campeão, antes da última rodada.

O

time já se dizia campeão antes da última rodada.

Questão 7:

(BNDES / 2011 / Superior)

Fragmento de texto: Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima ideia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos. Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia a dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência.” “isso existe às pampas.”

e

Quais as locuções destacadas que encerram, respectivamente, as mesmas circunstâncias das destacadas nos trechos transcritos acima?

(A)

Aos poucos, ele ia percebendo que não precisava mais dela. / Nada em volta causava mais surpresa.

(B)

Saiu às pressas porque tinha um compromisso. / De vez em quando, é preciso repensar as estratégias.

(C)

em frente que você encontrará o que procura. / De modo algum aceitarei a proposta feita pelo meu superior.

(D) Em breve, estarei terminando de escrever minha biografia. / Trabalhou em excesso para apresentar seu projeto final.

(E)

A notícia chegou de súbito causando, assim, um grande impacto. / Hoje em dia, as pessoas pensam mais nelas próprias.

Comentário: A expressão “às vezes” é o adjunto adverbial de tempo e “às pampas” é o adjunto adverbial de intensidade. Perceba que este último pode ser substituído pelo advérbio de intensidade “bastante”. Na alternativa (A), “Aos poucos” é adjunto adverbial de modo e “em volta” é adjunto adverbial de lugar. Na alternativa (B), “às pressas” é adjunto adverbial de modo e “De vez em quando” é adjunto adverbial de tempo.

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR

Na alternativa (C), “em frente” é adjunto adverbial de lugar (lugar abstrato) e “De modo algum” é adjunto adverbial de negação. A alternativa (D) é a correta, pois “Em breve” é adjunto adverbial de tempo e “em excesso” é adjunto adverbial de intensidade. Note que também esta expressão pode ser substituída por “bastante”. Na alternativa (E), “de súbito” é adjunto adverbial de modo e “Hoje” é adjunto adverbial de tempo.

Resposta: D

Questão 8:

(BACEN / 2009 / Superior)

A circunstância expressa pelos termos em destaque está corretamente indicada em

(A)

(B)

“algo para ser visto pela janelinha do carro,” – lugar “

esparramada

sobre a calçada,” – concessão.

(C)

pingando

esmolas em mãos rotas.” – modo.

(D)

Com o tempo, a miséria conquistou os tubos de imagem dos aparelhos de TV.” – consequência.

(E)

Embora violenta, a miséria ainda nos excluía.” – condição.

Comentário: A expressão “pela janelinha do carro” é um adjunto adverbial de lugar, por isso a alternativa (A) é a correta. Na alternativa (B), “sobre a calçada” também é um adjunto adverbial de

lugar.

 

Na alternativa (C), “em mãos rotas” também é um adjunto adverbial de

lugar.

Na alternativa (D), “Com o tempo” é adjunto adverbial de tempo. Na alternativa (E), “Embora violenta” é adjunto adverbial de concessão. Como não há verbo nesta estrutura, a conjunção “Embora” passa a ter valor morfológico de preposição acidental. Observe: a conjunção inicia oração.

Resposta: A

Questão 9:

(Petrobras / 2010 / Superior)

O termo destacado expressa uma circunstância de causa em

(A)

(B)

“entretanto, pelas inseguranças, medos e raivas, diversas vezes adotamos posturas impensadas” “

adotamos

posturas impensadas que impactam pelo resto da vida,”

(C)

No direito e na medicina isso é mais complexo,”

(D)

“pode ser perfeitamente aplicável daqui a um tempo.”

(E)

com absoluta certeza, não será o último”

e,

Comentário: Note que o adjunto adverbial de causa “pelas inseguranças, medos e raivas” é iniciado pela preposição “por”, seguido do artigo “os” (pelos). Essa preposição normalmente traduz valor de causa. Na alternativa (B), “pelo resto da vida” é adjunto adverbial de tempo. Na alternativa (C), “No direito e na medicina” é adjunto adverbial de lugar (abstrato). Na alternativa (D), “daqui a um tempo” é adjunto adverbial de tempo. Na alternativa (E), “com absoluta certeza” é adjunto adverbial de afirmação/certeza.

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR

Resposta: A

Objeto direto: Vimos que esse termo é o complemento de um verbo transitivo direto. Ele tem como núcleo um substantivo ou palavra de valor substantivo.

Perdi os documentos.

Note que “documentos” é o núcleo (palavra mais importante do termo) do objeto direto e é um substantivo. O objeto direto se apresenta de diferentes formas.

I - Objeto direto pleonástico: Normalmente, por uma questão de ênfase, antecipa-se o objeto, colocando-o no início da frase, e depois é repetido por meio de um pronome oblíquo átono. A esse objeto repetido damos o nome de objeto pleonástico ou enfático. É muito comum essa construção no diálogo, como um meio de o interlocutor retomar a fala do outro, emendando a sua postura diante do fato:

- O que você acha desta roupa?

- Essa roupa, ninguém a quer.

A expressão “Essa roupa” é o objeto direto e o pronome “a” é o objeto direto pleonástico. Neste caso, ocorre a vírgula.

II - Objeto direto preposicionado: aquele cuja preposição não é exigência do verbo, que é transitivo direto, mas ocorre por ênfase, para se evitar ambiguidade ou por necessidade do próprio complemento.

Amo a Deus. (ênfase)

Cumpri com a minha palavra. (ênfase)

Ele puxou da espada. (ênfase)

Aos mais desfavorecidos atingem essas medidas. (para evitar ambiguidade)

Ninguém entende a mim. (necessidade do pronome “mim”)

Note que os verbos amar, cumprir, puxar, atingir e entender não regem preposição, porque são transitivos diretos. Como a banca CESPE pergunta quem exige a preposição, nesses casos não foram os verbos que a exigiram.

Nos três primeiros exemplos, perceba que pode haver a seguinte estrutura oracional: Amo Deus; Cumpri a minha palavra; Ele puxou a espada. A inserção da preposição, então, não foi exigida pelo verbo, ela apenas enfatiza o complemento.

No quarto exemplo, se não houvesse a preposição “A” no início da expressão “Aos mais desfavorecidos”, certamente o leitor teria dificuldade em identificar o sujeito (Essas medidas atingiram os mais desfavorecidos ou os mais desfavorecidos atingiram essas medidas?). Essa dupla possibilidade de interpretação é chamada de ambiguidade. Num texto formal, deve-se evitar essa ambiguidade para que o texto seja o mais claro possível.

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR No último exemplo, tem-se o pronome pessoal oblíquo tônico “mim”. Se

não houvesse a preposição, esse pronome deveria ser oblíquo átono “me”. Isso

foi

visto na aula 1, em pronomes.

III

- Objeto direto interno (ou cognato):

Foi visto que verbos intransitivos são aqueles que, por terem sentido completo, não reclamam um complemento (objeto). É comum, no entanto, o emprego desses verbos com um objeto, representado por um substantivo da

mesma área semântica do verbo. Muitas vezes, o complemento tem o radical

do

verbo:

 

Ele vive uma vida feliz.

Dormi o sono dos justos.

“Os sonhos mais lindos sonhei

“E rir o meu riso

 

Essas estruturas são admissíveis em composições de canções, poemas

ou

prosas com fundo literário. Numa linguagem objetiva, com fundamentação

argumentativa, essa construção deve ser evitada.

IV – Vimos na aula 1, quando falamos sobre o pronome oblíquo átono, que os

pronomes “me”, “te”, “se”, “o”, “a”, “os”, “as”, “nos”, “vos” cumprem a função sintática de objeto direto: Comprei um carro (comprei-o.).

Objeto indireto: complemento de um verbo transitivo indireto.

Necessitamos de apoio.

Ele pode também ser pleonástico: repetição, por meio de um pronome oblíquo, do objeto indireto.

Ao amigo, não lhe peça tal coisa.

A expressão “Ao amigo” é o objeto indireto e o pronome “lhe” é o objeto indireto pleonástico. Neste caso, a vírgula é obrigatória.

Também vimos na aula 1, quando falamos sobre o pronome oblíquo átono, que os pronomes “me”, “te”, “se”, “lhe”, “lhes”, “nos”, “vos” cumprem a função sintática de objeto indireto: Obedeço ao chefe (Obedeço-lhe).

Questão 10: AGU Superior 2006

Assinale a letra que corresponde à melhor redação, considerando correção, clareza e concisão.

(A)

As ruas uma a uma o geógrafo às reviu;

(B)

As casas o geógrafo reviu-as, uma à uma;

(C)

O geógrafo, às casas, as reviu uma a uma;

(D)

As casas, o geógrafo reviu-as uma a uma;

(E)

As casas, as reviu o geógrafo, uma à uma.

Comentário: A expressão “uma a uma” possui palavras repetidas, por esse motivo não pode haver crase (veremos isso na próxima aula). O verbo “reviu” é transitivo direto e possui junto a ele o pronome oblíquo átono “as” como objeto direto pleonástico, pois retoma o termo “as ruas”, o qual também é objeto direto e se encontra na mesma oração. Assim, deve haver entre eles uma vírgula. Note que o objeto direto “as casas” não pode receber crase, tampouco o pronome “as”.

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR

Com base nessas explicações a única alternativa correta é a (D). As casas, o geógrafo reviu-as uma a uma

OD

sujeito

VTD

As casas, o geógrafo reviu-as uma a uma OD sujeito VTD adjunto adverbial de modo OD

adjunto adverbial de modo

OD pleonástico

Gabarito: D

Questão 11: AGU Superior 2006

 

Assinale a letra que corresponde à melhor redação, considerando correção, clareza e concisão.

(A)

A parada o autorizava à cobrar um novo preço;

(B)

A parada lhe autorizava de cobrar um novo preço;

(C)

A parada o autorizava de cobrar um novo preço;

(D)

A parada o autorizava a cobrar um novo preço;

(E)

A parada lhe autorizava a cobrar um novo preço.

Comentário: Note que não pode haver crase antes de verbo (veremos isso na próxima aula). Note também que o verbo “autorizava” é transitivo direto e indireto (autorizar alguém a alguma coisa). Assim, o pronome correto deve

ser “o” (objeto direto), e o objeto indireto iniciado com a preposição “a” é uma oração que se encontra na função de objeto indireto. Veremos no final desta aula que essa oração é chamada de subordinada substantiva objetiva indireta reduzida de infinitivo “a cobrar um novo preço”. Portanto, a construção correta é a da alternativa (D). Veja:

 

A parada

o

autorizava

 

a cobrar um novo preço

sujeito +

OD +

VTDI

+

or. subordinada substantiva objetiva indireta

Gabarito: D

 

Questão 12: MPE RJ Superior 2007

"Além de adiar a saída de casa, mesmo depois de terminar a faculdade e arrumar trabalho, esses moços e moças não conseguem ajudar nas despesas da casa, nem tampouco pagar as próprias contas".

Os verbos transitivos desse trecho estão seguidos de complementos, que podem ser substituídos por pronomes oblíquos. A única substituição que se enquadra no padrão prestigiado de linguagem é:

(A)

além de adiar a saída de casa = adiar-lhes;

(B)

depois de terminar a faculdade = terminar-la;

(C)

e arrumar trabalho = arrumá-lo;

(D)

ajudar nas despesas = ajudar-lhes;

(E)

pagar as próprias contas = pagar-lhes.

Comentário: Lembre-se de que o objeto direto pode ser substituído pelos

pronomes oblíquos átonos “o, a, os, as”, além de “me”, “te”, “nos” e “vos”. O pronome oblíquo átono “lhe/lhes” ocupa as funções de objeto indireto, complemento nominal ou tem valor de posse.

 

A

alternativa (A) está errada, pois o verbo “adiar” é transitivo direto e o

termo “a saída de casa” é o objeto direto. Como o verbo termina em “r”,

excluímos o “r” e inserimos “l” antes do pronome, sem nos esquecermos de acentuar o verbo. Assim, o correto é: adiá-la.

 

A

alternativa (B) está errada, pois o objeto direto “a faculdade” pode ser

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR

substituído pelo pronome “a”, porém o verbo termina em “r”, assim,

excluímos o “r” e inserimos o “l” antes do pronome, sem nos esquecermos de acentuar o verbo: terminá-la.

A

alternativa (C) é a correta, pois o verbo “arrumar” é transitivo direto e

termina em “r”. Assim, excluiu-se o “r” e inseriu-se o “l”, com a devida acentuação gráfica no verbo: arrumá-lo.

A

alternativa (D) está errada, pois o objeto indireto “nas despesas” não

admite o pronome “lhes”, pois esse pronome normalmente é utilizado para se referir a pessoa ou coisa personificada.

A

alternativa (E) está errada, pois as próprias contas” é o objeto direto.

Assim, não admite o pronome “lhes”. O correto é: “pagá-las”.

Gabarito: C

Questão 13: ANTT Superior 2008

Assinale a alternativa em que o pronome colocado entre parênteses não preenche corretamente a lacuna:

(A)

A destruição

prejudicou demais. (os)

(B)

Os animais não serão extintos: nós

Na verdade, em muito pouco

ajudaremos. (lhes) ajudaríamos. (as)

(C)

(D)

Admiro

a dedicação para com os animais. (lhe)

(E)

Posso dizer que ainda não

conheço bem. (a)

Comentário: A alternativa (A) está correta, pois o verbo “prejudicou” é transitivo direto e o pronome “os” é o objeto direto. A alternativa (B) é a errada, pois o verbo “ajudaremos” é transitivo direto e não admite o pronome “lhes”. O correto é o objeto direto “os”.

 

A

alternativa (C) está correta, pois o verbo “ajudaríamos” é transitivo

direto e seu objeto direto é o pronome “as”.

 

A

alternativa (D) está correta, pois o verbo “admiro” é transitivo direto,

o objeto direto é o termo “a dedicação” e o pronome “lhe” possui valor de

posse (a sua dedicação).

 

A

alternativa (E) está correta, pois o verbo “conheço” é transitivo direto

e o pronome “a” é o objeto direto.

Gabarito: B

 

Questão 14: Radiobras Superior 2004

pagam

um tributo à sociedade.”; as formas dos pronomes pessoais que

podem substituir os termos sublinhados são, respectivamente:

(A)

o / lhe;

(B)

lo / lhe;

(C)

no / a ela;

(D)

o / a ela;

(E)

lhe / a ela.

Comentário: No primeiro termo, já sabemos que a alternativa (C) é a correta, pois o verbo “pagam” é transitivo direto e termina em “m”. Assim, o objeto direto “o” recebe a consoante “n”: pagam-no. Como um dos termos desta alternativa já está com pronome átono, a questão indicou o outro termo com pronome oblíquo tônico “a ela”, o qual

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR

cumpre a função de objeto indireto.

Gabarito: C

Questão 15: Eletrobras Superior 2007

 

O

item

que

mostra

um

desenvolvimento

INADEQUADO

do

segmento

sublinhado é:

 

(A)

“O teste definitivo para você saber = o teste definitivo para que você saiba;

(B)

“Ao saber que estão sendo gravados

 

= quando sabem que estão sendo

gravados;

 

(C)

“para regravar a mensagem” = para que regrave a mensagem;

 

(D)

“Seguem instruções para esperar o bip” = seguem instruções para que se espere o bip;

(E)

“como aqueles livros que a gente gosta de ler” = como aqueles livros que a gente gosta que se leiam.

Comentário: Note o erro na alternativa (E). O verbo “gosta” exige a

preposição “de”, como ocorreu na frase original “

a

gente gosta de ler”;

porém, na reconstrução em uma oração desenvolvida, faltou tal preposição. O ideal seria “a gente gosta de que se leiam”. Apesar de parecer estranha a reconstrução “se leiam”, não está errada, pois o pronome “se” é apassivador, o sujeito paciente está subentendido (“aqueles livros”) e o verbo “leiam” é transitivo direto (aqueles livros sejam lidos). Esse uso do vocábulo “se” será visto na próxima aula.

Gabarito: E

 

Adjunto adnominal

Todo termo sintático da oração necessita de um núcleo, constituído de um substantivo ou palavra de valor substantivo. Esse núcleo pode ser caracterizado, determinado, modificado, especificado, restringido por um termo, chamado de adjunto adnominal. Esse termo pode ser representado por:

1) um artigo:

2) um pronome adjetivo:

3) um numeral adjetivo:

4) um adjetivo:

5) uma locução adjetiva:

O carro parou. Encontrei meu relógio. Recebi a segunda parcela. Tive ali grandes amigos. Tenho uma mesa de pedra.

As

nossas

primeiras

experiências

científicas

fracassaram.

artigo

pronome

numeral

substantivo

adjetivo

verbo intransitivo

 

adjuntos adnominais

núcleo

adj adnominal

 

sujeito

predicado

Questão 16:

(FUNASA / 2009 / Técnico)

Fragmento de texto: Para alcançar as Metas do Milênio estabelecidas pela ONU, e controlar a epidemia crescente das doenças crônicas, é necessário lutar com urgência contra a má nutrição no mundo, tanto causada pelo excesso quanto pela falta – afirmou a presidente do comitê, Catherine Bertini.

Em “e controlar a epidemia crescente das doenças crônicas,”, o termo destacado está ligado sintaticamente ao substantivo “epidemia”.

O termo que desempenha função sintática idêntica ao destacado acima está

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR

no trecho:

(A)

“enquanto cerca de 300 milhões de adultos são obesos,” “

(B)

(C)

que

ajude as autoridades nacionais a enfrentar os problemas.”

“– Para alcançar as Metas do Milênio estabelecidas pela ONU,” ”

(D)

“Todos eles estão mais expostos

(E)

“entre outras doenças ligadas ao excesso de peso.”

Comentário: O termo “das doenças crônicas” é o adjunto adnominal, pois caracteriza (restringe) o núcleo do objeto direto “epidemia”.

Na alternativa (A), “obesos” é predicativo do sujeito.

A alternativa (B) é a correta, pois “as autoridades nacionais” é o objeto direto. O substantivo “autoridades” é o núcleo desse objeto direto e “nacionais” é o adjunto adnominal. Na alternativa (C), entendendo-se “estabelecidas” como a forma reduzida da locução verbal “são estabelecidas”, o termo “pela ONU” é o agente da passiva (esse termo será visto na próxima aula). Na alternativa (D), “mais” intensifica o adjetivo “expostos”, por isso é

um adjunto adverbial de intensidade. Na alternativa (E), “ao excesso de peso” é o complemento nominal do adjetivo “ligadas”.

Resposta: B

Complemento nominal

A transitividade não é privilégio dos verbos: há também nomes

(substantivos, adjetivos e advérbios) transitivos. Isso significa que determinados substantivos, adjetivos e advérbios se fazem acompanhar de complementos. Esses complementos são chamados complementos nominais e são sempre introduzidos por preposição:

1) complemento nominal de um substantivo:

Você

sujeito

fez

VTD

uma boa leitura

objeto direto

do texto.

complemento nominal

Predicado verbal

Note que o substantivo “leitura” é o nome da ação de “ler”. Como é natural o verbo ser transitivo, o substantivo também fica transitivo. Observe:

Compare:

Você

sujeito

leu

VTD

o texto.

objeto

direto

Predicado verbal

Júlia aproveitou o momento. (objeto direto) Júlia tirou proveito do momento. (complemento nominal)

2) complemento nominal de um adjetivo:

Você

precisa ser

fiel

aos seus ideais.

sujeito

locução

verbal

adjetivo na

complemento nominal

de ligação

função

de

predicativo

   

Predicado nominal

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR Quem é fiel é fiel a alguma coisa. Assim, o adjetivo “fiel” é transitivo, ou seja, necessita de complemento.

3) Complemento nominal de advérbio:

Você

sujeito

mora

verbo intransitivo

perto

advérbio na função de adjunto adverbial de lugar

de Maria.

complemento

nominal

Predicado verbal

Note que o advérbio “perto” necessita de um complemento: perto de algo ou de alguém. Podemos dizer que o complemento nominal é mais uma função substantiva da oração: nos casos citados anteriormente, o núcleo dos complementos é um substantivo (texto, ideais, Maria). Pronomes e numerais substantivos, assim como qualquer palavra substantivada, podem desempenhar essa função. Observe o pronome “lhe” atuando como complemento nominal na oração seguinte:

Não posso ser-lhe fiel: já empenhei minha palavra com outra pessoa. (fiel a alguém)

Observe que o complemento nominal não se relaciona diretamente com

o verbo da oração, diversas funções.

e sim com um nome que pode desempenhar as mais

A

realização

do projeto

é

necessária

à população carente.

Adj.

núcleo

complemento

VL

predicativo do

complemento nominal

Adn

nominal

sujeito

 

sujeito

 

predicado nominal

É natural confundirmos, na estrutura sintática, os termos adjunto

adnominal com o complemento nominal. Assim, é necessário abordarmos a diferença entre eles para uma melhor compreensão da sintaxe e da semântica.

Como distinguir o adjunto adnominal do complemento nominal

O adjunto adnominal formado por uma locução adjetiva pode ser

confundido com o complemento nominal. Normalmente não haverá dúvida, pois, segundo o que foi visto, o adjunto adnominal é constituído de vocábulo de valor restritivo que caracteriza o núcleo do termo de que faz parte. Já o complemento nominal é termo que completa o sentido de um nome. Há dúvida quando os dois termos são preposicionados. Por exemplo:

A leitura do livro é instigante.

A leitura do aluno foi boa.

Para percebermos a diferença, é importante passarmos por três critérios:

1º critério:

Adjunto adnominal:

O termo preposicionado caracteriza o substantivo.

Complemento nominal:

O termo preposicionado complementa um substantivo, adjetivo ou advérbio.

Assim, em orações como “Estava cheio de problemas.”, “Moro perto de você.”, logo no primeiro critério, já saberíamos que “de problemas” e “de você”

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR são complementos nominais, pois completam o sentido do adjetivo “cheio” e do advérbio “perto”, respectivamente.

2º critério:

Adjunto adnominal:

O substantivo caracterizado pode ser concreto ou abstrato.

Complemento nominal:

O

substantivo complementado deve ser

abstrato.

Sabendo-se que um substantivo abstrato normalmente é o nome de uma ação (corrida, pesca) ou de uma característica (tristeza, igualdade) e que o substantivo concreto é o nome de um ser independente, que conseguimos visualizar, pegar (casa, copo). Nas orações “Trouxe copos de vidro.” e “Vi a casa de pedra.”, os termos “de vidro” e “de pedra” são adjuntos adnominais,

pois

respectivamente.

caracterizam

os

substantivos

concretos

“copos”

e

“casa”,

3º critério:

Adjunto adnominal:

O termo preposicionado é agente.

Complemento nominal:

O

termo preposicionado é paciente.

Este último normalmente é o cobrado em prova. Se os termos abaixo sublinhados são agentes, automaticamente serão os adjuntos adnominais. Se pacientes, serão complementos nominais. Veja:

Adjuntos adnominais:

O

amor de mãe é especial.

(agente: a mãe ama)

A

invenção do cientista mudou o mundo.(agente: o cientista inventou)

A

leitura do aluno foi boa.

(agente: o aluno leu)

 

Complementos nominais:

O

amor à mãe também é especial. (paciente: a mãe é amada)

A

invenção do rádio mudou o mundo. (paciente: o rádio foi inventado)

A

leitura do livro é instigante. (paciente: o livro é lido)

Vimos, no início da aula, que, quando um nome exige complemento, chamamos esse processo de Regência Nominal. Assim, passaremos aos nomes de maior ocorrência.

Substantivos, adjetivos e advérbios podem, por regência nominal, exigir complementação para seu sentido precedida de preposição.

acostumado a, com

curioso de

afável com, para

desgostoso com, de

afeiçoado a, por

desprezo a, de, por

aflito com, por

devoção a, por, para, com

alheio a, de

devoto a, de

ambicioso de

dúvida em, sobre, acerca de

amizade a, por, com

empenho de, em, por

amor a, por

falta a, com, para

ansioso de, para, por

imbuído de, em

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR

apaixonado de, por

imune a, de

apto a, para

inclinação a, para, por

atencioso com, para

incompatível com

aversão a, por

junto a, de

ávido de, por

preferível a

conforme a

propenso a, para

constante de, em

próximo a, de

constituído com, de, por

respeito a, com, de, por, para

contemporâneo a, de

situado a, em, entre

contente com, de, em, por

último a, de, em

cruel com, para

único a, em, entre, sobre

Questão 17: ANAC Superior 2007

 

Fragmento do texto: Nesta época, no ano passado, começou a se constatar nas prateleiras dos supermercados uma “maquiagem” de produtos. Consistia, basicamente, em reduzir a quantidade de mercadoria embalada, mantendo o preço de venda.

“nas prateleiras dos supermercados uma “maquiagem” de produtos”; a afirmativa correta sobre os termos sublinhados é:

(A)

os dois termos dependem do vocábulo “prateleiras”;

(B)

os dois termos representam pacientes dos vocábulos anteriores;

(C)

os dois termos representam pacientes dos vocábulos anteriores;

(D)

só o segundo termo sublinhado representa um paciente do vocábulo anterior;

(E)

a preposição “de” é uma exigência da regência dos vocábulos anteriores.

Comentário: Note que o substantivo “prateleiras” é um substantivo concreto e está caracterizado pela locução adjetiva “dos supermercados” (não são quaisquer prateleiras, somente aquelas dos supermercados). Esse termo

preposicionado “dos supermercados” restringe o núcleo “prateleiras”, por isso

o adjunto adnominal. O substantivo “maquiagem” é abstrato, pois foi gerado a partir do verbo “maquiar”. Num sintagma verbal teríamos: “maquiar os produtos”, em que “os produtos” seria o complemento verbal (OD), o qual é sempre um termo paciente. Como esse verbo “maquiar” virou substantivo “maquiagem”, o que era um complemento verbal passou a complemento nominal. Veja:

é

 

maquiar os produtos

VTD

+ OD (termo paciente)

maquiagem dos produtos

nome

+ CN (termo paciente)

Assim, a alternativa correta é a (D).

Você poderia ficar na dúvida quanto à alternativa (E), mas perceba que

a

regência do nome só ocorre com o complemento nominal exigido pelo nome

anterior. No caso do adjunto adnominal, a preposição “de” ocorre não por exigência do nome anterior, mas pelo sentido restritivo, ou de posse, ou matéria etc.

Gabarito: D

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR

Questão 18: MPE RJ Superior 2007

 

Em "entram na lista negra das entidades de proteção ao crédito", o sintagma em negrito tem a mesma função sintática que o termo destacado em:

 

(A)

(B)

(C)

José Vieira ainda divide o sofá da sala…”; “Além de adiar a saída de casa.”; “

entram

na lista negra das entidades

”;

(D)

universo

dos inadimplentes cresce

”;

(E)

Antônio

Praxedes, vice-presidente da Telecheque.”.

Comentário: Veja a estrutura para entendermos a função do termo do pedido da questão:

 

proteger o crédito

VTD

+

OD (termo paciente)

proteção ao crédito

nome

+

CN (termo paciente)

Na alternativa (A), a expressão “da sala” caracteriza o substantivo concreto “sofá”. Ele é um termo restritivo. Por isso, ocorre o adjunto adnominal. Na alternativa (B), a expressão “de casa” é o complemento nominal de substantivo abstrato “saída”. Veja que este substantivo é gerado do verbo “sair”:

 

Sair de casa

VTD + adjunto adverbial de lugar

Saída de casa

nome + CN

Como o termo original era um adjunto adverbial, não cabe aqui tentar subentender o valor paciente, pois, se o adjunto adverbial de lugar não tem esse valor, também o complemento nominal gerado a partir dele não terá.

 

A

alternativa (C) possui o adjunto adnominal “das entidades”, o qual

restringe o substantivo concreto “lista”.

 
 

A

alternativa (D) possui o adjunto adnominal “dos inadimplentes”, o

qual restringe o substantivo concreto “universo”.

 
 

A

alternativa (E) possui o adjunto adnominal “da Telecheque”, o qual

restringe o substantivo concreto “vice-presidente”.

Gabarito: B

 

Questão 19: ANTT Superior 2008

O elemento sublinhado que representa o paciente do termo

(A)

perda da biodiversidade;

(B)

desaparecimento dos animais;

(C)

animais da Terra;

(D)

queda de asteróides;

(E)

era dos dinossauros.

Comentário: A questão está querendo saber qual, dentre as alternativas, possui o complemento nominal (termo paciente).

 

A

alternativa (A) está correta, pois “da biodiversidade” é um termo

paciente em relação ao substantivo abstrato “perda”. Veja:

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR

 

perder a biodiversidade

perder a biodiversidade perda da biodversidade

perda da biodversidade

 

VTD + OD (termo paciente)

 

nome + CN (termo paciente)

 

A

alternativa (B) possui o adjunto adnominal, pois o termo “dos

animais” é um termo agente. Veja:

 

desaparecerem os animais

desaparecerem os animais desaparecimento dos animais.

desaparecimento dos animais.

 

VI

+

sujeito (agente)

nome +

Adj Adn (agente)

 

A

alternativa (C) possui adjunto adnominal, porque o termo “da Terra”

caracteriza restringe o substantivo concreto “animais”. Assim, esse termo

não é paciente.

 

Alternativa (D) possui o adjunto adnominal, pois “de asteróides” é um termo agente. Veja:

Caíram os asteróides

Caíram os asteróides queda dos asteróides.

queda dos asteróides.

VI

+ sujeito (agente)

nome + Adj Adn (agente)

 

A

alternativa (E) possui adjunto adnominal, porque o termo “dos

dinossauros” caracteriza restringe o substantivo concreto “era”. Assim,

esse termo não é paciente.

 

Gabarito: A

 

Questão 20: Min Cultura Superior 2002

 

No segmento “

destruição

das pessoas

 

”,

o termo sublinhado funciona como

paciente do termo anterior, o que também ocorre em:

 

(A)

(B)

“Por isso o gesto de solidariedade

uma

mudança de paradigma

”;

”;

(C)

restabelecendo

as bases de uma reconstrução radical

”;

(D)

ou

por qualquer gesto de reconhecimento

”;

(E)

o

Movimento da Ação da Cidadania

 

”.

Comentário: A expressão “destruição das pessoas” possui o termo paciente

“das pessoas” por ser “destruição”. Veja:

complemento nominal do substantivo abstrato

 

destruir as pessoas

destruir as pessoas

destruição das pessoas

 

VTD + OD (termo paciente)

 

nome

+ CN (termo paciente)

A

alternativa que possui termo preposicionado também paciente é a (B).

Veja que “de paradigma” relaciona-se com o substantivo abstrato “mudança”:

 

mudar o paradigma

mudar o paradigma

mudança de paradigma

 
 

VTD + OD (termo paciente)

nome + CN (termo paciente)

As alternativas (A) e (D) possuem os adjuntos adnominais “de solidariedade” e “de reconhecimento”, os quais se referem ao substantivo concreto “gesto”. Assim, esses termos preposicionados não são pacientes.

 

A

alternativa (C) possui o adjunto adnominal “de uma reconstrução

radical”, o qual se liga ao substantivo “base” e restringe seu sentido (não é qualquer base, mas a de uma reconstrução radical.

 

A

alternativa (E) possui o adjunto adnominal “da Cidadania”, pois se liga

ao substantivo abstrato e possui valor agente. Veja:

 

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR

A cidadania

age

TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR A cidadania age ação da Cidadania. nome + Adj Adn

ação da Cidadania.

nome + Adj Adn (agente)

sujeito (agente) +VI

Gabarito: B

Questão 21: Radiobras Superior 2004

 

“Para psicanalistas, o projeto que propõe acabar com a prisão de usuários e dependentes de drogas é um avanço.”; o comentário CORRETO sobre os constituintes desse segmento do texto é:

(A)

a preposição para possui valor de conformidade;

(B)

o pronome relativo que tem como antecedente psicanalistas;

(C)

usuários e dependentes designam o mesmo tipo de pessoa;

(D)

de usuários e de drogas representam agentes dos termos anteriores;

Comentário: A alternativa (A) está correta. Veja que a preposição “para” pode ser substituída pela expressão “de acordo com”, “conforme”, “segundo”, todas essas possuem valor de conformidade.

 

A

alternativa (B) está errada, porque o pronome relativo “que” retoma o

substantivo “projeto”.

 
 

A

alternativa (C) está errada, pois o fato de usar não significa que seja

dependente. Além disso, note a conjunção “e”, somando duas estruturas

distintas. Isso reforça que os dois termos não se referem ao mesmo tipo de pessoa.

 

A

alternativa (D) está errada, pois os termos “de usuários” e “de drogas”

são complementos nominais, o primeiro é um termo paciente, o segundo é gerado por um adjetivo, portanto não é classificado como paciente, nem agente. Veja:

 

prender usuários

prisão de usuários

 

VTD + OD (paciente)

nome + CN (paciente)

Gabarito: A

 

Questão 22: Min Cultura Superior 2002

 

exclusão

e destruição das pessoas,

”;

nesse segmento do texto, os dois

substantivos – exclusão e destruição – exigem a mesma preposição e, por isso, a construção é considerada correta na norma culta. A frase abaixo que repete essa mesma estrutura é:

(A)

Betinho admirava e gostava da humanidade;

(B)

o movimento precisava e queria a ajuda de todos;

(C)

Betinho pretendia e ansiava por um movimento nacional;

(D)

o movimento ajudava e acompanhava os pobres;

(E)

todos participavam e pensavam sobre o movimento.

Comentário: Só pode haver o mesmo complemento nominal para dois nomes com mesma regência. Só pode haver o mesmo complemento verbal para dois verbos com mesma regência. Note que “das pessoas” é o mesmo complemento nominal para os substantivos “exclusão” e “destruição”, os quais exigem a preposição “de”. A alternativa (A) está errada, pois o verbo “admirava” é transitivo direto, enquanto o verbo “gostava” é transitivo indireto e exige a preposição “de”. O correto é inserir um complemento para cada verbo. Assim:

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR

 

Betinho admirava a humanidade e gostava dela.

 

A alternativa (B) está errada, pois o verbo “precisava” é transitivo

indireto e exige a preposição “de”,

e o verbo “queria” é transitivo direto.

Assim:

 

o

movimento precisava da ajuda de todos e a queria

 

A

alternativa (C) está errada, pois o verbo “pretendia” é transitivo direto

não exige preposição, mas o verbo “ansiava” é transitivo indireto e exige a preposição “por”. Assim:

e

 

Betinho pretendia um movimento nacional e ansiava por ele.

 

A

alternativa (D) é a correta, pois os verbos “ajudava” e “acompanhava”

possuem a mesma transitividade, por isso podem ter o mesmo complemento verbal.

 

A

alternativa (E) está errada, pois o verbo “participavam” é transitivo

indireto e exige a preposição “de”, já o verbo “pensavam” é transitivo indireto

e

admite a preposição “sobre”. Assim:

 
 

todos

participavam do movimento e pensavam sobre ele.

Gabarito: D

 

Predicativo

 

Esse termo se liga ao sujeito ou ao objeto, atribuindo-lhes uma qualidade ou estado. É representado por diferentes classes gramaticais, como adjetivo, substantivo, numeral e pronome.

A seguir, perceba os pares com predicação nominal e predicação verbal,

respectivamente. Nestes exemplos, note que o grupo à esquerda é constituído de verbos de ligação mais os predicativos. É fácil perceber o predicativo, pois basta o sujeito flexionar-se no plural, que o predicativo também se flexionará, pois este caracteriza aquele. Já no grupo da direita, há

predicação verbal. Os vocábulos que vêm após os verbos não se flexionam por causa do sujeito, pois são complementos verbais ou adjuntos adverbiais:

O candidato está tranquilo.

A aula permanece difícil. Predicados nominais
A aula permanece difícil.
Predicados nominais
tranquilo. A aula permanece difícil. Predicados nominais Os candidatos estão tranquilos. Bom filho torna-se bom

Os candidatos estão tranquilos.

Bom filho torna-se bom pai.

estão tranquilos. Bom filho torna-se bom pai. Bons filhos tornam-se bons pais. As aulas permanecem

Bons filhos tornam-se bons pais.

filho torna-se bom pai. Bons filhos tornam-se bons pais. As aulas permanecem difíceis. O candidato está

As aulas permanecem difíceis.

O candidato está na sala.

aulas permanecem difíceis. O candidato está na sala. Os candidatos estão na sala. Bom filho torna

Os candidatos estão na sala.

Bom filho torna a casa.

Bons filhos tornam a casa.

A aula permanecerá no feriado.

Predicados verbais
Predicados verbais

As aulas permanecerão no feriado.

Agora, veremos o predicado verbo-nominal. Ele é composto do predicado verbal, o qual possui como núcleo um verbo transitivo ou intransitivo, mais um

LÍNGUA PORTUGUESA P/ MPE - RJ TEORIA E EXERCÍCIOS PROFESSOR DÉCIO TERROR

predicativo

especificamente.

I - Predicativo do sujeito (pode ocorrer num predicado nominal ou verbo- nominal)

estrutura do predicado nominal é: verbo de ligação mais predicativo.

do

sujeito

ou

do

objeto,

os

quais

veremos

agora

mais

A

Assim,

A

Ele

continua

enfermo.

Eu

sou

feliz.

Minha vida

é

maravilhosa.

sujeito

Verbo de ligação

predicativo do sujeito predicado nominal

estrutura do predicado verbo-nominal é: verbo transitivo direto ou

transitivo indireto mais objeto direto ou objeto indireto, além do predicativo. Este predicativo é constituído de adjetivo restritivo, que acumula uma característica chamada de transitória, pois depende da ação verbal para produzir o sentido desejado. Veja:

Ela

sujeito

confirmou

VTD

temerosa

o crime.

objeto direto

predicativo do sujeito predicado verbo-nominal

a

característica transitória do sujeito. Esta característica pode se deslocar na oração, desde que se separe por

vírgula para não se confundir com o adjunto adnominal:

Durante ou após o ato de

confirmar, ela ficou temerosa. Isso

é

Ela, temerosa, confirmou o crime. Temerosa, ela confirmou o crime. Ela confirmou o crime temerosa.

Sabendo-se que o adjunto adnominal é o termo adjetivo de valor restritivo que está junto ao núcleo, note que a vírgula foi necessária nos dois primeiros exemplos para não se confundir predicativo com adjunto adnominal, pois o adjetivo “temerosa” está próximo ao núcleo do sujeito “ela”. No último exemplo, a vírgula não foi usada justamente porque não se confunde o predicativo do sujeito com o adjunto adnominal, haja vista que o adjetivo “temerosa” está distante do núcleo do sujeito.

II - Predicativo do objeto direto (só pode ocorrer no predicado verbo- nominal)

Carlos

sujeito

deixou

VTD

Ana

OD

zangada.

predicativo do OD

predicado verbo-nominal

Da mesma forma, a característica “zangada” ocorre após o ato de deixar.

Por isso é transitória.

III - Predicativo do objeto indireto (só pode ocorrer no predicado verbo-

nominal)