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O que é a produtividade ?

Actualizado em (Terça, 30 Novembro 1999 00:00) Escrito por Paulo Santos Domingo, 19 Novembro
2006 12:42

Quando estudamos produtividade, buscamos identificar, analisar e minimizar a influência de fatores que, de uma
forma direta ou indireta, interferem para que algo indesejado distorça os resultados esperados.

Em http://www.sebrae.com.br/br/parasuaempresa/produtividade.asp

Produtividade
“Produtividade é minimizar cientificamente o uso de recursos materiais, mão-de-obra, máquinas,
equipamentos etc., para reduzir custos de produção, expandir mercados, aumentar o número de
empregados, lutar por aumentos reais de salários e pela melhoria do padrão de vida, no interesse
comum do capital, do trabalho e dos consumidores”. (Japan Productivity Center for Social –
Economics Development ).

Quando estudamos produtividade, buscamos identificar, analisar e minimizar a influência de fatores


que, de uma forma direta ou indireta, interferem para que algo indesejado distorça os resultados
esperados. Por exemplo:
- É impossível medir a produtividade numa área de vendas sem considerar as condições de entrega,
os prazos de pagamento e a margem de lucro da operação.

- No setor de compras, é importante avaliar o número de pedidos emitidos pela quantidade de


produtos acabados obtidos, mas há que se levar em conta o número de pessoas envolvidas neste
processo, o percentual de pedidos recebidos no prazo combinado e a freqüência de faltas de estoque,
bem como os custos pagos pelos produtos adquiridos (preço, fretes, transportes etc.).

- É imprescindível determinar a quantidade de peças produzidas por homem x hora, mas devemos
analisar o índice de desperdício, de refugo, o retrabalho e a qualidade obtida em cada posto de
trabalho, bem como o custo social (afastamentos e acidentes de trabalho) aferido.

Quando se vai tomar decisões com base em produtividade é importante que se considere o índice ao
longo de um determinado tempo.Quase todas as empresas têm sua fase de sazonalidade, razão pela
qual o período de tempo é uma questão fundamental.

Sendo assim, torna-se aconselhável para análise o estudo por meio de gráficos ou tabelas em que
uma das bases seja o tempo, a fim de se identificar tendências.

Devemos sempre avaliar como uma ação isolada para aumento de produtividade interfere em outro
indicador e como eles, juntos, afetam o desempenho do negócio.

Aumentar a produtividade pura em uma fábrica (fazer mais em menos tempo) pode gerar um
significativo estoque de produtos acabados, consumos de matérias primas e deve ser coerente com a
produtividade de vendas. Caso contrário. só resulta em encalhe.

Fundamental também é comparar a produtividade alcançada pela empresa com outras do mesmo
segmento e que apresentem meios e processos equivalentes. Nunca poderíamos comparar, por
exemplo, caso estabelecêssemos como medida de produtividade um indicador de rentabilidade por
cliente, um restaurante a quilo com uma franquia de fast-food.
Lembramos que uma empresa não consegue ser melhor que as pessoas que nela atuam. Portanto o
clima organizacional atua ora como causa , ora como efeito nos resultados de produtividade.
http://www.produtividade.net/index.php?option=com_content&view=article&catid=1%3Alatest&id=26%3Ao-
que--produtividade-&Itemid=2

Produtividade: ética ou falta dela


Actualizado em (Terça, 30 Novembro 1999 00:00) Escrito por Paulo Santos Sexta, 19 Janeiro 2007
13:55

Produtividade: ética ou falta dela


O tema da produtividade e está Continuará um estar em cima de todas as mesas, ou não
fosse o incremento da produtividade vital para a nossa desejada recuperação
económica.David Zamith

O tema da produtividade e está Continuará um estar em cima de todas as mesas,


ou não fosse o incremento da produtividade vital para a nossa desejada
recuperação económica.

Foi por isso com atenção particular que lemos uma passagem da mensagem de Ano Novo do Senhor
Presidente da República, que sublinha que "cabe aos empresários Serem verdadeiros agentes da
mudança, aumentando a produtividade, e Investindo mais, sobretudo, melhor Investindo, com uma
aposta decisiva na inovação e na qualidade ".

Porque sou empresário, ou simplesmente porque acredito na acção positiva da nossa iniciativa
privada, ou talvez ainda porque faço parte daqueles que continuam a acreditar ea investir nenhum
futuro do nosso Portugal, não posso estar mais de acordo com esta opinião expressa por Cavaco
Silva, pois O futuro de todos nós está Intimamente ligado ao Aumento da produtividade, da inovação e
da qualidade.

Acontece que a produtividade é medida termos macroeconómicos em, sendo metidos no saco mesmo,
nesta avaliação, os desempenhos do sector público e do sector privado. E é aqui que logo se instalam
as dúvidas: qual destes sectores estará um CONTRIBUIR mais para uma Melhoria da nossa
produtividade?

Numa recente palestra proferida pelo Sr. Governador do Banco de Portugal, tive oportunidade de o
escutar sobre a performance da economia em 2006 e sobre as perspectivas que se abrem em 2007
nas mais diferentes latitudes. Sobre a Europa ouvi-lhe dizer que não está robusta seu crescimento de
ca. 2,6%, com uma ressalva de Portugal continuar numa situação de Pessimismo traumático, pois foi o
único país da União Européia que não se acautelou para Enfrentar e superar os tempos difíceis, antes
preferiu Prosseguir uma governação de excessos e de anúncios permanentes de grandeza , com os
resultados de todos conhecidos.

Apesar de tudo, Vítor Constâncio elogiou o Esforço empresários desenvolvido em 2006 pelos
portugueses, TENDO salientado o inesperado aumento de exportações nas 9%, com um
Particularidade de se ter verificado uma salutar Diversificação dos mercados de destino, com
significativos aumentos em Espanha, Estados Unidos , Angola, etc, isto para não falar já no valor
acrescentado facto de estarmos um exportar produtos de maior e de índole mais tecnológica.
Ora, Perante este Aumento das nossas exportações, que se prevê continuar em 2007, é lícito concluir
que também um tão propalada produtividade crescendo num Esteja, ideia que sai Reforçada pelos
Progressos detectados em termos da formação, organização, Implementação de Sistemas de
Qualidade, utilização Crescente das TI e de investimentos tecnológicos. Então, perguntar-se-á: por
que motivo os valores macroeconómicos da nossa produtividade se apresentam em baixa? Não será
preciso procurar muito para se concluir que uma responsabilidade maior é do gigantone nosso Estado,
com uma sua falta de organização, a sua excessiva burocracia, o seu aumento de custos e,
inevitavelmente, a sua produtividade inferior.

Mais uma vez, a moral ea ética surgem-nos de pernas para o ar por acção nefasta de quem Deveria
dar o exemplo, de quem Deveria ser o da modernidade do motor, do crescimento, mas, tragicamente,
não passa de um monstro que só atrapalha . A verdade é que estamos Perante um Estado Eticamente
condenável e não será justo que seja sempre uma ala dos empresários com uma acarretar uma
responsabilidade de encontrar soluções para os problemas todos, Sejam os da globalização, os das
exportações ou até os criados pela incompetência da máquina fiscal junto das empresas cumpridoras.

Afinal, qual é o papel do Estado? O escandalosos de exibir sinais exteriores e interiores de riqueza
quando muitos portugueses Vivem sem Mendicidade da limiar? É tempo de exigirmos um Estado que
tenha por paradigmas ea rigor o moral. Que se mostre solidário com quem precisa efectivamente e
seja Capaz de APOIAR quantos se empenham na criação de riqueza sem respeito pelos Princípios
Éticos.

Um Estado, em suma, que fomente uma vez em uma produtividade de liquidar.

Em http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?Session=&CpContentId=289176

Competitividade
Actualizado em (Terça, 30 Novembro 1999 00:00) Escrito por Paulo Santos Segunda, 05 Junho 2006
20:39

A competitividade corresponde a um aumento sustentável dos rendimentos reais e do nível de vida


das regiões ou nações, com postos de trabalho disponíveis para todos os que procurem emprego.

A competitividade corresponde a um aumento sustentável dos rendimentos reais e do nível de vida


das regiões ou nações, com postos de trabalho disponíveis para todos os que procurem emprego.
É por isso que cada vez mais se defende a competitividade.

Utilizada no European Competitiveness Report 2001

COMPETITIVIDADE:
mais que um objetivo, uma necessidade
COMPETITIVIDADE:
mais que um objetivo, uma necessidade
Capacidade de competir em meio às freqüentes
variações do mercado é fundamental às empresas
Na década de 90, empresas paranaenses passaram por profundas
transformações: algumas foram vendidas ou incorporadas por grupos
estrangeiros, outras se uniram ou adquiriram concorrentes para se fortalecerem.
Empresas de capital estrangeiro ou nacional vieram para o Paraná e instalaram
novas fábricas, enquanto outras fecharam as portas. Essas mudanças são
intrínsecas ao sistema capitalista e resultam de estratégias adotadas pelas
empresas para aumentar a sua competitividade e obter maior lucratividade.
Apesar de as empresas se preocuparem com a competitividade, muitas não
compreendem os fatores que determinam essa competitividade, o que pode
resultar em estratégias equivocadas ou precipitadas.
A história nos mostra estratégias que não tiveram sucesso, empresas
que não conseguiram acompanhar os seus concorrentes, que se
posicionaram erroneamente no mercado, assim como outras que
cresceram, que se estabilizaram e continuam aumentando o seu patrimônio. Algumas pararam no tempo e
pensaram que o sucesso do passado iria direcionar o seu futuro, porém esqueceram que o mercado, as
necessidades e os desejos mudam.
O fato de uma empresa ser hoje líder de mercado
não significa, necessariamente, que ela continuará
sendo competitiva no futuro. Da mesma forma, a
empresa que não possui, hoje, um bom
posicionamento no mercado, poderá situar-se
melhor no futuro se fizer uma leitura adequada do
ambiente, corrigir rumos e tomar decisões acertadas.
A competitividade é um conceito dinâmico. Para
acompanhar o complexo processo concorrencial, as
empresas devem ter um olho no passado – para fortalecer
os acertos e não repetir erros; os pés firmes no presente
– para posicionar-se com segurança diante da instabilidade
do mercado; e um olhar atento para o futuro – para
promover os ajustes necessários.
Christian Luiz da Silva
r e v i s t a FA E B U S I N E S S , n.1, nov. 2001 Ambiente Econômico
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O futuro depende da interação dos agentes participantes
da configuração do sistema econômico: as empresas, o
Estado, os consumidores e as instituições em geral. A
interação entre eles torna o ambiente complexo, pois suas
demandas são diferentes e mudam no tempo e no espaço.
O Estado visa atender às necessidades do cidadão; os
consumidores desejam produtos e serviços com qualidade
e baixo custo; as empresas buscam crescimento e lucro.
Embora todos queiram alcançar seus objetivos, nem sempre
conseguem identificar com clareza como fazê-lo, uma vez
que estão sujeitos a variáveis dificilmente controláveis.
Como se Determina a
Competitividade?
No que se refere às empresas, os fatores que
determinam a competitividade são classificados em três
grandes grupos.
1. Fatores sistêmicos - estão relacionados ao
ambiente macroeconômico, político, social, legal,
internacional e à infra-estrutura, sobre os quais a
empresa pode apenas exercer influência.
Compõem os fatores sistêmicos, dentre outros:
- a tendência do crescimento do PIB brasileiro
e mundial;
- a taxa de câmbio prevista;
- as tendências de mudanças da taxa de juros;
- o nível de emprego e seu impacto nas pressões
salariais e no aumento do consumo;
- os direcionamentos econômicos, sociais e
políticos do Brasil e dos países com quem temos
parcerias comerciais.
2. Fatores estruturais - dizem respeito ao mercado,
ou seja, à formação e estruturação da oferta e
demanda, bem como às suas formas
regulatórias específicas. São fatores
externos à empresa, relacionados
especificamente ao mercado em que atua,
nos quais ela pode apenas interferir. As
seguintes questões devem ser respondidas
pela empresa quanto aos fatores estruturais:
- quais são os fatores de sucesso do seu
mercado?
- como se estrutura a cadeia produtiva
da qual participa?
- quais são os seus concorrentes e a
estratégia dominante no mercado, enfim,
quais os caminhos que os outros estão
seguindo?
- quais os fatores determinantes da sua
demanda?
- como se agrega valor ao produto que
comercializa?
- quais são os gargalos para crescimento
nesse processo de agregação de valor?
- quais as possibilidades de cooperações
na sua rede de relacionamentos?
- quais os bens e serviços substitutos e
complementares ao seu produto?
3. Fatores internos - são aqueles que
determinam diretamente a ação da
empresa e definem seu potencial para
permanecer e concorrer no mercado. Os
fatores internos estão efetivamente sob o
controle da empresa e dizem respeito a
sua capacidade de gerenciar o negócio, a
inovação, os processos, a informação, as
pessoas e o relacionamento com o cliente.
r e v i s t a FA E B U S I N E S S , n.1, nov. 2001

...
3
Competitividade e
Mudanças na Economia
Mudanças ocorrem continuamente, exigindo das
empresas freqüentes reavaliações das tendências
do mercado e de seu posicionamento nesse
mercado. As alternativas são inúmeras e imprecisas
diante do futuro incerto. Maior será a possibilidade
de acerto quanto mais conhecimento a empresa
tiver dos fatores determinantes da competitividade.
É necessário interpretar
esses fatores para participar
do ambiente concorrencial
em condições favoráveis, o
que significa filtrar todas
essas informações, detendo-se naquilo que
realmente impacta o seu negócio. A empresa será
capaz de fazer esse filtro somente se estiverem
claros para ela especialmente os fatores estruturais
e internos discutidos anteriormente.
A falta de reconhecimento por parte da
empresa dos rumos do seu mercado e da
influência do ambiente, aliada à indefinição quanto
às capacitações necessárias para atuar, é a base
para explicar por que algumas sobrevivem e outras
morrem ou se fundem com outras. A capacidade
de competir está relacionada à compreensão
sobre onde, por que e como se está competindo. Não
se permanece em um mercado dinâmico e altamente
competitivo dependendo apenas da sorte.
Os motivos que levaram algumas empresas
paranaenses à derrocada na década de 90 ou à
reestruturação estão vinculados à incapacidade de
competir, decorrente de leituras pouco precisas dos fatores
sistêmicos e estruturais. As estratégias traçadas não foram
adequadas, limitando sua capacidade de investimento e
expansão, fundamentais em um ambiente concorrencial.
A punição para as empresas que não são competitivas
pode ser a morte. Conhecer
a si mesma (fatores
internos), identificar as
armas e regras do jogo
(fatores estruturais) e refletir
sobre o macroambiente (fatores sistêmicos) não garantem
necessariamente sucesso eterno para a organização;
asseguram-lhe, porém, ótimas condições para concorrer e
permanecer atuante no mercado.
Christian Luiz da Silva é economista, mestre e doutorando em Engenharia
de Produção pela UFSC e professor da FAE Business School.
E-mail: Christiansilva@avalon.sul.com.br
A capacidade de competir está
relacionada à compreensão sobre onde,
por que e como se está competindo
http://www.fae.edu/publicacoes/pdf/revista_fae_business/n1_dezembro_2001/ambeconomico_competitividade.pd
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O mito da competitividade
Um dos aspectos mais marcantes do atual contexto social é a exacerbada competição que aparece
impregnada nas relações humanas. Embora essa tenha sido uma característica também de outros
tempos, podemos notar que a sua presença é tão forte em muitos espaços da nossa vida como nos
parece ser a intenção de desenvolvê-la na consciência das pessoas.

A competitividade ou livre concorrência é um dos princípios da economia liberal e teve como principais
defensores Adam Smith e David Ricardo. Segundo Smith, procurando apenas um ganho pessoal, a
pessoa trabalha, coincidentemente, para elevar ao máximo possível a renda anual da sociedade. Por uma
mão invisível a pessoa estaria sendo misteriosamente levada a executar um objetivo que jamais fez parte
das suas intenções. E, buscando apenas seu interesse exclusivo, a pessoa muitas vezes
trabalharia de modo bem mais eficaz pelo interesse da sociedade do que se tivesse de fato esta
intenção. Podemos notar que a idéia básica da livre concorrência é a fé depositada na idéia de que
as pessoas, uma vez competindo entre si, automaticamente estariam contribuindo para o progresso
geral da sociedade.

No entanto, o que se observou na história é que a livre concorrência eliminou a si mesma, constituindo
monopólios e oligopólios privados e, com o advento do neoliberalismo, o Estado passou a ser um
instrumento estimulador da competitividade. "Veremos, assim, que, a concorrência matando a
concorrência, precisou constituir-se um neoliberalismo para salvar a idéia de liberdade econômica (...) Enquanto o
liberalismo clássico pedia que o Estado não interferisse, para que a concorrência pudesse produzir todos os seus bons
efeitos, o neoliberalismo pede ao Estado que se mexa para assegurar que a concorrência possa existir". (SALLEROUN,
1979: 48). Nesse sentido, podemos afirmar que existe uma intenção clara, a nível de ideologia política, de promover a idéia
da competição como intrinsecamente positiva para a humanidade, que deixa de ser apenas um conceito na economia para
fazer parte do imaginário social das pessoas.

Muitas são as manifestações da idéia de competição em nosso meio social. Ela está presente desde a "preparação" das
crianças, pelos pais, para "vencer na vida"; nas brincadeiras e jogos competitivos onde "o importante é competir" para que
haja "graça"; em festivais, gincanas, concursos, programas de televisão (Big Brother) e em todas as atividades que
pressupõem a seleção de alguns para a necessária exclusão de outros; chegando, finalmente, ao mundo competitivo do
trabalho e ao conjunto das relações sociais onde o que importa é ser um "vencedor", para demonstrar "competência" e
afirmação diante dos outros. Como afirma José Ignácio Rey, "ao valorizar a competição, ao levantá-la como bandeira, o
homem vê o outro como seu inimigo (...) e quando há um ganhador, o mais forte, surgem irremediavelmente a
marginalidade e a opressão".[1]

Cabe aqui perguntar por que as pessoas aceitam desafios competitivos se neles já está inerente sua lógica excludente?
Exemplificando: se numa corrida onde há dez atletas competindo e já está dado como certo que apenas um sairá
vencedor, por que os dez continuam correndo? A razão é que cada um dos dez atletas imagina ser, individualmente, o
vencedor. Mas, e o que acontecerá com os demais, que são a maioria? Isso parece que não importa, já que não teriam
sido "capazes" para vencer.

É evidente que essa lógica competitiva, que divide o mundo em vencedores e perdedores (onde a minoria vence e o
restante perde), cria situações de angústia e revolta nos excluídos. A violência que aumenta assustadoramente na
sociedade e passa a atingir fortemente as escolas, deve ter relação com o sentimento de exclusão que atinge a maioria
das pessoas do planeta. Como encontrar alternativas de solução para isso? Entendemos que o primeiro passo é perceber
como a competição está presente em nosso cotidiano, para conseguirmos refletir sua problemática. Num segundo
momento, é necessário nos contrapormos à ela, construindo um novo jeito de viver e de se relacionar com os outros.

Nosso desafio é encontrar meios efetivos de enfrentamento à ideologia liberal e a conseqüente exclusão de seres
humanos da possibilidade de terem uma vida digna. A nossa opção em aceitar o que fatalisticamente é apresentado ou em
modificar estruturas opressoras implica em assumir, de forma responsável, as suas conseqüências. Conforme o sociólogo
Alfie Kohn, citado por BROWN:" Trata-se de ir para além de um ponto de vista individual. Mesmo que me pareça
apropriada a competição...necessito perguntar-me se é do nosso interesse coletivo seguir competindo. Se não é assim,
então precisamos não apenas pensar, mas também agir como grupo. Substituir a competição estrutural pela cooperação
exige a ação coletiva, e essa ação coletiva requer a educação e a organização... Temos que ajudar os outros a verem as
terríveis conseqüências de um sistema que identifica o êxito de um no fracasso de outro. Mas juntos podemos agir para
transformar isso". (BROWN, 1994: 21).
http://www.espacoacademico.com.br/023/23and.htm

Uma chance de competitividade

Carlos H. de Brito Cruz

Pró-Reitor de Pesquisa, Unicamp

Presidente do Conselho Superior da Fapesp

(Artigo publicado na Folha de São Paulo em 05/10/97, Caderno MAIS, p. 5-14)

A competitividade da indústria e dos serviços tornou-se uma das preocupações centrais nos dias de
hoje porque está intrinsecamente associada à capacidade da economia de preservar, gerar ou
minimizar a redução de postos de trabalho. Neste final de século, a busca da competitividade levou as
empresas a se reorganizarem, alterando seus processos de produção para formas mais eficientes.
Qualidade total, ISO 9000, reengenharia, tornaram-se elementos corriqueiros do vocabulário das
empresas. Entretanto, há um outro componente essencial na busca por competitividade: é a
capacidade de criar produtos melhores, de criar tecnologia, de saber fazer coisas e de saber aprender
a fazer coisas novas e melhores. Este segundo desafio ainda não está sendo atacado pelas empresas
brasileiras, mas estas começam a perceber que é inútil ter o melhor processo de produção sem ter
domínio sobre o que se produz, ou como se produz. Ao mesmo tempo em que qualidade total e ISO
9000 são termos do jargão da empresa brasileira, desenvolvimento tecnológico, ciência e tecnologia
parecem ainda ser termos estranhos, alheios ao dia-a-dia da empresa.

A importância dada à ciência e tecnologia pode ser avaliada a partir da experiência de países
desenvolvidos, que foram capazes de construir parques industriais e de serviços fortemente
competitivos e eficientes, geradores de PIB e de desenvolvimento social e econômico para seus
cidadãos. A melhor maneira de examinarmos a importância devotada a um tema é analisarmos quanto
dinheiro se paga para isto, e quem paga. Mais ou menos como aprendemos nos filmes policiais, ou
nas páginas políticas nacionais e internacionais: "Follow the money!". Vejamos então quem paga e
quem faz o desenvolvimento científico e tecnológico dos países do Primeiro Mundo. O primeiro indício
da importância do assunto vem do simples fato que nesses países essa informação é mantida
atualizada constantemente, como um dos indicadores importantes do desenvolvimento da sociedade.
No Brasil, ao contrário, só muito recentemente dados relacionados a investimentos em ciência e
tecnologia passaram a ser divulgados e levantados oficialmente.

A Figura 1 mostra à esquerda quem paga pela atividade de ciência e tecnologia nos Estados Unidos, e
à direita quem realiza as atividades em C&T. Divide-se a atividade em três categorias:
desenvolvimento tecnológico de um produto ou serviço visando adequá-lo à produção seriada e ao
consumo em larga escala; pesquisa aplicada, que é a etapa anterior ao desenvolvimento, quando se
utiliza resultados de pesquisa básica para testar uma idéia inovadora que pode resultar num produto; e
a pesquisa básica, na qual se busca conhecimento sobre as leis fundamentais da natureza ou da
sociedade.

Figura 1. Quem paga e quem realiza atividade de ciência e tecnologia nos Estados Unidos (Dados de
1994. Fonte: Website da NSF: http://www.nsf.gov).

As principais conclusões que podemos tirar dos dados mostrados na Figura 1, são:

a. o desenvolvimento tecnológico e a pesquisa aplicada são custeados pelo governo e pela


indústria, com ligeiro predomínio desta: isto faz sentido, já que a indústria precisa de pesquisa
aplicada e de desenvolvimento tecnológico para ganhar competitividade, e ao governo
americano interessa manter e avançar a competitividade da indústria americana;
b. quem realiza as atividades de desenvolvimento e de pesquisa aplicada é essencialmente a
indústria, por ampla margem (mais de 80% do desenvolvimento, quase 70% da pesquisa
aplicada): também faz sentido, pois sendo o principal pagador, a indústria investe os recursos
em si mesma, criando suas próprias instalações de pesquisa e desenvolvimento. Na década de
80, nos legendários Laboratórios Bell da AT&T trabalhavam mais cientistas com título de PhD
do que existiam em todo o Brasil, registrando uma patente nova por dia;
c. a principal contribuição da universidade se dá, também aqui por larga margem, na realização de
pesquisa básica: novamente parece óbvio, pois a universidade tem como missão principal
formar pessoal altamente qualificado, e a atividade de busca do conhecimento original é
instrumento ideal para estimular e exercitar a atividade intelectual dos estudantes e assim
formá-los melhor;
d. a atividade de pesquisa básica é custeada principalmente pelo governo, mesmo num país como
os Estados Unidos, campeão do discurso privatista: esta conclusão não é tão óbvia, e poderá
até surpreender alguns privatistas mais realistas do que o rei, que existem no Brasil. Mas faz
sentido: os Estados Unidos aprenderam, ao longo de sua história como nação dona de uma
economia poderosa, que o investimento em ciência básica é necessário tanto para formar os
melhores cientistas e engenheiros, como também como celeiro de idéias que garantam a
existência e a qualidade das atividades em pesquisas aplicadas e desenvolvimento.
Notem que a contribuição da indústria é também a maior parcela do total investido em C&T, pois é
bem sabido que as atividades mais caras são justamente aquelas onde a indústria contribui mais:
desenvolvimento e pesquisa aplicada. Do total gasto em C&T nos Estados Unidos em 1994, 52%
foram pagos pela indústria, e 42% pelo governo federal.

Dados análogos para outros países podem ser obtidos no volume "Science and Technology in the
World, 1996" publicado pela Unesco. Ali verifica-se que em todos os países industrializados, a parte
paga pela indústria é em geral maior ou comparavel à parcela paga pelo governo, com a exceção do
Japão, onde a indústria paga quase o quádruplo do que o governo, situação que se repete em alguns
outros países denominados Tigres Asiáticos. No Brasil, verifica-se o contrário: dois terços do esforço
de P&D são bancados pelo governo. Resumo da ópera: em países em que a economia enfrenta
dificuldades de competitividade, como é o caso em toda a América Latina, o investimento da indústria
em P&D é reduzido ou nulo, sendo quase toda a atividade de P&D suportada pelo governo. Naqueles
que têm economias prósperas e em crescimento, como é o caso da Coréia do Sul por exemplo, é a
indústria, e não o governo, quem faz o maior investimento em C&T.

O exposto acima derruba alguns mitos instalados no Brasil: o principal é a hipótese de que o
desenvolvimento tecnológico brasileiro será feito pelas universidades brasileiras. Isto não acontece em
nenhum lugar do mundo. O que sim ocorre em todo o mundo, é que os profissionais bem qualificados
formados nas universidades vão criar o desenvolvimento tecnológico nacional trabalhando para
indústrias que investem em e precisam de tecnologia. Outro mito brasileiro, tão real quanto o saci-
pererê, é o de que a atividade de pesquisa na universidade deva ser financiada pela indústria, e não
pelo governo: no mundo inteiro é o governo que banca a pesquisa acadêmica, e nos Estados Unidos,
dos 21 bilhões de dólares investidos em pesquisa nas universidades americanas em 1994, somente
1,4 bilhões foram pagos pela indústria, um percentual menor do que 7%, conforme mostrado na
Tabela 1. A mesma Tabela 1 mostra os valores individualizados para algumas das mais conhecidas
universidades americanas. Notem bem que este dado não quer dizer que a tão falada "interação
universidade-empresa" não deva ser buscada: diz apenas que há limites para esse tipo de atividade,
determinados pela lógica própria de funcionamento da universidade e da empresa, e diz também que
o eventual apoio da empresa à pesquisa acadêmica não será nunca um substitutivo para o apoio do
governo. Mesmo assim, a interação universidade-empresa é importante, por contribuir à formação de
melhores profissionais, mais preparados para lidarem com os problemas do mundo real.

Tabela 1. Investimento em atividades de pesquisa em universidades americanas no ano de 1994.


(Fonte: Website da NSF: http://www.nsf.gov).

Investimento Investimento Percentagem


total pela indústria investida pela
indústria
(US$ milhões) (US$ milhões)

Total das universidades americanas 21.081 1.430 6,8%

Johns Hopkins University 784 10 1,3%

University of Michigan 431 27 6,2%

University of Wisconsin, Madison 393 14 3,5%

Massaschussets Institute of Technology (MIT) 364 56 15,3%


University of California, San Diego 332 10 3,0%

Stanford University 319 15 4,6%

Cornell University 313 17 5,5%

University of California, Berkeley 290 13 4,3%

Harvard University 279 10 3,4%

Columbia University 236 2 0,7%

California Technology Institute (CalTech) 128 5 3,9%

Ao mesmo tempo os dados permitem que, objetivamente entendamos a existência de um problema e


o tratemos: como induzir a indústria a fazer mais P&D no Brasil? Uma grande dificuldade aqui parece
ter sido a cultura de protecionismo, e portanto o baixo valor dado à competitividade e à criatividade, na
empresa brasileira. Mais do que isto, as origens estrangeiras da maior parte da indústria instalada no
país induzem a um comportamento de busca de inovação na matriz, em vez de desenvolvê-la aqui.
Some-se a isto um ambiente econômico com taxas de juros enormes e instabilidade constante, o que
certamente desfavorece o investimento em atividades que remuneram a longo e médio prazo. Mas
algumas novidades importantes tem acontecido. O governo federal tem tomado iniciativas a respeito,
tendo criado há alguns anos leis de incentivo fiscal que estimularam algumas empresas e começam a
dar seus primeiros frutos. No âmbito estadual, a Fapesp acaba de aprovar a criação de um programa
especial para o apoio à inovação tecnológica na pequena empresa. Nos Estados Unidos por exemplo,
o SBIR, "Small Bussiness Innovative Research", é legislação federal, obrigando todas as agências de
governo a contratarem um percentual de sua atividade de P&D com pequenas empresas. Mesmo
numa economia aberta e movida primordialmente pelo mercado, como a americana, a intervenção do
Estado é necessária, e efetivamente acontece, para garantir os objetivos de desenvolvimento científico
e tecnológico e econômico do país. No Brasil, neste momento de transição para uma economia mais
aberta, é preciso que maneiras inteligentes para a preservação do interesse nacional sejam criadas e
implantadas. Com a extinção do monopólio estatal nas telecomunicações, e da próxima privatização
do sistema, quais as salvaguardas que irão garantir que a capacidade nacional de desenvolvimento de
tecnologia no setor de telecomunicações continue existindo? O Centro de Pesquisa e
Desenvolvimento (CPqD) da Telebrás, em Campinas, é um dos grandes exemplos nacionais de
empresa investindo em tecnologia e obtendo retorno por isto. Após o lançamento da tecnologia
"Trópico RA" de centrais telefônicas, desenvolvida pelo CPqD em 1990, o custo do equipamento para
o Sistema Telebrás instalar novas centrais telefônicas caiu de 1.200 dólares para 200 dólares por
terminal, para cada um dos 1.200.000 terminais instalados desde então, resultando numa economia
para o Sistema Telebrás de mais de 1 bilhão de dólares. Ao mesmo tempo em que empresas
instaladas no país, e usando a tecnologia desenvolvida pela Telebrás, produziram mais terminais,
gerando mais emprego e mais renda.

No Brasil de hoje, mais do que nunca é preciso que elaboremos e implementemos estímulos que
convençam as empresas instaladas no Brasil de que pesquisa e desenvolvimento pode significar
ganhos reais. Somente assim os profissionais formados nas nossas universidades excelentes poderão
atacar, na empresa, o desafio de transformar Ciência em PIB, para que o Brasil possa ter uma chance
de competitividade neste final de século.

(Mais informações sobre este tema estão em: http://www.unicamp.br/prp/finpesqwww/index.htm )


http://www.ifi.unicamp.br/~brito/artigos/fsp/c&t01a.html