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26 de Janeiro de 2009

Aperitivo de 9.557 quilómetros para


ligar Lisboa a Buenos Aires

Carlos Sousa iniciou hoje


maior etapa do Dakar 2010
O relógio marcava 16h40 quando Carlos Sousa partiu do Aeroporto de Lisboa. Destino? Buenos
Aires, a capital argentina onde, pelo segundo ano consecutivo, terá lugar a partida daquele que é
considerado o maior rali do mundo. Na bagagem, o piloto leva muita ambição e a vontade de se
superar a cada dia de prova. Objectivo? Um lugar no top-10...
Confiante, descontraído e visivelmente bem-disposto. Assim se poderia resumir o estado de espírito
de Carlos Sousa a poucos minutos de iniciar a sua primeira e mais longa etapa do Argentina-Chile
Dakar 2010.
Relativamente à última vez em que se apresentou à partida da prova, os preparativos foram em tudo
diferentes, bastando recordar que, em 2008, o rali se iniciava a poucos quilómetros de sua casa, numa
edição que entraria directamente para história por ser anulada mesmo na véspera da partida…
Dois anos volvidos, o itinerário nada tem de semelhante, excepção feita ao facto de Lisboa se manter
como ponto de partida de uma viagem que atravessará agora o Atlântico e terminará apenas em
Buenos Aires, num voo intercalado por uma curta escala em Madrid.
Contas feitas, Carlos Sousa terá ainda que vencer os 9.557 quilómetros que separam as capitais
portuguesa e argentina, ou seja, e a título de curiosidade, um pouco mais que o percurso total desta
32ª edição do Rali Dakar, a saber: 9.030 quilómetros. “É o meu primeiro Dakar fora de África, um
continente que mudou a minha vida há quase 14 anos. Mas seja em África ou noutro continente, um
Dakar é sempre um Dakar. A competição mantém-se única; e os melhores pilotos do mundo
continuam a estar presentes”, enfatiza Carlos Sousa, o piloto português com maior sucesso no longo
historial desta prova.
A disputar pelo segundo ano consecutivo na Argentina e no Chile, o rali compreende um total de 14
etapas que perfazem 4.810 quilómetros cronometrados, entre 1 e 16 de Janeiro próximo, coincidindo
a chegada com o dia do seu 44º aniversário. “Esperemos que seja um bom prenúncio e possa festejar
duplamente. Pessoalmente, já o disse, a minha meta passa por conseguir um resultado dentro do
top-10 final, objectivo que já atingi por seis vezes em 11 participações. O problema é que existem
talvez mais 15 a 20 pilotos a partilharem desta minha ambição e até com melhores condições para o
conseguirem”, antevê Carlos Sousa.

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“A minha maior apreensão tem menos a ver com o total desconhecimento do percurso ou com o
facto de estrear uma nova motorização no Mitsubishi Racing Lancer (gasolina no lugar do diesel). O
pior é mesmo saber que vou partir com uma injusta limitação no meu carro, imposta pelas equipas
oficiais e depois confirmada pela Organização. Com efeito, vou ser o único dos 140 pilotos do
pelotão a ter um carro com restritor de 32mm, ao invés dos 34mm estipulados para a admissão de
ar dos motores a gasolina. Na prática, isso representará menos 25 a 30 cavalos de potência”,
pormenoriza o piloto.
Como se isso não bastasse, e também fruto do seu estatuto – só equiparável ao dos pilotos oficiais –,
Carlos Sousa será o único privado a recorrer a uma caixa de apenas cinco relações, contra as seis dos
restantes carros, o que também limitará em 25 km/h a velocidade de ponta do seu Mitsubishi Racing
Lancer MRP 10 inscrito pela JMB Stradale Off Road.
“Até hoje, ninguém conseguiu explicar-me o porquê deste estatuto. A própria Organização admitiu
que ele era injusto! Disseram-me apenas que a lista é elaborada de acordo com os resultados das
últimas edições… Acontece que a última vez que disputei um Dakar foi já em 2007. Enfim, resta-me
aceitar as regras do jogo, mesmo se ele está viciado logo à partida”, acusa.
Mas, apesar destes condicionalismos, a determinação de Carlos Sousa segue em alta: “Parto bastante
motivado e confiante, um pouco à semelhança do que aconteceu no início deste ano, quando
regressei ao Campeonato Nacional”, recorda Carlos Sousa, dominador absoluto da fase inicial do
calendário, até um problema com uma hérnia discal o obrigar a abdicar daquele que seria o seu quinto
título no plano nacional.
REGRESSO À ARGENTINA… SETE ANOS DEPOIS
Embora tratando-se, efectivamente, da sua estreia no actual formato sul-americano do Dakar, a
verdade é que Carlos Sousa já por uma vez visitou a Argentina na qualidade de piloto. E, na verdade,
as recordações deste país não podiam ser melhores, já que a vitória conseguida no Por las Pampas
Rally, então disputado na zona de Córdoba, abriu-lhe em definitivo o caminho para a conquista da
Taça do Mundo FIA de Todo-o-Terreno, em 2003: “Foi um ano inesquecível, talvez o ponto alto da
minha carreira desportiva. Depois do quarto lugar no Dakar, o meu melhor resultado de sempre na
prova, juntei o título mundial ao europeu conquistado meses antes”, recorda.
Agora, seis anos passados, é tempo de regressar ao país das Pampas e ali começar uma nova e inédita
aventura. “Os primeiros dias na Argentina serão necessariamente de adaptação: ao fuso horário
(mais quatro horas que em Portugal Continental) e também ao muito calor que ali se faz sentir, com
temperaturas superiores a 30 graus. Mas antes calor que frio…”, refere o piloto.
Na bagagem, além de muita ambição e vontade de se superar a cada dia de prova, Carlos Sousa leva
também alguns objectos de que já não consegue separar-se, como um pequeno iPod: “Acho que seria
capaz de dispensar tudo o resto, menos o meu iPod. É um objecto muito prático e que me habituei a
usar sempre que viajo. Ajuda-me a descontrair e a passar o tempo, sobretudo em viagens tão longas
e desgastantes como esta”, revela o piloto português, com chegada a Buenos Aires prevista para as 9
horas de domingo (hora local).

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