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CURSO DO PROF. DAMÁSIO A DISTÂNCIA

MÓDULO I

DIREITO INTERNACIONAL

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DIREITO INTERNACIONAL

1. INTRODUÇÃO

O Direito Internacional obteve nos últimos anos o reconhecimento que


os estudiosos sempre entenderam devido.

A sociedade internacional, embora tendo requisitos diferenciados das


sociedades internas, é uma realidade inegável. O nacionalismo do passado vai
cedendo lugar a uma identificação maior com a região em que está situado o
país e a uma solidariedade entre os povos, advinda do reconhecimento da
existência de problemas e anseios comuns.

A sociedade internacional é universal, aberta, igualitária, de direito


originário, sem organização rígida e de cooperação. Universal porque todos os
entes do mundo estão nela abrangidos. Aberta porque todos que têm condições
podem pertencer a ela. Igualitária porque os Estados, sujeitos principais da
sociedade internacional, são considerados formalmente iguais. Sem
organização rígida porque não há órgãos superiores aos Estados, e de
cooperação porque suas regras, princípios, costumes, convenções são
obedecidos com arrimo na cooperação natural entre nações.

O direito que dá suporte à sociedade internacional e a impulsiona é o


Direito Internacional. Assim, acreditam os internacionalistas num sistema
internacional. Várias matérias de estudo foram nascendo nas academias. Todas
preocupadas com esse fenômeno que torna o homem um verdadeiro irmão do
homem, em todos os quadrantes do planeta.

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Estudam-se, nos cursos de bacharelado em Direito, pós-graduação e


cursos independentes, no Brasil e no mundo, as seguintes matérias: Direito
Internacional Público, Direito Internacional Privado, Direito do Comércio
Internacional, Direito da Integração, Direito Comunitário, Direito Penal
Internacional, Direito Tributário Internacional, Direito Internacional do
Trabalho etc.

1.1. Destaques

Algumas matérias merecem destaque porque já se tornaram


tradicionais nas faculdades de Direito, como o Direito Internacional Público e
o Direito Internacional Privado. Outras estão formando o seu campo específico
nos dias atuais, como o Direito Penal Internacional e o Direito Tributário
Internacional. Existem aquelas que já nascem com um estudo alentado, como o
Direito de Integração e o Direito Comunitário, o Direito Internacional do
Trabalho e outras. Enfim, o campo é vasto e o horizonte não está perfeitamente
delineado, porque o dinamismo da sociedade internacional faz surgirem novos
ramos.

2. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO E DIREITO


INTERNACIONAL PRIVADO

O Direito Internacional Público cuida das relações entre os sujeitos de


Direito Internacional – Estados, organismos internacionais e outras
coletividades –, aplicando regras, princípios e costumes internacionais.

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O Direito Internacional Privado é uma matéria do Direito Interno, que


busca a solução de conflitos de leis no espaço, isto é, numa relação jurídica
em que se observa um elemento estranho ao país. São aplicáveis as normas
desse ramo de Direito, que indicam (elementos de conexão) qual o Direito
substantivo que resolve o problema: o nacional ou o estrangeiro. Um bom
exemplo é o art. 7.º da LICC: “A lei do país em que for domiciliada a pessoa
determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade, o nome,
capacidade e os direitos de família”. Esse é um artigo de Direito Internacional
Privado, portanto, o Direito Internacional estabelece a lei do domicílio da
pessoa para resolver problemas do estatuto.

3. AS DEMAIS MATÉRIAS

O Direito de Integração é parte do Direito Internacional Público, assim


como o chamado Direito Comunitário. O primeiro cuida da integração
econômica dos países de uma determinada região: Mercosul, Alca, Nafta etc.
O segundo vem do próprio Direito de Integração, quando essa integração
econômica atinge outros patamares integrativos, como a integração social,
política, educacional etc. É o caso da Comunidade Européia ou União
Européia. Assim temos:

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Zona de Livre Comércio – ZLC

União Aduaneira – UA

Direito de Mercado Comum – MC

Integração

Direito Comunitário União Econômica e Monetária –


UEM

União Política – UP

O Direito Comunitário, por abranger realidades complexas dos países


que se integram e da respectiva região – quebra de fronteira, órgãos
supranacionais (Judiciário, Parlamento e Executivo da Comunidade, um Banco
Central Comunitário, uma moeda comum) –, merece um estudo à parte e
destaca-se no Direito de Integração, que estuda os fenômenos gerais da
integração econômica.

Outras matérias foram mencionadas à guisa de exemplificações: o


Direito Penal Internacional, com projetos da ONU e outros organismos
internacionais sobre a criação de um Tribunal Penal Internacional,
classificação dos crimes contra a humanidade etc.; o Direito Tributário
Internacional, que se preocupa com os estudos dos tributos aplicados pelo
Estado nas suas atribuições internacionais e, portanto, o tributo nos tratados
internacionais, nas fases de integração de uma região econômica etc.; o Direito
Internacional do Trabalho, que revela a análise, estudos e aplicação das normas
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sociais nos países membros da Organização Internacional do Trabalho, a


estrutura desse organismo e sua forma de atuação.

4. FONTES DO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

As fontes do Direito Internacional Público estão classificadas no art. 38


do Estatuto da Corte Internacional de Justiça: tratados, princípios, costumes,
doutrina e jurisprudência internacionais.

Entre essas fontes, os tratados merecem um estudo específico,


constituindo-se numa das matérias mais importantes do Direito Internacional
Público e sobre os quais discorreremos mais adiante.

Os princípios internacionais são muito conhecidos: autodeterminação


dos povos, independência e soberania dos Estados, não-intervenção, solução
pacífica dos conflitos, defesa da paz, igualdade entre os Estados, pacta sunt
servanda etc. Muitos deles estão adotados pela Constituição Brasileira de
forma expressa (vide art. 4.º da CF).

Os costumes, a doutrina e a jurisprudência (julgado das Cortes


Internacionais) também influenciam a sociedade internacional e o direito
respectivo.

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