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Como é do conhecimento geral, uma inspecção externa tem como objectivos:

• Fomentar nas escolas uma interpelação sistemática sobre a


qualidade das suas práticas e dos seus resultados;
• Articular os contributos da avaliação externa com a cultura e os
dispositivos de auto-avaliação das escolas;
• Reforçar a capacidade das escolas para desenvolverem a sua
autonomia;
• Concorrer para a regulação do funcionamento do sistema educativo;
• Contribuir para um melhor conhecimento das escolas e do serviço
público de educação, fomentando a participação social na vida das
escolas.

Com o objectivo de melhor entender todo o contexto de uma avaliação externa,


a relevânciadada à BE pelas várias equipas de avaliação externa que visitaram
o nosso Agrupamento e sabendo que no próximo ano lectivo vai voltar a ser
avaliado, decidimos avaliar dois relatórios de avaliação do IGE do nosso
Agrupamento (Coruche) :

- O relatório de avaliação integrada de 2001 /2002 facultado pelo órgão de


gestão (não está disponível on-line),

O relatório de 2007 retirado do sitio da IGE.

Numa segunda fase analisámos, de forma aleatória os relatórios de:

- Relatório da IGE da Escola Secundária de Castro Verde

- Relatório da IGE de Agrupamento de Escolas de Alcabideche

- Relatório da IGE de Agrupamento de Escolas D. Nuno Álvares Pereira –


Tomar.

1
Relativamente ao primeiro relatório de avaliação do nosso Agrupamento a
IGE faz referência à BE nas linhas de força educativa: “ Equipamentos
educativos” _ Biblioteca /Centro de recursos

“ O serviço prestado pela biblioteca è assegurado apenas por uma Auxilair de


Acção educativa, o que não permite um período de funcionamento a tempo
inteiro nem o desenvolvimento mais sistematizado de actividades dirigidas à
pesquisa e á criação de hábitos de leitura. Esta insuficiência de recursos
humanos origina alguma falta de apoio aos utilizadores, condicionando uma
plena acessibilidade aos equipamentos. A mesma razão tem limitado a
definição de critérios de aquisições para apetrechamento, bem como as
iniciativas de melhoramento do acervo.”

Salientámos que aquando desta Inspecção a BE do 1º ciclo encontrava-se


integrada num outro Agrupamento entretanto extinto.

No ponto V – Recomendações , do supra citado relatório, lia-se:

“Insuficiente organização do serviço da Biblioteca.”

No que diz respeito ao relatório de 2007 no campo de análise são feitas as


seguintes referências:

II - Caracterização da Unidade de Gestão

- “(…) tem biblioteca inserida na Rede de Bibliotecas Escolares …”

- referindo-se à BE da escola sede: “ A Biblioteca ( Centro de Recursos) é


pequena.

III - A organização e gestão escolar, volta a referir: “ uma das escolas de 1º


ciclo tem a sua biblioteca inserida na Rede de Bibliotecas Escolares”

É de realçar que uma das escolas de 1º ciclo tem a sua biblioteca integrada na
Rede de Bibliotecas Escolares e promove o empréstimo de livros a alunos e

1
professores, daquela e de outras escolas do agrupamento. A escola sede está,
neste momento, a proceder aos preparativos necessários para a remodelação
exigíveis para a integração da sua biblioteca naquela rede.

Numa segunda fase analisámos os relatórios das escolas :

No Relatório da IGE do Agrupamento D. Nuno Àlvaro Pereira, em relação à BE


pode ler-se:

“O absentismo docente tem vindo a diminuir com a implementação de


permutas e actividades diversificadas de substituição”salas de estudo”, clubes
e a BE/CRE, o que tem constituído uma estratégia de gestão adequada e um
contributo válido para o sucesso educativo dos alunos.

No Relatório da IGE do Agrupamento de Escolas de Alcabideche, salienta-se:

O Agrupamento participa no Programa da Rede de Bibliotecas Escolares,


(…) A formação efectuada (…) tem incidido nas Bibliotecas Escolares,(…)

Dos relatórios do Agrupamento concluímos que: apesar de terem sido feito


pela mesma Instituição eles não têm a mesma estrutura , nem o mesmo tipo
de intervenção por parte da equipa inspectiva.

No primeiro houve uma observação da realidade da Escola-Sede e no


segundo verificámos que não houve uma preocupação em avaliar o trabalho
desenvolvido na BE. Também nos surpreendeu que o mesmo organismo, no
primeiro relatório aqui citado, tivesse identificado a Biblioteca como um ponto
fraco e tivesse dado indicação para se apresentar uma linha de melhoria , e
que a equipa inspectiva que fez a avaliação em 2007 não tenha reportado no
seu relatório se a limitação da BE estava, ou não, ultrapassada.

Feito o trabalho de análise de como aparece referida a BE nos relatórios,


concluímos que estes têm a mesma estrutura , mas a BE não é referida no
mesmo campo de acção. É visível que só é referida em situações em que

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está integrada na rede de bibliotecas ou desenvolve actividades no âmbito da
Plano Nacional de Leitura, ou ainda, quando da auscultação dos discentes
tenha sido apontada “ a dimensão artística atinja projecção em especial
na BE, através de actividades como o teatro ou a Maratona do livro”
( Escola secundária de Castro Verde - 2009)

Acrescentar que a equipa de Inspecção de 2007, visitou a BE da Escola nº 1 e


assistiu a uma sessão de animação de leitura, prática corrente, e que a mesma
já nessa altura possuía uma professor a Tempo inteiro.

Tais factos não são salientados ao longo do relatório, nem considerados


relevantes para a avaliação do Agrupamento. Em jeito de desabafo, apraz
dizer que também as equipas de Inspecção necessitam de entender a
importância da BE nas escolas e qual a sua principal função: Contribuir para
o sucesso educativo dos alunos de forma harmoniosa e global.

Estas considerações finais, aplicam-se de idêntica forma aos restantes


agrupamento analisados. Como se pode constatar as referências à BE, ao seu
contributo para o agrupamento e para o sucesso dos alunos é praticamente
nulo.

Com a nova categoria de professor Bibliotecário e com o papel da BE reforçado


nas Escolas/ Agrupamentos é necessário que as equipas da IGE observem em
todas as suas intervenções, o trabalho desenvolvido pela BE em cada
Escola /Agrupamento intervencionado.

Será que nos é permitido questionar?

Se os relatórios têm uma estrutura igual e tendo a BE um papel tão importante


no sucesso dos alunos, como é que não aparecem mencionadas de forma
sistemática nos relatórios?

1
Será que as equipas inspectivas não têm orientações precisas para avaliar a
BE ?

Será que a IGE não acha importante que estas estruturas (BE) sejam
intervencionadas?

Ana Cristina Marques e Teresa Serrão Montoia

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Por último, gostaria de apresentar algumas sugestões que na minha


óptica, poderia melhorar o trabalho da IGE ao nível da avaliação das BE::

- A RBE devia desenvolver um trabalho de parceria com a IGE, no sentido


deste organismo, perceber que a “ Biblioteca constitui um instrumento
essencial do desenvolvimento do currículo escolar e as suas actividades
devem estar integradas nas restantes actividades da escola e fazer parte do
seu projecto educativo. Ela não deve ser vista como um simples serviço de
apoio à actividade lectiva ou um espaço autónomo de aprendizagem e
ocupação de tempos livres” e que por isso devem também ser objecto de
intervenção.
- A IGE deveria incluir nos seus painéis o ou os Professores Bibliotecários;

-A IGE devia auscultar de forma sistemática, os alunos e Encarregados de


Educação sobre o trabalho desenvolvido pela BE

- A IGE devia incluir nas suas recolhas de evidências os resultados do Modelo


de Auto-Avaliação da BE.

Ana Cristina Marques