Você está na página 1de 10

O Modelo de Auto-Avaliação das

Bibliotecas Escolares: metodologias de


operacionalização (Parte I)

Práticas e modelos de auto-avaliação de bibliotecas escolares

Manuela Castro Leal

27/Novembro/2009
Introdução

“É cada vez mais importante que as bibliotecas escolares demonstrem o


seu contributo para a aprendizagem e o sucesso educativo das crianças e
jovens que servem “ (texto da sessão p. 1)
A avaliação tradicional da Biblioteca Escolar, baseada em critérios
maioritariamente quantitativos revela-se insuficiente na gestão da mudança que vem
sendo operada nas Bibliotecas escolares do século XXI.
Desta forma, pretende-se, com a implementação deste modelo de auto-avaliação,
ir mais além, e conhecer o benefício que a Biblioteca Escolar traz para os seus
utilizadores através da sua interacção, o valor que estes lhe atribuem e que se traduz
numa mudança de conhecimento, competências, atitudes, valores, níveis de sucesso,
entre outros.
A avaliação da BE fará parte essencial da avaliação interna da Escola e será uma
base para a sua avaliação externa.
Será um processo contínuo, natural, que conduzirá a reajustamentos da sua acção,
acção essa que tem como principais objectivos o desenvolvimento das literacias
imprescindíveis na nossa sociedade e o sucesso educativo dos alunos.
A primeira tarefa para este trabalho era a escolha do domínio para este trabalho,
e que recaiu sobre:
B. (Leitura e Literacia)
e nos subdomínios:
B.1 – Trabalho da BE ao serviço da promoção da leitura na Escola
B.3 – Impacto do trabalho da BE nas atitudes e competências dos alunos, no
âmbito da leitura e da literacia.

Foi seleccionado o subdomínio B.1 como indicador de processo, uma vez que,
através dele, se procederá à verificação do trabalho que é realizado pela Escola e pela
BE.

-2–
Manuela Castro Leal
Como indicador de impacto/outcome, foi eleito o subdomínio B.3, pois a sua
incidência permitirá a verificação dos efeitos desse trabalho nas aprendizagens dos
alunos.
A selecção deste domínio (e subdomínios) foi feita por este ter sido considerado,
à partida, e com base na percepção, um domínio “forte” no trabalho da BE e, por isso,
pretende-se determinar de forma mais precisa o seu impacto na Escola.
Os dois indicadores seleccionados são muito abrangentes e transversais a todas
as áreas curriculares. Ao apoiarmos a aquisição e desenvolvimento de hábitos de
leitura, passamos necessariamente a articular o trabalho da BE com os docentes de
todas as áreas e de todos os níveis e tipos de ensino, a divulgar e utilizar eficazmente
os recursos da BE, a avaliar a prestação de serviços e a gerir a política de renovação
da colecção.

Estabelecimento de um plano de avaliação dos indicadores

Fases do processo

1. Identificação do problema
Uma das principais causas do insucesso dos alunos é a falta de hábitos de leitura,
o que limita a elaboração de textos e provoca a dificuldade de interpretação dos
enunciados.
Logo na primeira página do documento de apresentação do modelo de auto-
avaliação é referido “a biblioteca escolar (BE) constitui um contributo essencial para
o sucesso educativo, sendo um recurso fundamental para o ensino e para a
aprendizagem”.
Assim, o problema da Biblioteca, nesta primeira fase, é avaliar a sua
contribuição e impacto nas competências de leitura e literacias dos alunos,
respondendo a perguntas como:

-3–
Manuela Castro Leal
A colecção da BE será adequada, em quantidade e em quantidade, aos gostos
do público-alvo?
Em que se baseiam os utilizadores para avaliar a qualidade da BE ?
A Escola reconhece a importância da BE no sucesso educativo dos alunos?
As nossas práticas são eficientes, suficientes e eficazes?
As solicitações dos alunos são atendidas?
Os materiais solicitados são de que tipo e como são utilizados?

2. Delimitação do objecto de avaliação


B.1 – Trabalho da BE ao serviço da promoção da leitura na Escola

No que respeita a este indicador de processo, pretende-se avaliar:


Colecção: variedade, quantidade, qualidade e adequação;
Empréstimo domiciliário;
Actividades de promoção da leitura informativa e recreativa;
Difusão dos recursos documentais.

B.3 – Impacto do trabalho da BE nas atitudes e competências dos alunos, no


âmbito da leitura e da literacia.

Em relação ao indicador de impacto, pretende-se avaliar:


A leitura recreativa e informativa;
O progresso dos alunos nas competências da leitura;
Progresso dos alunos nas competências de leitura e de literacia;
Interacção dos alunos com equipamentos e ambientes informacionais
variados;
Participação activa em diferentes actividades promotoras de leitura.

-4–
Manuela Castro Leal
3. Indicação do tipo de avaliação de medida a empreender
A avaliação será de tipo quantitativo, onde será feita a quantificação de “certos
aspectos relativos quer ao funcionamento da BE quer à forma como o trabalho é
percepcionado e apreciado pelos utilizadores da biblioteca.” (RBE Modelo de Auto-
avaliação da biblioteca escolar, p.68) e de tipo qualitativo, pois essa é a filosofia do
modelo de auto-avaliação.

4. Métodos e instrumentos a utilizar, intervenientes e


calendarização do processo de recolha

O quadro seguinte mostra o plano de execução do processo de auto-avaliação da


biblioteca Escolar, no que se reporta aos métodos seleccionados, instrumentos de
recolha a utilizar, intervenientes no processo e calendarização das diferentes fases.

-5–
Manuela Castro Leal
MÉTODO INSTRUMENTOS INTERVENIENTES DATA

Apresentação do modelo de auto-avaliação Professor Bibliotecário Janeiro 2010


Reunião Plano de implementação da auto-avaliação Direcção da Escola
Conselho Pedagógico
Questionário aos alunos (QA2) em suporte digital  Recolha e tratamento de Janeiro 2010
- 1ª aplicação (testagem/ diagnóstico) dados: Professor (1ª aplicação)
Bibliotecário & Equipa da
- 2ª aplicação (efectiva) Biblioteca Junho 2010
Consultas a alunos  Alunos (amostragem: 10% do (2ª aplicação)
Questionário/sondagem no blogue da BE nº total de alunos)
 Taxa de utilização da BE, de leitura em presença (registos diários;
ver como calcular p.64 do doc. sobre o modelo da RBE)
 Percentagem de empréstimos domiciliários (estatística fornecida Recolha ao
pelo GIB) longo do ano
Análise de registos  Percentagem de alunos que recorrem ao empréstimo domiciliário Recolha e tratamento de dados: lectivo
(fichas, grelhas) (estatística fornecida pelo GIB) Professor Bibliotecário & Equipa 2009/10
 Estatísticas de utilização da BE para realização de actividades da Biblioteca
relacionadas com a leitura e literacias da informação (registos Tratamento
diários/ cálculo mensal) feito cada
 Estatísticas de utilização informal da BE (registos diários/cálculo mês
mensal)
 Registo de actividades/projectos (registos diários/cálculo mensal) e Tratamento
taxa de participação dos alunos no final do
 Estatísticas de utilização da BE para actividades de leitura ano - Junho
programada/articulada (registos diários/cálculo mensal) 2010
Quantidade de livros e outros materiais adquiridos anualmente
(registos anuais);

-6–
Manuela Castro Leal
MÉTODO INSTRUMENTOS INTERVENIENTES DATA
Análise de  Número de reuniões: CP, equipa da BE; departamentos Recolha e tratamento de dados:
documentação  Actas das reuniões/ registos Professor Bibliotecário & Equipa Junho 2010
(relativa à  Análise dos resultados dos alunos da Biblioteca
actividade da BE)

Observação directa Professor Bibliotecário & Equipa 3 momentos


(individual/grupo)  Grelhas de observação (a adaptar O3,O4) da Biblioteca diferentes:
 Gravações vídeo Janeiro2010
Alunos (amostragem: 10% do nº Março 2010
total de alunos) Maio 2010
Reuniões/encontros  Pedidos de utilizadores (caixa de sugestões) / cruzamento
de auscultação com requisições desses materiais Professor Bibliotecário 3 momentos
“Focus group”  Comentários orais/escritos sobre actividades articuladas diferentes:
entre a BE e a sala de aula (pesquisas, contratos de leitura) Alunos: 2 por cada curso/turma Janeiro2010
 Gravações vídeo Março 2010
 Registos de reuniões/comentários Equipa da BE Maio 2010
Análise de  Dossier de gestão e actividades da BE 2009/10
documentos e  Plano anual de actividades 2009/10 Professor Bibliotecário & Equipa Junho 2010
recursos  Relatório de actividades 2008/09 e 2009/10 da Biblioteca
produzidos pela  Nº de documentos de apoio produzidos/tema/nº de
BE. utilizações (guiões, apoio ao ensino, literacias,...)
 Documentos de comunicação, divulgação e marketing
 Notícias sobre a BE (site da escola, imprensa local)

-7–
Manuela Castro Leal
5. Recolha e tratamento de dados
A maior parte dos registos realizados na BE estão em suporte papel, mas, ao
serem, agora, reformulados, passarão a estar disponibilizados em suporte digital e
serão acedidos pelos alunos nesse suporte. Os dados estatísticos já são processados
digitalmente. Os questionários serão também elaborados em suporte informático.
O tratamento dos dados será realizado em suporte informático e logo após a sua
recolha, sendo o processamento final feito na primeira quinzena de Julho de 2010.

6. Análise e comunicação da informação


A análise dos dados obtidos conduzirá à elaboração de avaliações sobre a BE e
os seus serviços.
As informações resultantes desta avaliação serão objecto de uma análise e
apreciação.
A avaliação implica uma apreciação baseada na análise de informação
relevante e evidências.
A elaboração do relatório de auto-avaliação, tendo por referência os
referenciais do modelo, será a etapa final desta análise.
Este relatório de auto-avaliação é elaborado seguindo o modelo proposto pela
RBE. Convirá localizar os resultados obtidos no nível definido para os perfis de
desempenho.
A comunicação dos dados será feita, numa apresentação em Power Point, à
equipa da BE, à direcção da Escola e apresentada no Conselho Pedagógico, estando
também disponível para consulta no Blogue da BE. Este processo poderá decorrer no
final do ano lectivo (segunda quinzena de Julho), ou no início do ano lectivo
seguinte (2010/11)

7. Identificação de limitações
Desta auto-avaliação serão extraídos os “pontos fortes”, os “pontos fracos” e as
áreas prioritárias que precisam melhorar; a equipa fará uma reflexão sobre o
desempenho da BE e o consequente nível de desempenho, propondo um plano de
acção para a introdução de medidas correctivas, caso seja necessário.

-8–
Manuela Castro Leal
As limitações que poderão surgir na implementação do processo são por
demais conhecidas, mas destacam-se:
Falta de tempo da equipa, dado que são poucas as horas a ela atribuídas;
Sobrecarga de trabalho para o Professor Bibliotecário que apenas dispõe de 13
horas para a BE, tendo a seu cargo todas as outras tarefas inerentes à leccionação
de anos terminais de curso;
Falta de hábitos de recolha de evidências programadas e sua análise e avaliação;
Ausência de algumas turmas durante um período de tempo alargado, devido à
Formação em Contexto de Trabalho, realizada fora da Escola;
Falta de/pouca vontade em colaborar;
Resistência a qualquer processo de avaliação.

8. Levantamento das necessidades

As necessidades que estão implicadas neste processo são, sobretudo:


Uma boa explicação e bem feita do modelo e do seu funcionamento à equipa da
BE, para a sua total adesão;
Elaboração e/ou adaptação dos instrumentos de registo necessários;
Preparação dos instrumentos de recolha de dados em suporte digital.
Boa disposição, optimismo e vontade de trabalhar…

-9–
Manuela Castro Leal
Bibliografia

RBE - Rede de Bibliotecas Escolares, (12 Nov. 2009).Modelo de auto-avaliação da biblioteca


escolar.

Texto da sessão : “O modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares: metodologias de


operacionalização (Parte I).”

McNamara, Carter (2008). “Basic Guide to Program Evaluation”.

Johnson, Doug (2007). “Getting the most from your school library media program”.

- 10 –
Manuela Castro Leal