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Antropologia

Prof.: Patrícia Barros

Discentes: Camila Gleizer


Daniela Souza
Eliene Cerqueira
Leilane Passos
Paloma Machado
Viviane Alves
Antropologia

O livro cultura, um conceito antropológico pretende nós “ensinar” ou nos fazer


entender o conceito antropológico da cultura. O que representa em nossas
vidas a cultura? O quanto é importante entender um pouco de cada cultura
presente em cada lugar, em cada indivíduo.
Esse tema é discutido pelos antropólogos a mais de 100 anos. Este livro
aborda com mais exatidão a cultura presente em nossa sociedade e em
algumas tribos, mas isso não quer dizer que outros autores não citem outros
exemplos.
Este livro nos faz pensar sobre a grande diversidade cultural da espécie
humana e seus fatores biológicos. E possível perceber que se trata de pessoas
da mesma natureza mais de hábitos diferentes e são esses hábitos que nos
fazem separa-se em “tribos”.
Achamos interessante a cultura dos lícios onde os filhos levam o nome da mãe
e não do pai, a forma como hemódoto os descreve dizendo que seus costumes
são diferentes de todas as nações e sem duvida etnocêntrica, apesar de ele
mesmo ter reconhecido isso.
Se oferecêssemos aos homens a escolha de todos os costumes do mundo,
aqueles que lhe parecessem melhor, eles examinariam a totalidade e
acabariam preferindo os seus próprios costumes, tão convencidos então de
que estes são melhores de que todos os outros.
Heródoto, citado na página 11 do livro.
Cultura um conceito antropológico.
Desde a antiguidade, foram comuns as tentativas de explicar as diferenças de
comportamento entre os homens a partir das variações dos ambientes físicos.
Para percebemos as diferentes culturas dos povos, não e necessário viajar
para outro pais ou estado, mesmo em nossa cidade ou bairro encontramos
culturas diferentes, pois a cultura não vem só de toda sociedade, mas da forma
como fomos educados.
É importante lembrar - mos que não somos diferentes um do outro só por
causa da forma como nos vestimos, mas também por isso, o “sotaque” é uma
cultura diferente. O soteropolitano fala “oxênte” e o paulista fala ”meu”, isso
também e cultura.
Cultura a nosso ver é tudo que venha a diferenciar um ser de outro ser.
Este livro citou de forma bem clara que não existe aquela historia de o baiano
ser preguiçoso, o paulista é trabalhador, tudo depende da educação, pois se o
paulista foi criado na Bahia ele terá os costumes da Bahia, mas nem por isso
vai ser preguiçoso demais nem trabalhador de menos.
Os dados científicos de que dispomos atualmente, não confirmam a teoria
segundo a qual as diferenças genéticas hereditárias constituíram um fator de
importância primordial entre as causas da diferença que se manifestam entre
as culturas e as obras das civilizações dos diversos povos e grupos étnicos.
Eles nos informam, pelo contrario, que essas diferenças se explicam, antes de
tudo pela historia cultural de cada grupo. Os fatores que tiveram um papel
preponderante na evolução do homem são a sua faculdade de aprender e a
sua plasticidade. Esta dupla aptidão e o aponagio de todos os seres humanos.
Ela constitui de fato, uma das características especifica do Homo Sapiens.
No estado atual de nossos conhecimentos, não foi ainda provada a validade da
tese segundo a qual os grupos humanos diferem um dos outros pelos traços,

psicologicamente inalo, quer se trate de inteligência ou temperamento. As


pesquisas cientificas revelam, que o nível das aptidões mentais e quase o
mesmo em todos os grupos étnicos...
Sobre os auspícios da Unesco
Página 18.
Independente de ser homem ou mulher, menino ou menina, só os órgãos
sexuais são diferentes, suas culturas poderiam vir a ser “iguais” dependendo
da forma que foram educulturados.

Determinismo Geográfico
Dentro do contexto geográfico do final do século XIX á XX as diferenças do
ambiente físico condicionam a diversidade cultural, ou seja, depende do
espaço climático a cultura.
Outros antropólogos perceberam que saem sempre o clima, influencia na
cultura daquele local, pode ser que influencie indiretamente ou não (os
esquimós e lapões podem viver em ambientes parecidos climaticamente, mas
isso não quer dizer que suas culturas serão parecidas ou iguais).

Antecedentes históricos do conceito de cultura


E o que se dizer então sobre cultura?

“Em seu amplo sentido etnográfico inclue conhecimentos, crenças, arte, moral,
leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem
como membro de uma sociedade.”
Edward Tylor (1832-1917)
P.25
Possuidor de um tesouro de signos que tem a facilidade de multiplicar
infinitamente, o homem é capaz de assegurar a intenção de suas idéias
eruditas, comunicá-las para outros homens e transmiti-las para seus
decendentes, como uma esperança sempre crescente.
Muitos conceitos foram levantados sobre culturas, mais nenhum deles foi tão
perto da definição de tylor:
É todo comportamento aprendido, tudo aquilo que independe de uma
transmissão genética;
O desenvolvimento do conceito de cultura, por um lado, a uniformidade que tão
largamente permeia entre as civilizações pode ser atribuída, em grande parte,
a uma uniformidade de ação de causas uniformes, enquanto por outro lado,
seus vários graus podem ser considerados como estágios de desenvolvimento
ou evolução...
Trecho do livro Primitive Culture (1871) de tylor p.30

Tylor acreditava nas ciências naturais e considerava cultura como fenômeno


natural preparado para aceitar o estudo geral da vida humana como um ramo
da ciência natural... Para muitas mentes educadas parece alguma coisa
presunçosa e repulsiva a ponto de vista de que a historia da humanidade é
parte e parcela da historia da natureza, que nossos pensamentos, desejos e
ações estejam de acordo com leis equivalentes aquelas que governam os
ventos e as ondas, a combinação dos ácidos e das bases e o crescimento das
plantas e animais.
Tylor sempre deixou muito claro a sua posição sobre a diversidade cultural
onde o aspecto natural é o ponto chave.
A década de 60, do séc. XIX foi marcada por um processo discriminatório
hierárquico e a vantagem nessa época era das culturas européias. Nessa
época o etnocentrismo e a ciência estavam caminhando lado a lado.
Tyler foi criticado por muitos antropólogos, tais como mercier, Lowie, adoef
bastian e citado por eles como “não reconhecer os múltiplos caminhos da
cultura”.
Na minha concepção tylor e muito conhecedor da raça humana, ele foi alem de
todos os outros estudiosos, formou uma geração de antropólogos e atribuiu as
duas principais tarefas à antropologia:
a) a reconstrução da historia de povos ou regiões particulares;
b) a comparação da vida social de diferentes povos, cujo desenvolvimento
segue as mesmas leis.
Kroeber veio a tentar evitar a grande confusão entre o orgânico e o cultural,
tentou nos passar que independe da herança genética o nosso comportamento
e sim inteiramente do nosso processo de aprendizagem.
Kroeber diz que o homem é um ser totalmente adaptável biologicamente e em
diferentes condições mesologicas.O ser humano pode mudar internamente á
todo tempo sem abalar seu aspecto físico (externo). Por exemplo; Um cão
criado por uma gata jamais deixara de rosnar para miar, mais um alemão
criado no Brasil não vai falar alemão e sim português.
Ou seja, o homem será sempre o resultado do meio cultural em que foi
socializado.
A primeira parte deste livro esteve a todo tempo entre o padrão biológico de
tylor e os padrões culturais de Kroeber.
Ficamos presos a padrões, mais na verdade a padrões impostos pela cultura
da sociedade em que vivemos, podemos afirmar que não existiria cultura se o
homem não tivesse a possibilidade de desenvolver um sistema articulado de
comunicação oral.

Idéia sobre a origem da cultura

Podemos dizer que cultura seria o resultado de um cérebro mais volumoso e


complexo?
O que na verdade podemos dizer e que a passagem de primata para homem
fez se começar o desenvolvimento de cultura, a partir do momento em que o
homem criou a 1ª regra, a primeira norma. E esta para Lévi-Straus seria a
proibição do incesto, que hoje é padrão de comportamento comum a todas as
sociedades humanas.
A cultura desenvolve-se simultaneamente com o próprio equipamento biológico
e é, por isso mesmo, compreendida como uma das características da espécie,
ao lado do bipedismo e de um adequado volume cerebral.
Teorias modernas sobre culturas

Uma das tarefas da antropologia moderna tem sido a reconstrução do conceito


de cultura, isso fragmentado por numerosas formulações.
É muito claro que existem muitas teorias sobre o que é cultura, algumas delas
citadas no artigo “Theories of Culture” de Roger Keesing:

• Teoria do sistema adaptativo – diz que culturas são sistemas que


servem para adaptar as comunidades humanas aos seus
embasamentos biológicos.
• Teorias idealistas de cultura – Cultura como sistema cognitivo apropriada
aos métodos lingüísticos.
• Cultura como sistemas estruturais – Sistema simbólico, criação
acumulativa da mente humana, os princípios da mente geram as
elaborações culturais.
• Cultura como sistemas simbólicos – conjunto de mecanismos de
controle, planos, receitas, regras, instruções para governar o
comportamento.

É de fácil percepção que o conceito exato de cultura, ainda não foi encontrado,
mas é entendido por antropólogos e por nos de forma diversificada.
Na primeira parte deste livro como a cultura, a principal característica humana,
desenvolveu-se simultaneamente com equipamento fisiológico do homem.

Homens de culturas diferentes usam lentes diversas e por isso tem visões
desencontradas das coisas do mundo. Essa diferença de costumes e hábitos é
uma herança cultural, desenvolvida através de inúmeras gerações, que sempre
nos condicionou a reagir negativamente ao comportamento daqueles que agem
fora dos padrões da grande sociedade.
Essa herança atinge a sua comunidade nos diferentes comportamentos
sociais e até nas posturas corporais, interferindo nos gostos e opiniões. Como
a postura de alguns pode não condizer com a da maioria, e isso é chamado de
variações de um mesmo padrão cultural. Dentro de uma mesma cultura a
variação é cada vez mais acentuada por causa do sexo. Homens e mulheres
andam, falam e gesticulam de maneiras desiguais.
E o fato de enxergar o mundo da sua determinada cultura faz reprovar
as culturas gerando conflitos sociais.
No plano biológico a cultura pode causar apatia , que é uma
determinada repulsa pelas crenças e valores causando até morte.
Não resta dúvidas que grande parte dos padrões culturais de um dado
sistema não foram criados e sim copiados de culturas passadas, e essa
passagem é denominada difusão. Os antropólogos estão convencidos de que,
sem a difusão, não seria possível o grande desenvolvimento atual da
humanidade.

Antropologia no quadro das Ciências


A antropologia é o estudo do homen por completo, existe a diferença entre o
biológico e o social. Realizar um teste e um aprendizado contínuo de estar
observando um indivíduo durante dias, meses ou anos até que todas as suas
exigências e expectativas sejam preenchidas. Este teste pode ser realizado por
mais de um observador e ambos podem ter visões, opiniões distintas através
das ciências naturais.
Diferentemente da ciência humana, a ciência social busca entender as causas
e conseqüências de um ato do sujeito por mais inocente que seja talvez por
razões sociais ou psicológicas ex: Como um ato de comer um bolo, pode ser
comido porque se tem fome ou motivos sociais e psicológicos: para demonstrar
solidariedade a uma pessoa, ou grupo, para comemorar certa data, ou que o
bolo foi feito por mamãe ou que e melhor que o bolo feito pela vizinha.
Existe uma diferença entre essas ciências onde a ciência natural existe uma
maior compreensão, percepção e explicação na hora da aplicação desses
resultados de estudos e a complexidade de resultados do cientista social, que
são poucas teorias sociais e que raramente podem se tornar tecnologias,
trabalhos científicos nas áreas de filme, peças de teatro; novelas; romances;
contos ou até mesmo idéias que possam contribuir no comportamento da
sociedade.
Existe uma ligação direta entre a ciência natural e a tecnologia, ex: existe uma
grande diferença entre a teoria das ondas hertzianas e em radio transmissor e
receptor que um físico conhece totalmente e os pode fabricar.
Realmente tudo indica que temos uma relação invertida entre as Ciências
Sociais e Naturais, uma relação invertida ao saber: nas ciências naturais os
fenômenos podem ser percebidos, divididos, classificados e explicados dentro
de condições de relativo controle e em condições de laboratório, em que na
maioria dos casos resolve se um problema simplesmente para criar tecnologias
indesejáveis e a longo prazo, mortíferas e daninhas ao próprio ser humano.Ex.:
Isolamento de um vírus para realização de guerras bacteriológicas e de
contaminação.
Já o cientista social, as condições de percepção, classificação e interpretação
são complexos, mas os resultados em geral não influenciam, na mesma
proporção da ciência natural.

A PRÉ-HISTÓRIA DA ANTROPOLOGIA:

A antropologia estuda o homem inteiro e o estudo do homem em todas as


sociedades, sob todas as latitudes em todos os seus estados e em todas as
épocas .Com esse conceito o autor busca expandir essa teoria mais
profundamente como a antropologia é importante para que possamos
entender as diferenças existentes entre os povos. Na introdução ele fala que
foi a partir do século XVIII que o homem é tomado como objeto de
conhecimento e não mais a natureza. As primeiras sociedades que os
antropologistas estudaram foram as sociedades longínquas, que são
sociedades de dimensões restritas, que tiveram pouco contato
com os grupos vizinhos, cuja a tecnologia é pouco desenvolvida em relação
nossa, portanto a antropologia acaba atribuindo um objeto que lhe é próprio, o
estudo das populações que não pertencem a civilização ocidental.
Quando se fala no estudo do homem inteiro, estamos falando em 5 áreas
principais da antropologia que mantêm relações estreitas entre si, são elas:
-A antropologia biológica, que consiste no estudo das variações dos
caracteres biológicos do homem no espaço e no tempo.
-A antropologia pré-histórica, que é o estudo do homem através dos
vestígios materiais enterrados no solo( ossadas, mas também quaisquer
marcas da atividade humana).
-Antropologia lingüística , é através dela que os indivíduos que compõem
uma sociedade se expressam e expressam seus valores, suas preocupações,
seus pensamentos.
-Antropologia psicológica, que consiste no estudo dos processos e do
funcionamento do psiquismo humano.
- E finalmente a antropologia social e cultural (ou etnologia), é uma das
áreas mais importantes para o autor, pois ele no livro trata essencialmente
dela, pois é um aspecto que diz respeito a “tudo” que consistiu uma sociedade,
seus modos de produção econômica, suas técnicas, sua organização política e
jurídica, seus sistemas de parentesco, seus sistemas de conhecimento, suas
crenças religiosas, sua língua sua psicologia, suas criações artísticas.
Assim como os antropólogos o homem por inteiro, estudam também a sua
diversidade.A antropologia é o estudo de todas as sociedades humanas, ou
seja, das culturas, da humanidade como um todo em suas diversidades
históricas e geográfica.As pessoas tem o habito de se acostumar com que é
habitual, familiar, o que consideramos “evidente”.Aos poucos notamos que o
menor dos nossos comportamento não tem nada de natural, então
começamos a nos surpreender com aquilo que diz respeito a nos mesmos.O
conhecimento(antropológico) da nossa cultura passa inevitavelmente pelo
conhecimento das outras culturas; e devemos especialmente reconhecer que
somos uma cultura possível entre outras, mas não a única. Por isso que os
antropólogos estudam as diferenças, com o homem tem aptidão praticamente
infinita para inventar modos de vida e forma de organização social
estreitamente diversas.
O projeto antropológico consiste no reconhecimento, conhecimento, juntamente
com a compreensão de uma humanidade plural.
Os antropólogos estão hoje convencidos de que uma das características
maiores de sua pratica reside no confronto pessoal com a alteridade, isto é,
convencidos ao fato de que os fenômenos sócias que estudamos são
fenômenos que observamos em seres humanos, com as quais estivemos
vivendo, e com isso surge as dificuldades dos antropólogos em lidar com as
diferenças entre os poços, sem causar transtornos para ambas as partes.
A primeira dificuldade se manifesta, como sempre ao nível de palavras; a
segunda ao grau de cientificidade que convém atribuir a antropologia; a terceira
provém da relação ambígua que a antropologia mantém desde sua gênese
com a história; a quarta provem que nossa pratica oscila sem parar, e
isso desde seu nascimento, entre a pesquisa que se
qualificar de fundamental e aquilo que é designado sob a termo da
“antropologia aplicada”.Para o autor não há de fato antropologia sem troca,
isto é sem itinerário no decorrer do qual as partes envolvidas cheguem a se
convencer reciprocamente da necessidade de não deixar se perder formas de
pensamento e atividade única.
A antropologia não é uma atividade de luxo, sem nunca se substituir aos
projetos e as decisões dos próprios atores sociais, tem hoje como vocação
maior a de propor não soluções , mas instrumentos de investigação que
poderão ser utilizados em especial para reagir ao choque da aculturação .
E a quinta e ultima dificuldade diz respeito finalmente, à natureza desta obra
que deve apresentar em um numero de paginas reduzidas, um campo de
pesquisa imenso, cujo desenvolvimento recente é
extremamente especializado.
Todo mundo deveria ter acesso a este livro, pois a antropologia que é a
ciência do homem por excelência, pertence a todo
mundo.Ela diz respeito a todos nós.

Descoberta do Novo Mundo. Acabaram de serem descobertos


pertencem à humanidade? “Religioso”.
A recusa do estranho, falta, e cujo corolário é a boa consciência que tem
sobre si e sua sociedade. A fascinação pelo estranho, má consciência que se
tem sobre si e sua sociedade.
LAS-CASAS:
“Àqueles que pretendem que os índios são bárbaros, responderemos
que essas pessoas têm aldeias, vilas, cidades, reis, senhores e uma ordem
política que, em alguns reis, é melhor que a nossa (...)Esses povos igualavam
ou até superavam muitas nações uma ordem política que, em alguns reinos, é
melhor que a nossa .Nós mesmos fomos piores”.
SEPULVERA:
“Tais são as nações bárbaras e desumanas, estranhas á vida civil e aos
costumes pacíficos. Direito natural que essas pessoas estejam submetidas ao
império de príncipes e de nações mais cultas e humanas. Eles abandonam a
barbárie e se conformem a uma vida mais humana e ao culto da virtude”.
A FIGURA DO MAU SELVAGEM E DO BOM CIVILIZADO
A extrema diversidade das sociedades humanas raramente apareceu
aos homens como um fato, e sim como uma aberração exigindo uma
justificação. A antiguidade grega designava sob o nome de bárbaro tudo o que
não participava da helenidade. Os séculos XVII e XVIII falavam de naturais ou
de selvagens. Primitivos – XIX.
Expulsar da cultura, isto é, para a natureza todos aqueles que não
participam da faixa de humanidade á qual pertencemos e com a qual nos
identificamos, é, como lembra Lévi-Strauss, a mais comum a toda a
humanidade. ”Selvagens”.
* a aparência física;
* os comportamentos alimentares;
*a inteligência ”uma linguagem ininteligível”. Assim, não acreditando em
Deus, não tenho alma, não tendo acesso á linguagem, sendo
assustadoramente feio e alimentando-se como um animal, o selvagem é
apreendido nos modos de um bestiário. Ausências: sem moral, se, religião,
sem lei, sem escrita, sem Estado, sem consciência, sem razão, sem objetivo,
sem arte, sem passado, sem futuro. Por nos parecerem muito reveladores
desse pensamento que faz do selvagem o inverso do civilizado.
Sobre os índios da América do norte, a influência a natureza é total, ou
mais precisamente negativa. Se essa raça inferior não tem história e está para
sempre condenada, seu estado “degenerado”, a permanecer fora do
movimento da história, a razão de ser atribuída ao clima de uma extrema
umidade. A qualidade do clima a grosseria de seus humores, o vício radical do
sangue, a constituição de seu temperamento excessivamente. Eles têm um
“temperamento tão úmido quanto o ar e a terra onde vegetam”. Não tem
nenhum desejo sexual, são “infelizes que suportam todo o peso da vida agreste
na escuridão das florestas, parecem mais animais do que vegetais”. A
insensibilidade, é neles um vício de sua constituição alterada, são de uma
preguiça imperdoável, não inventam nada, não empreendem nada, e não
estendem a esfera de sua concepção além do que vêem pusilânimes,
covardes, irritados, sem nobreza de espírito, o desânimo e a falta absoluta
daquilo que constituem o animal racional os tornam inúteis para si mesmo e
para a sociedade. ”A diferença entre um hemisfério e outro ( o Antigo e o Novo
Mundo) é total, tão grande quanto poderia ser quanto podemos imaginá-la: de
um lado, a humanidade, e de outro, a “estupidez na qual vegetam” esses seres
indiferenciados.
Os indígenas americanos vivem em um “estado de embrutecimento”
geral.Tão degenerados uns quanto os outros, seria em vão procurar entre eles
variedades distintivas daquilo que se pareceria com uma cultura e com uma
história.Ferocidade bestial inconsciente de si mesma, em uma selvageria em
estado bruto, eles não tem moral, nem instituições sociais, religião ou Estado.

A FIGURA DO BOM SELVAGEM E DO MAU CIVILIZADO

A da boa natureza dispensando suas benfeitorias á um selvagem feliz.


Inversão, cheio, um menos que se torna um mais. ”Ingenuidade original” do
estado de natureza.
‘”Eles são afáveis, liberais, modernos... Todos os nossos padres que
freqüentam os Selvagens consideram que a vida se passa mais docemente
entre eles do que entre nós”. Seu ideal: ”viver em comum sem processo,
contentar-se de pouco sem avareza, ser assíduo no trabalho”.
“Nós que nos consideramos instruídos, precisaríamos ir entre os povos
mais ignorantes, para aprender destes o começo de nossas descobertas: pois
é, sobretudo desse começo que precisaríamos ignoramo-lo porque deixamos a
tempo de ser os discípulos da natureza”.
Concluem - se que tais são as diferenças construções em presença (nas quais
a repulsão se transforma rapidamente em fascínio) dessa alteridade
fantasmática que não tem muita relação com a realidade. O outro - o índio, o
taitiano, mas recentemente o basco ou o bretão – é simplesmente utilizado
como suporte de um imaginário cujo lugar de referência nunca é a América,
Taiti, o País Basco ou a Bretanha. São objetos - pretextos que podem ser
mobilizados tanto com vistas á exploração econômica, quanto ao militarismo
político, á conversação religiosa ou á emoção estética. Mas, em todos os
casos, o outro não é considerado para si mesmo. Mal se olha para ele. Olha-se
a si mesmo nele.
O tema desses povos que podem eventualmente nos ensinar a viver e
dar ao Ocidente mortífero lições de grandeza, como acabamos de ver, não é
novidade. Mas grande parte do público está infinitamente mais disponível agora
do que antes para se deixar persuadir que ás sociedades constrangedoras da
abstração, do cálculo e da impessoalidade das relações humanas, opõem - se
sociedades de solidariedade comunitária, abrigadas na suntuosidade de uma
natureza generosa. A decepção ligada aos “benefícios” do progresso (nos quais
muitos entre nós acreditam cada vez menos) bem como a solidão e o
anonimato do nosso ambiente de vida, fazem com que parte de nossos sonhos
só aspirem a se projetar nesses paraíso ( perdido) dos trópicos ou dos mares
do Sul, que o Ocidente teria substituído pelo inferno da sociedade
tecnológica.”Um dos refúgios fora dessa prisão mecânica da cultura é o estudo
das formas primitivas da vida humana, tais como existem ainda nas sociedades
longínquas do globo. A antropologia, pelo menos, era uma fuga romântica para
longe de nossa cultura uniformizada