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Práticas e Modelos de Avaliação em Bibliotecas Escolares Síntese da Sessão 2 Foram objectivos desta

Práticas e Modelos de Avaliação em Bibliotecas Escolares

Síntese da Sessão 2

Foram objectivos desta sessão:

Definir e entender o conceito de biblioteca escolar no contexto da mudança. Perspectivar práticas adequadas a estes novos contextos. Entender o valor e o papel da avaliação na gestão da mudança.

As tarefas propostas consistiram:

Numa primeira fase, com base no fornecimento de uma tabela matriz e partindo da leitura dos textos obrigatórios e dos conhecimentos prévios dos formandos enquanto PROFESSORES BIBLIOTECÁRIOS, foi-lhes solicitado que perspectivassem a situação actual da sua biblioteca escolar identificando pontos fortes, fraquezas, oportunidades, ameaças e desafios principais de acordo com um conjunto de áreas dadas. Na fase final da sessão, foi solicitado a cada formando que seleccionasse o contributo de um dos colegas e fizesse um comentário fundamentado à análise por ele efectuada.

Realização das tarefas:

Em relação à realização das tarefas, podemos considerar que esta turma está de parabéns. Participaram na unidade e elaboraram a sua tabela matriz 35 formandos desta acção, com a excepção da Eulália Reis. Todos os formandos fizeram algum tipo de comentário, independentemente da sua heterogeneidade.

A realização desta tarefa apontava para o exercício de uma análise SWOT à biblioteca da sua escola e verificámos que houve um número de formandos que ainda demonstrou alguma dificuldade na aplicação destes conceitos. Parece-nos assim importante começar por algum enquadramento deste instrumento da gestão, que se revela essencial no diagnóstico da situação actual da BE, para poder perspectivar um Plano de Acção (de Desenvolvimento ou Estratégico) para os próximos 4 anos. Gerir é, segundo a definição mais corrente, a arte de conduzir uma organização ou serviço com vista ao cumprimento da sua missão e à prossecução dos seus objectivos. Por isso, organizar e gerir os serviços de biblioteca exige do professor bibliotecário práticas capazes de fazer a

Aspectos Negativos

Aspectos Positivos

Aspectos Negativos Aspectos Positivos Práticas e Modelos de Avaliação em Bibliotecas Escolares diferença e influenciar

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diferença e influenciar o sucesso da BE. É necessário estabelecer prioridades, delinear estratégias, planear, executar programas e políticas e, ainda organizar recursos humanos e materiais. Contudo, para que o planeamento seja o mais eficaz possível é necessário, em primeiro lugar, fazer o diagnóstico. Não devemos basear o diagnóstico em impressões ou sensações, mas sim em ferramentas de gestão. A análise de diferentes situações obriga-nos a recorrer a instrumentos diferenciados, a análise SWOT é um desses instrumentos que se aplica em momentos de (re)definição das estratégias organizacionais. SWOT é um termo inglês construído com as iniciais de Strenghts” (Forças), “Weakeness” (Fraquezas), Opportunities” (Oportunidades) e Threats “Ameaças”. A clarificação dos conceitos é essencial para um bom entendimento desta ferramenta e sucesso na sua aplicação.

Factores Internos

Pontos fortes

Pontos

fracos

Oportunidades

Ameaças

Factores externos

as Forças (Strenghts) são os pontos positivos que caracterizam uma organização e

que lhe permitem desenvolver a sua actividade com sucesso; as Fraquezas (Weakeness) são os pontos que necessitam de melhoria associados ao funcionamento interno da organização, que interessa eliminar ou reduzir; as Oportunidades (Opportunities) são os aspectos exteriores à organização, sobre os quais ela não tem influência directa, mas que se traduzem em factores positivos que interessa aproveitar e potencializar em favor do sucesso da organização;

as Ameaças (Threats ) são os factores negativos externos à organização, os quais interessa conhecer para prevenir, anular ou mesmo contrariar, convertendo-os em oportunidades, sempre que possível.

A análise SWOT integra-se numa prática do planeamento estratégico, essencial à boa gestão da biblioteca escolar. Os professores bibliotecários devem agir como verdadeiros estrategas,

Práticas e Modelos de Avaliação em Bibliotecas Escolares gestores e líderes de modo a ir

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gestores e líderes de modo a ir transformando as ameaças possíveis em oportunidades de desenvolvimento da biblioteca escolar e da promoção do sucesso das aprendizagens dos alunos.

Síntese do preenchimento das Tabelas:

Apesar de muitas vezes as referências serem inseridas em áreas e categorias diferentes, devido à pouca segurança na aplicação dos conceitos anteriormente abordados, os aspectos mais insistentemente assinalados foram:

no que diz respeito aos aspectos críticos referenciados na literatura:

O tipo e nível de conhecimentos, competências e atitudes do coordenador da BE;

A integração da BE na escola e no desenvolvimento curricular através de um

trabalho colaborativo com os docentes e órgãos de gestão pedagógica

O desenvolvimento de programas eficazes de promoção da leitura e de literacia de informação, em ligação com o currículo;

A assumpção da BE como um espaço formativo orientado para o sucesso educativo,

a melhoria das aprendizagens e a construção do conhecimento;

A existência de condições de espaço/tempo para uma boa utilização da biblioteca;

A qualidade, quantidade, variedade e adequação e os sistemas de optimização e

rentabilização dos recursos documentais, designadamente através do desenvolvimento de bibliotecas digitais e de um maior aproveitamento das potencialidades do trabalho em rede e da Web2.0 (muito pontualmente);

A recolha de evidências para aferição da eficácia e impactos da BE junto do público- alvo nos diferentes domínios da sua intervenção.

No que diz respeito às “vossas” bibliotecas Foram sobretudo considerados os seguintes, entre outros:

Pontos fortes

Oportunidades

Existência de professores bibliotecário e equipas da BE; Progressos verificados, em termos gerais, no

Representação da BE nos CPs; Oferta de formação; Disponibilidade de documentação de apoio

Práticas e Modelos de Avaliação em Bibliotecas Escolares apetrechamento das BEs; • Actividades de promoção

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apetrechamento das BEs; Actividades de promoção do livro e da leitura; Avanços no tratamento documental e práticas de circulação e itinerância de fundos; Maior inclusão nos PAs, reconhecimento e valorização do trabalho da BE no domínio das aprendizagens e da literacia de informação.

ao trabalho e avaliação das BE; Apoios financeiros da RBE e do PNL; Suporte das BM, SABEs, Coordenadores locais e inter-concelhios, Grupos de Trabalho Concelhios, etc.; Possibilidade de actualização do parque informático das BEs aproveitando Plano Tecnológico para a Educação; Desenvolvimento de novos serviços e produtos assentes nos novos ambientes digitais e tirando partido da motivação que estes meios geram junto dos jovens; Existência de modelo de auto-avaliação para as BEs.

Foram sobretudo considerados os seguintes, entre outros:

Pontos fracos

Ameaças

 

Deficiente gestão de tempo;

Resistência à mudança e inovação por parte dos docentes;

Instabilidade e fragilidade em número e horas das equipas;

Falta de visibilidade do trabalho do professor-bibliotecário;

Fraca divulgação e utilização de modelos e standards de literacia de informação;

Falta de reconhecimento do trabalho do professor-bibliotecário;

Deficit de formação, sobretudo nas áreas das literacias tecnológica, digital e dos media;

o

Ausência de uma cultura

colaborativa de articulação entre a BE, os Departamentos e os docentes;

Políticas de gestão de colecções pouco consistentes;

Insuficiência de verbas para actualização das colecções

Trabalho de organização e gestão burocratizado por alguns professores bibliotecários, não utilizando a

Práticas e Modelos de Avaliação em Bibliotecas Escolares   planificação/avaliação e recolha de

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planificação/avaliação

e

recolha

de

informação

como

instrumentos

de

melhoria contínua;

 

Como principais desafios/acções a implementar foram apontadas, entre outras:

Melhorar condições de estabilidade e trabalho das equipas;

Maior investimento na formação do coordenador, das equipas, dos docentes e dos utilizadores, em geral;

Aumentar diálogo com os órgãos de gestão;

Melhoria da articulação curricular e do apoio dado aos utilizadores, designadamente no âmbito das ACNDs e da integração da literacia de informação nos programas da biblioteca escolar;

Aposta mais forte em novos ambientes virtuais de aprendizagem e recursos de informação digitais;

Desenvolvimento de políticas de gestão de colecções que definam uma verba anual para a biblioteca, esclareçam procedimentos e explorem o trabalho em rede e uma maior partilha de recursos;

Reforço do trabalho colaborativo com os outros parceiros (internos e externos);

Aprofundamento do trabalho em torno da recolha de evidências, aplicando o modelo de auto-avaliação, envolvendo mais os utilizadores na avaliação do desempenho dos serviços da biblioteca e no seu impacto nas aprendizagens dos alunos.

Gestão da Mudança

A biblioteca escolar, no actual contexto de mudança de paradigma educacional e tecnológico, terá que encontrar um caminho onde o seu valor seja (re)encontrado, como o centro da efectiva aprendizagem na escola. Para tal terá que dar a conhecer a todos os actores que integram a organização escola, assim como à comunidade que a envolve, que a sua utilização integrada na prática curricular dos docentes faz, de facto, a diferença nas

Práticas e Modelos de Avaliação em Bibliotecas Escolares aprendizagens dos alunos e no seu percurso

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aprendizagens dos alunos e no seu percurso enquanto cidadãos aprendentes ao longo da vida.

Como principais factores de sucesso foram apontados, entre outros:

A existência de um professor-bibliotecário a tempo inteiro, com um claro perfil de liderança, que se assuma como motor da necessária mudança na escola, em colaboração com os órgãos de gestão da escola, coadjuvado por uma equipa que o auxilie no estabelecimento de “pontes” com os departamentos curriculares:

A institucionalização da BE através da sua “visibilidade” nos documentos estruturantes da escola /agrupamento e da presença do coordenador no órgão máximo de gestão pedagógica, o CP;

O apoio incondicional dos órgãos de gestão da escola;

Existência de políticas de Gestão Documental, de Literacia da Informação e de Promoção da Leitura para o agrupamento;

Práticas baseadas em recolha de evidências.

Como principais obstáculos a vencer foram apontados, entre outros:

Poucas práticas de avaliação sistemática e continuada como parte de todo o processo, não como um trabalho acrescido que “impossibilita” a realização de outras actividades.

A pouca importância atribuída à BE como factor determinante na qualidade das aprendizagens realizadas pelos alunos e no desenvolvimento de competências para uma aprendizagem ao longo da vida.

Inexistência de práticas de trabalho colaborativo entre docentes, que se estende ao trabalho com o professor bibliotecário.

A ideia de que a documentação escrita não serve para nada, a não ser para dar trabalho.

Práticas e Modelos de Avaliação em Bibliotecas Escolares Como principais acções prioritárias foram apontadas,

Práticas e Modelos de Avaliação em Bibliotecas Escolares

Como principais acções prioritárias foram apontadas, entre outros:

Promover o acesso a/proporcionar formação aos docentes sobre o papel da BE no desenvolvimento curricular e a importância de alterar “estilos e métodos” de ensino aprendizagem para os adequar às necessidades dos cidadãos do séc. XXI;

Integrar a BE na documentação de referência da escola/agrupamento, prevendo o assento do coordenador em CP;

Institucionalizar práticas de trabalho colaborativo, criando espaços/tempos comuns que possibilitem a planificação conjunta entre docentes e BE;

Promover o debate de ideias e conceitos que conduzam à formalização de políticas claras de promoção da leitura e de desenvolvimento das literacias que orientem as práticas de todos os docentes da escola/agrupamento e que sejam claras para a comunidade envolvente;

Aplicar o Modelo de Auto-Avaliação das BEs, envolvendo toda a escola no processo.

Na realização do seu trabalho, a maioria dos formandos reflectiram as leituras realizadas. A maioria dos comentários não parte apenas da simples comparação entre as diversas realidades em análise, fazendo referência aos factores apontados pela bibliografia indicada.

Reforçando também esses documentos, sobre os processos de gestão da mudança, os desafios que se colocam à BE e as oportunidades que lhe compete aproveitar, finalizamos esta síntese, citando os aspectos chave que por que tem de passar esta mudança, segundo a CILIP:

Abordagem tradicional: prática centrada na Gestão

Nova

abordagem:

prática

centrada

na

Aprendizagem

 

Instalações

Criação de um efectivo ambiente de aprendizagem

Recursos humanos

Recursos documentais

Literacia da Informação

 

Recursos TIC

Promoção da leitura

 

Orçamento

Ênfase na aprendizagem

 

Políticas e Planeamento

TIC como ferramenta de ensino e

Práticas e Modelos de Avaliação em Bibliotecas Escolares aprendizagem • Inclusão • Colaboração • Gestão

Práticas e Modelos de Avaliação em Bibliotecas Escolares

aprendizagem

Inclusão

Colaboração

Gestão

Felicitamos o conjunto da turma pelo trabalho desenvolvido e desejamos a todos a continuação de um bom trabalho!

As formadoras

Júlia e Margarida