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Análise da realidade de uma Escola:

Formanda: Maria Manuela Teixeira de Castro Leal

Novembro de 2009

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INTRODUÇÃO

1- PRESSUPOSTOS

A integração do processo de auto-avaliação no contexto da escola é crucial.


A ausência de práticas de avaliação e também de uso estratégico da informação recolhida
no processo de planificação e de melhoria têm estado igualmente ausentes das práticas de
muitas bibliotecas.

Integrar o processo de auto-avaliação no processo de avaliação interna e externa da escola


requer, também, envolvimento e compromisso da escola/órgão de gestão e uma liderança
forte da parte do coordenador.

2- TRABALHO A REALIZAR
Este trabalho divide-se em duas partes:

- Uma análise à realidade da escola e à capacidade de resposta ao processo de auto-


avaliação, identificando os factores que poderão ser inibidores do mesmo;

- Uma proposta de um plano de acção que contempla o conjunto de medidas necessárias à


alteração da situação e à sua consecução com sucesso.

3- JUSTIFICAÇÃO PARA A ESCOLHA DESTE TRABALHO


Numa perspectiva de rentabilização de tempo e de recursos, pareceu-me mais
exequível, mais rápido e mais seguro enveredar pela primeira tarefa proposta para esta
sessão.
As leituras foram feitas, com releituras, sublinhados e notas (o professor
bibliotecário continua a ser um estudante e um eterno aprendiz), a apresentação do “Power
Point” já está razoavelmente conseguida, e por esta data, já teria entregue o resultado.

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Contudo, várias razões me moveram: a teimosia e ousadia em ir por caminhos
difíceis, o prazer de aprender e de explorar, mesmo errando, e a necessidade de servir os
interesses da Biblioteca.
E se os dois motivos, pessoais, eram suficientemente fortes, o terceiro, institucional,
impunha-se. A Biblioteca que coordeno não fez até agora esta reflexão (embora já tenha
pensado, como coordenadora, que teria de a fazer). Embora envolvida, porque parte
integrante da Escola, no processo de avaliação interna e externa, em Novembro de 2007, a
Biblioteca não participou directamente nesse processo, apenas tendo ficado feliz pelos
resultados obtidos, quer a nível particular, quer em termos globais da Escola. Mesmo os
documentos que constituíram todo o processo de avaliação, não foram senão lidos muito
superficialmente, na época.
Esta surge, pois, como a oportunidade e o momento para estudar o processo de
avaliação que foi realizado, e enriquecida pelo contacto com textos especializados, reflectir
sobre esse processo e sobre os seus resultados, e propor mudanças, no sentido da melhoria
da qualidade da Biblioteca e da Escola.
O próprio trabalho, em si, servirá como mais um meio para legitimação da proposta
de implementação do Modelo de Auto-Avaliação junto da Direcção da Escola e do
Conselho Pedagógico.

Como diz na abertura da segunda parte de “Mensagem” de Fernando Pessoa:

“Deus quer. O homem sonha. A obra nasce.”

E se o sonho de pôr de pé a Biblioteca da Escola Profissional de Fermil, se


conseguiu concretizar, quanto à sua auto-avaliação:

“ É a Hora! “

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PRIMEIRA PARTE - Análise à realidade da Escola

1 - AVALIAÇÃO INTERNA / AUTOAVALIAÇÃO DA ESCOLA

Em Novembro de 2007, por iniciativa da própria Escola, realizou-se a primeira


avaliação interna da Escola Profissional de Fermil, Celorico de Basto. Este trabalho foi
realizado por uma equipa multidisciplinar, constituída por cinco docentes da Escola, da qual
não fiz parte, mas que era liderada por um colega que este ano faz parte da equipa da
Biblioteca, Eng.º Humberto Cruz Silva. A ele quero agradecer, desde já, o acesso a todos os
materiais utilizados no processo de avaliação.
O modelo de avaliação seguido foi baseado na Estrutura Comum de Avaliação
(CAF), criado pela União Europeia, para melhorar a qualidade da administração pública.
Os objectivos inerentes ao processo de autoavaliação eram os seguintes:
1. Apreender as características essenciais da organização;
2. Detectar os pontos fortes, os pontos fracos, as ameaças e as oportunidades;
3. Traçar linhas orientadoras para a melhoria contínua;
4. Fazer “benchmarking” interno e externo.
A avaliação está assente em dois critérios essenciais: o critério de meios e o critério de
resultados, conforme mostra o esquema, e foi baseado em evidências:

Figura 1 – Esquema do Modelo de Avaliação utilizado

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As dimensões da organização que foram consideradas durante a avaliação foram:
1. A liderança;
2. Planeamento e estratégia;
3. Gestão das pessoas;
4. Parcerias e recursos;
5. Gestão dos processos e da mudança;
6. Resultados orientados para os cidadãos/clientes;
7. Resultados relativos às pessoas;
8. Impacto na sociedade;
9. Resultados de desempenho chave.

Em termos da Biblioteca Escolar, esta foi remetida, para a dimensão “Parcerias e


Recursos”, sendo a preocupação desta dimensão “como a organização planeia e gere as
parcerias e os recursos internos de forma a garantir a prossecução da política e da
estratégia e o eficaz funcionamento dos processos” (Doc. de Auto-Avaliação 2007. p.13).
Pela análise do documento, podemos verificar que, na abordagem teórica, não é
referida a palavra “Biblioteca” ou “Centro de Recursos”, havendo, contudo, preocupação
com o conhecimento, a informação e sua difusão:

“ 4.3 O CONHECIMENTO SEJA GERIDO


Exemplos:
 Desenvolver sistemas para gerir, manter e avaliar o conhecimento na organização;
 Assegurar que o conhecimento e a informação sejam partilhados com os parceiros;
 Monitorizar regularmente o conhecimento disponível na organização e articulá-lo com
o planeamento estratégico, bem como com as necessidades actuais e futuras de todas as
partes interessadas;
 Assegurar que todos os colaboradores tenham acesso à informação relevante para o
desempenho das respectivas tarefas e realização dos objectivos e, ainda, assegurar, que
todas as partes interessadas tenham acesso à informação relevante;
 Assegurar o rigor e a segurança da informação;
 Desenvolver canais internos para a difusão de informação no seio da organização
(intranet, boletins de notícias, revistas, etc.);

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 Incentivar a troca de informação entre a organização e as partes interessadas
relevantes;
 Assegurar que a informação externa disponível seja processada e usada eficazmente;
 Apresentar a informação de um modo apelativo;
 Assegurar que os conhecimentos das pessoas que deixam a organização sejam
preservados.” (Doc. de Auto-avaliação 2007. p.15)

Nos resultados apresentados, neste mesmo documento, nos seus pontos fracos, e ainda
relativamente à dimensão em análise, é referido, apenas: “Os docentes acham prática
habitual dispor de informação apropriada e reconhecem ter práticas pedagógicas
inovadoras e atribuem-lhe importância média”(p. 34).

Nos resultados dos inquéritos fornecidos aos encarregados de educação e familiares, no


ponto relativos às instalações escolares (Doc. de auto-avaliação 2007. p. 42), aparece, pela
primeira vez referida a biblioteca:

“INSTALAÇÕES ESCOLARES: Um número muito expressivo de inquiridos diz-se satisfeito


com as instalações da Escola e que as mesmas são mantidas conservadas num bom estado
de higiene e de segurança; refere que os serviços estão bem sinalizados e que a Secretaria
tem instalações adequadas em termos de espaço e de acesso ao público e manifesta
satisfação com os serviços de apoio (biblioteca, bar, refeitório, etc.).” (o sublinhado é
nosso).
Outro aspecto importante a reter é que, nos instrumentos de recolha de evidências,
nomeadamente no questionário aplicado aos alunos (Figura 2), não foi contemplada a
Biblioteca/Centro de Recursos, como se pode constatar pela análise nas vertentes onde
poderia constar este recurso da Escola: Utilização de materiais na sala de aula, Organização
do trabalho, Tipologia do trabalho:

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Assinale com (1) uma alternativa em cada linha

Utilização de materiais na sala de aula


Nenhum/Quase Todos/Quase
Poucos Muitos
nenhum todos

Manual escolar adoptado


Outros manuais escolares
Suportes escritos (fichas de trabalho, fichas informativas …)
Livros da especialidade
Materiais manipuláveis
Suportes visuais (fotografias, diapositivos, …)
Suportes audiovisuais (vídeos, filmes, DVD, CD, …)
Internet
Computador

Organização do trabalho

Nenhum/Quase Todos/Quase
Poucos Muitos
nenhum todos

Trabalho em grupo-turma
Trabalho de grupo
Trabalho de pares
Trabalho individual
Diferentes modalidades em simultâneo

Tipologia do trabalho

Nenhum/Quase Todos/Quase
Poucos Muitos
nenhum todos

Exposição oral de tópicos do programa


Trabalho experimental
Actividades de pesquisa na internet
Actividades de pesquisa em suporte escrito (enciclopédias, livros, etc.)
Apresentação de sugestões
Sínteses orais
Apresentação dos assuntos que serão abordados na aula
Debates sobre tópicos do programa
Discussão de trabalhos realizados pelos alunos
Registos escritos sobre tópicos do programa
Discussão de relatórios de trabalhos experimentais realizados pelos alunos
Actividades específicas para (grupos de) alunos
Explicitação dos critérios de avaliação
Devolução comentada dos trabalhos dos alunos

Figura 2 – Exemplo do questionário aplicado aos alunos

Quanto ao questionário aplicado aos professores, no critério 4, “Parcerias e


Recursos”, no subcritério 4c, é feita referência à Biblioteca, nos pontos 9, 15, 16, 17 e 18,
conforme se pode constatar (Figura 3):

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SUBCRITÉRIO 4c

1. A Direcção Executiva optimiza a existência de materiais e a sua rotação. D C B A 1 2 3 n/s

2. A Direcção Executiva na aquisição de material didáctico tem em conta as D C B A 1 2 3 n/s


propostas e necessidades dos professores e dos departamentos.

3. Os espaços e instalações são conservados, preservados e mantidos em estado de D C B A 1 2 3 n/s


higiene e segurança

4. A Direcção Executiva optimiza a utilização dos espaços da escola, D C B A 1 2 3 n/s


equipamentos e outros recursos.

5. A gestão das instalações, espaços e equipamentos é adequada às necessidades dos D C B A 1 2 3 n/s


alunos e funcionalidade dos serviços.

6. As instalações da escola são adequadas em termos de saúde, higiene e D C B A 1 2 3 n/s


segurança no trabalho.

7. As instalações dos serviços administrativos são adequadas em termos do D C B A 1 2 3 n/s


desenvolvimento normal da actividade e/ou de não prejudicarem os níveis de
produtividade dos funcionários.

8. A Direcção Executiva, na gestão dos serviços de bar e cantina, tem em vista as D C B A 1 2 3 n/s
necessidades dos alunos.

9. O Centro de Recursos promove a sua ligação com outros sectores de D C B A 1 2 3 n/s


actividade da escola.

10. Os professores têm à sua disposição os recursos didácticos necessários à sua D C B A 1 2 3 n/s
actividade.

11. Os funcionários responsáveis para guardar dinheiro ou outros valores (fundo de D C B A 1 2 3 n/s
maneio, propinas, selos, etc.) têm ao seu dispor equipamentos adequados à
respectiva guarda.

12. Na escola promove-se a criação de ambientes educativos que proporcionam bem D C B A 1 2 3 n/s
estar na escola.

13. Os laboratórios da escola estão adequadamente apetrechados para as D C B A 1 2 3 n/s


finalidades de ensino e aprendizagem.

14. As laboratórios da escola são utilizados de forma racional e optimizada. D C B A 1 2 3 n/s

15. O espaço destinado à Biblioteca/Centro de Recursos é adequado às suas D C B A 1 2 3 n/s


finalidades.

16. A Biblioteca/Centro de Recursos está suficientemente apetrechada. D C B A 1 2 3 n/s

17. 0 acesso à Biblioteca/Centro de Recursos está facilitado. D C B A 1 2 3 n/s

18. 0 horário de funcionamento da Biblioteca/Centro de Recursos é adequado. D C B A 1 2 3 n/s

Figura 3 – Parte do questionário aplicado aos Professores

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Verifica-se, no entanto, que, ao nível dos processos, onde são referidas as
metodologias e materiais de trabalho dos professores, uma vez mais, a Biblioteca/Centro de
Recursos não é mencionada.

2 - AVALIAÇÃO EXTERNA DA ESCOLA

Analisando, em seguida, o relatório da Avaliação Externa, realizada em 3 e 4 de


Dezembro de 2007, pela Inspecção Geral de Educação (IGE), podemos verificar que, no
ponto 3.3 – “Gestão dos recursos materiais e financeiros”, [(http://www.ige.min-
edu.pt/upload/AEE_2008_DRN/AEE_08_EP_Fermil_de_Basto_R.pdf), em 19/11/2009] é dito

que “Os recursos, espaços e equipamentos, (nomeadamente cantina, laboratórios,


biblioteca e outros recursos de informação), estão acessíveis, parecendo bem organizados.
Há um adequado acompanhamento aos alunos que os utilizam” (p.10).
Mais adiante, refere o mesmo relatório, relativamente à Biblioteca: “No caso da
biblioteca o acompanhamento dos alunos é assegurado por dois professores, sendo eleitos
temas mensais, para aprofundamento e debate. Os espaços de trabalho dos alunos estão
devidamente estabelecidos, organizados e apresentam-se motivadores.”
Nas considerações finais do relatório em apreciação, salienta-se, como ponto forte
da Escola, “O clima que se vive na Biblioteca, inspirando gosto pela leitura e pelo debate.”
(p.13).
Os resultados da avaliação externa final da Escola, em 2007 foram bons, conforme
mostra uma síntese dos domínios e níveis de classificação obtidos (Figura 4):

DOMÍNIO AVALIADO NÍVEL DE CLASSIFICAÇÃO OBTIDO


 Resultados Suficiente
 Prestação do serviço educativo Bom
 Organização e gestão escolar Muito bom
 Liderança Muito bom
 Capacidade de auto-regulação Bom
e melhoria da Escola

Figura 4 – Resultados da avaliação externa 2007

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3 – CONCLUSÕES SOBRE A AVALIAÇÃO INTERNA/EXTERNA DA ESCOLA

Pela análise dos questionários aplicados à Escola podemos concluir:


Não existiu grande preocupação em avaliar a biblioteca enquanto serviço em si;
A biblioteca não é referida, na maior parte dos documentos;
Os aspectos sobre os quais incidiram os questionários relacionam-se com questões
funcionais (espaço, horários, acesso, “apetrechamento”,…);
A biblioteca foi “avaliada” muito superficialmente, embora já estivesse a funcionar
há dois anos e a taxa de utilização estivesse continuamente a aumentar, o que aliás
tem acontecido nos últimos anos;
Tanto a equipa de avaliação, como a direcção da escola, ou mesmo a Coordenadora
da Biblioteca, não souberam identificar as dimensões em que a biblioteca escolar
poderia estar incluída, (e não somente nas “Parcerias e Recursos”);
A avaliação não teve evidências quantitativas, mas baseou-se, apenas, na percepção
que os inquiridos tinham sobre os domínios em estudo;
Apesar de o processo e do modelo de avaliação adoptado pela Escola focar os
aspectos que devem enformar e constituir uma avaliação (pelo estudo, que
realizámos até ao momento, e que podem servir de base a uma auto-avaliação de
uma biblioteca) esses pressupostos teóricos não foram aplicados.

Não podemos, porém, apenas criticar o processo realizado; ele foi o primeiro na
Escola, com professores que estudaram muito e se empenharam em fazer o melhor; o
melhor que podia ser feito, naquele ano, com aquela equipa, e com os recursos de que a
Escola dispunha; e teve o mérito de ter sido feito por iniciativa própria da Escola.
Este processo permitir testar e compreender a capacidade que a Escola tem para se
auto-avaliar e a necessidade que tem de o fazer.

Sobre as referências feitas no Relatório da IGE à Biblioteca Escolar, podemos


concluir, igualmente, da abordagem “simplista” da biblioteca como recurso material da
Escola, da preocupação com aspectos funcionais da biblioteca, do clima que ela
proporciona, …

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Apesar da satisfação com que todos recebemos os elogios (?) e a classificação do
nosso trabalho, dois anos volvidos, o olhar sobre este processo e sobre estes documentos é
diferente.
Ao lermos o texto de Sarah McNicol, “ Incorporating library provision in school
self-evaluation”, percebemos quanto de “cosmetic improvements” (p.4), - e acreditamos
que até feitos inconscientemente pelos actores do processo – há numa avaliação externa,
quando realizada por um organismo da tutela como a inspecção.

4 – CAPACIDADE DE RESPOSTA AO PROCESSO DE AVALIAÇÃO

A situação actual, dois anos após o processo de auto-avaliação e avaliação externa,


mostra que nada mais foi sendo feito.
A Biblioteca desenvolve o seu percurso natural, atendendo às exigências da Rede de
Bibliotecas Escolares em que está integrada desde 2005.
Em relação à recolha de dados, estes são feitos para preenchimento da Base de
Dados da RBE (2007/2008 e 2008/2009), e este ano foi elaborada uma reflexão com base
nos dados estatísticos resultantes do preenchimento dessa base, para apresentação no
Conselho Pedagógico, como forma de justificar a manutenção de alguns procedimentos e a
alteração de outros.

Quanto às evidências recolhidas, a Biblioteca possui registos vários:


Recursos humanos:
Professores: horários lectivos e horários na BE, experiência/formação em BE
da equipa;
Auxiliares.A.E: horários, formação/experiência em BE;
Registos de presença dos elementos da equipa da BE;

Organização da BE:
Planta (executada manualmente, a precisar de actualização);
Alguns registos de imagens dos espaços e das actividades realizadas;
Inventário de mobiliário, equipamento informático, áudio, vídeo, reprodução
gráfica, projector multimédia, sistema de comunicações (em remodelação);

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Capacidade (lugares sentados) de cada uma das áreas funcionais;
Áreas da BE;

Recursos documentais:
Quantidade de documentos existente por tipologia;
Catálogo automatizado;
Programa de Gestão Integrada de Bibliotecas - GIB (com possibilidade de
levantamento de: estatísticas, base de dados de utilizadores, empréstimos
realizados, documentos registados, tipo de documentos, …);
Registo de títulos de revistas assinadas/recebidas/nºs;
Registo de documentos oferecidos;
Registo de documentos adquiridos/preços;
Registo de empréstimos domiciliários;
Base de dados on-line, na página da Escola, e no catálogo colectivo da Rede
de Bibliotecas de Basto e Baixo Barroso – RB-BB;
Registo de utilização dos terminais de computador/internet;
Registo de utilização de televisão/vídeo/DVD e identificação do documento
visualizado;
Registo de utilização de auscultadores/aparelhos reprodutores de CD’s;

Gestão:
Registo de despesas com mobiliário;
Registo de despesas com fundo documental;
Registo de despesas com software específico da BE;
Cópia das convocatórias e actas das reuniões;

Dinamização pedagógica e avaliação da BE:


Plano anual de actividades e balanço da sua consecução (relatório);
Registo de utilização da BE, por professores, para actividades lectivas;
Utilização de instrumentos de avaliação de desempenho: estatísticas de
utilização.

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De salientar que a avaliação dos aspectos da actividade da BE é feita, ainda com
base na “percepção” da equipa sobre o que é feito: fraco, satisfatório, bom,… Em termos
quantitativos apenas são apresentados dados estatísticos sobre registos de presença,
empréstimos domiciliários, aulas com o apoio da BE/na BE, os livros mais lidos, os filmes
mais vistos, os leitores que mais livros leram/requisitaram.

Relativamente aos factores inibidores do processo de auto-avaliação, podemos


listar os seguintes:

O “medo” da avaliação, apesar de muita informação já estar recolhida, e de


fazermos avaliação empírica constantemente, tal como refere Elspeth S. Scott, no
texto “How good is your school library resource centre?”
A forma como os professores encaram qualquer mudança: com reservas e com a
ideia de que é sempre mais trabalho, uma carga de trabalhos extra (e não é mentira);
A dificuldade em fazer compreender o modelo;

A dificuldade de adesão e mobilização dos recursos humanos da Escola;


A eventual instabilidade das equipas: da BE (professores a contrato), a Direcção da
Escola, A.A.E (uma em formação, sem experiência, e outra que vai entrar em
licença de parto);
Falta de cultura de avaliação e de trabalho em equipa;
Complexidade do processo e da sua operacionalização;

A reformulação quase total do modelo de auto-avaliação interna que foi utilizado, de


forma a integrar devidamente a BE;
A recolha sistemática de evidências, que não está implementada;
A construção/adaptação de instrumentos de recolha de evidências;
O cumprimento de um plano de acção com prazos estabelecidos;
A falta de laços comunicacionais/relacionais/interacção, uma vez que o corpo
docente foi totalmente renovado;
O desconhecimento da realidade da escola e dos recursos da Biblioteca pelo corpo
docente recém-chegado;
A falta de articulação do programa curricular com os recursos da BE;

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A falta de envolvimento dos docentes na Escola/BE: “ainda não vestiram a
camisola”;
A necessidade de recomeçar todo um trabalho desde o início: contactos com
docentes, “formação” como utilizadores e professores, divulgação das
potencialidades e dos documentos da BE, quando a equipa que saiu estava já pronta
para começar um processo de avaliação; quando esta estiver a adquirir os hábitos,
está de saída…
A falta de tempo do Professor Bibliotecário (13 horas de coordenação) para gerir
todas as necessidades da BE;
O elevado número de dados a tratar;

(Penso que será melhor parar por aqui, pois poderemos correr o risco de parecermos
demasiado pessimistas ou muito preguiçosos…).

Do processo de análise externo, podemos perceber que, no que respeita à abertura à


inovação, “a escola tem um excelente desempenho neste domínio. A atenção à
modernização tecnológica, tanto em meios de comunicação educacional, como em meios de
formação/experimentação e ainda em meios de tecnologias de informação e de
comunicação é demonstração disso”. (Relatório da IGE 2007, p. 12)

Assim, parece estar aberto o caminho para a implementação de mudanças, no


sentido da melhoria, não só da Biblioteca, mas de toda a Escola.

É desse plano de acção que trata a segunda parte do trabalho.

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SEGUNDA PARTE – PROPOSTA DE ACÇÃO

O primeiro passo para a implementação deste processo é :

NÃO ENTRAR EM PÂNICO!

Tal como refere Elspeth S. Scott, em “How good is your library resource centre?”(p.6):

“For major projects it is useful to produce an action plan dividing the


project into maneageable steps detailing the resources, people and
timescale involved.”,

aconselhando, de seguida, a técnica TATTs – Tiny Achievable Tickable Targets (que


poderá ser traduzido por qualquer coisa como “Pequenos objectivos de realização
verificável”.

Tendo em mente o texto de Katherine Mansfield,:

“O processo de auto-avaliação deve enquadrar-se no contexto da escola e ter em conta as


diferentes estruturas com as quais é necessário interagir.”

E tendo em vista, igualmente, as etapas definidas no documento “Modelo de Auto-


avaliação da biblioteca escolar. RBE.12/11/2009”, seria esta uma proposta de acção:

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1. 1ª FASE: preparação
1.1. Exposição do modelo de auto-avaliação ao coordenador da equipa de Avaliação
Interna da Escola;

1.2. Selecção do domínio: Leitura e literacias;


1.3. Planeamento da Avaliação: definição de etapas, calendarização dos processos,
meios a utilizar e intervenientes; verificação dos aspectos implicados;
1.4. Exposição do modelo de auto-avaliação, instrumentos e plano de implementação ao
Conselho Pedagógico, com a justificação da Autoavaliação e do Modelo utilizado
(trata-se de um instrumento pedagógico e de melhoria contínua, que vai permitir
avaliar os serviços da Biblioteca Escolar, o valor da Biblioteca Escolar, o impacto
da BE no funcionamento global da escola e nas aprendizagens dos alunos).

2. 2ª FASE: execução
2.1 - Preparação de instrumentos de recolha:
2.1.1 Adaptação de questionários do modelo à realidade da Escola ( QD2, QA2);
2.1.2 Adaptação das grelhas de observação (O3, O4);
2.1.3 Disponibilização dos inquéritos online;
2.1.4 Aplicação dos questionários a 20% de professores e 10% de alunos;
2.1.5 Recolha de evidências, dados (registos de utilização, inquéritos…);

3. 3ª FASE: conclusão
3.1 - Fazer apreciações e retirar ilações:
3.1.1 Identificação das evidências mais relevantes para o domínio a avaliar;
3.1.2 Análise dos dados;
3.1.3 Confronto dos dados com os factores críticos de sucesso e os perfis de
desempenho;
3.1.4 Posicionamento num perfil de desempenho (identificação dos pontos fortes e
fracos);
3.1.5 Elaboração do Relatório Final;
3.1.6 Preenchimento do Modelo de Relatório da RBE e seu envio;
3.1.7 Comunicação dos resultados à Escola, Conselho Pedagógico e a outros
interlocutores (incluindo o resumo de resultados no Relatório de Auto-
avaliação da Escola);
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3.1.8 Identificação de objectivos e metas a atingir;
3.1.9 Preparação de um Plano de Acção novo;
3.1.10 Apresentação do novo plano e das medidas a implementar, no Conselho
Pedagógico;
3.1.11 Implementação do novo plano com as acções para a melhoria;
3.1.12 Monitorização do processo de implementação das acções para a melhoria.

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CONCLUSÃO

Ao terminar este já longo trabalho, não poderei deixar de referir, que, apesar de ter
optado pelo caminho mais sinuoso, senti-me bem com o que fiz: a sensação de dever

cumprido, de mais uma tarefa para “abater” com um √ numa lista que parece infindável de

tarefas por executar.


E para terminar, e nos dar ânimo, a voz do escritor Pablo Neruda:

"Morre lentamente quem não viaja,


Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,


Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,


Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva


incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,


Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!»

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Bibliografia consultada:

MANSFIELD, Katherine, “ O Modelo de Auto-Avaliação no contexto da


Escola/Agrupamento”;

SCOTT, Elspeth (2002) “How good is your school library resource centre? An
introduction to performance measurement”.68th IFLA Council and General
Conference August.

MCNICOL, Sarah (2004) Incorporating library provision in school self-evaluation.


Educational Review, 56 (3), 287-296.

JOHNSON, Doug (2005) “Getting the Most from Your School Library Media
Program”, Principal. Jan./Feb 2005.

Relatório da IGE (2007)

<http://www.ige.min-edu.pt/upload/AEE_2008_DRN/AEE_08_EP_Fermil_de_Basto_R.pdf>

Modelo de Auto-Avaliação da Biblioteca Escolar. Rede de Bibliotecas Escolares, 12 de


Novembro de 2009

Documentos internos da escola Profissional de Fermil, Celorico de Basto, relativos ao


processo de Avaliação interna da Escola (2007)

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