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Biblioteca Escola Secundária de Maximinos

Práticas e Modelos na Auto-Avaliação das


Bibliotecas Escolares
Reflexão Individual

Formanda: Elsa Lima

Setembro de 2009…

Práticas e Modelos na Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares / Turma 3


Biblioteca Escola Secundária de Maximinos

Chega-nos um “convite” da Regina a participar numa formação para


professores bibliotecários sobre o modelo de auto-avaliação. Esta
formação seria on-line, usando a plataforma moodle RBE, tendo, pelo
menos, 2 ou 3 sessões presenciais em Lisboa. A temática pareceu-me
interessante e pertinente, mas encontrando-me a frequentar outra
acção de formação, declinei o convite. No entanto, numa fase
posterior, este convite tornou-se quase que de aceitação obrigatória,
devido à premência de todos os professores bibliotecário se
familiarizarem com o MABE, uma vez que o terão que aplicar no
corrente ano lectivo. Assim, deu-se início à formação em finais de
Outubro. Vários pontos de interrogação se me colocaram:
? 1- O cronograma – sessões muito seguidas;
? 2 – Maioria das sessões realizadas online – como se iria processar;
? 3 – Criação de um blogue, que iria servir de portfolio da acção –
como fazer;
?4-…
As dúvidas eram algumas, mas a vontade de aprender, maior!
Iniciei um diário de bordo, que me pareceu ser um bom meio para
fazer uma reflexão e relatar a vivência da formação ao longo do
percurso.
Com o início da primeira tarefa, subdividida em duas partes, nova
questão se pôs: tempo para a resolução das tarefas! As solicitações
diárias e incessantes na BE pouco tempo nos deixavam para as
leituras recomendadas e para a resolução das tarefas. Assim, o diário
de bordo espelhou apenas uma reflexão das três primeiras sessões. A
ausência de tempo tornou-se o grande inimigo.
Com o decorrer das sessões surgiram dúvidas em relação à realização
das tarefas, mas com a leitura dos textos recomendados (que
apoiaram o que eu chamaria de auto-formação) e o apoio das
formadoras e dos colegas, as soluções lá foram aparecendo.

Esta formação ajudou-me a tomar consciência de vários aspectos


ligados à BE:

 perspectivar a situação da BE, identificando pontos fortes,


fraquezas, oportunidades e ameaças e principais desafios que o
professor bibliotecário e a BE enfrentam no contexto de mudança;
 aprender a manusear o MABE;
 identificar/clarificar termos inerentes ao MABE;

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 operacionalizar o MABE – as sessões foram organizadas de


modo a que tivéssemos acesso a todas as etapas inerentes à
aplicação do MABE – desde a noção de Biblioteca Escolar, o
porquê de um Modelo de Avaliação para as bibliotecas escolares,
organização estrutural e funcional do modelo, passando pela
apresentação do mesmo ao Conselho Pedagógico, pelas diversas
fases de operacionalização, até à elaboração do relatório;
 Compreender como é que a auto‐avaliação pode ser
concretizada para demonstrar a contribuição da BE para o ensino
e aprendizagem e a missão e objectivos da escola, assim como
demonstrar que se impõe uma gestão participada das mudanças e
a participação de todos os elementos da comunidade na aplicação
do modelo.

Os comentários fundamentados dos trabalhos dos colegas


demonstraram ser muito profícuos, pois reflectir sobre as realidades
de outra BE, pode-nos ajudar a encontrar soluções, a pensar sobre
assuntos esquecidos e, pode, também, contribuir para o trabalho do
outro professor bibliotecário. É na partilha de experiências, dúvidas,
dificuldades, … que mais aprendemos. Parece-me, no entanto, que
teria sido mais vantajoso se a acção tivesse mais sessões presenciais
para que pudéssemos, em plenário, debater as nossas ideias, colocar
as nossas dúvidas, …
O caminho que percorremos, levou-nos a uma aprendizagem
fundamental do nosso papel de professores bibliotecários, mas
tornou-se muito complicado articular as tarefas profissionais (trabalho
constante na B.E. e a oficina de formação) e as pessoais.
Com muita elasticidade foi-se arranjando tempo para desenvolver as
tarefas definidas para cada sessão da formação. Com a partilha
aprendemos muito, mas o espartilho do tempo dificultou a nossa
tarefa. Tal como Torga cantou:

Tempo
Tempo — definição da angústia.
Pudesse ao menos eu agrilhoar-te
Ao coração pulsátil dum poema!
Era o devir eterno em harmonia.
Mas foges das vogais, como a frescura
Da tinta com que escrevo.
Fica apenas a tua negra sombra:
— O passado,
Amargura maior, fotografada.

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Tempo...
E não haver nada,
Ninguém,
Uma alma penada
Que estrangule a ampulheta duma vez!

Que realize o crime e a perfeição


De cortar aquele fio movediço
De areia
Que nenhum tecelão
É capaz de tecer na sua teia!

Miguel Torga, in 'Cântico do Homem'

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