Você está na página 1de 36

NOÇÕES BÁSICAS DE

PRIMEIROS SOCORROS

SMN – Serviços Médicos Nocturnos, S.A.


Av. da República, nº 90 – 5º – 1600-206 Lisboa
Tel.: +351 217 930 273 – Fax: + 351 217 938 007
info@unimed.pt – www.unimed.pt
Noções Básicas de Primeiros Socorros

ÍNDICE

I – Introdução aos primeiros socorros 3

II – Riscos para o socorrista 4

III – Exame da vítima 7

IV – Choque 19

V – Hemorragias 22

VI – Fracturas 27

VII – Queimaduras 30

VIII – Asfixia 35

Pág 2
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

PRIMEIROS SOCORROS

I – INTRODUÇÃO

Em todo o tipo de actividades, as pessoas correm riscos


inerentes às mesmas. Assim sendo, considerou-se conveniente dar
conhecimentos básicos de socorrismo, para que mais facilmente se
possam socorrer em caso de acidente.

Os primeiros socorros podem muitas vezes fazer a diferença


entre a vida e a morte ou entre as lesões ligeiras ou agravadas.
O que se pretende no fundo com a formação em primeiros
socorros é criar competências na actuação em situações de
emergência com vista à estabilização de uma vítima até à chegada
de socorro especializado.

Pág 3
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

II – RISCOS PARA O SOCORRISTA

OBJECTIVOS
• Reconhecer os riscos potenciais para o socorrista
• Conhecer as medidas a adoptar para garantir a segurança do
socorrista
• Identificar as medidas universais de protecção e reconhecer a
sua importância

Por vezes o desejo de ajudar alguém que nos parece estar em


perigo de vida pode levar-nos a ignorar os riscos que podemos
correr. Se não forem garantidas as condições de segurança antes de
abordar uma vítima poderá, em casos extremos, ocorrer a morte da
vítima e do socorrista.

Existe uma regra básica que nunca deve ser esquecida: o


socorrista não deve expor-se a si ou a terceiros a maior
risco do que aquele em que se encontra a própria vítima.

Antes de se aproximar de alguém que possa eventualmente estar


em perigo de vida o socorrista deve assegurar primeiro que não irá
correr nenhum risco:

Ambiental – choque eléctrico, derrocadas, explosão, tráfego.

Intoxicação – exposição a gás, fumo ou tóxicos.

Infeccioso – tuberculose, hepatite, HIV, etc.

Pág 4
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

Na maioria das vezes uma avaliação adequada e um mínimo


de cuidado são suficientes para garantir as condições de segurança
necessárias.

Se estiver numa estrada e pretende socorrer uma vítima de um


acidente de viação deve:

• Posicionar o seu carro para que este o proteja funcionando


como escudo, isto é, antes do acidente no sentido no qual
este ocorreu;
• Sinalizar o local com triângulo de sinalização à distância
adequada;
• Ligar as luzes de presença ou emergência;
• Usar o colete para que possa mais facilmente ser visível;
• Desligar o motor para diminuir a probabilidade de incêndio.

Estas medidas, embora simples, são em princípio suficientes para


garantir as condições de segurança.
No caso de detectar a presença de produtos químicos ou matérias
perigosas é fundamental evitar o contacto com essas substâncias
sem luvas e não inalar vapores libertados pelas mesmas.

As situações em que vítima sofreu uma intoxicação podem


representar risco acrescido para quem socorre, nomeadamente no
caso de intoxicação por fumos ou gases tóxicos como os cianetos ou
o ácido sulfúrico. Para o socorro da vítima de intoxicação é
importante identificar o produto bem como a sua forma de
apresentação (pó, líquido, gasoso) e contactar o CIAV (Centro de
Informação Antivenenos) – 808 250 143 para uma informação
especializada, nomeadamente sobre possíveis antídotos.
Na formulação gasosa é fundamental não se expor aos
vapores libertados que nunca devem ser inalados. O local onde a
vítima se encontra deverá ser arejado ou, na impossibilidade de o
conseguir, a vítima deverá ser retirada do local.

Pág 5
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

Não esqueça que devemos afastar o perigo da vítima e


só em último caso afastar a vítima do perigo.

Nas situações em que o tóxico é corrosivo (ácidos ou


bases fortes) ou em que pode ser absorvido pela pele como
os organofosforados (ex: 605 forte) é obrigatório, para além
de arejar o local, usar luvas e roupa de protecção, de forma
a evitar qualquer contacto com o produto bem como
máscaras para evitar a inalação.

Em resumo, ao socorrer vítima em que possa ter ocorrido uma


intoxicação deverá cumprir rigorosamente as medidas universais de
protecção, isto é, usar luvas, bata, máscaras e óculos.

O sangue é o principal veículo de contaminação pelo que


devem ser adoptados cuidados redobrados, sobretudo com os
salpicos de sangue, utilizando roupa de protecção adequada, luvas e
protecção para os olhos.

Pág 6
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

III – EXAME DA VÍTIMA

OBJECTIVOS
• Identificar as situações de compromisso das funções vitais
(estado de consciência, ventilação, sinais evidentes de
circulação, existência de hemorragias externas graves e sinais
evidentes de choque).
• Prestar os cuidados de emergência adequados (abrir e
conservar as vias aéreas permeáveis, desobstruir as vias
aéreas, iniciar o Suporte Básico de Vida, controlar
hemorragias, prevenir e combater o choque).
• Observar e registar todas as informações relevantes, obtidas
no local, relacionadas com a vítima e o tipo de ocorrência.
• Identificar e corrigir situações, que não representando perigo
de vida, podem agravar a situação geral se não forem
corrigidas

Antes de iniciar a prestação dos cuidados de emergência, o


socorrista deve fazer um rápido e minucioso exame primário para
avaliar a existência de alterações dos sinais vitais, provocadas por
lesões que possam por em perigo a vida da vítima.

Seguidamente deve realizar o exame secundário, pesquisando a


existência de lesões que não pondo de imediato a vida em perigo,
necessitam cuidados de emergência e de estabilização.

Pág 7
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

Como proceder ao exame da vítima


Ao chegar ao local o socorrista deve, em primeiro lugar:

1º Avaliar os factores de risco para a(s) vítima(s) e para o(s)


socorrista(s);

2º Certificar-se de que são accionados os meios adequados para


a situação em causa.

Por exemplo, ao chegar a um incidente em que há um incêndio


com uma vítima, deve solicitar os bombeiros assim como uma
ambulância.

EXAME PRIMÁRIO
É executado logo que o socorrista chega junto da vítima e o seu
objectivo é detectar situações de perigo de vida imediato.

No exame primário o socorrista deve:

1º Avaliar o estado de consciência;

2º Avaliar se a vítima ventila;

3º Avaliar se tem pulso;

4º Detectar hemorragias externas graves;

5º Detectar se tem sinais evidentes de choque;

6º Avaliar e corrigir, logo que detectados, os factores de risco para


a vida.

Pág 8
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

Atenção

Suspeitar sempre de lesões de coluna quando


a vítima está inconsciente e é um acidentado

Avaliação do estado de consciência

Avaliar se a vítima responde a estímulos, chamando-a pelo nome


(se possível) e batendo-lhe suavemente nos ombros.

Está-me a ouvir?
Sr. Manuel
Sente-se bem?

Se a vítima não responder gritamos em voz alta: - “Ajuda, vítima


inconsciente”.

Pág 9
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

Pesquisa de ventilação espontânea

1º Verificar se a via aérea está obstruída (algum objecto que não


permite a passagem do ar).

2º Proceder à abertura da via aérea fazendo a extensão da cabeça


(a língua faz obstrução à passagem do ar porque quando a vítima
está inconsciente os músculos relaxam).
Vias
aéreas

Extensão
da
cabeça
Vias
aéreas

Pág 10
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros
Atenção

Em caso de suspeita de lesão na coluna


a abertura das vias aéreas não pode ser
efectuada com a extensão da cabeça.

O método alternativo é tracção com elevação


da mandíbula (maxilar inferior)
Elevação
da
mandíbula
Tracção

3º Pesquisar a existência de movimentos ventilatórios.

Colocar a face junto do nariz e boca da vítima e, fazendo uso dos


sentidos da visão, audição e tacto aplicar a sigla VOS (Ver, Ouvir e
Sentir) para se detectar os movimentos ventilatórios, durante 10
segundos e da seguinte forma:

- Ver se existe movimentos ventilatórios torácicos;


- Ouvir e sentir a entrada e saída de ar pela boca e nariz da vítima.

Pesquisa de sinais evidentes de circulação (pulso)


Pág 11
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

Os sinais evidentes de circulação são:

• Pulso
• Tosse
• Ventilação
• Movimentos espontâneos

O pulso é o resultado da acção de uma onda de sangue que


passa ao longo das artérias sempre que o coração se contrai.
É possível palpar o pulso em várias artérias. As mais utilizadas
pelo socorrista são as artérias radiais e as artérias carótidas.
No entanto, numa vítima inconsciente pesquisa-se sempre o pulso
carotídeo, procedendo do seguinte modo:

1º Colocar os dedos (indicador e médio) sobre a maçã-de-adão


(laringe) e deslizar na sua direcção até encontrar uma depressão
entre a traqueia e o músculo do pescoço para sentir o pulso
carotídeo.

2º Palpe suavemente, sem comprimir demasiado e em simultâneo


coloque a sua face novamente junto do nariz e da boca da vítima
(como no VOS) e verifique se existe movimentos espontâneos,
tosse, ventilação (tudo isto durante 10 segundos).

Pág 12
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros
Cuidados de emergência

A vítima não ventila

• Desobstruir as vias aéreas (retirar objectos estranhos,


comida, prótese dentária, etc.)
• Enquanto mantém a extensão da cabeça tape o nariz da
vítima e execute duas insuflações (boca-a-boca) eficazes
(observando a elevação do tórax) até 5 tentativas (cada
insuflação deverá ser pausada e profunda), execute a
seguinte insuflação quando o tórax baixa.

• Preferencialmente, deve usar uma “Pocket Mask”,


máscara que se utiliza em Suporte Básico de Vida e que
evita o contacto entre a boca do socorrista e a da vítima.

Pág 13
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

• Após as duas insuflações eficazes, verificar os sinais


evidentes de circulação.
• Caso tenha sinais de circulação, deve efectuar uma
insuflação de quatro em quatro segundos (efectuando 10
insuflações por minuto). No fim de cada minuto deve
pesquisar novamente os sinais evidentes de circulação.

A vítima não tem sinais de circulação

• Iniciar as compressões cardíacas (massagem cardíaca).


• Localizar o apêndice xifóide no fim do externo (osso que
se encontra no centro do tórax) e medir dois dedos acima
do apêndice.

Externo

Apêndice xifóide

• O apêndice xifóide é um osso pontiagudo e um pouco


frágil, corre por isso o risco de fracturar e de provocar
hemorragias internas.
• Deve então localizar e medir o osso correctamente
para evitar complicações.

Pág 14
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

• Após estabelecer o local correcto, deve colocar as 2


mãos sobrepostas com os dedos entrelaçados em cima
do externo e com os braços bem esticados executar 30
compressões, com o objectivo de comprimir o coração
(profundidade de entre 4 a 5 cm).

Coração

• O ciclo a seguir é de 2 insuflações, 30 compressões


torácicas.

30:2

Pág 15
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

Atenção

Após o início do ciclo de insuflações/compressões


não deve parar as manobras enquanto não chegar ajuda
especializada ou alguém que o substitua

A vítima está inconsciente mas respira

Uma vítima que esteja inconsciente a respirar, deve ser colocada em


PLS (Posição Lateral de Segurança). Esta posição permite manter a
via aérea sem obstruções e em caso de vómito não há aspiração por
parte da vítima.

Rotação do corpo da vítima num movimento único

Vítima em PLS

Pág 16
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

Atenção

Vítimas que apresentem lesões de coluna


não deve ser executada a PLS

Detecção de hemorragias externas graves

As hemorragias graves são facilmente detectáveis. Na grande


maioria dos casos, basta olhar para a vítima para concluir se há ou
não perda intensa de sangue. Quando a hemorragia é abundante,
pode levar a situações de grande risco para a vida.

Detecção de sinais evidentes de choque

O choque é uma situação muito grave, que pode conduzir à morte.


Como tal, o socorrista deve estar atento aos sinais evidentes de
choque.

Atenção

As alterações encontradas no exame primário,


colocam em perigo imediato a vida de uma
vítima, pelo que devem ser socorridas de
imediato e por ordem de prioridade

Avaliação e correcção dos factores de risco para a


vida

A avaliação da existência de perigo de vida implica a detecção de


alterações dos sinais vitais e início imediato da prestação dos
cuidados de emergência adequados:

• Abrir as vias aéreas e conservá-las permeáveis;


• Desobstruir as vias aéreas;
• Iniciar a reanimação cárdio-pulmonar;
• Controlar hemorragias graves;
• Prevenir e/ou combater o choque.

Pág 17
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros
EXAME SECUNDÁRIO

Após a realização do exame primário (detectando e iniciando


socorro nas situações de perigo de vida imediato), inicia-se o
exame secundário.
O objectivo geral da realização do exame secundário é
detectar situações que não constituindo perigo de vida imediato,
possam agravar a situação da vítima se não forem socorridas.
É fundamental que a aproximação seja feita de forma a
ganhar a confiança da vítima desde o início, mostrando interesse
por ela e actuando de forma segura.
Na realização do exame secundário considera-se a recolha de
informação e a observação geral.

Recolha de informação

Na recolha de informação é fundamental:

1º Saber o que aconteceu à vítima;

2º Identificar a principal queixa da vítima;

3º Conhecer os antecedentes pessoais.

As fontes de informação são:

• O Local;
• A vítima;
• Outras pessoas.

Observação geral

Deve ser feita observação geral da vítima, tendo em conta:

• A posição em que se encontra;


• A resposta a estímulos verbais ou físicos (confuso,
apático, etc.);
• A existência de sinais evidentes de feridas ou
deformidades.

Pág 18
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

IV – CHOQUE

OBJECTIVOS
• Identificar as situações desencadeadoras do choque
hipovolémico.
• Reconhecer os nove sinais e sintomas de choque possíveis.
• Suspeitar da existência de choque provocado por hemorragias
e aplicar as medidas de emergência adequadas para prevenir
ou controlar a situação.

Choque é a incapacidade do sistema cárdio-circulatório fazer


chegar aos órgãos nobres a quantidade necessária de oxigénio e
nutrientes.
O choque ocorre devido a uma inadequada perfusão
(irrigação de sangue) dos tecidos do organismo provocada por
alterações graves do aparelho cárdio-circulatório.
Independentemente do mecanismo que desencadeia o choque,
existe uma reacção em cadeia que leva a uma diminuição da função
cardíaca, insuficiente distribuição de sangue pelos tecidos, associado
ainda a uma deficiente ventilação, levando, por consequência, a
alterações, mais ou menos graves, do funcionamento do sistema
nervoso central.
Estas mesmas reacções continuarão em ciclo vicioso até
surgirem lesões irreversíveis. Todo o mecanismo descrito instala-se,
normalmente, de forma súbita e o agravamento da função dos
principais órgãos é rápida, podendo conduzir a vítima, em pouco
tempo, à paragem cárdio-respiratória. Por esta razão, quanto mais
prontamente se quebrar a cadeia de reacção, isto é, se efectuar um
rápido e eficiente socorro, menos lesões resultarão para a vítima.

Pág 19
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros
Causas do choque hipovolémico

As causas do choque hipovolémico são:

1º Perda de sangue por hemorragia interna ou externa;

2º Perda de plasma nos locais das queimaduras, contusões ou


esmagamentos;

3º Perda de líquidos do intestino por vómitos de repetição, diarreia


(esta perda desidrata o organismo).

Sinais e sintomas de choque

O choque deverá ser suspeitado e prevenido em todos os


acidentados onde se incluam hemorragias graves, lesões por
esmagamento, fracturas simples e complicadas, amputações,
queimaduras ou qualquer ferida grave.
Os sinais e sintomas de choque são vários e nem sempre
aparecem em todos os casos. O mais importante é suspeitar,
prevenir e socorrer o choque antes dos vários sintomas surgirem.

Os sinais e sintomas que podem ser detectados pelo socorrista são:

1º Alterações do estado de consciência.


Inicialmente a vítima poderá apresentar-se lúcida, começando em
seguida, e de uma forma progressiva (ou por vezes súbita) a
apresentar modificação do estado de consciência, com
manifestações de desorientação, alterações do comportamento,
agitação, apatia, e por fim, inconsciência.

2º Dificuldade em ventilar.

3º O pulso pode ser rápido e fraco.

4º Os lábios e as pontas dos dedos podem ficar pálidos e


cianosados (tons azulados ou roxos).

Pág 20
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros
5º A temperatura da pele pode ser baixa e a vítima pode apresentar
“suores frios”.

6º A vítima por vezes apresenta náuseas, vómitos, “secura na boca”


e frequentemente queixa-se de sede.

7º Os olhos podem estar baços e sem brilho.

Cuidados de emergência

As medidas gerais descritas a seguir devem ser aplicadas em


todas as vítimas de choque:

• Combater a causa (se possível);


• Acalmar a vítima;
• Posicionar a vítima (através da elevação das pernas,
excepto em caso de vítimas com lesões de coluna);
• Conservar a temperatura do corpo;
• Não dar nada a beber.

Pág 21
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

V – HEMORRAGIAS

OBJECTIVOS
• Diferenciar os tipos de hemorragias (arterial, venosa e
capilar).
• Classificar as hemorragias de acordo com a sua origem
(internas e externas)
• Reconhecer sinais e sintomas de uma vítima que apresente
hemorragias internas/externas.
• Identificar e aplicar os cuidados de emergência a prestar a
uma vítima com hemorragias.

As hemorragias, sendo uma emergência, necessitam de um


socorro imediato e rápido. É imperioso que o socorrista actue pronta
e eficazmente.
A perda de grande quantidade de sangue é uma situação
perigosa que pode causar rapidamente a morte, num espaço de 3 a
5 minutos se a hemorragia não for controlada.

Classificação das hemorragias em relação à origem

As hemorragias classificam-se em relação aos vasos de onde


provêm. Face a isso, as hemorragias são:

• Hemorragias arteriais (artérias)


O sangue sai em jacto descontínuo e a sua cor é clara.

Pág 22
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

• Hemorragias venosas (veias)


O sangue sai de uma forma regular (jacto contínuo) e a
sua cor é mais escura.

• Hemorragias capilares (vasos capilares)


O sangue sai lentamente, devido a uma ruptura de
minúsculos vasos capilares de uma ferida.

Pág 23
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

Classificação das hemorragias em relação à


localização

Hemorragias externas – Podem ser observadas e são facilmente


reconhecidas.
Hemorragias internas – São de difícil reconhecimento e
identificação.

Cuidados de emergência

Em todas as emergências que envolvam hemorragias devem ser


tomadas medidas decisivas e rápidas. O socorrista dispõe de quatro
métodos para controlar as hemorragias externas.

Pressão directa
(Pressionar o local)

É o método escolhido em 90% das hemorragias externas.

• Comprimir com uma compressa


• Nunca retirar a primeira compressa
• Colocar outras em cima desta
• Utilizar uma ligadura para manter a compressão

Pág 24
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

Atenção
Não utilizar a pressão directa quando a hemorragia é sobre
uma fractura e quando existam objectos empalados
(espetados)

Pressão indirecta
(método alternativo à pressão directa quando esta não pode ser
efectuada ou como complemento desta)

A pressão é feita nos pontos de compressão das artérias, isto é,


na raiz dos membros, que levará ao controle de hemorragias nos
territórios irrigados pela artéria em causa.

Pontos de compressão

Pág 25
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros
Elevação do membro
(Pode ser utilizado em simultâneo com os métodos de pressão)

Consiste na elevação do membro de forma a utilizar a força da


gravidade para contrariar a corrente sanguínea.

Garrote

Método a utilizar em situações extremas, nomeadamente


aquelas em que todos os outros métodos foram ineficazes ou no
caso de múltiplas vítimas.

• O garrote deve ser de material largo e não elástico


• Deve ser aplicado em contacto directo com a pele
• Uma vez aplicado não deve ser mais aliviado
• Para maior segurança deve ser marcada a hora da aplicação
do garrote

Atenção

Não esqueça que a utilização do garrote


só é feita em último recurso.
(Excepto em caso de amputação de membros)

VI – FRACTURAS
Pág 26
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

OBJECTIVOS
• Classificar as fracturas (abertas e fechadas).
• Reconhecer sinais e sintomas da fractura.
• Identificar e aplicar os cuidados de emergência a prestar nas
fracturas.
• Reconhecer as regras gerais de imobilização.

A fractura é toda e qualquer alteração da continuidade de


um osso.
A sua abordagem no local passa pela estabilização da
fractura através de imobilizações provisórias. Estas imobilizações
devem ser feitas de forma correcta, pois embora, normalmente, as
fracturas por si só não ponham em risco a vida da vítima, no
entanto podem agravar o estado do doente.

Classificação das fracturas

As fracturas classificam-se da seguinte forma:

• Abertas
São habitualmente designadas por fracturas expostas onde
os topos ósseos entram em contacto com o exterior, o que
aumenta significativamente o risco de infecção.

• Fechadas
A pele encontra-se intacta, não havendo comunicação dos
topos ósseos com o exterior.

Pág 27
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

Sinais e sintomas

Podemos suspeitar de uma fractura pelos sinais e sintomas


que habitualmente acompanham este tipo de lesões:

1º Dor
Localiza-se na zona da fractura e é habitualmente intensa,
diminuindo muito com a tracção e imobilização da fractura. É o
sintoma mais fiel e constante.

2º Impotência funcional
A mobilidade, por vezes, pode estar presente mas é dolorosa e
muito limitada.

3º Deformação
É frequente a sua existência, mas quando não está presente
não exclui a hipótese de fractura.

4º Crepitação
O movimento anormal dos topos ósseos a nível de uma
fractura produz uma sensação que se pode ouvir e sentir.

5º Edema (inchaço)
É resultante de uma reacção normal do organismo.
Encontramos também frequentemente um aumento do volume na
zona da fractura que corresponde ao hematoma formado pela
hemorragia dos topos ósseos e que é tanto maior quanto maior for
o diâmetro do osso.

6º Exposição de topos ósseos


Habitualmente significam que o traumatismo responsável pela
fractura foi de grande violência.

Pág 28
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

Cuidados de emergência

Os cuidados de emergência das fracturas no local passam pela


imobilização provisória o mais correcta possível, não esquecendo
nunca que:

• Numa fractura não imobilizada ou incorrectamente


imobilizada as hemorragias são muito maiores;
• A dor, sendo produzida pelo roçar dos topos ósseos
uns nos outros, é tanto mais intensa quanto mais
incorrecta for a imobilização da fractura;
• As duas situações anteriores contribuem para o
agravamento do estado do doente e são muitas vezes
responsáveis pela sua entrada em choque.

Regras gerais de imobilização

• Uma fractura ou suspeita de fractura deve ser sempre


imobilizada;
• Em caso de dúvida imobilizar sempre;
• Nas fracturas dos ossos longos deve-se imobilizar sempre os
ossos acima e abaixo da fractura;
• Sempre que possível deve-se traccionar previamente a
fractura antes da aplicação da imobilização;
• Em caso de fractura em articulações não deve ser feita a
tracção no membro;
• Nas fracturas abertas (expostas) deve lavar-se a ferida
abundantemente, sempre antes da imobilização, cobrindo a
ferida ou topos ósseos com compressas embebidas em
desinfectante;
• Sempre que possível as imobilizações devem ser feitas com
talas de madeira (de preferência almofadadas);
• As talas devem ser colocadas de forma firme tendo sempre
em atenção o estado circulatório do membro.

Pág 29
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros
VII – QUEIMADURAS

OBJECTIVOS
• Reconhecer as causas das queimaduras.
• Diferenciar a profundidade das queimaduras.
• Identificar e aplicar os cuidados de emergência a prestar nas
queimaduras.

Para avaliar a gravidade das queimaduras é necessário ter em


conta:

1º A causa da queimadura;
2º A extensão da superfície corporal queimada;
3º A profundidade da queimadura;
4º O local da queimadura;
5º A idade da vítima.

Causas das queimaduras

As queimaduras podem ser causadas por:

• Queimaduras pelo calor


O calor pode ser húmido, como o calor de vapor, ou seco como o
calor do fogo.

• Queimaduras por químicos


Os mais comuns são os ácidos.

• Queimaduras eléctricas
A electricidade queima, não só no ponto de contacto (entrada no
corpo), mas também no trajecto e no local de saída.

• Queimaduras por radiações


As radiações mais comuns são os raios ultravioletas, os raios X e
as produzidas por substâncias radioactivas.

Pág 30
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros
Extensão das queimaduras

Para determinar a extensão da superfície corporal queimada,


utilizam-se regras cuja aprendizagem está fora do âmbito destas
noções básicas de primeiros socorros.
Quanto mais extensa for a área queimada, maior será a sua
gravidade.

Profundidade das queimaduras

A profundidade das queimaduras é classificada em graus.

• 1º Grau
São as menos graves, envolvendo apenas a superfície exterior da
pele (epiderme).

Caracterizam-se pela pele quente, vermelha, sensível e dolorosa.

• 2º Grau
Envolvem a primeira e segunda camadas da pele,
respectivamente epiderme e derme.
Caracterizam-se pela pele com bolhas (flictenas) e é muito
dolorosa.

Pág 31
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

• 3º Grau
Existe destruição de toda a espessura da pele (epiderme e
derme) e dos tecidos subjacentes.
Caracterizam-se pela pele acastanhada ou negra.

Pág 32
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros
Localização das queimaduras

As queimaduras nas vias respiratórias (vias aéreas) são sempre


graves e deve-se sempre suspeitar de compromisso respiratório
quando existem queimaduras na face e em volta da boca.
Geralmente, a vítima tosse, expelindo partículas de carvão e
sangue, e tem dificuldade ventilatória, devido ao edema (inchaço)
da laringe, podendo, ainda, apresentar bolhas nos lábios e narinas.

As queimaduras das mãos e pés, ou a nível de qualquer articulação,


são também graves, pela possibilidade da perda de movimentos.

As queimaduras complicadas com feridas ou fracturas são sempre


graves.

As queimaduras dos órgãos genitais são de gravidade elevada.

Idade da vítima

A idade e o estado de saúde da vítima têm muita importância em


relação ao restabelecimento. Os idosos e as crianças, ainda que
com queimaduras do mesmo grau e extensão que um adulto
jovem, podem ter mais problemas.

Cuidados de emergência

Logicamente, o primeiro passo na actuação será afastar a


vítima do agente que provocou a queimadura.

Os cuidados a ter visam fundamentalmente:

• Aliviar a dor;
• Prevenir e tratar o choque;
• Prevenir a infecção.

Devem-se aplicar pensos porque evita o contacto com o ar o


que diminui a dor.
Os pensos a utilizar devem estar esterilizados para evitar a
contaminação da superfície contaminada.

Pág 33
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros
Se a extensão da queimadura for grande, devem utilizar-se para
cobrir a vítima lençóis esterilizados, ou na falta destes lençóis limpos
previamente humedecidos com soro fisiológico (podendo ser
substituído por água).
Não se deve aplicar qualquer tipo de gordura. Apenas se podem
aplicar compressas humedecidas com soro fisiológico, ou na falta
deste, água à temperatura ambiente.
Nas queimaduras dos dedos, das axilas, etc., sempre que duas
zonas da pele estejam em contacto, devem colocar-se pensos a
separá-las para impedir que adiram.

Zona de
contacto

A roupa da vítima não se deve tirar quando está “colada” à


queimadura pois pode agravar a lesão, passado por exemplo de 2º
para 3º grau, ou ainda passar para queimadura complicada com
ferida.
Quando a queimadura é produzida por químicos líquidos, deve
retirar-se toda a roupa e lavar a vítima com água abundante (se não
existir contra-indicação).
Caso a queimadura química provenha de pó, deve “sacudi-lo”
muito bem antes de fazer a lavagem, a fim de evitar que a sua
diluição seja motivo de agravamento.
Para as queimaduras nas extremidades (mãos ou pés),
mergulhar o membro em água ou envolvê-lo em compressas
húmidas para ajudar a aliviar a dor.

Em todas as situações de emergência, deve ligar para o 112.

Pág 34
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

VIII – ASFIXIA

OBJECTIVOS
• Identificar uma vítima em situação de asfixia
• Executar 5 pancadas intercostais
• Executar a manobra de Heimlich

A vítima apresenta uma expressão de grande aflição e angústia bem


patentes no seu rosto:
• Olhos muito abertos;
• Boca aberta, querendo desesperadamente falar, sem conseguir
emitir qualquer som;
• Normalmente ambas as mãos agarradas ao pescoço, parecendo
querer «arrancar» qualquer coisa.

Se a vítima está a ficar cansada e fraca ou já não tosse ou respira:

1. Retirar qualquer corpo estranho da boca e, colocando-se ao lado


da vítima, estando esta inclinada para a frente sobre o braço do
socorrista, efectuar cinco pancadas nas costas entre as
omoplatas, com a base da palma da mão. Se estiver deitada, rolar
a vítima para o lado, de frente para o socorrista, e efectuar as cinco
pancadas entre as omoplatas.

Pág 35
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho
Noções Básicas de Primeiros Socorros

2. Se as pancadas entre as omoplatas não forem eficazes, iniciar de


imediato a desobstrução das vias aéreas através da execução da
manobra de Heimlich, ou seja, compressão abdominal,
observando os seguintes passos:

a) Colocar-se atrás da vítima e, com os próprios braços, envolver a


cintura da mesma;

b) Com a mão fechada em punho, colocar o dedo polegar contra o


abdómen da vítima, a meio de uma linha imaginária, entre o umbigo
e o apêndice xifóide. Com a outra mão, envolver o punho fechado;

c) Efectuar cinco compressões abdominais, no sentido para dentro e


para cima – cada uma delas deverá ser pausada, segura e seca.

Pág 36
Manual de Formação
Departamento de Segurança e Higiene no Trabalho