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O modelo de auto-avaliação das Bibliotecas Escolares:

metodologias de operacionalização (conclusão)


Sessão 6.Parte 2

Comentário crítico à presença de referências das BE


No Relatório de Avaliação Externa da Escola

O Agrupamento de Escolas do Concelho de Borba foi sujeito a avaliação


externa entre os dias 14 e 16 de Maio de 2008.Todo o corpo docente foi
convidado pelo então Conselho Executivo para estar presente na sessão inicial
de apresentação da Escola. Compareci, na qualidade de Coordenador da BE,
de seu representante no Conselho Pedagógico e de conhecedor directo de
todos os trâmites processuais desenvolvidos com vista à avaliação externa. Na
devida altura, fiz a minha apresentação e transmiti sumariamente os objectivos
e as linhas orientadoras do Projecto THEKA, que estava a trabalhar em equipa,
no Agrupamento. Inspirando-me nas considerações finais do relatório
elaborado pela IGE, apresento o comentário crítico, subdividindo-o em pontos
fortes e em pontos fracos no que se refere à presença e referências a respeito
da BE:

✔ Pontos fortes

 O edifício da Escola sede dispõe de áreas diversificadas de


aprendizagem, nomeadamente biblioteca/centro de recursos. As
restantes unidades do Agrupamento assistiram à criação de duas
bibliotecas/centro de recursos, uma na EB1/JI de Rio de Moinhos
e outra na EB1/JI de Borba;

 No Ano Lectivo 2006/2007, as provas de aferição do 4º ano de


escolaridade, na disciplina de Matemática revelaram 85,5%,
ultrapassando os nacionais (83,1%);
 No 6º ano de escolaridade, os resultados positivos em Língua
Portuguesa (89,6%) e em Matemática (61,1%) superaram os
nacionais (83,3% e 56,9%, respectivamente);

 Nos exames nacionais de Matemática de 3º ciclo, a média das


classificações obtidas pelo Agrupamento em 2006 nos exames
nacionais (2,5) foi superior à nacional em 0,1%, igualando-a em
2007 (2,2)

 O relatório refere que os alunos dispõem de um conjunto variado


de apoios educativos, não existindo estudos sobre a avaliação da
sua eficácia;

 O Agrupamento dispõe de espaços diversificados e apropriados


ao desenvolvimento das actividades, nomeadamente as BE,
integradas na RBE (espaços funcionais com recursos e
equipamentos variados);

 O Agrupamento demonstra abertura a iniciativas e aderiu a


projectos inovadores, de âmbito nacional com impacto nas
aprendizagens, citando-se os exemplos do Plano Nacional de
Leitura e da RBE;

 A frequência de formação pelos recursos humanos afectos à BE


sede (Coordenador e Auxiliar de Acção Educativa);

 A instalação das duas BE, nas EB1/JI resulta de parcerias entre o


Agrupamento, RBE e Autarquia.

✔ Pontos fracos
 No Ano Lectivo 2006/2007, as provas de aferição do 4º ano de
escolaridade apresentaram resultados positivos em Língua
Portuguesa (86,9%), abaixo dos nacionais (90,6%);

 Nos exames nacionais de Língua Portuguesa, de 3º ciclo, a


média dos resultados obtidos pelo Agrupamento (2,5 em 2006 e
3,1 em 2007) foi inferior em ambos os anos à média das
classificações internas (3,3 e 3,2);

 No subcapítulo – Abrangência do currículo e valorização dos


saberes e da aprendizagem não surge referência à BE, embora o
relatório sublinhe a existência de 3 BE, no Agrupamento. Esta
evidência transparece no relatório de avaliação externa da Escola
Secundária Rainha Santa Isabel (Estremoz) de Junho de 2006;

 A BE sede é pouco rica em algumas áreas, nomeadamente nas


Ciências Físicas e Naturais);

 A inexistência de estudos sobre a avaliação da eficácia do


conjunto variado de apoios educativos. A BE não é mencionada à
semelhança de outros apoios, mas, entendo que tal deveria ter
sido registado;

 Insuficiente liderança intermédia, no que diz respeito à


coordenação inter-departamental e falta de articulação das
equipas responsáveis pelo processo de auto-avaliação, bem
como a ausência de planos de melhoria.

Reflexões pessoais
Enquanto Coordenador das três BE do Agrupamento, até ao ano lectivo
transacto, assumindo a responsabilidade das duas novas BE, a título honorífico
(não tinha nem carga horária, nem equipa para tal) sempre assumi em
Conselho Pedagógico o desfasamento entre a realidade e a vontade de mudar.
A criação do professor bibliotecário permite responder ao esbatimento dos
pontos fracos elencados no relatório de avaliação externa e à sua sobreposição
por pontos fortes.
A maior disponibilidade horária (só tenho uma turma e por opção pessoal)
expõe um grande desafio pessoal, reconhecendo, no entanto, que o plano de
melhoria derivado do modelo de auto-avaliação não depende exclusivamente
da minha liderança, mas também do trabalho, a partilhar com os colegas.
Mesmo assim e, porque não beneficio de o suporte de uma BM, entendo, que o
prazo de quatro anos dá para mudar a BE, cuja centralidade, não é fácil de
posicionar na cultura de escola vigente.
Regressando ao relatório de avaliação externa, vislumbra-se uma certa
superficialidade em relacionar a BE com o currículo e com o impacto que tem
nos resultados das aprendizagens. Embora se reconheça o papel da BE, acaba
por ser equiparada às premissas da Lei de Bases do Sistema Educativo de 1986
(lê-se nas entrelinhas). De forma redutora, as funções da BE exprimem-se a
par de equipamentos, como os laboratórios, a Educação Física e a Educação
Musical, mas nunca no plano da sua articulação.
Curiosamente, o relatório elogia a implementação do PNL, nunca expressando
o trabalho desenvolvido pelas BE. Talvez, porque o então Coordenador não foi
solicitado para as sessões inter-departamentais. Foi ouvida a Auxiliar de Acção
Executiva, a quem foram colocadas algumas perguntas, como por exemplo –
como se processou o seu ingresso no lugar, quais as funções atribuídas, gosta
do serviço atribuído e qual a formação.
Os órgãos de gestão da Escola sempre igualaram o Coordenador da BE a
Coordenador de Departamento, com assento em Conselho Pedagógico, mas a
equipa inspectiva assim não o julgou relevante.

João Azaruja

PB –EB 2,3 Padre Bento Pereira