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TEORIAS E MODELOS DE COMUNICAÇÃO

Docente: Pedro Pinto Machado

Trabalho elaborado pelo aluno: António Machado Fontenete

Epistemologia da Comunicação

Contextos e Teorias de Comunicação

Na sua utilização quotidiana, podemos observar diversas alusões ao termo ensino


enquanto uma palavra que designa transmissão de conhecimento entre pessoas através da
comunicação. De forma mais genérica, Ferreira define o ensino como: “o esforço orientado
para a formação ou a modificação da conduta humana”. Nesse sentido a aprendizagem ocorre
quando o ensinando incorpora novos conhecimentos ao repertório já existente, tornando-se mais
capaz.
A aquisição de novos conhecimentos e habilidades geram um processo de mudanças nas
pessoas que é facilitado quando eles contam com a influência de uma terceira pessoa fora da
relação imediata (Schein, 1972). Essa terceira pessoa pode ser um amigo, namorada, consultor,
terapeuta ou um professor, ou seja, uma pessoa com a qual se estabelece uma relação de ajuda, e
transmite confiança e respeito.
A comunicação é o meio que permite acções mútuas entre pessoas para a aprendizagem.
Existe comunicação quando uma pessoa influi sobre o comportamento de outra, mesmo sem
falar. O essencial é que só se pode fazer alusão à “comunicação”, no sentido exacto da palavra,
quando o receptor tem oportunidade de poder reagir à mensagem do emissor
More e Laird referem que os contextos da comunicação humana, que formam o
cenário das nossas actividades e existência diárias são: Comunicação Intrapessoal;
Comunicação Interpessoal Comunicação grupal Comunicação Organizacional e
Comunicação de Massas (More e Laird). Os mesmos contextos são referidos por
Stephen W. Littlejohn a propósito dos “Fundamentos Teóricos da Comunicação
Humana”.

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Teorias da comunicação Interpessoal

A comunicação interpessoal é um processo de interacção simbólica, que ocorre


em contexto da interacção face-a-face, consistindo em eventos de comunicação oral e
directa. A comunicação interpessoal tem pontos de contacto com os restantes níveis ou
contextos de comunicação, estando desta forma envolvida na comunicação em pequeno
grupo, organizacional e de massas. Mas o que é no fundo comunicação interpessoal?
Segundo Dean Bamlund, o estudo da comunicação interpessoal ocupa-se da
investigação de situações sociais informais em que pessoas face- a- face sustentam uma
interacção concentrada através da permuta recíproca de pistas verbais e não verbais.
Ainda segundo a mesma definição pressupõe cinco princípios importantes
nomeadamente:

1- Devem existir duas ou mais pessoas em proximidade física e que percebam a


presença umas das outras;
2- A comunicação interpessoal envolve independência comunicativa, ou seja o
comportamento comunicativo de uma pessoa, é uma consequência directa do de
outra. Barnlund designou essa qualidade de” interacção focalizada”, a qual
implica atenção mútua concentrada;

- A comunicação interpessoal envolve a troca de mensagens;

- As mensagens são codificadas de várias formas verbais e não verbais;

- A comunicação interpessoal é carente de estrutura, sendo marcada pela


informalidade e pela flexibilidade.

Todas as teorias que tratam da comunicação interpessoal, incluem como factores


decisivos: o relacionamento, a auto-apresentação, a revelação e compreensão, a
percepção interpessoal, a atracção interpessoal e conflito.

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Esquema 1- Modelo de Comunicação Interpessoal

Segundo Watzlawick, existem 5 axiomas na sua teoria da comunicação entre dois


indivíduos. Se um destes axiomas por alguma razão não funcionar, a comunicação pode
falhar.

• É impossível não se comunicar: Todo o comportamento é uma forma de


comunicação. Como não existe forma contrária ao comportamento ("não-
comportamento" ou "anticomportamento"), também não existe "não-
comunicação". Então, é impossível não se comunicar.

• Toda a comunicação tem um aspecto de conteúdo e um aspecto de relação: Isto


significa que toda a comunicação tem, além do significado das palavras, mais
informações. Essas informações são a forma do comunicador dar a entender a
relação que tem com o receptor da informação.

Figura 1- Contradição e Paradoxo, respectivamente (Faria, 2009).

• A natureza de uma relação está dependente da pontuação das sequências


comunicacionais entre os comunicantes: Tanto o emissor como o receptor da
comunicação estruturam essa comunicação de forma diferente, e dessa forma

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interpretam o seu próprio comportamento durante a comunicação dependendo da
reacção do outro.
• Os seres humanos comunicam de forma digital e analógica: Para além das
próprias palavras, e do que é dito (comunicação digital), a forma como é dito (a
linguagem corporal e a gestão dos silêncios), também desempenham uma
enorme importância - comunicação analógica.
• As permutas comunicacionais são simétricas ou complementares, segundo se
baseiem na igualdade ou na diferença.
Existem vários estímulos interactivos nesta comunicação conhecida como
comunicação face-a-face, estímulos verbais, os quais se referem aos aspectos
mais linguísticos da mensagem entre os quais organização do discurso e o
Vocabulário utilizado, estímulos físicos, que incluem os gestos, a expressão
facial, os olhares, as posições corporais, estes estímulos são tratados pela
comunicação cinésica; estímulos vocais, que envolvem os fenómenos para-
linguísticos como o volume, o tom, a velocidade de voz, entre outros e por
último os estímulos situacionais, os quais abrangem os elementos materiais
duma situação como a disposição espacial, as distâncias entre interlocutores,
etc., que são tratados pela comunicação proxémica.

Comunicação grupal

As definições ou conceitos de grupo variam e por vezes, contradizem-se umas às


outras. No entanto A expressão Dinâmica de Grupo surgiu pela primeira vez num artigo
publicado por Kurt Lewin, em 1944, onde tratava da relação entre teoria e prática em
Psicologia Social.
Dynamis é uma palavra grega que significa força, energia, acção. Quando Kurt
Lewin utilizou essa expressão e começou a pesquisar os grupos, seu objectivo era o de
ensinar às pessoas comportamentos novos através de Dinâmica de Grupo, ou seja,
através da discussão e de decisão em grupo, em substituição ao método tradicional de
transmissão sistemática de conhecimentos.

Assim sendo “o grupo é a instância que estabelece a ligação entre o individual e


o colectivo”, segundo M. smith, “um grupo social é uma unidade que consiste num
número plural de organismos, separados, tendo uma percepção colectiva da sua

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unidade e a capacidade de agir, de modo unitário em relação ao seu meio”. Neste
âmbito, considerando os vários conceitos, a comunicação grupal emerge como um
conceito observável e específico que está para além dos indivíduos que o compõem.
Como elementos centrais da definição de um grupo há a destacar a interdependência
funcional entre os seus membros, a partilha de um objectivo comum e a existência de
papéis e normas. Kurt Lewin defendeu o carácter dinâmico da acção humana e a
interligação entre a pessoa e o meio como um campo indecomponível. É a designada
Teoria de Campo que considera que não se pode compreender o comportamento sem
se considerarem os factores externos e internos à pessoa uma vez que estes interagem
na determinação desse comportamento.

A Teoria da Dinâmica dos Grupos procura analisar, do ponto de vista,


interindividual, as estruturas do grupo, como o poder, a liderança e a comunicação;
nesta perspectiva, o grupo é visto como um lugar de integração social. Na Teoria do
Conflito são analisados os grupos em função de circunstâncias externas como a
prossecução de interesses antagónicos e/ou a partilha de um destino comum. Neste caso,
o grupo é um local de diferenciação social.
A expressão Dinâmica de Grupo surgiu pela primeira vez num artigo publicado por
Kurt Lewin, em 1944, onde tratava da relação entre teoria e prática em Psicologia
Social.
Dynamis é uma palavra grega que significa força, energia, acção. Quando Kurt
Lewin utilizou essa expressão e começou a pesquisar os grupos, seu objectivo era o
de ensinar às pessoas comportamentos novos através de Dinâmica de Grupo, ou
seja, através da discussão e de decisão em grupo, em substituição ao método
tradicional de transmissão sistemática de conhecimentos.

A Teoria de Campo de Lewin assenta nas seguintes premissas:

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• O referido conjunto de factores constitui uma relação dinâmica e de
interdependência, a que Lewin chama campo psicológico (que desta forma
constitui o próprio espaço de vida do indivíduo, definindo a forma como este
percebe e interpreta o ambiente externo que o rodeia).
• O comportamento das pessoas resulta de um conjunto de factores que coexistem
no ambiente em que essa pessoa desenvolve a sua actividade, conjunto de
factores este que inclui a família, a profissão, o trabalho, a política, a religião.
• Cada pessoa tem metas em cuja direcção se desloca no espaço vital;
• O comportamento da pessoa pode ser explicado em termos das suas tentativas
para atingir essas metas;
• O campo também contém barreiras que o indivíduo deverá transpor a fim de
alcançar as suas metas.

Comunicação das Organizações

O termo “organizacional” concorre com os termos “institucional”, “global”,


“corporativa”, empresarial” ou de “marca” e o conceito tem quase tantas formulações
quantos os autores. Contudo, o pressuposto deste contexto ou nível assenta na ideia:
A nossa sociedade é uma sociedade organizacional; nascemos em organizações,
somos educados em organizações e a maioria das pessoas consome grande parte de
sua vida trabalhando em organizações.

Várias dimensões de um conceito

• "Unidades sociais (ou agrupamentos humanos) intencionalmente construídas e


reconstruídas, a fim de atingir objectivos específicos" (Parsons);
• Agrupamento de pessoas, trabalhando em uma dada estrutura e local, operando uma
determinada tecnologia, na busca de alcançar resultados e atingir objectivos comuns;
• Para atingir esses objectivos, as organizações acabam se caracterizando, entre outros
aspectos, pela divisão do trabalho e do poder;
• Sistema aberto, em constante transacção com o ambiente a partir de inputs
energéticos (Katz & Kahn)
Espécie de instituição que deve: estar composta por indivíduos e grupos; constituir-se
para a consecução de fins e objectivos específicos; basear-se na diferenciação e na
coordenação racional de funções; manter-se no tempo e delimitar-se espacialmente
(Porter, Lawler e Hakmann)

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• Estrutura configurada a partir de um plano desenhado por uma ou mais pessoas, com o
deliberado e expresso propósito de atingir objectivos. Os esforços racionais e planejados
para atingir esses objectivos estão condicionados por factores externos (económicos,
políticos, tecnológicos), (Abrahamson).
A dimensão pode ser ainda “funcional-instrumental,” “estrutural”, “cognitivo-
institucional”, “comportamental”, “poder”e “decisão”:
Funcional-instrumental - organizar é apenas mais uma função a cargo da direcção, em
síntese, organizar será uma tarefa, um meio, para atingir os objectivos do sistema.
Dimensão estrutural - ênfase na busca de estabilização, as organizações estruturam-se
no sentido de esquematizar e regulamentar as interacções internas e externas. O
conceito de organização como sinónimo de burocracia segue essa linha conceitual.
Cognitivo-institucional - o termo organização passa a designar todo o sistema, a
empresa, e não mais só uma dimensão, função ou actividade do sistema social
Comportamental - que busca cobrir as relações entre indivíduo, sociedade e formas de
estruturação organizativa.
Poder - organizar confunde-se com uma forma de exercício de poder, ao definir linhas
de comando, hierarquias e elementos de diferenciação social e grupal.
Decisão - Baseada em eventos.
Auto-Organização - interacção não previsível de elementos do sistema, que apesar de
não ter ocorrido de forma planejada - apresenta uma “ordem” mais eficaz do que se
tivesse havido planeamento deliberado.
Auto – Criação - São Sistemas que reproduzem todas as unidades elementares de que
se compõem, e com isso delimitam as fronteiras com o ambiente, isto é sistemas
fechados nas suas auto-referências, orientados para a manutenção de sua identidade.

Comunicação de massas

É possível afirmar sem grandes fundamentações, que a constituição de grupos


humanos sempre assentou na comunidade de interesses, na partilha de valores culturais
e na interacção privilegiada entre os seus membros. Perante esta situação, toda a
sociedade humana é, a um tempo, causa e consequência que motiva e origina a
circulação da informação.

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Apesar de a comunicação autêntica ser a que se assenta sobre um esquema de
relações simétricas numa paridade de condições entre emissor e receptor, na
possibilidade de ouvir o outro e ser ouvido, como possibilidade mútua de entender-se
os meios de comunicação de massa são veículos, sistemas de comunicação num único
sentido (mesmo que disponham de vários feedback, como índices de consumo, ou de
audiência, cartas dos leitores). Esta característica distingue-os da comunicação pessoal,
na qual o comunicador conta com imediato e contínuo feedback da audiência,
intencional ou não, e leva alguns teóricos da media a afirmar que aquilo que obtemos
mediante os meios de comunicação de massa não é comunicação, pois esta é via de dois
sentidos e, portanto, tais meios deveriam ser chamados de veículos de mass media.
Podem ter diversas interpretações e significados, referindo-se às mensagens transmitidas
pelos meios de informação, também através dos indivíduos que englobam essa
comunicação social. Ou seja, um sistema produtivo que visa gerar e consumir ideias
para diversos objectivos e públicos.

Esquema 2-Modelos de comunicações de massas

A divulgação em grande escala de mensagens, a rapidez com que elas são


absorvidas, a amplitude que atingem todo tipo de público, cuja própria sociedade
através da Indústria Cultural criou e se alimenta, gera um enorme interesse e abre
espaço para o estudo de nosso comportamento.
Os meios de comunicação (mass média) mais comuns, são, a Televisão, Rádio,
Jornal, Revistas e Internet e todos eles têm como principal função informar, educar e
distrair e (a que Jean Cloutier acrescentou a função de) animar de diferentes formas,
com conteúdos seleccionados e desenvolvidos para seus determinados públicos.

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Os meios de comunicação podem ser usados tanto para fornecer informações úteis
e importantes para a população, como para determinar um modo de pensar, induzindo
certos comportamentos e aquisição de certos produtos.
Cabe aos órgãos responsáveis fiscalizarem que tipo de informação é veiculada por
esses meios, como ao receptor das informações ser crítico para seleccionar e as
informações que considerar úteis, denunciado os abusos às autoridades competentes.
Há uma longa tradição de realçar os traços negativos dos media, (por parte de
certos pessoas das artes e das letras), mantendo-se essas críticas actualmente acerca da
pobreza cultural dos media ou da sua má influência na ordem pública.
No entanto com o surgimento dos novos media, nomeadamente com a Internet,
abriram-se novas perspectivas de debate e maior interactividade, apareceu também uma
percepção mais positiva do seu papel.
Por sua vez a globalização dos media também ajudou a romper fronteiras e, logo,
a alargar o debate. Por isso, sobre os media, ouvimos do melhor e do pior, e ambas as
versões são verdadeiras.

Bibliografia

• The Interactional View Paul Watzlawick (1922- ) and the Palo Alto Group,
disponível em http://www.colorado.edu/communication/meta-
discourses/Theory/watzlawick/
• Emerenciano A. The Teacher and the Axioms of Human Communication. Rev.
Humanidades, Fortaleza, v. 17, n. 1, p. 19-21, jan./jul. 2002
• Schein, Edgar H. Consultoria de procedimento. São Paulo: EPU, 1972
• Faria, J. Definição dos Modelos e Conceitos de Base, 2009. Disponível em:
http://w3.ualg.pt
• Curvello J. Teorias da Comunicação nas Organizações, 2006. Disponível em:
http://www.acaocomunicativa.pro.br
• http://pt.wikipedia.org/
• Machado P. Contextos e Níveis de Comunicação, 2009. Disponível em
http://moodle.ipiaget.org

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