ISSN 1664-5243

Ano 5 - Novembro de 2014—Edição no. 32
Você que nos lê, que acompanha as
nossas atividades...
Você que escreve conosco, que participa
de nossas atividades...

MUITO OBRIGAO!

Você "ortalece nossa vontade de se#uir
adiante!
Você "ortalece a literatura!
ISSN 1664-5243
LITERÁRIO, SEM FRESCURAS
Genebra, outono de 2014
Ediço no! "2 # $o%e&bro de 2014

Foto UNICEF
$%&$I$'T$
Revista Literária VARAL DO BRASÌL
NO. 32- Genebra - CH - I((' )**+-,-+.
Copyright : Cada autor detém o direito sobre o
seu texto. Os direitos da revista pertencem a
Jacqueline Aisenman.
O VARAL DO BRASÌL é promovido, organizado
e realizado por Jacqueline Aisenman
Site do VARAL: www.varaldobrasil.com
Blog do Varal: www.varaldobrasil.blogspot.com
Textos: Vários Autores
Ìlustrações: Vários Autores
Foto capa: © Elina Lava - Fotolia

Muitas imagens encontramos na internet sem ter
o nome do autor citado. Se for uma foto ou um
desenho seu, envie um e-mail aqui para a gente
e teremos o maior prazer em divulgar o seu ta-
lento. Agradecemos sua compreensão.
Revisão parcial de cada autor
Revisão geral VARAL DO BRASÌL
Composição e diagramação:
Jacqueline Aisenman
BLOG DO VARAL
Você pode contribuir com artigos,
crônicas, contos, poemas, versos,
enfim!, você pode escrever para
nosso blog. Também pode enviar
convites, divulgação de seus
livros, pinturas, fotografias,
desenhos, esculturas. Pode
divulgar seus eventos, concursos
e muito mais. o nosso blog,
como em tudo no Varal, a cultura
não tem frescuras!
!""".varaldobrasil.blogspot.com#
Toda contribuição é feita e
divulgada de forma gratuita e
deve ser enviada para o e$mail
varaldobrasil%gmail.com
A revista VARAL DO BRASIL circula
no Brasil do Amazonas ao Rio Gran-
de do Sul...
Também leva seus autores através
dos cinco continentes.
uer divul!a"#o mel$or%
Ven$a &azer 'arte do
VARAL DO BRASIL
(-mail) varaldobrasil*!mail.com
Site) +++.varaldobrasil.com
Blo! do Varal)
+++.varaldobrasil.blo!s'ot.com
,Toda 'artici'a"#o é !ratuita
&ARITI/I&$ A( &R0%IMA( $I12$(3
• Até 25 de NOVEMBRO você pode en-
viar textos para nossa edição de
janeiro que trará o tema livre.
• As inscri45es podem ser encerra6
das antes se um n7mero ideal de
participantes "or atin#ido.
AG$'A O VARA8

∗ Serão abertas as inscrições para o ÌÌÌ Prêmio Varal do Brasil
de Literatura a partir de 1o de dezembro.
∗ Até fim de novembro estamos recebendo textos para o Con-
curso da Orelha e da Capa do livro Varal Antológico 5. Tam-
bém fotos e artes para o Concurso da Capa do mesmo livro.
∗ Até fim de dezembro estamos recebendo textos para o livro
Varal Antológico 5.
∗ Até 10 de dezembro estamos recebendo textos para a edição
de janeiro da revista Varal que trará tema livre.
∗ Ìnscrições para o Salão do Livro de Genebra estão abertas
(para autografar e para enviar livros).
∗ Até 25 de janeiro estaremos recebendo textos para a edição
de março da revista Varal que terá a Mulher como tema.
∗ Está sempre aberto o espaço no blog do Varal para divulga-
ção de seus textos, sua arte, seus convites e eventos cultu-
rais.

Toda in"orma49o3 varaldo:rasil;#mail.com
A distribuição ecológica, por e-mail, é gratui-
ta. A revista está gratuitamente para downlo-
ad em seus site e blog.
Ìnformações sobre o 29o Salão Ìnternacional
do Livro e da Ìmprensa de Genebra e sobre o
stand do VARAL DOBRASÌL:
varaldobrasil@gmail.com
&ARITI/I&$ A( &R0%IMA( $I12$(3
• Até 25 de NOVEMBRO você pode en-
viar texto para a edição de JANEÌRO,
que trará o tema livre. Escreva em
verso ou em prosa, envie poemas,
crônicas, contos, artigos! Proponha
uma coluna!
• Até 25 de JANEÌRO você pode enviar
textos para nossa edição de março
que trará o tema MULHER, MUÌTO
ALÉM DE UM GÊNERO! e onde fala-
remos da mulher em todos os seus
significados e expressões.
• As inscri45es podem ser encerra6
das antes se um n7mero ideal de
participantes "or atin#ido.
PARTICIPE DE NOSSAS
ATIVIDADES!
VARA8 O BRA(I8 $ VO/<3 MAI( $ =UAR$'TA $I12$(!
ATIVIA$( =U$ 8$VAM VO/< $ A 8IT$RATURA /AA V$>
MAI( 8O'G$!
A 8IT$RATURA /OM /ARI'?O @$ITA &ARA VO/<!
R$VI(TA( $ 8IVRO(3 A 8IT$RATURA &ARA
TOO(!
Estamos comemorando neste mês de novem-
bro cinco anos de atividades do Varal do Bra-
sil que se iniciou como uma revista digital tão
somente e hoje engloba inúmeras atividades
literárias e artísticas.
São mais de quarenta edi!es de nossa revista
circulando "elos cinco continentes# levando
nossa $íngua %ortuguesa atrav&s dos mares
da internet.
E hoje# al&m da revista e de todas as ativida-
des# somos tamb&m a 'ssociation (ulturelle
Varal do Brasil com sede em )enebra# Suía.
São cinco livros de nossa coleão Varal 'nto-
l*gico# colet+nea que ,irmamos como uma
das melhores amostras dos autores atuais.
E mais uma antologia -Voando em Bando.
com o resultado de nossas o,icinas criativas
reali/adas no )ru"o do Varal do Brasil no
0aceboo1. 2e/enas de e3ercícios ,eitos em
conjunto "or uma equi"e de amigos que# jun-
tos# escrevem cada ve/ mais e melhor4
5eali/amos concursos irreverentes e acessí-
veis "ara as orelhas e a"resentaão de nossos
livros e tamb&m "ara a ca"a. 'ssim# a "artici-
"aão & sem"re maior# mais abrangente e# co-
mo nosso lema de trabalho# totalmente sem
,rescuras.
$evamos nossos trabalhos durante estes anos
a diversos locais na Suía e tamb&m diversas
cidades no Brasil. Es"alhamos a nossa alegria
em divulgar a literatura "or onde "assamos#
divulgando e distribuindo livros que tamb&m
são doados a muitas 'ssocia!es e Bibliotecas
suías.
São "artici"a!es cheias de sucesso no Salão
do $ivro de )enebra em 6786 -estande "io-
neiro na Suía e na Euro"a divulgando livros
em %ortuguês4.# 6789 e 678:. %re"arando a
quarta "artici"aão "ara 678;# quando será
lanado o livro Varal 'ntol*gico ; e a"resen-
taremos de/enas de autores. Entre eles# os na-
cionalmente conhecidos (intia <oscovich#
<arcelino 0reire e 5onaldo (orreia de Brito.
São dois %rêmios Varal do Brasil de $iteratu-
ra# lanando agora em de/embro o === %rêmio#
que alcana os escritores em $íngua %ortu-
guesa em todos os continentes.
Varal do Brasil hoje & sin>nimo de seriedade
e sucesso na literatura# mas ao mesmo tem"o
de descontraão e alegria na divulgaão de
nosso idioma.
Bem mais de mil autores já "assaram "or nos-
sas "áginas na revista e em nossos es"aos
-blog e site.. Bem mais de mil te3tos já ,oram
divulgados em nossas "áginas e em nossos
es"aos virtuais.
E continuamos# ,irmes com nosso "ro"*sito
de# na $iteratura# sem"re somar e nunca divi-
dir. 'ssim# unimos nossas ,oras com os que
amam a $íngua %ortuguesa e continuamos#
sem"re# nosso caminho literário4
$iterário# mas sem ,rescuras4
E que venham mais cinco anos4


?acqueline 'isenman
Editora-(he,e
Varal do Brasil
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• ALESSANDRO BORGES DE MOURA
• AMBROSÌNA CORADÌ
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• ANA ROSENROT
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• WÌLTON PORTO
• YARA DARÌN
/OB$RTURA – BI$'A8 O 8IVRO
O RIO $ AA'$IRO
Bienal paulista atinge leitores de
todas as idades
Por Rogério Araújo (Rofa) *
A 23ª Bienal Internacional de São Pau-
lo, aconteceu entre 22 a 31 de agosto de
2014, realizada pela Câmara Brasileira do
Livro (CBL), contou com a parceria do Sesc
São Paulo. Foram nove espaços, com cerca
de 400 atividades, ultrapassando 1500 horas
de programação cultural e um público de
mais de 400 mil pessoas, ou seja, mais de
50% do total de visitantes passaram pelos
espaços culturais, que contou com apresen-
tações de música, teatro, dança, circo, cine-
ma, quadrinhos e debates com grandes no-
mes da literatura e personalidades.















Além de conferir as principais editoras,
livrarias e distribuidoras e suas sessões de















autógrafos, o visitante foi o grande
protagonista da experiência que a Bienal Ìn-
ternacional do Livro proporcionou nesta edi-
ção sob o tema "ivers9o, cultura e intera6
tividade3 tudo Bunto e misturado¨. O evento
contou com a presença de autores e convi-
dados nacionais e internacionais, destaque
para Cassandra Clare, da saga
"Ìnstrumentos Mortais¨, que atraiu uma legião
de fãs ao Pavilhão do Anhembi, seguido de
Kiera Cass, de "A Seleção¨, Harlan Coben,
premiado autor norte-americano, o veterano
Maurício de Souza, celebrando os 50 anos
de Turma da Mônica, e a cantora Zélia Dun-
can, como a "Amazona¨ na série de apresen-
tações chamadas de "Arquétipos¨ – fechando
as cinco atrações mais procuradas da pro-
gramação cultural oficial da Bienal.
Segundo Karine Pansa, presidente da
Câmara Brasileira do Livro, o evento permite
infinitas possibilidades e experimentações.
“Durante a Bienal do Livro, a cultura e, espe-
cialmente a literatura, permitiu a reunião de
todas as idades, tribos e faixas sociais e eco-
nômicas, todos juntos e misturados, nessa
rande celebra!ão do livro e do pra"er pela
leitura#, destaca a executiva.


Em 10 dias de evento, a Bienal do
Livro reuniu 720 mil pessoas que conferiram
os nove espaços do panorama cultural do
evento: Arena Cultural, Cozinhando com Pa-
lavras, Escola do Livro, Espaço Ìmaginário,
Salão de Ìdeias, BiblioSesc com Praça da Pa-
lavra e a Praça de Histórias, Anfiteatro e Edi-
ções Sesc.
"$esta edi!ão, o Sesc São Paulo
consolidou sua parceria com a %BL ao assu-
mir o compromisso de reali"ar uma prorama-
!ão cultural com a proposta de acol&imento e
oferta de atividades 'ue ampliam a experi(n-
cia do visitante, e para isto, tomamos o livro
como ponto de partida e suporte para diver-
sas linuaens art)sticas#, afirma Danilo San-
tos de Miranda, Diretor do Departamento Re-
gional do Sesc no Estado de São Paulo.
Com investimento de R$ 34 milhões,
esta edição alcançou uma média de 30% a
40% mais movimentação de negócios do que
a última edição da Bienal. Do total de ingres-
sos, 40% meia-entrada, 30% escolas, 14%
entradas inteiras, 6% convidados da organi-
zação do evento (autores e personalidades),
3% menores de 12 anos e maiores de 60
anos.
"* Bienal do Livro cumpre mais
uma ve" o papel de protaoni"ar o livro como
o rande personaem da cultura e refor!a
mais uma ve" 'ue o evento trouxe oportuni-
dades para a era!ão de novos ne+cios,
crescimento de vendas para as editoras, ca-
pacita!ão profissional, discuss,es sobre mo-
mentos importantes da literatura no pa)s, e
principalmente, o contato do fã com seu autor
favorito#, finaliza Karine Pansa.



Entre as curiosidades dessa edição da
Bienal estão:


- Credenciamento de imprensa e
blogs: 1367 jornalistas e 462 blogueiros cre-
denciados;
- Visitação escolar: 120 mil alunos,
com a presença de 2 mil escolas;
- E os levantamentos das redes soci-
ais:
. Facebook oficial – cerca de 2 mi-
lhões – 613 mil são orgânicos mais de 25 mil
novos fãs;
. Blog: 36 mil visualizações
. Twitter: 64,5 milhões;
. 10.500 pessoas utilizaram a
hashtag #bienaldolivrosp no Ìnstagram.

Pessoalmente, a Bienal de São Paulo
foi um marco em minha vida pelo lançamen-
to de meu segundo livro “%rônicas, poesias e
contos 'ue eu te conto---# feiro no dia 25 de
agosto, às 17h, no estande da Literarte e
Mágico de Oz. Um livro que faz refletir, rir,
chorar e de muita emoção nos três gêneros
– crônicas, poesias e contos – em cinquenta
textos. Uma emoção ímpar como autor e re-
pórter do evento.
E a 24ª Bienal do Livro de São Paulo
acontecerá em 2016. Aguarde!!!













* Repórter da “Revista Varal do Brasil” na
cobertura da XVIII Bienal do Livro de !o "aulo# escri$
tor% &ornalista% autor do livro “Crônicas, poesias e con-
tos que eu te conto...”% na própria Bienal de "% e'
()*+ e de “Mídia, bênção ou maldição?” ,-u.r/ca
"re'iu'% ()**0 e diversas antolo1ias nacionais e in$
ternacionais# colunista nesta publica2!o% da coluna
“Lupa Cultural” e do 3ornal e' Fronteiras4 Contato5
ro6a4escritor71'ail4co'
RO'A8O /ORR$IA $ BRITO
/I'TA MO(/OVI/?
MAR/$8I'O @R$IR$

'O((O( /O'VIAO( $ ?O'RA &ARA O -Co (A8DO I'T$R'A/I6
O'A8 O 8IVRO $ G$'$BRA $M -E),!
$ vocêF Vem tam:GmF Venha, serH um praIer rece:ê-lo JaK!
varaldo:rasil;#mail para mais in"orma45es
Apenas você

&or AleLandra Bor#es de Moura


Não quero nada.
Não quero a ciência dos doutores.
Uma lua só pra mim, outros amores...
Nem beijo de fada.

Não quero a inspiração das belas noites enluaradas.
Não me pesam altíssimos senhores!
Tenho voz firme e conheço bem os dissabores.
Essa boêmia luz rompendo toda estrada.

Também o regresso do astro perdido,
As nuvens arrebatadoras da libido...
Não quero outra vez chorar!

Quero sentir-me verdadeiramente
como os que amam profundamente.
E livre; pleno...
Eu precise apenas da luz caroável do teu olhar.
A( MU8?$R$( 'O MU'O


&or Am:rosina /oradi

O mundo existe
A mulher está presente
O papel da mulher se faz presente
De geração em geração é geradora da vida

Deus véu ao mundo
Do seio de uma mulher
Eleita e escolhida por Deus para ser mãe
De Jesus, o Deus Filho

Maria mãe da Terra
Amada em todos os recantos do mundo
Atenta aos sofrimentos dos homens
Com a permissão do Pai , socorre os ho-
mens

A mulher no lar assume os desafios de ser
mãe
Passa o seu tempo dedicando-se ao lar
Entrega-se toda, de corpo e alma
Sofre no trabalho, na família na busca do
bem de todos

A mulher na sociedade vai de encontro dos
desafios
Dos apelos do mundo que nos cerca
Faz de tudo para atender as necessidade
Da fome, miséria dos mais necessitados

A mulher na família sempre disponível
Deixa de fazer para si em prol dos filhos
Atenta aos problemas da família
Dá tudo de si para o bem estar de todos,

A mulher atenta no mundo de tanta violência
É também vítima dos açoites dos homens
Bem poucas vez percebe o eco da sua voz
Rebatida com críticas e sem respostas à sua
dor

A mulher no mundo canal de comunicação
Serviço humanitário entre povos e Nações
Elo de comunicação entre os homens de boa
vontade
Dedica esforço e serviço aos mais necessi-
tados
$(/RITA O( &M(

&or Antonio /a:ral @ilho

'9o dan4o a valsa das ondas
nem ou4o seu LuH-LuH
hermetopasqualino
rever:erando na praia.

'9o quero morrer no mar
das can45es de /aNmmi
ca4ando sandHlias de pescador
para en"eitar meus versos
com as tra#Gdias de ?emin#uaN.

Assim como 'eruda e rummond,
eu caminho na areia
escrevendo pe#adas...
O


S@LÃO DO LIVRO DE GENEBR@
O M@IOR EVENTO LITERÁRIO
SUÍÇO ESPER@ POR VOCÊ!
Inform_-_! "#r#$%o&r#'$()m#'$*+om
O Dono da Poesia


Por Assenção Pessoa

A poesia é livre.
Seja no rabiscar das primeiras curvas de uma
criança
No seu sorriso ou choro, com leveza e esperan-
ça,
Seja nas pegadas dos passos levemente compas-
sados
Do idoso que enobrece de orgulho sua amada,
Ao lhe escrever trovas com as mãos trêmulas,
enrugadas.

A poesia é livre.
Como é livre o revoar dos pssaros ao entarde-
cer,
Procurando no horizonte o p!r do sol
Para então suas asas descansar, o rou"inol.
E num novo dia, deslumbrante... #ecomeçar.

Poesia não tem dono.
É livre como os traços $irmes dos jovens
Que apai"onados colorem o papel,
Criando e recriando sua hist%ria. &iteratura de
cordel.
E nos pergaminhos da vida, poetizam os amores
contidos,
Com a mesma magia, dos sonhos vividos.

A poesia é livre.
Para ser contemplada, e"altada,
Leg'vel ou ileg'vel, ter a idade revelada,
Pela leveza irreverente do poeta
Que descobre em cada ser, em cada rosto,
Nas linhas do tempo, a serenidade secreta.

Sutileza de poeta, que com poesia declara,
Seu amor e sens'vel beleza, uma joia rara,
Sens'vel beleza na primavera ou outono
Nas linhas do papel, vagante e livre a bailar.
E revela que poesia não tem dono,
A poesia é como a $lor, é como o mar...
O &oço do' ba()e'
"or Bete Fran2a 3u6er








8s ruas de 9oi:nia% co'o Nova Ior;ue% n!o
t<' no'es% s!o nu'eradas4 o'ente as
avenidas t<' o privil=1io de se c>a'ar al$
1u'a coisa4 8l1u'as avenidas 'ais an/$
1as% da =poca da 6unda2!o da cidade% rece$
bera' no'es de rios ;ue ban>a' o esta$
do5 8v4 ?ocan/ns% 8v4 8ra1uaia% 8v4 "arana@$
ba4 ?e' ta'b=' a 8v4 8n>an1Aera% ;ue 6oi
no'eada de acordo co' o no'e do
“nosso” bandeirante4
B ;ue vou contar passou$se nesta cidade
&ove' e 'oderna% cu&as ruas n!o t<' no$
'es4 ó nC'eros4 "oderia ter se passado
e' ;ual;uer lu1ar pobre% onde as pessoas
en6renta' a vida co' a cara e a cora1e'4
Na es;uina da 8v4 8n>an1Aera co' a rua
D% no centro% Ecava a Fro1asil4 Far'.cia
1rande% bonita% co' u' es/lo ;ue na =po$
ca eu ac>ava 'eio nobre% c>i;ue% n!o sei
por;u<4 Na 6ac>ada predo'inava a cor
verde% le'bro$'e disso4
Fescendo a rua D e' dire2!o G rua +% na
cal2ada do lado direito% u' pou;uin>o
'ais adiante% >avia u'a lo&a de cal2ados% a
“Evolu2!o”4
Esta sapataria era 'uito boa% /n>a sand.$
lias 'odernas% bolsas e ta'b=' sapatos
para uni6or'es escolares% co'o os cal2a$
dos H Vulcabr.s I5 H C>uta lata% c>uta bo$
la% resist<ncia Vulcabr.s I $ era essa a pro$
pa1anda4 Voc< co'prava u' par e o /n>a
pro resto da vida% a n!o ser ;ue o p= cres$
cesseJ
Est.va'os nu'a 'an>! de s.bado no in@$
cio da d=cada de K)% diante desta sapata$
ria% 'eu na'orado ,>o&e 'eu 'arido0 e
eu% ;uando u'a coisa linda nos c>a'ou a
aten2!o5 balLes coloridos4
"arecia' u' bu;u<% Mutuando no ar% pre$
sos e' u' cord!o ;ue u' &ove' sen>or
se1urava nas '!os4 Feito Mores Mutuantes4
8ssi' co'o u' pe;ueno &ardi' suspenso4
-uase todas as cores estava' l. reunidas5
a'arelo% cor$de$rosa% verde% ver'el>o%
aNul4
8Nul escuro% ;ue se sobressa@a no anil do
c=u 1oiano da;uela 'an>!4 B dia pro'e/a
ser ;uente% o ;ue obri1ava o 'o2o dos ba$
lLes O ou papos de an&o% co'o se diNia na$
;uela =poca e' 9oi.s $ a &. usar u' c>a$
p=u de aba lar1a4

,e1ue0
B &ove' co'erciante tentava vender sua
'odesta 'ercadoria do outro lado da
rua% e' 6rente a u'a papelaria de es;ui$
na ;ue l. >avia4
Est.va'os nesta conte'pla2!o ;uando
u' 'enino de uns K anos c>e1ou at=
nós% co' u'a 6ol>in>a de papel ta'an>o
8P% e nos 'ostrou per1untando5
Bs sen>ores pode' 'e a&udar a co'$
prar 'eu 'aterial escolarQ
Fe 6ato a lis/n>a estava l.% be' detal>a$
da5
Fois cadernos de lin1ua1e'% dois de
'ate'./ca ,;uadriculado0% cader$
no de desen>o ,*0% cali1raEa ,*0%
l.pis,(0 e borrac>a ,*04
Contribu@'os co' al1u'a coisa4

B 'enino% 'uito 6eliN% atravessou a rua e
6oi direto ao H 'o2o dos balLes I4 "ara
co'prar u' bal!o no lu1ar de co'prar
caderno% deduNi'os4

B ;ue se passou% no entanto% 6oi be' di$
6erente do ;ue Rn>a'os i'a1inado4
B &ove' vendedor atravessou a rua e'
nossa dire2!o% aco'pan>ado pelo 'eni$
no4 Carre1ava consi1o toda a;uela beleNa
Mutuante% deu$nos a '!o direita ;ue es$
tava livre e% co' di1nidade% a1radeceu$
nos ter a&udado co' a lista do 'aterial
escolar de seu El>o4

Fepois disso% o pai voltou a seu posto e o
'enino entrou na papelaria4 "ara co'$
prar caderno4

U' 6ato si'ples e co'u'4 Sas nós nun$
ca nos es;uece'os dele4
Ts veNes nos per1unta'os o ;ue 6oi 6eito
desse 'enino4 Levou seus estudos pra
6renteQ 8prendeu u'a proEss!oQ "assou
a a&udar seu pai na labuta di.riaQ
8 E1ura da;uele lutador anUni'o% edu$
cando seu El>o co' suor e di1nidade% E$
cou$nos 1ravada na 'e'ória% n!o sabe$
'os be' a raN!o4 U' >o'e' se' no'e%
nu'a rua se' no'e4
?alveN por;ue ele% na;uela 'an>! de sol%
nos ten>a presenteado tanto co' sua
po=/ca pro6us!o de coresQ Co' seu
eVe'plo de lutaQ
Suito 'ais do ;ue nós a eleQ
/I'/O /O8$TP'$A( 8A'1AA( 'O
BRA(I8 $ 'A (UQ1A, MAI( $
=UAR$'TA $I12$( A R$VI(TA,
TR<( &ARTI/I&A12$( VITORIO(A(
'O (A8DO I'T$R'A/IO'A8 O
8IVRO $ G$'$BRA3 VARA8 O
BRA(I8, 8IT$RATURA ($M
@R$(/URA(, 8IT$RATURA @$ITA
&ARA TOO(!
&ARTI/I&$ O VARA8!

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VARA8 O BRA(I8
8IT$RSRIO ($M @R$(/URA(!
varaldo:rasil;#mail.com
TO (SBIO, O I(/Q&U8O $ A @OTOU

&or Benilda /aldeira Rocha

AO
OLHAR ESTA FOTO
ESTE SOL MARAVÌLHOSO
LEMBREÌ-ME DE QUANDO ESTÌVE NO
RÌO DE JANEÌRO ADMÌRANDO O
CRÌSTO REDENTOR. PORÉM, AQUÌ
OFERECEU-ME CARÌNHOSAMENTE
UM BOTÃO DE ROSA E OLHANDO AS
AS CORES EM TRÊS
TOM SOBRE TONS PASMEÌ.
O o*er+rio

,or Car&en L-.ia /u''ein

Ele er1uia casas a;ui
8parta'entos l.
I1re&as% etc4
Bnde >avia apenas c>!o
Bper.rio
?rabal>o .rduo
Co' p. e co' ci'ento
Co' suor e co' ci'ento
Constrói
"Le /&olo sobre /&olo
"inta a casa
?rabal>a co' dedica2!o
E e'pen>o
FaN$se u' 1rande sil<ncio
Fentro do seu cora2!o
E u' sorriso ilu'ina a sua 6ace
8 i'a1e' de seus El>os pe;uenos e 6a'@lia
-ue d!o ener1ia e 6or2a
"ara esse trabal>o .rduo4
Ìlustração de
Jean Errado
$ TUO =U$ MORR$

Por Cléber Rego.




Morre a vida, o beijo,
o dia, a noite, o desejo,
um lugar no passado,
o perfume do cabelo de quem
jurando ficar, partiu;

morre o gato, o cachorro
e a rusga entre os dois;

morre o milho, o cacau,
o café e a praga que os matou;

morre a morte
de quem não faz falta
e a lembrança do que se
esquece;

morre os edifícios,
as fábricas, os carros
e os homens que ocupam
o seu oco;

morre deus, o diabo,
o filosofo alemão, seus
bigodes e seu martelo;

morre a literatura,
os poemas
e seus poetas imortais;

morre o homem, sua barba,
seu rosto bonito,
o diabetes e o diabético;

morre a mulher,
sua máquina de costura,
seus dentes,
e o preto dos seus cabelos;

morre a infância, vovó,
o gosto da cocada de coco
no paladar de nicotina:
morre o pulmão;


morre a professora de francês,
suas coxas, suas traduções:
versos de Rimbaud;

morre o rio e a nascente,
o quebra-mar e a água viva;

morre o músico, sua música
seus acordes e sua guitarra;

morre o sangue no asfalto,
o pneu, o corpo de homem
e o rato de esgoto;

morre os olhos da menina,
o hímen, a boneca e o amor
pelo padrasto;

morre a barriga, o feto e a cartela
de c.totec;

morre o pênis e o esperma...

(Morre tudo que é vivo,
ou que assim se faz,
na travessia em que vivemos
entre vida e mortes).

&ITO'$(

&or aniel de /ullH

Los de Cuellar, en Segovia, tienen por groseros y
licenciosos a los mozos de Ìscar, en Valladolid; y para
decir de uno que es para poco y holgazán, dicen: "Es de
tierra de Cuellar¨. Que esto se cumplió en extremo en
unas fiestas patronales, y en la plaza de Ìscar, cuando el
toro va tras alguno y mis ojos se fijaron en una hermosa
joven casi idéntica a Gloria Grahame, a quien recuerdo y
adoro, quien después de tener tres maridos divorciados
y otro dentro, su propio hijastro, (en Gloria fue el hijo de
Nicholas Ray),se fijó en mi, dejando el río de mis sangres
casi sin correr, moliendo las gradas de piedra los testícu-
los como pan cocido con tocino, que es lo que se merien-
da después del tercer toro.

Me vi cautivo de su "mal¨, recordando su película
"Cautivos del Mal¨, del director Vicente Minnelli; y a ella
como una mosca cojonera en "El Mayor Espectáculo del
Mundo¨, de Cecil Be DeMille. Volví los ojos al toro y al
torero en un pase vistoso, ufano, de muleta. Un olé soste-
nido se presentía en las gradas. Una voz dijo: "Dios te
guarde, hombre¨; repitiendo otro: "Si no eres de Cuellar¨.
El matador teniendo que llevar tanto peso de arte a tan
corta distancia mostraba una herida superficial en la ingle
izquierda. Al instante, me acordé del picador y de los gri-
tos de ¡Fuera, Fuera¡ que le lanzó el respetable, pues su
caballo presentaba la enfermedad de las caballerías que
se presenta con dolores en dos o en los cuatro remos.

Volviendo la cabeza, remiré a mi soñada hembra.
Ella me toreaba. El torero fue cogido de gravedad por el
toro. Y yo no me dí cuenta. "El Chotillo¨, amigo de "El Bo-
la¨, mis amigos, me zarandeó el hombro derecho, y me
dijo. "Majete, que el toro ha cogido al torero¨. Yo le con-
testé: "Y a mí esos pitones de la zorra¨.

Mi sangre salida de la parte del cuerpo en que se
juntan los muslos con el tronco besaba esos pitones que
me volvían loco, como el cuento de la separación de Ca-
taluña de España en ese grado que forma la hipotenusa
del cartabón con los catetos de él. El torero a la enferme-
ría, las peñas borrachas de vino y sangre, y yo cantando
connatural y como nacido con uno mismo:

"Qué bello es vivir¨ (obra maestra de Frank Capra).

Gloria Grahame
o4ura de viver

&or anielli Rodri#ues

Entregai os sabores das cores
nas brincadeiras das poesias
aos vossos desejos reprimidos
das loucuras interditas
pelos laços dos vossos lábios.

Vigiai os olhares dos mares
nas valentias das vossas ausências
aos vossos pecados cometidos
das ternuras alvuras
pelos dias e noites das vossas mãos.

Almejai os odores dos amores
nas aquarelas das vidas
aos vossos corpos entremeados
das capelas adoradas
pelos apelos dos vossos pensamentos!

$o0&ia, 1oadora de A&or

,or 12bora 3i((e(a ,etrin

Bl>os de cor aNul$'arin>o ;ue a 1ente pre$
Na e' ol>ar% cabelos loiros% 6artos% repica$
dos co' es'ero% se'pre i'pec.veis% pele
de p<sse1o% andar delicado% tal co'o sua
1es/cula2!o% sorriso a'i1o% e risada co'
to;ue 'usical4 No<'ia% persona1e' real%
'in>a eterna '!e% n!o >avia 'elodias tris$
tes e' seu repertório de vida% descrev<$la
= u' Wino G vida re1ada co' 1otas de ca$
'o'ila4 Fotada de u' arsenal de dons ar$
Rs/cos% conse1uia trans6or'ar u' peda2o
de Manela de esta'pa ;uadriculada se'
vida al1u'a% e' u'a bela ca'isa de es/lo
'oderno% u' tecido es'aecido e' u'a
blusa cobi2ada% e' tardes ensolaradas% ou
c>uvosas% con6eccionava roupas% e' pou$
cas >oras% 'uitas pe2as era' criadas4 "as$
sate'po 6avorito% entre tantos outros% co$
'o cul/var or;u@deas% a'ava eVercer o
Xcar1oX de c>e6e de coNin>a% /n>a i'enso
praNer e' inovar na arte de coNin>ar% apre$
ciava receber a 6a'@lia% os a'i1os para de$
1ustar a sua '.1ica re6ei2!o% ;ue en6ei/2a$
va o paladar de todos% co' seu &eito ca/$
vante% diNiaY “Z si'ples preparar e co'e$
2ava a eVplicar co'o se tudo 6osse 6.cil% ela
/n>a con>eci'ento% a1ilidade% cria/vida$
de% e eterno bo' >u'or e' tudo o ;ue
preparava% ali.s% para a vida[\Y eu te'pe$
ro era de sabor delicado% e se'pre inusita$
do4
e dedicava co' 'uita a6ei2!o G sua 6a'@$
lia% co' sua 'a1ia e' ser doce% respeitava
a vontade de cada u'% era Cnica e' tudoJ
FeN de seus K] anos u'a li'onada se'pre
doce% n!o >avia a'ar1ura e' sua al'a%
sua ElosoEa consis/a e' u'a escultura%
lapidada e' ouro4 N!o se aba/a por pro$
ble'as% 6aNia deles u'a nova pe2a de arte
para ser co'parada co' outras de 'aiores
propor2Les% e assi' viveu co'o u'a cole$
cionadora de obra$pri'a4 InC'eras pe2as
'e deiVou444 "alavras% sabedoria% auto$
es/'a% a6eto% roupas bordadas% ou apenas
no es/lo clean% sabores de ;uitutes ini1ua$
l.veis% le'bran2as das 'esas co' o re$
;uinte da ar/sta nata ;ue era% arran&os Mo$
rais >ar'oniosos de /rar o 6Ule1o pela be$
leNa4 ?in>a nas '!os o do' de criar trans$
6or'ando% e no cora2!o a sabedoria de
a'ar 1ratuita'ente4 U' le1ado de ensina$
'entos% i'poss@vel de ser descrito e' u'a
6ol>a de papel4
B vento assobia as veNes% nas tardes% enVu$
1ando 'in>as l.1ri'as ;ue e' u' ano ro$
la' incessante'ente% sua aus<ncia ^sica =
a dor ;ue receava desde 1arota sen/r4
Seu cora2!o procura pela sua voN carin>o$
sa% 'e diNendo ;ue a 1ente só vai deiVar
le'bran2as ;uando par/r% e ;ue elas de$
ve' ser boas% as ;ue Ecara' s!o os 1or&ei$
os dos p.ssaros de todas as 'an>!s4 -ue
parece' atrav=s do canto traNer a ale1ria
conta1iante dela% a;uela ;ue n!o cessava
&a'ais% assi' Eca' eles na incans.vel in$
ten2!o de 'e 6aNer sorrir% i1ual a nossa
eterna a'iNadeJ X?ecidaX co' lealdade% e
se'pre re1ada co' a'or e risadas4
N!o >ouve despedidas% u' dia a 1ente se
reencontra% para con/nuar as conversas de
es'altes a coisas 'ais s=rias% de1ustando
de e'padin>as a bolos% co' sucos de 6ru$
tas variados% ao so' de nossas voNes% ora
coc>ic>ando% ora 1ar1al>ando4
8;uarela de vida dela prosse1ue% e' ci'a
do preto e branco ;ue Ecou e' 'i'% as
6rases s.bias reina' e' 'in>a 'ente% 6a$
Nendo u' Ni1ueNa1ue entre palavras e i'a$
1ens4 B luto con/nua solu2ando na 'in>a
al'a% e a certeNa de ter /do o privil=1io de
u'a Foadora de 8'or e' 'in>a vida% e'$
bala 'eu cora2!o co' o lacre da esperan$
2a4

♦ E'to aberta' a' in'.riç)e' *ara o Sa(o Interna.iona( do Li%ro de
Genebra 4e5*o'iço de (i%ro' e 'e'')e' de aut67ra8o'9 201:
♦ At2 2: de no%e&bro e'tare&o' re.ebendo te5to' *ara a re%i'ta 3ara(
de ;aneiro 4.o& te&a (i%re9
♦ At2 1: de de<e&bro e'tare&o' re.ebendo te5to' *ara o Con.ur'o da
Ore(=a e A*re'entaço *ara o (i%ro 3ara( Anto(67i.o :
♦ At2 "1 de de<e&bro e'tare&o' re.ebendo te5to' *ara a -(>&a
'e(eço *ara o (i%ro 3ara( Anto(67i.o :
♦ At2 2: de ;aneiro e'tare&o' re.ebendo te5to' *ara a re%i'ta de
&arço .o& o te&a MUL/ER, MUITO MAIS ?UE UM G@$EROA

,ARTICI,E CO$OSCOA

AGENDA DO VARAL

&rimeira antolo#ia do Grupo do Varal do Brasil no @ace:ooV com
tra:alhos resultantes de nossas o"icinas criativas!
estinos

&or Gcio Mallmith

Não pense que o meu destino
é muito diferente do teu
Ele só não comete o desatino
De viver e perder-se no céu
estampado nesse jeito felino
que você tem de dizer adeus.

Não seja o que você não é
Apenas viaje de peito aberto,
Sem passado, futuro, com fé
arraigado em caráter ereto,
sólido como a igreja da sé,
Vá, faça tudo o que for certo.

Só não pense que meu destino
é muito diferente do teu,
Porque ele, de fato, não é!
GU$RRA

&or eidimar Alves Brissi

Enquanto o Sr. Ministro
Justificava a necessidade da guerra
Para salvar o mundo...
Diante da casa destruída,
Ajoelhados, perto da mãe caída,
Os dois irmãos
Ìmploravam
Para ela levantar!

CULT,'mo
Por @n# Ro_nro-
Naquele ano de 1953, as famílias se reuniam
confortavelmente na frente de seus recém-
adquiridos aparelhos de T.V.; a magia do en-
tretenimento podia ser desfrutada livremente
de forma confortável e gratuita dentro de ca-
sa, ir ao cinema havia se tornado um luxo
desnecessário.
Os estúdios buscavam uma solução
imediata para esse problema crescente e a
Twentieth Century Fox encontrou: o CinemaS-
cope (filmagem e projeção feitas com lentes
anamórficas) a tecnologia que mudaria para
sempre a forma de fazer e exibir filmes. Mas
era preciso atrair novamente o público para as
salas de cinema e dois filmes foram feitos ini-
cialmente com esse intento: o primeiro a ser
lançado foi "O Manto Sagrado (The Robe)¨ –
épico bíblico e com apelo religioso, que explo-
rava a grandiosidade dos cenários e locações
no novo formato – e o segundo foi a comédia
romântica "Como Agarrar um Milionário (How
to Marry a Millionaire)¨, que se tornou um dos
filmes mais populares (e odiado pelas feminis-
tas) do mundo; um Cult perfeito.
Baseado nas peças de teatro "The
Greeks Had a Word for Ìt¨ (Cortesãs Moder-
nas) (também um filme de 1932), de Zoe
Akins, e "Loco¨, de Dale Eunson e Katherine
Albert e escrito pelo roteirista Nunally John-
son, Como Agarrar um Milionário tem um en-
redo bem simples: três mulheres em busca de
um príncipe encantado (com os bolsos bem
cheios); mas a simplicidade acaba por aí: com
direito a uma mega orquestra se apresentan-
do (a Twentieth Century Fox Symphony Or-
chestra tocando "Street Scene¨, composta e
conduzida por Alfred Newman para promover
a novidade do som em estéreo), figurinos ex-
traordinários (de dar inveja) e três beldades
loiras inesquecíveis: Lauren Baccal (grande
diva do Noir e símbolo de elegância), Betty
Grable (a eterna pin-up conhecida como "a
garota das pernas de um milhão de dólares¨)
e o mito Marilyn Monroe (linda e displicente
mesmo de óculos); ainda assim o filme pode
ser resumido em poucas palavras: inocência
disfarçada de ambição.
Há muito mais por trás das três alpi-
nistas sociais que procuram um homem que
as sustente, aqui podemos encontrar várias
questões femininas atuais: a pressão da soci-
edade pelo casamento, o sacrifício feito pelas
mulheres para parecerem bonitas e adequa-
das (como o personagem de Marilyn que pre-
fere cair e fazer papel ridículo a ser vista de
óculos), a preocupação com a perda da moci-
dade (o medo do "tarde demais¨), a falta de
dinheiro e a busca pelo amor verdadeiro; tudo
isso é debatido de forma divertida e o público
acaba se tornando mais uma conquista das
três loiras.
Um filme muito gostoso de ver e re-
ver, o retrato de uma época e um conceito tão
antigo e atual, realmente imperdível. Na próxi-
ma tem mais, obrigada!

/omo A#arrar Um MilionHrio J?oW to MarrN a MillionaireKJ$.U.A. )C,.K – Dirigido por Je-
an Negulesco é uma comédia romântica que conta a história de três amigas Schatze Page
(Lauren Bacall), Pola Debevoise (Marilyn Monroe) e Loco Dempsey (Betty Grable), três mo-
delos cansadas de namorados sem dinheiro que alugam em Manhattan (N.Y.) um elegante
apartamento com o objetivo de arrumarem maridos ricos. Mas a situação se complica quan-
do o dinheiro vai acabando e elas começam a se interessar por homens pobres. Ìndicado ao
Oscar de Melhor Figurino, em 1954, ao BAFTA de Melhor Filme, em 1955 e ao prêmio do
Sindicato dos Roteiristas (WGA) como Melhor Roteiro de comédia americana



Para contato e/ou sugestões é só mandar uma mensagem: anarosenrot@yahoo.com.br

&ORTUGA8 $ BRA(I8

&or ulce Rodri#ues



Portugal e Brasil, uma longa história... Era uma vez um rei que realizara o
sonho de ver os seus navegadores abrirem a rota marítima para a Índia.
Mas, o sonho comanda a vida, como dizia o grande poeta português António
Gedeão, e o rei quis ir mais longe, até outros mundos, outras gentes. Manu-
el – assim se chamava esse rei venturoso – enviou, então, Pedro Alvares
Cabral e as suas gentes descobrir essas novas terras que o intrigavam.

E nessa manhã de Páscoa de 22 de Abril de 1500, Cabral e os seus mari-
nheiros avistaram a cúpula azulada de um monte, que seria baptizado com o
nome de Monte Pascoal, em virtude de nesse dia ser quarta-feira antes da
Páscoa.

Ao aproximarem-se da costa, os navegadores depararam-se com uma praia
de areia dourada e uma vegetação luxuriante. Que "terra graciosa"! Assim
lhe chamaram. Com o passar do tempo, pela abundância do pau brasil, pas-
sou a ser conhecida por Brasil. E o nome perdurou até hoje.

Quanto ao nosso rei sonhador, a ele se sucederam muitos outros, uns mais
venturosos, outros menos... Uns conservaram os filhos junto de si, outros vi-
ram-nos partir e perder a vida e não mais voltar, outros viram-nos sair de ca-
sa para criarem a sua própria família. E como estes últimos, também o Brasil
se emancipou um dia, soltando o seu grito de Ìpiranga. Mas tal como os la-
ços familiares entre pais e filho, assim os laços tecidos têm perdurado até
hoje entre Portugal e o Brasil.
8rte de So>a''ad(((
?I(T0RIA O BRA(I8 (OB A
0TI/A @$MI'I'A

?e:e /. Boa-Via#em A. /osta
Maria An#Glica Ri:eiro
)X-C – )XC*
&rimeira teatrRlo#a :rasileira

Maria Angélica de Sousa Rego,
descendente de família nobre, nasceu em An-
gra dos Reis – RJ. Seu pai, fidalgo da Real
Casa de D. João VÌ, faleceu deixando-a órfã
aos 5 anos de idade.
Encantado com a inteligência e vi-
vacidade da menina, seu tutor, o Brigadeiro
Bracet, procurou lhe dar uma educação de
qualidade, bem diferente daquela que a popu-
lação feminina de então recebia.
Aos catorze anos, Maria Angélica
se casou com seu professor, João Caetano
Ribeiro, que viria a se destacar como conceitu-
ado ator do século XÌX, no Brasil e em Portu-
gal.
Desde a adolescência, Maria An-
gélica Ribeiro começou a escrever e, sob o
pseudônimo de Nênia Sílvia, colaborou em re-
vistas. Só aos 25 anos é que ela resolveu in-
vadir um território até então exclusivo dos ho-
mens: a dramaturgia envolvendo temas sociais
e políticos.
Como os homens reagiam a es-
sas investidas femininas? Para eles, as mu-
lheres não tinham suficiente discernimento e
vigor para se firmarem nesse campo. Deviam,
portanto, permanecer no "seu lugar¨. A insis-
tência em abordá-los não se ajustava às frá-
geis condições femininas. Assim sendo, tudo
que saia da lavra delas, de duas, uma: ou não
prestava ou, então, era trabalho de algum ho-
mem.
Maria Angélica desmistificou essa
crença. Em 1855 escreveu a primeira peça.
Sua obra teatral, de atestada qualidade, conta-
va com mais de vinte peças. Muitas delas não
foram editadas e seus originais estavam no
Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. Ìn-
felizmente foram destruídos num incêndio.
Em 1863, foi encenado o drama
/abriela no famoso Ginásio Dramático do Rio
de Janeiro. Era abolicionista militante. Sua pe-
ça %ancros sociais (1865), vigoroso libelo con-
tra a escravidão, alcançou grande sucesso de
publico e, ainda mais, veio a merecer elogios
de Machado de Assis. Segundo críticos de
hoje, essa peça é superior ao drama 0ãe de
José de Alencar pela solu!ão firme do desen-
lace, produto de sua posi!ão pol)tica clara-
1Seue2
Depois da estréia, a peça teve oito récitas se-
guidas; e depois, outras nos meses e anos
seguintes. Todo esse sucesso a tornou co-
nhecida e prestigiada no ambiente teatral da
época, fato até então inédito para uma mu-
lher.
Muito ativa, continuou escrevendo,
publicando e encenando suas peças. Usava a
dramaturgia para expressar suas idéias e rei-
vindicações sobre a realidade social.
Publicou as comédias 3m dia na
opul(ncia (1877) e 4essurrei!ão do primo Ba-
s)lio (1878).
Em 1879, seu drama 5pinião p6-
blica foi encenado no Teatro São Luis.
Maria Angélica Ribeiro faleceu no
Rio de Janeiro em 1880. Deixou um legado
significativo à história da dramaturgia no Bra-
sil. Simultaneamente, como pioneira nessa
atividade, abriu mais um espaço para a mu-
lher brasileira.

Re8er0n.ia' bib(io7r+B.a'
• CB?8% Webe ao$Via1e' O Elas% as pioneiras do
Brasil OEd4 cortecci Op4 *P_O" $())P ,?b e' e$boo`0
BU?B$S8IBR% Valeria 8ndrade4 Maria n!"lica
#ibeiro4 In Escritoras Brasileiras do =culo XIX4
aa>id= L4 SuNart ,or1404 Florianópolis5 Ed4 Su$
l>eres% p4]*P% ()))4
?ELLE% Nor'a4 $scritoras, escritas, escrituras4 In
Wistoria das Sul>eres no Brasil4 Sarb Fel "rio$
re ,or1404 !o "aulo5 Ed4 ConteVto% p4 +)*% ())(4


Maria Benedita /Ymara Bormann
– elia
)X,. – )XC,
&recursora das campanhas para a educa6
49o seLual da mulher
Maria Benedita nasceu em Porto
Alegre (RS) em 1853. Pertencia a uma famí-
lia de prestígio e recebeu uma educação es-
merada tal como se costumava dar às mulhe-
res da classe alta.
Falava inglês e francês, era
também pintora, cantora e pianista. Com to-
dos esses dotes logo se revelou também es-
critora e, aos catorze anos, escrevia crônicas
para os jornais cariocas (5 Sorriso, 5 Pai", 5
%ru"eiro e a /a"eta da 7arde2-
Casou-se com um tio materno,
José Bernardino de Bormann que, anos mais
tarde, se tornaria Ministro da Guerra e Mare-
chal.
Da crônica ela passou a escre-
ver romances-folhetins ultra-românticos e, de-
pois, romances que fixavam a vida social flu-
minense, seus conflitos e também os precon-
ceitos que tolhiam a liberdade das mulheres.
,e1ue0
Estudiosa da Roma Antiga, em
especial na fase em que as romanas goza-
vam de mais liberdade, ela faz uma analogia
com o que acontecia no final do século XÌX
quando desponta a figura da Nova Mulher
que, mesmo ridicularizada, difamada, procu-
ra, cada vez mais, alargar o seu espaço. Daí
escolher o pseudônimo - Delia – nome da
matrona romana amada pelo poeta Tíbulo.
Seus personagens também ganham nomes
romanos: Lésbia, Catulo, Aurélia...
No começo do século XÌX, as
escritoras usavam pseudônimos para serem
aceitas pelo público. No caso de Delia, entre-
tanto, já no último quartel do século, tem uma
outra conotação. Mais parece uma auto-
afirmação, um renascimento, um compromis-
so com a Nova Mulher.
Nos seus romances, ela defen-
dia a educação para a vida e a necessidade
do conhecimento da própria sexualidade. Ne-
les ainda insistia na educação sexual das jo-
vens e combatia a hipocrisia das mulheres
que se faziam passar por anjos de pureza e,
às escondidas, liam livros pornográficos.
Por meio de seus personagens
questionava o casamento considerando-o o
local de anula!ão do corpo e da mente- Por
isso, a mulher não deveria aceitar o casa-
mento como sua única opção de vida, com a
agravante de lhe negarem até o direito de es-
colha de seu futuro cônjuge. Tendo maiores
oportunidades de estudo, por que não seguir
uma carreira e ganhar sua independência fi-
nanceira, intelectual e sexual?
Delia era abolicionista e se de-
sencantou com os acontecimentos ocorridos
após a Lei Áurea. A qualidade de vida dos
libertos não foi melhorada o quanto se espe-
rava. Com o advento da República, nada se
fez nesse sentido e, portanto, nova decep-
ção.
Enfim, Delia queria justiça para
o escravo, para a sociedade e para a mulher.
Suas publicações:
Folhetins: Uma Vitima; Madale-
na; Os beijos do frade; A espera; O sorri-
so; A estátua de nee; !uas irm"s ( todos
de 1883 e 1884).
Romances: Aurélia (1883); #és-
bia (1890); Angéli$a (1894); M% #ad%
(1895); Celeste (1895)
Morreu no Rio de Janeiro, aos
quarenta e dois anos anos, em 1895.

Re8er0n.ia' bib(io7r+B.a'
CB?8% Webe Boa$Via1e' O Elas% as pioneiras do Brasil
OEd4 cortecci Op4 *D_ O" $())P ,?b e' e$boo`0
CBELWB% Nellb Novaes4 %icion&rio crí'co de escri-
toras brasileiras. !o "aulo5 Escrituras Ed4% p4
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?ELLE% Nor'a4 $scritoras, escritas, escrituras. In
Wistória das Sul>eres no Brasil4 Sarb Fel "rio$
ri ,or140 !o "aulo5 Ed4 ConteVto% p4 +)*% ())(4
?ELLE% Nor'a4 $scritoras (rasileiras do s"culo
)*)4 aa>id= L4 SuNart ,or10 Florianópolis $ Ed4
Sul>eres p4PDK% ()))

@u#a

&or iulinda Garcia

Atravessou o outono
pisou as folhas sobre o chão
seguiu descalça
pelas calçadas nuas
sem dar atenção a nada.

Ninguém pra dizer adeus...

Foi sem avisar
nenhum rastro deixou
para a estação seguinte
o tempo varreria
suas piores lembranças.
AMOR, O/$ 8$MBRA'1A

&or $lisa Alderani

Falar de amor pode ser a coisa mais fácil ou mais difícil. Essa palavra carrega consigo
muitas facetas ocultas.
Quando se trata de lembrança de amor, logo pensamos na felicidade que este sentimen-
to nos provoca numa determinada fase da vida. Pode ser no período da infância, pois nossas
lembranças referem-se ao amor de mãe ou de pai, ou de pessoas que cuidaram de nós. Pode
também ser na fase da adolescência, lembrando como nós sofremos com aquele novo senti-
mento que se apropriava da gente que ainda não era gente, e chamamos de primeiro amor.
Parecia tão verdadeiro, tão forte que nos levava até as lágrimas se não encontrávamos a res-
posta ao nosso sentimento escondido por entre os bancos de uma escola; descobrindo de-
pois, mais maduros, que éramos enamorados da palavra "amor¨.
Na juventude, já vem o encantamento por uma determinada pessoa, e nos apaixona-
mos, mas muitas vezes acontece, como por encanto que o amor acaba, se desfaz como nu-
vem empurrada pelo vento do tempo, que passa tirando o colorido à relação.
A lembrança fica pendurada em nossa memória como um bonito quadro que, olhando
para ele, nos dá prazer. Talvez seja um beijo apaixonado, um ramalhete de flores, ou um pre-
sente. Esses acontecimentos ainda nos fazem suspirar e leva-nos a reviver os momentos que
mais atingiram o âmago do nosso coração. Acreditávamos que esse amor não terminaria,
mesmo assim terminou, talvez sem um adeus, na indiferença, mas nunca nos esqueceremos
da felicidade que nos preencheu o coração; deu brilho aos olhos e que até os outros percebi-
am que éramos diferentes em nosso comportamento.
Era sim o amor, o amor de juventude, e só de lembrarmos novamente voltam às emo-
ções que deixamos para trás e que nos fazem sorrir novamente como outrora.
Essas doces lembranças acariciam nosso coração. São como pérolas de orvalhos es-
condidas por entre pétalas de uma rosa vermelha. Elas brilham quando recebem os primeiros
raios de sol numa manhã de primavera.

/anto do silêncio

&or $loisa MeneIes &ereira

Na multidão vozes sussurram
As lembranças do recente passado
Ìmagens atravessam os encontros
Deleitando –se na saudade

Silenciosas, cantam à História
A sobrevivência da memória
Pensamentos desajeitados lastimam
O silêncio dos olhares

O tempo persistente
Cantando suas perdas recordações
Mudo, transforma as emoções
Nos espaços da vida, insiste
M ?ORA $ VO8TAR

&or $mGrita Andrade

Sei que me esperas, oh terras feiticeiras!...
Nas emboscadas dos caminhos pedrego-
sos;
Correndo alegre menina-dona, saltitante vi-
va
Qual peregrino junto aos passarinhos...
Busco conselho em ti, velha jaqueira:
Gruta de caboclos - oráculo de Tupã
Ruínas de argila e sal, antes morada,
Eu tento imaginar como serias linda...
Nos festins de grandeza, em teus salões,
As caminhadas em noites densas, fogaréu
E claras manhãs de horas mortas,
Adormecidos dias... esquecidas horas...
Na busca persistente de outros dias
Enlevos descobertos de alvoradas
Pescar no lago coisas perdidas, idas
Com desejos permanentes de encontrar...
Ver tornar realidade as santas fantasias!
Que às vezes chegam, qual viajor fantas-
ma...
Que ás vezes voam, qual ave do sertão.
E mergulhando assim, no paraíso...
Beber conforto no mato que fascina.
Quero os meus pés bem rentes na canoa,
A mergulhar no rio de águas doces, cristali-
nas!
Sentir ninada ao ritmo da maré... que...
Leve e mansa flui, reflui, oscila e arqueja,
Sem medo de voltar, ao tempo que passou
Nem sombras, nem raios trovejantes,
Ìrão dilacerar o meu querer
Eu sou a mesma, nesta hora ainda...
Para solfejar a melodia, que um colibri
Cantarolava, para me acordar! quando
Menina ainda... menina em camisolo!!!
Fizeram deleitar-me... mil estórias...
Vou embalada neste saveiro, sem desterro
Que leve joga ao ritmo da mará, já soluçante
Cantarolando oníricas formas por tantos la-
boradas...
Procurarei pedrinhas verdes, ofuscantes,
Tremeluzentes de orvalho e pólen d'ouro,
Ao despertar na madrugada sonolenta
Vermelhas conchas que o sol beijou...
De onde a lua brincando ainda brilha,
Pérolas miúdas que guardou sua nobreza!!
Vou cuidadosa cultivá-las para por certo
Regaladas de cuidados entre húmus
Virem-nas transformar-se sob a terra
Em encantado brinco- de- princesa !!!
Sigo em solfejo por entre ninhos e tocas,
De caranguejos, maritacas, corujões.
Na lama negra dos eternos manguezais,
Para integrar assim... dentre as folhagens,
Esta paisagem de clareza e luz tão virginais,
Santificada sejas tu ó despedida:
Em que rendo loas ao primitivo mundo
Dos meus tão queridos ancestrais!!

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&or (onia /intra

O mundo gira
em vão
nos desvãos
do tempo que passa

construamos pontes
caminhos
e sobre os abismos
cantares
de nada servem
muralhas
na projeção do futuro
vamos assim
de mãos dadas
como já soou
o poeta
em sua longa jornada

se vivemos um tempo
enredado
desatemos os nós
doloridos
e na sutileza
da aurora
teçamos os laços
perdidos
Sen2!o >onrosa no
II "r<'io Varal do
Brasil de Literatura
@oda-se o tZtulo

&or $velNn /iesINnnsVi

Apresento-me assim:
Ricardo, prazer.
Sou PhD em música,
ou seja, escutar música
com ênfase em Caetano.
Passo a maior parte do tempo
olhando pela janela
E que há?
só uns homens de cólera
e algumas lagartixas
E que há?
um trampo:
Ricardo's geleia
PONTO DE ISTA

!eremi"# $r"n%i# Torre#
O BRA(I8 M O &AQ( =U$
@A> TOA I@$R$'1A 'O
MU'O...
Em esquecimento, desconhecimen-
to, desvio de finalidade de recursos e é claro,
corrupção!
Ah, e aquela famosa frase, é usada
por todos: "é uma tentativa cruel e sórdida, de
envolver meu nome (o nome de algum político)
nessa acusação descabida!¨
O Brasil, finalmente, atingiu a pós
graduação!
Governadores, prefeitos e presiden-
tes desconhecem tudo!
Não sabem de nada ao redor! des-
conhecem tudo que ocorre debaixo de seus
narizes, no entanto, estranhamente, estão
sempre antenados, nas pesquisas de opiniões
é índices de rejeição ou de popularidade!
É impossível acreditar que homens
tão articulados nunca sabem de nada!
Para esse fenômeno, existe duas
teorias: ou são completamente inocentes, ver-
dadeiros cordeiros enganados por seus asses-
sores ou são os sujeitos mais mentirosos e
descarados da face da Terra!
Desde que se tem notícia, a huma-
nidade tomou por norma, eleger a postos su-
periores, pessoas razoavelmente dignas para
fazerem a diferença e responderem por tal po-
der.
Daí surgiram as figuras dos Ìmpera-
dores, dos Reis, das Rainhas, Papas, etc, etc.
E já muito recentemente, a figura do Presiden-
te!
Porém, aqui neste país, na época
das disputas eleitorais, os homens candidatos,
vão buscar lá longe, os mais ínfimos detalhes
para tisnar a candidatura do outro.
Eleito, seja para Presidente, Governador ou
Prefeito, esse mesmo homem que sabia de
tudo, passa a não se lembrar de absolutamen-
te mais de nada, passa a sofrer de ataques
constantes de amnésia! Ìsso sem falar da
maldade que se torna, a tentativa de sempre
coloca-los como culpados por desvios, que
ocorreram repetidamente, sistematicamente,
continuadamente, em sua gestão...
(Segue)
Por essas e outras, infelizmente, é possível acreditar finalmente, que o Brasil tem em
sua filosofia política arraigada, defender interesses isolados e a corrupção até ao fundo da
noite dos tempos!
Como isso é possível? mesmo após Abraham Lincoln ter sido enfático: "Pode-se
enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se
pode enganar a todos todo o tempo.¨
Ao que tudo indica, nossos amigos políticos, não acreditam nisso, caso contrário
não agiriam "COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ!¨ e se o hoje, lhes diz respeito!

LITERATURA & ARTE

LUIZ CARLOS AMORIM
MAI( R$@ORMA ORTOGRS@I/AF


O último acordo ortográfico da língua portu-
guesa, que se arrasta por anos, teve a sua
vigência prorrogada pelo governo brasileiro de
2013 para 2016 – e já existe projeto de outra
reforma na nossa língua portuguesa, essa com
mudanças muito mais abrangentes do que a
anterior.
O projeto, chamado "Simplificando a ortogra-
fia¨, é do professor de língua portuguesa Erna-
ni Pimentel e sugere alterações como o fim da
letra H no início de palavras ("homem¨ e "hoje¨
viram "omem¨ e "oje¨), o fim da junção CH
("chave¨ e "chuva¨, viram "xave¨ e "xuva¨) e o
fim da letra S com som de Z ("precisar¨ e
"casa¨ viram "precizar¨ e "caza¨), entre outras.
O objetivo é tornar a linguagem escrita igual à
falada.
Muito nobre a intenção do professor, seria mui-
to mais simples termos a nossa língua escrita
exatamente da forma como é falada, mas esta-
mos passando pelas dificuldades de uma re-
forma agora, reforma essa proporcionalmente
simples, se comparada com a proposta agora.
E já está dando o maior trabalho para todos,
seja na escola ou para quem escreve, profissi-
onalmente ou não.
O Acordo Ortográfico, que pretende ser co-
mum a todos os países que falam o português
e que já está sendo aplicado nas escolas e
nas publicações brasileiras há alguns anos,
era para vigir a partir do dia primeiro de janeiro
de 2013, mas teve a sua vigência obrigatória
adiada por mais três anos.
Livros didáticos e apostilas, usados em todas
as escolas do país, tiveram que ser atualiza-
dos e reimpressos. Muita coisa foi para o lixo
para ser substituída por novas versões atuali-
zadas com a nova ortografia. Agora tudo vai
ter que ser substituído novamente? Ìsso envol-
ve dinheiro público, que poderia ser canalizado
para outras necessidades da própria educação
brasileira, que vem sendo sucateada sistemati-
camente. Será que não há nada mais impor-
tante para se pensar, para reformar, do que
tumultuar o ensino e o uso da língua mãe?
Ou será que estão tentando "simplificar¨ a nos-
sa língua justamente para disfarçar o sucatea-
mento, por parte de nossos governantes, da
educação brasileira, do ensino que está sendo
praticado?
Os governantes que aí estão mudaram, recen-
temente, entre outras coisas, a idade de alfa-
betização de nossas crianças, que sempre
aprenderam a ler e a escrever aos sete anos.
Há alguns anos, a data de alfabetização dos
pequenos mudou para oito anos. Claro, porque
foram feitas muitas mudanças, nos últimos
anos, no ensino do primeiro grau, e não foi pa-
ra melhor. Não só na maneira de ensinar, mas
no conteúdo curricular, também. De maneira
que existem muitos estudantes no terceiro,
quarto anos do ensino fundamental brasileiro
que não sabem ler e escrever. Por causa dis-
so, o governo brasileiro decidiu aumentar um
ano no prazo para a alfabetização dos estu-
dantes. Simples, não?

(Segue)
Sem considerarmos a confusão que as mudanças causam na maioria dos cidadãos brasileiros.
Já havia dificuldade para escrever corretamente. Agora, então, é que não se tem mais segu-
rança de nada.
Felizmente, o projeto ainda não está na Comissão de Educação do Senado, ela será apresen-
tada no Simpósio Ìnternacional Linguístico-Ortográfico da Língua Portuguesa que acontece em
setembro, em Brasília. É um assunto que precisa ser pensado e discutido, com muita calma e
serenidade, com objetividade, porque afinal, não saímos ainda de uma reforma e já estaríamos
prestes a entrar em outra? O que diz disso a Academia Brasileira de Letras? E os outros paí-
ses que falam a língua portuguesa, o que acharão disso?
Como disse Sérgio Nogueira, colunista de português, "A 'simplificação' me parece muito mais
um empobrecimento, uma confissão de incapacidade: Fracassamos. Não conseguimos ensi-
nar nem a nossa própria língua porque as regras são difíceis. Não será um acordo ortográfico
que vai resolver nossos problemas com o analfabetismo¨.
De pleno acordo. O que precisamos é de melhor manutenção e equipamentos apropriados nas
escolas, melhor qualificação e pagamento digno aos professores, um conteúdo curricular pla-
nejado e eficiente para nossos estudantes.
Gostaria que esse projeto inoportuno fosse apenas um boato irresponsável, mas conforme te-
mos visto na imprensa, a "brilhante¨ ideia existe mesmo.

Vozes

Por Felipe Cattapan

A voz distante
de um amigo de infância
me atinge metálica por telefone:
monofônica divaga...
polifônica evoca...
uma vaga península itálica
na nostalgia de uma Antiguidade
esquecida...
onde a poesia só era lida
quando declamada
cantada
exaltada
- em voz alta vivenciada.

O passar dos séculos nos decantou...
amadurecidos emudecemos:
a necrose do tempo
nos sedando nos silenciou
- !o que algum dia foi can"#o
$o%e é a&stra"#o ou mania'.

Afônicos
sem som nem saudade
sem ritmo nem tim&re
proclamamos a li&erdade
vociferando-a em versos livres:
cantamos sem vi&rato
as vi&rantes aventuras que n#o vivemos
e todas as outras que %amais ousaremos(
repetimos aos espel$os
as cren"as que %á perdemos
nas teses em que nos perdemos(
sufocamos em pigarros
os derradeiros dese%os
dos )ltimos suspiros
solu"ados com lirismo
na fuma"a do romantismo
dos cigarros pós-modernos(
evocamos paix*es contidas
e distorcidas
em vel$as grava"*es
de can"*es antigas

relem&rando
em solitária litania
- em uma des&otada &oemia -
que algo de saudoso se perdeu
que a melodia da nossa voz
desapareceu
ao desencantarmos a poesia...

- +O mio &am&ino caro,
+-e me quitte pas,....

@I8O(O@IA /0(MI/A I'T$GRA8

&or Germano Machado

Ì

No enunciado da palavra, a verdade pura
sem mesclas positivas e negativas posterio-
res. Lúcifer – Porta Luz. Nem mesmo se há
de negar beleza à palavra. Portador de luz,
mensageiro de claridade. A ideia-fato teoló-
gica posterior negativa, seja transformada
em Diabo-diábolos = confusão, desequilíbrio,
dia escuro. Angelos, anjos- mensageiros,
arauto. Angelidade ou angelitude, qualidade
de quem é enviado, pois, mensageiro. O
arauto anuncia. Todos em função da Luz
Plena – Deus -, o Ser, o Criador, lavé. Lo-
gos também, razão, lógica, a filosofia cósmi-
ca integral, uma vez que tudo é o Plano To-
tal, um grande teatro de plena representa-
ção. Determine-se, assim, o filósofo a visão
– teoria – do todo: visão de realidades com-
pletas e de horizontes sem fim. Deus – Thé-
os – está implícito na teoria – visão, de modo
que irracional será aquele que O nega. A pa-
lavra tem força de ser ou de fazer surgir o
que é. Uma definição desde que chegue à
raiz, radicalize, encontre o ser como ser. Lu-
cifer, pois, não-diábolos, confusão. Estamos
em um teste, configuramos um certame.
ÌÌ
No caos está potencialmente o cosmo. Po-
tencialmente bipolares. A Potência permite-
as. Um homem integrado, ao mesmo passo
anér a gyné –homem e mulher- separam-se
as partes. As velhas línguas falam em zakar
e ngebah- órgãos genitais masculino e femi-
nino. Adão e Eva são dois posteriormente:
antes eram como que hermafroditas: por is-
so, separam-se. Como ocorreu essa revolu-
ção biológica-teólogica-mítica e mística? Até
hoje faz estragos de escuridão e proporciona
equilíbrios à luz de claridades.Por isso,
Freud tem razão; e não tem. Não tem quan-
do leva o fato em equivocidade; tem – quan-
do mostra que Eva é reflexo e imagem. Do
caos de todo o criado material irá surgir pe-
las potencialidades, as sementes, os esper-
mas, o cosmo transmaterial da integralidade.
A Matemática o explica: o 1 gera o 2 e 2 são
1 + 1= 2. Eis o homem. Deus cria através de
um processo evolver. A evolução.
ÌÌÌ
Não há evolução sem criação e a criação
conduz o principio da evolução. O evolver é
lei em todo o criado. A planta é semente? Ou
vice-versa? O ovo é ave? A ave é ovo? A
semente e o ovo são condicionadores. Per-
meiam, permitem, condicionam, são meios.
Potencialidades. Água chega pelo encana-
mento, mas procede de uma fonte. O corpo
humano veio através de animal ou animais.
Fluiu assim. O que, finito, se demonstra, evi-
dente que promanou do infinito. A luz elétrica
procede, logicamente, da estação. O infinito
cria os finitos e todos os finitos evolvem por
meio de outros finitos. As potencialidades
evolvedoras pedem a potência criadora.
Se o princípio criador reside na Matemática
(Einstein), Deus é o 1, o Um do qual proce-
derão todos os números em sequência infin-
da. Assim o que se chama, na ciência, de
homo sapiens é uma simples expressão,
pois a palavra sapiens é latente, é pressu-
posto, continuamente se faz até hoje e sem-
pre. O homo inteligens, o homem inteliegen-
te e luciferino está em estado de sair, paten-
te: chegaremos a esse estágio. O homo sen-
tiens (homem sensível) está na base da evo-
lução, pois a própria planta sente, tem sensi-
bilidade. A sensibilidade da planta chegará
ao homem em forma de sentimento, aproxi-
ma-se do mental. O homem – espiritual atin-
ge graus mais superiores e supondo sapiens
(comumente chamado, mal expresso), o in-
teligens e o sentiens.

(Segue)
ÌV
Por isso, o universo, nessa amplidão infinda
e ainda tão desconhecido, apesar dos bilhões
de estrelas e sistemas de corpos, não é pas-
sivo, não é ativo e, assim dinâmico. Não se
mostra caos senão quando em processo e,
naturalmente, no âmbito particular, não pode
monotonizar, porque exige harmonia, ener-
gia, luciferenidade, luz em todas as dimen-
sões e direções, mesmo nos compartimentos
trevosos.
O universo não se firma no casual, o universo
requer a casualidade. Tudo se faz pela casu-
alidade. Somente assim entendemos o espa-
ço-tempo, a duração e a dimensão. Em todo
o universo há o luzir, o lucigênito. Sabemos a
velocidade da luz, não da vibratilidade da luz.
Há um luzir no luzir, luz na luz, vibração em
toda lucernidade. O potencial cósmico se faz
o atual telúrico e de todos os planetas, estre-
las e vias-lácteas. O potencial que se faz atu-
al conduz ao real. O realismo está em ser e
estar. Movimento e forças, continuidade.
V
Santo Agostinho ponderou : " O Eterno criou
tudo de uma vez¨ ( Ecl.17,1). O Universo é
comparável a uma grande àrvore, cuja bele-
za jaz desdobrada aos nossos olhos, no tron-
co, nos ramos, nas folhas e nos frutos. Não
foi num ápice que tal organismo nasceu. Bem
lhe conhecemos a evolução : originou-se da
raiz que o germe lançou terra adentro, e, des-
ta origem, desenvolveram-se todas as for-
mas. De modo análogo, teremos de conceber
o Universo : se está escrito que Deus criou
tudo de uma vez, quer dizer que tudo quanto
existe no Universo estava encerrado naquele
único ato criador – não somente a terra e os
abismos da terra, mas tudo quanto se oculta-
va da força germinadora dos elementos antes
que, no decurso dos períodos cósmicos, se
desenvolvesse, assim como está visível dian-
te de nós nas obras que Deus cria até ao pre-
sente dia.
Por conseguinte, a " obra dos seis dias¨ não
significa uma sucessão cronológica, mas re-
presenta uma disposição lógica. Também o
homem faz parte dessa criação em germe :
Deus o criou, assim como criou a erva da
Terra antes que ela existisse. Criou-os como
varão e mulher abençoou –os-criou-os se-
gundo a força que a palavra de Deus, no úni-
co ato criador, depositou em germe no seio
do mundo, força que, no decurso cronológico
da evolução, leva tudo sucessivamente ao
desdobramento, fazendo aparecer, a seu
tempo, também Adão, " do elemento da ter-
ra¨, a sua mulher " do lado do varão¨. Porque,
do mesmo modo que a Escritura faz surgir o
homem " do elemento da terra ", faz originar-
se também da terra os animais do campo. Se
pois Deus formou a terra tanto o homem co-
mo animal, que vantagem tem então o ho-
mem como animal, que vantagem tem então
o homem sobre o animal? O que o distingue
é somente isso : que o homem foi criado se-
gundo a imagem de Deus: quer dizer, o ho-
mem não segundo o corpo, mas apenas se-
gundo a alma.
Que atualidade, a de Agostinho!



A Filosofia cósmica integral mostra-nos a uni-
versalidade do terráqueo; Filosofia de era nu-
clear. Partimos ao universo, rumo às estrelas,
nós que somos parte do universo, portanto
das estrelas. O que há em cima é mesmo
igual ao que há em baixo. Trimegistus tinha
razão. Somos seres destinados ao universo.
O cosmos e a cosmicidade colocam em nós
as sementes da evolução do homem inteli-
gente e sensível para o homem sapiente, o
homem espiritual. O homem plasmado pela
evolução espiritual. A lei cósmica se pratica
no amor, na integralidade do ser e dos seres
no Ser. Saída e avanço. Nascimento na fonte
infinita do Ser. Universismo de totalidade, de
plenitude. É a Filosofia Cósmica Ìntegral


PREPARO

Por Gildo Oliveira

/arv#o
0ele o $omem
1ogo tira
2leno interiormente.

1ogo carv#o
/arv#o e fogo...
3 novamente fogo e carv#o
3 novamente carv#o e fogo
4 a eterna li"#o
5em esmorecimento
/om muita precis#o.

/arv#o e fogo
6a"os que unem
/orpo alma e espírito
7 luz do espírito.

2reparo:
8itória so&re a queda
3m seu lugar
A man%edoura.
O $omem desenvolve o eu superior íntimo
O nosso salvador.
A=UAR$8A

&oema e arte por Gra4a /ampos

Aquarela em pétalas, bonança
Cheiro de flor primavera
Nas folhas, verde esperança
Acordando as quimeras...
Aprender e Viver

Decreta o Ìmperador Marco Túlio Cícero
Ano 55AC

O Orçamento deve ser equilibrado
O Tesouro Público deve ser reposto
A Dívida Pública deve ser reduzida
Os Funcionários Públicos devem ser observados e controlados
O auxilio a outros Países deve ser eliminado para que não se vá a
falência
As pessoas devem novamente aprender a trabalhar, em vez de viver a
custa do Estado.

a) Marco Túlio Cícero
Ìmperador Romano
Ano
55AC
Por ?aIel de (9o @rancisco
( consultando a História...)

(7plicas

&or ?ilda Mendon4a


Amor, não te peço que me esqueças,
Não te peço que me procures, só te peço:
Deixa que eu te ame,
E te ame tão loucamente louca
Que espaço não haja
Para nenhum outro amor em tua vida.

Não te peço que me entendas
Não te peço que me cuides,
Deixa que eu te entenda,
Deixa que eu te cuide,
E assim o nosso Céu será aqui,
Neste lindo e conturbado mundo.

Deixa que eu viva em nuvens serenas
Que meu Céu não se escureça
Por não deixares que eu te ame
Assim, do meu jeito desajeitado
Mas é assim que sou, torta na vida,
Então amor, deixa que eu te ame
Em mil vidas, se eu as tiver.
Amor, deixa que eu te ame.
$speran4a, eterna primavera...


&or Isa:el /. (. Var#as

A estação que mais gosto e que tem um efeito imenso sobre minha vida e bem
estar é a primavera. Não sou adepta de extremos. Sou mais ponderada e, portanto
mais afeita a amenidades.
A primavera é doce, encantadora, suave e, ao mesmo tempo, engalanada pela
beleza natural e esfuziante da natureza, da vida que brota nos campos, no ar, no cora-
ção das pessoas que não conseguem passar incólume por tanto esplendor.
Na primavera o sol parece ser na medida certa. Nem escasso nem escaldante
como no verão. Suficientemente quente e iluminado possibilitando que seus raios des-
taquem as diferentes nuances do colorido das flores. Seus raios se refletem no brilho
do olhar das pessoas tornando o sorriso e a vida mais iluminada.
Tem sabor de recomeço, de coisa nova, de despertar e, sobretudo de esperan-
ça e alegria. Não só para as pessoas. Também para a natureza que se enfeita e come-
mora todo o espetáculo da vida.
A primavera nos mostra que não é necessário pressa. Para tudo há o momen-
to certo. Há o tempo de plantar, o de podar, arrancar os galhos secos, coisas mortas
para concentrar as energias, ter mais espaço força e vigor e assim fazer boa colheita.
Renova-se em cada estação a esperança, a fé na vida, nas pessoas e na força
da criação.
Meu coração em cada primavera enche-se de esperança pela beleza da vida
que brota. Consegue aliviar a dor das perdas que abalaram minha vida e que, por mo-
mentos, quase me fizeram sucumbir. Dão o perfeito entendimento do efêmero e do
eterno, da morte, da vida, da esperança que é preciso renascer sempre para que cada
ser cumpra sua finalidade nesta vida, ou seja, ser feliz.
Assim como a primavera vem após as agruras do inverno, não há tristeza que
perdura ante o milagre da vida e da renovação.
Para mim, Primavera, eterna esperança...
UMA FOTOGRAFIA DO BRASIL O VA!
LOR DA VIDA "UMA#A

Por Ivane La$rete Perotti


“Quando, sorrateiramente,
sigo quase sem poder respirar,
os macacos, os tucanos ou as
pequenas aves nas matas, na-
quee momento entro em con-
tato com o essencia signi!ica-
do da vida" #sso reaimenta o
meu esp$rito e d% sentido &
min'a e(ist)ncia"*
Lui+ C%udio ,arigo



9m $omem sensível tom&a.
8erga o peito carrega:
do de emo"#o e sa&edoria no assoal$o de um ôni:
&us ur&ano. 9r&ana cena n#o fosse a insensatez
que se deflagra no transcorrer do quadro urgente.
;estos desesperados &uscam socorro: “O pape
dos !ot-gra!os . despertar a consci)ncia do 'o-
mem para a incr$ve rique+a da vida na /erra,
sua 0ee+a e vaor espiritua"* -o corredor do
ôni&us os ol$os que viram o mundo pelas lentes
do amor e do respeito procuram pelos ol$os que
l$e poder#o acudir na $ora em que a vida depende
do con$ecimento e da &oa vontade.
5e a solidariedade volun:
tária &astasse para manter-l$e a vida o cora"#o de
<arigo estaria vi&rando com o carin$o angustiado
de tantas m#os descon$ecidas. 5ocorristas do aca:
so &ateram =s portas do lugar onde a medicina
tem o privilégio de processar a cura ou pelo me:
nos tentar alcan"á-la. 0escon$eciam eles cida:
d#os em trânsito que além das palavras as insti:
tui"*es &rasileiras perdem o poder de referendar o
que significam. >nstituto -acional de /ardiologia:
desmotivados e inertes n#o traduzem o pedido de
socorro por uma simples quest#o retórica: quanto
mal está aquele que está mal? @uem deveria dar a
resposta usa-a como aríete de defesa indefensável.
+2assar mal, é %arg#o popular e n#o mo&iliza a
consciAncia os &ra"os e outras partes inertes da:
queles )nicos capazes de fazer a leitura correta.
@uanto mal? <uito mal? 2ouco mal? <ais ou
menos mal? O sensível cora"#o do fotógrafo da
natureza &om&eia a gentileza genuína dos que l$e
confortam na espera v#. 0escaso. 0esrespeito.
8ergon$a inominável vem do )nico lugar que le:
gitimamente poderia atendA-lo. 6ugar errado? Bo:
ra errada? +,in'as !otos s1o d%divas que a na-
ture+a me o!erece" Por sua vontade, o anima me
espera, a u+ 0ri'a na 'ora certa, as !ores
a0rem-se para a !otogra!ia" Preciso apenas reco-
n'ecer sua 0ee+a e estar no ugar e no momento
certos para registr%-a""",
6ágrimas co&rem o corre:
dor do ôni&us. 2udessem antes ser coloridas pela
&ondade consciente de um $omem que decidiu
ver o mundo e mostrar o mel$or do que via. 2u:
dessem ser mornas e aconc$egantes como os seus
movimentos no meio da natureza selvagem. 2u:
dessem ser lágrimas de aplauso por uma vida in:
teira dedicada a salvar e construir uma consciAn:
cia em a&soluta degrada"#o: quanto vale um gesto
em favor da vida?
“Espero que o meu trabalho
transmita a mesma alegria e emoção que sinto nos ambi-
entes selvagens e que as minhas fotografias não se trans-
formem apenas em mais um documento do passado.”
A$. ;rande e doce fotógrafo vale
pedir-l$e perd#o pela selvageria $umana que l$e negou um
lenitivo? 5im talvez fosse o seu momento e a sua $ora mas
se diante deles vocA nos deixasse uma fotografia colorida
as lágrimas de dor n#o cavariam t#o fundo t#o fundo o po"o
que nos registra ignó&eis e insensíveis na cátedra da nega:
"#o instituída fundada e instalada. <ais médicos? -#o.
<ais consciAncia. <ais dedica"#o mais valor = vida.
3m plena luz do dia a escurid#o fétida
de um sistema de sa)de caótico exp*e uma vez mais as fo:
tografias do Crasil: verde e amarelo? Ora. ...9ma casa para
o cora"#o doente deste país que n#o &ate no peito mas fica
na saudade fértil de que um dia talvez um dia voltemos =
nossa origem mais $umana menos profissional.
Ao fotógrafo da vida a 8>0A 3D3E:
-A.
/A< F O( O((O( A MORT$ MORRIA

&or IIa:el Marum


Armenegildo Freitas da Cruz Pedroso, soldado do exercito brasileiro. Miú-
do baixinho, mas, muito honesto e crente na Justiça brasileira.
Sempre dizia para a família: -A pátria em primeiro lugar, depois, a família
e o resto, era resto.Os de cima, o tenente e o coronel sempre elogiavam o
caráter e a honestidade desse homenzinho. Quando precisavam de qual-
quer coisa, chamavam Armenegildo e, eram imediatamente atendidos.
Um dia, não se sabe quem, nem quando, chamaram "Gildo¨ para uma
missão secreta.(Muito sigilosa) . Na calada da noite, a aguardada mis-
são ,foi logo lhe confiada e a continência para o coronel, foi logo batida.As
ordens foram dadas e nosso soldado partiu noite afora...
A missão: Armenegildo F.da Cruz Pedroso estava preso.
Mas, como?A família enlouquecida estava proibida de entrar na cadeia do
exercito.A mãe dona Zefa só chorava e rogava ao coronel, saber, o que
havia acontecido.O que o filho fez? Se, a glória para ele era ser soldado,
e honrar a Pátria. O coronel falou uma vez.
- Dona Zefa! Seu filho tá preso, por que foi pego em flagrante. Ele matou
dois homens .Quando ele puder receber visita, eu mando lhe chamar. Do-
na Zefa , amparada pelos outros filhos, saiu cambaleando da entrada do
batalhão .Ninguém sabia de nada e os colegas de Gildo diziam não saber
nem que ele tinha saído em missão...
O velho Goiaz (vizinho da dona Zefa) desconfiou daquilo tudo. Chamou
os irmãos de Gildo e, pedindo segredo absoluto, falou o que pensava.
-Olhem, eu acho que pegaram o Gildo de bode expiatório. Eles precisava
de alguém , e Gildo foi o escolhido. Mas, sei não. Apenas imagino isso.
Não falem para dona Zefa. Mas, acho que seu irmão tá morto. Com o
tempo vão falar que ele estava doente e morreu de morte morri-
da........Não deu outra! Passaram- se dois anos de choro e imploração na
porta do batalhão.....Dona Zefa foi chamada. Deram a noticia muito deva-
gar, dizendo que Gildo havia morrido , de morte morrida.
Era uma doença fatal infecciosa .E, não podiam abrir o caixão por ordem
médica.
Até hoje, a família inconformada, colocou, no túmulo de Armenegildo F.
C.P. o seguinte: Armenegildo Freitas da Cruz Pedroso morreu, pelo exer-
cito brasileiro e pela pátria brasileira, de morte morrida, doença fatal e in-
fecciosa4
/a"G e Tempo

&or Aacqueline Aisenman


Eu bebo o café
e enquanto bebo
escrevo perguntas
que não se faria a alguém
ou se faria, mal ou bem, a alguém
O tempo não é meu aliado hoje.
Enquanto enfrento horas de espera
ele se arrasta lento e desinteressado.
O mesmo tempo que conta
os dias para me ver mais velha,
os brancos dos cabelos crescendo em frente ao espelho...
O café vai de quente
se tornando morno.
Nem para o café o tempo é indiferente.
Minha mão que quase saltou ao contato primeiro com o
copo,
agora encosta-se e recosta-se em sua tepidez.
E eu bebo o café.
E espero, a espera que é longa,
mesmo sem olhar o relógio...
e é ainda mais longa
quando olho o relógio...
O tempo, sem clemência,
não salta e nem se ausenta.
Amor Vira 8ata

&or Aania (ouIa

Só, pelo mundo
Arrasto meus dias.
Mesmo em bando
Sou solitário
Simples miserável, boêmio
vagabundo
Mesmo assim, sorrio, brinco
Faço-me e faço o outro feliz.
Lato, rosno, choramingo
Minhas desesperanças incontidas.

Sou vagabundo
Vira lata em busca de amor
Embora eu seja o próprio amor.

Nesse desalinho
Trôpego
Sem rumo caminho
Sobre minhas frágeis patas
Companheiras permanentes
Nesse meu descaminho.

Faminto, desamparado
Necessito de afago
Preciso urgentemente de carinho.

Migalhas de amor
Em minha sede de amparo
Reacendem-me a esperança
De encontrar segurança, abrigo
Nos braços fiéis de um amigo.

Enquanto o amor não vem
Sigo meu destino, sem grandes
lamentos
Abandonado, perambulante,
desgarrado
Por vezes tão só, tão sombrio.

Fito com meus tristonhos olhos
Quase gritantes de alegria em sua
meiguice
Qualquer ser que me aceite por
perto.

Oh! Essa é minha esperança
Nesse oceano inconstante
Sinto-me gota d'água
Por ser humilde Vira Lata
A procura de um lar
Aqui neste mundo tão errante!
Ìntervalos



&or AosG /arlos &aiva Bruno





Pensando nos jogos da vida, em verdade entre tempos partidas, pois que che-
gadas são as razões, emoções de partir. Noções são o que temos nos interva-
los, momentos de crescer, decidir viver e vencer... Ali ou aqui, pensem comigo
nos intervalos, onde reabastecemos e planejamos novas rotas, entrópicas tro-
cas. Assim, até mesmo nosso humano respirar, vive intervalos de ar...

Lendo por agora "Dar & Receber¨ nos intervalos da labuta, recente Best-seller
do brilhante Adam Grant. Onde reencontro o Fantasma de Sampson, pseudô-
nimo usado pelo carismático caipira Abraham Lincoln em suas Cartas. Ele per-
deu muitas vezes insistindo em sua postura de doador, antes de alcançar a vi-
tória, o que – inferência – aliás, revelou ao mundo simplesmente natural con-
sequência de sua competência em gestão, especialmente dos intervalos de
sua existência, insistência, predestinação ao sucesso. Surpreendendo o mun-
do em sua chegada à presidência dos EUA, convocando os melhores talentos
norte-americanos para composição de seu governo, inda que alguns fossem
atrozes críticos adversários políticos. Pensando sempre no melhor para o todo,
este todo EUA, sua grande paixão. Acima inclusive de quaisquer vaidades
pessoais ou político partidárias...

Minha admiração por Grant, revelação notória do intervalo parágrafo anterior,
convenceu-me de que seus rabiscos científicos – suficientemente saborosos
para igual meu intervalo – tratando São Francisco (seria o matc&er de Adam)
como o grande insight: é dando que se recebe. Mostram a receita a partir da
culinária analítica. Onde os temperos estão conosco, e as dúvidas são as ne-
cessárias geradoras do intervalo, a diferença é como cada qual trata o seu. Afi-
nal temos fantasmas (tomadores) e santos (doadores) em oração, digo coc-
ção.

Em tempo, creio no Brasil hexa, por nosso caipira Felipão, encarando a im-
prensa crítica, juízes, torcedores e os intervalos com naturalidade e personali-
dade. Treinador que convoca, prepara e dirige – seja qual for o jogador, o time,
credo, etc – posições em campo. Posições para vitória do todo Seleção. Assim
vamos com Fé! Brasil com a taça e que nossa Copa seja uma vitória sem pir-
raça. Ìntervalo para saborearmos melhor receita política, para todos...

$A&ANDO DE '(&T()A
Marluce Alves @erreira
&ortu#aels
=ue triste, uma cidade sem verde!


Uma cidade sem árvores é como um deserto
sem oásis, onde a aridez destrói qualquer
tentativa de vida. E, portanto, há muito cida-
des pelo mundo nuas de vegetação, seme-
lhantes a desertos que se desenvolveram
sem que se notasse. Uma razão provável é a
falta de planejamento, sem querer dizer a
omissão, dos que regulamentam a arboriza-
ção de uma cidade. Outra razão que salta aos
olhos é a falta de educação ambiental, assim
como a falta de consciência das pessoas, no
que concerne à importância das árvores para
a saúde e o bem estar da população.
Nesta segunda hipótese estão incluídos os
vândalos, ou seja, aqueles que destroem o
que merece ser preservado, e que, neste con-
texto, depredam plantas e canteiros espalha-
dos pela cidade. Assim como compreende a
especulação imobiliária, isto é, os construto-
res que em nome do progresso derrubam a
vegetação para construir casas. E, finalmen-
te, estão as invasões desenfreadas que proli-
feram sem o menor respeito ao meio ambien-
te.
Quem nasceu e se criou em ambiente telúri-
co, em geral, tem duas reações quando se
fala de árvore e mato. Uma reação é o apego
sem limites à natureza, quer seja flora ou fau-
na, posicionando-se radicalmente contra
qualquer iniciativa que venha a modificar a
natureza. Uma segunda é o horror a tudo o
que é verde. Como um amigo de minha famí-
lia que vindo do interior onde vivia cercado de
mato e de rio decidiu que sua casa recém
comprada na capital seria barricada de pedra
e cimento. Ele não queria ver nada verde em
seu terreno!
Numa posição intermediária, há os habitantes
da cidade grande que, no fundo, gostariam de
contar com jardins e parques públicos onde
passearem com suas crianças aos domingos.
É claro que para isso eles precisariam de
áreas verdes.
Aqui seria interessante citar o exemplo de ci-
dades famosas que possuem logradouros
verdes construídos para o bem estar da popu-
lação. Essas cidades, acumulando a experi-
ência de muitos anos, de uma maneira ou de
outra preservaram áreas nobres onde brota-
ram parques com árvores frondosas ostentan-
do beleza e frescor.
Não se precisa ir muito longe. São Paulo, a
capital financeira do país, como cidade gran-
de dominada pelo cimento armado, possui
alguns parques e jardins que aos sábados e
domingos regurgitam de amadores das ca-
minhadas e dos folguedos ao ar livre. Há
muitos, mas destacam-se o Parque Trianon
e o Parque Ìbirapuera.
Em plena Avenida Paulista, em frente ao
MASP, encontra-se o lindo parque Trianon,
lugar de repouso e de lazer, cuja fundação
remonta à abertura da própria Avenida Pau-
lista em 1892, guardando ainda resquícios
da Mata Atlântica, miraculosamente preser-
vados. O mais famoso dos parques paulista-
nos, o Parque Ìbirapuera, hoje sexagenário,
localizado no elegante bairro de Moema,
possui árvores que na primavera apresen-
tam um festival de cores. São os ipês rosa,
amarelo, branco, e minha árvore preferida, a
sibipiruna, de flores amarelas. Passear pelas
alamedas de árvores colossais no Parque
Ìbirapuera é verdadeiramente um privilégio.
No interior do Parque, há também constru-
ções representativas da cultura paulista co-
mo o Obelisco, a Oca, o MAM (Museu de
Arte Moderna de SP), o Pavilhão Ciccillo Ma-
tarazzo, onde se realiza a Bienal Ìnternacio-
nal de Arte de São Paulo.













Em países estrangeiros, cidades como Ams-
terdam, Bruxelas, Madri, Lisboa, Londres,
Paris, e outras possuem parques e jardins
memoráveis, difícil de acreditar, muitos loca-
lizados no coração da metrópole. Em Bruxe-
las, o Bois de La Cambre, que faz parte da
Floresta de Soignes é um bosque imponen-
te, onde famílias inteiras se reúnem para pi-
queniques e atividades esportivas. Em Paris,
o famoso Bois de Boulogne domina o imagi-
nário em termos de atividades ao ar livre.
Mas há outros parque e jardins igualmente
aprazíveis, como o Parque Monceau, perto
do Arco do Triunfo, em pleno coração de Pa-
ris. Esses e outros logradouros públicos en-
feitam a cidade de Paris, concedendo-lhe
uma face mais humana.
Em Lisboa, a dificuldade é escolher o jardim
ou parque onde fazer um passeio. Alguns
deles como o Jardim da Torre de Belém, o
Jardim Botânico da Ajuda, o Jardim da Luz
de Lisboa, a Tapada das Necessidades. Es-
te último, lugar onde desde a época dos mo-
narcas portuguesas se fazem piqueniques.
Assim, muitas cidades européias são famo-
sas também por possuírem áreas verdes
que lhes humanizam o semblante.
Os Estados Unidos da América possuem
muitos parques nacionais, áreas naturais
protegidas para usufruto da população. O
impressionante Grand Canion, onde, além
da oportunidade de admirar um panorama
espetacular, os visitantes podem praticar es-
portes, como a canoagem. Yosemite, Yel-
lowstone são parques de extrema beleza e
que oferecem muitas opções de lazer. E to-
dos abertos ao público.
Manaus, a cidade onde cresci e passei mi-
nha juventude, a capital do Estado do Ama-
zonas, precisaria ter uma política do verde
mais objetiva, mais definida. Diga-se que
progresso já foi feito, pois hoje conta com
alguns parques, quando, no passado só ha-
via praças. (Segue)
Há o Parque do Mindu que aproveita a corrente do Ìgarapé do Mindu, o qual atravessa Ma-
naus e deságua no Rio Negro, que também banha Manaus. Há o Bosque da Ciência, anexo
ao Ìnstituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o ÌNPA, órgão que muito tem feito pela pes-
quisa para preservar a natureza na Região Norte do Brasil. Recentemente, foi criado o Par-
que Jefferson Peres, em homenagem ao grande amazonense, o Senador Jefferson Peres,
prematuramente desaparecido. Mas, precisa-se de mais áreas protegidas, numa cidade para
onde os olhos do mundo estão voltados. Aqui é o berço da maior floresta tropical e do maior
rio do planeta. Aqui a fauna e a flora são abundantes. Ou o que resta delas. Precisa-se de
mais parques nacionais. Quantos há no Amazonas? Precisa-se de um zoológico tão impor-
tante quanto é importante o Amazonas para a natureza. O Zoológico do CÌGS foi uma iniciati-
va louvável do Exército. Mas necessitaria ser maior. Precisa-se de um Jardim Botânico! En-
fim, precisa-se de mais jardins públicos com árvores e flores. E mais parques e bosques.
Mais árvores nas ruas, espalhadas, mesmo que os veículos tenham de desviar caminho por
causa delas. Que deixem o logradouro natural do Tarumã em paz! Tão lindas que eram suas
quedas apenas poucos anos atrás! Como minha amiga, a escritora Gilma Limongi Batista
brada, que deixem em paz as Vitórias-Régias! Essa belíssima planta aquática da Região
Norte, de grandes folhas redondas, flutuantes, de bordos arredondados, das quais brotam
grandes flores brancas e rosadas!
(olid9o

&or AosG ?ilton Rosa

O som da noite passa por mim
Ouço a voz daquela noite
O frio me leva como companheiro
Espero o horizonte chegar

O tempo me ensina caminhar
A esperança me leva ao passado
A saudade chega e me fez triste
Meu querer é viver todo tempo

Esqueço da hora ao deitar
Sonho tudo que pensei ontem
O compromisso da mente me apavora
Sonho também que encontrei aurora

Com os pés descalços sinto o calor da terra
Caminho seguindo pegadas amigas
Levo comigo um cajado como arma
Chego na hora e onde não sei o que colhe nesta terra
A i#ualdade entre as pessoas3 atender a alteridade in"inita

&or AosG &ereira da (ilva

É preciso o treino de toda a vida para que os olhos que procuramos sejam as
do/a outro/a, não o reflexo das nossas nas suas pupilas. Só quando se é capaz
de encontrar e reconhecer verdadeiramente o outro na sua verdadeira diversi-
dade, é que o seu olhar nos restitui a parte melhor de nós. Não ter alguém que
nos olhe assim, que nos reconheça e nos revele a nós mesmos, é uma das for-
mas mais graves de miséria e privação da pessoa, muito frequente onde há
grande riqueza e poder : raramente se é aí olhado e amado de igual para igual.
Sempre que não queremos ou não conseguimos tardar olhares de igual para
igual, acabamos por contentar-nos com olhares mais baixos, pedimos muito
pouco a nós mesmos e aos outros.
A cultura do trabalho e as suas novas formas de organização ameaçam hoje fa-
zer-nos regressar à condição de isolados. Não só por causa das novas tecnolo-
gias ( às quais frequentemente fazem falta olhos para ver e corpos para tocar),
mas, antes ainda, por causa de uma visão antropológica que pretende aumen-
tar o bem-estar e diminui as feridas pura e simplesmente eliminados os encon-
tros humanos entre iguais. Acaba-se assim por recriar à volta do indivíduo tra-
balhador paraísos artificiais onde existe árvores, mas onde não há alegria de
viver.
O cristianismo das origens levantou, em nome da universal pertença a Jesus, a
bandeira da igualdade. A universalidade traduzia-se , então, numa igualdade
fundamental. Velhos e novos desafios se colocam hoje às nossas sociedades
no que diz respeito a igualdade.
Sobre a igualdade, como reivindicação e sentimento, todos estamos de acordo.
Mas sobre o que ela seja ou deva ser, talvez hesitemos. Seja como for, será no-
va e a reinventar. Reinventar a igualdade nas circunstâncias que nos tocam.
Na massificação não há lugar para a igualdade, que supõe relação, mas ape-
nas para o nivelamento, formal e irresponsável. Entre anônimos, pode não se
aceitar a disparidade, mas não cresce a reciprocidade. A indiferença, como a
indistinção não são o caldo de culturas da igualdade concebida e procurada na
relação.
Sobre a igualdade, por exemplo, há que recordar que só tratamos o outro como
igual, quando atendemos profundamente à sua alteridade infinita.
I'V$R'O $ (DO AODO

&or 8eandro Martins de Aesus


Chegou o inverno no Nordeste
Parece mentira, mas, aqui também faz frio
Nem sempre o céu é azul
Há dias em que a noite não é estrelada

A brisa sopra uivante
Trazendo o frio incomum
Quem puder se aconchegue
Na fogueira de São João

Ouvindo o estalo do fogo
Bebendo aquele quentão!
Comendo milho cozido
Fazendo aquele festão!
Viva São João!
Virou o #eral


&or 8uiI M. @. Maia

Na bela tarde de sábado, Bernardo acomodava-se à sombra, sentado na
soleira da porta e detinha seu olhar nas amarelinhas penduradas nos altos ga-
lhos, em meio à folhagem verde das mangueiras. Se a direção do vento mu-
dasse, se virasse o geral(*) naquela hora seria bom. Com algumas rajadas
despencariam as maduras, no ponto ideal para seu paladar absorver delícias.
Mas era cedo para isso.
O geral é momento feliz da garotada, das exclamações entre risos, da
alegria retratada no colorido dos papagaios, das cangulas(**) e rabiolas no
céu, com seus peitorais retesados a suster o tremor, a dança que os fazem vi-
vos e impetuosos pela força do vento. É a hora vespertina ansiada todo dia pe-
los meninos, para saciar-lhes a fome de diversão, para libertá-los da impaciên-
cia de ver e sentir seus brinquedos subirem às alturas de seus desejos, refleti-
das no brilho de felicidade em seus olhos. Brinquedos presos às linhas encera-
das com a mistura de cola fina e vidro moído em paciente movimento sob o
peso de paralelepípedos nas calçadas. Linhas preparadas para a disputa de
espaços no céu, a diversão em ares de batalhas aladas.
Papagaio, brinquedo que atravessa séculos, tão antigo quanto atual, ar-
mação de talas coberta com papel de seda em desenhos de comuns apelidos
– borboleta, camisa, vezinho, tê, bandola, japão.
Bernardo sabia, cedo ainda para assistir aos laços e ouvir os gritos de
comemoração dos vitoriosos em cortes sensacionais nas alturas, no aceite dos
desafios pela aproximação ou investidas ameaçadoras dos adversários. Vitória
emocionante à custa do poder de corte do cerol nas linhas e da habilidade dos
contendores ao direcionar seus papagaios em cabeçadas, reviradas, puxadas,
e controlar os sustentos e as descaídas à força do vento. Com o perdedor o
último e lastimoso olhar sobre o seu brinquedo "chinando¨, solto, desgoverna-
do, ao sabor do geral. Atrás do papagaio em queda livre a correria de meninos
aos gritos, alguns empunhando finas e compridas varas.
Enquanto vento existir repete-se o empinar de papagaios em belos dias
de céu claro, esse hábito ritualístico, paixão em gozo até o fim da festa ao pôr
do sol.
Naquele sábado ainda era cedo para o geral. Enquanto isso Bernardo
olhava em direção às mangas.



(*) vento de nordeste que sopra na ilha de Marajó e nos estuários do Pará e do Amazonas.
(Dicionário Michaelis)
(**) cangula (sing.) – pipa de pequeno tamanho, termo usado em Belém – PA (nota do au-
tor)
Obs.: Em 07/05/2014 Aprovada no Brasil pela Comissão de Constituição e Justiça e de Ci-
dadania projeto que proíbe a utilização de linhas cortantes com cerol ou semelhantes, ainda
que seja para empinar pipas.
$u queria

&or Maria el:oni

Eu queria
Algo para preencher o vazio
Uma dor, uma lembrança
Eu queria

Uma fagulha de esperança
Acabar com esta bonança
Um click, um estalo.
Eu queria

Algo que mudasse
O rumo deste marasmo
Eu queria

Queria a dor da perda
Queria a ilusão que fosse
Uma chama de vida.
=o;e .o& o %entoC

,or Maria Moreira

Wo&e vou sair co' o vento
Woras para l.% >oras para c.
Vou arrastar as 6ol>as% vou desElarJ
Voltas e 'eia sorrateiras vou revirarJ

Wo&e ;uero o ca6= na ca'a
Winos de louvor >ei de cantar
Voltar no te'po% ol>ar be' lon1e
Ver e ouvir o c:n/co do sabi.

Wo&e te' 6esta na viNin>an2a
Woras po=/cas% dan2a ao luar
Volver casos de eras idas
Velar por todos ;ue c. est.4
So$ $% &ato


Por Maria '#ilza( Ca%pos Lepre

Antes eu era um cac$orro. 5empre fiel servil protetor e amigo. @uando alguém
amea"ava qualquer ente querido eu latia até cansar e coitado daquele que resolvia me
desafiar partia em defesa com un$as e dentes.
Bo%e sou mais um gato do que um c#o.
Amo a li&erdade só fa"o o que aprecio ninguém me domina.
Agora sou macia carin$osa amo ser afagada mas adoro fazer carin$os. 2iso
macio ninguém nota quando me aproximo ou me afasto. Cusco sempre um cantin$o
aconc$egante para escrever ler ou apenas tirar um coc$ilo.

5ou o resultado do que o mundo moldou( o resultado dos anos de alegrias sofrimen:
tos desilus*es e lutas.
5ou a recompensa do esfor"o despendido para superar a adversidade.
5ou apenas uma mul$er vivida e cansada que quer curtir a vida que l$e resta.
@uero poder apreciar as maravil$as que 0eus deixou.
Admirar um aman$ecer se apaixonar por um por do sol.
3ncantar-me com o vôo dos pássaros e ver as nuvens navegando pela imensid#o
do céu.
;osto de ver as árvores se renovarem todos os anos os pomares se enc$erem de
frutos as crian"as nascerem outras crescerem.
@uero apenas apreciar a vida n#o quero polemicas discuss*es nem nada que
me tire o sossego.
@uero ser apenas um gato %á cansei de ser cac$orro.

&OR VO/<...
&or Maria (ocorro (ousa
Por você brota meus lábios um suspiro
Sutilmente meu olhar desvaira e açoita
Sem lucidez busca minha alma o fremir
Quando dedilha seus dedos em minha pele

Por você meus gritos se elevam aos céus
Quero viver toda a essência desse amor
Se no frio do inverno eu te amo sem censura
Hoje me aquece sem pudor o seu calor

Por você meu coração que explode
Como brasa que desliza em minha veia
A cada toque me consome totalmente
São os seus beijos que mim enlouquecem

Por você. Somente por você
Que tudo confunde que tudo enlaça
No êxtase absoluto por te amar assim
Nuas Memórias. Amor, amor sem fim!
O8?O( V$R$(

&or Marina Gentile

Você nasceu com olhos azuis,
Parecia que era céu, parecia mar,
Em meu colo, tão dependente,
Eu cantava para você ninar,
Como a calma de um velejar.


Seus olhos não são mais azuis,
Agora são da cor das folhas,
Das matas que filtram nosso ar,
Parecem bolinhas- de- gude,
Olhos faróis do nosso lar.


Minha criança, nossa flor,
A cada dia uma surpresa,
Palavras novas, aprendizados,
Exigindo de nós, a família,
Carinho, atenção, cuidados.


Minha criança, meu amor,
Depois que você nasceu,
A vida tem outro sentido,
A vida tem mais valor
DI'AS DE PO)T(*(+S
%om
)en"," '"rone Sbor-i"
[$ssa G a miss9o da poesia3
Recuperar os peda4os perdidos de nRs.[
Ru:em Alves

O churrasco será na TchHcaraU de
Pedro!!!
Feliz escolha!!! E mais feliz com a
forma correta da escrita!!!
REGRA: Não muda a regra das pa-
lavras proparoxítonas.
Todas as proparoxítonas da Língua
Portuguesa continuam com
acento.

Eles farão uma TtramRiaUFFF

Caso usem a Nova grafia correta:
sim!!!
O correto é : tramoia.
Re#ra "Hcil3 Segundo a Nova Grafia,
o acento *udo8

perde' o acento as "8RBXc?BN8 co' os
diton1os abertos EI e OI!

Maria foi visitar o lindo TrecGm nas6
cidoU!!!
Parabéns, Maria!!! Porém, precisa
"visitar¨ as regras da Nova Gra-
fia!!!
O correto é: recGm-nascido Jcom
hZ"enK
Re#ra "Hcil3 O hífen é mantido
com o pre"iLo TrecGmU.


&ARA VO/< &$'(AR3

“Z 'ais 6.cil a'ar o retrato4 Eu &. disse ;ue o ;ue se
a'a = a dcena[4 dCena[ = u' ;uadro belo e co'oven$
te ;ue eViste na al'a antes de ;ual;uer eVperi<ncia
a'orosa4 8 busca a'orosa = a busca da pessoa ;ue%
se ac>ada% ir. co'pletar a cena4 8ntes de te con>e$
cer eu &. te a'ava4444 E ent!o% inesperada'ente% nos
encontra'os co' rosto ;ue &. con>ec@a'os antes
de o con>ecer4 E so'os ent!o possu@dos pela certe$
Na absoluta de >aver encontrado o ;ue procur.va$
'os4 8 cena est. co'pleta4 Esta'os apaiVonados4X

Rube' 8lves %in Retratos de 8'or



“Não há adeus
no idioma das aves.”
Mia Couto
IA O( 'AMORAO( $M &ARI(

&or Mario R$Iende

Eu estava sentado num café em Paris, lendo
um romance de Zolá, quando ela passou.
Encarou-me por alguns instantes e seguiu o
seu destino, senhora de que eu a observa-
va. Fiquei encantado e não pude de deixar
de acompanhá-la com os olhos. Ela parou
na esquina, antes de atravessar a rua. Pro-
vavelmente ia para o metrô. Voltei à leitura
depois que minhas vistas deixaram de al-
cançá-la.
No dia seguinte, na esperança de revê-la,
sentei-me no mesmo lugar. Era um café lite-
rário muito famoso, que já teve Satre, Picas-
so, François Truffaut e Simone de Beauvoir
como frequentadores, Café Les Deux Ma-
gots. Estava cheio de casais, era dia dos na-
morados (St. Valentine), que na França se
comemora no dia quatorze de fevereiro.
O sol também surgiu, depois de alguns dias
cinzentos e chuvosos, no céu límpido e azul.
Um presente da natureza para os enamora-
dos. Pedi café e fiquei aguardando.
Linda, com seu ar juvenil, ela veio cami-
nhando dos lados da Place Saint Sulpice,
onde existem as melhores livrarias da cida-
de, bom sinal. Estava de jeans e jaqueta
com acabamento em veludo adornando o
colarinho, realçando o rosto branquinho,
contrastando com os cabelos escuros e os
olhos azuis como o céu de Paris. Fixei, en-
cantado, meu olhar no seu rosto. Ela perce-
beu, sorriu para mim e seguiu o seu cami-
nho. Tive a impressão que diminuiu o passo
até chegar à esquina. Parou e olhou na mi-
nha direção. Então, eu caminhei ao seu en-
contro. Ela não atravessou a rua, embora o
sinal tivesse aberto, evidentemente para eu
me aproximar.
- Bonjour! Quel est votre nom ?
- Camille. Et le vôtre?
- Victor, Victor Hugo.
- Parlons en portugais? – Ela disse sorrindo.
- Você é brasileira?!
- De São Paulo. Você é do Rio, nem preciso
perguntar.
- Por quê?
- Brasileiro e me olhando daquele jeito
quando passei pelo café, só poderia ser cari-
oca.
- Quase não dormi à noite, sabia? Não con-
seguia tirar você da cabeça... Eu jamais iria
imaginar que fosse paulista.
- Como assim?
- Você passou por aqui ontem. Hoje eu vol-
tei para lhe ver.
- Decepcionado porque não sou francesa?
- Claro que não! Você está passeando aqui
em Paris?
- Não. Estudo moda no Marangoni. Minha
mãe é dona de uma confecção e eu quero
ser estilista.
- Eu estou de férias e ganhei a viagem num
concurso.
- Você veio sozinho?
- Vim. E você, tem alguém aqui?
- Tá querendo saber se tenho namorado?
- Não. Perguntei se você está sozinha aqui
em Paris.
- Moro com duas amigas que também estão
fazendo o curso.
- Você tem namorado?
- Tinha, até semana passada. Eu o vi com
outra, uma gordinha. Vivia dizendo que eu
sou muito magra, o idiota. É um professor lá
do instituto, Foi até bom, já estava de saco
cheio dele.
- Eu também não tenho. Quer ficar comigo?
(Segue)

- Hoje é dia dos namorados...
- Eu sei. Você quer ser minha namorada, ho-
je? Amanhã eu vou embora...
- Só se você me prometer que este vai ser o
dia mais feliz da minha vida.
- Eu prometo que vou fazer o possível.
Então, saímos de mãos dadas passeando pe-
los recantos românticos de Paris. Antes, eu
quis fazer uma açucarada declaração de
amor, oferecendo-lhe um bolo especial para o
dia dos namorados, chamado millecoeurs
framboise que estava sendo anunciado numa
plaquinha em frente a uma patisserie chama-
da Fauchon Paris, mas ela não aceitou. Disse
que não gostava de doces; em compensação,
deu-me o primeiro beijo com a boca carnuda
e doce, muito doce, deixando-me mais apai-
xonado. Estranho que ela passou o dia todo
comigo e não comeu ou bebeu nada. Assim,
não era de espantar o seu corpinho.
Depois saímos passeando de mãos dadas
pela beira refrescante do Sena. Atravessa-
mos a Ponte dês Arts, uma das mais bonitas
e charmosas de Paris. Nas grades dessa
ponte, os casais, jurando amor eterno, pren-
dem cadeados onde registram os seus no-
mes e jogam a chave no rio. Claro que afixa-
mos um também, com os nossos nomes.
Compramos um cadeado vermelho em forma
de coração. Depois de jogar a chave no rio,
beijamo-nos novamente, no meio da ponte,
como se fossemos um casal há muito tempo.
Fomos ver o mur des je t'aime em Montmar-
tre. É um monumento dedicado ao amor, eri-
gido em um jardim romântico onde está escri-
ta a expressão eu te amo em várias línguas
do mundo inteiro e passeamos pelas ruas
aconchegantes do charmoso bairro boêmio.
Assistimos ao deslumbrante por do sol do alto
da Torre Eiffel. Camille me disse que para ela
foi o mais bonito de toda sua vida, apesar de
que naquele dia tudo tinha uma beleza dife-
rente para mim também.
Ela ficou comigo no hotel. A minha última noi-
te em Paris foi compartilhada com Camille,
namorada por um dia. Uma mulher de beleza
indescritível, cujo corpo magro e esguio, har-
monioso e delicado eu despi com prazer in-
tenso, encantado com a pele alva e sedosa
em contraste com os pelos escuros em triân-
gulo perfeito da eminência pubiana. Deliciosa
criatura que me proporcionou uma das noites
de amor mais agradáveis que já vivi.
No dia seguinte, antes de partir, fui procurá-la
no instituto em que estudava, a fim de me
despedir e tirarmos uma fotografia juntos.
Queria outra lembrança dela, além daquelas
marcadas na minha memória.
A pessoa que me atendeu na secretaria,
quando disse que estava querendo falar com
Camille, perguntou:
- Camille Martins?
- Não sei. Ela é brasileira, estuda aqui...
- Um moment.
A mulher saiu da sala, demorou alguns minu-
tos e voltou acompanhada de outra, que veio
falar comigo.
- Ela foi me chamar porque eu falo portu-
guês. O senhor está procurando por Camille
Martins?
- Acho que sim, eu não sei o sobrenome. Ela
estuda e moda nesta escola.
- Só tínhamos uma menina brasileira chama-
da Camille estudando aqui, mas ela morreu
há uma semana. Foi atropelada quando atra-
vessou a rua depois de brigar com o namora-
do.
O local onde aconteceu o acidente, segundo
a mulher me informou, foi justamente a esqui-
na onde nos conhecemos.


/ALLODEE$
,or Mar(E Rondan

Fia ]* de BU?UBRB co'e'ora$se o Walloeeen4
Nesta data an/1a'ente reverenciava$se os 'ortos4 -uase toda a Euro$
pa ainda co'e'ora o Walloeeen4 Wo&e% n!o se reverencia os 'ortos% 'as = u'
ritual reverenciando a vida% a dan2a% a ale1ria de viver444 talveN a ori1e' in1lesa
dessa palavra se&a5 >alloe% ;uer diNer sa1rado% santo% co'o era co'e'orado G
noite% 'ais even ,cair da noite e' in1l<s0% lo1o era u'a noite consa1rada aos
'ortos4 Wo&e% = u'a noite santa% consa1rada aos vivos% aos ale1res4

In1laterra% Irlanda% Estados Unidos e Canad.% 'ais os pa@ses de l@n1ua in$
1lesa% nunca deiVara' de co'e'orar o Walloeeen4 8tual'ente outros pa@ses
ta'b=' co'e'ora' esta data co' ale1ria4 Wo&e% no Brasil% ta'b=' co'e$
'ora$se a data co' 6estas a 6antasia% at= as Escolas 6aNe' suas 6estas% as crian$
2as adora' par/cipar 6antasiados4 Bs condo'@nios usa' seus salLes de 6esta
para os 'oradores co'e'orare' o Walloeeen4

U'a a'i1a% S.rcia Varella% ,6alecida e' ()*(% ainda &ove'0 Firetora da
En/dade de 8poio ao FeEciente Sental% 6aNia a inclus!o de seus alunos especi$
ais% atrav=s do a'or e da ale1ria4 Ela 'ontava% diri1ia pe2as teatrais co' a par$
/cipa2!o de todos os alunos% da Vice$Firetora Sarta Lins% >o&e a atual Firetora%
e al1u'as pro6essoras% pessoas incr@veis ;ue aproveita' toda oportunidade para
inclu@re' seus alunos especiais nessa nossa sociedade preconceituosa4 E co'o
n!o podia deiVar de ser# o Walloeeen = u'a ocasi!o 'aravil>osa para todos par$
/cipare'% eles sente'$se aceitos% inclu@dos% 6antasiados interpretando5 va'pi$
ros% bruVos% 6antas'as% 6adas% duendes% co'o todos os outros ale1res 6oliLes ;ue
par/cipa' da co'e'ora2!o da vida4
Viva o Walloeeen% a vida% viva a ale1riaJ
Tri)$to a Min*a Av+

Por #ilda Dias Tavares

3legante e orgul$osa nos seus sessenta anos com
a sua inseparável &engala preta com cast#o pratea:
do min$a avó Ana parecia uma figura saída de
algum castelo francAs das $istórias que eu lia
quando menina.
5eus ca&elos totalmente &rancos estavam sempre
impecavelmente arrumados e presos por uma tra:
vessa de prata presente do vovô 2aulo. 5eus ol$os
verdes grandes como duas esmeraldas teimavam
sempre em revelar as emo"*es que vovó queria
esconder.
5uas roupas só&rias e elegantes inspiravam respei:
to e admira"#o a todos que a con$eciam.
3ra uma mul$er forte que sofrera perdas terríveis
mas mantendo-se firme como uma roc$a manti:
n$a a família unida.
<uito cedo aprendi com meus pais a admirar e
amar vovó Ana. <eu pai era um professor alegre e
carismático. /riado em um orfanato sem con$ecer
seus pais apaixonou-se imediatamente pelo cari:
n$o de vovó Ana. 3le costumava &rincar com mi:
n$a m#e dizendo:
-5ó me casei com vocA pra ficar com +m#e Ana.
3m FGHG com catorze anos perdi meus pais em
um acidente de automóvel e vim para esta casa
morar com vovó Ana. 3la era m#e da min$a m#e e
sofreu tanto quanto eu a morte dos meus pais a
quem ela amava profundamente e perdeu t#o pre:
maturamente.
3u nunca tin$a visto vovó c$orar mas seus ol$os
eram a testemun$a muda da dor que ela escondia.
A princípio unidas pela dor nos amparamos uma
na outra mas com o passar dos dias os conflitos
de gera"*es afloraram inevitável e fortemente.
8ovó Ana tin$a idéias pré-conce&idas so&re quase
tudo incluindo &ailes mini-saias +EocI and Eoll,
e namorados. /omo era de se esperar re&elei-me.
@uando vovó me comprava roupas comportadas
eu usava mini-saias ou %eans.
@uando me proi&ia de usar maquiagem eu levava
tudo na &olsa e usava no &an$eiro da escola.
1azia pirra"as todo o tempo queria mostrar que
era adulta e ninguém devia me controlar. @ueria
li&erdade.
Den$o certeza que naquela época eu transformei a
vida de vovó Ana num verdadeiro furac#o. <as
as coisas foram se a%eitando com o passar do tem:
po e com a paciAncia e o carin$o da min$a avó eu
aprendi a ceder de vez em quando para manter a
nossa paz. 3la cedeu muitas vezes tam&ém.
8ovó Ana era uma pessoa séria mas atenciosa e
&ondosa e eu só a via rir com vontade %unto aos
netos. -#o era uma pessoa fria pois cercava de
amor toda a família. A%udava in)meras o&ras as:
sistenciais mas n#o permitia que comentássemos
com ninguém.
Aos dezesseis anos no -atal de FGJF eu queria
dar a min$a avó um presente todo especial algo
que falasse do meu amor do quanto ela me $avia
a%udado a superar a perda dos meus pais e tam&ém
pedir perd#o por todas as vezes que eu fiz uma
verdadeira revolu"#o em sua vida.
3ncontrei num antiquário o caderno mais lindo
que eu %á tin$a visto. -a capa $avia um camafeu
de madrepérola e em volta violetas pequeninas
adornavam toda a capa.
3screvi no caderno todas as palavras que eu n#o
disse todas as desculpas que eu n#o pedi e todo o
amor e gratid#o que eu sentia. /olei fotos antigas
comigo vovó e meus pais coloquei uma rosa en:
tre as páginas e assinei meu nome: <ariana. 0e:
pois &otei tudo em uma linda caixa desen$ada
com rosas amarelas e amarrei com um grande la"o
de fita &ranca. 1icou lindo.
O dia KL de dezem&ro come"ou com a c$egada
dos meus tios e primos e a alegria contagiando a
todos.
O espírito do -atal pairava no ar. 3nquanto vovó
e as tias cuidavam da prepara"#o da ceia meus
tios arrumavam o quintal e o %ardim com mil lâm:
padas que piscavam alegremente.
3u min$as quatro primas e dois primos enfeitáva:
mos com &olas coloridas a árvore de -atal arru:
mávamos os presentes e a decora"#o da casa.
2arecíamos formigas agitadas cuidando de um for:
migueiro.
A noite c$egou e todos elegantemente vestidos
nos sentamos = mesa.
/omo sempre fazíamos demo-nos nossas m#os e
fizemos uma ora"#o de agradecimento a 0eus por
estarmos %untos e por todas as &An"#os rece&idas.


!5egue'
1ec$ei os ol$os e pedi a 0eus que meus pais esti:
vessem em um lugar &em &onito de preferAncia
que tivesse um &alan"o em um %ardim como o que
tín$amos em nossa casa.
A ceia transcorreu animada e alegre e quando ter:
minamos fizemos a tradicional troca de presentes.
Eece&i muitos presentes e tam&ém dei presentes
para todos mas deixei de propósito o da min$a
avó por )ltimo. /omo que adivin$ando vovó tam:
&ém deixou o meu presente por )ltimo.
A&ra"ou-me fortemente depois a&riu a delicada
caixa que eu l$e $avia dado. 8ovó Ana ol$ou o
caderno com um &ril$o intenso nos ol$os verdes
pediu licen"a e retirou-se para o quarto. 3u sa&ia
que ela queria ter as suas emo"*es sem que nin:
guém visse. 5ó ent#o a&ri o presente de vovó Ana
e com grande surpresa vi que era um caderno an:
tigo com a foto de uma %ovem muito parecida
com a min$a m#e mas n#o podia ser min$a m#e
pois seus ol$os eram verdes e os da min$a m#e
eram castan$os como os meus.
3stava trancado. Din$a uma fec$adura dourada e
no cantin$o $avia uma corrente com uma c$ave
tam&ém douradas. 3ra um diário. O diário de vovó
Ana.
A %ovem linda na capa era a vovó &em mocin$a.
A emo"#o tomou conta de todos naquela sala.
<eus tios enxugaram as lágrimas disfar"adamente
ao perce&er a falta que min$a m#e fazia naquele
momento. A alegria e espontaneidade da min$a
m#e sempre &rincando sempre de &om-$umor
nos fazia imensa falta. Dodos compreendemos
que aquele diário seria dela se estivesse viva.
A saudade nos envolveu a todos naquele instante.
1iquei assustada e confusa: eu n#o merecia aquele
diário. -#o $avia feito nada para merecA-lo.
/orri para o meu quarto carregando aquele tesouro
que vovó Ana $avia guardado por tanto tempo e
comecei a fol$ear aquelas páginas amareladas pelo
passar dos anos.
<eu cora"#o &atia descompassado e a emo"#o fa:
zia min$as m#os tremerem.
O diário come"ava pelo dia L de fevereiro de
FGFH. 8ovó comemorava FH anos.
Ali naquelas páginas estavam registradas todas as
d)vidas mágoas vaidades e re&eldias de uma ado:
lescente que como toda adolescente pensava ser o
centro do universo.
Ali estava tam&ém a %ovem grávida que se entre:
gara ao amor sem reservas e viu seu amado partir
e partir tam&ém seu cora"#o. Ali estava o casa:
mento com um %ovem oficial do exército que as:
sumiu a paternidade da min$a m#e e por amor a
min$a avó nunca deixou que ninguém sou&esse a
verdade. 8ovô 2aulo foi o $omem mais amoroso
que eu con$eci e naquele momento eu desco&ri
que ele era tam&ém o maior cora"#o do mundo.
Ali estava toda a carga emocional que a %ovem
Ana sofrera. 8ovó Ana guardou aquele segredo
por toda vida.
Ali estavam tam&ém registrados todos os momen:
tos felizes: o nascimento de cada um dos fil$os e
netos. Dodos os -atais aniversários e todas as
reuni*es t#o felizes em família que vovó tanto
apreciava.
3stava tam&ém toda a dor. A trai"#o do $omem
que amara a morte dos seus pais a morte da mi:
n$a m#e que morreu sem con$ecer a verdade so:
&re o seu nascimento. A morte do vovô 2aulo. 8o:
vó Ana e vovô 2aulo tiveram mais trAs fil$os e
todos tiveram o mesmo amor.
3les eram para mim o modelo de casal sempre
carin$osos e atenciosos um com o outro e com a
família toda. 8iveram felizes por LM anos quando
um câncer levou vovô 2aulo.
Ali estava toda a dor e o desespero da perda do
compan$eiro a quem ela amara por LM anos. Ali
estavam as lágrimas que vovó nunca deixou que
ninguém visse.
<as ali estava tam&ém toda a alegria e esperan"a
que ela depositava na min$a vinda para esta casa.
A neta que ela amava e que compensaria a falta da
fil$a que o destino l$e tirou.
6endo aquele diário compreendi que eu n#o preci:
sava dizer o quanto eu a amava e nem pedir per:
d#o: 3la sa&ia. 3la compreendia. 3la $avia sido
uma %ovem como eu. 5eus cuidados =s vezes exa:
gerados eram para me proteger. -#o queria que eu
sofresse.
2assei a noite acordada lendo aquele diário. 3u
estava fascinada pela verdadeira $istória da min$a
avó.
/omo vovó poderia adivin$ar que a fil$a que tanto
amava partiria antes de rece&er o seu diário? /ada
lin$a foi escrita para ela. 3ra para min$a m#e que
vovó $avia guardado todos aqueles sentimentos.
3 que orgul$o eu sentia por tA-las rece&ido.
!5egue'
Dodas as lágrimas ali guardadas. 3ram para min$a
m#e todas as emo"*es contidas naquelas páginas.
3 que orgul$o eu sentia por tA-las rece&ido.
3u sempre amei a min$a avó mas naquele mo:
mento eu a compreendia muito mais. 3ra como se
de repente min$a avó tivesse deixado de ser santa
e se transformado em ser $umano.
3m uma simples mul$er: pecado e virtude.
@uando o dia aman$eceu arrumei-me e fui para a
sala. Aos poucos a família foi se preparando para o
café e eu estava impaciente queria a&ra"ar min$a
avó dizer-l$e tantas coisas.

1ui até seu quarto e vovó estava sentada em frente
ao espel$o seus ca&elos completamente &rancos
delicadamente penteados contrastando com os
seus enormes ol$os verdes. 3stava linda como
sempre. -#o precisamos dizer nada. 5ó nos a&ra:
"amos com for"a contendo as lágrimas que queri:
am cair... Dudo foi dito naquele a&ra"o.
O -atal passou outros -atais vieram e se foram.
3 os anos se sucederam.
8ovó Ana e eu vivemos %untas dividindo todos os
momentos.
@uando eu me formei vovó Ana estava lá.
@uando me casei vovó Ana estava no altar mara:
vil$osa em seu vestido longo.
A cada trope"o do meu camin$o era para vovó
Ana que eu corria. 3ram os seus consel$os que me
guiavam.
8ovó Ana nos deixou em FGNK aos NK anos. <or:
reu dormindo calma e serena como sempre viveu.
-unca falamos so&re os nossos presentes no -atal
de FGJF... -#o foi preciso.
Os -atais nunca mais foram os mesmos e a famí:
lia aos poucos foi se distanciando.
Eestaram as lem&ran"as que moram nesta casa até
$o%e.
;uardei o segredo de vovó Ana enquanto meus
tios viveram... -#o queria que %ulgassem min$a
avó por n#o ter l$es contado o seu segredo.
3ste ano farei JM anos e perce&i que o meu tempo
está se esgotando. 2or isso resolvi escrever a $is:
tória de vovó Ana como um tri&uto a uma mul$er
que foi para mim um exemplo de coragem amor
fé &ondade e integridade.
3m algumas ocasi*es eu me ol$o ao espel$o e ve:
%o refletida a imagem da vovó Ana de ol$os casta:
n$os... Aí me lem&ro que sou eu dentro do espe:
l$o.
3m datas especiais eu sinto a presen"a dela %unto
a mim sinto seu perfume de alfazema e sei que ela
está comigo.
Até &reve vovó Ana eu %á estou indo.
Indriso ao peiLe-:oi e ao homem

&or Oliveira /aruso

Vi um peixe-boi.
Ele nem é um peixe!
Muito menos um boi!

Vi o mesmo mamando
de mamadeira gigante
direto das mãos do homem.

Do homem, algoz seu.

Caprichos da natureza?
,UATRO D-CADAS EM BUSCA DE REALI.A/0O DE SO#"OS


Por Rai De Lavor


3u penei sofri c$orei mais aqui c$eguei.
4 incrível. -em mesmo eu entendo como posso está morando no Eio de %aneiro $á LF anos e conti:
nuo com meu cora"#o plantado no sert#o pernam&ucano.

<eu 0eus. 1oi exatamente. 0ia KGOMLOFGNP que c$eguei $á cidade maravil$osa. 1eliz por está dando
o meu primeiro passo de li&erdade e ao mesmo tempo triste e morrendo de saudades de todos os meus
familiares e amigos que lá deixei.

6em&ro como se fosse $o%e min$a primeira viagem uma aventura cansativa.
3u que até ent#o usava como meio de transporte o %umentin$o ou o cavalo e lá uma vez ou outra
tirava onda nos c$amados pau de araras aqueles camin$*es vel$os que pareciam mais o lata vel$a
como diz o 6uciano BucI apresentador na Eede ;lo&o.

2orém em a&ril de FGNP. 5urgiu-me essa oportunidade tomei coragem e parti sem len"o e sem
documento cruzei os 3stados da Ca$ia e de <inas ;erais LK $oras de estrada a fora... 3nfim.
3u sofri penei mais aqui c$eguei. Drazendo na mala muitas saudades algumas roupin$as $umildes
min$a certid#o de nascimento e um monte de ideias e dese%os na mente.
>deias essas que durante anos foram crescendo gradativamente em segredo a&soluto. 5ó eu e 0eus
sa&íamos do que se passava em min$a mente e os dese%os do meu cora"#o.
O lugar o dia e a $ora das min$as ideias serem postas em prática %á estava consumado. <as foi
exatamente. 3m novem&ro do ano passado que o mistério foi revelado e as ideias come"arem ga:
n$ar estrada.
3strada rumo ao sert#o nordestino por intermédio do dese%o de um menino as ideias saíram do
papel e tornaram-se realidade.
3 continua min$a %ornada.
Aguardem em &reve os próximos capítulos de mais uma linda $istória de amor e solidariedade.
[Meus pGs v9o pisando a terra que G a ima#em da minha vida3 T9o vaIia, mas t9o :ela, t9o certa, mas
t9o perdida![
/ecZlia Meireles
8U&A /U8TURA8
&or Ro#Grio Ara7Bo
JRo"aK
$spalhando sementes3
plantando uma Hrvore,
escrevendo um livro e tendo
um "ilho...

Fiquei esses dias imaginando sobre a
antiga e máxima de que para sermos real-
mente realizados na vida devemos fazer três
coisas: plantar uma árvore, escrever um livro
e ter um filho.
Será isso verdade mesmo? Caso as
três ou uma dessas não forem conseguidos
na vida não haverá a real felicidade na vida?
Refleti muito a respeito e cheguei a certas
conclusões para que, junto comigo todos
também reflitam.
Essas três "realizações¨ são muito im-
portantes para uma vida feliz e completa. E
representa bem mais do que simplesmente
do que seu significado aparente.
&lantar uma Hrvore. Quem na vida,
ainda mesmo como criança, não colocou
umas sementinhas na terra e molhou e espe-
rou que ela brotasse para vê-la germinar e se
transformar numa frondosa árvore? E não fal-
ta o orgulho em dizer para quem quiser outir:
"Fui eu quem plantou!¨. E, além do sentido
real, há outros mais abrangentes como o de
produzir algo para a vida, seja o que for e que
será apreciado e usufruído pelas outras pes-
soas. E, assim, plantamos "árvores e mais
árvores¨ em nossa caminhada! Que maravi-
lha saber que espalhamos sementes e que
elas cresceram!
$screver um livro. Somente quem é
escritor sabe a importância em ver um "filho¨
desses em "papel e tinta¨ impresso, bonito,
pronto para ser lido. Uma "gestação¨ que po-
de durar bem mais de nove meses e que é
uma luta constante e que será degustado por
quem se interessar. Aí, quem não tem esse
"dom da escrita¨ vai perguntar: "Então, eu
que não sei escrever e não tenho ideias nun-
ca terei essa realização na vida?¨. E, se fi-
zermos certa análise, podemos dizer que "um
livro¨ pode ser, na verdade, a própria vida. O
que as pessoas estão lendo em nossas atitu-
des e os exemplos que deixamos para os ou-
tros.
Tanto é que a Bíblia, livro sagrado, bem anti-
go e mais livro no mundo fala sobre isso em 2
Coríntios 3.2: "Vós sois a nossa carta, escrita
em nossos corações, conhecida e lida por
todos os homens.¨. (Segue)
Então, somos, "um livro a ser lido por todos¨
durante nossa existência neste mundo!
Ter um "ilho. Esse representa a conti-
nuidade de sua trajetória, através de uma he-
rança viva, em forma de gente, muito falado.
Uma dádiva concedida e que pode ser algo
para lá de realizador. Um filho, ao contrário
do muitos pensam, não é uma "ser uma cópia
idêntica¨, mas alguém até com traços seme-
lhantes, porém, outra vida com mente distinta
e pensamentos para lá de diferentes pelas
novas experiências vivenciadas. Desta forma,
"ter um filho¨ e mais que fecundar dentro de
si um ser, mas também criar. Por essas e ou-
tras que sabiamente dizem que "Pai ou mãe
é quem cria¨. E quantos "filhos do coração¨
as pessoas têm pela vida afora? Ter toda es-
sa consideração de gente próxima é mais
que ter simplesmente um filho, pois será pelo
coração e não apenas pela fecundação. É um
"germinar¨ diferente a até mais sublime!
Assim, certamente que o leitor dessa
coluna percebeu que as três realizações:
plantar uma árvore, escrever um livro e ter
um filho – passaram pelo olhar da "Lupa Cul-
tural¨ de um modo bem abrangente.
Voltaire disse que "A leitura engradece
a alma¨ e estava para lá de certo. É resultado
dos efeitos do que se produz na vida para ou-
tras pessoas que não ela própria. É o "plantar
uma árvore¨ e vê-la brotar, crescer e ficar
enorme e majestosa.
Goethe afirmou: "Ler é a arte de desa-
tar nós cegos¨. Que declaração! Quantos nós
existem na vida que ninguém sabe como de-
satar? São formados de forma misteriosa e
que prende tudo e quem pode um livro ler,
seja impresso ou e-book vai viajar e visitar
novos horizontes de ideias para abrir a mente
e tudo ver diferente.
Um provérbio chinês nos ensina que "A
persistência realiza o impossível¨. E não é
verdade? Persistir com as pessoas e exem-
plos é tudo na vida. E "ter filhos¨ é isso: per-
sistir e não deixar se abater com a aparente
rebeldia e falta de conselhos seguidos. É sa-
ber que tudo que foi transmitido está em sua
mente e uma hora ou outra irá emergir nas
situações vividas.
Em resumo, que possamos "espalhar
sementes¨, que nada mais é plantar árvore,
escrever um livro e ter um filho. E ver germi-
nar, crescer e dar frutos!

Um forte abraço do Rofa!


* Escritor% &ornalista% autor do livro “CrUnicas% poesias
e contos ;ue u te conto444” ,Literarte0% lan2ado na (]f
Bienal Internacional do Livro de !o "aulo% e' ()*+ e
de “Mídia, bênção ou maldição?” ,-u.r/ca "re'iu'%
()**0% colunista do “3ornal e' Fronteiras”# par/cipa$
2Les e' diversas antolo1ias no Brasil e eVterior# ven$
cedor de pr<'ios liter.rios e culturais# 'e'bro de
v.rias acade'ias liter.rias brasileiras e 'undiais#
'en2!o >onrosa no +rêmio ,aral do (rasil de Literatu-
ra% e' ()*]% co' a crUnica “B a'or444 = ce1o% surdo e
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B ;ue ac>ou da coluna “Lupa Cultural” e deste teVtoQ
Contato5 ro6a4escritor71'ail4co'
Olho no olho

&or Ro:erta Brummer MunhoI

Meu maior segredo?
É que eu tinha medo
De não saber te amar

No seu olhar de susto
E aquele caminhar
Que o vento já beijou
Na luz do meu olhar

Precipitou a paixão
Em ondas de desejo
Um beijo velejou certeiro
E o susto se desfez em mar
A primavera da vida
&or Ro#Grio Ara7Bo JRo"aK

Existem quatro estações no ano, embora, hoje em dia com as confusões no clima,
elas estejam mais parecidas ou mesmo entrando uma nas outras e confundindo tudo.
Se o inverno é frio e todos reclamam; o verão, ao contrário, calor demais; o outono, já
no meio termo; e então sobrou a primavera, uma estação que representa o "nascimento¨.
Um período de regar o "jardim de nossa vida¨ e plantar sementes para o nosso pro-
cesso de renascimento. E essa renova49o é mais que necessária para um viver melhor
neste mundo.
E será fácil conseguir? Certamente que não! Mas Deus pode nos ajudar e impulsio-
nar a chegar a essa mudança para muito melhor. Basta pedir a sua ajuda que nos dará
muito.
Salmo 103:15, 16 diz: “* vida do &omem 9 semel&ante ao ramado: ele floresce co-
mo a flor do campo, 'ue se vai 'uando sopra o vento---#. Desta forma, é bom não se deixar
levar pelo que os outros querem e, sim, se manter firme e forte em seus ideais, com ajuda
do Senhor.
Que maravilha poder observar flores lindas nascerem no jardim de nossa vida que
podem enfeitar e serem admiradas por todos à nossa volta!
Como disse uma frase que li esses dias, sem autor identificado: “Se 'uiser ter pros-
peridade por um ano, cultive rãos- Por de", cultive ;rvores- 0as para ter sucesso por <==
anos cultive ente-#
Viva em plenitude a "primavera da vida¨ e aproveite muito mais os seus dias!

MU8?$R

&or Roselena @a#undes


Mulher: palavra com seis letras
que traduzem muitos adjetivos!
Que definem as pilastras
dos gêneros afetivos!

Maravilhosa no seu feminismo,
Única na sua sensibilidade,
Linda no seu dinamismo!

Humanamente divina,
Eterna na sua essência,
Radiante na sua transparência!


O meu melhor Vinho

&or RoIelene @urtado de 8ima


Hoje de repente, senti uma saudade
Saudade, profunda saudade teimosa
Uma intensa falta da outra metade
Da minha metade ausente e amorosa

Saudade de abraço aconchegante
De beijo molhado, em êxtase ardente
Que transporta o desejo ofegante
E faz o sangue ferver languidamente

Saudade de mãos que sabem afagar
Que fazem vibrar todos os sensores
Conhecem as notas musicais a digitar
Apertam o liga-desliga dos controles

Vem me fazer solfejar em meu ninho
De amor e carinho minha vida refaça
Vem me fazer destilar meu melhor vinho
Matar a saudade e sorver na minha taça
&erdoa-me

penetraste meus vãos misteriosos,
minha alma de mulher.
ocupaste meus espaços,
provaste do meu mel,
do meu corpo te embriagaste.
bebeste em minha fonte,
percorreste minhas formas,
minhas fendas, minhas frestas,
meus recôncavos,
fizeste-me te desejar.

conheces agora o objeto
de meus suspiros,
conheces a causa
de minha doce e oculta desesperança.
conheces meus sonhos,
que perpetuo mesmo acordada,
conheces minha voz
naquilo o que calo.
conheces meu sorriso
onde escondem-se minhas lágrimas.

perdoa-me por não me amares.


&or (Gr#io Almeida


- VARA8 O BRA(I8 -

&or (ilvio &arise

Vamos todos continuar
Ale#remente escrevendo nessa BH "amosa
Revista que sinto estH
Admiravelmente divul#ando a nossa
8iteratura sem "rescuras aproveitando os

ons e talentos que temos, quais,
Or#ulhosamente ao mundo revelamos.

Brasil que assim "ica
Realmente muito :em representado
AliHs, que a verdade seBa dita3
(empre aquilo que a Aacqueline coordenar
Independente das BH esperadas crZticas
8iteralmente, devido ao seu amor pelas 8etras, :rilharH.

&IRA1DO

(onia /intra

Arde a serra
no horizonte
os pássaros
em revoada
buscam
alucinados
outros cantos
Ao entardecer

Arte e poema por (onia 'o#ueira


Olho da janela o fim da tarde
no verde a beleza, da saudade,
o frio vem faminto na amplidão,
sonâmbulo vagueia o coração.

A estrada vazia sem as vozes,
nem pés que trafegam na procura.
Horas declinadas com as flores
O vento em açoite confabula.

Silêncio em êxtase nesta hora
o pensamento aflito ri, implora:
lágrima não ofusque meu pensar,
que teima em consolo se afoitar.

A face despojada de alegria
recebe a lágrima sem alforria.
/omunica49o Virtual

&or (uIana Vila4a

A velocidade se faz presente nesta comuni-
cação insólita e segue cristalizando um jeito
de chegar ao outro. Fria e impessoal, talvez,
mas repleta de armadilhas quando sugere
aproximação, quando na verdade deixa a
emoção raramente presente, mesmo porque
a troca de olhares é impossível, a união da
troca de energias precisa apenas do toque
de um teclado, caracterizando apenas o dizer
das intenções e quase sempre compulsiva-
mente registradas. Nesta linha de ação em
nossos dias, ficamos ilhados em dúvidas e
escapismos inconsequentes. Construímos
virtualmente um processo compulsivo im-
pregnado de solidão e retórica repetitiva, ro-
tulada de redes sociais. Cada um exerce o
livre arbítrio a seu bel-prazer, e com raras
oportunidades de reflexão, pois o que está
valendo é o disse me disse, sem nenhum
conceito analítico mais profundo. Com isso
as relações humanas criam dificuldades cada
vez maiores ao diálogo espontâneo, em que
se faz da presença física um elo sensível,
amadurecido e repleto de aprendizado. Na
era dos confrontos, agregados nos ditos
blos, existe apenas uma linha de ação – a
de investir na frustração de querer olhar só
uma faceta da liberdade –, esquecidos de
que a liberdade vai sempre terminar com o
direito de essa mesma liberdade aos opo-
nentes ser exercida com a mesma autono-
mia. Essa simbólica relação com a comunica-
ção virtual concilia as múltiplas facetas dos
aspectos concretos, dando espaço para o
interlocutor estar consciente do que une ou
desune o mundo na busca da compreensão
e entendimento. Quando, muitas vezes, es-
tão sendo criadas atitudes equivocadas, des-
pidas de bom-senso ou soluções imparciais.
Usam as ferramentas virtuais na comunica-
ção em que as pessoas se mostram o tempo
todo, mas fica um vazio instigante denunci-
ando a superficialidade e subestimando a pri-
vacidade diluída sem constrangimento nem
pudor. Talvez, por isso, o diálogo hoje seja
abreviado e as palavras sejam escritas em
códigos, fortalecendo a mediocridade e dese-
ducando com extrema facilidade. Esses as-
pectos se fazem presentes em toda comuni-
dade planetária como uma teia frágil de con-
sequências imprevisíveis, onde a falta de
cordialidade invade e desequilibra cultural-
mente jovens nets, ansiosos por serem vistos
ou reconhecidos nas suas mensagens. Os
valores se confundem no imediatismo desses
contatos virtuais, em que tudo acontece com
modismo surpreendente. É importante deixar
claro o impacto das múltiplas facetas desse
processo que tem um preço alto: uma reali-
dade conduzindo a síndrome da ansiedade,
da estagnação ou até mesmo de uma inércia
sufocante. Tudo porque o mundo sempre
precisou de harmonia e beleza, para acres-
centar esperança e alegria em toda comuni-
cação humanizada. Algo que a tecnologia
não poderá jamais suprir, pois dela se espera
apenas o repaginar dos sonhos e ideais de
cada indivíduo. Vai daí uma única certeza, a
de que os capítulos da história da humanida-
de precisam da comunicação verbal e filosófi-
ca, para trazer erros e acertos na busca da
perfeição. Por tudo isso, somos mutantes e
necessitamos dos canais silenciosos para
ouvir os sons na musicalidade da condição
humana, traduzindo o enigma de busca para
que sejamos mais tocados pela cor, pelo per-
fume com o brilho do olhar de quem deseja
alcançar uma real comunicação, qualificando
assim uma existência ilimitada para fortalecer
os laços de uma convivência fraterna e amo-
rosa. A visão de uma comunicação com
energias positivas está longe de consciência
cibernética, mas no altar de nosso coração.
Em suma, todos os apelos virtuais podem ser
deletados por aquele que ouve a voz da sua
alma, escutando seu coração.
/huva

&or ValquZria Imperiano


Gotas de chuva caem do céu
trazendo com elas os segredos do universo
cada molécula contém 3 elementos
que a química desvendou,
mas de onde veio cada elemento
e como tudo começou?
Tão perfeita é a agua
Clara, fria, quente, molhada, calada e recata
nada revela aos alheios
são ordens do criador.
=uadra de (9o Ao9o


&or Valter Bitencourt A7nior


Numa noite de lua
Dia de São João
Passeamos pela rua
Vamos dançar no salão.

Garota bem trajada
No dia de São João
Venha ser minha amada
Preenche meu coração.

No dia de São João
O céu de estrela
Palpita meu coração
Que a noite ainda não vela.

Fogueira acesa
A esquentar esta noite
Tudo pode ser surpresa
E um beijo traça a sorte.
VARA8 O BRA(I8

&or VarenVa de @Htima Ara7Bo


Por mistério oculto, recebo um e-mail do Varal do Brasil
Numa noite onde abrigava festivos ventos, faz tempo
E na luz a luz ilumina foram poesias, prosas firmadas
O varal estendido foi crescendo nas páginas coloridas
Vai mostrando uma potência na Europa e nas Américas
O selo a prova da verdade, surge o primeiro livro
Numa estação agitada vem para Salvador uma guerreira
Para lançar seus livros, a Jacqueline que assina o Varal do Brasil
De grande saber, abracei emocionada uma mulher vitoriosa
Tantos foram os varais, mais livros lançados no mundo
Ouvido a fama que o teu nome impulsiona tantos poetas
Ó amiga e equipe do Varal do Brasil por cinco anos, só sucesso.
(OBR$ 8O'R$(

&or \. A. (olha


Primeiro deslumbramento:

Sobrevoamos o norte da França, cheio
de cordilheiras, cruzamos o Canal da Mancha
e começamos a conhecer um outro planeta:
do litoral até Londres, a cerca de 180 quilô-
metros, a Ìnglaterra é uma lavoura só, quadri-
culada em vários verdes, prenunciando a far-
tura sem tamanho que veríamos em seguida.
Quando o Airbus da TAP começou a descer
para seu destino - o comandante português
falando em "descolagem e aterragem¨ - vi-
mos o milagre impossível para nós, brasilei-
ros: a megalópole sem o menor sinal da exis-
tência de favelas, sequer de nossas minúscu-
las "casas populares¨. Nas ruas, depois,
constatamos o fenômeno maior, que foi o de
não ver nenhum mendigo. O motorista espa-
nhol, que nos levou para o aeroporto quando
saíamos da cidade, uma semana depois, ex-
plicou:
- O salário mínimo, aqui, gira em torno
de mil libras mensais – quase três mil dólares
– e o governo garante emprego e casa para
todos. Quem, ainda assim, pede esmolas, é
preso! E repatriado, se for estrangeiro.
Claro que não foi apenas a terra fértil,
mas dois milênios de História que deram a
Londres a sua grandeza. Não vimos – eu e
minha mulher, Ìone – nenhum monumento ao
apóstolo das epístolas no adro da Saint Pa-
ul´s Cathedral, a catedral de São Paulo. Em
lugar dele, deparamo-nos com uma estátua
da Rainha Ana, Queen Anne, a primeira so-
berana do chamado Reino da Grã-Bretanha,
quando Ìrlanda e Escócia foram anexadas à
Ìnglaterra.
Todos sabemos que Henrique VÌÌÌ
rompeu com a Ìgreja, fundando o anglicanis-
mo, cujo chefe espiritual é, desde então, o
rei. Mas o vínculo Poder e Fé inglês vai mais
longe. Em torno da estátua de Queen Anne,
demos – ao vivo - com uma multidão de ve-
lhos heróis militares com os peitos sobrecar-
regados de medalhas, aguardando uma ceri-
mônia de três horas pelos seus mortos e pela
própria glória obtida em combates por toda
parte. Quando o templo ficou livre, nós - ape-
sar de exaustos sexagenários, vasculhamos
tudo, nele, inclusive os 259 degraus até o vão
imenso que se abriu ante a varanda em torno
do bocal do domo de assustadores 110 me-
tros de altura, o segundo maior do mundo.
Ìmagens de santos no gigantesco recinto?
Nenhuma. Em lugar de altares, um grande ...
cemitério... de grandes guerreiros da nobreza
britânica, todos em esculturas de corpo intei-
ro, em mármore, a começar pelo almirante
Nelson, pelo Duque de Wellington e pelo ge-
neral Sir Ìsaac Brock. Junto do altar-mor, um
memorial pelos aliados americanos mortos
na Segunda Grande Guerra, outro pelos in-
gleses abatidos na Guerra do Golfo.
Mas é claro, também, que o esplendor
britânico não provém apenas da força. Lá es-
tavam túmulos e mais túmulos de grandes
artistas como Turner, Samuel Johnson, Rey-
nolds, Millais e John Donne, Repetia-se, na
catedral em que se casaram Charles e Diana,
o mesmo que víramos na Westminster
Abbey, a Abadia de Westminster, logo atrás
do edifício do Parlamento, onde foram coroa-
dos e sepultados todos os reis ingleses. No
belo gótico do edifício com seus arcobotantes
e vitrais, víramos o exato e feio perfil de Eli-
zabeth Ì – feito a partir de sua máscara mor-
tuária – a grande rainha deitada, com seu es-
palhafatoso luxo, em cima da tumba, entre
tumbas de vários outros reis que viveram an-
tes e depois dela. E – mais adiante - lá esta-
va o Poet´s Corner – o Recanto dos Poetas –
com a estátua de Shakespeare em destaque,
mais os memoriais de Chaucer, Milton,
Wordsworth, Keats, Shelley, William Blake e,
para minha surpresa, do americano do Mis-
souri, naturalizado inglês, T. S. Eliot. Tam-
bém lá estavam as sepulturas de Dickens,
Kipling, Thomas Hardy, Sir Laurence Olivier,
todos na boa companhia dos imensos Handel
e Henry Purcell.
Lembramo-nos, é claro, do nosso des-
caso à memória de Zé Lins e Augusto dos
Anjos. (Segue)
Segundo deslumbramento:

Mal chegamos a Londres, saímos à rua.
Devidamente encasacados, cruzamos uma
praça – a Russell Square - e entramos numa
rua estreita, a Montague Street, onde nos
iluminamos com o que vimos: todos os postes
– de ferro – ostentavam, cada um, dois ces-
tões suspensos, cheios de flores miúdas e de
um colorido muito vivo, as mesmas que en-
chiam todas as jardineiras e grades dos ho-
téis e bistrôs de terracinhos georgianos (do
século XÌX), como num cenário de conto de
fadas. Londres é quase toda um jardim. A
guia do City Tour, no dia seguinte, disse-nos:
- A Prefeitura cuida de florir os lamp-
posts da cidade. E há uma infinidade de em-
presas que mantêm as fachadas de casas,
lojas, bancos e bares floridas o ano todo, in-
clusive no inverno, quando as espécies são
substituídas por outras, resistentes ao frio.













Terceiro deslumbramento:

Um professor universitário voltou todo
um quarteirão para mostrar-nos como cortar
caminho para o endereço que procurávamos.
Uma jovem – típica inglesa pele de porcela-
na, olhos intensamente azuis – aproximou-se
quando viu que um senhor não sabia dizer-
nos onde ficava a catedral de São Paulo.
Uma senhora e sua filha ofereceram-se, sorri-
dentes, para fotografar-me com Ìone diante
do teatro Globe, onde Shakespeare apresen-
tava suas obras-primas no século XVÌÌ. Dou-
tra feita, perdendo-nos apesar do mapa, eu -
desculpando-me pelo péssimo inglês - per-
guntei a um gentleman - que estava para cru-
zar a rua com duas crianças, onde ficava o
British Museum. Ele não me entendeu e ca-
prichei:
- De Brítiche Miuseum.
Não me compreendeu. Mostrei-lhe o
nome impresso.
- Ôh – ele disse – The British Museum!
– mas isso numa pronúncia tão arrevezada e
incompreensível, que eu disse Uau e pedi
que me repetisse a dose. Ele fez isso, sentiu
a própria extravagância e deu uma grande
gargalhada. Do mesmo modo, aquecidos por
tantas caminhadas, vimos, nos maravilhosos
jardins posteriores do palácio de Buckingham,
a vendedora de sorvetes mostrar-nos várias
opções do produto que vendia, culminando
por ler uma versão tão irreconhecível, para
mim, de strawberry, morango, que a imitei,
sorrindo. Poucas vezes fiz alguém rir tanto.
Na Tate Britain, museu com obras ex-
clusivamente inglesas, Ìone parou diante de
uma paisagem soberba que uma senhora ne-
gra, classe alta, em cadeira de rodas, tam-
bém tentava ver, atrás dela. A mulher moveu
sua geringonça para a direita, Ìone, diante
dela, idem. A senhora se moveu para a es-
querda, Ìone, diante dela, também. Acaba-
mos, os três, gargalhando juntos e, juntos,
comentando, embevecidos, o quadro tão dis-
putado. (Segue)
Quarto deslumbramento:

Ao sairmos do Madame Toussaud – que
tem peças perfeitas, como as réplicas em ce-
ra de Morgan Freeman, Leonardo DiCaprio,
Nicole Kidman, Whoopy Goldberg, Paul New-
man e Spielberg, mas péssimas reproduções
de Harrison Ford, Sean Connery, Humphrey
Bogart e Clark Gable - vi, perto dali, a entra-
da do Regent´s Park e me lembrei do roman-
cista Esdras do Nascimento – que viveu dois
anos em Londres – dizendo-me: "Nada de
museus. Tome um porre no Hyde Park, que é
o melhor que você faz!¨ E seria, mesmo, se
tudo fosse como cinqüenta por cento do que
acabáramos de ver na Marylebone Road. Va-
lera, no entanto, a visita, pela surpresa de
ouvir um rapaz, que se esgueirara com a na-
morada entre John Wayne e Robert Redford
me perguntando:
- Você não é o Solha?
Paraibanos.
Regent´s Park. Jamais imaginei um es-
paço como aquele fora dos paraísos que já vi
pintados e descritos, ou das utopias. Belíssi-
mos salgueiros derramavam-se, frondosos,
no solo e na água, lembrando-me a willow
tree de que Ofélia, louca, tomba para morrer
afogada entre flores. Cisnes, alguns negros,
deslizavam entre plantas aquáticas. Casais –
com ou sem crianças – tomavam sol na tarde
fria, deitados na grama "sem formigas¨ – co-
mo Ìone observou – dando de comer a pom-
bos que vinham voando de longe, atraídos
pelo banquete, e a esquilos que desciam das
árvores, lestos e ondulantes com suas cau-
das espessas, recebendo alimento das mãos
dos doadores, como se fôssemos todos pu-
ros como Francisco de Assis e Branca de Ne-
ve. Ah, e dentro dos 166 hectares do Re-
gent´s Park, no círculo chamado Queen
Mary´s Gardens – os Jardins da Rainha Mary
- , demos com a excessiva beleza e o perfu-
me de trinta mil rosas de quatrocentas varie-
dades – cada uma com seu nome numa pla-
ca -, além de canteiros de flores de tão mara-
vilhosa variação de cores, que me lembraram
os distantes dias em que eu punha o amarelo
de Nápoles, o azul da Prússia e o vermelhão
chinês juntos na paleta, em tentativas inúteis
de criar maravilhas iguais.

Quinto deslumbramento:
O Museu Britânico. The British Museum
é um imenso complexo de edifícios neoclás-
sicos majestosos, centrados por um cilindro
que me lembrou o tronco de Yggdrasil, a ár-
vore do conhecimento das lendas escandina-
vas, com os ramos, lá em cima, servindo de
caixilhos para os vidros do alto teto transpa-
rente que nos cobria a todos, no pátio exten-
so. Passando no meio de uma multidão que
dialogava com atores vestidos como legioná-
rios romanos e uma centúria de dançarinas
dançando, tecelões e ceramistas do tempo
do Ìmperador Adriano trabalhando, entramos
numa série praticamente infinita de espaços
vastos, locupletados de Arte e História, depa-
rando-nos com uma coleção de impensáveis
sete milhões de objetos maravilhosos, coleci-
onados desde 1753, reunindo três mil anos
de civilização egípcia, dezessete salões com
os fantásticos destroços do gênio grego, sete
magníficas salas com o gênio assírio, nosso
espanto estendendo-se em volta, com o con-
tato direto com o Ìmpério de César e a Etrú-
ria, com a China, a Índia, os geniais Aztecas,
a Babilônia, etc, etc, e, sendo o British o úni-
co museu londrino que permite filmagens e
fotos, filmei – com minha pequena Sony -
uma senhora lendo para outra a parte grega
da Pedra da Roseta, fiz um travelling longuís-
simo do fabuloso friso em altos-relevos dos
vívidos cavaleiros trazidos do Pártenon por
Lord Elgin, fotografei cada fantástico frag-
mento do combate entre atenienses e cen-
tauros isolado nas paredes, Ìone posou para
mim diante dos gigantescos touros alados de
Khorsabad, dos esplêndidos baixos-relevos
do palácio de Nínive, das enormes cabeças
de Ramsés ÌÌ e Amenófis ÌÌÌ, dos sarcófagos
soberbos vindos do Vale do Nilo, tudo – sem-
pre – envolvido em êxtase.
(Segue)
Sexto deslumbramento:

National Gallery. Para que se tenha
idéia aproximada do espaço ocupado pelas
2.300 obras da Galeria Nacional, que se im-
põe ante a Trafalgar Square – a Praça Trafal-
gar - parei no centro dele e – ao me voltar pa-
ra a série de salões a oeste, portas afora, de-
pois para outro tanto delas a leste, eu disse:
- Ìone, é como se estivéssemos diante
do antigo cine Municipal e olhássemos, de um
lado, para o final da Visconde de Pelotas,
com a Praça Dom Adauto ao fundo, e, do ou-
tro, para o Ponto de Cem Réis, fazendo o
mesmo no sentido norte-sul, numa cruz sem
tamanho.
- Meu Deus!
Com entrada franca, tal como no British,
é comovente ver todo um mundo de gente –
muita criança, muitos jovens e velhos - com
acesso direto a peças de Leonardo, Bosch,
Rembrandt, Renoir, Watteau, Holbein, Ver-
meer, Brueghel (o velho), van Eyck, Piero del-
la Francesca, Seurat, Velázquez, Ticiano, Ru-
bens, El Greco, Turner, Botticelli, Constable
e tantos outros, grupos e mais grupos de cri-
anças ouvindo professores dissertando sobre
as mais notáveis realizações humanas, frente
a frente com elas, sem as distorções das fo-
tos, por melhores que sejam. Por falar nisso,
e para não dizer que só falei de flores, regis-
tro minha decepção ante a sombra que cobre
um quadro que cultuo desde a infância: O Ca-
sal Arnolfini, de van Eyck, famoso justamente
por sua nitidez... desaparecida numa camada
escura criada pelo Tempo, que não me permi-
tiu ver detalhes que eu conhecia por fotos de
dez, vinte, trinta anos atrás. Por exemplo: na
parede ao fundo do retrato duplo, há um es-
pelho curvo cuja moldura reproduz todos os
passos da Paixão de Cristo. Não consegui vê-
los, mesmo a dez centímetros do original. O
mesmo se deu com todos os Vermeers de
Londres, notabilizados por sua milagrosa ma-
nipulação da luz, mas que lá perderam essa
Graça, como sem Graça me pareceu a Ceia
em Emaús, de Caravaggio, célebre pela força
de seu claro-escuro. Não bastasse isso, es-
tavam incrivelmente fanados o imenso Nin-
féias, de Monet, e o largo Banhistas de As-
nières, de Seurat. Já Os Embaixadores, de
Hans Holbein, mantido rigorosamente claro,
decepcionou-me por sua falta de ... algo es-
pecial, nele. O Adoração dos Reis Magos, de
Brueghel, pelo contrário, é realmente maravi-
lhoso, como é maravilhosa a nudez da Vênus
no Espelho, de Velázquez; a paisagem ao
fundo de O Carro de Feno, de Constable; a
geométrica precisão do Batismo de Cristo, de
Piero della Francesca; o azul do céu ao fundo
do Baco e Ariadne, de Ticiano; as cores inten-
sas de Rubens em seu Sansão e Dalila; os
detalhes milimétricos da natureza-morta As
Vaidades da Vida Humana, de Harmen
Steenwyck; a névoa diáfana das grandes dis-
tâncias por trás do Casamento de Ìsaque e
Rebeca, de Claude Lorrain; o impressionismo
-antes-da-hora de Turner, etc, etc. E veja co-
mo são as coisas: há dois auto-retratos de
Rembrandt na Galeria Nacional: um em que
ele está com 34 anos, do qual fiz uma cópia
há tempos, outro em que ele está com 63.
Pois bem: desinformado, esforcei-me, no si-
mulacro que fiz, para emular a técnica que o
mestre adquiriu apenas no final da vida, e o
resultado foi que não gostei do original... apa-
gado... mas em compensação me comovi in-
tensamente com o registro que ele deixou da
própria face na velhice, poderosamente den-
sa e triste.
Apenas um museu como esse poderia,
desse modo, oferecer tanto. (Segue)


Sétimo deslumbramento:

Há uma série de coisas que dão cor lo-
cal a Londres: a troca da mão e contramão
nas ruas, com motoristas dirigindo do lado
direito dos carros e das pistas; os táxis – Lon-
don cabs – conservando seu modelo antigo -
feioso, mas eficiente; as cabines telefônicas,
tão vermelhas e onipresentes quantos os ôni-
bus de dois andares – the red double-decker
bus; a presença poderosa dos quatro enor-
mes leões de bronze, deitados sobre o pe-
destal da Coluna de Nelson, na Trafalgar
Square; a multidão aplaudindo, empolgada, o
inesperado som nada marcial dos Beatles ir-
rompendo da mecânica banda militar; os pró-
prios músicos, tocando e marchando de ja-
quetas vermelho-sangue, enormes pelames
negros sobre as cabeças; os portões de gra-
des negras com belos brasões rococós dou-
rados diante do Palácio de Buckingham; o
desfile da cavalaria, que parecia ter saído do
Grito do Ìpiranga do Pedro Américo; a tarde
da sexta-feira, com muita, muita gente con-
versando animadamente, bebendo cerveja
nas ruas, diante dos pubs lotados; o arabesco
dourado emoldurando o relógio da torre em
falso gótico do Big Ben; e a roda gigante – de
135 metros – The London Eye (O Olho de
Londres) do outro lado do Tamisa, girando
lentamente, a cidade descendo no que va-
mos, muito devagar, subindo dentro de uma
de suas 32 cápsulas de vidro. Marcante, tam-
bém o passeio de barco no que passamos
sob a velha e célebre Tower Bridge – a Ponte
de Londres - com suas duas torres (que lem-
bram as do Parlamento ) e Ah, o Shakespea-
re´s Globe! Comovi-me muito, no centro do
velho teatro circular de madeira, na platéia
sem poltronas, vendo a guia, exaltada, falar
da emoção sem igual que se vivia ali todos os
dias, no século XVÌÌ. Do que pude captar de
seu inglês, ouvi:
- Pensem no que é ver de perto o ator
que faz Marco Antonio descendo estes de-
graus do palco até vocês, que o assistem
aqui, em pé, ele com o corpo ensangüentado
de César nos braços e começando seu dis-
curso, olhando direto nos seus olhos, nos
seus, e nos seus, e clamando: "Friends ro-
mans! Countrymen!!!¨

História e Arte por toda parte

Há sempre uma multidão em fila para
conhecer os interiores do Palácio de Buckin-
gham, que é – ele próprio – um reduzido mas
seleto museu. Nele vimos uma coleção de
mármores do frio porém perfeito Canova, e
uma bela pinacoteca em que se destacava o
notável retrato de Agatha Bas, de Rembrandt.
Anexo ao edifício, a Queen´s Gallery reforça
o prestígio que a coroa empresta à grande
arte. Mas é caminhando um pouco mais para
lá do Parlamento, na margem do Tamisa, que
se vê o reduto principal da arte inglesa, antiga
e contemporânea, na chamada Tate Britain,
com sua grande coleção de obras de Turner
em todas as suas fases, com o famoso Car-
nation, Lily, Lily, Rose – de Sargent -, e muita
coisa de Dante Gabriel Rossetti, de Whistler,
de Burne-Jones, maravilhosas paisagens de
Constable, e – o supra-sumo da coleção –
uma impactante obra-prima de Lucian Freud
(neto de Sigmund), "The Painter´s Mother¨ –
A Mãe do Pintor.

E eis que nos vimos na British Library!

A dez minutos a pé do Royal National
Hotel, em que ficamos, a Biblioteca Britânica
se impõe com seus 16 milhões de livros, sim,
mas toca-nos profundamente pela exposição
de uma série de mapas, livros, documentos e
manuscritos preciosos, expostos em vitrines e
consultáveis por completo em computadores
disponíveis ao lado delas. Livros chineses em
rolo; a primeira edição das obras de Shakes-
peare; as iluminuras de vários volumes medi-
evais; a primeira partitura impressa na Ìngla-
terra – o XX Songes, de 1530; a partitura ori-
ginal – cheia de arrependimentos e anotações
- da Sonata para Violino op. 30, número 3 de
Beethoven; vários desenhos de Leonardo; a
Bíblia de Gutemberg, de 1454; a certidão de
casamento de Mozart e Constanza; a carta de
Thomas Morus a Henrique VÌÌÌ antes de ser
executado; o manuscrito do Mrs Dalloway, de
Virginia Woolf e o de Jane Eyre, de Charlotte
Bronte; a partitura manuscrita do Bolero de
Ravel e da Marcha Nupcial de Mendelssohn
e... last but not least, os versos, no exato mo-
mento de sua criação – com várias correções
– de algumas das mais célebres canções de
Paul McCartney e John Lennon, como Yester-
day, Help, Strawberry Fields Forever, Ì wanna
hold your hand e Michelle.
Acho que já posso morrer sossegado.
Dedil*ando

Por Rosan&ela Calza


3 seus dedos n#o cansavam
o teclado o tempo todo dedil$avam.
3 assim de toque em toque
poemas do nada se formavam.

3 dedil$ou e dedil$ou e dedil$ou...
e seus dedos iam parindo
amor esperan"a e alegria
em forma de textos iam surgindo.

3 assim de &rincadeira
o camin$o &ranco
de flores coloridas foi povoando...
A teoria desmente a prática
foi isso que aca&ou provando.
CAZU - A MENINA AZUL

Por Vera a!"e#o

3ra uma vez num lugar mui:
to distante $avia uma menina que queria estudar
mas seus pais eram t#o po&res que n#o tin$am
din$eiro para levá-la = escola.
Os dias foram passando e /azu ainda
triste com vontade de aprender ia levando seus
dias com todas as &rincadeiras infantis.
-a comunidade onde ela morava $a:
via várias crian"as que passavam os dias sem nada
para fazer apenas vendo as outras crian"as indo e
vindo de suas escolas particulares.
5ua m#e 0ona Eita lavava roupa pa:
ra fora e ia =s mans*es do centro da cidade levar
as roupas.
/erto dia sua m#e a convidou para ir
com ela entregar os pacotes de roupas.
3 ela foi feliz da vida. /$egando lá
encontrou crian"as &em vestidas &rincando com
&onecas maravil$osas...
3la ficou de longe apenas ol$ando
aquelas meninas.
5ua m#e a c$ama para irem em&ora(
ela vai pensando naqueles &rinquedos que nunca
tin$a visto. 5ua imagina"#o fica a mil e ela agora
fantasia so&re aquela casa e aquelas crian"as.
Os meses foram passando e /azu pensa:
va so&re o dia em que viu aquelas meninas &rin:
cando com lindas &onecas de porcelana.
3la imaginava que nunca poderia ga:
n$ar aqueles &rinquedos caros.
/erto dia sua m#e é c$amada =quela
casa pela dona que l$e oferece &rinquedos dos
seus fil$os alegando que as crian"as n#o os que:
rem mais e est#o atrapal$ando na casa.
0ona Eita agradece e fica feliz em
levar os &rinquedos para seus fil$os.
8ai para sua casa levando os pacotes.
/$egando lá as crian"as correm em sua dire"#o.
- /rian"as ol$em o que eu trouxe para
vocAs.
3la entrega os pacotes e as crian"as
desem&rul$am ansiosos para verem o que tem
dentro deles.
- <#e isso é uma &oneca?
- /laro fil$a. ;an$ei daquela sen$ora
da mans#o.
- <in$a nossa. @uantos &rinquedos.
@ue legal.
Assim as crian"as ficaram felizes pelo
resto da semana. Os dias foram passando e a vida
continuava a mesma. /azu agora um pouco feliz
com a &oneca nova perce&ia que algo n#o andava
&em em sua casa.
3la via seu pai andando triste e con:
versando &aixin$o com sua m#e. 3les se calavam
ao perce&erem que os fil$os se aproximavam.
9m dia toda sua vida iria mudar...
/erta man$# ouviu c$oros resolveu
levantar-se c$ega = sala e vA alguns vizin$os
a&ra"ando sua m#e e falando que tudo isso vai
passar.
/uriosa fica por perto para sa&er o
que esta acontecendo. 3nt#o ouve alguém falar
que seu pai sofreu um acidente no centro da cida:
de.
5ua m#e sai rápido para o $ospital
levada pelos vizin$os e c$egando lá %á é tarde seu
esposo n#o aguentou a cirurgia e faleceu. 3la n#o
sa&ia como fazer para contar aos fil$os.
3m casa /azu estava triste e n#o sa&ia
que seu pai %á tin$a falecido quando c$ega sua
m#e c$orando e a a&ra"a falando:
- 1il$a seu pai n#o aguentou a cirurgia
e faleceu.
- /omo m#e?
- 5eu pai andava doente e a gente n#o
queria preocupar vocAs mas $o%e ele foi atropela:
do por um carro. Agora quero ver como vamos
fazer para enterrá-lo. -#o temos din$eiro em casa
e nossos vizin$os tam&ém s#o po&res e n#o sei a
quem pedir din$eiro emprestado.
/azu ent#o se coloca a rezar e pede a
0eus que as a%ude naquele momento triste.
5ua m#e sai e vai = &usca de a%uda
para poderem fazer o enterro. 2rocuram a assis:
tAncia social do <unicípio para a%udá-las.
Assim conseguem fazer a cerimônia
f)ne&re e despedem-se do falecido.
1ica uma lacuna em seu mundo infan:
til: a falta de seu querido pai.
Os dias passam e sua m#e agora uma
mul$er triste mas &atal$adora tem que tra&al$ar
do&rado para sustentar seus fil$os /azu e 2aulo.
Anda cansada de tanto tra&al$ar vA
seus fil$os cada vez mais sozin$os dentro de casa.
5a&e que s#o crian"as e pede aos vizin$os para
a%udarem a cuidar deles. !5egue'
5a&e que s#o crian"as e pede aos vizin$os
para a%udarem a cuidar deles.
-uma das casas onde ela tra&al$a os pa:
tr*es s#o pessoas &oas que perguntam so&re seus fi:
l$os.
- 3les est#o &em. 2reocupam-me porque
eles ficam sozin$os e ten$o medo que algo ven$a a
acontecer com eles.
A dona da casa ent#o responde:
- Eita porque vocA n#o os traz um dia des:
ses?
- 2osso?
- /laro querida nós n#o temos fil$os e
adoraríamos con$ecA-los.
3nt#o certo dia dona Eita veste seus fil$os
com a mel$or roupa e dirige-se para a mans#o.
/$egando lá as crian"as s#o &em rece&idas e
ficam = vontade. Os donos da casa apaixonam-se pelas
crian"as e conversam com eles animadamente. 1icam
impressionados com a desenvoltura de /azu que fala a
eles de seu son$o de estudar.
Os dois se entreol$am e voltam a conver:
sar com aquela doce menina.
A tarde passa rápido e eles v#o em&ora.
O casal ent#o volta a conversar so&re a
menina e ficam falando do son$o de estudar que ela
tem.
Eesolvem perguntar no outro dia para Ei:
ta se eles podem adotar a menina para pagarem os estu:
dos dela e ainda ir#o passar uma mesada para a%uda:
rem na cria"#o de 2aulo.
A noite c$ega depressa e Eita vai até =
cozin$a para fazer um lanc$e para eles. 2erce&e que ali
n#o tem muita comida... /$ora entristecida. As crian"as
comem o que tem e adormecem cansadas daquele dia
maravil$oso.
0e man$# cedo Eita &ei%a seus lindos fi:
l$os que ainda dormem e vai para o tra&al$o.
-a condu"#o para ir ao centro da cidade seus
pensamentos voam... 3la entende que precisa pegar
mais uma residAncia para limpar pois o din$eiro está
pouco.
@uando c$ega = mans#o vA seus patr*es
esperando por ela para conversarem.
- Eita. 3stivemos conversando ontem =
noite so&re vocA e seus fil$os e gostaríamos de pergun:
tar se daria sua fil$a para nós criá-la. -ós daríamos uma
pens#o para seu fil$o afim de vocA n#o precisar sair de
casa. 2ensa com carin$o n#o queremos adotar com pa:
pel passado apenas a%udar a /azu em sua forma"#o.
8ai continuar a vA-la o quanto quiser. Acredite a gente
quer apenas l$e a%udar. @uem sa&e vocA vem morar
aqui conosco e as crian"as?
Eita fica pensativa e depois responde:
- 2reciso pensar a oferta é &oa. <as eu
vou continuar cuidando da casa porque ficar sem tra&a:
l$ar n#o é comigo.
- /laro se quiseres.
Eita volta ao tra&al$o pensando so&re as
ofertas imaginando o que seus fil$os ir#o falar so&re o
assunto.
7 noite c$ega e Eita volta para casa. /$e:
gando lá diz aos fil$os que precisa conversar com eles.
- /rian"as preciso contar so&re um ofere:
cimento que meus patr*es fizeram para nós.
/ome"ou a contar e as crian"as ficaram pen:
sativas imaginando como seria a vida naquela mans#o.
/azu ent#o perce&eu que a oferta seria
legal pois assim ela poderia estudar naquela escola par:
ticular da cidade visto que n#o $avia escola p)&lica
naquele lugar. 5eria maravil$oso. /azu agora com sete
anos diz:
- <#e eu ac$o legal pois só assim irei
para a escola e o mano e vocAs v#o morar &em. 8ocA
n#o precisa tra&al$ar demais. 8amos tentar m#e.
3les ent#o come"am a arrumar seus per:
tences pessoais para levarem = mans#o.
Eita c$ama seus vizin$os e distri&ui a eles
suas mo&ílias( vende sua casin$a de madeira.
2egam um carro de corrida para c$egarem
=quela mans#o dos %ardins e os donos agora amigos os
rece&em de &ra"os a&ertos.
0aquele dia em diante suas vidas muda:
ram para mel$or.
/azu agora frequenta a escola tem novos
amigos e está feliz.
Aquela mans#o %á n#o é mais a mesma agora tem vida(
as crian"as trazem luz =s vidas daquelas pessoas que
moram lá.
Até que um dia /azu ouve de uma colega
que ela tem sangue azul. 3la pergunta:
- 2or quA?
A menina responde:
- 2orque vocA é fil$a daquela família rica e
eles tAm sangue azul.
Assim /azu fica deveras orgul$osa pois da:
quele dia em diante dirá a todos que tem sangue azul.
Os dias foram passando e a família cada
vez mais feliz vivia radiante com aquelas crian"as sor:
rindo e cantando entre as flores do %ardim.
/azu cresceu e formou-se em Arquitetura.
1az planos para pro%etar uma 3scola 2)&lica na vila
onde ela morava realizando assim o son$o de levar
muitos %ovens a estudar e ser alguém no futuro.


Assim viveram felizes para sempre.
"ai1ais

Por Vivian de Moraes

>
exercício
sem nen$um
&enefício


>>
suco de manga
&eleza
ancas


>>>
somente agora
ten$o dó
da min$a sogra


>8
rimas fáceis
s#o as mais
dóceis


8
a peruana
n#o sa&e falar portuguAs
desencana

8>
%esus na terra dos mamutes
apenas
me escute

8>>
cac$orro
deus !que deus?' me livre.
eu morro


8>>>
na água do riac$o
deságua
toda mágoa !rima fácil'

>Q
a confiss#o de l)cio
e o a&ra"o
confuso


Q
&o&agens de pedro
como dormir
e acordar cedo

Q>
ca"ando na mata
col$o
uma lata


Q>>
pode ser politicamente incorreto
mas eu sou !tento ser'
gramaticalmente correta


Q>>>
insônia
como eu
como

!5egue'


Q>8
eu rimo na segunda
eu rimo na terceira
com a primeira

Q8
gógol -- eu n#o ten$o nariz
mas ten$o um giz
!vou dar aulas de literatura russa.'

Q8>
séria
seria:
se ria.

Q8>>
fi&romialgia
ó dor insuportável
dos meus dias


CINCO ANOS DE VARAL DO BRASIL!
Participe de nossas atividades!
Informe-se e venha para o Vara!
varado!rasi"#mai$com
%%%$varado!rasi$com
'ORMA


&or Maria Aparecida @elicori JVR @iaK


As pessoas quando nascem não mostram o
que serão ao crescer, porque criancinhas tem
as carinhas vermelhas e bem parecidas, as
vezes são bonitinhas e outras vezes bem feii-
nhas, mas as crianças crescem e mudam de
aparência para melhor ou para pior; Norma
nasceu normal e não era nada bonita, magri-
nha, branquinha chegando a ser desbotada.
Durante sua infância ela era uma menina
comum, nada diferente das outras e as vezes
até um pouco mais feia que suas colegas; era
calma, calada e estava sempre no seu canto,
mesmo na hora do recreio ela não se mistura-
va, se colocava a sombra de uma mangueira
e comia seu lanche em total silencio, mas não
participava das brincadeiras com as outras
meninas.
O crescimento não ajudava Norma, porque
no começo da adolescência ela tinha o rosto
cheio de espinhas e era insegura e tímida,
quase não falava e as pessoas achavam que
ela tinha alguma anormalidade, mas ela era
inteligente e suas notas escolares eram óti-
mas; o tempo foi passando e Norma desabro-
chou e de repente ela se tornou linda.
As espinhas sumiram, sua pele se tornou
aveludada, seus dentes pareciam perolas,
seu corpo era bem modelado e seus passos
eram elegantes e para completar, seus cabe-
los eram longos, castanhos e desciam pelas
costas em suaves e macias ondas, parecia
um milagre aquela transformação e o melhor
foi que sua timidez desapareceu e ela se tor-
nou brilhante.
Quando Norma aparecia as demais jovens
desapareciam, porque era uma beleza perfei-
ta demais e o povo da cidade de Santa Laura
encantados com ela, a apelidaram de Norma
Pavão, mas ela detestou o apelido e se zan-
gava quando o ouvia, porque se sentia ofen-
dida ao ser comparada a um pavão macho,
pois ela era uma mulher.
Em cidades do interior, os apelidos são nor-
mais e se a pessoa se zanga fica pior, porque
ai se torna apelidada para sempre; a linda
Norma sabia que o pavão é uma ave maravi-
lhosa e que a chamavam assim como um elo-
gio, mas tentou de tudo para se livrar do Pa-
vão e quando não conseguiu, se mudou para
uma cidade distante e nunca mais voltou a
Santa Laura, continuou linda e se livrou do
Pavão.
- Abrimos um Concurso, gratuito,
para as Orelhas e a Apresentação
do liro Varal Antol!gico "# $ mui-
to simples% oc& enia seu te'to
(alando do Varal para nosso e-mail
araldobrasil)gmail#com e estar*
concorrendo# Os encedores rece-
berão cinco e'emplares do liro#
- +amb,m estão ainda abertas as
inscriç-es para o Concurso, gratui-
to, da capa do Varal Antol!gico "%
pintar, desenhar, (otogra(ar### .ual
a sua arte/ 0nie uma (oto em boa
resolução de sua obra ou de sua i-
são (otogr*(ica para nosso e-mail#
O encedor ser* capa de nossa
.uinta antologia e receber* de1
e'emplares do liro#
- 2ara participar como autor do li-
ro Varal Antol!gico ", entre em
contato atra,s de nosso e-mail e
eniaremos as in(ormaç-es para
oc&# 0sta , uma antologia da .ual
com certe1a oc& ai .uerer parti-
cipar3 Lançamento na 4u5ça em
678"3
- 0 se oc& ainda não se decidiu,
ainda , tempo% enha autogra(ar
em Genebra ou enie seus liros
para serem diulgados e endidos
a.ui3 9n(orme-se sobre como parti-
cipar do 6:; 4alão 9nternacional do
Liro da 9mprensa de Genebra
<4u5ça=3 araldobrasil)gmail#com
<Ve>a (otos e 5deos de nossas par-
ticipaç-es anteriores na Galeria do
site ???#araldobrasil#com
Arvores

&or \alnGlia /orrêa &ederneiras

numa outra rua da minha cidade
no jardim da casa da esquina
também não está mais a pitangueira...
Assim a vida faz versos tristes
para contar sobre aroeiras, pitangueiras
goiabeiras e todas as arvores belas
porque feio é o gesto do homem
quando insiste em derrubá-las..
Na caixinha de recordações, agora tem mais fotografias e em cada foto está escrito:
-Pitangueira-árvore que dá pitanga
-Aroeira-árvore originária dos Andes peruanos
-Goiabeira-árvore originária de regiões tropicais
Amanhã passarei por lá e nada será belo pois estará escrito numa placa: Estacionamento.
A beleza daquele jardim agora será lenda em meu pensamento
B A1EUS 1E ,RISCILA
,or Di(ton ,orto

Antes da morte ela estendeu$'e o bra2o
@ueria ;ue eu o se1urasse co' Er'eNa
Den$o a i'press!o de ;ue buscava se1uran2a
Ou estava diNendo$'e5 “"apai% adeusJ”

8ntes ;uisera passear
O ;ue o ENera co' ale1ria @'par
3la sabia da 'orte presente
2ois eVpirou co'o se 8n&o 6osse4

Assim eu acredito
@ue nos C=us ela vibra por nós
5#o os 'o'entos e' ;ue te'os paN
-este turbil>!o de saudade e dor4

Re&resso

Por 2ara Darin


<alas prontas devo partir
&agagem vazia in)til insistir
n#o sentir saudades fingir
foi pura ilus#o.

Acreditei na vers#o
da alegria dos meus versos
todos os pre"os paguei
n#o deu
me enganei.

/riei uma outra realidade
que %amais c$egou
andei ao leu
sem vida
de uma forma iludida
vagando nos escuros
sem encontrar uma saída.

O tempo passou
tentei apagar-te
da min$a memória
sem %amais conseguir .

Eegresso
para contigo vivenciar
nossa intensa
e c)mplice comun$#o
que transcende
os limites da nossa pele.







TZtulo
&or Rui &inheiro

>Primeiro Luar em %ontos no II Pr(mio ?aral
do Brasil de Literatura-

A lâmpada do candeeiro alumia o silêncio do
último poema.
Da janela, semiaberta, vêem-se partículas de
pólen a cair das asas de um enxame de abe-
lhas. A copa da árvore agradece o brilho para
afastar os aviões mais distraídos, e as crian-
ças pululam sob a casa de madeira escondida
pelos braços de folha verde (e aqueles abra-
ços que deixaram saudades nos corpos que
amadureceram? E os beijos que deixaram fios
de mel nos lábios secos de saliva? E os instin-
tos animalescos que desbotaram na pele de
cordeiro?).
Na aldeia há um pincel que escreve desenhos
com histórias paradas; as cores fogem do
pastel e misturam-se com o amarelecido das
espigas tardias: é o sol quem ressuscita a na-
tureza morta dos buracos da palete e traz o
canto das andorinhas na primavera.
Os ninhos acomodam-se nos beirais, secos
da chuva e das fisgas dos meninos que migra-
ram para escolas maiores; as daqui, vazias da
aprendizagem, comem os livros esquecidos
nas prateleiras e bebem da palavra saudade.
Atrás da igreja ficaram as camas individuais,
protegidas com mantas de relva bem aparada;
as visitas escasseiam a cada ano finado, na
proporção da ocupação do novo leito; em cer-
tos dias ainda brotam rios de olhares desfei-
tos.
Sobram casas vazias com telhados arromba-
dos pela intempérie; há portadas que deixam
entrar a ventania no desespero da ausência;
as chaves agrilhoaram-se por baixo do tapete.
As cozinhas, agora, são composições desor-
ganizadas de pedra estendida sobre o soalho
gasto; a madeira foi carcomida por bocas es-
quecidas da gente desta terra; os ganchos
dos enchidos continuam pendurados: tilintam
a espaços, vazios de alimento seco. (E as la-
reiras? Que é feito daqueles estalidos que
aqueciam as noites mais frias da casa? Onde
repousa o manto que suportava os corpos sa-
ciados pelo prazer do calor? E o restolho dos
suspiros que escapava por entre as frinchas
dos barrotes de madeira?).
Os escombros apagaram da memória dias in-
teiros de alegria; vive-se um apagão generali-
zado de raízes: os braços da sementeira ain-
da não compreendem o objectivo da colheita
(faltam-lhe os sinos a dobrar o lavradio, as en-
xadas a brincar com a terra, os homens a as-
sobiar sobre a seara, e as mulheres a sorrir
porque o cântaro jorra água feliz).
Nada mais resta no trilho. Só os meus passos
marcam os caminhos, agora mais curtos. Os
dias crescem, mesmo no inverno, mas não o
suficiente para afastar as noites frias. As histó-
rias dos livros bons não chegam para passar o
tempo, e a poesia agudiza a espera desne-
cessária.
Às vezes penso: para quando o encontro das
páginas?
Procuro atrás das palavras, mas não encontro
respostas convincentes.
As metáforas são bipolares: ajeitam-se à me-
dida do momento. Servem meros instantes
não representativos da certeza que preciso.
Apesar disso, sirvo-me delas para iludir a rea-
lidade do que quer que seja. É indiferente o
que é agora, desde que eu queira que assim
seja.
Entre as raízes arrancadas à terra areada, so-
bressaem mãos cansadas da jorna. (Segue)
Só o sol já se pôs atrás do horizonte. A som-
bra regressa à casa despejada e o corpo é
uma mera máquina pedestre: amolda-se à
necessidade da viagem.
A porta bate na réstia de luz e adensa o silên-
cio da escuridão. A mesa redonda sustenta
uma toalha gasta só de um lado. Há uma ca-
deira sentada à minha frente. O candeeiro de
petróleo já não sorri com os brindes que esta-
lavam durante o jantar. Já não há vozes feli-
zes, nem passos que bailam em cima do soa-
lho de madeira.
As mãos poisam exaustas; aos dedos resta-
lhes o esmigalhar do miolo de pão (quem
emudeceu o pardejo que sobrevoava o beiral
para apanhar o repasto da prole, quando sa-
cudias a toalha?); os hiatos alargam-se na
impaciência da mesma volta diária; o recado
ficou imóvel no guardanapo de papel (tal co-
mo naquele em que pintei o teu retrato nas
margens do rio Sena).
A morte dá à luz um sentido novo.

@atalidade

&or Rossana Aicardi

Túnel, escuridão cruel
paredes úmidas
mãos tateando
pés descalços
tropeços, quedas
águas lambendo feridas
caminho sem rumo
cego, congelado
estou morrendo, eu sei
lentamente, inevitavelmente
a distância a luz
cega os olhos
ainda estou aqui
estou vivo
vejo-te recortado
em raios brancos
não estou morto
te alcanço
seguro tua mão
em seguida, e acidentalmente
vejo tuas asas brancas.



Menção Honrosa no ÌÌ Prêmio Varal do
Brasil de Literatura

#o Fa1e

Por Ana Polessi
Rurandir pu&licou novas fotos no +1ace&ooI,. 6e:
vou um tempo para deixá-las perfeitas mel$orando
a luz as cores tirando as rugas do seu rosto con:
sertando uma calvície precoce e a falta de &ronzea:
do com as ferramentas virtuais.
2ara a >nternet ele n#o era o Rurandir. 2ara as cen:
tenas de seguidores ele era o Rura e o Rura era o
cara descolado o gAnio o pegador o $omem que
as mul$eres dese%am e os $omens inve%am. 3ra o
su%eito que lan"ava moda e ditava as regras.
3le n#o dormia mais. Alimentava-se de salgadi:
n$os e energéticos. Assistia o nascer do sol pela
>nternet tirava fotos do café da man$#. /onseguiu
patrocínio para sua página e largou seu emprego
tornando-se cada vez mais dedicado ao mundo vir:
tual.
Rurandir passou a m#o pelo rosto e decidiu fazer a
&ar&a. Domou um susto ao ol$ar-se no espel$o do
&an$eiro e confrontar-se com a figura de rosto pá:
lido e murc$o. 2arecia des&otado meio amarelado
e seco com seus reais LM e poucos anos. 2ara a
internet ele mentia dizendo ter PM.
Rurandir come"ou a sentir medo de perder seus
seguidores e saiu de casa em &usca de inspira"#o e
imagens idiotas que provocavam riso fácil.
O Rura virou sím&olo meme referAncia.
<as uma vez diante do espel$o o $omem assusta:
va-se com o que via. 5eu aspecto real piorava. 3ra
um 0orian ;raS ao contrário. -as imagens do 1a:
ce&ooI o Rura estava cada vez mais &ronzeado de
sol suas roupas eram coloridas e de grife. O Rura
sacaneava todo mundo tin$a tiradas impressionan:
tes.
O Rurandir virou uma som&ra.
O Rô 5oares n#o falou do Rura no programa dele?
Alguém ac$ava que $avia lido so&re isso na >nter:
net mas n#o sa&ia se era verdade.
Ora quem se importa com a verdade na >nternet?
Rurandir tocou a superfície do espel$o. 5eus dedos
pareciam feitos de alguma matéria muito sutil. 5ua
pele adquirira uma tonalidade esmaecida sépia.
Rurandir se transformou numa vel$a fotografia es:
quecida numa gaveta.
/omo no livro +A inven"#o de <orel, de CioS
/asares cada imagem que Rurandir registrou rou:
&ou dele um pouco de sua vida física real. Drans:
formado em fantasma Rurandir lamentou ter cria:
do o Rura cu%a vida era feita de imagens vazias e
acontecimentos medíocres transformados em fatos
mira&olantes.
5entia-se desfazer-se. 5uas m#os transparentes en:
contravam dificuldade em sentir o teclado porém
nada podia demovA-lo de enviar um aviso um de:
sa&afo a )ltima frase. 3ra preciso dar a )ltima pa:
lavra e triunfar so&re aquele universo virtual. 3le
queria resumir tudo o que l$e acontecera numa
mensagem mas n#o $ouve tempo e só conseguiu
pu&licar: +-o 1ace a realidade é o Rura...,
Rurandir n#o desapareceu apenas se tornou espíri:
to errante que n#o era notado no mundo real. -o
mundo real só a matéria é levada em conta. Ou o
que se parece com a matéria.
O Rura so&reviveu como lenda na >nternet. A men:
sagem de Rurandir virou &ord#o de programa $u:
morístico e sua página no 1ace&ooI foi invadida.
0iariamente novas fotos do Rura s#o postadas. 5#o
montagens muito &em feitas mostrando Rura na
3uropa &ei%ando Angelina Rolie fazendo tro"a das
cele&ridades internacionais.
9ma nova mensagem confirma que Rura vai pu&li:
car um livro que vai virar filme. 3 que depois dis:
so ele vai casar com uma atriz internacional que
está largando do marido por causa dele.
-ada disso é verdade.
<as quem se importa com a verdade neste mun:
do?

<en"#o Bonrosa no >> 2rAmio
8aral do Crasil de 6iteratura
<en"#o Bonrosa no >>
2rAmio 8aral do Crasil de
6iteratura





CI#EMA

Por Mar1o Miranda

@uando eu era pequeno queria muito ir a um
cinema. 3u n#o sa&ia o que era cinema porém que:
ria muito ir a um. 2ode parecer estran$o nos dias
de $o%e alguém n#o sa&er o que seria um cinema.
-o meu tempo de crian"a entretanto onde ainda
n#o $avia tanta tecnologia e onde as informa"*es e
as mídias n#o tin$am uma t#o profunda penetra"#o
a gurizada n#o sa&ia com clareza de várias coisas.
-o &airro em que eu morava em um su&)r&io
muito distante do centro da cidade $avia um cine:
ma pomposamente c$amado de /ine 2alácio. 5o:
mente o nome %á indicava e remetia para algo sun:
tuoso onde coisas inimagináveis e magníficas
aconteciam. 8erdadeiros /astelos onde (herazades
maravil$osas nos recepcionariam e nos conduziri:
am aos mais mira&olantes son$os das mil e uma
noites.
0epois de muita negocia"#o em casa para ter o
direito de ir ao cinema o t#o esperado dia c$egou.
/laro que para ir a um local t#o espetacular $avia a
necessidade de um &an$o especial e roupas pró:
prias =quela ocasi#o dignas daquele local.
<in$a m#e $avia separado um terno de cal"as
curtas que eu tin$a. 3ra interessante aquele tipo de
roupa. /reio que n#o existe mais. 3xistia contudo
naquela ocasi#o um terno próprio para crian"a
com paletó colete e cal"a. /om um detal$e: a cal:
"a era curta. Dudo arrematado com a impecável
gravatin$a &or&oleta. 2ara completar a vestimenta
usavam-se sapatos e meias pretas.
Assim que sai do &an$o e vi que meu terno esta:
va esticado so&re a cama perce&i que de fato iria a
um lugar muito especial uma vez que aquela roupa
era reservada somente para ocasi*es que exigiam
algo superior.
@uando terminei de me vestir penteei o ca&elo
com muito cuidado e passei um produto muito co:
mum naquela época c$amado )ume". O )ume"
era uma espécie de geleia talvez um gel que c$ei:
rava a álcool e que se passava nos ca&elos. @uando
)mido era maleável e permitia que se penteasse e
moldasse os ca&elos como &em quiséssemos.
@uando o produto secava todavia tornava-se duro
e rígido e nem a mais espetacular ventania conse:
guia mexer em um )nico fio.
/om os ca&elos devidamente penteados e &ril$an:
tes tra%ando o mais precioso terno emoldurado por
uma gravata &or&oleta t#o rígida quanto meus ca:
&elos sai do quarto e fui para a sala. <eu pai usava
um terno de lin$o &ranco impecável e min$a m#e
sapatos com saltos de taman$o médio que l$e con:
feria certa estatura. O c$apéu que usava pendia pe:
la lateral da ca&e"a em um constante suspense para
adivin$armos se cairia ou n#o. 8estia uma espécie
de paletó com saia cinza claro e usava um &roc$e
que lem&rava a figura de um índio com pedras de
várias cores.
5aímos para a rua. 5e &em me lem&ro naquele
dia mais que nunca perce&i ou intui as mexeri:
queiras por trás de portas e %anelas comentando
so&re nós e especulando aonde iríamos chics como
estávamos.
/$egamos ao cinema. A fac$ada era ostentosa e
exi&ia um grande cartaz com o titulo do filme +O
)ltimo dos moicanos, logo a&aixo de onde se lia:
/ine 2alácio. 3ra um prédio grande cu%o interior
parecia ainda maior com o pé direito equivalente a
vários andares. Bavia ent#o uma grande escadaria
que levara ao mezanino. O Ball de entrada era lar:
go e parecia imenso. Dudo parecia gigantesco.
Bavia um &aleiro no lado esquerdo de quem
entrava que vendia as famosas &alas T&onecoT.
3ram deliciosas. 9m pacote de &alas &oneco equi:
valia a um prémio e somente aos muito especiais
era oferecido o pequeno pacote que contin$a as
preciosas &alas.
!5egue'
-aquele dia fui um dos contemplados. 0e pos:
se do meu prAmio su&imos as escadas que nos
levavam ao mezanino do cinema. Após nos aco:
modar e aguardar por algum tempo soaram for:
tes profundas e graves várias &adaladas. 3ra o
sinal para o início da se"#o. As imensas cortinas
vermel$as que co&riam a parede central da sala
exatamente = nossa frente se a&riram puxadas
para as laterais do espa"o.
As luzes se apagaram e um medo muito gran:
de se apoderou de min$a alma. O que aconteceria
agora? O que viria a seguir?
A escurid#o permaneceu assim por curto espa:
"o de tempo o suficiente entretanto para eu pro:
curar ac$ar e segurar firmemente a m#o de mi:
n$a m#e que estava sentada ao meu lado.
3 ent#o a mágica aconteceu. >magens vívidas
e &ril$antes surgiam a min$a frente se movimen:
tavam sorriam e falavam. 9m imenso navio apa:
receu como por um milagre e no instante seguinte
%á estava em alto mar navegando por águas tur&u:
lentas so& uma c$uva forte e constante. 2or um
momento me perguntei se mol$aria min$as rou:
pas. 3 isto era apenas o início o trailer.
3 assim foi toda a se"#o. Ao final eu $avia me
transformado. -#o era mais aquele garoto &o&o
que $avia pouco tempo entrou naquele cinema.
O que saia dali era um $omem. 3xperiente e vivi:
do. @ue %á $avia ido ao /inema.

O Bei3a-4lor e o Violinista

Por 5$liano sotti

O &ei%a-flor ouve um som. 9ma melodia. 1ascina:
do voa conforme o ritmo. As notas suaves o fazem
ir de um lado para outro. <aravil$oso. 2erce&e que
a m)sica ocorre sempre no mesmo local todas as
man$#s: uma casa do lado da floresta onde um se:
n$or de ca&elos &rancos toca vagarosamente seu
violino al$eio = criaturin$a que &alan"a ao seu to:
car.
<as um dia o $omem vai tocando em dire"#o = %a:
nela e vA o pássaro a repetir seus movimentos.
/oincidAncia? 1az vários experimentos com sua
m)sica para ver a dan"a do &ei%a-flor tomando
sempre o cuidado de n#o exaustar o amigo $ipnoti:
zado pelo seu som.
Amigos do violinista vAm visitar ele e seu compa:
n$eiro de m)sica. 3ncantador. 3 estes c$amam
mais pessoas e o vel$o come"a a fazer apresenta:
"*es em sua casa a cada final de semana. ;an$a
fama: passa a ser amigo de pessoas importantes e
influentes que vAm curiosos para ver a ave do para:
íso dan"ar.
3m uma apresenta"#o decide testar algo diferente.
/ome"a a tocar rápido e alto. <ais rápido e mais
alto. 3 cada vez mais rápido o &ei%a-flor se movia.
3 mais alto. Dodos ol$am para o zigzag da ave uma
lin$a de sismógrafo su&indo na vertical. <ais alto e
mais rápido o violinista toca até o pássaro c$egar
ao teto. 3nt#o cessa. O dan"arino desce em mergu:
l$o uma pedra exausto. Cate ao c$#o. <orre.
O violinista se culpa mas todos se comovem e o
consolam. 5a&em que foi sem inten"#o. -a man$#
seguinte ele se despede do pássaro e o enterra. Rura
n#o tornar a cometer tal erro. 3 sai a andar na flo:
resta. /om seu violino. 3m &usca de um outro &ei%a
-flor dan"ante.
<en"#o Bonrosa no >> 2rAmio
8aral do Crasil de 6iteratura


3i'ite o no''o 'iteA
FFF!%ardobra'i(!.o&

<en"#o Bonrosa no >>
2rAmio 8aral do Crasil de
6iteratura




A M$l*er no Espel*o

Por T$lia Lopes

@uando eu era crian"a costumava conversar com
uma mul$er no espel$o.
4ramos grandes amigas. /ompartil$ávamos um
monte de coisas( penteávamos o ca&elo %untas( até
nossa primeira maquiagem fizemos %untas quando
eu Trou&eiT a caixa de maquiagem de min$a m#e e
experimentamos todas as som&ras &atons cores
antes que min$a m#e desco&risse meu TpecadoT.
2assávamos muito tempo %untas contando estórias
uma para a outra. 3u adorava imaginar e contar
para ela o que eu queria ser quando crescesse( esse
era um de meus passatempos preferidos. Eealmen:
te gostávamos uma da outra e curtíamos estar %un:
tas. -a verdade ela estava comigo o tempo intei:
ro porque min$a m#e tin$a me dado um dos seus
pós compactos e ele tin$a um espel$o( assim eu a
carregava comigo para todas as partes.
7 medida que fui crescendo muitas outras pesso:
as apareceram em min$a vida: amigas amigos e
os namorados. A vida ficou muito ocupada( muita
coisa para fazer para desco&rir para conversar e
da qual fazer parte.
O tempo foi passando e a mul$er no espel$o foi se
transformando em uma figura em&a"ada até que
um dia ela desapareceu e eu aca&ei me esquecen:
do dela completamente.
/$egou o momento de assumir a profiss#o( rela:
"*es sérias( compromissos sérios( decis*es sérias.
A vida tomou conta como um rio e eu me deixei
levar pela corrente.
3u %á n#o era uma garota quando um dia de re:
pente depois do &an$o levei um susto. Ol$ei para
o espel$o e vi uma mul$er. -#o a recon$eci a
princípio. 3la n#o era vel$a mas tin$a uma apa:
rAncia desgastada pelo tempo cansada( e tin$a um
ol$ar &astante triste. -a verdade me senti inco:
modada em ol$ar para ela e min$a primeira rea"#o
foi sair dali correndo. <as ela ol$ou diretamente
para mim dentro dos meus ol$os e um calafrio
percorreu todo o meu corpo de cima para &aixo( e
aí eu sou&e imediatamente que tin$a que encará-
la.
Dentei iniciar uma conversa e perguntei: *+i,
quem é você,* 3la me ol$ou um pouco surpresa e
com uma voz tranquila porém triste respondeu:
*-ocê j não se lembra de mim,* 1iquei confusa
e perguntei: *.os conhecemos,* /om um sorriso
for"ado ela ol$ou intensamente para mim e disse:
*/ $omos grandes amigas*. *(ério, .ão me
lemb0 +h... 1eu 2eus, sim, agora eu me lembro3
4sso $oi h muito tempo atrs. (im, você tem ra-
zão3 1as... você era muito di$erente antes* eu
disse espantada. *(im, eu era muito di$erente, com
certeza...*,ela respondeu.
*+ que aconteceu com você,*, perguntei. 3la
ol$ou dentro dos meus ol$os novamente e disse:
*2ei"ei de ser amada. 5ui esquecida pela pessoa
que eu mais amava. .os 6ltimos anos, todas as
pessoas, e qualquer pessoa, se tornaram mais im-
portantes do que eu. Antes, n%s éramos grandes
companheiras, compartilhvamos muitas coisas,
muitos sonhos, nossos segredos, e t'nhamos mui-
tos planos para o $uturo. .osso amor m6tuo era
nossa $orça, e não e"istia nada mais importante
do que isso. .%s sab'amos que éramos lindas e
éramos $elizes. 7udo ao nosso redor valia a pena
ser descoberto e vivido porque nos complement-
vamos, éramos uma s%.*
2ude entender perfeitamente o que ela se referia.
3u tampouco me lem&rava da )ltima vez em que
me senti amada dessa forma( eu na verdade esta:
va muito só perdida tentando desco&rir onde o
rio da vida estava me levando. Din$a perdido o
controle( sentia como se estivesse sendo levada
para algum lugar descon$ecido. 3u n#o era feliz
mas n#o sa&ia o que fazer ou quem poderia me
a%udar. 0e fato estava com muito medo.
!5egue'
Ol$ei para ela e perguntei: TPosso te ajudar,* 3la
me ol$ou detidamente por um longo período co:
mo se estivesse me examinando e finalmente
sorriu e disse: *(im. Para $alar a verdade, você é a
6nica que pode me ajudar3 8stive esperando por
você todos esses anos. Algumas vezes $iquei deses-
perada9 mas, no $undo do meu coração, eu tinha
esperança de que você voltasse um dia. (im, você
pode me ajudar. 2ê-me seu amor, e eu poderei ser
o que nasci para ser— aquela mulher maravilho-
sa com quem você costumava conversar quando
era criança9 aquela que você admirava9 a mulher
sbia com a qual você dividia seus segredos9
aquela que você acreditava que era a melhor e
mais adorvel9 aquela que sabia espalhar amor
por todos os lugares aos quais você a levava—
aquela com quem você passou os dias mais $elizes
de sua vida.*

1iquei emocionada. 1iquei um pouco angustiada
tam&ém mas ao mesmo tempo senti um pequeno
fio de alegria e li&erdade nas profundezas do meu
ser. Dalvez esse fosse o camin$o para voltar a sen:
tir tudo aquilo que ela estava me dizendo. Apesar
de me sentir confusa e n#o ter a mínima ideia por
onde come"ar fiquei feliz em sa&er que meu amor
podia a%udá-la a mul$er no espel$o.
2rometi a ela que l$e daria todo meu amor cari:
n$o respeito e admira"#o todos os dias de min$a
vida. 0ei a ela min$a palavra de $onra de que n#o
a a&andonaria. Rá n#o seria necessário levar comi:
go o pó compacto que eu carregava quando era
crian"a( prometi a ela que sempre a teria presente.
0esde esse dia criei uma rotina que sigo todas as
man$#s: acordo e vou vA-la no espel$o. 3la %á está
lá me esperando. 5orrimos uma para a outra e eu a
cumprimento: *:om dia, querida3 -ocê est linda
hoje9 mais linda do que ontem. ; sempre um gran-
de prazer vê-la. (e cuida e não se esqueça< eu te
amo. 7enha um %timo dia3*
0esde ent#o a mul$er no espel$o floresceu. 4 cla:
ramente visível que ela está feliz completa sen:
tindo-se maravil$osa. Dodo o amor que dou a ela
rece&o de volta multiplicado. Eeencontrá-la mu:
dou a min$a vida para mel$or.
/ada man$# que a ve%o a ve%o mel$or mais ple:
na mais &ela mais sá&ia mais satisfeita e realiza:
da.
3 todas as man$#s renovo min$a promessa de
amá-la a cada dia.

A A$ra do Varal

Por Gladis De)le

5ecavam no varal
algumas roupas
andaril$as da vida
qual maru%os
que a noite no &istrô
0epois do cais a garrafa
de vin$o degustaram.

1ulgurantes so& o sol
livres dos corpos
vestidos enla"ados
pelas &risas...
/amisas t#o etéreas
%á sem manc$as de uma
caneta nova que vazou
agora enroscada numa &lusa.

9ma cal"a tecida de distâncias
que ao longe o $orizonte carregou
retorna enamorada de uma al"a
que no varal ao vento encanta-se.
2e"as íntimas &alan"am esvoa"antes
-em /ronos nem R)piter
sa&em o tempo que precisam
pra secar.
Bá essAncia de lavanda
nessa aura dissolvida
com o poema no &olso.
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2rAmio 8aral do Crasil de
6iteratura

A Dan6arina
Por 5$lia Re&o



Ouviram-se sete tiros. 9ma nova coreografia fora
anunciada mas a dan"arina n#o pode ensaiar. -un:
ca $ouvera imaginado dan"ar ao som daquela m)si:
ca mas lá estava ela no centro do palco. -uma po"a
de sangue. 0isseram que foi por amor. /urioso e pa:
radoxal amor que se apodera da alma ao tempo em
que destro"a o corpo. -#o foram distri&uídos convi:
tes mas os espectadores surgiam mesmo assim aos
poucos curiosos e ávidos. O espetáculo estava a&er:
to e a entrada era franca. 2o&re dan"arina. /onta-se
que quando dan"ava arre&atava ol$ares e suspiros
lascivos. Agora %azia ali inerte num cenário $omici:
da e &anal. 5eu corpo n#o mais rodopiava ao som
dos tam&ores e ata&aques que marcavam compassa:
damente o ritmo frenético e sensual da mulata c$eia
de vida. 5ua morte fora plane%ada em nome da $onra
que %ulga e condena impiedosamente. 1ugiu covar:
demente seu algoz. -o local crian"as &rincavam
indiferentes = tragédia numa estupefadora naturali:
dade tipicamente pós-moderna. -a escola ao lado
alunos de&ru"avam-se sorridentes nas %anelas gra:
deadas aproveitando o momento para escapar da
monótona e in)til aula. -os arredores transeuntes
comentavam o fato entre receosos e omissos. Rovens
delinquentes afastaram-se da cena do crime descon:
fiados. A polícia c$egara. O ra&ec#o incum&iu-se de
carregar os restos mortais. 2o&re dan"arina. Ainda
teria seu corpo despeda"ado em resposta = procura
da ó&via causa mortis. 0e repente come"aram a sur:
gir novos cenários. 8assouras &aldes água. 2anelas
e roupas &rancas saias de renda rodadas e tor"o na
ca&e"a. 2ano da /osta. O &eco precisava ser limpo
rapidamente n#o $avia tempo a perder. Aquele local
era ponto de venda de acara%é.
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6iteratura
PRETA


Por ,aria Lui+a 2argas 3amos

0urante min$as camin$adas pelo &airro uma simpática cac$orrin$a vira-lata puríssima tanto me as:
sediou que mereceu uma crônica.
-a verdade ac$o que ela me adotou 4 uma cac$orra adulta %ovem e esguia de pelo curto &ril$oso
pretin$o apenas com as patas e as so&rancel$as manc$adas de amarelo. Catizei-a de 2reta por moti:
vos ó&vios e porque precisava dirigir-me a ela de alguma maneira uma vez que passamos uma $ora
por dia %untas e %á enfrentamos alguns perigos.
3ste &airro onde camin$o é residencial tem pouco movimento de carros fica perto do mar e o ar é
mais puro. 5ó tem um sen#o que antes n#o me causava maiores cuidados: é c$eio de c#es de guarda
das pomposas residAncias e grandes vira-latas rondando os lixos fartos. <in$a presen"a n#o costuma:
va incomodá-los entretanto parece que todos tAm verdadeira avers#o = min$a nova amiguin$a. 0e
repente surgem c#es ferozes %ogando-se contra os port*es fec$ados e outros soltos mais &arul$entos e
menos perigosos colocando a po&re 2reta em maus len"óis.
Até aí tudo &em tudo normal se a danada n#o se arvorasse em min$a propriedade e me co&rasse pro:
te"#o. 5im porque ela corre para mim c$ega a su&ir com as patas dianteiras nas min$as costas como
se eu a tivesse visto nascer. 3 lá vou eu com os &olsos c$eios de pedras colocando a cac$orrada para
correr... gan$o lam&idas sacudir de ra&o e até impress*es digitais enlameadas na min$a camiseta
&ranca.
5empre usufruí duplamente das camin$adas exercito o corpo enquanto reflito programo resolvo coi:
sas. ;osto de camin$ar sozin$a e rápido sem conversar. -esse ponto a compan$ia da min$a nova
amiga desconstruiu min$a rotina. Andamos em tal estado de alerta evitando as ruas de cac$orros mais
agressivos que o tempo passa e n#o consigo pensar em mais nada. 0espedimo-nos na pra"a porque
n#o posso tA-la em apartamento e nem teria coragem de privá-la da li&erdade das ruas.
0urante muito tempo critiquei duramente os donos de c#ezin$os por gastarem fortunas em 2et 5$ops
quando poderiam adotar uma crian"a.
Bo%e mudei um pouco min$as ideias em rela"#o ao tema. Os c#es s#o amigos fidelíssimos d#o pouco
tra&al$o fazem mais compan$ia enfim d#o aos donos um amor incondicional mesmo quando repre:
endidos ou esquecidos $oras a fio sozin$os.
2oucas crian"as tAm a c$ance de adotar um adulto que as prote%a e que ande com os &olsos c$eios de
pedras para livrá-la dos perigos. >nfelizmente.
2artindo para mais uma camin$ada me pergunto se encontrarei 2reta por lá. -#o sei os fatos episódi:
cos como o próprio nome diz n#o tAm longa dura"#o. 5e n#o a encontrar pelo menos a terei imortali:
zado nesta crônica que é o meio mais eficiente de se eternizar alguém.
<en"#o Bonrosa do >> 2rAmio 8aral do Crasil de
6iteratura
V$8?O C&A'(AU A=U$8$( RA&A>$( $ A'TIGAM$'T$


&or AosG Al:erto de (ouIa


Um puxado de zinco sobre chão batido, pedras e tijolos ali disponíveis, logo se improvisava o
fogão. A lata de querosene Jacaré dezoito litros tinha virado panela, já esterilizada pelo uso
constante. O peixe – jundiá ou pintado – dividido em postas se cozinhava ensopado, em tem-
pero de salsa, pimenta, alho e vermelhão, afora o sal, naturalmente. A água chiando, en-
quanto o trago solto corria de mão em mão, parecendo animar cada vez mais aquela gente
na fanfarronice de seus causos.
Não fosse o dono da casa servir pacientemente os seus convidados, estes avançariam fa-
mintos na panela indefesa. Assim, o corpo alimentado, é que se lembrava de tratar do espíri-
to: de todos os cantos do barraco, surgiam violões, cavaquinhos, bandolins, pandeiros, agês,
surdos e outros acessórios imprescindíveis àquele círculo sonoro. As cordas se esquentavam
na afinação dos instrumentos. Uma melodia puxando outra e mais outra e mais outra, o re-
pertório se formava ao natural.
O tempo passando, alguém começava a se sentir melancólico em recordar alguma dor de
cotovelo e não resistia àquele clima de tristeza e alegria alternadas. O sujeito, ensimesmado
na sua saudade, recolhia-se solitário em sua discrição. Mal se dava conta de que os outros
percebiam a sua fossa e, cortando o embalo, logo providenciavam que se levantasse o as-
tral. Segredos não existiam entre eles. Pois que tratasse o dito cujo de ir desabafando a sua
desdita. Esta o atingindo, contagiava o todo ali presente.
A tensão do ambiente carregado, as horas calmas da noite, era chegada a ocasião de se mu-
dar os ares – quem sabe encarar a madrugada lá fora e até acordar a causadora daquela
perturbação repentina, interrompendo-lhe o sono tranquilo com uma inesquecível serenata?
Que importaria a distância? Lá, todos iriam desprendidos ante o compromisso maior da soli-
dariedade e da ventura de se fazerem presentes naquele momento decisivo na vida do com-
panheiro. Lá, todos iriam nem que tivessem de gastar a própria sola dos pés. Para então vol-
tarem de alma limpa e passos trôpegos, cantarolando as notas e acordes da melo-poesia
que, pelo caminho, despertaria os adormecidos. Provavelmente, haveriam de se sentirem au-
reolados a andar nas nuvens como arcanjos-seresteiros.
2rimeiro 6ugar em /rônicas
>> 2rAmio 8aral do Crasil de 6iteratura
DE VIDA7 M8GICA E MIST-RIO


8ivo mastigando a vida que perpassa meu corpo.
3m memória viva me derramo som&ra e luz
3nquanto a&ra"o o desconforto
2resente no gesto
-a mente
-o riso escasso
-o c$oro semente.
1ec$o o ângulo foco o espa"o
0o raio aprisiono o fac$o
Ave palavra. A fala
O son$o.
3ncantoada na nesga do encanto
1a"o mágica e o poema se derrama
-o $orizonte me refrato.
6i&erto-me.
<in$a alma deflagro
3m mistério me espal$o...
Eeal manifesto.

Por Gai9
2rimeiro 6ugar em 2oemas
>> 2rAmio 8aral do Crasil de 6iteratura


2rimeiro lugar em
textos infantis >> 2rAmio
8aral do Crasil de 6iteratura



Tavito – $% sapin*o di4erente

Por Fl:via Assai4e

<as o que é ser diferente? -#o ser igual aos ou:
tros? 3 o que é ser igual aos outros? 8ocA sa&e o
que é ser igual ou diferente? 5er diferente pode ser
muito legal...
3ra uma vez uma floresta num lugar mágico. 6á
$aviam &ic$os que n#o eram iguais $aviam dife:
ren"as. 2ara come"ar a floresta %á n#o era igual
porque as flores eram altas multicoloridas pareci:
das com as nossas árvores e as árvores eram mais
&aixas com suas fol$as variando entre tons de
amarelo laran%a e vermel$o n#o eram verdes.
Din$a rios com águas azuis e límpidas como os
nossos mas tam&ém tin$am rios onde a água cor:
ria ao contrário e sua cor era roxa... 0iziam que
eram os rios de águas mágicas. <as nunca nin:
guém viu nada de mágico acontecer...
-este lugar o céu era muito azul de um tom claro
onde os raios de sol alaran%ados todos os dias vi:
n$am acordar a &ic$arada com seu quentin$o
a&ra"o solar.
A primeira a levantar era sempre Ra%á que se es:
pregui"ava gostosamente. 3la era uma Ra&uti que
adorava se divertir mas como nasceu surda $avia
aprendido a linguagem dos sinais ! no Crasil c$a:
mada 6i&ras – aquela que fala com as m#os' nu:
ma escola da floresta e logo ia correndo acordar
Davito seu grande amigo um sapin$o muito en:
gra"ado que n#o podia mais pular porque sofreu
um acidente e perdeu as patin$as os animais da
floresta fizeram uma cadeira de rodas muito espe:
cial para ele. /omo eram muito amigos estavam
sempre %untos aprontando todas.
<as neste lugar tam&ém tin$am outros amigos o
macaco Do&ias a raposa Di&urcío a coru%a Uilá e
a arara azul Euana.
-aquela man$# Davito estava muito triste porque
no dia anterior ele viu outros sapin$os &rincando
no rio que n#o o deixaram &rincar com eles dizi:
am que ele n#o sa&eria a &rincadeira.
O primeiro a c$egar foi o macaco Do&ias.
V 1ala ai grande Davito. Com dia. Bo%e o dia
aman$eceu lindo né cara?
Davito apenas ol$ou para Do&ias e n#o disse nada.
- @ue foi cara? @ue &ic$o te mordeu? Rá sei . tudo
porque a Ra%á n#o foi te acordar $o%e...
-esse momento c$ega Ra%á es&aforida e correndo
isto é Ra&uti corre? Ra%á era maratonista. 8enceu
várias corridas na floresta até mesmo da raposa
Di&urcio. 3la dá &om dia para os amigos na lin:
guagem das m#os e pede desculpas por n#o ter ido
acordar o Davito mas $o%e tam&ém levantou atra:
sada.
5im na floresta era comum os animais usarem a
linguagem de li&ras e falar com as m#os eOou com
a &oca conforme o necessário n#o viam nada de
diferente nisso pelo contrário ac$avam muito di:
vertido.
O Do&ias explica para Ra%á que Davito estava meio
ca&is&aixo e que ele estava %ustamente perguntan:
do o que tin$a acontecido...
Davito conta dos sapin$os que n#o quiseram dei:
xar ele &rincar só porque ele era diferente deles.
-en$um dos amigos $avia perce&ido que a coru%a
Uilá os ouvia em silAncio num gal$o acima deles
em sua árvore. /almamente ela desce até eles e
diz:
- Olá meus queridos &om dia. -#o pude deixar de
ouvir a conversa de vocAs mas me digam uma
coisa o que é ser igual ou diferente?
Os amigos se ol$aram confusos - Uilá tam&ém fa:
lou na liguagem de sinais em&ora Ra%á %á ten$a
aprendido a ler os lá&ios – na verdade n#o sa&iam
&em o que era... !5egue'
Davito quem se manifestou: - 3u queria apenas ser igual aos outros sapin$os aí eles deixariam eu &rin:
car com eles...
- 5er igual é o que n#o varia isto é mesmo taman$o gAnero cor espécie ra"a natureza esitlos pensa:
mento. 5er diferente é quem possui algo que n#o é igual ao da maioria ou que poucos possuem ter algo
que n#o é comum. 8ocA Davito é igual = eles mas diferente tam&ém. 4 igual porque é um sapo mesma
espécie cor natureza mas é diferente porque possui algo que eles n#o tem: o seu possante... 0isse Uilá.
O Do&ias para variar nao perdeu a oportunidade de falar macaquice: - 3u ac$o é que eles estavam é com
inve%a porque precisam ficar pulando o tempo todo...
-isso vem c$egando a arara azul Euana voando e Davito diz:
- Bá se eu pudesse voar como a Euana sem precisar do meu possante poderia passear pela floresta ver
tudo do alto...
- Com dia amigos. 3u te ouvi Davito. 0isse Euana. 8oar tam&ém tem seus pro&lemas meu amigo em
dias de muita c$uva sol muito quente muita ventania n#o ten$o como voar e n#o posso andar pelo
c$#o...
- Davito ninguém é mel$or do que ninguém. Dodos somos iguais em nossas diferen"as todos temos
oportunidades todos podemos aprender uns com os outros todos temos coisas &oas e coisas n#o t#o &o:
as. 8e%a eu só falo a linguagem dos sinais com as m#os min$a voz n#o sai direito e isso n#o é impedi:
mento para n#o fazer as coisas como os outros %a&utis. 0isse Ra%á.
Davito ol$ou para os amigos t#o carin$osos a&riu um &elo sorriso e disse:
- 8ocAs est#o certos. 5er igual em nossas diferen"as n#o é um pro&lema. 9ma pena que aqueles sapos
ainda n#o sai&am disso perderam a oportunidade de &rincar comigo e con$ecer novos amigos. <e de:
em um a&ra"o coletivo e vamos &rincar que o dia está lindo.
Os amigos se a&ra"aram e come"ou a algazarra... Ra%á empurrava Davito em seu possante que ria e se
divertia Euana voava por perto com Do&ais fazendo macaquices e Uilá e Di&urcio o&servando e sorrin:
do. -esta man$# Davito desco&riu como ser diferente pode ser muito legal...

RATO >M
O RATO =U$ =U$RIA MORAR
'A $(/O8A

&or $dna :ar:osa de souIa



"UMA ESTÓRÌA NA ESCOLA MUNÌCÌPAL
JOSÉ SÌLVA EM VESPASÌANO/MG¨

RATO ZÉ OUVÌA AS HÌSTÓRÌAS DE SUA
AVÓ TODOS OS DÌAS E OSERVAVA COMO
SUA AVÓ ERA ÌNTELÌGENTE.
UM DÌA PERGNTOU PARA AVÓ PORQUE
ERA TÃO SABÌA E ÌNTELÌGENTE E ELA
RESPONDEU:
- É PORQUE EU DEVORO LÌVROS, MEU
FÌLHO, LEÌO SOBRE TUDO.
RATO ZÉ, FÌCOU PENSANDO NO TANTO
QUE SUA AVÓ ERA SÁBÌA E DECÌDÌU SER
COMO SUA AVÓ.
RATO ZÉ COMEÇOU A PROCURAR COMO
FARÌA PARA SE TORNAR UM DEVORA-
DOR DE LÌVROS E PENSOU QUE PRÌMEÌ-
RO PRECÌSARÌA ACHAR UM LUGAR QUE
TÌVESSE MUÌTOS LÌVROS.
O LOCAL MAÌS PROXÌMO DE SUA CASA
ERA A ESCOLA "JOSÉ SÌLVA¨.

RATO ZÉ CHEGOU À ESCOLA TODO ANÌ-
MADO E FOÌ SE ÌNFORMAR ONDE FÌCA-
VAM OS LÌVROS, MAS LOGO PERCEBEU
QUE NÃO
TÌNHA CARA DE MUÌTOS AMÌGOS. TODOS
TÌNHAM MEDO DO RATÌNHO.

RATO ZÉ PROCUROU SOZÌNHO E ENCON-
TROU A BÌBLÌOTECA, HAVÌA UMA PRATE-
LEÌRA DE DÌCÌONÁRÌOS. ELE FÌCOU MA-
RAVÌLHADO.
ESCONDEU-SE ATRÁS DOS LÌVROS E
PÔS-SE A DEVORÁ-LOS.
MAS LOGO FOÌ DESCOBERTO. A EQUÌPE
DA LÌMPEZA DA ESCOLA NÃO DEÌXOU
POR MENOS, COMEÇOU A CAÇA AO RA-
TÌNHO.

TODOS OS DÌAS A BUSCA AO RATO TÌ-
NHA UM NOVO CAPÌTULO. RATO ZÉ NÃO
TÌNHA SOSSEGO PARA DEVORAR SEUS
DÌCÌONÁRÌOS. NÃO TÌNHA OUTRA SAÍDA
SE NÃO VOLTAR PARA O RECANTO DA
AVÓ.

QUANDO CHEGOU, DESÌLUDÌDO, VOVÓ
LHE PERGUNTOU:
- RATO ZÉ, PORQUE VOCÊ QUERÌA TAN-
TO DEVORAR DÌCÌONÁRÌOS E LÌVROS?
- VOVÓ, EU QUERÌA ENCONTRAR UM SÌG-
NÌFÌCADO PARA MÌNHA VÌDA: SER SÁBÌO
COMO VOCÊ.
RESPONDEU RATO ZÉ, MUÌTO TRÌSTE
PENSANDO EM QUE OUTRO LOCAL PO-
DERÌA SE HOSPEDAR.








<en"#o $onrosa no >> 2rAmio
8aral do Crasil de 6iteratura
SER8 ,UE PODE;

Por 5oana P$&lia


<enina pode usar azul?
2ode. 2ode usar azul rosa preto roxo amarelo e verde lim#o.
2ode andar de costas a&rir os ol$os em&aixo dWágua andar de &icicleta e &rigar com seu irm#o.
<enino pode &rincar de &onecas?
2ode. 2ode &rincar de &onecas de casin$a esconde-esconde de roda e polícia-ladr#o.
2ode comer manga e &e&er leite ir para o &an$o sem ninguém mandar e ter aulas de viol#o.
<enina pode %ogar fute&ol?
2ode. 2ode %ogar fute&ol &olin$as de gude pedrin$as na água amarelin$a cartas e gam#o.
2ode gostar de fazer os temas su&ir em árvores contar estrelas por o dedo no nariz e lavar a m#o.
<enino pode ter medo?
2ode. 2ode ter medo de escuro de ficar de castigo de &arata de &rigas de raio e de assom&ra"#o.
2ode usar a toal$a como capa andar de sIate se esconder em&aixo da cama c$eirar as flores e in:
ventar uma can"#o.
<enina e menino podem ter qualquer tipo de família?
2odem. 2odem ter família com pai e m#e só pai só m#e só avós só tios todos eles e mais de um
irm#o.
2odem ter dois pais duas m#es cac$orro gato papagaio padrasto madrasta todos %untos dentro do
cora"#o.
<en"#o $onrosa no >> 2rAmio
8aral do Crasil de 6iteratura
ARIBELO

Por Anette Ape1 Bar)osa


3ra F vez F menina c$amada /atarina... P anos ca&elos lisos e compridos... <ais parecia uma linda
princesa sapeca levada da &reca arteira como ela só.
-uma certa tarde c$uvosa a pequena - c$orosa teimava ficar na c$uva para fazer compan$ia = Ari&e:
lo seu amiguin$o voador que mol$ado n#o podia voar.
5o& protestos veementes da menina mam#e Alexandra tirou da c$uva a solidaria /atarina antes que
um resfriado malvado a pegasse e doente pudesse ficar.
<as e o Ari&elo? 5erá que a mam#e esqueceu-se dele naquele tempo ruim? Ac$o que n#o. 2ois ela
encafifada com essa estória se perguntou: +5erá que a min$a fil$in$a
arrumou um amiguin$o imaginário 5erá?... 5ó pode ser isso pois ele n#o consigo ver.,
2apai 6uiz Benrique por sua 83U preocupado com a menina e em segredo - petrificado de medo
resmungava com os seus &ot*es: +Bumm....@uem será esse fil$ote de cruz credo com fantasma que a
Datá c$ora e quer proteger e que só ela e mais ninguém vA.?.. 3stran$o....
3 assim o tempo passou passou e %unto com ele o temporal aca&ou. 9ma nova man$# acordou tran:
quila clara refrescante e no mesmo instante /atarina tam&ém acordou...
3 antes de: lavar o rosto escovar os dentes e &otar o uniforme da crec$e ela lem&rou a&ruptamente
do amiguin$o Ari&elo - que dormira na c$uva pois de asas mol$adas n#o podia voar. 3nt#o ela pulou
da cama e desesperada em disparada ela correu ao %ardim da sua casa para ver se ele estava &em. Aí
sempre ol$ando para o alto arteira menina avistou uma li&élula voando leve e faceira no céu azul.
-#o demorou muito - pra que de norte a sul - sua face se a&risse num sorriso radiante e ela correu
correu saltitante naquele c$#o florido atrás do irrequieto inseto colorido que voava no ar sem pa:
rar....3 na maior emo"#o lacrime%ando a pequenina /atarina seguia efusiva
gritando: Ari&elo Ari&elo é vocA +miguin$o,... 4 vocA ?...8ocA vive e +segue, voar....
Castou presenciar aquilo tudo para mam#e Alexandra finalmente compreender a sua menina: +A$á.
3nt#o Ari&elo é aquela li&élula no ar?,. 3 de repente lem&rou de uma cena de tempos atrás quando a
pequena a ouviu comentar com o papai so&re uma li&élula feliz que peram&ulava o %ardim... 6ogo
por certo a mente infantil da imaginativa crian"a entrou em a"#o e dando asas a imagina"#o enten:
deu que a li&élula c$amava Ari&elo...3 por Ari&elo ela o &atizou,.
3 assim desco&erto o mistério AE>C36O termina a nossa $istoria
da pequena /atarina menina levada da &reca arteira como ela só.
<en"#o $onrosa no >> 2rAmio
8aral do Crasil de 6iteratura
Dentro da Gente

Por #el1i Ba1< Oliveira

0entro da gente
Dem uma coisin$a
@ue faz a gente crescer
3 &rincar de casin$a.

0entro da casin$a
<ora um menino
@ue a gente viu
Andando sem destino.

/om lápis de cera
Eiscou o céu
5urgiu um arco-íris
9sando c$apéu.

0entro da gente
<oram $istórias de fadas
0e &ic$os de &ruxas
0e crian"as levadas.

0entro da gente
<ora morcego cegon$a
6á dentro... mora tudo
O que a gente son$a.
<en"#o $onrosa no >> 2rAmio
8aral do Crasil de 6iteratura
'DO M$ ABA'O'$ $8A


Oceano arquejando, indo e vindo no acúbito,
Areia a ronronar, arranhando em decúbito;
Beijo boca salgada, dois seios de orvalho,
Dedos meus numa púbis de água e cascalho.

A terra e o mar de fuga, o eterno e o súbito,
Dois titãs se procuram, imenso concúbito,
Como nós, nos amando, em meio ao crisalho,
Vai-e-vem solitário, solidário malho.

Amo a noite e a mulher, ela a mim e a Urano,
Afogada entre estrelas, grávida de arcano.
Dá-me ela o olhar onde a lua se espelha:

— Não me abandone ela! peço a tal centelha.
E a espuma e a marola transfogem de mim
Quando a invadem odisseias, naufrágio e anequim...


&or I#or BuNs
<en"#o $onrosa no >> 2rAmio
8aral do Crasil de 6iteratura
AURMO8A(

&or (andra Ber#

Um cadarço de sapatos me fez recordar um tempo distante
Quando eu tive a chance de intentar
Para mudar os caminhos.
Eu estava sob a chuva que lava os erros
E podia beber tranquila a temperança daqueles dias.

Por um descuido, talvez, deixei passar o momento
E não me dei conta de que o pé crescia,
Que os sapatos a cada ano aumentavam de número,
Que o brilho inocente no olhar ia mudando,
Tomando aquele ar mais sério (ou triste?)

Olhei os seus dedos tingidos de azul
Da caneta esferográfica, e não me toquei
De que eu jamais poderia reaver pedaços da vida
Esperando entre as folhas dos cadernos
Que, nos esconderijos do tempo se perderiam.

Não me ocorreu que eu não podia guardar manhãs de violinos,
Quadrantes de sol, nem as tachinhas brilhantes
Que se desprendiam das roupas, dos brinquedos e de tudo;
Até as figurinhas que colecionavas
Voaram com o vento

Lembranças ficam inertes ao ímpeto da vela do dia.
No escuro da noite elas teimam em arder,
Ficam de sentinela na insônia queimando na saudade
Dum tempo que nunca mais vai voltar.
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8aral do Crasil de 6iteratura
8OUVOR ] MU8?$R

&or Isis dias vieira

Mulher de luz, chama divina
Teu coração se abre
E atrás dos teus passos
Um caminho de rosas
Exala a doçura do teu Amor.
Como a Terra, tu tens em ti
O canto de Deus de toda eternidade,
A chave da luz e da vida.
Vinda dos espaços celestes
Às terras profundas,
Tu encarnas a harmonia essencial,
A trama da criação.
Reconciliada com o infinito,
Tu te tornas a estrela
Do mistério do mundo.

Mulher de luz, chama divina
Lugar Santo incomparável,
O movimento da energia divina,
A força do Amor,
A casa de Deus.
Em teu corpo fecundo
O Céu e a Terra se reencontram
E Deus se faz HOMEM.
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8aral do Crasil de 6iteratura
As %:s1aras da dor

2or 8icAncia Raguari&e

@uando o pranto se nega a rolar
Eecol$eu-se a dor nas entran$as da alma.
A calma que se espraia é superfície.
4 superfície o riso que se ensaia.

@uando o pranto se nega a rolar
3nredou-se a dor nos la&irintos interiores.
O controle que se irradia é superfície.
4 superfície a indiferen"a que se anuncia.

@uando o pranto se nega a rolar
3scondeu-se a dor no profundo do espírito.
A alegria que se espal$a é superfície.
4 superfície a passividade que se esgal$a.

A superfície é camada vulnerável.
As aparAncias e as máscaras corrói o tempo.
O riso e a alegria recuam e saem de campo.
/omo um pirilampo &ril$a a dor sem anestesia.
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8aral do Crasil de 6iteratura
A P*il Spe1tor

Por Sandra #as1i%ento
5egue o $omem acuado em seu viver
Agora escondido de sua rosa original
Os passos torpes camin$am apenas até uma grade
3nquanto a mente ávida amplia
O movimento colorido do som
<as seus ol$os %á n#o podem alcan"ar estrelas
-em o cora"#o cansado escala
O mundo vivo em tons.
5#o pálidos os muros que silenciam o canto
2orque guardam o lirismo e ini&em o dom
0estinados a lugares descon$ecidos
Aonde gera"*es esperam para ouvir a outra can"#o
2renunciada em todos os tempos
<enos no instante que pôde parar o verso
Eepleto de luz
3 vida
Bá alguém por favor para dizer
5e é possível desautorizar
O pensamento de vi&rar
>nventar rios
Cuscar os mares e encontrar
3ssas águas que dissipam o mal e depois
– profundas e mornas –
Anin$am o son$o e expandem o canto?
6á fora é inverno de novo
Outra flor resiste ao vento e teima em &rotar na cal"ada
A cidade anda triste
Dodos passam... 3 ninguém perce&eu
3ra preciso cuidar do %ardim guardado
-a intui"#o do $omem
2orque a 6ua clara ainda flutua distante
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8aral do Crasil de 6iteratura
VIO8DO AMA'T$

&or A#lae Torres

Nasci pelas mãos de um artista. Ele moldou-me com as formas femininas e pe-
las cordas deu-me a voz. Alma de mulher. Mantinha-me junto ao peito abraçando-me.
Fazendo-me conhecer tão bem a alma feminina, apesar de eu ser masculino - Violão -
.
Um cantor e o violão dedilhando canções apaixonadas arrancavam suspiros. A
musa inspiradora, a Cabocla. Nos tempos de ouro e aplauso fui rei para os corações.
Ela emprestou luminosidade às minhas cordas e eu me transformava nas ori-
gens. Um corpo de mulher. Eu em destaque no barracão inclinando-me em direção a
ela. Meu dono abraçava-me junto ao peito na tradução do amor explodindo e cingia as
cordas em versos musicais para a amada cabocla.
A Lua queria compartilhar o Amor e infiltrou-se presenteando o barraco com as-
tros pelo chão. E resplandecia meu corpo também. Eu revivia ao vê-la pisar nos as-
tros iluminada.
A Lua se escondeu em céus nublados e as estrelas apagaram-se espalhando triste-
za... Para impedir as estrelas de brincar no ex-nosso chão, avivando a lembrança.
Tuas pisadas no banho de lua e meus braços te envolvendo.
O violão emudeceu, desafinou, perdeu a sonoridade que se originava na mulher
amante. A cabocla voou. Lua estrelada... a grande ausente. E Ela? Demitiu-se de
amar.

Inspirado na 06sica %&ão de @strelas8
Silvio %aldas – 5restes Barbosa
<en"#o $onrosa no >> 2rAmio
8aral do Crasil de 6iteratura







AMOR R$A8

&or Vera (al:e#o

No interior do Rio Grande do Sul, precisa-
mente em Alegrete, havia duas adolescentes
que começavam a frequentar a casa uma da
outra, pois se conheciam desde a Escola Pri-
mária.
Luiza e Bia passeavam juntas e, como mora-
vam no interior, não tinham muitas opção de
passeios, então iam aos parques e cinemas.
As duas gostavam de estar juntas.
Os dias iam passando e a vida também. Lui-
za tinha uma cachorrinha e gostava muito
dela. Ìam ao parque e caminhavam pelas lar-
gas avenidas daquele belo lugar. Durante o
passeio, as amigas conversavam muito sobre
vários assuntos e percebiam a afinidade que
tinham uma com a outra.
Passados os dias, aparece um rapaz loiro
chamado Paulo, de olhos claros querendo
namorar Luiza.
Luiza ainda não tinha decidido ter namorado
e foi levando Paulo até onde pôde.
Até que um dia chegando a sua casa, vê que
alguém esta falando com seus pais. Era Pau-
lo! Estava pedindo permissão para namorar
com ela. Luiza ficou quieta, pensativa e per-
cebeu que estava entrando num beco sem
saída. Embora não soubesse por que, sentia-
se dessa maneira.
Os dias foram passando e Paulo começa a
frequentar sua casa. Suas longas conversas
com Bia vão ficando raras.
Luiza percebe que não gosta das carícias de
Paulo, mas não tem coragem de falar para
ele. Paulo cada dia mais apaixonado, não
percebe a frieza da namorada Luiza. Confu-
sa com suas ideias, ela fica quieta pensando
em sua vida e percebe que nos seus pensa-
mentos sempre vem a imagem de sua amiga.
Bia estranha a ausência de sua amiga e fica
caminhando sozinha pelas ruas de Alegrete.
Certo dia vai a um rodeio e encontra Luiza e
Paulo. Vai ao seu encontro, cumprimenta os
dois e ficam ali conversando. Percebe que
Luiza não para de olhar para ela profunda-
mente e nota que fica corada com essa situa-
ção.
Bia se envolve com seus eventos na escola e
percebe que sente a falta de sua amiga, que
hoje já não fica como antes depois do horá-
rio, para ajudar nas tarefas da aula.
Meses se passaram e as duas só se viam na
escola. Não mais saíam.
Cada dia que passa Luiza sente uma tristeza
enorme, que invade sua alma.
Paulo entusiasmado com a beleza de Luiza
resolve pedi-la em casamento e vai até sua
casa. Lá chegando Luiza o recebe com o
mesmo sorriso. Ele cheio de amor a pede em
casamento querendo marcar para breve o
enlace matrimonial.
Luiza reflete sobre o pedido de casamento e
pede que ele espere a resposta. Nota que
não está feliz com essa situação, pois não
deixa de pensar em Bia. Resolve ir à casa
dela.
Vai rápido e, chegando lá, encontra Bia dor-
mindo. Fica admirando aquele corpo maravi-
lhoso, aqueles cabelos longos e sedosos e
um carinho todo especial começa a vir à to-
na. Sente no ar o perfume de sua amiga que
inebria seus sentidos. Fica ali contemplando.
Quando Bia acorda, vê sua amiga ali perto,
com cara de felicidade.
Sorri para sua amiga e pergunta: (Segue)
<en"#o $onrosa no >> 2rAmio
8aral do Crasil de 6iteratura
- O que tu estás fazendo por aqui, sua desa-
parecida?
Luiza não responde, pega sua amiga e lhe dá
um beijo demorado sentindo que é correspon-
dida. Ficam ali abraçadas, fazendo carinhos
uma na outra sem se dizerem nada.
As horas passam e não percebem, pois estão
tão felizes que parecem ouvir violinos em sua
volta.
Luiza, então, desvenda o mistério que sentia,
pois pensava muito em sua amiga. Só não
sabia que estava dentro do seu coração um
carinho todo especial por Bia. As duas ficam
conversando sobre o assunto. Luiza está feliz
com sua amiga, ainda mais que Bia corres-
ponde ao seu amor. Ela confessa que já gos-
tava de Luiza, mas não tinha coragem de con-
fessar esse amor por ela, ainda mais que a
outra estava namorando, então procurou ficar
quietinha, na dela, sofrendo calada.
Luiza então diz que vai contar ao Paulo que
não o ama, pois está apaixonada por sua ami-
ga.
Volta para sua casa e o encontra falando com
seus pais. Respira fundo e diz a Paulo que
quer lhe falar.
Os dois vão para a varanda e Luiza conta o
ocorrido. Paulo, agora triste com a situação,
comenta que tinha notado a frieza de sua na-
morada. Despedem-se e ele parte triste, não
retornando mais à casa dela.
A noite chega e seus pais querem saber o
que houve com eles. Luiza então os encara e
diz a verdade:
- Estou apaixonada por Bia e ela também me
ama. Estamos felizes.
Seus pais a olham e dizem:
- Filha, não é fácil esse sentimento que está
sentindo por sua amiga. Mas se você é feliz
nós a apoiamos, porque a amamos, e será
sempre a nossa menina.
Os três se abraçam felizes.
Luiza corre e liga para Bia contando sobre o
que havia acontecido e que contou também
para sua família.
Marcam um encontro ao luar. Chegando lá, as
duas se abraçam e se beijam livremente se-
lando assim o amor das duas!
Nota - Qualquer semelhança com nomes e
acontecimentos, terá sido mera
coincidência. Não são fatos reais.















Você desenha, pinta,
"oto#ra"aF =ue tal ser o
autor da capa do livro
Varal AntolR#ico ,F

$nvie sua arte para o e-mail
varaldo:rasil;#mail.com
O $'/O'TRO O( RIO(

&or Isis ias Vieira

Nos tempos da minha infância, quando não
havia a consciência de separação entre nós e
a natureza, a vida era simples, devagar, des-
preocupada e, por isso mesmo, feliz. Tudo se
resumia em ir para a escola, brincar livremen-
te, fazer algumas tarefas domésticas e explo-
rar de todas as maneiras a natureza ao nos-
so redor: subir nas árvores e colher seus deli-
ciosos frutos, caçar passarinhos com estilin-
gue, tomar banho de rio, brincar na chuva,
pescar, jogar amarelinha e bilisco, brincar de
"cabo de guerra¨ (meninos contra meninas) ...

Nessa vila do interior, ao norte do Espírito do
Santo, chamada Vila Verde, dois rios, o São
José e o Rio Novo, se encontram e se fun-
dem num sublime abraço fraternal, lembran-
do-nos da eterna unidade de todas as coisas.
No encontro das águas desses dois rios, ha-
via um enorme ingazeiro, onde os meninos
se divertiam comendo ingá e pulando das al-
turas de seus galhos, para mergulhar pelados
nas águas frias do rio São José.

As águas do rio São José são transparentes
e frias, porque brotam em nascentes numa
montanha próxima à vila. As do rio Novo são
barrentas e mornas, pois percorrem outros
vilarejos e vales, antes de chegar à vila. A
pureza das águas desses rios permitia a exis-
tência de muitos e variados tipos de peixes,
que supriam as necessidades alimentares da
pequena população. Era comum, à noite,
meu pai e meus irmãos irem, munidos de pu-
çás, lanternas e facões, pescar cascudos,
traíras e robalos, que eu e minha irmã mais
velha limpávamos na pedra à beira do rio No-
vo. Nos finais de semana, as crianças pesca-
vam lambaris com anzol. Que delícia eram os
lambaris crocantes que minha mãe fritava na
gordura de porco!

Situada num vale, entre duas montanhas co-
bertas de mata ciliar e cercada de árvores
frutíferas nativas, Vila Verde fazia jus ao seu
nome. Jamais existiram nem existirão nos
supermercados, bananas, mixiricas, laranjas,
goiabas e mangas tão doces, tão saborosas
e tão suculentas!

O tempo passou, vieram as madeireiras, os
"barões do café¨ e, com eles, a destruição
das matas próximas à vila, transformando tu-
do em pastos e cafezais. A vila cresceu e,
com esse crescimento, chegaram o asfalto, a
televisão, o comércio, os carros. Mas junto
com esse progresso, não chegaram o respei-
to e o cuidado com a natureza. E nós, que a
amávamos e vivíamos em unidade com ela,
fomos todos embora da vila para continuar os
estudos na cidade grande.

Hoje, o que temos é o rio São José mais es-
treito, por causa das ervas daninhas que in-
festam suas margens, devido ao seu assore-
amento; e o rio Novo, velho e moribundo, por
causa dos esgotos que o infectam. No lugar
do encontro das águas desses dois rios, on-
de os meninos tomavam banho pelados, foi
construído um depósito, que a população
chama de "Pinicão¨, para filtrar, sem trata-
mento, os esgotos.

E a vila, que era verde, continua a existir. Vila
Verde, como era dantes, existe apenas nas
lembranças da minha infância!
<en"#o $onrosa no >> 2rAmio
8aral do Crasil de 6iteratura






Sal=o de )eleza>

Por Ma&ada Re&adas Resende

3m meio =quele &arul$o todo estava difícil enten:
der alguma coisa. A quest#o se torna ainda mais
séria quando seus ouvidos est#o parcialmente tam:
pados por uma onda de papel que pendem da ca&e:
"a em cac$os formando a mais estran$a das árvo:
res de natal.
2rocuro outra forma de compreens#o fa"o uso da
vis#o( ol$o fixamente para a &oca da locutora que
repete pela terceira vez a pergunta %á alterando o
tom da voz e a express#o facial - de delicada para
impaciente.
1uncionou. 3ntendi a pergunta. 3stou ficando cra:
que em leitura la&ial.
- @ual o n)mero de seu cart#o?
/laro que algum tempo atrás essa pergunta n#o
faria o menor sentido a n#o ser na $ora do paga:
mento ao final de todo o processo do +pit stop,.
<as n#o é o caso estou no meio da min$a
+parada, ainda falta um alin$amento aqui outro
ali e um apertin$o na cola para a +un$a, n#o sair
no meio da corrida da semana.
3le existe aqui tam&ém. A era do cart#o c$egou
ao mundo dos grandes sal*es de &eleza. 8ocA c$e:
ga ao &alc#o da recep"#o diz seu $orário rece&e
um cart#o numerado e aguarda sua vez de cair nas
m#os de vários profissionais.
4 a parada o&rigatória antes de qualquer evento
se%a profissional social ou apenas um %antar fami:
liar. Doda mul$er dá uma paradin$a lá se%a para
trocar o óleo cali&rar os pneus regular a dire"#o
n#o importa. Dodas fazem o mesmo. 9mas em ca:
sa outras no sal#o da esquina e outras só se lan:
"am nas m#os de vel$os con$ecidos – s#o fiéis aos
profissionais que cuidam de sua +máquina,.
2or isso existe tam&ém o cart#o fidelidade que l$e
permite acumular pontos que posteriormente s#o
revertidos em vantagens ou descontos em algum
tratamento ou numa compra de produtos.
- 0esculpe-me querida meu n)mero é FFMM.
-#o era a primeira que me perguntava isso $o%e.
3u %á devia ter deduzido era ó&vio que ela queria
sa&er o n)mero do meu cart#o por que demorei
tanto a entender?
A primeira foi a 5a&rina responsável por deixar
min$as so&rancel$as na lin$a( depois a /láudia
que deixou meu &u"o clarin$o sem so&ra( em se:
guida o rapaz que lavou freneticamente meus ca:
&elos. 3nt#o c$egou a vez de a manicure pergun:
tar como colocaria na min$a conta os seus servi:
"os. -o fundo eu sa&ia o que estava acontecendo
comigo. 3ra o stress.
@uem disse que sal#o de &eleza é lugar de relaxar?
O ruído do secador de ca&elos vindo de todas as
partes enc$e o am&iente com sua melodia
+soprosa,. A essa orquestra %untamos a risada da
manicure que conversa com a colega como se a
cliente n#o existisse a maquinin$a da podóloga
logo atrás somada a outra máquina de dar aca&a:
mento =s un$as de gel de cristal de porcelana.
Dudo isso se mistura com as notas musicais dos
tim&res mais variados de vozes que falam ao mes:
mo tempo formando um &ur&urin$o )nico e típico
dos sal*es de &eleza.
4 um local de tortura auditiva superada apenas
pelos consultórios dentários.
-#o importa o taman$o da tortura todas nós mu:
l$eres resistimos aos aparentes danos por uma
causa maior: a vaidade. 8aidade? -#o gosto dessa
palavra. 3la me remete a algo +menor, contra a
qual devemos lutar e nos li&ertar de vez desse es:
tigma. Até que um dia encontrei a express#o per:
feita para definir o que fazemos e por que nos su&:
metemos a isso: c$ama-se cuidado pessoal.
<en"#o $onrosa no >> 2rAmio
8aral do Crasil de 6iteratura
Afinal %á é sa&ido por todos que quem ama cuida.
<e a%uda aí né. -ada de deixar o &igode crescer
de andar desfilando com uma taturana acima dos
ol$os e estender uma m#o toda ferida de cutículas
arrancadas com os dentes. A$$$ nem. 0edos dos
pés com frieira e calcan$ar rac$ado ninguém me:
rece. Axila ca&eluda é o fim. Ainda &em que in:
ventaram a depila"#o a laser +2elos nunca mais,.
Até aqui completamente compreensível.
0á pra ver um toque mais $igiAnico além da pura
vaidade?
>ndependente do que se passa eu passo por aqui.
4 o teste prático da semana para sa&er se toda
aquela medita"#o está valendo para alguma coisa.
Den$o de entrar e sair dali sem me contaminar.
Den$o de manter min$as convic"*es sen#o vou
sucum&indo ao que me é oferecido. 3les est#o
evoluindo digo os sal*es.
O cardápio oferecido é variado.
9n$as: -#o é apenas deixá-las limpas pintadas e
&em cortadas elas agora tAm de ter um taman$o e
formato regular – temos un$as de gel de cristal
de porcelana. 8ocA sai de lá com as un$as perfei:
tas como elas nunca foram antes e do taman$o de
sua preferAncia: pequena média grande ou ex:
tragrande.
/a&elos: n#o $á mais ca&elo cac$eado ondulados
afro ou arrepiado. Dodos s#o lisos e &em doma:
dos. -ada de +frizz, nada de ca&elo volumoso
c$eio. Dodos s#o minguados escorridos( no máxi:
mo com um corte mais repicado que deixa um
leve movimento nas pontas.
O taman$o do ca&elo? -#o é pro&lema. Demos o
mega hair o aplique o ra&o falso o tique- taque.
8ocA escol$e o taman$o. A cor deles? 8ai muito
além da tradicional tinta para disfar"ar e esconder
os fios &rancos. 5omos na maioria loiras. 5er loira
é moda. Dodas s#o ou tAm uns fios dourados para
iluminar a face. 3u digo sempre que mul$er n#o
envel$ece ela enlourece.
5em falar nos cílios implantados um por um com
cola que duram meses. 0o &otox na testa nos
ol$os no pesco"o na &oca nos preenc$imentos...
4 um desafio. 2ara todas. As mais novas querem
ter aparAncia de mais vel$as e as mais vel$as cara
de mais nova.
5ou grata aos profissionais que me a%udam a me
cuidar que tratam de mim que cuidam da min$a
pele dos meus dentes do meu ca&elo do meu
corpo.
5im eu me cuido ten$o um cart#o fidelidade.
<as quero envel$ecer de &em comigo mesma me
ac$ando linda em cada fase da min$a vida. 6inda
aos KM aos PM aos LM e agora aos HM. >nfinita mu:
l$er.
2ara&éns aos sal*es de &eleza. 8ocAs evoluíram
s#o informatizados tAm cart#o e atendimento per:
sonalizados.
O desafio da classe? 0iminuir o ruído inter:
no.
O nosso desafio? 1icar de &em com o espel$o e
n#o sucum&ir aos apelos da ditadura da &eleza.

$screva so:re o Varal
do Brasil e participe do
/oncurso da Orelha e
da Apresenta49o para o
livro Varal AntolR#ico
,!
$nvie para
varaldo:rasil;#mail.com
O DIA EM ,UE PEDI PERD0O A LEO#AR!
DO DA VI#CI
Por Isis )erlin1< Rena$lt
0e repente me lem&rei que $á exatamente HM
anos eu pedi perd#o a 6eonardo da 8in:
ci.3stran$o n#o? <as é verdade. 3ra era min$a
primeira viagem = 2aris e eu estava superentusias:
mada c$eia de expectativas. -#o estava nem um
pouco preocupada com a arruma"#o das malas
tipo: que roupa vou levar? 5ó pensava na c$egada
= 2aris nos lugares aonde ir nos monumentos a
visitar e - acima de tudo. - na visita ao <useu do
6ouvre. 1inalmente eu ia ver de perto todas as
o&ras de arte maravil$osas que aprendi a amar
através de livros de pu&lica"*es e de cart*es-
postais. 5im porque =quela época o cart#o postal
era muito usado e nos trazia em cores as &elezas
de além-mar. 0uas grandes emo"*es enc$iam mi:
n$a alma: a da expectativa e a da realiza"#o.
O grande dia c$egou. 1iquei maravil$ada com a
/idade 6uz. 8isitei todos os lugares a que me ti:
n$a proposto deslum&rada com tudo o que via e
vivia. 5ó faltava visitar o <useu do 6ouvre que
propositalmente deixara para o fim. 3m&ora possa
parecer estran$o eu n#o estava nem um pouco in:
teressada em ver <ona 6isa quadro famosérrimo
de 6eonardo 0a 8inci e foco principal dos visitan:
tes. 2ara mim a <ona 6isa era por demais &adala:
da e explorada pelo que $o%e c$amamos de mídia.
3u estava cansada de ver a imagem do quadro em
an)ncios de pu&licidade. /om &igode com &ar&a
fantasiada de odalisca de pirata... sei lá. 9m mon:
te de interpreta"*es que n#o me agradavam nem
um pouco. 3 por isso mesmo sem nen$um encan:
to. <eu interesse portanto era mínimo. O que em
a&soluto significava que n#o iria vA-la. /laro que
iria. <as sem pressa. -a medida em que percorres:
se o museu quando c$egasse = sua sala aí sim eu
pararia para vA-la. 2or mínimo que fosse meu in:
teresse n#o c$egava ao ponto de ignorar uma o&ra
de arte Ramais. O primeiro grande impacto que
tive ao entrar no 7emplo das Artes foi a vis#o da
8itória de 5amotrácia lindíssima escultura que é
min$a paix#o e representa a deusa grega -ice
!-iIe em grego que quer dizer 8itória'. Bo%e ela
está em um espa"o privilegiado no alto de uma
escadaria so&re um pedestal em forma de nave -
parte da escultura - que foi encontrado em novas
escava"*es e restaurado. @uando a vi pela primei:
ra vez estava no início de outra escadaria sem o
pedestal. <uito merecido o espa"o que ocupa
agora. 0aí pra frente foi uma emo"#o atrás da ou:
tra: ver as pinturas mais famosas que existem t#o
de perto a ponto de poder tocá-las e n#o fazA-lo
por respeito foi algo inesquecível.
O museu do 6ouvre mudou muito daquele tempo
até $o%e. /oncordo que as mudan"as foram neces:
sárias mas a meu ver perdeu o encanto. A come:
"ar pela pirâmide que n#o aceito de forma alguma.
Eeverencio a tecnologia mas detesto o que fize:
ram com o am&iente. Bo%e o museu é quase um
grande shoping . /om admiráveis o&ras de arte
mas um shoping. Rá n#o se pode mais por exem:
plo c$egar perto da <ona 6isa pois além de estar
cercada por uma grade divisória que a mantém dis:
tante dos visitantes ela está protegida por vidros =
prova de &alas
<as como ia dizendo de uma emo"#o atrás da
outra c$eguei finalmente = sala em que estava a
<ona 6isa. @uando avistei aquela parede imensa
toda &ranca com um só quadro de MNN Q MHP cm
foi um impacto. /amin$ei em sua dire"#o sem
conseguir tirar os ol$os da pintura. @uando c$e:
guei perto n#o consegui me afastar. @uanto mais a
ol$ava mais a admirava. 8i detal$es que nunca
pensei existir. /omo um finíssimo véu que co&re
sua ca&e"a e desce até os &ra"os. >nacreditável.
2erfeita. 9ma certeza me ocorreu: +3la é a sen$o:
ra a&soluta deste Demplo,. 2or longo período fi:
quei lá ol$os presos na pintura como que $ipnoti:
zada. 5enti que ela ol$ava direto para mim com
seu leve sorriso nos lá&ios e nos ol$os. 3 um sem:
&lante que me perguntava: +3 agora?,
5ó consegui &al&uciar: +<eu 0eus., 3 pedi per:
d#o a 6eonardo de 8inci.
<en"#o $onrosa no >> 2rAmio
8aral do Crasil de 6iteratura
M$IA MU8?$R

&or Geni &ires de /amar#o &rado

Sou meia mulher. Entrei no caracol escuro e
triste de ser meia mulher porque não ousei
transpor a muralha árida da timidez. Preferi
me encolher no frio do desalento de minhas
emoções, cerrando com minhas próprias
mãos todas as possibilidades de ser mulher
inteira.
Nos anos trinta, dignificavam a jovem donzela
virgem. Quem se aventurasse a praticar o se-
xo sem o casamento, caso não fosse expulsa
de casa, era descriminada e taxada de levia-
na. No caso dos meninos, a situação era bem
outra. A liberdade sexual era estimulada pe-
los pais, enquanto a explosão dos hormônios
sexuais das meninas não era considerada.
Vivi essa geração.
A meia mulher solteira, castrada na sua sexu-
alidade, nunca chega ao orgasmo a dois. A
meia mulher casada, que não se completa na
sexualidade, também não. Enquanto a meia
mulher solteira entrega-se à masturbação
que a leva ao vazio depois do prazer, a meia
mulher casada nem procura um especialista
para o problema. Apenas dedica-se à mater-
nidade, chegando à velhice conformada com
essa situação esdrúxula. Uma delas, em de-
sabafo, me confidenciou:
"Meu marido pode me virar no avesso e eu
não sinto nada!¨
Então, ousei perguntar se na masturbação
ela se satisfazia. Ela corou e, com a cabeça,
respondeu-me afirmativamente.
Masturbação, palavra proibida. Pais se preo-
cupam quando seus filhos chegam a essa
fase e filhos ficam perdidos quanto a como
lidar com a situação. Pode ou não pode, falar
ou não falar. No fim, todos ficam em dúvida.
Paralisado pelo medo de enfrentar a situa-
ção, o pai se omite em abordar o assunto e o
filho esconde a prática.
Não posso me esquecer de um caso verídico,
acontecido em Santos, SP. Uma adolescente,
no impulso de sua sexualidade, transou com
o cachorro da casa. A família notou a ausên-
cia dela, que estava trancada no quarto e não
respondia. Arrombaram a porta e constata-
ram a infeliz cena: a jovem e o cachorro per-
maneciam grudados. Sem possibilidade de
se desvencilhar, foram levados para o hospi-
tal. Dois meses mais tarde, a garota deu fim à
sua vida.
Num passado não muito distante, as mulhe-
res não enfrentavam a própria família.
"O casamento é indissolúvel¨ - diziam alguns
pais, e complementavam - "mulher separada
é desonroso¨.
Muitas meias mulheres foram geradas por
esse preconceito, sem que pudessem ter a
chance de viver com integridade. Por conse-
quência, essa meia mulher ficou sem voz e
sem vontade própria. Subjugada pelo marido,
ela não existe, apenas obedece. Aceita o
constrangimento por ter se casado com um
machista, um meio homem, um animal intei-
ro.
A história atual é bem outra. A mulher inteira
sabe o que quer. É bem resolvida na parte
pessoal, profissional e sexual. Assim entendo
a mulher inteira, uma mulher realizada em
todas as etapas da vida, criança, jovem, adul-
ta, mãe e mulher. Privilégio de poucas da mi-
nha geração, mas oportunidade presente às
mulheres de hoje.
<en"#o $onrosa no >> 2rAmio
8aral do Crasil de 6iteratura
-O .-IV(RSO D(
G.A/IRA 0A/I(L
&retGrito

Nascia e anulava-me sucessivamente; buscava-me consistente, mas era massa disforme e
morna penetrada pela lança aguda da ausência antecipada, quando o silêncio deixava ouvir
apenas o coração em descompasso de espera...e só os meus ouvidos, as paredes e o porta
retrato escutavam. Só lembranças...seguravas meu rosto entre as mãos ágeis, e inocente-
mente afundavas os dedos em meus cabelos leves e suados, que embaraçavam-se ao o rit-
mo apressado da tua respiração; aqueles dedos inocentemente escorregavam buscando to-
car qualquer pedaço da minha pele em brasa. Depois a tua mão tão conhecida e quente des-
lizava inquieta mas suavemente por toda a superfície do meu corpo, como se tentasse des-
vendar-lhe cada pedaço, recompondo-o. E eu? eu, sensível como uma ferida aguardava o
toque como da primeira vez... e era sempre novo e infinito...morria então e me perdia...mas
me guiava o sol que se dourava ao contato dos pelos louros do teus braços e da tua fina so-
brancelha que guardava o tesouro daquele azul abissal, que se inundava inesperadamente.

Quero lembrar a todo instante e sentir de novo a dor dessa presença, a dor da consciência de
ti e da tua ausência; de qualquer forma serão sempre uma dor...preciso abrir as comportas e
todas as portas e janelas, e soprar para longe o cheiro mofado que elas ressuscitam em
mim...

TO /A(O A @AMQ8IA &AIVA, $M AR$>^
R'3 ($RDO $8$( TAMBMM $ A(/$'6
<'/IA AUAI/AFU

Por *ndr9 ?al9rio Sales


). Introdu49o:

Em pesquisa desenvolvida por mim re-
centemente para a construção de meu próxi-
mo livro: "%Amara %ascudo e B;bitos Cudai-
cos Presentes no %otidiano dos Brasileiros e
em *re"D4$¨, encontrei, por obra do destino,
uma referência muito interessante acerca da
família Paiva, advinda de Castelo Branco,
em Portual.
O autor João dos Santos cita, num livro
seu (?asco da /ama, 2004), a presença
desta família portuguesa como sendo de ori-
gem judaica, desde, pelo menos, )+X_.
Numa conversa informal com o advo-
gado e poeta norte-rio-grandense Horácio
Paiva de Oliveira, este célebre poeta me es-
timulou a continuar pesquisando as origens
do sobrenome Paiva, não apenas por mexer
com seu próprio sobrenome, mas porque em
Arez/RN, onde moro e lugar que é o foco
dos estudos deste livro, também há inúme-
ras pessoas da família Paiva.
Devo ao dr. Horácio a referência ao li-
vro do grande historiador pernambucano
Evaldo Cabral de Mello (5 $ome e o San-
ue, 1989), autor que já vem tendo sua obra
acompanhada por mim há algum tempo, e
que cita neste seu livro – que eu desconhe-
cia até então –, raízes da família Paiva no
Brasil que remetem à senhora Maria de Pai-
va, em ),C+.
Com estes incentivos e com tudo o que
construí na pesquisa empírica e teórica para
o livro citado, escrevi, também utilizando
pes'uisa de campo – com a realização de
uma entrevista – e documental, o texto que
vem a seguir que, despretensiosamente,
quer apenas contribuir para futuras pesqui-
sas mais aprofundadas sobre a família Paiva
do Rio Grande do Norte.

-. ?istRria da @amZlia &aiva de AreI^R'3
Unindo ?H:itos $Listentes na /idade
` &resen4a deste (o:renome3


“* documenta!ão in'uisitorial confirma a
veracidade de 1---2 'ue em <EFG Maria de
Paia declarava ao ?isitador Hda “Santa#
In'uisi!ãoI ser cristã-nova Hjudia for!ada a
converter-se ao catolicismoI# 10ello, J==F8
KG2-
i
Segundo já comentado num outro ca-
pítulo do meu livro em questão, encontrei em
documentos analisados e durante minha atu-
al pesquisa, sobre Arez/RN, um caso análo-
go ao antes citado que ocorreu com Anna
Maria Cascudo, em se tratando de sua curio-
sidade ao buscar, inclusive na Península
Ìbérica, possíveis raízes de sua família; o
que não se confirmou como verídico no caso
da escritora/acadêmica da ANRL...
Ou seja, trabalho agora sobre outro
exemplo: o da família &aiva, presença cons-
tante na atualidade arezense. Os Paiva de
Arez são, reconhecidamente, um povo
"branco¨, de origem claramente europeia
(como queria a Ìnquisição do Santo Ofício),
cuja cor da pele nada demonstra de origens
africanas ou indígenas; é também conhecida
como uma família de empreendedores, ne-
gociantes, médicos, políticos, etc., portanto,
bem-sucedidos econômica e politicamente
na História de nossa cidade.
Em seu livro sobre ?asco da /ama,
João dos Santos escreveu que em )+X_: em
Portugal os &aiva falavam árabe, eram
"também corajosos e empreendedores, co-
mo a maioria dos cristãos-novos [judeus
convertidos]¨. Assinala ainda Santos que Sa-
muel Schwarz afirmava, já em )C+* (quase
500 anos depois), em primeira mão, "com
argumentos que me parecem irrefutáveis¨,
que os Paiva eram "de ori#em he:raica¨.
No distrito lusitano de Castelo Branco, lugar
de onde Afonso Paiva (além de Pero de Co-
vilhã) eram naturais, "ainda hoje o Paiva é
tido por sobrenome judaico¨ (Santos, 2004:
52, grifos meus).
Ao encontro de Pero de Covilhã –
continua Santos –, "também natural de cida-
de onde sempre preponderaram os "ilhos de
Israel, mandou d. João ÌÌ dois emissários
procurá-lo no Cairo [Egito], os quais eram
Rabi Abraham de Beja e mestre Joseph, ju-
deu de Lamego¨ (id.: 52, o grifo é meu).

,e1ue0
Ao encontro de Pero de Covilhã – con-
tinua Santos –, "também natural de cidade
onde sempre preponderaram os "ilhos de Is6
rael, mandou d. João ÌÌ dois emissários
procurá-lo no Cairo [Egito], os quais eram Ra-
bi Abraham de Beja e mestre Joseph, judeu
de Lamego¨ (id.: 52, o grifo é meu).
É acerca desta coincidência, ou não,
de sobrenomes, entre os Paiva de Castelo
Branco, em Portugal, e os de Arez/RN, que
tratarei neste artigo.

.. $ntrevista com r. $r4o de Oliveira &ai6
va JAreI^R'K3

Em termos de Brasil, o historiador
Evaldo Cabral de Mello (2009: 84) encontrou
referências da Ìnquisição do Santo Ofício à
senhora Maria Paiva, em ),C+, moradora do
Nordeste, e declarando-se como "cristã-
nova¨, ou seja, descendente de judeus, po-
rém, convertida à força ao catolicismo.
De acordo com a pesquisa de campo
que realizei em Arez (entrevista efetivada a
22 de abril de 2014) com um importante re-
presentante – já idoso – da família Paiva, ine-
gavelmente de cor da pele branca, portanto,
sem traços negroides/africanos ou indígenas/
brasileiros nativos: o Capitão-de-Fragata Mé-
dico, dr. Erço de Oliveira Paiva, filho de Tobi-
as Joaquim de Paiva e Ìsaura Archanjo de
Oliveira.
O entrevistado destacou que há no Rio
Grande do Norte, independentemente de sua
família arezense, outros representantes dos
Paiva, principalmente, em quatro diferentes
municípios potiguares: 0ossor+, Pau dos Ler-
ros, Portalere e 0onte *lere.
As cidades de Pau dos Lerros e Porta-
lere (este que é o quarto município mais an-
tigo criado no Estado), notoriamente, são
'uase vizinhos ao município de ?en&a ?er,
local onde a presença judaica, desde muito
tempo, já foi comprovada há muitos anos, e
após muitas pesquisas de especialistas no
assunto (ver o filme de Eiger & Valente 2005).
Esta proximidade, no entanto, entre
terras habitadas por famílias Paiva no Rio
Grande do Norte e a cidade de Venha Ver,
n9o me parece ser mera coincidência.
Da mesma maneira, 0onte *lere, as-
sim como *re", são lugares que ficam perto
da atual Coão Pessoa, capital da Paraíba (as
três sendo cidades próximas ao litoral): lem-
bremos que de Coão Pessoa e do 4ecife via-
jaram e se espalharam pelas redondezas, do
litoral e interior/sertão nordestinos, muitos ju-
deus 'ue permaneceram morando no Brasil
ap+s o fim da ocupa!ão &olandesa (em
1654), tema sobre o qual já tratei em capítu-
los anteriores do livro citado e até em outro
livro meu (Sales, 2007; ver também: Mello,
2001 e Cascudo, 2001).
Para o entrevistado Erço Paiva n9o hH
li#a49o entre as diferentes famílias Paiva
residentes nos quatro municípios acima cita-
dos e os que moram atualmente em Arez. Ele
acredita que existe apenas uma coincid(ncia
de famílias diferentes, porém com um mesmo
sobrenome, habitarem em núcleos tão próxi-
mos e num mesmo Estado brasileiro.
Na pesquisa que realizei no Cartório de
Arez, encontrei registros do pai de dr. Erço:
Tobias Joaquim de Paiva (arezense nascido
em 1913), filho de 0aria Lrancisca de Paiva e
Coa'uim Cos9 de Lreitas.
A avó paterna de dr. Erço, Maria Fran-
cisca, por sua vez, era filha de Maria @rancis6
ca de &aiva e &edro @erreira de &aiva
(bisavós do entrevistado)a)b. Mesmo que eu
parasse por aqui, a abrangência da pesquisa
nos remonta a ascendentes da família Paiva
existentes em Arez, aproximadamente, desde
inícios dos anos 1800.
O que importa é que existe a presença
desta família espalhada por terras potiguares,
e que eu apenas recorro a ela como exemplo
para levantar hipóteses, fazer suposições...
Mas, quem sabe (?) alguns deles não sejam
descendentes dos Paiva de Portugal, já famo-
sos como sendo de ascend(ncia judaica des-
de )+X_?
Continuando a pesquisa documental
no Cartório de Arez em 22 e 28 de abril, e
ainda em 5 de maio de 2014, dos represen-
tantes da família mais antigos encontrados
(agora nos Livros de Mbitos) cito mais dois
exemplos:
a) >ulmira &aiva de @reitas, nasci-
da em )**) (e falecida em 1965)
nesta cidade, era também, como
Maria Francisca – avó paterna de
dr. Erço –, filha de 0aria Lrancis-
ca de Paiva e Pedro Lerreira de
Paiva. (Segue)
Ou seja, Zulmira Paiva era irmã de
Maria Francisca de Paiva (filha)a-b, sendo
por isso, tia de Tobias Joaquim e tia-avó do
dr. Erço Paiva.
Pelo sobrenome paterno de Zulmira,
fica então demonstrado que a família Paiva
reside em Arez desde muito antes de 1881,
fossem seus pais antigos moradores do Bra-
sil ou comprovadamente imigrantes da Pe-
nínsula Ìbérica. Os documentos não regis-
tram/revelam a procedência dos demais an-
cestrais de Zulmira (Cf. Livro de Mbitos %-<
1b2, Termo 372, pág. 94).
:K Encontrei, também, documentos
do óbito de Isa:el Assendina de &aiva, nasci-
da em )CEE, em Arez, filha de 4oberto *r-
canjo de Paiva e *ntonia @loi de *ndrade.
Os comentários que fiz acima, sobre Zulmira,
são os mesmos a serem feitos sobre Ìsabel
Paiva: ou seja, que pelo sobrenome de seu
pai, nota-se que a família de Ìsabel reside em
Arez desde antes de 1900, quando ela nas-
ceu. A documentação analisada não registra
ou revela nada mais sobre outros antepassa-
dos dos pais de Ìsabel (Cf. Livro de Mbitos %-
<1b2, Termo 102, pág. 200v).
Para finalizar, acrescento mais uma
coincidência: de acordo com os documentos
cartoriais de óbitos, a família &aiva de Arez
(seja de Zulmira, Ìsabel ou Tobias) assim co-
mo as de outros municípios potiguares, po-
dem ser residentes no Rio Grande do Norte
há tantos anos quanto os cerca de 200 anos
que as famílias judaizantes de Venha Ver/RN
dizem habitar aquelas terras.
Finalizo esclarecendo que minha in-
tenção aqui foi apenas incentivar a futuros
investigadores sugestões para pesquisa, hi-
póteses, suposições, datas, documentos car-
toriais e livros clássicos que tocam no assun-
to, objetivando lhes diminuir parte de seu tra-
balho.
A importância de toda essa história é
inegável, ainda que os atuais representantes
da família Paiva não se saibam descenden-
tes de cristãos-novos, e nem se interessem
pela religião judaica (ver Medeiros, 2005).
Lembrando o empirista inglês John
Locke (1632-1704), na sua "Carta Acerca da
Ìntolerância¨, de )*XC, ali ele já declarava
que: a intolerAncia era uma coisa monstruo6
sa; que a recusa à tolerância com os que
têm opiniões diferentes das nossas, é irracio6
nal; e que nenhum indi víduo deve atacar
ou prejudicar outra pessoa nos seus bens
civis porque professa outra reliião. Para
Locke (1978), ninguém pode ser molestado
por suas escolhas ou forçado a nada no
campo da f9. Ou ainda: ontem, como hoje,
ser de origem judaica ou religioso assumido
como israelita não é, nem nunca deveria ter
sido, uma vergonha ou erro. Há que se res-
peitar a f9 que cada um escolher acreditar.
Por isso tudo, penso que o passado
de Arez pode ter sido rico em pessoas ou fa-
mílias judaizantes e isto pode ter se perdido
com o passar dos anos, com as persegui-
ções intermináveis, etc., mas, mesmo assim,
precisamos conhecer, ou buscar descobrir
alguns véus que cobrem nossa rica História.
4! Citaç)e'G
a)b Esta parte da pesquisa foi feita no Cartório de Arez
em junho de 2014. Os livros consultados foram: **-J
de $ascimentos (Termo 39, pág. 23) e BE-* de %asa-
mentos (Termo 93, pág. 93), ambos remetendo ape-
nas a Tobias Joaquim de Paiva.
a-b Apenas a título de esclarecimento, são duas mu-
lheres diferentes, mas chamadas de Maria Francisca
de Paiva, a avó e a bisavó do dr. Erço de Oliveira Pai-
va.
,. Re"erências3
CASCUDO, Luís da Câmara. Mouros, @ranceses e
Audeus3 Três &resen4as no Brasil. 3ª ed. São Pau-
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23ª ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003. / LEÌTE, Hum-
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t9o da &araZ:a, na (erra da Bor:orema – (Gculo
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'A(/IM$'TO( 'c AA--, A VI88A $ AR$>. Arez/
RN: Cartório Único, manuscrito. / 8IVRO $ /A(A6
M$'TO( 'c B,-A, A VI88A $ AR$>. Arez/RN:
Cartório Único, manuscrito.
8IVRO $ 0BITO( 'c /-)J:K, A VI88A $ AR$>.
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Abril Cultural, 1978. (Coleção "Os Pensadores¨, trad.
Anuar Aiex). / MEDEÌROS, João F. Dias. 'os &assos
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esco:rindo o AudaZsmo de (eus AvRs &ortu#ue6
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nealR#ica no &ernam:uco /olonial. São Paulo:
Companhia das Letras, 2009. / MELLO, José Antônio
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/o(ande'e' no Hra'i(4 3o!o "essoa5 EdUF"B%
())K4 g 8N?B% 3o!o 8lves4 3a'.o da Ga&a4 (f
ed4 !o "aulo5 Editora ?r<sgBrasil (*% ())+4
,Biblioteca de Wistória5 1randes persona1ens de
nossos te'pos% nh (P04 g FilmeG EI9ER% Elaine# V8$
LEN?E LuiNe ,Firetoras04 A Estrela culta do !er-
tão4 Rio de 3aneiro5 Foto?e'a% ())P4
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