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ESCOLA DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO NO NÍVEL LATO SENSU DE APERFEIÇOAMENTO EM OPERAÇÕES MILITARES

Cap Cav LEANDRO SICORRA WILEMBERG

EMPREGO DO CAVALO NO DESENVOLVIMENTO DA ÁREA AFETIVA:

A AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO DA ÁREA AFETIVA EMPREGANDO O CAVALO E A EQUITAÇÃO

Rio de Janeiro

2009

Cap Cav LEANDRO SICORRA WILEMBERG

EMPREGO DO CAVALO NO DESENVOLVIMENTO DA ÁREA AFETIVA:

A AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO DA ÁREA AFETIVA EMPREGANDO O CAVALO E A EQUITAÇÃO

Projeto de pesquisa apresentado à Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais como requisito parcial para a obtenção do Grau Aperfeiçoamento em Operações Militares.

Orientador: Cap Cav Renato Pereira Gomes

Rio de Janeiro

2009

W 676

Wilemberg, Leandro Sicorra.

Emprego do cavalo no desenvolvimento da área afetiva: A avaliação do

desenvolvimento da área afetiva empregando o cavalo e a equitação. / Leandro Sicorra

Wilemberg – 2009.

82 f. ;

30 cm

Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização) – Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, Rio de Janeiro, 2009.

Referências: f. 41- 42

1. C avalo - emprego. 2. Equitação – aspectos sociais. 3. Área Afetiva. I. Título.

CDD 357.1

MINISTÉRIO DA DEFESA EXÉRCITO BRASILEIRO - ESCOLA DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS (EsAO/1919) DEP DFA DIVISÃO

MINISTÉRIO DA DEFESA EXÉRCITO BRASILEIRO

- ESCOLA DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS

(EsAO/1919)

DEP

DFA

DIVISÃO DE ENSINO / SEÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO TERMO DE CESSÃO DE DIREITO SOBRE TRABALHO ACADÊMICO

TÍTULO DO TRABALHO

Emprego do cavalo no desenvolvimento da área afetiva:

A avaliação do desenvolvimento da área afetiva empregando o cavalo e a equitação

IDENTIFICAÇÃO DO AUTOR

Cap Cav Leandro Sicorra Wilemberg

1. Este trabalho, nos termos da legislação que resguarda os direitos autorais, é considerado de minha propriedade.

2. Conforme o contido nas IPG 2008, autorizo a EsAO a utilizar meu trabalho para uso específico no aperfeiçoamento e evolução das Forças Armadas, bem como a divulgá-lo por meio de revistas, informativos ou outros veículos de comunicação.

3. A EsAO poderá fornecer cópia do trabalho de acordo com as normas da escola.

4. É permitida a transcrição parcial de trechos do trabalho para comentários e citações desde que sejam transcritos os dados bibliográficos dos mesmos, de acordo com a legislação sobre direitos autorais.

5. A divulgação do trabalho, por qualquer meio, somente pode ser feita com a autorização do autor e da Direção de Ensino da EsAO.

Rio de Janeiro,

de

de 2009.

Leandro Sicorra Wilemberg – Cap Cav

MINISTÉRIO DA DEFESA EXÉRCITO BRASILEIRO - ESCOLA DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS (EsAO/1919) DEP DFA DIVISÃO

MINISTÉRIO DA DEFESA EXÉRCITO BRASILEIRO

- ESCOLA DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS

(EsAO/1919)

DEP

DFA

DIVISÃO DE ENSINO / SEÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO

ATA DE AVALIAÇÃO DE TCC Nº

horas do dia

de 2009, no Curso de Cavalaria da Escola de Aperfeiçoamento de

Oficiais. Presentes os membros da Comissão de Avaliação: Cap Hildebrando Balbino de Andrade, Presidente da Banca, Cap Sérgio Firmino da Silva Junior, 1º Membro e o Cap Renato Pereira Gomes, 2º Membro. Aberta a reunião, visando avaliar o trabalho de conclusão de curso do Cap Cav Leandro Sicorra Wilemberg, intitulado: “Emprego do cavalo no desenvolvimento da área afetiva: A avaliação do desenvolvimento da área afetiva empregando o cavalo e a equitação”, foi passada a palavra pelo Presidente da Comissão ao primeiro membro e posteriormente ao segundo membro para que eles apresentassem seus pareceres sobre o trabalho. Após a argumentação de ambos, o presidente finalizou a avaliação do trabalho de conclusão de curso, emitindo o parecer da Comissão de Avaliação. De acordo com o previsto na legislação em vigor o Trabalho de Conclusão de Curso foi considerado aprovado com menção MB. O postulante deverá cumprir as demais normas da Escola para ser aprovado no Curso de Pós-Graduação nível Lato Sensu de Aperfeiçoamento em Operações Militares.

Ata da avaliação de Trabalho de Conclusão de Curso realizada às

de

Rio de Janeiro,

de

de 2009.

Hildebrando Balbino de Andrade – Cap - Presidente

Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais

Sérgio Firmino da Silva Junior – Cap - 1º Membro Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais

Renato Pereira Gomes – Cap - 2º Membro Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais

A todos que acreditam que a educação é a chave para que a nação Brasileira cresça soberana, assim como os desbravadores do país o fizeram montados, ao trote e a galope.

AGRADECIMENTOS

Ao Capitão de Cavalaria Renato Pereira Gomes, orientador dessa monografia, pela confiança, amizade, compreensão, paciência e ajuda prestada em todas as fases dos trabalhos. À minha família, clã a qual pertenço, que forneceu todas as ferramentas para a construção de um homem.

À minha estimada esposa, pessoa que me apoiou, incentivou, esteve sempre presente,

compreendendo que não existe trabalho em vão. Aos Instrutores da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e da Escola de Equitação do Exército, pelos ensinamentos repassados e pela paciência, por acreditarem e contribuírem diretamente na realização do presente trabalho.

Aos Instrutores de Equitação, pela ajuda, atenção, presteza e paciência com que responderam a pesquisa de campo, instrumento de principal foco do projeto. Ao Exército Brasileiro, por esta oportunidade de aperfeiçoamento a mim proporcionada.

E a todos que colaboraram de forma indistinta para a realização desse projeto.

Era uma vez um cavalo que, em pleno inverno,

desejava o regresso da primavera. De fato, ainda que agora descansasse tranqüilamente no estábulo, via-se obrigado a comer palha seca.

- Ah, como sinto saudades de comer a erva fresca

que nasce na primavera! dizia o pobre animal. A primavera chegou e o cavalo teve sua erva fresca,

mas começou a trabalhar bastante porque era época da colheita.

- Quando chegará o verão? Já estou farto de passar o

dia inteiro puxando o arado! lamentava-se o cavalo. Chegou o verão, mas o trabalho aumentou e o calor tornou-se muito forte. - Oh, o outono! Estou ansioso pela chegada do outono! dizia mais uma vez o cavalo, convencido de que naquela estação terminariam seus males. Mas no outono teve que carregar lenha para que seu dono estivesse preparado para enfrentar o inverno. E o cavalo não parava de queixar-se e de sofrer. Quando o inverno chegou novamente, e o cavalo pode finalmente descansar, compreendeu que tinha sido fantasioso tentar fugir do momento presente e refugiar-se na quimera do futuro. Esta não é a melhor forma de encarar a realidade da vida e do trabalho. Esta fábula mostra o quanto é melhor descobrir o que a vida tem de bom momento a momento, vivendo o presente da melhor forma possível. (autor desconhecido)

RESUMO

Este trabalho aborda a avaliação do desenvolvimento dos atributos da área afetiva através da equitação, tendo como foco as instruções das escolas de formação de oficiais e sargentos de carreira do Exército Brasileiro. Traz diversos conceitos sobre a fundamentação teórica da área afetiva e a visão do Exército Brasileiro. Descreve características do contato do homem com o cavalo, apresentando os benefícios da atividade eqüestre na construção dos valores morais. Estudos confirmam a contribuição da equitação no desenvolvimento da área afetiva. Desta maneira, este trabalho apenas dá início ao estudo da avaliação do desenvolvimento dos atributos da área afetiva. Aborda procedimentos que podem, bem como outros que devem ser seguidos pelos instrutores para a sistematização da avaliação, mostrando sumariamente o modelo utilizado na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais.

Palavras-chave: Área afetiva. Equitação. Avaliação.

ABSTRACT

This work approaches the evaluation of the development of the attributes of the affective domain through the riding, having as focus the instructions of the schools of formation of officers and sergeants of career of the Brazilian Army. It brings diverse concepts on the theoretical recital of the affective area and the vision of the Brazilian Army. It describes characteristics of the contact of the man with the horse, presenting the benefits of the activity with horses in the construction of the moral values. Studies confirm the contribution of the riding in the development of the affective area. In this way, this work only of the beginning to the study of the evaluation of the development of the attributes of the affective area. It approaches procedures that they summarily can, as well as that must be followed by the instructors for the systematization of the evaluation, showing the model used in the School of Captains Career Course.

Keywords: Affective domain. Riding. Evaluation.

SUMÁRIO

1

INTRODUÇÃO

 

11

1.1

OBJETIVOS

 

15

1.2

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

 

16

1.2.1

Fundamentação teórica e a posição do Exército Brasileiro

 

17

1.2.1.1

A necessidade de desenvolver a área afetiva

 

17

1.2.1.2

Tipos de inteligência

 

19

1.2.1.3

Aprendizagem

 

21

1.2.1.4

Os atributos da área afetiva no exército

 

23

1.2.2

A equitação no desenvolvimento da área afetiva

 

24

1.2.2.1

O cavalo como facilitador

 

25

1.2.2.2

Reflexos da equitação na área afetiva

 

27

1.2.2.3

A equitação nas escolas

 

29

1.2.2.4

A área afetiva no contexto das escolas

 

30

1.2.3

A avaliação dos atributos desenvolvidos pela equitação

 

31

1.2.4

Capacitação do docente

 

34

2.

APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS E RECOMENDAÇÕES

37

3.

CONCLUSÃO

 

39

REFERÊNCIAS

 

41

ANEXOS

 

ANEXO A –

PORTARIA Nº 012 (1998) DO CHEFE DO DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO E CULTURA DO EXÉRCITO

A-1

ANEXO B –

ANEXO C –

EXTRATO DO PLADIS DA AMAN EXTRATO DO PLADIS DA EsSA

 

A-6

 

A-18

ANÁLISE DOS RESULTADOS

 

A-22

ANEXO D – ANEXO E –

ESTRATO DO PERFIL PROFISSIOGRÁFICO DOS CURSOS DA EsSA

A-28

APÊNDICE APÊNDICE A – PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO E AVALIAÇÃO DOS ATRIBUTOS DA ÁREA AFETIVA

B-1

LISTA DE ABREVIATURAS

AMAN − Academia Militar das Agulhas Negras. CEP − Centro de Estudos de Pessoal. DECEx − Departamento de Educação e Cultura do Exército. EsAO – Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. EsSA − Escola de Sargentos das Armas. GTEME − Grupo Técnico de Elaboração da Modernização do Ensino. IE − Inteligência Emocional. MoDAAAF − Módulo de Desenvolvimento dos Atributos da Área Afetiva. NAE − Normas para Avaliação Educacional. NIAE − Normas Internas para Avaliação Educacional. OM − Organização Militar. PLADIS − Plano de Disciplinas. QI − Quociente de Inteligência.

11

1 INTRODUÇÃO

Investigações teóricas e empíricas relacionadas ao conceito de inteligência têm ocupado uma posição de destaque na história da psicologia desde a época de sua fundação no

final do Século XIX. Esta longa história está, no entanto, repleta de discordâncias sobre a maneira de descrever, medir e investigar os fenômenos de interesse, além de envolver sérias controvérsias sobre a utilização dos resultados provenientes dos testes que supostamente medem o nível de inteligência dos indivíduos. De acordo com vários autores, muitas destas discordâncias provêm da falta de consenso sobre a definição e conceituação de inteligência 1,2,7 .

É consenso entre aqueles que se dedicam ao estudo da História Militar, que a

operacionalidade de um exército depende dos valores e das virtudes morais que moldam a

personalidade de seus integrantes. O Exército foi umas das instituições pioneiras em valorizar o desenvolvimento da área afetiva como objetivos educacionais, reestruturando o sistema de ensino, selecionando os pontos mais importantes que um militar deve possuir para bem desempenhar suas funções 1,2,7 .

O presente estudo tem por finalidade verificar de que maneira são observados,

avaliados e utilizados os resultados do desenvolvimento de atributos da área afetiva pela prática da equitação no âmbito das escolas de formação de oficiais e praças combatentes do

Exército Brasileiro.

O Exército Brasileiro, sintonizado com as novas conjunturas, percebeu a inadiável

necessidade de promover um processo de modernização no seu Sistema de Ensino. Não que esse sistema apresentasse algum sinal de perda de eficiência, muito pelo contrário. Apenas sentiu-se a necessidade de adaptá-lo à nova realidade. Essencialmente, as modificações visavam aperfeiçoá-lo, para lhe permitir fazer frente aos desafios do futuro, admitindo experimentar transições de paradigmas educacionais 2,7 . Estudos desenvolvidos ratificaram a existência de três domínios educacionais: o cognitivo, o afetivo e o psicomotor. Esse conceito, embora conhecido no meio pedagógico há algum tempo, ganhou uma maior dimensão no Exército, a partir dos trabalhos desenvolvidos para efetivar a modernização 1 . A importância da área afetiva, foco deste trabalho, tendo como tema a avaliação do desenvolvimento da área afetiva empregando o cavalo e a equitação nas Escolas de Formação, pode ser comprovada pela constatação de que o desenvolvimento desse vetor educacional auxilia o aluno na construção e no aperfeiçoamento do conhecimento. Não existe separação

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entre as áreas afetiva, cognitiva e psicomotora. No decorrer da aprendizagem, as áreas se fundem e estão direta ou indiretamente ligadas. O processo ocorre simultaneamente, evidenciando atitudes e valores dos envolvidos 2 . Os objetivos da área afetiva referem-se ao comportamento com relação a valores, atitudes, ideais, sensibilidade estética e comportamento sócio-moral. A avaliação na área afetiva é mais difícil de ser levada a efeito, uma vez que os resultados, de modo geral, não

costumam apresentar-se em curto prazo, isto é, não costumam revelar-se logo a seguir a um período de aprendizagem, como é comum ocorrer nas duas outras áreas, quais sejam a cognitiva e a psicomotora. A avaliação da aprendizagem na área afetiva deve ser levada a afeito, em grande parte, com base na observação do comportamento provocado ou espontâneo, diante de situações inéditas, nas mais variadas situações. A área afetiva apresenta objetivos de memorização, de sequência, de compreensão, de execução e de divergência 3 .

A equitação proporciona ao indivíduo uma rica oportunidade de consciência e

conhecimento corporal, valorização do mesmo e de suas potencialidades, gerando uma interação e integração entre os aparatos sensório-motores, cogntivos e afetivo-relacionais 2, 4 . Estudos realizados mostram que tanto a atividade de salto como equitação militar desenvolvem todos os atributos da área afetiva constantes da formação atual dos sargentos formados na Escola de Sargentos das Armas (EsSA): apresentação, abnegação, adaptabilidade, autoconfiança, autocrítica, combatividade, comunicabilidade, cooperação,

coragem, criatividade, dedicação, direção, disciplina, discrição, equilíbrio emocional, flexibilidade, iniciativa, liderança, meticulosidade, objetividade, organização, persistência,

persuasão, previsão, resistência, responsabilidade, sensibilidade, tato, tolerância e zelo 4,5 . Cabe ressaltar que um atributo pode ser mais desenvolvido que outro, contudo, não se pode desprezar o valor daqueles com um grau de desenvolvimento inferior 4 . Sendo a equitação uma atividade curricular em escolas de formação, como na EsSA e Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), ela desenvolve um número considerável de atributos da área afetiva constantes da formação militar 5-6 .

O Chefe do Departamento de Ensino e Pesquisa (DEP), atual Departamento de

Educação e Cultura do Exército (DECEx), em sua diretriz para o ano de 2008, determinou que os estabelecimentos de ensino devessem conduzir, rotineira e enfaticamente, atividades que tenham como objetivo o desenvolvimento e a internalização pelos docentes e, principalmente,

pelos discentes dos atributos da área afetiva expressos nos planos de disciplinas 7 . Da mesma forma, estabelece que a prática da Equitação nas escolas de formação de combatentes deverá ser estimulada como ferramenta relevante para o desenvolvimento de

13

atributos da área afetiva, tais como perseverança, equilíbrio emocional, direção, dedicação, coragem física e camaradagem, entre outros 7 . O Diretor de Formação e aperfeiçoamento, em suas diretrizes para o ano de 2008, orienta os Diretores de Ensino dos estabelecimentos de ensino subordinados para que tenham o controle do desenvolvimento dos atributos da área afetiva, bem como os resultados da avaliação na área afetiva e a análise do rendimento da aprendizagem 8 . Segundo Goldberg e Sousa, a avaliação está diretamente ligada à avaliação de objetivos, causas e efeitos, que também, está diretamente ligada ao planejamento dos métodos de ensino. A avaliação seria, então, o controle de qualidade do planejamento. Nesta concepção, pode-se afirmar que há relação direta entre os processos de avaliação e planejamento, embora a relação planejamento – avaliação seja bastante complexa. A avaliação funciona como um termômetro, apontando as possíveis falhas no processo ensino- aprendizagem 9 . Mas como são colhidos, estudados, avaliados e utilizados os resultados obtidos pela observação dos atributos desenvolvidos pelos discentes na prática da equitação? Algumas questões de estudo podem ser formuladas no entorno deste questionamento:

a) O instrutor e monitor encarregado da instrução de equitação têm conhecimento dos

objetivos educacionais a serem atingidos, de acordo com o plano de disciplinas, referente à determinada sessão de instrução?

b) Como são colhidos os resultados obtidos pela observação dos atributos

desenvolvidos pelos discentes na prática da equitação?

c) Como são estudados os resultados obtidos pela observação dos atributos

desenvolvidos pelos discentes na prática da equitação?

d) Como são avaliados os resultados obtidos pela observação dos atributos

desenvolvidos pelos discentes na prática da equitação?

e) Como são utilizados os resultados obtidos pela observação dos atributos

desenvolvidos pelos discentes na prática da equitação?

f) Qual seria a melhor forma de colher e avaliar os resultados dos objetivos

educacionais propostos?

g) Quais os métodos e procedimentos a serem adotados na coleta, análise e estudo dos

resultados?

h) As potencialidades da instrução de equitação em desenvolver atributos da área

afetiva estão sendo totalmente aplicadas e utilizadas?

14

No que se referem à avaliação do ensino e da aprendizagem, as diretrizes de ensino do Diretor de Aperfeiçoamento ressaltam que se deve agir em conformidade com o que é previsto nas Normas Internas para Avaliação Educacional (NIAE). A avaliação educacional é contínua e indissociável do processo ensino-aprendizagem, onde o momento de ensinar é

tangente ao de avaliar. A avaliação não deve ser encarada como um processo final, mas como o reinício para redirecionamento, visando ao autoaperfeiçoamento do discente e a melhoria de todo o processo ensino-aprendizagem.

A avaliação é integral, pois o desenvolvimento do indivíduo envolve os domínios

cognitivo, afetivo e psicomotor, sempre presentes na pessoa de forma integrada. A avaliação exige integração entre o docente e o discente. É importante propor uma diversidade de

atividades, em grupo e individuais, no sentido de detectar as dificuldades que cada discente encontra, incentivando-o a superar erros ou atuação inadequada, de modo a redirecioná-lo para o ajustamento à vida militar. Nos planos de sessões deverão constar atividades a serem realizadas pelos discentes de forma a proporcionar a avaliação e o desenvolvimento dos atributos da área afetiva 10 .

A avaliação deve resultar em retroalimentação. Os resultados obtidos pelos discentes,

constatados pela avaliação, em qualquer momento do processo de aprendizagem, devem determinar os ajustes necessários em todos os demais componentes – alvo da avaliação educacional.

O Programa Excelência Gerencial do Exército Brasileiro (PEG-EB) abrange todos os

setores dos órgãos de formação. A melhoria contínua, por si só, constitui a essência do

processo educacional de forma a introduzir práticas de avaliação, incentivar a formação de equipes de trabalho, estimular o entendimento e o atendimento das necessidades das partes interessadas, buscarem referências externas, estimularem a criatividade e inovação para introdução de melhorias e, finalmente, acompanhar a evolução tecnológica para obtenção de ganhos de qualidade e de produtividade. Para Gardner, a verdadeira avaliação depende de professores sensíveis e capazes de fazer observações sobre seus alunos enquanto estes estiverem envolvidos em atividades e projetos significativos. 11 .

Já para Perrenoud, a escola tem o poder de declarar quem fracassa e quem tem êxito.

Afirma que a avaliação é “tradicionalmente associada, na escola, à criação de hierarquias de

definida no absoluto ou encarnada pelo professor e pelos melhores alunos”.

Dessa forma, segundo o autor, aquele que se preocupa com os efeitos de sua ação modifica-a

excelência [

]

15

A necessidade de se verificar os procedimentos mais adequados para a coleta, análise e

avaliação dos atributos da área afetiva através da equitação justificam-se pela atual importância que está sendo dada a este tipo de atividade, instrução militar, a qual já se sabe que desenvolve quase que a totalidade dos valores constantes dos perfis profissiográficos dos concludentes dos cursos das escolas em estudo. Estes resultados, por sua vez, devem ser utilizados não apenas pelos responsáveis pela

instrução de equitação. É de suma importância que as observações e resultados das sessões de instrução sejam utilizados por todos aqueles que estão diretamente envolvidos na formação. O presente estudo pretende ampliar as contribuições que a atividade de equitação oferece no desenvolvimento de atributos da área afetiva, nas escolas de formação de oficiais e praças combatentes de carreira do Exército Brasileiro, visando aproveitar todas as informações que os discentes coletam a respeito das atitudes dos docentes, de maneira que todos os militares que estejam diretamente ligados na formação tenham conhecimento dos aspectos (valores) positivos e negativos externados. A avaliação dos atributos e valores que a equitação desenvolve, apresentados no Anexo D, soma-se ao montante de outras atividades peculiares do período de formação, que devem ser tratadas como um todo. A avaliação deve ser encarada como um redirecionamento para a melhoria de todo o processo ensino-aprendizagem, visando ao autoaperfeiçoamento do discente.

A avaliação irá favorecer ao discente a conscientização do que deverá ser mudado e

dos aspectos nos quais deverão ocorrer as mudanças no seu processo de aprendizagem. De acordo com Luckesi, o ato de avaliar tornou-se tão importante que o processo pedagógico passou a girar em torno dos resultados. A avaliação deve ser usada como instrumento fornecedor de informações significativas para a aprendizagem do aluno, auxiliando-o no seu crescimento e desenvolvimento 13 .

1.1 OBJETIVOS

A presente pesquisa aspira analisar de que maneira o desenvolvimento de atributos da

área afetiva através da equitação, no âmbito das escolas de formação de oficiais (AMAN) e praças (EsSA) combatentes do Exército Brasileiro, deve ser melhor aproveitada, de forma que

todas as potencialidades desta atividade sejam realmente utilizadas, visando mostrar como o instruendo realmente é, proporcionando oportunidade ao docente uma melhor caracterização dos valores que devem ser reforçados e corrigidos.

16

A fim de viabilizar a consecução do objetivo geral de estudo, foram formulados

objetivos específicos, de forma a encadear logicamente o raciocínio descritivo apresentado

neste estudo.

a. Apresentar a fundamentação teórica referente à área afetiva e a posição do Exército Brasileiro em relação ao seu desenvolvimento nos quadros da força.

b. Verificar porque é necessário o desenvolvimento da área afetiva, bem como de que

maneira são evidenciados.

c. Verificar de que maneira a equitação desenvolve a área afetiva e quais são os atributos desenvolvidos.

d. Verificar como é realizada a avaliação da área afetiva nas instruções de equitação.

e. Verificar como são analisados e utilizados os resultados obtidos nas instruções de equitação.

f. Concluir acerca da maneira que deve ser feito o acompanhamento do desenvolvimento

da área afetiva através da equitação.

g. Indicar quais conhecimentos e capacitação que o instrutor e monitor devem possuir para realizarem de maneira mais adequada a avaliação dos objetivos educacionais.

1.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O estudo está limitado à formação de militares na EsSA e AMAN, discentes que são submetidos a rigorosos testes, que abrangem os campos intelectual, psicológico, físico, moral e disciplinar, não se restringindo a uma situação acadêmica, pois durante todo o dia estão presentes os encargos e deveres, as condições de disciplina e a exposição aos riscos do treinamento militar, em todos os níveis.

A pesquisa bibliográfica será amplamente utilizada, concentrando-a em assuntos

relacionados à área afetiva e análise de resultados. Os universos pesquisados serão limitados a EsSA e AMAN.

Quanto à natureza, o presente estudo caracteriza-se por ser uma pesquisa do tipo aplicada, por ter como objetivo gerar conhecimentos para aplicação prática dirigidos à solução de problemas específicos relacionados à avaliação de atributos da área afetiva através da equitação, nas escolas de formação de oficiais e sargentos combatentes de carreira, valendo-se para tal de uma abordagem qualitativa. Esta investigação busca abordar quais os conhecimentos que o instrutor e monitor deverão ter para realizar e acompanhar a avaliação do discente, de maneira a viabilizar que os

17

resultados tenham veracidade e sejam utilizados em sua totalidade. Para tanto, o estudo bibliográfico em fontes relacionadas à inteligência emocional, área afetiva, objetivos educacionais e avaliação dos objetivos educacionais terá grande importância, valendo-se também das normas e diretrizes estabelecidas para o ensino militar.

1.2.1 Fundamentação teórica e a posição do Exército Brasileiro

Atualmente, ser profissional no mundo moderno é a própria condição de sobrevivência no novo cenário estabelecido. Em um passado não muito distante, as mudanças, além de serem difíceis e raras de acontecerem, quando aconteciam, já tinham ou poderiam ser previstas, tornando os obstáculos fáceis de serem superados. Atualmente, a velocidade e a natureza das mudanças tornaram-nas completamente imprevisíveis e os obstáculos muito mais difíceis de superação. Na era da informação, a tecnologia avançada elimina, a cada dia, mais empregos, oportunizando novas e diferentes formas de empregos e, para ocupá-los, precisa-se, fundamentalmente, de grandes e variadas habilidades e conhecimentos. Nossa educação, durante vários anos, foi baseada em princípios cartesianos, dando ênfase aos processos intelectuais e cognitivos. No entanto, a felicidade e bem-estar, tão almejados por todos, dependem muito mais de nossos processos emocionais que dos intelectuais. Ansiamos por melhores relacionamentos, pela conexão com o outro, pelo entendimento mútuo. Vivendo em um mundo extremamente competitivo, onde todos os valores recebidos de nossos pais e mestres são questionados a todo instante, buscamos maneiras indiretas, artificiais ou dissimuladas de experimentar emoções.

1.2.1.1 A necessidade de desenvolver a área afetiva

A sociedade vive num período de contínuas inovações em todas as áreas profissionais. Os avanços tecnológicos geram mudanças cada vez mais aceleradas. Estas constantes mudanças, aliadas ao mundo globalizado e riscos cada vez mais crescentes, obrigam indivíduos a estarem em constante desenvolvimento e aperfeiçoamento, que se traduz em vantagem competitiva. Esta nova característica do novo profissional requer qualidades emocionais (afetivas) elevadas e que todas as pessoas podem e devem conquistar. Segundo Goleman, psicólogo, pesquisador e autor do livro Inteligência Emocional (IE), as pessoas que se relacionam melhor em sociedade e que atingem os melhores postos no mercado de trabalho não são aquelas que

18

apresentam quociente de inteligência (QI) mais elevado, mas as que se mostram mais capacitadas para agir em grupo 2 . Diante de tais informações, se é tão importante saber lidar com as emoções, chegamos à questão da necessidade de desenvolver essa capacidade. O psicólogo citado explica que, no meio das características afetivas, encontramos as aptidões que nos permitem motivar a nós próprios e de nos preservar face à frustração; motivar pessoas, ajudando-as a liberarem seus melhores talentos, e conseguir seu engajamento a objetivos de interesses comuns; de controlar as nossas pulsões e de estar em condições de adiar as nossas fontes de gratificação (canalizando emoções para situações apropriadas); de regular o nosso humor e fazer com que o stress não nos impeça de pensar; de ser empáticos e manter a esperança na vida. Para isso, o autor mapeia a IE em cinco áreas de habilidades 2 :

- Autoconhecimento emocional: reconhecer um sentimento enquanto ele ocorre. - Controle emocional: habilidade de lidar com seus próprios sentimentos,

adequando-os para a situação.

- Automotivação: dirigir emoções a serviço de um objetivo é essencial para manter- se caminhando sempre em busca.

- Reconhecimento de emoções em outras pessoas.

- Habilidade em relacionamentos interpessoais.

As três primeiras acima se referem à Inteligência intrapessoal. As duas últimas à inteligência interpessoal. Inteligência interpessoal é a habilidade de entender outras pessoas, o que as motiva, como trabalham. Inteligência intrapessoal é a mesma habilidade, só que voltada para si mesmo. É a capacidade de formar um modelo verdadeiro e preciso de si mesmo e usá-lo de forma efetiva e construtiva. A área afetiva possui muitos aspectos complexos que envolvem, por exemplo, o conhecimento bioquímico do cérebro cuja discussão não caberia nesta oportunidade. É importante que saibamos, porém, que o temperamento não é um dado determinado desde nosso nascimento, mas pode ser modificado e aprendido. Para ilustrar essa reflexão, podemos utilizar exemplos de nossas emoções mais cotidianas: a raiva, a ansiedade, a melancolia, o humor, a impulsividade, a empatia. No estudo da necessidade de se desenvolver a área afetiva, devemos ter definido também o conceito de competência emocional. Segundo Goleman, a competência emocional é a capacidade adquirida baseada na inteligência emocional, que resulta em um desempenho destacado no trabalho. A IE irá determinar o potencial de um individuo para

19

aprender habilidades práticas, tais como, autopercepção, motivação, auto-regulação, empatia, e aptidão natural para os relacionamentos 2 . Diante da amplitude do tema, são múltiplos os significados da noção de competência, afirma Perrenoud, e define competência como sendo uma capacidade de agir eficazmente em um determinado tipo de situação, apoiada em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles. Mayer e Salovey fazem uma distinção importante entre habilidade (referindo-as como

aptidões) e competência. Os autores argumentam que habilidade representa o potencial que se expressa, concretamente, em realizações ou desempenhos, envolvendo a apresentação de respostas corretas para problemas e conhecimento de determinado conteúdo. A competência, nesta concepção, indicaria um nível padronizado de realização, o que implicaria em dizer que a realização atingiu um determinado nível 14, 15 . Dessa forma, é possível pensar que a habilidade não necessariamente implica em competência. A habilidade indica facilidade em lidar com um tipo de informação e para que se transforme em competência será necessário investimento em experiências de aprendizagem. No entanto, se não houver investimento, não haverá competência, mesmo que

a pessoa tenha habilidade em determinada área. Considerando o mesmo montante de

experiência, com a mesma qualidade, duas pessoas com habilidades diferentes diferirão na facilidade com que irão adquirir a maestria, ou que se tornarão competentes em determinado tema. Dentro deste enfoque, existem pelo menos três fatores associados ao desenvolvimento

de competência: habilidade, o empenho pessoal e qualidade da aprendizagem. Pode-se afirmar

que competências representam a capacidade, a habilidade, a aptidão, entre outros valores. Em seus estudos, Goleman ressalta a importância da valorização dos aspectos emocionais da inteligência, os quais durante muito tempo foram negligenciados. Antes, nossos sentimentos e emoções deveriam ser reprimidos e controlados para não perturbar nosso raciocínio lógico. Se pensarmos que a maioria das situações de trabalho está envolvida no relacionamento entre as pessoas, podemos concluir que pessoas com qualidades de relacionamento humano, como afabilidade, compreensão e gentileza, têm mais chances de alcançar o sucesso 2 .

1.2.1.2 Tipos de inteligência

Observamos muito das vezes que prevalecem em nossa cultura as referências das capacidades cognitivas, de raciocínio, de memória, conhecidas genericamente por QI. Essa

20

forma de categorizar a inteligência vem sendo muito contestada. Modernamente, o conceito

de Inteligências Múltiplas provoca muitas discussões.

Gardner propõe uma visão pluralista da mente ampliando o conceito de inteligência

única para o de um feixe de capacidades. Para ele, inteligência é a capacidade de resolver

problemas ou elaborar produtos valorizados em um ambiente cultural ou comunitário. Assim,

ele propõe uma nova visão da inteligência, dividindo-a em sete diferentes competências que

se interpenetram, pois sempre envolvemos mais de uma habilidade na solução de problemas.

Embora existam predominâncias, as inteligências se integram 11 .

TABELA 1: Tipos de inteligências segundo Gardner.

Inteligência verbal ou linguística

Habilidade para lidar criativamente com as palavras.

Inteligência lógico – matemática

Capacidade para solucionar problemas envolvendo números e demais elementos matemáticos; habilidades para raciocínio dedutivo.

Inteligência cinestésico corporal

Capacidade de usar o próprio corpo de maneiras diferentes e hábeis.

Inteligência espacial

Noção de espaço e direção.

Inteligência musical

Capacidade de organizar sons de maneira criativa.

Inteligência interpessoal

Habilidade de compreender os outros; a maneira de como aceitar e conviver com o outro.

Inteligência intrapessoal

Capacidade de relacionamento consigo mesmo, autoconhecimento. Habilidade de administrar seus sentimentos e emoções a favor de seus projetos. É a inteligência da autoestima.

Fonte: Gardner (1997, p. 15). Adaptado da obra do autor.

Segundo o autor, todos nascem com o potencial das várias inteligências. A partir das

relações com o ambiente e aspectos culturais, algumas são mais desenvolvidas ao passo que

deixamos de aprimorar outras. Goleman afirmou que ninguém tem menos que nove

inteligências. Além das sete citadas por Gardner, acrescenta mais duas 16 :

Até pouco tempo atrás o sucesso de uma pessoa era avaliado pelo raciocínio lógico e

habilidades matemáticas e espaciais (QI). Goleman retoma uma nova discussão sobre o

assunto. Ele traz o conceito da IE como maior responsável pelo sucesso ou insucesso das

pessoas. A maioria das situações de trabalho é envolvida por relacionamentos entre as

pessoas. Desta forma pessoas com qualidades de relacionamento humano, como afabilidade,

21

compreensão, gentileza, têm mais chances de obter o sucesso. O autor afirma que para um

adulto melhorar sua própria área afetiva, a primeira tarefa é desaprender e reaprender, devido

ao fato de que seus hábitos emocionais foram aprendidos na infância 16 .

TABELA 2: Tipos de inteligências segundo Goleman.

Inteligência pictográfica

Habilidade que a pessoa tem de transmitir uma mensagem pelo desenho que faz.

Inteligência naturalista

Capacidade

de

uma

pessoa

em

sentir-se

um

componente natural.

 

Fonte: Goleman (1999, p. 42). Adaptado da obra do autor.

1.2.1.3 Aprendizagem

Cada indivíduo tem historicamente diferenciado no tempo e no espaço, o desejo inato

de conhecer. É um sentimento profundo que o envolve, desde o nascimento. Existe um caráter

intencional do indivíduo no conhecimento. A partir disso, encontramos diversas vertentes

ideológicas a respeito da aprendizagem, principalmente quanto a sua classificação.

Como define Skinner, representante de uma vertente comportamental, o estudo do

comportamento manifesto é mensurável, isto é, pode se fazer uma análise das relações

funcionais entre o estímulo e a resposta (S-R) correspondente 17 .

Ao invés de se avaliar como indivíduos interpretam os estímulos e como expressam

seus modos de reagir, a análise se reporta à exterioridade da reação no modelo

comportamental (S-R), limitando-se o estudo das pessoas aos seus comportamentos, isto é,

considerando a pessoa como um ser que responde a estímulos fornecidos pelo ambiente

externo. Limita-se ao estudo de comportamentos manifestos e mensuráveis que podem ser

controlados por suas consequências. Não considera o que ocorre dentro da mente, porque,

como premissa, o estudo do comportamento não depende de conclusões sobre o que se passa

dentro do organismo. Não ultrapassa uma visão especulativa da atividade humana.

Piaget destaca seu pensamento sobre esse processo quando aborda o desenvolvimento

mental do ser e afirma que o crescimento cognitivo se dá através de assimilação e

acomodação. A assimilação designa o fato de que a iniciativa na interação do sujeito com o

objeto é do organismo. O indivíduo constrói esquemas de assimilação mental para abordar a

realidade. Quando o organismo (mente) assimila, ele incorpora a realidade. Caso os esquemas

de ação do indivíduo não assimilam determinada situação, o organismo desiste ou se

modifica. No último caso ocorre o que o autor chama de acomodação. É na acomodação que

22

se dá o desenvolvimento cognitivo. Se o meio não apresenta problemas, dificuldades, a

atividade da mente é apenas de assimilação, porém, diante daqueles, ela se reestrutura e se

desenvolve 18 .

Atualmente encontramos com frequência a abordagem apresentada por Bloom. As

taxionomias de objetivos da aprendizagem compreendem três diferentes tipos de objetivos

(domínios): os cognitivos, os afetivos e os psicomotores; cada um objeto de uma classificação

própria 1 .

TABELA 3: Classificação dos objetivos da aprendizagem na área afetiva.

NÍVEL

 

CARACTERÍSTICA

EXEMPLO

   

Aceitar as normas de

hierarquia e disciplina empregadas no Exército.

Acompanhar uma sessão de

-

-

ACOLHIMENTO

O

instruendo presta atenção ao que

acontece, de forma passiva, sem reagir (não evita o estímulo).

 

instrução de prevenção sobre

 

o uso indevido de drogas.

 

O

instruendo presta atenção ao que

- Ajudar um companheiro na

RESPOSTA

acontece, reagindo aos estímulos (aluno responde ao estímulo e voluntariamente tem satisfação nessa resposta).

interpretação

de

um

problema.

 

-

Assistir a um ferido em um

exercício.

VALORIZAÇÃO

O instruendo assume características de atitude e comportamento conforme suas respostas (aceita um valor e se compromete com ele; tenta convencer

Demonstrar interesse pela

travessia de um curso d’água com meios de "fortuna". - Formar opinião sobre hierarquia e disciplina.

-

os

outros).

 

Os valores adquiridos são agrupados em um sistema próprio da pessoa, exteriorizando-se em valores pessoais (conceitualiza os valores ou formas de julgamentos; faz a relação entre os valores que já possui ou entre os novos que poderá vir a adotar eles).

Alterar seu comportamento no deslocamento de uma tropa.

-

ORGANIZAÇÃO

-

Ordenar um grupo de

combate, de acordo com a função de cada componente.

 

Estabelecer prioridades na realização de uma missão qualquer.

-

 

O

instruendo passa a ter respostas,

 

CARACTERIZAÇÃO

comportamentos e reações de acordo com seus valores pessoais (organiza os valores num sistema de valores que passa a caracterizar a sua filosofia de vida).

Influir em um Pelotão pela sua liderança.

-

23

Os objetivos afetivos enfatizam o sentimento, emoção ou grau de aceitação ou rejeição. Tais objetivos são expressos como interesses, atitudes ou valores. Veremos mais a fundo a classificação dos objetivos da aprendizagem na área afetiva na Tabela 3. Os processos caracterizados pela taxonomia devem representar resultados de aprendizagem, ou seja, cada categoria representa o que o indivíduo aprende não aquilo que ele já sabe, assimilado do seu contexto familiar ou cultural. Os processos são cumulativos, um nível afetivo depende da anterior e, por sua vez, dá suporte à seguinte. Os referidos níveis são organizados num gradiente em termos de complexidade dos processos mentais.

a ênfase em um domínio pode tender a expulsar o outro. Novos cursos, muitas vezes começam com uma análise cuidadosa, tanto de objetivos cognitivos, como afetivos. Mas nos sentimos mais à vontade, ensinando em razão dos objetivos

cognitivos do que de afetivos. Nosso esforço para o domínio da matéria de ensino e

a sempre crescente quantidade de conhecimento disponível nos proporciona cada

vez mais matéria para incluir. Além disso, a nossa preferência pelo acesso à

realização afetiva, através da consecução de objetivos cognitivos, tende a focalizar

a atenção sobre estas metas cognitivas com fins em si mesmo, sem determinarmos

se, de fato, servem como meio para um fim afetivo. Esta erosão tende a ser inevitável, mas poderia ser diminuída ou interrompida, se estivéssemos cônscios de sua ação 1 .

1.2.1.4 Os atributos da área afetiva no Exército

O Exército foi umas das instituições pioneiras em valorizar o desenvolvimento da área afetiva como objetivos educacionais, reestruturando o sistema de ensino, selecionando os pontos mais importantes que um militar deve possuir para bem desempenhar suas funções. Sob o ponto de vista inicialmente apresentado, o Exército Brasileiro investe na formação de profissionais com determinadas características, tais como, aptidões de automotivarem-se, de assumirem riscos e responsabilidades pelos acontecimentos diários, de terem habilidade de lidar com pessoas e resolverem conflitos, de serem tolerantes a frustrações e de terem consciência do seu papel dentro da OM (Organização Militar). Características estas que venham garantir a sua própria sobrevivência e uma maior vantagem para a vida profissional do militar e para a Força (Exército Brasileiro) 4, 16 . A partir dos anos 90, diversos estudos e trabalhos foram realizados no sentido de adequar o ensino no âmbito do Exército às novas exigências dos estudos realizados pelo Grupo Técnico de Elaboração da Modernização do Ensino (GTEME). Este trabalho teve como finalidade implantar uma sistemática de operacionalização dos atributos da área afetiva

24

nos Planos de Disciplinas (PLADIS) das escolas, bem como no Perfil Profissiográfico dos militares, objetivando o desenvolvimento e a avaliação dos Atributos da Área Afetiva. Para tanto, no mesmo período, o Exército concebeu o Manual do Instrutor (T 21-250), com o objetivo de indicar aos instrutores e monitores os caminhos mais adequados para que possam planejar, orientar, controlar e avaliar as sessões de instrução ou de aula, buscando uma melhor aprendizagem 19 . Da mesma maneira, a Portaria nº 12, do Chefe do DEP, de 1998 (Anexo A), padroniza a linguagem técnica utilizada na área afetiva em todos os Estabelecimentos de Ensino subordinados. Esclarece também que os valores devem ter sido desenvolvidos no indivíduo desde a infância e reforçados ao longo da vida militar. Devem servir, também, para uma ação imediata do docente que identifique sua ausência, visando as providências que possibilitem o afastamento do instruendo, em especial na formação do militar de carreira. Em suas diretrizes, o Chefe do DEP, define que a missão principal dos estabelecimentos de ensino é bem formar os quadros de nossa Instituição, para que possam desempenhar com eficiência e eficácia os diversos cargos e funções que lhes são destinados, dando ênfase na capacitação de recursos humanos na área afetiva, apoiando os projetos de avaliação e desenvolvimento dos atributos. Atualmente, o DECEx desenvolve atividades voltadas à modernização do ensino e que perpassam, principalmente, pelo planejamento, pela execução, pela avaliação e pela validação dos cursos e estágios, preocupando-se com o desenvolvimento dos atributos da área afetiva, assim como com a sua avaliação 7,8 . Atualmente, está sendo desenvolvido no Centro de Estudos de Pessoal (CEP) o Projeto de Descrição de Cargos e Atribuições para oficiais, sargentos, cabos e soldados; e o desenvolvimento e avaliação dos atributos da área afetiva para os diversos estabelecimentos de ensino.

1.2.2 A equitação no desenvolvimento da área afetiva

Como elemento associado à evolução dos povos, o cavalo ocupou lugar de destaque na Europa e Ásia da Idade Média, onde, além de instrumento útil à economia, proporcionando transporte e multiplicando a força humana, também foi relevante no desenvolvimento da cultura, em especial para as tribos nômades da Ásia Central. Com ampla participação na vida das sociedades da época, o cavalo também teve suas qualidades destinadas ao implemento da arte da guerra, estando presente em ações bélicas como as decorrentes das "Invasões bárbaras" e da "Conquista do Novo Mundo", por exemplo.

25

A partir do Século XVII a equitação sofreu grande desenvolvimento doutrinário, com o surgimento de doutrinadores e escolas destinadas ao estudo da Arte Equestre. Destacam-se,

nesse período, com influência até os dias atuais, as atividades desenvolvidas pelas escolas de equitação francesa, italiana e alemã, entre outras.

O uso desportivo do cavalo encontra seus registros iniciais à época das primeiras

Olimpíadas, ainda na Idade Antiga, seguido, ainda que com grande lapso temporal, pelos

tradicionais torneios da cavalaria medieval. Junto com os primeiros passos do Exército Brasileiro, na 2ª Batalha de Guararapes, iniciou-se o emprego do cavalo como instrumento militar, na qual se destacam os feitos dos capitães Manoel de Araújo e Antônio Silva que, no comando de duas Companhias de Cavalos, cooperaram de forma incontestável para o êxito.

O cavalo também foi artífice na consolidação das fronteiras ao sul do País. Dessa

época avultam registros históricos, como os decorrentes das ações de Manoel Luis Osorio (Marquês de Herval e Patrono da Arma de Cavalaria) e Andrade Neves, por exemplo. Atualmente, podemos tomar como exemplo a atividade de equitação realizada na Seção de Equitação da AMAN, criada em 1933, na antiga Escola Militar de Realengo que, desde então, contribui para a formação do futuro Oficial do Exército, desenvolvendo no cadete um número considerável de valores morais indispensáveis ao homem da guerra. A doutrina, a tradição e a mentalidade da sadia prática dessa tão nobre arte têm neste estabelecimento de ensino assentadas as suas bases, que se renovam através das novas gerações de oficiais de todas as armas, quadro e serviço, praticante ou não, amigos do cavalo. Aos cadetes do segundo ano, por exemplo, são ministradas instruções de encilhagem, escola do cavaleiro e instruções no exterior. Este primeiro contato afasta do cadete o medo inicial, estimulando e aprimorando atributos da área afetiva necessários a formação do futuro líder militar. As instruções são ministradas durante todo o ano letivo, com uma carga horária em torno de 20 horas-aula (Anexo B) para cada turma.

1.2.2.1 O cavalo como facilitador

O conhecimento não se transfere, se constrói, e esse conceito vem redirecionando o

papel dos educadores. Quando o professor ou instrutor ministra uma aula, deve estar, na verdade, facilitando a aprendizagem dos alunos, estimulando-os na busca de dados, informações e conteúdos, na expectativa de que eles próprios os utilizem na construção do seu conhecimento. O aluno aprende quando percebe o significado de determinado assunto. Esse

26

entendimento é imprescindível para que os objetivos da modernização do ensino sejam atingidos. A apresentação de determinados assuntos devem ser contextualizados com exemplos profissionais, de tal forma que o instruendo perceba os objetivos, pois é natural que ele rejeite as informações que julgue sem utilidade, por não criar com eles um elo afetivo. Aprende-se com mais facilidade o que for utilizado, na vida ou na profissão. Ao trabalharmos a área afetiva, estamos procurando oportunizar um ambiente, no qual o aluno possa se desenvolver, expressando seus sentimentos e emoções através de vínculos criados entre ele, o instrutor e o cavalo. Para Smythe, o cavalo é o animal que tem uma grande capacidade de demonstrar o que está ocorrendo em sua mente, sendo um animal extremamente sensível, que não só expressa suas emoções muito obviamente, mas também é capaz de uma rápida mudança no caráter dessas emoções, em expressá-las de uma maneira que a maioria dos seres humanos possa interpretar. Podemos afirmar que o cavalo é um ser adaptável, capaz de adequar seu estado de humor ao do cavaleiro 20 . O cavalo, por si só, representa a força, o poder, a liberdade, a virilidade, que todos nós seres humanos sempre sonhamos em ter. Sobre ele, adquirimos um padrão de comportamento através destas sensações, onde o animal é controlado pelo homem, esquecendo que esta representação simbólica tem o significado do controle do próprio eu interno. Os cavalos são animais intensamente sociais que possuem uma linguagem muito eficiente e discernível. O mais incrível sobre essa linguagem é que ela é universal à espécie. Roberts, que é um diferenciado homem do cavalo, reconheceu uma linguagem de comunicação entre os cavalos, a partir da qual os homens podem aprender lições de fundamental importância. Essa linguagem é chamada de Equus, que significa uma comunicação baseada em confiança e aceitação de uma liderança, sem o uso de violência 21 . Princípios básicos de equitação, como o trato, manejo e condução do cavalo devem fazer parte do currículo do cavaleiro, a fim de promover uma maior aproximação entre o instruendo e o animal. A equitação em si proporciona ao aluno atividade física, robustez, qualidades morais, equilíbrio, coordenação motora, agilidade e destreza, fazendo com que este tenha um sentimento de força física, aumentando a sua autoconfiança. Candiota afirma que o contato com o cavalo feito de forma a estabelecer uma relação de amizade e confiança, entre este e o instruendo, favorece a superação de barreiras como o medo e a insegurança, incrementando sentimentos de autoconfiança e auto-estima. Também traz resultados positivos e de maneira integrada no campo físico, emocional e social,

27

proporcionando um desenvolvimento global do praticante, contribuindo para uma melhor qualidade de vida 22 . Walter também afirma que o cavalo traz à realidade a experiência gostosa de sonhar. As atividades com os cavalos favorecem a autoconfiança, aumentam os períodos de atenção, possibilitam maior concentração e melhor disciplina. Os cavalos aceitam os cavaleiros sem restrições, sendo que a união pode ser de tal forma que o cavalo pode ser sentido como um

companheiro muito próximo, como um prolongamento do corpo. Companheiro de fantasias e de loucuras, permitindo, talvez ao cavaleiro, a descoberta de si mesmo 23 . Na equitação, as sensações do corpo em movimento, pela orientação do olhar e pela confiança depositada no cavalo, é estabelecida com simplicidade e naturalidade pelo contato, harmonia, equilíbrio e compreensão, uma troca das vivências, das aquisições e das aprendizagens recíprocas entre cavalo e cavaleiro. Da mesma forma nas baias, com atividades de manejo, como alimentação e limpeza, tendemos a seguir uma ordem técnica dada pelo instrutor de equitação.

O cavalo é um ser de confiança e de troca afetiva e corporal, ele dá matéria à nossa

busca de identidade. O cavalo é um ser que pode ser cativado e cuja dominação passa, através dele, para a auto-estima do cavaleiro. Sendo assim, rapidamente ele se torna o nosso outro eu, o objeto de nossas projeções, uma resposta viva a nossos comportamentos.

1.2.2.2 Reflexos da equitação na área afetiva

A formação militar não se restringe a uma situação acadêmica. Durante todo o dia

estão presentes os encargos e deveres, as condições de disciplina e a exposição aos riscos do

treinamento militar, em todos os níveis. Os alunos de uma escola militar são submetidos a rigorosos testes, que abrangem os campos intelectual, psicológico, físico, moral e disciplinar.

A Portaria nº 76 de 16 de agosto de 2004, do Chefe do DEP, que aprova os critérios de

avaliação educacional a serem seguidos pelos estabelecimentos de ensino, que a área afetiva

tem peso no grau final dos cursos de formação de Oficiais e Sargentos, o que demonstra a atenção em relação ao desenvolvimento desta área por parte da Força.

A evolução das ciências e da tecnologia vem causando fortes impactos em todas as

instituições sociais em suas várias expressões exigindo cada vez mais uma educação contínua dos indivíduos, para que se tornem cidadãos e profissionais capazes de reagir com iniciativa, criatividade e adaptabilidade às transformações verificadas. O sistema de ensino do Exército exige uma postura qualitativa em sua teoria e prática pedagógicas de modo a desenvolver em

28

seus discentes, dentre outras capacidades, a de autoaperfeiçoamento, a partir de uma sólida

estrutura afetiva capaz de assegurar o desenvolvimento das habilidades de aprender a

aprender.

TABELA 4: Participação da área afetiva no rendimento escolar final de curso.

CURSO DE FORMAÇÃO DE OFICIAIS

Academia Militar das Agulhas Negras

A nota final da avaliação da vertente vertical da área afetiva contribuirá com o

percentual de 10% na composição do rendimento escolar final do cadete ao término dos 1°, 2° e 3° anos e com o percentual de 5% ao término do 4° ano.

A avaliação da vertente lateral da área afetiva nos três primeiros anos terá apenas o

caráter de treinamento do cadete; somente no 4° ano sua nota final contribuirá com o percentual de 5% para a composição do rendimento escolar final do cadete ao término desse ano.

Centros e Núcleos de Preparação de Oficiais Da Reserva

A nota final da avaliação da vertente vertical da área afetiva contribuirá com o

percentual de 10% na composição do rendimento escolar final do concludente do curso.

Escola de Administração do Exército e da Escola de Saúde do Exército

A nota final da avaliação da vertente vertical da área afetiva contribuirá com o

percentual de 10% na composição do rendimento escolar final do concludente do curso.

CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTOS

A nota final da avaliação da vertente vertical da área afetiva contribuirá com o

percentual de 10% na composição do rendimento escolar final do concludente do curso.

CURSOS DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS

A nota final da avaliação da vertente vertical da área afetiva contribuirá com o

percentual de 10% na composição da nota final do rendimento escolar do concludente do

curso.

A nota final da avaliação da vertente lateral da área afetiva contribuirá com o

percentual de 5% na composição da nota final do rendimento escolar do concludente do curso.

Fonte: adaptado pelo autor da Portaria nº 76 do Chefe do DEP (2004).

Devemos ter em mente que o mais importante em relação aos atributos da área afetiva

é o seu desenvolvimento. Como vimos na fundamentação teórica, a área afetiva é muito

complexa, não tendo os mesmos padrões de indivíduo para indivíduo. Cada pessoa tem uma

capacidade diferente de aprender. Deste modo, a avaliação da área afetiva se dá por

observação às respostas dada a cada estímulo, às reações (emoções) externadas frente a

diferentes dificuldades.

29

O desenvolvimento da área afetiva através da equitação pode ser evidenciado na

realização de instruções, exercícios, provas formais, de instrumentos que caracterizam a interdisciplinaridade, bem como na escala de avaliação dos atributos da área afetiva, de acordo com a Portaria nº 26, de 03 de abril de 2003, do Chefe do DEP, que aprova as Normas para Avaliação Educacional (NAE). Aspectos, tais como as capacidades cognitivas do discente para resolver situações-problema, os comportamentos adequados que evidenciam a

área afetiva e a expressão de valores na conduta do dia-a-dia, as destrezas psicomotoras, as particularidades e estilos individuais fornecem muito mais dados para as decisões sobre a avaliação do discente do que notas.

A avaliação dos atributos da área afetiva está intimamente ligada à criação de

condições que propiciem o desenvolvimento dos componentes afetivos. Assim são imprescindíveis os registros diários feitos pelos docentes sobre as atuações dos discentes nas mais variadas situações das aulas de equitação.

1.2.2.3 A equitação nas escolas

A equitação nas escolas de formação é uma disciplina, desenvolvida com objetivos

particulares iniciais, por exemplo, de empregar os princípios da equitação elementar, dando ênfase na prática individual a cavalo. O aluno segue um quadro de atividades reguladas pelo PLADIS, com uma carga horária básica em torno de 20 horas na EsSA e para os cadetes dos 1º e 2º anos da AMAN, e uma carga horária de mais de 40 horas para os cadetes dos 3º e 4º anos do curso de cavalaria da AMAN, sendo as instruções distribuídas ao longo do ano, havendo ou não avaliação somativa conforme os respectivos PLADIS (Anexos B e C). Particularmente, a equitação é tratada como instrumento de grande valia no desenvolvimento de atributos da área afetiva inerentes aos oficiais e sargentos. Inicialmente, o aluno é apresentado ao cavalo, identificando as características principais do animal, as partes exteriores, as pelagens, os cuidados a serem observados com o animal e sua preparação para formaturas e eventos hípicos, quanto à limpeza, toalete e trato, com a alimentação e estabulagem. Após esta ambientação, toma contato com os materiais utilizados no arreamento, começando a ter as primeiras instruções da escola do cavaleiro, com a condução do cavalo à mão. Logo em seguida, na prática montada, realiza exercícios de volteio com o cavalo parado e começa a ter as primeiras noções das ajudas empregadas na condução do cavalo, realizando mudanças de andaduras, velocidade e direção. Após os alunos terem atingido um padrão

30

mínimo de instrução a cavalo, dá-se a iniciação ao salto, realizando ginástica de cavaletes e a execução de percursos.

1.2.2.4 A área afetiva no contexto das escolas

Para o Corpo Docente, o trabalho na área afetiva compreende três campos distintos e inter-relacionados: a obtenção de conhecimentos sobre os atributos da área afetiva, seu estabelecimento, desenvolvimento e sua avaliação. O primeiro campo abrange a aquisição de conhecimentos pelo aluno, para a caracterização dos atributos da área afetiva necessários à profissão militar. Essa particularidade do aprendizado é desenvolvida de maneira dinâmica, por meio de estudos de caso sobre situações de fato ou fictícias, que explorem um ou mais atributos. Quanto ao estabelecimento e desenvolvimento dos atributos, a curta duração do curso de formação indica a necessidade do aproveitamento de todas as oportunidades que se apresentam para o desenvolvimento dos valores nos alunos. Nesse aspecto, destaca-se a figura do corpo docente, que fornece ferramentas que possibilitam a modelagem dos atributos desejados os quais, pelo trabalho cerrado que desenvolvem em relação aos alunos, tem maior influência na área afetiva. O terceiro campo compreende a avaliação dos atributos. Para tanto, os avaliadores dispõem de diversas informações sobre os avaliados, sendo estas coletadas sobre a forma de observações ao longo das atividades realizadas, além de estarem convenientemente preparados para realizá-la com equidade e justiça. Todos os registros são de fundamental importância, porque os fatos observados servem como subsídios para a avaliação vertical da área afetiva, de acordo com o previsto nas Normas Internas para a Elaboração do Conceito Escolar. A avaliação da área afetiva entra no cômputo da nota final do curso, com um valor de 10% do resultado final, ao tomar como exemplo a EsSA. Ao final do curso, por exemplo, o concludente está apto a desempenhar suas atividades com criatividade, equilíbrio emocional, competência e segurança. Evidencia conhecimento profissional, destreza manual e habilidade no manuseio e na utilização de armamentos, equipamentos e viaturas de uso comum, bem como conhecimento de regulamentos básicos, diretrizes, normas e instruções essenciais para o cumprimento de suas funções (ver Anexo E).

31

1.2.3 A avaliação dos atributos desenvolvidos pela equitação

A palavra avaliar é originária do latim e provém da composição a-valere, que significa

“dar valor a”. No entanto, o conceito avaliação é expresso como sendo a “atribuição de um

valor ou qualidade a alguma coisa, ato ou curso de ação”, implicando "um posicionamento positivo ou negativo em relação ao objeto, ato ou curso de ação avaliado" 24 .

A avaliação é como um componente do processo de ensino que visa, através da

verificação e qualificação dos resultados obtidos, determinar a correspondência destes com os

objetivos propostos e, daí, orientar a tomada de decisões em relação às atividades didáticas seguintes. Luckesi, define como um juízo de qualidade sobre dados relevantes, tendo em vista uma tomada de decisão a respeito da avaliação 25, 26 .

A utilização do termo avaliar se refere não apenas aos aspectos quantitativos, mas

também aos qualitativos da aprendizagem, os quais abrangem a aquisição de conhecimentos e informações, resultantes dos conteúdos curriculares estabelecidos, como também das habilidades, interesses, atitudes, hábitos de estudo e ajustamento pessoal e social 27 .

O processo avaliativo apresenta algumas características que o diferem da medida,

embora contenha a medida como condição necessária à sua objetividade e precisão. O objeto de análise da avaliação do rendimento escolar é a expressão global do aluno, ou seja, sua expressão de forma escrita, oral, corporal ou gestual, tanto na área afetiva, cognitiva e

psicomotora 28, 29 e 30 .

A avaliação deverá ser assumida como um instrumento de compreensão do estágio de

aprendizagem em que se encontra o aluno, tendo em vista tomar decisões suficientes e satisfatórias para que possa avançar no seu processo de aprendizagem 27 .

Compete à avaliação a verificação e a qualificação. A verificação acontece por meio das informações levantadas pelo instrutor nas instruções pela observação do desempenho dos alunos. A qualificação acontece por intermédio da comprovação dos resultados alcançados, tendo em vista os objetivos e, conforme o caso, atribuição de notas ou conceitos 25 .

O diagnóstico possibilita identificar, discriminar, compreender e caracterizar os fatores

desencadeantes das dificuldades de aprendizagem. O controle visa localizar, apontar, discriminar deficiências e insuficiências no desenvolvimento do processo ensino- aprendizagem e corrigi-las por meio de um controle sistemático e contínuo, que se dá pela

interação instrutor – aluno, durante as instruções. A função de classificação propicia principalmente a efetivação do propósito de classificar o instruendo, segundo o nível de aproveitamento ou rendimento alcançado, em comparação ao grupo 25, 27, 29, 30 .

32

A avaliação acontece ancorada num tripé formado pelo avaliador – avaliado – objeto a

ser avaliado, tendo como base o processo ensino-aprendizagem. Cada um dos elementos do

tripé tem uma função determinada, sendo que a ausência de um desses elementos descaracteriza a avaliação.

O avaliador está representado pelo instrutor e/ou monitor, que sintetiza e analisa os

dados emergentes, verifica as dificuldades e busca novas opções que possibilitam a

recondução de todo o processo, caso necessário.

O avaliado, representado pelo instruendo, deve desempenhar o seu papel de elemento

ativo e expressar todo o seu potencial, reconhecer as dificuldades, buscando cada vez mais novos conhecimentos. Esses conhecimentos devem possibilitar ao discente condição de

desenvolvimento das habilidades necessárias ao exercício das atividades inerentes à futura vida profissional, na área militar em especial.

O objeto a ser avaliado é representado pela expressão global do instruendo, expressão

esta que deixa transparecer vários momentos vivenciados pelo educando, durante sua formação. A forma com que o discente expressa o seu saber transparece o potencial de aprendizado, que deve ser direcionado rumo à aquisição de outros conhecimentos. Ao avaliar, o instrutor não deve, pura e simplesmente, classificar o aluno dentro de padrões predeterminados e dar o veredicto final, sem antes refletir e ter a certeza de que todas as possibilidades foram esgotadas no sentido de conduzir o educando ao aprendizado. Os significados expressos pelos sujeitos apontam justamente esse tripé, mostrando assim que eles têm consciência da importância da avaliação como um instrumento que, quando utilizado visando o crescimento e o desenvolvimento, possibilita a percepção do saber do educando, suas necessidades de reorientação e como está sendo desenvolvido o processo educacional. Para se ter uma visão mais ampla de como seriam os procedimentos e métodos a serem utilizados, toma-se como base o fluxograma descrito no Apêndice A. Sugere-se um esquema cíclico da avaliação dos atributos da área afetiva, iniciado pela observação e culminando pela avaliação. Importante atenção deve ser dada após a avaliação, onde os resultados devem ser utilizados pelo instrutor para o redirecionamento do instruendo, de maneira que o mesmo possa melhorar seu rendimento e ser novamente avaliado. Para termos uma avaliação mais ampla e com universos distintos, é importante inicialmente que o instruendo realize uma autoavaliação, de maneira que se possa saber qual é sua visão de si mesmo.

33

No tocante à avaliação por parte do grupo, acredita-se ser a mais importante, tendo em vista o desenvolvimento da liderança, amplamente estudada, composta por diversos atributos

da área afetiva e valores morais, entre outros aspectos fundamentais que não serão descritos.

A liderança envolve a formação e manutenção de equipes coesas. Qualquer coisa que

prejudique sua habilidade de formar uma equipe, também prejudica seu desempenho como líder. A maioria das pessoas quando estão sob pressão apresentam alguns resultados não

esperados. Sob condições normais estas características podem, na realidade, serem pontos fortes. Contudo, quando você está cansado, pressionado, chateado, ou perturbado de alguma maneira, estes fatores podem afetar sua eficácia e abalar a qualidade de seus relacionamentos com superiores, pares e subordinados. Os outros podem perceber estas tendências mas podem não lhe dar nenhum feedback sobre elas. Na realidade, o instrutor, pode até ignorá-las. Desta forma, tomaremos como exemplo genérico uma instrução diária de equitação, uma atividade de exterior. Uma turma que possui cerca de 30 instruendos pode ser dividida em grupos de quatro ou cinco componentes. Este número não é fixo, pode ser regulado conforme a atividade a ser desenvolvida. A um dos componentes da equipe é dada a missão de chefe (líder, comandante). Para cada atividade a ser desenvolvida, será realizada uma observação (avaliação) pelos integrantes em relação ao chefe e pelo chefe em relação aos companheiros. Os itens a serem avaliados devem ser apresentados com antecedência, de maneira que todas as dúvidas sejam sanadas.

A primeira atividade a ser realizada é a limpeza e encilhagem dos animais. Nesta

ocasião, de maneira breve, pode-se verificar aquele companheiro que tem mais desprendimento, não tem medo do cavalo que morde, dá coice dentro da baia, quem ajuda o companheiro com mais dificuldade. Da mesma forma, no momento de montar, pode-se verificar aspectos semelhantes. Montados, aos grupos pode ser dado um esboço com um caminho a ser percorrido, talvez com tarefas a serem cumpridas ao longo do trajeto. Em fim, a gama de atividades que pode ser introduzida é ampla, o que está diretamente relacionada com o número de observações a serem computadas. Fazendo um cálculo sumário, verifica-se que o número de observações é expressivo. Em uma turma de trinta instruendos, podemos fazer grupos de cinco integrantes. Em uma determinada atividade, se colocarmos 10 pontos a serem avaliados, o líder do grupo terá ao final 40 observações (10 de cada um dos 4 companheiros); cada integrante terá 40 observações (10 do líder e 30 dos companheiros). Digamos que isto pode ser realizado em 2 horas de instrução, logo, em 10 sessões cada instruendo terá 400 observações, somadas às que

34

o instrutor e/ou monitor realizarão. Cabe ressaltar que o instrutor, sozinho, dificilmente faria 400 observações para cada um dos 30 alunos. Tão importante quanto ao número de observações, que é expressivo, é o fato de que quem possui a melhor visão para avaliar, na maioria das vezes, é o companheiro que está junto, e não o instrutor. Quanto ao tratamento e análise dos dados e resultados, diversos procedimentos podem ser adotados. Um bom exemplo é o que está em uso na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), chamado de Módulo de Desenvolvimento dos Atributos da Área Afetiva (MoDAAAf), que sistematiza atividades de avaliação de desempenho e desenvolvimento comportamental relacionadas ao perfil profissiográfico do capitão do Exército Brasileiro. Realiza o processamento de dados lançados por discentes e docentes do curso de aperfeiçoamento durante o ano letivo, procedendo o tratamento estatístico e a devolução de informações relacionadas a aspectos da Área Afetiva da Taxionomia de Bloom e a aspectos de Liderança e de Sociabilidade. Tem por objetivo fornecer dados ao discente que o estimulem à auto-análise e ao auto-aperfeiçoamento. Utiliza processos vertical, com os instrutores como observadores e avaliadores, e lateral, com os alunos desempenhando tais papéis, onde todos os procedimentos são de conhecimento de avaliados e avaliadores. A sistematização deste sistema facilita a observação do discente, tornando a sua avaliação mais fidedigna, possibilitando ao aluno a oportunidade de aperfeiçoamento dos seus atributos 31 . Nessa perspectiva, envolver o educando no processo avaliativo e entender sua percepção sobre o ato de avaliar é o primeiro passo para realizar uma avaliação aliada à aprendizagem do aluno e que certamente servirá de auxílio para melhorar a aprendizagem, bem como a execução das atividades. Aplicar uma avaliação coerente e efetiva requerer uma discussão ampla e constante sobre a temática, envolvendo todo o corpo docente. Assim, não corre o risco de ser adotada uma avaliação descomprometida com a aprendizagem do aluno e que futuramente servirá de justificativa para o insucesso dessa prática avaliativa.

1.2.4 Capacitação do docente

A avaliação da aprendizagem como processo deve buscar a inclusão e não a exclusão do aluno. Portanto, o instrutor ao avaliar o aluno, deve levantar dados, analisá-los e sintetizá- los, de forma objetiva, possibilitando o diagnóstico dos fatores que interferem no resultado da aprendizagem 26 .

35

A formação de instrutores de nível técnico deve proporcionar ao aluno o desenvolvimento gradual das habilidades, um comportamento considerado ético, mostrar o quanto aprendeu e o quanto conseguiu desenvolver. Por ser dinâmica, a avaliação deve permitir e levar educador e educando à consciência do que foi produzido, em termos de conhecimentos, não podendo, assim, se prender a modelos estáticos que dificultem ou impeçam o aluno e o instrutor de perceberem os resultados e os sinais indicativos da aprendizagem.

A avaliação é um meio que leva o aluno a perceber seus acertos e erros, autoavaliar-se

e, então, dar continuidade à construção do seu saber e não um fim que o classifica para atestar que está apto para continuar o processo de aprendizado ou que deve ser excluído.

É função do instrutor reconhecer as diferenças existentes entre os instruendos, em

relação à capacidade de aprendizado, e esse reconhecimento permite ao instrutor ajudá-los a

superar as dificuldades de aprendizagem, pois para alguns, o aprendizado acontece mais rapidamente do que para outros e, ainda, que alguns têm maior capacidade de aplicar o que lhes é ensinado.

O papel do avaliador é de negociador, por meio de um processo de comunicação, que

define previamente os critérios, os objetivos, as estratégias de avaliação que será realizada. Nesse processo, o avaliador tem que envolver os diversos segmentos interessados no objeto que está sendo avaliado e no final precisa divulgar os resultados obtidos, além de disseminar os resultados para que os mesmos tenham efeito em toda a turma envolvida. Quando o docente abre um espaço para discutir com o estudante os objetivos da avaliação e mostra ao aluno como ele está se desenvolvendo por meio do processo avaliativo, torna-se mais fácil colocar em prática a avaliação que vai além da mensuração, pois visa sempre aprimorar a aprendizagem do avaliado e abrir possibilidades para novas descobertas. Segundo Haydt, a participação dos sujeitos envolvidos no ensino e na aprendizagem é imprescindível para manter a coerência e a coesão necessárias ao correto funcionamento do processo educativo. Sant’anna também acredita que 27 :

A avaliação só será eficiente e eficaz se ocorrer de forma interativa entre professores e alunos, ambos caminhando na mesma direção, em busca dos mesmos objetivos. O aluno não será um indivíduo passivo; e o professor, a autoridade que decide o que o aluno precisa e deve saber. O professor não irá apresentar verdades, mas com o aluno irá investigar, problematizar, descortinar e, pelos erros, as melhores alternativas para superá-los 32 .

36

Despertar e desenvolver a capacidade de percepção de comportamentos e, por conseguinte, de atributos, tem se constituído em um dos aspectos focados pelo DECEx, que busca a capacitação de recursos humanos, com o inestimável apoio do CEP. É exatamente essa atividade, impar no âmbito do Exército, que possibilitará uma melhor evolução no trato com a área afetiva, seja no ensino, seja no desempenho funcional. Demo também caminha por essa mesma percepção quando se ressalta a avaliação participativa e afirma que o avaliado precisa entender como se dá o processo avaliativo: em particular precisa estar esclarecido sobre os critérios de avaliação, qual o enfoque avaliativo que privilegia dimensões mais que outras, que pressupostos teóricos e práticas estão em jogo 33 .

A carência da especialização do instrutor em relação à avaliação da aprendizagem foi um ponto destacado na pesquisa, pois prejudica a prática dessa etapa da educação e acaba refletindo em outros níveis de ensino. Essa deficiência é uma oportunidade para aprofundamento teórico em estudos posteriores, tornando-se uma possibilidade para reflexão sobre o tema e em paralelo realizar uma avaliação dos componentes curriculares dos cursos de especialização de docentes referente ao tema abordado. Além disso, abrir espaços para discutir estratégias de envolver o educando nas decisões da prática pedagógica é uma oportunidade de aliar instrutor e aluno na busca para melhorar o processo ensino- aprendizagem; para isso é essencial perceber a avaliação como instrumento norteador e que vai auxiliar a caminhada na construção do conhecimento.

37

2. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS E RECOMENDAÇÕES

O estudo da área afetiva no sistema de ensino do Exército deve apresentar uma

sistematização com uma realimentação mais precisa e um processo de desenvolvimento e avaliação mais otimizados. O foco cai sobre a formação do indivíduo e não sobre a informação coletada para a instituição, o que também ocorre. A ocorrência de avaliação

lateral permite, além de outras dimensões de observação e inserção de dados, um maior envolvimento dos participantes no processo, já que, em algum momento, as duas identidades, a do avaliado e a do avaliador, são vivenciadas ativamente e conscientemente. Um aspecto fundamental é a sistematização da realimentação detalhada como etapa obrigatória do processo. Da mesma forma, o acompanhamento, com o necessário diálogo entre observador e observado, permite que ocorram orientações imediatas e contextualizadas de correção de procedimentos.

O domínio afetivo sempre recebeu especial atenção nos processos educacionais e de

adestramento militar no Exército Brasileiro. Em seus estabelecimentos, com metodologias diversificadas em cada época, a área afetiva tem sido explorada e considerada como fator relevante na formação do militar. Na rotina da tropa, por sua vez, a área afetiva é parte componente da gama de instruções a serem ministradas, como se verifica nos Programas- Padrão de instrução destinados à formação dos soldados das diversas especialidades. Foi apresentado um relato das atividades realizadas em escolas de formação relacionadas à equitação, que de maneira geral são caracterizadas pelo contato, trato e diferentes modalidades, das quais destaca-se o salto e a equitação militar. Paralelamente, mostramos que a equitação exige dos profissionais dedicação e compreensão do animal já que

este ser vivo é dotado de emoções, ações e sensações (dor, medo, calor, frio, gratidão, alegria, tristeza, memória, carinho, age com ação concreta, sensitivo, serenidade). Fica claro, então, que a equitação desenvolve diversos atributos da área afetiva necessários à formação militar.

O estudo revelou que a avaliação da aprendizagem precisa de uma atenção especial,

sobretudo porque os instruendos serão os futuros profissionais do Exército Brasileiro e provavelmente vão adotar práticas de avaliar condizentes com as vivenciadas no seu processo de formação. Refletir sobre o ato de avaliar é uma oportunidade de mudança de postura frente a uma

prática avaliativa que muitas vezes tem como principal objetivo medir o conhecimento dos alunos. Assim, entender essa etapa da educação como possibilidade de melhorar a didática na

38

instrução e como aliada do ensino-aprendizagem é essencial para transformar o cenário de uma avaliação que tem como finalidade fundamental, exclusivamente, aprovar ou reprovar. Entretanto, para colocar em prática uma avaliação que ultrapasse essa concepção, faz- se necessário esclarecer o sentido do processo avaliativo para que todos envolvidos na educação possam, também, adotar procedimentos na avaliação que realmente tenham a intenção de cuidar da aprendizagem do discente. Contudo, adotar uma prática avaliativa diferenciada é um grande desafio, pois não se trata de aplicar uma avaliação desestruturada, é preciso pensar em uma avaliação que cumpra um papel com responsabilidade e que tenha um compromisso com qualidade do ensino e formação. A medida é uma operação de descrição quantitativa da realidade. A avaliação, pelo menos em sua forma dominante de prática de notação, não equivale precisamente a atribuir números a coisas. Aí está a origem da ilusão: aparentemente, há identidade formal entre as operações de medida e de notação. E a idéia de que a avaliação é uma medida dos desempenhos dos alunos, como já vimos, está solidamente enraizada na mente dos instrutores e, frequentemente, na dos alunos. Uma medida é objetiva no sentido de que, uma vez definida a unidade, deve-se ter sempre a mesma medida do mesmo fenômeno. Certamente, um erro é sempre possível, devido às imperfeições da instrumentação, pois ele resulta então das condições de operacionalização dos instrumentos. Para o aluno, pode ser difícil distinguir os momentos de aprendizagem e os momentos de avaliação. Dessa forma, o erro é permitido no primeiro caso. Além das ambiguidades inerentes à apresentação dos problemas e à formulação das questões (o que toma necessário um grande esforço de explicitação e de simplificação por parte dos instrutores-avaliadores), o aluno frequentemente se equivoca sobre a própria intenção do instrutor. Ainda na busca dos objetivos propostos, foi apresentado de maneira sumária o embasamento teórico e institucional de emprego do MoDAAAF, como instrumento do processo de desenvolvimento e avaliação dos atributos da área afetiva. Cabe ainda, futuro estudo sobre os procedimentos de coleta, processamento e realimentação, possivelmente pautados em uma interação informatizada on-line, viabilizada pela tecnologia da informação. O emprego deste procedimento necessita, ainda, de contextualização e a definição da natureza dos resultados buscados.

39

3. CONCLUSÃO

O tema abordado por esta pesquisa é amplo e polêmico, como tudo que se refere ao

trato com o ser humano. Por este motivo, é necessário que as pesquisas a ele referidas sejam

amplas e diversificadas. A área afetiva nas escolas de formação manifesta-se pelo ciclo de observação,

avaliação e divulgação de resultados do processo de avaliação que o militar é semestralmente submetido. Concomitantemente, a rotina da vida militar lida com valores, os quais representam convicções básicas de que um comportamento é socialmente preferível. Nessa interação, os valores compatíveis com a cultura da instituição são essenciais às atividades militares e nelas estimulados, observados e avaliados 34 .

O desenvolvimento da área afetiva é uma atividade obrigatória em todas as escolas do

Exército Brasileiro. Apesar de sua sistematização ser recente, o desenvolvimento dos atributos da área afetiva sempre foi realizado na rotina das OM e estabelecimentos de ensino. Entretanto, cada escola de formação tem suas peculiaridades, em função da faixa etária dos discentes e da duração e natureza do curso.

Cabe ressaltar que este trabalho é uma extensão do trabalho realizado no ano de 2005 que hoje está em uso na EsSA e nos Centros de Preparação de Oficiais da Reserva. Foi considerado, então, que a atividade de equitação deveria ser inserida em todos os cursos das escolas, das quais somente os de Cavalaria realizavam esta atividade. A proposta apresentada foi de introduzir a disciplina de equitação no PLADIS de todos os cursos, posto que esta atividade desenvolve todos os atributos inerentes à formação de todos os alunos, de todas as armas 4 .

Com isso, podemos perceber que a avaliação tem uma grande complexidade, visto que está permeada de subjetividade do ser humano, e, que acaba interferindo no processo avaliativo e consequentemente nos resultados obtidos. Nesse sentido, propor uma reflexão da avaliação em suas diversas formas, etapas e modalidades são pertinentes. A avaliação da aprendizagem no período de formação também está dentro dessa realidade e, além disso, merece uma atenção, pois poucos autores se dedicaram estudá-la. A restrição dos estudos é muito maior quando se pensa em questionar a opinião do aluno sobre a avaliação da qual eles fazem parte, mesmo sabendo que o estudante é um dos atores principais da educação. Atuar como docente, independente da escola (AMAN e EsSA), exige compromisso com o aluno, com a instituição e com a sociedade; competência técnica e científica que

40

permita desenvolver as atividades, dentro de um rigor didático-pedagógico e científico; dedicação no desenvolvimento da atividade a que se propõe; e visão de futuro para formar profissionais com condições de servirem à Pátria. Não é intenção fazer apologia ao trabalho do instrutor, pois este não é o objetivo deste estudo, mas sim, reafirmar que a preocupação e a ocupação do docente com a avaliação são fatores fundamentais para o desenvolvimento do futuro militar de carreira. Enfim, este trabalho buscou mostrar as particularidades, perceptíveis mas nem sempre quantificadas, que cercam o desenvolvimento da área afetiva na formação militar das mais importantes Escolas do Exército, bem como oferecer sugestões para o aprimoramento do processo de avaliação, caracterizando a necessidade de um melhor aproveitamento das qualidades que o cavalo fornece ao homem. Espera-se que no futuro este estudo sirva como uma das referências à aplicação da equitação para o desenvolvimento da área afetiva em outras escolas e cursos do Exército Brasileiro.

41

REFERÊNCIAS

Objetivos

Educacionais. 5 ed. Porto Alegre: Globo, 1977. p. 56.

2. GOLEMAN, D. Inteligência Emocional. A Teoria Revolucionaria que Redefine o que é

Ser Inteligente. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. Passim.

3. NÉRICI, I. G. Educação e Ensino. 1 ed. São Paulo: Atlas, 1985. Passim.

4. WILEMBERG, L. S. Emprego do cavalo no desenvolvimento da área afetiva: a contribuição do cavalo e da equitação para o desenvolvimento da área afetiva na Escola de Sargentos das Armas. Rio de Janeiro, 2005. Passim. (Monografia apresentada à Escola de Equitação do Exército).

5. Ministério da Defesa. Comando do Exército. Departamento de Ensino e Pesquisa. Plano de

Disciplina (Unidade Didática de Equitação) da Escola de Sargentos das Armas/2006. Rio

de Janeiro, 2006. Passim.

6. Ministério da Defesa. Comando do Exército. Departamento de Ensino e Pesquisa. Plano de

Disciplina (Unidade Didática de Equitação 2º, 3º e 4º anos) da Academia Militar das Agulhas Negras/2006. Rio de Janeiro, 2006. Passim.

7. Ministério da Defesa. Comando do Exército. Departamento de Ensino e Pesquisa. Diretriz

do Chefe do Departamento de Ensino e Pesquisa/2008. Rio de Janeiro, 2008. Disponível em: < http://www.dep.ensino.eb.br/Diretriz%20do%20Chefe%20do%20DEP% 202008.pdf >.

Acesso em 14 ago. 2008.

8. Ministério da Defesa. Comando do Exército. Diretoria de Formação e Aperfeiçoamento.

Diretriz do Diretor de Formação e Aperfeiçoamento/2008. Rio de Janeiro, 2008. Disponível em: < http://www.dfa.ensino.eb.br/Docs/diretriz%20DFA%2020 08.pdf >.

Acesso em 14 ago. 2008.

9. GOLDBERG, M. A. A.; SOUSA C. P. de. A prática da avaliação. São Paulo: Cortez e

Moraes, 1979. Passim.

10. Ministério da Defesa. Comando do Exército. Diretoria de Formação e Aperfeiçoamento.

Normas para Planejamento e Conduta de Ensino 2008. Rio de Janeiro, 2008. Disponível

em: < http://www.dfa.ensino.eb.br/Docs/NPCE20008.pdf >. Acesso em 14 ago. 2008.

11. GARDNER, H. Inteligências múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: Artmed,

1.

BLOOM,

B.

S.

et

al.

Trad.

Flávia

Maria

Sant’Ana.

Taxionomia

de

1997. Passim.

12. PERRENOUD, P. Avaliação da excelência à regulação das aprendizagens entre duas

lógicas. Porto Alegre: ArtMed, 1999. p.11.

13. LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar. 7. ed. São Paulo: Cortez, 1998.

Passim.

14. PERRENOUD, P. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre: Artes

42

Rio de Janeiro: Campus,

1998. p. 13-49.

16. GOLEMAN, D. Inteligência Emocional. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999. Passim.

17. SKINNER, B. F. Tecnologia do Ensino. São Paulo: Herder, 1972. p. 13-16

18. PIAGET, J. Os pensadores: A epistemologia genética. 2 ed. São Paulo: Abril Cultural,

1972. p. 67.

19. Ministério da Defesa. Estado Maior do Exército. Manual Técnico T 21-250 – Manual do

15. MAYER, J.; SALOVEY, P. O que é inteligência emocional

Instrutor. 3. ed. Brasília: EGGCF, 1997. Cap. 3.

20.

SMYTHE, R. H. A Psique do Cavalo. 1 ed. São Paulo: Varela, 1990. p.15-27.

21.

ROBERTS, M. O Homem que Ouve Cavalos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002. p.

95.

22.

CANDIOTA, C. F. Programa de Equoterapia Aplicada à Educação: Modelo Teórico

Prático. I Congresso Brasileiro de Equoterapia, Coletânea de Trabalhos. 1999. Disponível

em: < http://www.horseplace.com.br/artigo4.htm>. Acesso em 21 abr. 2005.

23. WALTER, G. B. Centro de Produções Técnicas. Equoterapia - Terapia com Uso do

Cavalo (filme). Viçosa. 2000. 66 min. son. color.

24. Luckesi CC. Avaliação da aprendizagem escolar: verificação ou avaliação: o que

pratica a escola? 10 ed. São Paulo: Cortez, 2000. p. 85-101.

25. Libâneo JC. A avaliação escolar. São Paulo: Cortez, 1994. p. 195-220.

26. Luckesi CC. Avaliação do aluno: a favor ou contra a democratização do ensino? 10

ed. São Paulo: Cortez, 2000. p. 60-84.

27. Haydt RC. Avaliação do processo ensino-aprendizagem. 6 ed. São Paulo: Ática, 1997.

p. 147-56.

28. Silva CS. Medidas e avaliação em educação. Petrópolis: Vozes, 1991. Passim.

29. Sousa CP. Estudo sobre o significado da avaliação do rendimento escolar. São Paulo:

Faculdade de Educação da PUC, 1990. Passim.

30. Depresbiteris L. O desafio da avaliação da aprendizagem: dos fundamentos a uma

proposta inovadora. São Paulo: EPU, 1989. Passim.

31. MoDAAAF. Módulo de Desenvolvimento dos Atributos da Área afetiva. Disponível

em <http://www.esao.ensino.eb.br/paginas/secoes/psico/index.php>. Acesso em 25/04/2009.

32. SANT’ANNA, Ilza Martins. Por que avaliar? Como avaliar? Critérios e instrumentos.

Petrópolis: Vozes, 1995. p. 27.

33. DEMO, Pedro. Ser professor é cuidar que o aluno aprenda. Porto Alegre: Mediação,

ANEXO A

A-1

Portaria nº 012, de 12 de maio de 1998

Aprova a Conceituação dos Atributos da Área Afetiva, para uso pelos Órgãos estabelecimentos de Ensino subordinados, coordenados ou vinculados técnico- pedagogicamente a este Departamento.

O CHEFE DO DEPARTAMENTO DE ENSINO E PESQUISA, no uso das

atribuições que lhe confere o Decreto nº 82.724, de 23 de novembro de 1978, RESOLVE:

Art 1º. Aprovar a CONCEITUAÇÃO DOS ATRIBUTOS DA ÁREA AFETIVA para

uso pelos Órgãos e Estabelecimentos de Ensino subordinados, coordenados ou vinculados

técnico-pedagogicamente a este Departamento.

Art 2º. Determinar que esta Portaria entre em vigor na data de sua publicação,

revogadas as Portarias nº 35/DEP, de 20 de novembro de 1996 e nº 15/DEP, de 24 de abril de

1997.

CONCEITUAÇÃO DOS ATRIBUTOS DA ÁREA AFETIVA

1. FINALIDADE

Padronizar a linguagem técnica utilizada na área afetiva em todos os Estabelecimentos

de Ensino subordinados, coordenados ou vinculados técnico-pedagogicamente ao DEP, em

especial os atributos que poderão vir a ser selecionados, desenvolvidos, avaliados, ou citados,

dependendo do propósito do usuário.

2. OBJETIVO

Unificar em um documento as várias definições referentes aos atributos, valores e

requisitos da área afetiva, possibilitando a sua correta utilização.

A-2

A constatação da existência de diversos documentos em uso no âmbito do DEP, com diferentes definições para os atributos, valores e requisitos da área afetiva, indicou a necessidade de elaboração de um único deles que padronizasse a linguagem e os conceitos.

4. ATRIBUTOS, VALORES E REQUISITOS DA ÁREA AFETIVA

a. Os seguintes valores devem ter sido desenvolvidos no indivíduo desde a infância e

reforçados ao longo da vida militar. Devem servir, também, para uma ação imediata do docente que identifique sua ausência, visando as providências que possibilitem o afastamento do instruendo, pelos meios regulamentares, disciplinares e / ou judiciais, em especial na formação do militar de carreira.

HONESTIDADE - conduta que se caracteriza pelo respeito ao direito alheio, especialmente no que se refere à fraude e à mentira. INTEGRIDADE - conduta orientada pelos valores morais e éticos próprios, da instituição e da sociedade em que vive. LEALDADE - atitude de fidelidade a pessoas, grupos e instituições, em função dos ideais e valores que defendem e representam.

b. Apresenta-se a seguir os requisitos básicos essenciais que devem ser desenvolvidos

e aprimorados em todos os militares da Força Terrestre, particularmente os que se destinam à profissão das armas. São qualidades que envolvem, cada uma, comportamentos, atitudes e valores, que devem dar o embasamento e a direção para o desenvolvimento, aprimoramento e avaliação dos atributos da área afetiva.

AUTO-APERFEIÇOAMENTO (atitude para aprendizagem) - disposição ativa para mobilizar seus recursos internos, visando aprimorar e atualizar seus conhecimentos. CIVISMO - capacidade de fazer valer os direitos e cumprir com os deveres de cidadão. ESPÍRITO DE CORPO - sentimento de identificação com os valores e tradições da organização e/ou do grupo, gerando interações positivas de apoio mútuo, que se prolongam no tempo. IDEALISMO - representação dos sentimentos mais nobre em uma linha de conduta voltada para as causas em que acredita e para os princípios que adota. PATRIOTISMO - atitude de amor à pátria e respeito aos símbolos e às instituições nacionais.

A-3

c. Complementarmente aos valores e requisitos já mencionados, os atributos a seguir referem-se àqueles identificados como os mais representativos para o desenvolvimento, aprimoramento e avaliação, em particular nos militares de carreira. ABNEGAÇÃO - capacidade de renunciar aos interesses pessoais em favor da instituição, grupos e / ou pessoas. ADAPTABILIDADE - capacidade de se ajustar apropriadamente às mudanças de situações. APRESENTAÇÃO - capacidade de demonstrar atitudes e porte condizentes com os padrões militares. AUTOCONFIANÇA - capacidade de demonstrar segurança e convicção em suas atitudes, nas diferentes circunstâncias. AUTOCRÍTICA - capacidade de avaliar as próprias potencialidades e limitações frente à idéias, sentimentos e / ou ações. CAMARADAGEM - capacidade de estabelecer relações amistosas com superiores, pares e subordinados. CIVILIDADE - capacidade de agir de acordo com as normas que regem as relações interpessoais . COERÊNCIA - capacidade de agir em conformidade com as próprias idéias e valores, em qualquer situação. COMBATIVIDADE - capacidade de lutar, sem esmorecer, pelas idéias e causas em que acredita ou por aquelas sob sua responsabilidade. COMPETITIVIDADE - capacidade de disputar, simultaneamente, com outrem, visando um objetivo. COMUNICABILIDADE - capacidade de relacionar-se com outros por meio de idéias e ações. COOPERAÇÃO - capacidade de contribuir espontaneamente para o trabalho de alguém e/ou de uma equipe. CORAGEM - capacidade para agir de forma firme e destemida, diante de situações difíceis e perigosas, seguindo as normas de segurança. CRIATIVIDADE - capacidade de produzir novos dados, idéias e/ou realizar combinações originais, na busca de uma solução eficiente e eficaz. DECISÃO - capacidade de optar pela alternativa mais adequada, em tempo útil e com convicção. DEDICAÇÃO - capacidade de realizar, espontaneamente, atividades com empenho e entusiasmo.

A-4

DINAMISMO - capacidade de atuar ativamente com intenção determinada. DIREÇÃO - capacidade de conduzir e coordenar grupos e/ou pessoas, na consecução de determinado objetivo. DISCIPLINA - capacidade de proceder conforme normas, leis e regulamentos que regem a instituição. DISCIPLINA INTELECTUAL - capacidade de adotar e defender a decisão superior e/ou do grupo mesmo tendo opinado em contrário. DISCRIÇÃO - capacidade de manter reserva sobre fatos de seu conhecimento que não devam ser divulgados. EQUILÍBRIO EMOCIONAL - capacidade de controlar as próprias reações para continuar a agir, apropriadamente, nas diferentes situações. FLEXIBILIDADE - capacidade de reformular planejamentos e comportamentos, com prontidão, diante de novas exigências. IMPARCIALIDADE - capacidade de julgar, com isenção, sem se envolver emocionalmente. INICIATIVA - capacidade para agir, de forma adequada e oportuna, sem depender de ordem ou decisão superior. LIDERANÇA - capacidade de dirigir, orientar e propiciar modificações nas atitudes dos membros de um grupo, visando atingir os propósitos da instituição. METICULOSIDADE - capacidade de agir atendo-se a detalhes significativos. OBJETIVIDADE - capacidade de destacar o fundamental do supérfluo para a realização de uma tarefa ou solução de um problema. ORGANIZAÇÃO - capacidade de desenvolver atividades de forma sistemática e eficiente. PERSISTÊNCIA - capacidade de manter-se em ação continuadamente, a fim de executar uma tarefa vencendo as dificuldades encontradas. PERSPICÁCIA - capacidade de perceber, pronta e integralmente, os detalhes de uma situação ou problema, seus significados práticos e implicações. PERSUASÃO - capacidade de convencer pessoas a adotarem idéias ou atitudes que sugere. PREVISÃO - capacidade de antecipar-se a fatos e situações, antevendo alternativas viáveis, de modo a evitar e/ou eliminar possíveis falhas na execução de uma tarefa. RESPONSABILIDADE - capacidade de cumprir suas atribuições assumindo e enfrentando as conseqüências de suas atitudes e decisões. RESISTÊNCIA - capacidade de suportar, pelo maior tempo possível, a fadiga resultante de esforços físicos e/ou mentais, mantendo a eficiência.

A-5

RUSTICIDADE - capacidade de adaptar-se a situações de restrição e/ou privação, mantendo a eficiência. SENSIBILIDADE - capacidade de perceber e compreender o ambiente, as características e sentimentos de pessoas e/ou grupos, buscando atender aos seus interesses e necessidades. SOBRIEDADE - capacidade de agir com austeridade em relação a hábitos, costumes e procedimentos na vida particular e profissional. SOCIABILIDADE - capacidade de estabelecer interação com as pessoas propiciando um ambiente cordial. TATO - capacidade de lidar com as pessoas sem ferir suscetibilidades. TOLERÂNCIA - capacidade de respeitar e conviver com idéias, atitudes e comportamentos diferentes dos seus. ZELO - capacidade de cuidar dos bens móveis e imóveis que estão ou não sob sua responsabilidade.

ANEXO B

A-6

Extrato do PLADIS da disciplina ORGANIZAÇÃO, PREPARO E EMPREGO DA FORÇA TERRESTRE do 2º ano da AMAN

ANEXO B A-6 Extrato do PLADIS da disciplina ORGANIZAÇÃO, PREPARO E EMPREGO DA FORÇA TERRESTRE do

A-7

A-7

A-8

A-8

A-9

Extrato do PLADIS da disciplina TÉCNICAS MILITARES do 3º ano do Curso de Cavalaria da AMAN

A-9 Extrato do PLADIS da disciplina TÉCNICAS MILITARES do 3º ano do Curso de Cavalaria da

A-10

A-10

A-11

A-11

A-12

A-12

A-13

A-13

A-14

Extrato do PLADIS da disciplina TÉCNICAS MILITARES do 4º ano do Curso de Cavalaria da AMAN

A-14 Extrato do PLADIS da disciplina TÉCNICAS MILITARES do 4º ano do Curso de Cavalaria da

A-15

A-15

A-16

A-16

A-17

A-17

ANEXO C

A-18

Extrato do PLADIS da disciplina ORGANIZAÇÃO E EMPREGO DA CAVALARIA, PERÍODO DE QUALIFICAÇÃO da EsSA

ANEXO C A-18 Extrato do PLADIS da disciplina ORGANIZAÇÃO E EMPREGO DA CAVALARIA, PERÍODO DE QUALIFICAÇÃO

A-19

A-19

A-20

Extrato do PLADIS da disciplina INSTRUÇÃO GERAL II, PERÍODO DE QUALIFICAÇÃO da EsSA

A-20 Extrato do PLADIS da disciplina INSTRUÇÃO GERAL II, PERÍODO DE QUALIFICAÇÃO da EsSA

A-21

A-21

ANEXO D

A-22

ANÁLISE DOS RESULTADOS

SALTO

GRUPO

ATRIBUTO

%

DESVIO

PADRÃO

 

CORAGEM AUTOCONFIANÇA COMPETITIVIDADE DECISÃO PERSISTÊNCIA EQUILÍBRIO EMOCIONAL INICIATIVA FLEXIBILIDADE DEDICAÇÃO ADAPTABILIDADE

99,13%

0,72%

98,55%

0,31%

98,55%

0,44%

96,52%

1,21%

94,78%

2,21%

1º Quartil

92,17%

1,55%

91,88%

2,82%

91,59%

1,32%

91,30%

3,79%

89,86%

2,84%

87.51%

 

AUTOCRÍTICA

86,96%

0,55%

COMBATIVIDADE

84,64%

0,56%

DINAMISMO

83,77%

3,31%

ZELO

80,87%

5,94%

2º Quartil

OBJETIVIDADE

80,00%

3,79%

METICULOSIDADE

79,42%

0,50%

 

PERSPICÁCIA

79,13%

3,36%

SENSIBILIDADE

78,55%

4,15%

DISCIPLINA

77,39%

1,21%

RESISTÊNCIA

77,10%

3,78%

PREVISÃO

76,81%

4,57%

MÉDIA = 75,89%

 

SOCIABILIDADE CRIATIVIDADE ORGANIZAÇÃO LIDERANÇA RESPONSABILIDADE RUSTICIDADE APRESENTAÇÃO COOPERAÇÃO COMUNICABILIDADE DIREÇÃO TOLERÂNCIA CAMARADAGEM CIVILIDADE COERÊNCIA DISCIPLINA INTELECTUAL SOBRIEDADE TATO

74,20%

3,87%

73,91%

3,83%

72,75%

1,47%

72,46%

0,73%

71,59%

3,93%

71,30%

4,81%

69,86%

1,83%

69,28%

4,11%

68,41%

3,37%

3º Quartil

68,12%

2,89%

67,83%

1,67%

67,25%

4,90%

66,09%

3,47%

64,35%

0,86%

63,48%

4,09%

59,71%

5,64%

59,71%

2,63%

ABNEGAÇÃO

59,42%

2,85%

EMOCIONAL

FLEXIBILIDADE

COMPETITIVIDADE

PERSISTÊNCIA

DEDICAÇÃO

DECISÃO

ADAPTABILIDADE

INICIATIVA

AUTOCONFIANÇA

EM

CORAG

EQUILÍBRIO

A-23

DESVIO GRUPO ATRIBUTO % PADRÃO 56.21% PERSUASÃO 54,20% 2,44% 4º Quartil IMPARCIALIDADE 48,12% 5,14%
DESVIO
GRUPO
ATRIBUTO
%
PADRÃO
56.21%
PERSUASÃO
54,20%
2,44%
4º Quartil
IMPARCIALIDADE
48,12%
5,14%
DISCRIÇÃO
36,52%
2,63%
TABELA 34: análise dos resultados do salto. Fonte: Confecção do autor.
100,00%
99,13%98,55% 98,55%
96,52%
ATRIBUTOS DO 1º QUARTIL
94,78%
92,17% 91,88% 91,59% 91,30% 89,86%
90,00%
80,00%
GRÁFICO 5: percentuais dos resultados do salto no 1º quartil. Fonte: Confecção do autor. 90,00%
GRÁFICO 5: percentuais dos resultados do salto no 1º quartil. Fonte: Confecção do autor.
90,00%
86,96%
ATRIBUTOS DO 2º QUARTIL
84,64% 83,77%
80,00%
80,87% 80,00% 79,42% 79,13% 78,55% 77,39% 77,10% 76,81%
70,00%
AUTOCRÍTICA
COMBATIVIDADE
DINAMISMO
ZELO
OBJETIVIDADE
METICULOSIDADE
PERSPICÁCIA
SENSIBILIDADE
DISCIPLINA
RESISTÊNCIA
PREVISÃO

INTELECTUAL

RESPONSABILIDADE

AP COMUNICABILIDADE

CIVILIDADE

SOBRIEDADE

CRIATIVIDADE

SOCIABILIDADE

COERÊNCIA

RUSTICIDADE

RES COOPERAÇÃO

LIDERANÇA

TOLERÂNCIA

DIREÇÃO

ORGANIZAÇÃO

ABNEGAÇÃO

ENTAÇÃO

CAMARADAGEM

TATO

DISCIPLINA

A-24

GRÁFICO 6: percentuais dos resultados do salto no 2º quartil. Fonte: Confecção do autor. 80,00%
GRÁFICO 6: percentuais dos resultados do salto no 2º quartil. Fonte: Confecção do autor.
80,00%
ATRIBUTOS DO 3º QUARTIL
70,00%
60,00%
50,00%
74,20%
73,91%
72,75%
72,46%
71,59%
71,30%
69,86%
69,28%
68,41%
68,12%
67,83%
67,25%
66,09%
64,35%
63,48%
59,71%
59,71%
59,42%
GRÁFICO 7: percentuais dos resultados do salto no 3º quartil. Fonte: Confecção do autor. 60,00%
GRÁFICO 7: percentuais dos resultados do salto no 3º quartil. Fonte: Confecção do autor.
60,00%
ATRIBUTOS DO 4º QUARTIL
54,20%
55,00%
50,00%
48,12%
45,00%
40,00%
36,52%
35,00%
30,00%
PERSUASÃO
IMPARCIALIDADE
DISCRIÇÃO

GRÁFICO 8: percentuais dos resultados do salto no 4º quartil. Fonte: Confecção do autor.

A-25

EQUITAÇÃO MILITAR

 

DESVIO

GRUPO

ATRIBUTO

%

PADRÃO

 

CORAGEM AUTOCONFIANÇA INICIATIVA PERSISTÊNCIA EQUILÍBRIO EMOCIONAL DECISÃO FLEXIBILIDADE ADAPTABILIDADE

96,81%

2,31%

94,20%

3,65%

94,20%

2,42%

93,62%

2,36%

1º Quartil

93,04%

0,08%

91,88%

3,71%

90,72%

0,38%

90,14%

0,22%

DEDICAÇÃO

89,28%

1,28%

88.77%

 

COOPERAÇÃO

88,12%

2,86%

RESISTÊNCIA

88,12%

2,76%

DINAMISMO

87,25%

3,20%

CAMARADAGEM

86,67%

2,71%

COMBATIVIDADE

86,67%

6,47%

2º Quartil

LIDERANÇA

86,67%

5,37%

RUSTICIDADE

85,22%

4,10%

 

DISCIPLINA

84,64%

4,14%

RESPONSABILIDADE

84,64%

1,90%

ZELO

84,06%

5,86%

AUTOCRÍTICA

82,61%

0,58%

OBJETIVIDADE

82,61%

5,33%

MÉDIA = 80,72%

 

CRIATIVIDADE ORGANIZAÇÃO PREVISÃO SENSIBILIDADE APRESENTAÇÃO PERSPICÁCIA DIREÇÃO COMUNICABILIDADE COMPETITIVIDADE METICULOSIDADE ABNEGAÇÃO TOLERÂNCIA DISCIPLINA INTELECTUAL SOCIABILIDADE CIVILIDADE TATO PERSUASÃO SOBRIEDADE COERÊNCIA

80,29%

2,90%

80,29%

3,00%

80,00%

1,64%

80,00%

3,08%

79,71%

6,59%

79,71%

5,20%

78,84%

3,24%

76,81%

3,93%

76,52%

6,62%

3º Quartil

76,23%

2,63%

75,94%

3,35%

75,94%

4,24%

75,36%

2,05%

74,49%

4,44%

71,30%

3,39%

68,99%

4,52%

68,12%

3,02%

66,38%

2,17%

64,06%

3,13%

ADAPTABILIDADE

FLEXIBILIDADE

EMOCIONAL

PERSISTÊNCIA

INICIATIVA

DEDICAÇÃO

CORAGEM

DECISÃO

AUTOCONFIANÇA

EQUILÍBRIO

RESPONSABILIDADE

OBJETIVIDADE

RESISTÊNCIA

COMBATIVIDADE

RUSTICIDADE

COOPERAÇÃO

LIDERANÇA

DISCIPLINA AUTOCRÍTICA

ZELO

DINAMISMO

CAMARADAGEM

A-26

DESVIO GRUPO ATRIBUTO % PADRÃO 63.84% IMPARCIALIDADE 53,33% 5,26% 4º Quartil DISCRIÇÃO 46,96% 4,37%
DESVIO
GRUPO
ATRIBUTO
%
PADRÃO
63.84%
IMPARCIALIDADE
53,33%
5,26%
4º Quartil
DISCRIÇÃO
46,96%
4,37%
TABELA 35: análise dos resultados da equitação militar. Fonte: Confecção do autor.
100,00%
96,81%
ATRIBUTOS DO 1º QUARTIL
94,20% 94,20% 93,62% 93,04% 91,88% 90,72% 90,14% 89,28%
90,00%
80,00%

GRÁFICO 9: percentuais dos resultados da equitação militar no 1º quartil.

Fonte: Confecção do autor. 90,00% ATRIBUTOS DO 2º QUARTIL 85,00% 80,00% 88,12% 88,12% 87,25% 86,67%
Fonte: Confecção do autor.
90,00%
ATRIBUTOS DO 2º QUARTIL
85,00%
80,00%
88,12%
88,12%
87,25%
86,67%
86,67%
86,67%
85,22%
84,64%
84,64%
84,06%
82,61%
82,61%

GRÁFICO 10: percentuais dos resultados da equitação militar no 2º quartil.

Fonte: Confecção do autor.

INTELECTUAL

SENSIBILIDADE

COMUNICABILIDADE

METICULOSIDADE

COMPETITIVIDADE

SOBRIEDADE

CIVILIDADE

CRIATIVIDADE

PREVISÃO

COERÊNCIA

SOCIABILIDADE

TOLERÂNCIA

PERSPICÁCIA

PERSUASÃO

ABNEGAÇÃO

DIREÇÃO

ORGANIZAÇÃO

APRESENTAÇÃO

TATO

DISCIPLINA

85,00%

80,00%

75,00%

70,00%

65,00%

60,00%

A-27

ATRIBUTOS DO 3º QUARTIL

80,29% 80,29% 80,00% 80,00% 79,71% 79,71% 78,84% 76,81% 76,52% 76,23% 75,94% 75,94% 75,36% 74,49% 71,30%
80,29%
80,29%
80,00%
80,00%
79,71%
79,71%
78,84%
76,81%
76,52%
76,23%
75,94%
75,94%
75,36%
74,49%
71,30%
68,99%
68,12%
66,38%
64,06%

GRÁFICO 11: percentuais dos resultados da equitação militar no 3º quartil.

Fonte: Confecção do autor.

55,00% ATRIBUTOS DO 4º QUARTIL 53,33% 50,00% 46,96% 45,00%
55,00%
ATRIBUTOS DO 4º QUARTIL
53,33%
50,00%
46,96%
45,00%

IMPARCIALIDADE

DISCRIÇÃO

GRÁFICO 12: percentuais dos resultados da equitação militar no 4º quartil.

Fonte: Confecção do autor.

ANEXO E

A-28

EXTRATO DO PERFIL PROFISSIOGRÁFICO DOS CURSOS DA EsSA

PERFIL PROFISSIOGRÁFICO DO CONCLUDENTE DO CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTOS DE INFANTARIA

1. CARGOS E FUNÇÕES PARA OS QUAIS O CURSO HABILITA

a. O concludente do Curso de Formação de Sargentos de Infantaria está habilitado a ocupar cargos e exercer funções próprios de 3° Sargento comandante ou integrante de frações elementares orgânicas do Batalhão de Infantaria Motorizado. b. O Sargento assim habilitado terá suficiente base para, após a conclusão do curso de formação, complementar sua habilitação por meio do auto-aperfeiçoamento, cursos e estágios de instrução que o capacitem aos cargos e funções de sargento não aperfeiçoado, nos demais tipos de Unidades da arma de Infantaria.

2. REQUISITOS PESSOAIS PARA O DESEMPENHO FUNCIONAL

a. Requisitos comuns O concludente do Curso de Formação de Sargentos está apto a desempenhar suas atividades com criatividade, equilíbrio emocional, competência e segurança. Evidencia conhecimento profissional, proficiência, destreza manual e habilidade no manuseio e na utilização de armamentos, equipamentos e viaturas de uso comum, bem como conhecimento de regulamentos básicos, diretrizes, normas e instruções essenciais para o cumprimento de sua missão. É hígido e exibe vigor físico e resistência, compatíveis com as exigências de seu desempenho funcional. Evidencia responsabilidade, que se manifesta, entre outros aspectos, pela disciplina, pela disciplina intelectual, pelo trabalho meticuloso, pela previsão das conseqüências de suas ações, pelo zelo e pela apresentação. Possui condições para liderar seus subordinados, demonstrando iniciativa, direção, objetividade, adaptabilidade, persuasão, competência técnica, combatividade e flexibilidade. Identifica-se com os valores centrais e as tradições do Exército, com o qual mantém acentuado vínculo pelo conhecimento e pelo culto aos grandes vultos militares, em particular os de sua Arma, Quadro ou Serviço. Reflete acentuado espírito de corpo na capacidade de cooperação, lealdade, persistência e dedicação.

A-29

Demonstra competência interpessoal junto aos públicos interno e externo, por meio de um

estilo de relacionamento marcado pela discrição, comunicabilidade, tato, tolerância, sensibilidade, autocrítica e autoconfiança.

O concludente do curso tem consciência de que sua formação profissional não está completa.

Inserido num mundo em constantes transformações, preocupa-se com o auto-aperfeiçoamento. Para

tanto, procura ampliar a cultura geral e profissional, aprimorar a capacidade de expressão oral e escrita

e aperfeiçoar-se na utilização dos recursos de informática.

b. Requisitos específicos

O concludente do Curso de Formação de Sargentos de Infantaria evidencia conhecimento

profissional, proficiência, destreza manual e habilidade no manuseio e na utilização de armamento, equipamentos e viaturas previstos para o BI Mtz. Destaca-se por acentuada rusticidade, sendo capaz de adaptar-se a situações de restrição e privação, sem perda de eficiência. Apresenta capacidade para agir de forma firme e destemida, diante de situações difíceis e

perigosas, seguindo normas de segurança.

Demonstra dinamismo, abnegação, perseverança, dedicação e cooperação.

É capaz de discernir, distinguir, avaliar e determinar, com precisão, aspectos táticos e técnicos

para o cumprimento da missão de sua fração.

A aptidão espacial e o raciocínio lógico são aspectos de sua inteligência, preponderantes para

o exercício funcional. Está apto a ser empregado em situações que exijam rapidez de decisão, exercício da liderança

e julgamento equilibrado de riscos e necessidades. Para tanto, demonstra capacidade de direção, coragem e equilíbrio emocional.

É capaz de perceber e compreender o ambiente, as características e o sentimento de seus

subordinados, buscando orientá-los e atender a seus interesses e necessidades.

A-30

PERFIL PROFISSIOGRÁFICO DO CONCLUDENTE DO CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTOS DE CAVALARIA

1. CARGOS E FUNÇÕES PARA OS QUAIS O CURSO HABILITA

a. O concludente do Curso de Formação de Sargentos de Cavalaria está habilitado a ocupar cargos e exercer funções próprios de 3° Sargento comandante ou integrante de frações elementares orgânicas do Regimento de Cavalaria Mecanizado. b. O Sargento assim habilitado terá suficiente base para, após a conclusão do curso de formação, complementar sua habilitação por meio do auto-aperfeiçoamento, cursos e estágios de instrução que o capacitem aos cargos e funções de sargento não aperfeiçoado, nos demais tipos de Unidades da arma de Cavalaria.

2. REQUISITOS PESSOAIS PARA O DESEMPENHO FUNCIONAL

a. Requisitos comuns

O concludente do Curso de Formação de Sargentos está apto a desempenhar suas atividades com criatividade, equilíbrio emocional, competência e segurança. Evidencia conhecimento profissional, proficiência, destreza manual e habilidade no manuseio e na utilização de armamentos, equipamentos e viaturas de uso comum, bem como conhecimento de regulamentos básicos, diretrizes, normas e instruções essenciais para o cumprimento de sua missão. É hígido e exibe vigor físico e resistência, compatíveis com as exigências de seu desempenho funcional. Evidencia responsabilidade, que se manifesta, entre outros aspectos, pela disciplina, pela disciplina intelectual, pelo trabalho meticuloso, pela previsão das conseqüências de suas ações, pelo zelo e pela apresentação. Possui condições para liderar seus subordinados, demonstrando iniciativa, direção, objetividade, adaptabilidade, persuasão, competência técnica, combatividade e flexibilidade. Identifica-se com os valores centrais e as tradições do Exército, com o qual mantém acentuado vínculo pelo conhecimento e pelo culto aos grandes vultos militares, em particular os de sua Arma, Quadro ou Serviço. Reflete acentuado espírito de corpo na capacidade de cooperação, lealdade, persistência e dedicação. Demonstra competência interpessoal junto aos públicos interno e externo, por meio de um estilo de relacionamento marcado pela discrição, comunicabilidade, tato, tolerância, sensibilidade, autocrítica e autoconfiança.

A-31

O concludente do curso tem consciência de que sua formação profissional não está completa.

Inserido num mundo em constantes transformações, preocupa-se com o auto-aperfeiçoamento. Para tanto, procura ampliar a cultura geral e profissional, aprimorar a capacidade de expressão oral e escrita e aperfeiçoar-se na utilização dos recursos de informática.

b. Requisitos específicos

O concludente do Curso de Formação de Sargentos de Cavalaria evidencia conhecimento

profissional, proficiência, destreza manual e habilidade no manuseio e na utilização de armamento,

equipamentos e viaturas previstos para o RC Mec. Apresenta acentuada atenção, comunicação, abnegação e liderança na condução de seus subordinados, contribuindo para a consecução do espírito de corpo.

Possui capacidade para agir de forma firme e destemida, diante de situações difíceis e perigosas, seguindo as normas de segurança.

O método, a percepção de detalhes e o raciocínio lógico, aliados à cooperação, à dedicação e à

versatilidade, são aspectos preponderantes para o exercício funcional. Está apto a entender e a empregar novos conhecimentos decorrentes do acentuado avanço

tecnológico, demonstrando adaptabilidade, facilidade em cálculos numéricos e conhecimentos de informática.

É capaz de perceber e compreender o ambiente, as características e o sentimento de seus

subordinados, buscando orientá-los e atender a seus interesses e necessidades.

A-32

PERFIL PROFISSIOGRÁFICO DO CONCLUDENTE DO CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTOS DE ARTILHARIA

1. CARGOS E FUNÇÕES PARA OS QUAIS O CURSO HABILITA

a. O concludente do Curso de Formação de Sargentos de Artilharia está habilitado a ocupar cargos e exercer funções próprios de 3° Sargento comandante ou integrante de frações elementares orgânicas do Grupo de Artilharia de Campanha. b. O Sargento assim habilitado terá suficiente base para, após a conclusão do curso de formação, complementar sua habilitação por meio do auto-aperfeiçoamento, cursos e estágios de instrução que o capacitem aos cargos e funções de sargento não aperfeiçoado, nos demais tipos de Unidades da arma de Artilharia.

2. REQUISITOS PESSOAIS PARA O DESEMPENHO FUNCIONAL

a. Requisitos comuns

O concludente do Curso de Formação de Sargentos está apto a desempenhar suas atividades com criatividade, equilíbrio emocional, competência e segurança. Evidencia conhecimento profissional, proficiência, destreza manual e habilidade no manuseio e na utilização de armamentos, equipamentos e viaturas de uso comum, bem como conhecimento de regulamentos básicos, diretrizes, normas e instruções essenciais para o cumprimento de sua missão. É hígido e exibe vigor físico e resistência, compatíveis com as exigências de seu desempenho funcional. Evidencia responsabilidade, que se manifesta, entre outros aspectos, pela disciplina, pela disciplina intelectual, pelo trabalho meticuloso, pela previsão das conseqüências de suas ações, pelo zelo e pela apresentação. Possui condições para liderar seus subordinados, demonstrando iniciativa, direção, objetividade, adaptabilidade, persuasão, competência técnica, combatividade e flexibilidade. Identifica-se com os valores centrais e as tradições do Exército, com o qual mantém acentuado vínculo pelo conhecimento e pelo culto aos grandes vultos militares, em particular os de sua Arma, Quadro ou Serviço. Reflete acentuado espírito de corpo na capacidade de cooperação, lealdade, persistência e dedicação. Demonstra competência interpessoal junto aos públicos interno e externo, por meio de um estilo de relacionamento marcado pela discrição, comunicabilidade, tato, tolerância, sensibilidade, autocrítica e autoconfiança.

A-33

O concludente do curso tem consciência de que sua formação profissional não está completa.

Inserido num mundo em constantes transformações, preocupa-se com o auto-aperfeiçoamento. Para tanto, procura ampliar a cultura geral e profissional, aprimorar a capacidade de expressão oral e escrita e aperfeiçoar-se na utilização dos recursos de informática.

b. Requisitos específicos

O concludente do Curso de Formação de Sargentos de Artilharia evidencia, no desempenho

das atividades específicas da Artilharia, proficiência, destreza manual e habilidade no manuseio e na

utilização de armamento, equipamentos e viaturas de uso próprio do GAC, bem como conhecimento de regulamentos e normas básicos para a consecução de padrões de competência e segurança. Destaca-se por acentuada meticulosidade, tornando-se capaz de agir e adaptar-se, atendo-se a detalhes significativos. Está apto a ser empregado em situações que exijam rapidez de decisão, liderança e julgamento equilibrado. Demonstra capacidade para agir de forma destemida, com precisão em situações difíceis e perigosas. É capaz de perceber e compreender o ambiente, as características e o sentimento dos seus subordinados, buscando orientá-los e atender seus interesses e necessidades. Demonstra abnegação, cooperação, iniciativa e responsabilidade no desempenho funcional. Manifesta atenção concentrada e raciocínio lógico, necessários à prevenção de atitudes errôneas e acidentes.

A-34

PERFIL PROFISSIOGRÁFICO DO CONCLUDENTE DO CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTOS DE ENGENHARIA

1. CARGOS E FUNÇÕES PARA OS QUAIS O CURSO HABILITA

a. O concludente do Curso de Formação de Sargentos de Engenharia está habilitado a ocupar cargos e exercer funções próprios de 3° Sargento comandante ou integrante de frações elementares orgânicas do Batalhão de Engenharia de Combate. b. O Sargento assim habilitado terá suficiente base para, após a conclusão do curso de formação, complementar sua habilitação por meio do auto-aperfeiçoamento, cursos e estágios de instrução que o capacitem aos cargos e funções de sargento não aperfeiçoado, nos demais tipos de Unidades da arma de Engenharia.

2. REQUISITOS PESSOAIS PARA O DESEMPENHO FUNCIONAL

a. Requisitos comuns

O concludente do Curso de Formação de Sargentos está apto a desempenhar suas atividades com criatividade, equilíbrio emocional, competência e segurança. Evidencia conhecimento profissional, proficiência, destreza manual e habilidade no manuseio e na utilização de armamentos, equipamentos e viaturas de uso comum, bem como conhecimento de regulamentos básicos, diretrizes, normas e instruções essenciais para o cumprimento de sua missão. É hígido e exibe vigor físico e resistência, compatíveis com as exigências de seu desempenho funcional. Evidencia responsabilidade, que se manifesta, entre outros aspectos, pela disciplina, pela disciplina intelectual, pelo trabalho meticuloso, pela previsão das conseqüências de suas ações, pelo zelo e pela apresentação. Possui condições para liderar seus subordinados, demonstrando iniciativa, direção, objetividade, adaptabilidade, persuasão, competência técnica, combatividade e flexibilidade. Identifica-se com os valores centrais e as tradições do Exército, com o qual mantém acentuado vínculo pelo conhecimento e pelo culto aos grandes vultos militares, em particular os de sua Arma, Quadro ou Serviço. Reflete acentuado espírito de corpo na capacidade de cooperação, lealdade, persistência e dedicação. Demonstra competência interpessoal junto aos públicos interno e externo, por meio de um estilo de relacionamento marcado pela discrição, comunicabilidade, tato, tolerância, sensibilidade, autocrítica e autoconfiança.

A-35

O concludente do curso tem consciência de que sua formação profissional não está completa.

Inserido num mundo em constantes transformações, preocupa-se com o auto-aperfeiçoamento. Para tanto, procura ampliar a cultura geral e profissional, aprimorar a capacidade de expressão oral e escrita e aperfeiçoar-se na utilização dos recursos de informática.

b. Requisitos específicos

O concludente do Curso de Formação de Sargentos de Engenharia evidencia conhecimento

profissional, proficiência, destreza manual e habilidade no manuseio e na utilização de armamento,

equipamentos de engenharia, material de pontes e outros materiais previstos para o B E Cmb. Manifesta grande capacidade de direção e comunicabilidade. Demonstra dedicação, método, organização, abnegação, resistência e interesse por atividades ao ar livre, além de preparo para cooperar com superiores, pares e subordinados. Adaptabilidade, cooperação, meticulosidade, dedicação e iniciativa são traços marcantes em sua personalidade. Possui capacidade para agir de forma destemida, diante de situações difíceis e perigosas, seguindo as normas de segurança.

A percepção de detalhes, o raciocínio lógico, os cálculos numéricos e inteligência são

fundamentais para o exercício funcional.

A-36

PERFIL PROFISSIOGRÁFICO DO CONCLUDENTE DO CURSO DE FORMAÇÃO DE SARGENTOS DE COMUNICAÇÕES

1. CARGOS E FUNÇÕES PARA OS QUAIS O CURSO HABILITA

a. O concludente do Curso de Formação de Sargentos de Comunicações está habilitado a

ocupar cargos e exercer funções próprios de 3° Sargento comandante ou integrante de frações

elementares orgânicas do Batalhão de Comunicações.

b. O Sargento assim habilitado terá suficiente base para, após a conclusão do curso de

formação, complementar sua habilitação por meio do auto-aperfeiçoamento, cursos e estágios de instrução que o capacitem aos cargos e funções de sargento não aperfeiçoado, nos demais tipos de Unidades da arma de Comunicações ou outras OM, operacionais ou não.

2. REQUISITOS PESSOAIS PARA O DESEMPENHO FUNCIONAL

a. Requisitos comuns

O concludente do Curso de Formação de Sargentos está apto a desempenhar suas atividades com criatividade, equilíbrio emocional, competência e segurança. Evidencia conhecimento profissional, proficiência, destreza manual e habilidade no manuseio e na utilização de armamentos, equipamentos e viaturas de uso comum, bem como conhecimento de regulamentos básicos, diretrizes, normas e instruções essenciais para o cumprimento de sua missão. É hígido e exibe vigor físico e resistência, compatíveis com as exigências de seu desempenho funcional. Evidencia responsabilidade, que se manifesta, entre outros aspectos, pela disciplina, pela disciplina intelectual, pelo trabalho meticuloso, pela previsão das conseqüências de suas ações, pelo zelo e pela apresentação. Possui condições para liderar seus subordinados, demonstrando iniciativa, direção, objetividade, adaptabilidade, persuasão, competência técnica, combatividade e flexibilidade. Identifica-se com os valores centrais e as tradições do Exército, com o qual mantém acentuado vínculo pelo conhecimento e pelo culto aos grandes vultos militares, em particular os de sua Arma, Quadro ou Serviço. Reflete acentuado espírito de corpo na capacidade de cooperação, lealdade, persistência e dedicação. Demonstra competência interpessoal junto aos públicos interno e externo, por meio de um estilo de relacionamento marcado pela discrição, comunicabilidade, tato, tolerância, sensibilidade, autocrítica e autoconfiança.

A-37

O concludente do curso tem consciência de que sua formação profissional não está completa. Inserido num mundo em constantes transformações, preocupa-se com o auto-aperfeiçoamento. Para tanto, procura ampliar a cultura geral e profissional, aprimorar a capacidade de expressão oral e escrita e aperfeiçoar-se na utilização dos recursos de informática.

b. Requisitos específicos

O concludente do Curso de Formação de Sargentos de Comunicações evidencia conhecimento profissional, proficiência, destreza manual e habilidade no manuseio e na utilização de equipamentos próprios de unidades de Comunicações. Manifesta atenção concentrada, necessária ao correto desenvolvimento das atividades, evitando atitudes errôneas e acidentes. Demonstra equilíbrio emocional, quando atua sob condições adversas. Apresenta boa caligrafia na elaboração de mensagens e relatórios. Revela espírito de cooperação e abnegação para o trabalho em equipe. Possui responsabilidade e organização para cumprir suas obrigações, por vezes individualmente, independente de fiscalização. Apresenta iniciativa ao se deparar com situações inopinadas que exijam ações coerentes e acertadas, independentemente de orientações de superiores. Demonstra zelo na manutenção do material e equipamento de comunicações, para preservação da vida útil dos mesmos.

B-1

APENDICE A Processo de desenvolvimento e avaliação dos atributos da área afetiva

B-1 APENDICE A Processo de desenvolvimento e avaliação dos atributos da área afetiva

B-2

Acima, segue um esquema cíclico da avaliação dos atributos da área afetiva, iniciado pela observação e culminando pela avaliação. Importante atenção deve ser dada após a avaliação, onde os resultados devem ser utilizados para o redirecionamento do instruendo, de maneira que o mesmo possa melhorar seu rendimento e ser novamente avaliado. Para termos uma avaliação mais ampla e com universos distintos, é importante inicialmente que o instruendo realize uma autoavaliação, de maneira que se possa saber qual é sua visão de si mesmo.