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A explicaçào do Senhor Jesus da genêsis

O Grande Evangelho de João – Volume II, Capitulo 219-221 Jakob Lorber

219. A CRIAÇÃO DE CÉU E TERRA

1. A seguir Cirenius Me pede explicação para a Gênesis de Moisés.


Digo Eu: “Amigo, o que iniciei também terminarei, apenas duvido que
o possais entender. Para tal é indispensável noção sobre o ser
humano, tão difícil quanto a compreensão justa e completa de Deus.

2. Teria de desmembrar a construção física, psíquica e espiritual do


homem, de fibra em fibra, para demonstrar como a alma se
desenvolveu e formou do espírito, e a matéria da alma, em suas
múltiplas correspondências, conforme acontece entre os raios de luz e
as trevas. Por aí vedes que isto não poderá ser feito tão fácil e
rapidamente como julgais; contudo, dir-vos-ei tanto quanto
assimilardes, de acordo com vossas experiências psíquicas.

3. Se diz Moisés: “No início criou Deus Céu e Terra”, em absoluto se


referia ao mundo visível porquanto, como sábio, tinha apenas como
objetivo a verdade plena. Ocultava, porém, sua sabedoria em quadros
correspondentes, dando prova disto quando teve de cobrir sua face
luminosa com uma tríplice coberta.

4. No tocante ao “Céu” deve-se entender que Deus projetou, em


eras remotas, de Seu Centro Eterno e Espiritual, a capacidade
intelectiva, exteriorizando-a. Mas, como disse: apenas a capacidade
intelectiva, semelhante a um espelho que, mesmo numa noite trevosa
possui o poder de refletir em sua superfície polida. Sem objetividade,
no entanto, não tem valor.

5. Por tal motivo Moisés menciona além da projeção do Céu, ou


seja, a capacidade intelectiva isolada do Centro Vital de Deus, uma
chamada criação simultânea da Terra. Que vem a ser a Terra? Por
acaso isto que pisamos? Nunca!

6. A Terra representa a capacidade de assimilação e atração das


inteligências afins, semelhantes àquilo que os egípcios e gregos
denominavam associação de idéias, da qual, finalmente, surge uma
frase verdadeira.

7. Se, portanto, devido à projeção da capacidade intelectiva, a


afinidade recíproca é condicional, a atração é evidente, – e Moisés não
poderia encontrar quadro mais apropriado para esse ato puramente
espiritual do que a Terra, que nada mais é que um conglomerado de
partículas substanciais de afinidade simultânea.

8. Moisés prossegue: “Havia trevas nas profundezas.” Quereria ele,


deveras, apontar a escuridão sobre a Terra recém-criada? Digo-vos,
nunca sonhou tal idéia, pois era profundo conhecedor da natureza
terráquea, iniciado na sabedoria e ciência dos egípcios. Não
ignorando, portanto, que a Terra, – filha do Sol, milhões vezes milhões
de anos mais jovem – não poderia estar nas trevas quando foi criada.
Moisés apenas apontou figuradamente que a capacidade intelectiva e
a afinidade de atração das inteligências não possuíam noção,
compreensão e consciência, de si próprias – tudo isto idêntico à luz –
mas sim, o contrário, até que se apoderaram reciprocamente, atrito
que finalizou em luta. Ainda não observastes o fenômeno produzido
pelo atrito de duas pedras ou paus, de que deriva o fogo e a chama?
Eis a luz da qual fala Moisés!

220. TERRA E LUZ

1. (O Senhor): “Sabemos, portanto, o que seja a luz; consta, porém,


que a Terra estava deserta e vazia! Por certo; pois, somente a
capacidade de assimilar qualquer coisa e a noção desta necessidade
de modo algum seriam suficientes para encher uma vasilha, ficando
neste estado o receptáculo vazio.

2. O mesmo sucedeu durante a Criação. Bem que havia sido


projetada, por Deus, uma quantidade de pensamentos e idéias
através da Onipotência de Seu Amor e Sabedoria no Espaço Infinito,
projeção que, há pouco, denominamos as diversas capacidades
intelectivas e isto porque todo pensamento é, de certo modo, o reflexo
no cérebro daquilo que o coração ativo produz.

3. Um pensamento ou uma idéia por si só se assemelha a um


receptáculo vazio ou a um espelho num porão em trevas, portanto a
afinidade recíproca de idéias apresenta o mesmo quadro. Não existe
atividade entre elas, mas apenas capacidade para tal.

4. Todas essas idéias inativas da Sabedoria Divina são comparáveis à


“água”, na qual também se acham amontoados inúmeros elementos
especificados em um só, do qual, todavia, o mundo absorve sua
existência variada.

5. Mas todos os pensamentos grandiosos e as idéias deles surgidas


dentro da Sabedoria Divina – embora sublimes e verdadeiros – jamais
poderiam ter conseguido se concretizar, tal como acontece a um sábio
se lhe faltam os meios adequados. A fim de imaginarmos uma
realidade como sequência de pensamentos e idéias torna-se
necessário conseguir os meios correspondentes, pelos quais a
verdadeira atividade das idéias é ativada por uma elevada força.

6. Se uma pessoa deseja dar corpo a alguma idéia, precisa, além dos
recursos materiais, sentir um grande amor por tal empreendimento.
O amor acaricia o projeto, pelo que tudo se torna mais claro e
compreensível. E vede, tal amor é o Espírito de Deus que paira sobre
as águas, onde se apresenta a massa infinita dos pensamentos e
idéias divinos, ainda informes.

7. Vivificados por esse Espírito os pensamentos de Deus começaram


a se unir numa idéia grandiosa e um pensamento impelia outro. Com
isto se deu, automaticamente, na Ordem Divina o “Que se faça luz!” e
“A luz se fez!”, e explica-se por si mesmo o grande ato criador e
natural desde início, – equivalente ao processo evolutivo psico-
espiritual da criança recém- nascida até o ancião, do primeiro homem
da Terra até o fim dos tempos – em tudo!

8. Moisés externa uma frase pela qual se poderia deduzir que Deus
reconhecesse ser a luz boa, após sua aparição pelo fogo da atividade
amorosa do Espírito. É claro que isto não se dá; testemunha apenas a
Sabedoria Infinita de Deus, pela qual essa luz é a Vida Espiritual
verdadeiramente livre, surgida pela atividade dos pensamentos e
idéias divinos dentro da Sabedoria. Poder-se-ão, deste modo,
desenvolver para seres independentes com inteligência própria, sob
influência constante de Deus! Eis o que se deve entender sob o
aditamento de Moisés; nunca, porém, suporter Deus chegado à noção
subjetiva ser a luz algo de bom.

221. SEPARAÇÃO DE LUZ E TREVA

1. (O Senhor): “Agora, porém, temos algo mais difícil de compreender.


Ei-lo: Deus separou a luz das trevas, denominando à primeira “dia” e
à segunda “noite”. Ser-vos-á mais fácil classificar as noções de “dia”
para
vida independente, liberdade, vida consciente do Amor Divino,
surgida na criatura, enquanto que para “noite”, morte, julgamento,
prisão, pensamentos e idéias de Deus ainda não vivificados.

2. Esta ordem também se vos depara em cada planta que apresenta


até o surgimento do fruto nada além de treva ou morte, porquanto o
Divino Espírito paira sobre as águas das profundezas antes do
preparo vital dentro da matéria. Havendo, porém, uma base sólida, de
sorte que o último anel na haste da Criação possa ser formado, dando
início à verdadeira vida do espírito numa consciência própria, – é
evidente a separação entre luz e treva, da vida liberta e imutável do
seu julgamento temporário, idêntico à noite.

3. A seguir, consta: “Da noite e do amanhecer fez-se o primeiro dia.”


Que vem a ser isto? – A noite é semelhante às condições
preparatórias, onde a assimilação da vida do Amor Divino, pela
influência da onipotente Vontade de Deus, concretizam-se como se
pensamentos isolados se unissem a uma idéia. Uma vez firmados
para a formação do último anel debaixo da espiga do trigo, a noite
terá findado, dando início à ação livre e independente do fruto. Como
as criaturas denominassem de “manhã” a passagem da noite para o
dia, de modo idêntico se classifica o estado transitório de
constrangimento do homem, antes de se libertar de sua mente.
Moisés, portanto, não cometeu erro de lógica quando fez surgir o
primeiro dia da noite e da manhã seguinte.
4. A razão dele fazer seguir seis dias após o primeiro, baseia-se na
observação segura de que cada coisa, desde o início até sua perfeição,
terá de passar por seis períodos dentro da Ordem Divina, assim como
acontece à espiga de trigo quando amadurece na haste seca.

5. Da semeadura ao germinar dá-se o primeiro dia; até a formação


da haste e das folhas protetoras, o segundo; daí ao último anel rente
à base da espiga, o terceiro; da formação dos vasos respectivos, tal
como os aposentos nupciais para a geração da vida independente até
a flor, o quarto dia; daí à queda da flor, a formação do fruto vital e
sua livre ação – embora ainda ligado aos estados primitivos de
aprisionamento, dos quais uma parte nutritiva é absorvida para
formar as películas, não obstante o alimento principal ser assimilado
dos Céus de luz e calor – até o completo desenvolvimento do fruto, o
quinto dia; finalmente, a queda da casca que o envolve já
amadurecido, fase em que a semente exige o alimento celeste para
sua consolidação, nutrindo-se livremente para uma vida indestrutível,
o sexto e último dia de formação e plena liberdade vital. No sétimo se
apresenta o repouso, o estado da vida perfeitamente consolidada para
a Eternidade e munida da plena Perfeição Divina.

222. FASE FINAL DA CRIAÇÃO

1. (O Senhor): “Se fordes capazes de meditar um pouco mais que o


comum das criaturas sobre o que vos acabo de falar, compreendereis,
embora não em sua profundeza, que Moisés se referia à única e
verdadeira aparição do desenvolvimento de todas as coisas, desde seu
início à perfeição máxima, dentro da Ordem da Sabedoria Eterna.

2. Quem não o entender desta forma não deve ler os livros desse
profeta, pois interpretá-lo-á erradamente, aborrecendo-se com a
estultícia e finalmente, com aqueles que desejem por meio de armas,
incutir tal ensinamento aos demais como divino.

3. Fazendo a leitura dentro da compreensão acima, a pessoa


reconhecerá não só ser Moisés profeta mui sábio, iluminado pelo
Espírito de Deus, dotado da maior capacidade de inspiração e vontade
firme, capaz de transmitir às criaturas a verdade plena sobre a
Divindade e Sua Criação, da maneira como a recebeu por Deus em
seu espírito gigantesco.

4. Deste modo surgiram sóis, planetas, isoladamente e tudo que


comportam, ao mesmo tempo com relação ao Todo. Apareceu o
homem num sentido restrito, e de modo geral, porquanto toda
partícula – da maior à menor – da Criação material e espiritual
corresponde ao homem, por ser dela o móvel e a causa principal, além
de ainda representar o produto final do Plano Divino, conquistado
através de todos os empenhos precedentes de Deus.

5. Por ser o homem o que Deus queria alcançar através dos ciclos
anteriores, de que sois prova irrefutável – tudo que está nos Céus e no
Cosmos corresponde a ele, conforme foi explicado pelo profeta.
Analisai- o cautelosamente e chegareis a esta conclusão. Tu,
Cirenius, estarás satisfeito com Moisés?”

Fonte: http://www.scribd.com/doc/18731436/-Jacob-Lorber-
evanjoao02