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TAREFA 2

Análise crítica ao Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas


Escolares, tendo em conta os seguintes aspectos:

- O Modelo enquanto instrumento pedagógico de melhoria. Conceitos implicados.

- Pertinência da existência de um Modelo de Avaliação para as bibliotecas escolares.

- Organização estrutural e funcional. Adequação e constrangimentos.

- Integração / Aplicação à realidade da escola.

- Competências do professor bibliotecário e estratégias implicadas na sua aplicação.

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“...How can we ensure that students learn essential information skills?(...)

How can we ensure that school librarians are central players in our schools?”

Eisenberg, “This man wants to change your job”

De facto, tal como Michael B. Eisenberg o faz, é muito natural que se levante a
questão relativa à verificação da qualidade dos serviços prestados pelas nossas
Bibliotecas Escolares. É então que, na tentativa de dar uma resposta concreta e válida
a essas questões, surge o Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares.

Enquadrando-se na estratégia global de desenvolvimento das bibliotecas


escolares portuguesas, este Modelo permite ser um instrumento pedagógico e de
melhoria servindo de suporte aos órgãos de gestão e aos coordenadores para avaliar o
trabalho da Biblioteca Escolar e o seu impacto no funcionamento da escola e nas
aprendizagens dos discentes. Permite, ainda, identificar áreas de sucesso e de
insucesso (estas últimas, requerendo um maior investimento futuro).

Ao analisarmos com cuidado os pilares que sustentam a construção deste


Modelo, encontramos diversos conceitos tais como: noção de valor, uma Biblioteca
Escolar agradável, bem equipada e que deve ter como missão produzir resultados que
contribuam para os objectivos definidos pela escola; a auto-avaliação, que deve ser um
processo pedagógico e regulador e que leva a uma melhoria contínua; a avaliação
nunca deverá ser encarada como um fim, mas como um processo que, após reflexão,
originará mudanças, uma vez que contribuirá para a elaboração de um novo plano de
desenvolvimento.

O Modelo deverá funcionar para as bibliotecas escolares como um instrumento


pedagógico e de aprendizagem que orientará as escolas, definindo factores de sucesso
e insucesso e sugerindo, sempre que possível, acções prioritárias de intervenção que
levem à melhoria do seu desempenho.

Nesta perspectiva, o modelo de Auto-Avaliação deverá contribuir para que seja


criado um novo plano de desenvolvimento, identificando os pontos fortes e os pontos
fracos para, desta forma, orientar o estabelecimento de objectivos e prioridades,
tendo sempre presente a realidade e o contexto de cada Biblioteca Escolar. Desta
forma, assegura-se uma melhoria contínua da qualidade. As bibliotecas deverão
aprender e crescer com a recolha permanente de evidências de uma auto-avaliação
sistemática, com a introdução das TIC e o surgimento de novos ambientes de
disponibilização de informação, com a melhoria da prestação de serviços, onde o aluno
deverá ser um “actor activo”. Tal como afirma Eisenberg “... the school librarian works
collaboratively with members of the learning community...requires proficiency in the
use of information and information technologies...the ability to provide knowledge,
vision and leardership...”

A “nova” Biblioteca tem como missão criar um forte impacto qualitativo na


aprendizagem e no sucesso educativo dos alunos, sendo necessária a aferição da
eficácia dos serviços através de evidências. Só assim validamos o que fazemos, como
fazemos, onde estamos e até onde queremos ir. Como diz Ross Todd “ ...school
libraries need to systematically collect evidence that show how their practices impact
students achievement; the development of deep knowledge and understanding; and
the competencies and skills for thinking , living and working…”

Contudo, a adequação deste Modelo às escolas encontra, com muita


frequência, diversos constrangimentos e barreiras que terão de ser ultrapassados. Esta
nunca foi uma tarefa fácil, tal como confirma Eisenberg “... .of course, changing
perceptions is never easy...”
Fundos documentais insuficientes, fraca formação da equipa, dificuldades em articular
com alguns departamentos, resistência de alguns docentes à utilização das novas
tecnologias e o o fraco valor dado à biblioteca, resistência à integração da biblioteca na
escola e no desenvolvimento curricular, falta de comunicação constante com o órgão
de gestão, entre outros, são barreiras com que a maior parte das Bibliotecas se
confrontam.

É urgente mudar comportamentos, valores e atitudes. Apesar de ser um longo


caminho a percorrer, o Modelo indica-nos um rumo, uma metodologia e uma
operacionalização. Este caminho exige um professor bibliotecário liderante que
mobilize a escola para a implementação do Modelo. Nesta perspectiva é crucial que o
bibliotecário identifique, no contexto da sua escola, as lacunas mais visíveis e trace
estratégias para a melhoria, encarando este processo como um desafio.

Ao desenvolver diversas funções nesta escola (Docente de Línguas Estrangeiras,


Membro da Equipa da Biblioteca, Directora de Turma e Membro do Conselho Geral),
fui tomando consciência, ao longo dos anos transactos, de um dos maiores problemas
deste agrupamento: a fraca competência de leitura nos diversos ciclos e o elevado
grau de iliteracia não só dos alunos, mas dos respectivos encarregados de educação e
da comunidade em geral. Assim, foi imperiosa a escolha do domínio B, -Leitura e
Literacias, sem descurar, no entanto, os restantes domínios.

Numa escola promotora do sucesso educativo para todos, o desenvolvimento


das competências de leitura e literacia deve ser assumido pela comunidade educativa
como umas das metas a alcançar. A BE deve, neste sentido, provocar a discussão e a
reflexão sobre este tema e, em articulação com todos os elementos do agrupamento,
responder aos múltiplos desafios colocados pelo Plano Nacional de Leitura e pelas
exigências da sociedade do conhecimento: formar leitores atentos, críticos, reflexivos
e competentes, que lêem em quantidade, mas sobretudo em qualidade.

A auto-avaliação deste domínio e a reflexão alargada que proporciona, torna-se


fundamental para mudar práticas e contextos, para definir estratégias e para
encontrar, em conjunto, acções de melhoria no desenvolvimento das competências da
leitura e da literacia dos alunos.

É nesta fase do processo que entra a peça chave, o “central player”: o


professor bibliotecário. Não é, de todo, um papel fácil uma vez que nos é exigida uma
performance excepcional. Devemos ser comunicativos, proactivos, influentes,
dinâmicos, úteis e valorizados pelos restantes membros da comunidade escolar,
observadores e atentos, curiosos, observadores (do processo como um todo),
sabedores para definir prioridades, gestores de serviços e de recursos, trabalhadores
e, essencialmente, não ter receio de avaliar nem de fazer com que esta avaliação seja
participada e conhecida ao nível da escola. Tal como menciona Ross Todd:

“…What´s important is the gathered evidence highlights how the librarian plays a
crucial role…in shaping important attitudes and values…a more effective learning
environment…within and beyond the librarian centre!”

Façamos com que este caminho nos leve a bom porto…não vai ser fácil, mas é
um desafio!

Ana Dias