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Salesianos do Estoril - Escola E s t o r i l A.P.S.A Q7 –

Salesianos do Estoril - Escola

Estoril

A.P.S.A Q7 Teoria do Big- Bang

Física-Química A - 10º ano

Prof. Luís Gonçalves

Com os trabalhos de Copérnico (1473-1543) e Galileu (1564-1642) ficou-se a saber que a Terra não é o centro do Universo, como julgavam Ptolomeu (90-168 d.C.) e Aristóteles (348-322 a.C.) no modelo geocêntrico, nem mesmo o centro do Sistema Solar. A Terra é o terceiro planeta a contar do Sol e, tal como os outros planetas do Sistema Solar, move-se em torno daquele astro (modelo heliocêntrico). O Sol situa-se na periferia da Via Láctea, uma galáxia constituída por cerca de 100 mil milhões de estrelas, gases e poeiras. O número de galáxias no Universo é estimado em cerca de 100 mil milhões.

Edwin Hubble (1889-1953) descobriu, em 1929, que as galáxias estavam a afastar-se da Via Láctea com velocidades proporcionais à sua distância: quanto mais distante a galáxia, maior era a sua velocidade de afastamento. Este facto constituiu a primeira evidência para a expansão do Universo, que já tinha sido prevista anteriormente por Friedmann (1888-1925) e Lemaitre (1894-1966). As observações de Hubble e as contribuições de outros cientistas como Albert Einstein (1879-1955) e Gamow (1904-1968) conduziram à Teoria da Expansão, ou Teoria do BigBang.

cientistas como Albert Einstein (1879-1955) e Gamow (1904-1968) conduziram à Teoria da Expansão, ou Teoria do

Se o Universo está em expansão, em algum momento do passado teria estado condensado num estado de densidade e temperatura elevadíssimas que o conhecimento atual ainda não consegue explicar. Num dado momento ter-se-á iniciado a evolução do Universo com uma expansão muito rápida e arrefecimento progressivo. Com o arrefecimento a energia deu origem a partículas fundamentais e, depois, a átomos e moléculas que se foram agregando, formando os corpos que existem hoje no Universo. O Universo encontrar-se-á em expansão desde então, sendo a expansão não apenas de energia e matéria, mas também do próprio espaço. Estima-se a idade do Universo em cerca de 14 mil milhões de anos.

Como conseguiram os cosmólogos conhecer as várias fases da história do Universo? Como descobriram como tudo começou?

As três grandes provas do Big-Bang são:

1. Afastamento das galáxias: a força da gravidade entre as galáxias é atrativa, mas, apesar disso, as galáxias estão, na sua grande maioria, a afastar-se umas das outras. Concluímos que o Universo está em expansão a partir de uma prodigiosa concentração inicial de energia.

2. Radiação de fundo de micro-ondas: usando telescópios, observa-se uma radiação de fundo que é igual para onde quer que se olhe (não sendo proveniente, portanto, de nenhuma estrela ou galáxia particular). Esta energia está relacionada com a diferença de energia entre os eletrões separados e os eletrões ligados ao núcleo nos átomos de hidrogénio. A radiação espalhada por todo o lado libertou-se precisamente quando os primeiros átomos apareceram. Podemos dizer que é um «fóssil» que ficou do tempo da formação dos primeiros átomos!

3. A abundância relativa de elementos leves: porque as elevadas percentagens em massa dos elementos hidrogénio e hélio, em relação aos restantes elementos, só podem ser explicadas pela nucleossíntese primordial (formação de núcleos de elementos leves, de número atómico não superior a quatro, segundos depois de ocorrer o Big Bang).Nas estrelas e nas poeiras interestelares existem principalmente os dois elementos químicos mais leves, o hidrogénio e o hélio. As estrelas são «fábricas» que, essencialmente, transformam hidrogénio em hélio. Estes dois elementos juntos são responsáveis por praticamente 100% da composição do Universo: 75% e 23%, respetivamente, em massa (B) e 92% e 7% em número de átomos (A).

do Universo: 75% e 23%, respetivamente, em massa (B) e 92% e 7% em número de
do Universo: 75% e 23%, respetivamente, em massa (B) e 92% e 7% em número de

Prof Luís Gonçalves

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Ao contrário do de que se possa pensar, e apesar do nome, o Big Bang não ocorreu como uma grande explosão. O Universo não se expandiu para o espaço, pois não existia espaço antes do Universo. Em vez disso, é melhor pensar no Big Bang como o aparecimento simultâneo do espaço e do tempo. Não é correto pensar que o Universo se tem expandido a partir de um ponto desde o Big Bang. Deve pensar-se que o espaço foi alongando, levando a matéria com ele.

Como o Universo por definição abrange todo o espaço e tempo por nós conhecido, está para além do modelo do Big Bang dizer para onde se está a expandir o Universo ou o que deu origem ao próprio Big Bang. Apesar de existirem modelos que especulam sobre essas questões, nenhuma delas formulou hipóteses plausíveis ou verificáveis experimentalmente.

A idade do Universo está atualmente estimada em cerca de 13,7 mil milhões de anos (13,7x10 9 anos). Em comparação, o sistema solar tem apenas cerca de 4,6 mil milhões de anos, a Terra formou-se há 4 mil milhões de anos, os dinossáurios extinguiram-se há 65 milhões de anos e o Homem actual terá surgido em África há 200 mil anos. A estimativa para a idade do Universo resulta da medição da matéria e da densidade de energia presente no Universo.

Leitura 1

Há 10 ou 20 mil milhões de anos sucedeu o Big Bang, o acontecimento que deu origem ao nosso Universo. Toda a matéria e toda a energia que actualmente se encontram no Universo estavam concentradas, com densidade extremamente elevada (superior a 5 × 10 16 kg m 3 ) talvez num ponto matemático, sem quaisquer dimensões. Nessa titânica explosão cósmica o Universo iniciou uma expansão que nunca mais cessou. À medida que o espaço se estendia, a matéria e a energia do Universo expandiam-se com ele e arrefeciam rapidamente. A radiação da bola de fogo cósmica que, então como agora, enchia o Universo, varria o espectro electromagnético, desde os raios gama e os raios X à luz ultravioleta e, passando pelo arco-íris das cores do espectro visível, até às regiões de infravermelhos e das ondas de rádio.

O Universo estava cheio de radiação e de matéria, constituída inicialmente por hidrogénio e hélio, formados a partir das partículas elementares da densa bola de fogo primitiva. Dentro das galáxias nascentes havia nuvens muito mais pequenas, que simultaneamente sofriam o colapso gravitacional; as temperaturas interiores tornavam- se muito elevadas, iniciavam-se reacções termonucleares e apareceram as primeiras estrelas. As jovens estrelas quentes e maciças evoluíram rapidamente, gastando descuidadamente o seu capital de hidrogénio combustível, terminando em breve as suas vidas em brilhantes explosões supernovas devolvendo as cinzas termonucleares hélio, carbono, oxigénio e elementos mais pesados ao gás interestelar, para subsequentes gerações de estrelas.

gás interestelar, para subsequentes gerações de estrelas. O afastamento das galáxias é uma prova da ocorrência

O afastamento das galáxias é uma prova da ocorrência do Big Bang, mas não é a única. Uma prova independente deriva da radiação de microondas de fundo, detectada com absoluta uniformidade em todas as direcções do cosmos, com a intensidade que actualmente seria de esperar para a radiação, agora substancialmente arrefecida, do Big Bang.

In Carl Sagan, Cosmos, Gradiva, Lisboa, 2001 (adaptado)

arrefecida, do Big Bang. In Carl Sagan, Cosmos , Gradiva, Lisboa, 2001 (adaptado) Prof Luís Gonçalves

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Leitura 2

Todas as atenções convergem hoje para o CERN, o Centro Europeu de Física Nuclear, perto de Genebra, onde pela primeira vez vão ser feitas colisões de partículas a uma velocidade nunca antes atingida. A ideia é tentar recriar as condições que existiam no início do Universo, logo após o Big-Bang, para encontrar novas partículas, novas forças ou novos fenómenos que permitam explicar o mundo tal como ele é. Nesta recriação vão ocorrei choques entre as partículas que viajam em sentido contrário, a uma

velocidade próxima da velocidade da luz no vazio, ou seja, a cerca de 300 000 quilómetros por segundo.

E é nessas colisões que os físicos esperam

vislumbrar o passado e os seus segredos.

os físicos esperam vislumbrar o passado e os seus segredos. No princípio, há cerca de 15

No princípio, há cerca de 15 mil milhões de anos, logo nos primeiros nanossegundos, o Universo era uma espécie de sopa de partículas. A densidade e a temperatura da matéria eram elevadíssimas e os seus constituintes básicos não estavam agregados nem organizados em objetos, mas andavam à solta, movendo-se a velocidades vertiginosas.

Com o Universo a expandir-se muito depressa,

a temperatura diminuiu e as partículas

começaram a aglomerar-se. Estas partículas agruparam-se em protões e neutrões que, por seu turno, formam, juntos, o núcleo dos átomos. E estes,

e por aí fora, até às árvores, às mesas e

com os seus eletrões a orbitá-los, juntam-se em moléculas cadeiras, aos seres vivos, às estrelas e aos planetas.

DN Ciência, 30 de março de 2010 (adaptado)

Leitura 3

O telescópio espacial europeu Planck, lançado em 2009, revela uma imagem do Universo tal como era

apenas 380 mil anos depois do Big Bang.

tal como era apenas 380 mil anos depois do Big Bang. "Ousámos olhar o Big Bang

"Ousámos olhar o Big Bang de muito perto", o que permitiu "uma compreensão da formação do Universo" vinte vezes melhor que antes, felicitou-se o diretor-geral da Agência Espacial Europeia (ESA), Jean- Jacques Dordain, apresentando em Paris os primeiros resultados do trabalho do Planck.

A imagem confirma a teoria do Big Bang como origem do Universo, mas existem alguns detalhes inesperados que vão exigir aos cientistas ajustar algumas das suas ideias. George Efstathiou, astrofísico da Universidade britânica de Cambridge afirmou que "É uma imagem do Universo tal como era apenas 380 mil anos após o Big Bang", quando a temperatura era de três mil graus.

Antes disso, o Universo era tão quente que a luz não podia escapar.

O Planck capturou em todo o céu o registo fóssil dos primeiros fotões (partículas de luz) que surgiram

no cosmos, viajando mais de 13 mil milhões de anos para chegar até nós. O mapa dos céus agora

divulgado baseia-se em dados recolhidos durante 15 meses pelo telescópio espacial Planck, que custou 600 milhões de euros.

DN ciência 21 março de 2013

pelo telescópio espacial Planck, que custou 600 milhões de euros. DN ciência 21 março de 2013

Prof Luís Gonçalves

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