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VISÃO GERAL

1) O QUE É ESTRATÉGIA?

ESTRATÉGIA, de modo simplificado, nada mais é do que a escolha de um


caminho para o alcance de um objetivo. Para concursos públicos, temos o
seguinte:

- Objetivo = aprovação

- Estratégia = “COMO” ser aprovado

É justamente para auxiliar os candidatos aos cada vez mais disputados


concursos públicos a responderem a essa pergunta (“como?”) que esta apostila
apresenta o método de estudo C4HIM como estratégia de aprovação.

2) A HISTÓRIA DO MÉTODO

O método C4HIM é fruto de nosso conhecimento prático na área de


concursos públicos. Não só conhecimento próprio, mas também de colegas e
professores[1] que tanto nos ajudaram em nossas batalhas de concurseiros.

A partir de observações e reflexões, e após alguns sucessos e fracassos,


procuramos consolidar neste método as técnicas de estudo mais eficientes
para aprovação em concursos.

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Em síntese, acreditamos que o método funciona justamente porque foi
testado na prática.

1.Nesse sentido, destacamos que boa parte do conteúdo deste texto foi
inspirada nas aulas do professor André Luis de Carvalho, que nos autorizou a
citá-lo como influência na concepção do método

2) VISÃO GERAL DA ESTRATÉGIA (PIRÂMIDE DE PREPARAÇÃO)

Explicação da Pirâmide de Preparação:

O 1º estágio se refere à coleta e leitura de Material Bruto de estudo. Nesta


etapa, não se deixe seduzir por uma bela capa ou pela rápida percepção acerca
de determinado livro. Não tenha dúvida: para cada matéria, em regra, há um
ou dois livros já consagrados para você ler.

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Dessa forma, não reinvente a roda; encontre com os veteranos qual é a
bibliografia recomendada. Agindo assim, você evitará a perda de tempo com
livros que não são os mais indicados. Se alguém já quebrou a cabeça

descobrindo quais são os melhores livros para o seu concurso, descubra quais
são com essa(s) pessoa(s).

Além disso, priorize os livros e evite apostilas. Salvo exceções, as


apostilas, além de conterem mais erros, ficam muito aquém do material bruto
a que se pode ter acesso em livros.

Em adição, valorize também a legislação e os demais tipos de fontes


primárias das matérias a serem estudadas. Muitas vezes, ainda há a vantagem
de tais fontes não serem muito extensas, tampouco de difícil compreensão.
Nesses casos, beba da fonte. Afinal, as questões não saem de apostilas, e sim
do material bruto.

De posse de um bom Material Bruto, o passo seguinte é evoluir do 1º para


o 2º estágio da estratégia, realizando o que entendemos ser o “pulo do gato”.

Enquanto um estudo comum se resume à leitura do material bruto, o


estudo com estratégia será pragmático e terá método.

Será pragmático porque não trabalhará com a mera leitura do material


bruto, e sim com sua leitura à luz do edital, de modo dirigido ao que será
cobrado na prova. Em adição, terá método porque essa leitura seguirá a
seguinte racionalidade: selecionado o item do edital a ser estudado (o material
bruto será lido com o intuito de se cobrir o referido item), a essência do que se
leu será esquematizada com o uso do método C4HIM, a ser explicado mais
adiante.

Nesse contexto, cabe ressaltar ser recomendável que cada esquematização


seja confeccionada em Uma Página no Máximo (UPM) porque, na hora da
prova, não agradará ao cérebro ter que “virar a página” para resgatar
determinada idéia.

Essa esquematização tem o seguinte objetivo: quando o candidato,


durante a prova, se deparar com um determinado item do edital, sua mente
resgatará uma esquematização desse item, evitando assim que caia numa
tentativa frustrada de recuperar o conteúdo por trás de um amontoado de
letras.

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Estando prevenido (tendo um esquema mental), dificilmente haverá o
indesejado “estalar de dedos” com o doloroso pensamento: “eu já li sobre isso,

como é mesmo?”. É justamente como antídoto a esse “branco” na hora da


prova que o estudo esquematizado possibilitará que o conteúdo seja
rapidamente resgatado para a resolução da prova.

A esquematização do material bruto qualifica o estudo porque gera


esquemas como produto da atividade de leitura.

Estudar é um processo e, sob essa ótica, o material bruto é simples


insumo. Após sua leitura, é necessário processá-lo e transformá-lo num
produto (esquema). Isso é que torna o estudo produtivo!

Girar em torno do material bruto, sem método, é o que dá a sensação ao


concursando de que não está evoluindo, e que deve sempre voltar aos livros
para relembrar os tópicos que já estudou, num círculo improdutivo.

A essência do método, portanto, é criar esquemas!

Representação Gráfica do Estudo Qualificado

Por fim, de posse dos esquemas elaborados pelo concursando, chega-se ao


3º estágio da presente estratégia, que se refere ao treino para a prova.
Obviamente, os esquemas não serão confeccionados para serem engavetados.
Serão produzidos justamente para ser material de treinamento para a prova.

A questão é lógica: se na hora da prova o candidato irá recorrer à


esquematização do conteúdo do edital, então nada mais coerente do que
treinar para a prova com base em esquemas, até que estejam todos muito
bem memorizados.

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Portanto, recomenda-se nesse ponto que o material bruto seja colocado de
lado, de modo que o estudo seja realizado com foco total nos esquemas

elaborados, recorrendo-se ao material bruto inicial apenas para sanar


eventuais dúvidas ao longo do estudo por esquemas.

Um ponto central a ser destacado é: estudar esquemas significa revisá-los


e reconstruí-los tantas vezes quanto necessário para que sejam memorizados.

Fica claro que, dessa forma, haverá priorização da teoria e não de


exercícios. Ora, se os exercícios são a aplicação do conhecimento que se tem
da teoria, então o mais importante é dominar a teoria.

Isso não significa, de modo algum, que a prática de exercícios não seja
importante. Somente enfatizamos que em primeiro lugar vem a teoria, depois
os exercícios.

Num passo seguinte, uma vez que o candidato se sinta forte na teoria,
poderá começar a dividir o seu tempo de estudo praticando exercícios. O
contrário é ilógico: como esperar ótimos resultados em exercícios sem uma
boa musculatura teórica? Existindo tempo para praticar muitos exercícios,
ótimo! Maior será a chance de aprovação.

Os exercícios, aliás, serão um bom teste para os esquemas já feitos, pois


permitirão saber se eles estão sendo úteis para resolver questões. Por outro
lado, os exercícios também servirão de subsídio para os esquemas, uma vez
que podem destacar um ou outro detalhe importante, mas que não estava
sendo contemplado.

No lado psicológico da história, a única recomendação que fazemos é que


acredite em si mesmo. A todo tempo, e também nos momentos de fraqueza,
apenas mentalize: “SOU CAPAZ”! Essas duas palavras podem valer mais do
que centenas de recursos psicológico-motivacionais.

TÉCNICAS DE ELABORAÇÃO DE ESQUEMAS

1) O MÉTODO

O método C4HIM é composto de 7 técnicas para elaboração de esquemas:

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C - CHAVES H - HISTÓRIAS

C - COLCHETES I - IMAGENS

C - CONJUNTOS M - MNEMÔNICOS

C - CONCRETIZAÇÃO

CHAVES – Trabalhar com idéias ou palavras-chave, de forma a enxugar o


conteúdo do material bruto, priorizando apenas os principais pontos de
determinado assunto. Isso é especialmente útil nas primeiras leituras do
material bruto. Marcando apenas o fundamental, isso ajudará e muito na
elaboração de esquemas, além de otimizar as próximas leituras.

Este texto, propositadamente, teve algumas de suas palavras destacadas


em verde, para ilustrar como funciona, na prática, a 1ª técnica (Chaves).

Tente revisar este texto lendo apenas as palavras em marcadas em verde.


Muito possivelmente você terá uma boa compreensão de todo o seu conteúdo,
mesmo com muito menos palavras. Aliás, essa é uma boa maneira de se
realizar uma “leitura dinâmica”! Para nós, leitura dinâmica é aquela que se dá
a partir da segunda leitura do material bruto, com as palavras-chave já
destacadas.

COLCHETES – Esquema gráfico em que se parte do geral para o particular, do


gênero para a espécie. Tecnicamente, significa trabalhar com quadros
sinóticos.

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CONJUNTOS – Visualização gráfica da teoria dos conjuntos, utilizando as idéias
de contém ou não contém, pertence ou não pertence, interseções etc. Muitos
aspectos teóricos podem ser agrupados em diferentes conjuntos, o que facilita
muito a memorização.

Exemplo: Pelo disposto nos arts. 89, 90 e 91 da Constituição, é possível


esquematizar parte de seu conteúdo na forma de conjuntos, como abaixo
indicado. A competência para manifestar-se sobre IF (Intervenção Federal), ED
(Estado de Defesa) e ES (Estado de Sítio) é comum aos dois órgãos (CR e
CDN), o que justifica a interseção dos conjuntos. As demais siglas (já
antecipando a técnica dos mnemônicos) indicam competências próprias de
cada órgão: QREID (Questões Relevantes para a Estabilidade das Instituições
Democráticas); e G (Guerra e Paz), U (Utilização de áreas…) e I (iniciativas)
necessárias a DEDIN (Defesa do Estado Democrático e da Independência
Nacional).

CONCRETIZAÇÃO – Significa concretizar as idéias estudadas, visualizando-as


numa situação real ou fictícia. Pela técnica da concretização, além de ler, o
estudante também visualiza o que acontece por trás das letras.

Ao ler um jornal, por exemplo, o estudante atento deve encontrar várias


matérias de concurso público. Já de início, o concurseiro pode se lembrar de
que, de acordo com o art. 150 da Constituição Federal, é vedado ao Poder

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Público instituir impostos sobre “livros, jornais, periódicos e o papel destinado
a sua impressão”.

Ao praticar a técnica da concretização o estudante passa a ter um outro


olhar sobre a realidade. Ao dirigir o carro ou entrar num ônibus, como outro
exemplo, o estudante se lembrará de que compete à União legislar sobre
“trânsito e transporte” (art. 22 da CF).

HISTÓRIAS – Memorização dinâmica de uma sucessão de eventos que se


relacionam por meio de uma história qualquer. Algumas matérias envolvem
uma sucessão de eventos teóricos. Tentar relacioná-los a uma história pode
ser uma ótima saída neste caso.

IMAGENS – Criação de uma imagem que seja útil para resgatar determinada
idéia. Esta técnica será utilizada como exemplo de esquema para “súmula
vinculante”, exposto logo adiante. Neste caso mostraremos um exemplo de
como se construir um esquema “passo-a-passo”.

MNEMÔNICOS[1] – Na sua feição mais popular, consiste na utilização de


palavras cujas letras ou sílabas se relacionam a outras palavras que se
pretende memorizar. Exemplo clássico: LIMPE (CF, art. 37): L (Legalidade), I
(Impessoalidade), M (Moralidade), P (Publicidade) e E (Eficiência).

Quem não se lembra do professor de química, sugerindo os mnemônicos


“Hoje li na carta: Rubens casa na França” e “Bela Magrela Casou com o Sr.
Barão” para a memorização das duas primeiras colunas da tabela periódica?

[1] A etimologia da palavra “mnemônico” deriva de “Mnemosine” - deusa da


memória na mitologia grega. A rigor, todas as técnicas de memorização
estariam abrangidas pela mnemônica, em seu sentido lato, como ciência e arte
da memorização. Neste material, contudo, a palavra “mnemônico” deve ser
tomada em seu sentido mais restrito e concurseiro, conforme definido no item
4.

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Adicionalmente, observe-se que o método é matricial: as 7 técnicas podem ser
utilizadas num mesmo esquema!

EXEMPLO DE ESQUEMA PARA SÚMULA VINCULANTE (Direito Constitucional)

Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação,


mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões
sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação
na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do
Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal,
estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na
forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de
2004) (Vide Lei nº 11.417, de 2006).

§ 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de


normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos
judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave
insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão
idêntica.

§ 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão


ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem
propor a ação direta de inconstitucionalidade.

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§ 3º (para fins de simplificação, este parágrafo foi omitido)

Explicaremos abaixo como o esquema foi elaborado utilizando 3 técnicas do


método C4HIM - Chaves, Mnemônicos e Imagens

1º) Selecionamos as palavras-chave, conforme acima destacado em verde

2º) Criamos os seguintes mnemônicos:

- ARC/VEI (que soa como “arquivei”): consolida as palavras-chave


“Aprovação”, “Revisão”, “Cancelamento”, “Validade”, “Eficácia” e
“Interpretação”, que constam dos §§ 1º e 2º

- GIJ: “Grave Insegurança Jurídica”

- ReMuProQI (soa como “Remo para o QI”): refere-se a “Relevante


Multiplicação de Processos sobre Questão Idêntica”

- GIJ e ReMu Pro QI (juntando os dois últimos, soa como “O giz[1] é


remo pro QI”): unifica os dois anteriores, enfatizando que são consequências
cumulativas, e não alternativas, da “controvérsia atual” (obs: trocar o “e” pelo
“ou” pode mudar o gabarito de uma questão)

- J-J e J-A: resume que a controvérsia atual é entre órgãos judiciários


(J-J) ou entre esses e a administração pública (J-A)

- PIO (“O STF piou”): explicita que o efeito vinculante é apenas a partir
da “Publicação na Imprensa Oficial”

3º) Utilizamos a imagem de uma letra A, cortada por uma linha do tempo,
sendo que esta se justifica pelo seguinte motivo: para que se aprove a SV, é
necessário que, anteriormente, tenha havido “reiteradas decisões sobre

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matéria constitucional”. Além disso, no presente, é necessário que exista a já
abordada “controvérsia atual”

4º) Montamos o esquema final, em UPM.

[1] Aproximações como essa (“GIJ” por “GIZ”) são comuns e fazem parte da
licença poética inerente ao método.

À primeira vista, é possível que se tenha a impressão de que o método é


complexo ou que o esforço envolvido é muito grande. No início essa
preocupação é natural, mas o fato é que, uma vez elaborado o esquema, o
rendimento do estudo e da memorização são expressivamente alavancados.

Geralmente, após reconstruir esse esquema 2 ou 3 vezes, em uma folha em


branco, o candidato já se convence de que estudar pelo esquema é muito mais
produtivo do que voltar a simplesmente ler o livro. O conteúdo é fixado com
mais facilidade e é memorizado de modo muito mais duradouro.

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DÚVIDAS FREQUENTES

1) DÚVIDAS FREQÜENTES

Devo esquematizar “todo” o edital?

- Não. É importante ter prioridades e esquematizar só o essencial.

- Dentre as prioridades, seria interessante incluir assuntos de difícil


memorização e/ou entendimento. Um dos receios em questões discursivas é a
cobrança daqueles assuntos em que parece que temos um ‘vácuo mental’. Ter
pelo menos palavras-chave para eles já nos previne para uma possível
redação.

- Vale a pena dar uma atenção também para alguns itens do edital que
são relativamente pontuais e dão pouco espaço para a banca explorar em
profundidade. Podem garantir alguns pontos ‘fáceis’ na prova.

Devo esquematizar “itens” do edital?

- Também não. Isso porque cada item do edital geralmente contempla


vários subitens. É necessário avaliar, caso a caso, qual a menor unidade de
segmentação da matéria para elaborar esquemas.

- É verdade que quanto mais sintético melhor, mas naturalmente você


irá identificar os limites da sintetização. Ou seja, em alguns casos você
perceberá que um item deve ser aberto em vários outros itens (subitens), sob
pena de inviabilizar uma boa esquematização.

Meus esquemas acabam virando resumos dos textos e leis…

- Resumos podem ajudar, mas nunca substituem bons esquemas.

- Quando se faz um resumo, você está trocando muitas letras sem


nenhum auxílio visual por poucas letras também sem nenhum auxílio visual!

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- O resumo só será eficaz se houver um maior esforço em repetição. O
que se conseguiria memorizar em poucas leituras de um bom esquema, exigirá
mais repetições de leitura de um resumo, que naturalmente consumirá mais
tempo.

- Um ponto positivo é que uma conseqüência natural da repetição e


reconstrução de esquemas é o seu aprimoramento, surgindo esquemas ainda
menores ou com mais mnemônicos ao longo do tempo. Isso provavelmente
ocorrerá com várias leituras de um resumo.

Tenho esquemas, mas continuo lendo os livros. Onde estou errando?

- Isso é muito comum. Provavelmente você parou no 2º estágio da


pirâmide, ou seja, seus esquemas foram “engavetados”, porque sua estratégia
de estudo não está claramente voltada para os esquemas.

- É importante frisar que a esquematização só vale a pena se for sua


principal fonte de estudo. Talvez pode estar acontecendo de você não
encontrar seus esquemas, o que não é incomum. Como dica, sugerimos que
consolide todos os seus esquemas em uma única pasta e crie o hábito de só
estudar o que está naquela pasta (obviamente, isso quando todos os
esquemas já estiverem prontos).

- Outro problema pode ser a dificuldade de estudar por esquemas. Por


isso os esquemas devem ser atraentes e interessantes, como estímulo para
que sejam utilizados.

- Mas cabe ressaltar: o estudo por esquemas só valerá a pena se


for produtivo para você. Respeite sua individualidade e descubra o que
é mais produtivo para o seu caso. O método que apresentamos aqui
não passa de uma sugestão.

http://www.blog.cathedranet.com.br/?s=C4HIM&x=13&y=13

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