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GERADOR EÓLICO

Fredemar Rüncos, Engenheiro Eletricista e Físico, formado


pela UFPR, Pós-Graduação em Máquinas Elétricas Girantes
pela UFSC. Exerce a função de Gerente da Engenharia de
Produto da WEG Máquinas, onde são projetados e fabricados
Máquinas de Corrente Contínua, Máquinas Síncronas e
Máquinas Assíncronas de Grande Porte de Baixa e Alta
Tensão. Atualmente é Mestrando na área de Dispositivos
Eletromagnéticos pela UFSC.

RESUMO (ABSTRACT): Porém, atualmente, com o custo da energia crescendo


e a conscientização de pres ervar o meio ambiente, em
O vento é o resultado do movimento de massas de todo o planeta é feita pesquisa no sentido de
desenvolver acionamentos elétricos (MÁQUINA +
ar ao redor da superfície da globo, provocado por
diferenças de temperatura e pressão. A energia ELETRÔNICA) que permitam gerar energia elétrica
em uma ampla faixa de velocidade. Esta flexibilidade
mecânica dessas massas de ar constitui uma imensa
fonte de energia natural que pode facilmente ser permite o aproveitamento de formas alternativas de
energia, ajudando a pres ervar o meio ambiente.
transformada em energia elétrica através dos
geradores eólicos. Na geração eólica para maximizar a
O presente trabalho mostra o funcionamento, em potência na turbina é necessário que
regime gerador, da Máquina Assíncrona Trifásica. ela opere numa faixa de rotação da
O gerador é uma máquina de indução constituída ordem de ± 30% em torno da rotação
de dois enrolamentos trifásicos, um no estator e
outro no rotor.
síncrona. A máquina assíncrona atende
Através de uma tensão adequadamente imposta ao muito bem essa exigência quando
circuito rotórico, mostra-se que é possível controlar apresenta no rotor um enrolamento
o torque (velocidade) e o fator de potência da trifásico através do qual é possível se
máquina, funcionando como gerador. impor uma tensão de controle.
Na parte final do presente trabalho é mostrado um
panorama da energia eólica no mundo e no Brasil e
Uma grande vantagem é que a potência
também uma sugestão para otimização de um necessária do conversor é da ordem de
sistema de energia elétrica, aproveitando 30% da potência nominal do gerador
adequadamente as diversas fontes naturais de reduzindo bastante o custo do conjunto
energia disponíveis. gerador + conversor.
Em geral os acionamentos elétricos
1. INTRODUÇÃO
podem ser classificados como:
Desde o início do desenvolvimento industrial, sempre
se procurou desenvolver novas tecnologias de 1.1 MÁQUINAS COM EXCITAÇÃO
acionamento elétri co. Primeiro apareceu o motor de ÚNICA
CC, surgindo em seguida o motor síncrono. No final
do século passado foi inventado o motor assíncrono
trifásico o qual representou um grande avanço no
Esse tipo de máquina é constituído por
acionamento industrial. um enrolamento eletricamente
Porém, cada vez mais, o desenvolvimento industrial conectado a uma fonte de tensão que
exigia controles mais precisos de velocidade. supre a corrente necessária para a
Hoje, com o desenvolvimento da eletrônica e com as excitação da máquina.
novas tecnologias de fabricação de máquinas
elétricas girant es, essa necessidade industrial é
satisfatoriamente atendida. Com a competitividade é A esse grupo pertencem:
necess ário, além de bons acionamentos, se ter a) Máquinas CC de Ímã Permanente
acionamento com custos reduzidos. b ) Máquinas Síncrona de Ímã
Na área de geração elét rica não se exigia Permanente
acionamentos com variação de velocidade. A
Máquina Síncrona trabalhando num ponto com
c) Máquinas de Relutância
rotação fixa, atendia a necessidade de geração d) Máquinas de Histerese
elétrica. e) Máquinas Assíncronas com Rotor de
Gaiola
1
A máquina CC pode ser construída de duas maneiras:
o enrolamento de excitação pode estar no rotor ou no
estator.
As quatro restantes o enrolamento de
excitação está no estator.
Das cinco máquinas desse grupo a
Máquina Assíncrona com Rotor de
Gaiola é a mais simples, mais confiável
(segura) e de menor custo.

1.2 MÁQUINAS COM DUPLA O conversor está ligado diretamente à rede de


alimentação. Nos casos em que a tensão da rede é na
EXCITAÇÃO
faixa de média tensão, para reduzir o custo do
conversor este pode ser ligado à rede através de um
Esse tipo de máquina é constituída por dois trans formador.
enrolamentos eletricamente conectados a fontes de
tensão que suprem as corrent e necess árias para a 2.2 CIRCUITO EQUIVALENTE
excitação da máquina.
A principal desvantagem é a necessidade de
comutadores ou anéis coletores com escovas, Para a análise do comportamento em regime da
exigindo constante manutenção. MATRADA iremos considerar o circuito
Uma grande vantagem da máquina equivalente Τ paralelo. A Figura 2.2.1 mostra o
circuito equivalente.
duplamente excitada é o fato de que ela
pode trabalhar tanto em regime de
motor como em regime de gerador.
No presente trabalho, iremos estudar
a Máquina Assíncrona Trifásica com
Rotor Bobinado de Anéis Duplamente
Alimentada [MATR ADA] funcionando
em regime como gerador.

2. CIRCUITO EQUIVALENTE DA MATRADA

2.1 DESCRIÇÃO DA MATRADA

A Máquina Assíncrona Trifásica Duplamente


Alimentada (MATRADA) é uma máquina com rotor
bobinado e com anéis coletores.
O enrolamento do estator é ligado diretamente na
rede, e o enrolamento do rotor é ligado através dos
anéis coletores a um conversor de freqüência com
controle vetorial.
A Figura 2.1.1 mostra o diagrama esquemático da
MATRADA.

No texto adotaremos letras maiúsculas para os


parâmet ros referidos ao estator e letras minúsculas
para os referidos ao rotor.

Os parâmetros do circuito equivalente, são:

( U 1 ) 2
a) Tensão de Fase do Estator Esta impedância é introduzida no circuito
A tensão aplicada ao enrol amento do estator equivalente para levar em conta as perdas no
( U 1 ) é considerado de fas e e é o fasor de ferro do rotor. A MATRADA pode trabalhar com
referência. rotações bem di ferentes da nominal e nestas
rotações a perda no ferro do rotor não pode ser
U 1 = U 1 00 (2.2.1) desprezada.

R pfe2 (2.2.7)
b) Impedânci a de Fase do estator ( Z 1 ) Z pf 2 = + j0
s
A resistência de fase do estator é referida para
140°C.
A resistência das perdas no ferro ( R pfe 2 ) é
Z 1 = R1 + j X 1 (2.2.2) determinada por:

 3 E12
c) Impedânci a de Fase do Rotor ( Z 2 ) R pfe2 = (2.2.8)
p fe2
A resistência de fase do rotor é referida para
140°C.
R
Z 2 = 2 + j X 2 (2.2.3)
s Onde a perda no ferro do rotor ( p fe2 ) é
dado por:
d) Impedânci a Magnetizant e ( Z m )
Através da impedânci a magnetizante p fe2 = p feb − p fe1 (2.2.9)
introduzimos a reatância magnetizante
considerada constante para qualquer Onde:
escorregam ento.
p feb = Perdas no ferro medida com rotor
Z m = 0 + j X m (2.2.4) bloqueado e circuito secundário
aberto, aplicando-s e ao estator a
tensão nominal.

e) Impedânci a de Perdas no Ferro do Estator g) Tensão de Fase Imposta ao Rotor ( U 2 )


( Z pfe1 ) A tensão imposta ao rotor é fornecida pelo
Através desta impedância introduzimos as perdas conversor que é ligado ao enrolamento secundário
no ferro do estator no circuito equivalente. através dos anéis coletores.

Z pfe1 = R pfe1 + j 0 (2.2.5) U 2 = U 2 θU 2 (2.2.10)

A resitência de perdas no ferro ( R pfe1 ) é Onde:


determinado por:
θU 2 = 
É a fas e da tensão U 2
3 E1 2
R pfe1 = (2.2.6)
p fe1 Para referenciar as grandezas do estator para o
rotor, usamos as seguintes constantes de
Onde: trans formações:

E1 = Tensão no ramo magnetizante medida PARA A TENSÃO


nos terminais do rotor com rotor E1
bloqueado e o secundário (rotor) ke = (2.2.11)
aberto. e1
p fe1 = Perdas no ferro medido com a máquina
girando em vazio. PARA A CORRENTE
I2 1
f) Impedânci as de Perdas no Ferro do Rotor ki = = (2.2.12)
( Z pfe 2 ) i2 ke

3
a máquina opera como
PARA A IMPEDÂNCIA gerador, porém com fator de potência capaci tivo.
Para a condição de gerador as potências complexas,
Z2
kz = = ( ke ) 2 (2.2.13) ativa e reativa são dados por:
z2
A potência complexa (aparent e)

2.3 DIAGRAMA FASORIAL DA S 1 = 3 U 1 . I 1*


MATRADA FUNCIONANDO (2.3.2)
COMO GERADOR
A potência ativa:
Uma vez definido os parâmetros do circuito
equivalente da MATRADA é possível se desenhar o P1 = 3 U 1 I 1 Cos ( − Θ I1
) (2.3.3)
diagrama fasorial.
Para traçar o diagrama fasorial consideramos os
seguintes fasores, todos referidos ao estator. A potência reativa:

Q1 = 3 U 1 I 1 Sen ( − Θ I1
) (2.3.4)
U 1 = U 1 0
Tensão de Fase do Estator
(referência) Na condição da MATRADA operando como gerador
U 2 = U 2 θU 2 pela Equação 2.3.3 temos P1 sempre negativa, isto
Tensão de fase imposta ao significa que a potênci a flui da máquina para a rede,
Rotor isto é, esta gerando energi a elétrica.
E 1 = E1 θ E1 Para a potência reativa temos duas situações
Tensão Magnetizante de possíveis quando a MATRADA opera como gerador,
Fase refletida ao Estator ou seja:
E 2 = E 2 θ E2
Tensão Magnetizante de 1°) Q1 > 0 (POSITIVO)
Fase Refletida ao Rotor Nesta condição signi fica que a MATRADA
I 1 = I 1 θI1 está operando como gerador com fator de
Corrente de Fase do Estator potência INDUTIVO, isto é, os reativos
fluem da rede para a MATRADA.

I 2 = I 2 θI2
Corrente de Fase do Rotor 2°) Q1 < 0 (NEGATIVO)
Nesta condição signi fica que a MATRADA
I 0 = I0 θI0 está operando como gerador com fator de
Corrente de Fase do ramo potência CAPACITIVO, isto é, os reativos
em vazio fluem da MATRADA para a rede.
Φ = Φ θφ
Fluxo no Entreferro A Figura 2.3.1 mostra o diagrama fasorial gerador
da MATRADA, para fator de potência indutivo.
DIAGRAMA FASORIAL GERADOR DA
MATRADA

Uma máquina assíncrona tri fásica trabalha em regime


gerador quando a defasagem entre a tensão U 1 e a
corrente estatórica I 1 é em módulo maior que
90°, ou seja:

90 ° < Θ I 1 < 270 ° (2.3.1)

Na condição acima quando 180 ° ≤ Θ I 1 < 270 °


Máquina opera como gerador, porém com fator de
potência indutivo. Quando
90 ° < Θ I 1 < 180 °
4
A Figura 2.3.2 mostra o diagrama fasorial gerador
da MATRADA para fator de potência capacitivo.

As potências envolvidas no diagrama da Figura 2.4.1


são:

S 1 = Potência complexa gerada pelo estator da


MATRADA e que é fornecida à rede.

S 2 = Potência complexa que atravessa o


conversor. Esta parcela de potência pode
ser absorvida ou fornecida à rede
dependendo da condição de trabalho da
MATRADA como gerador. Portanto o
conversor que interliga o rotor à rede deve
ser bidirecional, isto é, deve permitir o
fluxo de potência ( S 2 ) nos dois sentidos.

S e = Potência complexa eletromagnética que


atravess a o entreferro da MATRADA.
Na condição de FP capacitivo a máquina opera em
condições térmicas piores porque a corrente rotórica Peixo = Potência mecânica no eixo da
é maior. I 2
MATR AD A fornecida pela
TURBINA EÓLIC A.

p est = Representa as perdas


2.4 FUNCIONAMENTO EM REGIME
GERADOR p rot = Representa as perdas
tó i
A MATRADA funcionando como gerador Admitindo que a MATRADA esteja trabalhando em
comporta-se como um dispositivo que transform a regime gerador e que para uma dada rot ação
energia mecânica em energia elét rica.
O fluxo de potência desde o eixo da MATRADA até
( n ) ela deva entregar a rede uma potência
a rede onde a máquina está conectada é mostrado na
P1 ( n ) com um fator de potência
FP = Cos( − Θ I 1 ) predeterminado, o módulo
da corrent e estatórica I1 ( n ) é dada por:
Figura 2.4.1.

P1( n )
I 1( n ) = (2.4.1)
3U 1 Cos ( −Θ I 1 )


I 1( n )
Nesta condição o fasor está definido
porque conhecemos o seu módulo I 1 ( n ) e seu
ângulo de fas e Θ I 1 , logo:

I1( n ) = I 1 ( n ) ΘI1 (2.4.2)

5

Uma vez conhecido I 1 ( n ) a corrente no ramo
em vazio Io ( n ) pode facilmente ser determinada
a partir do circuito equivalente mostrado na Figura Onde a rotação síncrona ns é função da
2.2.1., ou seja: freqüência f 1 do estator e número de par de pólos
( p ) da MATRADA, logo:

U − Z1 I1 ( n ) (2.4.3) f1


Io ( n ) = 1 ns =
Zo ( n ) p (2.4.10)

A impedância Z 0 ( n ) corresponde a impedância A freqüência f 2 ( n ) da tensão imposta ao rotor


equivalente do ramo em vazio. para a rotação u ( n ) é dada por: ( n )
2
A impedância equivalente de perdas no ferro
Zpfe ( n ) e dada por: f 2 ( n ) = s ( n ) f1 (2.4.11)

Z pfe1 . Z pfe2 ( n )
Z pfe ( n ) = (2.4.4)
Z pfe1+ Z (n )
pfe2 A corrente I 2 ( n ) referida ao rotor e que flui
através do conversor é dada por:

Portanto a impedância Z 0 ( n ) é dada por:


1
i2 ( n ) = ⋅ I 2 ( n )
Z . Z pfe ( n ) ki
(2.4.12)
Z o ( n ) = m (2.4.5)
Z + Z ( n )
m pfe

A potência complexa S 2 ( n ) que flui através do


I 1( n ) 
Finalmente conhecido e I0 ( n ) a conversor fica:
corrente rotórica I 2 ( n ) pode ser calculada:
S 2 ( n ) = 3 u 2 ( n ) ⋅ i2 ( n )* (2.4.13)
I 2 ( n ) = I0 ( n ) − I1 ( n ) (2.4.6)

O conversor desempenha o importante papel de


impor a tensão U 2 ( n ) aos terminais do rotor
para garantir o desempenho da MATRADA nas Portanto a potência ativa P2 ( n ) fica:
condições de geração predeterminado na rotação
( n) . P2 ( n ) = 3 u 2 ( n ) i 2 ( n ) . Cos ( Θ U 2− ΘI 2
)

Baseado no circuito equivalente da Figura 2.2.1 a (2.4.14)


tensão imposta pelo conversor U 2 ( n ) é dada
por: A potência reativa Q2 ( n ) fica:

U 2 ( n ) = U 1 − Z 1( n ) I 1 ( n ) + Z 2 ( n ) I2 ( n ) Q2 ( n ) = 3 u 2 ( n ) i 2 ( n ) . sen ( Θ U 2 − Θ I 2 )

(2.4.7) (2.4.15)

Referido ao rotor temos:


Conhecendo-s e as perdas estatóricas ( p est ) è
s( n ) 
u 2 ( n ) = ⋅U2 (n ) (2.4.8) possível se determinar a potência eletromagnética
ke S e ( n ) que atravess a o entreferro da MATRADA
como sendo:

Para a rotação ( n ) o escorregamento s( n ) é S e ( n ) = S 1 ( n ) + p est ( n ) (2.4.16)


dado por:

ns − n (2.4.9)
s( n ) =
ns
6
A turbina eólica deve fornecer ao eixo da
MATRADA uma potência Peixo ( n ) dada por: A MATRADA apresenta a importante caract erística
de operar como gerador numa ampla faixa de rotação
Peixo ( n ) = P1( n ) + P2 ( n ) + p t ( n ) tanto com Fator de Potência Indutivo ou Capacitivo.
(2..4.17) Para garantir a operação da MATRADA numa
determinada condi ção imposta, o conversor de
freqüência deverá impor ao circuito rotórico a
Onde p t ( n ) representam as perdas totais: tensão u 2 ( n ) dada pela Equação 2.4.8.

p t ( n ) = p est( n ) + prot ( n ) (2.4.18) O objetivo desse trabalho não é mostrar a dinâmica


do funcionam ento do conjunto Gerador + Conversor,
no entanto mostramos na Figura 2.4.2 o
funcionamento esquemático do Gerador e Conversor.
A potência líquida S rede ( n ) entregue a rede é
dado pela soma de S 1 ( n ) e S 2 ( n ) , ou
seja:

S rede ( n ) = S 1 ( n ) + S 2 ( n ) (2.4.19)

3. A ENERGIA EÓLICA Para atingir este objetivo é necessário saber explorar


os recursos energéticos naturais de forma racional e
O desenvolvimento econômico e social de uma noção inteligente no sentido de maximizar o seu
pode ser medida pelo nível de consumo de energia rendimento.
elétrica. A natureza coloca a disposição do homem várias
A energia elétri ca nos dias de hoje desempenha um font es de energia primári a, onde algumas são
papel importante na vida das pessoas. renováveis e outras não.

Para garantir o desenvolvimento social contínuo além Como fonte de energia renovável citamos:
de outros elementos básicos, a energia elétrica deve ƒ Hídrica
ser abundante e de baixo custo. ƒ Eólica
ƒ Biomassa
7
ƒ Solar POTENCIAL HIDRÁULICO CUSTO DE GERAÇÃO
EXISTENTE NA REGIÃO ELÉTRICA PREVISTO
AMAZÔNICA (Total = 261 GW)
Como fonte não renovável citamos: 33% < US$ 40 / MWh
ƒ Gás Natural 25% US$ 40 – US$ 60 / MWh
ƒ Carvão 14%
28%
US$ 60 – US$ 70 / MWh
> US$ 70 / MWh
ƒ Petróleo C ustos P revistos para a Geração Elétrica na Am azônia
ƒ Nuclear (Usinas Hidroelétricas Planejadas)
Devido a necessidade de preservar o meio ambiente
as fontes de energia renovável estão no centro das O Brasil poderia ter uma participação efetiva e
atenções mundiais. estratégica no mercado de geração de energi a
Alguns governos ao redor do planeta estão alternativa, através de uma integração da geração
incentivando a geração de energia elétri ca a partir das eólica com o sistema elétrico atual que é basicamente
font es de energia renováveis. Hídrico.
De 1994 a 1998 a força do vento foi a fonte de Esta integração deveria ser feita através de Geradores
energia primária que maior incentivo recebeu dos Síncronos e Geradores Assíncronos (MATRADA),
governos apresentando o maior cres cimento em ver Figura 3.1 abaixo.
termos de geração de energi a elétrica.
De acordo com a Associação Européi a de Energia
Eólica (EWEA) até o ano 2020 serão instalados ao
redor do mundo um total de 1,2 milhões de
megawatts (100 ITAIPUS) em geração de energia
eólica.
Segundo Hans Bjerregard, Presidente do Fórum
Dinamarquês para Energi a e Desenvolvimento, a
Dinamarca está próxima de ter 10% de suas
necessidades de eletricidade supridas pela energi a
eólica. O objetivo do governo é chegar até 50% em
2030, incluindo, para tanto, a captação pioneira de
energia em alto mar.
O Brasil tem em abundância as quatro fontes de
energia renovável acima citadas.
A Hídrica e a Eólica, se apresentam em maior
quantidade e em melhores condições econômicas de
aproveitamento. A Hídrica está distribuída no país
inteiro.

Com o potencial eólico existente no Brasil,


confirmado através de medidas de vento precisas, O gerador (MATRADA) mostrado neste trabalho
realizadas recentem ente, é possível produzir apres enta a capacidade de trabalhar numa ampla faixa
eletricidade a custos competitivos com centrais de rotação. Esta característica permite a aplicação
termoelétricas, nucleares e hidroel étricas. Análises deste gerador tanto em turbinas eólicas como em
dos recursos eólicos medidos em vários locais do turbinas hidráulicas.
Brasil, mostram a possibilidade de geração elétrica Na turbina eólica ele permite a otimização da energia
com custos da ordem de US$ 40 – US$ 60 por do vento, devido sua flexibilidade na variação de
MWh. velocidade.

De acordo com estudos da ELETROBRÁS, o custo Na turbina hidráulica é possível ajustar a operação do
da energia el étrica gerada através de novas usinas gerador em função da altura monométrica da água
hidroelétricas construídas na região amazôni ca será disponível no reservatório trabalhando no ponto de
bem mais alto que os custos das usinas implantadas rotação onde o rendimento da turbina é máximo e
até hoje. Quase 70% dos projetos possíveis deverão evitando a cavitação que pode danificar a turbina.
ter custos de geração maiores do que a energia gerada
por turbinas eólicas (ver TABELA abaixo). Todo kW de energia elétrica gerada por uma turbina
Outra vantagem das centrais eólicas em relação as eólica economiza uma quantidade equivalente em
usina hidroelétricas é que quase toda a área ocupada água no reservatório.
pela central eólica pode ser utilizada (para
agricultura, pecuária, etc.) ou preservada como Por outro lado, o Brasil possui milhares de locais
habitat natural. isolados onde a eletricidade é gerada através de óleo
diesel. Apenas na região Amazônica, mais de 500
8
comunidades utilizam motogeradores diesel para a 1979, Traduzido por Antônio Fernandes Magalhães,
geração elétri ca com custos de geração entre US$ pag. 612-621, 694-704.
0,20/kWh e US$ 0,80/kWh. Turbinas eólicas
acopladas aos sistemas diesel existentes (sistema [4] E. Levi, “Polyphase Motors – A Direct Approach
híbridos eólico / diesel) podem propiciar uma to Their Design”, John Wiley & Sons, Inc., 1984,
economia substancial em termos de consumo de pag. 98-178.
combustível, transporte, armazenamento, operação,
manutenção e logística, sem contar com a redução da [5] R. Richter, “Elektrische Maschinen – Die
poluição ambiental. Induktionsmaschinen”, Verlag Birkhäuser AG.,
Basel, 1954, pag. 315-358.
4. CONCLUSÃO
[6] M. Chilikin, “Electric Drive”, Mir Publishers,
O gerador síncrono é uma máquina excelente para Moscow, 1976, pag. 153-169.
gerar energia el étrica quando a rotação da máquina
primária é fixa.
Porém, para os aproveitamentos energéticos onde a
máquina primária exige variação de velocidade, a
máquina síncrona não é a melhor solução técnica
econômica.
A máquina assíncrona é bastante vers átil, robusta e
de menor custo.
Porém, para aplicação como gerador, a máquina
assíncrona de rotor de gaiola apresenta limitações.
O gerador assíncrono de rotor em gaiola apresenta-se
tecnicam ente e economicam ente viável para
potências menores que 800 kW.
Para potências maiores o gerador assíncrono com
rotor bobinado de anéis duplamente alimentado
(MATRADA) apresenta-se como uma solução
adequada do ponto de vista técnico e econômico.
A grande vantagem da aplicação da MATRADA em
geração eólica é o fato do conversor ser
dimensionado para uma potência da ordem de 30%
da potência nominal e de tecnologia dominada.
Outra grande vant agem é o fato de trabalhar numa
faixa de rotação desde 70% a 130% da rotação \\WMADMN1\DAT\DEPTO\FREDEMAR\MATDA\Texto\Tr-
síncrona com fator de potência control ado, gere1.doc - 04/02/00
permitindo desta forma a otimização do rendimento
na conversão el etromecânica da energia.

5. BIBLIOGRAFIA

[1] B.Hopfensperger, D.J.Atlinson, “Cascaded


Brushless Doubly-Fed Machines for Variable Speed
wind Power Generation: na Overview”, Department
of Electrical and Electronic Engineering, Univertity
of Newcastle, Newcastle upon Tyne, NE1 7RU, Great
Britain.

[2] Y. Liau, “Design of A Brushless Doubly-Fed


Induction Motor for Adjustable Spees Drive
Applications”, GE-Corporate Research and
Development Center, Building K1-EP118, P. O. Box
8, Schenectady, NY 12301, USA, IEEE, 1996,
pag.850-855.

[3] M. Kostenko & L. Piotrovski, “Máquinas


Elétricas, Vol. II, Edições Lopes da Silva, Porto,