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EMENTÁRIO DE VOTOS

(que, em matéria criminal, proferiu o Desembargador CARLOS


BIASOTTI, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Veja
a íntegra do voto no Portal do Tribunal de Justiça:
http://www.tj.sp.gov.br).

• DEFESA (arts. 5º, nº LV, e 133 da Const. Fed.)

Voto nº 1190

HABEAS CORPUS Nº 330.734/7

Art. 158, § 1º; art. 71, parág. único, do Cód. Penal

– A Jurisprudência, ao fixar em 81 dias o prazo máximo para a apuração da


responsabilidade criminal de réu preso, fê-lo genericamente, sem meter em
linha de conta a ocorrência de fatos que atenuam e excepcionam o rigor do
preceito, v.g., a complexidade da causa, que justifica pequena demora na busca
da verdade real, escopo de todo o processo.
–“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento
por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
– Os que se dedicam exemplarmente à profissão que abraçaram são dignos
sempre de louvor, com especialidade os que se consagraram à Advocacia, cuja
desmedida grandeza Rui celebrou num texto sublime: “A defesa tem a sua
religião, e há na defesa momentos em que aquele que apela para a Justiça está
na presença de Deus” (Obras Completas, vol. XXIII, t. V, p. 61).
Voto nº 1363

HABEAS CORPUS Nº 338.414/7


Art. 138 do Cód. Penal

– Em caso de habeas corpus fundado na alegação de falta de justa causa, forçoso é


proceder ao exame da prova, único processo lógico de apreensão da verdade. “O
que a lei não permite e o que a doutrina desaconselha é a reabertura de um
contraditório de provas, no processo sumaríssimo de habeas corpus” (Rev. Trim.
Jurisp., vol. 40, p. 271).
– A intenção de defender (“animus defendendi”) neutraliza a intenção de caluniar
(“animus calumniandi”) (JTACrSP, vol. 70, p. 165).
– “O advogado tem de ser inteiramente livre, para poder ser completamente
escravo de seu dever profissional! O único juiz da sua conduta há de ser a sua
própria consciência...” (Alfredo Pujol, Processos Criminais, 1908, p. 128).
– Sobretudo a liberdade de expressão há sempre de garantir-se aos advogados,
que, dentre todos os profissionais, são os únicos a quem tocou a palavra por
instrumento de luta.
– “O advogado precisa da mais ampla liberdade de expressão para bem
desempenhar o seu mandato. Os excessos de linguagem, que porventura cometa
na paixão do debate, lhe devem ser relevados” (Rafael Magalhães, in Revista de
Jurisprudência, vol. 375).
– “O patrono de uma causa precisa, muitas vezes, para bem defendê-la,
assegurando assim o seu êxito, ser veemente, apaixonado, causticante. Sem
que o advogado revista a sua defesa de tais características, a sorte do seu
cliente estará, talvez, irremediavelmente perdida” (Sobral Pinto; apud
Carvalho Neto, Advogados, 1946, p. 481).
– A renúncia ao exercício do direito de queixa, em relação a um dos autores do
crime, a todos se estenderá (art. 49 do Cód. Proc. Penal) e constitui causa de
extinção da punibilidade do agente (art. 107, nº V, do Cód. Penal).
Voto nº 2264
APELAÇÃO CRIMINAL Nº 1.204.165/8
Art. 157, § 2º, ns. I e II, e 329, do Cód. Penal

– Será sempre louvável e nobre o empenho do Advogado que, sem olhar a tempo
nem a sacrifícios, toma sobre si o encargo de atenuar o golpe que a Justiça
Penal desferiu sobre a cabeça do réu. Há casos, no entanto, em que se lhe
mostra de todo baldio o esforço, por ser impossível negar o que a evidência
mostra.
– Responde pelo crime de roubo, em concurso material com o de resistência
(art. 329 do Cód. Penal), o sujeito que, após a lesão do patrimônio alheio
mediante violência ou grave ameaça, efetua disparos de arma de fogo contra
policiais militares, resistindo-lhes à ordem de prisão.

Voto nº 2115

REVISÃO CRIMINAL Nº 351.248/4


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
art. 29, § 1º, do Cód. Penal

– Ainda que intolerável num processo-crime, por comprometer o zelo da Justiça


e amesquinhar a grandeza da Advocacia, a má defesa não lhe será causa de
nulidade, se não houver prova de prejuízo para o réu.
– “No processo penal, a falta de defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua
deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu” (Súmula nº
523 do STF).
– A confissão extrajudicial autoriza condenação do réu, quando em harmonia
com os mais elementos de prova dos autos.
– Não tem participação de pequena importância (art. 29, § 1º, do Cód. Penal),
mas decisiva e de grande alcance aquele que, em seu veículo, transporta
comparsas até o local do roubo e lhes dá fuga depois de o terem praticado.
Voto nº 2092
APELAÇÃO CRIMINAL Nº 1.179.467/7

Art. 155, § 4º, ns. I e IV, do Cód. Penal

– A versão ingênua e fantasiosa do fato criminoso, demais de não obrigar ao


convencimento, configura desmarcada desobediência ao velho adágio: para
ruim defesa, melhor é nenhuma!
– A apreensão da res furtiva em poder do acusado firma-lhe a presunção de
certeza da autoria, se não provar o contrário de modo pleno e inequívoco.

Voto nº 934

HABEAS CORPUS Nº 323.134/3

Art. 171 do Cód. Penal

– É princípio geralmente recebido que, entre os mais sagrados direitos do preso,


está o de ser julgado, rigorosamente, nos prazos que lhe assina a lei.
– A Jurisprudência fixou em 81 dias o prazo máximo para a apuração da
responsabilidade criminal de réu preso. Esse é o padrão cronológico ideal para
a formação da culpa.
– Algum excesso, contudo, sempre haverá, pois não está nas mãos do Magistrado
atalhar todos os incidentes que possam acarretar involuntária dilação dos
trâmites legais do processo. O prazo da instrução criminal deve aferir-se,
portanto, pelo estalão da razoabilidade, segundo o prudente arbítrio do Juiz.
–“Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento
por excesso de prazo” (Súmula nº 52 do STJ).
– Ainda o pior dos delinquentes não decai nunca da proteção da lei nem pode
ficar privado de justiça. É que, segundo a alta doutrina do insigne Vieira, “ao
mesmo Demônio se deve fazer justiça, quando ele a tiver” (Sermões, 1696, t.
XI, p. 295).
Voto nº 1107

RECURSO EM SENTIDO ESTRITO Nº 1.111.001/6


Art. 129, § 6º, do Cód. Penal; art. 76 da Lei nº 9.099/95

– Desde que regularmente intimada a parte, a falta de apresentação de


contrarrazões não importa nulidade ao processo nem lhe obsta o julgamento:
“agir ou omitir-se, na ocasião própria, dentro do processo, é uma dimensão
de liberdade processual. Cada parte age, ou não age, em certas ocasiões, a
seu risco” (Eliézer Rosa, Dicionário de Processo Civil, 2a. ed., p. 304).
– Nos casos da Lei nº 9.099/95, não tem recurso o ofendido contra a decisão
homologatória da transação penal (art. 76), visto lhe falece a pertinência
subjetiva da ação, isto é, o interesse de agir. O Ministério Público e o autor do
fato são os que, unicamente, nesse pouco, têm voz no capítulo.

Voto nº 1222

HABEAS CORPUS Nº 332.140/0

Art. 157, § 2º, nº II, do Cód. Penal

– A falta de assinatura do termo pelo defensor presente à audiência constitui


simples irregularidade, que não anula o processo (cf. Rev. Trim. Jurisp., vol.
111, p. 1.040; apud Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado,
13a. ed., p. 167).
– Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para
a acusação ou para a defesa (art. 563 do Cód. Proc. Penal).
Voto nº 1259

AGRAVO REGIMENTAL Nº 1.086.053/8 2


Art. 212, § 1º, do Regimento Interno do Tribunal

– Não é toda a enfermidade que se reputa justa causa para a preterição de ato
processual que incumbe ao advogado, senão unicamente a que lhe influi de tal
ordem na higidez (física ou mental), que deveras o incapacita para as
ocupações habituais.
– “A doença do advogado pode constituir justa causa, para os efeitos do art.
183, § 1º, do Cód. Proc. Civil. Para tanto, a moléstia deve ser imprevisível e
capaz de impedir a prática de determinado ato processual” (Revista de
Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, vol. 42, p. 145).
– “As escusas de doença são sempre suspeitas” (Plínio Barreto, Crônicas
Forenses, 1911, p. 173).

Voto nº 1592

APELAÇÃO CRIMINAL Nº 1.144.191/4


Art. 155 do Cód. Penal

– “Quando grosseiramente inverossímil, a defesa do réu é mais um indício de sua


culpabilidade” (Nélson Hungria, in Jurisprudência, vol. 13, p. 236).
– Vale por meia confissão a apreensão da “res” em poder do agente, o qual, se o
não justificar satisfatoriamente, terá procedido como réu confesso.
Voto nº 1897

APELAÇÃO CRIMINAL Nº 1.162.919/8


Art. 168, § 1º, nº III, do Cód. Penal;
art. 89 da Lei nº 9.099/95

– O preceito constitucional de ampla defesa impõe se dê ciência ao réu dos atos


processuais, em obséquio à parêmia “nemo inauditus damnari potest”. (Em
linguagem: Ninguém pode ser condenado sem ser ouvido).
– Nos casos de apropriação indébita qualificada (art. 168, § 1º, nº III, do Cód.
Penal) não tem lugar a aplicação da Lei nº 9.099/95, porque superior a 1 ano a
pena-base (art. 89).

Voto nº 1910

APELAÇÃO CRIMINAL Nº 1.169.875/5


Art. 155, § 4º, ns. I e IV, do Cód. Penal

– A falta de comparecimento do defensor, ainda que motivada, não determinará


o adiamento de ato algum do processo, devendo o juiz nomear substituto,
ainda que provisoriamente ou para o só efeito do ato (art. 265, parág. único,
do Cód. Proc. Penal).
– A titularidade do direito de apelar não é do defensor, senão do réu, ao qual
toca portanto a decisão de fazê-lo. Desde que o réu se oponha ao exercício de
tal direito, haverá o advogado de catar-lhe respeito à vontade, pois o que
procura em Juízo está sujeito ao princípio geral que informa o mandato: só
procede segundo a lei aquele que pratica o ato a que está expressamente
autorizado (e o réu que renuncia ao direito de recurso por isto mesmo
desautoriza expressamente que outrem o exercite).
Voto nº 1977

HABEAS CORPUS Nº 357.532/9


Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal

– “A revelia é uma conduta assumida pelo réu, a seu risco, porque defender-se é
ônus e não obrigação” (Eliézer Rosa, Dicionário de Processo Penal, 1975, p.
75).
– O roubo, como é crime grave, que a sociedade justamente repudia por infundir
em seus membros insegurança e medo, não repugna à consciência jurídica
negar a seu autor o direito de recurso em liberdade.

Voto nº 2401
AGRAVO EM EXECUÇÃO Nº 1.216.445/8
Art. 71 do Cód. Penal;
art. 5º, nº LV, e art. 133 da Const. Fed.

– É dogma constitucional o da plenitude da defesa em todo o gênero de processo


(art. 5º, nº LV, da Const. Fed.). Em seu art. 133 — e louvores se lhe rendam a
essa conta —, a Carta Magna houve o Advogado por “indispensável à
administração da justiça”. Processo algum, portanto, poderá correr sem estrita
observância desses augustos preceitos.
– Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a
acusação ou para a defesa (art. 363 do Cód. Proc. Penal).
– A reiteração criminosa e a habitualidade obstam ao reconhecimento da
continuidade delitiva e, pois, à unificação das penas.
– “É preciso não confundir reiteração de crimes com crime continuado, pois a
prevalecer a confusão, chegaríamos à negação da reincidência, e todo
delinquente profissional, ao fim de sua vida, teria praticado um único crime
continuado” (STF; Rev. Trim. Jurisp., vol. 84, p. 913; Min. Cordeiro
Guerra).
Voto nº 2416

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Nº 354.828/4 1


Art. 619 do Cód. Proc. Penal

– É de bom exemplo atender sempre o Julgador à voz da Defesa, instrumento de


que não raro se vale a Providência de todas as coisas para prevenir erros
judiciários.
– Na busca da verdade dos fatos submetidos à sua apreciação, deve o Juiz olhar
ao conjunto das provas. Ainda que, na ordem física, uma pedra que tombe do
rochedo basta a mudar o curso do rio, no processo penal é pelo conjunto
probatório que o Juiz forma sua convicção.
– “A metade só da verdade é uma mentira inteira” (Almeida Garrett, Obras
Completas, 1854, vol. II, p. 732).
– “A prova, para a revisão criminal, há que ser produzida judicialmente, com
obediência ao princípio do contraditório” (RJTACrimSP, vol. 38, p. 510; rel.
Min. Carlos Velloso).
– “Quando grosseiramente inverossímil, a defesa do réu é mais um indício de sua
culpabilidade” (Nélson Hungria, in Jurisprudência, vol. 13, p. 236).

Voto nº 2865
APELAÇÃO CRIMINAL Nº 1.240.103/1
Art. 168, § 1º, nº III, do Cód. Penal

– A contumácia, a fuga e a ocultação do réu definem-lhe, de regra, a culpa (“lato


sensu”), pois conforme o recitavam os antigos, “não foge nem se teme a
inocência da Justiça” (Antônio Ferreira, Castro, ato IV).
– Comete crime de apropriação indébita agravada (art. 168, § 1º , nº III, do
Cód. Penal) o empregado que, em nome da firma para a qual efetuava
cobranças, recebe dinheiro e valores de clientes e não lhe presta contas,
usando-os em proveito próprio.
Voto nº 2887
REVISÃO CRIMINAL Nº 365.740/1
Art. 157, § 2º, ns. I e II, do Cód. Penal;
arts. 156 e 621 do Cód. Proc. Penal

– A deficiência do patrocínio de causa-crime somente lhe determinará a


nulidade se houver prova cabal de prejuízo para o réu (art. 563 do Cód.
Proc. Penal).
– Pelo que respeita à alegação de laconismo da Defesa, vem a ponto a exortação
do velho Ministro Joaquim Barradas: “não ser de bom conselho medir pelos
ângulos de um compasso o valor jurídico de uma peça forense” (apud
Hermenegildo Rodrigues de Barros, Grandes Figuras da Magistratura, 1941,
p. 328).
– Os homens de circunspecção, persuadidos de não possuir o dom da inerrância,
desconfiam sempre do valor absoluto das decisões; não lhes faz abalo no
espírito reexaminar questão já sob o selo da coisa julgada, antes o reputam
corolário do sistema jurídico-filosófico adotado entre nós para o processo: o da
pesquisa da verdade real.
– Apenas ofende a evidência dos autos a decisão que deles se aparta às inteiras,
não estando nesse número a que se apóia em fortes elementos de convicção,
como o reconhecimento seguro do réu pela vítima de roubo.
– Na revisão criminal, é do peticionário o ônus da prova da erronia ou injustiça
da sentença condenatória, como o impõe a exegese do art. 156 do Cód. Proc.
Penal.

Voto nº 2925

RECURSO EM SENTIDO ESTRITO Nº 1.210.797/9


Arts. 138, 139 e 140 do Cód. Penal;
arts. 41 e 43, nº III, do Cód. Proc. Penal

– Ao investir o particular do direito de processar o autor de crime contra a honra,


transferiu-lhe também o Estado o encargo de elaborar a peça técnica, segundo o
rigor do estilo judiciário. A queixa-crime, por isso, conterá a exposição do
fato criminoso com todas as suas circunstâncias, em ordem a possibilitar a
verificação da existência de justa causa para a persecutio criminis e a plena
defesa do acusado (art. 41 do Cód. Proc. Penal).
– A inobservância do referido cânon (art. 41 do Cód. Proc. Penal) importa vício
formal grave, cuja sanção é a rejeição mesma da queixa-crime.
– “As omissões da queixa só podem ser supridas (CPP, art. 569) dentro do prazo
de seis meses previsto no art. 38 (STF, RTJ 57/190; TJSP, RT 514/334)”
(Damásio E. de Jesus, Código de Processo Penal Anotado, 17a. ed., p. 43).

Voto nº 3036
APELAÇÃO CRIMINAL Nº 1.264.757/3
Art. 138, caput, do Cód. Penal;
art. 133 da Const. Fed.

– A liberdade de requerer das partes “não deve degenerar em abuso por forma a
paralisar a marcha do processo, com o propósito de retardar a administração
da justiça ou tumultuar a ordem processual” (Bento de Faria, Código de
Processo Penal, 1960, vol. II, p. 210).
– O acusado que não se manifesta acerca de proposta de suspensão condicional
do processo (art. 89 da Lei nº 9.099/95), sobretudo se intimado
insistentemente a fazê-lo, já não pode reclamar a concessão do benefício em
grau de recurso. Não se ignoram os efeitos da inércia no âmbito do processo
penal, consubstanciado no aforismo jurídico: “Dormientibus non succurrit
jus”.
– Comete o crime de calúnia (art. 138 do Cód. Penal) o Advogado que, ao
patrocinar a defesa oral de Vereador no recinto de Câmara Municipal, imputa
falsamente a um dos edis fato definido como corrupção ativa (art. 317 do Cód.
Penal) e não o prova nem se defende mediante exceção da verdade.
– A imunidade penal do Advogado exige “estreita relação entre a eventual
ofensa e o exercício da profissão (defesa de direito). A indenidade não
pretende liberar abusos, tanto que a disposição constitucional a impõe nos
limites da lei (art. 133 da Const. Fed.)” (Damásio E. de Jesus, Código Penal
Anotado, 9a. ed., p. 460).

Voto nº 2749
APELAÇÃO CRIMINAL Nº 1.219.995/3
Arts. 138, 139, 140 do Cód. Penal;
art. 18, parág. único, do Cód. Penal

– A forma tem inquestionável importância, como o significa o trilhado brocardo


jurídico “forma dat esse rei”: a forma dá vida à coisa. Não há, entretanto,
imolar na ara do frívolo curialismo, pois entre nós foi “consagrado o
princípio geral de que nenhuma nulidade ocorre se não há prejuízo para a
acusação ou a defesa” (Exposição de Motivos do Cód. Proc. Penal, nº XVII).
– A linguagem veemente, nos pleitos judiciais, é matéria que não espanta nem
admira: empregaram-na sempre os mais abalizados causídicos. O que requer
tem o direito de fazê-lo com energia e bravura; aliás, nisto parece que assenta a
pedra de toque da confiança e justiça do pedido, conforme aquilo do genial
Vieira: “Não hei de pedir pedindo, senão protestando e argumentando, pois
esta é a licença e liberdade que tem quem não pede favor senão justiça”
(Sermões, 1683, t. III, p. 472).
– Não há confundir, todavia, animação de linguagem com ofensa ou convício.
Sob a cor de prover à defesa de seus direitos, ao litigante não é lícito
abocanhar a honra alheia.
– A petição há de ser escrita respeitosamente, atenta a prerrogativa da dignidade
judiciária e das instituições (Pontes de Miranda, História e Prática do
Habeas Corpus, 4a. ed., p. 409).
– “A injúria é sempre um mau argumento: não é lógico, porque não desce da
razão; brota do sentimento, por isso não convence, revolta; a injúria nada
prova. No mais das vezes, ela é a razão do que não tem razão” (Eliézer Rosa,
Novo Código de Processo Civil, 1986, p. 46).
– “Se a intenção do sujeito é apenas de narrar um fato (animus narrandi),
descrevendo sem vontade tendenciosa o que viu ou ouviu, não há os elementos
subjetivos do tipo” (Damásio E. de Jesus, Código Penal Anotado, 9a. ed., p.
442).
– Ainda quando descomedida e apartada da usança pretoriana, a voz da Defesa é
da primeira importância no seio dos autos.
– Isto a calúnia tem de especial: torna pior o caluniador, que não o caluniado.

(Em breve, novas ementas).

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