São os sete pecados capitais?

2

S.E.R. Sistema Energético de Resgate

NOTA:

Este livreto não tem o condão de querer se prevalecer sobre qualquer outro conhecimento, dogma, doutrina, fé, crença, filosofia, religião, seita, ordem, tratado, estudo ou até mesmo opinião pessoal, isso deve ficar bem frisado para o leitor que busca o Conhecimento! A palavra de ordem é: LIBERDADE!

A proposta do S.E.R., com este trabalho é trazer ao leitor uma visão mais ampla do que se vive no mundo material e extrair dele mesmo novas visões para um mundo não-material.

Paz Inverencial!
3

Paradoxo.

Marcos 7:34-35

“E, levantando os olhos ao céu, suspirou, e disse: Efatá; isto é, Abre-te. E logo se abriram os seus ouvidos, (...)”

Coríntios 14.6

“E agora, irmãos, se eu for ter convosco falando em línguas, que vos aproveitaria, se não vos falasse ou por meio da revelação, ou da ciência, ou da profecia, ou da doutrina?”
4

S

ão os Pecados Capitais?

No ano 33 da era Cristã, um homem foi condenado à pena capital de sua época por defender idéias plácidas, todavia contrárias aos interesses políticos daquela era. Depois, os mesmos políticos perceberam que precisavam mudar seus conceitos criando novos. Juntaram-se numa das reuniões mais famosas da história da humanidade e meditaram, pesquisaram, avaliaram, conjeturaram, confabularam e perceberam que dominar era importante e a massa pouco pensante era o foco. Jogaram fora escrúpulos de vaidade e orgulho e adotaram as idéias do mesmo homem outrora condenado à morte cruel na cruz. Assim formou-se o Concílio de Nicéia. Elaboraram-se as normas e regras de conduta moral e espiritual que, depois de lançadas à civilização, deveriam ser vigiadas e cobradas com extremo rigor, inclusive com a paradoxal pena de morte por seu não cumprimento! Esses líderes dos quatro cantos do mundo conhecido precisavam organizar a desordem político/religiosa, mas sob a tutela e óptica de quem? Dos Religiosos, dos Filósofos, dos Cientistas ou dos Políticos? Com o passar do tempo, novos ajustes foram sendo feitos e dentre as normas e regulamentações surgem aí, na longínqua história, as raízes profundas que dariam origem aos Sete Pecados Capitais, ou seja, os sete pecados de morte!

5

O

bjetivos

Um dos objetivos desta pesquisa é o de demonstrar o quão aprisionados estamos em questões dogmáticas que foram implantadas em nossa psique de geração em geração e que ainda povoam nossa mente em pleno avançado Século XXI e gerar com isso um pensamento que conduza à liberdade conceitual e dogmática em nossa era, indicando uma fórmula simples de pensamento individual que abre fronteiras para analisar outros tipos de condicionamentos que nos mantém reféns de um sistema invisível e dominador, tudo isto sem o cunho meramente crítico ou apológico tão somente. Não é nossa idéia, tampouco a proposta, execrar qualquer religião, mas mostrar o quanto serviu e que agora já foi; não há mais a necessidade de referenciais externos. Outro dos objetivos que se procura abordar e levar ao patamar de equívoco é o medo de tomar em mãos essa mesma liberdade conceitual e dogmática. Como ser livres de conceitos que nos foram tão “úteis” por eras e eras a fio? E para quê? Seria a religião um freio para a humanidade? A bíblia, o livro sagrado, seria realmente um instrumento do divino Espírito Santo inspirado aos homens? Os Sete Pecados são realmente capitais? Indagamos mais audaciosamente: existem pecados? Existe carma? E a Misericórdia Divina, como fica? Essas são as principais questões problemáticas que se colocam para que possamos nos aprofundar, no tempo e no espaço em busca das origens humanas de conceitos enclausuradores.

6

O

rigens

Nos três quartos de século anteriores à fundação da histórica Academia de Platão, tantos teoremas haviam sido provados que se tornou uma questão complexa de como conectá-los a uma árvore genealógica, ou seja, como axiomatizar a ciência pelo isolamento da menor quantidade de suposições independentes a partir das quais estas e outras descobertas poderiam ser validamente derivadas. Assim, naquela época antes do Cristo Jesus, criou-se um sistema conhecido por canônico o qual serviu para fechar os possíveis detalhes soltos. De igual forma também foi criado um sistema canônico para fechar todos os defeitos possíveis e encontráveis dentro de objetivos próprios onde pudessem estar todos reunidos em sete “pecados” apenas. Trezentos anos após o assassinato de Jesus da Galiléia, o então bispado romano não estava preparado para a enorme descoberta feita pelo máximo poder político, de que já não se podia governar sem Cristo. Silvestre I, titular oficial da sede de Pedro, seguiu sem ter grande influência. Nos 21 anos que durou seu governo, paralelo ao do Imperador Constantino, a igualdade de direitos de todos os bispos foi mais decisiva e influente que a autoridade exclusiva do bispo de Roma. Já havia na Silvestre I África mais de 100 bispos, e 60 na Itália e Roma. No Oriente, no Egito e África,

o cristianismo se converteu em religião nacional. A Europa estava representada pela Itália, Grécia e Espanha bem como havia representantes ocidentais. O governo de Constantino procurou reunir todos os partidos religiosos e os paladinos da fé. O Imperador, com o título de "Pontífice Máximo", presidiu durante 25 anos aquela igreja episcopal; à frente do cristianismo havia um César não batizado. Não se fez batizar até os últimos momentos de sua vida. Desde Lúcio Domício Aureliano (270 - 275 d.C.), os imperadores tinham abandonado a unidade religiosa, com a renúncia de Aureliano a seus "direitos divinos", em 274. Porém, Constantino, estadista sagaz que era, inverteu a política vigente, passando, da perseguição aos cristãos, à promoção do Cristianismo, vislumbrando a oportunidade de relançar, através da 7

igreja, a unidade religiosa do seu Império. Contudo, durante todo o seu regime, não abriu mão de sua condição de sumo-sacerdote do culto pagão ao "Sol Invictus", que era Mitra (e era justamente ao mitraismo que a religião cristã pretendia absorver). Tinha um conhecimento rudimentar da doutrina cristã e suas intervenções em matéria religiosa visavam, a princípio, fortalecer a monarquia do seu governo. Na verdade, Constantino observara a coragem e determinação dos mártires cristãos durante as perseguições promovidas por Diocleciano, em 303. Sabia que, embora ainda fossem minoritários (10% da população do Império), os cristãos se concentravam nos grandes centros urbanos, principalmente em território inimigo. Foi uma jogada de mestre, do ponto de vista estratégico, fazer do Cristianismo a Religião Oficial do Império: Tomando os cristãos sob sua proteção, estabelecia a divisão no campo adversário. 325 d.C., data importante para os implantes dogmáticos da humanidade sucessora de uma história marcada por sangue e perseguições. Parecia que se iniciava um momento de vitória e paz, mas não era bem isso. Já como soberano único, Flavius Valerius Constantinus (285 - 337 d.C.), filho de Constâncio I, realiza o famigerado Concílio de Nicéia, atual cidade de Iznik, província de Anatólia (nome que se costuma dar à antiga Ásia Menor), na Turquia asiática. Quando seu pai morreu em 306, Constantino passou a exercer autoridade suprema na Bretanha, Gália (atual França) e Espanha. Aos poucos, foi assumindo o controle de todo o Império Romano. Este foi o primeiro Concílio Ecumênico da igreja, convocado pelo Imperador; astuto, convocou mais de 300 bispos ao Concílio de Nicéia. Constantino visava dotar a igreja de uma doutrina padrão, pois as divisões, dentro da nova religião que nascia, ameaçavam sua autoridade e domínio. Era necessário, portanto, um Concílio para dar nova estrutura aos seus poderes. E o momento decisivo sobre a doutrina da Trindade ocorreu nesse Concílio. bispos se reúnem para decidir se Cristo era um ser criado (doutrina de Ário) ou não criado, e sim Concílio de Nicéia igual e eterno como Deus Seu Pai (doutrina de Atanásio). A igreja acabou rejeitando a idéia ariana de que Jesus era a primeira e mais nobre criatura de Deus, e afirmou que Ele era da mesma "substância" ou "essência" (isto é, a mesma entidade existente) do Pai.

8

Assim, segundo a conclusão desse Concílio, há somente um Deus, não dois; a distância entre Pai e Filho está dentro da unidade divina, e o Filho é Deus no mesmo sentido em que o Pai o é. Dizendo que o Filho e o Pai são "de uma substância", e que o Filho é "gerado" ("único gerado, ou unigênito", João 1. 14,18; 3. 16,18), mas "não feito", o Credo Niceno, estabelece a Divindade do homem da Galiléia, embora essa conclusão não tenha sido unânime. Os bispos que discordaram, foram simplesmente perseguidos e exilados. Qualquer semelhança com o que viria a ocorrer depois em nações ditas civilizadas não pode ser considerada uma mera coincidência. Com a subida da igreja ao poder, discussões doutrinárias passaram a ser tratadas como questões de Estado. E na controvérsia ariana, colocava-se um obstáculo grande à realização da idéia de Constantino de um Império universal que deveria ser alcançado com a uniformidade da adoração divina!

Flavius Valerius Constantinus

9

O

que é um Concílio?

OS CONCÍLIOS ECUMÊNICOS

Um concílio (também conhecido como sínodo) é uma assembléia de uma igreja, geralmente uma igreja cristã, convocada para decidir um ponto de doutrina ou administração. Um concílio ecumênico é assim chamado porque é um concílio de toda a igreja (ou, mais exatamente, do que aqueles que o convocam consideram ser toda a igreja). A Igreja Ortodoxa apenas reconhece como ecumênicos os oito primeiros concílios, todos eles

realizados no Oriente; os concílios Latrão I subseqüentes são a

apenas

considerados

ecumênicos

pela Igreja Católica. Enquanto a igreja se da desenvolvia história, se

através

deparou com numerosas e difíceis decisões, sempre solucionando suas

dificuldades e tomando suas decisões para chegar a um consenso de opinião entre todos os crentes “inspirados por Deus”, dirigidos por seus respectivos cabeças, primeiro os apóstolos e logo, seus sucessores, os bispos. O primeiro Concílio Eclesiástico da história teve lugar na Igreja Apostólica para fixar as condições sob as quais os gentios, ou seja, os convertidos que não eram da fé judaica, poderiam pertencer à igreja (Atos 15). Desde aquele tempo, e durante toda a história da igreja, os Concílios foram convocados levando-se em conta todos os níveis da vida da igreja, para se tomar decisões importantes. Os bispos se reuniam regularmente com seus sacerdotes (presbíteros) e com os leigos, estabelecendo-se assim a prática e inclusive a lei, desde muito cedo na história da igreja, que os bispos de diferentes regiões deveriam reunir-se em concílios regularmente. Em várias ocasiões, ao longo da história, foram convocados concílios de todos os bispos da igreja. Na prática nem todos os bispos puderam assistir a estes concílios e 10

nem todos os concílios foram automaticamente aceitos e aprovados pela igreja na sua “Santa Tradição”. Na Igreja Ortodoxa somente sete Concílios (alguns dos quais foram bastante reduzidos quanto ao número de bispos assistentes) receberam aprovação universal de toda a igreja. Chamam-se estes, os Sete Concílios Ecumênicos: 1) - Nicéia, em 325, formulou a primeira parte do Credo (profissão de Fé) e definiu a divindade do Filho de Deus. 2) - Constantinopla I, em 381, formulou a segunda parte do Credo (profissão de Fé) e definiu a divindade do Espírito Santo, a natureza de Cristo e o arianismo. 3) - Éfeso, em 431. Reunião de líderes cristãos que se desenrolou, em cinco sessões, entre 22 de Junho e 31 de Julho de 431 na cidade de Éfeso. Foi convocado pelo Papa Celestino I e teve como resultados a condenação da heresia cristológica e mariológica de Nestório e a proclamação da maternidade divina de Maria. Definiu a Cristo como o Verbo Encarnado de Deus e a Maria como Mãe de Deus (Theotócos). 4) - Calcedônia, em 451, foi um concílio ecumênico realizado entre 8 de Outubro e 1 de Novembro de 451 em Calcedônia, uma cidade da Bitínia, na Ásia Menor. Foi o quarto dos primeiros sete Concílios da história do cristianismo, onde foi repudiada a doutrina de Eutiques do monofisismo e declarando a dualidade humana e divina de Jesus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Foi a seguir a este concílio que aconteceu o cisma entre o Catolicismo e a Ortodoxia Oriental e deu origem à Igreja Copta. Definiu a Cristo como verdadeiramente Deus e verdadeiramente Homem (duas naturezas perfeitas) em uma só Pessoa. 5) - Constantinopla II, em 553. As obras de três teólogos nestorianos ou seminestorianos, Teodoro de Mopsuéstia, Teodoreto de Ciro e Ibas de Edessa, tinham sido resumidas como os "três capítulos" e aprovadas em Calcedônia. Mas os monofisistas1 pressionaram o Imperador Justiniano através de sua mulher Teodora, conseguindo que ele condenasse os "três capítulos" por um edito em 543. O Papa Virgílio foi persuadido, ou intimidado, a confirmar essa condenação, mas a opinião surgida no Ocidente o levou a solicitar a convocação de um concílio ecumênico, que se reuniu em Constantinopla e condenou os "capítulos". Assim, "o Oriente foi reconciliado à custa do Ocidente" (O que prova que houve uma intensa participação do papa nesse Concílio). Reafirmou a doutrina sobre a Santíssima Trindade e sobre o Cristo.

[De mon(o)- + -fisi(o)- + -ismo.] S. m. 1. Doutrina daqueles que admitiam em Jesus Cristo uma só natureza. Fonte: Dicionário Aurélio Século XXI Eletrônico.

1

11

6) - Constantinopla III, em 680 ou 681. “Heresia” surgida na Igreja do Oriente quando a teologia cristológica ainda estava mal definida. Opondo-se ao Nestorianismo, Eutiques, arquimandrita dum mosteiro de Constantinopla, defendeu que, havendo uma só pessoa em Jesus Cristo, também devia haver uma só natureza, admitindo que a humana fora absorvida pela divina. A discussão foi turbulenta e a questão só foi definitivamente resolvida no Concílio de Calcedônia (451), que definiu haver em Jesus Cristo duas naturezas, a divina e a humana, subsistindo na única pessoa divina do Verbo encarnado. Esta definição não convenceu diversas comunidades, que continuaram a aderir algumas até hoje. Tempos depois, o patriarca Sérgio de Constantinopla, na boa intenção de congraçar os monofisistas, proclamou que em Jesus Cristo, embora havendo duas naturezas, só havia uma vontade, pela identificação perfeita da vontade humana com a vontade divina, o que ficou conhecido na história das heresias por Monotelismo. Mais que heresia, tratava-se de afirmação equívoca, porquanto da identificação do querer de Jesus com o querer divino é compatível com a existência nele de duas vontades ontologicamente distintas. A questão ficou esclarecida no III Concílio de Constantinopla (681). Afirmou a verdadeira humanidade de Jesus Cristo insistindo na realidade de sua vontade e ação humanas. 7) - Nicéia II, em 787. Veneração de imagens é tópico de seculares discussões nos meios religiosos cristãos. O Segundo Concílio de Nicéia, realizado em 787, declarou a legitimidade do que é chamado pelos atuais protestantes e evangélicos como veneração de imagens definindo que, segundo o ensino dos padres da igreja e segundo a tradição universal da igreja cristã, se podiam propor à veneração dos fiéis, conjuntamente com a Cruz, as imagens da Mãe de Deus, dos Anjos e dos Santos, tanto nas igrejas como nas casas ou ao longo dos caminhos. Afirmou a veneração dos ícones como expressões verdadeiras da fé cristã.

12

As definições dogmáticas (só lembrando que dogma quer dizer ensinamento oficial) e as leis canônicas dos Concílios Ecumênicos são inspiradas por Deus e expressam sua Vontade para com a humanidade. Assim, são fontes essenciais da doutrina cristã ortodoxa. Além dos sete Concílios Ecumênicos, houve também outros concílios locais cujas decisões receberam a aprovação de toda a Igreja Ortodoxa considerando-se assim como expressões verdadeiras da fé e da vida ortodoxa. As decisões desses concílios são principalmente de caráter moral e estrutural, no entanto, também revelam o ensinamento da Igreja Ortodoxa.

13

O

Esquema

Segundo consta, o Concílio de Nicéia foi aberto formalmente a 20 de maio, na estrutura central do palácio imperial, ocupando-se com discussões preparatórias na questão ariana, em que Ário, com alguns seguidores, em especial Eusébio, de Nicomédia; Teógnis, de Nice, e Maris, de Chalcedon, parecem ter sido os principais líderes. Como era costume, os bispos orientais estavam em maioria. Na primeira linha de influência hierárquica estavam três arcebispos: Alexandre, de Alexandria; Eustáquio, de Antioquia e Macário, de Jerusalém, bem como Eusébio, de Nicomédia e Eusébio, de Cesaréia. Entre os bispos encontravam-se Stratofilus, bispo de Pitiunt (Bichvinta, reino de Egrisi). O ocidente enviou não mais de cinco representantes na proporção relativa das províncias: Marcus, da Calábria (Itália); Cecilian, de Cartago (África); Hosius, de Córdova (Espanha); Nicasius, de Dijon (França) e Domnus, de Stridon (Província do Danúbio). “Apenas” 318 bispos compareceram, o que equivalia a apenas uns 18% de todos os bispos do Império. Dos 318, poucos eram da parte ocidental do domínio de Constantino, tornando a votação, no mínimo, tendenciosa. Assim, tendo os bispos orientais como maioria e a seu favor, Constantino aprovaria com facilidade, tudo aquilo que fosse do seu interesse. As sessões regulares, no entanto, começaram somente com a chegada do Imperador. Despertaram profunda emoção as vítimas da última perseguição de cristãos: o bispo Potomano da Heracléia (Egito), de quem se atravessou um olho; o bispo Pafúncio da Alta Tebaida, a quem se mutilou um joelho; o bispo Paulo de Cesaréia, com as duas mãos paralíticas em conseqüência de ter sido torturado com ferros candentes. Constantino, muito amigo do luxo e da riqueza nos palácios imperiais e igrejas cristãs de seu Império, revestiu de análogo esplendor, com profusão de ouro e pedraria, a assembléia eclesiástica que se celebrava no corpo central do palácio imperial. Era um espetáculo de lenda. O Imperador, vestido de púrpura, sobressaía-se sobre todos os presentes. No centro havia uma cadeira de ouro, trono no qual se sentava ele, a pedido dos bispos. Seu discurso pronunciado em latim e traduzido ao grego punha muita ênfase em sua condição de "Imperador" vitorioso e expressava sem rodeios a opinião de que a assembléia lhe merecia. Importava-lhe a unidade do Estado e da igreja, pois só assim podia levar-se a cabo uma política com garantias de êxito no Ocidente e Oriente. 14

Chamava-se a si mesmo "co-servidor dos bispos", e aos bispos "amigos" ou "queridos irmãos", o que não impedia, porém, que os dirigisse com a maior energia. Constantino sabia apresentar-se com suavidade e bondade e se mostrou humilde quando, diante da assembléia reunida, saudou o bispo martirizado que havia perdido um olho e lhe beijou a cova deixada pela cicatriz. Escutou com paciência discursos e réplicas. Era a velha cantilena que desde jovem tinha ouvido o Imperador: adversidades, transtornos, dificuldades, disputa sobre ortodoxia, adulterações de manifestações eclesiásticas e opiniões heréticas. Todos os hereges começam acatando a fé, mas logo se separam das normas por ela impostas. Assim o tinha proclamado fazia 100 anos Orígenes, o conhecedor científico das questões eclesiásticas. Daí que o Imperador ou seus assessores teológicos compreendessem claramente o que faltava à igreja: um dogma e uma administração. Só a unidade da fé podia restabelecer a unidade da igreja e, com ela, a do Estado. Isso era o que importava em Nicéia, aquilo pelo que lutava o Imperador. O César, entre o paganismo e o cristianismo, queria dotar a igreja de uma couraça que a protegesse interior e exteriormente. Essa couraça se chamava: unidade dogmática. Depois desses discursos e réplicas no parlamento eclesiástico imperial, apresentaram-se ao Imperador escritos de súplicas e queixa durante uma pausa ocorrida no primeiro dia de deliberações. Constantino prometeu tratar aqueles memorandos em um dos próximos dias, embora os tenha devolvido sem abrir os papéis apresentados e disse: "Deus lhes pôs como sacerdotes e lhes deu poder para nos julgar inclusive. Vós não podeis ser julgados por homens." Em seguida fez queimar todos os escritos de queixa. Além disso, ordenou a readmissão pela igreja de três ex-bispos que tinham sido excomungados. Entre os pontos principais do programa de Nicéia figurava a “doutrina herética” de Ário, o mais perigoso de todos os heréticos, o presbítero de Alexandria, no quarto século. Vejamos o que Ário promulgava rapidamente como um adendo. Ele ensinou que o Verbo, ou o Filho de Deus, recebeu o começo de sua existência no tempo, apesar de ter sido antes de qualquer outra coisa; que Ele foi criado por Deus, apesar de subseqüentemente Deus ter criado tudo através Dele; que Ele é chamado de Filho de Deus só porque Ele é o mais perfeito de todos os espíritos criados, e tem uma natureza que, sendo diferente da do Pai, não é divina.

15

Deixemos em aberto este pensamento de Ário que tanto perturbou o mundo Cristão. Esse “distúrbio” tão grande ocorreu em face de ele ter puxado atrás de si muita gente... Estaria Ário equivocado em suas colocações? Por que teria causado tanto cuidado seus ensinamentos? Para ele agora não importa, o Concílio os hierarcas chefes da igreja unanimemente expressaram o antigo ensinamento da ortodoxia e condenaram o “falso”(?) ensinamento de Ário. O Concílio triunfante pronunciou simplesmente anátema2 contra aqueles que existiram num tempo em que o Filho de Deus não existiu, contra aqueles que afirmaram que Ele foi criado, ou que Ele era diferente em essência que a do Deus Pai. O Concílio compôs um Símbolo da Fé, que foi confirmado e completado mais tarde no Segundo Concílio Ecumênico. A unidade e igualdade de honra do Filho de Deus com o Deus Pai foi expressa por esse Concílio no Símbolo da Fé com as palavras: "De Uma Essência com o Pai”. Com sua tese de que Cristo era um ser
Árius

intermediário entre a divindade e a humanidade, confirmou-se a destituição de Ário e

a doutrina ariana foi definitivamente condenada. Voltemos a Constantino e seu Concílio. Em outro dia das deliberações, o Imperador falou com um dos participantes que figurava entre os novacianos. Era adepto daquele partido intransigente do clero que há um século (e até entrada a Idade Média) dividiu em dois grupos, não somente Roma, mas, sim, ao Império. Os novacianos, seguindo o exemplo de seu fundador o presbítero Novaciano expulso da sede episcopal de Roma, aspiravam a uma igreja de "puros", eles negavam a absolvição dos erros e afirmavam que a igreja não tem poder para dar a paz aos que renegaram a fé na perseguição e aos que cometeram algum pecado mortal. Opunham-se à readmissão dos apóstatas3. Constantino lamentava que se apartassem da igreja católica. O cismático4 se mostrou inacessível respondendo ao Imperador que quem tinha cometido um pecado mortal

[Do gr. anáthema, pelo lat. anathema.] S. m. A. Expulsão do seio da Igreja; excomunhão: B. Maldição, execração, opróbrio. C. Reprovação enérgica. – Fonte: Ibdem. 3 [Do gr. apostasía.] S. f. A. Separação ou deserção do corpo constituído (de uma instituição, de um partido, de uma corporação) ao qual se pertencia. B. Abandono da fé de uma igreja, especialmente a cristã. C. Abandono do estado religioso ou sacerdotal. – Fonte: Ibdem. 4 [Do gr. schismatikós, pelo lat. tard. schismaticu.] Adj. S. m. Rel. A. Que ou aquele que se separou da comunhão duma igreja. – Fonte: Ibdem.

2

16

depois de batizado, já não podia ser admitido aos sagrados mistérios, mas, sim, tinha que esperar o perdão de Deus, pois os sacerdotes não lhe podiam dar. Então respondeu ironicamente o Imperador: "Bom, pois toma a escada e sobe você sozinho ao céu." Após Constantino ter explicitamente ordenado o curso das negociações, ele confiou o controle dos procedimentos a uma comissão designada por ele mesmo, consistindo provavelmente nos participantes mais proeminentes desse corpo. O Imperador manipulou, pressionou e ameaçou os partícipes do Concílio para garantir que votariam no que ele acreditava, e não em algum consenso a que os bispos chegassem. Dois dos bispos que votaram a favor de Ário foram exilados e seus escritos foram destruídos (algo bem contemporâneo, não?). Constantino decretou que qualquer um que fosse apanhado com documentos arianistas estaria sujeito à pena de morte. Essa era a piedade que ele pregava em prol de um “bem maior”. Mas a decisão da Assembléia não foi unânime, e a influência do Imperador era claramente evidente quando diversos bispos do Egito foram expulsos devido à sua oposição ao credo. Na realidade, as decisões de Nicéia foram fruto de uma minoria. Foram mal entendidas e até rejeitadas por muitos que não eram partidários de Ário.

17

E

stratégia

O vencedor em Roma queria dar a paz; por isso suas primeiras

medidas foram cautelosas e conciliadoras. Basta de mártires! Não devia havê-los em nenhum grupo. Constantino proibiu a crucificação, a estigmatização na testa e a mutilação de membros. Proclamou: "Que ninguém incomode a outros; que cada qual se comporte como seu coração lhe diga. Ninguém pode ferir a outro, quaisquer que sejam suas convicções...". Constantino decorou seus estandartes imperiais com o emblema cristão. Entretanto, na casa da moeda de Tarragona se cunharam moedas com a imagem do deus da luz acompanhado da Vitória. Como monumento de triunfo mandou erigir uma estátua no Foro levando na mão direita levantada uma cruz. Um ano depois da ocupação de Roma, o Imperador promulgou o Decreto de Melam, que amparava aos cristãos e lhes concedia igualdade de direitos. No Arco de Constantino, que o Senado mandou erigir, incluíram-se estatuetas do deus solar e da Vitória. Era uma artimanha do Senado, de tendência pagã ou o desejava o Imperador, a fim de dar a seu governo uma nota de imparcialidade? Em fins de outubro de 313, os clérigos da igreja católica gozavam dos mesmos privilégios que os anteriores sacerdotes oficiais; isenção de prestação de serviços públicos e impostos, reconhecimento dos tribunais arbitrais episcopais e direito da igreja a receber heranças. Os santuários cristãos estavam dotados do direito de asilo, igual aos templos dos antigos deuses. Os privilégios concedidos pelo Imperador aos cristãos requeriam uma contrapartida político-militar; a este efeito, a grande reunião eclesiástica celebrada em Arles no ano 314, sob a direção de Constantino, emitiu um documento sobre a negativa de prestar o serviço militar. Nele se diz: "Os que em tempo de paz abandonem as armas, serão excluídos da comunhão." Seria o princípio do que se tornaria conhecido por excomunhão! Para os cristãos dos primeiros séculos, assim como para os bispos e pais da igreja, os crentes não podiam ser arrolados para o serviço militar, e até lhes estava proibido assistir como espectadores às lutas de gladiadores.

18

Em Arles, adotou-se outro critério. Agora, sob o reinado de Constantino, a igreja consentia em que os cristãos levassem espada, e até negava o sacramento do altar aos que seguiam o exemplo dos antigos soldados mártires. Os que caíram da fé pareciam esquecidos; os soldados mártires, sacrificados. Ao cabo de cinco anos de ter começado o governo de Constantino em Roma, Itália e África, todos os estandartes do exército romano ostentavam o anagrama de Cristo, com estas palavras: "In hoc signo vinces" (Neste sinal, vencerás!). Oito anos depois da conquista de Roma se gravou como símbolo imperial nas lanças a cruz de Cristo, que um dia havia aparecido ao Imperador e a seus soldados. A iconografia começava sua jornada para o futuro da fé nos arquétipos religiosos encomendados. Constantino organizou o primeiro serviço litúrgico cristão no exército. Aos domingos, os soldados iam ao campo de exercícios. A um sinal, cristãos e não cristãos rezavam em latim com as mãos levantadas. E o olhar fixo no alto. Observe, Deus já não habita dentro, mas sim fora, no “alto”. Diz-se que o próprio Imperador tinha redigido a oração, que dizia assim: "Só te reconhecemos como rei; imploramos-te como protetor; de ti obtivemos as vitórias, por ti nos impusemos aos inimigos. Estamos agradecidos pelo bem que nos tens feito, e esperamos poder dizer-te obrigado pelo que nos faças no futuro. A ti nos dirigimos, implorando: Conserva nosso Imperador Constantino e a seus filhos, queridos de Deus, uma vida longa e vitoriosa." Em março de 321, o Imperador promulgou uma lei que restringia o trabalho nos domingos; - bendito feriado mundial e alguém poderia até pensar que no sétimo dia Deus descansou! - quatro séculos depois, aquela proibição fez-se extensiva a todo trabalho no domingo. Constantino insistia em celebrar como dia de descanso "o venerável dia do sol". A importância do domingo aumentou embora, no século II, tenha aparecido o costume de celebrar a quarta-feira como dia em que o Alto Conselho tinha ordenado a detenção de Jesus, e na sexta-feira por ser o dia de seu Suplício. Os dois últimos dias eram de penitência, enquanto que no domingo era uma festa alegre. Próprio do "dia do Senhor" era o "Ágape do Senhor". O Imperador Constantino permitiu que no domingo se emancipassem escravos e que as autoridades lavrassem as atas daquelas emancipações.

19

A

Paz Dogmática

Na luta, que começou ao ano 323, contra seu cunhado, o Imperador Licínio, soberano da metade oriental do Império, Constantino enviou suas tropas à batalha com o emblema cristão. Obtiveram a vitória, e

Constantino passou à história como general invicto. Após reinou no Ocidente e Oriente sob o "lábaro", ou estandarte imperial, de cor púrpura com as iniciais gregas do nome de Cristo bordadas em ouro. Desde 326 a 330, o Imperador fez cunhar a primeira moeda com o símbolo cristão, embora Roma tenha posto em circulação, ao mesmo tempo, moedas com as imagens da loba In hoc signo vinces de Rômulo e Remo. Constantino, apesar de favorecer aos cristãos, apreciava deste modo os cultos antigos e

manifestava sua simpatia pelos antigos deuses. Era um político religioso de grande estilo. "Considero que a cisão interna da igreja é mais perigosa que as guerras e batalhas", advertiu Constantino ao ver as discórdias entre os cristãos. Estes não deixavam de disputar, quer fosse na África, no Egito, Síria ou países vizinhos; até a igreja do Oriente se dividiu. Aquilo podia ser uma faísca perigosa para o Império romano. Então, o Imperador interveio com decisão e energia na política eclesiástica. Sabia o que fazia falta: paz! Em 313 d.C., com o grande avanço da "Religião do Carpinteiro", o Imperador Constantino Magno enfrentava problemas com o povo romano e necessitava de uma nova religião para controlar as massas. Aproveitando-se da grande difusão

do Cristianismo, apoderou-se dessa religião e modificou-a, conforme seus interesses. Quando Roma tornou-se o famoso Império mundial, assimilou no seu sistema os deuses e as religiões dos vários países pagãos que dominava.
Jardins Suspensos Babilônia

Certamente, a Babilônia era a fonte do paganismo desses países,

o que nos leva a constatar que a religião primitiva da Roma pagã não era outra senão o

20

culto babilônico. No decorrer dos anos, os líderes da época começaram a atribuir a si mesmos, o poder de "senhores do povo" de Deus, no lugar da Mensagem deixada por Cristo. Na época da igreja Primitiva, os verdadeiros Cristãos eram jogados aos leões. Bastava se recusar a seguir os falsos ensinamentos e o castigo vinha a galope. O paganismo babilônico imperava a custa de vidas humanas. No ano 323 d.C, o Imperador Constantino professou conversão ao Cristianismo. As ordens imperiais foram espalhadas por todo o Império: As perseguições deveriam cessar! Nesta época, a igreja começou a receber grandes honrarias e poderes mundanos. Ao invés de ser separada do mundo, ela passou a ser parte ativa do sistema político que governava. Daí em diante, as misturas do paganismo com o Cristianismo foram crescendo, principalmente em Roma, dando origem ao Catolicismo Romano. O Concílio de Nicéia, na Ásia Menor, presidido por Constantino era composto pelos bispos que eram nomeados pelo Imperador e por outros que eram nomeados por líderes religiosos das diversas comunidades. Tal Concílio consagrou oficialmente a designação "Católica" aplicada à igreja organizada por Constantino, dando origem a uma das orações mais famosas entre os cristãos católicos: "Creio na igreja una, santa, católica e apostólica". Poderíamos até mesmo dizer que Constantino foi seu primeiro Papa. Como se vê claramente, a igreja Católica não foi fundada por Pedro e está longe de ser a igreja primitiva dos Apóstolos... O que os bispos de Nicéia sentiam e necessitavam, formulou-o o Imperador que convocou e presidiu o concílio ecumênico. Já não era o momento de sustentar lutas pessoais ou de grupo entre bispos e escolas teológicas que se insultavam e proscreviam mutuamente. A questão não era dirimir a luta, mas, sim, encontrar a unidade. O que importava era a concórdia, não a discórdia; importava a ordem da igreja. De acordo com o bispo Ósio de Córdoba, desde muito tempo atrás íntimo do Imperador e supostamente pai da idéia de celebrar aquele concílio, Constantino impôs que o
Concílio de Nicéia

dogma falasse da igualdade de essência divina do Filho com o Pai. Como

dizia o texto: "Filho de Deus, nascido do Pai, filho unigênito, ou seja, gerado, não criado, da essência do Pai; Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, consubstancial ao Pai, por quem foram feitas todas as coisas." Este dogma de Nicéia sobre a divindade de Cristo procede de Constantino, a quem parece que encontrou a expressão "consubstancial", que foi aceita por unanimidade na 21

sessão de 19 de junho de 325. O dogma da igreja se publicou como lei do Império. O concílio ecumênico imperial se perpetuou como instituição permanente, durante mais de cinco séculos. Como encerramento do primeiro concílio ecumênico, Constantino deu um banquete oficial em Nicéia. Desdobramento de pompa e desfiles militares. Todo bispo recebeu um presente de despedida. Nos salões, nas varandas, em portas e portais, havia guardas de honra. O Imperador escreveu a Alexandria: "O que acordaram os 300 bispos, não é nada mais que a opinião de Deus."(!) É de estranhar que se baseando nessa aliança, Constantino se chamasse às vezes o "Homem de Deus"? Havendo lhe visitado um grupo de padres, recebeu-os com estas palavras: "Vós fostes designados Por Deus para o que diz respeito às coisas internas da igreja, e eu como uma espécie de bispo para os assuntos exteriores." Daí que o governante assumisse a missão temporal do cristianismo. Graças a ele, abriu-se à igreja o Império do Oriente até Bizâncio: cristianização dos Bálcãs, dos godos e dos eslavos.

22

A

Lenda

Nas proximidades do Natal do ano de 312, o Imperador romano Constantino o Grande, enfrentou Maxêncio, um seu rival ao trono de Roma. Nas vésperas das duas batalhas que travou então ele jurou ter escutado vozes divinas bem como assegurou ter visto claramente signos no céu que lhe davam o ganho da causa. Esses acontecimentos tiveram notável efeito na história da fé do mundo ocidental visto que a vitória de Constantino na ponte Milvio, que cruzava o rio Tibre, acelerou a conversão dos romanos à religião de Jesus Cristo. Segundo Eusébio de Cesaréia, o primeiro historiador da igreja cristã, falecido em 341, foi o próprio Imperador Constantino o Grande, quem lhe confessou ter tido as duas visões que o convenceram de que Cristo o escolhera para missões extraordinárias. A primeira delas deu-se nas vésperas da batalha Saxa Rubia, quando ele teria visto no céu, em meio às nuvens, a poderosa imagem da cruz e uma voz que lhe dissera: “Meus Pace est cum Vos . . .In Hoc Signo Vinces”, “Minha paz está contigo... Com este signo vencerás”. E de fato, assim se deu. Apesar de inferiorizado, Constantino bateu fácil o então seu rival chamado Maxêncio. Não havia, entretanto, vencido a guerra. Dias depois, em 28 de outubro de 312, um pouco antes de ter que atravessar a Ponte Milvio sobre o rio Tibre, travando uma outra batalha para poder chegar ao centro de Roma, novamente ouviu uma voz. Desta vez ela ordenara-lhe que removesse a águia imperial dos escudos romanos, colocando um outro símbolo no seu lugar. De imediato Constantino providenciou a alteração, afixando neles as letras Χ χ Khi = ki, qui k, pronunciado aspirado kh, em grego, que tinha forma de um xis e Ρ ρ Rho = rô r, que vinham a ser as iniciais gregas de Cristo, logo encimadas pela coroa de espinhos. Os inimigos foram esmagados nas estreituras da ponte, e o próprio Maxêncio pereceu afogado no Tibre.

23

Constantino

não

teve visão alguma! Tais lendas teriam então sido inventadas pelos patriarcas romanos dos três séculos que se seguiram, durante os quais todos os documentos dos primórdios da assim chamada "era Cristã" existentes nos arquivos do Império Romano, foram completamente alterados. O que

realmente aconteceu na época de Constantino, foi que, aliados os presbíteros de Roma e Alexandria, com a cumplicidade dos patriarcas das igrejas locais, dirigiram-se ao Imperador, fizeram-lhe ver que a religião oficial era seguida apenas por uma minoria de patrícios, que a quase totalidade da população do Império era cristã (pertencendo às várias seitas e congregações das províncias); que o Império se estava desintegrando devido a discrepância entre a fé do povo e a dos patrícios; que as investidas constantes de seitas guerreiras essênias da Palestina incitavam as províncias contra a autoridade de Roma; e que, resumindo, a única forma de Constantino conservar o Império seria aceitar a versão Romano-Alexandrina do Cristianismo. Então, os bispos aconselhariam o povo a cooperar com ele; em troca, Constantino ajudaria os bispos a destruírem a influência de todas as outras seitas cristãs! Constantino aceitou este pacto político, tornando a versão Romano-Alexandrina do Cristianismo na religião oficial do Império. Conseqüentemente, a liderança religiosa passou às mãos dos patriarcas Romano-Alexandrinos, que, auxiliados pelo exército do Imperador, começaram uma "purgação" bem nos moldes daquelas da Rússia moderna. Os cabeças das seitas cristãs independentes foram aprisionados; seus templos, interditados; e congregações inteiras foram sacrificadas nas arenas das províncias de Roma e Alexandria. Os gnósticos gregos, herdeiros dos Mistérios de Elêusis, foram acusados de práticas infames por padres castrados como Orígenes e Irineu (a castração era um método singular de preservar a castidade, derivado do culto de Átis, do qual se originou a psicologia Romano-Alexandrina). Os essênios foram condenados através do hábil truque de fazer dos judeus os vilões do Mistério da Paixão; e com a derrota e dispersão finais dos judeus pelos quatro cantos do Império, a igreja RomanoAlexandrina respirou desafogada e pode dedicar-se completamente ao que tem sido sua

24

especialidade desde então: manipular seus implantes mentais na humanidade de acordo com suas idéias e intenções.

25

S

íntese

Em resumo: Por influência dos imperadores Constantino e Teodósio, - que no ano de 380 proclamou oficialmente o Cristianismo como a única “Religião de Estado”, mas que ainda foi necessário esperar mais 12 anos para que todos os outros cultos fossem definitivamente proibidos. - o Cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano o e entrou no desvio. religioso;

Institucionalizou-se;

surgiu

profissionalismo

práticas exteriores do paganismo foram assimiladas; criaram-se ritos e rezas, ofícios e oficiantes. Toda uma estrutura teológica foi montada para atender às pretensões absolutistas da casta sacerdotal dominante, que se impunha aos fiéis com Teodósio a draconiana afirmação: "Fora da igreja não há salvação". Além disso, Constantino queria um Império unido e forte, sem dissensões. Para manter o seu domínio sobre os homens e estabelecer a ditadura religiosa, as autoridades eclesiásticas romanas deviam manter a ignorância sobre as filosofias e escrituras. A mesma bíblia devia ser diferente. Devia exaltar Deus e os Patriarcas mas, também, um Deus forte, para se opor ao próprio Jeová dos Hebreus, ao Buda, aos poderosos deuses do Olimpo. Era necessário trazer a Divindade Arcaica Oriental, misturada às fábulas com as antigas histórias de Moisés, Elias, Isaías, etc., onde colocaram Jesus, não mais como Messias ou Cristo, mas, maliciosamente, colocou Jesus parafraseado de divindade no lugar de Jezeu Cristna5, a segunda pessoa da trindade arcaica do Hinduísmo. Nesse quadro de ambições e privilégios, não havia lugar para uma doutrina que exalta a responsabilidade individual e ensina que o nosso futuro está condicionado ao empenho da renovação interior e não à simples adesão e submissão incondicional aos dogmas de uma igreja, os quais, para uma

perfeita assimilação, eram necessários admitir a quintessência da teologia: "Credo quia absurdum", ou seja, "Acredito mesmo que seja absurdo"(!), criada por Tertuliano (155-220), apologista Cristão.

5

Jezeu Cristna é o segundo de uma divindade tríplice (um deus que é composto por três divindades) da Índia. – Fonte: http://www.litaurica.com/site/litaurica/curiosidades.php - Em 26-09-2008.

26

Disso tudo deveria nascer uma religião forte que servisse ao Império Romano. Veio ainda a serem criados os simbolismos da Sagrada Família e de todos os Santos, mas as verdades do real cânone do Novo Testamento e parte das Sagradas Escrituras deviam ser suprimidas ou ocultadas, inclusive as obras de Sócrates e outras Filosofias contrárias aos interesses da igreja que nascia. Esta lógica foi adotada pelas forças clericais mancomunadas com a política romana, que precisava desta religião, forte o bastante, para impor-se aos povos conquistados e reprimidos por Roma, para assegurar-se nas regiões invadidas, onde dominava as terras, mas não o espírito dos povos ocupados. Em troca, o Cristianismo ganhava a Universalidade, pois queria se tornar "A Religião Imperial Católica Apostólica Romana", que vinha a ser sustentada pela força, ao mesmo tempo em que simulava a graça divina, recomendando o arrependimento e perdão, mas que na prática derrotava seus inimigos a golpes de espada. Então não era da tolerância pregada pelo Cristianismo que Constantino precisava, mas de uma religião autoritária, rígida, sem evasivas, de longo alcance, com raízes profundas no passado e uma promessa inflexível no futuro, estabelecida mediante poderes, leis e costumes terrenos. Para isso, Constantino devia adaptar a “Religião do Galileu”, dandolhes origens divinas e assim impressionaria mais o povo o qual sabendo que Jesus era reconhecido como o próprio Deus na nova religião que nascia, haveria facilidade de impor a sua estrutura hierárquica, seu regime monárquico imperial, e assim os seus poderes ganhariam amplos limites, quase inatingíveis.

27

Quando Constantino morreu, em 337, foi batizado e enterrado na consideração de que ele se tornara um décimo terceiro Apóstolo, e na

iconografia eclesiástica veio a ser representado recebendo a coroa das mãos de Deus.

28

L

Heresias ista de Heresias

Estamos nos aproximando de uma conclusão. Sabemos que tanta

informação contínua massacra nossa mente acostumada a ter quase tudo pronto sem pesquisar: é só engolir! Mas é imprescindível que se tenha mais paciência e sigamos as investigações... Para abordamos o próximo tópico, urge que saibamos um pouco mais sobre “heresias”. São consideradas aquelas doutrinas e práticas contrárias à bíblia. Elas são também chamadas de "tradições humanas" ou "doutrinas dos homens". Doutrina contrária ao que foi definida pela igreja em matéria de fé. Ato ou palavra ofensiva à religião. Idéia ou teoria contrária a qualquer doutrina estabelecida. Aí está. Para que possamos ter uma idéia (mesmo que superficial) listaremos agora as heresias mais célebres da história, vindas logo após Jesus. É bom recordar que estas datas são, em muitos casos, aproximadas. Muitas destas heresias ocorreram há anos antes da igreja, mas, somente quando foram adotadas por um conselho da igreja, e proclamadas pelo papa como dogma de fé, elas foram incorporadas aos Católicos (que tal: implantadas?).

29

Uma doutrina para ser verdadeira, tem que estar de acordo com a palavra de Deus. "À lei e ao Testemunho; Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles." (Isaías 8:20). Com a Reforma do Século XVI, estas heresias foram repudiadas por não fazer parte da Religião de Jesus, conforme ensina o Velho Testamento.

30

HERESIAS 1. De todas as tradições humanas ensinadas e praticadas pela Igreja Católica Romana, as mais antigas são as preces para os mortos e o sinal da Cruz. Ambas surgiram 300 anos após Cristo. 2. As Velas de parafina foram introduzidas na igreja cerca do ano: 3. A Veneração aos anjos e santos mortos cerca do ano: 4. A Missa, como uma celebração diária, adotada em: 5. A Adoração a Maria, mãe de Jesus, e o uso do termo, "Mãe de Deus", como aplicado a ela, teve origem no conselho de Efésios em: 6. Os padres passaram a se vestir diferentemente dos leigos em: 7. A doutrina do Purgatório foi estabelecida primeiro, por Gregório o Grande, a cerca do ano de: 8. O Latim, como língua das orações e dos cultos nas igrejas, foi também imposto pelo Papa Gregório I. 600 anos após Cristo. 9. Orações dirigidas a Maria. Esta prática começou na Igreja Romana cerca de: 10. O Papado é de origem pagã. O título papa ou bispo universal, foi dado ao bispo de Roma, pelo cruel imperador Phocas, primeiramente no ano de: Ele deu este nome a ele com o objetivo de causar um descontentamento ao bispo Ciriacus de Constantinopla, quem justamente o excomungou por ter causado a morte de seu antecessor, imperador Mauritus. Gregório I, o então bispo de Roma, recusou o título, mas seu sucessor, Bonifácio III, foi o primeiro a assumir o título de "papa." 11. O ato de beijar os pés do Papa começou em:

d.C.

310

300 375 394

431

500

593

600

600

610

709

31

Era um costume pagão beijar os pés de imperadores. 12. O poder Temporal dos Papas começou em: Quando Pepin, o usurpador do trono da França, dirigiu-se a Itália, convocado pelo Papa Stephen II, para a guerra contra os Longobards Italianos, ele os dizimou, e deu a cidade de Roma e suas vizinhanças ao papa. 13. Veneração da cruz, de imagens e relíquias foi autorizada em: Isto foi por ordem da Imperatriz Irene de Constantinopla, quem causou a extirpação dos olhos de seu próprio filho, Constantino VI, e então chamou um conselho da igreja, por solicitação do papa de Roma Hadrian I, naquele tempo. 14. A Água Benta, misturada com uma pitada de sal e abençoada pelo padre, foi autorizada em: 15. A Veneração a São José começou em: 16. O Batismo dos sinos foi instituído pelo papa João XIV, no ano de: 17. A Canonização dos santos mortos foi feita pelo Papa João XV no ano: 18. Jejuar as sextas-feiras e durante as Quaresmas, foram tradições impostas no ano de: Pelos papas, que se disseram interessados pelo comércio de peixe. (bula papal, ou permitir que se coma carne). Algumas autoridades dizem, que começou no ano de 700. 19. A Missa foi desenvolvida gradualmente como um sacrifício; passou a ser obrigatória no Século XI. 20. O celibato do sacerdócio foi decretado pelo Papa Hildebrand, Bonifácio VII, no ano de: 21. O Rosário, ou o terço de oração, foi introduzido pelo Pedro o Eremita, no ano de 1090. Copiado dos Hindus e Muçulmanos: 998 788 750

850

890 965 995

1079

1090

32

22. A Inquisição dos hereges foi instituída pelo Conselho de Verona, no ano de 1184. 23. A venda de Indulgências, usualmente considerada como a compra do perdão que permite indultar o pecado, começou no ano de: Foi o protesto contra essa prática que trouxe a tona a Reforma Protestante no Século XVI. 24. O Dogma da Transubstanciação foi decretado pelo Papa Inocêncio III, no ano: Através desta doutrina, o padre pretende fazer um milagre diário, de transformar uma hóstia no próprio corpo de Cristo. 25. A Confissão dos pecados ao padre, uma vez ao ano, foi instituída pelo Papa Inocêncio III, no Conselho de Lateran, no ano de: O Evangelho orienta que confessemos nossos pecados diretamente a Deus. (Leia Salmos 51: -10; Lucas 7:48; 15:21; I João 1:8-9). 26. A adoração à Hóstia, foi decretada pelo Papa Honório, no ano de: 27. A proibição da bíblia aos leigos, e a sua inclusão na lista de livros proibidos pelo conselho de Valência em: 28. O Escapulário foi inventado por Simon Stock, um monge inglês, no ano de: Trata-se de uma tira de tecido marrom, com o desenho da Virgem, para proteger de todos os perigos, aqueles que as vestirem sobre a pele nua. 29. A Igreja Romana proibiu o cálice aos fiéis, pela instituição de um tipo só no Conselho de Constância em: 30. A Doutrina do Purgatório foi proclamada como dogma de fé, pelo Conselho de Florença em: 31. A doutrina dos 7 Sacramentos foi afirmada em: 32. A Ave Maria, parte da última metade do ano:

1184

1190

1215

1215

1220

1287

1287

1414

1439

1439 1508

33

Cinqüenta anos depois, e então, foi finalmente aprovado pelo Papa Sixtus V, ao final do Século XVI. 33. O Concílio de Trento, ocorrido no ano de 1545, declarou que a Tradição tivesse autoridade igual à bíblia em: 1545 34. Livros apócrifos também foram incluídos à bíblia pelo Conselho de Trento, em: 35. O Credo do Papa Pius IV, foi imposto como credo oficial 1560 anos após Cristo e os Apóstolos, em: 36. A Concepção Imaculada da Virgem Maria foi proclamada pelo Papa Pius IX no ano de: 37. No ano 1870 após Cristo, o Papa Pius IX proclamou o dogma da “Infalibilidade” Papal: 38. O Papa Piu X, no ano de 1907, condenou junto com o "Modernismo", todas as descobertas da ciência moderna, as quais não eram aprovadas pelas Igreja: Pius IX fez a mesma coisa no Sílabo (lista de erros que o Papa condenou) de 1864. 39. No ano de 1930, Pius XI condenou as Escolas Públicas: 40. No ano de 1931, o mesmo Papa, Pius XI, reafirmou a doutrina a qual Maria era "a Mãe de Deus": Esta doutrina foi primeiramente concebida pelo o Conselho de Efésios, no ano de 431. 41. No ano de 1950, o último dogma foi proclamado pelo Papa Pius XII, a Assunção da Virgem Maria: 1931 1930 1907

1546

1560

1854

1870

1950

34

Deixamos este maravilhoso pedaço da história aqui para que o leitor possa refletir (e refletir bem).

35

O

rigem da Bíblia
OS ORIGINAIS

Grego, hebraico e aramaico foram os idiomas utilizados para escrever os originais das Escrituras Sagradas. O Antigo Testamento foi escrito em hebraico. Apenas alguns poucos textos foram escritos em aramaico. O Novo Testamento foi escrito originalmente em grego, que era a língua mais utilizada na época. Os originais da bíblia são a base para a elaboração de uma tradução “confiável” das Escrituras. Porém, não existe nenhuma versão original de manuscrito da bíblia, mas sim cópias de cópias de cópias. Todos os autógrafos, isto é, os livros originais, como foram escritos pelos seus autores, se perderam. As edições do Antigo Testamento hebraico e do Novo Testamento grego se baseiam nas melhores e mais antigas cópias que existem e que foram encontradas graças às descobertas arqueológicas. Para a tradução do Antigo Testamento, a Comissão de Tradução da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) – protestante, por sinal - usa a bíblia Stuttgartensia, publicada pela Sociedade Bíblica Alemã. Já para o Novo Testamento é utilizado The Greek New Testament, editado pelas Sociedades Bíblicas Unidas. Essas são consideradas as melhores edições dos textos hebraicos e gregos que existem hoje, disponíveis para tradutores. Muito embora as sigam a seguinte trajetória: hebraico, grego, francês, latim e depois para os demais idiomas. Implica em recordar que Maria Madalena e Paulo de Tarso romperam com Pedro exatamente por que divergiram sobre a universalidade da igreja e não sua centralização consoante Pedro (o Apóstolo) queria, restando evangelhos diferentes.

36

O ANTIGO TESTAMENTO EM HEBRAICO

Muitos séculos antes de Cristo, escribas, sacerdotes, profetas, reis e poetas do povo hebreu mantiveram registros de sua história e de seu

relacionamento com Deus. Estes registros tinham grande significado e importância em suas vidas e, por isso, foram copiados muitas e muitas vezes e passados de geração em geração. Com o passar do tempo, esses relatos sagrados foram reunidos em coleções conhecidas por A Lei, Os Profetas e As Escrituras. Esses três grandes conjuntos de livros, em especial o terceiro, não foram finalizados antes do Concílio Judaico de Jamnia, que ocorreu por volta de 95 d.C. A Lei continha os primeiros cinco livros da nossa bíblia. Já Os Profetas, incluíam Isaías, Jeremias, Ezequiel, os Doze Profetas Menores, Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis. E As Escrituras reuniam o grande livro de poesia, os Salmos, além de Provérbios, Jó, Ester, Cantares de Salomão, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Daniel, Esdras, Neemias e 1 e 2 Crônicas. Os livros do Antigo Testamento foram escritos em longos pergaminhos confeccionados em pele de cabra e copiados cuidadosamente pelos escribas. Geralmente, cada um desses livros era escrito em um pergaminho separado, embora A Lei freqüentemente fosse copiada em dois grandes pergaminhos. O texto era escrito em hebraico da direita para a esquerda - e, apenas alguns capítulos, em dialeto aramaico. Hoje se tem conhecimento de que o pergaminho de Isaías é o mais remoto trecho do Antigo Testamento em hebraico. Estima-se que foi escrito durante o Século II a.C. e se assemelha muito ao pergaminho utilizado por Jesus na Sinagoga, em Nazaré. Foi descoberto em 1947, juntamente com outros documentos em uma caverna próxima ao Mar Morto. Observa-se que o hebraico era escrito da direita para esquerda, sem espaços, pois o papel naquela época era objeto raríssimo e caro, implicava isto numa árdua tarefa e uma capacidade total de isenção de opinião, a qual, infelizmente, esbarrava numa questão complexa: como traduzir determinadas palavras e intenções que o autor primordial precisava (e queria) passar adiante sem encontrar palavras nativas que se moldassem melhor ao ideário do autor? E as opiniões pessoais? Será que ninguém, em nenhum momento “interpretou” de uma “melhor maneira” os escritos antigos para o bem da humanidade?

37

O NOVO TESTAMENTO EM GREGO

Os

primeiros

manuscritos

do

Novo Testamento que chegaram até nós são algumas das cartas do Apóstolo Paulo destinadas a pequenos grupos de pessoas de diversos povoados que acreditavam no Evangelho por ele pregado. A formação desses grupos marca o início da igreja cristã. As cartas de Paulo eram recebidas e preservadas com todo o cuidado. Não tardou para que esses manuscritos fossem solicitados por outras pessoas. Dessa forma, começaram a ser largamente copiados e as cartas de Paulo passaram a ter grande circulação. A necessidade de ensinar novos convertidos e o desejo de relatar o testemunho dos primeiros discípulos em relação à vida e aos ensinamentos de Cristo resultaram na escrita dos Evangelhos que, na medida em que as igrejas cresciam e se espalhavam, passaram a ser muito solicitados. Outras cartas, exortações, sermões e manuscritos cristãos similares também começaram a circular. O mais antigo fragmento do Novo Testamento hoje conhecido é um pequeno pedaço de papiro escrito no início do Século II d.C. Nele estão contidas algumas palavras de João 18.31-33, além de outras referentes aos versículos 37 e 38. Nos últimos cem anos descobriu-se uma quantidade considerável de papiros contendo o Novo Testamento e o texto em grego do Antigo Testamento. Bem, se ainda se descobrem escritos da bíblia, como pode ela ser definitiva?

OUTROS MANUSCRITOS

Além dos livros que compõem o nosso atual Novo Testamento, havia outros que circularam nos primeiros séculos da era cristã, como as Cartas de Clemente, o Evangelho de Pedro, o Pastor de Hermas, e o Didache (ou Ensinamento dos Doze Apóstolos). Durante muitos anos, embora os evangelhos e as cartas de Paulo fossem aceitos de forma geral, não foi feita nenhuma tentativa de determinar quais dos muitos manuscritos eram realmente autorizados. Entretanto, gradualmente, o julgamento das igrejas, orientado pelo “Espírito de Deus”, reuniu a coleção das Escrituras que
Evangelho de Judas

38

constituíam um relato mais fiel sobre a vida e ensinamentos de Jesus. No Século IV d.C. foi estabelecido entre os concílios das igrejas um acordo comum e o Novo Testamento foi constituído. Os dois manuscritos mais antigos da bíblia em grego podem ter sido escritos naquela ocasião - o grande Codex Sinaiticus e o Codex Vaticanus. Estes dois inestimáveis manuscritos contêm quase a totalidade da bíblia em grego. Ao todo temos aproximadamente vinte manuscritos do Novo Testamento escritos nos primeiros cinco séculos. Quando Teodósio proclamou e impôs o cristianismo como única religião oficial no Império Romano no final do Século IV, surgiu uma demanda nova e mais ampla por boas cópias de livros do Novo Testamento. É possível que o grande historiador Eusébio de Cesaréia (263 - 340) tenha conseguido demonstrar ao imperador o quanto os livros dos cristãos já estavam danificados e usados, porque o imperador encomendou 50 cópias para as igrejas de Constantinopla. Provavelmente, esta tenha sido a primeira vez que o Antigo e o Novo Testamentos foram apresentados em um único volume, agora denominado bíblia.

Eusébio de Cesaréia

39

HISTÓRIA DAS TRADUÇÕES

A bíblia - o livro mais lido, traduzido e distribuído do mundo -, desde as suas origens, foi considerada sagrada e de grande importância. E, como tal, deveria ser conhecida e compreendida por toda a humanidade. A “necessidade” de difundir seus ensinamentos através dos tempos e entre os mais variados povos, resultou em inúmeras traduções para os mais variados idiomas e dialetos. Hoje é possível encontrar a bíblia, completa ou em porções, em mais de 2.000 línguas diferentes.

Lutero Traduzindo Escrituras

40

A PRIMEIRA TRADUÇÃO

Estima-se que a primeira tradução foi elaborada entre 200 a 300 anos antes de Cristo. Como os judeus que viviam no Egito não compreendiam a língua hebraica,(!) o Antigo Testamento foi traduzido para o grego. Porém, não eram apenas os judeus que viviam no estrangeiro que tinham dificuldade de ler o original em hebraico: com o cativeiro da Babilônia, os judeus da Palestina também já não falavam mais o hebraico. Denominada Septuaginta (ou Tradução dos Setenta), esta primeira tradução foi realizada por 70 sábios e contém sete livros que não fazem parte da coleção hebraica; pois não estavam incluídos quando o cânon (ou lista oficial) do Antigo Testamento foi estabelecido por exegetas israelitas no final do Século I d.C. A igreja primitiva geralmente incluía tais livros em sua bíblia. Eles são chamados apócrifos (abordado mais adiante) ou deuterocanônicos e encontram-se presentes nas bíblias de algumas igrejas.

Essa tradução do Antigo Testamento foi utilizada em sinagogas de todas as regiões do Mediterrâneo e representou um instrumento fundamental nos esforços empreendidos pelos primeiros discípulos de Jesus na propagação dos ensinamentos de Deus.

41

OUTRAS TRADUÇÕES

Outras traduções começaram a ser realizadas por cristãos novos nas línguas copta (Egito), etíope (Etiópia), siríaca (norte da Palestina) e em latim – considerada a mais importante de todas as línguas pela sua ampla utilização no Ocidente. Por haver tantas versões parciais e insatisfatórias em latim, no ano 382 d.C., o bispo de Roma nomeou o grande exegeta Jerônimo para fazer uma tradução oficial das Escrituras. Com o objetivo de realizar uma tradução de qualidade e fiel aos originais, Jerônimo foi à Palestina, onde viveu durante 20 anos. Estudou hebraico com rabinos famosos e examinou todos os manuscritos que conseguiu localizar. Sua tradução tornou-se conhecida como "Vulgata", ou seja, escrita na língua de pessoas comuns ("vulgus"). Embora não tenha sido imediatamente aceita, tornou-se o texto oficial do cristianismo ocidental. Neste formato, a bíblia difundiu-se por todas as regiões do Mediterrâneo, alcançando até o Norte da Europa. Na Europa, os cristãos entraram em conflito com os invasores godos e hunos, que destruíram uma grande parte da civilização romana. Em mosteiros, nos quais alguns homens se refugiaram da turbulência causada por guerras constantes, o texto bíblico foi preservado por muitos séculos, especialmente a bíblia em latim na versão de Jerônimo.

42

Não se sabe quando e como a bíblia chegou até as Ilhas Britânicas. Missionários levaram o evangelho para Irlanda, Escócia e Inglaterra, e não há dúvida de que havia cristãos nos exércitos romanos que lá estiveram no segundo e terceiro séculos. Provavelmente a tradução mais antiga na língua do povo desta região é a do Venerável Bede. Relata-se que, no momento de sua morte, em 735, ele estava ditando uma tradução do Evangelho de João; entretanto, nenhuma de suas traduções chegou até nós. Aos poucos as traduções de passagens e de livros inteiros foram surgindo.

43

AS PRIMEIRAS ESCRITURAS IMPRESSAS

Na Alemanha, em meados do Século XV, um ourives chamado Johannes Gutemberg desenvolveu a arte de fundir tipos metálicos móveis. O primeiro livro de grande porte produzido por sua prensa foi a bíblia em latim. Cópias impressas decoradas a mão passaram a competir com os mais belos manuscritos. Esta nova arte foi utilizada para imprimir bíblias em seis línguas antes de 1500 alemão, italiano, francês, tcheco, holandês e catalão; e em outras seis línguas até meados do Século XVI - espanhol, dinamarquês, inglês, sueco, húngaro, islandês, polonês e finlandês. Finalmente as Escrituras realmente podiam ser lidas na língua destes povos. Mas essas traduções ainda estavam vinculadas ao texto em latim. No início do Século XVI, manuscritos de textos em grego e hebraico, preservados nas igrejas orientais, começaram a chegar à Europa ocidental. Havia pessoas eruditas que podiam auxiliar os sacerdotes ocidentais a ler e apreciar tais manuscritos. Uma pessoa de grande destaque durante este novo período de estudo e aprendizado foi Erasmo de Roterdã. Ele passou alguns anos atuando como professor na Universidade de Cambridge, Inglaterra. Em 1516, sua edição do Novo Testamento em grego foi publicada com seu próprio paralelo da tradução em latim. Assim, pela primeira vez, estudiosos da Europa ocidental puderam ter acesso ao Novo Testamento na língua original, embora, infelizmente, os manuscritos fornecidos a Erasmo fossem de origem relativamente recente e, portanto, não eram completamente confiáveis.

44

OS EVANGELHOS APÓCRIFOS

Provavelmente você já ouviu falar nos “Evangelhos Apócrifos”. Mas que significado tem a palavra “apócrifo”? Apócrifos são chamados os livros que apesar de atribuídos a um autor sagrado, não são aceitos como canônicos. E qual o exato significado da palavra “canônico”? A palavra deriva de “Cânon”, que é o catálogo de Livros Sagrados admitidos pela igreja, no caso, a Católica. Sendo assim, que critério a igreja se utilizou para decidir se um livro, supostamente escrito por um autor sagrado, tem caráter apócrifo ou canônico? A bíblia como um todo, não apresentou sempre a forma como hoje é conhecida. Vários textos, chamados hoje de "apócrifos", figuravam anteriormente na bíblia, mas ao longo dos sucessivos concílios acabaram sendo eliminados. Houve os que depois viriam a ser beneficiados por uma reconsideração e tornariam a partilhar a bíblia. No início do cristianismo os evangelhos eram em número de 315, sendo posteriormente reduzidos para quatro, no Concílio de Nicéia. Os Evangelhos Apócrifos são numerosos e das mais variadas índoles: Evangelho da Infância de Jesus, Evangelho de Maria, dos Doze Apóstolos, de São Pedro, de São Bartolomeu etc... Existe também o Evangelho de Eva, de Zacarias, de Gamaliel e até de Judas Iscariotes. Quando exploramos o assunto, vemos que a “escolha” é feita pela fé, para não dizer conveniência. Os Livros Canônicos são os livros escritos por inspiração Divina. Mas de que forma podem saber quais foram e quais não foram inspirados por Deus? O que é ainda mais interessante neste assunto é que a própria igreja reconhece que boa parte desses Evangelhos Apócrifos foram elaborados por autores sagrados. Por que então não são incluídos na “categoria” bíblica? E o que é mais estranho, por que foram perseguidos e condenados durante séculos? Com o passar dos séculos, o termo apócrifo foi ganhando outros significados. Na antiguidade, designava obras de uso exclusivo de seitas ou escolhas iniciáticas de mistério. Mais tarde adquiriu o significado de livro de origem duvidosa, ou, obra ou fato sem autenticidade, ou cuja autenticidade não se provou. Não se tira o fato de que é certo que deve ser muito difícil para a igreja separar os textos que relatam os fatos da Vida e Obra do Mestre Jesus dos que contam histórias sem autenticidade. Porém, a própria instituição reconhece hoje em dia o valor de 45

algumas destas obras, ou Evangelhos Apócrifos, os quais nos contam algumas passagens da Natividade, Infância e Pregação do Avatar e sua progenitora. Hoje, a igreja reconhece tradição, como os parte da

Evangelhos

Apócrifos de Tiago, Matheus, O Livro sobre a Natividade de Maria, o Evangelho de Pedro e o Armênio e Árabe da Infância de Jesus, além dos evangelistas “aceitos”. A maior parte destes textos apareceu nos séculos II e IV e atualmente são considerados apócrifos. Na realidade, a única diferença entre eles e os quatro Evangelhos Canônicos resume-se ao fato de que “não foram inspirados por Deus”. Estes Evangelhos considerados apócrifos foram publicados ao mesmo tempo em que os que passam por canônicos, foram recebidos com igual respeito e idêntica confiança e, ainda, sendo citados preferencialmente nos primeiros séculos. Logo, o mesmo motivo que pesa em favor da autenticidade de uns, pesa também a favor de outros. No entanto, somente quatro são aceitos “oficialmente”. A admissão exclusiva dos quatro Evangelhos hoje aceitos se deu no século IV, no ano de 325 d.C., por ocasião do Concílio de Nicéia e depois referenciado em 363 d.C., no de Laodicéia, No entanto, Irineu, bispo de Lion que morrera mais ou menos no ano 200, já expressava sua preferência pelos quatro Evangelhos hoje aceitos como canônicos. Irineu compôs contra as principais heresias do tempo uma refutação completa em cinco livros. Eis o conteúdo e modo de exposição: a unidade de Deus, criador do céu e da terra, é proclamada por todos os séculos e todos os homens. A Igreja católica é a fiel depositária dessa tradição universal. A santidade é inseparável dessa Igreja. A Igreja é universal. É apostólica. Para confundir todos os hereges, basta a tradição da Igreja romana. Devemos lembrar que como instituição, a igreja tem seus erros e acertos, pois apesar de alegar ter os olhos do Senhor, é controlada por humanos. Portanto não nos esqueçamos que os Evangelhos Apócrifos, ou não aceitos, assim foram rotulados por

46

humanos como nós, que, enquanto nessa condição, incorrem em erros, e não é nossa proposta alegar que estejam agindo com má-fé.

O CONTEÚDO DOS APÓCRIFOS

Segundo investigações hoje notórias, há fundamentalmente três tipos de evangelhos apócrifos, que proliferaram entre os cristãos no século II e posteriormente: — aqueles dos quais só restaram alguns fragmentos escritos em papiro e se assemelham bastante aos evangelhos canônicos; — os que se conservaram completos e narram com sentido piedoso histórias sobre Jesus e a Santíssima Virgem; e — aqueles outros que, utilizando o nome de algum apóstolo, ensinavam doutrinas diversas daquelas que a Igreja proclamava, seguindo a verdadeira tradição apostólica. Os primeiros são escassos e não dizem nada de novo, talvez porque se conhece pouco sobre o seu conteúdo. A eles pertencem os fragmentos do "evangelho de Pedro", que narram a Paixão. Entre os do segundo tipo, o mais antigo é o chamado "Protoevangelho de São Tiago" que narra a permanência da Santíssima Virgem no templo desde que tinha três anos e como foi designado São José, que era viúvo, para cuidar dela quando esta cumpriu os doze anos. Os sacerdotes do templo reuniram todos os viúvos e um prodígio ocorrido com José, que consistiu em surgir uma pomba do seu cajado, fez que fosse ele o escolhido. Outros apócrifos mais recentes recolhem a mesma história, como o "Pseudo Mateus", que conta que o seu cajado floresceu milagrosamente. Também se detém o Protoevangelho em descrever o nascimento de Jesus quando José ia com Maria até Belém. Narra que o santo patriarca buscou uma parteira, que pôde comprovar a virgindade de Maria no parto. Em uma linha parecida, outros apócrifos, como "o Nascimento de Maria", se detêm em narrar o nascimento da Virgem, quando Joaquim e Ana já eram anciãos. A infância de Jesus e os milagres que fazia quando criança são narrados pelo "Pseudo Tomás", e a morte de José é o tema principal da "História de José, o Carpinteiro". Nos apócrifos árabes da infância, já mais recentes, se fixa a atenção nos Reis Magos, dos quais num apócrifo etíope se incluem inclusive os nomes pelos quais se tornaram populares. Um motivo muito presente em outros apócrifos, como o chamado "Livro do Repouso" ou o "Pseudo Melitão", foi a morte e a Assunção da Santíssima Virgem, narrando 47

que morreu rodeada pelos apóstolos e que o Senhor transportou o seu corpo em um carro celeste. Todas essas lendas piedosas circularam com profusão na Idade Média e serviram de inspiração a muitos artistas. Outro tipo de apócrifos são os que propunham doutrinas heréticas. Os padres os citam para rebatê-los e, com freqüência, os designam pelo nome do herege que tinha escrito como o de Marcião, Basílides ou Valentim, ou pelos destinatários aos quais iam dirigidos, como o dos Hebreus ou o dos Egípcios. Outras vezes os próprios padres acusam esses hereges de pôr suas doutrinas sob o nome de algum apóstolo, preferentemente São Tiago ou Tomé. As informações se confirmaram com a aparição de umas quarenta obras gnósticas em Nag Hammadi (Egito) em 1945. Normalmente apresentam revelações secretas de Jesus, que carecem de qualquer garantia. Costumam imaginar Deus Criador como um deus inferior e perverso (o Demiurgo) e a aquisição da salvação por parte do homem a partir do conhecimento de sua procedência divina.

DESCOBERTAS ARQUEOLÓGICAS

Várias foram as descobertas arqueológicas que proporcionaram o melhor entendimento das Escrituras Sagradas. Os manuscritos mais antigos que existem de trechos do Antigo Testamento datam de 850 d.C. Existem, porém, partes menores bem mais antigas como o Papiro Nash do segundo século da era cristã. Mas sem dúvida a maior descoberta ocorreu em 1947, quando um pastor beduíno, que buscava uma cabra perdida de seu rebanho, encontrou por acaso os Manuscritos do Mar Morto, na região de Jericó. Durante nove anos vários documentos foram encontrados nas cavernas de Qumrân, no Mar Morto, constituindo-se nos mais antigos fragmentos da bíblia hebraica que se têm notícias. Escondidos ali pela tribo judaica dos essênios no Século I, nos 800 pergaminhos, escritos entre 250 a.C. a 100 d.C., aparecem comentários teológicos e descrições da vida religiosa deste povo, revelando aspectos até então considerados exclusivos do cristianismo. Estes documentos tiveram grande impacto na visão da bíblia, pois fornecem espantosa confirmação

48

da fidelidade dos textos massoréticos6 aos originais. O estudo da cerâmica dos jarros e a datação por carbono 14 estabelecem que os documentos foram produzidos entre 168 a.C. e 233 d.C. Destaca-se, entre estes documentos, uma cópia quase completa do livro de Isaías, feita cerca de cem anos antes do nascimento de Cristo. Especialistas compararam o texto dessa cópia com o texto-padrão do Antigo Testamento hebraico (o manuscrito chamado Codex Leningradense, de 1008 d.C.) e descobriram que as diferenças entre ambos eram mínimas. Outros manuscritos também foram encontrados neste mesmo local, como o do profeta Isaías, fragmentos de um texto do profeta Samuel, textos de profetas menores, parte do livro de Levítico e um targum (paráfrase) de Jó. As descobertas arqueológicas, como a dos manuscritos do Mar Morto e outras mais recentes, continuam a fornecer novos dados aos tradutores da bíblia. Elas têm ajudado a resolver várias questões a respeito de palavras e termos hebraicos e gregos, cujo sentido não era absolutamente claro. Antes disso, os tradutores se baseavam em manuscritos mais "novos", ou seja, em cópias produzidas em datas mais distantes da origem dos textos bíblicos. Se os estudos de Metafísica do Grego Aristóteles até hoje não têm um significado adequado quanto à simples origem da palavra “Metafísica”, que se dirá então de um livro inteiro, fracionado em dois períodos, como a bíblia?

[Do hebr. massorat, 'tradição'.] 1- O conjunto dos comentários críticos e gramaticais acerca da Bíblia (sobretudo o Velho Testamento) feitos por doutores judeus. Fonte: Ibdem.

6

49

A BÍBLIA E SEUS ESCRITORES
A palavra bíblia é derivada da palavra grega biblos, que significa: livro ou rolo. A bíblia foi escrita durante um período de mais de 1500 anos, foram aproximadamente 40 os seus autores, servos inspirados pelo Espírito Santo. Apesar dos seus diversos autores é um só livro, com uma única mensagem, isenta de contradições em seu conteúdo. É um livro espiritual, se aceita pela fé, direcionada a um povo especifico, o Povo de Deus. São estes, todos os que foram lavados e restaurados no sangue de Jesus e o tem como Mestre. Devemos lê-la em espírito, meditando em seus ensinamentos e ouvindo a voz do Santo Espírito, que nos dá a compreensão. É um livro especial que traz os princípios da fé do Povo de Deus. A seguir, apresentamos uma tabela com os livros, datas prováveis em que foram escritos e autores.

Livro

Data

Autor

Livro

Data

Autor

Antigo Testamento: Gn Lv Dt Jz 1 Sm 1 Rs 1 Cr Ed Et Sl Ec Is Lm Dn 1440 aC 1445 aC 1400 aC 1050—1000 aC 931—722 aC 560—538 aC 425—400 aC 538—457 Ac 465 aC 1000—300 aC 935 aC 700—690 aC 587 aC 537 aC
Moisés

Ex Nm Js Rt 2 Sm 2 Rs 2 Cr Ne Jó Pv Ct Jr Ez Os

1400 aC 1400 aC 1400—1375 aC 1050—500 aC 931—722 aC 560—538 aC 425—400 aC 423 aC Sec. V—II aC 950—700 aC 970—930 aC 626—586 aC 593—573 aC 750 aC

Moisés

Moisés

Moisés

Moisés

Josué

Desconhecido

Desconhecido

Samuel e outros

Samuel e outros

Jeremias

Jeremias

Esdras

Esdras

Esdras

Neemias

Desconhecido

Moisés ou Salomão

Davi, Asafe e outros

Salomão e outros

Salomão

Salomão

Isaias

Jeremias

Jeremias

Ezequiel

Daniel

Oséias

50

Jl Ob Mq Hc Ag Ml

835—805 aC 586 aC 704—696 aC 600 aC 520 aC 450 aC

Joel

Am Jn Na Sf Zc

760—750 aC 760 aC 612 aC 630 aC 520—475 aC

Amós

Obadias

Jonas

Miquéias

Naum

Habacuque

Sofonias

Ageu

Zacarias

Malaquias

Novo Testamento: Mt Lc At 1Co Gl Fp 1Ts 1Tm Tt Hb 1Pe 1Jo Ap 50 –75 dC 59—75 dC 62 dC 56 dC 55—56 dC 61 dC 50 dC 64 dC 64 dC 64—68 dC 60 dC 90 dC 70—95 dC
Mateus

Mc Jo Rm 2Co Ef Cl 2Ts 2Tm Fm Tg 2Pe Jd

65—70 dC 85 dC 56 dC 56 dC 60—61 dC 61 dC 50 dC 66—67 dC 60—61 dC 48-62 dC 65—68 dC 65—80 Dc

Marcos

Lucas

João

Lucas

Paulo

Paulo

Paulo

Paulo

Paulo

Paulo

Paulo

Paulo

Paulo

Paulo

Paulo

Paulo

Paulo

Desconhecido

Tiago (irmão de Jesus)

Pedro

Pedro

1,2,3 Jo // João

Judas

João

51

O

s Sete Pecados Capitais
Assim chegamos ao ômega do tema, usando um termo que nos mantém no curso histórico. Vamos estudar agora alguns pontos que indicam que os sete

pecados capitais não caíram do céu, tampouco foram para nós trazidos por algum tipo de deus cruel ou bondoso que quisesse que mantivéssemos a linha, caso contrário seríamos punidos. O conceito de pecado como transgressão contra a vontade de Deus e as descrições das falhas de caráter e de comportamento mais graves que merecem esse nome fazem parte da tradição judaico-cristã, mas aparecem na bíblia de maneira dispersa. Os sete pecados capitais só foram enumerados e agrupados no século VI, pelo papa São Gregório Magno (540-604), tomando como referência as cartas de São Paulo. Também são chamados de mortais, porque significariam a morte da alma em contraste com os pecados veniais, estes, considerados menos ofensivos. Capital vem do latim caput (cabeça) – onde já vimos isto antes? “Cabeça de legião”! - significando que esses sete são como “mães” de todos os outros pecados.

Gregório Magno

52

O

Berço da Culpa
Podemos sentir culpa pelas mais variadas razões, mas elas podem

ser resumidas numa lista de fácil memorização. Ainda no primeiro milênio, a igreja cristã decidiu encarar esse desafio, e o resultado — embora seus detalhes possam escapar à maioria — dificilmente não foi mencionado pelo menos uma vez aos ocidentais ligados ao cristianismo. Quem codificou a relação foi o papa Gregório I, o Grande, que comandou a Igreja cristã entre 590 e 604. Em sua obra Moralia in Job, ele listou os sete pecados principais (ou capitais, ou mortais): orgulho, inveja, raiva, avareza, tristeza, gula e luxúria. Mais tarde, a relação teve uma troca: “saiu” a tristeza – simples assim: saiu, foi embora e entrou a preguiça.
Gregório Magno

O número sete não está à toa nessa história, mesmo

porque as listas de vícios de onde Gregório I parece ter extraído sua relação — entre as quais as de dois autores do século 4 dc., Evaagrius e Cassiano — continham oito itens. De acordo com a doutrina tradicional simbolista, os sete pecados capitais estão relacionados diretamente à influência dos sete planetas dos antigos, divindades mitológicas que ao cristianismo interessava descartar. Outro escritor do século 4, o poeta Prudêncio, inspirou boa parte das obras de arte produzidas a respeito dos sete pecados capitais com a sua descrição das batalhas entre os vícios e as virtudes no texto Psychomachia.7 No mesmo trabalho, ele indicou uma lista de virtudes opostas, cuja prática ofereceria alguma proteção contra os pecados. Segundo ele, o orgulho (superbia) seria superado pela humildade; generosidade; a a avareza inveja (avaritia), (invidia), pela pela

bondade; a gula (gula), pela temperança; a luxúria (luxuria), pela castidade; a raiva Psychomachia (ira), pela paciência; e a preguiça (accidia), pela diligência.

As Sete Virtudes são derivadas do épico Psychomachia, poema escrito por Aurelius Clemens Prudentius intitulando a batalha das boas virtudes e vícios malignos.

7

53

A igreja dividiu todos os pecados em duas categorias. Os mais simples, ou veniais, podem ser perdoados sem a necessidade de confissão. Já os mais graves merecem a danação(!). Os sete pecados capitais receberam essa denominação porque produzem outros pecados, outros vícios, tendo um efeito potencialmente letal no que se refere á saúde espiritual da pessoa. Atentemos aqui de onde surgem os agregados, os elementos densos. Se essas transgressões representavam tamanho risco para o fiel, seria até desejável, segundo o ponto de vista de alguns religiosos, que o assunto fosse tratado como tabu. Mas ele ganhou certa publicidade dos próprios meios eclesiásticos, pois a opinião que prevaleceu defendia que nenhum indivíduo cometeria esses pecados sem perceber sua gravidade, e que, portanto, eles estariam capacitados a confessar tais atos e receber a absolvição. Essa preocupação com a educação dos fiéis apareceu, sobretudo no quarto Concílio de Latrão, em 1214. Ao estabelecer a prática da confissão anual para todos os cristãos, o texto definido pela assembléia declarava que “todos os fiéis de ambos os sexos, depois de ter chegado à idade da discrição, confessarão todos os seus pecados pelo menos uma vez por ano ao seu próprio padre e cumprirão com o melhor de sua capacidade a penitência imposta”, acrescentando que esse “saudável decreto” fosse divulgado freqüentemente nas igrejas, de modo que “ninguém possa achar na alegação de ignorância uma sombra de desculpa”. Mais parece nossa Constituição. Com isso, os sete pecados capitais tornaram-se tema rotineiro dos catecismos da época. Mesmo com o avanço do laicismo registrado nos últimos séculos, os sete pecados capitais continuam sendo um tema constante nas igrejas, na literatura e nas artes. Um dos filmes mais bem-sucedidos (e assustadores) da última década, por exemplo, foi Se7en, de David Fincher, no qual dois policiais (interpretados por Morgan Freeman e Brad Pitt) perseguem um assassino serial que pauta seus crimes segundo a lista dos principais pecados cristãos. Embora o assunto não atraia muita atenção no mundo acadêmico, alguns estudiosos têm buscado abordá-lo a partir da perspectiva de outros campos, como o clínico. O psiquiatra americano Karl Menninger propôs em 1973 que o conceito de pecado fosse incorporado ao trabalho de psicanalistas e de outros profissionais da saúde mental. Ele sugeriu inclusive que a lista de pecados fosse aumentada, - viva, quanto mais, melhor! - com o acréscimo de itens como a crueldade. Três anos depois, Hobart Mowrer lançou uma teoria dos efeitos psicológicos danosos dos pecados não confessados (especialmente entre os protestantes), contra os quais indicou “grupos de integridade” que lembram, de certo modo, os procedimentos adotados por 54

agrupamentos do início da cristandade — identificação do pecado e correção de rumo com o apoio dos companheiros. Em From Sin to Wholeness (1982), Brian W. Grant afirmava que os sete pecados capitais advêm da infância mal orientada (preguiça e gula), da adolescência prolongada (raiva e luxúria) e da maturidade excessiva (avareza, inveja e orgulho). No fim daquela década, o sociólogo Anthony Campolo definiu os pecados como “atitudes, emoções e estados da mente (que) condicionam nosso comportamento em formas que são destrutivas para nós mesmos e para aqueles à nossa volta”. Mais recentemente, em 1997, Solomon Schimmel afirmou em The Seven Deadly Sins: Jewish, Christiam, and Classical Reflections on Humam Psychology que muitos pecados tradicionais, e mais especificamente os sete pecados capitais, são psicológicos tanto quanto qualquer outra coisa, e “são primariamente relacionados com o que significa ser humano e as responsabilidades que temos de preencher se queremos ser considerados como tal”.

55

I
catequese.

ncorporação dos Sete Pecados Capitais

Embora o conceito dos pecados capitais tenha se originado ainda nos primórdios do Cristianismo, eles só foram compilados e enumerados bem mais tarde, no século VI. Na época, tomando por base as epístolas de São Paulo, o papa Gregório Magno definiu como sendo sete os principais vícios de conduta. Era comum fazer listas de pecados na Idade Média. Essas anotações cristãs facilitavam a memória e o ensino da

O rol dos sete pecados, porém, só foi incorporado à doutrina da Igreja no século XIII, com o teólogo São Tomás de Aquino, que “explicou” detalhadamente cada um deles, mostrando a razão de serem capitais. Nessa acepção, seriam os comandantes dos outros vícios subordinados. – Seriam os agregados, porventura? Ou seja, todo e qualquer mal de conduta é derivado dos sete pecados mortais, como também são chamados, por representar a "morte" da alma. Quando uma pessoa mente, por exemplo, pode estar sendo movida pela inveja; o ato de cobiçar a mulher do próximo seria provocado pela luxúria; e assim por diante. No entanto, entre as infrações capitais, uma delas é considerada a raiz de todas as outras: a soberba (orgulho). No Gênesis, a serpente oferece o fruto da árvore proibida do conhecimento a Adão e Eva, e eles aceitam, querendo igualar-se a Deus. Esse foi o pecado original: a soberba. Nesse sentido, é como se, ao cometer qualquer infração, a pessoa anunciasse para si: "Deus está errado e eu estou certo". Segundo os religiosos, ter consciência dos males da prática dos sete pecados e, claro, procurar “evitá-los” é o caminho para garantir a "vida" da alma. Toda pessoa que deixa de cometê-los se sente mais plena e feliz. Mesmo aqueles que não crêem em Deus, evoluem. Quem acredita, por sua vez, experimenta mais de perto a misericórdia divina, diz o padre carioca José Roberto Develar, doutor em arte sacra pela Universidade Gregoriana de Roma. Em termos psicológicos, desde sua formulação, o conceito dos pecados capitais é considerado um instrumento para o fiel conhecer a "estrutura do mal" e defender-se contra ele. "Historicamente, as religiões funcionaram como uma forma externa de controle e moderação dos apetites humanos. Com o tempo, o homem internalizou esse aspecto moderador, trocando a culpa - que era atribuída a um ente externo - pela responsabilidade individual por seus atos", afirma Marcos Fleury, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica (SBPA). Isso, é claro, não exclui a proteção divina. Caso não consiga se 56

eximir de cometer alguma das infrações, o fiel ainda pode contar com o indulto do Criador. "O perdão é alcançado por meio da confissão e do arrependimento sincero a Deus", diz o padre José Roberto.

Prisioneiros da Culpa

57

O

s Sete

Vejamos como agem esses terríveis elementos que surgiram do “além”.

1 - GULA A busca incessante aos prazeres da comida e da bebida gera o embrutecimento do homem, de acordo com a teologia moral.

2 - AVAREZA É o desejo exagerado pelos bens materiais, o que hoje se manifesta principalmente em relação ao dinheiro. Gera a injustiça e a fraude, entre outros males.

3 - INVEJA Incorremos nesse vício quando desejamos os bens que outros possuem, o que causa tristeza, rancor e ressentimento.

58

4 - IRA A ira é a força que permite atacar um mal adverso. "A força da ira é a autêntica força de defesa e de resistência da alma", dizia São Tomás de Aquino. O mal advém de seu uso descontrolado, o que gera ódio e assassinato.

5 - PREGUIÇA A imagem de uma pessoa dormindo em plena igreja representa a recusa em aceitar-se o esforço necessário para a união com Deus. Tal atitude, fruto da falta de amor ao bem, resulta em danos diversos, como perda de tempo o desinteresse pela vida.

6 - LUXÚRIA Trata-se da entrega mundana, descontrolada e irracional aos prazeres corporais. Representa uma oposição direta ao cultivo dos valores do espírito, que se fundamentam na crença de que o verdadeiro prazer se encontra na conquista da graça e do perdão divinos.

7 - SOBERBA Considerada a fonte de todos os pecados. Segundo a igreja, todo erro de conduta pressupõe uma afirmação do ego em oposição ao Criador, como se o homem, com tal postura, afirmasse para si e para o mundo que seria o receptáculo da verdade, e não Deus.

59

O

Caminho das Virtudes
Em contraponto aos

vícios capitais, a igreja formulou o conceito das sete virtudes as cada

fundamentais, - observem aqui, que até mesmo próprias virtudes foram elaboradas, criadas! uma delas servindo de antídoto específico a algum dos pecados. Elas regulam a conduta fiel e conduzem o cristão a Deus. "A palavra virtude vem do latim virtu, que significa força. conjunto, elas fortificam a pessoa ao longo da vida”, diz padre Roberto Paz.

do

Em

1 - HUMILDADE (versus soberba) Jesus Cristo pregou a humildade quando lavou os pés dos apóstolos, antes da última ceia. 2 - DISCIPLINA (preguiça) Manter-se fiel aos princípios divinos mesmo em meio às atribulações da vida. 3 - CARIDADE (inveja) Caridade como sinônimo do amor ao próximo. 4 - CASTIDADE (luxúria) Autodomínio, controle das paixões e da sensualidade exacerbada. 5 - PACIÊNCIA (ira) Harmonia interior para não perder a calma diante das adversidades. 6 - GENEROSIDADE (avareza) O valor de uma pessoa cultivar a capacidade de compartilhar com o próximo. 7 - TEMPERANÇA (gula) A postura equilibrada diante dos prazeres, controlando o apetite por comida e bebida.

60

P

Não ara Não Falar Apenas de uma Face

Taoísmo e confucionismo na China, budismo e jainismo na Índia, a arte do pensamento preconizada pelos grandes filósofos gregos da Antigüidade foram movimentos revolucionários que aconteceram ao redor do século VI antes de Cristo. Todos eles foram criados para combater e vencer, em seus respectivos países, o poder absolutista dos sacerdotes das antigas religiões. Ao perder toda noção de limite, esses intermediários entre os deuses e os homens passaram a oprimir e a aterrorizar os povos e os governantes laicos.

61

O

Poder da Dominação

Naquele período, quase simultaneamente, uma importante revolução religiosa civil sacudiu as três grandes civilizações que dominavam o mundo conhecido. Naquela época, os sistemas religiosos da Grécia, da Índia e da China entraram em colapso, dando origem a novos sistemas que, de certa forma, perduram até os dias de hoje. As mudanças ocorreram depois de sangrentas revoltas populares contra o poder de um clero corrupto que dominava as populações e até mesmo os governantes civis. Através das superstições e da criação de um mundo sobrenatural aterrorizante, habitado por uma infinidade de demônios maléficos e potestades vingativas, os sacerdotes controlavam todos os setores daquelas sociedades. Nada mais se fazia sem a intercessão desses sacerdotes, que se apresentavam como intermediários entre os homens e as divindades. Qualquer qualquer novo empreendimento ou requeria enormes quantidades de e de sacrifícios de animais — em lugares, sacrifícios humanos. Tudo por sacerdotes que cobravam altas

mudança, iniciativa oferendas alguns oficiado somas pelos seus serviços.

Exatamente como acontece com os políticos, o poder em excesso enlouquecera os sacerdotes e os fizera perder a noção de limites. Foi nesse ponto, quando a sua atuação sobre o meio social tornou-se desagregadora e insuportável, que o frágil equilíbrio se rompeu. Algumas crônicas desses tempos que chegaram até nós falam da grande crise que se instaurou quando as antigas religiões perderam a credibilidade e entraram em colapso. Novos sistemas religiosos e filosóficos então surgiram, para preencher o vazio. Na Grécia, apareceram os grandes filósofos, Sócrates, Platão, Aristóteles e vários outros, cujas idéias determinaram a formação do pensamento ocidental. Na Índia, dois grandes líderes fundaram novas religiões: Gautama Buda, criador do budismo, e Jina Mahavira, fundador do jainismo.

62

O budismo ainda é uma das grandes religiões do mundo. Contudo, na sua forma original, ele é mais uma filosofia, que procura uma solução para o enigma da existência no seio do universo, um bálsamo contra as angústias da vida e da cadeia de mortesrenascimentos e, sobretudo, uma sabedoria ética que passa pela renúncia aos bens materiais e aos prazeres fáceis do mundo.

Jina Mahavira

63

A

s Novas Doutrinas

O budismo primitivo considera Buda não como um deus, mas como um grande sábio, um iluminado que soube dar ao mundo um método para escapar à seqüência dos renascimentos e atingir o nirvana (a “iluminação espiritual”). Desse método faz parte a meditação sobre as quatro verdades sagradas: a dor, as suas causas (paixões, desejos, apegos), a sua superação e o caminho para lá chegar. O método é também chamado de “caminho do meio”, ou da sabedoria. Como o budismo, o jainismo surgiu como uma heterodoxia do hinduísmo. E uma reação contra o politeísmo, contra o sistema demasiado rígido das castas e os sacrifícios sangrentos. O que mais o caracteriza é o papel primordial atribuído ao princípio de ahimsa (a nãoviolência), que proíbe matar ou maltratar qualquer criatura viva, até mesmo as que estão mais embaixo na escala da evolução dos seres vivos. É por isso que o regime alimentar dos jainistas é muito restrito: apenas permite alguns frutos e legumes. Um jaina (sacerdote jainista) ortodoxo deve filtrar a água que bebe, levar um pedaço de tecido de véu diante da boca para não correr o risco de engolir algum inseto e varrer o chão diante dele quando caminha para não pisar em qualquer animal. A moral jainista, inclusive a dos leigos, é muito severa; impõe os cinco votos inferiores: não matar; não mentir; não roubar; abster-se o mais possível das relações sexuais; e contentar-se com um mínimo de bens materiais. Os adeptos da seita jainista dos digambara (“os que se vestem de nuvens”) andam completamente nus. Como no budismo, o objetivo do sábio jainista é libertar-se do carma (lei da ação e reação, responsável pelos intermináveis ciclos de mortes e renascimentos). Cerca de quatro milhões de indianos ainda praticam o jainismo. Não fazem proselitismo (conversão a uma doutrina, idéia ou sistema; sectário, adepto, partidário) e são muito bem considerados na Índia pela sua honestidade, bondade e pela simplicidade de suas vidas.

64

A China não escapou da revolução religiosa do século VI antes de Cristo. Ali, curiosamente, duas correntes opostas e complementares surgiram quase ao mesmo tempo: o confucionismo e o taoísmo. Como o budismo na Índia, o confucionismo chinês surgiu mais como sabedoria moral e social do que como religião. Seu fundador, Confúcio, foi um dos grandes sábios da China. Num momento histórico de grande
Confúcio

caos

político

e

religioso,

ele

restabeleceu a necessidade da ordem no mundo pelo regresso à virtude e pela

correlação entre a ordem moral humana e a ordem cósmica. Para o confucionismo, tudo deve ser harmonia na sociedade, cuja base é a família, na qual a piedade filial é a primeira das virtudes. Todas as ações humanas devem se assentar na noção bem chinesa do wu-wei (o não-agir) e a de jen (a benevolência, como virtude de humanidade e de justiça). Assim, mais que religião, o confucionismo é uma sabedoria: uma arte de governar para o rei, uma moral política para os letrados, uma fidelidade à tradição para o povo, O confucionismo não tem nem preocupações metafísicas, nem dogmas absolutos, nem clero. Preocupando-se, sobretudo com o concreto e o pragmático, procura a harmonia do mundo real pelo equilíbrio das forças contrárias e complementares, o yin e o yang, a disciplina e a ordem social pelas virtudes familiares, o amor fraterno e a educação do povo. Esse pragmatismo é chamado “ética de Confúcio”, e preconiza as quatro grandes virtudes: humanidade, justiça, comportamento ritual e conhecimento.

65

O

Tao

O confucionismo foi quase a religião oficial da China até o século 20. Na metade desse século, com o advento da revolução maoísta, o sistema passou a ser radicalmente condenado pelos ideólogos do regime. Eles julgavam paralisante a fidelidade inquebrantável às tradições que o confucionismo enaltecia. Apesar disso, é impossível dissociar a civilização chinesa e a sua cultura dos cânones confucionistas. Na mesma época em que o confucionismo surgiu na China, o século VI antes de Cristo, e quase para contrabalançar e equilibrar a rigidez pragmática desse sistema, um outro surgiu, tão importante quanto o primeiro: o taoísmo. O nome vem de tao, que significa “via” ou “caminho”. Nessa religião de forte componente metafísico, tao é a noção fundamental preexistente à divindade organizadora de tudo aquilo que existe (o Ser saído do não-Ser). E o grande princípio da ordem universal, a síntese do yin e do yang, as duas categorias opostas e complementares. Essas categorias são essenciais no pensamento chinês, e formam a alternância verificada por toda a parte na natureza: o feminino e o masculino, o frio e o calor, a sombra e a luz, o negativo e o positivo, a noite e o dia.
Lao Tsé

A sabedoria, para o taoísta, consiste em procurar o “caminho”,

que é a realidade suprema que harmoniza as contradições aparentes. Para tanto, várias alternativas são oferecidas aos seguidores: o místico chega lá pela meditação, pela contemplação e pelo êxtase, mas também por uma disciplina física e moral que desenvolve todas as faculdades potenciais do homem. Dessa disciplina fazem parte exercícios respiratórios, exercícios que recordam os da ioga, a prática de artes marciais, etc. A fundação do taoísmo é atribuída a Lao-tsé, personagem lendário e presumível autor da obra fundamental do taoísmo, o Tao Te King, livro do “caminho” e da “virtude” que exprime as doutrinas e os conselhos de sabedoria para fazer reinar a ordem. Em seu aspecto filosófico, o objetivo central do taoísmo é o de alcançar a santidade, o estado de perfeita harmonia com o mundo natural, um estado que se conquista integrando-se a ele através da meditação e da experiência de vários estados de êxtase. O taoísmo é também considerado uma religião “ecológica” por excelência, já que afirma que a natureza não deve ser alterada pela ação humana. Por essa razão é que o 66

taoísta pratica e prega o não-agir em todos os campos da vida e da atividade humana (inclusive o campo político), não admitindo descontroles ou perdas do estado de equilíbrio, nem mesmo no momento da morte.

67

V

amos Refletir Melhor
Agora pedimos aos leitores que se esforcem um pouco mais para que possamos nos aprofundar em um ponto que compreendemos ser crucial na nossa trajetória até aqui. Buscamos num site qualquer o texto que se

segue e é importante que o leiamos para seguir nosso raciocínio:

OS TIPOS DE CARMA

Existem vários tipos de Carma: Individual: quando é aplicado especificamente a uma pessoa. Por exemplo, no caso de uma doença. Familiar: quando é aplicado de tal forma que afeta toda uma família. Por exemplo, no caso de se ter um membro da família que é viciado em drogas. Isto traz sofrimento para todos ao redor. Regional: quando é aplicado em determinada região. Temos como exemplo as secas, enchentes ou outras adversidades climáticas que ocorrem em determinados lugares e regiões. Nacional: é uma ampliação do carma regional. Temos o exemplo de países que são assolados pela guerra, ditaduras, misérias, desastres naturais, etc. Mundial: quando é aplicado a toda humanidade. Temos o exemplo das guerras mundiais e, atualmente, vemos a imensa degradação e a progressiva escassez dos

68

recursos naturais, iminência de guerra nuclear, grandes desastres naturais, ameaças de epidemias, etc. Katância: é o carma mais rigoroso, que é aplicado aos Mestres, que apesar de suas inúmeras perfeições, podem cometer erros e ser penalizados. Kamaduro: que é o carma aplicado a erros graves, assassinatos, emboscadas, torturas, etc. Esse tipo de karma não é negociável e quando é aplicado vai inevitavelmente até as suas conseqüências finais. Karmasaya: esse carma também não é negociável e é aplicado quando a pessoa comete adultério.

A Lei Divina tem como base a justiça e a misericórdia. A justiça sem misericórdia é tirania. A misericórdia sem justiça é tolerância, complacência com o erro. Se ao pesar nossas ações em uma balança, o prato das boas ações estiver mais pesado o resultado será um Darma, que é uma recompensa pelas boas obras que fazemos. O Darma (do sânscrito Dharma) significa também realidade ou ainda virtude. Se ocorrer o contrário, se o prato das más ações estiver mais pesado, o resultado será um Carma para nós, ou seja sofrimento, dor, adversidades, etc. A palavra de origem sânscrita Karma significa ação. Podemos entendê-la como lei de ação e conseqüência. Assim está o texto emprestado. (Sem qualquer crítica ao seu autor, portanto não o identificamos, eis que o tema é farto e pode ser encontrado em qualquer literatura, seja ela virtual ou não, em verdade até agradecemos o belo trabalho). Apenas um comentário, até hoje não se encontra uma literatura que defina de fato se é Karma, Carma, Kharma, Karmah...

69

C

orolário

Afinal de contas, o que queremos com toda essa gama de dados, gráficos e informes de época e históricos? Criticar as religiões tais e quais? Não! Elas fazem seu papel perante a humanidade que precisa dela. Mas, queremos deixar claro e evidente que em todas as culturas, todas as crenças existem dogmatismos, e, só para que não nos esqueçamos do profundo significado literal da palavra “dogma”, faço questão de buscar o dicionário e expô-lo aqui: “Ponto fundamental e indiscutível duma doutrina religiosa, e, por extensão, de qualquer doutrina ou sistema”. Observaram? Toda forma de poder, de dominação cria condutas

psicológicas, emocionais, tais como verdadeiros implantes que passam a fazer parte da nossa vida como se raízes tivessem e como se fosse algo muito normal, bom natural até. Mudar para quê? Está como está! Se o leitor assíduo se recordar já abordamos o tema na

parte que trata da MISERICÓRDIA. Ora, a misericórdia é a própria graça celestial. Se ela existe, todos estamos fadados a sermos perdoados do que quer que seja e sermos livres até os fins do que quer que seja! Pensemos: Seriam as religiões o freio necessário da humanidade? Será que realmente precisamos de uma? Não queremos dizer que rezar, orar, jejuar, decretar, mantralizar, esteja errado, pois afinal de contas o cerne de nosso trabalho é exatamente mostrar que BEM e MAL não EXISTEM!, mas que em determinados momentos da história humana, precisou-se de certos guias, mentores, mestres, para orientar uma massa enorme e não-pensante que desembocava num eterno “estagnatismo” ou numa eterna anarquia. Sem consciência precisamos sermos conduzidos por quem a tem. Mas quem, na ordem do dia, realmente tem consciência para guiar os outros? Será que não é por isso que dizem que possuímos o “livre arbítrio”? Esse trabalho foi construído para provar que já não podemos mais ficar presos a conceitos que foram elaborados por políticos, militares, sacerdotes, pessoas como nós, como você, que têm seus próprios interesses, desejos e deficiências; esses conceitos de toda sorte nos engessam o evoluir e o principal conceito implantado em nosso universo – e 70

quando

dizemos

isso

queremos deixar claro que ele MEDO! Medo, sim! Medo de Medo de acreditar que tudo verdade! Medo de cometer mudar! Medo de mostrar e esses temas com alguém! despedido, abandonado,

não nos pertence – é o concluir esta leitura!

isto aqui escrito pode ser algum pecado ao tentar discutir abertamente

Medo de ser criticado, execrado, taxado de

“diferente”, “estranho”. Medo eliminar o medo! BRRRR!

de ter medo! Medo de

Como ficamos, então? Grandes mestres nos disseram para sermos revolucionários; grandes pensadores nos disseram para sermos revolucionários, outros tantos deixaram claro que não sigamos a ninguém, nossa voz interior é nosso último referencial, não busquemos mais fora o que podemos encontrar diretamente com nosso SER! Pecado, karma, castigo, céu, inferno, certo, errado! Que importa isso! Consciência livre para vivermos nossa vida no sistema ao qual pertencemos até que o mesmo perdure. Cuidemos de nós mesmos, pois ninguém o fará por nós! Esse sim, o verdadeiro pecado da humanidade, achar que alguém virá com uma vara mágica, um mantra mágico, uma pílula mágica e mudaremos da noite para o dia e assim passaremos a sermos uma pessoa “melhor”, mais magra, mais bela, mais rica, mais saudável, mais eterna... Abramos nossos olhos com alegria, sem medo, preocupações e rancores, mágoas. O que passou, passou! Vivamos o agora, felizes. Se precisamos digitar algo, façamos! Se precisamos acompanhar um doente da família, façamos! Se precisamos colher café, façamos! Se precisamos limpar a casa, façamos! Se precisamos fazer promoções, façamos! Com inteligência, sabedoria, sem sermos tontos, assim, perceberemos que não existe vítimas das circunstâncias.

71

Queremos concluir (mas não findar) com uma passagem de um filósofo: Danilo di Manna de Almeida, em seu texto Uma Ética para o Corpo onde ele literalmente diz o seguinte: “A liberdade diz respeito à posição e não à sua possessão por uma pessoa. A ética serve para descrever a pessoa em seu movimento de tomada de posse da liberdade. [...] em destaque a opção humana de percorrer esse trajeto de liberdade. Posso construir a liberdade no momento em que desenho seu ‘rosto’, através das obras e de minhas ações”8. - (Grifo nosso). Perceberam? Se sou eu mesmo quem construo minha liberdade, eu mesmo tenho o condão de me libertar, por tal sou eu mesmo quem me prendo, portanto, não há vítima das circunstâncias! CONSCIÊNCIA LIVRE!

8

ALMEIDA, Danilo D. M. Uma ética para o corpo – Cidadania e Educação Transformadora. p. 13.

72

* O presente livreto é entregue na totalidade da forma que aqui se apresenta. Não nos responsabilizamos por quaisquer mudanças, alterações ou tergiversações de seu conteúdo!

http://kheops.blog.terra.com.br/

73

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful