CUTURA E ARTE - CONTRIBUIÇÃO PARA FORMAÇÃO DE OPINIÃO E VISÃO DA REALIDADE

1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho visa delinear a contribuição prestada pela cultura e a arte para a formação
de opinião e visão de realidade. Para tanto faremos uma analise dos termos cultura e arte suas
diversas interpretações e aplicações sua contribuição para uma formação

DESENVOLVIMENTO
ANALISE DO CONCEITO DE CULTURA E SUAS IMPICAÇÕES NA FORMAÇÃO HUMANA
Dois são os significados iniciais da cultura:
Vinda do verbo latino colere (“cultivar”, “criar”, “tomar conta”, “cuidar”), cultura significava,
na Antiguidade romana, o cuidado do homem com a natureza; daí o surgimento da palavra
agricultura. Significava também cuidado dos homens com os deuses; dando origem a o culto.
Significava ainda o cuidado com a alma e o corpo das crianças, com sua educação e formação;
originando puericultura (em latim, puer significa “menino”; puera, “menina”). A cultura era o
cultivo ou a educação do espírito das crianças para se tomarem membros excelentes ou
virtuosos da sociedade pelo aperfeiçoamento e refinamento das qualidades naturais (caráter,
índole, temperamento). Com esse sentido, ela correspondia ao que os gregos chamavam de
paideia, a formação ou educação do corpo e do espírito dos membros da sociedade (de
paideia vem a nossa palavra pedagogia).
Nesse primeiro sentido, cultura era o aprimoramentoda natureza humana pela educação em
sentido amplo, isto é, como formação das crianças não só pela alfabetização, mas também
pela iniciação à vida na coletividade por meio do aprendizado da dança da ginástica (para a
educação ou formação do corpo, preparando-o para as atividades da guerra), e de exercícios
mentais, com o aprendizado de gramática, poesia, oratória ou eloquência, história, ciências e
filosofia (para a educação ou formação do espírito, preparando-o para as atividades da
política). Culta era a pessoa fisicamente bem preparada, moralmente virtuosa, politicamente
consciente e participante, intelectualmente desenvolvida pelo conhecimento das ciências, das
artes e da filosofia.
Podemos observar que, nesse primeiro sentido, cultura e natureza não se opõem. Os humanos
são considerados seres naturais, embora sejam diferentes dos animais e das plantas porque
são dotados de linguagem e de pensamento, isto é, porque possuem espírito. Sua natureza,
porém, não pode ser deixada por conta própria, porque tenderá a ser agressiva, destrutiva,
ignorante; precisa, por isso, ser educada, formada, cultivada de acordo com os ideais de sua
sociedade. A cultura é uma segunda natureza que a educação e os costumes acrescentam à
natureza de cada um, unia natureza adquirida, que aperfeiçoa e desenvolve a natureza inata
de cada um.

A CULTURA COMO ORDEM SIMBÓLICA
A cultura é instituída nomomento em que os humanos estabelecem para si mesmos regras e
normas de conduta que asseguram a existência e a conservação da comunidade e, por isso,
devem ser obedecidas sob pena de punição (que pode ser desde um castigo ou a expulsão até
a morte).
O que é a lei humana? Diferentemente da lei natural, a lei humana é um mandamento social
que organiza toda a vida dos indivíduos e da comunidade, tanto por determinar o modo de
estabelecimento dos costumes e de sua transmissão de geração a geração como por presidir
as ações que criam as instituições sociais (religião, família, formas do trabalho, guerra e paz,
distribuição das tarefas, formas de poder, etc.). A lei não é uma simples proibição para certas
coisas e obrigação para outras, mas é a afirmação de que os humanos são capazes de criar
uma ordem de existência que não é simplesmente natural (física, biológica). Essa ordem é a
ordem simbólica.
A ordem simbólica consiste na capacidade humana de dar às coisas um sentido que está além
de sua presença material, isto é, a capacidade de atribuir significações e valores às coisas e aos
homens, distinguindo entre bem e mal, verdade e falsidade, beleza e feiúra; determinando se
uma coisa ou uma ação é justa ou injusta, legítima ou ilegítima, possível ou impossível. É essa
dimensão simbólica que é instituída com a lei da proibição do incesto, por exemplo.
Na realidade, não existe acultura, no singular, mas culturas, no plural, pois os sistemas de
proibição e permissão, as instituições sociais, religiosas, políticas, os valores, as crenças, os
comportamentos variam de formação social para formação social e podem variar numa
mesma sociedade no decorrer do tempo.
A filosofia é uma invenção humana e, portanto, uma atividade cultural e histórica.


ARTE

A obra de arte “fixa e torna acessível” o mundo em que vivemos e que percebemos sem nos
darmos conta dele e de nós mesmos nele. A obra de arte nos dá a ver o que sempre vimos sem
ver, a ouvir o que sempre ouvimos sem ouvir, a sentir o que sempre sentimos sem sentir, a
pensar o que sempre pensamos sem pensar, a dizer o que sempre dissemos sem dizer. Por
isso, nela e por ela, a realidade se revela como se jamais a tivéssemos visto, ouvido, dito,
sentido ou pensado. Eis por que o artista é o que passa pela experiência de nascer todo dia
para a “eterna novidade do mundo”.

ARTE, CIÊNCIA E TÉCNICA
Todavia, desde o final do século XIX e durante o século XX modificou-se a relação entre arte e
técnica. Por um lado, o estatuto da técnica modificou-se quando esta se tornou tecnologia,
uma forma de conhecimento e não simples ação fabricadora de acordo com regras e receitas,
Por outro, as artes passaram a ser concebidas menos como criação genial misteriosa e mais
como expressão criadora, isto é, como transfiguraçãodo mundo em obra artística.
As artes são vistas como trabalho da expressão e mostram que, desde que surgiram pela
primeira vez, foram inseparáveis da ciência e da técnica. Assim, por exemplo, a escultura grega
teria sido impossível sem a geometria; a pintura e a arquitetura da Renascença são
incompreensíveis sem a matemática e a teoria da harmonia e das proporções; etc.
A novidade do final do século XIX e de todo o século XX está no fato de que, agora, as artes
não ocultam essas relações, os artistas se referem explicitamente a elas e buscam nas ciências
e nas técnicas respostas e soluções para problemas artísticos.
Ao se tomar as artes como expressão criadora e como trabalho expressivo, não se quer dizer
que elas perderam o vínculo com a ideia de beleza, e sim que a subordinaram a um outro
valor, a verdade. A obra de arte busca caminhos de acesso ao real e de expressão da verdade.




ARTE E RELIGIÃO
Vimos que, a partir da capacidade para relacionar-se com o ausente, os homens criaram a
linguagem, instituíram o trabalho e a religião. Essas primeiras manifestações culturais deram
origem às primeiras formas da sociabilidade e da autoridade.
Linguagem, trabalho e religião instituíram os símbolos da organização humana do espaço e do
tempo, do corpo e do espírito. As artes, isto é, as técnicas ou artes mecânicas, nasceram
inseparáveis dessa humanização do mundo natural. Eessa humanização, como vimos, conduziu
à sacralização do mundo natural.
A sacralização implicou que todas as atividades humanas assumissem a forma de rituais: a
guerra, a semeadura e a colheita, a culinária, o nascimento e a morte, a doença e a cura, a
mudança das estações, o movimento dos astros, em suma, todos os acontecimentos naturais
eram cercados humanamente por cultos religiosos, dedicados às forças divinas que os causam.
A sacralização e a ritualização da vida fizeram com que medicina, agricultura, culinária,
edificações, produção de utensílios, música, dança se realizassem como ritos ou seguindo
rituais, e que certos utensílios e instrumentos, assim como certos vestuários e adornos, se
tomassem elementos dos cultos. Semear e colher, caçar e pescar, cozer alimentos, fiar e tecer,
assim como pintar, esculpir, dançar, cantar e tocar instrumentos sonoros são atividades
técnico-religiosas.
Os primeiros objetos artísticos — estatuetas, pinturas nas paredes de cavernas, sons obtidos
por percussão — eram objetos mágicos, ou seja, não eram uma representação nem uma
invocação aos deuses, mas a encarnação deles, pois se acreditava que as forças divinas
estavam neles. Esses primeiros objetos eram os fetiches e os artistas ou artesãos eram os
feiticeiros,
Pouco a pouco, à medida que as religiões foram se organizando no interior das sociedades,
passou-se à ideia de que lugarese coisas seriam escolhidos pelos deuses e que tais escolhas
deveriam estar separadas de todo o resto: surgiam assim os cultos. Os objetos fabricados com
essa finalidade pelos artistas-artesãos passaram a ter valor de culto. As belas-artes nasceram
há milênios no interior dos cultos e para servi-los.


ARTE E FILOSOFIA
Do aspecto filosófico, podemos falar em dois grandes momentos de teorização da arte. No
primeiro, inaugurado por Platão e Aristóteles, a Filosofia trata as artes do ponto de vista da
poética; no segundo, a partir do século XVlll, do ponto de vista da estética.
Arte poética é o nome de uma obra aristotélica sobre as artes da palavra falada e escrita, do
canto e da dança: a poesia e o teatro (tragédia e comédia). O vocábulo poética é a tradução
para poiesis, portanto, para “fabricação”. A arte poética estuda as obras de arte como
fabricação de seres, ações e gestos artificiais, isto é, produzidos pelos artífices ou artistas. Ou
seja, a física estuda os seres e as ações produzidos pela natureza; a poética, os fabricados
pelos seres humanos.
A obra de arte é pensada do ponto de vista de sua conformidade a normas, regras e
procedimentos de construção como um fazer regrado e ordenado; por isso os tratados sobre
as artes poéticas, escritos desde a Antiguidade até a Modernidade, possuem um caráter
prescritivo ou normativo. Sob esse aspecto, a arte poética é umapreceptiva, isto é, a
apresentação de preceitos para o fazer e o julgar as obras.
Além disso, como a obra de arte é pensada em sua dependência com a ética, a política e a
metafísica, isto é, com as ideias de bem (individual e coletivo) e de verdade, seu valor também
é determinado pela qualidade ou dignidade do objeto ou do tema abordado por ela. Em outras
palavras, os tratados sobre as artes poéticas distinguem objetos e assuntos nobres (voltados
para o divino, para o bem e para o verdadeiro) e objetos ou assuntos vis, baixos e mesquinhos
(voltados para as pequenezas e mesquinharias de nossa vida cotidiana) e julgam as obras de
arte com esses critérios.
Estética é a tradução da palavra grega aisthetiké, que significa “conhecimento
sensorial’“experiência sensível”, “sensibilidade”. Foi empregada pela primeira vez para referir-
se às artes pelo alemão Baumgarten, por volta de 1750, portanto em plena modernidade.
Em seu uso inicial, a estética se referia ao estudo das obras de arte enquanto criações da
sensibilidade (isto é, das experiências dos cinco sentidos e dos sentimentos causados por elas),
tendo como finalidade o belo. Pouco a pouco, substituiu a noção de arte poética e passou a
designar toda investigação filosófica que tinha por objeto as artes ou uma arte. Do lado do
artista e da obra, a estética busca compreender como se dá a realização da beleza; do lado do
espectador ereceptor, busca interpretar a reação à obra de arte sob a forma do juízo de gosto
ou do bom gosto.
Como seu nome indica, a estética se ocupa preferencialmente com a expressão da
sensibilidade e da fantasia do artista e com o sentimento produzido pela obra sobre o
espectador ou receptor.
A discussão sobre a relação arte-sociedade levou a duas atitudes filosóficas opostas: a que
afirma que a arte só é arte se for pura, isto é, se não estiver preocupada com as circunstâncias
históricas, sociais, econômicas e políticas — a “arte pela arte”—, e a que afirma que o valor da
obra de arte decorre de seu compromisso crítico diante das circunstâncias presentes. Trata-se
da “arte engajada”, na qual o artista toma posição diante de sua sociedade, luta para
transformá-la e melhorá-la, e para conscientizar as pessoas sobre as injustiças e as opressões
do presente.
As duas concepções são problemáticas. A primeira porque imagina o artista e a obra de arte
como desprovidos de raízes no mundo e livres das influências da sociedade sobre eles — o que
é impossível. A segunda porque corre o risco de sacrificar o trabalho artístico em nome das
“mensagens” que a obra deve enviam à sociedade para mudá-la, dando ao artista o papel de
consciência crítica do povo oprimido.
A primeira concepção desemboca no chamado formalismo (é a perfeição da forma que conta e
não o conteúdo da obra). A segunda, noconteudismo (é a “mensagem” que conta, mesmo que
a forma da obra seja precária, descuidada, repetitiva e sem força inovadora).

ARTE E CULTURA
A arte é, sem dúvida, uma pequena parte da cultura, entendida aqui em seu sentido
antropológico. Mas uma parte privilegiada, fruto do desejo e acolhida pelo sentimento, livre
das obrigações, dos deveres a serem cumpridos. Ninguém é obrigado a fazer arte ou a gostar
de arte.
A cultura aponta para o mundo como ele é, com hábitos, costumes, valores que nos
aproximam dos outros indivíduos do grupo. A arte aponta para possibilidades do mundo, tira-
nos dos hábitos, rompe os costumes, propõe outros valores.
A arte nos faz estender e ampliar aquilo que somos porque passamos a ver o mundo e a nós
mesmos sob luzes diferentes.
A arte afina nossa sensibilidade: ensina-nos a ter aguda percepção dos estímulos que vem dos
nossos sentidos e a relacioná-los com conteúdos próprios — nossas lembranças, vivências
pessoais e informações que já temos — e com o mundo em que vivemos.
A arte, enfim, é uma ocasião de prazer porque nos oferece a compreensão profunda do
mundo e de nós mesmos.


O CONHECIMENTO PELA ARTE
A arte é um modo privilegiado de conhecimento intuitivo que se realiza por meio de uma obra
concreta e individual e que fala mais ao sentimento do que à razão. A arte abre as portas para
que possamos compreender múltiplas possibilidades domundo vivido, Ela altera o modo como
vemos a realidade ao mostrar outros mundos possíveis.
Isso é concretizado por meio da imaginação criativa, que permite, de um lado, que o artista
crie obras sobre o que não existe e, de outro, que o público as receba preenchendo-as de
sentido.
Esse sentido será encontrado por meio do acolhimento da obra pela afetividade, ou seja,
deixando que a obra afete nossos sentimentos.
Por isso, o conhecimento que a experiência estética de uma obra nos oferece não se resume
ao conhecimento de um objeto, uma pessoa, uma paisagem, um artista, mas de todo um
mundo de valores, de propostas, de desejos, e ao conhecimento de nós mesmos: nossas
reações a esse mundo descortinado também revelam quem somos.


AS DIFERENÇAS ENTRE ARTE E CULTURA

José Teixeira Coelho Netto, intelectual brasileiro contemporâneo, estabelece várias diferenças
entre cultura e arte, em texto no qual discute parâmetros para a criação de uma política
cultural e uma política para as artes.
Em primeiro lugar, a cultura é criação coletiva e é dirigida para a comunidade, reforçando seu
modo de ser. A arte, ao contrário, é criação individual e dirigida para o indivíduo. Mesmo as
artes coletivas, como o cinema, o teatro, a dança, são autorais, isto é, revelam a visão de um
criador ou diretor.
A cultura é uma necessidade, pois para viver em sociedade é necessário aprender a
culturalocal: a língua, os modos de vida, os valores etc. Já a arte não é necessária na vida
humana. Pode-se viver sem arte. Ninguém é obrigado a produzir ou desfrutar a arte: ela é um
privilégio para quem faz e para quem a aprecia, uma vez que é fruto de um desejo forte e
intenso. Por isso existem os direitos culturais assegurados pela Constituição, mas não existem
direitos artísticos. Explicando: tudo aquilo que é uma necessidade para o ser humano deve ser
um direito; o que não é necessário não pode se tornar nem direito nem dever.
A cultura é útil para instrumentalizar os indivíduos a viver em sociedade, a enfrentar novos
desafios.
A arte, por sua vez, é gratuita, ou seja, transcende todo e qualquer fim que se proponha para
ela. Ela amplia a esfera da presença do ser, enriquece o indivíduo, ajuda no seu
desenvolvimento propriamente humano.
A cultura é comunicação, pois, para ser útil, deve ser comunicada. Seu significado circula pela
sociedade. A arte expressa um universo. Sua abordagem é interpretativa: não qualquer
interpretação, mas a interpretação competente que leve em consideração tudo o que está em
jogo na obra.
A finalidade social da cultura é reconfortar, tranquilizar, permitir que o indivíduo encontre seu
lugar. A cultura traz estabilidade para a comunidade e o indivíduo. Integra o social a si mesmo
e cada um ao coletivo. Segundo Teixeira Coelho Netto, “a cultura cuida dooutro”, dá
identidade. Já a arte é uma obra de risco, envolve o jogo que desestabiliza, desintegra tanto
quem a faz quanto quem a recebe. Ela não cuida do outro. A arte incomoda.
A cultura quer descobrir uma verdade oculta. Uma vez descoberta, ela se perpetua: está presa
à tradição, à repetição. Por exemplo, a identidade nacional, a identidade desta ou daquela
região ou grupo não pode ser alterada sob pena de se perder. A arte, por sua vez, é uma
invenção de algo que não existia antes, não está presa à tradição e não pode se repetir.
Por isso, a cultura é sempre narrativa, conta histórias, resolve problemas, seja o
estabelecimento de hábitos, costumes ou dos mitos de origem. A arte não narra, apresenta
um fragmento que coloca problemas em vez de resolvê-los.
O discurso da obra de cultura é construído pela agregação do que é conhecido, do que já
existe e é preservado, sendo importante, por isso, o aprendizado sobre como é feito, e sempre
foi feito. Por exemplo, o artesanato, de tempos em tempos, agrega um novo material (em
geral mais barato ou mais fácil de ser manipulado) ou uma nova tecnologia, mas a aparência
do objeto continua sendo semelhante.
O discurso da arte, diferentemente, rompe como que existe ou desconstrói o que existia antes,
envolvendo, portanto, a desconstrução criativa e o desaprendizado. O artista precisa
desaprender como se fez arte até então, paradescobrir o seu modo de fazê-la, por meio da
experimentação. Mesmo o uso de imagens do passado na arte contemporânea não é uma
simples imitação, mas transcriação feita com os olhos do presente.
Sendo assim, percebemos que o foco do discurso da cultura é centralizado, convergente: tudo
o que uma obra de cultura diz aponta em uma única direção, seja ela a nacionalidade, a
identidade, a história de um grupo etc. A arte, ao contrário, é multifocal, divergente. Seu
discurso se abre em leque e aponta para muitas possibilidades.
Enquanto a cultura estabelece normas, hábitos e regras, a arte desregula e cria valores
autônomos, pois cada obra é uma, irrepetível. Lembremo-nos de que cultura é necessidade;
arte é liberdade.
Do ponto de vista da temporalidade a cultura é duradoura e implica continuidade. Já a arte é
efêmera e opera a interrupção do fluxo contínuo da vida.
E, por último, a cultura pode ser explicada, esclarecida para aqueles que vêm de outra cultura
que, com treino (que cria o hábito), poderão ver a obra de cultura do modo “certo’, já que seu
discurso é convergente”.
A obra de arte, entretanto, não pode ser explicada. O modo de nos aproximarmos dela é
hermenêutico porque ela propõe uma multiplicidade de sentidos (é divergente). Cada um se
aproxima da arte a partir de sua experiência, dos valores de seu mundo, de seu código,
recriando, para si, os sentidos da obra.

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