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Princesa e serva: uma reflexão sobre a mulher cristã contemporânea Uma reflexão à luz dos
Princesa e serva: uma reflexão sobre a mulher cristã contemporânea Uma reflexão à luz dos
Princesa e serva: uma reflexão sobre a mulher cristã contemporânea Uma reflexão à luz dos
Princesa e serva: uma reflexão sobre a mulher cristã contemporânea Uma reflexão à luz dos

Princesa e serva: uma

reflexão sobre a mulher

cristã contemporânea

Uma reflexão à luz dos cultos cor-de-rosa e a tendência ao uso dos

contos infantis em produções adultas

Hideide Brito Torres, pastora metodista, escritora, Doutoranda em Estudos Literários pela UFJF

Situando a imaginação e a narrativa em nosso campo de reflexão N unca houve uma
Situando a imaginação e a narrativa em nosso campo de reflexão N unca houve uma
Situando a imaginação e a narrativa em nosso campo de reflexão N unca houve uma

Situando a imaginação e a narrativa em

nosso campo de reflexão

N unca houve uma sociedade na qual não houvesse algum grau de narratividade ou um repertório de histórias próprias . Há uma necessidade inerente de contá- las (Barthes, 1987 ) .a imaginação e a narrativa em nosso campo de reflexão A imaginação tem todos os poderes

A imaginação tem todos os poderes : ela faz a beleza, a justiça, e a felicidade, que são os maiores poderes do mundo . ( Blaise Pascal)uma necessidade inerente de contá- las (Barthes, 1987 ) . Uma obra literária possui diversas funções

Uma obra literária possui diversas funções : estética (arte da palavra e expressão do belo), lúdica (provocar prazer), cognitiva (forma de conhecimento estética (arte da palavra e expressão do belo), lúdica (provocar prazer), cognitiva (forma de conhecimento de uma realidade objetiva ou psicológica), catártica

(purificação de sentimentos) e pragmática (pregação de uma ideologia) .

A poesia desses contos, nascida dos mais fortes e primários sentimentos gerais , é a A poesia desses contos, nascida dos mais fortes e primários sentimentos gerais , é a que mais fala e desperta a sensibilidade dos jovens” ( Góes, 1991 ) .

O lugar dos contos de fadas na história da literatura

Os contos de fadas lidam com os medos humanos. Na sua origem,

eram histórias assustadoras, mas a própria infância era vista de modo

diferente da atualidade. Crianças eram miniadultos, a quem se devia

ensinar o medo, como parte da estratégia de sobrevivência.

Esse terror continuou um pouco presente nas releituras das narrativas antigas, que minimizaram o horror evidente e introduziram a “moral”

da história. Assim, os contos assumem um papel didático,

pedagógico, para “ensinar como viver” ou “proteger as crianças dos males do mundo”.

Com o avanço de um modo de vida mais racionalista, os contos de

fada perderam sua função organizadora das emoções e temores das

crianças, mas nunca perderam completamente seu lugar. Hoje, vêm sendo relidos na perspectiva do público adulto, em séries de TV e no cinema, além da literatura propriamente dita.

sendo relidos na perspectiva do público adulto , em séries de TV e no cinema, além
sendo relidos na perspectiva do público adulto , em séries de TV e no cinema, além
sendo relidos na perspectiva do público adulto , em séries de TV e no cinema, além
sendo relidos na perspectiva do público adulto , em séries de TV e no cinema, além
Estrutura dos contos de fadas a partir dos estudos de Wladmir Propp  Desenvolvimento a
Estrutura dos contos de fadas a partir dos estudos de Wladmir Propp  Desenvolvimento a
Estrutura dos contos de fadas a partir dos estudos de Wladmir Propp  Desenvolvimento a

Estrutura dos contos de fadas a partir

dos estudos de Wladmir Propp

Desenvolvimento a partir de origens humildes (vida

arborícola).

Provações advindas de um ambiente hostil (ameaça de

predadores no solo, clima impiedoso etc.).

(ameaça de predadores no solo, clima impiedoso etc.).  Aparecimento de um "doador" (inteligência) e
(ameaça de predadores no solo, clima impiedoso etc.).  Aparecimento de um "doador" (inteligência) e

Aparecimento de um "doador" (inteligência) e triunfo final do herói (conquista da civilização).

“Presentes mágicos" (ferramentas, linguagem articulada,

razão, sentido moral) ofertados pelo "doador".

Funções sociais dos contos de fadas

Eles podem ajudar a criança a lidar com seus medos, a

elaborar suas narrativas e a encontrar o seu sentido no mundo.

São fundamentais no processo educativo e estão nas várias

culturas. São usados de várias formas nas ciências humanas, como Psicologia (simbolismos, estruturas narrativas, contos terapêuticos).

Como toda narrativa, porém, possuem seus limites. Conhecê-los é tarefa de todo educador e educadora.

 Como toda narrativa, porém, possuem seus limites. Conhecê-los é tarefa de todo educador e educadora.
 Como toda narrativa, porém, possuem seus limites. Conhecê-los é tarefa de todo educador e educadora.
 Como toda narrativa, porém, possuem seus limites. Conhecê-los é tarefa de todo educador e educadora.
 Como toda narrativa, porém, possuem seus limites. Conhecê-los é tarefa de todo educador e educadora.

A razão e a imaginação: a luta

Desencantamento do mundo: necessidade de encontrar explicações necessidade de encontrar explicações

empíricas, factuais, científicas para todos os fenômenos humanos

(Max Weber).

Esvaziamento das formas simbólicas humanas. O próprio . O próprio

protestantismo sofre os efeitos desse esvaziamento: liturgia pouco

simbólica, culto racionalista

premente, faz surgir novas formulações, abrindo espaço ao

sincretismo religioso.

Mas a necessidade humana, sendo

Reencantamento do mundo: a racionalidade não consegue explicar todos os fenômenos; ainda que conseguisse, isso não iria suprir a racionalidade não consegue explicar todos os fenômenos; ainda que conseguisse, isso não iria suprir outros tipos de necessidades humanas.

Ressurgimento das narrativas fantásticas em meio à realidade contemporânea: fantasmas, vampiros, lobisomens, príncipes e princesas fazem parte de uma em meio à realidade contemporânea: fantasmas, vampiros, lobisomens, príncipes e princesas fazem parte de uma mesma questão.

Imagem como retorno à magia: Para Michel Maffesoli, sociólogo : Para Michel Maffesoli, sociólogo

francês, o prazer contemporâneo pela imagem é uma reação à modernidade extremamente racional. A imagem seria um retorno à magia, à fantasia, uma remagificação da vida.

à modernidade extremamente racional. A imagem seria um retorno à magia, à fantasia, uma remagificação da

Quais situações nessa retomada dos contos de

fada na contemporaneidade podem ser

complexas para as mulheres?

Padrão Disney de estética e de comportamento para as mulheres na contemporaneidade, nem sempre compatíveis com suas realidades, desejos e desafios.

Colocação do casamento como um padrão de vida para todas as mulheres - e no modelo Disney, de final feliz para sempre, com forte base no consumo.

Aumento da frustração das mulheres que não conseguem viver este padrão,

que optam por não se casar ou que não conseguiram encontrar seu

“Príncipe”.

Aumento da pressão sobre homens e mulheres, para se encaixar no que é esperado do príncipe e da princesa expectativas altas geram frustrações profundas.

A criança lida com a fantasia de maneira mais desvencilhada do que a pessoa adulta. Ela reinventa a história não a fixa como fórmula.

fantasia de maneira mais desvencilhada do que a pessoa adulta. Ela reinventa a história – não
fantasia de maneira mais desvencilhada do que a pessoa adulta. Ela reinventa a história – não

Ensinos presentes nos cultos de princesas

(sob a inspiração de Sarah Sheeva)

8 Sinais que indicam a possibilidade do relacionamento ser da vontade de Deus para

casamento: 1) “O homem PROCURA, a mulher ESPERA”. (

primeiro (antes dela sic - vê-lo), e então partiu do Homem a iniciativa (de pedir pra orar,

namorar, fazer a côrte). (

)

É quando o homem VIU a mulher

)

Isso é um forte sinal.

2) Começaram fazendo a Côrte ou Compromisso (namoro em santidade). É quando ambos

(tanto o homem como a mulher) aceitam orar e se relacionar sem contato físico por um tempo (sem beijar na boca ou se abraçar) para discernir a voz de Deus, sem interferência de suas vontades naturais. Se os 2 aceitarem, isso é um grande sinal que PODE SER DE DEUS.

3) Shalom (significa Paz). É quando (após começarem a se relacionar como amigos ou

namorados) há Paz no coração de ambos. Paz é quando não há medo, nem ansiedade, nem

insegurança e ciúme no relacionamento. O contrário da Paz é quando o casal briga muito por ciúmes, inseguranças, e quando há muita ansiedade, nervoso por estar perto, inquietação,

etc. (

)

4) A benção e aprovação dos pais e dos pastores (líderes) para começarem a se relacionar. É quando o casal busca o conselho e o acompanhamento dos líderes. E então, após o período da côrte (namoro) eles tem a benção dos pais e dos líderes para seguirem as etapas do noivado e casamento.

 5) Afinidades e Concordância Ministerial (quando ambos se completam no ministério), e estão previamente
 5) Afinidades e Concordância Ministerial (quando ambos se completam no ministério), e estão previamente
 5) Afinidades e Concordância Ministerial (quando ambos se completam no ministério), e estão previamente

5) Afinidades e Concordância Ministerial (quando ambos se completam no ministério), e estão previamente de acordo com o que ambos querem fazer no ministério e na vida

6) Atração física. É quando ambos se agradam da aparência

um do outro, sentem atração sexual um pelo outro, e

admiram um ao outro. O homem precisa achar a mulher bonita, ainda que ninguém mais ache isso, ele precisa achar. Já a moça, precisa admirá-lo, achar ele “o máximo”, porque se não, a atração dela será superficial e passageira.

7) Sinais de Sacerdócio do Homem = Autoridade natural (e

não imposta) do homem sobre a mulher (gerada pela admiração que ela tem pela inteligência emocional dele). Esse sinal é extremamente importante para a garantia de um

casamento feliz.Obs1: A submissão que me refiro aqui não é

ser “capacho”. É reconhecer o sacerdócio e liderança do marido na família, sem perder o papel de ajudadora

(conselheira).

8) O relacionamento precisa EDIFICAR, e não afastar de

Deus.Se não edifica, então NÃO É DE DEUS. Quando ambos são

um para o outro, um incentivo de oração e santificação,

quando o relacionamento os aproxima mais de Deus, e trás (sic) maturidade emocional e espiritual, é um forte sinal.

Mas, afinal, o que é ser uma princesa?

Mas, afinal, o que é ser uma princesa?
Mas, afinal, o que é ser uma princesa?
Mas, afinal, o que é ser uma princesa?

Uma tentativa de fundamentação bíblica

Sois raça eleita, sacerdócio real, povo de propriedade exclusiva de Deus.

Deus é o rei da terra e nós, seus filhos e filhas. Logo, somos príncipes e princesas.

Se há rei, há direitos e privilégios desfoca-se a questão do servo e da serva;

da humildade e do serviço. Abre-se espaço para a teologia da prosperidade e seus desdobramentos.

Assunção do entendimento de monarquia como domínio sobre o outro. Em 1

Samuel 8 Deus manifesta contrariedade com esse sistema de governo humano

por ele se basear na usurpação do direito do pobre.

Mesmo na contemporaneidade, o título real é visto apenas na perspectiva do

direito, do privilégio e não na medida da entrega e do serviço. A perspectiva do sacerdócio real inclui a nobreza como valor, o sacerdócio como santidade e

como serviço ao povo.

Interpretação literalista de textos bíblicos contextualmente distintos da atualidade pós-moderna e pós-colonial na qual vivemos atualmente.

de textos bíblicos contextualmente distintos da atualidade pós-moderna e pós-colonial na qual vivemos atualmente.
de textos bíblicos contextualmente distintos da atualidade pós-moderna e pós-colonial na qual vivemos atualmente.
de textos bíblicos contextualmente distintos da atualidade pós-moderna e pós-colonial na qual vivemos atualmente.
de textos bíblicos contextualmente distintos da atualidade pós-moderna e pós-colonial na qual vivemos atualmente.
As princesas e mulheres nobres da Bíblia que nos inspiram  A princesa egípcia que
As princesas e mulheres nobres da Bíblia que nos inspiram  A princesa egípcia que
As princesas e mulheres nobres da Bíblia que nos inspiram  A princesa egípcia que

As princesas e mulheres nobres da Bíblia que nos inspiram

A

princesa egípcia que não permitiu a morte do inocente

bebê Moisés (Gênesis 2)

Vasti: a rainha que não se deixou objetificar (Ester 1)

Ester: a rainha que colocou a vida em risco pela defesa

do povo (Ester)

Abigail: a rainha conciliadora que salvou sua família da fúria de Davi e da loucura de Nabal (1 Samuel 25)

Rainha de Sabá: em busca de sabedoria (1 Reis 10).

Maria: da linhagem de Davi, portanto, de ascendência real, ela viveu humildemente sua vida e sua vocação

(Mateus 1).

A

mulher de Pôncio Pilatos: sensibilidade para perceber

a situação espiritual envolvida no julgamento de Jesus (Mateus 27.19).

de Pôncio Pilatos: sensibilidade para perceber a situação espiritual envolvida no julgamento de Jesus (Mateus 27.19).
de Pôncio Pilatos: sensibilidade para perceber a situação espiritual envolvida no julgamento de Jesus (Mateus 27.19).
de Pôncio Pilatos: sensibilidade para perceber a situação espiritual envolvida no julgamento de Jesus (Mateus 27.19).
Que perspectivas de reflexão os cultos de princesas ou culto rosa nos trazem?  Há
Que perspectivas de reflexão os cultos de princesas ou culto rosa nos trazem?  Há
Que perspectivas de reflexão os cultos de princesas ou culto rosa nos trazem?  Há

Que perspectivas de reflexão os cultos

de princesas ou culto rosa nos trazem?

Há uma necessidade legítima de aceitação, de inclusão e de autoestima por parte das mulheres. Deve-se reconhecê-la.

As lutas das mulheres por direitos no passado e na atualidade não podem

roubar delas outras expressões (ex. Simone de Beauvoir e as cartas a Sartre)

de sua feminilidade, de suas fantasias e desejos, por não serem ilegítimos.

de suas fantasias e desejos, por não serem ilegítimos.  Outros modelos de feminismo, não ocidentais
de suas fantasias e desejos, por não serem ilegítimos.  Outros modelos de feminismo, não ocidentais

Outros modelos de feminismo, não ocidentais (europeus e norte-americanos) devem ser levados em conta na nossa sociedade (Sipvak).

A compreensão de que há outras formas de ser mulher, não menores, nem

desprezíveis, como a solteirice e a viuvez; mesmo no contexto do casamento a abdicação consciente da maternidade essas outras dimensões precisam ser, de alguma forma, atendidas.

Enfim

A que o imaginário das princesas (esse modelo Disney introjetado em nossa culturas) nos remete? Ao serviço ou a autossatisfação? À realidade em sua diversidade ou a uma padronização estética?

Seria possível encontrar uma forma de celebração cúltica ou perspectiva estética que leve em conta a experiência das mulheres bíblicas (princesas ou não), suas contradições, virtudes e testemunho?

Isso traz libertação ou mais opressão a quem não consegue se encaixar no modelo?

Que angústias as mulheres contemporâneas trazem? Que anseios cultivam? Como podem ser acolhidas?

Essas devem ser as reflexões a termos em mente quando pensamos

em eventos de mulheres e nas temáticas que abordamos.

Essas devem ser as reflexões a termos em mente quando pensamos em eventos de mulheres e
Essas devem ser as reflexões a termos em mente quando pensamos em eventos de mulheres e
Essas devem ser as reflexões a termos em mente quando pensamos em eventos de mulheres e
Essas devem ser as reflexões a termos em mente quando pensamos em eventos de mulheres e

OUTUBRO ROSA

CUIDE-SE!

OUTUBRO ROSA CUIDE-SE!
OUTUBRO ROSA CUIDE-SE!
OUTUBRO ROSA CUIDE-SE!
OUTUBRO ROSA CUIDE-SE!
OUTUBRO ROSA CUIDE-SE!

Referências

BARTHES, Roland. Crítica e verdade. São Paulo: Coleção Signos, 1987. Crítica e verdade. São Paulo: Coleção Signos, 1987.

GOES, Lúcia Pimentel. Introdução à literatura Infantil e juvenil. São Paulo: Introdução à literatura Infantil e juvenil. São Paulo:

Pioneira, 1991.

SPIVAK, G. The Post-Colonial Critique. In: HARASYM, Sara. (ed.) The Post- The Post-

Colonial Critique, Interviews, Strategies, Dialogues, New York, Routledge,

1990

BEAUVOIR, Simone de. Cahiers de Jeunesse . 1926-1930. Paris: Gallimard, Cahiers de Jeunesse. 1926-1930. Paris: Gallimard,

2008.

BEAUVOIR, Simone de. Cartas a Nelson Algren . Um amor transatlântico. 1947- 1964. Tradução de Cartas a Nelson Algren. Um amor transatlântico. 1947- 1964. Tradução de

Bíblia SagradaParis: Gallimard, 2008. BEAUVOIR, Simone de. Cartas a Nelson Algren . Um amor transatlântico. 1947- 1964.

2008. BEAUVOIR, Simone de. Cartas a Nelson Algren . Um amor transatlântico. 1947- 1964. Tradução de
2008. BEAUVOIR, Simone de. Cartas a Nelson Algren . Um amor transatlântico. 1947- 1964. Tradução de
2008. BEAUVOIR, Simone de. Cartas a Nelson Algren . Um amor transatlântico. 1947- 1964. Tradução de
2008. BEAUVOIR, Simone de. Cartas a Nelson Algren . Um amor transatlântico. 1947- 1964. Tradução de