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PROTETORES SOLARES X CARTAS SOLARES

Janaína Cristóvão
Kelly Daiane Pereira Borba
Professor-Mariana Garnica Bottamedi
Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI
Arquitetura e Urbanismo (ARQ - 14) – Relatório e Maquete T.G.2
22/10/13


1 INTRODUÇÃO

Conforto térmico é um atributo necessário em edificações e a radiação solar é uma de
suas importantes variáveis, influindo no ganho de calor do edifício, ao mesmo tempo em que
promove a iluminação natural dos ambientes. Esse trabalho busca mostrar de forma sucinta
como a insolação atua nas edificações, realizando assim algumas estratégias e dispositivos,
como a utilização de proteção das aberturas com brises solares para melhor controlá-la e
atender as necessidades de conforto térmico.

Depois será apresentado a pesquisa feita no laboratório com o solarscópio, onde serão
apresentados os resultados das propostas dos protetores solares. Desta forma através dos
exemplos sugeridos no presente relatório, é que a relação da teoria e prática, entram em vigor,
pois a eficiência do conforto térmico no projeto arquitetônico, através do estudo das fachadas
em função do clima local, da orientação das aberturas, é que pode ou não confirmar se ela
realmente funciona de acordo com os cálculos atingidos. Sendo assim, será possível ver se os
brises elaborados realmente dispensam o uso de dispositivos artificiais para iluminação, como
também a ventilação e o condicionamento do ambiente com relação a satisfação do homem,
com o meio que o circunda.


2 ARQUITETURA E CONFORTO TÉRMICO

O papel da arquitetura é projetar os ambientes e organizar espaços internos e externos,
de acordo com critérios de estética, conforto e funcionalidade. Segundo COSTA (1995),
"pode-se [...] definir arquitetura como construção concebida com a intenção de ordenar e
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organizar plasticamente o espaço, em função de uma determinada época, de um determinado
meio, de uma determinada técnica e de um determinado programa".

De acordo com FROTA; SCHIFFER (2000), é através da união da arquitetura com o
conforto ambiental, que a função de oferecer condições térmicas compatíveis ao conforto
térmico humano no interior dos edifícios, tornou-se tão importante, independente de quais
forem as condições climáticas externas. Segundo as autoras, as principais variáveis climáticas
de conforto térmico são: a temperatura, a umidade, a velocidade do ar e a radiação solar.
Sendo assim, compreende-se que as construções refletem o rigor do clima, apresentando
materiais e projetos distintos, cada qual de acordo com as necessidades da edificação em
função do clima da região em que se insere.


3 INSOLAÇÃO EM EDIFICAÇÕES
“O Sol, importante fonte de calor, incide sobre o edifício representando sempre um
certo ganho de calor (energia), que será função da intensidade da radiação incidente e das
características térmicas dos paramentos do edifício” (FROTA; SCHIFFER, 2000, p.41).


3.1 CARTAS SOLARES E GEOMETRIA DA INSOLAÇÃO
De acordo com FROTA, SCHIFFER (2000), para poder proteger o edifício da
radiação solar, deve-se verificar a posição do Sol em que o local em questão se encontra, e a
época do ano em que se deseja impedir a entrada dos raios solares. Para que isso aconteça
deve-se recorrer à geometria da insolação, que irá determinar graficamente os ângulos de
incidência do sol em função da latitude, hora e época do ano. Uma das configurações feitas
através da geometria da insolação são as cartas solares que “[...] são representações gráficas
do percurso do Sol na abóbada celeste da Terra, nos diferentes períodos do dia e do ano. Em
geral, são representadas por projeções do percurso solar, em um plano.” (BITTENCOURT,
2004, p.27). Segundo o mesmo autor, a elaboração dessas cartas é feita através da análise da
implantação e orientação do edifício e em seguida da trajetória do Sol ao longo do ano e nas
diversas horas do dia num plano horizontal. O que determina o aspecto dos gráficos é a
latitude do local. O autor supracitado também aponta a existência da máscara de sombra que
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é a representação dos obstáculos nas cartas solares que bloqueiam a visão da abóbada celeste
por parte de um observador. A confecção das cartas solares se mostra uma excelente
alternativa na arquitetura, podendo designar inicialmente a implantação do edifício e
posteriormente tamanho e direção das aberturas, detalhamento de componentes
arquitetônicos, materiais utilizados na construção, etc.

3.2 DISPOSITIOS DE CONTROLE DA RADIAÇÃO SOLAR

As proteções solares são todos os sistemas cuja finalidade essencial seja controlar
adequadamente a radiação solar. Sua utilização é importante porque a insolação é a principal
causa de desconforto térmico nas edificações. (RIVERO, 1985). A proteção solar pode ser
proporcionada por vegetação ou elementos de sombreamento verticais, horizontais, ou a
junção de ambos, e mistos, ou seja, brises, pois a insolação é a principal causa de desconforto
térmico nas habitações, principalmente aquela incidente sobre superfícies transparentes e
telhados.
Para se alcançar as dimensões de um brise horizontal, necessita-se das seguintes
informações: trajetória solar e horas do dia. Depois com os dados especificados é feito o
cálculo dos seguintes ângulos: Alfa: que é o ângulo formado entre o plano horizontal que
seria o observador até a borda do brise variando entre 0º até 90º (zenite visto em corte); e
Gama: é traçado da mesma forma que o alfa, porém rotacionado a 90º em relação a este e
pode delimitar o ângulo Alfa e Beta.
E para brises verticais necessita-se dos seguintes ângulos: Alfa, e Beta: que é o ângulo
formado entre o plano normal e o plano que contém o observador (fachada) e a projeção
horizontal do brise que contém uma planta. Seu valor pode variar de 0º a 90º para a direita ou
esquerda.
Com isso adquiri-se as informações contidas na carta solar e seus devidos cálculos
que determinaram as dimensões dos brises solares que irão conter a radiação solar nos
períodos determinados, sendo que sempre será levado em conta o local, e a latitude do
ambiente.


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4 RELATÓRIO
Delimitar 2 aberturas hipotéticas para 1 volume que representará uma residência cuja
orientação das aberturas são de livre escolha do pesquisador, sendo que a situação base da
pesquisa do ambiente em análise é sem proteção ( ver anexo A e B - Planilha - Teste no
Solarscópio). Com o auxílio da carta solar foi analisado como a incidência de luz solar do
ambiente em questão, se relaciona com os brises propostos, testando assim no solarscópio as
datas e os horários sugeridos, e logo depois a verificação dos resultados atingidos.
Foram feitas 2 aberturas, sendo uma com a fachada pro Norte, e a outra para o Leste.
Após a verificação no solarscópio da latitude do local (Indaial-SC, 24°), com isso foram
tiradas fotos dessas aberturas em todos os horários e estações. Consequentemente a partir
desses dados é que foram sugeridos as propostas que mostrou ser mais interessante para se
utilizar. Sendo assim, com as informações recolhidas foram determinados duas datas e
horários em que se deseja bloquear a entrada de luz solar no interior dos ambientes.
1° Proposta: Uma abertura de 1,50m larg. X 1,00m alt., com a orientação da fachada
pro Norte (N). Nos períodos de 21 de Março/24 de Setembro (Equinócio outono/ primavera).
Com isso chegou-se a conclusão de que a utilização de brises mistos (horizontal e vertical)
abertura seria o mais interessante: o brise horizontal de 1,50m em cima da janela prolongando
0,70 m do lado direito, totalizando em 2,20 m, com 0,58 m de profundidade. E do lado
esquerdo o brise vertical sendo 1,00 m de altura acompanhando a altura da janela, com 0,43
m de profundidade.
2° Proposta: Uma abertura de 1,50m larg. X 1,00m alt., com a orientação da fachada
pro Leste (L). Nos períodos de 23 de Fevereiro - 20 de Outubro (Solstício de verão). Com
isso a utilização de brises apenas horizontal na abertura é a forma mais viável: sendo de
1,50m em cima da janela prolongando 1,00m do lado esquerdo, totalizando em 2,50m, com
0,36 m de profundidade.
Nesse caso poderíamos ter utilizado um brise horizontal de 1,60 m de comprimento,
acompanhando o comprimento da janela de 1,50 m + 0,10 m de distância do início do brise
vertical (com a mesma medida de profundidade). Sendo esse brise vertical do lado esquerdo
com 1,00 m de altura acompanhando a altura da janela com 0,43 m de profundidade.
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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O teste no solarscópio permitiu a análise do modelo produzido em escala observando
os horários pré-específicos, onde se queria o bloqueio completo no verão e a passagem de luz
direta durante o inverno no ambiente.

Na fachada Norte, houve um resultado satisfatório, pois a intenção era cobrir o sol,
nos períodos de 21 março/ 24 setembro (outono/ primavera) entre 10:00 e 16:00 horas. E os
resultados só não fecharam no período das 16:00 horas, já no inverno o sol bate no ambiente
o dia inteiro, o que é bom pois no período mais frio do ano o ambiente se mantém aquecido.
E no verão não há presença de sol em nenhum período do dia.

Na fachada Leste, porém os teste no laboratório não foram satisfatórios, pois a
intenção era cobrir o sol, nos períodos de 23 fevereiro/ 20 outubro (verão/ primavera) entre
9:00 e 12:00 horas. Mas os resultados não surtiram o efeito esperado, pois tem algumas
variações como por exemplo: No verão as 9:00 horas mesmo sendo pouco, ainda há a
incidência de sol no interior do ambiente o que não é nada satisfat´rio pois se trata do período
mais quente do ano, já no inverno o sol entra no ambiente entre 10:00 e 11:00 horas o que é
bom pois mantém o ambiente aquecido no período de frio, na primavera e outono o sol bate
com bastante intencidade as 9:00 horas e com pouca incidência as 10:00 horas. Sendo assim o
resultado não surtiu totalmente como o esperado porém ainda não completamente ruim

Acreditamos que por tratar-se de uma abertura que contém apenas brise horizontal,
talvéz a utilização de um brise vertical de apoio já seja o suficente para resolver essa questão.

Ocorreu um erro conforme citado no desenvolvimento, acredita-se que o motivo seja
por causa do aparelho, pois o mesmo não encontra-se devidamente calibrado e posicionado
para a latitude do local analisado.





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6 REFERÊNCIAS

BITTENCOURT, L.S. Uso das cartas solares: diretrizes para arquitetos. 4. ed. rev. ampl.
Maceió: EDUFAL, 2004.

COSTA, Lúcio (1902-1998). Considerações sobre arte contemporânea (1940). In: Lúcio
Costa, Registro de uma vivência. São Paulo: Empresa das Artes, 1995. 608p.il.

FROTA, A. B.; SCHIFFER, S. R. Manual de conforto térmico. 4. ed. São Paulo: Studio
Nobel, 2000. 243p.

RIVERO, Roberto. Arquitetura e Clima: acondicionamento térmico natural. 1.ed., Porto
Alegre, D.C. Luzzatto. Editores, 1985, 240 p.


























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7 ANEXOS

ANEXO A - Planilha - Teste no Solarscópio – UNIASSELVI








Relação da incidência solar com a utilização dos protetores solares

Fachada (Janela) LESTE
1° Remessa VERÃO

2° Remessa PRIM/OUTONO

3° Remessa INVERNO
SOL SOL SOL
Horário SIM NÃO POUCO Horário SIM NÃO POUCO Horário SIM NÃO POUCO

7 X

7 X

7 X
8 X 8 X 8 X
9 X 9 X 9 X
10 X 10 X 10 X
11 X 11 X 11 X
12 X 12 X 12 X

Fachada (Janela) NORTE
4° Remessa VERÃO

5° Remessa PRIM/OUTONO

6° Remessa INVERNO
SOL SOL SOL
Horário SIM NÃO POUCO Horário SIM NÃO POUCO Horário SIM NÃO POUCO

7 X

7 X

7 X
8 X 8 X 8 X
9 X 9 X 9 X
10 X 10 X 10 X
11 X 11 X 11 X
12 X 12 X 12 X
13 X 13 X 13 X
14 X 14 X 14 X
15 X 15 X 15 X
16 X 16 X 16 X
17 X 17 X 17 X
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ANEXO B - Planilha - Teste no Solarscópio – UNIASSELVI

Relação da incidência solar sem a utilização dos protetores solares

Fachada (Janela) LESTE
1° Remessa VERÃO

2° Remessa PRIM/OUTONO

3° Remessa INVERNO
SOL SOL SOL
Horário SIM NÃO POUCO Horário SIM NÃO POUCO Horário SIM NÃO POUCO

7 X

7 X

7 X
8 X 8 X 8 X
9 X 9 X 9 X
10 X 10 X 10 X
11 X 11 X 11 X
12 X 12 X 12 X

Fachada (Janela) NORTE
4° Remessa VERÃO

5° Remessa PRIM/OUTONO

6° Remessa INVERNO
SOL SOL SOL
Horário SIM NÃO POUCO Horário SIM NÃO POUCO Horário SIM NÃO POUCO

7 X

7 X

7 X
8 X 8 X 8 X
9 X 9 X 9 X
10 X 10 X 10 X
11 X 11 X 11 X
12 X 12 X 12 X
13 X 13 X 13 X
14 X 14 X 14 X
15 X 15 X 15 X
16 X 16 X 16 X
17 X 17 X 17 X








ANEXO C - Fotos da maquete no solarscópio - UNIASSELVI
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Leste - Inverno 09h00

Leste - Inverno 10h00

Leste - Inverno 11h00

Leste - Inverno 12h00

Leste - Prim-Out 09h00

Leste - Prim-Out 10h00

Leste - Prim-Out 11h00

Leste - Verão 09h00
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Leste - Verão 10h00

Leste - Verão 11h00

Norte - Inverno 10h00

Norte - Inverno 16h00

Norte - Prim-Out 10h00

Norte - Prim-Out 16h00

Norte - Verão 10h00

Norte - Verão 16h00