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O Estado, para poder exercer suas variadas funções, necessita de recursos.

Estes
podem ser provenientes de várias fontes e uma das mais significativas é a tributação. A
tributação não é um exercício totalmente livre, já que a competência para instituir e
arrecadar tributos é delimitada pela Constituição Federal. Além disso, o próprio ente
federativo pode, por diversos motivos, resolver não tributar seus contribuintes (tributos
diretos) ou produtos/serviços (tributos indiretos). As possíveis hipóteses desonerativas são
a não-tributação, a isenção, a imunidade, a alíquota zero e a remissão.
Quanto à imunidade, trata-se de um elenco das hipóteses necessariamente definidas
na Carta Magna. O ente federativo não poderá exercer sua competência tributária por força
das limitantes constitucionais. Como exemplo, podemos citar a imunidade recíproca, na
qual a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios não poderão cobrar impostos
sobre a propriedade e renda uns dos outros.
Já a isenção vem para delimitar o exercício da competência tributária. O Estado tem
o poder de excluir o crédito tributário em determinadas circunstâncias e desde que obedeça
os limites impostos no CTN. O funcionamento é diferente da hipótese de imunidade porque
no caso da isenção o fato gerador ocorre mas a lei impede que ocorra o lançamento (que é o
ato constitutivo do crédito e declaratório da obrigação).
A não-tributação ocorre quando o texto da lei impede a cobrança do tributo ou
quando não há competência para que este seja cobrado ou quando o próprio ente não exerce
sua competência ao não instituir o tributo. Vale lembrar que a imunidade também é
qualificada como não-tributação.
No caso da alíquota zero, o fato gerador ocorre normalmente, mas devido ao fato da
alíquota ser nula, o crédito tributário decorrente também é nulo. Esta hipótese de
desoneração ocorre quando o ente federado deseja isentar alguns itens sem ter de criar uma
lei isentiva.
A remissão é o perdão da dívida tributária. Ela se diferencia da isenção e da
imunidade por ser hipótese de extinção do crédito tributário, ou seja, ocorrem o fato
gerador, o lançamento e a criação do crédito. O ente, deliberadamente, determina o
cancelamento do crédito, dos juros e penalidades a ele associados.
A definição das possibilidades desonerativas é regida necessariamente pelas
condicionantes estabelecidas pela Lei Maior e no CTN. O uso das desonerações deve ser
pensado como elemento de preservação em situações contingenciais ou para o
desenvolvimento de atividades que estejam em níveis incipientes. Cabe aos agentes dosar
este uso sem perder de vista o objetivo maior do Estado que é a proteção do interesse
público.

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